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A ÓPERA ROMÂNTICA ITALIANA

Rossini; Bellini; Donizetti;

Unidade curricular: História da Música III


Docente: Professora Doutora Elisa Lessa
Discente: Janete Silva-A80108
Universidade do Minho
Janeiro 2018
Índice

Introdução .......................................................................................................... 2
Ária ..................................................................................................................... 3
Romantismo ....................................................................................................... 4
Ópera Romântica Italiana ................................................................................... 4
Gioachino António Rossini ................................................................................. 5
Vincenzo Bellini .................................................................................................. 8
Gaetano Donizetti............................................................................................... 9
Bibliografia........................................................................................................ 11

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Introdução

Este trabalho realizado no âmbito da Unidade Curricular de História da


Música III, sob a docência da Professora Doutora Elisa Lessa, consiste na
abordagem da temática “Ópera Romântica Italiana”. Após uma pesquisa
aprofundada em livros e na Internet, falei de forma concreta e clara dos
compositores Rossini, Bellini e Donizetti e das suas inovações na ópera italiana.

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Ária
A ária é uma forma de arte musical, escrita para um ou mais cantores, que
juntamente com os músicos realizam um trabalho dramático combinado com o
texto (o libreto), e a partitura musical num cenário teatral.
Na ópera tradicional, os cantores fazem dois tipos de canto, o recitativo
em estilo de discurso flexionado, e árias mais melodiosas em que as notas são
cantadas de forma sustentada. A ópera tem elementos de teatro falado, cenários
e figurinos, e às vezes incluí dança.
Existem vários tipos de ária, as árias de começo (da capo), com repetições
da primeira parte, depois da segunda ter sido executada, para que houvesse
contraste entre elas. Nesta, de uma parte para a outra a tonalidade poderia
mudar. Existia também a ária Cantabile que eram as árias do Bel canto, onde a
beleza do canto era mais importante do que a dramaticidade; a ária di Bravura,
que eram as árias com maior dificuldade eram escritas para virtuosos. Por fim,
existem as árias di Carattere, que eram as que mais respeitavam o texto, para
que as palavras fossem perfeitamente ouvidas, onde o cantor muitas vezes
falava invés de cantar.

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Romantismo
O romantismo surgiu nos séculos XVIII- XIX, e foi um movimento
artístico influenciado pela literatura e pelas várias manifestações da arte. Está
associado aos sentimentos, como a ternura, a paixão e a sensibilidade, e
surgiu por causa da abertura das mentalidades que ocorreu no Século XVIII e
que nos fizeram regressar ao mundo medieval.
A música no romantismo é caracterizada por ser livre e por viver da
imaginação. A música desta época é pessoal e subjetiva e é marcada por
inovações como o decompor das tonalidades a favor do uso de cromatismos,
pelo uso de acordes quebrados e enarmonias, e pelas melodias muito simples
como as do Classicismos. Ritmicamente, há um uso recorrente das síncopas, e
uma mistura de compassos simples com os compostos. A nível timbrico, há
uma expansão da orquestra que faz com que a sonoridade seja mais cheia.

Ópera Romântica Italiana

A ópera italiana do século XIX provem de uma tradição sólida, enraizada na


vida do país. Itália foi dos países do Norte que menos se deixou afetar pelo
movimento romântico, logo os compositores italianos sentiram-se menos
tentados a fazer experiências novas e mantiveram uma postura conservadora.
A diferenciação entre a ópera séria e buffa manteve-se com toda a clareza até
ao século seguinte, mas, mais tarde, foi na ópera séria que surgiram os primeiros
sinais de transformação. A ópera séria, graças a Gluck e Niccolò Jommelli veio
a conhecer um alargamento da cor orquestral com utilização das madeiras e das
trompas, com a atribuição de um papel mais importante à orquestra e com a
utilização mais frequente de coros.
O precursor da ópera séria italiana do século XIX foi Johann Simon Mayr, um
alemão que, passou grande parte da sua vida em Itália, e que através das suas
obras conseguiu a aceitação geral para muitas das mudanças que Jommelli
pleiteara na geração anterior. Algumas das características da ópera romântica
italiana são:
• Os temas são os sentimentos;
• Alargamento da cor orquestral graças à utilização frequente de
trompas e de madeiras;

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• Maior recurso dos coros;
• Surgem formas dramáticas na música: árias em duas partes;
• O bel canto é uma constante na ópera do inicio, mas depois passa
para o verismo com Puccini;

Gioachino António Rossini


Rossini, foi um compositor italiano, que nasceu a 29 de fevereiro de 1792 em
Pesaro, Itália e faleceu a 13 de novembro de 1868 em Passy, Paris. Rossini era
filho de músicos. A sua mãe, Anna Guidarini, era cantora e o seu pai, Giuseppe
Rossini, era trompista. Com apenas seis anos,
começou a frequentar a banda musical do seu
pai onde tocava triângulo.
Em 1796, com a restauração do antigo
regime austríaco, o pai de Rossini foi detido por
ser a favor Revolução Francesa comandada por
Napoleão Bonaparte, e deste modo, Gioachino
Rossini juntamente com a sua mãe, mudaram-
se para Bolonha onde ficou aos cuidados da sua
avó, e teve aulas no cravo de Giuseppe Prinetti.
Mais tarde, frequentou o liceu musical de
Bolonha que despertou o seu interesse pelas
composições de Haydn, Mozart e pelas óperas de Cimarosa. Nesta fase já tinha
composto, em apenas três dias, sonatas para dois violinos, violoncelo e
contrabaixo, nas quais já mostrava tendências operísticas com as mudanças
rítmicas frequentes e com o uso de melodias simples.
Em 1805, apresentou-se como cantor no Teatro da Comuna de
Ferdinando Paer de Camilla. Por volta desta altura, compôs partes solistas para
um libreto de Vincenza Mombelli chamado Demetrio e Polibio.
Em 1806, começou a estudar violoncelo no Conservatório de Bolonha
com o professor Cavedagni, e no ano seguinte, foi admitido na classe de
contraponto do professor e padre Stanislao Mattei.
Compôs a sua primeira ópera “La Cambiale di Matrimonio”, em Veneza
quando tinha 18 anos, e continuou a sua produção operária em Roma, Veneza,
Bolonha e Milão onde produziu óperas como “La pietra del paragone” e “II Signor
Bruschino”.
Em 1813, escreveu Tancredi e L’italiana em Algeri que foram as óperas
com maior sucesso e que levaram o compositor à fama internacional.

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Em 1815, foi nomeado diretor musical do Teatro San Carlo e do Teatro
Del Fondo, com a condição de que teria de escrever uma ópera por ano para
cada teatro. Compôs ‘’Elisabetta, regina d'Inghilterra’’, onde introduziu as árias
ornamentadas e substituiu o recitativo seco pelo recitativo acompanhado com
um quarteto de cordas.
Em 1816, compôs a sua obra prima “Le Barbier de Séville”, com o libreto
de Sterbini baseado numa comédia de Beaumarchais, que marcou a sua carreira
como compositor operático.
Entre 1815 e 1823 Rossini produziu 20 óperas, sendo que ‘’Otello’’ foi o
ponto alto da sua reforma de ópera séria, em que adotou um estilo similar ao de
Verdi. Esta ópera não foi importante apenas por ter sido o climax dos trabalhos
de Rossini, mas também por ter terminado com os finais trágicos das suas
óperas. Rossini, inicialmente tinha planeado um final infeliz para a sua ópera,
mas não foi bem aceite pelo público, e desta forma, teve que refazer um final
feliz para Otello.
Pouco tempo mais tarde, Rossini mudou-se para Viena e estreou ‘’La
Cenerentola’’ juntamente com “Zelmira” em 1822 sob a sua direção. Depois
disto, regressou a Bolonha, mas um convite para o Congresso de Verona para
auxiliar no restabelecimento geral da harmonia foi muito tentador e Rossini não
pode recusar tendo como consequência as amizades com Chateaubriand e
Dorothea.
A 3 de fevereiro de 1823, em Veneza, apresentou a sua ultima ópera italiana
“La Fenice”.
Em 1824 foi nomeado diretor do Théâtre italien de Paris. A sua popularidade
foi tão grande que Charles X propôs-lhe que escrevesse 5 óperas por ano.
Durante os seus anos em Paris tornou-se um compositor de óperas cômicas
escrevendo “II viaggio a Reims” e “Le comte Ory”, e em 1829 escreveu a sua
última grande ópera “Guillaume Tell” que pôs fim à sua carreira como escritor de
ópera. Esta ultima tem uma duração superior a quatro horas e o libreto é da
autoria de Étienne Jouy e Hippolyte Bis. A música desta ópera é notável pela sua
liberdade e marca uma transição na história da ópera, sendo que a sua abertura
serviu de modelo para outras aberturas românticas feitas ao longo do século.
Em 1829 regressa a Bolonha, mas volta a Paris, onde permaneceu até à sua
morte, com a ideia de escrever uma nova ópera: “Fausto”.
Começa a escrever “Stabat Mater”, uma sequência que teve tanta importância
como as suas óperas. Inicialmente só escreveu seis andamentos desta obra,
passando a responsabilidade a Giovanni Tadolini que escreveu mais seis
andamentos, mas que não terminou. Assim, foi terminada pelo próprio Rossini
em 1841.

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Gioachino Antonio Rossini escreveu 41 óperas, 18 cantatas, 20 peças
instrumentais, 10 obras sacras, 27 obras vocais.

Estilo:
O compositor principal italiano do início do século XIX possuía um dom
invulgar para a melodia, e uma sensibilidade especial para os efeitos cénicos
que lhe proporcionou um sucesso precoce.
A ópera cómica era um campo onde Rossini se movia com especial
facilidade.
O estilo de Rossini combina um fluxo melódico inesgotável com os ritmos,
uma clareza do fraseado, uma estrutura equilibrada, uma textura leve, uma
orquestração escorreita que respeita a individualidade de cada instrumento e
uma estrutura harmónica que, embora não sendo complexa, é muitas vezes
original.
Rossini partilha com muitos outros compositores do início do século XIX a
predileção pelo processo que consiste em justapor as tonalidades da mediante
à tónica. A combinação de uma bela melodia com a vivacidade e o tom
humorístico evidencia-se na ária “Una voce poco fa” («Uma voz, ainda há
pouco»), “d'O Barbeiro de Sevilha.” Os conjuntos vocais de Rossini característico
da ópera cómica, são concebidos com vivacidade e brilho. Uma das técnicas
simples e eficaz que o compositor utiliza nos conjuntos e noutros trechos, é o
crescendo: a animação crescente é obtida através das repetições de uma frase,
cada vez mais forte e mais aguda.
Rossini não foi revolucionário, embora tenha encorajado algumas reformas
tais como: a substituição do piano, no recitativo seco, pelo acompanhamento
orquestral e procurava limitar os excessos dos ornamentos improvisados,
escrevendo por extenso as passagens de coloratura e as cadenzas.

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Vincenzo Bellini
Vincenzo Bellini nasceu a 3 de novembro de 1801 na Catânia, na época do
reino da Sicília, e faleceu nas proximidades de
Paris a 1835. É o mais velho de sete filhos e o
único que se tornou num filho prodígio dentro de
uma família cheia de músicos. Começou a estudar
teoria musical aos dois anos de idade e piano aos
três. Em 1816, Bellini começou a viver com o seu
avô de quem recebeu as suas primeiras aulas de
música, e logo depois começou a compor. Entre
estas composições estavam os nove “Versetti dos
cantaris il Venerdi Santo”.
Em 1818, foi-lhe atribuída uma bolsa para
estudar no Real Collegio di musica di San
Sebastiano em Nápoles. Em Nápoles estudou
com os mestres Mozart e Haydn, Pergolesi e
Paisiello. Estudou harmonia com o professor Giovanni Furno, contraponto com
Giacomo Tritto, e com Niccoló Antonio Zingarelli. Na mesma cidade, também
conheceu compositores importantes dos quais se destacam Gaetano Donizetti,
Francesco Florimo, e Francesco Stabile. As suas obras foram consideradas um
dos pilares da arte operística italiana, consagrada tanto pelos seus
contemporâneos como por Wagner.
Em 1820, escreveu a sua primeira ópera “Adelson e Salvini” com libreto de
Andrea Leone Tottola. Mais tarde, para apresentar no Teatro di San Carlo, Bellini
escreveu a ópera “Bianca e Gernando”. Entre 1827 e 1833, viajou para Milão
onde foi apresentado ao libertista Felice Romani com quem trabalhou em
conjunto e escreveu a ópera “Il Pirata”, a primeira ópera a ter sido conhecida fora
de Itália. Escreveu também “La Straniera” e “Zaira”, mas não tiveram tanto
sucesso. Em 1830, escreveu “I Caputeli” e “Monecchi”, para o teatro La Fenice.
Em 1831, surge uma das suas óperas mais conhecidas “Norma”, encenada no
“La Scala”. A sua fama devia-se a três das suas dez óperas: “La Sonnambula”,
“l Puritani” e , a mais conhecida “ Norma”.

Estilo
O estilo de Bellini é de um lirismo extremamente requintado e longo.

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É um dos compositores mais notáveis do bel canto italiano.
As harmonias que escreveu são caracterizadas por serem delicadas, e as suas
melodias por serem expressivas e flexíveis tais como as de Chopin.
Bellini não inovou nas novas estruturas do melodrama, mas mudou a livre
conduta das árias e o significado dramático dos recitativos.
É influenciado pelo romantismo, em geral, e pela ópera francesa. Juntamente
com Donizetti, Bellini cultivou outro género, a opera semi-séria que era associada
a cenários e sentimentos românticos que criavam um ambiente semelhante ao
da ópera lírica francesa.
O material temático para estas óperas começou a ser tirado cada vez mais
de fontes literárias românticas, em vez das fontes clássicas em que se inspirava
a ópera seria do século XVIII.
Nesta época era notável a influência romântica nos libretos italianos, não
havia nada de romântico nas partituras de Donizetti, e em Bellini, o romantismo
destaca-se no mais subjetivo dos sentimentos do que na própria música.

Gaetano Donizetti
Gaetano Donizetti, nasceu a 29 de
novembro de 1797 em Bergamo, na Lombardia
e faleceu a 8 de abril de 1848. Compôs uma
centena de canções, várias cantatas, música de
câmara e música sacra. As suas obras mais
conhecidas são as óperas sérias “Lucrezia
Borgia”, “Lúcia di Lammermoor”, “Linda di
Chamounix”, a ópera cômica “La fillie du
regiment” e a “L’elisir dámore” e “Don Pasquale”.
Juntamente com Rossini e Bellini, Donizetti
foi influenciado por Verdi, e foi um dos compositores principais do estilo de ópera
Bel Canto durante a primeira metade do século XIX. Embora não tenha nascido
numa família de músicos, ele foi guiado por Simon Mayr, que o matriculou numa
das suas escolas onde Donizetti aprendeu sobre a fuga e o contraponto. Aos 19
anos, escreveu a sua primeira ópera “II Pigmalione”.
No decorrer da sua carreira escreveu mais de 70 óperas, sendo que 51 delas
foram escritas em Nápoles.

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Em 1822, recebeu uma proposta do empresário do Teatro di San Carlo em
Nápoles, que fez com que o compositor fosse viver para lá, e escrevesse
“Caterine Cornaro” em janeiro de 1844.
Antes de 1830, Donizetti teve muito sucesso com as suas óperas cômicas,
contudo, o seu primeiro sucesso notável foi com uma ópera séria “Zoraida di
Granata”, apresentada em Roma.
Com a estreia de “Anna Bolena”, Donizetti trouxe um grande impacto na
cena italiana e internacional da ópera, que fez com que o sucesso das óperas
cómicas fosse mais fraco. Apesar disto, depois desta estreia, os seus trabalhos
mais conhecidos foram comédias como “L’elisir d’Amore” e “Don Pasquale”.
Também escreveu dramas históricos como “Lucia de Lammermoor” e uma
das óperas napolitanas mais sucedidas “Roberto Devereux”.
Até então, todas as suas óperas eram preparadas para os livretos italianos,
assim, vendo-se com limitações, Donizetti em 1836 decide ir trabalhar para Paris
onde vê mais liberdade para compor.
Em 1838, recebeu uma oferta da ópera de Paris que lhe garantiu trabalho
durante dez anos, e fez com que escrevesse mais óperas e as adaptasse a
textos franceses. A primeira ópera que fez, foi uma versão francesa do “Poliuto”.
No decorrer da década de 1840, Donizetti foi viajando entre Nápoles, Roma,
Paris e Viena continuando a compor.
Em meados de 1843, descobriu uma doença que se tornava mais grave a
cada dia que passava e que o limitava nas suas atividades. Eventualmente, em
1846, fico internado numa instituição para doentes mentais, e no fim de 1847,
voltou para Bérgamo onde acabou por falecer.

Estilo
Donizetti tinha o mesmo talento que Rossini para o teatro e para o tratamento
melódico. Nas partes conjuntas, as óperas cômicas suportaram melhor do que
as óperas sérias o passar do tempo.
A música de Donizetti tinha um carácter impulsivo que se adaptava bem à
representação de situações melodramáticas, que muitas vezes são prejudicadas
pela monotonia das harmonias, dos ritmos e da orquestração.
Donizetti foi o antecessor histórico imediato de Verdi, e ambos os
compositores tinham em comum a confiança no gosto e no critério ao público
nacional

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Bibliografia

• ♪ GROUT, Donald J., PALISCA, Claude V., “A History of Western Music”,


5ªedição, Lisboa, Gradiva, 2007.

• ♪ PLATZER, Frédéric, “Compêndio de Música”, Edições 70, março 2009.

• ♪ CARDOSO, José Maria Pedrosa, BORGES, Maria José, “História da


Música”, classicismo, sebenta editora.

• ♪ MICHELS, Ulrich, “Atlas da música II” (do Barroco à atualidade),


Gradiva

• http://www.italianlegacy.com/italian-opera.html

• https://en.wikipedia.org/wiki/Gioachino_Rossini

• https://en.wikipedia.org/wiki/Vincenzo_Bellini

• https://en.wikipedia.org/wiki/Gaetano_Donizetti

• http://www.beatrix.pro.br/index.php/o-romantismo-na-musica-1810-1910/

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