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Português

ENSINO FUNDAMENTAL ANOS FINAIS

LÍNGUA PORTUGUESA 6º ANO

Para Viver Juntos

Fig. 1 (p. 1)

Organizadora: Edições SM

Obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida por Edições SM.

Editora responsável: Andressa Munique Paiva


Bacharela em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero.
Especialista em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Especialista em Fundamentos da Cultura e das Artes pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita
Filho” (Unesp).
Editora de livros didáticos.

Cibele Lopresti Costa


Bacharela em Letras e Mestra em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP.
Professora de Língua Portuguesa e Literatura na rede particular.

Greta Marchetti
Bacharela e Licenciada em Letras e Mestra em Educação pela Universidade de São Paulo (USP).
Professora e Coordenadora de Língua Portuguesa na rede particular.

Jairo J. Batista Soares


Bacharel e Licenciado em Letras pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Professor de Língua Portuguesa e Literatura na rede particular.

São Paulo, 4ª edição 2015

Logotipo SM
Página 02

Para Viver Juntos – Português 6

© Edições SM Ltda.

Todos os direitos reservados

Direção editorial Juliane Matsubara Barroso

Gerência editorial Roberta Lombardi Martins

Gerência de processos editoriais Marisa Iniesta Martin

Coordenação de área Andressa Munique Paiva

Edição Andréia Tenorio dos Santos, Liliane Fernanda Pedroso, Luciana Pereira da Silva, Millyane M. Moura
Moreira, Talita Mochiute

Colaboração técnico-pedagógica Claudia Bergamini, Georgya Correa

Assistência administrativa editorial Alzira Aparecida Bertholim Meana, Camila Cunha, Flavia Casellato,
Silvana Siqueira

Preparação e revisão Cláudia Rodrigues do Espírito Santo (Coord.), Ana Paula Ribeiro Migiyama, Berenice
Baeder, Eliana Vila Nova de Souza, Eliane Santoro, Fátima Cezare Pasculli, Fernanda Oliveira Souza, Izilda
de Oliveira Pereira, Nancy Helena Dias, Rosinei Aparecida Rodrigues Araújo, Sandra Regina Fernandes,
Valéria Cristina Borsanelli, Vera Lúcia Rocha, Marco Aurélio Feltran (apoio de equipe)

Coordenação de design Erika Tiemi Yamauchi Asato

Coordenação de arte Ulisses Pires

Projeto gráfico Aurélio Camilo

Capa Erika Tiemi Yamauchi Asato, Rafael Vianna Leal

Imagem de capa Azulejos da escadaria do Convento de Santa Tereza, Rio de Janeiro (RJ).

Fotografia: Silvestre Machado/Opção Brasil Imagens

Edição de arte Andressa Fiorio, Daniel Campos Souza, Melissa Steiner Rocha Antunes (apoio)

Editoração eletrônica Equipe SM

Iconografia Josiane Laurentino (Coord.), Bianca Fanelli, Susan Eiko Diaz

Tratamento de imagem Marcelo Casaro

Fabricação Alexander Maeda

Impressão
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Costa, Cibele Lopresti
Para viver juntos : português, 6º ano : anos finais : ensino fundamental / Cibele Lopresti Costa, Greta
Marchetti, Jairo J. Batista Soares ; organizadora Edições SM ; obra coletiva concebida, desenvolvida e
produzida por Edições SM ; editora responsável Andressa Munique Paiva. — 4. ed. — São Paulo : Edições
SM, 2015. — (Para viver juntos)
Suplementado pelo manual do professor.
Bibliografia.
ISBN 978-85-418-0933-7 (aluno)
ISBN 978-85-418-0934-4 (professor)
1. Português (Ensino fundamental) I. Marchetti, Greta. II. Soares, Jairo J. Batista. III. Paiva, Andressa
Munique. IV. Título. V. Série.
15-03963 CDD-372.6

Índices para catálogo sistemático: 1. Português : Ensino fundamental 372.6

4ª edição, 2015

=LOGO=ABDR=

Logotipo SM

Edições SM Ltda.
Rua Tenente Lycurgo Lopes da Cruz, 55
Água Branca 05036-120 São Paulo SP Brasil
Tel. 11 2111-7400
edicoessm@grupo-sm.com
www.edicoessm.com.br
Página 3

APRESENTAÇÃO
Todos os dias, participamos de práticas sociais que são mediadas pela linguagem. Ao ler e-mails, jornais,
revistas, propagandas, rótulos de produtos, manuais de instrução, livros, gibis; ao ouvir programas de rádio e
televisão, debates políticos; ao conversar com amigos; enfim, em diferentes situações, entramos em contato
com múltiplas linguagens e discursos.

A linguagem é também a ferramenta com a qual expressamos sentimentos, descobertas, queixas, dúvidas e
certezas. Se você reparar bem, vai perceber que mesmo nossos mais silenciosos e secretos pensamentos só
podem ser formulados porque contamos com esse incrível aparato.

Nesta coleção, você lerá e produzirá textos de diferentes gêneros que circulam em diversas esferas sociais.
Dessa forma, entrará em contato com um rico universo e poderá expor suas ideias, criar, emocionar-se,
argumentar nas mais distintas situações.

Ao término desta jornada que vamos percorrer juntos, esperamos que você descubra as possibilidades
oferecidas pelo estudo da Língua Portuguesa. Assim, você poderá ampliar a sua participação no mundo como
pessoa mais autônoma, crítica e autora de sua história.

Bom estudo!

Os autores
Página 4

CONHEÇA SEU LIVRO


Fig. 1 (p. 4)

Converse com os colegas


Propõe atividades relacionadas à imagem de abertura, destinadas ao levantamento de seus conhecimentos
prévios.
Este boxe apresenta uma síntese do que foi explorado na seção Converse com os colegas.

O que você vai aprender


Sintetiza os conteúdos que você vai explorar ao longo do capítulo.

Página de abertura
Cada capítulo é introduzido por uma imagem e aborda um ou dois gêneros textuais.

Fig. 2 (p. 4)

O que você vai ler


Apresenta o texto e traz informações sobre seu autor e sobre o contexto da publicação, instigando sua
curiosidade.

Leitura 1
Possibilita uma exploração profunda dos elementos textuais, além das marcas do gênero que está sendo
estudado.

Glossário
Destaca palavras e seu significado com a finalidade de ampliar seu vocabulário.

Fig. 3 (p. 4)

A seção Estudo do texto está dividida em:

Para entender o texto


Trabalha as informações explícitas e implícitas do texto; as características próprias da construção do gênero
que está sendo estudado e seus elementos estruturais; a intencionalidade; etc.

O contexto de produção
Aborda especificidades das condições de produção do texto e de sua circulação, relacionando-as ao seu
suporte e à sua função social.

A linguagem do texto
Destaca os recursos linguísticos e gramaticais usados para criar efeitos de sentido e para caracterizar um
estilo ou um tipo de linguagem.
Página 5

Fig. 1 (p. 5)

Leitura 2
Amplia o estudo do gênero e dos conceitos introduzidos no primeiro Estudo do texto ou apresenta um novo
gênero para estudo.

Fig. 2 (p. 5)

Boxes laterais
Distribuídos ao longo do capítulo, expandem informações, oferecem subsídios para reflexão e ampliam suas
referências culturais.

Boxe de valores
Relaciona os temas estudados às questões próprias da convivência, aproximando um assunto abordado no
texto ao dia a dia da comunidade escolar.

Fig. 3 (p. 5)

Além de Para entender o texto, Estudo do texto (Leitura 2) contempla também:

O texto e o leitor
Trabalha as relações que o texto estabelece com o leitor.

Comparação entre os textos


Compara os dois textos principais do capítulo, estimulando o reconhecimento de características gerais do
gênero ou as semelhanças e diferenças entre os dois gêneros trabalhados.

Sua opinião
Estimula você a expressar sua opinião a respeito do que leu e descobriu.

Fig. 4 (p. 5)

A seção Produção de texto é dividida em etapas:

Aquecimento
Destaca um aspecto importante para a produção do gênero proposto.

Proposta
Especifica o que você vai escrever: em qual gênero deverá organizar o texto; com qual finalidade; para qual
público leitor; onde circulará o texto; em que suporte será publicado.

Planejamento e elaboração do texto


Ajuda você a planejar o texto e o encaminha para a escrita.

Avaliação e reescrita do texto


Mostra como verificar se sua produção alcançou os objetivos propostos e, considerando a escrita como um
processo, orienta você a avaliar a necessidade de aperfeiçoamento do texto.
Página 6

Fig. 1 (p. 6)

Reflexão linguística
Introduz a reflexão crítica sobre um conceito gramatical, com base em situações de uso da língua.

Boxe Relacionando
Articula os conhecimentos da reflexão linguística às características do gênero em estudo.

Anote
Distribuídos ao longo do capítulo, estes boxes sistematizam conceitos e noções fundamentais, ajudando a
organizar seus apontamentos.

Fig. 2 (p. 6)

Na prática
Propõe atividades de sistematização de conceitos linguísticos apoiadas em gêneros textuais variados.

Língua viva
Amplia, em um contexto discursivo, a reflexão sobre os conceitos estudados no capítulo.

Fig. 3 (p. 6)

Questões da escrita
Aborda questões de ortografia, acentuação e pontuação, propondo atividades de sistematização.

Entreletras
Traz atividades lúdicas relacionadas ao contexto trabalhado no capítulo.

Para saber mais


Propõe títulos de produções culturais e sites que, pelo tema ou pelo gênero, se relacionam aos textos lidos no
capítulo.
Página 7

Fig. 1 (p. 7)

Atividades globais
Apresenta exercícios de gramática que retomam os conceitos trabalhados no capítulo.

O que você aprendeu neste capítulo


Sintetiza o conteúdo do capítulo, incentivando uma revisão e apresentando o resumo como uma estratégia
eficiente de estudo.

Autoavaliação
Orienta como monitorar seu próprio desempenho, observando aspectos cognitivos e atitudinais.

Fig. 2 (p. 7)

Jogo
Momento em que se propõe a criação de um jogo que vai explorar o conteúdo trabalhado ao longo do ano de
forma lúdica e criativa.
Serão trabalhadas habilidades, baseadas no raciocínio, na resolução de problemas, na construção de
hipóteses, etc.

Interligados
Seção que apresenta uma proposta de trabalho interdisciplinar como forma de relacionar, em situação
prática, os conteúdos de duas ou mais áreas do conhecimento.
Estimula a pesquisa, a investigação, a observação e o trabalho em equipe.

Oralidade
Seção que propõe reflexões e atividades relacionadas à produção textual dos gêneros orais, sejam eles
formais, sejam informais, da esfera pública ou familiar.
Página 8

SUMÁRIO
Fig. 1 (p. 8)
©20thCentFox/Courtesy Everett Collection

1 Narrativa de aventura 10

Leitura 1 “Robinson Crusoé”, de Daniel Defoe 12


Estudo do texto 15
Produção de texto: Narrativa de aventura 20
Reflexão linguística: Língua e linguagem 22
Língua viva: O diálogo entre os textos 27

Leitura 2 “A criatura”, de Laura Bergallo 28


Estudo do texto 31
Produção de texto: Narrativa de aventura 34
Reflexão linguística: Texto e produção de sentidos 36
Língua viva: O contexto de produção e a linguagem 40
Questões da escrita: Letra e fonema 41

Oralidade
Conversa 46

Fig. 2 (p. 8)
Coleção Particular. Fotografia: Raissa Garcia/Acervo do fotógrafo

2 Conto popular 48

Leitura 1 “Os dois papudos”, de Ruth Guimarães 50


Estudo do texto 53
Produção de texto: Conto popular 58
Reflexão linguística: Variação linguística: variedades regionais 60
Língua viva: A variação linguística e a caracterização de personagens 62

Leitura 2 “A moça que pegou a serpente”, de Yves Pinguilly 64


Estudo do texto 67
Produção de texto: Conto popular 70
Reflexão linguística: Variação linguística: variedades situacionais e sociais 72
Língua viva: Linguagem e adequação à situação discursiva 77
Questões da escrita: Encontro consonantal e dígrafo 78

Oralidade
Contação de histórias: conto popular 82

Fig. 3 (p. 8)
Shutterstock.com/ID/BR

3 História em quadrinhos 84

Leitura 1 “Zé Pequeno Voluntário”, de Antonio Luiz Ramos Cedraz 86


Estudo do texto 87
Produção de texto: História em quadrinhos 92
Reflexão linguística: Substantivo 94
Língua viva: O substantivo em classificados e poemas 101
Leitura 2 “A estrela misteriosa”, de Hergé 102
Estudo do texto 104
Produção de texto: História em quadrinhos 106
Reflexão linguística: O substantivo e suas flexões 108
Língua viva: O valor semântico da flexão dos substantivos 113
Questões da escrita: Separação de sílabas 114

Interligados
E agora… a festa do Bumba-meu-boi! 118

Fig. 4 (p. 8)
Eduardo Bernardino/Coletivo PI

4 Notícia 120

Leitura 1 Animais órfãos adotam brinquedos para simular aconchego de mãe, de Portal A
Crítica 122
Estudo do texto 124
Produção de texto: Notícia 128
Reflexão linguística: Adjetivo 130
Língua viva: O adjetivo na notícia 135

Leitura 2 Capoeira sobre duas rodas, de Jornal do Commercio 136


Estudo do texto 138
Produção de texto: Notícia 140
Reflexão linguística: O adjetivo e suas flexões 142
Língua viva: O valor semântico da flexão dos adjetivos 147
Questões da escrita: Sílaba tônica e acentuação das oxítonas e das proparoxítonas 148

Oralidade
Locução de notícias para rádio 152

Fig. 5 (p. 8)
Haroldo Castro/Acervo do fotógrafo

5 Relato de viagem e diário de viagem 154

Leitura 1 “Partir” e “Uma foca solitária”, de Amyr Klink 156


Estudo do texto 159
Produção de texto: Relato de viagem 164
Reflexão linguística: Artigo e numeral 166
Língua viva: A determinação e a indeterminação 169

Leitura 2 “Diário de viagem - Manaus – março 2011”, de Thalita Figueiredo 170


Estudo do texto 173
Produção de texto: Diário de viagem 176
Reflexão linguística: Interjeição 178
Língua viva: A interjeição e a construção de sentidos 181
Questões da escrita: Acentuação das paroxítonas 182

Oralidade

Relato oral de experiência vivida 186

Fig. 6 (p. 8)
Andréa Vilela/ID/BR
Página 9

Fig. 1 (p. 9)
Keith Haring/Coleção particular. Fotografia: ID/BR

6 Poema 188

Leitura 1 “O menino que carregava água na peneira”, de Manoel de Barros 190


Estudo do texto 193
Produção de texto: Poema 198
Reflexão linguística: Pronomes pessoais e de tratamento 200
Língua viva: Pronomes de tratamento e seus usos 205

Leitura 2 “Ritmo”, de Mario Quintana 206


Estudo do texto 207
Produção de texto: Poema 210
Reflexão linguística: Pronomes demonstrativos 212
Língua viva: O pronome na coesão do texto 215
Questões da escrita: Acentuação de hiatos e ditongos 216

Interligados
E agora… hora de viajar! 220

Fig. 2 (p. 9)
Coleção do Moma, Nova Iorque. Fotografia: ID/BR

7 Biografia e autobiografia 222

Leitura 1 “Vila Isabel”, de Clóvis Bulcão e Márcia Bulcão 224


Estudo do texto 226
Produção de texto: Biografia 228
Reflexão linguística: Verbo 230
Língua viva: O presente histórico 236

Leitura 2 “Minha precoce vocação para a engenharia”, de Rubem Alves 238


Estudo do texto 240
Produção de texto: Autobiografia 242
Reflexão linguística: Verbo: modo indicativo 244
Língua viva: O uso dos tempos verbais em relatos 248
Questões da escrita: Alguns casos de acentuação 249

Oralidade
Exposição oral de biografias 254

Fig. 3 (p. 9)
Moacyr Lopes Junior/Folhapress

8 Entrevista 256

Leitura 1 “VIVER Entrevista: Paulo Tatit, da Palavra Cantada”, de Revista Viver 258
Estudo do texto 260
Produção de texto: Entrevista 264
Reflexão linguística: Verbo: modo subjuntivo 266
Língua viva: O modo subjuntivo na construção de argumentos 269

Leitura 2 “Eva Furnari: ‘Os professores são heróis’ ”, de O Estado de Minas 270
Estudo do texto 273
Produção de texto: Entrevista 276
Reflexão linguística: Verbo: formas nominais 278
Língua viva: O gerundismo 281
Questões de escrita: Emprego do g e do j 282
Oralidade
Entrevista oral 286

Fig. 4 (p. 9)
Neil Lockhart/Shutterstock.com/ID/BR

9 Revisão 288

Leitura 1 “Piratas sem piedade…”, de Suely Mendes Brazão 290


Estudo do texto 293

Leitura 2 “Tesouro arqueológico é revelado no Sul da Ilha de Santa Catarina”, de Jornal


Notícias do Dia 294
Estudo do texto 296
Reflexão linguística: Revisão 298

Jogo
Os caminhos da aventura 302

Referências bibliográficas 304

Fig. 5 (p. 9)
Ilustrações: Jótah Ilustrações/ID/BR

Fig. 6 (p. 9)
Fabiana Salomão/ID/BR
Página 10

CAPÍTULO 1- Narrativa de aventura


CONVERSE COM OS COLEGAS

1. Observe a cena ao lado.

Fig. 1 (p. 10)


Cena do filme Percy Jackson e o mar de monstros. Direção: Thor Freudenthal. EUA, 2013.
20thCentFox/Everett Collection/Latinstock

a) Quem parece ser o líder do grupo? Justifique sua resposta.

b) Descreva o espaço onde as personagens estão.

2. Esta cena representa um momento da história vivida por essas personagens. Ao observá-la, é possível
identificar o tipo de história da qual a cena faz parte e imaginar como seriam o começo, o meio e o fim.

a) O espaço e as personagens da cena ao lado caracterizam que tipo de história?

b) Com base nas características que você observou no líder do grupo, você diria que ele é o vilão ou o herói da
história? Justifique sua resposta.

c) Que tipo de relacionamento as outras personagens da cena parecem ter com o líder?

d) Imagine e escreva no caderno onde e como começou a história.

e) Você acredita que o espaço retratado na cena é o mesmo em que começou a história? Justifique sua
resposta.

f) Que tipo de situação você acredita que as personagens terão de enfrentar a partir deste momento?

g) Como você supõe que terminará a história?

3. Que título você daria a essa história? Justifique sua resposta.

4. Cite nomes de personagens de filmes e livros que viveram histórias parecidas com a que você imaginou.

Os elementos observados na cena ao lado são característicos das narrativas de aventura. Neste capítulo,
aprofundaremos o estudo sobre personagens e enredo com base em textos representativos desse gênero.
Página 11

O QUE VOCÊ VAI APRENDER

• Características principais da narrativa de aventura


• Enredo, personagem e espaço
• Interpretação de textos verbais e não verbais
• Texto e produção de sentidos
• Letra e fonema
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LEITURA 1
Narrativa de aventura

O QUE VOCÊ VAI LER

Fig. 1 (p. 12)


Daniel Defoe (1660-1731), escritor inglês, publicou em 1719 sua mais conhecida obra, As aventuras de
Robinson Crusoé. Retrato de 1722.
GL Archive/Alamy/Latinstock

No livro As aventuras de Robinson Crusoé são narradas as aventuras de um jovem que, em 1652, decide
deixar a Inglaterra para enfrentar os mais diversos desafios que as viagens pelo mar podiam lhe oferecer.

Depois de escapar de um naufrágio e de libertar-se de piratas, chega ao Brasil, onde se estabelece como
proprietário de uma lucrativa plantação que o torna muito rico. Mesmo assim, resolve partir em busca de
novas aventuras… Mas o navio em que viajava naufraga e, como único sobrevivente, ele passa a viver em uma
ilha deserta, ao norte da América do Sul. Com o que recupera do naufrágio e com os recursos disponíveis no
lugar, constrói tudo o que é necessário para sua sobrevivência. Desse modo, reproduz na ilha muitos aspectos
de seu ambiente de origem, a sociedade inglesa do século XVII.

Robinson Crusoé vive ali durante muitos anos e as únicas pessoas que avista são alguns indígenas do
continente que, de tempos em tempos, desembarcavam nas praias da ilha para realizar rituais de
canibalismo. Mantendo-se sempre escondido, Crusoé consegue soltar um prisioneiro indígena que seria
sacrificado em uma dessas cerimônias. Esse indígena, em homenagem ao dia em que foi libertado, recebe o
nome de Sexta-Feira e torna-se o grande companheiro de Crusoé, auxiliando-o em seus planos para deixar a
ilha.

O trecho que você vai ler narra uma batalha que eles, juntos, travam contra os indígenas inimigos do povo de
Sexta-Feira. Nesse episódio, acabam libertando alguém muito importante…

Robinson Crusoé

Celebrei o vigésimo sétimo aniversário da minha vida na ilha de modo especial. Tinha muito a agradecer a
Deus, agora mais do que antes, já que os três últimos anos haviam sido particularmente agradáveis ao lado
de Sexta-Feira. Tinha também o estranho pressentimento de que este seria o último aniversário comemorado
na ilha.

O barco estava guardado, em lugar seco e protegido, esperando a época das chuvas terminar para
empreender a viagem até o continente.

Enquanto aguardava tempo bom para lançar-me ao mar, eu preparava todos os detalhes necessários ao
sucesso da jornada: armazenar milho, fazer pão, secar carne ao sol, confeccionar moringas de barro para
transportar água…

Sexta-Feira andava pela praia, à cata de tartarugas. Voltou correndo, apavorado.

– Patrão, patrão! Três canoas chegar. Muitos inimigos. Já estar muito perto…

Fig. 2 (p. 12)


Rivaldo Barboza/ID/BR
Página 13

Fig. 1 (p. 13)


Rivaldo Barboza/ID/BR

Também me assustei. Não contava com o inesperado: os selvagens não vinham à ilha no tempo das chuvas.
Espiei-os do alto da paliçada, com os binóculos. Desembarcavam muito próximos do meu “castelo”, logo
depois do ribeirão. O perigo nunca fora tão iminente…

– Não são gente do seu povo, Sexta-Feira?

– Não, patrão. Ser inimigos. Eu ver direito.

– Assim de tão longe? Como é que você sabe?

– Eu saber. Estes são inimigos. Talvez até vir aqui pra pegar Sexta-Feira.

Acalmei-o. Claro que não tinham vindo até a ilha por causa dele! Já havia passado muitos anos… Mas, de
qualquer forma, o perigo era grande. Estavam tão próximos que poderiam descobrir-nos facilmente. Se
quiséssemos ter alguma chance de sobrevivência, precisávamos atacá-los primeiro, quando não esperassem.
Era fundamental fazer da surpresa nosso terceiro guerreiro!

– Você pode lutar? – perguntei ao meu companheiro.

– Sexta-Feira guerrear com patrão. Só dizer o que fazer…

Carreguei duas espingardas e quatro mosquetes com chumbo grosso, para dar a impressão de muitas balas. E
preparei ainda duas pistolas. Reparti as armas de fogo com Sexta-Feira e rumamos para o acampamento dos
antropófagos. Eu levava também a espada, presa à cintura, e meu companheiro, seu inseparável machado.

Protegidos pelas árvores, chegamos a menos de quarenta metros do inimigo. Na hora, não pude contá-los
todos. Posteriormente, somando os mortos e os fugitivos, descobri que eram vinte e um. As chamas da
fogueira já ardiam, como línguas vorazes à espera da gordura humana, que pingava de membros e partes
cortadas, para alimentar sua gula.

Eu relutava em atacá-los. Estava mesmo disposto a aguardar o máximo possível, escondido no meio do
bosque. E, se descobrisse que iriam embora sem andar muito pela ilha, deixá-los-ia voltar sem importuná-
los.

O grupo todo encontrava-se ocupado em soltar as cordas que prendiam mãos e pés de um prisioneiro. Por
fim, desmancharam a roda que ocultava o condenado à morte e o arrastaram para perto do fogo. Meu Deus, o
prisioneiro era um homem branco! Não, não iria aguardar os acontecimentos. Um homem cristão como eu
estava prestes a ser devorado por selvagens antropófagos… Na minha ilha. Eu não podia deixar aquela
bestialidade prosseguir!
Página 14

Fig. 1 (p. 14)


Rivaldo Barboza/ID/BR

Fiz sinal a Sexta-Feira. Estava pronto? Então que atirasse com a espingarda, que seguisse meu exemplo…

– Agora, Sexta-Feira! – berrei.

Os dois tiros ecoaram simultaneamente. Por um instante, o mundo parou. Horrorizados, os selvagens viram
vários dos seus guerreiros caírem sem vida. Não conseguiam compreender de onde vinha a morte. As
espingardas, carregadas com chumbo grosso, provocaram um enorme estrago entre os inimigos: cinco
caíram mortos, três outros feridos. […]

O mundo então pareceu vir abaixo: a praia virou um enorme pandemônio. Tínhamos sido descobertos, mas
ainda assim os selvagens não se atreviam a atacar-nos. Gritos de guerra e raiva misturavam-se aos de dor dos
feridos.

Corri ao encontro do inimigo, Sexta-Feira seguiu atrás de mim. No meio do caminho, já na areia da praia,
paramos para garantir a pontaria do tiro do último mosquete carregado. Mais alguns mortos e feridos caíram
ao chão. Os que ainda se mantinham em pé não sabiam se corriam ou se lutavam. Fomos ao seu encontro.

Ao passar pelo homem branco, entreguei-lhe minha pistola: podia precisar dela para defender-se. A luta
prosseguia, agora num combate corpo a corpo. Matei mais dois, três, quatro – não posso precisar quantos –
com a espada. […] Ainda assim, três inimigos conseguiram saltar dentro de um dos barcos e fugiram para o
mar. Dois pareciam ilesos; o outro sangrava, gravemente ferido. […]

Corremos para a outra canoa, encalhada na areia da praia. Antes de fazê-la navegar, descobrimos, deitado no
seu fundo, mais um prisioneiro amarrado. De repente, a máscara de guerra, em que se transformara o rosto
de Sexta-Feira, tornou-se doce e suave ao avistar o velho homem, imóvel no chão do barco.

Sexta-Feira tratou-o com muito cuidado, dedicação e carinho. Soltou o velho, sentou-o, abraçou-o, apoiou
sua cabeça contra seu forte peito, enquanto afagava com mão de criança seus cabelos…

Sem o saber, Sexta-Feira acabara de salvar da morte o seu próprio pai.

Os fugitivos já iam longe no mar. Era inútil persegui-los. […]

Daniel Defoe. Robinson Crusoé: a conquista do mundo numa ilha. 17. ed. Adaptação para o português:
Werner Zotz. São Paulo: Scipione, 2001. p. 85-89.

GLOSSÁRIO
Antropófago: ser humano que se alimenta de carne humana.
Bestialidade: comportamento que assemelha o homem à besta (“animal”); brutalidade, estupidez,
imoralidade.
Empreender: realizar.
Ileso: sem ferimento.
Iminente: próximo, prestes a acontecer.
Moringa: vaso de barro bojudo e de gargalo estreito usado para guardar e conservar a água fresca e potável.
Mosquete: arma de fogo similar a uma espingarda.
Paliçada: cerca feita com estacas apontadas e fincadas na terra, que serve de barreira defensiva.
Pandemônio: mistura confusa de pessoas ou coisas; confusão.
Simultaneamente: ao mesmo tempo.
Voraz: que devora.
Página 15

Estudo do texto
Responda sempre no caderno.

Para entender o texto

1. Quantos anos Robinson Crusoé já havia vivido naquela ilha?

2. Durante quanto tempo ele permaneceu sozinho na ilha?

3. Crusoé teve de aprender a viver em um espaço bem diferente daquele ao qual estava acostumado. Com
base no texto, copie e complete a tabela a seguir, apontando as características da ilha e o que ele precisou
construir para ali sobreviver.

Presença de vegetação na ilha


As características do mar da região da ilha
O clima da ilha
Como Robinson Crusoé se alimentava
Instrumentos e objetos que Robinson Crusoé precisou fabricar para armazenar água
As características da moradia de Robinson Crusoé
ID/BR

4. Releia este trecho.

Acalmei-o. Claro que não tinham vindo até a ilha por causa dele! Já havia passado muitos anos… Mas, de
qualquer forma, o perigo era grande. Estavam tão próximos que poderiam descobrir-nos facilmente. Se
quiséssemos ter alguma chance de sobrevivência, precisávamos atacá-los primeiro, quando não esperassem.
Era fundamental fazer da surpresa nosso terceiro guerreiro!

a) Que fatos da narrativa esse parágrafo permite antecipar?

b) Nesse trecho também é revelado um dos elementos principais do plano de Robinson Crusoé. Qual é esse
elemento?

c) Releia o quadro O que você vai ler. Por qual motivo os selvagens habitualmente vinham à ilha?

d) Se para Crusoé estava claro que os selvagens não tinham vindo à ilha com a intenção de capturar Sexta-
Feira, por que, mesmo assim, ele decidiu atacá-los?

e) No texto há outro fato que justifica a ação violenta de Crusoé contra os selvagens. Qual é esse fato?

5. Releia o trecho a seguir.

Também me assustei. Não contava com o inesperado: os selvagens não vinham à ilha no tempo das chuvas.
Espiei-os do alto da paliçada, com os binóculos. Desembarcavam muito próximos do meu “castelo”, logo
depois do ribeirão. O perigo nunca fora tão iminente…

Com base nesse trecho, podemos concluir que Robinson Crusoé estava preparado para um ataque dos
selvagens? Justifique sua resposta.

6. O que pode explicar o fato de o pai de Sexta-Feira ter sido aprisionado pelos selvagens e levado à ilha para
ser sacrificado?

Fig. 1 (p. 15)


Rivaldo Barboza/ID/BR
Página 16

Responda sempre no caderno.

A personagem

1. Quem são as personagens do trecho do romance de aventura que você leu?

2. Quem lidera as ações principais da narrativa?

3. Quem auxilia o líder a alcançar esses objetivos?

4. Quem são as personagens que representam uma oposição aos objetivos e às ações do líder?

ANOTE

As personagens podem desempenhar diferentes papéis em uma história.

As personagens principais desempenham papel central na história. Podem ser classificadas como:

• Protagonista – personagem cujos valores, objetivos e ações aparecem em primeiro plano. Nas narrativas
de aventura, geralmente, o protagonista é caracterizado como herói.

• Antagonista – personagem que se opõe ao protagonista e a seus valores, ameaçando a concretização de


seus objetivos, ou, muitas vezes, procurando vencê-lo. O antagonista costuma ser caracterizado como vilão.

As personagens secundárias têm participação menor na história. Classificam-se em:

• Coadjuvante – auxilia o protagonista ou o antagonista a realizar seus objetivos.

• Figurante – personagem cujas ações ou cuja mera presença pouco ou nada alteram o desenvolvimento da
narrativa.

5. Copie e complete o quadro a seguir, identificando as personagens principais e o modo como foram
caracterizadas.

Papel na narrativa Quem é? Características


Protagonista ou herói
Antagonistas ou vilões
ID/BR

6. No texto, Robinson Crusoé menciona como estava se sentindo após viver tanto tempo na ilha e qual era
seu plano para o futuro.

a) Com base nisso, descreva o tipo de atitude que ele tem diante dos problemas.

b) Esse é o comportamento geralmente esperado de um protagonista de narrativa de aventura? Explique.

c) De que modo o fato de a história se desenvolver em uma ilha favorece esse comportamento do
protagonista?

ANOTE

Em geral, as histórias de aventura desenvolvem-se em espaços que oferecem grandes desafios às


personagens.

HERÓIS DO CINEMA
Algumas personagens do cinema marcaram época e tornaram-se referências de heróis em diferentes gêneros.
Você conhece algum destes?

Fig. 1 (p. 16)


Indiana Jones, em Os caçadores da arca perdida, 1981.
LUCASFILM LTD/Paramount/Album/Everett/Latinstock

Fig. 2 (p. 16)


Tempestade, em X-Men: dias de um futuro esquecido, 2014.
20thCentFox/Everett Collection/Latinstock

Fig. 3 (p. 16)


Harry Potter, em Harry Potter e as relíquias da morte – parte 2, 2011.
Warner Bros/Everett Collection/Latinstock

Fig. 4 (p. 16)


Katniss Everdeen, em Jogos vorazes: a esperança – parte 1, 2014.
Lions Gate/Everett Collection/Latinstock
Página 17

7. Releia o texto e copie um trecho que caracterize o relacionamento entre Robinson Crusoé e Sexta-Feira.

8. Reúna-se com mais dois colegas e discuta as questões a seguir. Depois anote as conclusões.

a) Que participação tem Sexta-Feira na elaboração e na execução do plano de ataque contra os selvagens?

b) Sexta-Feira poderia impedir a morte de seu pai sem a interferência de Crusoé? Explique.

ANOTE

As personagens de narrativas de aventura são marcadas pela coragem, inteligência, força, habilidade e
determinação, características necessárias para vencer os desafios que surgem durante a história.

O contexto de produção

1. Com base no texto do quadro O que você vai ler, responda.

a) Em que ano foi publicado o romance cujo trecho você leu?

b) Indique em que século o autor situou as aventuras de Robinson Crusoé.

c) Qual é o país de origem do autor Daniel Defoe?

d) E o de Robinson Crusoé?

e) Ao longo do romance, há um espaço que, constantemente, favorece o contato de Crusoé com o perigo. Qual
é esse espaço?

2. Nos séculos XVII a XIX — caracterizados pelo intenso contato entre os povos por meio da navegação —
foram escritos muitos romances de aventura ambientados no mar. Quais seriam os possíveis motivos para
que esse cenário fosse tão frequente nos romances dessa época?

ANOTE

As narrativas de aventura apresentam as ações extraordinárias de personagens fictícias diante de


grandes perigos. Essas ações nem sempre são possíveis no mundo real, porém representam o desejo dos
seres humanos de superar seus limites.

3. Embora tenha passado muitos anos isolado, Crusoé procurou organizar seu ambiente e seu cotidiano de
acordo com os referenciais do modo de vida europeu. Copie o quadro abaixo e preencha-o com informações
do texto que comprovem essa afirmação.

Moradia
Alimentação
Objetos
Religião
ID/BR

AVENTURAS NO MAR

Fig. 1 (p. 17)


Marina Ueno/ID/BR
A ilha do tesouro é um dos romances de aventura mais célebres da literatura. Escrito por Robert Louis
Stevenson, em 1883, conta a história de Jim Hawkins, um jovem que participa de uma expedição em busca
de um tesouro escondido. Ao lado de seus companheiros, ele enfrenta terríveis perigos em uma disputa com
assustadores piratas. Foi nesse livro que pela primeira vez apareceu um mapa com um grande X assinalando
o local onde estaria escondido o baú do tesouro.

Outro romance de aventura de muito destaque na literatura mundial é Moby Dick, de Herman Melville.
Publicado originalmente em 1851, apresenta as aventuras do marinheiro Ismael a bordo de um navio baleeiro
que, rumo ao Pacífico Sul, encontra a imensa e enfurecida baleia-branca, que dá nome à obra.
Página 18

Responda sempre no caderno.

ANOTE

O modo de o ser humano enfrentar os perigos que surgem diante de si transforma-se com a passagem do
tempo e com as novas descobertas. Os romances de aventura registram essas mudanças.
Algumas obras de Júlio Verne, um dos maiores autores desse gênero, revelam os desafios para o europeu no
século XIX. Romances como A volta ao mundo em 80 dias e Cinco semanas em um balão abordam as
viagens em balões, expondo as descobertas da época em relação à aviação. Já As aventuras do capitão
Hatteras, As atribulações de um chinês da China e A jangada (ambientado na Amazônia) revelam os
mistérios e os desafios que certos territórios e culturas apresentavam para as pessoas daquela época.

4. Imagine uma história de aventura que acontecesse nos tempos atuais. Em sua opinião, qual seria o espaço
mais desafiador para as personagens dessa história? Justifique sua resposta.

5. Releia este trecho.

[...] Por fim, desmancharam a roda que ocultava o condenado à morte e o arrastaram para perto do fogo.
Meu Deus, o prisioneiro era um homem branco! Não, não iria aguardar os acontecimentos. Um homem
cristão como eu estava prestes a ser devorado por selvagens antropófagos… Na minha ilha. Eu não podia
deixar aquela bestialidade prosseguir!

O encontro de Robinson Crusoé com os indígenas antropófagos mostrou algumas diferenças culturais e
religiosas entre eles.

a) Quais são essas diferenças?

b) Como Crusoé reagiu a elas?

c) A que a personagem Robinson Crusoé comparou os indígenas com quem se deparou? Justifique sua
resposta com palavras do texto.

Aprender com a diferença

Você leu o trecho de um romance de aventura e conheceu as principais características desse gênero.

Embora o objetivo principal dessas histórias seja apresentar ações extraordinárias de personagens fictícias,
nelas ficam registradas as visões de uma sociedade ou época sobre um lugar, um povo, seus costumes, etc.
Nesse texto, Sexta-Feira passou a conviver com o modo de vida de Robinson Crusoé e adquiriu costumes
muito diferentes dos que ele tinha antes de conhecê-lo.

Com os colegas e o professor, discuta as seguintes questões:

I. O que Sexta-Feira provavelmente aprendeu com Crusoé além do que aponta o trecho lido?

II. O que Crusoé pode ter aprendido com Sexta-Feira?

A INSPIRAÇÃO DE DANIEL DEFOE

Para escrever seu romance, Daniel Defoe inspirou-se na história verídica de Alexander Selkirk, um
marinheiro escocês. A seu próprio pedido, em razão das péssimas condições do navio em que viajava, Selkirk
foi abandonado em uma ilha do arquipélago Juan Fernández, no Pacífico Sul. Lá viveu de 1704 a 1709,
quando foi resgatado por um navio inglês que passava pela ilha.

Fig. 1 (p. 18)


Cláudia Ramos/ID/BR
Página 19

A linguagem do texto

1. Observe alguns trechos extraídos da narrativa de aventura que você leu.

– Patrão, patrão! Três canoas chegar. Muitos inimigos. Já estar muito perto…

– Agora, Sexta-Feira! – berrei.

[...] Eu não podia deixar aquela bestialidade prosseguir!

a) Por que os verbos destacados no primeiro trecho não foram conjugados?

b) Quanto à pontuação, o que esses trechos têm em comum?

c) Com qual finalidade esse tipo de pontuação é utilizado?

d) Leia esses trechos em voz alta, procurando dar-lhes a entonação adequada às situações vividas pelas
personagens.

2. Releia este trecho.

Sexta-Feira andava pela praia, à cata de tartarugas. Voltou correndo, apavorado. […] Também me
assustei. Não contava com o inesperado: os selvagens não vinham à ilha no tempo das chuvas. Espiei-os
do alto da paliçada, com os binóculos. Desembarcavam muito próximos do meu “castelo”, logo depois do
ribeirão. O perigo nunca fora tão iminente…

Que ideia as palavras destacadas sugerem ao leitor?

3. Releia o trecho a seguir.

[...] De repente, a máscara de guerra, em que se transformara o rosto de Sexta-Feira, tornou-se doce e suave
ao avistar o velho homem, imóvel no chão do barco.

Sexta-Feira tratou-o com muito cuidado, dedicação e carinho. Soltou o velho, sentou-o, abraçou-o, apoiou
sua cabeça contra seu forte peito, enquanto afagava com mão de criança seus cabelos…

Nesse trecho, há uma mudança no comportamento de Sexta-Feira.

a) Qual expressão indica como Sexta-Feira se mostrava até aquele momento?

b) Como o narrador caracteriza Sexta-Feira depois de avistar o velho homem?

c) Qual foi o motivo dessa mudança?

ANOTE

Uma narrativa de aventura procura envolver emocionalmente o leitor com as situações de perigo
enfrentadas pelas personagens.
Recursos linguísticos, como o emprego de frases exclamativas e de determinadas palavras e expressões,
contribuem para a criação do clima de emoção da história.

OS PIRATAS QUE ROUBAM A CENA

Fig. 1 (p. 19)


O pirata Jack Sparrow no quarto filme da série Piratas do Caribe, 2011.
Walt Disney Co./Everett Collection/Latinstock
Mais recentemente, as aventuras no mar voltaram a emocionar o público do cinema com histórias de piratas
e baús de tesouros. Um exemplo disso é a série de filmes Piratas do Caribe, em que o capitão Jack Sparrow,
no seu navio, Pérola Negra, sai em aventuras pelo mar, onde enfrenta grupos de piratas, entre eles alguns
amaldiçoados e sobrenaturais em seus navios-fantasma, que ressurgem com tesouros roubados e com as
maldições que os acompanham.
Página 20

PRODUÇÃO DE TEXTO
Narrativa de aventura

AQUECIMENTO

Na construção de uma narrativa de aventura, a descrição detalhada dos lugares em que se passa a história é
muito importante. Muitas vezes, o espaço apresentado pode ajudar o leitor a reconhecer o clima propício
para a aventura.

• Copie o trecho a seguir e complete-o com palavras que caracterizem o espaço de uma história de aventura.

À meia-noite em ponto, aquele ____ era o pior lugar para se estar. Ouvia-se um barulho ____, mas não era
possível saber se seriam ____ atacando mais uma vítima, ____ devorando algum animal ou mesmo uma
disputa entre animais ferozes. A ____ era tanta que as árvores acabavam assemelhando-se a ____ Era
impossível caminhar naquele lugar, a cada segundo a situação piorava e parecia que o nosso fim estava mais
perto.

Proposta

Você vai criar uma narrativa de aventura que será lida em classe e publicada em um livro organizado pelos
alunos.

Escreva sua história com base na imagem a seguir, em que aparecem duas personagens em ação. Observe a
cena detalhadamente.

Fig. 1 (p. 20)


Cena do filme O novo mundo. Direção: Terrence Malick. EUA, 2005.
Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)/ZUMA/Corbis/Latinstock

Planejamento e elaboração do texto

Antes de escrever, planeje seu texto, pensando nos aspectos a seguir.

1. Copie o quadro abaixo e preencha-o com informações sobre o espaço da narrativa, o tempo em que ela
acontece e as características das personagens.

Papel na Modo como costuma se Arma que


Tempo Espaço Características
narrativa vestir utiliza
Protagonista
Antagonista
ID/BR
Página 21

2. Imagine uma aventura que envolva essas duas personagens. Copie o quadro abaixo e utilize-o para
planejar sua história.

Personagem Protagonista Antagonista


Quem é?
Qual é o seu objetivo?
Qual é o motivo do confronto?
Quem venceu?
O que o vencedor conquistou com a vitória?
ID/BR

3. Agora, escreva seu texto. Lembre-se de desenvolver os aspectos levantados no planejamento e não se
esqueça de criar um título para sua história.

Avaliação e reescrita do texto

Dicas para avaliar os textos


• Forme dupla com um colega da turma.
• Leia sua história em voz alta.
• Depois de ouvir a sua história, o colega deverá anotar os pontos mais interessantes e aqueles que precisam
de ajustes (justificando).
• Feitas as anotações, o colega escreverá um pequeno comentário a respeito do que gostou no seu texto e o
lerá para você.
• Em seguida, será a vez de o colega ler a história dele e ouvir o seu comentário.

1. Copie e preencha a tabela a seguir, pois ela auxiliará você na avaliação da sua narrativa de aventura.

O texto apresenta
Elementos da narrativa de aventura
Sim Não
Características
Protagonista
Objetivo
Características
Antagonista
Objetivo
Houve um motivo para a oposição entre as personagens?
O protagonista superou ou eliminou essa oposição?
As ações das personagens são coerentes com seus papéis na narrativa?

Fig. 1 (p. 21)


Fabiana Salomão/ID/BR

2. Faça um breve comentário a respeito de sua produção. Considere os aspectos a seguir.

a) Do que eu mais gostei em meu texto?

b) Que dificuldades tive para escrever minha história?

c) Quais dúvidas ainda tenho a respeito das características das personagens em narrativas de aventura?
Página 22

REFLEXÃO LINGUÍSTICA
Língua e linguagem

1. Releia este trecho da narrativa de aventura.

Sexta-Feira andava pela praia, à cata de tartarugas. Voltou correndo, apavorado.

– Patrão, patrão! Três canoas chegar. Muitos inimigos. Já estar muito perto…

[...]

– Não são gente do seu povo, Sexta-Feira?

– Não, patrão. Ser inimigos. Eu ver direito.

– Assim de tão longe? Como é que você sabe?

– Eu saber. Estes são inimigos. Talvez até vir aqui pra pegar Sexta-Feira.

[...]

Fiz sinal a Sexta-Feira. Estava pronto? Então que atirasse com a espingarda, que seguisse meu exemplo…

– Agora, Sexta-Feira! – berrei.

a) Em que Sexta-Feira pode ter se baseado para concluir que eram inimigos se aproximando?

b) O que provavelmente fez Sexta-Feira pensar que estariam atrás dele?

c) Como Crusoé fez para saber se Sexta-Feira estava pronto?

d) E para avisar a Sexta-Feira que ele deveria atirar?

As pessoas interagem por meio da linguagem. Nessa interação, elas constroem sentidos, de acordo com as
experiências, as expectativas e os conhecimentos prévios de cada uma. No romance, Sexta-Feira se assusta
com a aproximação das canoas inimigas e corre para avisar Robinson Crusoé. O náufrago não tinha as
mesmas informações que o indígena, então achou inicialmente que poderia ser alguém da tribo de seu
companheiro.

Ao insistir no fato de serem inimigos, Sexta-Feira influenciou Crusoé, que logo começou a se preparar para
um combate. Assim como a fala de Sexta-Feira gerou um comportamento em Crusoé, foi o gesto deste
último, momentos depois, que deixou o nativo em alerta. Ao falar e fazer um gesto ou ao escrever, desenhar,
emitir um som, cantar, escolher uma roupa, não só comunicamos algo, mas também agimos sobre o outro.
Pela linguagem, portanto, podemos transformar o comportamento, as atitudes e as opiniões das pessoas com
quem interagimos.

ANOTE

Linguagem é uma atividade de interação. Por meio dela os indivíduos se comunicam, constroem sentidos e
agem uns sobre os outros.

Fig. 1 (p. 22)


Ilustração, em anúncio estadunidense de cerca de 1895, representando artisticamente pessoas da Idade da
Pedra comendo. Desde os tempos mais remotos, o ser humano compartilha suas histórias com seus
companheiros.
Cynthia Hart Designer/Corbis/Latinstock
Fig. 2 (p. 22)
Reprodução de pintura em parede da caverna de Cavalls, Espanha. Fotografia de 2005.
Archivo Iconografico, S.A./Corbis/Latinstock
Página 23

Linguagem verbal e linguagem não verbal

Na época das cavernas, o ser humano saía para caçar e enfrentava os perigos presentes na natureza. Quando
voltava, trazia alimentos e podia contar para seus companheiros as aventuras pelas quais havia passado.
Outra maneira de comunicá-las era desenhando, nas paredes das cavernas, os fatos mais marcantes de uma
caçada e algumas outras atividades importantes. Assim, a história dessas pessoas pré-históricas ficou
registrada por meio dessas pinturas, permitindo que, nos dias atuais, tenhamos acesso a algumas
informações sobre o modo de vida delas.

Além do desenho, da fala e do gesto, podemos nos comunicar por meio de outras linguagens.

2. Observe estas imagens.

Fig. 1 (p. 23)


Grupo de jovens que pratica street dance.
Kiselev Andrey Valerevich/Shutterstock.com/ID/BR

Fig. 2 (p. 23)


Placa de orientação.
Fac-símile/Denatran

a) O que as roupas desses jovens podem expressar? Você acha que elas podem gerar uma reação nas pessoas
ao redor?

b) A segunda imagem mostra uma placa de trânsito. O que ela significa?

Nas ruas, os motoristas e os pedestres orientam-se pelas informações que aparecem nas placas de trânsito.
Nessas situações, os sinais sonoros também são fundamentais. Ao acionar a sirene de uma ambulância, por
exemplo, o condutor comunica a urgência da passagem e provoca uma ação nos motoristas, que lhe abrem
passagem com seus carros.

Nos espetáculos teatrais, os movimentos dos atores, suas expressões faciais e seus gestos somam-se às falas
das personagens, à iluminação, ao cenário e à trilha sonora. Essas linguagens, juntas, auxiliam os
espectadores a construir os sentidos da peça apresentada.

Para expressar suas emoções em e-mails, chats e mensagens instantâneas, os internautas, principalmente os
mais jovens, utilizam representações gráficas compostas de sinais da escrita. Essas representações são
chamadas de emoticon, junção de emotion, “emoção” em inglês, e icon, que significa “ícone”ou “sinal”.

Os deficientes auditivos brasileiros comunicam-se pela Língua Brasileira de Sinais (Libras). Trata-se de uma
língua com estrutura gramatical própria, e não apenas da gesticulação das palavras do português. Os sinais
da Libras foram elaborados pela combinação da forma e do movimento das mãos e do ponto no corpo ou no
espaço onde esses sinais são feitos.

Linguagem dos jovens na internet: alguns emoticons


:-D Rindo
:-( Triste
:-) Feliz
;-) Piscando
|-) Dormindo
X-) Com vergonha ou tímido
:-)))) Gargalhando
>:-|| Zangado
Linguagem dos jovens na internet: alguns emoticons
:’’’-( Inundação de lágrimas
:-@ Gritando
ID/BR
Página 24

Percebe-se, portanto, que, para interagir com as outras pessoas, o ser humano pode utilizar palavras ou
outras formas de representação.

ANOTE

Linguagem verbal é a que utiliza palavras escritas ou faladas.

Linguagem não verbal é aquela que usa outros sinais para a comunicação entre as pessoas, como sons,
gestos, imagens, cores, etc.

A língua

Cada grupo de pessoas em determinada região usa a linguagem verbal de uma forma muito específica. No
Brasil, nos comunicamos verbalmente em língua portuguesa. Ela foi trazida pelos portugueses e,
posteriormente, enriquecida pelos diferentes povos que se reuniram aqui. Por isso, o português brasileiro é
um pouco diferente do português usado na Europa.

Todavia, há no nosso território grupos que se comunicam verbalmente em outras línguas. De acordo com o
Censo 2010, há mais de 270 línguas indígenas faladas no Brasil. Destacam-se o tikuna, o guarani kaiowá, o
kaingang e o xavante.

A forma específica como a linguagem verbal é utilizada por um grupo de pessoas em determinada região ou
em um país é denominada língua. Em algumas comunidades, a língua é apenas falada, não apresentando
um sistema de escrita. Esse não é o caso da língua portuguesa, que pode se apresentar na modalidade
escrita ou falada.

Cada língua tem um conjunto de palavras e regras de combinação dessas palavras, a fim de que os falantes
possam interagir entre si e compreender-se. Essas regras, que são aprendidas pela convivência com os outros
falantes, podem variar conforme a situação em que utilizamos a língua.

Muitas vezes não nos damos conta, mas a língua revela a maneira como o falante constrói a realidade ao seu
redor. Devido à necessidade de descrever o meio em que vivem, os esquimós, por exemplo, têm em sua
língua, chamada inuíte, diferentes palavras para categorizar os tipos de neve. Na língua portuguesa, há
apenas a palavra neve para exprimir esse fenômeno meteorológico. No inglês, por exemplo, há as palavras
sheep e mutton, que correspondem a uma única palavra em português: carneiro. A palavra sheep significa o
animal, e mutton significa uma porção de carne do animal servida nas refeições.

ANOTE

Língua é uma forma de linguagem com a qual os indivíduos de um grupo interagem verbalmente, ou seja,
por meio de palavras. Com a língua, os indivíduos desse grupo mostram como concebem o mundo que os
cerca.

Relacionando

Robinson Crusoé refere-se a um grupo de nativos como “selvagens” e considera o ritual que eles realizarão
como demonstração de “bestialidade”. Porém, ele se refere a si próprio como “homem”. Assim, por meio da
língua, ele revela o modo como enxerga o mundo ao seu redor.

Fig. 1 (p. 24)


Esquimó em frente a um iglu. Canadá. Fotografia de 2012.
Yvette Cardozo/Photolibrary/Getty Images
Página 25

REFLEXÃO LINGUÍSTICA Na prática

Responda sempre no caderno.

1. Observe a tira e responda às questões.

Fig. 1 (p. 25)


Mauricio de Sousa Produções Ltda.
A Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa.

a) Apesar de não haver palavras, o leitor entende a informação apresentada. Que linguagem foi usada para
construir essa tira?

b) Explique o que cada personagem imaginava ao cultivar a planta.

c) Dos três desejos, quais são comuns quando se pensa nos benefícios que uma árvore pode proporcionar?

d) Qual dos três desejos gera o humor da tira?

e) Para compreender o humor da tira, você usou seu conhecimento sobre uma das personagens. Que
conhecimento foi esse?

f) Qual é a característica mais conhecida da planta do último quadrinho, o cacto?

g) Se o leitor desconhecer a característica da personagem ou a do cacto, ele poderá compreender bem a tira?

2. Na próxima tira, há uma linguagem bastante presente em nosso cotidiano: a das placas de trânsito. Essa
linguagem é constituída por elementos como cores, símbolos, desenhos, algarismos, letras e palavras.

Fig. 2 (p. 25)


Mauricio de Sousa Produções Ltda.
A Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa.

a) Quais desses elementos foram usados nas placas da tira?

b) Observe a placa do primeiro quadrinho.

• Nas ruas, a quem ela é dirigida? O que ela indica?

• Na tira, a quem ela é dirigida? O que ela indica?

c) A placa que está em evidência no último quadrinho não existe na sinalização de trânsito. O que ela indica
na tira?

d) Cebolinha conseguiu evitar ser atingido pelo coelhinho graças à primeira placa. Ele agiu intencionalmente
ou por acaso? Explique.

e) O que vai acontecer com Cebolinha no último quadrinho? Por quê?

f) Por que Cebolinha não consegue se esquivar de ser atingido?


Página 26

3. Observe as imagens a seguir.

Fig. 1 (p. 26)


Ilustrações: Marina Ueno/ID/BR
A Escola Modelo
Igreja
Hospital Municipal
Prefeitura Municipal
Praça Central
Museu de Arte Moderna
Rua Maceió; Rua Porto Alegre; Av. Independência; Rua Belém; Rua Brasília; Rua Rio de Janeiro; Travessa Boa Vista; Rua São Paulo

Fig. 2 (p. 26)


B Alô? Alô, quem está falando?

Fig. 3 (p. 26)


C
SAL; ÓLEO CA

Fig. 4 (p. 26)


Apresentação de catira, dança folclórica, na Festa do Divino em São Luiz do Paraitinga (SP), 2014.
D
Rubens Chaves/Pulsar Imagens

Agora, copie e complete a tabela com as informações sobre as situações representadas nas imagens.

Figura A Figura B Figura C Figura D


Qual é a situação retratada?
Que linguagem predomina? Verbal ou não verbal?
ID/BR

4. Observe a imagem ao lado, que mostra o cenário de um telejornal.

Fig. 5 (p. 26)


Apresentadores do Jornal Nacional, da TV Globo. Fotografia de 2014.
Arquivo/Globo Comunicação e Participações S.A.

a) O que aparece em destaque na fotografia?

b) Muitas vezes, o fundo do cenário de um telejornal é uma parede lisa. No caso desse telejornal, o que é
mostrado ao fundo da bancada dos apresentadores?

c) Leia as informações a seguir antes de responder à questão.

ANOTE

Em uma telenovela, não é comum que apareçam os profissionais envolvidos na produção, como o diretor, os
maquiadores, os figurinistas, os câmeras, etc., pois o importante a ser mostrado ao público é o produto final.
No telejornal, o produto final é a notícia. Ao revelar os bastidores do telejornal, ou seja, as pessoas
escrevendo, circulando pelo espaço e conversando com os colegas, o telejornal acaba mostrando o processo
de produção do material jornalístico.

• Ao mostrar os bastidores do telejornal, o que é sugerido ao público?


Página 27

LÍNGUA VIVA
Responda sempre no caderno.

O diálogo entre os textos

1. Compare os dois quadros e escreva o que eles têm em comum.

Fig. 1 (p. 27)


As meninas, de Diego Velázquez, 1656. Óleo sobre tela, 318 cm x 276 cm.
Museu do Prado, Madri, Espanha. Fotografia: ID/BR

Fig. 2 (p. 27)


As meninas, de Pablo Picasso, 1957. Óleo sobre tela, 194 cm x 260 cm.
Museu Picasso, Barcelona. Licenciado por AUTVIS, Brasil, 2008.

O quadro da esquerda, As meninas, é de Diego Velázquez, pintor espanhol que retratava em suas telas a vida
da corte espanhola do século XVII. A figura central do quadro é a infanta Margarida, filha do rei Filipe IV.

O quadro da direita é uma releitura da obra de Velázquez feita por Pablo Picasso, pintor espanhol do século
XX. Picasso retomou as ideias e a forma apresentadas anteriormente por Velázquez. No entanto, não se
limitou a repeti-las. Ele recriou-as com uma visão diferente, de acordo com seus objetivos.

ANOTE

Quando percebemos que um texto dialoga com outro, dizemos que eles mantêm entre si uma relação de
intertextualidade.

2. Leia o poema e, a seguir, responda às questões.

Paraíso

Se esta rua fosse minha,


eu mandava ladrilhar,
não para automóvel matar gente,
mas para criança brincar.

Se esta mata fosse minha,


eu não deixava derrubar.
Se cortarem todas as árvores,
onde é que os pássaros vão morar?

Se este rio fosse meu,


eu não deixava poluir.
Joguem esgotos noutra parte,
que os peixes moram aqui.

Se este mundo fosse meu,


eu fazia tantas mudanças
que ele seria um paraíso
de bichos, plantas e crianças.

José Paulo Paes. Poemas para brincar. 16. ed. São Paulo: Ática, 2000.

Fig. 3 (p. 27)


Ilustrações: Jótah Ilustrações/ID/BR
a) Esse poema é a recriação de uma tradicional canção infantil. Qual é essa canção? Em que situações ela é
cantada?

b) A finalidade do poema “Paraíso” é semelhante à da canção? Justifique.

c) Quais mudanças você gostaria de fazer no mundo? Copie os trechos do poema “Paraíso” e, em seguida,
complete-os com suas ideias.

• “Se esta mata fosse minha”, eu ____.

• “Se este rio fosse meu”, eu ____.

• “Se este mundo fosse meu”, eu ____.


Página 28

LEITURA 2
Narrativa de aventura

O QUE VOCÊ VAI LER

Fig. 1 (p. 28)


Laura Bergallo (1958- ), autora de livros infantojuvenis, roteirista de programas de TV e ganhadora do
Prêmio Jabuti 2007 na categoria livro juvenil. Fotografia de 2009.
Laura Bergallo/Acervo pessoal

O texto que você vai ler foi escrito por Laura Bergallo e é um trecho do livro A criatura, publicado em 2005.
Na obra, são explorados os conflitos que se estabelecem entre uma criatura ficcional e o seu criador.

No capítulo selecionado, você conhecerá uma personagem que enfrenta vários desafios e aventuras em
cenários cada vez mais presentes no dia a dia de muitos jovens.

Leia somente os três primeiros parágrafos do texto e responda.

• Que tipo de história o texto desenvolverá?

• Que fatos e personagens você prevê para a história?

Em seguida, faça a leitura integral do texto.

A criatura

A tempestade tornava a noite ainda mais escura e assustadora. Raios riscavam o céu de chumbo e a luz
azulada dos relâmpagos iluminava o vale solitário, penetrando entre as árvores da floresta espessa. Os
trovões retumbavam como súbitos tiros de canhão, interrompendo o silêncio do cenário com estranha
urgência. Além disso, nada mais se podia ouvir a não ser o assobio zangado do vento e o farfalhar de mil
galhos que dançavam loucamente, jogados com violência de um lado para o outro.

Alimentadas pela chuva insistente, as águas do rio começavam a subir e a invadir as margens, carregando
tudo o que encontravam no caminho. Barrancos despencavam e árvores eram arrancadas pela força da
correnteza, enquanto o rio se misturava ao resto como se tudo fosse uma coisa só.

Mas algo… ou alguém… ainda resistia.

Agarrado desesperadamente a um tronco grosso que as águas levavam rio abaixo, um garoto exausto e ferido
lutava para se manter consciente e ter alguma chance de sobreviver. Volta e meia seus braços escorregavam e
ele quase afundava, mas logo ganhava novas forças, erguia a cabeça e tentava inutilmente dirigir o tronco
para uma das margens.

De repente, no período de silêncio que se seguia a cada trovão, ele começou a ouvir um barulho inquietante,
que ficava mais e mais próximo. Uma fumaça esquisita se erguia à frente, e ele então compreendeu: era uma
cachoeira!

Fig. 2 (p. 28)


Adilson Farias/ID/BR
Página 29

Usou quase toda a energia que lhe restava para tentar escapar. Se não conseguisse, despencaria no abismo de
espuma que se aproximava e, então, seria o fim de tudo.

Num pulo desesperado, agarrou o ramo de uma árvore que ainda se mantinha de pé perto da margem e
soltou o tronco flutuante, que seguiu seu caminho até a beira do precipício e nele mergulhou descontrolado.

A tempestade prosseguia e cegava o garoto, o rio continuava seu curso feroz e a cachoeira rosnava bem perto
de onde ele estava. De repente, percebeu que a distância entre uma das margens e o galho em que se
pendurava talvez pudesse ser vencida com um pulo. Deu um jeito de se livrar da camisa molhada, que colava
em seu corpo e tolhia seus movimentos, e respirou fundo para tomar coragem.

Se errasse o pulo, seria engolido pela queda-d’água… mas, se acertasse, estaria a salvo. Viu que não tinha
outra saída e resolveu tentar. Tomou impulso e, no exato momento em que projetou o corpo para a frente,
um raio caiu bem no meio do rio. A luz repentina ofuscou seus olhos e o barulho quase estourou seus
tímpanos, mas milagrosamente ele conseguiu alcançar a margem. […]

Ficou de pé meio vacilante e examinou o lugar em torno, tentando decidir para que lado ir. Foi quando ouviu
um rugido horrível, que parecia vir de bem perto. Correu para o lado oposto, mas não foi longe. Logo se viu
encurralado em frente a um penhasco gigantesco, que barrava sua passagem. O rugido se aproximava cada
vez mais.

Estava sem saída. De um lado, o penhasco intransponível; de outro, uma fera esfomeada que o cercava
pronta para atacar. Então, viu um buraco no paredão de pedra e se meteu dentro dele com rapidez. A fera o
seguiu até a entrada da caverna, mas foi surpreendida. Com uma pedra grande que achou na porta da gruta,
o garoto golpeou a cabeça do animal com toda a força que pôde e a fera cambaleou até cair, desacordada.

Já fora da caverna, ele examinou o penhasco que teria que atravessar antes que o bicho voltasse a si. Mas a
pedrada não tinha resolvido o problema. A fera acordou, vingativa, e saltou sobre ele com um movimento
rápido.

Foi quando uma águia enorme passou voando bem baixo e o garoto a agarrou pelos pés, alçando voo com ela.
Vendo-se no ar, olhou para baixo, horrorizado. Se caísse, não ia sobrar pedaço. Segurou com firmeza as
compridas garras do pássaro e atravessou para o outro lado do penhasco.

O outro lado tinha um cenário muito diferente. Para começar, era dia, e o sol brilhava num céu sem nuvens
sobre uma pista de corrida cheia de obstáculos, onde se posicionavam motocicletas devidamente montadas
por pilotos de macacão e capacete, em posição de largada. Apenas em uma das motos não havia ninguém.
Página 30

A águia deu um voo rasante sobre a pista, e o garoto se soltou quando ela passava bem em cima da moto
desocupada. Assim que ele caiu montado, foi dado o sinal de largada.

As motos aceleraram ruidosamente e partiram em disparada, enfrentando obstáculos como rampas, buracos
e lamaçais. O páreo era duro, mas a motocicleta do garoto era uma das mais velozes. Logo tomou a dianteira,
seguida de perto por uma moto preta reluzente, conduzida por um piloto de aparência soturna.

Em poucos instantes estavam praticamente emparelhados, mas, apesar de muito tentar, a motocicleta negra
não conseguia passar à frente. A linha de chegada se aproximava, e os gritos entusiasmados da torcida
ecoavam ao fundo. A vitória era quase certa.

Inclinando o corpo um pouco mais, o garoto conseguiu acelerar sua moto e aumentou a distância entre ele e
o segundo colocado. Mas o piloto misterioso tinha uma carta na manga: num golpe rápido, fez sua moto
chegar por trás e, com um movimento preciso, deu uma espécie de rasteira na moto do garoto.

A motocicleta derrapou e caiu, rolando estrondosamente pelo chão da pista e levantando uma nuvem de
poeira. O garoto rolou com ela e ambos se chocaram com violência contra uma montanha de terra, um dos
últimos obstáculos antes da chegada.

A moto negra ganhou a corrida, sob os aplausos da multidão excitada, e o garoto ficou desmaiado no chão.

Com um sorriso vitorioso, Eugênio viu aparecer na tela as palavras FIM DE JOGO. Soltou o joystick e limpou
na bermuda o suor da mão. Desligou o computador e se aproximou da janela do quarto, de onde avistou os
pescadores sentados no píer e o reflexo prateado da lua no mar.

Laura Bergallo. A criatura. São Paulo: SM, 2005. p. 37-44.

Fig. 1 (p. 30)


Adilson Farias/ID/BR

GLOSSÁRIO
Estrondosamente: fazendo muito ruído, barulho.
Intransponível: que não se pode transpor, que não se pode atravessar.
Joystick: dispositivo de controle utilizado em jogos eletrônicos.
Lamaçal: lugar onde há grande quantidade de lama.
Páreo: competição, disputa.
Penhasco: rocha grande e difícil de escalar.
Rasante: voo praticado a baixa altura, muito próximo do solo.
Retumbar: ressoar, ecoar, refletir o som com estrondo.
Ruidosamente: de modo barulhento.
Soturno: assustador, sinistro.
Súbito: repentino, inesperado.
Tolher: impedir, atrapalhar, perturbar.
Vacilante: sem firmeza, trêmulo.
Página 31

Estudo do texto
Responda sempre no caderno.

Para entender o texto

1. O livro do qual o texto foi extraído apresenta uma história acontecendo dentro da outra.

a) Quem pode ser considerada a personagem principal em cada história?

b) Essas personagens principais vivem em espaços muito diferentes. Quais são esses espaços?

c) Qual desses espaços proporciona as principais adversidades a serem superadas ao longo da narrativa?

2. O garoto do jogo enfrentou muitos perigos. Copie e preencha a tabela a seguir, informando como ele agiu
para superá-los.

Ele é arrastado pela correnteza em direção a uma cachoeira.


Uma fera faminta o ameaça.
Ele precisa fugir antes que a fera acorde.
ID/BR

Fig. 1 (p. 31)


Adilson Farias/ID/BR

ANOTE

O enredo de uma narrativa de aventura é composto das ações das personagens; essas ações são
organizadas em uma sequência de situações.

Essa narrativa, em geral, apresenta a seguinte estrutura.

• Apresentação ou situação inicial: os espaços e as personagens são apresentados em uma situação que
pode ser de equilíbrio ou de tensão.

• Complicação: início das adversidades ou dos conflitos em que as personagens principais serão
envolvidas.

• Ações das personagens: são motivadas pela complicação e por seus objetivos na história.

• Desfecho ou resolução: ocorre quando a complicação é solucionada.

• Situação final: uma nova situação de equilíbrio é estabelecida.

3. O início do texto descreve uma tempestade.

a) Identifique os elementos que a caracterizam.

b) A que outros elementos naturais o texto se refere?

c) Como é caracterizado esse espaço inicial?

ANOTE

A caracterização do espaço compõe a ambientação do enredo da narrativa de aventura, dando a ela uma
atmosfera com características próprias.
4. Releia o final do texto.

a) Pela reação de Eugênio diante da mensagem na tela do computador, qual era, provavelmente, o objetivo
do jogo?

b) O garoto do jogo também parecia ter um objetivo. Qual era?

c) Depois de o garoto do jogo ter superado tantas adversidades, que desfecho você esperava para esse trecho
da narrativa?
Página 32

Responda sempre no caderno.

O texto e o leitor

1. Releia.

Alimentadas pela chuva insistente, as águas do rio começavam a subir e a invadir as margens, carregando
tudo o que encontravam no caminho. Barrancos despencavam e árvores eram arrancadas pela força da
correnteza, enquanto o rio se misturava ao resto como se tudo fosse uma coisa só.

Que impressões provoca no leitor essa descrição detalhada do espaço em que se desenvolverá a ação de
aventura?

2. Releia este trecho.

Mas algo… ou alguém… ainda resistia.

a) Sabemos, após ler os parágrafos seguintes, que o texto se refere a uma pessoa. Então, por qual motivo a
narrativa apresenta essa dúvida entre se tratar de alguém ou de algo?

b) O protagonista do jogo surge após a caracterização detalhada do espaço, debatendo-se na correnteza do


rio. O que essa sequência de imagens sugere ao leitor?

ANOTE

Nas narrativas de aventura, o suspense prende o leitor ao texto, e a caracterização do espaço pode
contribuir para isso.

3. Releia o trecho a seguir.

De repente, no período de silêncio que se seguia a cada trovão, ele começou a ouvir um barulho inquietante,
que ficava mais e mais próximo. Uma fumaça esquisita se erguia à frente, e ele então compreendeu: era uma
cachoeira!

a) Quais são as informações do trecho que antecipam ao leitor que algo ameaçador se aproxima? Transcreva-
as.

b) Copie outro trecho do texto em que uma estratégia semelhante é utilizada para criar suspense na
narrativa.

ANOTE

A descrição de sons, cores e objetos na caracterização do espaço também contribui para a criação do
suspense em uma narrativa.

Fig. 1 (p. 32)


Adilson Farias/ID/BR

4. Releia.

Inclinando o corpo um pouco mais, o garoto conseguiu acelerar sua moto e aumentou a distância entre ele e
o segundo colocado.

Ao ler esse trecho, o que o leitor imagina que vai acontecer?

ANOTE

Um texto de narrativa de aventura pode utilizar estratégias para gerar no leitor expectativas a respeito de
fatos que poderão ocorrer. Muitas vezes, essas expectativas são levadas em conta na composição do texto,
para que o leitor seja surpreendido por acontecimentos inesperados.
Página 33

Comparação entre os textos

1. Com base nos dois trechos de romances de aventura que lemos neste capítulo, foi possível reconhecer
algumas características gerais desse gênero. Vamos agora estudar as particularidades de cada texto.

Observe este esquema, que representa a sequência narrativa do primeiro texto estudado.

Situação inicial Complicação Ação das Desfecho


Crusoé e Sexta-Feira Os selvagens chegam à ilha, personagens Os selvagens são
preparam-se para a viagem e Sexta-Feira e Crusoé Crusoé e Sexta-Feira derrotados, e Sexta-
em clima de tranquilidade. sentem-se ameaçados. atacam os selvagens. Feira liberta seu pai.
ID/BR

Agora, complete o esquema representativo da sequência da segunda narrativa de aventura.

Situação inicial Complicação


Ação Complicação
Em um cenário sombrio, surge um garoto arrastado O garoto aproxima-se da
3 4
pela correnteza do rio. cachoeira.
ID/BR
Ação Complicação
Complicação Ação Desfecho
O garoto consegue golpear a O garoto salta sobre uma moto
6 7 9
criatura com uma pedra. de corrida.
ID/BR

2. Com base nos esquemas propostos, qual diferença você pode observar entre as situações iniciais das duas
narrativas?

3. Observe as complicações nas duas narrativas.

a) Qual delas apresenta o maior número de situações difíceis a serem superadas pelo protagonista?

b) Que relação pode ser feita entre um jogo eletrônico e a quantidade de complicações apresentadas na
segunda narrativa?

4. Quanto aos protagonistas, que diferença existe entre os desfechos das duas narrativas?

5. Tendo em vista o desfecho do segundo texto, podemos afirmar que ele é, de fato, uma narrativa de
aventura? Responda com base no que você aprendeu sobre esse gênero.

Sua opinião

1. Para você, quem é o verdadeiro protagonista do segundo texto?

2. Como foi visto, todas as histórias de aventura têm como objetivo envolver o leitor. Em sua opinião, qual
dos dois textos consegue fazer isso com mais êxito? Por quê?

Convivência e tecnologia

Na primeira narrativa que você leu, Robinson Crusoé, para sobreviver, busca reproduzir na ilha os recursos
científicos do século XVII. Na segunda, Eugênio joga com habilidade um jogo eletrônico atual.

Discuta com os colegas e o professor a seguinte questão:

• De que modo as tecnologias contemporâneas podem alterar a convivência entre as pessoas?


Página 34

PRODUÇÃO DE TEXTO
Narrativa de aventura

AQUECIMENTO

Na construção de uma narrativa de aventura, é importante destacar as complicações e as ações das


personagens.

• Copie o trecho a seguir e complete-o com informações sobre as complicações enfrentadas pelas
personagens.

Dois garotos andavam pela rua quando, de repente, viram muitos membros de uma gangue rival surgirem de
dentro de um prédio em ruínas. Não tinham como fugir sem passar por eles, pois ____. Nem adiantaria
pedir socorro ____. A situação era difícil, mas piorou ainda mais quando ____.

Fig. 1 (p. 34)


Fabiana Salomão/ID/BR

Proposta

Na primeira parte deste capítulo, você produziu uma narrativa de aventura enfocando a caracterização das
personagens. Agora, depois de estudar o enredo típico das narrativas de aventura, você escreverá outro texto
em que constem todas as etapas de uma sequência narrativa.

No final da atividade, terão sido produzidas duas narrativas. Você escolherá uma delas para ser publicada em
um livro com os textos dos outros alunos da turma. Esse material poderá ser doado à biblioteca de sua escola
ou a uma biblioteca pública.

1. Escreva sua história com base na imagem a seguir.

a) Observe a cena detalhadamente. Onde o menino está?

b) O que ele está vendo?

Fig. 2 (p. 34)


Romilly Lockyer/The Image Bank/Getty Images

Planejamento e elaboração do texto

Antes de escrever, planeje seu texto com base nos aspectos a seguir.

1. Copie o quadro e preencha-o com as informações pedidas.

Características das Objetivo das Características do


Personagens
personagens personagens espaço

ID/BR
Página 35

2. Imagine uma aventura com as personagens que você indicou no item anterior. Observe o esquema abaixo
e utilize-o para planejar seu texto.

Situação inicial Desfecho


Complicação Ação das personagens
Apresentação das Qual é a resolução do
Qual é o conflito que Quais são as ações das
personagens e do conflito e como termina a
existirá na história? personagens principais?
espaço. história?
ID/BR

3. Elabore seu texto, desenvolvendo os aspectos levantados no planejamento. Dê um título atrativo a sua
história.

Avaliação e reescrita do texto

1. Copie e preencha a tabela a seguir, pois ela auxiliará você na avaliação da sua narrativa de aventura.

O texto apresenta
Elementos da narrativa de aventura
Sim Não
Apresentação da personagem e do espaço
Complicação da situação inicial
Recursos que criam o efeito de suspense
Desfecho
ID/BR

2. Troque sua história com a de um colega para que um avalie a narrativa do outro. Escreva as respostas das
perguntas abaixo.

a) Do que eu mais gostei no texto de meu colega?

b) Quais sugestões eu poderia dar para tornar ainda melhor o texto dele?

3. Avalie as sugestões do colega e, se julgar que são apropriadas, incorpore-as ao seu texto. Escolha qual das
duas histórias que você escreveu será publicada no livro coletivo. Passe a limpo o texto e ilustre as cenas mais
marcantes.

4. Quando o livro ficar pronto, organize, com os colegas e o professor, um dia para a apreciação das histórias
e das ilustrações.

Dicas de como organizar um livro coletivo

• A turma será dividida em cinco grupos com funções específicas.

• Depois que os textos estiverem prontos e ilustrados, o grupo 1 organizará os textos do livro.

• O grupo 2 fará o sumário do livro, em que constarão o título das narrativas, o nome dos autores e o
número das páginas correspondentes. Para organizar o livro e o sumário, os textos podem ser dispostos em
ordem alfabética por autor ou título.

• O grupo 3 será responsável pela capa. Ela conterá uma ilustração que represente o universo das narrativas
de aventura. Essa ilustração será escolhida entre as produzidas pelos alunos da turma.

• O grupo 4 ficará responsável pela montagem do livro. Sugestão: fazer dois furos nas laterais das folhas e
passar fita ou cordão para amarrá-las.

• O grupo 5 ficará encarregado do evento de apresentação do livro.


Fig. 1 (p. 35)
Fabiana Salomão/ID/BR
Página 36

REFLEXÃO LINGUÍSTICA
Texto e produção de sentidos

1. O trecho a seguir foi extraído de uma narrativa de aventura chamada O gênio do crime, em que são
contadas as peripécias de um grupo de pré-adolescentes para desvendar um caso de falsificação de figurinhas
de um álbum de futebol. Leia-o para responder às questões.

– Sabemos que o cambista não vai na fábrica clandestina mas tem um lugar onde faz as encomendas e recebe
as figuras – disse Edmundo.

– Já sei – fez Pituca. – Seguimos o homem e descobrimos o sistema de contato com a fábrica.

– Isso! – concordou Edmundo. – O sistema de contato é que é o principal. Depois não tem problema;
seguimos o fulano que recebe as encomendas e damos lá.

– Parabéns – cumprimentou o gordo. – O chefe já está preso e engradado. [...]

– Não concorda com nosso plano?

– Não disse que não.

– Mas está fazendo pouco.

– Ouvi dizer que o chefe da quadrilha é um gênio do crime. Se botar a mão nele fosse assim, seria o burro do
crime.

João Carlos Marinho. O gênio do crime. 38. ed. São Paulo: Global, 1991. p. 21.

Acervo PNBE

Fig. 1 (p. 36)


Adilson Farias/ID/BR

a) Quantos e quem são os meninos envolvidos na solução do caso?

b) Quem pode ter perguntado “Não concorda com nosso plano?”?

c) Essa pergunta surgiu a partir de algo que foi ouvido. O quê?

d) O autor da pergunta atribuiu um sentido ao cumprimento do gordo. Para ele, foi como se o gordo tivesse
dito que frase?

e) O que significa a expressão “fazer pouco”, nesse diálogo?

f) Dê um exemplo de outro sentido que a expressão “fazer pouco” pode ter, em uma outra situação.

Nesse trecho da história dos garotos heróis, pode-se reconhecer uma situação em que interlocutores (no
caso, os três meninos que conversam) se comunicam por meio de enunciados.

Observe que o sentido de um enunciado não está apenas no conteúdo das palavras postas em sequência. Se
fosse assim, ao ouvir o enunciado “Parabéns [...] O chefe já está preso e engradado.”, os interlocutores do
gordo poderiam achar que ele estava fazendo um elogio – o que não é verdade. Com seu comentário, o gordo
não queria de forma alguma dizer que aquela estratégia para prender o chefe da quadrilha era ótima, a ponto
de já considerá-lo um criminoso preso. Mas, como os interlocutores do gordo conseguiram atribuir o sentido
de desaprovação às palavras dele, se elas pareciam um elogio? Provavelmente, porque sabiam que tinham
um desafio difícil e que a “facilidade” sugerida pelo amigo só poderia ser falsa, ou seja, uma ironia. Além
disso, Pituca e Edmundo já deviam conhecer o senso de humor de seu interlocutor, seu tom de crítica.
Da mesma forma que as personagens do livro interagem entre si, tornando-se interlocutores, o leitor da
narrativa de aventura também interage com o texto, acionando seus conhecimentos prévios para entender o
que foi escrito naquele livro.
Página 37

Por exemplo, o leitor conhece o sistema jurídico em vigor no Brasil. E é graças a esse conhecimento que ele
dá sentido ao enunciado “O chefe já está preso e engradado.”. Se o leitor não conhecesse as leis brasileiras,
não ligaria o enunciado à ideia de detenção em uma penitenciária, fruto da sentença dada por um juiz. “Preso
e engradado” poderia lhe sugerir outra coisa. Enfim, os sentidos são construídos em parceria, na interação
entre os interlocutores.

Nessa construção conjunta de sentidos, é necessário levar em conta a situação em que o enunciado foi
produzido, ou seja, seu contexto de produção. Por exemplo, se outra pessoa (que não o gordo) dissesse
“Parabéns [...] O chefe já está preso e engradado.”, essa talvez fosse mesmo uma opinião favorável ao plano
de Edmundo e Pituca. Também, se o gordo tivesse naquele momento uma expressão facial diferente e um
outro tom de voz, seus colegas possivelmente não associariam seu enunciado a uma ironia.

ANOTE

Interlocutor é cada um dos participantes de uma situação de comunicação. Pode ser o falante, aquele que
diz algo, e o ouvinte, aquele que escuta o que é dito e responde, por meio de palavras ou gestos, àquilo que é
comunicado. Pode ser também o autor de um texto escrito e seu leitor.

Enunciado é aquilo que um interlocutor diz ao outro em dada situação de comunicação.

Contexto de produção são as condições em que o enunciado é produzido: quem fala, para quem, de que
modo o enunciado é transmitido, em que momento e com que intencionalidade.

A intencionalidade indica o objetivo do interlocutor: avisar, convencer, divertir, advertir, manter contato,
emocionar, etc.

Gêneros textuais

2. Leia o trecho a seguir, também extraído do livro O gênio do crime. Nele, seu Tomé, o dono da Fábrica de
Figurinhas Escanteio, explica aos pais de Edmundo o que acontece com sua empresa.

– Os senhores não imaginam o que está acontecendo comigo. Esta vida; vemos as desgraças acontecerem aos
outros e não imaginamos que um dia... bom, vamos ao assunto: existe por aí uma fábrica clandestina
falsificando minhas figurinhas difíceis. Fazem exatamente iguais às minhas e vendem para a criançada.

Fez uma pausa olhando a subida da fumaça do charuto.

– No meu, como em qualquer concurso, o número de prêmios deve ser limitado – não poderia entregar um
jogo de camisa a cada colecionador. [...] Mas agora, com esse derrame de figurinhas falsas, o número de
álbuns cheios ficou maior que a minha capacidade de comprar prêmios.

– Compreendo por que havia tantos meninos com álbuns cheios – disse seu Cláudio.

– Aí é que está. Tive que tomar dinheiro emprestado para comprar os prêmios que entreguei. A senhora vê, o
senhor vê, passar esta vergonha na minha idade, ser chamado de caloteiro [...].

João Carlos Marinho. O gênio do crime. 38. ed. São Paulo: Global, 1991. p. 15-16.

ACERVO PNBE

Fig. 1 (p. 37)


Adilson Farias/ID/BR
ÁLBUM
Página 38

Agora, responda a algumas questões sobre o trecho que você leu.

a) Na cena, a comunicação entre os interlocutores se dá pela modalidade oral ou pela modalidade escrita da
língua?

b) Qual dos itens a seguir nomeia a comunicação que ocorre no texto?

conversa telefônica conversa presencial entrevista depoimento

c) Se um jornal impresso fosse divulgar o caso da Fábrica de Figurinhas Escanteio, ele seria publicado em
qual das seções a seguir?

anúncio classificado crônica notícia anúncio publicitário

d) Em uma estante que reúne livros do mesmo gênero literário, a obra O gênio do crime estaria junto com
qual dos livros ao lado?

Fig. 1 (p. 38)


Adilson Farias/ID/BR
CONTOS AFRICANOS PARA CRIANÇAS BRASILEIRAS
VERSO LIVRE
O NARIZ E OUTRAS CRÔNICAS
A VOLTO AO MUNDO EM 80 DIAS

Para cada ato comunicativo usamos formatos específicos de texto. Muitas vezes, sabemos por intuição e por
experiência qual será mais adequado a uma situação. Outras vezes, aprendemos formalmente, na escola,
alguns desses formatos específicos de texto.

Por exemplo, sabemos que um bilhete é adequado para uma pessoa avisar em casa que chegará mais tarde.
Por outro lado, para manifestar a insatisfação com um produto ou serviço, ela não pode escrever um bilhete.
É necessário empregar um gênero de texto chamado carta de reclamação.

Também utilizamos formatos específicos de texto oral. Você já deve ter acompanhado pela televisão um
debate regrado entre políticos, por exemplo, ou já deve ter ouvido alguma entrevista. Cada um deles funciona
de uma forma, tem suas características e pode ser reconhecido pelas pessoas.

A essas diferentes formas de organização dos enunciados damos o nome de gênero textual. Ao escolher um
gênero, é importante saber o público que se quer atingir, o objetivo que se pretende alcançar e em que lugar e
em que momento ocorrerá a comunicação.

Conforme a sociedade muda, novos gêneros textuais podem surgir e gêneros antigos podem perder espaço. O
chat, ou bate-papo virtual, por exemplo, apareceu graças às novas tecnologias. A carta familiar, por sua vez,
deixou de ser empregada por alguns grupos.

O universo jornalístico tem seus gêneros típicos, como a notícia e a reportagem. O universo literário também
tem seus gêneros, como o conto, o romance, a crônica, o cordel, etc. Um advogado, familiarizado com o
universo jurídico, lida com gêneros próprios dessa área, como o mandado, a liminar e a petição.

ANOTE

Gêneros textuais são formas de enunciados existentes na sociedade e que estão à disposição dos
interlocutores.

São inúmeros os gêneros textuais a que o interlocutor pode recorrer, mas é importante perceber qual será
adequado a cada situação e finalidade: o bate-papo, o bilhete, a notícia, o conto de fadas, as provas da escola,
as tiras, as histórias em quadrinhos, os romances de aventura, os anúncios publicitários, as fábulas, as
entrevistas, os seminários, as exposições orais, os artigos de opinião, entre muitos outros.
Página 39

REFLEXÃO LINGUÍSTICA Na prática

Responda sempre no caderno.

1. Leia ao lado o texto inscrito em uma etiqueta de blusa de seda.

a) Qual é a informação principal desse texto?

b) Quem você supõe ter escrito essas instruções?

c) Quem é o possível leitor desse texto?

d) Qual é a finalidade das instruções?

Fig. 1 (p. 39)


Jótah Ilustrações/ID/BR
Instruções de lavagem
Não torcer.
Não passar.
Não lavar na máquina.
Usar sabão neutro.
Não secar ao sol.
Não usar alvejante à base de cloro.

2. Leia a tira.

Fig. 2 (p. 39)


Fernando Gonsales/Acervo do artista
Fernando Gonsales. Níquel Náusea: tédio no chiqueiro. São Paulo: Devir, 2006. p. 4.
Q1: ESSA VASSOURA ESTÁ ME MATANDO!
Q2: ESSA VASSOURA ESTÁ ME MATANDO!
Q3: ESSA VASSOURA ESTÁ ME MATANDO!

a) Descreva o que acontece em cada um dos quadrinhos.

• Quadrinho 1

• Quadrinho 2

• Quadrinho 3

b) Qual é o significado da frase “Essa vassoura está me matando!” em cada um dos quadrinhos da tira?

c) O que faz com que um mesmo enunciado tenha diferentes sentidos em cada um dos quadrinhos?

3. Leia o texto abaixo. Depois, copie e preencha a tabela.

UMA VIAGEM EXTRAORDINÁRIA

The Young and Prodigious T.S. Spivet. França/Canadá, 2013. Direção: Jean-Pierre Jeunet. Com: Kyle
Catlett, Helena Bonham Carter e Robert Maillet. 105 min. Livre.

T.S. Spivet é um garoto superdotado que ganha um prestigioso prêmio científico. Para recebê-lo, ele cruza os
EUA, sem avisar os pais, e passa por várias aventuras no trajeto.

Caixa Belas Artes 2 – Cândido Portinari, legendado: sex. a qua.: 16h30.

Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/guia/ci2811201405.shtml>. Acesso em: 17 abr. 2015.

Fig. 3 (p. 39)


Epithète Films/ID/BR
UMA VIAGEM EXTRAORDINÁRIA

O texto apresenta quais informações?


Onde esse texto pode ter sido publicado?
Quem é o possível leitor do texto?
Qual é a finalidade do texto?
Qual é o gênero do texto?
ID/BR
Página 40

LÍNGUA VIVA
Responda sempre no caderno.

O contexto de produção e a linguagem

1. Leia o texto e responda às questões.

Sábado, 9 de julho.

Eu odeio a minha mãe!!!! Odeio muito!!!!! Hoje ela veio aqui, ao meu quarto, e mexeu em tudo que é meu.
Futucou nas minhas gavetas, arrumou a minha mesa de um jeito horrível e pior de tudo, pegou na minha
agenda. Eu simplesmente ODEIO ela!!!!!!!! Ela sempre faz isso e pensa que eu não percebo. Só que, desta
vez, ela passou dos limites. Pegou na minha agenda que eu sei. Estava aberta em outra página. Estou com
muita raiva, muita raiva mesmo!!!! Ahrrrrrr!!!!! Na hora, fiquei que nem bicho, a gente brigou muito feio. Eu
fiz um escândalo, disse que ela não tinha direito de mexer nas minhas coisas, ela disse que era minha mãe,
que tinha direito sim, que o meu quarto estava uma bagunça, eu falei que ela não podia nunca ter lido a
minha agenda, que são as minhas intimidades, ela disse que não leu. Mentira!!! Eu sei que leu sim!!!!!! Aí, eu
disse que ela era a pior mãe do mundo e que o meu quarto tinha que ficar do meu jeito, não do dela. Aí, ela é
que ficou nervosa e disse que quando eu crescesse eu podia fazer o que eu quisesse da minha vida, mas
enquanto eu morasse aqui, não. Ia ter que obedecer todas as regras. Que era ela e o meu pai que mandavam.
Eu comecei a chorar, fiquei me sentindo muito mal, um lixo. Ela não podia falar assim comigo. Ela não
manda em mim, muito menos nas minhas coisas!! [...] A partir de agora, tomei uma decisão muito séria, vou
passar a escrever em código, assim, se ela ler de novo não vai entender nada!! Hahaha!! Bem feito!!

Inês Stanisiere. A agenda de Carol. Belo Horizonte: Leitura, 2004. s. p.

Fig. 1 (p. 40)


Ablestock/ID/BR

a) Qual é o assunto do texto?

b) Qual é o sentimento de Carol em relação à mãe?

c) O que você pensa sobre o sentimento e a postura de Carol?

2. Esse texto aborda uma situação do cotidiano de uma garota. O registro é feito por ela em um caderno no
dia em que aconteceu o fato. Apesar de ter sido publicado em um livro, geralmente esse tipo de texto não é
escrito para ser lido por outras pessoas. A qual gênero esse texto pertence?

3. A garota que fala no texto é uma pré-adolescente que expressa seus sentimentos por meio da escrita.
Identifique marcas linguísticas que caracterizam esse contexto de produção.

4. Você acha possível encontrar esse texto em uma revista científica dirigida a estudiosos do comportamento
humano? Justifique sua resposta.

5. No texto, há certas escolhas linguísticas que visam expressar os sentimentos de quem fala. Observe os
destaques nos trechos abaixo e explique que sentido foi produzido pelo uso de cada um deles.

a) “Eu simplesmente ODEIO ela!!!!!!!!”

b) “Ahrrrrrr!!!!!”

ANOTE

O contexto de produção não só determina o gênero a ser utilizado, ou seja, a organização e a estrutura do
texto, mas também o registro da linguagem empregada: formal ou informal.
Relacionando

Na Leitura 1 deste capítulo, a personagem Sexta-Feira manifesta-se verbalmente em trechos como “Sexta-
Feira guerrear com patrão. Só dizer o que fazer...”. Sua linguagem é determinada por um contexto de
produção no qual o falante não é nativo da língua que emprega.
Página 41

QUESTÕES DA ESCRITA
Responda sempre no caderno.

Letra e fonema

Observe as fotografias dos animais a seguir.

Fig. 1 (p. 41)


panbazil/Shutterstock.com/ID/BR

Fig. 2 (p. 41)


Pelevina Ksinia/Shutterstock.com/ID/BR

Fig. 3 (p. 41)


5 second Studio/Shutterstock.com/ID/BR

As palavras com as quais nomeamos esses animais são muito parecidas. Na fala, cada uma é formada por
quatro sons. Deles, os três últimos são idênticos, só o primeiro é diferente.

ANOTE

As unidades sonoras da língua capazes de estabelecer diferenças de significado entre as palavras são
chamadas fonemas.

1. No quadro ao lado, estão escritos os nomes dos animais das fotos. No caderno, separe as palavras abaixo
pela semelhança nos fonemas. Faça dois quadros e escreva uma terceira palavra em cada um que tenha
apenas um fonema diferente dos demais.

mola tela cola sela

P A T O
R A T O
G A T O

ANOTE

Os sinais gráficos utilizados para representar os fonemas são as letras.

O alfabeto da língua portuguesa é composto de 26 letras. Elas podem se apresentar na forma de imprensa ou
na forma cursiva.

Letras
Maiúsculas de imprensa ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ
Maiúsculas cursivas ABCDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ
Minúsculas de imprensa abcdefghijklmnopqrstuvwxyz
Minúsculas cursivas abcdefghijklmnopqrstuvwxyz
ID/BR

Até recentemente, as letras K/k, W/w e Y/y não faziam parte da língua portuguesa. Essas letras foram
incorporadas ao nosso alfabeto no último acordo ortográfico. As letras k, w e y são utilizadas nos seguintes
casos:
• Em abreviaturas e símbolos técnicos internacionais. Ex.: kg (quilograma).
• Em vocábulos derivados de nomes estrangeiros. Ex.: shakespeariano.
• Na grafia de nomes estrangeiros. Ex.: Jackson, Washington.
• Em palavras estrangeiras não aportuguesadas. Ex.: hobby, boy, kart.
Página 42

2. Observe a capa deste livro escolar do começo do século XX.

Qual é o título do livro? Como você o escreveria utilizando a grafia atual?

O registro escrito das palavras deve seguir as regras ortográficas estabelecidas pela gramática normativa. As
palavras grafadas nos livros escolares do começo do século XX obedeciam às normas daquela época.

Fig. 1 (p. 42)


Olavo Bilac e Manoel Bomfim. Atravez do Brazil: livro de Leitura para o curso medio das Escolas Primarias.
Pratica da Lingua Portugueza. 7. ed. revista. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1921.
Livraria Francisco Alves/Arquivo da editora
Atravez do Brazil: livro de Leitura para o curso medio das Escolas Primarias

3. Termine de escrever as palavras que nomeiam os itens destas fotografias.

Fig. 2 (p. 42)


Rawpixel/Shutterstock.com/ID/BR
C A O

Fig. 3 (p. 42)


Olena Simko/Shutterstock.com/ID/BR
C A O

Fig. 4 (p. 42)


Chalermchai Chamnanyon/Shutterstock.com/ID/BR
C A O

Fig. 5 (p. 42)


Africa Studio/Shutterstock.com/ID/BR
C A O

4. Com base nas palavras da questão anterior, escreva se a declaração a seguir é verdadeira ou falsa.
Justifique.

Um único fonema é sempre representado por uma só letra.

5. Os objetos abaixo foram representados por meio de ilustrações. Represente-os verbalmente na


modalidade escrita.

a)

Fig. 6 (p. 42)

b)

Fig. 7 (p. 42)

c)

Fig. 8 (p. 42)


Ilustrações: Adilson Farias/ID/BR

6. Todas as palavras da atividade anterior apresentam seis fonemas. Escreva a(s) letra(s) que representa(m)
cada um deles.

7. Copie a(s) letra(s) das palavras a seguir que representa(m) o primeiro fonema da palavra sapo.
passarinho sítio nascer exceto

sela ciúme sótão açúcar

8. A letra x pode representar diferentes fonemas. Copie as palavras a seguir, agrupando-as de acordo com o
fonema que a letra x representa.

xícara enxuto exame experiência

exemplo excelente ameixa exagero

ANOTE

Um único fonema pode ser representado graficamente por uma ou por mais de uma letra.

Uma mesma letra pode representar diferentes fonemas.

Quando temos dúvidas sobre a grafia correta de uma palavra, devemos consultar o dicionário.
Página 43

Entreletras

1. Leia a marchinha de Carnaval escrita pelo compositor Braguinha, em 1946.

Pirata da perna de pau

Eu sou o pirata da perna de pau


Do olho de vidro, da cara de mau
Eu sou o pirata da perna de pau
Do olho de vidro, da cara de mau…

Minha galera
Dos verdes mares não teme o tufão
Minha galera
Só tem garotas na guarnição
Por isso se outro pirata
Tenta abordagem eu pego o facão
E grito do alto da popa:
Opa! Homem, não!

Braguinha. Songbook Braguinha. Rio de Janeiro: Lumiar Discos, 2002. v. 3.

Fig. 1 (p. 43)


Cláudia Ramos/ID/BR

Copie quatro palavras do texto que terminem com sons parecidos.

2. Escolha quatro palavras do quadro abaixo e faça uma lista de outras que terminem com o mesmo som.

mocinho pirata perigo viagem vilão forte corajoso

3. Crie uma nova estrofe com algumas dessas palavras no final de cada verso, para rimar. Apresente a estrofe
para a turma.

PARA SABER MAIS

Livros

Perdido na Amazônia 1, de Toni Brandão. Edições SM.

Fig. 2 (p. 43)


Edições SM/Arquivo da editora
Perdido na Amazônia 1

As aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain. Companhia Editora Nacional.

Fig. 3 (p. 43)


IBEP/Arquivo da editora
As aventuras de Huckleberry Finn

Histórias de aventuras. Editora Ática (Coleção Para Gostar de Ler, 25).

Fig. 4 (p. 43)


Ática/Arquivo da editora
Histórias de aventuras.

Filmes

Quadrilogia Indiana Jones. Direção de Steven Spielberg. EUA, 1981/2008.


Fig. 5 (p. 43)
Paramount Pictures/ID/BR
INDIANA JONES

Quadrilogia Piratas do Caribe. Direção de Gore Verbinski. EUA, 2004/2011.

Fig. 6 (p. 43)


Walt Disney Pictures/ID/BR
PIRATAS DO CARIBE
Página 44

ATIVIDADES GLOBAIS

REFLEXÃO LINGUÍSTICA

Responda sempre no caderno.

1. Observe a capa do livro e responda às questões.

a) Que informações a linguagem verbal expressa nesta imagem?

b) Quais informações sobre a história aparecem nesta capa?

c) Quais linguagens foram usadas para informar o leitor sobre o conteúdo do livro?

d) A história contada nesse livro é uma narrativa de aventura? Justifique com as informações que aparecem
na capa.

Fig. 1 (p. 44)


Ática/Arquivo da editora
A ILHA DO TESOURO
Por causa de um mapa e um pirata, o jovem Jim veio mergulhar na maior aventura de sua vida…

2. Leia a mensagem da atleta de escalada esportiva Janine Cardoso, publicada em seu blog.

Domingo, 12 de outubro de 2014.

Impressões sobre o MUNDIAL de ESCALADA de DIFICULDADE e BRASILEIRO de


BOULDER!

Olás!

Finalmente volto aqui para contar um pouco sobre minha presença no Campeonato Mundial de Dificuldade,
em setembro na Espanha, e também para dividir minhas impressões a respeito do emocionante Campeonato
Brasileiro de Boulder 2014, que rolou no dia 4 de outubro no ginásio UBT Escalada, em Brasília.

Apesar de meu foco como atleta este ano estar voltado para recuperação da performance na escalada de
dificuldade, confesso que nesse Campeonato de Boulder em Brasília senti uma pontinha de vontade de
participar, afinal, foram pouquíssimas competições nacionais em que não estive na arena como atleta nos
últimos 20 anos.

Porém, estava profundamente engajada em ajudar a fazer acontecer do outro lado – na organização, e dar o
melhor que podia nesse momento inicial de criar uma estrutura sustentável e um formato bacana para o
cenário de competição brasileiro. [...]

Postado por Janine Cardoso às 11:55

Disponível em: <http://www.janinecardoso.net/2014/10/impressoes-do-mundial-dedificuldade-e.html>.


Acesso em: 20 abr. 2015.

Fig. 2 (p. 44)


Escaladora Janine Cardoso. Nove vezes campeã brasileira de Escalada de Dificuldade.
Alexandre F. Cardoso/Acervo do fotógrafo

GLOSSÁRIO
Boulder: modalidade de escalada em rocha.

a) Identifique o contexto de produção do enunciado.

• Quem o produz?
• A quem é dirigido o texto?

• Onde o enunciado foi postado?

• Em que momento foi enviado?

• Qual é a finalidade do enunciado?

b) Observe a linguagem do texto.

• Que expressões representam as emoções da atleta em relação aos campeonatos?

• Que registro da linguagem foi usado nesse texto, formal ou informal?

• Copie trechos do texto que sejam exemplos desse registro.

• Qual é a função do título da mensagem da atleta e do uso de letra maiúscula em algumas palavras desse
título?
Página 45

O que você aprendeu neste capítulo

Narrativa de aventura

• Apresenta ações extraordinárias.

• Envolve emocionalmente o leitor.

• A linguagem e o cenário contribuem para criar a emoção e o suspense do texto.

• Personagens principais: protagonista e antagonista.

• Personagens secundárias: coadjuvantes e figurantes.

• Sequência narrativa: situação inicial, complicação, desfecho, situação final.

Língua e linguagem

• Linguagem: atividade de interação social pela qual as pessoas se comunicam, constroem sentidos e agem
umas sobre as outras.

• Linguagem verbal: utiliza palavras escritas ou faladas.

• Linguagem não verbal: utiliza outros sinais, como gestos, sons, imagens, etc.

• Língua: sistema gramatical pertencente a determinado grupo de falantes.

Produção de sentido

• Interlocutor: cada uma das pessoas que participam de uma situação de comunicação.

• Enunciado: aquilo que um interlocutor diz a outro em dada situação de comunicação.

• Contexto de produção: condições de produção do enunciado, ou seja, quem fala, para quem, em que
momento, com que intencionalidade e de que modo o enunciado é transmitido.

• Gêneros textuais: formas de enunciado existentes na sociedade e que estão à disposição dos
interlocutores.

Letra e fonema

• Fonema: unidade sonora da língua capaz de estabelecer diferenças de significado entre as palavras.

• Letra: sinal gráfico utilizado para representar os sons das palavras na transcrição de uma língua.

Autoavaliação

Para fazer sua autoavaliação, releia o quadro O que você aprendeu neste capítulo.

• Entre os assuntos tratados neste capítulo, o que você mais gostou de estudar?

• Quais foram suas principais dificuldades?

• O que você acha que precisa estudar mais?

• Você participou de todas as discussões propostas? Em caso negativo, por quê?

• Como você avalia sua participação nessas discussões?


Página 46

ORALIDADE
Conversa

Observe, abaixo, duas fotografias de cenas do filme Colegas (Brasil, 2013), dirigido por Marcelo Galvão.

Fig. 1 (p. 46)


Gata Cine/ID/BR

Fig. 2 (p. 46)


Gata Cine/ID/BR

1. O que a personagem Stalone está fazendo nessas duas situações?

Ora descontraída, ora tensa, com um interlocutor, com vários, premeditada ou espontânea... Você já se deu
conta de que a conversa é o gênero básico da interação que estabelecemos com o outro?

Quando se diz que duas pessoas conversaram durante anos por carta, enquanto estiveram afastadas, em
cidades diferentes, o sentido atribuído à conversa é figurado. A conversa, como gênero, pressupõe que os
participantes (no mínimo dois) interajam diretamente. E eles também precisam fazê-lo durante o mesmo
tempo. Se houver isso, a interação face a face é dispensável, como acontece na conversa telefônica.

O que um falante faz ou diz quando tem a palavra é chamado de turno de fala.

Considerando tudo isso, converse com os colegas sobre as seguintes questões:

2. Podemos pensar no chat, comumente chamado de bate-papo, como manifestação de uma conversa?

3. Uma entrevista em um programa de TV pode ser considerada conversa?

4. E a pregação religiosa para um grupo de fiéis?

5. Se uma pessoa dirige-se a outra, que não responde, e a primeira volta a tomar a palavra, podemos afirmar
que ocorreu uma conversa?

Se conversar é tão natural, é necessário estudar formalmente esse gênero?

Sim! Uma observação mais formal de uma conversa pode ajudar você a identificar algumas questões
importantes. Conversar, apesar de natural, nem sempre é fácil. Você já deve ter testemunhado muitos mal-
entendidos em conversas.

Produção de texto: conversa

O que você vai fazer

Você vai estabelecer uma conversa com alguns colegas sobre temas que lhe serão apresentados. Siga as
orientações da página ao lado para realizar a atividade.

Ao final, com base em alguns conceitos que estão sendo apresentados, avalie essa experiência. As descobertas
podem ser postas em prática em muitas conversas e facilitar seu diálogo também fora da escola.
Página 47

Preparação

Conheça os temas que você poderá escolher:

Tema I — Uma partida de um campeonato de futebol.

Nesse caso, você deverá ter assistido à partida. É preciso que se sinta à vontade para comentar a atuação dos
jogadores e da arbitragem e outros aspectos relevantes.

Tema II — Um show de um(a) cantor(a) ou banda a que você assistiu ou do(a) qual você é fã.

É preciso ter informações gerais sobre o evento (acesso ao local, preço do ingresso e condições do lugar),
mesmo que você não tenha comparecido. Além disso, você pode falar sobre a performance dos artistas, as
canções escolhidas, a reação do público, etc.

Tema III — Prova de uma disciplina considerada difícil.

Fig. 1 (p. 47)


Mirella Spinelli/ID/BR

Você vai proporcionar ou buscar: dicas sobre a matéria; possibilidade de um encontro para estudar com os
colegas; meios de solucionar dúvidas em algum fórum de discussão.

As conversas serão presenciais, com duração de dez minutos, que serão marcados pelo professor. Depois que
os interessados pelos temas se manifestarem, o professor vai definir os grupos. Sente-se com seu grupo para
iniciar a atividade.

Se houver condições, as conversas devem ser gravadas. Assim, será possível ouvi-las posteriormente, para
uma análise mais aprofundada.

Procure levar em conta os seguintes aspectos:

1 — Organização de turno

A princípio, fala um participante por vez. Mas uma de suas possibilidades é silenciar. A percepção de que se
pode mudar o turno se dá, por exemplo, pela conclusão de um enunciado, pela entonação, por uma pausa ou
hesitação. Um falante “avisa” que está tomando a palavra por meio de termos como “e”, “mas”, “então”, etc.
Caso tenha interrompido a fala de outro participante, isso pode ser corrigido com uma expressão como
“Desculpe, prossiga”.

2 — Falas simultâneas

A fala simultânea ocorre quando mais de um falante assume a palavra no mesmo instante; e isso pode
comprometer a comunicação. Os mecanismos reparadores são verbais (“deixe eu dizer”, “depois você fala”,
“espera aí”, “dá licença”, etc.) ou não (é o caso de um olhar incisivo, um gesto com a mão, por exemplo).

A fala simultânea não se confunde com a sobreposição de vozes, que é o que ocorre quando o ouvinte
concorda, discorda, estimula o outro com expressões como “sim”, “ahã”, “claro”, “é”, etc.

Avaliação

Você pode, com os colegas e o professor, realizar uma avaliação de uma das conversas gravadas.

• O conteúdo fluiu naturalmente?


• Todos se expressaram?
• Algum participante falou mais?
• Alguém interrompeu a fala do outro participante?

Você também pode passar a monitorar suas conversas com base no que verificou, buscando aperfeiçoar sua
habilidade nesse gênero.
Página 48

CAPÍTULO 2 - Conto popular


CONVERSE COM OS COLEGAS

1. A imagem ao lado tem como título Colcha de retalho. É um painel feito de retalhos de tecido, outros
materiais reciclados e pintura.

Fig. 1 (p. 48)


Colcha de retalho: cobra folclórica do rio Jequitinhonha, de Magela Albuquerque, 1994. 120 cm × 230 cm.
Coleção Particular. Fotografia: Raissa Garcia/Acervo do fotógrafo

a) Quais personagens de histórias do folclore brasileiro estão presentes nos retalhos que formam o fundo do
painel?

b) Além dessas personagens folclóricas, outros elementos da cultura brasileira também estão presentes nos
retalhos que compõem o painel. Quais são eles?

c) As cores utilizadas no painel produzem que efeito?

2. Esse painel foi criado por Magela Albuquerque, artista plástico nascido na região do vale do
Jequitinhonha, situado no nordeste de Minas Gerais. O rio Jequitinhonha é uma referência fundamental
nessa região e importante fonte de inspiração para a cultura da comunidade local.

a) No primeiro plano do painel, há a representação de uma serpente. Em histórias de que tipos é comum
encontrarmos como personagens esses animais?

b) Considerando o contexto em que esse painel foi produzido e as imagens nele presentes, essa serpente
poderia ser personagem de que história?

c) Qual é a relação entre a serpente apresentada em primeiro plano e as imagens presentes nos retalhos que
compõem o painel?

3. Você conhece histórias que tenham como personagem serpentes ou outros tipos de cobra? Se conhece, cite
algumas.

Cada povo manifesta seus costumes, suas crenças e seus valores por diversos meios: dança, música, festas,
artesanato, forma de falar, gestos, narrativas populares.

As narrativas que foram criadas por uma coletividade são conhecidas como contos populares, porque
nessas histórias são retratados vários aspectos da cultura de um grupo. Neste capítulo, serão estudadas as
principais características desse gênero textual.
Página 49

O que você vai aprender

• Características principais do conto popular


• Tempo e espaço
• Variedades linguísticas
• Encontro consonantal e dígrafo
Página 50

LEITURA 1
Conto popular

O QUE VOCÊ VAI LER

Fig. 1 (p. 50)


Ruth Guimarães (1920–2014), folclorista, professora e contadora de histórias. Fotografia de 2011, São
Paulo.
Eduardo Knapp/Folhapress

Ruth Guimarães nasceu e viveu na região do vale do Paraíba, no interior de São Paulo. Na juventude, esteve
na capital paulista para frequentar o curso de Letras da Universidade de São Paulo. Frequentou também a
Escola de Arte Dramática, onde conviveu com Mário de Andrade, escritor brasileiro que se interessava muito
pelo folclore nacional. Desde esse encontro, a moça dedicou-se aos estudos do folclore e dos contos populares
brasileiros.

Ao longo da vida, escreveu vários livros sobre o assunto, mas gostava especialmente de reproduzir a
linguagem do povo e as imagens presentes no imaginário popular. Por isso, tratou de pesquisar as histórias
populares e recriá-las a fim de que não sejam esquecidas.

O conto que você vai ler a seguir foi publicado em um livro chamado Lendas e fábulas do Brasil, publicado
em 1972, que reúne histórias contadas pelo povo.

• Quem você acha que são os dois papudos do título do conto?

Os dois papudos

Vivia numa povoação um alegre papudo, estimado de todos, muito folgazão e boêmio. Não o impedia o papo
de soltar grandes risadas. Pouco se lhe dava que o achassem feio, ou o chamassem de papudo. A verdade é
que o tal papo o incomodava, mas o que não tem remédio remediado está, filosofava ele. E vamos tocar viola,
e vamos amanhecer nos fandangos, viva a alegria, minha gente, que se vive uma vez só.

Certo dia, foi ao povoado vizinho, a uma festa de casamento, levando embaixo do braço a inseparável viola.
Demorou mais que de costume, bebeu uns tragos a mais, porém não deixou de voltar para casa, pois era tão
trabalhador quanto festeiro, e tinha que pegar no serviço no outro dia bem cedo.

Havia luar. Num grande estirão avistava a estrada larga, as touceiras de mato. Passava o gambá por perto
dele, e o tatu, roncando, e voava baixo, silenciosamente, a corujinha campeira. O papudo não sentia medo.
Andava em paz com Deus e com os homens. Os animais, que adivinham nele um homem de coração
compassivo, também não tinham medo dele.

De repente, ao virar numa curva, viu embaixo da figueira brava, ramalhuda, uma roda de anões cantando.
Todos com capuzes vermelhos, cachimbo com a brasa luzindo, a barba branca comprida, descendo até a
altura do peito.

– O que será aquilo?

Por um instante teve algum temor. Mas era tarde para fugir. Os foliões já o tinham visto. E, se se tratava de
festa, isto era com ele. Saltou decidido para o meio da roda, empunhando a viola.

– Eu também sei cantar.

Enquanto pinicava as cordas, prestava atenção às palavras dos dançarinos. Eles entoavam:

Segunda, terça

Quarta, quinta...
E tornavam ao começo:
Página 51

Segunda, terça

Quarta, quinta...

E assim sempre, numa musiquinha muito cacete. Acostumado aos desafios, a improvisar, o papudo esperou a
sua deixa. Assim que os anões começaram:

Segunda, terça

Quarta, quinta...

Ele emendou:

Sexta, sábado

Domundo também

A roda pegou fogo. Os pequenos duendes barbudos gostaram da novidade. Rodopiavam cantando numa
animação delirante, e foi assim a noite toda. E o papudo tocando e dançando.

De madrugada, ao primeiro cantar do galo, a roda se desfez. O mais velho deles, e que parecia o chefe,
perguntou-lhe:

– Que é que você quer, em paga de ter tocado para nós?

– Eu até que me diverti com esta festa – replicou o papudo.

– Mas peça qualquer coisa.

– Posso pedir seja o que for?

– Pode.

– Eu queria – disse ele, meio hesitante – queria me ver livre deste papo, que me incomoda muito.

Um anãozinho agarrou o papo com as duas mãos, subiu pelo peito do papudo, firmou bem os pés, deu um
arrancão.

O papudo fechou os olhos.

– Agora eles me matam.

De repente sentiu o pescoço leve. Abriu os olhos. Os anõezinhos tinham sumido. Não ouviu mais nada. Meio
cinzento, despontava o dia.

“Sonhei”, pensou ele. “Bebi demais naquele casamento.”

Passou a mão pelo pescoço, estava liso, sem excrescência nenhuma.

“Agora fiquei mais bonito”, pensou também, muito satisfeito.

E aí deu com o papo jogado em cima do cupim.

Agarrou a viola e foi para casa.

Imagine-se a sensação que não foi, o papudo amanhecer, sem mais nem menos, sem o papo.

– Que milagre foi esse? – perguntavam.


Papudo ria, papudo cantava, continuava folgazão como sempre, mas não contava a aventura, de medo que o
chamassem de louco, e não acreditassem.

Esse moço tinha um compadre, que também era papudo.

E tanto apertou o amigo, e tanto falou:

– Eu também quero me ver livre desse aleijão. Quero ficar bonito, e arranjar uma namorada. Você não é
amigo.

Foi assim, até que o moço lhe contou tudo.

Fig. 1 (p. 51)


Liashenko Iryna/Shutterstock.com/ID/BR
Página 52

O outro encarou, incrédulo.

– Verdade?

– Verdade.

– O anão falou que você podia pedir o que quisesse?

– Falou.

– E você em vez de pedir riquezas, pediu para ficar sem o papo?

– Ora, pobreza não me incomoda, mas o papo incomodava.

– Mas você é louco. Você é um burro. Pedisse riqueza. Quem é rico, que é que tem o papo? Quem se
incomoda com papo? Eu, se fosse rico, me casaria com uma mulher bonita, do mesmo jeito. Você é bobo.
Onde é esse lugar, onde você encontrou os fantasmas?

O outro preveniu:

– Compadre, você vai lá com esganação, vai ofender os anõezinhos, e ainda se arrepende.

– Nada disso. Você o que é, é um egoísta. Está formoso, que se danem os outros.

Aí o moço encolheu os ombros e falou:

– Sua alma, sua palma. Vá lá, depois não se queixe.

Ensinou onde era, o compadre invejoso agarrou a viola e foi, noite alta, direitinho como o outro tinha feito.
Também era noite de luar. Também dançou a noite inteira, cantando. Ao primeiro cantar do galo a roda se
desfez.

– Que é que você quer, em paga de ter tocado para nós?

O papudo deu uma piscadela maliciosa para o anão e falou, esfregando o indicador e o polegar, no gesto
clássico, que significa dinheiro:

– Eu quero aquilo que o meu compadre não quis. Um anãozinho foi ao cupim, tirou o papo do outro que
estava lá, e grudou em cima do papo do invejoso. E assim, por sua louca ambição, ele ficou com dois papos.

Ruth Guimarães (Org.). Lendas e fábulas do Brasil. 4. ed. São Paulo: Cultrix, 1972.

GLOSSÁRIO
Aleijão: deformidade física.
Campeiro: próprio ou natural do campo.
Compassivo: que tem ou revela compaixão.
Cupim: ninho de insetos, cupinzeiro.
Duende: ser imaginário ou personagem da superstição que faz travessuras nas casas.
Esganação: voracidade, apetite exagerado.
Estirão: trajeto extenso.
Excrescência: saliência, aquilo que cresceu a mais.
Fandango: dança popular conhecida na Espanha e em Portugal. No Brasil, é comum em estados do
Nordeste, do Sul e do Sudeste.
Folgazão: brincalhão.
Ramalhudo: repleto de ramos.
Touceira: grande touça, moita ou vegetação.
Trago: aquilo que se bebe, gole.

Fig. 1 (p. 52)


Konyayeva/Shutterstock.com/ID/BR
Página 53

Estudo do texto
Responda sempre no caderno.

Para entender o texto

1. Em que lugar ocorre a história que você leu? Copie trechos do texto que justifiquem sua resposta.

2. O conto trata de dois homens que tinham uma característica que os diferenciava das outras pessoas.

a) Que característica era essa?

b) A característica dessas personagens tem muita importância para o desenvolvimento do enredo. Que
conflito ela desencadeia?

c) Havia alguma reação dos amigos e conhecidos em relação à característica das personagens? Que reação era
essa?

d) Ao longo do conto, pode-se perceber uma oposição entre as duas personagens principais. Qual é a
diferença entre elas?

e) O conto fala da transformação das personagens. Quem favorece a transformação delas?

3. No final do conto, as características das duas personagens principais se modificam.

a) Que mudanças o texto aponta em cada uma?

b) Por que essas mudanças ocorreram?

4. De que maneira a festança com os duendes colaborou para a transformação dos papudos?

• Como eram as festas descritas na história? O que acontecia nelas?

5. Releia o seguinte trecho.

Por um instante teve algum temor. Mas era tarde para fugir. Os foliões já o tinham visto. E, se se tratava de
festa, isto era com ele. Saltou decidido para o meio da roda, empunhando a viola.

a) Quem eram os foliões aos quais o trecho se refere?

b) Que estratégia a personagem usou para se defender dos foliões?

c) Como se caracteriza, no texto, o ambiente onde se passa a ação?

Fig. 1 (p. 53)


Liashenko Iryna/Shutterstock.com/ID/BR

ANOTE

Os contos populares são narrativas de tradição oral que expressam costumes, ideias e julgamentos de um
povo ou de determinada cultura.

Uma característica frequente nos contos populares é a presença de seres com poderes sobrenaturais, palavras
mágicas, feitiços, encantos e crendices.

O tempo narrativo

1. O que a expressão “Vivia numa povoação um alegre papudo” indica sobre a narrativa?
2. Quanto tempo duraram os fatos narrados na história?
Página 54

Responda sempre no caderno.

ANOTE

Nos contos populares não é especificado o momento histórico em que o fato aconteceu. Para indicar o
passado remoto, os contos populares podem começar com um tempo verbal indicativo de mais
distanciamento temporal ou, ainda, da mesma forma que os contos de fadas e as lendas, com expressões
como “Era uma vez...”.

Esses tempos verbais e essas expressões remetem o leitor a um tempo imaginário, e não ao tempo real.

3. Quais outras expressões de tempo aparecem no texto?

4. Que efeito a ausência dessas expressões pode causar na narrativa?

ANOTE

É muito importante que haja nas narrativas marcadores de tempo que indiquem o tempo narrativo,
apresentando ao leitor a ordem em que os fatos acontecem na história.

Geralmente, o tempo narrativo segue uma ordem linear ou cronológica (passado – presente − futuro).

No entanto, nem toda história segue a ordem cronológica. Os acontecimentos podem ser apresentados de
modo não linear. Quando isso acontece, em geral há alguma intenção por parte do narrador: criar suspense
ou gerar alguma expectativa no leitor, por exemplo.

O contexto de produção

1. Leia o seguinte trecho de uma entrevista realizada com Ruth Guimarães.

Ruth Guimarães – [...] Eu morava numa fazenda... casarão... uma imensidade... tinha vinte e seis cômodos
a casa. Um dos cômodos era um salão que dava para se fazer baile. Se faziam bailes lá na minha casa, e a
minha mãe tomava conta lá da fazenda, morava lá meu pai também. Tinha quatro empregadas para poder
gerir a fazenda. Tinha a cozinheira, a copeira, a arrumadeira [...] A faxineira vinha de fora. Não morava lá. E
a outra era a lavadeira. A lavadeira se desdobrava em duas: era a lavadeira e a filha. Então, ia uma vez por
semana, e uma vez por semana em casa se fazia uma espécie de mutirão para fazer doce. Então, se fazia doce
em calda e doce em cacheta. E, nestes dias de descascar marmelo, descascar pêssego, figo... era dia de contar
história. E o pessoal contava história de arrepiar.

O Lince – Na beira do tacho.

Ruth Guimarães – Não. Descascando fruta. Quando era a hora do tacho, não me deixavam ficar na
cozinha, porque era uma mexeção de tacho. Tudo quente e gente correndo pra lá e pra cá... aquelas águas lá.
Então, eles não me deixavam ficar. Porque também eu fui muito arteira, Nossa Senhora! “Dona Maria, tira a
Ruth daqui que ela é muito arteira!” (risos) Eles não me deixavam ficar na cozinha. E com isto, eu me
familiarizei com todo o folclore [...].

Disponível em: <http://www.jornalolince.com.br/2008/set/entrevista/ent_ruth3.php>. Acesso em: 7 maio


2015.

Fig. 1 (p. 54)


Ruth Guimarães. Fotografia de 2011, São Paulo.
Eduardo Knapp/Folhapress

a) Como Ruth Guimarães conheceu as histórias que depois registrou em seus livros?

b) Quem são os autores dessas histórias?

c) Em sua opinião, por que os seres imaginários são recorrentes na cultura popular?
Página 55

ANOTE

Os contos populares são textos que têm relação com a memória e com a cultura de uma comunidade.
Não há como determinar onde essas histórias surgiram, nem quem foram seus criadores. Muitas vezes, os
contos populares são criações coletivas, em que há modificações por parte de quem os reconta.

Os contos populares são, em geral, contados oralmente em situações informais, por exemplo, em uma
reunião de familiares e amigos.

2. Leia o texto a seguir.

O sapateiro e os duendes

Era uma vez um sapateiro que trabalhava duro e era muito honesto. Mas nem assim ele conseguia ganhar o
suficiente para viver. Até que, finalmente, tudo o que ele tinha no mundo se foi, exceto a quantidade de couro
exata para fazer um par de sapatos. Ele os cortou e deixou preparados para montar no dia seguinte,
pretendendo acordar de manhã bem cedo para trabalhar. [...] De manhã cedo, depois de dizer suas orações,
preparava-se para fazer seu trabalho, quando, para seu grande espanto, ali estavam os sapatos, já prontos,
sobre a mesa. O bom homem não sabia o que dizer ou pensar deste estranho acontecimento. Examinou o
acabamento: não havia sequer um ponto falso no serviço todo e era tão bem feito e preciso que parecia uma
perfeita obra de arte.

Naquele mesmo dia apareceu um cliente e os sapatos agradaram-lhe tanto, que teria pago um preço muito
acima do normal por eles; e o pobre sapateiro, com o dinheiro, comprou couro suficiente para fazer mais dois
pares. Naquela noite, cortou o couro e não foi para a cama tarde porque pretendia acordar e começar cedo o
trabalho, pois, quando acordou pela manhã, o trabalho já estava acabado. Vieram então compradores que
pagaram generosamente por seus produtos, de modo que ele pôde comprar couro suficiente para mais quatro
pares. Ele novamente cortou o couro à noite, e encontrou o serviço acabado pela manhã, como antes; e assim
foi durante algum tempo: o que era deixado preparado à noite estava sempre pronto ao nascer do dia, e o
bom homem prosperou novamente.

Certa noite, perto do Natal, quando ele e a mulher estavam sentados perto do fogo conversando, ele lhe disse,
“Gostaria de ficar observando esta noite para ver quem vem fazer o trabalho por mim”. A esposa gostou da
ideia. [...] Quando deu a meia-noite, apareceram dois anõezinhos nus que se sentaram na bancada do
sapateiro, pegaram o couro cortado e começaram a preguear com seus dedinhos, costurando, martelando e
remendando com tal rapidez que deixaram o sapateiro boquiaberto de admiração [...]. E assim prosseguiram
no trabalho até terminá-lo, deixando os sapatos prontos para o uso em cima da mesa. [...] No dia seguinte, a
esposa disse ao sapateiro, “Esses homenzinhos nos deixaram ricos e devemos ser gratos a eles, prestando-
lhes algum serviço em troca. Fico muito chateada de vê-los correndo para cá e para lá como eles fazem, sem
nada para cobrir as costas e protegê-los do frio. Sabe do que mais, vou fazer uma camisa para cada um, e um
casaco, e um colete, e um par de calças em troca; você fará para cada um deles um par de sapatinhos”.

A ideia muito agradou o bom sapateiro e, certa noite, quando todas as coisas estavam prontas, eles as
puseram sobre a mesa em lugar das peças de trabalho que costumavam deixar cortadas e foram se esconder
para observar o que os duendes fariam. Por volta da meia-noite, os anões apareceram e iam sentar-se para
fazer o seu trabalho, como de costume, quando viram as roupas colocadas para eles, o que os deixou muito
alegres e muito satisfeitos. Vestiram-se, então, num piscar de olhos, dançaram, deram cambalhotas e
saltitaram na maior alegria até que finalmente saíram dançando pela porta em direção ao gramado, e o
sapateiro nunca mais os viu: mas enquanto viveu, tudo correu bem para ele desde aquela época.

Irmãos Grimm. Contos de fadas. Trad. Celso M. Paciornik. São Paulo: Iluminuras, 2002.

Fig. 1 (p. 55)


Leremy/Shutterstock.com/ID/BR
Página 56

Responda sempre no caderno.

Copie o quadro no caderno e complete-o com informações dos textos.

“Os dois papudos” “O sapateiro e os duendes”


Características dos duendes
Onde vivem essas personagens
O que eles fazem para encantar as pessoas
Quando aparecem essas personagens
ID/BR

Fig. 1 (p. 56)


Konyayeva/Shutterstock.com/ID/BR

ANOTE

As personagens mágicas dos contos populares brasileiros são bastante semelhantes aos anões, gnomos,
duendes ou figuras mitológicas. Em algumas comunidades, elas também são conhecidas como protetoras da
natureza ou dos moradores da região, como nas histórias ancestrais. Essas semelhanças indicam que os
contos populares brasileiros trazem influência de diversas culturas, principalmente das culturas
indígena, africana e europeia.

3. O conto popular retrata os seres mágicos presentes no imaginário das pessoas.

a) Cite um momento do conto “O sapateiro e os duendes” em que isso fica evidente.

b) Que semelhanças e diferenças eles têm com as outras pessoas do conto?

4. Nos dois textos lidos, os duendes ajudam ou premiam certas personagens.

a) Explique por que os duendes realizam essas ações.

b) No final de “Os dois papudos”, uma das personagens fica muito contrariada com os duendes. O que
provoca essa reação nela?

c) É possível deduzir por que os duendes agiram dessa forma com a personagem? Explique.

5. Em sua opinião, qual dos dois textos apresenta linguagem mais próxima daquela utilizada em situações
informais? Justifique sua resposta com um exemplo do texto.

A linguagem do texto

1. Releia as seguintes frases do conto “Os dois papudos”.

E assim sempre, numa musiquinha muito cacete.

Um anãozinho agarrou o papo com as duas mãos, subiu pelo peito do papudo, firmou bem os pés, deu um
arrancão.

a) Indique as palavras desses trechos que estão no aumentativo e no diminutivo.

b) Que sentidos são reforçados ao usar essas formas?


Página 57

2. Releia estre trecho.

De repente, ao virar numa curva, viu embaixo da figueira brava, ramalhuda, uma roda de anões cantando.

a) Copie os dois adjetivos que caracterizam a figueira.

b) Qual o sentido desses adjetivos no contexto da frase?

c) Que impressão a imagem da árvore causa na passagem?

3. Escreva uma palavra ou expressão que substitua a palavra destacada na frase a seguir sem lhe modificar o
sentido.

– Compadre, você vai lá com esganação, vai ofender os anõezinhos, e ainda se arrepende.

4. Agora, elabore uma frase que contenha o mesmo sentido de: “E assim sempre, numa musiquinha muito
cacete”.

5. Em sua opinião, as palavras destacadas nas duas atividades anteriores estão mais próximas da linguagem
formal ou da informal? Justifique sua resposta.

ANOTE

Os contos populares, mesmo quando apresentados na forma escrita, mantêm características do falar de
regiões e de comunidades das quais se originam. Além disso, apresentam marcas da época em que foram
coletados.

6. Releia agora as expressões a seguir.

I. Pouco se lhe dava que o achassem feio.

II. [...] tinha que pegar no serviço no outro dia bem cedo.

III. – Sua alma, sua palma. Vá lá, depois não se queixe.

a) Quais palavras do quadro têm o sentido equivalente às expressões em destaque nas frases acima?

você decide não o incomodava começar a trabalhar

b) Que efeito gera na linguagem do texto quando são utilizadas as expressões do quadro acima em vez das
expressões originais do texto?

7. Releia este trecho.

[...] Assim que os anões começaram:


Segunda, terça
Quarta, quinta...
Ele emendou:
Sexta, sábado
Domundo também

a) Explique por que os duendes acharam a música engraçada.

b) Você já trocou palavras em letras de músicas conhecidas? Fez alguma mudança engraçada? Caso isso
tenha ocorrido, comente com os colegas.

Expressões populares
No conto “Os dois papudos”, aparece uma expressão muito usada pelo povo: “O que não tem remédio,
remediado está”. Ela é usada para referir-se a uma situação irremediável, ou seja, que deve ser aceita, pois
não há como mudá-la. Há, ainda, a expressão “Numa musiquinha muito cacete”, que quer dizer
desagradável, desinteressante. As expressões populares são bens culturais e devem ser interpretadas de
acordo com o contexto em que estão.

Histórias semelhantes em espaços e tempos distantes

Sabemos que muitos contos populares apresentam diferentes versões e que, certas vezes, histórias
semelhantes são contadas em locais e países muito distantes. Um exemplo disso é o caso da personagem
Nasrudin, um herói popular esperto e bem-humorado que aparece em vários lugares do mundo. No Brasil,
temos um equivalente dele: o astuto Pedro Malasartes, que nos faz rir com suas malandragens.

Converse com os colegas e o professor e reflita sobre as seguintes questões:

I. Por que histórias parecidas são contadas em locais tão diferentes e distantes?

II. O que a leitura ou a escuta de diferentes versões de uma mesma história pode nos ensinar?
Página 58

PRODUÇÃO DE TEXTO
Conto popular

AQUECIMENTO

O trecho a seguir é de um conto popular indiano. Ao transcrever o trecho do conto, foram retiradas algumas
palavras e expressões que indicam o tempo e localizam os lugares onde os fatos acontecem.

• Copie o trecho do conto no caderno e complete as lacunas com as palavras do quadro.

daquele lugar num canto da praça bem naquele momento

num certo país cidade daquele país numa bela manhã de sol

______ bem distante daqui havia um costume que era considerado como uma lei para os habitantes
______: ninguém podia passar na frente de uma pessoa se ela estivesse rezando. Não se sabe a origem ou
causa de tal proibição, mas isso não vem ao caso na nossa história, que começa ______ , em uma praça bem
no meio de uma importante ______.

Um homem religioso sentou-se ______ e preparou-se para começar suas orações., uma jovem surgiu na
praça caminhando apressadamente na direção do santo homem, e acabou passando diante dele, distraída,
com a respiração ofegante.

O religioso ficou indignado.

“Que ousadia”, ele pensou consigo mesmo. “Vou esperar essa jovem voltar e lhe dar uma lição.”

Regina Machado. O violino cigano e outros contos de mulheres sábias. São Paulo: Companhia das Letras,
2004. p. 93.

Proposta

Você vai escrever uma narrativa com características de conto popular.

Após a produção do texto, será feita uma contação de histórias, que vai ser apresentada aos pais em um
evento promovido na escola.

Os pais que quiserem também podem contar histórias da tradição popular. Essa troca entre pais e filhos é
importante, pois mantém uma das características do conto popular, que é a transmissão oral das histórias.

Observe atentamente a imagem abaixo. Ela servirá de referência para a produção de seu texto.

Fig. 1 (p. 58)


Descanso, de Isa Hiray, 2006. 30 cm X 40 cm.
Galeria Jacques Ardies/Coleção particular
Página 59

1. Depois de observar a imagem, para ajudá-lo na seleção de elementos do conto e na construção das
personagens e do conflito que elas enfrentarão, converse com os colegas sobre as questões a seguir.

a) Quais elementos da imagem fazem parte do mundo real e quais fazem referência ao mundo imaginário?

b) Qual é a relação entre os elementos da imagem e o universo dos contos populares?

Planejamento e elaboração do texto

1. Copie o quadro abaixo no caderno e preencha-o com informações sobre as personagens de sua narrativa.

Quem serão as personagens de seu conto?


Qual conflito essas personagens enfrentarão?
Qual será a solução para esse conflito?
Como é o local em que se passará a história?
Que encantamentos haverá em seu conto?
ID/BR

2. Com base no planejamento, elabore seu texto. Você deve empregar uma linguagem mais informal, com
marcas de oralidade que mostrem características próprias de cada personagem.

Avaliação e reescrita do texto

1. Troque o caderno com o de um colega e leia o conto escrito por ele.

2. Em seguida, copie esta tabela no caderno, pois ela o auxiliará a avaliar o conto do colega.

Características do conto popular Sim Não


O espaço das ações está bem caracterizado?
Os marcadores de tempo deixam clara a sequência dos fatos?
O tempo segue uma ordem cronológica?
A linguagem apresenta marcas de oralidade?
A história apresenta um conflito?
Há presença de elementos de encantamento?
O conflito foi solucionado?
ID/BR

3. Mostre a avaliação que você fez sobre o texto do colega e explique cada um dos itens avaliados.

4. Ouça os comentários da avaliação feita pelo colega sobre seu texto e reescreva-o, fazendo as modificações
necessárias. Mantenha uma postura crítica e, ao mesmo tempo, autocrítica em relação à avaliação recebida.

5. Guarde o texto para retomá-lo na seção Oralidade deste capítulo, em que haverá uma contação de
histórias com os contos populares produzidos pela turma.
Página 60

REFLEXÃO LINGUÍSTICA
Variação linguística: variedades regionais

Variedades regionais

1. Leia o trecho a seguir, retirado do conto “Os dois papudos”.

Enquanto pinicava as cordas, prestava atenção às palavras dos dançarinos. Eles entoavam:
Segunda, terça
Quarta, quinta...

Fig. 1 (p. 60)


Liashenko Iryna/Shutterstock.com/ID/BR

a) Identifique uma expressão utilizada nesse trecho que faça referência a uma das ações realizadas pelo
papudo.

b) Considerando a situação apresentada no conto, o que essa expressão significa?

c) Reescreva a frase em que a expressão é utilizada, substituindo-a pelo significado indicado na resposta
anterior.

d) Após a reescrita, qual mudança é possível observar na frase?

e) Por que será que, ao recontar a história, essa expressão foi usada?

f) Qual é a relação entre o uso dessa expressão e o fato de o texto ser um conto popular?

Os brasileiros se expressam em língua portuguesa, no entanto existem diferentes possibilidades de se usar a


mesma língua. As línguas são dinâmicas e podem mudar em razão de características de seus falantes e da
situação de uso. Esses fatores produzem as variedades linguísticas.

ANOTE

Variação linguística é o fenômeno que explica a propriedade das línguas de se modificarem em razão da
situação de uso e das características do falante, como faixa etária, região, classe social, entre outras.

Variedade linguística é cada um dos modos de falar e de escrever uma língua, de acordo com as
possibilidades de variação de seus elementos.

O conto popular “Os dois papudos” faz registro de algumas expressões tipicamente orais, utilizadas em
determinada região do Brasil.

ANOTE

Variedade regional corresponde à fala ou ao modo de dizer dos habitantes de determinada região.

As variedades representam possibilidades expressivas da língua. Não há uma variedade melhor do que outra.
O falante deve escolher aquela mais adequada à situação de comunicação e às finalidades do texto: falado ou
escrito.

ANOTE

As normas urbanas de prestígio estão associadas ao modo de falar e escrever de uma comunidade que
desfruta de maior prestígio político, social e cultural. Por isso, costumam ser a referência para a comunicação
escrita e objeto de estudo na escola. São utilizadas, por exemplo, em textos jornalísticos, literários e
acadêmicos.
Relacionando

Em textos do gênero conto popular, mesmo escritos, é comum a manutenção do modo de falar das
regiões e do tempo em que foram recolhidos. Essa característica auxilia na construção dos efeitos de sentido
da história, preservando a expressividade do texto.
Página 61

REFLEXÃO LINGUÍSTICA Na prática

Responda sempre no caderno.

1. Leia o trecho da letra da música “Vaca Estrela e Boi Fubá”.

Eu sou filho do Nordeste, não nego meu naturá


Mas uma seca medonha me tangeu de lá pra cá
Lá eu tinha o meu gadinho, num é bom nem imaginar,

Minha Vaca Estrela e o meu belo Boi Fubá


Quando era de tardezinha eu começava a aboiar

Aquela seca medonha fez tudo se atrapalhar,


Não nasceu capim no campo para o gado sustentar
O sertão esturricou, fez os açude secar
Morreu minha Vaca Estrela, já acabou meu Boi Fubá
Perdi tudo quanto tinha, nunca mais pude aboiar

Patativa do Assaré. Vaca Estrela e Boi Fubá. Em: A Terra é naturá. Epic/CBS, 1980.

Fig. 1 (p. 61)


Andréa Vilela/ID/BR

a) Na primeira estrofe da canção, é revelada uma transformação na vida do boiadeiro. Que transformação é
essa? Quais versos comprovam sua resposta?

b) Qual termo dessa estrofe está em desacordo com a norma-padrão? Como essa palavra é registrada na
norma-padrão?

c) Qual é o efeito de sentido produzido ao usar esse termo dessa maneira?

d) Procure no dicionário o significado das palavras medonha, tangeu e aboiar no texto.

e) Na letra, o eu lírico retrata um espaço. Que espaço é esse?

f) É possível estabelecer relação entre o uso das palavras indicadas no item d e o espaço retratado na canção?
Justifique.

2. Leia esta notícia, publicada em um jornal de Portugal.

Idoso anda 12 km em contramão

Ao que o Correio da Manhã (CM) apurou, o idoso terá saído de casa pelas 08h30, com a intenção de se
deslocar a Arruda dos Vinhos. Ao volante do seu automóvel, entrou na Autoestrada do Norte (A1), de onde
saiu no nó do Carregado.

Aqui, a qualquer condutor, deparam-se três soluções. “Ou reentrar na A1, em direção ao Norte, ou entrar na
Ponte das Lezírias, a caminho de Benavente, ou seguir por uma estrada nacional até Arruda dos Vinhos”,
disse ao CM fonte policial.

Apesar de ter como destino Arruda dos Vinhos, o idoso direcionou a viatura no sentido da Ponte das
Lezírias (A10), onde entrou pelas 08h50, junto ao quilómetro 18.

Só ao fim de um quilómetro de marcha, é que o condutor se terá apercebido de que não estava a tomar o
sentido que pretendia. Foi então que o inesperado aconteceu.

“Ele simplesmente fez inversão de marcha, e recomeçou a conduzir no sentido oposto”, acrescentou o mesmo
informador. Durante doze quilómetros de marcha, o automóvel conduzido pelo idoso não se deparou com
nenhuma outra viatura. […]
Disponível em: <http://www.cmjornal.xl.pt/nacional/portugal/detalhe/idoso-anda-12-km-em-
contramao.html>. Acesso em: 9 jan. 2015.

a) Que palavras do português do Brasil poderiam substituir os termos destacados?

b) Como o trecho a seguir é falado e escrito no português do Brasil?

Só ao fim de um quilómetro de marcha, é que o condutor se terá apercebido de que não estava a tomar o
sentido que pretendia.

c) Como se explicam as diferenças de vocabulário e da forma de organização das palavras na frase em


diferentes regiões?
Página 62

LÍNGUA VIVA
Responda sempre no caderno.

A variação linguística e a caracterização de personagens

Você já sabe o que é variação linguística. Veja agora como uma variedade pode participar da caracterização
de personagens em um texto literário.

1. Leia o trecho abaixo, observando atentamente a linguagem utilizada.

Trezentas onças

– Pois, amigo! Não lhe conto nada! Quando botei o pé em terra na ramada da estância, ao tempo que dava as
– boas-tardes! – ao dono da casa, aguentei um tirão seco no coração… não senti na cintura o peso da guaiaca!

Tinha perdido trezentas onças de ouro que levava, para pagamento de gados que ia levantar.

E logo passou-me pelos olhos um clarão de cegar, depois uns coriscos tirante a roxo… depois tudo me ficou
cinzento, para escuro…

Eu era mui pobre – e ainda hoje, é como vancê sabe… –; estava começando a vida, e o dinheiro era do meu
patrão, um charqueador, sujeito de contas mui limpas e brabo como uma manga de pedras…

Assim, de meio assombrado me fui repondo quando ouvi que indagavam:

– Então, patrício? Está doente?

– Obrigado! Não, senhor, respondi, não é doença; é que sucedeu-me uma desgraça: perdi uma dinheirama do
meu patrão…

– A la fresca!…

– É verdade… antes morresse, que isto! Que vai ele pensar agora de mim!…

– É uma dos diabos, é…; mas não se acoquine, homem!

Nisto o cusco brasino deu uns pulos ao focinho do cavalo, como querendo lambê-lo, e logo correu para a
estrada, aos latidos. E olhava-me, e vinha e ia, e tornava a latir…

Ah!… E num repente lembrei-me bem de tudo.

Parecia que estava vendo o lugar da sesteada, o banho, a arrumação das roupas nuns galhos de sarandi, e, em
cima de uma pedra, a guaiaca e por cima dela o cinto das armas, e até uma ponta de cigarro de que tirei uma
última tragada, antes de entrar na água, e que deixei espetada num espinho, ainda fumegando, soltando uma
fitinha de fumaça azul, que subia, fininha e direita, no ar sem vento…; tudo, vi tudo.

Estava lá, na beirada do passo, a guaiaca. E o remédio era um só: tocar a meia rédea, antes que outros
andantes passassem. [...]

João Simões Lopes Neto. Contos gauchescos. Porto Alegre: Globo, 1976.

Fig. 1 (p. 62)


Andréa Vilela/ID/BR

Provavelmente, você não entendeu algumas palavras do texto. Suponha um possível significado para elas
com base no contexto.

2. O conto está em primeira pessoa. Quem narra é o protagonista.


a) Como ele pode ser caracterizado? Transcreva no caderno o trecho do texto que justifique sua resposta.

b) Qual deve ser sua profissão?

c) Em que região do país você supõe que ele viva? Que pistas e elementos possibilitam chegar a essa
conclusão?

d) O que aconteceu com o protagonista que o deixou preocupado?


Página 63

3. Releia.

[...] Quando botei o pé em terra na ramada da estância, ao tempo que dava as – boas-tardes! – ao dono da
casa, aguentei um tirão seco no coração… não senti na cintura o peso da guaiaca!

a) O trecho procura representar a maneira como a personagem fala. Que recursos são utilizados para isso?

b) A expressão “tirão seco no coração” é o que chamamos de figura de linguagem: não significa que a
personagem levou um tiro, mas que teve um sobressalto, uma sensação de dor no peito porque se deu conta
de que havia perdido o dinheiro do patrão. Essa expressão sugere um espaço que parece familiar à
personagem. Qual é ele?

ANOTE

O registro de determinada variedade linguística pode ter uma importante função no texto literário
quando corresponde à fala de uma personagem: ajudar a compor suas características e apresentar
informações sobre o grupo ao qual essa personagem pertence.

4. Que recurso o narrador utiliza para que o leitor possa visualizar a cena final? Justifique sua resposta com
elementos do texto.

5. Releia.

Nisto o cusco brasino deu uns pulos ao focinho do cavalo, como querendo lambê-lo, e logo correu para a
estrada, aos latidos. E olhava-me, e vinha e ia, e tornava a latir…

Ah!… E num repente lembrei-me bem de tudo.

a) Nesse trecho, o narrador descreve as ações do “cusco brasino”. Essa expressão refere-se a que animal?

b) Que palavras ou expressões do texto permitem chegar à conclusão de que “cusco brasino” se refere a esse
animal?

c) Qual foi a principal ação do “cusco brasino” no texto?

6. Leia a seguir mais um trecho do conto “Trezentas onças”.

Ah!… esqueci de dizer-lhe que andava comigo […] um cusco mui esperto e boa vigia. Era das crianças, mas às
vezes dava-lhe para acompanhar-me, e depois de sair a porteira, nem por nada fazia cara-volta, a não ser
comigo. E nas viagens dormia sempre ao meu lado, sobre a ponta da carona, na cabeceira dos arreios.

João Simões Lopes Neto. Contos gauchescos. Porto Alegre: Globo, 1976.

a) Como o animal é descrito?

b) Que ações caracterizam o animal no texto?

c) A palavra cusco pode ser considerada um exemplo de variedade linguística regional? Explique.

d) Que outras palavras desse trecho podem ser tomadas como exemplos de variedade linguística regional?
Página 64

LEITURA 2
Conto popular

O QUE VOCÊ VAI LER

Fig. 1 (p. 64)


Yves Pinguilly (1944- ), escritor francês. Fotografia de 2000.
Acervo pessoal/Coleção particular

Yves Pinguilly coletou narrativas populares africanas que foram reunidas na coletânea Contos e lendas da
África. Além de revelarem muito do povo africano, nelas é possível identificar também temas comuns em
contos populares de outros países, o que pode significar um parentesco entre todas essas narrativas.

O conto a seguir foi coletado no Chade, um país da região central da África.

A moça que pegou a serpente

Sia era a mais bonita da aldeia. Era tão alta que nem precisava ficar na ponta dos pés para o azul do céu lhe
afagar a cabeça. Suas formas eram tão redondas que se poderia pensar que ela tinha nascido da semente
mágica de uma cabaça.

Todos os rapazes da aldeia sonhavam se casar com ela. Todos haviam oferecido ao pai de Sia dinheiro, caules
açucarados de sorgo, amendoins, inhames, milhete, voandzu… Mas Sia nunca escolhia: nenhum dos rapazes
lhe agradava o bastante…

Como todos os anos, chegou a chuva das mangas, e os homens foram cuidar da sua lavoura. A tia de Sia lhe
disse:

– Vamos passear na selva que fica em volta das nossas roças. Se encontrarmos um rapaz que queira lutar
com você, como é o costume, aceite. Se ele conseguir deitar você no chão, como uma esposa, então você terá
de se casar com ele.

Elas foram passear, a tia cantando:

Sia vem pra rir


e vai rir
Quem vai conseguir
derrubar Sia?

Largando a daba, os rapazes vieram um depois do outro tentar derrubá-la no chão. Nenhum conseguiu
derrotar a bela Sia. Ou era comprida demais para os braços deles, ou redonda demais para as mãos deles.

Numa roça havia um rapaz lindo, lindíssimo, mas que escondia sua boniteza sob uma pele de leproso. O
rapaz parecia estar coberto de lepra, da ponta dos dedos das mãos à ponta dos dedos dos pés. Ele tinha
acabado de despertar de um cochilo quando Sia se aproximou com a tia. O rapaz disse a ela:

– Lapya, Sia. Sabe, tenho vontade de te pegar, como um galo tem vontade de pegar um grão de milhete!

– Para que ela seja sua, você tem que ser mais forte que ela e conseguir deitá-la de costas no chão –
respondeu a tia. – Se for capaz, ela será sua esposa.

O rapaz levou Sia à sombra de uma palmeira-de-leque, cuja folhagem eriçada e crespa murmurava sacudida
pela brisa. Sia e o leproso se engalfinharam, e o rapaz ganhou. Estendeu Sia por inteiro na sombra que a
palmeira fazia no chão.

Fig. 2 (p. 64)


Companhia das Letras/Arquivo da editora
Página 65

Fig. 1 (p. 65)


Companhia das Letras/Arquivo da editora

– Você venceu porque minha roupa me atrapalhou. Espere aí, vamos lutar de novo.

Ela tirou a blusa comprida e o pagne. Eles voltaram a lutar, e o rapaz outra vez deitou Sia de costas no chão.

– Você ganhou por causa dos meus enfeites que me atrapalharam. Espere aí, vamos lutar de novo.

Ela tirou as pulseiras dos pulsos e dos tornozelos, assim como seus colares de contas brancas e o cinto de
contas vermelhas. Voltaram a lutar, e pela terceira vez foi o rapaz leproso que venceu. Sia chorou tanto, que
alguém até pensaria que as lágrimas escorriam não só dos olhos, mas também das orelhas, da boca, do nariz
e do coração.

– O que está feito, feito está. Este leproso será seu esposo.

A tia voltou sozinha para a concessão e, pouco depois, Sia voltou à aldeia acompanhada do rapaz leproso, seu
marido.

O tempo passou, mas nenhuma noite Sia quis dormir junto do marido. Todas as noites ela punha entre sua
esteira e a dele uma porção de cabaças cheias d’água. Assim separada, ela podia dormir e sonhar.

Quando preparava a comida ela fazia, para ela e para algumas vizinhas, com farinha bem branca um lindo
bolinho, bem volumoso, com um belo buraco no meio para o molho. Para o marido, ela cozinhava mais farelo
que farinha, e servia numa cabaça rachada.

O marido leproso não dizia nada.

No dia da festa da aldeia, o marido de Sia resolveu que tinha chegado a hora. Foi à tulha atrás da casa, tirou a
pele de leproso e escondeu-a debaixo dos grãos de milhete. Feito isso, esgueirou-se até um canto da selva que
conhecia bem. Lá chegando, acendeu uma bela fogueira. As chamas num instante ficaram altas e ardentes.
Então ele jogou no fogo uma pedra que tinha escolhido, e logo a pedra se transformou num lindo cavalo.

O marido de Sia foi então até um pé de farroba, trepou na árvore e sacudiu os galhos. Várias farrobas caíram
e, ao tocarem o chão, transformaram-se em jovens guerreiros, de zagaia em punho e nádegas cobertas por
uma bela pele de cabrito.

Sia, que tinha deixado a festa da aldeia para dar um breve passeio na selva, tropeçou num toco de pau.

– Ai! Ui! Toco, por que você machucou meu pé? Espere só, vou pegar um machado e vou te rachar no meio.

– Não faça isso! Sente aqui e escute bem. Sou um toco velho, não comprei minha sabedoria, aprendi tudo o
que sei com a minha longa vida.

Sia sentou-se e escutou.

– Se você espiar na tulha do seu marido, vai ver uma coisa que te deixará de boca aberta.

Sia foi correndo ver. Descobriu a pele de leproso! Sem pensar duas vezes, correu para o meio da aldeia e
atirou a pele na fogueira da festa. Foi então que reconheceu o marido. Ele dançava, mais lindo que o mais
lindo dos lindos, no meio de uma roda de moças. Diante dele, seus guerreiros tomavam conta do seu cavalo.
Ela o viu dançar de braço colado, de ombro colado, de corpo colado, com as mais bonitas moças da aldeia.
Com os olhos arregalados de espanto, contemplou demoradamente a cena; depois, sem dizer nada a
ninguém, voltou para casa, para socar milhete e preparar uma farinha bem branquinha. Neste instante o
marido, que continuava dançando, sentiu um punhado de cinzas bater em seu rosto. Eram as cinzas da sua
pele de leproso, que tinha queimado. Bateu palmas para chamar seus guerreiros e seu cavalo.

– Vamos embora, conheço essas cinzas.


Página 66

Fig. 1 (p. 66)


Companhia das Letras/Arquivo da editora

Montou no cavalo e jogou seus guerreiros no ar. Eles caíram no pé de farroba e viraram de novo belas
farrobas. Chegando à sua casa, deixou o cavalo ir embora, oferecendo-lhe a liberdade de virar pedra de novo.
Entrou em casa.

– Sia, minha mulher, estou com calor e com sede.

Sem demora ela lhe serviu uma água bem fresquinha numa magnífica cabaça, toda envernizada e entalhada.

– Ué, agora você me serve água fresca numa bonita cabaça?

Ele bebeu e indagou:

– Tem alguma coisa para comer aqui?

Sia lhe ofereceu um delicioso bolo de mel e o bolinho de milhete numa cabaça novinha.

– Sua beleza não mudou, Sia, mas seus modos agora são outros.

Uma estação das águas e uma estação da seca passaram.

O marido de Sia, que era o mais bonito homem de todos os homens bonitos desde que tinha se livrado da
pele de leproso, disse-lhe um belo dia:

– Agora vou aceitar o que você me pede há duas estações; como você mantém seus novos modos, vou aceitar
ser um verdadeiro marido, com o qual você vai dormir todas as noites para ter filhos. Assim, nunca vão botar
na sua cabeça e nos seus ombros as pedras brancas reservadas às mulheres cuja barriga não cresce. Mas…

– Mas?

– Tem uma condição. Primeiro você vai ter de ir na selva pegar uma cobra nova e botar na cabaça em que
serve meu bolinho de milhete. É essa a sua prova!

No dia seguinte, Sia foi para a selva, depois de preparar um bolo doce que carregou na cabeça, numa cesta.
Não demorou a avistar, debaixo de uma pedra chata, uma bela cobra. A cobra estava sem dúvida de tocaia,
esperando que algum rato do alagado se aventurasse por ali. De longe, Sia atirou um pedaço de bolo para a
serpente. A serpente saboreou o pedaço inteiro. Como parecia gostar, Sia atirou o resto, e a cobra comeu tudo
com prazer. Pouco depois a serpente dormia, acariciada pelo sol.

Pé ante pé, Sia se aproximou. Enfiou cuidadosamente a mão debaixo da pedra chata e pegou a cobra, que era
um pouco menos comprida e menos grossa que seu braço. Botou a cobra adormecida na cesta e voltou para
casa, de modo a chegar antes do anoitecer.

De noite, ela pôs a cobra na cabaça do marido. Quando o bolo e o molho ficaram prontos, ela cobriu com eles
a cobra e, logo em seguida, seu marido jantou.

Desde aquela noite, eles viveram perfeitamente unidos. Logo, logo, a barriga de Sia inchou, como para imitar
o redondo do Sol; logo, logo um lindo menino saiu da barriga para descobrir o Céu e a Terra.

– Meu marido, você me causou muitos sofrimentos e muito medo, quando quis que eu pegasse uma cobra
para a sua cabaça. Agora é você que tem de me escutar…

– Sim?

– Pegue a zagaia e mate um búfalo. Vamos comer a carne, e nosso filho vai dormir no couro bem seco do
bicho. Se você fizer o que peço, nós dois vamos comer melhor o bolinho de lágrimas.

O marido de Sia matou um búfalo, e o que Sia quis foi feito.


Ela disse e redisse então às moças da aldeia:

– Mesmo se vocês acharem seu marido feio, nunca devem desprezá-lo.

Yves Pinguilly. Contos e lendas da África. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. p. 177-187.

GLOSSÁRIO
Chuva das mangas: em muitos países africanos, é a primeira chuva da estação das águas.
Concessão: terreno com várias casas em que vive uma grande família.
Daba: espécie de enxada.
De tocaia: de vigia.
Engalfinhar-se: pegar-se; atracar-se em uma luta.
Esgueirar-se: mover-se com cautela para não ser visto.
Farelo: a parte mais grossa, menos moída, da farinha.
Farroba: árvore que dá vagens comestíveis.
Página 67

Estudo do texto
Responda sempre no caderno.

Para entender o texto

1. Qual é o problema de Sia no começo da história?

2. Para que Sia se case, sua tia a orienta a seguir um costume da aldeia.

a) Qual é esse costume?

b) Por que um dos pretendentes precisou repetir o ritual (o costume) três vezes?

3. No conto, há três situações importantes em que as personagens fazem exigências. Copie o quadro a seguir
e complete-o com essas informações.

Ação Exigência
Sia se casará com quem…
Para Sia ter o belo rapaz como marido, ela terá de…
Para que Sia e o marido vivam bem, ela pede a ele que…
ID/BR

ANOTE
A repetição de desafios e ações é frequente em contos populares. Esse recurso é utilizado para manter a
atenção do leitor. Além disso, pelo fato de os contos populares tradicionais, em sua origem, serem
transmitidos oralmente, essas repetições tornavam a memorização das histórias mais fácil.

4. O rapaz que consegue se casar com Sia apresenta algumas características comuns às personagens de
contos populares. Que características são essas?

5. Quais ações do rapaz demonstram que ele tem poderes especiais?

6. A narrativa se passa em uma aldeia próxima a plantações e a uma floresta na África. Transcreva um trecho
em que se pode perceber isso.

Fig. 1 (p. 67)


Andréa Vilela/ID/BR

7. Releia os seguintes marcadores de tempo presentes no conto lido.

I. “Como todos os anos, chegou a chuva das mangas […].”

II. “Uma estação das águas e uma estação da seca passaram […].”

Que informações esses marcadores fornecem a respeito do espaço em que fica a aldeia? Consulte o glossário
para responder à questão.

8. Leia o significado das palavras a seguir.

Cabaça: fruto da cabaceira que serve de recipiente para alimentos e água. Sorgo: planta parecida
com o milho.

Lapya: expressão equivalente a “bom dia!”. Tulha: depósito de


cereais.
Milhete: tipo de cereal. Voandzu: alimento
parecido com o amendoim.

Pagne: pedaço de tecido que se amarra à cintura, canga. Zagaia: azagaia, lança
de madeira.

Como essas palavras ajudam a caracterizar o espaço onde se passa a história?


Página 68

Responda sempre no caderno.

ANOTE

As palavras e as expressões utilizadas nos contos populares auxiliam na caracterização dos espaços e
dos aspectos culturais de determinado povo: a culinária típica, o modo de as pessoas se vestirem, seus
costumes, etc.

O texto e o leitor

1. Ao final do conto, há um ensinamento de Sia.

a) Qual é esse ensinamento e a quem é dirigido?

b) O que levou Sia a concluir tal ensinamento?

c) Você conhece outras histórias que trazem algum ensinamento? Cite uma.

ANOTE

Muitos contos populares buscam transmitir um ensinamento por meio da história que é narrada. São
conhecidos como contos de exemplo, pois procuram passar uma lição exemplar para o leitor.

2. Há alguma relação entre o ensinamento transmitido pelo conto “A moça que pegou a serpente” e o
cotidiano que você vive? Justifique sua resposta.

3. Leia o seguinte comentário escrito por Yves Pinguilly a respeito das histórias que reuniu no livro Contos e
lendas da África.

A África negra e suas sociedades orais chegam até nós atualmente também pela escrita. De fato, é a escrita
que hoje pode tornar os ancestrais mais visíveis num mundo tradicional cada vez mais perecível.

Neste livro, dou a ler o que meus olhos leram em algumas páginas inacabadas e o que meus ouvidos e meu
coração escutaram à sombra de uma árvore, dentro de um casebre de barro, numa tenda ou num desses
tukuls de fibra trançada do povo somali, em que o homem e a mulher trocam palavras e gestos de seda.

Yves Pinguilly. Contos e lendas da África. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. p. 250-251.

a) Esse trecho do livro de Yves Pinguilly descreve as etapas pelas quais o conto “A moça que pegou a
serpente” passou para chegar até nós. Quais são essas etapas?

b) Segundo o autor, qual é a importância de se fazer o registro escrito dos contos populares?

ANOTE

No início, os contos populares eram transmitidos de geração em geração por meio da oralidade. Com o
tempo, estudiosos e pesquisadores passaram a divulgar esses contos orais utilizando outro tipo de registro: o
escrito.

Contos populares famosos

Muitos contos de origem popular ficaram conhecidos no mundo inteiro. Após serem transmitidos oralmente,
de geração em geração, foram registrados por escrito, e hoje chegam a nós por meio de livros e filmes.
Contos de fadas, como Branca de Neve ou Rapunzel, lendas e mitos, como a da Yara e do Curupira, entre
outros, ou contos como os que você leu neste capítulo são exemplos de narrativas de origem popular
transmitidas oralmente e, depois, registradas por escrito.
Fig. 1 (p. 68)
Andréa Vilela/ID/BR
Página 69

Comparação entre os textos

1. Com base na lista de elementos característicos de contos populares a seguir, identifique como cada um
deles aparece nos contos deste capítulo.

a) Uma pessoa comum tem poderes sobrenaturais.

b) Benefícios são oferecidos em razão desse contato.

c) Uma condição ou prova é imposta.

d) O ser com poderes sobrenaturais se transforma ao longo da narrativa.

2. Que diferença há entre os desfechos dos dois contos?

3. Os trechos abaixo indicam uma virtude das personagens principais dos contos lidos. Que virtude é essa e a
que ela está relacionada?

Os dois papudos

Por um instante teve algum temor. Mas era tarde para fugir. Os foliões já o tinham visto. E, se se tratava de
festa, isto era com ele. Saltou decidido para o meio da roda, empunhando a viola.

Fig. 1 (p. 69)


Konyayeva/Shutterstock.com/ID/BR

A moça que pegou a serpente

– Tem uma condição. Primeiro você vai ter de ir na selva pegar uma cobra nova e botar na cabaça em que
serve meu bolinho de milhete. É essa a sua prova!

Fig. 2 (p. 69)


Andréa Vilela/ID/BR

4. Releia estes trechos.

Os dois papudos

Ensinou onde era, o compadre invejoso agarrou a viola e foi, noite alta, direitinho como o outro tinha feito.
Também era noite de luar. Também dançou a noite inteira, cantando. Ao primeiro cantar do galo a roda
se desfez.

A moça que pegou a serpente

– Agora vou aceitar o que você me pede há duas estações; como você mantém seus novos modos, vou
aceitar ser um verdadeiro marido, com o qual você vai dormir todas as noites para ter filhos.

a) Outro elemento característico dos contos populares em que ocorrem transformações está destacado nesses
trechos. Qual é ele?

b) No segundo trecho, que virtude é testada por esse elemento?

Sua opinião

1. Como vimos neste capítulo, os contos populares têm relação com a cultura e a identidade de um povo.
Além disso, eles procuram transmitir ensinamentos aos leitores ou aos ouvintes. Em sua opinião, os que você
leu neste capítulo conseguiram atingir esse objetivo? Por quê?

Contadores de histórias e sociedade da informação


Nas sociedades atuais, a informação circula cada vez mais por meios eletrônicos, como a internet e a TV.
Converse com os colegas e o professor sobre a importância de contar, atualmente, histórias que resgatem as
tradições populares.
Página 70

PRODUÇÃO DE TEXTO
Conto popular

AQUECIMENTO

Vimos neste capítulo que as palavras e as expressões ajudam a caracterizar o espaço e mostram os aspectos
culturais de determinado povo: a culinária típica, o modo de as pessoas se vestirem, seus costumes, etc.

• Reescreva o trecho a seguir, acrescentando palavras ou expressões que caracterizem o espaço retratado e
indiquem ao leitor alguns aspectos da cultura desse lugar.

O lugar era muito famoso por suas histórias de assombração. Aquela noite era uma data muito especial, pois
os moradores estavam preparando a festa mais importante da cidade.

Era uma noite sem luar.

A moça da casa amarela fazia a comida que seria servida aos visitantes; as crianças brincavam na praça,
enquanto suas mães preparavam a decoração. Todos estavam esperando a festa começar.

Ao longe, ouvia-se uma voz de mulher cantando uma canção de amor.

Proposta

Você vai escrever um conto e depois, com os colegas, vai organizar um livro ilustrado da turma.

O ponto de partida de seu conto será a fotografia a seguir. Recorde as principais características do conto
popular estudadas no capítulo e imagine o que pode acontecer no espaço sugerido pela fotografia.

Fig. 1 (p. 70)


Tim Mannakee/Grand Tour/Corbis/Latinstock
Página 71

Planejamento e elaboração do texto

1. Antes de escrever seu conto, planeje os itens a seguir. Copie o quadro e preencha-o com as informações
solicitadas.

Quem serão as personagens de seu conto?


Qual será o desafio que aparecerá mais de uma vez no texto?
Como o espaço será caracterizado?
Como o tempo será caracterizado?
De que maneira o desafio será vencido e por quem?
ID/BR

Escreva sua história, prestando atenção aos itens do planejamento. Não se esqueça do título.

Avaliação e reescrita do texto

1. Depois que o texto estiver pronto, a turma será dividida em grupos de quatro alunos.

2. Cada aluno lerá sua história para o grupo, e os colegas farão comentários sobre o conto, considerando os
itens a seguir.

a) A história apresenta um conflito?

b) Na história, aparece a repetição de desafios para manter a atenção do leitor?

c) As palavras e as expressões ajudam a caracterizar o espaço?

d) As palavras e as expressões ajudam a caracterizar o tempo?

e) O conflito é resolvido?

f) O desfecho é favorável ou desfavorável às personagens?

3. Os colegas podem fazer sugestões sobre os itens que foram avaliados.

4. O professor pode fazer comentários gerais sobre a produção dos alunos, seguindo os itens que foram
avaliados.

5. Depois dos comentários dos colegas e do professor, cada aluno deve fazer as modificações necessárias em
seu conto e ilustrá-lo.

6. Um grupo ficará responsável pela organização do livro, e outro grupo será responsável por fazer a
ilustração da capa.

Dicas de como ilustrar o conto

• Ao ler seu conto, veja qual é o aspecto central da história: a personagem, o espaço onde se desenvolve a
narrativa, o elemento de encantamento, o momento do conflito, etc.

• Selecione dois momentos da história para serem ilustrados.

• Imagine qual técnica você pode usar: desenho, recortes, pintura, ou até mesmo mais de uma técnica.

• O título de seu conto pode ser escrito com letras coloridas e/ou com estilos diferentes.

Fig. 1 (p. 71)


Fabiana Salomão/ID/BR
Página 72

REFLEXÃO LINGUÍSTICA
Variação linguística: variedades situacionais e sociais

Na primeira parte do capítulo, vimos que há várias formas de os falantes se expressarem na língua
portuguesa. Dependendo da região onde moram ou da situação de comunicação, as pessoas variam o modo
de falar. Há, porém, outras situações em que podemos reconhecer as variedades linguísticas.

Variedades situacionais

1. Leia o trecho inicial do conto popular “Os sete sapatos da princesa”, recolhido na cidade de Ubá, em Minas
Gerais.

Era uma vez um reino em que havia uma princesa que gastava sete sapatos por noite. Ninguém podia
explicar esse mistério. Vai então Joãozinho, um rapazote que andava correndo o mundo e que saíra de casa
com a benção do pai, tinha chegado a essa terra e ouvido falar desse misterioso caso. O rei daria a mão da
princesa em casamento a quem descobrisse tudo como era. Mas quem o tentasse e não descobrisse – era ali
na certa – daria a cabeça a degolar.

Luís da Câmara Cascudo. Contos tradicionais do Brasil. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001. p. 104.

Fig. 1 (p. 72)


AMj Studio/ID/BR

a) Qual é a situação apresentada no trecho?

b) Qual expressão do conto introduz a ação realizada por Joãozinho? Transcreva-a.

c) Qual expressão presente no trecho revela o fato de Joãozinho viver um momento de busca de experiências
em diferentes lugares?

d) Observando essas expressões, o que se pode afirmar a respeito da linguagem do texto?

e) Qual é a relação entre a linguagem e o fato de o trecho lido fazer parte de um conto popular?

Quando escrevemos ou falamos, é muito importante adequarmos nossa linguagem à situação de


comunicação em que estamos e ao gênero de texto que queremos produzir.

Na linguagem utilizada no conto “Os sete sapatos da princesa”, é possível perceber algumas características de
informalidade que são adequadas ao contexto: é um conto popular, gênero de texto relacionado a situações
de comunicação mais espontâneas, como conversas entre amigos.

As marcas de informalidade do texto aparecem em expressões como “Vai então Joãozinho”, “correndo o
mundo” e “era ali na certa”.

Quando estamos em situações de comunicação descontraídas e informais, quando nos comunicamos com
pessoas com as quais temos intimidade, é comum o uso da língua de forma mais livre, espontânea. Nesses
casos, fazemos uso da linguagem informal.

Relacionando

Em textos do gênero conto popular, é comum haver marcas de informalidade, de forma a registrar o
modo de falar espontâneo, característico do ato de contar histórias. Essa característica auxilia na construção
dos efeitos de sentido da narrativa, preservando a expressividade do texto.
Página 73

ANOTE

A variação no uso da língua que pode ser observada conforme as diferentes situações de comunicação no dia
a dia recebe o nome de variedade situacional.

Dependendo da situação de comunicação, um mesmo indivíduo pode utilizar diferentes registros da


linguagem.

• Registro informal: adequado a situações mais descontraídas. Em geral, a fala não é tão planejada e a
linguagem permite o emprego de gírias e de um vocabulário pessoal e afetivo. Exemplo: conversa entre
amigos.

• Registro formal: adequado a situações de maior formalidade. Os falantes costumam refletir mais sobre
sua produção linguística e planejá-la, apresentando um vocabulário mais técnico, impessoal e objetivo.
Exemplo: apresentação de um seminário escolar.

2. Observe outra situação de comunicação.

Luís da Câmara Cascudo é, sem dúvida, o maior folclorista brasileiro. Sua vida foi dedicada à pesquisa e ao
registro da cultura popular do país, compondo uma obra fundamental para a compreensão da identidade
nacional. Entre seus livros mais importantes encontra-se este Contos tradicionais do Brasil […]. Aqui estão
reunidos cem dentre os mais famosos contos da cultura popular, compondo um quadro magnífico dos
costumes, das crenças e do linguajar desta terra que tanto amou nos seus 88 anos de vida.

Luís da Câmara Cascudo. Contos tradicionais do Brasil. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.

a) Nesse trecho, é possível perceber a predominância de qual tipo de linguagem: formal ou informal?
Justifique.

b) Esse trecho faz parte do texto presente na contracapa do livro Contos tradicionais do Brasil, de Câmara
Cascudo. Qual relação é possível estabelecer entre o tipo de linguagem predominante no texto e o fato de ele
estar em uma contracapa?

Nesse trecho, observa-se uma situação de comunicação formal, em virtude da apresentação de determinado
livro ao público leitor. Geralmente, em situações que exigem maior objetividade ou quando nos dirigimos a
pessoas com quem temos pouca intimidade, utilizamos linguagem formal.

Variedades sociais

3. Leia a seguir o trecho de uma crônica de Luis Fernando Verissimo.

A História, mais ou menos

Negócio seguinte. Três reis magrinhos ouviram um plá de que tinha nascido um Guri. Viram o cometa no
Oriente e tal e se flagraram que o Guri tinha pintado por lá. Os profetas, que não eram de dar cascata, já
tinham dicado o troço: em Belém da Judeia vai nascer o Salvador, e tá falado. Os três magrinhos se
mandaram. Mas deram o maior fora. Em vez de irem direto para Belém, como mandava o catálogo,
resolveram dar uma incerta no velho Herodes, em Jerusalém. Pra quê! Chegaram lá de boca aberta e
entregaram toda a trama. Perguntaram: Onde está o rei que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no
Oriente e viemos adorá-lo. Quer dizer, pegou mal. Muito mal. […]

Luis Fernando Verissimo. O nariz & outras crônicas. São Paulo: Ática, 2005. p. 30. © by Luis Fernando
Verissimo.

Fig. 1 (p. 73)


Andréa Vilela/ID/BR
Página 74

Responda a estas questões referentes ao texto de Verissimo.

a) Nesse trecho, é narrada uma história conhecida mundialmente. Que história é essa?

b) Observe as expressões a seguir: “ouviram um plá”, “maior fora” e “dar uma incerta”. Considerando o
contexto apresentado nesse trecho da crônica, o que cada uma delas significa?

c) Qual é o tipo de linguagem utilizado no texto?

d) De acordo com a situação de uso, qual é o efeito de sentido produzido no texto com o uso dessas
expressões?

e) A linguagem apresentada no trecho se aproxima da forma de comunicação de qual faixa etária? Justifique.

ANOTE

A gíria é o conjunto de elementos linguísticos usados por determinado grupo social, profissional ou de
diferentes faixas etárias, em que palavras, expressões e frases convencionais são substituídas por outras
próprias desse grupo de pessoas.

4. Leia o texto a seguir.

Lavagem das mãos e infecção nos hospitais

A meta de redução da infecção no hospital depende do ato simples de lavagem das mãos, da motivação e
orientação dos profissionais da equipe de Saúde. O sabão comumente usado possui ação detergente, age
mecanicamente e sem atividade bactericida. Os antissépticos são formulações germicidas, sendo utilizados
para reduzir o número de micróbios sobre a superfície da pele, e padronizados pelo Food and Drug
Administration (FDA, 1978), quando foram definidas sete categorias de produtos. […] Existe comercialmente
uma diversidade de produtos para esta finalidade, como os álcoois que são considerados simultaneamente
desinfetantes e antissépticos, e possuem excelente atividade contra todos os grupos de microrganismos […].

Disponível em: <http://ram.uol.com.br/site/index.php?p=materias_ver&id=607#.VLVNMCvF8_l>. Acesso


em: 13 jan. 2015.

Fig. 1 (p. 74)


Anvisa/Ministério da Saúde
Higienize suas mãos

a) A quem se destina o texto lido? Justifique sua resposta.

b) Qual é o tipo de linguagem utilizado no texto? Justifique sua resposta.

c) Qual é a relação entre a linguagem do texto e o público a que se destina?

Há variações na língua de acordo com as situações em que cada discurso é enunciado. No texto lido, a
linguagem utilizada está coerente com o conteúdo tratado e com o público a que se destina.

ANOTE

A variação de uso da língua que pode ser observada em um grupo de falantes que compartilham as mesmas
características socioculturais (classe socioeconômica, nível cultural, profissão, idade, interesses, hobbies,
etc.) recebe o nome de variedade social.
Página 75

REFLEXÃO LINGUÍSTICA Na prática

Responda sempre no caderno.

1. Observe a seguir a tira que mostra o cozinheiro Cuca e o general Dureza.

Fig. 1 (p. 75)


Recruta Zero, de Greg e Mort Walker.
2008 King Features Syndicate/IPress
Q1: É UMA HONRA RECEBÊ-LO PARA O CAFÉ DA MANHÃ, SENHOR.
OBRIGADO. ESSES OVOS ESTÃO FRESCOS?
Q3: CLARO, SENHOR! NÓS RECEBEMOS UM NOVO CARREGAMENTO TODO MÊS!

a) Observe a expressão facial de Cuca. O que ela demonstra ao general?

b) O cozinheiro Cuca está servindo seu superior. Qual pronome de tratamento indica essa relação
hierárquica?

c) Qual é o tipo de linguagem utilizado pelo cozinheiro?

d) Por que esse tipo de linguagem foi empregado por Cuca?

2. Observe outra situação de comunicação, agora entre Cuca e o sargento Tainha.

Fig. 2 (p. 75)


Mort Walker. Recruta Zero, O Globo, Rio de Janeiro, 28 nov. 2005.
Mort Walker 2005 King Features Syndicate/IPress
Q1: VOCÊ NÃO PÔS MOLHO SUFICIENTE NO ESPAGUETE!
AH! TÁ!
Q2: AGORA BOTOU MUITO! PRECISO DE MAIS ESPAGUETE!
Q3: TUDO BEM! ISSO DEVE BASTAR!
ESPERA ATÉ CHEGAR A HORA DO SORVETE COM BOLO!

a) O que a expressão facial do cozinheiro revela sobre o modo de agir da personagem na situação
apresentada?

b) Qual é o tipo de linguagem utilizado na tira? Cite dois exemplos.

c) O que essa linguagem revela sobre a relação hierárquica entre as personagens?

3. Crie um diálogo entre dois surfistas, utilizando palavras ou expressões usualmente utilizadas por pessoas
desse grupo. Para isso, consulte este quadro.

Dicionário do surfista

surfista que gosta de pegar ondas


Big rider Kaô “conversa fiada”; “papo furado”
grandes e sabe surfar nelas
Cabuloso perigoso; esquisito Marrento pessoa convencida; “que se acha”
Casca surfista muito bom em determinadas
Point qualquer local ou lugar; lugar badalado
grossa manobras; uma situação difícil
viagem para praticar surfe, geralmente
Crowd cheio de gente Trip
para um lugar com altas ondas
Drop ato de descer a onda (dropar) Vaca tombo; queda na onda
ID/BR
Página 76

4. Leia o texto a seguir.

O que são vírus de computador?

São programas desenvolvidos para alterar nociva e clandestinamente softwares instalados em um


computador. Eles têm comportamento semelhante ao do vírus biológico: multiplicam-se, precisam de um
hospedeiro, esperam o momento certo para o ataque e tentam esconder-se para não serem exterminados.

Os vírus de computador podem anexar-se a quase todos os tipos de arquivo e espalhar-se com arquivos
copiados e enviados de usuário para usuário. […]

Disponível em: <http://seguranca.uol.com.br/antivirus/duvidas/o-que-sao-virus-de-


computador.html#rmcl>. Acesso em: 13 jan. 2015.

a) Segundo o texto, por que os programas que alteram os softwares são chamados de vírus?

b) Observe onde esse texto foi publicado. Quem é o seu possível leitor?

5. Leia este texto.

Virando-se com os vírus

Todo mundo já ouviu falar em vírus de computador. Dá pra imaginar? Um computador gripado? Pois eles
são uns programinhas safados que invadem o computador e aterrorizam a máquina toda, devorando
arquivos, confundindo o processamento ou deixando o micro abobalhado, lento e esquecido. Como alguém
que, na vida real, tenha mesmo pegado gripe. […]

Ziraldo. Livro de informática do Menino Maluquinho. São Paulo: Melhoramentos, 2009. p. 62.

Fig. 1 (p. 76)


Andréa Vilela/ID/BR

a) Explique a expressão “computador gripado”.

b) Onde esse texto foi publicado? Quem é seu possível leitor?

6. Depois de reler os textos “O que são vírus de computador?” e “Virando-se com os vírus”, responda às
questões a seguir.

a) Que diferença podemos perceber entre os dois textos quanto à linguagem utilizada?

b) Por que os dois textos utilizam linguagens diferentes apesar de tratarem do mesmo assunto?

c) Copie duas expressões de cada texto que exemplifiquem a diferença de linguagem entre eles.

d) Os dois textos comparam a ação dos vírus que atingem os computadores com os vírus biológicos que
infectam os seres humanos. Em qual deles a comparação é mais desenvolvida? Explique sua resposta.

7. Imagine as situações a seguir.

I. Um encontro entre dois especialistas em informática em uma reunião de negócios.

II. Um encontro entre dois jovens que usam computador.

a) Escolha uma das situações e crie um diálogo entre as personagens. Lembre-se de que a linguagem utilizada
pelos falantes deve ser adequada à situação proposta e ao grau de intimidade entre eles.

b) Compare o diálogo que você criou com o de um colega que escolheu outra situação. Quais são as principais
diferenças na linguagem das personagens?
Página 77

LÍNGUA VIVA
Responda sempre no caderno.

Linguagem e adequação à situação discursiva

1. Leia um trecho do texto “Carta a uma senhora”, escrito em 1966 por Carlos Drummond de Andrade.

A garotinha fez esta redação no ginásio:

“Mammy, hoje é dia das Mães e eu desejo-lhe milhões de felicidades e tudo mais que a Sra. sabe. Sendo hoje
o dia das Mães, data sublime conforme a professora explicou o sacrifício de ser Mãe que a gente não está na
idade de entender mas um dia estaremos, resolvi lhe oferecer um presente bem bacaninha e fui ver as
vitrinas e li as revistas. Pensei em dar à Sra. o radiofono Hi-Fi de som estereofônico e caixa acústica de 2 alto-
falantes amplificador e transformador mas fiquei na dúvida se não era preferível uma TV legal de cinescópio
multirreacionário som frontal, antena telescópica embutida, mas o nosso apartamento é um ovo de tico-tico,
talvez a Sra. adorasse o transistor de 3 faixas de ondas e 4 pilhas de lanterna bem simplesinho, levava para a
cozinha e se divertia enquanto faz comida. Mas a Sra. se queixa tanto de barulho e dor de cabeça, desisti
desse projeto musical, é uma pena, enfim trata-se de um modesto sacrifício de sua filhinha em intenção da
melhor Mãe do Brasil. […]“

Carlos Drummond de Andrade. Crônicas 5. 14. ed. São Paulo: Ática, 2002. p. 14 (Coleção Para gostar de ler).
Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond. www.carlosdrummond.com.br

Fig. 1 (p. 77)


AMj Studio/ID/BR

a) No começo da carta, a menina usou a palavra Mammy para se referir à sua interlocutora. Que tipo de
relação entre a menina e sua mãe o uso dessa palavra indica?

b) Ao longo do trecho, a abreviação “Sra.” (senhora) é utilizada quatro vezes pela menina para se dirigir à
mãe. O que esse uso sugere?

2. De acordo com as informações presentes no texto, em que contexto o texto foi escrito pela menina?

3. Apesar de o texto ser uma carta para a mãe, provavelmente ela não será a primeira a lê-lo. Quem você
supõe que lerá o texto antes dela? Explique.

4. Qual relação é possível estabelecer entre as duas formas que a menina usa para se referir à mãe e o
contexto em que o texto foi escrito?

5. Cite dois trechos ou termos presentes no texto que indiquem níveis de formalidade diferentes.

6. A linguagem utilizada no texto está de acordo com a situação de comunicação? Por quê?

7. O texto que você leu foi escrito em 1966. Que presentes, hoje, seriam correspondentes aos que a menina
gostaria de ter comprado para a mãe dela? Copie e complete a tabela.

Radiofono Hi-Fi
TV de cinescópio
Transistor de 3 faixas de ondas e 4 pilhas de lanterna
ID/BR

ANOTE
Um mesmo falante faz adequações de sua linguagem – oral ou escrita – às diferentes situações
discursivas, de acordo com o contexto de produção: interlocutores, finalidade, intencionalidade, meio
de transmissão do enunciado e momento em que é produzido.
Página 78

QUESTÕES DA ESCRITA
Responda sempre no caderno.

Encontro consonantal e dígrafo

Os trava-línguas fazem parte da cultura oral de vários povos. Leia a seguir dois exemplos de trava-línguas da
língua portuguesa.

Quando toca a retreta na praça repleta,


Se cala o trombone, se toca a trombeta.
Domínio público.

Três pratos de trigo para três tigres tristes.


Domínio público.

Fig. 1 (p. 78)


Andréa Vilela/ID/BR

Observe que, na maioria das palavras que compõem esses trava-línguas, as consoantes r e l são
acompanhadas das consoantes t, g ou p, formando as seguintes sílabas: tre, tri, trom, gre, pra e ple.

ANOTE

O agrupamento de consoantes em uma mesma palavra é chamado de encontro consonantal. Nele, ouve-
se o som de cada uma das consoantes.

Os encontros consonantais podem ocorrer:

• na mesma sílaba. Exemplos: três, ti-gres, tris-tes, cla-ri-da-de, pra-ta.

• em sílabas diferentes. Exemplos: rit-mo, con-vic-ção, ab-so-lu-to.

Leia mais dois trava-línguas e observe as consoantes em destaque.

A chave do chefe Chaves está no chaveiro.


Domínio público.

Quico quer caqui.


Que caqui que o Quico quer?
O Quico quer qualquer caqui.
Domínio público.

Fig. 2 (p. 78)


Andréa Vilela/ID/BR

A palavra chave é composta de cinco letras, mas o número de sons pronunciados não é o mesmo. As letras ch
são pronunciadas com um som único. O mesmo ocorre com as letras qu na palavra Quico. A esse conjunto de
letras que representam um único som damos o nome de dígrafo.

ANOTE

Na língua portuguesa escrita, cada letra representa um som, mas há casos em que duas letras, em conjunto,
representam um único som. A esses casos damos o nome de dígrafo.

Exemplos: chato, guitarra, quero, galinha, palha, carro, pássaro, piscina, excesso.

As combinações qu e gu só serão dígrafos se seguidas de e ou i.


Exemplos: guerra, querido, guichê, quitute. As palavras quase, quarto, guardanapo e guarita não contêm
dígrafos, já que nelas o u é pronunciado.
Página 79

1. Leia o seguinte trava-língua e responda às questões.

Esta burra torta trota


Trota, trota, a burra torta.
Trinca a murta, a murta brota
Brota a murta ao pé da porta.
Domínio público.

a) Copie os encontros consonantais que ocorrem nesse trava-língua.

b) Transcreva a palavra em que ocorre um dígrafo, destacando-o.

2. Observe o quadro abaixo com palavras que contêm o grupo qu.

quase querida quimera Equador

a) Transcreva as palavras em que o grupo qu é dígrafo.

b) Por que o grupo qu das palavras restantes não é dígrafo?

3. Transcreva as palavras a seguir que apresentam encontros consonantais.

vassoura produção bilheteria chão chá brincadeira

estudar bárbaro bruxa perseguir trave prometer

Entreletras

Adivinhas

As adivinhas também são manifestações da cultura de um povo.

Leia as seguintes adivinhas e tente descobrir as respostas.

Qual o pássaro que em gaiola não se prende, só se prende quando se solta, por mais alto que ele voe preso vai
e preso volta?

O que é, o que é: Tem barba mas não é homem, tem dente mas não é gente.

Fig. 1 (p. 79)


Andréa Vilela/ID/BR

PARA SABER MAIS

Livros

Contos populares chineses, do Instituto de Línguas Estrangeiras de Pequim. Editora Landy.

Fig. 2 (p. 79)


Landy/Arquivo da editora
Contos populares chineses

Contos tradicionais do Brasil para jovens, de Luís da Câmara Cascudo. Editora Global.
ACERVO PNBE

Fig. 3 (p. 79)


Global/Arquivo da editora
Contos tradicionais do Brasil para jovens
Volta ao mundo dos contos: nas asas de um pássaro, de Catherine Gendrin. Edições SM.
ACERVO PNBE

Fig. 4 (p. 79)


Edições SM/Arquivo da editora
Volta ao mundo dos contos: nas asas de um pássaro

Sites
<http://tvbrasil.ebc.com.br/almanaquebrasil>
<http://www.jangadabrasil.com.br/revista/>
Acessos em: 13 jan. 2015.

Filme
O coronel e o lobisomem. Direção de Mauricio Farias. Brasil, 2005.
Página 80

ATIVIDADES GLOBAIS

REFLEXÃO LINGUÍSTICA

Responda sempre no caderno.

1. Leia a letra de música a seguir.

As mina de Sampa

[…]
As mina de Sampa são modernas, eternas dondocas!
Mas pra sambar no pé tem que nascer carioca.
Tem mina de Sampa que é discreta, concreta, uma lady!
Nas rêivi ela é véri, véri krêizi.
Eu gosto às pampa das mina de Sampa!
As mina de Sampa estão na moda, na roda, no rock, no enfoque!
É do Paraguai a grife made in Nova Iorque.
As mina de Sampa dizem mortandeila, berinjeila, apartameintu!
Sotaque do bixiga, nena, cem pur ceintu.
[…]

Rita Lee e Roberto de Carvalho. As mina de Sampa. Intérprete: Rita Lee. Em: Balacobaco. Som Livre, 2003.

Fig. 1 (p. 80)


Fabiana Salomão/ID/BR

a) Na letra dessa música, Rita Lee faz uma brincadeira com o modo de falar que caracteriza um grupo de
pessoas de uma região do Brasil. De onde é esse grupo?

b) Identifique na letra da música exemplos de expressões utilizadas pelos jovens.

c) Para registrar as palavras mortadela, berinjela e apartamento, o texto utiliza as grafias mortandeila,
berinjeila e apartameintu. Por que essas palavras foram registradas dessa maneira?

d) A palavra mina refere-se a uma mulher jovem. Você conhece outras gírias com o mesmo significado?

2. Observe o anúncio publicitário a seguir.

Fig. 2 (p. 80)


A cutis de creanças a que não se presta a devida attenção é arruinada com o uso de sabão usual. Todos os Paes cuidadosos usam para as suas
creanças o afamado Sabonete de Reuter que tem a virtude de conservar-lhes a cutis suave e brilhante como o setim perfumada qual uma flor.
Andréa Vilela/ID/BR
Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 2 nov. 1918. Disponível em: <http://www.letras.ufrj.br/varport/br-escrito/e-b-91-ja-037.html>.
Acesso em: 13 jan. 2015.

a) Esse anúncio foi escrito em 1918. Copie palavras do texto cuja grafia é diferente da que você usaria hoje se
estivesse escrevendo esse mesmo anúncio.

b) Quem era, provavelmente, o leitor-alvo dessa propaganda?

c) Como você anunciaria esse produto hoje? Reescreva o anúncio, modificando a linguagem utilizada.
Página 81

O que você aprendeu neste capítulo

Contos populares

• São contos produzidos coletivamente, passados de geração a geração, conservados na memória e na


tradição oral de um povo.

• Revelam a visão de mundo, os valores e o imaginário de um povo.

• Neles, são utilizados marcadores de tempo que não indicam com exatidão quando os fatos ocorreram.

• Têm como característica a presença de seres com poderes sobrenaturais, palavras mágicas, feitiços,
encantos e crendices.

• Suas palavras ou expressões auxiliam na caracterização dos espaços da narrativa e podem representar
traços da cultura do povo retratado.

• Muitas vezes, há várias versões de um mesmo conto, de acordo com o lugar e o tempo em que é contado.

Variação linguística

• Variação linguística: propriedade das línguas de se modificarem de acordo com a situação de uso e as
características do falante e dos grupos ao qual pertence.

• Variedades regionais: modo de falar dos habitantes de uma determinada região.

• Variedades sociais: modo de falar de um grupo de falantes que compartilham as mesmas características
socioculturais (classe econômica, nível cultural, idade, profissão, etc.).

• Variedades situacionais: modo de falar de um indivíduo de acordo com as situações comunicativas de


seu cotidiano.

Linguagem

• Linguagem formal: adequada a situações mais objetivas ou de maior formalidade. Nesse tipo de
linguagem, há a preocupação com o uso das normas urbanas de prestígio.

• Linguagem informal: adequada a situações mais descontraídas. É utilizada, em geral, entre pessoas com
mais intimidade, em situações mais descontraídas, em que os interlocutores estão mais à vontade uns com os
outros.

Autoavaliação

Para fazer a autoavaliação, releia o quadro O que você aprendeu neste capítulo.

• Que aspectos sobre os contos populares você mais gostou de conhecer? Por quê?

• Quais foram suas principais dificuldades ao produzir os contos populares?

• Sobre os assuntos vistos neste capítulo, o que você precisa estudar mais?

• Como você avalia sua participação na produção do livro ilustrado de contos populares? Por quê?
Página 82

ORALIDADE
Contação de histórias: conto popular

1. Leia esta tira.

Fig. 1 (p. 82)


mzk/Folhapress
Banzo e Benito, de mzk. Folha de S.Paulo, ago. 2006. Suplemento infantil Folhinha.
BANZO E BENITO
Q1: FALA, GAROTO! O QUE TEMOS HOJE?
Q2: UAU! HISTÓRIAS MEDONHAS!
DÃO MEDO.
Q3: SACA SÓ!
Q4: JOÃO TEIMOSO
Q5: JOÃO E SUA MÃE, ERAM MUITO, MUITO TEIMOSOS.
FILHO, VAI PRO BANHO
NÃO!
VAI!
NÃO.
Q6: AS COISAS PIORARAM COM O TEMPO.
SE NÃO COMER, NÃO SAI DA MESA!
NÃO.
Q7: PASSOU UM DIA...
POSSO SAIR?
COMEU?
NÃO.
Q8: PASSOU UM ANO...
COMEU?
Q9: AINDA HOJE, NAS NOITES FRIAS, PODE-SE OUVIR SUA MÃE DIZENDO ...
Q10: VENHAM COMER!

a) Nessa tira são contadas duas histórias. Quais são elas?

b) A personagem Benito leu uma história para o amigo. Você gosta de histórias? Prefere lê-las ou ouvi-las?
Por quê?

c) Muitas pessoas de diferentes culturas gostam de contar histórias e fazem isso naturalmente. Mas há
também aquelas que se preparam para apresentar narrativas publicamente e utilizam alguns recursos a fim
de captar a atenção do público. São os contadores de histórias. Você já assistiu à apresentação de algum
contador de histórias? Você já passou pela experiência de contar uma história para um público? Conte como
foi.

d) Que recursos um contador de histórias pode usar para prender a atenção do público?

e) Na sua opinião, ouvir um contador de histórias é o mesmo que assistir a uma peça de teatro? Por quê?

Produção de texto: contação de histórias

O que você vai fazer

Você vai participar de uma seção de contação de histórias que será organizada pelo professor, por você e
pelos colegas. Os ouvintes serão os colegas de outra turma, os pais e outras pessoas, que serão convidadas
por vocês, para o evento. O dia e o local da apresentação serão decididos com o professor.

Para a realização da atividade, siga as orientações.

Seleção do conto

1. Forme um grupo com mais três colegas da turma.


2. Retomem o conto popular que vocês escreveram na seção Produção de texto da página 58. Leiam
novamente todos os contos produzidos pelos integrantes do grupo e escolham uma dessas histórias (ou, se
preferirem, mais de uma) para contar aos ouvintes do evento.
Página 83

Preparação da apresentação

1. Um componente do grupo pode contar toda a história sozinho ou cada um conta uma parte. Caso apenas
um se responsabilize pela contação, os demais serão a equipe de apoio: vão se encarregar do figurino e do
cenário, ajudarão o contador a memorizar a história, etc.

2. O texto não vai ser lido, e sim memorizado para a contação. Vocês vão se basear no texto que escreveram,
mas podem fazer adaptações para que a história tenha palavras, expressões e construções usadas
habitualmente na fala informal. Isso contribui para atrair a atenção da audiência. Observem ainda que, nas
falas das personagens, é preciso que a linguagem esteja adequada à forma como elas foram caracterizadas e à
situação que estão vivendo.

3. Vocês podem improvisar algum momento da história, caso se esqueçam de algo, ou podem inventar
alguma fala que tenham esquecido, mas não modifiquem a história.

4. Como os contadores de história profissionais, utilizem diferentes recursos para atrair a atenção da plateia:

a) Escolham alguns momentos da história — de preferência momentos de tensão, emocionantes — para


interromper a narrativa e dirigir-se diretamente à plateia, perguntando às pessoas o que acham que vai
acontecer em seguida ou fazendo comentários sobre a atitude de uma personagem.

b) Tenham à mão alguns adereços — como um chapéu, um par de óculos, um guarda-chuva, uma capa — que
possam ajudar a caracterizar uma personagem ou construir o clima da cena contada.

c) Modifiquem a entonação, a velocidade e a altura da fala de acordo com os acontecimentos contados.

d) Usem efeitos sonoros (sons de trem, de apito, de chuva, etc.) e músicas.

e) Utilizem objetos para compor um cenário: um quadro, um abajur, etc.

Fig. 1 (p. 83)


Mirella Spinelli/ID/BR

O contador de histórias está entre alguém que simplesmente lê uma história e um ator que a encena. Ele deve
ser expressivo e pode empregar alguns elementos do teatro, mas não precisa se movimentar como se
estivesse no palco.

5. Ensaiem a contação tantas vezes quanto necessário para que a narrativa se torne fluente e espontânea.
Peçam ajuda aos colegas do grupo, para que analisem a apresentação e troquem sugestões, como mudança de
postura, entonação, etc.

6. No dia do evento, sigam as orientações do professor quanto à ordem de apresentação dos grupos e à
organização do espaço.

7. No dia da contação, sugiram aos pais que contem uma história popular.

Avaliação

Avaliem a contação do grupo com a orientação do professor.

• A história foi contada de modo que a sequência de acontecimentos ficasse clara?


• O contador apresentou toda a história sem hesitações e esquecimentos?
• O contador apresentou-se com expressividade?
• Os recursos empregados para atrair a atenção do público foram eficientes?
• Como foi o envolvimento dos componentes do grupo nos preparativos e na apresentação? Todos
colaboraram com o projeto?
Página 84

CAPÍTULO 3 - História em quadrinhos


CONVERSE COM OS COLEGAS

1. Observe a montagem ao lado com elementos das histórias em quadrinhos.

a) Quais personagens você identifica nessa montagem?

b) Que nome você daria a eles?

2. Nas histórias em quadrinhos, o cartunista se expressa por meio da linguagem verbal e da linguagem não
verbal. Qual é a linguagem usada na montagem? Exemplifique.

3. O que representa o balão do primeiro quadrinho: uma fala ou um pensamento? O que confirma sua
resposta?

4. Observe os quadrinhos do lado direito da montagem. Há dois balões de fala do super-herói, mas com
formatos diferentes.

a) Por que eles são diferentes? O que cada um representa?

b) Observe os símbolos presentes nesses balões. O que eles indicam?

5. Na montagem, há palavras que representam os sons.

a) Quais são essas palavras?

b) Que ação cada uma delas representa?

c) Quais elementos visuais reforçam o sentido dessas palavras?

6. O que significa o rastro deixado pelo super-herói no terceiro quadrinho?

7. Imagine uma narrativa para essa montagem. Compartilhe com os colegas.

Os autores de histórias em quadrinhos usam vários elementos para criar suas histórias.

Neste capítulo, estudaremos a linguagem dos quadrinhos, as relações entre imagem e texto e os recursos
gráficos utilizados nesse gênero.

Fig. 1 (p. 84)


Shutterstock.com/ID/BR
SMACK
GRASH!
POOF
HA! HA! HA!
BOOM!
Página 85

O que você vai aprender

• Características principais da história em quadrinhos


• A relação entre o texto e a imagem
• Substantivo: definição, classificação e flexões
• Separação de sílabas
Página 86

LEITURA 1
História em quadrinhos

O QUE VOCÊ VAI LER

Fig. 1 (p. 86)


Antonio Luiz Ramos Cedraz (1945-2014), cartunista baiano. Fotografia de 2009.
Acervo pessoal/Ipress

O autor Antonio Luiz Ramos Cedraz nasceu em uma fazenda na cidade de Miguel Calmon, na Bahia, em
1945. Conheceu as histórias em quadrinhos aos 10 anos de idade. Desde que começou a desenhar, criou
várias personagens, cujas tiras foram publicadas em jornais de muitos estados do Brasil. Já ganhou os mais
importantes prêmios de histórias em quadrinhos do país, como o HQMIX e o Prêmio Ângelo Agostini.

Sua criação mais famosa é a Turma do Xaxado, que apareceu pela primeira vez nas tiras de histórias em
quadrinhos do jornal A Tarde, de Salvador, em 1968. Para criar as histórias, Cedraz utiliza suas experiências
de infância e seus conhecimentos da vida no interior do Brasil, sempre procurando retratar elementos da
cultura brasileira, principalmente da Região Nordeste.

A personagem principal da turma, o Xaxado, é neto de um famoso cangaceiro que vivia com o bando de
Lampião. Ele e seus amigos vivem no campo; são crianças tipicamente brasileiras no seu jeito de falar,
brincar, aproveitar a natureza e lidar com os problemas da vida no interior (como a seca).

LAMPIÃO E O XAXADO

Lampião foi como ficou conhecido Virgulino Ferreira da Silva (1898-1938), o mais famoso cangaceiro,
chamado pela população de “O Rei do Cangaço”. Os cangaceiros inicialmente eram grupos armados
formados pelos coronéis para protegê-los. Mais tarde, esses grupos constituíram os seus próprios bandos
com regras próprias. Eram muito violentos e promoviam constantemente assaltos e saques. O cangaço durou
entre o fim do século XIX e meados dos anos 1930.

O xaxado é uma dança típica do sertão do estado de Pernambuco, muito praticada pelos cangaceiros para
comemorar suas vitórias. O nome da dança vem do barulho que as sandálias de couro faziam quando
arrastavam pelo chão de areia seca da região da Caatinga.

Fig. 2 (p. 86)


Antonio Cedraz/Ipress
Revista Xaxado e sua turma, São Paulo, HQ Maniacs Editora, n. 3, p. 20, ago. 2010.
ZÉ PEQUENO VOLUNTÁRIO
Q1: POIS É, XAXADO! EU RESOLVI ENTRÁ PARA O PROGRAMA DE VOLUNTÁRIO!
É ISSO AÍ, ZÉ! TEM GENTE QUE SÓ SABE RECLAMAR E NÃO COLABORA COM NADA!
Q2: O VÉIO ZECA NUM IA PUDÊ PINTÁ A PAREDE DA ISCOLA, E EU VÔ DÁ UMA AJUDA!
O QUE TEVE COM ELE?!
Q3: O COITADO TÁ HÁ DOIS DIA SEM DURMIR, PRICISANO DISCANSÁ, E AÍ APARECE A TAR DA PAREDE PRA PINTÁ... OU ELE FAIZ UMA COISA OU
ÔTRA!
Q4: E TU SABE PINTAR PAREDE, ZÉ?
SEI NÃO!
Q5: PUR ISSO É QUI EU VIM DURMIR PRA ELE!
FIM
Página 87

Estudo do texto
Responda sempre no caderno.

Para entender o texto

1. Quem são as personagens que dialogam na história?

2. As falas das personagens aparecem dentro de balões. Reproduza as falas do primeiro quadrinho. Lembre-
se de colocar a pontuação que indica o diálogo em um texto.

3. Uma personagem pode ser identificada por diferentes características.

a) Descreva Xaxado e Zé Pequeno. Considere os detalhes físicos, suas fisionomias e o modo como eles se
vestem.

b) Observe como a história em quadrinhos representa as atitudes de Xaxado e Zé Pequeno. O que ela sugere
sobre suas personalidades?

ANOTE

No universo dos quadrinhos, há uma infinidade de personagens que são reconhecidas por suas
características físicas, por seu comportamento e por suas atitudes.

4. Observe o desenho de Xaxado.

a) Que objetos o autor usou para caracterizar a personagem?

b) Em que parte do corpo o desenho concentra a representação dos sentimentos de Xaxado?

c) Que diferentes sentimentos ou emoções Xaxado expressa nos quadrinhos 1, 4 e 5?

ANOTE

As personagens de quadrinhos quase sempre são desenhadas com traços simples e estilizados.

O desenho do rosto pode expressar a personalidade de uma personagem e também seus sentimentos e suas
emoções.

5. Observe as expressões do Pato Donald, personagem criada por Walt Disney. Quais sentimentos ou
emoções podemos perceber em suas expressões?

Fig. 1 (p. 87)


Editora Abril/Disney
Revista Pato Donald, São Paulo, Abril, n. 2015, p. 13, 1993.

TIPOS DE PERSONAGENS

Há vários tipos de personagens de histórias em quadrinhos. Calvin, assim como Zé Pequeno, é uma
personagem de quadrinhos de humor. Personagens de histórias de aventura podem percorrer o
mundo e se meter em muitas confusões. Personagens de histórias de super-heróis geralmente têm
superpoderes e costumam enfrentar terríveis vilões.

Fig. 2 (p. 87)


Calvin: humor.
1988 Watterson/Dist. by Universal Uclick
Fig. 3 (p. 87)
Super-Homem: super-heróis.
SuperStock/Keystone
Página 88

Responda sempre no caderno.

6. Observe a sequência de quadrinhos na história de Zé Pequeno.

a) O que muda nos desenhos de um quadrinho para outro? Descreva as mudanças.

b) Qual é a finalidade da mudança desses elementos?

ANOTE

As histórias em quadrinhos são narrativas sequenciais. Embora cada quadrinho seja estático, a sequência
deles cria um efeito temporal, como se conseguíssemos ver a passagem do tempo e a movimentação das
personagens de uma cena para outra.

7. Na história que você leu, o autor utiliza o suspense (pois até o final não sabemos qual será o desfecho do
diálogo entre Xaxado e Zé Pequeno) e o humor (o final é engraçado).

a) Qual acontecimento é revelado ao leitor no fim da história?

b) Por que esse acontecimento atribui humor à tira?

Fig. 1 (p. 88)


Antonio Cedraz/Ipress

ANOTE

O suspense e o humor são dois recursos poderosos dos quadrinhos. O suspense mantém o leitor em
permanente estado de alerta, esperando os acontecimentos que vêm a seguir. Em uma tira ou história em
quadrinhos de humor, ao longo da narrativa ou em seu desfecho, geralmente aparecem gags (falas ou
situações inesperadas) ou piadas.

Relações entre texto e imagem nas histórias em quadrinhos

1. Observe que as falas de Xaxado e Zé Pequeno aparecem em balões. Agora, veja essa tira.

Fig. 2 (p. 88)


Laerte/Acervo do artista
Laerte. Suriá contra o dono do circo. São Paulo: Devir-Jacarandá, 2003. p. 55.
Q1: SOCORRO!!
O BLÉUCO VEIO NA NOSSA FESTA DE DIA DAS BRUXAS!!
Q2: QUE BLÉUCO, NADA! SOU EU, SURIÁ, FANTASIADA!
AH, BOM! ...ENTRA!
Q3: HE, HE, HE...

a) Que diferença há entre os balões das falas nos dois primeiros quadrinhos?

b) O que essa diferença indica quanto às falas das personagens?

2. As falas das personagens aparecem dentro de balões, mas eles também servem para expressar suas
atitudes. Observe a tira da Suriá e responda: O que expressa o balão do terceiro quadrinho?

ANOTE

Os balões são recursos gráficos que servem para indicar ao leitor falas, pensamentos e sentimentos das
personagens. De acordo com a situação, os balões podem ter vários formatos.
Página 89

3. No primeiro quadrinho da tira de Suriá, as falas das personagens são mostradas com as letras em
destaque. Como as letras foram destacadas? Com que finalidade o autor utilizou esse recurso?

4. Observe a tira a seguir.

Fig. 1 (p. 89)


2008 King Features Syndicate/Ipress
Dick Browne. O melhor de Hagar, o Horrível. Porto Alegre: L&PM, 2006. v. 1. p. 31.
Q1: O SR. SE DIVERTIA MUITO NA MINHA IDADE?
MAS É CLARO QUE SIM!
Q2: ERA MARAVILHOSO!
Q3: EU PODIA COMER DE TUDO!

a) Que palavras estão em destaque na fala das personagens?

b) Como elas foram destacadas?

c) Que novos sentidos as palavras destacadas adquirem na fala da personagem?

ANOTE

Outro recurso usado para tornar mais expressiva a fala das personagens é o destaque de palavras.
Podem-se usar o negrito, diversos tamanhos, formatos e cores das letras para expressar emoções, atitudes,
entonação e outras características da fala.

5. Nesta história da Magali, de Mauricio de Sousa, podemos observar que os três quadrinhos utilizam apenas
imagens, sem recorrer às palavras.

Fig. 2 (p. 89)


Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa.
Mauricio de Sousa Produções Ltda.

a) Observe o primeiro quadrinho e responda: O que Magali parece sentir?

b) Que recursos foram utilizados no primeiro quadrinho para expressar o que Magali está sentindo?

c) Que recursos gráficos o autor usou para criar os movimentos em cada um dos quadrinhos?

ANOTE

Nos quadrinhos, os traços, as setas e as linhas variadas são recursos gráficos que podem indicar os
movimentos corporais das personagens (como vemos na tira acima).
Os autores também utilizam símbolos, como bolinhas para indicar que alguém está com sono, gotas para
indicar lágrimas ou suor, corações para mostrar que a personagem está apaixonada, entre outros recursos.
Página 90

Responda sempre no caderno.

O contexto de produção

1. Para responder às questões seguintes, considere o quadro O que você vai ler da página 86.

a) Quem é o autor da história que você leu?

b) Qual é a intenção do autor com as histórias da Turma do Xaxado?

c) Quando e onde as histórias da Turma do Xaxado começaram a ser publicadas?

d) A que público se destinam as suas histórias?

ANOTE

Várias histórias em quadrinhos nasceram nas tiras publicadas em jornais e revistas. Depois, muitas
personagens passaram a ter os próprios gibis, e suas histórias ficaram maiores. Os quadrinhos foram
também se sofisticando ao longo do tempo.

Hoje há livros de histórias em quadrinhos, com desenhos primorosos, dirigidos principalmente a adultos,
chamados graphic novels, as novelas gráficas.

A linguagem do texto

1. Observe as falas das personagens Zé Pequeno e Xaxado na história em quadrinhos que você leu.

a) Que tipo de linguagem Zé Pequeno e Xaxado utilizam?

b) Esse tipo de linguagem é adequado às personagens e à situação em que elas se encontram? Justifique sua
resposta.

2. Compare a linguagem utilizada por Zé Pequeno à linguagem utilizada por Xaxado.

a) O que se destaca no modo de falar de Zé Pequeno?

b) Qual seria a intenção do autor ao destacar essa maneira de falar de Zé Pequeno?

3. A maneira como são escritas as falas de Zé Pequeno não obedece às regras de ortografia da língua
portuguesa. Em sua opinião, por que o autor resolveu escrevê-las assim? Você acha que essa foi uma boa
opção?

ANOTE

As falas das personagens de histórias em quadrinhos, em geral, procuram reproduzir a informalidade


característica da linguagem oral. Além disso, o tipo de linguagem utilizado nas falas também caracteriza as
personagens.

4. Entre as marcas da linguagem informal está o uso de interjeições e locuções interjetivas (palavras e
expressões que indicam emoções e sentimentos). Que locuções interjetivas aparecem na história de Zé
Pequeno e Xaxado? O que elas indicam?

REVISTA O TICO-TICO

Luiz Sá criou, na década de 1930, as personagens Reco-Reco, Bolão e Azeitona.

Os três garotos bagunceiros ficaram famosos e suas histórias foram publicadas na primeira revista em
quadrinhos do Brasil, O Tico-Tico.

Esta tira mostra a personagem Azeitona metida em uma de suas confusões.


Fig. 1 (p. 90)
Abril/Arquivo da editora
Apesar da chuva e da forte ventania que fazia, Azeitona, munido de um guarda-chuva, e com uma bolsa no
braço, saiu para fazer as compras.

Fig. 2 (p. 90)


No meio do caminho uma rajada de vento mais forte cahiu de cheio em cima delle. Azeitona quiz resistir, fez
“finca-pé” no chão, mas… infelizmente foi…

Fig. 3 (p. 90)


… arrebatado pelos ares, como se fosse um balão. […] Segurou-se firme no guarda-chuva. Subia cada vez
mais e lá em baixo as casas pareciam brinquedinhos.
A Revista no Brasil. São Paulo: Abril, 2000. p. 147.
Página 91

ANOTE

Recebem o nome de interjeições (ou locuções interjetivas) as palavras ou as pequenas frases que são
usadas para expressar emoções ou sentimentos em determinadas situações. Exemplos: Oba!, Ah!, Oh!, Ufa!,
Puxa vida! Oh, não!

5. Observe como o som é representado em outras situações.

Fig. 1 (p. 91)


Laerte/Acervo do artista
PẼẼẼẼẼ‼
… A CAMPAINHA TOCA!

Fig. 2 (p. 91)


Companhia das Letras/Ipress
TOC TOC TOC TOC
ENTRE!

Que palavras foram usadas para representar os sons em cada um dos quadrinhos? Que sons as palavras
representam?

ANOTE

Muitas palavras são usadas em quadrinhos para representar diversos tipos de sons: o latido de um cachorro,
o toque do telefone, alguma coisa que se quebra, água pingando, etc. Esse recurso linguístico é chamado
onomatopeia.

6. Observe como o diálogo entre Zé Pequeno e Xaxado se constrói como um jogo: eles perguntam,
respondem, afirmam, negam e se espantam alternadamente, interagindo um com o outro.

Reproduza o diálogo entre Zé Pequeno e Xaxado em voz alta, formando dupla com um colega de classe.

ANOTE

O ponto de exclamação (!) é associado a frases que indicam emoções como surpresa, alegria, entusiasmo,
dor e nervosismo.

O ponto de interrogação (?) expressa geralmente dúvida, suspense e indecisão.

Muitas vezes, o ponto de exclamação é combinado com o ponto de interrogação, indicando dúvida e surpresa
ao mesmo tempo.

As reticências (…) podem indicar interrupção do pensamento, hesitação, surpresa, dúvida ou timidez.

O cotidiano e o humor

Os quadrinhos que você leu mostram um lado engraçado do cotidiano. O humor pode facilitar a convivência
em família, na escola e nas relações sociais. Pode também tornar mais leves as situações difíceis ou as tarefas
complicadas.

Converse com os colegas e o professor sobre as seguintes questões:

I. O humor pode ajudar as pessoas a viverem melhor?

II. Como tratar as situações com humor sem desrespeitar o outro?


Página 92

PRODUÇÃO DE TEXTO
História em quadrinhos

AQUECIMENTO

• Veja os seguintes balões.

Fig. 1 (p. 92)


FALA
SUSSURRO
PENSAMENTO
GRITO
Balões: ID/BR

Crie uma conversa entre dois adolescentes. Use balões para compor seu diálogo. Procure variar as formas dos
balões de acordo com a situação representada nas falas.

Proposta

Agora, você vai criar uma história em quadrinhos baseada em um super-herói que você vai inventar. Quando
a história ficar pronta, a classe produzirá um “gibizão”. Ele poderá ficar na biblioteca da escola ou do bairro e
ser lido por outras pessoas; por isso, capriche em sua criação.

1. Leia como o Dicionário Houaiss da língua portuguesa define a palavra super-herói.

super-herói substantivo masculino 1 personagem fictício, geralmente dotado de poderes sobre-humanos,


que defende o bem e combate incansavelmente o mal, ajuda os fracos e desprotegidos, procura livrar a
sociedade dos criminosos […].

Antônio Houaiss e Mauro de Salles Villar. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro:
Objetiva, 2004. p. 2641.

ACERVO PNBE

2. Observe os seguintes objetos. Eles serão importantes na criação de sua personagem. Escolha um deles
para compor seu super-herói.

Fig. 2 (p. 92)


Ilustrações: Leandro Lassmar/ID/BR
Página 93

Planejamento e elaboração do texto

1. Copie a tabela e planeje os seguintes elementos do texto.

Tempo e espaço em que a história acontece

Nome e características físicas


Objeto que o super-herói usa
Personagem principal Superpoderes
Ponto fraco
Características do principal inimigo
Onde a personagem está?
Com quem vai se encontrar?
Sequência narrativa
Que conflito terá de enfrentar?
Como o conflito será resolvido?
ID/BR

Fig. 1 (p. 93)


Warner Bros. Animation/Courtesy Everett Collection/Keystone

2. Escreva um resumo da história.

3. Divida a história em partes. Cada uma será desenhada em um quadrinho.

4. Continue a desenhar sua história em quadrinhos, criando as falas e os balões. O desenho não precisa ser
exato. Você pode fazer as personagens de modo esquemático, com figuras geométricas ou com colagens.

5. Lembre-se de usar onomatopeias, destacar palavras e variar os balões.

6. A história em quadrinhos pode ser desenhada em papel sulfite. Depois, as histórias serão reunidas em um
“gibizão”.

Avaliação e reescrita do texto

1. Leia com atenção a história em quadrinhos que você criou. Use o roteiro abaixo para avaliar sua produção.
Responda às perguntas.

a) Características de personagem

• A personagem principal é um super-herói?

• É possível observar seus superpoderes?

• As características do inimigo estão destacadas?

b) Sequência narrativa

• Os quadrinhos obedecem a uma sequência temporal?

• Há um conflito a ser resolvido?

c) Recursos
• As falas dos balões estão adequadas às atitudes das personagens?

• Foram usados adequadamente recursos visuais (onomatopeias, palavras destacadas e balões com diferentes
formas) para representar os sons e expressar os sentimentos das personagens?

• A linguagem está adequada à personagem?

2. Depois dessa análise, se necessário, reescreva sua história em quadrinhos e monte o gibi da classe com os
colegas.

3. Quando o material estiver organizado, um grupo ficará responsável por encadernar as histórias em
quadrinhos para montar o “gibizão”.
Página 94

REFLEXÃO LINGUÍSTICA
Substantivo

1. Leia a história em quadrinhos a seguir.

Fig. 1 (p. 94)


Angeli/Acervo do artista
Angeli. Ozzy 3: Família? Pra que serve isso? São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 9.
OZZY ANGELI
Q1: MAS… MEU FILHO, O QUE É ISTO AQUI EM CIMA DA MESA?
É UMA LISTA DE TUDO AQUILO QUE EU NÃO QUERO MAIS COMER!
Q2: CEREAIS, LEGUMES, VERDURAS E GRÃOS EM GERAL!..
NÃO QUERO MAIS COMER!
Q3: MASSAS, SOPAS, TORTAS E OVOS…
NÃO QUERO MAIS COMER!
Q4: CARNES, RAÍZES, FRUTAS E LEITE
NÃO QUERO MAIS COMER!
Q5: SALGADINHOS, CHOCOLATES, JUJUBAS E GOMAS DE MASCAR…
NÃO... ????
Q6: MUITO BEM‼ QUEM ANDOU FALSIFICANDO A MINHA LETRA?

a) Para que servem as palavras usadas pela mãe de Ozzy nas suas falas entre o segundo e o quinto
quadrinhos?

b) Por que Ozzy repete insistentemente a frase “Não quero mais comer!” entre o segundo e o quarto
quadrinhos?

c) Por que Ozzy se revela tão espantado no quinto quadrinho e seus pais gargalham no sexto?

As palavras da lista lida pela mãe de Ozzy servem para dar nome aos diversos tipos de alimentos. As palavras
usadas para nomear seres e coisas em geral recebem o nome de substantivos.

ANOTE

Substantivos são palavras usadas para nomear seres, lugares, instituições, ações, ideias, qualidades,
sensações e sentimentos, reais e imaginários.

Classificação dos substantivos

No estudo da gramática da língua portuguesa, os substantivos podem ser classificados de diferentes modos,
conforme veremos a seguir.

Substantivos próprios e comuns

2. Observe a tira de Suriá.

Fig. 2 (p. 94)


Laerte/Acervo do artista
Laerte. Suriá, a garota do circo. São Paulo: Devir, 2000. p. 9.
Q1: CABELO! PESADELO! PELO
GELO! NOVELO!
Q2: FIZ UMA POESIA PRO SEU ANIVERSÁRIO, GASPAR!
Página 95

No segundo quadrinho, faria diferença se Suriá se dirigisse ao amigo como “camelo” em vez de “Gaspar”?
Explique sua resposta.

Os nomes que identificam os seres individualizados são chamados substantivos próprios. Os substantivos
próprios nomeiam não apenas pessoas, mas também lugares, títulos de livros e de filmes.

Quando as palavras se referem a um ser em sentido genérico, sem que ele seja individualizado, recebem o
nome de substantivos comuns. Na tira, por exemplo, a palavra poesia é um substantivo comum.

ANOTE

Substantivos próprios dão nome a seres em particular. São iniciados com letras maiúsculas. Exemplos:
Rio de Janeiro, Suriá, Tietê.

Substantivos comuns nomeiam todos os seres de uma espécie ou todos os elementos de um grupo. São
iniciados com letras minúsculas. Exemplos: cidade, pessoa, nariz, rio.

Substantivos concretos e abstratos

3. Observe um quadrinho retirado de uma história da Turma do Pelezinho.

Fig. 1 (p. 95)


Maurício de Sousa Produções Ltda.
Mauricio de Sousa. As melhores histórias do Pelezinho, São Paulo, Panini Comics, n. 13, p. 9, 2014.
QUERO SÓ VER QUEM É O MOLEQUE QUE VAI TER CORAGEM DE PULAR O MURO PRA PEGAR ESSA BOLA!
EU AVISEI O QUE IA ACONTECER SE CAÍSSE AQUI DE NOVO!
GLUP!

a) Na fala da personagem que ameaça os meninos, aparecem vários substantivos. Um deles, coragem,
apresenta uma diferença em relação aos demais no que diz respeito ao que eles nomeiam. Converse com os
colegas e tente explicar essa diferença.

b) O que indica a palavra no balão acima da cabeça dos meninos? Como se classifica essa palavra?

Os substantivos que nomeiam os seres em geral (pessoas, animais, vegetais, lugares, objetos e coisas)
recebem o nome de substantivos concretos. Exemplos desses substantivos, no quadrinho acima, são as
palavras moleque, muro e bola.

Substantivos que nomeiam ações, estados e qualidades recebem o nome de substantivos abstratos, como
coragem, no quadrinho acima.

ANOTE

Substantivos concretos nomeiam seres de existência própria, coisas e fenômenos reais ou imaginários.
Exemplos: Mafalda, pé, terra.

Substantivos abstratos nomeiam ações, estados, qualidades e sentimentos. Exemplos: diversão, alegria,
decepção.

Relacionando

Observe que os nomes dados a personagens de histórias em quadrinhos são muito importantes para
impressionar o leitor. Eles podem sugerir características físicas ou psicológicas da personagem (Cascão,
Cebolinha, Pateta, Super-Homem, Homem-Aranha), mistério ou suspense (Mandrake, Fantasma, Doutor
Estranho), humor (Capitão Feio, Recruta Zero, Skrotinhos), origem (Xaxado, Capitão América, Zé Carioca)
ou mesmo intimidade ou afeto (Tintim, Luluzinha, Gasparzinho).
Página 96

Substantivos simples e compostos

4. Leia o poema a seguir.

Haicai 33 (Guarda-chuva)
Quanto guarda-chuva
passando pela cidade
que vida ocupada!

Lu Teles. Disponível em: <http://www.recantodasletras.com.br/haikais/3794702>. Acesso em: 7 jan. 2015.

Fig. 1 (p. 96)


Leandro Lassmar/ID/BR

Observe o glossário e responda: O poema lido pode ser considerado um haicai?

GLOSSÁRIO
Haicai: forma de poesia japonesa muito antiga que tem como principais características a composição em
três versos e a temática relativa à natureza ou às estações do ano.

A maioria dos substantivos é constituída de uma única palavra: cidade, vida. São os substantivos simples.
Mas há aqueles formados por mais de uma palavra, como guarda-chuva, constituído pelas palavras guarda e
chuva, que, ligadas por um hífen, compõem o substantivo que nomeia o objeto, descrevendo sua função. São
os substantivos compostos. Alguns substantivos compostos não apresentam hífen, como no substantivo
girassol.

ANOTE

Substantivos simples são constituídos por apenas uma palavra. Exemplos: tempo, sabiá, chuva.

Substantivos compostos são formados por mais de uma palavra. Exemplos: passatempo, couve-flor,
beija-flor.

Substantivos primitivos e derivados

5. Leia a tira a seguir.

Fig. 2 (p. 96)


©2007 Paws, Inc. All Rights Reserved/Dist. by Universal Uclick
Garfield, de Jim Davis.
Q1: BOM DIA!
BOM DIA
Q2:
Q3: ACHO QUE A TORRADEIRA ENTROU EM CURTO
UÉ, DE REPENTE, ASSIM, DO NADA, VOCÊ VIROU ELETRICISTA?

a) Descreva a expressão facial de Jon, dono do Garfield. Qual o motivo para ele estar assim?

b) Em sua opinião, qual é a origem das palavras torradeira e eletricista?

Os substantivos que se originam de outras palavras são denominados derivados. Aqueles que não se
originam de outras palavras são chamados substantivos primitivos.

ANOTE

Substantivos primitivos não são originados de outras palavras. Exemplos: jornal, flor, cozinha.

Substantivos derivados são originados de outras palavras. Exemplos: jornalista, floricultura, cozinheiro.
Página 97

Substantivos coletivos

6. Observe a palavra em destaque na tira de Suriá.

Fig. 1 (p. 97)


Laerte/Acervo do artista
Laerte. Suriá, a garota do circo. São Paulo: Devir, 2000. p. 33.
Q1: … URSO DE BICICLETA É O TRUQUE DE CIRCO MAIS MANJADO QUE EXISTE!
NÃO É PRO CIRCO, TIO FLIP…
Q2: … O KURTZ APRENDEU PRA ENTRAR NA GANGUE!

a) O substantivo gangue é usado na tira para nomear o quê?

b) Que outros substantivos poderiam ser usados no lugar de gangue?

Quando um substantivo nomeia um conjunto de seres ou de coisas, ele é denominado substantivo


coletivo.

ANOTE

Substantivo coletivo é aquele que, mesmo no singular, indica um conjunto de seres ou coisas da mesma
espécie. Exemplos: cacho, turma, ramalhete.

Leia outros substantivos coletivos no quadro a seguir.

Coletivo Grupo de Coletivo Grupo de


álbum fotografias, figurinhas ou selos fauna animais de uma região
arquipélago ilhas flora plantas de uma região
batalhão soldados, pessoas galeria quadros
câmara deputados, vereadores júri juízes ou jurados
caravana viajantes matilha cães
cardume peixes multidão pessoas
elenco atores quadrilha assaltantes
enxame abelhas vocabulário palavras
ID/BR
Página 98

REFLEXÃO LINGUÍSTICA

Na prática

1. Leia o poema a seguir, de Arnaldo Antunes.

Imagem

palavra lê

paisagem contempla

cinema assiste

cena vê

cor enxerga

corpo observa

luz vislumbra

vulto avista

alvo mira

céu admira

célula examina

detalhe nota

imagem fita

olho olha

Arnaldo Antunes e Péricles Cavalcanti. Imagem. Intérprete: Arnaldo Antunes. Em: Nome. BMG, 1993.

Fig. 1 (p. 98)


Andréa Vilela/ID/BR

a) O que indicam as palavras da coluna da direita do poema?

b) Quanto ao significado, o que há em comum entre todas as palavras dessa coluna?

c) O que indicam as palavras da coluna da esquerda do poema?

d) Que relações de sentido há entre as palavras das duas colunas?

e) Como podem ser classificadas as palavras da primeira coluna?

2. Leia a conversa entre Miguelito e Filipe na tira a seguir.

Fig. 2 (p. 98)


Joaquín Salvador Lavado (QUINO). O mundo da Mafalda – Martins Fontes, 1999
Quino. O mundo da Mafalda. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p. 45.
Q1: DIGA UMA COISA, FILIPE: BALA, DESENHO ANIMADO, PÃO COM MANTEIGA, BRINQUEDO…
Q2: GIBI, CIRCO, MASSINHA, ESCORREGADOR, LÁPIS DE COR, CHICLETE…
Q3: TUDO ISSO EXISTIA ANTES DE A GENTE NASCER?
MAS É CLARO
Q4: QUE DESPERDÍCIO!

a) Miguelito faz uma enumeração das coisas de que ele gosta. Essas coisas fazem parte de qual fase da vida?

b) Quais dessas coisas são substantivos comuns e concretos?

c) Cite, dessa enumeração de coisas, um substantivo derivado.

d) No primeiro quadrinho, temos um substantivo próprio. Qual é ele?

e) Faça uma lista de dez coisas de que você gosta muito, usando apenas substantivos comuns e concretos.

f) No último quadrinho, Miguelito resume seu sentimento utilizando o substantivo desperdício. Por que ele
usa essa palavra?

g) Como pode ser classificado o substantivo desperdício?


Página 99

Responda sempre no caderno.

3. Leia a seguir um trecho da letra de “Aquarela”, de Toquinho, M. Fabrizio, G. Morra e Vinicius de Moraes.

Aquarela

Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo


E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo.
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva,
E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva.

Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel,


Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu.
Vai voando, contornando a imensa curva Norte e Sul,
Vou com ela, viajando, Havaí, Pequim ou Istambul.
Pinto um barco a vela branco, navegando, é tanto céu e mar num beijo azul.

Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená.


Tudo em volta colorindo, com suas luzes a piscar.
Basta imaginar e ele está partindo, sereno, indo,
E se a gente quiser ele vai pousar.

[…]

Toquinho, Maurizio Fabrizio, Guido Morra, Vinicius de Moraes. Intérprete: Toquinho. Em: Aquarela. Ariola,
1983.

Fig. 1 (p. 99)


Andréa Vilela/ID/BR

a) A palavra aquarela nomeia um tipo de pigmento e também as pinturas feitas com base nele. A qual desses
significados você supõe que o título da canção se refira?

A que capacidade humana o texto relaciona essa aquarela?

b) As palavras que indicam o que se desenha e o que se imagina são substantivos. Transcreva-os.

c) Observe os desenhos a que a canção se refere na primeira estrofe. Há alguma relação entre eles?

d) Transcreva do texto os substantivos próprios que indicam lugares.

4. Releia a terceira estrofe do poema e responda às questões a seguir.

a) A palavra sereno é um adjetivo, uma palavra que serve para indicar uma qualidade ou característica de um
substantivo. A qual substantivo se refere esse adjetivo no texto?

b) Transforme o adjetivo sereno em um substantivo e classifique-o em: comum ou próprio, simples ou


composto, concreto ou abstrato, primitivo ou derivado.

5. Reescreva cada uma das frases a seguir, substituindo a expressão destacada por um substantivo coletivo.
Para isso, faça as adaptações necessárias.

a) Um grupo de cães acompanhava o grupo de viajantes.

b) Um grupo de músicos tocou enquanto os grupos de atletas se apresentavam para a competição.

c) Um conjunto de jurados escolheu o grupo de atores vencedor do concurso.

d) Nos mares daquele conjunto de ilhas há muitos grupos de peixes.


e) Um grupo de vereadores aprovou o projeto de lei.

f) Um grupo de assaltantes foi preso após roubar um valioso conjunto de selos.


Página 100

6. Leia o texto a seguir.

Circuito fechado (1)

Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel,
espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca,
camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves,
lenço, relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres,
guardanapo. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, telefone,
agenda, copo com lápis, canetas, bloco de notas, espátula, pastas, caixa de entrada, de saída, vaso com
plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone,
relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete,
cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetor de filmes,
xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha,
cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo, xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de
dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone
interno, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e
caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta.
Carro. Maço de cigarros. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres,
copos, guardanapos. Xícaras. Cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro
e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, chinelos. Vaso, descarga, pia, água,
escova, creme dental, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.

Ricardo Ramos. Melhores contos de Ricardo Ramos. 2. ed. São Paulo: Global, 2001. p. 59-60. © by herdeiros
de Ricardo Ramos.

A sequência de substantivos no texto cria um efeito de sentido. Que efeito é esse?

7. A sequência dos substantivos a seguir sugere que alguém está realizando ações.

Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água.

Fig. 1 (p. 100)


Leandro Lassmar/ID/BR

a) Quais são essas ações?

b) Em que espaço ocorrem essas ações?

c) Quando elas ocorrem?

8. Releia.

Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água
fria, água quente, toalha.

Pela sequência dos substantivos acima, é possível dizer se a personagem é homem ou mulher? Justifique.

9. O texto foi todo construído a partir de uma sequência de substantivos que nos dão a ideia da rotina da
personagem. Diga, de maneira resumida, em uma única frase, qual é a rotina dela.

10. Na rotina da personagem, há uma atividade prejudicial à saúde que se repete várias vezes. Que atividade
é essa? Que substantivos são usados para representá-la?

11. É possível imaginar a profissão da personagem pelo encadeamento dos substantivos. Que tipo de
atividade provavelmente ela exerce?

12. Que relação é possível fazer entre o título e o modo como o texto inicia e termina?

13. Escreva um parágrafo sobre sua rotina, empregando apenas substantivos concretos. Não se esqueça de
atribuir um título a seu texto.
Página 101

LÍNGUA VIVA
Responda sempre no caderno.

O substantivo em classificados e poemas

1. Leia o poema.

Cidadezinha qualquer

Casas entre bananeiras


mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.


Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.

Devagar… as janelas olham.


Eta vida besta, meu Deus…

Carlos Drummond de Andrade. Alguma poesia. Rio de Janeiro: Record, 2001. Carlos Drummond de
Andrade © Graña Drummond www.carlosdrummond.com.br

Acervo PNBE

Fig. 1 (p. 101)


Andréa Vilela/ID/BR

a) Qual é o sentido que o uso do diminutivo atribui à palavra cidade?

b) A qual cidade o eu lírico se refere no poema?

c) Releia a primeira estrofe do poema. Qual é a função dos substantivos para a construção da imagem da
cidadezinha?

d) Copie o verso do poema em que um ser inanimado tem uma atitude humana.

e) Leia o último verso. Como é vista a vida na cidadezinha?

2. Leia o classificado ao lado.

Fig. 2 (p. 101)


Vende-se: Guarujá
Casa, 4 quartos, 2 suítes, vista para o mar, área para churrasco, piscina aquecida e sauna, garagem para 2 carros.
Contato Maurício: tel. (0xx13) 3232-0000.
ID/BR

a) A quem se dirige um classificado de imóveis?

b) Quais informações não podem faltar em um classificado para venda de uma casa?

c) Qual é a função dos substantivos neste texto?

3. Leia este poema de Vinicius de Moraes.

O elefantinho
Onde vais, elefantinho
Correndo pelo caminho
Assim tão desconsolado?
Andas perdido, bichinho
Espetaste o pé no espinho
Que sentes, pobre coitado?

– Estou com um medo danado


Encontrei um passarinho!

Vinicius de Moraes. Poesia completa e prosa de Vinicius de Moraes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2004. p.
368.

Acervo PNBE

Fig. 3 (p. 101)


Andréa Vilela/ID/BR

a) O que o eu lírico pensou ter acontecido com o elefantinho?

b) Por que o elefantinho estava correndo desconsolado?

c) O texto faz parte de um conjunto de poemas feitos para crianças. Qual é a relação entre o uso do
diminutivo e o leitor a que o poema se dirige?

ANOTE

O substantivo nomeia objetos e coisas que constituem o mundo. Entre suas funções, pode descrever e
caracterizar lugares e pessoas, como nos poemas e nos classificados, e pode condensar
informações de um texto.
Página 102

LEITURA 2
História em quadrinhos

O QUE VOCÊ VAI LER

Fig. 1 (p. 102)


Hergé (1907-1983), cartunista belga. Fotografia de 1979, Paris.
Bernard Charlon/Gamma-Rapho/Getty Images

Em 1929, Georges Remi, mais conhecido como Hergé, criou duas famosas personagens de histórias em
quadrinhos: Tintim e seu inseparável cachorro Milu. Tintim é uma espécie de repórter-detetive que se
envolve em aventuras extraordinárias em diversas regiões do mundo.

O trecho a seguir faz parte do livro A estrela misteriosa, história em quadrinhos em que Tintim fica intrigado
com o crescimento rápido de uma estrela. É uma história longa, que ocupa um livro de mais de 60 páginas.

Fig. 2 (p. 102)


Hergé/Dargaud-Lombard/Ipress
A ESTRELA MISTERIOSA
Q1: Que linda noite!
É mas que calor! Parece que estamos em pleno verão!
Q2: Uma estrela cadente! Rápido, Milu faça um pedido!
Em vez de fazer pedidos, você devia é olhar por onde anda!
Q3: Lá está a Ursa Maior.
Q4: Ué! Olhe só, Milu! Está vendo aquela estrela grande ali?
Qual delas?
Q5: Incrível! A Ursa Maior está com uma estrela a mais!
Que ursa é essa que você está vendo?
Q6: Uma estrela a mais na Ursa Maior! Não dá para acreditar!
Sabe Tintim, há milhões de estrelas no céu. Uma a mais, uma a menos...
Página 103

Fig. 1 (p. 103)


Hergé. A estrela misteriosa. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 1-2.
Hergé/Dargaud-Lombard/Ipress
Q1: Fiquei intrigado. Assim que chegarmos em casa, vou telefonar para o Observatório.
Q2: Alô? É do Observatório? É o seguinte: acabo de notar na Ursa Maior uma grande estrela, muito brilhante. O senhor poderia me dizer…
Pergunte para ele por que está fazendo tanto calor.
Q3: Alô? Como? Vocês estão estudando esse fenômeno? … Ah!… E… Alô?… Alô?… Alô? … Ué, desligaram!
?
Q4: Esquisito! Por que será que desligaram assim de repente? Carambola! Que calorão!
Q5: ?
Q6: Será que estou ficando doido? A estrela está maior do que agorinha há pouco!
Q7: Isso tudo está muito esquisito. Vou tirar essa história a limpo. E já! Venha, Milu. Vamos ao Observatório!
Q8:
Q9: […]
Página 104

Estudo do texto
Responda sempre no caderno.

Para entender o texto

1. Nos quadrinhos, podemos observar algumas características de Tintim e Milu. Descreva os aspectos físicos
e o jeito de ser das duas personagens.

2. Qual acontecimento desperta a atenção de Tintim?

3. O trecho da história que você leu pode ser dividido em três sequências de ações. Indique quais são essas
ações e em que espaços elas se desenrolam.

ANOTE

Nas histórias em quadrinhos, as personagens e a ação podem, muitas vezes, estar ambientadas em cenários
mais elaborados e cheios de detalhes.

Veja ao lado a cena de uma história de Asterix, personagem criada pelos franceses René Goscinny e Albert
Uderzo. As aventuras são ambientadas na Gália (antiga região um pouco maior que a atual França ocupada
pelos gauleses), no ano 50 a.C. Observe a riqueza de detalhes do cenário.

Fig. 1 (p. 104)


Record/Ipress
… E VAMOS VOLTAR A UMA PEQUENA ALDEIA GAULESA INUNDADA DE SOL.
MAS NÃO É POSSÍVEL!

4. Quando Tintim pergunta a Milu se ele está vendo a estrela, o cachorro diz: “Qual delas?”. A que Milu está
se referindo?

5. O autor dos quadrinhos utiliza recursos gráficos para expressar o que as personagens sentem. Cite dois
desses recursos empregados nos quadrinhos e explique o que eles representam.

6. No sétimo quadrinho, aparecem duas personagens andando na calçada em segundo plano. Como são essas
personagens?

7. Qual é o papel dessas personagens na história?

O texto e o leitor

1. Na história de Tintim aparecem vários elementos de suspense que buscam prender a atenção do leitor.

a) Que efeito as palavras do título provocam no leitor?

b) Reproduza as falas de Tintim que indicam a presença de um acontecimento misterioso e seu desejo de
descobrir o mistério.

c) A última imagem da sequência mostra uma silhueta. O que ela representa?

d) Qual é a função dessa imagem na história?

2. A história se passa à noite. Que relação pode ser feita entre o horário em que se passa a ação e o mistério
apresentado na história?
Página 105

ANOTE

Nas histórias em quadrinhos de aventura e mistério, a personagem principal enfrenta desafios para
chegar a seu objetivo. A narrativa é cheia de suspense, que é representado nas emoções e nos sentimentos
expressos nas falas das personagens e também nas descrições dos cenários da história.

3. O leitor da história de Tintim torce para que ele descubra o mistério da estrela, mas sabe que ele vai
enfrentar muitos obstáculos. O que, na história, mostra que Tintim terá de enfrentar problemas para
descobrir o mistério?

4. O que você imagina que estaria causando o calor intenso?

5. Depois de investigar o mistério, Tintim descobrirá o segredo da estrela. Qual você imagina que seja esse
segredo?

Comparação entre os textos

1. O primeiro texto do capítulo é uma história de humor da Turma do Xaxado, de Cedraz. O segundo é uma
história de aventura com Tintim e Milu, criada por Hergé. Em que aspectos as duas histórias se assemelham?

2. Aponte algumas diferenças entre as duas histórias em quadrinhos que você leu.

3. Você conheceu neste capítulo duas personagens de história em quadrinhos: Zé Pequeno e Tintim.

a) Quais são as semelhanças entre eles?

b) E as diferenças?

Sua opinião

1. As histórias em quadrinhos podem tratar de humor, de aventura, de super-heróis. Qual das histórias
apresenta assuntos mais próximos do seu cotidiano? Explique.

2. Os quadrinhos mostram situações próximas da realidade cotidiana e também podem remeter a um mundo
imaginário. De qual tipo de história você gostaria de ser personagem? Por quê?

3. Se você criasse um herói para viver em uma cidade como a sua, que características ele deveria ter? Com
qual personagem de quadrinhos (Xaxado, Garfield, Tintim, Super-Homem, etc.) ele deveria ser parecido? Por
quê?

Somos todos super-heróis?

Os super-heróis enfrentam obstáculos e usam suas melhores qualidades para vencê-los. De certa forma, eles
refletem nossos desejos e fantasias. Que capacidade mágica você gostaria de ter: possuir uma força
extraordinária, ficar invisível ou voar e se ver livre para fazer o que quiser? Por meio da fantasia, é possível
enfrentar o medo, os perigos e outros vilões.

Discuta com os colegas e o professor as seguintes questões:

I. Será que os super-heróis podem nos ajudar a nos conhecermos melhor?

II. Como fazer para desenvolver nossos próprios poderes e capacidades?


Página 106

PRODUÇÃO DE TEXTO
História em quadrinhos

AQUECIMENTO

A descrição do espaço da história é fundamental para a criação do suspense.

• Imagine uma cena em cada espaço a seguir. Como você descreveria esses lugares de modo a criar um clima
de suspense para a ação das personagens? Lembre-se das cores e dos objetos que podem produzir o
suspense.

a) Uma casa no campo.


b) Um hotel na praia.
c) Um apartamento na cidade.

• Escolha um dos lugares descritos e faça um desenho da cena que você criou.

Fig. 1 (p. 106)


Mirella Spinelli/ID/BR

Proposta

Você vai criar uma história em quadrinhos de aventura e mistério. Ela será feita em duas partes e distribuída
entre os alunos de outras turmas da escola. A primeira parte deverá terminar com uma cena de suspense, e a
segunda trará a resolução do mistério. A criação da história pode ser feita em duplas.

Leia o e-mail a seguir. Ele traz o mistério que precisa ser desvendado.

Fig. 2 (p. 106)


ID/BR
Nova mensagem
Arquivo Editar Exibir Inserir Formatar Ferramentas Mensagem Ajuda
Enviar Recortar Copiar Colar Desfazer Verificar Verificar ortografia Anexar Imprimir
Para: julio@email.com.br
Assunto: Entrega de material
ABC
Júlio
Encontrei uma caixa na garagem da minha casa com um livro de fotografias e uma carta endereçada a você. Não sei do que se trata, nem quem
poderia ser o autor da mensagem.
Gostaria de encontrá-lo para entregar o material. Poderia ser perto de casa. Há uma praça tranquila ao lado do hospital.
Qual seria o melhor dia para o encontro?
Aguardo a sua resposta.
Lucas

Planejamento e elaboração do texto

1. Com um colega, observe os itens para criar uma história em quadrinhos.

a) Quem serão as personagens da história?


b) Em que espaços a história acontecerá?
c) O que acontecerá no encontro? Qual é o mistério a ser revelado?
d) Como o suspense será representado no cenário?
e) Qual é o suspense que encerrará a primeira parte?
f) Como o mistério será resolvido?
Página 107

2. Escreva com o colega um resumo da história.

3. Dividam a história em duas partes. Lembrem-se de que a primeira deve terminar com um suspense.

4. Para produzir sua história em quadrinhos, é importante organizar as partes da história. Discuta com o
colega os detalhes da narrativa.

Primeira parte da história


Personagens Quais são suas características?
Ação O que as personagens vão fazer?
Mistério Descrições da caixa e motivo pelo qual estava na garagem de Lucas. Elementos do e-mail.
Suspense Descrição da praça e criação de um clima de suspense para o encontro das personagens.
ID/BR
Segunda parte da história
O encontro As ações das personagens devem contribuir para o clima de suspense.
Revelação do segredo
Resolução do suspense
ID/BR

5. Desenhem sua história. Se preferirem, podem usar colagens.

6. Deem um título que sugira o mistério da história.

Avaliação e reescrita do texto

1. Para avaliar a sua produção de texto, observem os aspectos a seguir.

a) Há um mistério a ser revelado?


b) O mistério foi solucionado de um modo convincente?
c) O título desperta a curiosidade do leitor?
d) Foram usados recursos gráficos para enfatizar as emoções ou os movimentos das personagens?
e) Os espaços e o texto apresentam elementos que criam suspense e mistério?

2. Após avaliar a história em quadrinhos, façam as alterações necessárias.

3. Depois de pronta, a primeira parte da história será distribuída em uma data combinada com o professor.
Após alguns dias, a segunda parte será entregue e os leitores descobrirão o segredo da história.

Dicas de como distribuir as histórias em quadrinhos entre os colegas

• Cada dupla deverá passar a limpo a sua história em uma folha de papel sulfite.
• Lembrem-se de colocar uma capa na história e indicar que haverá a continuação da aventura em outra
parte.
• Combinem o dia da distribuição dos quadrinhos com o professor.
• Avisem a data da entrega da segunda parte da história para os alunos que receberam a primeira parte.

Fig. 1 (p. 107)


Mirella Spinelli/ID/BR
Página 108

REFLEXÃO LINGUÍSTICA
O substantivo e suas flexões

Flexão de gênero

1. Leia com atenção a tira a seguir.

Fig. 1 (p. 108)


Charles M. Schulz. A vida é um jogo. São Paulo: Conrad, 2004. p. 113.
2008 United Media/Ipress
Q1: PEGUEI! PEGUEI!
PEGUE, LUCY. E SERÁ UM HERÓI
Q2: HEROÍNA!
O QUÊ?
Q3: HEROÍNA! HEROÍNA É O FEMININO!
Q4: HERÓI É MASCULINO E HEROÍNA É FEMININO!
Q5: QUANDO EU PEGAR A BOLA SEREI UMA HEROÍNA!
Q6: VOCÊ NÃO SABE DE NADA, NÃO É MESMO, CHARLIE BROWN?
"SUSPIRO"

Charlie Brown e Lucy estão jogando beisebol, mas repentinamente a partida é interrompida.

a) Por que Lucy deixa a bola cair no momento decisivo da partida?

b) O que ela explica a Charlie Brown?

c) Você considera que a fala de Lucy no último quadrinho foi adequada? O que você teria feito no lugar dela?

Quando escolhemos colocar uma palavra no masculino ou no feminino, estamos fazendo uma flexão de
gênero.

ANOTE

Na língua portuguesa, os substantivos admitem dois gêneros: masculino e feminino.

Pertencem ao gênero masculino os substantivos que podem ser antecedidos pela palavra o. Exemplos: o
jogo, o menino, o boné.

Pertencem ao gênero feminino os substantivos que podem ser antecedidos pela palavra a. Exemplos: a
menina, a luva, a bola.

Substantivos biformes são aqueles que apresentam uma forma para o masculino e outra para o feminino,
como ocorre nos exemplos a seguir.

Masculino Feminino
o homem a mulher
o garoto a garota
o ator a atriz
ID/BR
Página 109

Substantivos uniformes são aqueles que podem designar tanto o gênero masculino como o feminino. Veja
como eles podem ser classificados.

• Epicenos: substantivos que nomeiam animais, havendo um só gênero para indicar um e outro sexo.
Exemplos: o peixe, o passarinho, a borboleta, a cobra. Quando há necessidade de especificar o sexo, juntam-
se as palavras macho ou fêmea, após o substantivo, como nos exemplos a seguir.

Masculino Feminino
o rouxinol macho o rouxinol fêmea
a tartaruga macho a tartaruga fêmea
ID/BR

Relacionando

A utilização dos substantivos homem e mulher (ou dos sinônimos em inglês man e woman) para nomear
personagens de histórias em quadrinhos é bastante comum. Exemplos: Super-Homem, Mulher
Maravilha, Batman, Homem-Borracha, Mulher Invisível, Sandman, Mulher-Gato, Homem-Aranha, Homem
de Ferro.

• Sobrecomuns: substantivos que designam tanto a pessoa de sexo masculino como a pessoa de sexo
feminino. Exemplos: a criança, a vítima, a pessoa, o ser, o indivíduo, o carrasco.

• Comuns de dois gêneros: substantivos que apresentam uma única forma tanto para o masculino como
para o feminino. Exemplos: o/a adolescente, o/a turista, o/a dentista, o/a paciente.

2. Observe o título e o parágrafo inicial da notícia a seguir.

Desempregado faz bicos em várias profissões e posta experiência na web

Luccas Longo, de Piracicaba, foi demitido de colégio após seis anos. “Ficar na deprê nunca
passou pela minha cabeça”, afirmou o biólogo.

Ele já foi palhaço, ascensorista, flanelinha, empacotador, motoboy, padeiro, camelô e entregador. Uma
semana após perder o emprego, o biólogo piracicabano Luccas Longo, de 37 anos, resolveu vivenciar uma
nova profissão a cada dia e retratou as experiências em uma série ficcional na internet. Por incentivo de um
amigo, ele decidiu postar os bicos realizados na tentativa de conseguir um novo emprego e de ajudar outras
pessoas por meio da valorização de funções pouco lembradas. […]

Disponível em: <http://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2015/01/desempregado-faz-bicos-


emvarias-profissoes-e-posta-experiencia-na-web.html>. Acesso em: 10 jan. 2015.

Fig. 1 (p. 109)


Luccas Longo/Acervo pessoal

Copie e complete o quadro abaixo indicando a forma de substantivos retirados do texto no feminino e sua
classificação quanto ao gênero.

Masculino Feminino Classificação


o desempregado
o biólogo
o palhaço
o ascensorista
o flanelinha
o empacotador
Masculino Feminino Classificação
o padeiro
o camelô
o entregador
ID/BR
Página 110

Flexão de número

Quanto ao número, os substantivos podem ser flexionados de dois modos.

• No singular, quando indicam um único ser ou um conjunto de seres, como cidade, estação, ramalhete,
povo, monumento, ave, torcida.

• No plural, quando indicam mais de um ser ou mais de um conjunto de seres, como cidades, estações,
ramalhetes, povos, monumentos, aves, torcidas.

A formação do plural ocorre, em geral, com o acréscimo da letra s ao final dos substantivos. Alguns
substantivos, porém, formam o plural de diferentes maneiras, de acordo com a terminação da palavra.

ANOTE

Plural dos substantivos

• Substantivos terminados em -r, -s, -z formam o plural acrescentando -es.

colher → colheres país → países cruz → cruzes

• Substantivos terminados em -al, -el, -ol, -ul formam o plural substituindo -l por -is.

vendaval → vendavais papel → papéis

lençol → lençóis azul → azuis

• Substantivos oxítonos terminados em -il formam o plural substituindo -l por -s.

barril → barris funil → funis

• Substantivos paroxítonos terminados em -il formam o plural substituindo -il por -eis.

réptil → répteis míssil → mísseis

• Substantivos terminados em -m formam o plural substituindo -m por -ns:

homem → homens refém → reféns

• Substantivos terminados em -ão formam o plural de três maneiras:

a) acrescentando -s.

chão → chãos cidadão → cidadãos

b) substituindo -ão por -ães.

pão → pães alemão → alemães

c) substituindo -ão por -ões.

balão → balões tubarão → tubarões

• Substantivos terminados em -zinho: os dois elementos que formam a palavra vão para o plural,
desaparecendo o s plural do substantivo.

animalzinho = animal + zinho → animaizinhos

papelzinho = papel + zinho → papeizinhos


• Substantivos paroxítonos ou proparoxítonos terminados em -s ou -x são invariáveis no plural.

o ônibus → os ônibus o lápis → os lápis o tórax → os tórax


Página 111

Flexão de grau

3. Observe, a seguir, a tira de Calvin e Haroldo.

Fig. 1 (p. 111)


Calvin, de Bill Watterson
© 1995 Watterson/Dist. by Universal Uclick
Q1: AI, AI, UI, UI
Q2: EU TÔ COM UM DODOIZÃO NO DEDINHO.
PUXA, QUE CHATO.
Q3: QUANDO SUAS QUEIXAS SOAM BONITINHAS, VOCÊ NÃO CONQUISTA MUITA SOLIDARIEDADE.

a) O que indica o substantivo dodoizão em relação a dodói? E o substantivo dedinho em relação a dedo?

b) Como se diz, com apenas uma palavra, dodói pequeno? E dedo grande?

c) Por que a mãe de Calvin não deu atenção à queixa do filho?

d) As palavras dodoizão e dedinho têm sentido literal quando usadas por Calvin na história em quadrinhos?
Explique sua resposta.

A flexão de grau ocorre quando são assinaladas as variações de tamanho dos seres. Os substantivos
apresentam-se em três graus.

• Grau normal: bola, peixe, cachorro.

• Grau aumentativo: bolona, peixão, cachorrão.

• Grau diminutivo: bolinha, peixinho, cachorrinho.

Em geral, para assinalar o grau diminutivo, acrescentam-se aos substantivos as terminações -inho/-inha ou
-zinho/-zinha. Para marcar o aumentativo, na maioria das vezes, acrescenta-se a terminação -ão/-ona. No
entanto, a flexão de grau dos substantivos pode ser também indicada de outras formas. Observe o trecho do
conto “Boa de garfo”, de Luiz Vilela.

[...] A fera, que estava junto ao homem, era um cachorro fila, rajado, de um tamanho que eu nunca tinha
visto na vida: um cachorro enorme. A gente ficava frio só de olhar para ele – aquela cabeçona com as
beiçorras dependuradas. [...]

Luiz Vilela. Boa de garfo e outros contos. São Paulo: Saraiva, 2000.

Acervo PNBE

No texto é descrito um cachorro enorme, que assustava com sua grande cabeça – cabeçona – e seus grandes
beiços – beiçorras. Veja outros exemplos.

Grau normal Grau diminutivo Grau aumentativo


forno forninho fornalha
casa casinha, casebre casão, casarão
pedra pedrinha, pedrisco pedregão
ID/BR

Podemos também assinalar o grau aumentativo ou diminutivo de substantivos conforme os exemplos a


seguir.

Grau normal Grau diminutivo Grau aumentativo


peixe peixe pequeno peixe grande
Grau normal Grau diminutivo Grau aumentativo
bola bola pequena bola grande
ID/BR
Página 112

REFLEXÃO LINGUÍSTICA Na prática

Responda sempre no caderno.

1. Sabemos que os traços das personagens dos quadrinhos às vezes são bem exagerados.

a) Observe a figura de Ozzy e escreva os substantivos do quadro que descrevem bem o seu rosto.

Fig. 1 (p. 112)


Angeli. Ozzy 1: Caramba! Mas que garoto rabugento! São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 7.
Angeli/Acervo do artista
AH, NÃO! COM ESSE CABELO DESPENTEADO, VOCÊ NÃO VAI A LUGAR NENHUM!
MAS, ESTA LEGAL!

narizinho boca narigão

bocarra cabelinhos nariz

boquinha cabelos cabelões

b) Indique a flexão de grau dos substantivos que você escolheu.

2. Leia a tira.

Fig. 2 (p. 112)


Garfield, de Jim Davis.
2006 Paws, Inc. All Rights Reserved/ Dist. by Universal Uclick
Q1: OLHA SÓ, GARFIELD... EU FIZ HOMENZINHOS DE PÃO DE GENGIBRE!
Q2: NÃO SÃO UMAS GRACINHAS?
SIM
Q3: GRACINHAS DEMAIS PARA VIVER.

Observe que, no primeiro quadrinho, Jon se refere aos biscoitos como “homenzinhos de pão de gengibre”.

a) Quais são os substantivos presentes nessa expressão?

b) Indique as flexões de gênero, de número e de grau do substantivo homenzinhos.

c) Que palavra foi usada para fazer referência aos biscoitos no segundo quadrinho? O que ela indica sobre a
atitude de Jon em relação aos biscoitos?

d) Garfield compartilha da opinião de Jon? Explique.

3. Leia o texto e responda às questões.

Nos desenhos animados, as miragens sempre são visões elaboradas de oásis tropicais cheios de
palmeiras e lindas piscinas. Elas aparecem no deserto seco de repente e, então, desaparecem no momento
exato em que o herói, já castigado pelo Sol, iria dar um mergulho. Esse tipo de ilusão não tem nada de real,
claro, mas as miragens existem sim, e podem fazê-lo ver água onde ela não existe. Em locais quentes, você
as vê pela estrada o tempo todo.

[…]

Tom Harris. Como funcionam as miragens. Disponível em: <http://ciencia.hsw.uol.com.br/miragem.htm>.


Acesso em: 10 jan. 2015.

Fig. 3 (p. 112)


Miragem no deserto, Namíbia. Fotografia de 2012.
Peter Turner/Stone/Getty Images

a) O texto fala de dois tipos de miragem. Indique quais são eles.


b) Observe os substantivos em destaque no texto e agrupe-os de acordo com a regra que eles seguem para a
formação no plural. Indique quais são essas regras.

c) Agrupe os substantivos destacados no texto em masculinos e femininos.


Página 113

LÍNGUA VIVA
Responda sempre no caderno.

O valor semântico da flexão dos substantivos

1. Leia a tira.

Fig. 1 (p. 113)


Fernando Gonsales. Níquel Náusea: botando os bofes de fora. São Paulo: Devir, 2002. p. 26.
Fernando Gonsales/Acervo do artista
Q1: VAMOS! ME DÊ SUA PATINHA!
Q2: BAF
Q3: CACHORRINHO OBEDIENTE‼

a) Qual era a expectativa do homem ao fazer o pedido ao cachorro?

b) No segundo quadrinho, há uma onomatopeia. O que ela representa?

c) A palavra obediente, que acompanha o substantivo cachorrinho, caracteriza adequadamente a ação


realizada pelo cachorro? Explique.

2. Que ideia o uso do diminutivo patinha expressa no primeiro quadrinho?

3. Releia o terceiro quadrinho. Que diferença de sentido há entre o uso do diminutivo nos substantivos
patinha e cachorrinho?

4. Observe a exclamação de Tintim neste quadrinho de A estrela misteriosa.

Fig. 2 (p. 113)


Hergé/Dargaud-Lombard/Ipress
Esquisito! Por que será que desligaram assim, de repente? Carambola! Que calorão!

a) Que palavra da fala de Tintim está no grau aumentativo?

b) Que sentido o uso do aumentativo acrescenta a esse substantivo?

5. Crie diálogos utilizando os substantivos abaixo. Observe que eles devem expressar emoções e sentimentos.

a) amigão
b) comidinha
c) timeco
d) gentinha
e) sujeitinho

ANOTE

Nem sempre o grau dos substantivos indica variação de tamanho. Os substantivos no grau aumentativo e
no grau diminutivo, quando usados em contextos específicos, podem expressar afeto, carinho, desprezo,
zombaria, ironia ou outros tipos de emoção e sentimento.

Dizer que as pessoas dão um jeitinho para obter benefícios ou que em determinado lugar só havia gentalha,
por exemplo, é uma maneira de falar que demonstra um sentimento de desprezo e que não tem nenhuma
relação com tamanho.
Página 114

QUESTÕES DA ESCRITA
Responda sempre no caderno.

Separação de sílabas

1. Leia a seguir o início do capítulo de um livro que trata da adolescência.

Labirinto

Sábado. Dia de ligar pros amigos e combinar de sair, ver algum filme no cinema […]. Ou seja, um dia perfeito.

Mas aquele dia não era um sábado do tipo ó-ti-mo, como diria a Karen. Na verdade, era um pé-ssi-mo.
Opa, quero dizer, pés-si-mo!

Minha cota de amigos estava zerada. Depois da gelada que levei das “mylletes” fiquei isolada e até meio
deprê. Imagina só: em pleno sábado eu não sabia pra quem ligar nem pra onde ir. Só sabia que precisava
fazer alguma coisa!

Fabrício Waltrick. De que tribo eu sou? São Paulo: Escala Educacional, 2005. p. 26.

Fig. 1 (p. 114)


Andréa Vilela/ID/BR

a) Que tipo de linguagem é possível notar nesse texto?

b) Por que as sílabas de ótimo e péssimo foram separadas?

c) Por que a narradora se corrige na frase “… quero dizer, pés-si-mo!”?

d) Em que situações é preciso saber como separar as sílabas de uma palavra?

Regras de separação de sílabas

Para separar as sílabas de uma palavra da língua portuguesa, em geral, basta observar o modo como a lemos,
mas há alguns casos que costumam gerar dúvidas. Para esses casos, foram criadas certas regras.

Ficam na mesma sílaba

• Encontros consonantais cuja segunda letra é r ou l → pe-dra; ré-pli-ca


• Vogais de ditongos e tritongos → jei-to; co-lé-gio; U-ru-guai
• Dígrafos ch, lh, nh → cha-ve; bo-lha; ni-nho

Ficam em sílabas separadas

• Vogais que formam hiatos → co-e-lho; ra-i-nha


• Dígrafos rr, ss, sc, sç, xc → bar-ra; mas-sa; cres-cer; des-ça; ex-ce-ção
• Consoantes seguidas, mas em sílabas diferentes → ab-do-me; bis-ne-to

2. Leia a tira de Níquel Náusea, de Fernando Gonsales.

Fig. 2 (p. 114)


Fernando Gonsales/Acervo do artista
Fernando Gonsales. Níquel Náusea: tédio no chiqueiro. São Paulo: Devir, 2006. p. 40.
Q1: ESSA É A NOVA ISCA ARTIFICIAL AMBERFICH
Q2: ELA TEM FORMATO APETITOSO E AINDA EMITE UM SOM E UM CHEIRO IR-RE-SIS-TÍ-VEIS!
Q3:

a) Por que o pescador separa a palavra irresistíveis ao pronunciá-la?


b) Como essa separação de sílabas ajuda a explicar o que acontece no último quadrinho?
Página 115

3. Observe a tira.

Fig. 1 (p. 115)


Fernando Gonsales/Acervo do artista
Fernando Gonsales. Níquel Náusea: com mil demônios!!. São Paulo: Devir, 2002. p. 26.
Q1: LEITE É ÓTIMO PARA PELE!
Q2: EU ATÉ LAVO MEUS PÉS COM LEITE!
QUE DESPERDÍCIO!
Q3: QUE NADA ! DEPOIS EU REAPROVEITO O LEITE!

a) Nessa tira, uma das personagens muda repentinamente seu comportamento. Que personagem é essa?
Como ela se apresenta no início e no final?

b) A que se deve essa mudança repentina?

c) Em um dos balões aparece uma palavra com uma das sílabas separadas.

Copie-a, separando todas as sílabas, e explique o motivo da separação.

d) Separe também as sílabas das seguintes palavras utilizadas nos balões: leite, ótimo, depois, reaproveito.

Entreletras

Stop

1. A turma será dividida em seis grupos. Cada grupo deverá completar uma tabela com substantivos.

2. Faça uma tabela com colunas de seis categorias de substantivos. Por exemplo: nome de pessoa, de país, de
animal, de carro, de fruta, de profissão, de objeto.

3. Para iniciar o jogo, será sorteada uma letra do alfabeto. Cada grupo deve completar a coluna com palavras
iniciadas pela letra sorteada.

4. O participante que terminar de completar primeiro todas as colunas diz “stop”. Cada palavra que foi
escrita até esse momento vale 10 pontos. Se houver palavras repetidas entre os jogadores, elas valerão 5
pontos. Ao final de cada rodada, cada jogador soma quantos pontos fez.

5. No final do jogo, ganha o grupo que fizer mais pontos.

Fig. 2 (p. 115)


Andréa Vilela/ID/BR

PARA SABER MAIS

Livros

1000 tiras em quadrinhos, de Antonio Cedraz. Editora Martin Claret.

Fig. 3 (p. 115)


Martin Claret/Arquivo da editora
1000 tiras em quadrinhos

Irmãos pretos, de Lisa Tetzner. Edições SM.


Acervo PNBE

Fig. 4 (p. 115)


Edições SM/Arquivo da editora
Irmãos pretos

Filmes
Asterix e os Vikings. Direção: Stefan Fjeldmark e Jesper Moller. França, 2006.

Fig. 5 (p. 115)


Focus Filmes/Ipress
Asterix e os Vikings

Guardiões da Galáxia. Direção: James Gunn. EUA, 2014.

Fig. 6 (p. 115)


Marvel/ID/BR
GUARDIÕES DA GALÁXIA
Página 116

ATIVIDADES GLOBAIS

REFLEXÃO LINGUÍSTICA

Responda sempre no caderno.

1. Leia esta tira.

Fig. 1 (p. 116)


1979 Paws, Inc. All Rights Reserved/Dist. by Universal Uclick
Jim Davis. Garfield de bom humor. Porto Alegre: L&PM, 2006. p. 28.
Q1: QUE TAL UM LEITINHO QUENTE PRO GATINHO LINDO?
Q2: QUE TAL UM BANHOZINHO DE LEITE NO MARMANJO?
Q3: JAMAIS TRATE UM GATO COMO UM IMBECIL.

a) Identifique os substantivos em grau diminutivo que aparecem na tira e copie-os.

b) Com que intenção Jon utilizou esses substantivos ao oferecer o leite para Garfield?

c) O diminutivo que aparece na resposta de Garfield é usado com essa mesma intenção? Justifique sua
resposta.

d) O que o uso do substantivo marmanjo, que aparece no pensamento de Garfield, explica sobre a atitude do
gato?

2. Agora leia a tira do Calvin.

Fig. 2 (p. 116)


Calvin, de Bill Watterson.
© 1990 Watterson/Dist. by Universal Uclick
Q1: CALVIN EU…
IAU‼ VOCÊ CHEGOU E EU NEM ACABEI DE FAZER A … QUER DIZER…
Q2: MENTIRA! É TUDO MENTIRA! A D. HERMENGARDA NÃO GOSTA DE MIM. ELA ODEIA GAROTINHOS! EU NÃO FIZ NADA! NÃO É CULPA MINHA!
Q3: ELA TE FALOU DO MACARRÃO, NÃO FOI? NÃO FUI EU! NINGUÉM ME VIU! É UMA ARMAÇÃO! EU NUNCA FARIA UMA COISA DAQUELAS. ESTOU
TE DIZENTO, EU SOU INOCENTE!
Q4: QUE MACARRÃO
HUM… HEIN? RÁ, RÁ, RÁ! EU DISSE "MACARRÃO"? VOCÊ DEVE TER OUVIDO ERRADO. EU NÃO FALEI "MACARRÃO".

a) Por que, no último quadrinho, Calvin diz não ter falado a palavra macarrão?

b) O que você acha que Calvin fez de errado?

c) No segundo quadrinho, Calvin fala: “Ela odeia garotinhos!”. O que o diminutivo expressa nessa frase?

d) Qual é o gênero do substantivo inocente, usado no terceiro quadrinho?

e) Quais substantivos próprios aparecem na tira?

f) O substantivo armação é derivado de qual palavra?

3. Leia o trecho de uma crítica sobre a criação da personagem Pelezinho.

As Tiras Clássicas do Pelezinho – Crítica

Nem nos anos 1970 nem hoje havia de se esperar menos da fusão entre o maior futebolista e o maior
cartunista de nosso país. Há quase 40 anos, depois de diversas conversas, negociações e planejamentos, Pelé
e Mauricio de Sousa puseram no papel o Pelezinho, personagem fruto da mistura da genialidade de cada um
dos dois. [...]

Disponível em: <http://pipocaenanquim.com.br/sem-categoria/as-tiras-classicas-do-pelezinho-critica/>.


Acesso em: 27 fev. 2015.
a) Que substantivos do texto acima aparecem no diminutivo. E no aumentativo?

b) O que a variação de grau expressa nesses casos?


Página 117

O que você aprendeu neste capítulo

História em quadrinhos

• Personagens de quadrinhos: são reconhecidas por suas características físicas, pelo que usam e pelo
modo como se vestem, por seu comportamento e por suas atitudes.

• Sequência de quadrinhos: cria um efeito de passagem do tempo e de movimentação das personagens.

• Balões: são recursos gráficos que servem para indicar ao leitor falas, pensamentos e sentimentos das
personagens.

• Destaque de palavra: é um recurso usado para expressar os sentimentos das personagens. Podem-se
usar o negrito, as maiúsculas, os diversos tamanhos, etc.

• Recursos gráficos: as linhas de movimento dão dinamismo às personagens.

• Onomatopeia: recurso linguístico usado para representar diversos tipos de sons.

• Espaço da ação: nas histórias em quadrinhos de suspense, o cenário contribui para reforçar o suspense
da narrativa.

Substantivo

• Próprio: dá nome a um ser em particular.

• Comum: nomeia todos os seres de uma espécie ou todos os elementos de um grupo.

• Concreto: dá nome a seres e fenômenos reais ou considerados reais.

• Abstrato: nomeia sentimentos, noções, sensações, qualidades ou ações.

• Simples: formado por apenas uma palavra.

• Composto: formado por mais de uma palavra, ligadas ou não por hífen.

• Primitivo: dá origem a outras palavras.

• Derivado: origina-se de outra palavra.

• Coletivo: indica um conjunto de seres ou coisas da mesma espécie.

Flexão dos substantivos

• Flexão de gênero: indica se o substantivo é masculino ou feminino.

• Flexão de número: refere-se ao singular e ao plural dos substantivos.

• Flexão de grau: indica, em geral, a variação de tamanho dos seres. É usada também para indicar valores
afetivos da pessoa que fala em relação ao que está sendo nomeado ou intensificar o sentido de uma palavra.

Separação de sílabas

• Casos especiais de separação de sílabas envolvendo encontros consonantais, ditongos, tritongos, hiatos,
dígrafos e consoantes seguidas.

Autoavaliação

Para fazer a autoavaliação, releia o quadro O que você aprendeu neste capítulo.
• Cite as informações importantes que você adquiriu neste capítulo sobre histórias em quadrinhos.

• Como você avalia sua produção da história em quadrinhos? Explique.

• Quais foram os aspectos positivos do seu trabalho em dupla na produção da história em quadrinhos?

• O que você precisa melhorar nos seus trabalhos em dupla?

• O que você precisa estudar mais sobre substantivos e separação de sílabas?


Página 118

INTERLIGADOS
E agora… a festa do Bumba-meu-boi!

A festa do Bumba-meu-boi é um festejo popular criado há muitos anos com base em uma história passada de
geração a geração. Essa história é brincada de diversas maneiras, conforme o grupo que a apresenta. Na
brincadeira do Bumba-meu-boi são usadas várias linguagens, como a dança, a música e a encenação.

Neste projeto, vocês vão apresentar a brincadeira do Bumba-meu-boi para outras turmas, professores,
funcionários, pais e outros convidados.

Fig. 1 (p. 118)


Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

Objetivos

• Apresentar a brincadeira do Bumba-meu-boi.

• Aprender sobre a cultura popular das regiões Norte e Nordeste do Brasil.

Planejamento

Organização e apresentação

Para a apresentação da brincadeira do Bumba-meu-boi, a turma será dividida em dois grupos. Cada grupo
vai apresentar a história com toadas (músicas) que vão guiar a apresentação. A toada cantada serve como
pano de fundo durante a apresentação, ou seja, ao mesmo tempo que ela alegrará a festa, contará a história
do boi e das personagens. Geralmente, a toada tem um tema que se mistura à história e pode abordar
sentimentos, elogios a pessoas queridas pelo grupo, sustentabilidade, questões sociais e outros assuntos da
atualidade. Cada grupo deverá escolher um tema para a sua toada.

Material

• Roupas para compor as personagens da história.

• Adereços para caracterizar as roupas das personagens.

• Um aparelho de CD e um CD com as toadas.

Pesquisa do tema

Para organizar a apresentação, vocês vão precisar saber mais sobre a festa do Bumba-meu-boi. Para isso,
serão acionados os conhecimentos aprendidos nas aulas de História, Geografia, Arte e Língua Portuguesa.
Sigam estes passos para realizar a pesquisa.

• Primeiramente, vocês deverão pesquisar sobre as regiões em que essa manifestação cultural ocorre. A
pesquisa pode ser orientada por estas questões:

• Onde se originou a festa do Bumba-meu-boi? Como e quando ela surgiu?

• Quais são as características geográficas dessas regiões? Qual é a relação dessas características com a
história do Bumba-meu-boi?

• Na atualidade, em quais regiões do Brasil ocorre essa festa? Em que local ela costuma acontecer (na cidade,
em fazendas, em locais próprios, etc.)?

• Qual é a população predominante dessas regiões? Toda a população da cidade participa da festa ou somente
parte dela?
• Em seguida, é necessário pesquisar a história que é contada na apresentação.

• Qual é a história contada durante a apresentação?

• Em que período essa história surgiu e por quê? Ela aconteceu realmente?

• Existe apenas uma versão da história ou existem várias delas?

• Quais personagens participam dessa história? Hoje em dia ainda existem pessoas na vida real que são como
essas personagens?

• Em que época do ano a festa do Bumba-meu-boi é realizada?


Página 119

• Depois de pesquisada a história do Bumba-meu-boi que será encenada pelo grupo, vocês precisarão definir
a toada que guiará a apresentação.

• Verifiquem se há palavras que vocês desconhecem, pois os textos pesquisados podem ter expressões
desconhecidas por serem próprias de outras regiões. Faça um levantamento de expressões que são próprias
das regiões onde a festa acontece. Use essas palavras na composição de sua toada.

• Vocês poderão pesquisar algumas toadas dessas festas na internet.

• Para organizar a festa do boi com a turma, será preciso pesquisar as características das produções artísticas
da região, que indicarão também as características dos adereços que serão produzidos. De acordo com a
pesquisa realizada, reproduza as personagens que participam dela, com suas vestimentas, danças e
encenações, recontando do jeito de vocês essa história.

Procedimentos

Material para figurinos e adereços

• Depois de feita a pesquisa, iniciem, com o auxílio do professor, a produção e escolha das roupas que as
personagens vão utilizar. Elas poderão ser adaptações das roupas que vocês já têm em casa.

• Para a confecção do boi, será necessária uma pesquisa na internet e o auxílio do professor. O boi poderá ser
confeccionado com caixas de papelão, com tecidos cobrindo um bambolê que ficará preso com tiras de panos
como suspensórios, etc. O tecido poderá ser decorado com pedras coloridas, bolinhas de papel, figuras feitas
com papel laminado, pintado, com purpurina, lantejoulas e colados à roupa.

• O figurino das outras personagens da história (vaqueiros, donos da fazenda, curandeiros, etc.) pode ser
sugerido pelos próprios atores a partir dos estudos feitos das características da região onde acontece a festa.

Organização para os ensaios

• Para realizar a festa, é preciso dividir a turma, buscando aqueles com maior interesse para a
interpretação/dança, que serão as personagens principais e coadjuvantes da história, e aqueles que
participarão como figurantes.

• Os alunos que não forem atuar poderão ficar responsáveis pela confecção dos adornos e adereços das
roupas e pelo som da apresentação.

• Quando estiverem com tudo pronto e ensaiado, escolham outra turma da escola para fazer um ensaio geral
para “aquecer os motores” para a apresentação final. Peçam aos colegas que façam observações, a fim de
ajudá-los a fazer ajustes.

Compartilhamento

A apresentação da brincadeira do Bumba-meu-boi é um excelente momento para mostrar o trabalho


realizado e ainda levar conhecimento sobre outras culturas para a comunidade escolar, pais e amigos.
Combinem com o professor um dia para a apresentação. Convidem os pais, colegas e pessoas do seu entorno
para assistir à apresentação.

Avaliação

Após a apresentação, avaliem a participação de vocês na produção da brincadeira.

• A pesquisa realizada ajudou a conhecer a história e a cultura de Bumba-meu-boi e a importância dessa


manifestação cultural?

• A apresentação teve uma boa recepção por parte das pessoas que a assistiram?

• Em uma próxima apresentação, você faria algo de outra maneira? O quê?


Fig. 1 (p. 119)
Marcos Guilherme/ID/BR
Página 120

CAPÍTULO 4 - Notícia
CONVERSE COM OS COLEGAS

1. Observe a fotografia ao lado.

Fig. 1 (p. 120)


Coletivo PI. Entre saltos, São Paulo. Fotografia de 2014.
Eduardo Bernardino/Coletivo PI

a) Na foto, é possível observar pessoas realizando várias atividades. Qual dessas atividades está em destaque
na imagem?

b) Quais são as outras atividades registradas na foto?

2. Observando as pessoas retratadas no plano principal da fotografia, responda:

a) Que características essas pessoas têm em comum?

b) O que as pessoas em destaque na imagem parecem estar fazendo?

c) Qual é o sentimento, o estado de espírito que essas pessoas expressam?

3. Por que será que algumas pessoas estão interessadas em fotografar a atividade apresentada em primeiro
plano?

4. A fotografia apresentada foi feita na praça Roosevelt, localizada na região central da cidade de São Paulo.
Essa praça é conhecida por ser um espaço cultural. Imagine que você é um jornalista e tem de noticiar o
evento apresentado na foto. Que tipos de informação vão constar em sua notícia?

5. As fotografias que ilustram as notícias costumam vir acompanhadas de um texto bem curto chamado
legenda. Crie uma legenda que explique o que as pessoas retratadas no primeiro plano da fotografia estão
realizando.

6. Todas as notícias publicadas nos jornais têm um título, que deve ser escrito com a menor quantidade
possível de palavras, ser bem claro, atrair a atenção imediata do leitor e instigá-lo a ler o texto da notícia. Que
título você daria para uma notícia relacionada a essa fotografia?

Vários fatos ocorrem todos os dias no mundo, e alguns deles tornam-se de conhecimento público ao serem
veiculados em jornais. O gênero que apresenta os fatos no jornal é a notícia. Cada jornal seleciona as
notícias que vai divulgar de acordo com seu público.

Neste capítulo, serão estudadas as principais características da notícia e os recursos utilizados para registrar
os fatos.
Página 121

O que você vai aprender

• Características principais da notícia


• Estrutura da notícia
• Adjetivo: classificação e flexões
• Sílaba tônica e acentuação das oxítonas e das proparoxítonas
Página 122

LEITURA 1
Notícia

O QUE VOCÊ VAI LER

A notícia que você vai ler foi publicada no jornal on-line A crítica, em 2 de fevereiro de 2014. Esse veículo é
voltado a leitores do estado do Amazonas.

O texto relata uma ação planejada por profissionais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama), em Manaus (AM). Com base no título da notícia, crie hipóteses sobre o porquê
dessa iniciativa. Depois, leia todo o texto.

Animais órfãos adotam brinquedos para simular aconchego de mãe

Estratégia já era utilizada em outros estados como São Paulo e Rio de Janeiro e
profissionais do Ibama em Manaus aprovaram método. Segundo bióloga, pequenos se
agarram ao objeto de maneira única

Fig. 1 (p. 122)


A pequena preguiça agarrada a um boneco doado: ao se sentirem confiantes, eles vão deixando de ter contato
direto com a pelúcia, assim como acontece com a mãe.
Luiz Vasconcelos/A Crítica

Animais órfãos que são resgatados da natureza estão recebendo tratamento diferenciado para serem
reintroduzidos com mais segurança na floresta. Um grupo de biólogos do Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) descobriu que os filhotes conseguem encontrar, em
bichinhos de pelúcia, o mesmo aconchego dos “braços da mãe”.

Diferente dos animais que são resgatados já na fase adulta e que geralmente têm mais dificuldade para
retornarem ao seu hábitat, a estratégia de uso das pelúcias visa oferecer um futuro normal para a vida
silvestre dos animais filhotes.

A analista e bióloga ambiental do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama, Natália Lima,
explica como ocorre essa adaptação. “O filhote precisa do colo da mãe até conseguir andar com as próprias
pernas. A gente costuma vê-los sempre agarrados ao colo das mamães. Então, quando eles são separados
delas, filhotes ainda, eles sofrem muito. A pelúcia simula uma situação maternal e esses pequenos órfãos se
agarram a ela de uma maneira única”, disse.
Página 123

“Assim como acontece na natureza, na situação em que os filhos desgrudam das mães quando se sentem
mais confiantes para andar sozinhos, nós estamos tentando reproduzir a mesma situação aqui. Claro, os
ursinhos de pelúcia não substituem a mãe do animal, mas simulam, como se fossem uma mãe postiça”,
acrescentou Lima.

A estratégia com bichinhos de pelúcia já vinha sendo testada em outros estados, como em centros de triagem
de silvestres nos zoológicos do Rio de Janeiro e São Paulo. Foi através desse estudo que um grupo do Cetas
do Ibama resolveu aplicar a ideia aqui, no Amazonas.

Atualmente o Ibama cuida de seis filhotes, desses, cinco usam os bichinhos de pelúcia constantemente, que
são: uma preguiça-real, um mico-de-cheiro, um macaco parauacu, um macaco-prego e um gato mouriço,
todos com idades de três a seis meses de vida.

Segundo informações do Ibama, o processo de reabilitação desses filhotes leva em média sete a oito meses.
Em caso de onças ou gatos silvestres, o prazo pode levar de oito a nove meses, dependendo da imunidade do
animal.

Fig. 1 (p. 123)


Filhote de macaco. Manaus (AM), 2014.
Fotografias: Luiz Vasconcelos/A Crítica

Outros animais

Diariamente o Ibama recebe animais silvestres de todas as idades e todas as espécies. Só no ano passado,
foram contabilizados 524 bichos entregues no instituto. A analista conta que, quando o processo de
reabilitação acusa que o animal não tem condições de voltar para a floresta, ele é destinado para zoológicos.

“Geralmente quando o animal chega aqui já na fase adulta, é muito raro que ele consiga se readaptar à vida
silvestre, na floresta. Nesses casos, ele é enviado para zoológicos que tenham estrutura para recebê-lo com o
maior conforto, mantendo o contato com o ser humano”, disse.

Lima ressalta ainda que boa parte desses bichos só consegue sobreviver com a presença de seres humanos.
“Às vezes são animais que foram criados por alguma pessoa e, não podendo mais criar, a pessoa devolveu.
Nesse caso não é mais possível introduzi-los em floresta”, salientou.

[...]

Priscila Serdeira. Disponível em: <http://acritica.uol.com.br/amazonia/manaus-amazonas-


amazonia_0_1076892322.html>. Acesso em: 27 abr. 2015.

Fig. 2 (p. 123)


Filhote de onça-parda. Manaus (AM), 2014.

GLOSSÁRIO
Gato mouriço: também conhecido como gato-mourisco e jaguarundi, é um felino selvagem, de orelhas
pequenas e pernas curtas, com até 80 cm de comprimento de corpo e até 50 cm de cauda; seus pelos têm a
base mais clara e a ponta mais escura.
Imunidade: conjunto dos mecanismos de defesa de um organismo contra contaminações por elementos
estranhos, especialmente vírus, bactérias e parasitas.
Parauacu: designação comum de um determinado macaco amazônico, com até 70 cm de comprimento,
corpo e cauda cobertos por pelagem longa, densa e crespa que, na cabeça, forma uma espécie de capuz.
Silvestre: relativo à selva, que se desenvolve em bosques ou florestas.
Simular: aparentar, imitar.
Página 124

Estudo do texto
Responda sempre no caderno.

Para entender o texto

1. Qual é o principal fato que a notícia relata?

2. As hipóteses levantadas antes da leitura do texto se confirmaram?

3. Para explicar a estratégia utilizada pelo Ibama, a bióloga Natália Lima comenta sobre uma situação vivida
pelos filhotes na natureza. Qual é essa situação? E como é reproduzida pelo Cetas?

4. Na notícia, há falas da bióloga Natália Lima, do Ibama.

a) Reproduza no caderno duas dessas falas.

b) Por que há a inserção dessas falas na notícia?

ANOTE

O uso de declarações de pessoas relacionadas aos fatos relatados dá maior credibilidade à notícia. As
declarações são marcadas pelas aspas, para diferenciar a fala da pessoa em relação ao texto principal.

5. Releia.

[...] Um grupo de biólogos do [...] (Ibama) descobriu que os filhotes conseguem encontrar, em bichinhos de
pelúcia, o mesmo aconchego dos “braços da mãe”.

a) Qual é o sentido da expressão destacada entre aspas?

b) Qual é a finalidade do uso das aspas nessa expressão?

c) Reescreva o trecho no caderno, substituindo a expressão destacada por outra que não precise do uso de
aspas. Faça as adaptações necessárias.

6. Releia os trechos a seguir.

A estratégia com bichinhos de pelúcia já vinha sendo testada em outros estados, como em centros de triagem
de silvestres nos zoológicos do Rio de Janeiro e São Paulo. Foi através desse estudo que um grupo do Cetas
do Ibama resolveu aplicar a ideia aqui, no Amazonas.

Atualmente o Ibama cuida de seis filhotes, desses, cinco usam os bichinhos de pelúcia constantemente, que
são: uma preguiça-real, um mico-de-cheiro, um macaco parauacu, um macaco-prego e um gato mouriço,
todos com idades de três a seis meses de vida.

a) Por que aparecem no primeiro trecho os lugares (dois estados) em que a estratégia foi testada pelo Ibama?

b) No segundo trecho, o uso de numerais indica o quê?

Fig. 1 (p. 124)


Filhote de gato mouriço. Manaus, AM, 2014.
Halder Ramos/Gramadozoo

ANOTE

A notícia relata um fato ocorrido na realidade. O uso de numerais e o de indicações de lugares são
recursos que conferem veracidade ao relato.
Página 125

Estrutura da notícia

1. Um dos recursos da notícia para chamar a atenção do leitor é o emprego de um título atrativo. Releia o
título da notícia.

Animais órfãos adotam brinquedos para simular aconchego de mãe

a) Qual leitor tem interesse em ler essa notícia?

b) O que chama a atenção do leitor nesse título?

ANOTE

A função do título é chamar a atenção do leitor para o fato que será relatado. O título não traz todas as
informações da notícia, mas um aspecto especial dela para atrair o leitor.

2. Normalmente, as fotografias que ilustram as notícias vêm acompanhadas de uma frase curta, chamada
legenda.

a) Qual é a legenda da primeira fotografia da notícia lida?

b) Para que serve essa legenda na notícia?

ANOTE

Geralmente, as notícias apresentam fotografias que ilustram o fato relatado. Essa imagem costuma ter uma
legenda, um texto curto que descreve a imagem e complementa as informações sobre os fatos. A
legenda deve ser atrativa e chamar a atenção do leitor para a notícia.

3. Crie uma legenda para cada uma das imagens a seguir.

Fig. 1 (p. 125)


Nelson Antoine/Fotoarena

Fig. 2 (p. 125)


Edson Silva/Folhapress

4. O quadro a seguir apresenta as perguntas a que toda notícia costuma responder sobre o principal fato
relatado. No caderno, preencha-o com as informações da notícia lida.

O que aconteceu?
Com quem aconteceu?
Onde aconteceu?
Quando aconteceu?
Como aconteceu?
Por que aconteceu?
ID/BR

Informação e convivência

O rádio, a TV e a internet, atualmente, possibilitam que as pessoas tenham acesso, em tempo real, a
informações sobre o que acontece nos diversos lugares do mundo, apesar da distância e das diferenças de
idioma.

Converse com os colegas e o professor sobre as seguintes questões:


I. Os meios de comunicação oferecem às pessoas reais condições de conhecer as variadas realidades?

II. De que modo essas informações podem ajudar a melhorar a convivência entre diferentes povos e
culturas?
Página 126

Responda sempre no caderno.

O contexto de produção

1. A notícia lida foi extraída do jornal on-line A crítica. Observe ao lado a página em que o texto foi
publicado.

Fig. 1 (p. 126)


Página do jornal on-line A crítica, 2 fev. 2015.
Disponível em: <http://acritica.uol.com.br/amazonia/manaus-amazonas-amazonia_0_1076892322.html>. Acesso em: 25 fev. 2015.
Animais órfãos adotam brinquedos para simular aconchego de mãe

a) Na parte superior, logo após o nome do jornal, há uma linha com as palavras “Notícias”, “Manaus”,
“Amazônia”, entre outras. A que elas se referem?

b) A palavra buzz, de origem inglesa, significa cochicho, rumor, burburinho. Levante hipóteses: As notícias
dessa seção do jornal abordam o quê?

2. Observe a seguir o topo da página de duas seções do jornal on-line A crítica: “Amazônia” e “Craque”.

Fig. 2 (p. 126)


A crítica, Amazônia, 26 fev. 2015.
Disponível em: <http://acritica.uol.com.br/amazonia/>. Acesso em: 25 fev. 2015.
A crítica com Amazônia

Fig. 3 (p. 126)


A crítica, Craque, 26 fev. 2015.
Disponível em: <http://acritica.uol.com.br/craque/>. Acesso em: 25 fev. 2015.
A crítica com CRAQU

a) Quais notícias o leitor encontrará se acessar a seção “Amazônia”? E a seção “Craque”?

b) Leia as palavras da linha iniciada com Em destaque da seção “Amazônia”. A que elas se referem?

c) Compare as palavras da linha iniciada com Em destaque das duas seções. Elas são iguais ou diferentes? O
que isso indica?

d) A única palavra que se repete nas duas seções é Últimas. Quais notícias você acha que estão agrupadas
nesse item?

3. As notícias publicadas em jornais on-line oferecem recursos exclusivos do meio digital, como uma
ferramenta de interação.

a) Observe a lateral direita da página em que a notícia foi publicada e identifique quais são as duas
ferramentas de interação disponíveis para o leitor do jornal A crítica.

b) Qual interação cada uma dessas ferramentas permite ao leitor?

c) No jornal impresso, há algum recurso parecido com essas ferramentas?

4. Os jornais on-line têm outro recurso para os leitores: os hyperlinks, que permitem a ligação do conteúdo
de uma página a outros conteúdos.

a) Quais hyperlinks é possível identificar na página da notícia lida?

b) Os títulos abaixo de “Relacionados” remetem a quais conteúdos?

ANOTE
A notícia circula em vários tipos de jornal, nos meios impresso e digital. Os jornais impressos de
grande circulação e os portais on-line de notícias divulgam fatos de interesse coletivo, como os
acontecimentos das cidades, fatos internacionais, políticos, culturais, econômicos e atualidades em geral.
Podem estar voltados para diferentes tipos de público, de diferentes classes sociais e graus de escolaridade.
Página 127

A linguagem do texto

1. Releia o título da notícia.

Animais órfãos adotam brinquedos para simular aconchego de mãe

a) O verbo destacado está em que tempo?

b) Por que esse tempo verbal foi empregado no título?

2. Os títulos de notícias, em geral, omitem artigos.

a) Reescreva o título da notícia lida acrescentando artigos.

b) Por que há omissão de artigos nos títulos das notícias?

3. Releia os seguintes trechos.

[...] Um grupo de biólogos do [...] (Ibama) descobriu que os filhotes conseguem encontrar, em bichinhos de
pelúcia, o mesmo aconchego dos “braços da mãe”.

Atualmente o Ibama cuida de seis filhotes, desses, cinco usam os bichinhos de pelúcia [...]

a) Os verbos destacados estão em que tempo?

b) Por que foram empregados esses tempos verbais?

ANOTE

O título da notícia costuma apresentar verbos no tempo presente. No texto principal, o tempo verbal pode
alternar de acordo com os fatos relatados.

4. Por que, em geral, são empregados verbos conjugados na terceira pessoa nas notícias?

5. Releia o seguinte trecho.

A analista e bióloga ambiental do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama, Natália Lima,
explica como ocorre essa adaptação. “O filhote precisa do colo da mãe até conseguir andar com as próprias
pernas [...]”

a) O verbo em destaque tem qual função nesse trecho?

b) Na notícia que você leu, são utilizados verbos com função semelhante à da palavra em destaque.
Identifique no texto esses verbos e copie-os no caderno.

c) Por que foram utilizados verbos diferentes para introduzir a fala da bióloga? Eles têm o mesmo sentido?

ANOTE

Para introduzir a declaração de entrevistados, empregam-se os verbos chamados de dicendi (de dizer).
Exemplos: afirmar, declarar, responder, aconselhar, ressaltar, enfatizar. De acordo com o verbo dicendi
utilizado, pode-se ter um discurso mais objetivo ou opinativo.

Quem são os leitores?

Alguns jornais são dirigidos a um público muito específico, como os de economia e de esportes.

Fig. 1 (p. 127)


Agência Lance/ID/BR
Diário do Nordeste/ID/BR
Arquivo/Estadão Conteúdo
JOGADA
PERDEU, E DAÍ?
ECONOMIA & NEGÓCIOS
Página 128

PRODUÇÃO DE TEXTO
Notícia

AQUECIMENTO

• Esta notícia foi publicada no jornal Estado de Minas. Copie-a e complete-a com as palavras do quadro e crie
um título para ela.

apresentar aos educadores e estudantes detalhes do tema da edição deste ano, “Segurança alimentar e
nutricional” — de hoje a quarta-feira — para visitar instituições de ensino da cidade — grandes desafios que
requerem soluções viáveis — equipe do Prêmio Jovem Cientista – Belo Horizonte

____ (título)
A ____ (quem) estará ____ (quando) em ____ (onde), ____ (para que). O objetivo é ____ (o
que). Interessados receberão dicas para desenvolver os trabalhos de pesquisa e poderão tirar dúvidas sobre a
participação no prêmio, que está com inscrições abertas até 19 de dezembro.
O Brasil tem papel decisivo no futuro dos alimentos e um vasto território agricultável. Mas também enfrenta
____ (o que). Entre as principais questões, estão: Como produzir alimentos sem degradar o ambiente?
Como diminuir o desperdício e aumentar a qualidade de nossa dieta? Mais informações no
www.jovemcientista.cnpq.br.

Disponível em:
<http://www.em.com.br/app/noticia/tecnologia/2014/09/29/interna_tecnologia,573807/equipe-do-
premio-jovem-cientista-visita-escolas-de-bh-ate-quarta.shtml>. Acesso em: 27 abr. 2015.

Proposta

Imagine que você é jornalista e vai escrever uma notícia para ser publicada em um jornal do bairro. Seus
leitores serão as pessoas que moram no bairro ou circulam por ele.

Observe a imagem a seguir. Que fato a fotógrafa está registrando?

Fig. 1 (p. 128)


wavebreakmedia/Shutterstock.com/ID/BR
Página 129

Planejamento e elaboração do texto

1. Para escrever sua notícia, procure conhecer fatos ocorridos recentemente em seu bairro. Pode ser, por
exemplo, a inauguração de um comércio ou de um centro esportivo, uma festa típica do bairro, um evento
cultural, uma campanha de vacinação ou de algum tema relacionado à saúde, entre outros. Faça um
cuidadoso levantamento de dados sobre o assunto selecionado. Lembre-se de que, para ele se tornar notícia,
deve ser um acontecimento que interesse ao público leitor do bairro.

2. Planeje os seguintes elementos, que devem fazer parte de sua notícia.

a) Título: lembre-se de que ele deve ser curto, objetivo e com o verbo no tempo presente.

b) Corpo da notícia: apresenta informações sobre o fato anunciado no título, geralmente em ordem de
importância.

Quem?
O quê?
Onde?
Quando?
Por quê?
Como?
ID/BR

Podem ser usados dados numéricos ou indicações de lugares para dar precisão ao fato relatado.

c) Fotografia que ilustre o fato relatado.

d) Legenda: acompanha a ilustração do fato, para dar mais clareza à leitura da imagem.

3. Depois do planejamento, escreva a notícia. Lembre-se de escrevê-la usando recursos que transmitam
credibilidade ao fato relatado.

Avaliação e reescrita do texto

1. Releia sua notícia e verifique cada um dos itens a seguir.

a) O título de sua notícia é curto e objetivo?

b) O assunto escolhido é atual e interessa ao público leitor?

c) Ela responde o quê, quem, onde, quando, como e por quê?

d) O tempo verbal utilizado está adequado ao gênero textual notícia?

e) Você usou recursos para dar objetividade à sua notícia (terceira pessoa, indicação dos lugares e do tempo
em que ocorreram os fatos, fala de entrevistados)?

2. Depois de avaliar sua notícia, troque seu texto com o de um colega. Ele lerá a sua produção e escreverá
sugestões para você, que fará o mesmo em relação ao texto dele.

3. Reescreva sua notícia tendo como base a verificação que você fez dos itens presentes em sua produção e as
sugestões do colega.

4. Se em sua cidade houver jornal de bairro, impresso ou virtual, a turma pode encaminhar as notícias ao
editor responsável pela publicação.
Página 130

REFLEXÃO LINGUÍSTICA
Adjetivo

Definição

1. Releia o trecho a seguir.

Diariamente o Ibama recebe animais silvestres de todas as idades e todas as espécies. Só no ano passado,
foram contabilizados 524 bichos entregues no instituto. A analista conta que, quando o processo de
reabilitação acusa que o animal não tem condições de voltar para a floresta, ele é destinado para zoológicos.

“Geralmente quando o animal chega aqui já na fase adulta, é muito raro que ele consiga se readaptar à vida
silvestre, na floresta. Nesses casos, ele é enviado para zoológicos que tenham estrutura para recebê-los com o
maior conforto, mantendo o contato com o ser humano”, disse.

Fig. 1 (p. 130)


Mário Bittencourt/Folhapress

a) De acordo com o trecho, qual tipo de animal é recebido pelo Ibama?

b) Entre os animais recebidos pelo Ibama, quais dificilmente conseguem se readaptar à vida na floresta?

c) Que palavra os termos indicados nas respostas anteriores estão caracterizando? Ela pertence a qual classe
de palavras?

d) Qual é a importância da caracterização dos animais para o leitor dessa notícia?

As palavras que caracterizam o substantivo têm o nome de adjetivo.

ANOTE

Adjetivos são palavras que caracterizam substantivos, acrescentando-lhes noções de qualidade, condição,
julgamento, estado, etc.

Locução adjetiva

2. Leia a notícia a seguir.

Geólogos descobrem ovos de dinossauro

Geólogos da região da Chechênia, na Rússia, descobriram o que acreditam ser ovos de dinossauro
fossilizados postos por um dos enormes répteis extintos que habitaram a Terra há mais de 60 milhões de
anos.

[...]

A descoberta foi feita quando uma equipe de obras explodia uma encosta para construir uma estrada perto da
fronteira da região com a Geórgia, nas montanhas do Cáucaso. Uma equipe de geólogos encontrou os objetos
ovais, semelhantes a pedras, com tamanhos que variam de 25 centímetros a um metro em uma recente
viagem à área.

Disponível em: <http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/internacional/geologos-


descobremovos-de-dinossauro-1.399172>. Acesso em: 27 abr. 2015.

Relacionando
Em notícias, é comum o uso de adjetivos. Esse uso pode estar relacionado à caracterização do que está
sendo relatado. Em outros casos, o adjetivo pode ser utilizado para apresentar juízo de valor sobre um
determinado acontecimento, uma situação, etc. É importante estar atento aos diferentes efeitos de sentido
produzidos nas notícias pelo uso dos adjetivos, conforme você verá nas seções Língua Viva (Leitura 1) e
Estudo do texto (Leitura 2).
Página 131

a) Qual é o assunto tratado nessa notícia?

b) No título da notícia, qual expressão caracteriza o objeto descoberto?

c) Considerando a situação de uso, qual é o efeito de sentido produzido por essa expressão?

d) No momento da publicação da notícia, não se sabia exatamente o que era o objeto descoberto. Em qual
trecho isso pode ser percebido?

e) No final da notícia, é utilizado o adjetivo ovais. A que substantivo esse adjetivo faz referência?

f) Qual é o efeito de sentido produzido pelo uso desse adjetivo e desse substantivo?

ANOTE

As expressões formadas por uma ou mais palavras com função de adjetivo recebem o nome de locuções
adjetivas. Geralmente, são formadas por uma preposição e por um substantivo. Exemplos: colega de
turma, amor de mãe.

Classificação dos adjetivos

3. Leia a sinopse do livro As crianças da água.

Em livro, crianças de todo planeta falam da importância da água

Jovens esquimós, indígenas, africanos, russos, chineses, árabes, entre outros, são personagens de As
Crianças da Água, obra infantojuvenil com texto de Angèle Delaunois e ilustrações de Gérard Frischeteau.
No livro, meninos e meninas falam da importância do líquido mais precioso do planeta para sua cultura por
meio de poemas.

[...]

A obra tem como propósito assumido dar uma abordagem diferente para o tema da ecologia e mostrar, de
forma poética, como a preservação da água é fundamental para todos os habitantes do globo.

Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/2015/02/1586647-em-livrocriancas-de-


todo-planeta-falam-da-importancia-da-agua.shtml>. Acesso em: 4 mar. 2015.

Fig. 1 (p. 131)


DeLeitura/Arquivo da editora
As crianças da Água

a) Qual é o tema do livro As crianças da água?

b) Quais são as palavras que caracterizam as personagens da obra?

c) O que essas palavras indicam sobre as personagens?

d) A obra é destinada ao público infantojuvenil, que é um adjetivo formado por duas palavras. Quais são
elas?

Os adjetivos podem ser classificados como simples ou compostos, como primitivos ou derivados. Há também
adjetivos pátrios.

ANOTE

Simples: formados por uma palavra. Ex.: casa simples, escola grande.

Compostos: formados por mais de uma palavra. Ex.: calça azul-marinho, povo latino-americano.
Primitivos: não são derivados de outra palavra. Ex.: carro verde, atleta forte, homem bonito.

Derivados: originam-se de outra palavra. Ex.: bolo saboroso, mar azulado.

Pátrios: referem-se a continentes, países, regiões, províncias, estados, cidades, vilas, distritos e povoados.
Ex.: equipes africanas, dança amazonense.
Página 132

REFLEXÃO LINGUÍSTICA Na prática

1. Leia o poema e responda às questões propostas.

Corrente de formiguinhas

Caminho de formiguinhas
fiozinho de caminho.
Caminho de lá vai um,
atrás de uma lá vai outra.
Uma, duas argolinhas
corrente de formiguinhas.

Corrente de formiguinhas,
centenas de pontos pretos,
cabecinhas de alfinete
rezando contas de terço.

Nas costas das formiguinhas


de cinturinhas fininhas
Pesam grandes folhas mortas
que oscilam a cada passo.
Nas costas das formiguinhas
que lá vão subindo o morro
igual ao morro da igreja,
folhas mortas são andores
nesta Procissão dos Passos.

Henriqueta Lisboa. O menino poeta: obra completa. São Paulo: Peirópolis, 2008. p. 20.

Fig. 1 (p. 132)


Andréa Vilela/ID/BR

GLOSSÁRIO
Andor: objeto utilizado para carregar imagens nas procissões.
Procissão dos Passos: manifestação, cortejo religioso realizado anualmente na cidade de Recife.

a) O adjetivo fininhas, utilizado para caracterizar a cintura das formigas, está no diminutivo. Que sentido
esse uso acrescenta ao poema?

b) Qual oposição é revelada pelos adjetivos utilizados para caracterizar o corpo das formigas e as folhas?

c) A oposição apresentada pelo uso dos adjetivos sugere um modo de ser das formigas. Que modo de ser é
esse? Justifique sua resposta.

2. Leia o trecho da notícia.

Prepare-se para as folias de São João

Muitas regiões do país se preparam para o ciclo das festas do mês de junho. Nas
programações, grandes shows, muita comida típica e resgate de tradições

Cada lugar faz do seu jeito, com ritmos musicais regionais e as melhores comidas típicas. Mas em todas as
festas juninas, que acontecem de Norte a Sul do país, há o colorido do figurino, muita criatividade na
decoração e alegria de quem vai aos festejos para homenagear os santos católicos: Santo Antônio (13 de
junho), São João (24 de junho) e São Pedro (29 de junho).
No Paraná, a maior festa do estado tem endereço certo: a cidade de São João, nome de santo festeiro.
Localizado na região sudoeste do estado, o município de apenas 11 mil habitantes se faz notar no mapa por
conta da gigantesca festa que promove. […] “A principal novidade deste ano é que a festa terá um dia a mais:
acontecerá de 22 a 25 de junho. E além da fogueira gigante, que terá 55 metros, teremos shows todas as
noites com bandas e duplas sertanejas.

[…]

Luciane Horcel. Disponível em:


<http://www.gazetadopovo.com.br/turismo/conteudo.phtml?tl=1&id=1127387&tit=Prepare-se-para-as-
folias-de-Sao-Joao>. Acesso em: 27 abr. 2015.

a) Quais adjetivos definem o ritmo musical e as comidas presentes nas festas apresentadas na notícia?

b) No texto da notícia, são atribuídas características para a festa e para a fogueira nela presente. Quais são
essas características?

c) No subtítulo da notícia, qual adjetivo qualifica os shows que ocorrerão na festa?

d) O que o uso dos adjetivos relacionados aos substantivos festa, fogueira e shows revela sobre o evento?
Página 133

Responda sempre no caderno.

3. Leia o texto.

Tipo minhom, magra, dona Carolina não era feia nem bonita mas tinha certo encanto. Os cabelos, louro-
avermelhados, sedosos e abundantes mereciam de sua dona cuidados especiais. Ela os penteava de maneira
ousada, deixando que madeixas finas e soltas caíssem naturalmente sobre o rosto; grande coque na nuca,
preso por pentes e enormes grampos de tartaruga. Sua miopia obrigava-a a usar óculos mas ela escolhera
aqueles menos vistosos, apenas as lentes, pequenas, sem aro. De boca rasgada, lábios finos, dentes perfeitos
sempre à mostra. […]

Zélia Gattai. Anarquistas, graças a Deus. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

a) Esse trecho foi retirado de um livro de memórias chamado Anarquistas, graças a Deus, escrito por Zélia
Gattai. Dona Carolina era professora da escola frequentada por Zélia em seu tempo de criança. Considerando
esse contexto e as informações apresentadas no trecho, responda: Qual é a importância dos adjetivos nesse
texto?

b) Com base na caracterização física da personagem, é possível depreender um aspecto de sua personalidade.
Que aspecto é esse?

c) Localize no texto: um adjetivo simples, um adjetivo composto e uma locução adjetiva.

d) Escolha uma pessoa famosa e descreva-a, caracterizando-a de forma detalhada.

4. Leia a tira.

Fig. 1 (p. 133)


Recruta Zero, de Greg e Mort Walker.
2008 King Features Syndicate/Ipress
Q1: VOCÊ DISSE QUE AS PIRÂMIDES FORAM CONSTRUÍDAS 5000 ANOS ATRÁS?!
É, NÃO É MAGNÍFICO FAZER ALGO TÃO SÓLIDO E DURÁVEL?
Q2: VOCÊ QUER DIZER COMO AS ALMÔNDEGAS DO CUCA?
RETIRO O QUE DISSE.

a) O amigo do Recruta Zero elogia a construção das pirâmides. Que adjetivos ele usa para fazer o elogio?

b) Por que o Recruta Zero compara as características das pirâmides com o que está comendo?

c) Explique o humor da tira.

5. Reescreva as frases a seguir, transformando a locução adjetiva destacada em um adjetivo. Faça as


adaptações necessárias.

a) Os homens de coragem enfrentam os desafios da vida.

b) Na reunião de pais, entregaram a lista dos materiais da escola.

c) A moça teve uma atitude de criança diante do namorado.

d) Na biblioteca, havia alguns livros sem capa.

e) Naquela noite haveria uma reunião de família.

f) Nesta classe, as crianças têm feições de anjos.

g) A viagem foi longa e teve um trajeto de dia e outro de noite.


Página 134

6. Leia o fragmento a seguir.

As formigas

Quando minha prima e eu descemos do táxi, já era quase noite. Ficamos imóveis diante do velho sobrado de
janelas ovaladas, iguais a dois olhos tristes, um deles vazado por uma pedrada. Descansei a mala no chão e
apertei o braço da prima.

– É sinistro.

Ela me impeliu na direção da porta. Tínhamos outra escolha? Nenhuma pensão nas redondezas oferecia um
preço melhor a duas pobres estudantes com liberdade de usar o fogareiro no quarto, a dona nos avisara por
telefone que podíamos fazer refeições ligeiras com a condição de não provocar incêndio. Subimos a escada
velhíssima, cheirando a creolina.

– Pelo menos não vi sinal de barata – disse minha prima.

A dona era uma velha balofa, de peruca mais negra do que a asa da graúna. Vestia um desbotado pijama de
seda japonesa e tinha as unhas aduncas recobertas por uma crosta de esmalte vermelho-escuro, descascado
nas pontas encardidas.

[…]

Lygia Fagundes Telles. Seminário dos ratos. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p. 9.

Fig. 1 (p. 134)


Leandro Lassmar/ID/BR

Acervo PNBE

a) Qual foi a primeira reação da narradora e de sua prima diante do sobrado ao descerem do táxi?

b) Como é descrito o sobrado?

c) Que impressão a narradora teve do sobrado?

d) Por que a narradora e a prima alugaram o quarto da pensão, apesar do aspecto do sobrado?

7. Nos textos, os adjetivos e as locuções adjetivas podem ser usados para caracterizar lugares, personagens e
situações de maneira positiva ou negativa.

a) Nesse fragmento de “As formigas”, como esses termos foram empregados na caracterização da dona da
pensão?

b) Justifique sua resposta com exemplos do texto.

8. Depois de ler o fragmento acima e analisar o efeito do uso dos adjetivos e das locuções adjetivas, qual é o
gênero da história que será narrada?

9. A seleção dos adjetivos e das locuções adjetivas pode contribuir para a construção de novos sentidos para
o texto. Por exemplo, a caracterização de um cenário pode destacar um aspecto tenebroso ou festivo.
Reescreva o trecho que você leu, fazendo as modificações necessárias para que a narrativa apresente um
clima afetivo, festivo, de humor, etc.
Página 135

LÍNGUA VIVA
Responda sempre no caderno.

O adjetivo na notícia

1. Leia a notícia.

Gaúchos acham novo “dinossauro-bisavô”

Pesquisadores gaúchos encontraram, em São João do Polêsine (a 267 km de Porto Alegre), fósseis de um
dinossauro com 228 milhões de anos. O animal, segundo os cientistas, é o maior já encontrado com essa
idade.

[…]

Os fósseis estão em rochas do Período Triássico (que vai de 245 milhões a 200 milhões de anos atrás), o
primeiro da Era Mesozoica (ou era dos dinossauros).

Os fósseis foram encontrados no dia 13 de junho. A conclusão de que se trata do maior dinossauro já
encontrado do final do Triássico se deve ao tamanho dos ossos e ao desenvolvimento das articulações. Seus
dentes, serrilhados, chegam a 5 cm.

O paleontólogo Sérgio Cabrera, coordenador da equipe, diz que a descoberta foi “uma surpresa”.

O animal era um bípede com até cinco metros de comprimento e dois metros de altura, com dentes grandes,
típicos de carnívoros. A presença de um certo tipo de fusão de ossos da pata também indica que o animal era
um saurísquio (linhagem que originou tanto os carnívoros quanto os gigantes comedores de plantas).

Foram encontrados vértebras, dentes, falanges, ossos das patas e outros ossos ainda não identificados, todos
reconstituídos em laboratório pelo grupo da Ulbra.

[…]

De acordo com Cabrera, o dinossauro, que ainda não tem nome, pesava em torno de 400 quilos e tinha pelo
menos 20 anos de idade quando morreu. Trata-se possivelmente de um predador, com grande poder de
perfuração das presas.

Léo Gerchmann. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u13925.shtml>.


Acesso em: 27 abr. 2015.

Fig. 1 (p. 135)


Leandro Lassmar/ID/BR

a) A palavra gaúchos refere-se a qual característica dos pesquisadores? Explique.

b) Que novo sentido a palavra bisavô acrescenta a dinossauro?

c) Quais eram as principais características do animal encontrado?

d) Copie os adjetivos relacionados ao substantivo dentes.

e) O que os adjetivos relacionados à palavra dentes informam sobre o dinossauro?

f) De acordo com Cabrera, o dinossauro não tem nome. Se você pudesse escolher, que nome daria ao animal?
Justifique sua escolha.

2. Que recursos usados no texto contribuem para dar credibilidade à notícia?


ANOTE

Ao ler a notícia, o leitor quer conhecer os detalhes sobre o fato narrado.

O adjetivo tem um papel importante na notícia, já que caracteriza o que está sendo relatado e
acrescenta detalhes aos fatos apresentados.
Página 136

LEITURA 2
Notícia

O QUE VOCÊ VAI LER

A notícia que você vai ler foi publicada em um dos jornais de maior circulação na Região Nordeste do Brasil.

O texto apresenta uma situação incomum: a realização de uma viagem dos Estados Unidos ao Brasil de
bicicleta. Quem realizou essa façanha? Qual foi o objetivo da viagem? Como será que esse percurso foi feito?
O que foi possível aprender nessa trajetória?

Capoeira sobre duas rodas

Há um ano, Mestre Acordeon saiu de bicicleta dos EUA para conhecer as variações da dança
africana pelas Américas

Fig. 1 (p. 136)


Festa: Ubirajara passou por dez países e vai comemorar 71 anos com amigos no Recife. Fotografia de 2014.
Edmar Melo/JC Imagem

Ir da Califórnia à Bahia de bicicleta pode parecer impossível, mas há um ano o mestre de capoeira Acordeon,
ou Ubirajara Almeida, encarou este desafio. Ele saiu de casa em direção a sua terra natal no dia em que
completava 70 anos. Aluno do lendário Mestre Bimba, criador da Capoeira Regional, tinha um plano em
mente. Com 22 mil quilômetros e dez países pela frente, pretendia conhecer as variações da dança africana
ao longo das Américas para produzir um documentário. O projeto despertou a curiosidade de amigos e
capoeiristas e alguns decidiram até tirar a bicicleta da garagem para participar da empreitada.
Página 137

Sábado, a viagem completa um ano e a festa será aqui no Recife. O grupo de 16 capoeiristas chegou à cidade
anteontem e foi recebido pelos amigos do Centro São Salomão, na Várzea, Zona Oeste. Eles ficam aqui até a
próxima semana, quando iniciam a última parte da trajetória, que deve durar mais um mês. Durante o
descanso, vão celebrar o sucesso do feito e os mais que bem vividos 71 anos do mestre. Rodas e aulas de
capoeira, bate-papo e passeio ciclístico pelo Recife Antigo marcam a comemoração. O mestre ainda foi
presenteado com a visita dos filhos.

“Vamos festejar a vida de todos nós, afinal todos fizeram aniversário durante a viagem. Esses momentos de
comunhão são fundamentais para a convivência”, comentou Acordeon, que vê na amizade construída ou
fortalecida ao longo da estrada o principal ganho da viagem. A força dos laços que unem o grupo é mesmo
surpreendente. Até durante o descanso os 16 capoeiristas ficam juntos. Tudo é desculpa para formar um
círculo, puxar uma roda de capoeira ou uma boa conversa. Eles relembram bons momentos da viagem,
brincam e cantam, sempre com um sorriso no rosto. A energia é contagiante. “O que realmente importa não
são os quilômetros rodados, é nosso espírito de comunidade. É isso que nos dá força, principalmente agora
no final, que já estamos cansados”, afirmou o mestre.

União

Na estrada, o grupo se viu cada vez mais unido, reencontrou pessoas queridas e ainda pôde fazer novos
amigos. “É verdade que em alguns dias dormi na estrada e fiquei com fome, mas em todos os lugares
encontrei amigos e portas abertas, até de gente que não nos conhecia”, contou Acordeon. O mexicano Juan
Jos Gonzales, 33, é um dos que entraram na empreitada por acaso. “Eles chegaram na casa do meu mestre e
eu deixei tudo que tinha para acompanhá-los. Queria viajar para aprender mais sobre a vida, as pessoas e a
capoeira. A bicicleta é o melhor meio de transporte para isso, pois nos permite sentir o caminho, ver as
pessoas e olhar para os lados”, explicou Gonzáles.

Mestre Acordeon também ficou muito feliz por ter reunido mestres que dificilmente se encontrariam por
onde passou. Em muitas cidades, parou para conversar com os capoeiristas locais e entender como a arte os
influenciava. O grupo também participou de rodas e aulas de dança africana pelo caminho. Tudo foi gravado
e será transformado em documentários que vão mostrar a diversidade da arte nas Américas. Acordeon vai
gravar um CD misturando o som da capoeira com músicas latino-americanas e escrever um livro sobre a
experiência. O lucro obtido com a venda dos produtos será destinada ao Instituto Kirimurê, que oferece
assistência e atividades culturais a jovens carentes da comunidade de Itapõa, em Salvador (BA).

Fig. 1 (p. 137)


Roda de capoeira na margem do açude Vilobaldo Alencar. Bahia, 2014.
Cesar Diniz/Pulsar Imagens
Marina Barbosa. Jornal do Commercio, 28 fev. 2014. Caderno Cidades, p. 4.
Página 138

Estudo do texto
Responda sempre no caderno.

Para entender o texto

1. Qual é o principal fato noticiado no texto?

2. O título da notícia apresenta uma situação inusitada. Qual é a relação entre o título e o fato noticiado?

3. Abaixo do título da notícia, há um pequeno texto. Que informações ele acrescenta ao título?

4. O primeiro parágrafo de uma notícia é denominado lide, do inglês lead, que significa “conduzir”. O que as
informações fornecidas no primeiro parágrafo indicam para o leitor em relação à notícia?

ANOTE

A linha fina (ou subtítulo) é um pequeno texto que não costuma ter pontuação final e vem abaixo do título
da notícia, complementando seu sentido.

As notícias costumam ser introduzidas por um parágrafo chamado de lide (lead). Ele apresenta as
informações básicas da notícia e funciona como uma espécie de resumo do texto. Geralmente, no lide
aparecem as seguintes informações: o quê (fatos); quem (pessoas envolvidas); quando; onde; como e
por quê. O restante da notícia é conhecido como corpo.

5. A viagem de mestre Acordeon não havia acabado no momento em que a notícia foi escrita. No entanto, é
possível notar dois fatos que marcaram a etapa da viagem relatada. Que fatos são esses?

6. Releia o texto do intertítulo “União”. Qual é o destaque dessa parte?

7. Qual é a função da fotografia nesse texto?

8. Observe a parte superior da página em que foi publicada a notícia.

Fig. 1 (p. 138)


Jornal do Commércio. Fac-Símile: ID/BR
Capoeira sobre duas rodas

a) Em qual caderno do jornal a notícia foi publicada?

b) Se o leitor tiver interesse sobre outros temas relacionados à notícia lida e quiser ampliar suas informações,
como ele pode proceder?

ANOTE

As notícias publicadas em jornais impressos são organizadas em cadernos, de acordo com o tema tratado:
cidades, economia, entretenimento, etc.

Para ampliar as informações presentes no jornal impresso, o leitor pode recorrer a diferentes fontes de
pesquisa: virtuais e impressas.

O texto e o leitor

1. Que adjetivo é utilizado no primeiro parágrafo da notícia para caracterizar mestre Bimba?

2. Procure no dicionário um significado desse adjetivo que tenha relação com a situação apresentada no
texto.

3. Qual a relação entre mestre Bimba e mestre Acordeon?


Fig. 2 (p. 138)
Mestre Bimba. s. d.
Arquivo/Ag. A Tarde/Folhapress
Página 139

4. Com base na caracterização de mestre Bimba, o que é possível o leitor deduzir sobre a formação de mestre
Acordeon como capoeirista?

5. A informação sobre o professor de mestre Acordeon auxilia na construção de sentido do texto? Justifique.

6. Releia o terceiro parágrafo da notícia e responda:

a) Quais termos são utilizados para caracterizar a força de união, a energia do grupo de capoeiristas e os
momentos relembrados da viagem?

b) Esses adjetivos atribuem que tipo de característica à viagem e à relação entre os capoeiristas?

7. Leia a definição de notícia a seguir.

Notícia – puro registro dos fatos, sem opiniões. A exatidão é o elemento-chave da notícia […].

Manual de Redação: Folha de S.Paulo. 14. ed. São Paulo: Publifolha, 2010. p. 88.

É possível afirmar que a notícia sobre a viagem do mestre Acordeon registra o fato de modo objetivo?
Justifique.

Fig. 1 (p. 139)


Fabiana Salomão/ID/BR

ANOTE

A objetividade das notícias é relativa, pois o jornalista, ao escolher um assunto, seleciona aspectos do que
será relatado: qualifica o fato de modo mais ou menos subjetivo, dá precisão maior ou menor aos
acontecimentos.

Comparação entre os textos

1. Compare as duas principais notícias lidas neste capítulo.

a) Por que a estratégia adotada pelo Ibama para tratar filhotes de animais silvestres e a chegada de mestre
Acordeon ao Recife foram noticiadas nos jornais?

b) Que recursos foram usados nas duas notícias para atrair a atenção dos leitores?

c) Qual das notícias usou mais dados para dar precisão ao fato relatado?

d) Qual das notícias apresenta uma situação em que há um problema a ser resolvido e uma estratégia para
ajudar a solucioná-lo?

e) Qual das notícias apresenta uma situação envolvendo esforço e dedicação incomuns para atingir uma
finalidade específica?

f) As notícias lidas foram retiradas de diferentes suportes. A primeira foi publicada em um jornal on-line,
enquanto a segunda é de um jornal impresso. O que caracteriza cada um desses suportes?

Sua opinião

1. De acordo com os manuais de jornalismo, as notícias relatam de forma objetiva e impessoal os fatos
ocorridos. Depois de ler as duas principais notícias do capítulo, é possível afirmar que os jornalistas
escreveram seus textos de modo imparcial?

A informação e a cidadania

Uma pessoa bem informada, que entende o que acontece em sua cidade, seu estado e seu país, pode defender
melhor seus direitos como cidadão.
Converse com os colegas e o professor sobre as seguintes questões:

I. De que maneira os jornais, as revistas, o rádio, a internet e a televisão podem ajudar as pessoas a evitar que
seus direitos sejam desrespeitados?

II. Que tipo de informação auxilia as pessoas a fazerem escolhas mais conscientes, relacionadas, por
exemplo, à política, ao consumo, entre outras?

III. Em sua opinião, ao ter acesso a uma notícia, é importante estar atento ao modo como os fatos são
apresentados ao interlocutor? Por quê?
Página 140

PRODUÇÃO DE TEXTO
Notícia

AQUECIMENTO

O título de uma notícia é um recurso importante para chamar a atenção do leitor para o fato ocorrido.

• Crie títulos de notícias considerando as seguintes informações.

a) Começaram a circular duas novas linhas de ônibus que ligam seu bairro ao centro da cidade.

b) No dia do aniversário de sua cidade, milhares de pessoas assistem, na praça principal, a uma apresentação
musical.

c) Uma aluna de sua escola vence um concurso de redação.

Fig. 1 (p. 140)


Fabiana Salomão/ID/BR
Centro

Proposta

Você e os colegas produzirão uma notícia voltada aos jovens que moram perto de sua escola. As notícias serão
divididas em cadernos, com temas de interesse do público leitor.

Observe os cadernos dos jornais. Qual deles apresenta temas de interesse para os jovens que serão os leitores
do jornal a ser produzido pela sua turma?

Fig. 2 (p. 140)


Diário do Nordeste/ID/BR
Agência Lance/ID/BR
Arquivo/Estadão Conteúdo
JC Imagem/ID/BR
Editoria de Arte/Folhapress
Caderno 3
Lance O niltão voltou
D Divirta-se
turrismo
cidades

Planejamento e elaboração do texto

1. Com a turma, faça uma lista de assuntos que despertam o interesse dos jovens que moram perto de sua
escola: apresentações musicais e artísticas que ocorrerão em sua cidade, campeonatos esportivos, abertura de
inscrições para cursos, entre outros.

2. Escolha um dos assuntos sugeridos para escrever sua notícia.


Página 141

3. Planeje seu texto, levando em conta os seguintes itens.

a) Título que atraia o leitor.


b) Linha fina da notícia.
c) Lide.
d) Corpo da notícia.
e) Fotografia que ilustre o fato.
f) Legenda.

4. Após planejar seu texto, escreva a notícia no caderno.

a) Lembre-se de que no lide devem constar as informações principais da notícia.


b) Utilize verbos em terceira pessoa para dar objetividade ao seu texto.
c) Lembre-se de que a seleção de palavras pode revelar a posição de quem escreve a notícia em relação ao
acontecimento noticiado.

Avaliação e reescrita do texto

1. Releia seu texto e observe os seguintes aspectos.

a) O assunto escolhido é de interesse dos jovens que moram perto de sua escola?
b) A linguagem está adequada ao público leitor?
c) Você acrescentou fotografias ou ilustrações à sua notícia?
d) A(s) legenda(s) amplia(m) as informações da(s) fotografia(s)?

2. Depois de avaliar seu texto, faça as modificações que considerar importantes.

3. O texto deve ser digitado ou pode ser escrito em folhas de papel sulfite.

Dicas para organizar o jornal da turma

Para elaborar o jornal da turma, é necessário pensar em como reunir e organizar as notícias coletadas. O
jornal pode ser impresso ou virtual.

• A turma será dividida em grupos.

• O grupo 1 deve ler todas as notícias e selecionar quais farão parte do jornal.

• O grupo 2 deve separar as notícias por temas. Por exemplo: caderno de notícias do bairro, de esportes, de
música, de saúde, etc.

• O grupo 3 fará a primeira página do jornal. Qual será a manchete de destaque na primeira página? Que
outras notícias farão parte dessa página? Como essa página será organizada (nome do jornal, data,
distribuição das notícias, das imagens, etc.)?

• Depois que os cadernos estiverem prontos, o grupo 4 deve organizar o jornal.

• Se o jornal for impresso, é preciso definir o formato, o papel a ser usado, a disposição das imagens e dos
textos. Se o jornal for virtual, as notícias podem ser organizadas em um blog.

• Se o jornal for impresso, podem ser feitas cópias para entregar também aos alunos das outras turmas da
escola. Caso o jornal seja virtual, o endereço eletrônico da publicação pode ser divulgado para os alunos da
escola, de forma que possam acessar as notícias.

Fig. 1 (p. 141)


Fabiana Salomão/ID/BR
J. PALAVRA
Página 142

REFLEXÃO LINGUÍSTICA
O adjetivo e suas flexões

1. Leia a notícia a seguir.

Floração do ipê-roxo marca a paisagem do DF e anuncia a nova estação

A chegada de uma nova estação no Cerrado chama mais a atenção pelas cores do que pela mudança brusca de
temperatura. Quem nasceu ou vive no Planalto Central sabe que, quando o capim verde se destaca na
paisagem, é sinal de que o inverno está próximo. Apesar da coloração puxada para o lilás, as árvores que
primeiro floreiam as ruas de Brasília são as de flores roxas. […]

Como cada cor tem o período específico para florescer, o brasiliense pode contar com as ruas floridas a partir
de agora. Os exemplares no fim do Eixão Norte, na Avenida das Nações, na Catedral e em frente ao
Ministério da Defesa, na Esplanada dos Ministérios, se exibem ao público. “Brasília é privilegiada em relação
aos ipês. Eu fico esperando a hora que vai florescer e não tem um ano que ele não floresça”, diz, encantado, o
técnico de laboratório Sérgio Rubens Ribeiro, 59 anos.

Os últimos ipês a começarem a florir são os de coloração branca e rosa-claro. Aparecem entre o fim de
setembro e o início de outubro. Por causa do florescimento rápido – em cinco anos, a árvore começa a dar
flores – essas árvores são bastante usadas no paisagismo de várias cidades brasileiras. [...]

O ipê-roxo atinge o auge da beleza por volta dos 30 anos. Nessa idade, a árvore chega ao pico do crescimento.
A média de altura varia de 12 a 15 metros, mas o tronco pode chegar a 20 metros. De acordo com a professora
Carmen Regina, quem quiser plantar um exemplar em casa não terá muito trabalho. A semente é pequena e
fica envolvida em uma fina película. Quando plantada, é fácil de pegar no solo. “Ela é alada, pronta para voar.
Como é leve, chega em lugares distantes. Por isso, vemos tantos ipês espalhados”, revela a professora. Além
da estética, a espécie tem valor econômico por causa da madeira e do uso medicinal.

Flávia Maia. Disponível em:


<http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2011/06/09/interna_cidadesdf,256042/florac
aodo-ipe-roxo-marca-a-paisagem-do-df-e-anuncia-a-nova-estacao.shtml>. Acesso em: 27 abr. 2015.

Fig. 1 (p. 142)


Brasília (DF), 2011.
Carlos Silva/CB/D.A Press

GLOSSÁRIO
Planalto Central: termo empregado para designar o espaço geográfico no qual se localiza o Distrito
Federal.

a) Que acontecimento revela a chegada do inverno no Planalto Central?

b) No título da notícia, há um adjetivo que indica a atualidade do assunto tratado no texto. Que adjetivo é
esse?

c) A qual substantivo esse adjetivo faz referência?

d) Reescreva o título, substituindo o termo indicado no item c pela expressão período do ano. Faça as
adaptações necessárias.

e) Além do termo trocado, que outra palavra no título foi alterada?

f) Após a alteração, o título ficou adequado ao contexto comunicativo?

g) Quais adjetivos apresentados no texto caracterizam a semente do ipê?


h) Caso o termo semente fosse apresentado no plural, como os adjetivos que o caracterizam seriam
registrados?

i) Se o substantivo semente fosse substituído por um termo masculino, qual dos adjetivos não seria alterado?

j) Explique qual a relação entre as características da semente do ipê e o fato de essa árvore ser comum em
várias cidades brasileiras.

Podemos notar que, na notícia, os adjetivos que qualificam os substantivos concordam com eles em gênero e
em número.
Página 143

Flexão de gênero e número

Os adjetivos são flexionados em número, gênero e grau, de acordo com os substantivos que acompanham.

nova

adjetivo feminino / singular

últimos

adjetivo masculino / plural

estação

substantivo feminino / singular

ipês

substantivo masculino / plural

O plural dos adjetivos simples segue, na maioria dos casos, as mesmas regras de flexão do substantivo.

Exemplo: semente pequena → sementes pequenas

Quanto ao gênero, os adjetivos podem ser uniformes ou biformes.

ANOTE

Adjetivos uniformes apresentam apenas uma forma, tanto para o feminino como para o masculino.
Exemplos: semente leve, grão leve.

Adjetivos biformes apresentam uma forma para o masculino e outra para o feminino. Exemplos: rua
florida, bairro florido.

Relacionando

Em textos do gênero notícia, tanto orais como escritos, os adjetivos são flexionados de acordo com os
substantivos que acompanham. Esse uso da língua corresponde a um dos parâmetros do jornalismo:
apresentar as notícias em uma linguagem de acordo com a norma-padrão, utilizando vocabulário acessível
aos possíveis interlocutores.

Flexão de grau

O adjetivo pode variar em grau. São dois os graus do adjetivo.

O grau comparativo é usado quando se comparam dois elementos entre si. O grau superlativo pode
elevar ao máximo a qualidade de um ser, sem o relacionarmos com outros seres.

Grau comparativo
Grau comparativo
De igualdade: O ipê é tão belo quanto uma rosa.
De superioridade: O ipê é mais belo que uma rosa.
De inferioridade: O ipê é menos belo que uma rosa.

Grau superlativo
Absoluto sintético: O ipê é belíssimo.
Absoluto analítico: O ipê é extremamente belo.
Relativo de superioridade: O ipê é o mais belo exemplar da flora brasileira.
Relativo de inferioridade: O ipê é o menos belo exemplar da flora brasileira.
ID/BR

Há exceções à regra na flexão de grau dos adjetivos bom, mau, grande e pequeno.

Superlativo
Adjetivo Comparativo de superioridade
Absoluto Relativo
bom melhor que ótimo ou boníssimo o melhor
mau pior que péssimo o pior
grande maior que máximo o maior de
pequeno menor que mínimo o menor de
ID/BR
Página 144

REFLEXÃO LINGUÍSTICA Na prática

1. Leia o texto a seguir.

Continho

Era uma vez um menino triste, magro e barrigudinho, do sertão de Pernambuco. Na soalheira danada de
meio-dia, ele estava sentado na poeira do caminho, imaginando bobagem, quando passou um gordo vigário a
cavalo:

– Você aí, menino, para onde vai essa estrada?

– Ela não vai não: nós é que vamos nela.

– Engraçadinho duma figa! Como você se chama?

– Eu não me chamo não, os outros é que me chamam de Zé.

Paulo Mendes Campos. Crônica 1. 27. ed. São Paulo: Ática, 2002. p. 76 (Coleção Para Gostar de Ler). © by
Joan A. Mendes Campos.

Fig. 1 (p. 144)


Andréa Vilela/ID/BR

a) Quais são os adjetivos que caracterizam o menino Zé?

b) Qual desses adjetivos não sofre flexão de gênero? Por quê?

c) A utilização do adjetivo no diminutivo indica qual característica do menino?

d) O que esses adjetivos revelam sobre a condição social do menino?

e) Qual é o sentido do adjetivo no trecho: “Na soalheira danada de meio-dia”?

f) Como o vigário é caracterizado?

g) Considerando o contexto, o que significa “Engraçadinho duma figa!”?

h) No texto, há uma situação inusitada que provoca humor. Que situação é essa?

2. Qual é o sentido do adjetivo danado nas frases a seguir?

a) Esta comida está danada de boa!

b) Cuidado que o cabra é danado.

c) Ele é danado no jogo de xadrez.

d) Desta vez, deu um trabalho danado!

e) Aquela menina é danada para aprender matemática.

3. Complete o texto com as palavras do quadro, fazendo a concordância necessária.

comprido vivo escuro duro de arame terrível


da gaiola de cavalo enorme cruel inteiro de aranha
do afogamento preto do inimigo excitado de calçados

Os passarinhos
Nossa casa tinha um porão cheio de mistério. Por causa dos ratos, que transmitiam doenças ______, minha
mãe não deixava brincar lá, mas o Arlindo e eu desobedecíamos. Com medo, rastejávamos entre as
tranqueiras do porão ______, aflitos com as teias ______ que grudavam na boca.

Na entrada do porão, meu tio Constante armava uma ratoeira ______ em forma de gaiola ______, com um
pedaço de queijo ______ pendurado no fundo. Quando o rato mordia a isca, a mola soltava e trancava a
porta ______, com força. Prendia o rato ______. Eram ratos ______ , ______, que meu tio afogava no
tanque.

Hoje acho ______ a cena ______, mas na época eu chamava a rua ______ para assistir. O tio tampava o
tanque e abria a torneira. Enquanto a água subia, a molecada se acotovelava em volta ______ com a
aflição______ O tio Constante trabalhava numa loja ______. Torcia pelo Corinthians no rádio, ouvia
corrida ______ e tinha uma criação de canário-do-reino num viveiro azul, amarelo e vermelho, perto do
quarador.

Drauzio Varella. Nas ruas do Brás. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2000. p. 19-20.

Acervo PNBE
Página 145

Responda sempre no caderno.

4. Leia um trecho de uma letra de canção.

Telegrama

Eu tava triste tristinho


mais sem graça que a top model magrela
na passarela
eu tava só sozinho
mais solitário que um paulistano
que um canastrão na hora que cai o pano
(que um vilão de filme mexicano) […]
tava mais bobo que banda de rock
que um palhaço do circo Vostok
mas ontem eu recebi um telegrama
era você de Aracaju ou de Alabama

Zeca Baleiro. Telegrama. Intérprete: Zeca Baleiro. Em: Pet shop mundo cão. MZA/Abril, 2002.

Fig. 1 (p. 145)


Andréa Vilela/ID/BR
TELEGRAMA

a) Que imagens o eu lírico usa para falar de seus sentimentos?

b) Esse texto apresenta várias comparações. O que elas têm em comum?

c) Alguns adjetivos e locuções adjetivas estão no grau comparativo de superioridade. Identifique-os e


explique o sentido que esse uso cria para a expressão dos sentimentos do eu lírico.

d) Por que o eu lírico repete o adjetivo e o usa na forma diminutiva na expressão triste tristinho?

e) Observe as frases a seguir e explique que alteração de sentido ocorreu em relação

às frases originais da letra da canção.

• Estava tão sem graça quanto a top model na passarela.

• Estava muito bobo.

5. Leia o fragmento de notícia a seguir.

Copa do Mundo: Corumbá é porta de entrada de chilenos, rumo a Cuiabá

“Chi-Chi-Chi-le-le-le-viva-Chile”. A estrofe adaptada de uma das canções mais representativas do Chile ecoou
no final da manhã e início de tarde dessa terça-feira, 10, em Corumbá. Foi no Posto Esdras, na fronteira com
a Bolívia, onde mais de 100 chilenos aguardavam o visto de entrada no Brasil. O destino, Cuiabá, no Mato
Grosso. Na agenda, o jogo de estreia da seleção chilena contra a Austrália, no dia 13 de junho, sexta-feira, 18
horas, na Arena Pantanal.

A movimentação foi grande. [...] A espera não incomodava. Muito pelo contrário. Enquanto aguardavam o
atendimento, os grupos entoavam a estrofe da canção criada por um estudante de 20 anos, em 1933, a bordo
de um barco, que nos anos 70 foi adaptada pelos clubes de futebol e cantada nas competições, tornando-se
um hino popular. […]

Disponível em: <http://www.folhadopovo.com.br/noticias/cidades/copa-mundo-corumba-e-porta-de-


entrada-dechilenos-rumo-cuiaba/>. Acesso em: 27 abr. 2015.

a) De acordo com o trecho lido, qual é o assunto tratado na notícia?


b) Identifique o adjetivo pátrio nesse trecho. A qual substantivo ele faz referência?

c) Qual é a relação entre o uso do adjetivo pátrio e o assunto tratado na notícia?

d) Se o redator da notícia optasse por utilizar o termo time em vez de seleção, qual flexão seria necessária ao
adjetivo pátrio presente no texto?

e) Que expressão presente no trecho indica o modo como a canção entoada pelos chilenos é por eles
caracterizada? Que adjetivo está presente nessa expressão?

f) Se esse adjetivo fizesse referência ao substantivo canção, ele seria flexionado? Justifique.
Página 146

6. Leia a tira.

Fig. 1 (p. 146)


Hagar, o Horrível, de Chris Browne.
2008 King Features Syndicate/Ipress
Q1: NUNCA VOU ME ESQUECER DA BELEZURA DE 19 ANOS QUE EU CONHECI EM GRANADA QUANDO EU ERA JOVEM!
Q2: ELA TINHA CABELO ESCURO, OLHOS VERDES, LÁBIOS VERMELHO-ESCUROS, UM SORRISO FLAMEJANTE, UMA FORMA PERFEITA, 162M, 52 KG E
UMA MARCA DE NASCENÇA NO BRAÇO ESQUERDO!
Q3: QUAL ERA O NOME DELA?
ESQUECI

a) Que sentimento a fala de Hagar expressa no primeiro quadrinho?

b) Que frases do texto confirmam essa ideia?

c) O terceiro quadrinho confirma a primeira fala de Hagar? Explique.

d) A palavra belezura foi usada por Hagar para se referir a uma pessoa. No texto, o que significa esse
substantivo?

e) Que características Hagar atribui à belezura?

f) Qual é a função dos adjetivos na apresentação da pessoa imaginada por Hagar?

g) Qual é o sentido do adjetivo flamejante no trecho “Ela tinha […] um sorriso flamejante”?

7. Leia a letra da canção a seguir.

Mundo novo, vida nova

Buscar um mundo novo, vida nova


E ver se, dessa vez, faço um final feliz
Deixar de lado
Aquelas velhas histórias
O verso usado
O canto antigo
Vou dizer adeus
Fazer de tudo e todos bela lembrança
Deixar de ser só esperança
E por minhas mãos, lutando, me superar
Vou traçar no tempo meu próprio caminho
E assim abrir meu peito ao vento
Me libertar
De ser somente aquilo que se espera
Em forma, jeito, luz e cor
E vou
Vou pegar um mundo novo, vida nova
Vou pegar um mundo novo, vida nova.

Luís Gonzaga Júnior. Mundo novo, vida nova. Intérprete: Elis Regina. Em: Saudade do Brasil. Warner
Music,1989. 2 CDs. Faixa 7.

Fig. 2 (p. 146)


Andréa Vilela/ID/BR

a) No texto, expressa-se um desejo de mudança. Qual é a mudança pretendida?

b) Que adjetivos caracterizam a mudança que o eu lírico pretende realizar?

c) Se invertermos a posição dos adjetivos das expressões velhas histórias e canto antigo, ocorrerá mudança
de sentido? Explique.
d) Identifique no texto um adjetivo uniforme e registre sua flexão no grau superlativo absoluto sintético.
Página 147

LÍNGUA VIVA
Responda sempre no caderno

O valor semântico da flexão dos adjetivos

1. Leia o poema e responda.

Porquinho-da-índia

Quando eu tinha seis anos


Ganhei um porquinho-da-índia
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...
– O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.

Manuel Bandeira. Estrela da vida inteira. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. p. 130.

Fig. 1 (p. 147)


Andréa Vilela/ID/BR

Acervo PNBE

a) De acordo com o poeta, como o porquinho-da-índia se comportava?

b) O que esse comportamento do porquinho provocava no dono?

c) Copie o verso em que os adjetivos estão flexionados em grau.

d) Qual flexão de grau ocorre nesse verso? Justifique.

e) Copie os diminutivos utilizados no texto.

f) Qual significado o uso do diminutivo limpinhos tem nesse poema?

g) No último verso do poema, afirma-se que “o porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada”. Qual é a
relação entre o comportamento do porquinho e essa afirmação?

2. Explique os sentidos das flexões do adjetivo nas seguintes frases.

a) Que gracinha de bebê! Ele está cheirosinho.

b) Aquele moço é mesmo bonitão.

c) Cuidado com aquele espertalhão.

3. Leia os títulos retirados das revistas Atrevida e Todateen, dirigidas ao público adolescente.

Entrevista exclusiva com o fofíssimo Howie D

Disponível em: <http://atrevida.uol.com.br/comportamento-moda/sumarios/sumario_563.asp>. Acesso


em: 12 jan. 2015.

Fique com o look moderninho usando apenas peças básicas


Disponível em: <http://m.todateen.uol.com.br/edicao/edicao-185-abril-2011/>. Acesso em: 12 jan. 2015.

a) Explique o sentido dos adjetivos fofíssimo e moderninho nos títulos.

b) Se esses títulos estivessem escritos no sumário de uma revista cujo público-alvo fosse pessoas adultas,
como os adjetivos provavelmente seriam empregados? Reescreva-os.

ANOTE

As flexões de grau do adjetivo expressam, além da ideia de tamanho, carinho, afeto, intensidade da
qualidade, valor negativo, etc.
Página 148

QUESTÕES DA ESCRITA
Responda sempre no caderno.

Sílaba tônica e acentuação das oxítonas e das proparoxítonas

Sílaba tônica

1. Leia a tira a seguir.

Fig. 1 (p. 148)


Gato e Gata, de Laerte.
Laerte/Acervo do artista
Q1: … RÔNEI? AQUI É O GATO‼
MMMM… …. SABE QUE SÃO 4 DA MANHÃ?
Q2: VOCÊ É O ÚNICO QUE EU CONHEÇO QUE ENTENDE DESSAS COISAS, RÔNEI! .. EU ME APAIXONEI, E O EFEITO NÃO PASSA‼ O QUE FAÇO?!
Q3: TOME LEITE. LEITE CORTA - AGORA ME DEIXA DORMIR!
Q4: NÃO ESTÁ FUNCIONANDO!

Leia em voz alta as palavras está, gato e único. Qual sílaba dessas palavras é pronunciada com mais
intensidade?

As palavras está, gato e único têm uma sílaba pronunciada com mais intensidade.

Essa sílaba recebe o nome de sílaba tônica.

ANOTE

Sílaba tônica: é pronunciada de forma mais intensa.

Sílaba átona: é pronunciada de forma menos intensa.

Conforme a posição da sílaba tônica, as palavras de duas ou mais sílabas recebem a seguinte classificação.

Palavras oxítonas: quando a sílaba tônica é a última.

Exemplos: visitar, gerou, lugar, inglês.

Palavras paroxítonas: quando a sílaba tônica é a penúltima.

Exemplos: certo, ponto, mundo, exclusiva.

Palavras proparoxítonas: quando a sílaba tônica é a antepenúltima.

Exemplos: fantástico, pacífico, próspero.

Acentuação das oxítonas

2. Leia a seguir o trecho de uma notícia.

Comidinhas da fazenda da vovó servidas em café no centro de São Paulo

[…]

As delícias que durante muitos anos foram preparadas na Fazenda Tangará, em Juquiá, no interior de São
Paulo, estão sendo servidas, desde fevereiro desse ano, […] na região central de São Paulo. Entre elas, está o
bolo cozido de fubá, que se come quente e é vendido em fatias. […]
Luciana Ackermann. Disponível em:
<http://oglobo.globo.com/saude/terceiraidade/mat/2006/09/06/285560027.asp>. Acesso em: 27 abr.
2015.

Fig. 2 (p. 148)


Fabiana Salomão/ID/BR

a) Com relação à acentuação gráfica, qual é a semelhança existente entre as palavras vovó, café, Tangará,
Juquiá, está e fubá?

b) Com relação à tonicidade, qual é a classificação dessas palavras?


Página 149

ANOTE

São acentuadas as oxítonas terminadas em -a, -e, -o, -em, seguidas ou não de -s.

Acentuação das proparoxítonas

3. Leia as palavras.

mágico ecológico óculos próximo título

a) Qual é a posição da sílaba tônica nessas palavras?

b) Como elas são classificadas?

c) Com relação à acentuação, qual é a semelhança entre essas palavras?

ANOTE

Todas as palavras proparoxítonas são acentuadas.

4. Copie as frases a seguir, acentuando as palavras quando necessário.

a) Meus avos vieram de cidades distantes.

b) O cafe é uma bebida muito apreciada pelo povo brasileiro.

c) Os jovens alugaram um chale na praia.

d) A professora recebeu um buque de rosas.

e) Os passaros sobrevoavam toda a cidade.

f) A familia levou os utensilios para o deposito.

g) Os atores vestiram roupas de epoca.

h) O jacare é um animal encontrado no Pantanal brasileiro.

5. Selecione três palavras oxítonas e três palavras proparoxítonas presentes no exercício anterior e justifique
o porquê do uso do acento.

Entreletras

Adivinhe se puder

1. Quem é maior, o Sol ou a Lua?

2. O que é, o que é: Quanto mais curto for, mais rápido é?

3. O que é ainda pior do que encontrar uma goiaba bichada?

4. O que pesa mais no mundo?

5. O que é, o que é: É meu, mas meus amigos usam mais do que eu?

6. Qual é a coisa mais veloz do mundo?

Fig. 1 (p. 149)


Leandro Lassmar/ID/BR
PARA SABER MAIS

Livro
A menina do tempo, de Eva Piquer. Edições SM.

Fig. 2 (p. 149)


Edições SM/Arquivo da editora
A menina do tempo
Página 150

Atividades globais

REFLEXÃO LINGUÍSTICA

Responda sempre no caderno.

1. Leia o poema.

Voo triste e voo alegre

Enquanto a andorinha
na tarde, sozinha,
viaja tristinha,
de flor em flor
voa o beija-flor
num miniventilador.

Cyro de Mattos. O menino camelô. São Paulo: Atual, 1992.

Fig. 1 (p. 150)


Leandro Lassmar/ID/BR

a) O título do poema caracteriza o voo dos pássaros. A que se referem os adjetivos do título?

b) A andorinha “viaja tristinha”. Que sentido o uso desse adjetivo acrescenta ao sentimento da andorinha?

c) Em que grau está esse adjetivo?

d) Que ação do beija-flor contrasta com a tristeza do voo da andorinha?

2. Leia o trecho de uma história de Monteiro Lobato.

Chamava-se João Teodoro, só. O mais pacato e modesto dos homens. Honestíssimo e lealíssimo, com um
defeito apenas: não dar o mínimo valor a si próprio. Para João Teodoro, a coisa de menos importância no
mundo era João Teodoro.

Monteiro Lobato. Um homem de consciência. Em: Cidades mortas. São Paulo: Globo, 2008.

Acervo PNBE

a) Qual é o sentido da palavra só em “Chamava-se João Teodoro, só.”?

b) Quais adjetivos se referem a João Teodoro?

c) Que sentidos honestíssimo e lealíssimo acrescentam às qualidades de João Teodoro?

3. Nas frases a seguir, passe os adjetivos destacados para o feminino, fazendo as adaptações necessárias.

a) O bom menino receberá os cumprimentos de todos.

b) Um jovem europeu veio ao Brasil para as festas de Carnaval.

c) Os homens ateus foram perseguidos na Idade Média.

d) O rapaz judeu casou-se ontem pela manhã.

4. Leia a tira abaixo.

Fig. 2 (p. 150)


Recruta Zero, de Greg e Mort Walker.
2008 King Features Syndicate/Ipress
Q1: EU QUERO FAZER ALGO DIFERENTE EM NOSSAS TARDES.
CLARO O QUE VOCÊ QUER FAZER?
Q2: PEGAR AULA DE ARTE.
UMA AULA DE ARTE?!
Q3: EU PENSEI QUE VOCÊ TALVEZ QUISESSE TROCAR DE PIPOCA DE QUEIJO PARA PIPOCA DE BACON.

a) Qual é o sentido de “fazer algo diferente” no primeiro quadrinho?

b) Como o sargento entendeu o sentido dessa expressão?

c) Que locuções adjetivas aparecem nos quadrinhos?

5. Explique o sentido dos adjetivos destacados.

a) A atriz chegou à festa elegantíssima.

b) Ele é um grande menino.

c) Ele é um menino grande.


Página 151

O que você aprendeu neste capítulo

Notícia

• Notícia: gênero jornalístico que informa os fatos ocorridos recentemente.

• Depoimento: um dos recursos que dão credibilidade à notícia.

• Título: traz informações da notícia que despertam o interesse do leitor. Geralmente, apresenta verbos no
presente.

• Linha fina: pequeno texto que acompanha o título.

• Lide: apresenta as informações básicas da notícia: o que, quem, quando, onde, como e por quê.

• A notícia circula em jornais de grande porte ou em jornais especializados.

• O jornal é dividido em seções, chamadas de cadernos, que tratam de diferentes assuntos.

• Linguagem: impessoal e objetiva, com verbos na terceira pessoa.

• Alguns recursos dão credibilidade e precisão à notícia, como o uso de dados numéricos e as
indicações de lugares.

• A notícia costuma apresentar fotografias, acompanhadas por legendas (pequenos textos que explicam a
imagem e complementam as informações).

Adjetivo

• Palavra que caracteriza os substantivos, acrescentando-lhes noções de qualidade, condição,


julgamento, estado.

• Classificação: simples (uma única palavra), compostos (mais de uma palavra), primitivos (não são
originados de outras palavras), derivados (originados de outras palavras), pátrios (indicam
nacionalidade).

• O adjetivo tem um papel importante na notícia, pois caracteriza o que está sendo relatado,
acrescentando detalhes aos fatos apresentados.

• Flexões: número (singular e plural), gênero (uniformes e biformes) e grau (comparativo e superlativo).

• Locução adjetiva: exerce a mesma função dos adjetivos. Geralmente é formada por uma preposição e um
substantivo.

Sílaba tônica

• Palavra oxítona: quando a sílaba tônica é a última.

• Palavra paroxítona: quando a sílaba tônica é a penúltima.

• Palavra proparoxítona: quando a sílaba tônica é a antepenúltima.

Acentuação

• Palavras oxítonas: são acentuadas quando terminadas em -a, -e, -o e -em, seguidas ou não de -s.

• Palavras proparoxítonas: todas são acentuadas.

Autoavaliação
Para fazer a autoavaliação, releia o quadro O que você aprendeu neste capítulo.

• Qual conteúdo você teve mais dificuldade em compreender? Por quê?

• Como foi sua participação nas atividades de produção do jornal em grupo? Comente.

• Em qual atividade você mais gostou de trabalhar? Por quê?


Página 152

ORALIDADE
Locução de notícias para rádio

1. Leia a notícia transmitida pela rádio CBN Recife, na edição de 7 de julho de 2014.

A 4ª edição do Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos está com inscrições abertas até o dia 27
de agosto, por meio da internet. O objetivo é contribuir para a formação de uma cultura que defende valores,
atitudes e práticas sociais que respeitem os direitos dos cidadãos. O prêmio é uma realização do Ministério
da Educação (MEC), em parceria com a organização dos estados Íbero-americanos para a educação e com a
Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Dividido em quatro categorias, o prêmio vai
conceder premiação que pode chegar a R$ 15 mil. Outras informações podem ser observadas no site da
iniciativa, o www.educacaoemdireitoshumanos.sdh.gov.br.

Disponível em: <http://cbnrecife.com/noticia/inscricoes-abertas-para-a-4ª-edicao-do-premionacional-de-


educacao-em-direitos-humanos>. Acesso em: 12 jan. 2015.

Fig. 1 (p. 152)


Leandro Lassmar/ID/BR
NO AR

Compare-a com a notícia a seguir, publicada no jornal Correio Braziliense.

Abertas inscrições para o 4º Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos

Instituições com atuação destacada na área de educação em direitos humanos têm até 27 de agosto próximo
para fazer a inscrição no Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos. Podem participar instituições
públicas e particulares de educação básica e superior, secretarias estaduais e municipais de educação e
instituições de educação não formal.

Essas instituições podem inscrever trabalhos desenvolvidos em parceria com outras entidades ou
organizações da sociedade civil, como associações de pais e mestres, grêmios estudantis, diretórios
acadêmicos, conselhos escolares, municipais e estaduais de educação, sindicatos, igrejas e demais entidades
vinculadas à educação e à cultura.

Quatro categorias serão premiadas:

As Secretarias de Educação na Construção da Educação em Direitos Humanos.

A Educação em Direitos Humanos na Escola.

A Formação, a Pesquisa e a Extensão em Educação em Direitos Humanos.

A Sociedade na Educação em Direitos Humanos.

Os primeiros colocados em cada categoria receberão prêmio de R$ 15 mil; os segundos colocados, R$ 5 mil.
Há também menção honrosa para experiências referentes a temáticas específicas. Este ano, o tema será a
educação indígena.

A quarta edição do prêmio, que é bienal, foi lançada em maio, no Fórum Nacional da União Nacional dos
Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Ela é promovida pela Secretaria de Direitos Humanos da
Presidência da República e pelo Ministério da Educação. As inscrições, gratuitas, podem ser feitas na página
do prêmio na internet ou pelos Correios, como carta registrada ou Sedex, com aviso de recebimento.

Disponível em: <http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-


estudante/selecao/2014/06/12/Selecao_Interna,432300/abertas-inscricoes-para-o-4-premio-nacional-de-
educacao-em-direitos-humano.shtml>. Acesso em: 12 jan. 2015.
a) Embora os textos tratem do mesmo fato, a matéria do Correio Braziliense é mais completa e extensa. Que
diferenças você encontra entre os textos?

b) Considerando as informações presentes em cada um dos textos, a que se deve a diferença encontrada nos
textos?

c) Observe a linguagem utilizada nos dois textos: há diferenças em relação ao nível de formalidade da língua?
Explique.
Página 153

d) Se possível, acesse o site <http://cbnrecife.com/noticia/inscricoes-abertas-para-a-4a-edicao-do-premio-


nacional-de-educacao-em-direitos-humanos>, ouça a notícia veiculada na rádio e observe a entonação da
jornalista. Quais são as características da locução da notícia?

e) O texto apresentado parece ter sido elaborado no mesmo momento em que é falado ou a jornalista parece
seguir um texto já planejado e escrito? Justifique.

Produção de texto: notícia para rádio

O que você vai fazer

Em grupo, você e os colegas vão elaborar um jornal radiofônico. Conversem com o professor para decidir se
cada grupo produzirá um áudio ou se fará a apresentação ao vivo, em sala de aula. É importante, porém, que
a decisão seja válida para todos os grupos.

Fig. 1 (p. 153)


Leandro Lassmar/ID/BR

Preparação da apresentação

A turma será dividida em grupos de cinco alunos. Um dos alunos será o âncora do jornal, o responsável por
saudar o interlocutor, anunciar as notícias e concluir o noticiário. Os demais alunos serão os repórteres,
responsáveis por apresentar as notícias.

1. Cada um dos alunos, exceto o âncora, selecionará uma das notícias escritas com base nas propostas de
produção de texto deste capítulo para apresentar no jornal.

2. As notícias devem ser adaptadas para atender aos seguintes critérios: os textos devem ser objetivos e cada
notícia deve ser apresentada em, no máximo, um minuto.

3. Em seguida, o grupo deve escolher um nome para o jornal.

4. O âncora, junto com os demais alunos, verificará como fazer as saudações inicial e final e como introduzir
cada uma das notícias, destacando algum aspecto relevante sobre o fato a ser noticiado. O grupo também
precisa decidir a ordem em que as notícias serão apresentadas.

5. Registre e ordene todas as informações do item 4 em forma de lista de apoio, de modo que o âncora e os
repórteres possam segui-la e saibam como proceder durante a apresentação do jornal.

6. O âncora e os repórteres devem cuidar da dicção: articular bem as palavras, falar em tom audível e
respeitar as pausas. Também devem estar atentos à entonação e aos aspectos que pretendem enfatizar no
texto.

7. Utilize linguagem formal. Evite gírias e palavras inadequadas à situação.

8. Durante a apresentação do jornal, os repórteres devem estar com a notícia em mãos e o âncora com a lista
de apoio, de forma a garantir a organização do noticiário.

Avaliação

Avalie a apresentação das notícias no jornal com a orientação do professor.

• As notícias foram apresentadas de modo objetivo e com linguagem formal?

• O tempo indicado para apresentação de cada notícia foi respeitado?

• Os repórteres e o âncora utilizaram entonação adequada?

• O âncora saudou os ouvintes, fez uma introdução adequada para as notícias e concluiu o noticiário?
• O grupo demonstrou organização durante a apresentação do jornal?
Página 154

CAPÍTULO 5- Relato de viagem e diário de


viagem
CONVERSE COM OS COLEGAS

1. Observe a imagem ao lado. Ela compõe a quarta capa do livro Luzes da África: pai e filho em busca da
alma de um continente, de Haroldo Castro.

a) O livro relata uma viagem. Quais elementos da imagem comprovam essa afirmação?

b) Apesar de ser um lugar desértico, há pistas de que mais pessoas passam pelo lugar retratado. Que pistas
são essas?

c) Que situações você acha que o autor vivenciou nessa viagem?

d) Que sentido pode ter a expressão “alma de um continente”?

e) Que sensações devem ter vivido pai e filho ao se depararem com a cultura dos povos africanos?

2. Imagine que você tenha participado da viagem e queira relatar sua experiência a outras pessoas, por
escrito.

a) Que tipo de informações você acredita que deveriam fazer parte de seu relato?

b) Além das fotografias, quais outros recursos você utilizaria no texto para registrar as informações sobre a
viagem?

3. Você conhece outros viajantes que têm as aventuras registradas em livros ou filmes? Quais?

4. Quais objetivos tem uma pessoa ao escrever um relato de viagem?

5. O que leva uma pessoa a querer ler um relato de viagem?

A imagem que acabamos de analisar faz parte do registro de uma viagem que pai e filho fizeram pelo
continente africano.

Neste capítulo, estudaremos as principais características dos textos que registram esse tipo de aventura, os
relatos de viagem e os diários de viagem.

Fig. 1 (p. 154)


Fotografia retirada do livro Luzes da África: pai e filho em busca da alma de um continente, de Haroldo
Castro. Editora Civilização Brasileira, 2012.
Haroldo Castro/Acervo do fotógrafo
Página 155

O que você vai aprender

• Características principais do relato de viagem e do diário de viagem


• Seleção e organização de informações
• Artigo, numeral e interjeição
• Acentuação das paroxítonas
Página 156

LEITURA 1
Relato de viagem

O QUE VOCÊ VAI LER

Fig. 1 (p. 156)


Amyr Klink (1955- ), navegador e escritor. Fotografia de 2014.
Iara Morselli/Estadão Conteúdo

O trecho do relato de viagem que você vai ler foi escrito pelo navegador brasileiro Amyr Klink, que já realizou
diversas façanhas, como passar um ano inteiro na Antártida e dar a volta ao mundo pela rota mais difícil: a
circum-navegação em torno do continente antártico. O texto a seguir faz parte de um livro chamado Cem
dias entre céu e mar, em que Amyr Klink relata uma viagem de travessia do Atlântico Sul. O navegador
percorreu 7 mil quilômetros, da Namíbia (África) à cidade de Salvador (Brasil), entre 10 de junho e 19 de
setembro de 1984. Foi a primeira vez que um homem cruzou sozinho o Atlântico Sul em um barco a remo de
6 metros de comprimento.

Durante a travessia, Amyr registrou, dia após dia, os desafios enfrentados e os pensamentos a respeito do que
viu.

Partir

A situação a bordo era desoladora. O vento ensurdecedor, o mar difícil, roupas encharcadas, muito frio e
alguns estragos. Pela frente, uma eternidade até o Brasil. Para trás, uma costa inóspita, desolada e
perigosamente próxima. Sabia melhor que ninguém avaliar as dificuldades que eu teria daquele momento em
diante. Estava saindo na pior época do ano, final de outono, e teria pela frente um inverno inteiro no mar.

[…]

Finalmente, meu caminho dependeria do meu esforço e dedicação, de decisões minhas e não de terceiros, e
eu me sentia suficientemente capaz de solucionar todos os problemas que surgissem, de encontrar saídas
para os apuros em que porventura me metesse.

Se estava com medo? Mais que a espuma das ondas, estava branco, completamente branco de medo. Mas, ao
me encontrar afinal só, só e independente, senti uma súbita calma. Era preciso começar a trabalhar rápido,
deixar a África para trás, e era exatamente o que eu estava fazendo. […]

Não estava obstinado de maneira cega pela ideia da travessia, como poderia parecer – estava simplesmente
encantado. Trabalhei nela com os pés no chão, e, se em algum momento, por razões de segurança, tivesse que
voltar atrás e recomeçar, não teria a menor hesitação. Confiava por completo no meu projeto e não estava
disposto a me lançar em cegas aventuras. Mas não poder pelo menos tentar teria sido muito triste. Não
pretendia desafiar o Atlântico – a natureza é infinitamente mais forte do que o homem –, mas sim conhecer
seus segredos, de um lado ao outro. Para isso era preciso conviver com os caprichos do mar e deles saber tirar
proveito. E eu sabia como.

[…]

Fig. 2 (p. 156)


A preparação para a viagem. Namíbia, África, 1984.
AKPE/Amyr Klink
Página 157

Fig. 1 (p. 157)


Amyr Klink em alto-mar, Atlântico Sul, 1984.
AKPE/Amyr Klink

Uma foca solitária

Acordei no dia seguinte sobressaltado, dolorido após o esforço feito na véspera. Mal me lembrava de ter
deitado para dormir. Encaixado no fundo da popa, eu não sentia o movimento do barco e só via o horizonte e
as estrelas passando rápido pela janelinha. Mas, ao me levantar para ir ao trabalho, percebi que o mar
piorara bastante durante a noite. Paciência! Agora era comigo mesmo. Tinha um imenso e desconhecido
oceano pela frente que na verdade me atraía, e para trás, gravada na memória, uma fase dura, da qual não
sentia a mínima saudade.

E comecei a remar. Remar de costas, olhando para trás, pensando para frente. Eu queria me afastar o mais
rapidamente possível da costa africana. Avançava com dificuldade, devido às ondas que me molhavam a cada
cinco minutos, mas não podia parar. Cada centímetro longe dessa região era de fundamental importância.

Sopram ali, o ano todo, ventos implacáveis, que movem as dunas do deserto da Namíbia e carregam a areia
fina, deixando os diamantes à flor da superfície. Diamantes da mais alta qualidade (gem quality), lavados
pelo mar e polidos pela areia, e em tal extensão que sua exploração é fortemente controlada e delimitada.

É a “zona proibida dos diamantes”, que isola toda a costa até Walvis Bay e onde qualquer embarcação que se
aproxima não tarda a ser apreendida. Nenhum veículo, por terra, ou ar, que ultrapasse seus limites pode sair
dali. Por mar, a mesma coisa. Por outro lado, qualquer aproximação, ainda que de emergência, é
impraticável, pois não existe em enorme extensão de litoral um único abrigo ou enseada acessível, ou livre de
arrebentação.

Ao mesmo tempo, eu navegava na região que detém o recorde do maior número de naufrágios junto à costa,
em tempo de paz, até 1945, de todo o continente africano. Não sem razão. Zona de ressurgência fria, com
turbulências térmicas e ondas acima da altura média para sua latitude, a navegação por essas águas é
dificultada por fenômenos anormais surgidos com as bruscas variações de temperatura. […]

De fato, nada colaborava para que eu achasse normal a paisagem à minha volta. Ondas completamente
descontroladas, águas escuras, tempo encoberto, um barulho ensurdecedor. Por onde andariam as tranquilas
águas azuis do Atlântico de que tanto ouvi falar? Sem dúvida, longe da África.

[…]
Página 158

Fig. 1 (p. 158)


Chegada de Amyr Klink ao Brasil. Salvador (BA), 1984.
AKPE/Amyr Klink

No fim do dia, ao me levantar para amarrar os remos e jogar a biruta no mar, antes de ir dormir, olhei para o
horizonte e, em vez de mar, como imaginava, o que vi? As dunas do deserto! Durante a noite, enquanto
dormia, o barco derivara de volta e eu me encontrava novamente junto à costa.

[…]

Naquela mesma noite fui acordado diversas vezes por ondas que golpeavam o barco com impressionante
violência. O mar parecia ter enlouquecido e não havia mais nada que eu pudesse fazer a não ser permanecer
deitado e rezar. Choques tremendos, um barulho assustador, tudo escuro; adormeci. E acordei, deitado no
teto, quase me afogando em sacolas e roupas que me vieram à cabeça. Tudo ao contrário: eu havia capotado.
Indescritível sensação.Estaria sonhando ainda?

Não. Alguns segundos, outra onda e tudo voltava à posição normal em total desordem!

Mal tive tempo de analisar o que se passou, e o mundo deu novamente uma volta completa, tão rápida que
nem cheguei a sair do lugar. Lembrei-me da blusa verde, que ganhei da Anne Marie, solta no cockpit, e dos
remos – estariam ainda inteiros no seu lugar? Impossível descobrir naquele momento. Precisava tirar a água
primeiro. Não havia tempo para pensar. Sem que eu parasse um minuto de acionar a alavanca da bomba, o
dia começou a nascer e pude então perceber o tamanho da encrenca.

[…]

Amyr Klink. Cem dias entre céu e mar. 3. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 21-22 e 47-50.

GLOSSÁRIO
Arrebentação: choque das ondas ou lugar onde elas se quebram.
Biruta: aparelho para indicar a direção do vento.
Cockpit: local destinado aos pilotos de carros de corrida ou em algumas embarcações.
Derivar: desviar da rota.
Desolador: que apresenta aparência de isolamento, desamparo e aflição.
Enseada: pequena baía na costa do mar, que serve de porto a embarcações.
Hesitação: indecisão, dúvida.
Inóspito: desfavorável à vida; difícil.
Latitude: distância de um ponto do globo terrestre em relação à linha do Equador.
Obstinado: inflexível; que defende uma opinião ou propósito, mesmo quando contrários à razão; teimoso.
Popa: parte de trás de uma embarcação.
Ressurgência: movimento ascendente de águas profundas para a superfície.
Sobressaltado: bastante agitado; inquieto.
Página 159

Estudo do texto
Responda sempre no caderno.

Para entender o texto

1. Com base nas informações do texto e do quadro O que você vai ler, responda.

a) O relato trata de que viagem?

b) Quem está realizando a viagem?

c) Quem está relatando essa viagem?

d) Qual é o veículo utilizado na viagem?

e) Como é a região por onde Amyr Klink passou?

Fig. 1 (p. 159)


Fabiana Salomão/ID/BR

2. O texto que você leu apresenta duas partes: em uma delas, Amyr Klink fala dos sentimentos dele em
determinado momento da viagem e, em outra, apresenta uma situação de perigo que enfrentou. Quais os
títulos dessas duas partes, respectivamente?

3. Releia a primeira parte do texto. Como Amyr Klink se sentia em relação à viagem a que se lançou?

4. Amyr Klink planejou a viagem antes de realizá-la. Retire do texto um trecho que comprove essa afirmação.

5. Na primeira parte do texto, Amyr Klink demonstra respeito à natureza. Transcreva no caderno a passagem
que mostra a visão do autor sobre seu relacionamento com a natureza.

6. Releia o título da segunda parte do texto. Que significado ele tem, levando em conta o que foi relatado por
Amyr Klink?

7. Mesmo sabendo das dificuldades que enfrentaria na viagem, há situações, na segunda parte do texto, em
que o autor se vê apreensivo e surpreso.

a) De qual região era fundamental que Amyr Klink se afastasse rapidamente? Por quê?

b) Qual perigo ele estaria correndo se não se afastasse logo dessa região? Justifique sua resposta.

c) Como Amyr Klink se sente ao avistar as dunas do deserto da Namíbia?

d) Por que ele demonstra esse sentimento?

e) O que aconteceu com o barco que deixou o navegador totalmente incapacitado para agir?

8. Com base no texto lido, é possível imaginar as situações que o navegador enfrentou nessa fase da viagem?
Por quê?

ANOTE

Nos relatos de viagem, é importante que as informações selecionadas possibilitem ao leitor imaginar
os locais e as situações vivenciadas por quem o escreve.

9. Você acredita que Amyr Klink teve sucesso em sua travessia? Justifique sua resposta.

10. Se você fosse realizar uma viagem como essa de Amyr Klink, o que seria necessário saber?
Página 160

Responda sempre no caderno.

Seleção e organização de informações

1. Quanto tempo durou a viagem realizada por Amyr Klink?

2. Amyr Klink relatou no livro tudo o que aconteceu com ele e tudo o que viu durante a travessia? Justifique
sua resposta.

3. Quais informações Amyr Klink apresenta sobre os elementos que envolveram sua travessia?

4. Copie o quadro a seguir, completando-o com as informações que foram dadas por Amyr Klink a respeito
dos locais indicados.

Local Características
Costa da Namíbia
Mar
ID/BR

ANOTE

Para que o leitor possa formar uma imagem dos espaços visitados pelo viajante, é importante caracterizá-
los. Isso é feito pela seleção dos acontecimentos que o autor considera mais marcantes.

5. Observe, no mapa a seguir, a rota de Amyr Klink em sua travessia.

Fig. 1 (p. 160)


Mapa elaborado com base nos dados do livro Cem dias entre céu e mar, de Amyr Klink.
ID/BR
Rota percorrida por Amyr Klink na travessia
NAMÍBIA
Salvador
(19/9/84)
BAHIA
Praia da Espera
(18/9/84)
12/9
6/9
1/9 25/8
15/8
6/8
28/7
14/7
28/6
15/6
Lüderitz
(10/6/84)
I. Santa Helena
BRASIL
ÁFRICA
Trópico de Capricórnio
OCEANO ATLÂNTICO
0 762 1524 km
NO NE
SO SE

a) De qual lugar Amyr Klink partiu? E para qual destino?

b) De que modo esse mapa contribui para a compreensão da viagem relatada no texto?

6. Observe as fotografias que acompanham o texto de Amyr Klink.


a) Essas fotografias são imprescindíveis para a compreensão dos fatos relatados? Explique.

b) Que informações cada uma dessas fotografias acrescenta ao texto?

ANOTE

Além das informações presentes no texto, nos relatos de viagem é comum a utilização de imagens, para
que o leitor possa compreender melhor o que está sendo relatado. As imagens auxiliam a caracterização dos
espaços e podem trazer novas informações ao leitor.
Página 161

7. Localize, no relato de Amyr Klink, expressões que marcam o tempo em que os fatos ocorreram e
transcreva-as.

8. Que efeitos a ausência dessas informações produziria no texto?

9. Leia o trecho a seguir, também extraído do livro de Amyr Klink.

[…] Os dias passaram voando e o rendimento melhorara enormemente. Estava agora a 120 milhas da costa e
a mais de 170 de Lüderitz; encontrava tempo para tudo e não mais precisava voar sobre o jantar para
terminar de lavar a louça antes que escurecesse.

Esse foi um domingo de grandes comemorações. Completava uma semana no mar, e fiz uma enorme festa
[…].

Amyr Klink. Cem dias entre céu e mar. 3. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 54-55.

Copie informações sobre as ações do autor e indicações sobre o tempo e o lugar em que ocorreram.

ANOTE

Em relatos de viagem, os marcadores de tempo organizam as informações do texto, possibilitando saber


quando e em que sequência os fatos ocorreram. Da mesma maneira, a objetividade e a precisão das
indicações de espaço possibilitam que o leitor acompanhe a viagem, associando as informações do texto
aos locais visitados.

10. No relato que você leu nas páginas anteriores, identifique e transcreva os trechos em que os sentimentos
de Amyr Klink são apresentados ao leitor.

11. Leia os trechos abaixo, relativos aos momentos de partida para a África e de chegada ao Brasil.

O cais da espera

Não tinha sono, e fiquei a dar voltas pelo porto. Eram os nervos, talvez. Foi uma despedida um pouco tensa.
Sentia todos preocupados e, pior que isso, eu estava preocupado. Partia às pressas para um país que não
conhecia, e não tinha a menor noção de como chegar ao meu destino, a Namíbia […].

A Praia da Espera

Na quietude daquela noite, a última, ancorado no infinito sossego da Praia da Espera, sonhando com os olhos
abertos e ouvindo outros barcos que também dormiam, descobri que a maior felicidade que existe é a
silenciosa certeza de que vale a pena viver.

Amyr Klink. Cem dias entre céu e mar. 3. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 25 e 204.

Fig. 1 (p. 161)


Fabiana Salomão/ID/BR

a) Identifique as palavras ou as expressões que descrevem como Amyr Klink se sentia no momento da
partida.

b) Por que ele se sentia assim?

c) Os sentimentos expressos no momento da chegada são parecidos com os da partida?

ANOTE

Em relatos de viagem, os sentimentos de quem escreve podem aparecer como um recurso para emocionar
o leitor.
Página 162

Responda sempre no caderno.

O contexto de produção

1. Quais seriam os objetivos que, em sua opinião, um autor poderia ter ao escrever um relato de viagem?

2. Leia um trecho da carta que Pero Vaz de Caminha escreveu sobre suas primeiras impressões em terras
brasileiras.

Posto que o capitão-mor desta vossa frota e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova do
achamento desta vossa terra nova que ora nesta navegação se achou, não deixarei também de dar disso
minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder […]. Creia bem por certo que, para aformosear ou
afear, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu. […].

A partida de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi segunda-feira, 9 de março […]. E assim seguimos nosso
caminho por este mar, de longo, até que terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de abril,
estando da dita Ilha obra de 660 ou 670 léguas, segundo os pilotos diziam, topamos alguns sinais de terra.
[…]

Nela até agora não pudemos saber se há ouro, prata ou outra coisa de metal ou ferro, nem pudemos ver.
Contudo, a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados. […]

E nesta maneira, Senhor, dou aqui a Vossa Alteza do que nesta vossa terra vi. […] Deste Porto Seguro, da
Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.

Carta de Pero Vaz de Caminha (linguagem atualizada). Transcrição feita por Antônio Geraldo da Cunha,
César Nardelli Cambraia, Heitor Megale. São Paulo: Humanitas, 1999. p. 29 e 79-80.

Fig. 1 (p. 162)


Fabiana Salomão/ID/BR

a) Que informações aparecem nesse texto?

b) Com qual objetivo a carta de Caminha foi escrita?

3. Amyr Klink também tinha um objetivo ao escrever seu relato. Entre os relacionados abaixo, qual descreve
melhor o objetivo dele? Justifique.

a) Contar sua história somente para outros navegantes, pois ele não tem a intenção de relatar a travessia a
pessoas que não navegam e não têm a ousadia que ele teve.

b) Relatar sua aventura e expor a capacidade de superação do ser humano, pois Amyr realizou sozinho uma
viagem em que houve muitos desafios e perigos.

c) Fornecer ao governo do Brasil um registro oficial das condições de navegação de navios brasileiros em
contato comercial com países africanos.

ANOTE

Relatos de viagem são produzidos em situações bastante diversas. Historicamente, foram muitas vezes
usados como registros oficiais sobre territórios descobertos, explorados ou conquistados por determinado
povo. Atualmente, esse gênero também tem sido, frequentemente, produzido e publicado com o objetivo de
informar ou entreter o leitor, ao retratar lugares e situações incomuns.
Página 163

Linguagem do texto

1. A viagem realizada por Amyr Klink é relatada por ele mesmo. Retire do texto um trecho que comprove essa
afirmação.

2. Retire também da carta a respeito do “descobrimento” do Brasil um trecho que comprove que o próprio
Caminha a escreveu.

3. O relato de Amyr Klink e a carta de Caminha são narrados em primeira pessoa. Em geral, os relatos de
viagem e as cartas são escritos desse modo. Qual seria o motivo?

4. Observe o seguinte trecho do relato de Amyr Klink.

De fato, nada colaborava para que eu achasse normal a paisagem à minha volta. Ondas completamente
descontroladas, águas escuras, tempo encoberto, um barulho ensurdecedor.

Fig. 1 (p. 163)


Fabiana Salomão/ID/BR

a) A que classe gramatical pertencem as palavras destacadas no trecho?

b) Qual é a função dessas palavras no texto e a quais termos elas se referem?

c) Qual é a importância de palavras como essas em relatos de viagem?

ANOTE

Em geral, nos relatos de viagem o autor registra as impressões pessoais a respeito de lugares, de pessoas e
de situações com os quais se depara ao longo da viagem, procurando caracterizá-los. O uso dos adjetivos é
importante nessa caracterização, pois é justamente essa a função deles no texto.

5. No trecho “Uma foca solitária”, Amyr Klink utilizou várias vezes o sinal de interrogação.

a) Transcreva duas perguntas.

b) A quem essas perguntas se dirigem?

c) O que elas expressam?

6. Releia o seguinte trecho do relato.

E acordei, deitado no teto, quase me afogando em sacolas e roupas que me vieram à cabeça. Tudo ao
contrário: eu havia capotado. Indescritível sensação. Estaria sonhando ainda?

a) Identifique as ações e o pensamento do narrador.

b) Na situação vivida pelo navegador, que sentimentos você acha que aquela “indescritível sensação”
provocou nele?

Superação dos limites humanos

No relato de viagem de Amyr Klink, pudemos perceber a coragem do navegador para enfrentar as
dificuldades do percurso. Vimos como ele tentou superar os limites e não se deixou abater pelos obstáculos
da natureza.

Discuta com os colegas e o professor a seguinte questão:

• De que modo a vontade de superar limites pode trazer benefícios ao ser humano?
Página 164

PRODUÇÃO DE TEXTO
Relato de viagem

AQUECIMENTO

Uma das formas de organizar um relato é usar marcadores de tempo, associando-os às indicações dos locais.
No caderno, reescreva o texto a seguir, completando as lacunas com marcadores de tempo adequados e com
indicações de lugares.

Acordei ____ e fui me encontrar com a equipe, no centro da ____, de onde partimos em um pequeno
caminhão, com todas as provisões e todos os equipamentos necessários à nossa escalada. ____, chegamos à
reserva florestal.

____ iniciamos a caminhada pela ____. Ao nosso redor, viam-se arbustos baixos e retorcidos com poucas
folhagens. Caminhamos durante _____e pouco a pouco fomos envolvidos por uma mata espessa e escura.
No final da tarde, deparamo-nos com a imensa montanha.

A majestosa ____ erguia-se diante de nossos olhos. Já estava escurecendo e decidimos armar as barracas,
para passar a noite, antes de iniciarmos a difícil escalada.

Fig. 1 (p. 164)


Mirella Spinelli/ID/BR

Proposta

Você vai escrever um relato de um dia de uma viagem imaginária. Cada aluno escolherá um lugar e relatará
suas aventuras. Depois de prontos, os relatos de viagem serão lidos em uma roda de leitura.

Observe as imagens. Você gostaria de viajar para qual tipo de lugar?

Fig. 2 (p. 164)


Gruta. Cordisburgo (MG). Fotografia de 2014
Rubens Chaves/Pulsar Imagens

Fig. 3 (p. 164)


Praia. Parati (RJ). Fotografia de 2012.
Andre Dib/Pulsar Imagens

Planejamento e elaboração do texto

Nas imagens acima, podemos reconhecer dois cenários propícios para uma viagem. O que poderia acontecer
nesses lugares?

Antes de escrever o texto, planeje os itens a seguir.

1. Selecione uma das paisagens anteriores para escrever seu relato de viagem. Observe bem esse lugar e
imagine como seria um dia dessa viagem.
Página 165

2. Agora, observe as imagens dos locais a seguir.

Fig. 1 (p. 165)


Camping.
Flashon Studio/Shutterstock.com/ID/BR

Fig. 2 (p. 165)


Hotel resort.
Christophe Testi/Shutterstock.com/ID/BR

Fig. 3 (p. 165)


Pousada.
Milosz_M/Shutterstock.com/ID/BR

Imagine em qual desses tipos de locais você ficaria, conforme o estilo de viagem que havia imaginado: mais
tranquilo ou cheio de aventuras.

3. Copie o quadro e complete-o de acordo com as escolhas que você fez.

Qual foi o lugar selecionado?


Quais são as características desse local?
Em qual local você ficará hospedado?
É uma viagem solitária ou irão mais pessoas?
O que acontecerá nesse dia da viagem?
ID/BR

Com base no planejamento, escreva seu texto. Além dos aspectos mencionados no quadro, descreva as
experiências e os sentimentos vividos por você. Lembre-se também de usar referências de tempo e indicar a
localização dos fatos relatados.

Avaliação e reescrita do texto

1. No caderno, copie e preencha a tabela, pois ela auxiliará na avaliação de seu relato de viagem.

Elementos da narrativa Sim Não


O relato está em primeira pessoa?
Há indicações de lugar?
Há descrições de espaço?
Há marcações de tempo?
ID/BR

2. Depois de terminar o relato, cada aluno lerá seu texto em uma roda de leitura, de modo expressivo, dando
maior destaque às palavras ou aos trechos que julgar mais importantes. Após a leitura, os colegas podem
identificar qual lugar e qual tipo de hospedagem foram selecionados em cada relato.

Dicas para ler os textos em uma roda de leitura

• É importante que façam um círculo (com carteiras, sentados no chão, etc.).

• Os alunos voluntários devem ler os relatos de modo expressivo, explorando a pontuação e a entonação. Eles
podem utilizar outros recursos para contar a história, como objetos, roupas e acessórios.
• No final, os outros alunos comentam os textos, apontando os aspectos mais interessantes dos relatos que
escutaram.

Fig. 4 (p. 165)


Mirella Spinelli/ID/BR
Página 166

REFLEXÃO LINGUÍSTICA
Artigo e numeral

Artigo

1. Releia o fragmento do texto de Amyr Klink.

Sopram ali, o ano todo, ventos implacáveis, que movem as dunas do deserto da Namíbia e carregam a
areia fina, deixando os diamantes à flor da superfície.

Fig. 1 (p. 166)


Adilson Farias/ID/BR

a) O autor descreve um dos cenários que viu ao longo da viagem. O que mais o impressionou?

b) A que classe pertencem as palavras em destaque?

c) Há outras palavras no trecho que têm a mesma classificação das palavras destacadas. Quais são elas?

d) Explique o valor dessas palavras para a atribuição de sentido ao texto. É possível escrever um texto sem
usá-las? Justifique.

e) Em sua opinião, o texto poderia ser publicado sem as palavras que antecedem as palavras destacadas?
Justifique.

f) Como são classificadas essas palavras?

2. Releia o fragmento da atividade 1 e responda a estas questões.

a) Como podemos saber se a palavra vento é masculina ou feminina?

b) E quanto à palavra areia? Como sabemos se é masculina ou feminina?

c) Considerando as respostas anteriores, qual a função das palavras o e a?

3. Agora observe o fragmento a seguir.

Pela frente, uma eternidade até o Brasil.

a) O que o autor quer dizer com “uma eternidade”?

b) Se o autor tivesse usado “a eternidade”, que sentido teria a expressão?

c) Explique a diferença de sentido entre “a viagem à Antártida” e “uma viagem à Antártida”.

ANOTE

Artigos são palavras que antecedem substantivos com a função de particularizá-los ou de generalizá-los.
Aqueles que particularizam são chamados artigos definidos: o, a, os, as. Aqueles que generalizam são
chamados artigos indefinidos: um, uma, uns, umas. Os artigos variam em gênero (masculino ou
feminino) e em número (plural ou singular), de acordo com os substantivos que eles acompanham.

4. Releia o fragmento da atividade 1 e explique o sentido da expressão “à flor da superfície”.

ANOTE

Os artigos podem se unir a outras palavras para completar ou unir o sentido delas, como nos exemplos a
seguir.
de + a = da
de + as = das
de + o = do
de + os = dos
em + a = na
em + as = nas
em + o = no
em + os = nos

Relacionando

Os substantivos também variam em gênero e em número. Isso se chama flexão. Leia novamente a Reflexão
Linguística (p. 108-111) do capítulo 3, para relembrar o assunto flexão dos substantivos.
Página 167

Numeral

5. Leia a seguir um trecho de um relato de viagem.

Quando o avião levantou voo com destino a Miami, no dia 31 de agosto de 1991, levava a bordo apenas
três integrantes da expedição: Barney, Kenvy e eu. Éramos a primeira parte do grupo a deixar o Brasil.
Fomos para os EUA somente com a bagagem de mão, para comprar equipamentos de montanha, fotografia,
filmagem e radiocomunicação. O restante da equipe permaneceria no Brasil mais duas semanas acertando os
últimos detalhes. […]

Thomaz Brandolin. Everest: viagem à montanha abençoada. 6. ed. Porto Alegre: L&PM, 2002. p. 34.

Fig. 1 (p. 167)


Andréa Vilela/ID/BR

a) Compare a frase destacada do trecho com “levava a bordo o restante da equipe”. Qual das duas formas
apresenta informações mais precisas quanto ao número de integrantes?

b) O que a palavra primeira indica em relação aos viajantes?

ANOTE

Numerais são as palavras que têm a função de indicar quantidades definidas. Além de quantidades, os
numerais podem expressar a ideia de ordenação.

Tipos de numerais

Existem quatro tipos de numerais.

• Cardinais: definem uma quantidade de seres.

• Ordinais: definem uma sequência, ordem ou posição.

• Multiplicativos: indicam multiplicação.

• Fracionários: indicam uma parte ou divisão.

Observe a tabela a seguir, relativa aos algarismos (sinais gráficos) e aos numerais (palavras).

Algarismos Numerais
Arábicos Romanos Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários
1 I um primeiro – –
2 II dois segundo dobro, duplo, dúplice meio ou metade
3 III três terceiro triplo ou tríplice terço
4 IV quatro quarto quádruplo quarto
5 V cinco quinto quíntuplo quinto
6 VI seis sexto sêxtuplo sexto
7 VII sete sétimo séptuplo sétimo
8 VIII oito oitavo óctuplo oitavo
9 IX nove nono nônuplo nono
10 X dez décimo décuplo décimo
20 XX vinte vigésimo– –
Algarismos Numerais
30 XXX trinta trigésimo – –
40 XL quarenta quadragésimo – –
50 L cinquenta quinquagésimo – –
60 LX sessenta sexagésimo – –
70 LXX setenta septuagésimo – –
80 LXXX oitenta octogésimo– –
90 XC noventa nonagésimo – –
100 C cem centésimo cêntuplo centésimo
1000 M mil milésimo – milésimo
ID/BR
Página 168

REFLEXÃO LINGUÍSTICA Na prática

Responda sempre no caderno.

1. Observe a tira a seguir.

Fig. 1 (p. 168)


Joaquín Salvador Lavado (QUINO) Toda Mafalda – Martins Fontes, 1993
Quino. Toda Mafalda. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003. p. 67.
Q1: HOJE É MEU ÚLTIMO DIA DE PRAIA, MIGUELITO. O QUE ME CONSOLA É SABER QUE VOCÊ MORA PERTO DE MIM. LÁ A GENTE SE ENCONTRA.
CLARO!
Q2: VOU TE APRESENTAR MEUS AMIGOS!
O QUÊ?!… ELA TEM AMIGOS!
Q3: PENSEI QUE EU FOSSE O AMIGO. MAS SOU SÓ UM AMIGO A MAIS!
Q4:
Q5: VOCÊ É IGUAL ÁS OUTRAS!

a) No terceiro quadrinho, quais palavras acompanham o substantivo amigo e modificam seu sentido?

b) De acordo com o pensamento de Miguelito nesse quadrinho, que diferença de sentido há entre ser “o
amigo” ou “um amigo” de Mafalda?

2. Complete as frases a seguir com o numeral apropriado.

a) Carlos tem 7 anos, Pedro tem 14. Pedro tem ______ da idade de Carlos.
(a metade / o dobro / um terço)

b) Cristina ganhou a corrida, Ana chegou logo atrás dela. Ana chegou em ______ lugar.
(primeiro / segundo / terceiro)

c) Havia meia dúzia de laranjas na geladeira. Alfredo usou três para fazer suco. Alfredo usou ______ das
laranjas que havia na geladeira.
(todas / metade / um quarto)

3. Leia a tira a seguir e responda às questões.

Fig. 2 (p. 168)


Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa.
Mauricio de Sousa Produções Ltda.
Q1: AI… NESTE FRIO É DIFÍCIL SAIR PRA TRABALHAR!
A GENTE QUER FICAR NA CAMA O MAIS QUE PUDER!
Q2: MAS É MELHOR SE APRESSAR, QUERIDO!
O SEU ÔNIBUS JÁ VEM VINDO!

a) O ônibus que está vindo em direção ao pai da Mônica é um ônibus qualquer ou é o ônibus que ele sempre
toma para ir ao trabalho?

b) Quais palavras presentes na última fala da mãe da Mônica confirmam sua resposta?

c) Caso a mãe da Mônica dissesse “Um ônibus já vem vindo!”, teríamos certeza de que é o ônibus esperado?
Justifique.

d) Explique a diferença de sentido que há entre as frases “O ônibus já vem vindo” e “Um ônibus já vem
vindo”.
Página 169

LÍNGUA VIVA
Responda sempre no caderno.

A determinação e a indeterminação

1. Leia a seguir outro trecho de um relato de viagem.

Éramos quatro alpinistas de três países diferentes – dois poloneses, um americano e um brasileiro – mas
com um único objetivo: fazer a primeira ascensão durante o inverno do Monte Makalu, de 8470 metros de
altitude, a quinta montanha mais alta do mundo, no coração da Cordilheira do Himalaia. Os outros cinco
alpinistas da equipe estavam no campo-base avançado, quase dois quilômetros abaixo, ansiosos, aguardando
os acontecimentos. Estava começando o ano de 1988.

Thomaz Brandolin. Everest: viagem à montanha abençoada. 6. ed. Porto Alegre: L&PM, 2002. p. 10.

Fig. 1 (p. 169)


Monte Makalu, Nepal, 2014.
blickwinkel/Alamy/Latinstock

No trecho, notamos que há numerais que indicam quantidades definidas e há também algarismos que
substituem os numerais nessa função.

a) Copie os numerais que aparecem por extenso no texto.

b) A que se referem os números representados por algarismos no texto? Transcreva-os por extenso.

c) O que a palavra quinta, presente no trecho, indica em relação ao monte Makalu? Copie a alternativa
correta.

• Indica a posição que o monte Makalu ocupa no quesito montanhas mais altas do mundo.

• Indica a posição do monte Makalu em distância do monte Everest.

d) Por qual razão foram dadas informações tão precisas sobre a altitude do monte Makalu e sua posição na
lista dos montes mais altos?

e) Qual é a importância dos numerais em um relato de viagem como esse?

2. Leia a tira.

Fig. 2 (p. 169)


2008 King Features Syndicate/Ipress
Dik Browne. O melhor de Hagar, o Horrível. Porto Alegre: L&PM, 2006. v. 2. p. 126.
Q1: POR QUE NINGUÉM ME DISSE QUE ESTÁVAMOS SAQUEANDO O CASTELO DE UM MÁGICO?

a) Por que Hagar empregou o artigo definido o para se referir ao castelo e o artigo indefinido um para se
referir ao mágico?

b) Releia a fala de Hagar. Como ele chegou a essa conclusão a respeito do dono do castelo?

ANOTE

Os artigos auxiliam o leitor a reconhecer o caráter geral ou particular dos substantivos que acompanham,
dando-lhes uma ideia de determinação ou de indeterminação.

Os numerais indicam quantidades definidas e ajudam a determinar, especificar a informação dada no


texto.
Página 170

LEITURA 2
Diário de viagem

O QUE VOCÊ VAI LER

Fig. 1 (p. 170)


Thalita Figueiredo, colaboradora do blog Mochileiros.com. Fotografia de 2007.
Thalita Figueiredo/Acervo pessoal

O diário de viagem que você vai ler foi escrito por Thalita Figueiredo, moradora de Rio Branco, Acre. Além do
Amazonas, a autora já visitou outros lugares do Brasil, como Natal, Salvador, Gramado, Brasília, e países
como Bolívia, Peru e Canadá.

Por gostar muito de viajar, tornou-se colaboradora do Mochileiros.com, site destinado a viajantes. A
publicação apresenta informações sobre lugares, roteiros, sugere providências a serem tomadas antes da
viagem e, ainda, traz os relatos das viagens dos leitores.

O que você vai ler agora é parte do diário de viagem que Thalita fez quando visitou a cidade de Manaus, em
março de 2011.

Diário de viagem – Manaus – março 2011

5/3 – Encontro das Águas (sábado)

Marcamos de encontrar com o Rennier às 8h30 no Porto Flutuante de Manaus, fica na região central, onde
todos os ônibus que se destinam ao centro param. Levantei cedo, fiz o café e comprei o pão, saí e fui direto ao
Porto, encontrei o pessoal no começo da rampa que leva até as embarcações. Após todos chegarem, fomos
conhecer o barco e o guia Laércio que nos levaria e nos explicaria os fenômenos e os mitos que rodam os rios
Solimões e Rio Negro… Mas infelizmente há passeios em que os guias não colaboram, e este foi um desses,
ele falou pouco e baixo… Nada nos acrescentou, mas claro que valeu pelo visual do Encontro das Águas!

Antes de seguirmos para o Encontro das Águas, fomos a uma parede que mostra as medições que o Rio
Negro já atingiu em suas cheias, o máximo foi atingido em 2009, só não me recordo a marca… Sorry, galera,
mas acho que já li algum relato que mencionava essa marca…

Quando paramos no Encontro das Águas para fotos, pequenos barquinhos se aproximam para mostrar aos
turistas bichos como a preguiça, jacarés e jiboias… Neste dia havia a preguiça e o jacaré… Muita comoção,
medo e diversão, todos acabam se divertindo com os bichos e pagando algum para os ribeirinhos que […]
trazem esses bichos para os turistas verem… Segundo eles, o jacaré é solto de volta ao rio e a preguiça é
criada junto à mata próxima a casa deles…

Fig. 2 (p. 170)


Encontro das Águas. Manaus (AM). Fotografia de 2011.
Thalita Figueiredo/Acervo pessoal
Página 171

Fig. 1 (p. 171)


Samaúma: telefone do índio. Manaus (AM). Fotografia de 2011.
Thalita Figueiredo/Acervo pessoal

Logo mais, seguimos rumo ao Lago das Vitórias-Régias e também a uma comunidade flutuante, o que me fez
lembrar lá do lago Titicaca, daqueles povos de Uros. Claro que não tem muita semelhança, mas me fez
lembrar… As casas, escolas e restaurantes são flutuantes, um modo diferente e mais remoto de viver, mas
comum para aquela região…

Devido ao inverno chuvoso, as vitórias-régias estavam belas e grandes, deu até para visualizar um jacaré que
esquentava o casco… Após a visualização das plantas, passamos por uma pequena mata, onde conhecemos a
árvore famosa, a Samaúma, a rainha da Floresta, devido a seu mega tamanho e grossura do tronco... segundo
o guia, é o telefone do índio… se bater no tronco dela […] emite um som alto que dá para ouvir a alguns
quilômetros de distância… interessante saber!

Quando regressamos, passamos por um mercadinho de artesanato local, onde uma cooperativa de
ribeirinhos mostram seus trabalhos artesanais feitos com produtos da floresta! Bonitas peças, mas não tão
baratinhas assim…

Após as comprinhas, fomos almoçar!! Já era 12h, o cardápio delicioso, com peixe frito e cozido, tucunaré e
tambaqui… Comemos que repetimos! Estando em Manaus recomendo experimentar esses peixes regionais e
também as bebidas, como o guaraná Baré e Magistral!

Estávamos de volta ao porto umas 14h, fomos eu e Lu para o Teatro junto com nossos amigos Flávia e Ronald
que fariam a visita guiada no Teatro e também para fechar com o Rennier […] o passeio para Presidente
Figueiredo, que seria a R$ 150 por pessoa, com guia, almoço, visita à Cachoeira do Santuário, Iracema, Gruta
e Corredeira do Urubuí, com as entradas também inclusas. Ele anotou nosso contato e nos confirmaria até o
final do dia se daria certo, para 4 pessoas este passeio. Assim, eu e Lu voltamos para o apartamento, porque
queríamos ir ao Shopping Manauara. Só que, perto do apartamento do Manu, o trânsito estava parado,
porque o bloco do Galo estava passando, então resolvemos descer e ir a pé, deu para ver a animação da galera
manauara no Carnaval de Rua!

Belas mais uma vez, eu e Lu seguimos para o Shopping Manauara, fomos andando até o Amazonas para
pegar o bus que nos levaria até lá, depois de andar e não conseguir uma informação segura sobre onde
passaria o bus até lá, pegamos um táxi…

Passeamos, algumas fotinhas, lojas e outras comprinhas. Fomos conhecer a parte central do Shopping, um
jardim, onde

Fig. 2 (p. 171)


Mapa dos atrativos turísticos de Presidente Figueiredo, Manaus (AM).
Secretaria Municipal de Turismo, Empreendedorismo e Comércio/ Prefeitura de Presidente Figueiredo (AM)
LAGO DE BALBINA

LAGO TITICACA

O lago Titicaca fica na cordilheira dos Andes, entre Peru e Bolívia. Lá formam-se ilhas artificiais chamadas
Uros. O blog Mochileiros.com publicou o depoimento de Fabio Novais, que visitou o local em 2013. Leia esse
relato em <http://www.mochileiros.com/lago-titicaca-comilhas-uros-amantanie-taquile-t84192.html>.
Acesso em: 29 abr. 2015.
Página 172

há belas árvores e muitas plantas, bonito para admirar e tirar fotos! Depois seguimos para a Cachaçaria do
Dedé. O que chamou atenção neste lugar foi a decoração […] é uma decoração muito bonita e envolvente, foi
quando não resisti e comprei uma garrafa da cachaça de Uva para tomar de vez em quando em casa e com os
amigos!! Huhu!

No começo da noite, Rennier nos confirmou o passeio com saída às 8h do Teatro Amazonas, na Rua Eduardo
Ribeiro, com o guia Mário.

6/3 – Presidente Figueiredo (domingo)

Acordamos cedo para aproveitar o café da manhã na feira de rua que acontece todos os domingos na Rua
Eduardo Ribeiro, a rua é fechada para receber esta feira…

Chegamos umas 7h, tomamos café, mas eu não quis experimentar a tapioca recheada com tucumã, nem o
famoso X-Cabloquinho. Fui de tapioca tradicional mesmo e café com leite, mas provei uma lasquinha do
tucumã que, para nós aqui no Acre, se assemelha ao coquinho da mata, é gostoso, mas não quis experimentar
junto com a tapioca…

Andamos pela feirinha, há de tudo, desde alimentação regional até artesanato e confecção local, é um ótimo
lugar para comprar lembrancinhas para os amigos! Como o artesanato de Manaus é semelhante ao do Acre,
não me interessei pelas compras. A Lu havia esquecido a parte de baixo do biquíni, então aproveitou a
feirinha e resolveu este probleminha. A Flávia, que é do Rio, comprou bons produtos típicos de Manaus,
como os sabonetes de cupuaçu e outros medicinais.

Saímos pontualmente às 8h num Honda Fit confortável e com um guia bacana, o Mário! O dia não
amanheceu ensolarado, até choveu um pouquinho no caminho até Presidente Figueiredo, mas até a hora do
almoço o sol chegou com força total!! Primeira parada foi na Cachoeira do Santuário, o volume de água
estava considerável em vista das chuvas dos últimos dias […]. Na quinta-feira (3/3), a Estrada para
Presidente Figueiredo ficou interditada, porque um pequeno igarapé transbordou e levou o asfalto, mas isso
já havia se regularizado na sexta-feira, ainda bem!

[…]

Thalita Figueiredo. Disponível em: <http://www.mochileiros.com/diario-de-viagem-manaus-marco-2011-


t53473.html>. Acesso em: 29 abr. 2015.

Fig. 1 (p. 172)


Feira de Chão na rua Eduardo Ribeiro (todos os domingos). Manaus (AM). Fotografia de 2011.
Thalita Figueiredo/Acervo pessoal

GLOSSÁRIO
Comoção: emoção forte.
Cupuaçu: fruto da árvore nativa da região do Amazonas.
Embarcação: barco, veículo flutuante.
Igarapé: canal estreito que só dá lugar a pequenos barcos e riachos.
Mito: histórias irreais, suposições.
Ribeirinho: pessoa que vive na beira do rio.
Tapioca: alimento feito de farinha de mandioca.
Tucumã: palmeira frutífera.
Página 173

Estudo do texto
Responda sempre no caderno.

Para entender o texto

1. Com base na leitura do texto, explique o que faz um guia de viagem.

2. O texto que você leu é um diário de viagem. Copie o quadro a seguir no caderno e complete-o.

Em qual pessoa verbal o texto foi escrito?


Transcreva dois indicadores de tempo.
Transcreva dois indicadores de espaço.
Que informações sobre o espaço aparecem no texto?
Qual é o objetivo do texto?
ID/BR

3. No relato do dia 5 de março, percebemos que o roteiro foi dividido em duas partes.

a) O que a autora conheceu em cada uma delas?

b) Considerando os dois roteiros, quais características do lugar foram ressaltadas pelo organizador do
passeio?

4. Relacione o início dos parágrafos abaixo com as informações de cada parte do texto dos itens a seguir.

1. Após todos chegarem, fomos conhecer o barco e o guia Laércio […].

2. No começo da noite, Rennier nos confirmou o passeio com saída às 8h do Teatro Amazonas, na Rua
Eduardo Ribeiro, com o guia Mário.

3. Logo mais, seguimos rumo ao Lago das Vitórias-Régias e também a uma comunidade flutuante, o que me
fez lembrar lá do lago Titicaca, daqueles povos de Uros.

4. Marcamos de encontrar com o Rennier às 8h30 no Porto Flutuante de Manaus, fica na região central, onde
todos os ônibus que se destinam ao centro param.

a) A narradora relata o que foi combinado anteriormente pelo grupo.

b) A narradora relata o que fizeram ao chegar ao local.

c) A narradora apresenta a lembrança de outros lugares que já visitou.

d) A narradora apresenta a orientação do guia para o dia seguinte.

Fig. 1 (p. 173)


Casas Flutuantes. Manaus (AM). Fotografia de 2011.
Thalita Figueiredo/Acervo pessoal

5. A marcação do tempo é fundamental em um relato de viagem. De que modo a marcação dos dias é feita
nesse relato?

6. No diário de viagem, a passagem do tempo pode ser percebida também pela mudança de espaço. Copie, no
caderno, um fragmento que comprove essa afirmação.
ANOTE

O diário de viagem reúne registros de fatos e acontecimentos vividos em uma viagem. É escrito em
primeira pessoa e organizado por datas. A linguagem dos diários costuma ser informal e, muitas vezes, o
autor agrega aos textos imagens e recordações da viagem (fotografias, ingressos, recibos, etc.)

Os diários podem ser confidenciais (nesse caso, o narrador tem o próprio diário como interlocutor) ou
públicos, podendo ser divulgados em suportes variados, como sites e blogs.
Página 174

Responda sempre no caderno.

O texto e o leitor

1. A narradora relata suas impressões a respeito dos lugares visitados e das descobertas realizadas. Escreva,
relacionando com cada trecho a seguir, quais são os sentimentos dela.

Impressões e
Trecho
emoções
“Mas infelizmente há passeios em que os guias não colaboram, e este foi um desses,
ele falou pouco e baixo… Nada nos acrescentou [...]”
“[…] mas claro que valeu pelo visual do Encontro das Águas!”
“Devido ao inverno chuvoso, as vitórias-régias estavam belas e grandes, deu até para
visualizar um jacaré que esquentava o casco…”
“O que chamou atenção neste lugar foi a decoração […] é uma decoração muito bonita
e envolvente [...]”.
ID/BR

2. Que reação a manifestação das sensações e dos sentimentos da narradora pode provocar no leitor?

ANOTE

Em diários de viagem, é comum que o autor registre seus sentimentos e suas impressões. Esse registro
faz o leitor se sentir mais próximo dos fatos relatados.

3. Com base no diário de viagem que você acabou de ler, responda às questões.

a) A linguagem utilizada pelo narrador é formal ou informal? Copie no caderno trechos que comprovem sua
resposta.

b) Que efeitos o tipo de linguagem empregado nesse diário causa no leitor?

4. O boxe O que você vai ler indica que o “Diário de Viagem — Manaus — março 2011” foi publicado em um
site. A informalidade da linguagem utilizada pelo narrador está de acordo com o meio virtual de
comunicação, o site?

Fig. 1 (p. 174)


Thalita Figueiredo/Mochileiros.com

5. A comunicação entre autor e leitor acontecia quase ao mesmo tempo em que ocorriam os fatos relatados.

a) Copie um trecho que comprove a proximidade do tempo entre as ações e o momento da escrita.

b) Copie um trecho em que se estabelece a comunicação direta entre narrador e leitor.

ANOTE

A possibilidade de diálogo entre escritores e leitores durante a produção de uma obra foi bastante
ampliada com o uso dos meios virtuais. Esse contato sempre foi possível por cartas ou por outros meios de
comunicação, mas, em geral, era mais demorado e efetivado somente após a publicação da obra. Hoje, por
intermédio de sites e pelas mensagens eletrônicas, é possível estabelecer interações em tempo bastante
reduzido.
Página 175

Comparação entre os textos

1. Observe as imagens a seguir.

Fig. 1 (p. 175)


AKPE/Amyr Klink
1

Fig. 2 (p. 175)


Thalita Figueiredo/Acervo pessoal
2

a) Relacione as imagens aos relatos de Amyr Klink e de Thalita Figueiredo.

b) Que elementos da imagem justificam sua resposta?

2. Copie o quadro e complete-o.

Texto 1 Texto 2
De que viagem trata o texto?
Em que pessoa verbal o texto está narrado?
Há caracterização dos lugares narrados?
Há marcação precisa do tempo?
As impressões dos viajantes estão registradas?
A linguagem aproxima o leitor ao texto?
ID/BR

3. O diário da viagem ao Amazonas foi, originalmente, publicado em um site, e o relato de Amyr Klink, em
um livro.

a) Você supõe que o relato sobre a travessia do Atlântico Sul tenha sido escrito durante a travessia ou após ela
ter sido concluída? Como você chegou a essa conclusão?

b) Que tipo de informação Amyr Klink deve ter incluído em suas anotações durante a viagem?

ANOTE

Os dados objetivos, como nomes de lugares, distâncias percorridas, horários em que os fatos ocorreram,
são fundamentais na organização de um relato. Por isso, se ele for escrito somente após o término da
viagem, é muito importante que o autor faça anotações sobre esses dados durante o percurso.

4. Cite os motivos que levaram Amyr Klink e Thalita Figueiredo a escrever sobre suas viagens.

Sua opinião

1. Textos sobre viagens têm, em geral, o objetivo de informar ao leitor as impressões e as experiências de um
viajante. Qual dos dois textos estudados consegue despertar mais o interesse do leitor em continuar a leitura?
Por quê?

O ser humano e a natureza

Nos textos lidos, vimos duas atitudes semelhantes na relação do ser humano com a natureza. Durante a
viagem, Amyr Klink estabelece uma ligação intensa com o mar. Já no texto de Thalita Figueiredo, fica clara a
relação respeitosa e curiosa da viajante com a natureza e com a cidade.

Discuta com os colegas e o professor a seguinte questão:


• O que podemos fazer para conviver em harmonia com a natureza?
Página 176

PRODUÇÃO DE TEXTO
Diário de viagem

AQUECIMENTO

• Observe a imagem a seguir.

Fig. 1 (p. 176)


Thomaz Brandolin na cordilheira do Himalaia. Fotografia de 1991.
Acervo pessoal/L&PM

Agora leia um trecho do que Thomaz Brandolin escreveu sobre sua expedição à cordilheira do Himalaia.
Depois, copie no caderno o texto a seguir e complete as lacunas com as palavras apresentadas no quadro
abaixo. Preste atenção se você está sendo coerente com a imagem e com o texto.

rarefeito avermelhadas fantástica gelado


gigantescas alta colossal monte Everest pequena

[…] O ar ______, frio e seco tornava o simples ato de respirar uma coisa penosa, difícil, e quase congelava
minhas vias respiratórias. Voltei para o interior da cova, peguei a pá e insisti novamente até o bloco ceder.

Um violento golpe de ar ______ fez-me estremecer. Mas o esforço valeu a pena. Da entrada do túnel a vista
era ______: o sol se pondo por trás de uma infinidade de montanhas, deixando suas neves ______, como
se estivessem pegando fogo. O céu, com cores que iam do alaranjado ao lilás, estava começando a se encher
de estrelas.

Mas o que mais me interessava naquele incrível cenário era o que estava bem à minha frente: o ______. Eu
estava impressionado com seu tamanho. O Lhotse, a quarta montanha mais ______ do mundo, ali do lado,
parecia ______ perto dele. As montanhas do Himalaia são ______, mas o Everest é ______. Nesse
momento pude sentir intensamente o irresistível poder de atração que ele sempre exerceu sobre os homens.

Thomaz Brandolin. Everest: viagem à montanha abençoada. 6. ed. Porto Alegre: L&PM, 2002. p. 10.

Proposta

Agora, você vai escrever um texto como se fosse o registro de um diário de viagem.

O primeiro passo será decidir sobre qual viagem você escreverá: uma viagem que você fez nas férias ou em
um fim de semana. Caso você nunca tenha feito uma viagem longa, relate algum passeio marcante.

Traga uma fotografia ou faça um desenho relacionado a algum episódio dessa viagem ou passeio. Com base
na imagem, procure anotar suas lembranças sobre os lugares que visitou e os fatos mais relevantes.

Após a elaboração do texto, a classe vai montar um livro de viagens, no qual os textos serão reunidos. O
professor organizará o empréstimo desse livro para os alunos e os pais.
Página 177

Planejamento e elaboração do texto

1. Para auxiliá-lo, copie o quadro a seguir, completando-o com as informações que estarão presentes em seu
diário de viagem.

Qual é o objetivo principal do texto?


Quais foram os lugares pelos quais você passou?
Quais eram as principais características desses lugares?
Quais foram seus sentimentos e sensações durante a viagem?
Em que data os fatos relatados aconteceram?
Qual foi a duração dos acontecimentos?
Em que sequência eles aconteceram?
ID/BR

2. Organize suas ideias e escreva uma primeira versão do texto. Lembre-se de que, em um diário, os registros
são organizados por datas e de que, nesse caso, seu diário não será confidencial.

Avaliação e reescrita do texto

1. Copie e preencha a tabela a seguir.

Características do diário de viagem Sim Não


A narração está em primeira pessoa?
Há indicações de lugares?
Há descrição dos espaços?
Há marcação de tempo?
Você apresentou suas impressões e sentimentos a respeito do que viu?
ID/BR

2. Depois de avaliar seu texto, faça as modificações que considerar necessárias e reescreva o texto.

3. Ilustre seu texto com fotografias ou desenhos.

4. Lembre-se de elaborar uma legenda para as fotografias.

5. Combine com o professor e os colegas como será a circulação do livro.

Dicas de como organizar um livro de viagem

• Os alunos serão divididos em quatro grupos. Cada grupo ficará responsável por uma tarefa da organização
do livro.

• O grupo 1 fará a organização dos textos por critérios, por exemplo: região do país ou viagens nacionais e
internacionais; lugares de praia ou montanha.

• O grupo 2 fará a revisão dos textos e das imagens.

• O grupo 3 ficará responsável pela criação de uma ilustração para a capa e de um título para o livro.

• O grupo 4 encadernará os textos dos alunos da classe.

Fig. 1 (p. 177)


Fabiana Salomão/ID/BR
Página 178

REFLEXÃO LINGUÍSTICA
Interjeição

1. Releia este trecho.

Passeamos, algumas fotinhas, lojas e outras comprinhas. Fomos conhecer a parte central do Shopping, um
jardim, onde há belas árvores e muitas plantas, bonito para admirar e tirar fotos! Depois seguimos para a
Cachaçaria do Dedé. O que chamou atenção neste lugar foi a decoração […] é uma decoração muito bonita e
envolvente, foi quando não resisti e comprei uma garrafa da cachaça de Uva para tomar de vez em quando
em casa e com os amigos!! Huhu!

a) A linguagem do fragmento é formal ou informal? Copie passagens que justifiquem sua resposta.

b) Que expressão, própria do discurso oral, foi usada pela autora para expressar o entusiasmo e a empolgação
dela?

ANOTE

As palavras que expressam sensações, emoções e sentimentos são chamadas de interjeições. Na fala, são
reconhecidas pela entonação que o falante emprega ao pronunciá-las e, na escrita, são identificadas,
sobretudo, pelo ponto de exclamação (!). As interjeições se apresentam por meio de:

• sons vocálicos: ah!; oh!; hã!; ui!; eia!

• palavras únicas: olá!; tchau!; puxa!; viva!; boa!

• locuções interjetivas: ora bolas!; Deus me livre!

2. Releia.

Mas infelizmente há passeios em que os guias não colaboram, e este foi um desses, ele falou pouco e baixo…
Nada nos acrescentou, mas claro que valeu pelo visual do Encontro das Águas!

a) A passagem revela um desapontamento por parte da autora. Que palavras ou expressões indicam esse
sentimento?

b) Há duas expressões coloquiais no trecho. Quais?

c) De acordo com o contexto, por que a autora usou essas expressões?

O sentido das interjeições é dado de acordo com o contexto de produção do enunciado. Leia alguns exemplos
de interjeições.

Sentido Interjeições
Admiração ah!; oh!
Advertência opa!; olha lá!; cuidado!
Alívio ou cansaço ufa!; até que enfim!
Chamamento alô!; olá!; psiu!; ó!; ô!; ei!
Desejo tomara!; quem me dera!
Despedida tchau!; adeus!; até logo!
Dor ai!; ui!
Dúvida sei lá…; hum…; não sei; não!; hã?
Sentido Interjeições
Sentido Interjeições
Encorajamento avante!; coragem!; em frente!; força!; eia!
Irritação, indignação puxa vida!; ora essa!; ora bolas!; que coisa!
Espanto ou surpresa uau!; puxa vida!; nossa!; oh!
Pedido de silêncio psiu!; bico fechado!; quieto!
Medo ou pavor uh!; ui!; meu Deus!
Pena oh!; que pena…; coitado!
Satisfação ou alegria eh!; oba!; viva!; bem!; muito bom!; huhu!
Zombaria uuhh!
ID/BR
Página 179

REFLEXÃO LINGUÍSTICA Na prática

Responda sempre no caderno.

1. Identifique as interjeições abaixo e indique o que elas expressam.

a) Hum… Se eu fosse você, acho que não faria isso.

b) Oba! Amanhã iremos ao cinema.

c) Meu Deus! Eu nunca vi uma chuva tão forte como essa!

d) Ei! Cuidado! Não entre nessa sala! Você não está com o equipamento apropriado.

e) Vá em frente! Você sabe muito bem o que fazer.

f) Chega! Eu não consigo dormir com esse barulho!

g) Ai! Eu não vi esse galho no meio do caminho.

h) Não! O ônibus já foi embora?

i) Arre! Essa gripe acabou com minha semana!

2. Leia a tira a seguir.

Fig. 1 (p. 179)


Laerte.
Laerte/Acervo do artista
Q1: GRAVANDO!
AH NÃO! ESQUECI A FALA!
Q2: VIM AQUI PRA FAZER UM COMERCIAL E ESQUECI A FALA‼
Q3: DROGA! DROGA! DROGA!
CORTA!
Q4: FICOU BOM?
"DROGA" ERA SÓ DUAS VEZES, MAS VALEU.

a) Quais são as interjeições que aparecem nos quadrinhos da personagem Hugo?

b) O que elas expressam?

c) Qual é o humor da tira?

3. Substitua a fala do segundo interlocutor por uma interjeição que você julgue apropriada à situação.

a) – Vamos à praia no próximo fim de semana?

– Fico muito feliz com o convite!

b) – Foi você que fez isso aqui?

– Desculpe-me, eu não sei sobre o que a senhora está falando!

c) – Ela não foi indicada para ser a treinadora do time.

– Estou muito triste com a notícia!

d) – Não vou conseguir terminar essa tarefa no prazo determinado.

– Acredito que você terminará a tarefa a tempo!


4. Reescreva os enunciados usando as interjeições de acordo com as situações indicadas entre parênteses.

a) ______ Esse café está muito quente! (dor)

b) ______ Esse lugar não me parece seguro! (suspeita)

c) Amanhã conseguiremos terminar nossos trabalhos! ______ (alívio)

d) ______ Você está correndo muito! (advertência)

e) ______ O sabor dessa comida está delicioso! (satisfação)

f) Ele chegará a tempo? ______ (esperança)

g) Ao vê-la, disse ______, com um sorriso imenso! (saudação)

h) ______ Pensei que você não fosse chegar mais! Está atrasado uma hora! (impaciência)
Página 180

5. Que interjeição você usaria nas seguintes situações?

a) Encontrou na rua seu ídolo do esporte.

b) Recebeu um telefonema avisando-o de que encontraram seu animal de estimação que estava perdido.

c) Soube que teria de dividir o quarto com uma pessoa que ronca muito alto.

d) Encontrou na rua uma carteira com documentos.

e) Ouviu algumas pessoas falando alto na biblioteca.

f) Percebeu que a sopa está muito quente.

g) Deixou cair no chão a jarra que a mãe ganhou de casamento.

h) Presenciou um acidente.

i) Recebeu elogios do professor pelo esforço e pela dedicação às aulas.

j) Viu o amigo do outro lado da praça.

6. Leia o trecho a seguir.

Mães no paraíso

Gilda, Fernanda e Heloísa não ficavam um só dia sem resmungar, praguejar e reclamar que estavam
esgotadas, estressadas, acabadas. Não paravam de repetir que tudo o que queriam era um pouco de sossego.

Até que, numa bela manhã de primavera, a Mãe Santíssima, não aguentando mais tanta reclamação, decidiu
atender às preces dessas pobres mães detonadas e oferecer a elas – totalmente grátis, sem taxas adicionais e
livre de impostos – um verdadeiro presentão: um dia de folga.

[…]

FUNCIONÁRIA – Bom dia, senhoras mães, sejam muito bem-vindas ao paraíso. […]

As três não acreditam no que ouvem. […]

[…] à direita, temos a hidromassagem e o ofurô. À esquerda, reflexologia, drenagem linfática e terapia das
vidas passadas – porque da atual é melhor nem lembrar! Mais à frente, temos a sala de vídeos melosos e de
comédias românticas estreladas por Richard Gere […].

FERNANDA – Nossa! Mas esse paraíso é o máximo!

HELOÍSA – Será que eu vou, finalmente, conseguir assistir a um filme inteirinho sem parar pra apartar uma
briga das crianças? […]

GILDA – Não acredito!!! U-HU!!!!

[…]

A funcionária sai. As três mães, excitadíssimas, circulam, observando tudo em volta.

FERNANDA – UAU! Vamos aproveitar! Isso é que é vida! [...]

Claudia Valli. Mulheres e crianças primeiro!: humor para mães à beira de um ataque de nervos. Rio de
Janeiro: Record, 2005. p. 57.

Fig. 1 (p. 180)


Andréa Vilela/ID/BR

a) O que aconteceu com essas mães?

b) Pelos comentários feitos por elas, como estão se sentindo?

c) Que palavras são usadas para expressar esse sentimento?

d) Suponha que as três mães percebam que os aparelhos de vídeo não funcionam e que não há pessoas
suficientes para atendê-las. O paraíso passaria a ser um tormento. Que interjeições elas usariam para
expressar esse sentimento?
Página 181

LÍNGUA VIVA
Responda sempre no caderno.

A interjeição e a construção de sentidos

1. Leia o texto a seguir escrito por Carlos Drummond de Andrade.

O que se diz

Que frio! Que vento! Que calor! Que caro! Que absurdo! Que bacana!
Que frieza! Que tristeza! Que tarde! Que amor! Que besteira! Que esperança!
Que modos! Que noite! Que graça! Que horror! Que doçura! Que novidade!
Que susto! Que pão! Que vexame! Que mentira! Que confusão! Que vida!
Que talento! Que alívio! Que nada…
Assim, em plena floresta de exclamações, vai-se tocando pra frente.

Carlos Drummond de Andrade. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983. p. 1379. Carlos
Drummond de Andrade © Graña Drummond. www.carlosdrummond.com.br

a) Em que situações você usaria as seguintes expressões?

• Que caro! • Que frieza! • Que tarde! • Que alívio!

b) Que sentido indica cada grupo de locução interjetiva?

• Que besteira!; Que modos!; Que vexame!

• Que bacana!; Que graça!; Que doçura!

• Que horror!; Que susto!; Que vida!

2. Leia estes versos de um poema de Henriqueta Lisboa.

Sobre a mesa flores e pão.


(Quanta riqueza se contém
numa lareira, num jardim!)
Livros bem guardados e um
rádio em silêncio. Que bom!

Henriqueta Lisboa. O menino poeta: obra completa. São Paulo: Peirópolis, 2008. p. 97.

Acervo PNBE

Fig. 1 (p. 181)


Ilustrações: Andréa Vilela/ID/BR

a) Qual é o sentido da locução interjetiva usada no texto?

b) Explique o que realmente tem valor para o eu lírico do poema.

3. Leia.

Que nome!

Eu não sei ao certo quem era ela, nem o que ela fez, mas tenho certeza que Dona Urraca foi uma das
princesas mais infelizes do mundo…

Mario Quintana. Sapato furado. São Paulo: Global, 2006. p. 18. © by Elena Quintana.
Acervo PNBE

Fig. 2 (p. 181)

a) Qual é o sentido da locução interjetiva usada no título?

b) Em que situação você usaria essa expressão com sentido diferente?

4. Que significado as interjeições assumem nas diferentes situações a seguir?

a) “Psiu!” — dito por uma enfermeira aos presentes na sala de espera.

b) “Psiu…” — dito por um rapaz a uma garota em uma festa.

c) “Puxa!” — dito por um estudante ao ser aprovado no vestibular.

d) “Puxa!” — dito por uma mulher ao bater o carro.

ANOTE

As interjeições assumem diferentes sentidos conforme o contexto de produção dos enunciados e o modo
como são proferidas (entonação, expressão facial, etc.).
Página 182

QUESTÕES DA ESCRITA
Responda sempre no caderno.

Acentuação das paroxítonas

1. Leia o texto a seguir. Depois, responda às questões.

O império do Sol

No mês em que comemoramos 100 anos da descoberta de Machu Picchu, saiba mais sobre o povo inca, que
construiu essa cidade incrível

Quem nunca ouviu falar de Machu Picchu, a cidade sagrada dos incas? É um passeio obrigatório para quem
viaja ao Peru. O lugar é belíssimo, lá nas montanhas dos Andes. Pega-se o trem em Cuzco, e aí é um sobe e
desce permanente: vales e montanhas se alternam no caminho e dá para ver muito bem, em alguns trechos
do percurso, vestígios da antiga civilização que existiu nos Andes antes da chegada dos espanhóis.

Chegando a Machu Picchu, é aquele deslumbramento... É verdade que da antiga cidade sagrada restam
apenas ruínas. Mas que ruínas! Dá para se imaginar o esplendor do antigo Império do Sol! Os santuários, as
casas do povo, as moradas dos guerreiros e sacerdotes, as escadarias onde se plantavam batatas…

[…]

Ronaldo Vainfas. Disponível em: <http://chc.cienciahoje.uol.com.br/o-imperio-do-sol/>. Acesso em: 29 abr.


2015.

Fig. 1 (p. 182)


Machu Picchu, Peru. Fotografia de 2008.
einalem/Acervo do fotógrafo

a) Copie as palavras que têm acento gráfico na penúltima sílaba.

b) O que elas têm em comum?

2. Observe as palavras do quadro a seguir.

íris fêmur tônus fácil álbum cáqui


bônus

revólver ímã tórax benefício amável júri


órfã

colégio córtex quórum Zelândia quadríceps necessário


bíceps

a) Copie as palavras, agrupando-as conforme suas semelhanças.

b) Que critério você utilizou para agrupá-las?

3. Com base no que você observou na atividade anterior, complete as orações abaixo com as palavras do
quadro, acentuando-as se necessário.

orgãos saci lapis imovel rocha latex jovens

a) A doação de ______ é uma atitude de solidariedade.

b) A mula sem cabeça e o______ são personagens do folclore brasileiro.


c) Pedro comprou uma caixa com 36 ______ de cor.

d) O ______ ficou desabitado por muitos anos.

e) O granito é uma ______ muito utilizada na construção de casas.

f) O ______ extraído da seringueira é utilizado para a produção da borracha.

g) Muitos ______ fazem trabalhos voluntários.

Fig. 2 (p. 182)


Fabiana Salomão/ID/BR
Página 183

ANOTE

São acentuadas as paroxítonas com as seguintes terminações:

-l, -ps, -r, -x têxtil, fórceps, caráter, tórax


-i, -is, -us táxi, júri, cútis, vírus
-ã, -ãs, -ão, -ãos ímã, órfãs, bênção, sótãos
-um, -n, -ns álbum, glúten, médiuns, íons
ditongo Polinésia, língua

4. Com base nas informações do quadro Anote acima, justifique o acento das palavras a seguir.

a) tênis

b) órfão

c) âmbar

d) fácil, amável, fóssil

e) relógio, aquário, estratégia

f) tríceps

Entreletras

Letras misturadas

Descubra a palavra escondida em cada linha de quadrinhos. Leia as sílabas em desordem e combine-as
adequadamente. Mas atenção: há sempre uma sílaba a mais.

dor be ve ga na

a ba jan vi te

ven a ra lu tu

co des la ber ta

Fig. 1 (p. 183)


Mirella Spinelli/ID/BR
letras misturadas

PARA SABER MAIS

Livros

Paratii: entre dois polos, de Amyr Klink. Editora Companhia das Letras.

Fig. 2 (p. 183)


Companhia das Letras/Arquivo da editora
Paratii: entre dois polos

Em busca do sonho, de Heloisa Schürmann. Editora Record.

Fig. 3 (p. 183)


Record/Arquivo da editora
EM BUSCA DO SONHO

No longe dos gerais, de Nelson Cruz. Editora Cosac Naify.


Fig. 4 (p. 183)
Cosac & Naify/Arquivo da editora
NO LONGE DOS GERAIS

Filme

O mundo em duas voltas.


Direção: David Schürmann. Brasil, 2007.

Fig. 5 (p. 183)


Europa Filmes/ID/BR
O MUNDO EM DUAS VOLTAS
Página 184

ATIVIDADES GLOBAIS

REFLEXÃO LINGUÍSTICA

Responda sempre no caderno.

1. Leia o poema a seguir, escrito por Duda Machado.

A galinha cor-de-rosa

Era uma galinha cor-de-rosa,


Metida a chique, toda orgulhosa,
Que detestava pisar no chão

Cheio de lama do galinheiro.


Ficava no alto do poleiro
E quando saía do lugar,

Batia as asas para voar.


Mas seus pés acabavam na lama.
Aí armava o maior chilique,

Cacarejava, bicava o galo,


E depois, com ar de rainha,
Lavava os pés numa pocinha.

Duda Machado. Histórias com poesia, alguns bichos e Cia. São Paulo: Ed. 34, 1997. p. 7.

Fig. 1 (p. 184)


Andréa Vilela/ID/BR

a) Releia a última estrofe do poema e selecione as palavras que acompanham os substantivos galo e pés e
transcreva-as.

b) Essas palavras estão no masculino ou no feminino?

c) Releia o título e transcreva a palavra que determina o gênero do substantivo galinha.

d) Como os artigos colaboram na caracterização dos substantivos?

2. Leia a previsão do tempo publicada em um jornal de Santa Catarina.

A quinta-feira segue com o tempo estável em Santa Catarina, com o predomínio do sol na maior parte do
Estado. Esta condição se mantém devido à influência da massa de ar seco e frio que ainda atua sobre Santa
Catarina.

Por isso também, as temperaturas seguem baixas e pode haver a formação de geada nas áreas altas do
Estado.

Disponível em: <www.clicrbs.com.br>. Acesso em: 29 abr. 2015.

Fig. 2 (p. 184)


Andréa Vilela/ID/BR

a) Localize no texto as palavras paroxítonas acentuadas e transcreva-as.

b) Releia: “A quinta-feira segue com o tempo estável em Santa Catarina, com o predomínio do sol na maior
parte do Estado.”.

• Quais são os artigos desse trecho?


• Qual é a função dos artigos em relação ao substantivo que acompanham?

3. Leia o quadrinho do Cascão.

a) Em sua opinião, o que as personagens do quadrinho estão fazendo?

b) Que interjeição aparece no quadrinho?

c) O que expressa a interjeição usada por Cascão?

d) Localize um numeral.

e) O que esse numeral indica?

Fig. 3 (p. 184)


Revista Cascão, São Paulo, Globo, n. 445, p. 43, 2005.
Mauricio de Sousa Produções Ltda.
ESTA É MINHA‼ EU VI PRIMEIRO! AH! AH! AH! AH!
AH! AH!
Página 185

O que você aprendeu neste capítulo

Relato de viagem

• Apresenta informações selecionadas e dados objetivos, como nome de lugares, distâncias percorridas,
horários em que os fatos ocorreram.

• A utilização de imagens auxilia a caracterização dos espaços.

• Marcadores de tempo organizam as informações do texto.

• Os registros de sentimentos e as impressões do narrador promovem a aproximação do leitor ao texto.

Diário de viagem

• Também relata fatos de uma viagem realizada, com caracterização objetiva dos espaços, marcadores de
tempo, registro de sentimentos e possibilidade de utilização de imagens.

• Diferentemente do relato de viagem, é organizado por data.

• Escrito sempre em primeira pessoa, pode ser confidencial ou público, divulgado em suportes como sites e
blogs, permitindo o diálogo entre escritor e leitor.

Artigo Antecede o substantivo para particularizá-lo ou generalizá-lo.

• Indefinido: generaliza o substantivo.

• Definido: particulariza o substantivo.

• Flexão de gênero: masculino ou feminino.

• Flexão de número: plural ou singular.

Numeral Palavra que tem a função de indicar quantidades definidas.

• Cardinal: define uma quantidade de seres.

• Ordinal: define uma sequência, ordem ou posição.

• Multiplicativo: indica multiplicação.

• Fracionário: indica uma parte ou divisão.

Interjeição

• Palavra ou locução que expressa sensações, emoções ou intenções.

Acentuação

• Paroxítonas são acentuadas quando terminadas em: -l, -ps, -r, -x, -i, -is, -us, -ã, -ãs, -ão, -ãos, -um, -n, -
ns e ditongos.

Autoavaliação

Para fazer a autoavaliação, releia o quadro O que você aprendeu neste capítulo.

• Dos assuntos tratados neste capítulo, o que você gostou de aprender?

• Quais aspectos você considerou positivos em sua participação na roda de leitura?


• Você produziu dois textos sobre viagem. De qual deles você gostou mais? Por quê?

• Quais dúvidas você tem sobre o conteúdo estudado na parte de reflexão linguística?
Página 186

ORALIDADE
Relato oral de experiência vivida

1. O texto que você lerá a seguir é a transcrição de um relato da autora Ana Maria Machado.

Miguelzinho é a minha história

Quando eu fiz a primeira história pra [revista] Recreio, foi rejeitada, e a Sônia Robato devolveu e disse: “Ana,
você não tem nada que escrever uma história como você acha que deve ser uma história para criança. Você
deve escrever uma história como você é capaz de fazer”. E aí eu fiquei encafifada com aquilo: “O que é que eu
sou capaz?”. Aí fiquei pensando “eu quero escrever uma história que seja como as melhores histórias que eu
li ou ouvi quando era criança”. […] Aí eu lembrei de umas histórias que a minha avó me contava: histórias do
Miguelzinho. E eu não lembrava de nenhuma história do Miguelzinho, mas eu lembrava do meu absoluto
encantamento com as histórias do Miguelzinho. Então, eu liguei pra minha mãe, que ainda era viva nesse
tempo, e disse: “Mamãe você se lembra de alguma história do Miguelzinho?” […] Aí ela riu muito e me
contou o que que eram as histórias de Miguelzinho.

Como nós éramos muitos irmãos, teve um ano em que mamãe tava com três com coqueluche e dois com
sarampo dentro de casa, então teve que isolar, e eu fui isolada. Fui pra casa da minha avó no Espírito Santo,
junto com a minha outra irmã […]. Então, quando eu tava lá, a minha avó me contava várias histórias e,
nessa ocasião, ela me contou as histórias todas do Miguelzinho. Depois eu voltei pra casa pro Rio […] e falava
pra mamãe: “Ah, mamãe! A vovó contou umas histórias ótimas do Miguelzinho!”, e mamãe não tinha ideia
do que fosse isso […]. Passou o tempo e quando chegaram as férias e ela foi lá, aí ela perguntou: “Mamãe, o
que que eram as histórias do Miguelzinho?”. E minha avó disse a ela que era o seguinte: que as histórias do
Miguelzinho ela me contava toda noite o que tinha acontecido comigo de dia, ela contava de novo como se
fosse o Miguelzinho. Então ela dizia assim: “Miguelzinho hoje […] ganhou um patinho, porque ele tomou o
remédio todo direitinho. Então a avó do Miguelzinho deu a ele um patinho. Aí ele saiu com o patinho, aí
tinha umas formiguinhas andando, ele viu as formiguinhas…”. Enfim, eu ficava absolutamente encantada,
porque Miguelzinho era eu, eu fazia tudo aquilo! Aí eu achei que eu tinha que conseguir contar histórias em
que cada criança achasse que era ela […].

Disponível em: <http://novo.itaucultural.org.br/canal-video/ana-maria-machado-miguelzinho-e-a-minha-


historia/>. Acesso em: 29 abr. 2015.

Fig. 1 (p. 186)


Ana Maria Machado. Fotografia de 2011, Rio de Janeiro.
Pedro Carrilho/Folhapress

a) Como se trata de uma transcrição de um relato, o texto apresenta elementos característicos da linguagem
oral. Aponte alguns desses elementos.

b) Após a leitura, você considera que o texto apresenta uma linguagem formal ou informal? Por quê?

c) Se você tivesse de contar a história de Ana Maria Machado, você acrescentaria algo?

Produção de texto: relato oral de experiência vivida

O que você vai fazer

Você e os colegas de classe farão uma sessão de relatos sobre experiências vividas. O dia da apresentação
deve ser previamente combinado com o professor.
Página 187

Preparação da apresentação

Fig. 1 (p. 187)


Andréa Vilela/Id/BR

1. Escolha uma experiência de sua vida que você considere marcante. Procure relembrá-la nos mínimos
detalhes e anote, no caderno, as passagens mais importantes para relatá-las depois aos colegas.

2. Reflita sobre sua experiência: Por que ela foi marcante? Que emoções ou sentimentos ela despertou em
você? Há algo que tenha aprendido com ela?

3. Em um primeiro momento, grave sua experiência de alguma forma. Pode ser com uma câmera, uma
máquina fotográfica ou um celular que filme, um programa de computador que realize gravações, etc. Se
preferir, você pode apresentar seu depoimento, primeiramente, aos familiares ou a algum amigo que não seja
o de sua classe e pedir-lhes que o analisem, a fim de ajudar você a aprimorá-lo.

4. Assista à sua gravação e observe: O seu texto consegue captar a atenção das pessoas? Você consegue
interessá-las no que está contando? A sua dicção (articulação e pronúncia das palavras) está clara? A
entonação e o volume de sua voz estão adequados? As pessoas terão facilidade de entender o que você disse?
Após a análise, refaça a gravação; escute a nova gravação e reavalie seu relato. Repita essa operação quantas
vezes achar necessário.

5. Imagine, agora, que você fará o relato não para uma gravação, mas para o público (os colegas). Pense,
principalmente, na linguagem corporal: a expressão facial, os gestos que você fará, a maneira como se
movimentará diante dos colegas, etc.

6. Reúna-se com os colegas em grupos de quatro alunos. Cada um deve apresentar o seu relato ao grupo e os
outros devem dar dicas de como melhorá-lo: Alguma informação deve ser descartada do relato ou
acrescentada a ele? A maneira como você fala ou gesticula é adequada e atraente para os ouvintes?

7. Depois, incorpore em seu relato as sugestões dos colegas que julgar apropriadas.

8. No dia combinado, cada aluno apresentará à classe e ao professor o seu relato de experiência vivida.

Ao relatar uma experiência vivida, para conquistar a atenção do público e fazê-lo sentir o quanto essa
experiência é importante para nós, precisamos ser expressivos ao falar, variando a entonação, a velocidade e
o volume da voz (com exclamações, pequenas pausas que criam suspense, etc.) e utilizando a linguagem
corporal (expressão facial, gestos, etc.).

Fazer perguntas ao público e demonstrar bom humor ou emoção enquanto falamos são outros recursos que
podem enriquecer nossa história.

Avaliação

Avalie o seu texto e o relato dos colegas com a orientação do professor.

• O relato estava bem estruturado, em uma sequência compreensível aos ouvintes?

• Há alguma informação irrelevante no relato? Faltou alguma informação?

• Ficou claro na apresentação do colega por que a experiência relatada foi marcante na vida dele? Ele
apresentou emoções e reflexões sobre ela?

• As pessoas ficaram interessadas em seu relato? A maneira como se expressou foi adequada?

• Você empregou bem os recursos de voz e de expressão corporal?


Página 188

CAPÍTULO 6 - Poema
CONVERSE COM OS COLEGAS

1. O quadro ao lado é do artista plástico Keith Haring. Observe-o e responda às questões.

a) Que figuras você identifica na imagem? O que você acha que elas estão fazendo?

b) Que cores foram utilizadas pelo artista no quadro? Quais se repetem?

c) Imagine uma linha divisória que separe a imagem em lados esquerdo e direito. O que você nota de comum
nos dois lados?

d) Se imaginar novamente a imagem dividida, mas dessa vez em partes de cima e de baixo, o resultado será o
mesmo? Explique.

2. Leia este trecho de um poema de Vinicius de Moraes.

A porta

Eu sou feita de madeira


Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta. […]
Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado

Vinicius de Moraes. A arca de Noé. São Paulo: Cia das Letrinhas, 2004. p. 22.

Acervo PNBE

a) Que atitudes da porta mostram que ela foi representada, no poema, de forma humanizada (ou seja, como
se fosse um ser humano)?

b) Leia novamente o poema, observando os sons que ele produz. Quais sons se repetem?

c) Releia-o, marcando com o dedo na palma da mão os sons mais fortes que você pronunciar. Em que posição
da linha do poema os sons fortes se repetem?

3. Que relação podemos estabelecer entre o poema e o quadro reproduzido ao lado?

Fig. 1 (p. 188)


Keith Haring. Sem título, 1985. Serigrafia.
Coleção particular. Fotografia: ID/BR

Toda obra de arte é uma criação humana que busca representar o real ou o imaginário. Para dar origem a
essa representação, o artista utiliza diferentes linguagens e recursos variados.

O poema é uma manifestação artística. Neste capítulo, vamos estudar alguns dos recursos próprios da
linguagem poética e conhecer poemas que encantaram muitos leitores.
Página 189

O que você vai aprender

• Características principais do poema


• A arte do poema: sonoridade e ritmo
• Pronomes pessoais, de tratamento e demonstrativos
• Acentuação de hiatos e ditongos
Página 190

LEITURA 1
Poema

O QUE VOCÊ VAI LER

Fig. 1 (p. 190)


Manoel de Barros (1916-2014), poeta pantaneiro. Fotografia de 2000, Campo Grande (MS).
Marlene Bergamo/Folhapress

O poema que você vai ler foi escrito por um importante poeta brasileiro: Manoel de Barros. Nascido na
cidade de Cuiabá, em 1916, passou a infância em fazendas e ranchos, desfrutando do prazer das brincadeiras
e das coisas simples. Mudou-se para Campo Grande e posteriormente para o Rio de Janeiro, onde concluiu
os estudos, formando-se em Direito. Viveu em países da América do Sul e morou durante um ano em Nova
York, cidade na qual estudou cinema e pintura. Retornou ao Brasil e estabeleceu-se novamente em Campo
Grande. Fazendeiro, advogado e poeta, Manoel de Barros é conhecido pela sensibilidade no trato de temas
ligados à natureza e ao cotidiano.

O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.


Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira
Era o mesmo que roubar um vento e sair correndo com ele
5 para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
10 A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do
que do cheio.

Fig. 2 (p. 190)


Andréa Vilela/ID/BR
Página 191

Falava que os vazios são maiores e até infinitos.


Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito
Porque gostava de carregar água na peneira
15 Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo que
carregar água na peneira.
No escrever o menino viu que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
20 Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o voo de um pássaro botando
ponto no final da frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.

Fig. 1 (p. 191)


Andréa Vilela/ID/BR
Página 192

25 O menino fazia prodígios.


Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho, você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
30 Você vai encher os vazios com as suas peraltagens.
E algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos.

Manoel de Barros. Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010. p. 469-470.

Fig. 1 (p. 192)


Andréa Vilela/ID/BR

GLOSSÁRIO
Alicerce: base de uma construção, responsável por sua sustentação.
Cismado: desconfiado, prevenido.
Despropósito: absurdo, fora de propósito.
Monge: religioso que vive em um mosteiro.
Noviça: mulher que se prepara para ingressar em uma congregação religiosa.
Orvalho: conjunto de gotas muito pequenas.
Peraltagem: travessura, brincadeira.
Prodígio: algo extraordinário, que causa admiração.
Página 193

Estudo do texto
Responda sempre no caderno.

Para entender o texto

1. O poema apresenta informações sobre o menino.

a) Cite dois adjetivos que o caracterizam.

b) Por que as pessoas atribuíam essas características ao menino?

c) No contexto do poema, o que significa “carregar água na peneira”?

ANOTE

Quando no poema se diz que o menino “carregava água na peneira”, atribuem-se novos sentidos para as
palavras.

Nos poemas, é muito comum o uso da linguagem figurada, que se caracteriza pelo emprego de palavras ou
expressões com um sentido diferente do seu sentido mais comum ou literal.

Veja os exemplos:

Na capela, há muitos anjos pintados.

Na aula de hoje, ela foi um anjo!

Na primeira frase, podemos afirmar que a palavra anjos foi usada em seu sentido mais comum, não figurado,
como a imagem de um ser celestial.

Na segunda, a palavra anjo está no sentido figurado e significa pessoa educada e atenciosa.

2. Ao longo do poema, são apresentados ações e um sentimento, considerados despropositados.

a) Transcreva o trecho do poema em que isso ocorre.

b) Por que essas ações e o sentimento são considerados despropositados?

3. O menino descobre que os seus despropósitos podem ser realizados por meio de uma determinada ação.

a) Que ação é essa?

b) O que o menino imagina que pode ser com essa ação?

c) Quais ações consideradas incríveis ou peraltagens o menino consegue realizar?

4. Por que a mãe do menino compara o gosto do filho em carregar água na peneira ao ofício de poeta?

ANOTE

Assim como nos textos narrativos há um narrador, nos poemas também existe um ser que fala. A voz que se
expressa em um poema recebe o nome de eu lírico ou eu poético.
No poema “O menino que carregava água na peneira”, o eu lírico fala da infância de um menino que criava
sentidos diferentes, únicos, para os fatos do dia a dia. Pode-se imaginar que os fatos apresentados no poema
sejam uma lembrança do poeta, mas também pode ser uma ideia inventada por ele. Muitos poetas adultos
escrevem como se fossem crianças ou adolescentes. Há, ainda, poetas que colocam animais, plantas, objetos
ou lugares como a voz que se expressa no poema. Portanto, a voz nos poemas não é do poeta, mas, sim, do eu
lírico ou eu poético.

Fig. 1 (p. 193)


Andréa Vilela/ID/BR
Página 194

Responda sempre no caderno.

5. Quem é o eu lírico deste poema?

Copos-de-leite

Meu branco total


alegra os olhos…
O amarelo-ouro
doura os insetos,
que bebem as gotas
do orvalho
nos meus
COPOS-DE-LEITE.

Lúcia Pimentel Góes. Poetando flor. São Paulo: Melhoramentos, 1993. p. 24.

Fig. 1 (p. 194)


Guilherme Vianna/ID/BR

6. Na poesia, a realidade é reinventada por meio da linguagem e da imaginação. Em sua opinião, como foi
possível o poeta criar esse eu lírico?

ANOTE

Poesia é o nome geral para a arte de criar imagens e de inventar outros sentidos para os fatos do mundo. A
poesia está presente em várias formas de expressão, como a pintura, o cinema, a música, o poema.

Poema é o texto poético organizado em versos metrificados (com tamanho limitado) ou livre.

A sonoridade e o ritmo do poema

1. Leia os dois textos a seguir.

Éramos três velhos amigos na praia quase deserta. O sol estava bom; e o mar, violento. Impossível nadar: as
ondas rebentavam lá fora, enormes, depois avançavam sua frente de espumas e vinham empinando outra vez
[...].

Rubem Braga. Ai de ti, Copacabana. Rio de Janeiro: Record, 2004.

Uma estrela
namoradeira
piscou
só pra mim
talvez quisesse
que eu subisse ao céu
pra gente viver
um amor sem fim.

Almir Correia. Poemas malandrinhos. São Paulo: Atual, 1991. p. 15.

Fig. 2 (p. 194)


Guilherme Vianna/ID/BR

a) Que características do mar e da estrela são destacadas em cada um dos textos?

b) Que diferença você consegue perceber entre os dois textos, na forma como estão organizadas as palavras?

c) Qual dos dois textos apresenta uma forma que se assemelha à do poema de Manoel de Barros “O menino
que carregava água na peneira”? Justifique.
Página 195

ANOTE

Os textos podem ser escritos em prosa ou em verso.

Os textos em prosa são organizados em parágrafos.

Cada linha do poema é um verso. Um conjunto de versos forma uma estrofe.

2. Responda.

a) Quantos versos há no poema “O menino que carregava água na peneira”?

b) Quantas estrofes há no poema?

3. Releia os seguintes versos do poema de Manoel de Barros.

Com o tempo descobriu que escrever seria


o mesmo que carregar água na peneira
No escrever o menino viu
que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo
ao mesmo tempo.

Observe o destaque nas palavras. O que há de semelhante entre elas?

ANOTE

Ao apresentar sons semelhantes ou iguais, as palavras formam rimas. As rimas podem ocorrer no
interior ou no final dos versos.

4. Leia o poema.

Noturno

Na cidade, a lua:
a joia branca
que boia
na lama da rua.

Guilherme de Almeida. Em: Rodolfo Wutzig Guttila (Org.). Boa companhia: haicai. São Paulo: Companhia
das Letras, 2009. p. 86.

Fig. 1 (p. 195)


Guilherme Vianna/ID/BR

a) Quais são as palavras que rimam nesse poema?

b) Em que posição do verso essas palavras aparecem?

c) Escreva palavras que rimem com as que você identificou no item a. Depois, reescreva o poema
substituindo as palavras que rimam no original pelas novas e, em seguida, leia-o em voz alta.

Leia este quadro com atenção para responder à questão 5.

ANOTE

As sílabas poéticas são diferentes das sílabas gramaticais, e sua contagem em um verso obedece ao modo
como são pronunciados os sons.

Quando a sílaba de uma palavra é pronunciada junto com outra, elas formam uma única sílaba poética.
O número de sílabas poéticas indica a medida de um verso e corresponde a todas as sílabas pronunciadas
até a última sílaba tônica.

Fig. 2 (p. 195)


Te/nho um / li/vro / so/bre / á/gua/s e / me/ni/nos
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 última sílaba tônica
Gos/tei / mais / de um / me/ni/no
1 2 3 4 5 6 última sílaba tônica
Página 196

Responda sempre no caderno.

5. Copie os quatro últimos versos do poema de Manoel de Barros e conte as sílabas poéticas. Quantas são? O
número é sempre igual?

• No trecho que você copiou, destaque as sílabas mais fortes de cada verso. Que posição elas ocupam?

ANOTE

Um importante recurso para a construção de um poema é o ritmo.

O ritmo é construído pelo modo como as sílabas tônicas (fortes) e as sílabas átonas (fracas) estão
dispostas nos versos. O ritmo, junto com as rimas, cria a musicalidade do poema.

O ritmo pode ser regular, quando os versos têm sempre o mesmo número de sílabas poéticas e os sons
fortes caem no mesmo lugar, e pode ser irregular, quando esses elementos variam ao longo do poema.

O contexto de produção

1. Releia estes versos e responda à questão a seguir.

Tenho um livro sobre águas e meninos.


Gostei mais de um menino […]

O eu lírico do poema fala de uma criança. Como ele conheceu essa criança?

2. Ao longo do texto está presente a palavra peraltagens, que significa travessuras, brincadeiras. Esse termo
não é muito comum no vocabulário atual.

a) O que o uso dessa palavra revela sobre a época em que o menino apresentado no poema viveu?

b) Releia o poema e observe os verbos que indicam as ações do menino.

O que eles revelam sobre o tempo dos fatos narrados no poema?

3. O trecho a seguir foi retirado de um texto jornalístico produzido com base em uma entrevista concedida
por Manoel de Barros. Leia-o e responda.

“Minha poesia é feita de palavras, não de paisagens”, diz, ressalvando a seguir que não pode fugir às suas
origens: “Ela é também impregnada da água e do solo da minha infância”.

Disponível em: <http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,manoel-de-barros-o-poeta-que-veio-


dochao,523717>. Acesso em: 6 mar. 2015.

a) Como a situação apresentada no poema “O menino que carregava água na peneira” se relaciona ao trecho
da entrevista de Manoel de Barros?

b) As características do menino retratado no poema “O menino que carregava água na peneira” podem ser
relacionadas às características das crianças que vivem nos dias de hoje? Justifique sua resposta.

ANOTE

O poema lido apresenta a história de um menino que viveu as experiências descritas em outra época. Ao
escrever o poema, o poeta fez uso de recursos linguísticos que levam o leitor a essa conclusão, como os
verbos no tempo passado e o uso de determinadas palavras.

Ao interpretar o poema, é possível descobrir que, mesmo abordando situações passadas, essas se relacionam
com o tempo presente, ou seja, com os fatos atuais, como a capacidade das crianças de imaginar e atribuir
novos significados aos fatos e às situações.
Página 197

4. O eu lírico fala sobre a infância de um menino poeta. Por retratar essa época da vida, você acha que o
poema se dirige apenas ao público infantil? Quem pode ser o leitor desse texto? Explique.

A linguagem do texto

1. Releia o trecho a seguir e responda à questão.

O menino fazia prodígios.


Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.

Fig. 1 (p. 197)


Andréa Vilela/ID/BR

O que o uso do ponto de exclamação revela no trecho apresentado?

2. O que o uso dos dois-pontos indica neste trecho?

A mãe falou: Meu filho, você vai ser poeta.

ANOTE

A pontuação é um recurso bastante utilizado para a criação de sentidos. Em alguns casos, os sinais de
pontuação servem para expressar sensações e sentimentos, como é o caso do uso do sinal de
exclamação no poema “O menino que carregava água na peneira”. Em outros casos, eles têm a função de
organizar as frases no texto, de modo a torná-lo coerente, como o uso dos dois-pontos no poema de
Manoel de Barros.

3. Releia os versos a seguir e responda às questões.

A mãe disse que carregar água na peneira


Era o mesmo que roubar um vento e sair correndo com ele
para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.

a) Explique as comparações presentes no trecho.

b) Que expressão indica essas comparações?

ANOTE

A comparação é um recurso bastante utilizado em poemas. Ela aproxima dois ou mais termos por meio de
uma característica comum.

O espaço da poesia

A poesia é uma maneira diferente de ver e de pensar o mundo tão apressado e tecnológico como o que
vivemos atualmente. Além desse convite à imaginação e à abertura do olhar, a leitura de textos poéticos
permite ao leitor conhecer o patrimônio cultural de um país.

Converse com os colegas e o professor sobre as seguintes questões:

I. Qual é o espaço para o fazer poético no mundo atual?

II. Como podemos contribuir para que a poesia esteja mais presente no nosso cotidiano?
Página 198

PRODUÇÃO DE TEXTO
Poema

AQUECIMENTO

No poema a seguir, o eu lírico fala de coisas que deixam a gente feliz, que ele chama de “coisinhas à toa”. Leia
os versos prestando atenção ao som destacado em algumas palavras.

passarinho na janela / pijama de flanela / brigadeiro na panela / gato andando no telhado / cheirinho de
mato molhado / disco antigo sem chiado

[…]

Otavio Roth. Outras duas dúzias de coisinhas à toa que deixam a gente feliz. 4. ed. São Paulo: Ática, 2002.
p. 5 -11.

Fig. 1 (p. 198)


Mirella Spinelli/ID/BR

• Você concorda com o poema? Essas coisinhas também deixam você feliz?

• O que mais faz você feliz? Crie quatro versos falando de coisas simples que lhe trazem felicidade. Faça como
o autor: use, nos versos, palavras que rimem, ou seja, que terminem com o mesmo som.

Proposta

Você vai escrever um poema sobre seus sonhos para o futuro. Ao final, em uma data combinada com o
professor, será organizada uma apresentação em que você e os colegas recitarão os poemas em um espaço
coletivo da escola ou da cidade. Vocês podem convidar familiares, amigos e pessoas do bairro para assistir à
apresentação.

1. Para começar, observe as imagens abaixo, que representam algumas profissões. Depois, reflita sobre as
questões a seguir.

a) Quando pensa no futuro, você se imagina exercendo alguma das profissões representadas abaixo ou outra?
Qual?

b) Qual é o seu maior sonho para o futuro?

Fig. 2 (p. 198)


Ilustrações: Mirella Spinelli/ID/BR
Página 199

Planejamento e elaboração do texto

1. Escreva uma lista com palavras que caracterizem a profissão que você escolheu ou o seu sonho para o
futuro. As palavras podem fazer referência aos objetos usados pelo profissional escolhido, aos sentimentos
relacionados à rotina de trabalho dele, às ações, às cores e aos sons que estão no dia a dia desse profissional,
ou à outra realização com a qual você sonhe.

2. Selecione as palavras que farão parte de seu poema e relacione-as, criando os sentidos do poema. Se
quiser, releia o texto da seção Aquecimento e o poema “O menino que carregava água na peneira”. Observe
como as palavras empregadas se combinam e criam imagens.

• O poema deve estar organizado em versos e estrofes.

• As comparações e as onomatopeias podem enriquecer seu texto.

• Procure trabalhar a sonoridade e o ritmo dos versos.

3. Dê um título ao seu poema.

Avaliação e reescrita do texto

1. Copie no caderno o quadro a seguir para a avaliação de sua produção.

Questão Sim Não


O poema está organizado em versos e estrofes?
O poema tem rimas? E ritmo?
O poema caracteriza a profissão ou o sonho que você escolheu?
ID/BR

2. A partir de sua avaliação, faça as modificações que julgar pertinentes no poema.

3. Quando os textos estiverem prontos, o professor combinará com a turma como, onde e quando será feita a
apresentação dos poemas.

4. Convide familiares, amigos, colegas de outras turmas e pessoas do bairro para o evento. Para isso, prepare
cartazes e convites usando o material à disposição (cartolina, papéis coloridos, retalhos, tinta e canetas
coloridas).

a) Nos cartazes e nos convites, anote o objetivo do evento, o local, o dia e o horário, o tempo de duração e
quem serão os participantes.

b) Espalhe os cartazes pela escola e em outros estabelecimentos da região. Os convites devem ser entregues
às pessoas mais próximas.

Dicas para ler os textos

• O professor organizará a classe em grupos de cinco alunos, e cada grupo ficará responsável pela leitura de
um poema.

• Cada grupo selecionará, entre os poemas produzidos por seus integrantes, aquele que será apresentado no
evento.

• Quando você e seu grupo tiverem escolhido o poema, definam quem o lerá. Há várias possibilidades: um de
vocês lê o poema todo, ou dois de vocês podem ler versos alternados, todos leem juntos, etc.

• Para ajudar a compor o clima transmitido pelo poema e tornar a apresentação mais interessante, levem
objetos para montar um cenário, usem roupas da mesma cor ou outros adereços.
Fig. 1 (p. 199)
Mirella Spinelli/ID/BR
Página 200

REFLEXÃO LINGUÍSTICA
Pronomes pessoais e de tratamento

1. Releia o início do poema “O menino que carregava água na peneira”.

Tenho um livro sobre águas e meninos.


Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
[…]
Era o mesmo que roubar um vento e sair correndo com ele
para mostrar aos irmãos […]

a) Quais ações são comparadas nesse trecho do poema?

b) O que essas ações têm em comum?

c) Um dos termos utilizados nesse trecho tem a função de retomar uma palavra relacionada a uma dessas
ações. Que termo é esse?

d) Reescreva o verso em que esse termo está presente, substituindo-o pelo substantivo a que faz referência.

e) Que mudança ocorreu ao realizar essa alteração? Essa mudança foi positiva ou negativa para o poema?

f) O trecho lido faz parte de um poema. Considerando as características desse gênero, qual a importância de
utilizar esse termo em vez do substantivo a que faz referência?

ANOTE

Pronomes são palavras que substituem ou acompanham substantivos e outras formas nominais (nomes).

Pessoas do discurso

2. Leia a tira a seguir.

Fig. 1 (p. 200)


Alexandre Beck. Armandinho. Folha de S.Paulo, 2 ago. 2014. Suplemento infantil Folhinha.
Alexandre Beck/Folhapress
Q1: NESSA FOTO EU DEVIA TER A SUA IDADE!
Q2: PODE PARECER ESTRANHO, MAS EU JÁ FUI UM MENINO!
Q3: E O QUE HOUVE COM ELE?

a) Nessa tira, há um diálogo entre Armandinho e o pai. Qual termo utilizado pelo pai faz referência a ele
mesmo?

b) O que o filho estranha em relação à afirmação do pai?

c) Na fala do garoto, é utilizado um termo que faz referência ao menino que um dia o pai foi. Que termo é
esse?

d) O que revela a utilização desse termo para fazer referência ao menino que o pai foi um dia?

Relacionando

Em textos dos mais diversos gêneros, é comum o uso de pronomes pessoais substituindo substantivos. Em
poemas, além de evitar a repetição de termos, a seleção e o uso de pronomes contribuem, muitas vezes, para
a construção de sonoridade e ritmo no texto.
Página 201

No primeiro e no segundo quadrinho da tira, é utilizada a palavra eu para fazer referência à pessoa que fala.
No terceiro quadrinho, é usada a palavra ele para se referir à criança que o pai foi um dia.

Na conversa mostrada nessa tira – assim como em qualquer situação de comunicação –, dizemos que são
três as pessoas do discurso: a pessoa que fala, a pessoa com quem se fala e a pessoa de quem se
fala.

Fig. 1 (p. 201)


pronome que indica a pessoa com quem se fala
pronome que indica a pessoa de quem se fala
pronome que indica a pessoa que fala
Ela é a criança de quem eu te falei ontem.
pronome que indica a pessoa de quem se fala
pronome que indica a pessoa com quem se fala
pronome que indica a pessoa que fala
Nós já lhes enviamos as cartas que você escreveu.

ANOTE

Pronomes pessoais são palavras que têm a função de indicar as pessoas do discurso.

• Primeira pessoa: indica quem fala. Exemplos: eu, me, nós, nosso, etc.

• Segunda pessoa: indica com quem se fala. Exemplos: tu, vós, te, teu, etc.

• Terceira pessoa: indica de quem ou sobre o que se fala. Exemplos: ela, eles, lhe, etc.

Classificação dos pronomes

Pronomes pessoais

Os pronomes pessoais fazem referência às pessoas do discurso (primeira, segunda e terceira).

Os pronomes pessoais são classificados em dois tipos: os pronomes pessoais do caso reto e os pronomes
pessoais do caso oblíquo.

Pessoas verbais Pronomes pessoais do caso reto Pronomes pessoais do caso oblíquo
1ª pessoa do singular eu me, mim, comigo
2ª pessoa do singular tu te, ti, contigo
3ª pessoa do singular ele, ela o, a, lhe, se, si, consigo
1ª pessoa do plural nós nos, conosco
2ª pessoa do plural vós vos, convosco
3ª pessoa do plural eles, elas os, as, lhes, se, si, consigo
ID/BR
Página 202

Pronomes de tratamento

3. Leia a tira.

Fig. 1 (p. 202)


Jim Davis. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/cartum/cartunsdiarios/#12/9/2014> Acesso em: 6 mar. 2015.
Garfield, Jim Davis © 2014 Paws, Inc. All Rights Reserved / Dist. Universal Uclick
Q1: PRA ONDE A GENTE VAI NAS FÉRIAS DESTE ANO, GARFIELD?
Q2: SEM SER PRA FÁBRICA DE LASANHA.
Q3: AGORA VOCÊ ME PEGOU.

a) Jon e Garfield têm uma relação mais distante ou de proximidade?

b) Qual é o termo que Garfield utiliza para se referir a Jon na tira?

c) Que tipo de registro é predominante nas falas das personagens?

d) Qual é a relação entre esse tipo de registro e a situação de comunicação da tira?

Na tira lida, o tratamento entre os interlocutores revela o grau de intimidade entre eles. Além do contexto, ao
utilizar o termo você, é reforçado o tom de informalidade na situação comunicativa. Existem algumas
palavras que podemos empregar para nos dirigir aos nossos interlocutores, ou seja, à(s) pessoa(s) com quem
nos comunicamos. Essas palavras são conhecidas como pronomes de tratamento e podem revelar um
tom mais informal, como o termo você, ou uma postura mais cerimoniosa. Veja estes exemplos.

Pronome de
Abreviatura Usado para se dirigir a
tratamento
Você V. pessoas íntimas
pessoas mais velhas ou a quem queremos tratar com respeito e
Senhor, senhora Sr., Sra.
distanciamento
Vossa Alteza V. A. príncipes e duques
Vossa Excelência V. Exa. altas autoridades do governo e das forças armadas
Vossa Majestade V. M. reis e imperadores
Vossa Santidade V. S. papa
Vossa Senhoria V. Sa. autoridades em geral; tratamento cerimonioso
ID/BR

Relembrando as pessoas do discurso (primeira pessoa, a que fala; segunda, com quem se fala; e terceira, de
quem se fala), concluímos que os pronomes de tratamento indicam a segunda pessoa, aquela com
quem se fala.

ANOTE

De acordo com as regras gramaticais, as duas formas, tu e você, são válidas. No entanto, em situações de uso
formal da língua escrita, é importante não misturar os dois pronomes no mesmo trecho: ou se opta pelo uso
do tu ou pelo uso do você (que corresponde à segunda pessoa, mas leva o verbo para a terceira).

Tu te superaste hoje. Você se superou hoje.

Origem do pronome você


O pronome você, hoje muito utilizado, originou-se da antiga forma Vossa Mercê. Com o passar dos anos, o
uso dessa expressão foi se tornando mais popular e se transformou em vossemecê, depois em vosmecê, até
chegar à forma atual: você.
Página 203

REFLEXÃO LINGUÍSTICA Na prática

Responda sempre no caderno.

1. Leia o fragmento da letra de canção abaixo.

Trilhares

As estrelas que de noite eu via


Todas elas lá no céu estão
Mesmo sem vê-las durante o dia
Piscam no céu com o sol gordão

São trilhares de estrelas e eu nem sabia


Que estão lá no céu até mesmo de dia
Como pode o céu ter tanta estrela?
Como pode? Parece um mar de areia...

A areia que na praia eu via


Tantos grãos estão lá no chão
Punhadinho de areia que eu pego na mão
Tantos grãos que não cabem na numeração
[…]

Paulo Tatit e Edith Derdyk. Trilhares. Intérprete: Palavra Cantada. Em: Canções curiosas. Palavra Cantada,
2000.

Fig. 1 (p. 203)


Andréa Vilela/ID/BR

a) A palavra trilhares não existe nos dicionários. O que ela pode significar?

b) No contexto da letra da canção, que sentido essa palavra parece ter? Que versos justificam sua resposta?

c) Que pronomes da primeira estrofe substituem a expressão “as estrelas”?

d) Por que o autor usou o pronome no lugar da expressão “as estrelas”?

2. Observe as frases a seguir.

I. Quando tu chegares, te dou uma carona.


II. Quando você for embora, te levo de carro.
III. Já lhe dei um presente, falta cumprimentá-lo.
IV. Já te dei um presente, falta cumprimentar você.

Fig. 2 (p. 203)


Andréa Vilela/ID/BR

a) Em que pessoa do discurso, estão os pronomes de cada frase?

b) A concordância desses pronomes está adequada? Explique.

c) Em que tipo de situação (formal/informal) cada frase costuma ser empregada?

3. Leia a anedota a seguir.

– Não deixe sua cadela entrar na minha casa de novo. Ela está cheia de pulgas!

– Fifi, não entre nessa casa de novo. Ela está cheia de pulgas.
Domínio público.

a) Quais são as personagens dessa anedota?

b) Na realidade, quem está cheia de pulgas: a casa ou a cadela?

c) Qual palavra do texto fez com que o dono da cadela não entendesse o que a outra personagem dizia? Por
que houve esse engano?

d) Reescreva a primeira frase da anedota e elimine a ambiguidade.


Página 204

4. Leia a seguinte letra de canção de Arnaldo Antunes.

Fora de si

Eu fico louco
eu fico fora de si
eu fica assim
eu fica fora de mim
Eu fico um pouco eu
depois eu saio daqui
eu vai embora
eu fico fora de si
Eu fico oco
eu fica bem assim
fico sem ninguém em mim

Arnaldo Antunes. Fora de si. Intérprete: Arnaldo Antunes. Em: Ninguém. BMG, 1995. 1 CD. Faixa 7.

Fig. 1 (p. 204)


Arnaldo Antunes. Fotografia de 2000.
Wilton Junior/Estadão Conteúdo

a) O eu lírico fala de quem? Copie palavras do texto que comprovem sua resposta.

b) Que sentimento é revelado pelo eu lírico ao longo da canção?

c) A letra da canção foi escrita de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa. Justifique sua resposta.

d) Qual é a relação existente entre a forma de o eu lírico se expressar e o sentimento por ele revelado?

5. Leia a tira.

Fig. 2 (p. 204)


Os levados da breca, de Wesley Samp.
Wesley Samp/Acervo do artista
Q1: BEM, AMIGOS, EU OS REUNI PARA INFORMÁ-LOS QUE CONCORREREI AO CARGO DE REPRESENTANTE DA TURMA, OPONDO-ME À CHAPA JÁ
FORMADA.
Q2: COMO SÓ HAVIA UM CANDIDATO ATÉ O MOMENTO, RESOLVI APRESENTAR-ME COMO CONTRAPONTO, PERMITINDO ASSIM UMA ELEIÇÃO
QUE OFERECERÁ A VOCÊS, ELEITORES, A CHANCE DE PARTICIPAR EFETIVAMENTE DO PROCESSO.
Q3: PESSOAL?

a) Paulo anuncia sua candidatura aos amigos e inicia um discurso. No último quadrinho, ele está falando
sozinho. Em sua opinião, por que os amigos de Paulo foram embora?

b) No lugar de Paulo, como você faria seu discurso? Escreva-o no caderno.

c) Identifique, na primeira fala de Paulo, os pronomes pessoais e indique a que pessoa do discurso cada
pronome corresponde.

d) Reescreva o trecho “uma eleição que oferecerá a vocês”, substituindo vocês por um pronome equivalente
do caso oblíquo. Faça as adaptações necessárias.

6. Leia a fala de um deputado estadual sobre a ação de outro deputado em uma sessão da Assembleia
Legislativa.

“Ele é bocão. O que ele dizia [...] eram palavras horríveis”, assegurou o deputado [...]. “Vossa Excelência vai
ter que dizer isso no palanque que está hoje. Vossa Excelência só sabe viver ao lado do poder”, provocou.

Disponível em: <http://www.f5news.com.br/editoria-cotidiano.asp>. Acesso em: 6 mar. 2015.


a) Nessa fala, há um termo em sentido figurado. Que termo é esse? De acordo com o contexto, qual o
significado desse termo?

b) Ao concluir o texto, o jornalista utiliza o verbo provocou. Qual a relação entre o uso desse verbo e o
conteúdo da fala?

c) A quem se deve dirigir o tratamento de Vossa Excelência?

d) O pronome Vossa Excelência é considerado cerimonioso. No caso acima, há um tratamento respeitoso e


educado? Explique.
Página 205

LÍNGUA VIVA
Responda sempre no caderno.

Pronomes de tratamento e seus usos

1. Leia o poema Valsa da Vassoura, de Dilan Camargo.

Senhora Dona Vassoura


elegante Dama Loura
ao vê-la assim tão linda
minha tristeza se finda.

Vamos dançar uma valsa?


Pra poder acompanhá-la?
este jovem se descalça
com medo de pisá-la.

Deixe enlaçar, dançarina


A sua cintura fina
Deixe tomar, bem sensíveis
Os seus braços insensíveis.

Ao soar a melodia
Surpresos todos verão:
Rodopia, rodopia
Um belo par no salão.

Dilan Camargo. Em: Vera Aguiar. Poesia fora da estante. Porto Alegre: Projeto, 2007. p. 99.

Fig. 1 (p. 205)


Andréa Vilela/ID/BR

GLOSSÁRIO
Findo: finalizado, terminado.

a) Nesse poema, o eu lírico se dirige a alguém. Que pronome de tratamento é utilizado para iniciar a
interlocução?

b) Na primeira estrofe, quais adjetivos são utilizados pelo eu lírico para caracterizar a interlocutora?

c) Que ações são realizadas pelo eu lírico na segunda estrofe? Qual o motivo da segunda ação?

d) De acordo com o contexto apresentado no poema, é possível afirmar que o eu lírico conseguiu o que
pretendia? Justifique.

e) O eu lírico pode representar figuras que não são humanas. Pelo contexto apresentado, o que o eu lírico
representa nesse poema?

f) O que o modo como o eu lírico se dirige à interlocutora e as ações realizadas revelam sobre a relação entre
eles?

g) Qual a relação entre o uso do pronome de tratamento presente no poema e o contexto apresentado?

2. O uso do pronome de tratamento senhor(a) normalmente revela respeito do falante por seu interlocutor
em razão de uma diferença de idade, de posição hierárquica, etc. Em alguns contextos, entretanto, pode
revelar diferenças sociais e de situação econômica ou, ainda, ironia. Explique o que o uso de senhor(a)
expressa sobre as relações entre os interlocutores nas frases abaixo.
a) Me dá um trocado, senhora? (pessoa pedindo esmola para a motorista de um veículo)

b) Chefe, a senhora vai me conceder um aumento? (funcionário dirigindo-se à sua superiora)

c) O senhor já fez a lição? (pai perguntando ao filho)

ANOTE

O uso dos pronomes de tratamento pode revelar o tipo de relacionamento entre os


interlocutores: uma relação de respeito, por haver entre eles diferença de idade ou hierárquica; uma
relação entre interlocutores que estão em situação muito desigual social e economicamente; etc.

Os pronomes de tratamento cerimoniosos podem, às vezes, ser usados com a intenção de produzir um efeito
de ironia.
Página 206

LEITURA 2
Poema

O QUE VOCÊ VAI LER

Fig. 1 (p. 206)


Mario Quintana (1906-1994), poeta gaúcho. Fotografia de 1986.
Adolfo Gerchmann/Conteúdo Expresso

Você vai ler um poema escrito pelo poeta gaúcho Mario Quintana. O autor é conhecido por lançar um olhar
poético sobre fatos do cotidiano. Escreveu livros, como Espelho mágico e O aprendiz de feiticeiro, obras
infantojuvenis, como Pé de Pilão e Sapato furado, além de poemas infantis.

• “Ritmo” é o nome do poema apresentado a seguir. De que ritmo você imagina que o texto falará?

Ritmo

Na porta
a varredeira varre o cisco
varre o cisco
varre o cisco

Na pia
a menininha escova os dentes
escova os dentes
escova os dentes

No arroio
a lavadeira bate roupa
bate roupa
bate roupa

até que enfim


se desenrola
toda a corda
e o mundo gira imóvel como um pião!

Mario Quintana. Anotações poéticas. São Paulo: Globo, 1996. p. 65. © by Elena Quintana.

Fig. 2 (p. 206)


João Lin/ID/BR

GLOSSÁRIO
Arroio: córrego, riacho.
Cisco: lixo, pó.
Página 207

Estudo do texto
Responda sempre no caderno.

Para entender o texto

1. Complete o quadro com as informações do poema.

Lugar onde ocorre a ação Quem faz a ação Ação Objeto da ação

ID/BR

2. O que há em comum entre as pessoas que aparecem no poema?

3. Que sons de consoante se repetem em cada uma das três primeiras estrofes? Como essa repetição se
relaciona com as imagens produzidas pelo poema?

ANOTE

A repetição de consoantes é um recurso usado para intensificar o ritmo ou para criar um efeito sonoro
significativo. Esse recurso recebe o nome de aliteração.

4. O poema apresenta várias repetições de versos. Que sentidos essas repetições acrescentam às ações
realizadas no poema?

5. Que semelhança há entre o verso “e o mundo gira imóvel como um pião!” e o movimento realizado pelas
mulheres e pela menina?

6. Leia o poema a seguir em voz alta.

A onda

A ONDA
a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda

Manuel Bandeira. Para querer bem. São Paulo: Moderna, 2005. p. 41.

Acervo PNBE

Fig. 1 (p. 207)


João Lin/ID/BR

a) Como o poeta construiu o ritmo desse poema?


b) Quais sons mais se repetem no poema? O que procuram imitar?

c) Que relação há entre a disposição das palavras do poema no papel e o som que ele pretende imitar?

ANOTE

A repetição de vogais recebe o nome de assonância. O uso desse recurso, de forma intencional, torna os
versos mais musicais e pode ajudar a expressar o sentido do texto.
Página 208

Responda sempre no caderno.

7. Faça uma lista de seis a oito palavras em que se repita o som de uma ou mais consoantes da palavra ritmo.

8. No último verso de “Ritmo”, predominam os sons nasais: mundo, imóvel, como, um, pião.

a) Leia essas palavras em voz alta, identificando o som nasal.

b) Faça uma lista de seis a oito palavras em que apareça um ou mais desses sons e destaque as letras que os
representam.

9. Leia este poema de Vinicius de Moraes.

O relógio

Passa, tempo, tic-tac


Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria
De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac...

Vinicius de Moraes. A arca de Noé. São Paulo: Companhia das Letras, 1991. p. 24.

Fig. 1 (p. 208)


João Lin/ID/BR

a) Nesse poema, foi empregada várias vezes uma palavra que reproduz o som do relógio. Qual?

b) Que outros elementos presentes em todo o poema lembram o som produzido pelo relógio?

10. Leia a seguir a primeira estrofe de uma letra de canção.

Pedro Pedreiro

Pedro pedreiro penseiro esperando o trem


Manhã, parece, carece de esperar também
Para o bem de quem tem bem
De quem não tem vintém
Pedro pedreiro fica assim pensando
Assim pensando o tempo passa
E a gente vai ficando pra trás
Esperando, esperando, esperando
Esperando o sol
Esperando o trem
Esperando o aumento
Desde o ano passado
Para o mês que vem
[…]
Chico Buarque. Pedro Pedreiro. Em: Songbook Chico Buarque. Lumiar Discos, 1999.

Fig. 2 (p. 208)


João Lin/ID/BR

a) Por que o eu lírico chama Pedro de “Pedro pedreiro penseiro”?

b) Leia os versos em voz alta, prestando atenção aos sons que se repetem. Se for preciso, leia-os mais de uma
vez.

c) Que sons de consoante predominam nesses versos?

d) Que sons de vogal predominam?

e) Qual a relação entre esses sons e o assunto da canção?

POEMA E LETRA DE CANÇÃO

Os poemas mantêm uma relação próxima com as canções desde muito tempo. Na Antiguidade, por exemplo,
os poemas eram chamados de lírica e feitos para serem cantados com o acompanhamento de um
instrumento musical, a lira. Segundo o pesquisador Luciano Cavalcanti, da Universidade Estadual de
Campinas (Unicamp), foi a partir do século XVI que “a lírica foi abandonando o canto para se destinar, cada
vez mais, à leitura silenciosa”.

Até os dias atuais, poemas e letras de canção dialogam e mantêm proximidade. Um exemplo é a sonoridade:
assim como em muitos poemas, é comum em letras de música a repetição de fonemas para obter um
determinado ritmo. Esses dois gêneros se diferenciam, principalmente, pela utilização da linguagem musical
na letra de canção: enquanto o poema é lido, a letra de canção se integra a uma melodia.
Página 209

O texto e o leitor

1. O poema “Ritmo” trata de ações do cotidiano. Que relação se pode fazer entre o título do poema e essas
ações?

2. O eu lírico destaca um aspecto das ações de varrer, escovar os dentes e bater roupa. Qual é esse aspecto?

3. Observe que as três primeiras estrofes de “Ritmo” têm formatos semelhantes (um verso curto, um mais
longo e dois curtos). Que relação você vê entre a repetição da forma e o sentido dessas três estrofes?

4. Os versos da última estrofe apresentam uma distribuição de palavras diferente. Como essa organização de
palavras se relaciona com o conteúdo da estrofe?

5. O eu lírico apresenta três ações que têm como característica serem repetidas sempre do mesmo jeito. Que
recurso reforça para o leitor a ideia de que algumas coisas não mudam?

Fig. 1 (p. 209)


João Lin/ID/BR

Comparação entre os textos

1. Copie o quadro no caderno e preencha-o, comparando os dois poemas estudados neste capítulo.

“O menino que carregava água na


“Ritmo”
peneira”
Tema
Presença de rima
Recursos utilizados para dar sonoridade e ritmo ao
poema
Relação entre os efeitos sonoros e o sentido
ID/BR

2. Observando as suas respostas anteriores e a análise dos poemas do capítulo, que características do gênero
poema você destaca?

Sua opinião

1. Como vimos neste capítulo, os poemas podem envolver o leitor de diferentes formas: por meio da
expressão de emoções, da sonoridade, do ritmo e dos jogos de palavras. Em sua opinião, qual dos poemas
estudados envolve mais o leitor? Por quê?

Poesia e descoberta

A visão que um poeta tem de um fato cotidiano e simples pode transformar esse fato em algo especial. Lendo
poemas, podemos conhecer as emoções e os sonhos comuns a todos os seres humanos, transformados pela
poesia.

Discuta com os colegas e o professor as questões a seguir.

I. Será que a poesia pode ajudar você a conhecer melhor suas emoções e seus sonhos? Como?

II. Você acredita que outras pessoas possam ter as mesmas emoções e os mesmos sonhos que você?
Explique.

Fig. 2 (p. 209)


João Lin/ID/BR
Página 210

PRODUÇÃO DE TEXTO
Poema

AQUECIMENTO

As palavras que compõem o poema podem estar associadas pelo sentido, pela sonoridade ou por ambos os
elementos.

• Para cada uma das palavras a seguir, escreva três outras, associadas ao sentido delas.

sonho infância mar férias amigo

• Agora, faça uma lista de palavras associadas aos sons das letras r, p, a e o.

Fig. 1 (p. 210)


Fabiana Salomão/ID/BR

Proposta

A poesia pode fazer parte do cotidiano das pessoas. Você vai criar uma caixa de poemas e, com a supervisão
do professor, distribuir textos poéticos para as pessoas que circulam pelos espaços públicos próximos da
escola, como pontos de ônibus, praças, etc.

Observe com atenção as imagens a seguir. Elas serão o ponto de partida para sua produção.

Fig. 2 (p. 210)


Chillin/Dreamstime.com/ID/BR

Fig. 3 (p. 210)


Inaki/Dreamstime.com/ID/BR

Planejamento e elaboração do texto

1. As imagens representam dois elementos da natureza: o fogo e a água. Com qual deles você se identifica
mais?

2. Pense em seu jeito de ser e escreva: O que faz você se identificar com esse elemento da natureza?
Página 211

3. Escreva as palavras que lhe vêm à mente quando observa a imagem com o elemento escolhido.

4. Que sons você imagina que ouviria se estivesse em contato com o elemento da natureza selecionado?

5. Pense em palavras e expressões em que apareçam esses sons. Anote-as no caderno. Lembre-se do que
aprendeu a respeito de repetições, aliterações e assonâncias.

6. Faça uma lista de palavras rimadas relacionadas ao elemento da natureza escolhido e ao seu jeito de ser.

7. Escreva o poema fazendo uma associação entre a água ou o fogo e suas características pessoais. Baseie-se
nas razões anotadas na atividade 2 e nas listas de palavras da atividade 5.

8. Um poema é um texto em que o autor expõe sensações e ideias bem particulares, em que apresenta seu
jeito de ver o mundo. Portanto, sinta-se à vontade para criar imagens e não tenha medo de fazer associações
diferentes, incomuns.

9. Se desejar, faça rimas no final dos versos.

10. Procure organizar os versos e as estrofes de um modo significativo.

11. Ao terminar o poema, dê a ele um título que tenha alguma relação com o seu sentido.

Avaliação e reescrita do texto

1. Leia o seu poema e avalie os itens a seguir.

a) A organização em versos e estrofes criou um efeito expressivo?

b) Foram usados recursos como repetições, aliterações e assonâncias para reforçar o sentido do poema?

2. Depois de avaliar seu texto, reescreva-o, fazendo as modificações necessárias.

3. Escreva a versão final do poema em um papel colorido.

4. Ao final, com a orientação do professor, os poemas de todos os alunos serão distribuídos em lugares
previamente selecionados.

Dicas de como distribuir os poemas

• O professor organizará a classe em grupos de cinco alunos.

• Cada grupo ficará responsável por preparar uma caixa para os poemas. Pode-se pegar uma caixa de papelão
e encapá-la com papel colorido ou pintá-la.

• As versões finais dos poemas em papel colorido serão dobradas antes de serem colocadas na caixa.

• Em dia e horário combinados com o professor, cada grupo pegará sua caixa de poemas e, no local definido,
convidará as pessoas a escolher um.

• O grupo pode ler o poema sorteado pela pessoa ou pedir a ela que o leia em voz alta.

Fig. 1 (p. 211)


Lúcia Brandão/ID/BR
Página 212

REFLEXÃO LINGUÍSTICA
Pronomes demonstrativos

1. Leia o poema a seguir, de Cláudio Thebas.

Hora do banho

Entrar no banho, puxa vida,


é acabar com a brincadeira.

– Já pro banho, não enrola, olha só quanta sujeira!


Todo dia isso acontece.
Minha mãe é mesmo fogo: sempre fica me chamando
Na melhor parte do jogo.
[…]

Cláudio Thebas. Amigos do peito. 15. ed. Belo Horizonte: Formato, 2006.

Fig. 1 (p. 212)


Andréa Vilela/ID/BR

a) O poema fala do conflito entre a mãe e o filho em relação à hora do banho. Explique esse conflito.

b) Que figura o eu lírico desse poema representa?

c) Quando o eu lírico diz “Todo dia isso acontece”, a qual fato o termo isso faz referência?

d) Qual a importância do uso desse termo para a manutenção do ritmo e da musicalidade do poema?

ANOTE

Pronomes demonstrativos são palavras que servem para situar os seres e objetos de quem/que falamos
no espaço, no tempo ou no texto. Eles indicam, portanto, a posição desses seres e objetos no espaço ou no
tempo em relação às pessoas do discurso.

Observe o quadro de pronomes demonstrativos a seguir, referente às três pessoas do discurso.

Pessoa do discurso Variáveis Invariáveis


1ª este, estes, esta, estas isto
2ª esse, esses, essa, essas isso
3ª aquele, aqueles, aquela, aquelas aquilo
ID/BR

Agora, conheça as diferentes funções dos pronomes demonstrativos.

I – Uso dos pronomes demonstrativos em relação ao que foi falado/escrito ou ao que se vai
falar/escrever

Um dos usos dos pronomes demonstrativos é estabelecer relações entre partes do texto, retomando o que já
foi dito ou antecipando o que será dito.

Pronomes demonstrativos em relação ao que foi falado/escrito ou ao que se vai falar/escrever


Este(s), esta(s) e isto são utilizados quando se faz referência a alguém ou a algo de quem/que se vai falar.
Exemplo: Minha ideia é esta: organizarei os documentos e os levarei à prefeitura ainda hoje.|
Pronomes demonstrativos em relação ao que foi falado/escrito ou ao que se vai falar/escrever
Esse(s), essa(s) e isso são utilizados quando se quer retomar algo que já foi citado. Exemplo: João foi à praia
no feriado, mas estava tudo lotado e faltou água. Isso o deixou louco!|
Este(s), esta(s), aquele(s), aquela(s) e aquilo são utilizados quando se quer retomar algo já mencionado: este
refere-se ao que foi mencionado por último, e aquele, ao que foi mencionado primeiro. Exemplo: Mário e
Sandro vieram estudar em casa: este me ajudou em Matemática, aquele em Ciências. (Nesse caso, o pronome
este se refere a Sandro e o pronome aquele faz referência a Mário.
ID/BR

Relacionando

No poema “Hora do banho”, ao utilizar o pronome demonstrativo isso, o eu lírico faz referência ao que ele
acabou de narrar, retomando um fato. Nesse caso, o uso do pronome auxilia na construção de sentido, evita
repetição de termos e contribui para a manutenção do ritmo no texto.
Página 213

II – Uso dos pronomes demonstrativos em relação ao espaço

2. Leia a tira a seguir.

Fig. 1 (p. 213)


Garfield, Jim Davis © 2014 Paws, Inc. All Rights Reserved/Dist. Universal Uclick
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/cartum/cartunsdiarios/#2/12/2014>. Acesso em: 7 mar. 2015.
Q1: ESTA É A SUA LISTA DE COMPRAS?
Q2: NÃO.
Q3: É SÓ O ÍNDICE DELA.

a) Observando a situação de comunicação, o que surpreende Jon, o dono com de). do gato Garfield?

b) No primeiro quadrinho, quem está segurando uma folha de papel? Qual pronome faz referência a ela?

OS PRONOMES E AS PREPOSIÇÕES

Os pronomes demonstrativos podem aparecer combinados com as preposições em e de.

Exemplos: neste, naquele, nisso (combinação com em); deste, daquilo, disso (combinação com de)

Os pronomes demonstrativos possuem uma relação espacial com as pessoas do discurso. Observe o
quadro a seguir.

Pronomes demonstrativos Posição do ser ou objeto no espaço


este, estes, esta, estas, isto próximo da pessoa que fala
esse, esses, essa, essas, isso próximo da pessoa com quem se fala
aquele, aqueles, aquela, aquelas, aquilo distante de quem fala e de seu interlocutor
ID/BR

3. Releia a tira e justifique o uso do pronome demonstrativo esta.

III – Uso dos pronomes demonstrativos em relação ao tempo

4. Leia as frases a seguir e observe o uso de pronomes para marcar uma posição no tempo.

No século XVIII, longas viagens eram feitas de navio. Aquela foi uma época de muitas aventuras!

Mês passado, todos nós fomos viajar. Esse tempo foi muito bom!

a) Nessas frases, os pronomes demonstrativos fazem referência ao passado. Quais são esses pronomes?

b) Observando a situação de uso, qual é a diferença em relação ao sentido que cada um desses pronomes
expressa?

Os pronomes demonstrativos também são utilizados para fazer referência ao tempo presente, passado
ou futuro. Observe o quadro a seguir.

Pronomes demonstrativos Posição do ser ou objeto no tempo


este, estes, esta, estas, isto presente
esse, esses, essa, essas, isso passado ou futuro próximos
aquele, aqueles, aquela, aquelas, aquilo passado ou futuro distantes
ID/BR
Página 214

REFLEXÃO LINGUÍSTICA Na prática

Responda sempre no caderno.

1. Leia o poema.

aqui

nesta pedra

alguém sentou
olhando o mar

o mar
não parou
pra ser olhado

foi mar
pra tudo quanto é lado

[...]

Paulo Leminski. Em: Fred Góes e Álvaro Marins (Org.). Melhores poemas de Paulo Leminski. São Paulo:
Global, 2001. p. 44.

Acervo PNBE

Fig. 1 (p. 214)


Andréa Vilela/ID/BR

a) O eu lírico fala de alguém que se sentou para olhar o mar em uma pedra. É uma pedra qualquer? Explique.

b) Se trocarmos a expressão “nesta pedra” por “nas pedras”, o sentido continua o mesmo? Justifique sua
resposta.

c) O eu lírico mostra uma oposição entre movimento e ausência de movimento. Como isso é representado no
poema?

2. Leia o trecho de notícia a seguir.

Cai para 42,6 mil o número de clientes sem luz no RS

Os temporais que atingiram o Rio Grande do Sul entre a noite desta terça-feira e a tarde de quarta-feira
chegaram a deixar 113 mil clientes sem energia elétrica no Estado. Às 23h desta quarta, esse número havia
caído para 42,6 mil nas áreas das três concessionárias responsáveis pelo abastecimento. […]

Disponível em: <http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2015/01/cai-para-42-6-mil-o-numero-de-


clientes-sem-luzno-rs-4681099.html>. Acesso em: 7 mar. 2015.

a) A notícia acima trata da falta de luz no Rio Grande do Sul devido aos temporais. Quais informações
apresentadas no texto revelam a gravidade da situação?

b) No trecho, “esse número havia caído para 42,6 mil nas áreas das três concessionárias responsáveis pelo
abastecimento”, a que o pronome esse faz referência?

c) Considerando a situação de uso, qual a função desse pronome?

3. Reescreva as frases a seguir, utilizando adequadamente os pronomes demonstrativos.

a) Você viu ______ menina lá fora? É sobre ela que estávamos conversando pela manhã.
b) Por favor, pegue para mim ______ toalha que está ao seu lado!

c) Preste atenção, ______ bicicleta em que você está parece estar com os freios gastos!

d) Cuidado! ______ pacote na minha mão é frágil.

4. Qual é a ideia expressa pelos pronomes demonstrativos destacados nas frases?

a) Naquele tempo, as crianças brincavam nas ruas.

b) Ele comprou o carro naquela loja.

c) Júlia e Paulo estudam na mesma escola. Este está no 4º ano; aquela, no 6ºano.

d) Este livro eu já li. Queria ler aquele outro.


Página 215

LÍNGUA VIVA
Responda sempre no caderno.

O pronome na coesão do texto

1. Leia o seguinte trecho de um poema intitulado “Era uma vez…“.

O seu rei mandou me chamar


Pra casar com sua filha
Só de dote ele me dava
Europa, França e Bahia
Me lembrei do meu ranchinho
Da roça, do meu feijão
O rei mandou me chamar
Ó seu rei, não quero, não.

Lenice Gomes e Hugo Monteiro Ferreira. Pelas ruas da oralidade. São Paulo: Paulinas, 2003. p. 15.

Fig. 1 (p. 215)


Andréa Vilela/ID/BR

a) O que a palavra meu indica sobre as posses do eu lírico?

b) Qual palavra presente na estrofe indica que a moça é filha do rei?

c) O que impede o eu lírico de casar com a filha do rei?

d) O eu lírico, ao se dirigir ao rei, utiliza a expressão “seu rei”. Qual é o sentido da palavra seu no poema?

2. Os dois primeiros versos poderiam ter sido escritos assim: “O seu rei mandou me chamar / Pra casar com
a filha do rei”. Compare esses versos com os originais e explique a função do pronome sua.

3. Leia este texto.

Ser amigo é… amar e respeitar nossos primeiros amigos, que são nossos pais. Eles brigam, e dizem coisas
que não gostamos de ouvir, mandam a gente escovar os dentes, tomar banho e dormir. Em alguns dias,
choramos; em outros, rimos sem parar, pois sabemos que esses amigos nunca vão nos abandonar.

Disponível em: <http://meninomaluquinho.educacional.com.br/PaginaExtra/default.asp?id=2259>. Acesso


em: 7 mar. 2015.

a) A expressão “esses amigos” está se referindo a quem?

b) Por que o autor utilizou o pronome esses nessa expressão?

4. Leia a frase abaixo.

Nem a mãe mais moderna suporta que o quarto fique bagunçado e, quando isso acontece, o resultado é uma
mãe estressada!

a) Substitua o pronome isso por um termo correspondente.

b) Quais palavras ficaram repetidas com a substituição do pronome isso?

c) Como você pôde observar, existe a possibilidade de escrever essa frase sem o pronome demonstrativo.
Qual é a função do pronome nessa frase?

d) Que efeito de sentido geraria se intencionalmente houvesse a repetição?


ANOTE

Os pronomes são elementos de coesão textual, pois ajudam a estabelecer relações no texto, interligando
ideias, tornando o texto mais preciso e evitando as repetições desnecessárias e sem intenções.
Página 216

QUESTÕES DA ESCRITA
Responda sempre no caderno.

Acentuação de hiatos e ditongos

1. Observe que, em todas as palavras do quadro, aparecem duas vogais juntas (vizinhas). Leia-as e, em
seguida, copie-as no caderno, em dois grupos: palavras em que essas vogais são pronunciadas na mesma
sílaba e palavras nas quais as vogais não são pronunciadas na mesma sílaba.

guarda zoo cair raiz quase louco afiado série


saída

ANOTE

Quando as vogais vizinhas estão na mesma sílaba, uma delas (a de som mais fraco) passa a ser chamada de
semivogal. O som da vogal e da semivogal juntas na mesma sílaba chama-se ditongo.

Exemplo: igual (i-gual).

Quando as vogais vizinhas são pronunciadas em sílabas diferentes, ocorre hiato. Exemplo: saúde (sa-ú-de).

2. Leia a tira a seguir.

Fig. 1 (p. 216)


Overman, de Laerte.
Laerte/Acervo do artista
OVERMAN
Q1: OVERMAN! DESCOBRI QUEM ANDA PASSANDO TROTE EM VOCÊ!
ÓTIMO! PODE DIZER!
Q2: POR TELEFONE É PERIGOSO! ENCONTRE-ME ÀS 15H NO VIADUTO DO CHÁ - E ANOTE AÍ O SEU DISFARCE…
ESTOU OUVINDO.
Q3: DUAS HORAS DE ATRASO! QUE SERÁ QUE HOUVE?

a) Por que a pessoa que iria se encontrar com Overman não apareceu?

b) No segundo quadrinho da tira, há duas palavras em que ocorre hiato. Quais são essas palavras?

c) Qual delas é acentuada?

d) Como concluiu que na palavra do item c ocorre hiato e não ditongo?

e) Há algum hiato ou ditongo no terceiro quadrinho? Qual?

ANOTE

Quando a segunda vogal do hiato for i ou u tônicos, acompanhados ou não de s, ela será acentuada.

Exemplos: faísca, país, saúde, miúdo, caído, saí.

Há exceção a essa regra.

• Não são acentuados os hiatos terminados em i seguidos de nh.

Exemplos: rainha, tainha.

• Não são acentuados os hiatos em que o i ou o u finais formam sílaba com outra letra que não o s.

Exemplos: ruim, cair, raiz.


Página 217

3. Leia o poema a seguir.

Fim de festa

O sol
se acendeu.

Sobrou
o céu coberto
desconsertado
e incerto
[…]

Maria Dinorah. Ver de ver. São Paulo: FTD, 1997. p. 14.

a) Copie as palavras da segunda estrofe em que há ditongo.

b) Qual dessas palavras é acentuada?

ANOTE

Os ditongos abertos ei, eu e oi são acentuados quando aparecem na última sílaba de palavras oxítonas.
Exemplos: papéis, chapéu, herói.

4. Complete as frases com as palavras a seguir, acentuando-as quando necessário.

trofeu bau joia juiz saida

a) O ______ foi colocado no quarto da criança.

b) Não havia nenhuma indicação de ______ de emergência.

c) O ______ foi recebido pelo campeão da corrida.

d) A noiva recebeu uma ______ como presente.

e) O ______ declarou o final do jogo.

Entreletras

Acrósticos

1. Acróstico é um tipo de poema em que as primeiras letras dos versos formam, no sentido vertical, uma
palavra. Veja alguns exemplos de acrósticos.

J untos
O lhamos
G randes
O ceanos

M uito
A lém da
R azão

V amos
I nventar
D iversões
A inda

2. Forme acrósticos com as palavras lua, sol, casa e bola.


3. Mostre seus acrósticos aos colegas e leia os deles.

PARA SABER MAIS

Livros
Manual da delicadeza de A a Z, de Roseana Murray. Editora FTD.

Fig. 1 (p. 217)


FTD/Arquivo da editora
Manual da delicadeza de A a Z

O almirante louco, de Fernando Pessoa. Edições SM.


Acervo PNBE

Fig. 2 (p. 217)


Edições SM/Arquivo da editora
O almirante louco

O poeta aprendiz, de Vinicius de Moraes e Toquinho. Editora Companhia das Letrinhas.

Fig. 3 (p. 217)


Companhia das Letrinhas/Arquivo da editora
O POETA APRENDIZ

Sites
<http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet267.htm>
<http://www.viniciusdemoraes.com.br> Acessos em: 7 mar. 2015.
Página 218

ATIVIDADES GLOBAIS

REFLEXÃO LINGUÍSTICA

Responda sempre no caderno.

1. Leia o seguinte poema de Mario Quintana.

Ela e eu

A minha loucura está escondida de medo embaixo da minha cama


Ou dançando em cima do meu telhado
E eu estou sentado serenamente na minha poltrona
Escrevendo este poema sobre ela.

Mario Quintana. A cor do invisível. 2. ed. São Paulo: Globo, 2006. p. 53. © by Elena Quintana.

Fig. 1 (p. 218)


Mirella Spinelli/ID/BR

a) Quais são as palavras, no poema, que se referem à primeira pessoa do discurso?

b) No verso “Escrevendo este poema sobre ela”, a quem a palavra ela se refere? Como essa palavra pode ser
classificada?

c) Há um contraste entre a atitude do eu lírico e a atitude de quem ele chama de ela. Como esse contraste
está representado no poema?

2. Leia a tira.

Fig. 2 (p. 218)


Recruta Zero, de Greg e Mort Walker.
2008 King Features Syndicate/Ipress
Q1: DENTINHO, VOCÊ COLOCOU UMA COLHER DE SOPA DE SAL NO COZIDO?
SIM.
Q2: NÃO COM ESSA COLHER!
ELA É DE FAZER SOPA.

a) Qual foi a pergunta que o cozinheiro fez a Dentinho?

b) O cozinheiro ficou surpreso ao ver a colher que Dentinho segurava. Que palavra do quadrinho indica a
surpresa do cozinheiro?

c) Como se explica o engano que Dentinho cometeu?

3. Leia a tira de Calvin.

Fig. 3 (p. 218)


Bill Watterson. Calvin e Haroldo: estranhos seres de outro planeta! Rio de Janeiro: Cedibra, 1990.
1988 Watterson/Dist. by Universal Uclick
Q1: POR QUE O SOL SE PÕE?
Q2: PORQUE O AR QUENTE SOBE. O SOL ESTÁ QUENTE NO MEIO DO DIA, POR ISSO ELE SOBE ALTO NO CÉU.
Q3: DE NOITE ELE ESFRIA E DESCE.
Q4: POR QUE ELE VAI DE ESTE PARA OESTE?
VENTO SOLAR.
QUERIDO!

a) Calvin quer saber por que o Sol se põe. A resposta que seu pai lhe deu é correta? Explique.

b) De quem é a fala “Querido!” no último quadrinho? Justifique.


c) Releia: “O sol está quente no meio do dia, por isso ele sobe alto no céu”. A que o pronome isso se refere?
Página 219

O que você aprendeu neste capítulo

Poema

• Poema é o texto poético organizado em versos. Poesia é a arte de criar imagens e de inventar novos
sentidos para os fatos do mundo.

• Cada linha do poema é um verso. Um conjunto de versos forma uma estrofe.

• Os poemas costumam apresentar linguagem figurada, caracterizada pelo uso de palavras com sentido
diferente do seu sentido comum.

• Eu lírico: a voz que se expressa no poema.

• Rimas: sons semelhantes ou iguais que podem aparecer no final ou no interior dos versos.

• Sílabas poéticas: diferentes das sílabas gramaticais, sua contagem obedece ao modo como são
pronunciados os sons.

• Ritmo: é construído pelo modo como as sílabas tônicas (fortes) e as sílabas átonas (fracas) estão
dispostas. O ritmo, junto com as rimas, cria a musicalidade do poema.

• Comparação: aproximação de dois ou mais termos por meio de uma característica comum.

• Aliteração: repetição de consoantes.

• Assonância: repetição de vogais.

Pronomes

• Pronomes: palavras que substituem ou acompanham substantivos e outras formas nominais (nomes).

• Pessoas do discurso: primeira pessoa (quem fala), segunda pessoa (com quem se fala) e terceira
pessoa (sobre quem ou o que se fala).

• Pronomes de tratamento: servem, em geral, para nos dirigirmos às pessoas de maneira respeitosa ou
cerimoniosa.

• Pronomes demonstrativos: servem para situar os seres e os objetos no espaço, no tempo ou no texto,
em relação às pessoas do discurso.

Ditongo e hiato

• Ditongo: ocorre quando se pronuncia uma vogal e uma semivogal na mesma sílaba.

• Hiato: ocorre quando duas vogais vizinhas são pronunciadas em sílabas diferentes.

Autoavaliação

Para fazer a autoavaliação, releia o quadro O que você aprendeu neste capítulo.

• Do que você mais gostou nos poemas que leu? E nos poemas que escreveu?

• Como foi a reescrita de seus textos? Você teve dificuldade nessa tarefa?

• Como foi participar da preparação da caixa de poemas? E da apresentação do poema?

• Quais dúvidas você ainda tem sobre poemas? E sobre os pronomes?


Página 220

INTERLIGADOS
E agora… hora de viajar!

Ao longo da nossa vida, vamos formando nosso repertório por meio de contatos com a nossa e com outras
culturas, seja na leitura de um livro, seja em um passeio ou em uma viagem. Essas vivências ampliam nossos
horizontes. Você já teve uma experiência desse tipo? Gostaria de colocar o pé na estrada? Para onde você
iria?

Que tal você e os colegas organizarem uma feira de turismo? É um modo de descobrirem novidades sem sair
do lugar e compartilhar o que aprenderam. Para isso, os grupos vão escolher um lugar que gostariam de
conhecer, ou que considerem interessante, ou ainda que tenha uma natureza exuberante. Vamos juntos nessa
viagem!

Fig. 1 (p. 220)


sdecoret/Shutterstock.com/ID/BR

Objetivos

• Organizar uma feira de turismo para apresentar um lugar que o grupo considere interessante para as
pessoas ampliarem os horizontes.

• Conhecer um lugar por meio da pesquisa de suas características culturais, naturais, geográficas, climáticas,
etc.

Planejamento

Organização da turma

• Para a realização da feira de turismo, será necessário dividir a turma em grupos de quatro ou cinco alunos.

• Os integrantes do grupo devem conversar sobre o lugar que gostariam de apresentar aos visitantes da feira.
Cada um pode falar de um lugar preferido, mas todos devem escolher um só lugar para apresentar. Essa
escolha pode ser feita por meio de uma votação ou sorteio.

• Depois de definido o lugar sobre o qual será a apresentação, devem ser feitas a pesquisa e, posteriormente,
a produção de materiais de divulgação que ficarão expostos para a consulta dos visitantes.

Material

• Cartolina

• Revistas para recortar imagens

• Mapa

• Lápis de cor e canetinhas

• Papel sulfite para panfletos

• Fita adesiva e cola

• Barbante

Levantamento de informações

• Para apresentar o lugar escolhido pelo grupo na feira, será necessária uma pesquisa que vai abranger os
conhecimentos de diferentes disciplinas: História, Geografia, Ciências, Artes e Língua Portuguesa. Sigam
estas orientações:
• Fazer o levantamento da localização. Se for um ponto turístico, indicar cidade, estado, país, continente; se
for uma cidade, indicar estado, país, continente.

• Indicar em um mapa a localização para situar os visitantes em relação ao lugar.

• Indicar a distância da localização onde vocês estão até o lugar e a(s) maneira(s) de se chegar até lá, além do
tempo de viagem.

• Levantar as características naturais da região: se montanhosa, litorânea, de florestas, de rios e cachoeiras,


etc. Cite também características do ambiente e do ecossistema, flora e fauna, paisagens naturais, etc.

• Informar como é o clima do lugar e a temperatura média durante o ano.


Página 221

• Apresentar particularidades do lugar em relação ao passado histórico. Pontos e fatos de importância


histórica que ainda refletem na cultura do lugar (costumes, vestimenta, artesanato, música, etc.).

• Informar sobre a língua falada no lugar, caso seja em país com outro idioma; se for no Brasil ou em outro
país de língua portuguesa, pesquisar se há alguma particularidade em relação a expressões ou ao vocabulário
usado no lugar.

• Informar sobre pontos turísticos interessantes para visitar no lugar.

• Pesquisar informações sobre a culinária local.

• Organizar imagens ilustrativas do lugar. Essas imagens podem ser fotos recortadas de revistas, tiradas da
internet, de cartão-postal, etc.

• As pesquisas podem ser realizadas em enciclopédias, internet, revistas, etc.

Procedimentos

Após terem feito a pesquisa sobre o lugar que vão apresentar na feira, confeccionem cartazes, folhetos e
organizem a fala dos integrantes do grupo.

• Organizem as imagens interessantes do local. Vocês precisarão criar legendas e produzir textos curtos que
descrevam o local, tornando-o atrativo e convidativo para os visitantes.

• Decidam como será distribuído o conteúdo de divulgação. Seria bom se houvesse um cartaz com um título
bem chamativo e imagens grandes do lugar para atrair a atenção dos visitantes.

• Como sugestão, podem ainda montar uma maquete do lugar ou de algum ponto turístico do local.

• Dividam a fala dos integrantes do grupo por assuntos pesquisados, por exemplo: um fala sobre a localização
e as características naturais, outro sobre aspectos históricos e o idioma falado, outro sobre os pontos
turísticos e a culinária local, etc.

• No dia da apresentação, coloquem as carteiras em círculo na sala de aula ou no local que for escolhido para
ser a feira de turismo. Separem uma ou duas carteiras para cada grupo e disponham o material de forma
organizada para que os visitantes possam ter acesso e ler o que vocês produziram.

• Com os outros grupos e o professor, criem um nome para a feira de turismo.

Compartilhamento

Com o local da feira organizado para o dia da visitação, os materiais produzidos expostos e os grupos
separados por lugares investigados, vocês podem abrir a feira para os visitantes: colegas de outras turmas,
professores, funcionários da escola, pais, parentes, amigos, etc.

Avaliação

Cada aluno deve produzir um texto, avaliando o que aprendeu com o trabalho da feira de turismo. É
importante acrescentar quais foram os novos conhecimentos adquiridos sobre o lugar apresentado no
evento. As seguintes questões podem orientá-lo na escrita.

• Você passou a conhecer mais sobre o lugar escolhido depois da pesquisa?

• Que aspecto do lugar pesquisado mais interessou a você?

• Quais foram as dificuldades na etapa da pesquisa do lugar? Por quê?

• Como a produção dos materiais para a feira contribuiu para o seu aprendizado?

• A apresentação aos visitantes foi importante para o seu aprendizado? Por quê?
Fig. 1 (p. 221)
Marcos Guilherme/ID/BR
Página 222

CAPÍTULO 7 - Biografia e autobiografia


CONVERSE COM OS COLEGAS

1. Observe a imagem ao lado.

a) Quais elementos se repetem em todos os quadros da imagem?

b) Quais alterações podem ser observadas em cada um dos quadros que compõem a imagem?

2. Essa imagem é uma reprodução da obra Autorretrato, do artista norte-americano Andy Warhol. As
produções de Warhol são marcadas pela repetição em série de um elemento, como artigos de consumo ou
retratos, e pela variação de cores.

a) O autorretrato é um registro que alguém faz de si mesmo. O que a expressão facial do artista sugere ao
apreciador da obra?

b) Ao retratar-se, o artista preocupou-se apenas em apresentar suas características físicas? Justifique sua
resposta.

3. Ao representar a si mesmo com múltiplos retratos com cores diferentes, o que o artista deseja expressar?

4. O título dessa obra é Autorretrato. Se pudesse, que outro título você daria à obra? Justifique sua escolha.

Fig. 1 (p. 222)


Andy Warhol. Autorretrato, 1967. Óleo e serigrafia sobre tela, 114,3 cm x 171,45 cm.
The Andy Warhol Foundation for the Visual Arts, Inc./AUTVIS, Brasil, 2015

No autorretrato de Andy Warhol, o artista representa algumas de suas características físicas e também sugere
traços ligados à sua personalidade. A pessoa, ao retratar-se ou deixar-se retratar, possibilita que se
representem, além daquilo que é visível a todos, aspectos relacionados ao seu modo de ser e de perceber o
mundo.

Neste capítulo, vamos estudar textos que relatam experiências de vida e possibilitam ao leitor conhecer, além
dos fatos, um pouco da personalidade e dos sentimentos de pessoas que tiveram suas vivências registradas.
Essas histórias podem ter sido contadas por quem as viveu, em textos do gênero autobiografia, ou por
alguém que pesquisou e selecionou informações sobre a vida de outra pessoa: esses são os textos do gênero
biografia.
Página 223

O que você vai aprender

• Características principais de textos dos gêneros biografia e autobiografia


• Marcadores de tempo, espaço e pessoa do discurso em textos dos gêneros biografia e autobiografia
• Verbo: modo indicativo e seus tempos
• Acentuação das monossílabas e acento diferencial
Página 224

LEITURA 1
Biografia

O QUE VOCÊ VAI LER

Fig. 1 (p. 224)


O compositor Noel Rosa (1910-1937). Fotografia de 1921, Rio de Janeiro.
Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro.

O texto que você vai ler faz parte de uma biografia do compositor Noel Rosa, nascido no bairro de Vila Isabel,
no Rio de Janeiro. Conhecido como “Poeta da Vila”, Noel foi cantor, compositor, bandolinista e violonista,
sendo considerado um dos mais importantes artistas da música popular brasileira. Com 13 anos, aprendeu a
tocar bandolim e violão. Entre 1930 e 1937, Noel compôs mais de 250 músicas, entre sambas, marchinhas e
canções, destacando-se os sucessos “Com que roupa?”, “Feitiço da Vila” e “Fita amarela”.

Como terá sido Noel Rosa quando criança? Quais os costumes do menino? Como foi o despertar para a
música? Como era o ambiente em que vivia? A leitura do texto a seguir possibilitará responder a essas
questões.

Vila Isabel

A Vila Isabel mais parecia uma cidade independente. [...] Seus moradores não cansavam de cantar a riqueza
da natureza: de suas ruas floridas, de seu arvoredo cheio de frutas e das águas limpas e frescas de seus rios.
Todos iam no samba do chapéu de palha. Quem ali nascia sempre dizia: meu senhor, modéstia à parte, eu
sou da Vila.

A avenida principal de Vila Isabel era – e ainda é – conhecida como Boulevard 28 de setembro. Atravessando
a avenida do início ao fim, pequenas e pacatas ruas escondiam os melhores segredos de seus moradores. Suas
esquinas abrigavam pessoas de todo tipo, reunidas em animadas rodas musicais. Era gente levada, que nem
sequer vacilava em abraçar o samba.

Moravam na Vila Isabel, em um chalé, que, aliás, havia sido presente do amigo e maestro Leopoldo Miguez,
dona Martha e seu Neca. Esse chalé, situado na rua Theodoro Silva, paralela ao Boulevard, tinha duas salas,
três quartos, dois banheiros e uma cozinha. O quintal era coberto pelas sombras de goiabeiras, abacateiros e
pitangueiras, e terminava no barranco do morro vizinho.

O jovem casal, apesar de trabalhar muito – ela era professora e ele, dono de uma camisaria –, sempre tinha
tempo para se divertir com os amigos ao som de boa música. Aos domingos, a casa se transformava: seu Neca
tocava violão; dona Martha, bandolim; a irmã dela, violino, e a mãe, piano. E muitas vezes ainda contavam
com a presença do músico Catulo da Paixão Cearense.

Foi num desses domingos festivos que Dona Martha anunciou a todos os presentes:

– Eu vou ser mãe! No fim do ano a criança nasce!

Quando dezembro chegou, a barriga de Dona Martha estava enorme. Logo o neném nasceria. Em todo o
mundo, as pessoas estavam encantadas com a presença do cometa Halley. Ele iluminava tanto o céu que o sol
nascia triste na Vila. Foi numa dessas claras noites, o orvalho já vinha caindo, que a jovem mãe percebeu que
a hora do parto chegara. Seu Neca não perdeu tempo e mandou chamar o dr. Zé Rodrigues.

Fig. 2 (p. 224)


NiD/ID/BR
Página 225

– É menino! – gritou o médico.

Dona Martha e seu Neca ficaram radiantes, mas não sabiam ainda que nome dar ao garoto.

– Manuel, como o pai – sugeriu dona Martha.

– Ora, Martha, sejamos mais originais. Estamos perto do Natal e acabamos de ganhar um lindo presente, o
melhor de todos! – argumentou seu Neca.

– Qual a sugestão?

Seu Neca pensou um pouco e disse:

– Como logo vamos celebrar o dia 25 de dezembro, podemos chamá-lo de Natal!

– Natal?

– Sim, Natal, mas não em português.

– Em que língua então? – quis saber a mãe.

– Em francês: Noel. Noel de Medeiros Rosa.

– Hum, muito chique e diferente! Então o nosso primeiro filho vai se chamar Noel!

– Noel Rosa! – confirmou o pai.

A vida de menino

Como muitos meninos, Noel cresceu saboreando todas as delícias da Vila Isabel. [...]

Além de brincar muito na rua, Noel adorava ir ao cinema, como qualquer outra criança. Se não estava de pés
descalços, suado e sem fôlego, estava arrumadinho e cheiroso, prontinho para ingressar num dos dois
cinemas que existiam na Vila: o Smart, mais antigo, e o moderno Cine Boulevard. Noel preferia os filmes
americanos e era encantado pelas histórias de ação do Tarzan.

Um belo dia, quando voltava de uma sessão de cinema, Noel entrou na sala de sua casa e se viu frente a frente
com o piano. Nesse momento, o espírito aventureiro se associou à paixão musical. E ele, proibido que era de
tocar no caro instrumento, não resistiu. Aproximou-se, levantou a tampa, que guardava o teclado, e
suavemente começou a dedilhar. Uma tecla, duas, três... a música foi entrando em sua mente e, sobretudo,
em sua alma.

– Nooeel, larga do piano! – gritou dona Martha.

Ele até tentou obedecer às ordens de sua mãe, mas a vontade de fazer música era mais forte.

– Noel, se você quer aprender a tocar, eu te ensino bandolim. Você quer?

– Não, ou melhor, sim, eu quero, um dia...

Na verdade, não era esse o instrumento que o menino gostaria de tocar. Não demorou muito para pedir ao
pai:

– Já que não posso tocar piano eu prefiro aprender violão, o único instrumento que é a voz do próprio
coração!

Dona Martha e seu Neca foram aos poucos percebendo que o filho era mais um membro da família
apaixonado pela música.

Clóvis Bulcão e Márcia Bulcão. Noel, o menino da Vila. Rio de Janeiro: Escrita Fina, 2010. p. 7-12.
GLOSSÁRIO
Boulevard: termo em francês que indica um tipo de rua, geralmente larga e arborizada.

Fig. 1 (p. 225)


NiD/ID/BR
Página 226

Estudo do texto
Responda sempre no caderno.

Para entender o texto

1. A biografia que você leu começa com uma descrição do bairro Vila Isabel.

a) Como a Vila Isabel é vista por seus moradores? Justifique com uma frase do texto.

b) Por que é importante, na biografia, saber sobre a vida na Vila Isabel?

c) Qual é a relação entre as características da Vila Isabel e Noel Rosa?

2. Quais fatos apontam a presença da música na vida da criança Noel Rosa?

3. Leia este texto sobre Catulo da Paixão Cearense, citado na biografia.

Catulo da Paixão Cearense nasceu em São Luís do Maranhão, em 8 de outubro de 1863. Foi poeta, músico e
compositor. Uma de suas canções mais conhecidas é Luar do Sertão, considerada um clássico da música
popular brasileira e regravada inúmeras vezes, por diversos intérpretes. Em maio de 1946, aos 83 anos,
faleceu no Rio de Janeiro.

Fig. 1 (p. 226)


Busto de Catulo da Paixão Cearense. Rio de Janeiro, fotografia de 2015.
Celso Pupo/Fotoarena

a) O que há em comum entre Catulo da Paixão Cearense e Noel Rosa?

b) Qual ideia é reforçada em relação à família de Noel ao citar a frequência de Catulo da Paixão Cearense à
casa de seu Neca e dona Martha?

ANOTE

Biografia é uma narrativa não ficcional em que o autor narra uma história de vida, geralmente de
pessoas públicas, mas também de pessoas comuns, porém que tenham contribuído de alguma forma para a
sociedade. A palavra biografia origina-se do grego bios (“vida”) e graphein (“escrever”).

4. Na primeira parte do texto, é narrado o nascimento da criança. Nela, é apresentado ao leitor o porquê de
uma escolha feita pelos pais de Noel. Que escolha é essa? Por que esse tipo de informação é importante em
um texto que narra uma trajetória de vida?

5. Quando Noel tenta tocar piano, é repreendido pela mãe, mas continua a tentar. O que é revelado sobre o
menino nesse trecho?

ANOTE

Em biografias, é comum ter fatos da infância e da juventude do biografado para que o leitor tenha uma
visão mais ampla da história de vida narrada.

6. Releia o terceiro parágrafo da parte “A vida de menino” e responda.

a) Nesse parágrafo, quais palavras fazem referência a Noel Rosa?

b) Qual a importância do uso desses termos no trecho lido?

c) Esses termos referem-se a qual pessoa do discurso?


ANOTE

Os textos do gênero biografia, por narrar a história de vida dos biografados, são escritos em terceira
pessoa.

7. Sobre a data de nascimento de Noel Rosa, responda.

a) Por meio de qual informação podemos inferir o ano em que ele nasceu?

b) Ao utilizar essa referência, que efeito de sentido é construído no texto?


Página 227

ANOTE

Uma das características de textos biográficos é a indicação do tempo dos fatos. Essa indicação pode ser
feita de forma direta, explicitando a data em que um fato aconteceu, ou de forma indireta, por exemplo,
narrando acontecimentos ocorridos na mesma época daqueles tratados na biografia.

O contexto de produção

1. Releia o segundo parágrafo da parte “A vida de menino” e responda.

a) Que informações temos da Vila Isabel nesse trecho?

b) O que o trecho mostra sobre as preferências do menino?

c) Tendo os biógrafos vivido em época diferente de Noel Rosa, como foi possível obter tais informações?

ANOTE

O trabalho de pesquisa é fundamental para escrever uma biografia. Ele permite, por meio de fontes orais e
escritas, obter informações para reconstruir a trajetória de vida do biografado e o contexto em que ele viveu.

A linguagem do texto

1. Ao longo do texto há alguns diálogos. Releia um deles.

– Nooeel, larga do piano! – gritou dona Martha.

Ele até tentou obedecer às ordens de sua mãe, mas a vontade de fazer música era mais forte.

– Noel, se você quer aprender a tocar, eu te ensino bandolim. Você quer?

Fig. 1 (p. 227)


NiD/ID/BR

a) Qual palavra desse trecho se aproxima da oralidade?

b) Que efeito é construído por meio desse registro linguístico?

c) O que as falas de Dona Martha revelam sobre a personalidade dela?

d) No texto, as falas são apresentadas com travessões. Como elas seriam se fossem contadas pelo narrador?

e) Para qual público a biografia Noel, o menino da Vila está direcionada?

f) Qual é a relação entre o modo como as falas foram apresentadas e o público-alvo dessa biografia?
Justifique sua resposta.

ANOTE

As falas apresentadas com o uso de travessões aproximam o texto do leitor, já que têm pouca interferência
do narrador, além de mostrarem traços da personalidade das personagens. O uso de recursos
expressivos próprios da oralidade também intensifica a aproximação entre interlocutores do texto.

Bullying e autoestima
Noel Rosa foi uma criança franzina e tinha problemas frequentes de saúde, além de ter a feição marcada por
um desenvolvimento limitado da mandíbula. Sua biografia revela que ele sofria muitas provocações por
conta disso. Porém, o garoto mantinha o bom humor e parecia feliz.

Converse com os colegas e o professor sobre as seguintes questões:

I. O que motiva algumas pessoas a criticar as outras e a fazer provocações?

II. No seu dia a dia, você já presenciou situações como as provocações que Noel Rosa sofria?

III. Como é possível evitar essa provocações? Como é possível ajudar as pessoas que passam por isso?
Página 228

PRODUÇÃO DE TEXTO
Biografia

AQUECIMENTO

• O texto a seguir apresenta uma breve biografia sobre o médico Carlos Chagas. Reescreva-o no caderno,
completando com os termos indicadores de lugar e de tempo do quadro a seguir.

em 1925 – Rio de Janeiro – Oliveira – 8 de novembro de 1934


Harvard, Paris e Bruxelas – Itália – 9 de julho de 1879

Fig. 1 (p. 228)


Carlos Chagas, médico e cientista.
Acervo da Casa de Oswaldo Cruz/Departamento de Arquivo e Documentação

Quem foi

Carlos Justiniano Ribeiro Chagas foi um importante sanitarista, bacteriologista, médico e cientista mineiro.
Nasceu em ______ na cidade mineira de ______ e faleceu em ______ na cidade do ______.

Descobertas importantes

Carlos Chagas fez duas grandes descobertas ao estudar a malária e a doença de Chagas. Ele descobriu o
processo de contágio e evolução dessas duas perigosas doenças tropicais.

Alguns prêmios recebidos e reconhecimento internacional

[…] Carlos Chagas recebeu, na ______, dois importantes prêmios, concedidos a cientistas de destaque:
Prêmio Schaudinn em 1912 e Prêmio Krummel ______. Recebeu também o título de doutor honoris causa
pelas universidades de ______. Em 1920, recebeu o título de Cavaleiro da Ordem da Coroa da Itália.

Disponível em: <http://www.todabiologia.com/pesquisadores/carlos_chagas.htm>. Acesso em: 20 jan.


2015.

Proposta

Você vai elaborar um texto biográfico que comporá um livro com histórias de vida. Conforme você estudou
neste capítulo, os textos biográficos resgatam uma trajetória de vida, narrando os principais fatos vividos
pelo biografado, indicando o lugar, a época em que ocorreram e caracterizando os fatos, de forma a
contextualizar o leitor.

Quando o livro estiver pronto, será realizado um rodízio entre os alunos e cada um poderá levar o livro para
casa, para que familiares e amigos possam ler as histórias de vida narradas.

Planejamento e elaboração do texto

1. Pense em uma pessoa que você conhece para ser biografada. Escolha alguém que seja uma inspiração para
os jovens: pelo destaque na profissão; pela forma como lida com a família; pela história de superação; etc.

2. Explique à pessoa escolhida o objetivo da produção: elaborar um texto biográfico para uma coletânea
escolar a ser lida por alunos e suas famílias. Caso não seja autorizada a divulgação do texto, convide outra
pessoa.

3. Marque com o biografado uma data para a entrevista. Explique ao entrevistado o que motivou sua escolha
e qual aspecto da vida dele gostaria de destacar na biografia. Lembre-se de que devem ser apresentadas
informações precisas e acontecimentos relevantes. Use as perguntas do quadro a seguir como exemplo.
Página 229
Qual seu nome completo? Você sabe a origem de seu nome? Tem algum apelido? Se sim, qual a origem do
apelido?
Em que data e onde você nasceu?
Caso o biografado viva em local diferente de onde nasceu, pergunte: Como era o local onde você nasceu e
cresceu? Quais fatores motivaram sua(s) mudança(s)?
Caso o biografado viva no mesmo local onde nasceu, pergunte: Quais diferenças e permanências você nota no
local em que nasceu e cresceu?
Conte a sua trajetória de vida, destacando os pontos que considera mais importantes para inspirar os jovens.
ID/BR

4. Para incrementar o texto, pesquise em enciclopédias, jornais, sites, etc. sobre o local e a época em que
nasceu e viveu o biografado na infância.

5. Escreva o texto em terceira pessoa, de acordo com a estrutura a seguir.

• 1º parágrafo: Apresente o biografado – nome, data de nascimento, apelido, origem do nome e do apelido.
Explique por que escolheu essa pessoa.

• 2º parágrafo: Indique o local de nascimento e caracterize-o. Se a pessoa não mora mais no local onde
nasceu, narre a mudança e explique o que a motivou a se mudar. Caso tenha informações adicionais sobre o
lugar e a época do nascimento e a infância do biografado, acrescente esses dados em um novo parágrafo.

• Parágrafos seguintes: Narre os acontecimentos da vida do biografado, situando-os no espaço e no tempo, e


destacando os aspectos relacionados ao enfoque da biografia: feitos que podem inspirar os jovens.

6. Lembre-se de utilizar pronomes para evitar a repetição de termos.

7. Dê um título ao texto que esclareça o enfoque presente em seu texto.

8. Use imagens para ilustrar a biografia, por exemplo, uma foto do entrevistado, de lugares onde viveu, etc.
Elabore uma legenda para as imagens.

Avaliação e reescrita do texto

1. Troque o texto com um colega e verifique cada um dos itens a seguir.

a) O texto está narrado em terceira pessoa?

b) Há indicação de onde e quando o biografado nasceu?

c) Há caracterização da época e do local em que ele nasceu e cresceu?

d) Os fatos narrados na biografia estão de acordo com o enfoque da proposta: feitos que podem inspirar os
jovens?

e) Há pronomes, evitando a repetição de termos? Há coesão textual?

2. Se necessário, reescreva o texto com base na verificação feita pelo colega.

Como fazer a coletânea

• Com os colegas e o professor, combinem de passar os textos para folhas de mesmo tamanho. Os textos
podem ser passados a limpo ou, se possível, digitados.

• Elaborem um título para a coletânea e façam uma capa ilustrada. Em seguida, encadernem os textos,
formando um livro.
• Realizem um rodízio de leitura: cada aluno pode levar o livro para a casa e ficar com ele o tempo estipulado
com a classe.

Fig. 1 (p. 229)


NiD/ID/BR
Biografias
Página 230

REFLEXÃO LINGUÍSTICA
Verbo

1. Releia o trecho a seguir, retirado da biografia de Noel Rosa.

Apesar de ser o menor e o mais magro da turma, Noel sempre liderava os amigos na hora das brincadeiras.

Clóvis Bulcão e Márcia Bulcão. Noel, o menino da Vila. Rio de Janeiro: Escrita Fina, 2010. p. 11.

Fig. 1 (p. 230)


NiD/ID/BR

a) Nesse trecho, como Noel Rosa é caracterizado?

b) Que palavra indica que essas são características de Noel Rosa?

c) Que palavra desse trecho indica uma ação realizada pelo menino?

d) Considerando as características físicas do menino e a ação por ele realizada, o que é possível deduzir sobre
a personalidade dele?

e) Tendo em conta que esse trecho é de uma biografia, qual é a importância de apresentar essa caracterização
e indicar essa ação?

2. Na frase: “Quando dezembro chegou, a barriga de Dona Martha estava enorme”, qual palavra indica que
enorme era o estado da barriga de Dona Martha?

ANOTE

As palavras que indicam ação, estado e modo de ser são chamadas de verbos. Exemplos:

“Em todo o mundo, as pessoas estavam encantadas com a presença do cometa Halley.” (indicação de
estado)

“– Noel Rosa! – confirmou o pai.” (indicação de ação)

“[...] o filho era mais um membro da família apaixonado pela música.” (modo de ser)

3. Leia a notícia a seguir.

Após mais de 50 horas, chuvas dão trégua em Natal

As chuvas que começaram a cair em Natal na sexta-feira (13) deram uma trégua por volta das 11h30 deste
domingo (15). De acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária (Emparn), em 48 horas choveu 285 mm
na capital potiguar. A média histórica de chuvas no mês de junho em Natal, ainda segundo a Emparn, é de
284 mm. “Choveu nestes dois dias o equivalente à média histórica de todo o mês de junho”, afirmou o
meteorologista Gilmar Bristot.

Ainda segundo o meteorologista da Emparn, o sol só deve aparecer mesmo na tarde da segunda-feira (16).

Disponível em: <http://www.alagoas24horas.com.br/conteudo/?vCod=203623>. Acesso em: 2 jan. 2015.

a) Qual comparação apresentada na notícia comprova o alto volume de chuvas na cidade de Natal?

b) Para realizar essa comparação foi utilizada uma palavra que indica um fenômeno da natureza. Que palavra
é essa?
Página 231

ANOTE

Os verbos também indicam fenômenos da natureza. Exemplos:

No verão, amanhece mais cedo que no inverno.

Ventou muito durante toda a noite.

c) Qual é a frase da notícia que indica uma previsão?

d) Quais verbos dessa frase indicam essa previsão?

e) Seria possível conseguir o mesmo efeito de sentido se tivesse sido usado apenas um dos dois verbos dessa
frase?

ANOTE

A expressão formada por dois ou mais verbos que trabalham juntos é chamada de locução verbal. As
locuções verbais são formadas por um ou mais verbos auxiliares e um verbo principal, que sempre será
o último da locução.

Exemplo:

Noel até tentou obedecer às ordens da mãe.


tentou verbo auxiliar
obedecer verbo principal

Na locução verbal, somente os verbos auxiliares são conjugados, pois o verbo principal vem sempre em uma
das formas nominais. As formas nominais dos verbos são:

Infinitivo: estudar, ter, dormir

Gerúndio: estudando, tendo, dormindo

Particípio: estudado, tido, dormido

Exemplos:

A previsão do tempo vai deixar todos mais tranquilos.

Eu estava pensando em algumas estratégias para nosso trabalho.

Sua mãe deve estar preocupada com o seu atraso.

Conjugação

Releia o trecho a seguir.

Além de brincar muito na rua, Noel adorava ir ao cinema, como qualquer outra criança. Se não estava de pés
descalços, suado e sem fôlego, estava arrumadinho e cheiroso, prontinho para ingressar num dos dois
cinemas que existiam na Vila […].

Nesse trecho, há verbos que não estão flexionados; portanto, não estão em determinada pessoa do discurso
nem em determinado tempo verbal. Esses verbos estão no infinitivo. Por meio dos verbos no infinitivo, pode-
se saber a qual conjugação os verbos pertencem na língua portuguesa.

Fig. 1 (p. 231)


NiD/ID/BR
CINEMA
TARZAN
ANOTE

Quando colocamos um verbo em determinado tempo, modo, pessoa e número, seguimos um padrão de
conjugação do verbo. Na língua portuguesa, os verbos dividem-se em três conjugações, conforme a sua
terminação.

1ª conjugação: verbos terminados em -ar. Exemplo: amar.

2ª conjugação: verbos terminados em -er e -or. Exemplos: escrever, pôr.

3ª conjugação: verbos terminados em -ir. Exemplo: partir.


Página 232

Flexão de tempo, pessoa e número

4. No trecho a seguir é relatada a história do marinheiro Velasco, que ficou à deriva por dez dias após cair de
um navio. A história foi registrada pelo escritor colombiano Gabriel García Márquez. Leia e responda às
questões.

No começo me pareceu impossível permanecer três horas sozinho no mar. Mas às cinco, quando já se
tinham passado cinco horas, achei que ainda podia esperar uma hora mais. O sol estava descendo. Ficou
vermelho e grande no ocaso, e então comecei a me orientar. Sabia agora por onde apareceriam os aviões:
pus o sol à minha esquerda e olhei em linha reta, sem me mexer, sem desviar a vista um só instante, sem
me atrever a piscar, na direção em que devia estar Cartagena, segundo minha orientação. Às seis, doíam
meus olhos. Continuava, porém, olhando. Inclusive depois que começou a escurecer, continuei olhando
com uma paciência firme e rebelde.

Para um esfomeado marinheiro solitário no mar, a presença das gaivotas é uma mensagem de esperança.
Geralmente, um bando de gaivotas acompanha os navios, mas só até o segundo dia de navegação, sete
gaivotas sobre a balsa significavam a proximidade da terra.

Gabriel García Márquez. Relato de um náufrago. Rio de Janeiro: Record, 2002.

Fig. 1 (p. 232)


NiD/ID/BR

a) Nesse trecho, quais verbos e locuções verbais fazem referência às ações e às impressões do marinheiro?

b) Esses verbos indicam que as ações ocorreram em que tempo?

c) Considerando o contexto, por que foram usados verbos nesse tempo?

d) O que a presença das gaivotas representa para o marinheiro?

e) Que verbo liga o termo gaivotas ao que a presença delas representa?

f) Qual é o verbo do trecho que retrata a ação das gaivotas?

g) Os verbos indicados nos itens e e f estão em qual tempo? Por que esses verbos foram usados nesse tempo?

ANOTE

Os verbos sofrem flexões de acordo com o tempo expresso por eles, podendo indicar ações no presente, no
passado e no futuro.

Presente: momento em que se fala ou indica ação permanente. Exemplo: Ele escreve histórias
surpreendentes.

Passado ou pretérito: anterior ao momento em que se fala. Exemplo: Ele escreveu histórias
surpreendentes.

Futuro: posterior ao momento em que se fala. Exemplo: Ele escreverá histórias surpreendentes.

Os verbos também se flexionam conforme as pessoas do discurso às quais se referem, por exemplo, “[Eu]
achei que ainda podia esperar uma hora mais”, “doíam meus olhos”, “O sol estava descendo”, etc.

ANOTE

Os verbos flexionam-se conforme as pessoas do discurso (primeira, segunda ou terceira) e o número de


pessoas a que se referem (singular ou plural). Exemplo: eu acompanho, tu acompanhas, ele acompanha,
nós acompanhamos, vós acompanhais, eles acompanham.
Página 233

Flexão de modo

5. Leia o trecho a seguir, que é parte de uma biografia de Leonardo da Vinci.

Milhões de pessoas conhecem Leonardo da Vinci como o artista italiano que pintou a Mona Lisa, o quadro
mais famoso do mundo.

Milhões de outras pessoas o veem como um gênio, muitos anos-luz à frente de seu tempo em matéria de
ciência, matemática e engenharia. Leo imaginou helicópteros, tanques de guerra e submarinos (sem falar
num banheiro incrivelmente organizado que desenhou) alguns séculos antes de esses inventos se tornarem
realidade.

Para muita gente, ele foi também um sábio, que não só buscou desvendar os segredos da anatomia,
desenhando os mais misteriosos e complicados detalhes do corpo humano, como também se questionou
sobre a alma, o lugar do homem e sua finalidade em nosso imenso e complexo universo. […]

O mais incrível mesmo é que toda essa gente tem razão! Leonardo foi tudo isso e muito mais! Se no século
XV houvesse psicólogos especializados em orientação profissional, teriam enlouquecido avaliando seu teste
vocacional. […]

Leo também começou a tomar notas sobre a melhor maneira de aprimorar seus dons artísticos. Eis o que ele
disse sobre como desenhar rapidamente pessoas…

Como desenhar rapidamente uma pessoa:

Sem muita complicação, trace as linhas principais do corpo. Desenhe um “O” no lugar da cabeça e use linhas
retas ou curvas para desenhar as pernas, os braços e o tronco. […]

Michel Cox. Leonardo da Vinci e seu supercérebro. São Paulo: Cia das Letras, 2004. p. 5-6; 13-14.

a) Transcreva as duas frases que revelam que, assim como milhões de pessoas, o narrador enxerga Leonardo
da Vinci como um gênio.

b) Quais são os verbos presentes nessas frases? Esses verbos expressam certeza, hipótese ou ordem por parte
do narrador?

c) Qual é a relação entre o que os verbos expressam e o contexto?

Os verbos podem expressar atitudes ou percepções do falante em relação ao que diz. No texto, muitos verbos
indicam convicção, como em “Leo imaginou helicópteros, tanques de guerra”. Já em “Se no século XV
houvesse psicólogos especializados em orientação profissional […]”, o verbo houvesse expressa uma
possibilidade. Na parte em que se explica como desenhar uma pessoa, os verbos expressam instrução: “trace
as linhas”, “desenhe um ‘O’ ”. Essas atitudes são expressas pelo modo verbal.

ANOTE

Os modos verbais são as diferentes formas que o verbo assume para indicar a atitude da pessoa que fala
em relação ao que anuncia. São três:

Indicativo: de modo geral, expressa certeza, convicção.

Muito foi pesquisado sobre Leonardo da Vinci.

Subjuntivo: de modo geral, expressa dúvida, possibilidade ou hipótese.

Será ótimo quando visitarmos a exposição sobre Leonardo da Vinci.

Imperativo: expressa ordem, pedido, conselho, instrução ou convite.

- Imperativo afirmativo: Mude o foco da pesquisa sobre o biografado.


- Imperativo negativo: Não mude o foco da pesquisa sobre o biografado.

Relacionando

Em textos do gênero biografia, o modo verbal indicativo é muito utilizado, revelando certeza sobre os
acontecimentos da vida do biografado. Exemplo: “Além de brincar muito na rua, Noel adorava ir ao cinema,
como qualquer outra criança. Se não estava de pés descalços, suado e sem fôlego, estava arrumadinho e
cheiroso, prontinho para ingressar em um dos dois cinemas que existiam na Vila: o Smart, mais antigo, e o
moderno Cine Boulevard.”
Página 234

REFLEXÃO LINGUÍSTICA NA PRÁTICA

1. Leia o texto abaixo, que explica o significado das cores da bandeira brasileira.

A bandeira brasileira

Você já deve ter lido que o verde de nossa bandeira representa as florestas; o amarelo, o ouro e as riquezas
minerais; o azul, o céu; e o branco, a paz. Certo? Bem, esta é uma das interpretações. Os historiadores
preferem uma outra versão. O verde e o amarelo entraram na nossa bandeira em 1822, num trabalho do
pintor francês Jean-Baptiste Debret, fundador da Academia de Belas-Artes brasileira. O verde representava a
Casa Real Portuguesa de Bragança (família de D. Pedro I), e o amarelo, a Casa Imperial Austríaca de
Habsburgo (família da princesa Leopoldina).

O losango foi uma homenagem de D. Pedro I ao general francês Napoleão Bonaparte (o losango dentro do
retângulo era uma das formas preferidas das bandeiras militares napoleônicas). O azul e o branco também
eram cores usadas em bandeiras portuguesas.

Marcelo Duarte. Almanaque das bandeiras. São Paulo: Moderna, 2001. p. 12.

Fig. 1 (p. 234)


Visual7/Dreamstime.com/ID/BR
ORDEM E PROGRESSO

a) O que a frase “Bem, esta é uma das interpretações” sugere sobre o significado das cores da bandeira
brasileira?

b) Que verbo está implícito no trecho: “o amarelo, o ouro e as riquezas minerais; o azul, o céu; e o branco, a
paz”? Explique.

c) Releia a frase em destaque e escreva em que tempo o verbo preferir está. O que o uso desse tempo verbal
pode revelar sobre a opinião dos historiadores?

d) Copie do texto pelo menos um exemplo de verbo de cada conjugação.

e) Indique a forma no infinitivo de cada um desses verbos.

f) Qual é a locução verbal presente na primeira frase do texto?

g) Essa locução pode ser substituída por um verbo só? Explique.

h) No início do texto, o autor poderia ter escrito “Você já leu que o verde de nossa bandeira representa as
florestas” em vez de usar a locução “deve ter lido”? Explique por que o autor preferiu usar a locução verbal.

2. Leia a tira e responda às questões a seguir.

Fig. 2 (p. 234)


Recruta Zero, de Greg e Mort Walker.
2008 King Features Syndicate/Ipress
Q1: COM O MUNDO GIRANDO TÃO RÁPIDO EU TENHO MEDO QUE A GENTE POSSA SAIR VOANDO.
EI!VOCÊ TEM RAZÃO!
Q2: AQUI, DEIXA EU COLOCAR UM POUCO MAIS DE PESO EM VOCÊ.
PUXA, OBRIGADO!

a) Dentinho tem um receio. Qual é?

b) Observe a fala de Roque no primeiro quadrinho. Em que tempo e modo está o verbo?

c) Com que objetivo, provavelmente, ele utilizou esse modo verbal?

d) Qual é a verdadeira intenção de Roque?


Página 235

Responda sempre no caderno.

3. Leia o trecho a seguir da introdução da biografia de Leonardo da Vinci.

Você vai encontrar neste livro um monte de fatos extraordinários e histórias incríveis sobre um dos homens
mais geniais e criativos de todos os tempos.

Michel Cox. Leonardo da Vinci e seu supercérebro. São Paulo: Cia das Letras, 2004. p. 7.

a) Reescreva-o, trocando a locução verbal por um verbo com o mesmo sentido.

b) Ao trocar a locução por um verbo, qual alteração pode ser observada em relação à formalidade da frase?

c) A biografia Leonardo da Vinci e seu supercérebro foi escrita tendo como público-alvo o infantojuvenil.
Que relação pode ser estabelecida entre esse fato e as escolhas linguísticas presentes no trecho?

4. O trecho a seguir é parte da biografia de Noel Rosa.

Noel adorava junho, desde que fora ao Arraiá do Bom Jesus e vira dois repentistas disputando com a viola
amada uma linda namorada! […]

O jovem poeta e sua turma gostavam muito das brincadeiras das festas. Pular fogueira, construir a cadeia,
subir no pau de sebo e, sobretudo, a pescaria.

Clóvis Bulcão e Márcia Bulcão. Noel, o menino da Vila. Rio de Janeiro: Escrita Fina, 2010. p. 37.

a) Quais verbos indicam ações que Noel gostava de realizar com sua turma?

b) Esses verbos estão flexionados? Justifique sua resposta.

c) O que o uso dessa forma verbal indica?

d) Quais verbos indicam ações só de Noel? Em qual tempo, modo e pessoa esses verbos estão flexionados?

e) Qual a relação entre o uso desse tempo verbal e o fato de esse texto fazer parte de uma biografia?

5. Leia o texto a seguir.

Plante um feijãozinho

Você vai precisar de:

• Um copo plástico descartável • Um grão de feijão

• Cerca de 5 gramas de algodão […] • Água

Primeiro você precisa umedecer o algodão com a água. Depois forre o fundo do copo descartável com o
algodão umedecido.

Coloque seu feijão sobre o algodão, coloque o copo em um local iluminado e não deixe o algodão secar. Vá
colocando água sempre e aos pouquinhos.

Mais ou menos em 3 dias a raiz começará a aparecer e um pouco mais tarde seu feijão vai começar a nascer.

Disponível em: <http://www.acessa.com/infantil/arquivo/dicas/2003/09/10-feijao/>. Acesso em: 27 jan.


2015.

Fig. 1 (p. 235)


Andréa Vilela/ID/BR
a) Qual é a finalidade desse texto?

b) Indique o modo dos verbos em destaque no texto.

c) Qual é a relação entre esse modo verbal e a sua função no texto?

d) Que outros gêneros textuais costumam apresentar esse modo verbal?


Página 236

LÍNGUA VIVA
Responda sempre no caderno.

O presente histórico

1. O texto a seguir faz parte da biografia de Vinicius de Moraes, importante poeta brasileiro. Leia o trecho e
responda às questões.

Marcus Vinitius da Cruz e Melo Moraes aos 9 anos de idade parece que pressente o poeta: vai, com a irmã
Lygia, ao cartório na rua São José, centro do Rio, e altera seu nome para Vinicius de Moraes. Nascido em
19-10-1913 […], desde cedo demonstra seu pendor para a poesia. Criado por sua mãe, Lydia Cruz de
Moraes, que, dentre outras qualidades, era exímia pianista, e ao lado do pai, Clodoaldo Pereira da Silva
Moraes, poeta bissexto, Vinicius cresce morando em diversos bairros do Rio, infância e juventude depois
contadas em seus versos, que refletiam o pensamento da geração de 1940 em diante.

Disponível em: <http://www.releituras.com/viniciusm_bio.asp>. Acesso em: 27 jan. 2015.

Fig. 1 (p. 236)


Bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro, cerca de 1920.
Acervo Iconographia/Reminiscências

a) É possível afirmar, apenas com base no texto, que ao trocar de nome aos nove anos Vinicius pressentiu seu
futuro como poeta? De que maneira a troca de nome pode estar relacionada à sua carreira como poeta?

b) Em que tempo estão os verbos destacados no texto?

c) Copie, no caderno, a alternativa que melhor explica por que os verbos foram flexionados no tempo em que
estão no texto.

• O tempo verbal usado no texto faz os fatos ocorridos no passado parecerem atuais e, assim, o leitor fica
mais próximo do que é contado.

• O tempo verbal usado confirma que os fatos ocorreram no passado, convencendo o leitor dos
acontecimentos relatados.

ANOTE

Em textos que tratam de assuntos históricos, como biografias, às vezes os verbos são conjugados no
presente, ainda que se refiram a fatos do passado. Esse recurso é usado para aproximar o leitor dos fatos
narrados e para realçar os acontecimentos apresentados.

2. Leia esta notícia e responda às questões a seguir.

Estudo comprova que onças vivem na copa das árvores durante a cheia dos rios

Pesquisa realizada pelo Instituto Mamirauá comprovou cientificamente que nas florestas inundáveis da
Amazônia, durante o período da cheia, as onças-pintadas (Panthera onca) permanecem em cima das árvores
durante aproximadamente três meses do ano. Desde a semana passada, onças estão sendo avistadas
diariamente na copa das árvores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas. Não
há registros de que este tipo de comportamento ocorra em outras partes do mundo.

Disponível em: <http://amazonia.org.br/2014/06/estudo-comprova-que-oncas-vivem-na-copadas-arvores-


durante-a-cheia-dos-rios/>. Acesso em: 27 jan. 2015.

Fig. 2 (p. 236)


Onça em cima de uma árvore.
Narvikk/iStock/Getty Images
a) Qual é o assunto abordado na notícia?

b) Que tempo verbal predomina nesse texto?

c) Qual é a relação entre o uso desse tempo verbal e o assunto da notícia?


Página 237

3. Leia a notícia a seguir e responda às questões.

Polícia Ambiental realiza apreensões na Grande Natal

A Polícia Ambiental apreendeu cerca de 30 aves silvestres, 40 cutias, e resgatou um jabuti e dois jacarés. A
ação dos policiais ocorreu durante todo este sábado (11). As aves foram apreendidas na feira livre de
Parnamirim, Grande Natal. Dentre elas, estavam as espécies “Galo de Campina”, “Azulão”, “Concriz”, “Bico
de Laica”, “Sanhaçu”, “Papa-Capim”, e “Canários da Terra”.

As cutias foram encontradas em um cativeiro no bairro de Jardim Planalto, ainda em Parnamirim. O


proprietário do cativeiro entregou os animais à polícia voluntariamente. O jabuti foi capturado em Mirassol,
na zona Sul de Natal. O réptil andava pelas ruas do bairro quando foi visto por moradores, que acionaram a
Companhia de Polícia Ambiental (Cipam).

Dos jacarés apreendidos, um foi entregue por um morador do bairro do Planalto no posto policial. O outro foi
capturado na empresa Coteminas, no Igapó, zona Norte. O animal apareceu na sala de máquinas da empresa,
e os funcionários acionaram a Cipam.

Disponível em: <http://tribunadonorte.com.br/noticia/policia-ambiental-realizaapreensoes-na-grande-


natal/185072>. Acesso em: 28 jan. 2015.

Fig. 1 (p. 237)


Mario Friedlander/Pulsar Imagens

Fig. 2 (p. 237)


Palê Zuppani/Pulsar Imagens

Fig. 3 (p. 237)


Adriano Gambarini/Pulsar Imagens

Fig. 4 (p. 237)


Edson Sato/Pulsar Imagens
Animais resgatados pela Polícia Ambiental: jabuti, galo de campina, cutia e jacaré.

a) Do que trata a notícia apresentada?

b) Observe o título da notícia. Em que tempo está conjugado o verbo?

c) Por que é utilizado esse tempo verbal no título?

d) Em que tempo estão os verbos no corpo da notícia? Por que os verbos estão nesse tempo?

ANOTE

O uso do tempo presente do indicativo expressa com frequência algum fato que ocorre habitualmente.
Esse tempo também pode ser usado nos títulos de notícia, mesmo que seja relativo a um fato passado.
Esse é um recurso que aproxima os fatos já ocorridos do tempo do leitor.

4. Leia alguns dados sobre a vida de um grande escritor brasileiro, que servirão de base para você escrever
um pequeno texto biográfico sobre ele.

LUIS FERNANDO VERISSIMO

Nascimento: 26 de setembro de 1936, em Porto Alegre (RS). Filho do renomado escritor Erico Verissimo.

Estudos: Instituto Porto Alegre e escolas nos Estados Unidos.

Curiosidade: músico inseparável de seu saxofone.


Profissão: escritor e jornalista.

Personalidade: extremamente tímido.

Destaque como jornalista: sua coluna no jornal Zero Hora (Porto Alegre), origem de seu primeiro livro.

Características de suas obras: vasta produção de crônicas e contos, mas também de romance, poesia e
literatura infantojuvenil, sempre com muito humor. Textos publicados em livros e em jornais.

Fig. 5 (p. 237)


Luis Fernando Verissimo. Fotografia de 2013, Porto Alegre (RS).
Diego Vara/Agência RBS/Folhapress

a) Escolha as informações que farão parte de seu texto.

b) Ao escrevê-lo, lembre-se de usar o presente histórico.


Página 238

LEITURA 2
Autobiografia

O QUE VOCÊ VAI LER

Fig. 1 (p. 238)


Rubem Alves (1933-2014), escritor. Fotografia de 2011, Campinas (SP).
Régis Filho/Valor/Folhapress

O texto a seguir foi escrito por Rubem Alves, pedagogo, poeta, teólogo, psicanalista e, como ele costumava se
definir, um contador de histórias. Alves publicou textos sobre educação, crônicas e histórias infantis. Nasceu
em 15 de setembro de 1933, em Dores da Boa Esperança, Minas Gerais. Graduou-se em Teologia e fez
mestrado e doutorado nos Estados Unidos. Retornou ao Brasil, onde lecionou em universidades e
desenvolveu carreira acadêmica. Ao se aposentar, recebeu o título de professor emérito da Universidade de
Campinas. Esse título é concedido a professores que se destacam em sua área de atuação. Faleceu em 19 de
julho de 2014, em Campinas, cidade onde morava. O trecho a seguir é do livro O velho que acordou menino,
no qual Alves conta histórias e descobertas de sua infância.

• Observando o título da obra, qual relação é possível estabelecer entre o senhor que escreve o texto e o
menino que um dia ele foi?

• Qual a importância de resgatar memórias?

Minha precoce vocação para a engenharia

Tive uma precoce vocação para engenharia. Se eu tivesse me tornado engenheiro, meus pais teriam morrido
em paz. Os engenheiros são pessoas que se dedicam a fabricar artefatos inteligentes. Eu gostava de fabricar
artefatos inteligentes e foram muitos os brinquedos que eu fabriquei. Foi nas minhas experiências precoces
de engenharia que aprendi a usar as ferramentas.

Dos homens dotados de inteligência engenharial, o que mais me assombra é Leonardo da Vinci. Era pintor,
músico, arquiteto, urbanista, planejou máquinas fantásticas, entre elas uma máquina de voar e uma máquina
de navegar debaixo d’água. Leonardo da Vinci foi uma prova viva de que a beleza e a inteligência podem
andar de mãos dadas.

As primeiras manifestações da minha vocação para engenharia se manifestaram como uma curiosidade
incontrolável sobre a maneira como as coisas funcionavam. O que me conduziu a experiências desastradas. A
primeira delas de que me lembro ocorreu quando eu deveria ter uns quatro anos. Observando uma cristaleira
na minha casa, fiquei intrigado com quatro pinos redondos de madeira, enfiados debaixo de um vidro.
Retirei-os dos buracos em que se encontravam enfiados para uma observação mais aproximada, sem notar
que eles serviam de suporte para uma prateleira de vidro cheia de taças. Creio que ainda não me dera conta
da força da gravidade. Para meu espanto, e contrariando minhas expectativas, a prateleira não funcionou
como deveria, caindo e estilhaçando junto com as taças de cristal.
Página 239

Depois – eu já devia ter uns sete anos – fiquei curioso sobre o relógio de pulso de minha mãe. Perguntei-me:
“Como é o mecanismo que faz os seus ponteiros girarem?”. A resposta a essa pergunta exigia uma pesquisa.
Era preciso ver o “lá dentro” do relógio. Abri o relógio. Usando uma gilete quebrada como chave de fenda fui
desatarraxando seus minúsculos parafusos e retirando as peças soltas. Infelizmente essa pesquisa não me
esclareceu sobre o seu funcionamento. Restava-me, então, montar o relógio de novo antes que minha mãe
aparecesse. Não consegui...

Era guerra. No rádio ouvíamos os bipes dos telégrafos transmitindo mensagens secretas. Eu e meus amigos
resolvemos formar uma sociedade para caçar espiões nazistas que deveriam ser muitos na cidade. Para que
nossas mensagens não fossem interceptadas pelo inimigo inventamos um código secreto: gaderipoluty.
Picolé se escrevia: ocpud. Mangueira: mgnaldrig. A chave para a decifração do código era: g = a, d = e, r = i, p
= o, t = y. Tínhamos também uma linguagem secreta: “Çove tosga ed granfo onc jeifão?” – você gosta de
frango com feijão? As regras para permutação dos sons nunca me foram claras. Nós as aprendíamos pelo
ouvido. Teríamos de aprender o código Morse. E teríamos de ter telégrafos também. Pus-me a construir um
telégrafo, tirado da minha cabeça. O importante era que estivesse ligado à eletricidade. É através da
eletricidade que as mensagens voam pelo espaço. Arranjei uns fios. Estavam descobertos. Mas que
importância tinha isso? Liguei-os ao meu telégrafo. A seguir enfiei-os na tomada. Foi aquele estrondo que fez
minha mãe e a Tofa virem correndo. Imaginavam que algo muito grave estava acontecendo. Acabado o
estouro, os fios estavam arrebentados e soldados um no outro. Desde então passei a ter o maior respeito por
fios e tomadas, especialmente em razão dos muitos choques que tomei.

Rubem Alves. O velho que acordou menino. São Paulo: Planeta, 2005. p. 189-191.

Fig. 1 (p. 239)


Adilson Farias/ID/BR
Página 240

Estudo do texto
Responda sempre no caderno.

Para entender o texto

1. No início do texto, é apresentada uma possibilidade relacionada à escolha profissional de Rubem Alves.

a) Que possibilidade é essa?

b) Qual seria a reação dos pais a essa escolha profissional?

c) O que essa suposta reação dos pais indica sobre a profissão citada?

d) Foi essa profissão escolhida por Rubem Alves? Justifique com palavras do texto.

2. Em um dos parágrafos, Rubem Alves trata da história de vida de uma personalidade reconhecida
mundialmente: Leonardo da Vinci.

a) Com base no texto, o que aproxima Rubem Alves de Leonardo da Vinci?

b) Rubem Alves afirma que Leonardo da Vinci foi a prova viva de que beleza e inteligência podem andar de
mãos dadas. Considerando as informações que você leu sobre Da Vinci no texto da página 233, essa
afirmação faz referência a quê?

3. Rubem Alves conta fatos relacionados à própria história de vida.

a) Em que pessoa o texto é narrado? Justifique com pronomes do texto.

b) Qual é a relação entre o uso desses pronomes e o fato de o texto narrar a história de vida do próprio autor?

Fig. 1 (p. 240)


Adilson Farias/ID/BR

ANOTE

Os textos em que o próprio autor conta a sua história de vida são chamados de autobiografia. São narrados
em primeira pessoa e têm como temática o resgate de memórias, especialmente da infância, possibilitando
ao leitor conhecer aspectos da formação e do desenvolvimento do autor-narrador.

4. Leia os significados da palavra precoce, presente no título do texto.

Precoce | adjetivo de dois gêneros 1. que frutifica ou amadurece antes do tempo normal ou antes dos
demais; temporão. 2. que acontece muito cedo para os padrões normais; prematuro, antecipado. 3. que
muito cedo demonstra capacidades ou habilidades próprias das crianças mais velhas ou de adultos.

Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa on-line. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

a) Qual explicação é mais adequada à palavra precoce no título do texto?

b) Qual é a relação entre os acontecimentos do texto e a palavra precoce?

5. Considerando os acontecimentos narrados no texto, responda.

a) Que característica do autor-narrador é destacada?

b) Rubem Alves, quando adulto, tornou-se pesquisador e professor de uma renomada universidade. Que
relação pode ser estabelecida entre esse fato e a característica revelada no item a?
6. Com base nos dados do livro O velho que acordou menino, responda.

a) Em que ano esse livro foi publicado?

b) Quantos anos o autor tinha no ano de publicação da obra?

c) No título O velho que acordou menino é usada a linguagem figurada. Como podemos explicá-lo,
considerando os fatos contados pelo autor?
Página 241

O texto e o leitor

1. No texto, os acontecimentos são narrados na sequência em que ocorreram.

a) Copie no caderno duas frases que indiquem a idade do menino nos fatos relatados.

b) Por que essas informações são importantes num texto autobiográfico?

ANOTE

As marcas de tempo nas autobiografias indicam a sequência dos acontecimentos e ajudam na construção
dos sentidos da trajetória de vida do autor.

Fig. 1 (p. 241)


Adilson Farias/ID/BR

2. Leia o texto a seguir, retirado da orelha do livro O velho que acordou menino.

Todas as nossas infâncias são variações sobre os mesmos temas. As memórias de um outro fazem ressoar,
naquele que as lê, o seu próprio passado adormecido.

a) A quem Rubem Alves está fazendo referência com o pronome nossas?

b) O que a primeira frase revela sobre a visão do autor em relação à infância?

c) O que signififca a expressão “passado adormecido” nesse trecho?

d) Com base nesse texto, que faixa etária Rubem Alves prevê como leitor?

e) Que efeito o autor espera que essa autobiografia cause no leitor?

f) Esse texto seria adequado caso o público fosse infantojuvenil? Justifique.

ANOTE

Ao elaborar um texto, o autor tem em mente determinado interlocutor. Isso determina a escolha do
assunto tratado, a linguagem utilizada e a seleção de fatos e acontecimentos a serem relatados para esse
interlocutor.

Comparação entre os textos

1. Você leu uma biografia e uma autobiografia. Compare-as e responda:

a) Qual é o público a que se dirigem?

b) São apresentadas falas de personagens ao longo dos textos?

c) Qual o foco narrativo de cada um dos textos?

2. Qual é a relação entre o contexto e o foco narrativo usado nos textos?

3. Que diferença há em relação à busca de informações para esses gêneros?

4. O que os dois gêneros têm em comum em relação ao conteúdo?

Sua opinião

1. Qual é a importância das biografias e das autobiografias para o resgate de histórias de vida? De que forma
as informações e reflexões desses gêneros podem contribuir para a construção de diferentes pontos de vista?
Experiência e aprendizagem

No texto “Minha precoce vocação para engenharia”, a curiosidade do menino coloca-o em diversas situações,
algumas até desastrosas. Mesmo assim, é possível notar que elas trouxeram experiências e promoveram o
amadurecimento do garoto.

A partir das situações narradas no texto, converse com os colegas e o professor sobre as seguintes questões:

I. Qual a importância da curiosidade no processo de aprendizagem?

II. As experiências em que se obtém pouco sucesso também são válidas? Por quê?
Página 242

PRODUÇÃO DE TEXTO
Autobiografia

AQUECIMENTO

• O trecho abaixo faz parte da autobiografia intitulada Léo, o pardo. Ela foi escrita por Rinaldo Santos
Teixeira e foi o livro vencedor de um concurso promovido pelo Ministério da Educação para a descoberta de
novos escritores. Nesse trecho, o autor-narrador relata a mudança da família para a cidade de Campo Belo,
no interior de Minas Gerais. A ordem das frases do parágrafo foi alterada. Observe os marcadores de tempo e
a sequência de ações. Depois escreva o trecho na ordem correta.

No primeiro dia, o Jairo, que estava com seis anos, na hora do banho, levou um baita susto com o chuveiro
elétrico, pegou o penico e tomou banho jogando água na cabeça. Daí, ele voltou pra Santana e foi morar na
casa do vô Geraldo até tirar a oitava série, a pedido da minha mãe. O Claudinei, meu irmão, não gostou de
nada disso, porque aquela casa não tinha quintal e muito menos árvore, ficava o dia todo gritando “Campo
Belo ruim, Campo Belo ruim!” e não dormia. Em Campo Belo, primeiro moramos numa casa de aluguel,
onde não tinha fogão a lenha, e a família passou a ter fogão a gás e geladeira.

Rinaldo Santos Teixeira. Léo, o pardo. Brasília: Ministério da Educação, 2006. p. 36.

Fig. 1 (p. 242)


Ministério da Educação/Arquivo da editora
Léo, o pardo biografia

Proposta

Todos nós temos muitas experiências de vida. Para registrar o que vivemos ou apresentar a alguém nossa
história de vida, podemos escrever um texto autobiográfico. Você escreverá sua autobiografia, que será
entregue aos seus pais ou familiares.

Conforme você estudou neste capítulo, os textos desse gênero relatam uma história de vida a partir do ponto
de vista de quem a viveu, nesse caso, do seu ponto de vista. É comum o resgate da infância, para que seja
possível ao leitor conhecer fatos relacionados ao desenvolvimento do autor-narrador como pessoa.

Antes de entregar sua autobiografia aos pais ou familiares, será realizada uma roda de leitura em que cada
aluno lerá o seu texto. Assim, você e seus colegas poderão se conhecer mais e compartilhar diferentes
experiências.

Planejamento e elaboração do texto

1. Converse com seus pais e familiares e informe-lhes que você escreverá sua autobiografia. Em seguida,
pergunte a eles sobre a história de seu nascimento: onde moravam, quem morava na casa e a rotina geral da
família. Nessa conversa, pergunte também como foi a escolha de seu nome. Registre todas essas informações.

2. Em seguida, escolha alguns acontecimentos que tiveram importância em sua vida e que você gostaria de
registrar, por exemplo: o início da vida escolar, o aprendizado de algo, a chegada de irmãos, mudanças da
família, uma viagem, o encontro com um parente ou amigo, entre outros. Registre os acontecimentos
selecionados.
Página 243

3. Caso você não saiba a data dos acontecimentos, peça ajuda a uma pessoa de sua família que possa indicar
quando os fatos ocorreram, mesmo que seja uma data aproximada.

4. Após ter definido os acontecimentos que serão relatados e indicado as datas, coloque-os em ordem
cronológica.

5. Em seguida, reflita sobre o que gostaria de relatar a respeito de cada acontecimento, incluindo as
sensações e os sentimentos que os fatos despertaram em você.

6. Escreva sua autobiografia apresentando, primeiramente, as informações sobre seu nascimento e o porquê
de seu nome. Em seguida, escreva os acontecimentos selecionados.

7. Lembre-se de elaborar o relato em ordem cronológica, utilizando os marcadores de tempo. O foco


narrativo deve ser em primeira pessoa e a linguagem deve ser adequada ao público leitor: os seus familiares.

8. Caso queira, você poderá incluir fotos em sua autobiografia para ilustrar os fatos vivenciados. Se for
inserida alguma foto, elabore uma legenda, a fim de contextualizar o leitor.

9. Dê um título criativo ao texto e que faça referência a alguma vivência de sua infância.

Avaliação e reescrita do texto

1. Releia o seu texto autobiográfico e verifique cada um dos itens a seguir.

a) O texto está narrado em primeira pessoa?

b) Há circunstâncias relacionadas ao seu nascimento?

c) É explicado o porquê da escolha de seu nome?

d) Os acontecimentos são apresentados em ordem cronológica?

e) São utilizados marcadores de tempo indicando a sequência dos fatos?

f) Ao apresentar os acontecimentos, são relatadas suas sensações e seus sentimentos?

2. Caso necessário, reescreva o texto autobiográfico com base na verificação feita dos itens acima.

3. Após lido e corrigido, escreva a versão final em um papel especial, com alguma ilustração, colagem, etc.,
tornando seu texto ainda mais atraente para a entrega a seus familiares.

4. Após tudo finalizado, apresente o texto em uma roda de leitura, para que seus colegas conheçam a sua
história de vida. Treine a leitura em voz alta, observando os sinais de pontuação e a entonação.

5. Após a realização da roda de leitura, leve o texto para seus pais ou familiares. Explique que se trata de sua
autobiografia, ou seja, um registro sobre a sua história de vida.

Fig. 1 (p. 243)


Adilson Farias/ID/BR
Página 244

REFLEXÃO LINGUÍSTICA
Verbo: modo indicativo

1. Releia este trecho do texto “Minha precoce vocação para a engenharia”. Em seguida, responda às questões.

Pus-me a construir um telégrafo, tirado da minha cabeça. O importante era que estivesse ligado à
eletricidade. É através da eletricidade que as mensagens voam pelo espaço. Arranjei uns fios. Estavam
descobertos. Mas que importância tinha isso? Liguei-os ao meu telégrafo. A seguir enfiei-os na tomada. Foi
aquele estrondo que fez minha mãe e a Tofa virem correndo.

Fig. 1 (p. 244)


Adilson Farias/ID/BR
LJMIN DVRUTAOB

a) Quais verbos indicam ações realizadas pelo autor-narrador?

b) Esses verbos indicam ações ocorridas em que tempo?

c) Que frase do trecho explica como a comunicação pode acontecer?

d) Quais são os verbos da frase solicitada no item c? Em que tempo estão?

e) Considerando a frase, por que foi usado esse tempo verbal?

f) Um dos verbos apresentados na frase pedida no item c está em sentido figurado. Qual é esse verbo e a que
ele faz referência?

g) Esses verbos foram usados em um texto autobiográfico. Que relação há entre o uso desses tempos verbais
e o sentido expresso pelo texto?

Como é possível observar nos verbos empregados no trecho, as ações relacionadas ao autor-narrador foram
realizadas e concluídas no passado. Além disso, o modo utilizado apresenta o processo verbal como
realidade, expressando certeza, convicção: “arranjei uns fios”, “liguei-os na tomada”.

No trecho em que é explicada uma forma de comunicação, o verbo também expressa certeza, no entanto é
utilizado em outro tempo, o presente, pois trata-se de algo considerado como uma verdade universal: “É
através da eletricidade que as mensagens voam pelo espaço”.

ANOTE

Os verbos no modo indicativo podem ser flexionados em diferentes tempos: presente, passado (ou
pretérito) e futuro.

No modo indicativo existem seis tempos verbais, e cada um deles expressa um sentido. São eles: presente,
pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito, futuro do presente e futuro do pretérito.

As terminações dos verbos da tabela da página ao lado são chamadas desinências. Elas indicam a pessoa do
discurso (primeira, segunda ou terceira), o número (singular ou plural), o modo (indicativo, subjuntivo ou
imperativo) e o tempo (presente, passado ou futuro).

Observe os exemplos.

Arranjei uns fios.


ei - primeira pessoa, singular, modo indicativo, tempo pretérito perfeito

É através da eletricidade que as mensagens voam pelo espaço.


am - terceira pessoa, plural, modo indicativo, tempo presente
Relacionando

Em textos do gênero biografia e autobiografia é comum o uso de verbos no pretérito perfeito, de modo
a expressar fatos já ocorridos e finalizados nas trajetórias de vida relatadas. Veja os exemplos retirados da
autobiografia de Rubem Alves: “Tive uma precoce vocação para engenharia”. “Foi nas minhas experiências
precoces de engenharia que aprendi a usar as ferramentas.”
Página 245

Modo indicativo

1ª conjugação: 2ª conjugação: 3ª conjugação:


Tempos verbais verbos terminados verbos terminados verbos terminados
em -ar. Cantar em -er. Correr em -ir. Partir
Presente
1. Expressa um fato que ocorre
no mesmo momento em que se
fala.
Eu canto Eu corro Eu parto
O dia está chuvoso.
Tu cantas Tu corres Tu partes
2. Expressa um fato que
acontece sempre ou uma ação Ele canta Ele corre Ele parte
habitual. Nós cantamos Nós corremos Nós partimos
Eu corro todos os dias no Vós cantais Vós correis Vós partis
parque ao lado de casa.
Eles cantam Eles correm Eles partem
3. Indica ações permanentes
ou dadas como verdades
universais.
A Terra gira em torno do Sol.

Eu cantei Eu corri Eu parti


Pretérito perfeito
Tu cantaste Tu correste Tu partiste
Expressa um fato que já
ocorreu e está perfeitamente Ele cantou Ele correu Ele partiu
acabado. Nós cantamos Nós corremos Nós partimos
Eu corri ontem no parque ao Vós cantastes Vós correstes Vós partistes
lado de casa.
Eles cantaram Eles correram Eles partiram

Pretérito imperfeito
Eu cantava Eu corria Eu partia
Expressa um fato que
Tu cantavas Tu corrias Tu partias
acontecia no passado com
frequência, de forma contínua. Ele cantava Ele corria Ele partia
Eu corria todos os dias de Nós cantávamos Nós corríamos Nós partíamos
manhã, mas agora não posso Vós cantáveis Vós corríeis Vós partíeis
mais ir ao parque nesse
Eles cantavam Eles corriam Eles partiam
horário.

Pretérito mais-que- Eu cantara Eu correra Eu partira


perfeito Tu cantaras Tu correras Tu partiras
Expressa um fato passado, Ele cantara Ele correra Ele partira
anterior a outro fato também
passado. Nós cantáramos Nós corrêramos Nós partíramos
Quando ele chegou ao parque, Vós cantáreis Vós corrêreis Vós partíreis
eu já correra. Eles cantaram Eles correram Eles partiram

Futuro do presente Eu cantarei Eu correrei Eu partirei


Expressa um fato que ocorrerá Tu cantarás Tu correrás Tu partirás
em um momento posterior à Ele cantará Ele correrá Ele partirá
fala.
Nós cantaremos Nós correremos Nós partiremos
A partir da próxima semana,
nós correremos juntas todos Vós cantareis Vós correreis Vós partireis
os dias. Eles cantarão Eles correrão Eles partirão
1ª conjugação: 2ª conjugação: 3ª conjugação:
Tempos verbais verbos terminados verbos terminados verbos terminados
em -ar. Cantar em -er. Correr em -ir. Partir

Eu cantaria Eu correria Eu partiria


Futuro do pretérito
Tu cantarias Tu correrias Tu partirias
Expressa a ideia de uma ação
futura que ocorreria desde que Ele cantaria Ele correria Ele partiria
certa condição fosse cumprida. Nós cantaríamos Nós correríamos Nós partiríamos
Eu correria todos os dias, se Vós cantaríeis Vós correríeis Vós partiríeis
tivesse companhia.
Eles cantariam Eles correriam Eles partiriam

ID/BR
Página 246

REFLEXÃO LINGUÍSTICA Na prática

Responda sempre no caderno.

1. Leia este trecho de uma reportagem e responda às questões.

Joe Sacco, criador do jornalismo em quadrinhos, fala sobre como escolheu sua carreira

Joe Sacco não é um jornalista tradicional. Enquanto os seus colegas da faculdade de Jornalismo
escolheram texto, fotografia ou vídeo para contar suas histórias, ele uniu a paixão pela profissão e pelo
desenho e criou a sua própria maneira de informar: o jornalismo em quadrinhos. […]

Guilherme Dearo. Disponível em: <http://guiadoestudante.abril.com.br/blogs/divirta-estudando/um-bate-


papo-com-joesacco-o-criador-do-jornalismo-em-quadrinhos/>. Acesso em: 29 jan. 2015.

Fig. 1 (p. 246)


Joe Sacco em Parati (RJ). Fotografia de 2011.
Bárbara Vidal/Abril Imagens

a) Pelo trecho da reportagem, você consegue imaginar se os fatos já aconteceram e estão terminados ou se
continuam acontecendo? Justifique.

b) Copie o trecho no caderno, alterando os verbos em destaque, de modo que o sentido do trecho seja falar de
fatos que aconteciam periodicamente.

2. O trecho a seguir foi retirado do livro Alfabetto: autobiografia escolar, de Frei Betto, assessor de
movimentos sociais e escritor. Leia-o.

O arco-íris

Debruçado no chão, abri o álbum de desenhos vazados que ganhara de aniversário, derramei em volta a
caixa de lápis de cor e, em fúria policrômica, preenchi de cores os riscos que sugeriam bichos, nuvens, e
paisagens campestres. As cores fortes, como o vermelho, e o roxo, expressavam com maior nitidez a ênfase
criativa que me inundava o peito. Rompi os limites das gravuras e aqueles que a própria natureza se impôs a
sua harmonia, pintando as montanhas de violeta e as estradas de azul. […]

Frei Bretto. Alfabetto: autobiografia escolar. São Paulo: Ática, 2003. p. 48.

Fig. 2 (p. 246)


Adilson Farias/ID/BR

a) Nesse trecho de sua autobiografia, Frei Betto relata as experiências vividas no jardim da infância, fase
repleta de descobertas e de criatividade. Na situação apresentada, qual ação realizada pelo menino revela a
sua criatividade e o rompimento com determinados padrões?

b) A palavra policrômica significa estado ou qualidade de algo em que há muitas cores. Com base nessa
informação, qual é a relação entre o uso desse termo em “fúria policrômica” e o conteúdo do trecho lido?

c) Os verbos em destaque no trecho estão flexionados em quais tempos verbais?

d) Cite uma frase em que foi utilizado o pretérito perfeito. Qual a relação entre o uso desse tempo verbal e o
fato de o texto ser uma autobiografia?

e) Nesse trecho, há um verbo que indica uma ação que ocorreu anteriormente às outras. Que ação é essa?
Explique como foi possível essa dedução, considerando o tempo verbal utilizado.

f) No trecho, há ainda um verbo que foi empregado no sentido figurado. Que verbo é esse? Qual é o
significado desse verbo dentro da frase em que foi utilizado?
Página 247

Responda sempre no caderno.

3. Leia a história em quadrinhos e responda às questões.

Fig. 1 (p. 247)


Garfield, de Jim Davis.
©2007 Paws, Inc. All Rights Reserved/Dist. by Atlantic
Q1: GARFIELD
Q2: "SUSPIRO!
Q3: POOKY, VOCÊ É O MEU MELHOR AMIGO.
Q4: VOCÊ ESTÁ SEMPRE PRESENTE.
Q5: VOCÊ ME DÁ ABRAÇOS QUANDO EU PRECISO.
Q6: E VOCÊ NUNCA ME MANDA FAZER DIETA.
Q7: NÃO POSSO IMAGINAR UM DIA SEM VOCÊ.
Q8: AGORA VAZA QUE VOCÊ TÁ OCUPANDO MINHA CAMA.

a) A quem Garfield está se dirigindo?

b) Nas falas de Garfield, há locuções verbais. Quais são elas?

c) Os verbos e locuções verbais utilizados por Garfield estão em qual tempo? Por queGarfield utiliza os verbos
nesse tempo?

d) Qual verbo é utilizado por Garfield para indicar que ele não quer mais o ursinho Pooky em sua cama?
Como esse verbo contribui para o humor do texto?

4. Leia este trecho.

Viagem à Grécia – Bem-vindos à terra dos deuses, filósofos e artistas

Imagine que você está no século V antes de Cristo e mora na Grécia. Imagine ainda que você está faminto. O
que fazer? Pizza com refrigerante nem pensar! Essas iguarias não são daquele tempo. Aliás, nem os talheres
tinham surgido. Os gregos comiam com as mãos. Eles se alimentavam de pão, mingau, figo, peixe, legumes e
verduras. As aves e os animais de carne vermelha só faziam parte dos banquetes de cerimônias religiosas.
Imagine agora que você quer se divertir um pouco. Nem adianta pensar em parque de diversões. Isso não
existia na Grécia Antiga! Então, que tal um passeio pela pólis? Aposto que você vai adorar!

Fernanda Marques. Disponível em: <http://http://chc.cienciahoje.uol.com.br/viagem-a-grecia/>. Acesso


em: 2 fev. 2015.

a) Transcreva o trecho dos hábitos alimentares dos gregos no século V a.C.

b) Como o trecho do item anterior ficaria se os hábitos gregos descritos fossem atuais? Que tempo verbal
seria utilizado?

c) O texto dialoga com o leitor. Transcreva a passagem que confirma isso. Em seguida, responda: Qual é a
função do diálogo nesse texto?

d) Escreva no caderno um verbo do texto que não esteja no modo indicativo.

e) Em que modo esse verbo está? Por que ele foi utilizado no texto?
Página 248

LÍNGUA VIVA
Responda sempre no caderno.

O uso dos tempos verbais em relatos

1. Leia este trecho da autobiografia da escritora Ana Maria Machado.

Primeiras histórias

Verão e Manguinhos exigem um capítulo à parte. Sem eles eu não escreveria o que escrevo. Foram a
principal fonte na qual me alimentei de histórias e do prazer de ler pela vida afora.

Sempre que podíamos, nos reuníamos em casa de meus avós maternos, em Vitória, para o Natal – que
nunca, em hipótese alguma dispensava entre os presentes alguns livros e o Almanaque do Tico-Tico, com
as aventuras de Chiquinho, Benjamin e Jagunço ou de Zé Renato e Faustina, além dos meus preferidos,
Reco-Reco, Bolão e Azeitona. E, logo depois (com sorte, até mesmo antes do Natal) nós todos íamos para
Manguinhos, uma praia selvagem e quase deserta num povoado de pescadores, a 30 quilômetros ao norte da
capital.

Lá, ficávamos dois meses, amontoados numa casa de quatro quartos e ampla varanda, com crianças se
espalhando para dormir em esteiras e redes por todo canto. Tinha mar na porta, árvores no quintal, mata
nos fundos, riozinho para pescar, carroça, animais, frutas. E um monte de livros, que ninguém dispensava
levar uma boa provisão e era um troca-troca de dar gosto.

Ana Maria Machado. Esta força estranha: trajetória de uma autora. São Paulo: Atual, 1996. p. 14-15.

Fig. 1 (p. 248)


Praia de Manguinhos, Espírito Santo. Fotografia de 2015.
Vinicius Moraes/Fotoarena

a) Como a autora avalia as lembranças do passado? Transcreva passagens do texto que justifiquem sua
resposta.

b) Indique o modo e tempo em que estão flexionados os verbos destacados no trecho acima da autobiografia
da escritora.

c) Releia o trecho em que foram utilizados verbos no pretérito perfeito. Por que foi utilizado esse tempo
verbal?

d) Releia o trecho em que foram utilizados verbos no pretérito imperfeito. Considerando o contexto, o que o
uso desse tempo verbal indica?

e) No trecho a seguir, note que o tempo dos verbos destacados está diferente dos demais verbos do texto.
Qual foi o tempo verbal utilizado? E por que ele foi empregado?

Verão e Manguinhos exigem um capítulo à parte. Sem eles eu não escreveria o que escrevo.

ANOTE

Em biografias e autobiografias, é comum o uso de verbos no pretérito perfeito e pretérito imperfeito do modo
indicativo. Como o pretérito imperfeito apresenta uma ideia de continuidade, de duração, o seu uso é
frequente em descrições e narrações de fatos passados, alternando com o pretérito perfeito, utilizado para
indicar fatos pontuais. Também é comum o uso de verbos no presente para expressar alguma reflexão ou
algum fato que acontece no momento em que o texto é escrito.

2. Qual é a relação entre o uso do pretérito perfeito e do pretérito imperfeito e o conteúdo relatado pela
escritora Ana Maria Machado no trecho da autobiografia que você leu?
Página 249

QUESTÕES DA ESCRITA
Responda sempre no caderno.

Alguns casos de acentuação

Acentuação dos monossílabos tônicos

1. Leia esta tira.

Fig. 1 (p. 249)


O Menino Maluquinho, de Ziraldo.
Ziraldo/Acervo do artista
Q1: JÁ COMPROU SEU MATERIAL ESCOLAR?
ORA…
Q2: O ÚNICO MATERIAL QUE EU PRECISO PRA ESTUDAR SÃO MEUS MIOLINHOS!
Q3: NEM CADERNO VOCÊ TEM?
CADERNO, EM PLENA ERA DA INFORMÁTICA?
Q4: EU ESCREVO NA MÃO MESMO!

a) Qual é a contradição presente na tira? Explique.

b) Copie no caderno as palavras formadas por uma única sílaba que aparecem nas falas das personagens.

ANOTE

As palavras formadas por uma única sílaba são chamadas de monossílabos.

Se você ler em voz alta as falas dessa tira, vai observar que alguns desses monossílabos são pronunciados com
mais força, dentro da sequência de palavras em que aparecem. Exemplos: já, seu, eu, são, etc.

Outros são pronunciados com menos força e, sonoramente, parecem se juntar às palavras vizinhas.
Exemplos: o, pra, em, da, na.

ANOTE

Os monossílabos pronunciados com maior intensidade são chamados de tônicos. Exemplos: eu, lê, mão,
tem.

Os monossílabos pronunciados com menor intensidade são chamados de átonos. Exemplos: com, de, se,
um.

2. Observe os conjuntos de monossílabos tônicos abaixo. O que cada conjunto tem em comum?

a) pá, cá, há, lá, chás

b) vê, três, crê, ré, pés

c) pó, nó, nós, dó, só

d) rói, véu, céus, dói, réis

ANOTE

Recebem acento agudo os monossílabos tônicos terminados em a(s), e(s), o(s) ou em ditongos ei(s), eu(s),
oi(s). Exemplos: já, fé, pó, fiéis, réu, mói (timbre aberto).

Recebem acento circunflexo os monossílabos tônicos terminados em e(s), o(s). Exemplos: crê, rês, avô, pôs
(timbre fechado).
Página 250

Acento diferencial

3. Leia esta tira.

Fig. 1 (p. 250)


Recruta Zero, de Greg e Mort Walker.
2008 King Features Syndicate/Ipress
Q1: O ZERO VOLTOU.
DESCUBRA O QUE O FEZ DEMORAR TANTO.
Q2: TEM CERTEZA QUE TÊM TEMPO PRA OUVIR TODOS OS DETALHES?

a) Agora, releia a tira na página anterior. Que diferença há entre as grafias do verbo ter na tira do Menino
Maluquinho e nesta tira do Recruta Zero?

b) Na tira do Menino Maluquinho, a quem o verbo ter se refere?

c) A quem o verbo ter, na tira do Recruta Zero, está se referindo?

ANOTE

Em português, existe um tipo de acento que serve apenas para diferenciar palavras iguais ou parecidas. Ele é
chamado acento diferencial.

Usos do acento diferencial

Verbos ter e vir

Nos verbos ter e vir, emprega-se o acento diferencial para distinguir a terceira pessoa do singular da terceira
pessoa do plural no presente do indicativo. Exemplos: ele tem – eles têm
ela vem – elas vêm

Verbos derivados de ter e vir

O acento diferencial também distingue, no presente do indicativo, a terceira pessoa do singular da terceira
pessoa do plural dos verbos derivados de ter e vir, como conter, deter, obter, convir, intervir, etc. Nesses
casos, usa-se acento agudo para a terceira pessoa do singular e acento circunflexo para a terceira pessoa do
plural. Exemplos:
ele mantém – eles mantêm ela intervém – elas intervêm

Outros casos

Leia a tira a seguir.

Fig. 2 (p. 250)


Fernando Gonsales. Níquel Náusea: os ratos também choram. São Paulo: Bookmakers, 1999. p. 8.
Fernando Gonsales/Acervo do artista
Q1: O PAPAGAIO ESTÁ SEM VOZ! ELE NÃO PODE ME IMITAR!
Q2: ESCREVE ESCREVE ESCREVE
Q3: o papagaio está sem voz! ele não pode me imitar!
QUE PROFISSIONALISMO‼
Página 251

Se a fala “O papagaio está sem voz! Ele não pode me imitar!” estivesse se referindo ao passado, o verbo poder
levaria acento diferencial: pôde.

Portanto, o acento diferencial distingue também as seguintes palavras:

• pôde (verbo poder no pretérito) – pode (verbo poder no presente)

• pôr (verbo) – por (preposição)

ANOTE

O acento diferencial distingue palavras semelhantes na grafia e no som conforme o contexto. Exemplos: por
(preposição) – pôr (verbo).

4. Identifique nas frases a seguir as palavras que devem receber acento diferencial e corrija-as se necessário.

a) O caminho por onde você veio é mais longo.

b) A vista do por do sol na praia é linda.

c) Ele não pode receber os clientes ontem.

d) Ele não pode atender o telefone agora.

Trema

Usa-se trema (¨) apenas em nomes próprios estrangeiros e em palavras da língua portuguesa derivadas deles.
Exemplos: Müller, mülleriano.

Entreletras

Enigmas

Antigamente, decifrar enigmas era prova de inteligência. Com o passar do tempo, esses pequenos textos
encontraram na voz do povo a melhor forma de divulgação. Tente solucionar os enigmas a seguir.

1. Quanto tempo leva um trem, de 1 km de comprimento, para atravessar um túnel de 1 km de comprimento,


andando a 1 km por minuto?

2. Uma pergunta de lógica jurídica: um homem pode se casar com a irmã de sua viúva?

3. Você precisa cozinhar um ovo por 2 minutos exatos, mas tem somente uma ampulheta que marca 5
minutos e outra que marca 3 minutos. Como fazer?

Disponível em: <http://www.jogos.antigos.nom.br/qcmatem.asp>. Acesso em: 29 jan. 2015.

Fig. 1 (p. 251)


Andréa Vilela/ID/BR

PARA SABER MAIS

Livros

10 brasileiros nota 10, de Luís Pimentel. Editora Moderna.

Fig. 2 (p. 251)


Moderna/Arquivo da editora
10 BRASILEIROS NOTA 10

Eu sou Malala (edição juvenil), de Malala Yousafzai. Editora Seguinte.


Fig. 3 (p. 251)
© 2011 by Mark Tucker/Companhia das Letras
Eu sou Malala

Rosa Parks: não à discriminação racial, de Nimrod. Edições SM.

Fig. 4 (p. 251)


Edições SM/Arquivo da editora
ROSA PARKS: não à discriminação racial

Sites
<http://educacao.uol.com.br/biografias/>
<http://www.brasilescola.com/biografia/>
<http://www.releituras.com/biografias.asp>
Acessos em: 30 jan. 2015.
Página 252

ATIVIDADES GLOBAIS

REFLEXÃO LINGUÍSTICA

Responda sempre no caderno.

1. Leia esta tira.

Fig. 1 (p. 252)


Hagar, o Horrível, de Chris Browne.
2008 King Features Syndicate/Ipress
Q1: AS CRIANÇAS DE HOJE SÃO MIMADAS!
QUANDO EU ERA CRIANÇA EU TINHA QUE ANDAR CINCO MILHAS ATÉ A ESCOLA!
Q2: MAS, PAPAI… EU TENHO QUE ANDAR CINCO MILHAS ATÉ A ESCOLA!
Q3: É, MAS QUANDO EU ERA CRIANÇA, NEM HAVIA ESCOLAS!

a) No primeiro quadrinho, Hagar conta a Hamlet, seu filho, uma ação habitual que ocorria no passado. Quais
verbos indicam isso?

b) Em sua primeira fala, Hagar faz uma afirmação sobre as crianças de hoje. Em que tempo, modo e pessoa o
verbo utilizado está flexionado?

c) A certeza expressa nessa afirmação corresponde à realidade? Por quê?

d) No segundo quadrinho, que verbo mostra a reação de Hamlet à afirmação do pai? Em qual tempo, modo e
pessoa do discurso esse verbo está flexionado?

e) Que situação presente na tira provoca humor?

2. Leia o seguinte poema, de Paulo Leminski.

Minha mãe dizia


– ferve, água!
– frita, ovo!
– pinga, pia!
e tudo obedecia.

Paulo Leminski. Caprichos e relaxos. São Paulo: Brasiliense, 1983.

a) Nesse poema, o eu lírico faz uma brincadeira com ações habituais de sua mãe, ocorridas no passado.
Explique: Em que consiste essa brincadeira?

b) Quais verbos desse poema expressam ordens?

c) Esses verbos estão flexionados em qual modo verbal?

d) Em que modo está o verbo do último verso? O que esse modo verbal expressa?

3. Leia este trecho de um conto de Marina Colasanti.

Luz de lanterna, sopro de vento

Mas, ao abrir a porta na manhã seguinte, deparou-se com a lanterna apagada. “Foi o vento da madrugada”,
pensou, olhando para o alto como se pudesse vê-lo soprar.

À noite, antes de deitar, novamente acendeu a lanterna que, a distância, haveria de indicar ao seu homem o
caminho de casa.

Ventou de madrugada. Mas era tão tarde e ela estava tão cansada que nada ouviu, nem o farfalhar das
árvores, nem o gemido das frestas, nem o ranger da argola da lanterna. E de manhã surpreendeu-se ao
encontrar a luz apagada.
Marina Colasanti. Um espinho de marfim e outras histórias. Porto Alegre: L&PM, 1999. p. 165.

a) Segundo as informações apresentadas no texto, por que a mulher ficou surpresa?

b) Em que tempos estão conjugados os verbos destacados?

c) Explique o uso de cada tempo verbal para indicar as ações do passado.


Página 253

O que você aprendeu neste capítulo

Biografia

• Narrativa não ficcional em que o biógrafo narra a história de vida do biografado.

• É fundamentada por pesquisa realizada pelo biógrafo.

• É narrada em terceira pessoa, pois trata da vida de alguém.

• Há indicação de tempo dos fatos para situar o leitor na história do biografado.

Autobiografia

• Narrativa não ficcional em que o próprio autor relata sua história de vida.

• É narrada em primeira pessoa: autor-narrador.

• Há marcas de tempo para que o leitor se situe na trajetória do autor-narrador.

Verbos

• São palavras variáveis que indicam ação, fenômenos da natureza, estados e modos de ser.

• Dividem-se em três conjugações: 1ª (verbos terminados em -ar), 2ª (verbos terminados em -er e -or) e
3ª (verbos terminados em -ir).

• Locução verbal: formada por um ou mais verbos auxiliares e um verbo principal (que pode estar no
gerúndio, infinitivo ou particípio).

• Flexão dos verbos: de pessoa (1ª, 2ª e 3ª pessoa), de número (singular e plural), de tempo (passado,
presente, futuro), de modo (indicativo, subjuntivo e imperativo).

• Modos verbais: indicativo (indica certeza), subjuntivo (expressa dúvida ou possibilidade) e imperativo
(ordem, pedido, conselho, instrução ou convite).

• Tempos do modo indicativo: presente (expressa um fato que ocorre no momento em que se fala;
expressa um fato que acontece sempre); pretérito perfeito (expressa um fato que já ocorreu e está
perfeitamente acabado); pretérito imperfeito (expressa um fato que acontecia no passado com
frequência, de forma contínua); pretérito mais-que-perfeito (expressa um fato passado, anterior a outro
fato também passado); futuro do presente (expressa um fato que ocorrerá em um momento posterior à
fala); futuro do pretérito (expressa a ideia de uma ação futura, que ocorreria desde que certa condição
fosse cumprida).

Acentuação

• Monossílabos tônicos: recebem acento agudo os monossílabos tônicos terminados em a(s), e(s), o(s)
ou em ditongos ei(s), eu(s), oi(s). Recebem acento circunflexo os monossílabos tônicos terminados em e(s),
o(s).

• Acento diferencial: serve para diferenciar palavras iguais ou parecidas.

• Trema: apenas em nomes próprios estrangeiros e em palavras derivadas deles.

Autoavaliação

Para fazer a autoavaliação, releia o quadro O que você aprendeu neste capítulo.

• Você entendeu o que é uma biografia e uma autobiografia? Em caso negativo, que dúvidas permanecem em
relação a esses gêneros textuais?
• Os textos que você produziu estão adequados ao público leitor a que se destinam?

• Quais são suas dúvidas sobre os verbos, os modos verbais e as conjugações?

• Você entendeu o que são monossílabos tônicos e átonos e em que casos eles são acentuados?

• Como foi sua participação nas discussões propostas ao longo do capítulo?


Página 254

ORALIDADE
Exposição oral de biografias

A exposição oral é um gênero muito presente na vida escolar. Para realizar uma exposição oral, o expositor
deve se preparar e considerar dois aspectos: o conteúdo que pretende apresentar e como ele será transmitido.
Em relação ao conteúdo, é necessário que haja uma pesquisa para obter informações e para selecionar o que
fará parte da apresentação. Também é fundamental verificar os recursos linguísticos que serão utilizados, a
fim de que a exposição seja objetiva e interessante para o interlocutor.

• Você já fez alguma exposição oral? Para qual público?

• Quais dificuldades você ou seu grupo tiveram?

• Caso nunca tenha realizado esse tipo de apresentação, quais facilidades e/ou dificuldades você imagina que
vai encontrar para realizá-la?

Produção de texto: exposição oral de biografias

O que você vai fazer

Em grupo, você vai se preparar para uma exposição oral de uma biografia selecionada pela equipe. A plateia
será composta pelos colegas e pelo professor.

Fig. 1 (p. 254)


Adilson Farias/ID/BR

Seleção da biografia e pesquisa

1. Forme um grupo com cinco colegas. O professor vai sortear uma área de conhecimento para cada grupo.

• Cinema • Artes plásticas • Medicina

• Matemática • Música • Esportes

• Literatura e HQ • Ciências • Tecnologia

2. Após o sorteio, o grupo pesquisará alguma pessoa que tenha se destacado positivamente na área que foi
sorteada.

3. Verifiquem em sites, enciclopédias impressas ou virtuais e em livros na biblioteca da escola se há algo


sobre a vida da pessoa escolhida, com o objetivo de reunir dados que possibilitem ao interlocutor conhecer a
trajetória de vida e a contribuição do biografado na área de atuação.

4. Caso encontrem uma biografia pronta, selecionem as informações mais relevantes da vida do biografado.
Caso não haja um perfil biográfico pronto, selecionem informações sobre a história de vida da pessoa
escolhida e elaborem um texto.

5. Em ambos os casos, registrem a fonte de pesquisa. Caso a pesquisa tenha sido feita em suporte impresso,
anotem o nome da publicação, a cidade em que o material foi editado, o nome da editora e o ano de
publicação. No caso de sites, anotem o endereço eletrônico completo e a data de acesso.

6. Registrem as informações pesquisadas sobre o biografado em ordem cronológica utilizando os marcadores


de tempo.

7. Coletem imagens e objetos que possam ser mostrados durante a apresentação, de forma a ilustrar a
trajetória de vida do biografado: podem ser fotos do biografado e de locais onde viveu, objetos relacionados à
profissão dele, etc.
Página 255

Preparando a apresentação

1. Organizem e anotem em uma ficha as partes da exposição. Cada integrante do grupo deverá destacar na
ficha a parte que vai apresentar. Sugestão de roteiro:

• Apresentação do grupo e do objetivo da exposição oral, que é expor a biografia de uma personalidade em
determinada área do conhecimento. Nesse momento, indiquem o nome do biografado e a área de atuação.

• Informações da infância e da adolescência do biografado: onde nasceu e viveu, a vida escolar, as amizades,
as relações com os familiares, os gostos, etc.

• Informações sobre a vida adulta, destacando a formação e as principais contribuições do biografado para a
área de atuação.

• Curiosidades sobre o biografado, se houver.

• Recapitulação das principais informações e conclusão, perguntando à plateia se há alguma dúvida ou se


alguém gostaria de acrescentar algo.

2. Uma exposição oral não é uma leitura em voz alta. É necessário que cada aluno estude e treine sua fala.
Para auxiliar na organização mental, façam uma ficha de apoio com as principais informações e consultem-
na, se necessário.

3. Caso tenham imagens, apresentem-nas para a classe. Se a sala dispuser de projetor, as imagens podem ser
gravadas em arquivo digital e projetadas. Caso contrário, elas podem ser impressas. Mostrem objetos
relacionados à vida do biografado, caso haja, explicando do que se trata.

4. Tenham sempre em mente que o objetivo dessa atividade não é simplesmente expor uma série de
conteúdos diante da plateia, mas tentar envolvê-la com aquilo que está sendo apresentado. Para isso:

• Fiquem atentos às reações da plateia; se perceberem que algo não foi entendido, expliquem de outra
maneira, deem exemplos, perguntem diretamente às pessoas se estão entendendo as explicações.

• Tentem prever as dificuldades dos colegas, por exemplo: Eles conhecem as palavras e expressões que vocês
vão usar? Conhecem os lugares que serão mencionados? Se preciso, expliquem o vocabulário e apontem
localizações em um mapa e/ou ilustrem com imagens.

• Usem um tom e um volume de voz adequados, de modo que todos possam ouvir. Façam pausas estratégicas
para a plateia ter tempo de assimilar as explicações.

Avaliação

Avaliem as exposições orais com os colegas e o professor.

• Os alunos mostraram-se seguros e bem informados a respeito da trajetória de vida e das contribuições do
biografado à área de atuação?

• A trajetória de vida do biografado foi apresentada em ordem cronológica? Os acontecimentos foram


situados no tempo e no espaço?

• Foram utilizados outros recursos, além da fala, para manter a atenção dos interlocutores?

• A plateia teve um comportamento colaborativo com os colegas que estavam fazendo a exposição?

• O que poderia ser melhorado em uma próxima exposição oral?

Fig. 1 (p. 255)


Adilson Farias/ID/BR
Página 256

CAPÍTULO 8 Entrevista
CONVERSE COM OS COLEGAS

1. Observe a fotografia ao lado, que retrata uma situação de comunicação bastante frequente nos meios
jornalísticos.

a) Para quem as pessoas sentadas à mesa vão falar?

b) Além das pessoas que estão na sala, haverá outros ouvintes da entrevista? Explique.

2. Uma entrevista, como a representada ao lado, caracteriza-se pela coleta e transmissão de declarações.

a) De que forma o entrevistador coleta declarações do entrevistado?

b) O entrevistador coleta declarações que só interessam a ele? Explique.

3. Nas entrevistas, é comum o uso de linguagem formal ou informal?

4. Que tipo de declaração você imagina que os entrevistados darão na entrevista registrada nessa fotografia?

5. Caso você estivesse presente nessa entrevista coletiva como repórter de um veículo, que pergunta faria aos
entrevistados?

6. Se essa entrevista fosse publicada, onde provavelmente ela seria encontrada?

Há muitas maneiras de obtermos informações sobre determinado assunto ou sobre a vida de alguém. Uma
delas é por meio de entrevista com pessoas que se relacionem ao nosso foco de interesse.

Neste capítulo, estudaremos as principais características do gênero entrevista. Nela, os entrevistados e os


assuntos que serão abordados são selecionados conforme o objetivo do entrevistador e do meio de
comunicação em que a entrevista será publicada.

Fig. 1 (p. 256)


O então técnico da seleção brasileira de futebol, Luiz Felipe Scolari, em entrevista coletiva, no estádio do
Mineirão, Belo Horizonte (MG). Fotografia de 2014.
Moacyr Lopes Junior/Folhapress
Página 257

O que você vai aprender

• Características principais da entrevista


• Argumentação e ponto de vista
• Verbo: subjuntivo e seus tempos
• Formas nominais do verbo
• Uso das consoantes g e j
Página 258

LEITURA 1
Entrevista

O QUE VOCÊ VAI LER

A entrevista a seguir foi feita com Paulo Tatit, integrante da dupla musical Palavra Cantada. Formada em
1994 pelos músicos Sandra Peres e Paulo Tatit, a dupla é conhecida pela criatividade e preocupação com a
qualidade das canções. Ao longo da carreira, lançou vários CDs e DVDs, alcançando sucesso de público e de
crítica.

Nesta entrevista, publicada em uma revista de Curitiba em 2014, a Palavra Cantada realizava a turnê do show
Aventuras musicais, um espetáculo que uniu músicas inéditas e sucessos. Nesse espetáculo, Sandra Peres e
Paulo Tatit se transformavam em Sandreca e Pauleco, cantando, dançando e interagindo com projeções e
com outros músicos que participavam da produção. Leia a entrevista e descubra o porquê da criação dessas
personagens e os planos da dupla.

VIVER Entrevista: Paulo Tatit, da Palavra Cantada

Músico cedeu entrevista exclusiva antes do show, que acontece neste domingo (4), no Teatro
Positivo

Para quem não ficou sabendo, a Palavra Cantada vai fazer show aqui em Curitiba neste domingo (4), no
Teatro Positivo. O grupo infantil caiu nas graças das crianças e também dos adultos pela criatividade das
letras e dos ritmos contagiantes. Para marcar a passagem por Curitiba, Paulo Tatit, que faz dupla com Sandra
Peres, concedeu uma entrevista exclusiva à VIVER Curitiba, na qual falou sobre a trajetória do grupo e das
expectativas para o show na capital paranaense.

VIVER Curitiba: Vocês estão completando 20 anos com a Palavra Cantada. O caminho
trilhado por vocês neste período seguiu o planejado? Quais foram as surpresas do caminho?

Paulo Tatit: Bem, a gente ficou uns dez anos sem o menor planejamento. A Palavra Cantada, nos dez
primeiros anos, não chegava a dar uma estabilidade econômica pra gente. Depois, na década de 2000 a gente
começou a se estruturar melhor. Era a época em que a gente lançou Pé com pé e conseguimos vender alguns
projetos para patrocinadores. E, hoje em dia, fazemos alguns trabalhos com planejamento, como, por
exemplo, o Livro de Brincadeiras Musicais, e ainda fazemos alguns trabalhos sem muito planejamento como
o CD Um Minutinho, de 2012, que, após ser concluído, foi jogado no mercado à própria sorte. Acho que os
dois projetos, livros e CD, foram vitoriosos.

Fig. 1 (p. 258)


O músicos Sandra Peres e Paulo Tatit, da Palavra Cantada. Fotografia de 2011.
Palavra Cantada/Arquivo da produtora
Página 259

O que mudou na Palavra Cantada de 20 anos atrás?

Nossa! Muita coisa mudou. O que mais eu percebo é que mudou o valor que a sociedade brasileira passou a
dar para a formação cultural de suas crianças. Se antes só se pensava numa boa formação escolar, hoje
pensa-se na boa formação cultural também. Só isso para explicar um pouco o sucesso da Palavra Cantada em
todas as classes sociais.

Nós da revista VIVER gostamos muito de trabalhar com o tema Inspiração. Qual é a
inspiração para o trabalho de vocês?

Uma sequência de acordes do violão, um diálogo entre crianças, um livro infantil, uma outra música que não
tem nada a ver com infância… Tem ideias que surgem da nossa vivência de dar shows. Mas de todas as
fontes, a mais comum é pegar o instrumento e ficar brincando com ele. De repente a gente diz “opa, isso aqui
dá samba”.

Qual é o objetivo de vocês quando compõem uma música nova ou lançam um novo CD, DVD?
O que a criança ganha por ouvir e assistir ao trabalho de vocês?

Pessoalmente, o que mais desejo quando a criança ouve nosso trabalho é que ela desperte sua sensibilidade
para a música em geral. Quero que ela sinta-se emocionada, que fique paralisada ouvindo muitas vezes a
mesma música, quero que seus pais chorem junto com ela, ou seja, quero ativar os sentimentos.

Como vocês avaliam a qualidade dos produtos para crianças hoje em dia?

Pessoalmente acho que vivemos um momento em que muitas pessoas, designers, músicos e até fábricas de
brinquedos, têm procurado produzir algo que seja valioso para a infância. O maior exemplo que me ocorre
são os desenhos da Pixar, onde não se economiza esforços para ter um produto de extrema qualidade.

Vocês estão mudando um pouco o perfil da Palavra Cantada? Transformando a Sandreca e o


Pauleco em personagens? Por quê?

Estamos empenhados em criar esses personagens, pois o tempo está passando e num futuro próximo
gostaríamos de poder expandir nosso trabalho sem que tudo dependa da nossa presença física. Por exemplo,
se formos fazer um clipe, não precisaremos ficar filmando por vários dias. Podemos pedir ao Pauleco e
Sandreca ir no nosso lugar.

Vamos falar um pouco de Curitiba? Vocês lembram da primeira vez que se apresentaram
aqui? O que a cidade representa para vocês?

Lembro-me perfeitamente da primeira vez em que nos apresentamos em Curitiba. [...] As crianças foram
entrando e eu fiquei na plateia observando o movimento. Primeiro entraram as menores, de 3 e 4 anos,
depois os maiores, de 7 ou 8 anos. Quando estes viram que havia criancinhas na plateia, eles quiseram sair do
teatro, até ouvi um deles dizendo “é show pra criança!”. Depois, no decorrer do show, todos curtiram juntos e
foi a maior alegria. A música tem disso, não é? Ela junta idades, pessoas diferentes, adultos, jovens e crianças
podem curtir a mesma música! [...]

Disponível em: <http://revistaviver.com.br/casa-e-familia/viver-entrevista-paulo-tatit-da-palavra-


cantada/>. Acesso em: 30 abr. 2015.

GLOSSÁRIO
Designer: profissional que cria um produto com novo estilo e/ou pensando na forma física e na
funcionalidade.
Pixar: empresa de animação digital norte-americana. Lançou diversos filmes, sendo que vários deles se
tornaram sucesso de público e de crítica.
Página 260

Estudo do texto
Responda sempre no caderno.

Para entender o texto

1. No texto introdutório, antes da primeira pergunta, é mencionado o fato que motivou a entrevista de Paulo
Tatit à Viver Curitiba. Que fato foi esse?

2. Que outras informações aparecem na introdução da entrevista?

3. Todas as informações apresentadas nesse texto também aparecem ao longo da entrevista? Explique.

4. Qual é a função do texto de introdução em uma entrevista?

ANOTE

Nas entrevistas, é comum haver um texto introdutório com informações sobre o entrevistado, sua vida e
obra, além de dados sobre o contexto que será apresentado.

5. A entrevista é iniciada com uma pergunta que retoma a história da dupla.

a) De acordo com o entrevistado, qual fator possibilitou à dupla ter uma melhor estrutura?

b) Quais acontecimentos viabilizaram essa conquista?

6. Na entrevista, é abordado o processo de criação das músicas da dupla.

a) Qual pergunta trata desse assunto?

b) Considerando o contexto apresentado na entrevista, qual a importância em abordar esse assunto?

7. Ao tratar dos shows, Tatit menciona uma reação de determinado público.

a) Que público é esse?

b) Ao entrar no teatro, qual foi a reação desse público?

c) As crianças mantiveram essa reação ao longo do show? Explique.

d) Ao mencionar esse fato, qual ideia o entrevistado reforça em relação ao trabalho desenvolvido pela dupla?

Ponto de vista e argumentação

1. Em algumas partes da entrevista são apresentadas opiniões de Paulo Tatit, como no trecho reproduzido a
seguir. Releia-o.

[...] Primeiro entraram as menores, de 3 e 4 anos, depois os maiores, de 7 ou 8 anos. Quando estes viram que
havia criancinhas na plateia, eles quiseram sair do teatro, até ouvi um deles dizendo “é show pra criança!”.
Depois, no decorrer do show, todos curtiram juntos e foi a maior alegria. A música tem disso, não é? Ela
junta idades, pessoas diferentes, adultos, jovens e crianças podem curtir a mesma música! [...]

Fig. 1 (p. 260)


Fabiana Salomão/ID/BR

a) Qual opinião Paulo Tatit expressa nesse trecho?

b) Qual recurso o entrevistado utiliza para exemplificar sua opinião?


c) Nesse trecho, a quem é dirigida a pergunta de Paulo Tatit?

d) Quem responde a pergunta e qual o conteúdo da resposta?

e) Qual é o efeito de sentido obtido ao utilizar esse tipo de pergunta ao longo do texto?
Página 261

ANOTE

A entrevista, muitas vezes, apresenta a opinião ou o ponto de vista do entrevistado. Dessa maneira,
podemos conhecer o modo como ele vê o mundo, seus gostos, suas ideias.

2. Releia a pergunta e a resposta a seguir.

O que mudou na Palavra Cantada de 20 anos atrás?

Nossa! Muita coisa mudou. O que mais eu percebo é que mudou o valor que a sociedade brasileira passou a
dar para a formação cultural de suas crianças. Se antes só se pensava numa boa formação escolar, hoje
pensa-se na boa formação cultural também. Só isso para explicar um pouco o sucesso da Palavra Cantada em
todas as classes sociais.

Fig. 1 (p. 261)


Fabiana Salomão/ID/BR

a) Observando a pergunta e a resposta, pode-se afirmar que Paulo Tatit respondeu exatamente o que o
entrevistador perguntou?

b) Qual a opinião expressa pelo entrevistado na resposta apresentada?

c) Copie o esquema a seguir e complete-o incluindo o argumento que justifica a opinião de Paulo Tatit.

Mudou o valor que a sociedade brasileira passou a dar para a formação cultural das crianças.

Argumento:

d) Esse argumento é estruturado em torno de uma comparação. Que comparação é essa?

ANOTE

Argumentar é apresentar razões para convencer alguém sobre determinado ponto de vista. A
argumentação pode se dar por meio de comparação, apresentação de causa e consequência, entre outras
possibilidades.

3. Ao longo da entrevista, Paulo Tatit apresenta uma opinião em relação à qualidade dos produtos voltados
para as crianças hoje em dia.

a) Que termo é utilizado pelo entrevistado para introduzir a opinião dele?

b) Essa opinião é baseada em que tipo de observação?

c) Ao elaborar a argumentação, Paulo Tatit utiliza o termo valioso. Copie no caderno, entre as definições de
valioso a seguir, a que mais se aproxima do sentido expresso na entrevista.

valioso | 1. que tem grande valor monetário, caro. 2. que tem merecimento ou qualidades muito estimadas.
Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa on-line. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

d) Ao apresentar essa opinião, o entrevistado demonstra coerência com as opiniões expostas em respostas
anteriores? Explique.

ANOTE

A manutenção da coerência ao longo da entrevista é um fator importante para a construção adequada do


processo argumentativo. É importante que as opiniões apresentadas pelo entrevistado sejam coerentes,
revelando consistência sobre o que se diz.
Página 262

Responda sempre no caderno.

Contexto de produção

1. A entrevista com Paulo Tatit foi publicada em uma revista voltada para o público feminino.

a) Qual o perfil do público-alvo da entrevista?

b) Qual é a relação desse público com os assuntos tratados na entrevista?

2. A entrevista foi retirada de uma revista publicada em Curitiba.

a) Qual a relação entre esse fato e a pergunta apresentada no final da entrevista?

b) Caso a entrevista tivesse sido publicada em uma revista de outro local, a pergunta seria elaborada de
forma diferente? Explique.

3. Releia a seguir um trecho da entrevista.

VIVER Curitiba: Vocês estão completando 20 anos com a Palavra Cantada. O caminho
trilhado por vocês neste período seguiu o planejado? Quais foram as surpresas do caminho?

Paulo Tatit: Bem, a gente ficou uns dez anos sem o menor planejamento. A Palavra Cantada, nos dez
primeiros anos, não chegava a dar uma estabilidade econômica pra gente. Depois, na década de 2000, a
gente começou a se estruturar melhor. Era a época em que a gente lançou Pé com pé e conseguimos vender
alguns projetos para patrocinadores. [...]

Fig. 1 (p. 262)


Capa do CD Pé com pé. Palavra Cantada, 2006.
Palavra Cantada/Arquivo da gravadora
PÉ COM PÉ

a) Nesse trecho, há uma expressão utilizada por Paulo Tatit diversas vezes, fazendo referência à dupla
Palavra Cantada. Que expressão é essa?

b) O uso dessa expressão em vários momentos da resposta possibilita supor o que em relação ao contexto em
que a entrevista foi realizada?

c) Qual a relação entre esse possível contexto em que a entrevista foi realizada e o assunto nela tratado?

d) O entrevistado inicia a resposta com “Bem”. O que o uso desse termo indica sobre o modo como a
entrevista foi feita?

ANOTE

É comum as entrevistas publicadas em jornais, revistas, sites, etc. serem feitas oralmente e, depois,
transcritas e publicadas. Ao transcrever a fala dos entrevistados, pode-se eliminar ou não as marcas de
oralidade, de acordo com o contexto: quem é o leitor, onde será publicada a entrevista, etc.

A linguagem do texto

1. Nessa entrevista, algumas palavras e expressões foram usadas em sentido figurado. Qual o significado dos
termos destacados nestes trechos?

a) “[...] fazemos alguns trabalhos sem muito planejamento como o CD Um minutinho, de 2012, que, após ser
concluído, foi jogado no mercado à própria sorte [...]”

b) “[...] De repente a gente diz ‘opa, isso aqui dá samba’”.


ANOTE

A linguagem utilizada na entrevista pode aproximar-se do modo de falar mais informal, de acordo com o
entrevistado, com o assunto tratado e com o grau de interação estabelecido com o público leitor.
Página 263

2. Releia o trecho a seguir.

O que mudou na Palavra Cantada de 20 anos atrás?

Nossa! Muita coisa mudou. [...]

a) Qual expressão registra uma emoção do entrevistado?

b) Que tipo de emoção essa expressão revela?

c) Qual a importância em manter essa expressão na entrevista publicada?

3. Leia outra entrevista e compare-a com a de Paulo Tatit. Essa entrevista foi feita com Isabella Henriques,
diretora do Instituto Alana, uma organização que reúne projetos voltados à infância. Publicada em um site
destinado a profissionais que lidam com direitos da criança e do adolescente, trata do lançamento de um
livro sobre publicidade de alimentos e crianças.

VIA – Qual é o foco da publicação e como foi desenvolvida?

Isabella Henriques – Apresentamos uma pesquisa para o grupo de estudos International Development
Society, da Faculdade de Direito de Harvard, e a proposta foi aceita. Eles elaboraram uma análise
comparativa de sete países – Canadá, Austrália, Estados Unidos, Suécia, França, Alemanha e Reino Unido –
sobre a legislação e a regulação da publicidade de alimentos para crianças, que decidimos publicar. Mas, não
fazia sentido ter análises desses países sem falar também da situação do Brasil. Então, fizemos um capítulo
sobre o contexto brasileiro [...].

VIA – Quais são os principais objetivos da publicação e o que será possível elaborar a partir
dos dados comparativos apresentados?

I.H. – A sociedade está mais atenta a essa questão e questiona o excesso de publicidade e o bombardeio que
as crianças estão sofrendo. Queremos contribuir para que esse debate seja aprofundado e não fique em uma
superficialidade de argumentos. O que está sendo feito em outros países é apresentado como sugestão e pode
trazer ideias de caminhos que o Brasil pode seguir. [...]

Pamella Indaiá. Disponível em: <http://www.viablog.org.br/entrevista-isabella-henriques-regulacao-


dapublicidade-infantil/>. Acesso em: 11 fev. 2015.

Fig. 1 (p. 263)


Isabella Henriques. Fotografia de 2013.
Divulgação/Instituto Alana

a) Qual é o assunto desse trecho da entrevista com Isabella Henriques?

b) De acordo com a entrevistada, como a sociedade brasileira está reagindo à questão abordada na
publicação?

c) Que diferenças você nota entre a linguagem das duas entrevistas?

d) Por que essas diferenças ocorrem?

Pensando na formação integral de crianças e jovens

Paulo Tatit, em uma de suas falas, afirma perceber na sociedade um movimento de valorização da formação
cultural das crianças e a preocupação de muitas pessoas em produzir algo valioso para a infância. Na
entrevista com Isabella Henriques, também percebemos a preocupação que muitos têm tido com a formação
das crianças, questionando, por exemplo, a exposição delas em excesso às propagandas e ao consumo.

Discuta com os colegas e o professor as seguintes questões:


I. Você tem percebido em sua comunidade – escola, grupos que frequenta, etc. – ações para promover a
valorização cultural das crianças e dos jovens?

II. Você conhece ações para promover o consumo consciente entre crianças e jovens?

III. Qual a importância dessas ações para a construção de uma infância e juventude saudáveis?
Página 264

PRODUÇÃO DE TEXTO
Entrevista

AQUECIMENTO

Leia os trechos abaixo. Eles compõem os dois parágrafos introdutórios de uma entrevista com a escritora
brasileira Ana Maria Machado, porém estão fora de ordem.

Fig. 1 (p. 264)


Ana Maria Machado (1941- ), escritora. Fotografia de 2013.
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Num país conhecido pelos baixos índices de leitura, Ana Maria é otimista: acredita que seu hábito ainda será
compartilhado por todos, um dia. “Ler é muito gostoso; é natural que as pessoas gostem”, diz. “Só falta
alguém que desperte esse interesse.”

Aos 59 anos, já publicou 107 títulos 97 dos quais para crianças e é reconhecida internacionalmente. Sua obra
foi publicada em dezenove países e, no ano passado, ela conquistou o Prêmio Hans Christian Andersen, o
Nobel da literatura infantojuvenil.

Nesta entrevista, marcada por risos, lembranças e colheradas de sorvete, nos jardins do Museu de Arte
Moderna do Rio de Janeiro, a escritora fala de como o professor pode assumir esse papel, servindo de
exemplo para que as futuras gerações passem a andar com livros a tiracolo.

O livro está tão incorporado à vida de Ana Maria Machado que se mistura aos badulaques na bolsa. Para
onde quer que vá, carrega um exemplar entre batons e chaves. Não passa um dia sem ler ou escrever algumas
linhas.

Priscila Ramalho. Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/pratica-


pedagogica/literatura-deve-darprazer-423594.shtml>. Acesso em: 30 abr. 2015.

• Reescreva esses parágrafos, organizando-os conforme os itens a seguir.

I. Apresentação da entrevista, destacando sua proximidade com os livros.

II. Continuação da apresentação da entrevista, com dados sobre sua produção e suas conquistas.

III. Comentário relacionado à leitura e à apresentação do ponto de vista da entrevistada.

IV. Apresentação do contexto de produção e do assunto abordado na entrevista.

Proposta

Você vai entrevistar um fã de algum gênero musical (rap, samba, pagode, heavy metal, MPB, forró, axé, pop,
etc.) e registrar sua entrevista em áudio para depois transcrever as respostas e publicar em um mural na sala.

Fig. 2 (p. 264)


Mirella Spinelli/ID/BR

Planejamento e elaboração do texto

Você deve formar uma dupla com um colega para a realização da entrevista. Cada integrante da dupla ficará
encarregado de uma função: produtor ou entrevistador. A finalização da entrevista, com a elaboração da
introdução e a transcrição da entrevista, deve ser feita pelos dois integrantes.

1. Cabe ao produtor planejar a entrevista. O planejamento envolve duas etapas.


Primeira etapa — Escolha do entrevistado
Escolha do A dupla escolhe quem será o entrevistado. Pode ser uma pessoa da escola ou um
entrevistado amigo envolvido com música.
Informe à pessoa convidada o contexto do trabalho (dizer por que, para que e com
Contato com o
quem ele vai ser realizado) e explique que a entrevista será publicada em um mural
entrevistado
na escola.
ID/BR
Página 265
Segunda etapa — Planejamento da entrevista
Informalmente, peça à pessoa convidada que lhe conte previamente sobre o gênero do
qual é fã: como o conheceu, quais as bandas preferidas, histórias de rivalidade ou de
Pré- amizade com pessoas de outras “tribos”, músicas e álbuns preferidos, se coleciona algo
entrevista relacionado ao gênero musical, etc. Depois, organize esses dados e os repasse ao
entrevistador, para que ele possa conhecer um pouco a pessoa a ser entrevistada e para
ajudá-lo a elaborar as perguntas a serem feitas.
Combine dia e horário para a realização da entrevista. O lugar deve ser silencioso para
Agendamento
que o ruído do ambiente não atrapalhe a captação do som da conversa.
ID/BR

Fig. 1 (p. 265)


Mirella Spinelli/ID/BR

2. Cabe ao entrevistador gravar a entrevista, considerando os itens a seguir.

a) Seja pontual. O entrevistado está fazendo um favor para você.

b) Verifique, com antecedência, se o equipamento de gravação de áudio ou vídeo está funcionando


adequadamente e com baterias carregadas.

c) Elabore um roteiro de perguntas com base nas informações recolhidas pelo produtor, selecionando os
assuntos que mais interessarão ao seu público-alvo. Priorize questões que levem o entrevistado a
argumentar a favor de seu gênero preferido.

d) Seu roteiro de perguntas é uma orientação, não fique restrito a ele. Aproveite as falas de seu entrevistado
e, se for o caso, improvise outras questões interessantes.

e) Ao concluir a conversa, agradeça ao entrevistado.

3. A dupla deve fazer o registro escrito da entrevista.

Terceira etapa – Registro escrito da entrevista e elaboração da introdução


Tendo a gravação em mãos, ouçam-na e transcrevam cada uma das respostas.|
Caso alguma resposta esteja desarticulada, reescrevam-na. No entanto, estejam atentos para que o conteúdo
não seja alterado.|
Decidam se serão mantidos os marcadores de oralidade na entrevista, como bem, aí, então, etc.|
Algumas dessas expressões podem ser eliminadas sem prejuízo do conteúdo. Outras, porém, precisam ser
substituídas para que o sentido seja mantido.|
Após transcrever a entrevista, a dupla fará apenas um texto de introdução, apresentando o entrevistado.
Nessa apresentação, devem ser indicados o nome do entrevistado, o gênero musical preferido, dados como
idade, profissão e atividades ou gostos relacionados à música e a outras artes. Indique também os assuntos
abordados na entrevista.
ID/BR

Avaliação e reescrita do texto

1. A dupla deve ler a entrevista e avaliar os itens a seguir.

a) Foi feita a apresentação do entrevistado?

b) As perguntas estão relacionadas aos objetivos da entrevista?

c) As perguntas elaboradas levaram o entrevistado a expressar suas opiniões e a justificá-las?

d) A linguagem e o conteúdo estão adequados ao público-alvo?


2. Combinem com o professor a montagem do mural com as entrevistas e a forma como serão apresentadas.
Quando estiver finalizada, em uma data marcada, os entrevistados podem ser convidados a ler as entrevistas.
Página 266

REFLEXÃO LINGUÍSTICA
Verbo: modo subjuntivo

1. Releia o trecho a seguir da entrevista com Paulo Tatit.

Qual é o objetivo de vocês quando compõem uma música nova ou lançam um novo CD, DVD?
O que a criança ganha por ouvir e assistir ao trabalho de vocês?

Pessoalmente, o que mais desejo quando a criança ouve nosso trabalho é que ela desperte sua sensibilidade
para a música em geral. [...]

a) A que tipo de ganho o entrevistador faz referência?

b) Na pergunta feita pelo entrevistador, há verbos que indicam ações realizadas pela dupla Palavra Cantada.
Que verbos são esses?

c) Ao responder à questão, Paulo Tatit expressa um desejo em relação ao trabalho realizado pela dupla
Palavra Cantada. Que desejo é esse?

d) Nessa mesma resposta, Paulo Tatit utiliza um verbo que indica uma ação concreta realizada pelas crianças.
Qual verbo indica essa ação?

Nesse trecho da entrevista, os verbos ganhar, compor, lançar e ouvir estão conjugados no modo indicativo e
apresentam o processo verbal como realidade, expressando certeza, convicção.

Já o verbo despertar, flexionado como desperte, expressa o desejo do entrevistado de que seja descoberto
pela criança o gosto pela música. Esse modo verbal, que expressa um desejo, é chamado de modo
subjuntivo.

ANOTE

O subjuntivo é o modo verbal que expressa dúvida, hipótese, desejo, intenção, condição. Os verbos
no subjuntivo indicam uma possibilidade de algo acontecer ou ter acontecido.

2. Leia a notícia a seguir, retirada de uma publicação esportiva.

“Seria uma injustiça grande se a gente perdesse o campeonato hoje”, diz Cristóvão

O gol salvador de Bernardo aos 45 minutos do segundo tempo fez justiça ao trabalho do Vasco durante o
Campeonato Brasileiro, na opinião do técnico Cristóvão Borges. Para o treinador cruzmaltino, sua equipe
mereceu chegar à última rodada da competição com chances de ser campeã, por tudo que passou durante a
temporada.

“Seria uma injustiça muito grande se a gente tivesse perdido o campeonato hoje. Pelo que a gente tem feito,
no mínimo deveria ter a chance de decidir na última rodada”, afirmou Cristóvão, que mostra confiança na
briga pela taça. [...]

Disponível em: <http://espn.uol.com.br/noticia/228686_video-seria-uma-injustica-grande-se-a-gente-


perdesseo-campeonato-hoje-diz-cristovao>. Acesso em: 30 abr. 2015.

Fig. 1 (p. 266)


Cristóvão Borges. Fotografia de 2015.
Roberto Filho/Fotoarena

a) Na fala do técnico, há indicação de uma ação que não ocorreu. Qual é essa ação? Ela é expressa por qual
verbo?
b) De acordo com o treinador, por que seria uma injustiça se essa ação ocorresse?

Relacionando

Em textos do gênero entrevista, é comum o uso de verbos no modo subjuntivo, de maneira que o
entrevistado apresente hipóteses, desejos e planos em relação ao assunto abordado. Veja o exemplo a seguir,
retirado da entrevista com Isabella Henriques, do Instituto Alana: “A sociedade está mais atenta a essa
questão e questiona o excesso de publicidade e o bombardeio que as crianças estão sofrendo. Queremos
contribuir para que esse debate seja aprofundado [...].” O verbo ser está flexionado no modo subjuntivo,
expressando um desejo da entrevistada.
Página 267

O verbo perder está conjugado no pretérito imperfeito do modo subjuntivo, indicando um fato que poderia
ocorrer diante de uma certa condição, relacionada ao momento passado.

3. Leia o cartum.

Fig. 1 (p. 267)


Adão Iturrusgarai. Folha de S.Paulo, 30 ago. 2014.
Adão/Folhapress
PAI, QUANDO EU CRESCER QUERO SER ADVOGADO!
PRA QUÊ?
PRA SOLTAR TODOS ESSES ANIMAIS!

a) O que o menino acha que deve ser feito com os animais do zoológico?

b) Para que essa ação se realize, qual é o plano do menino?

c) Qual é a relação entre o plano do menino e o que ele acha que deve ser feito com os animais do zoológico?

d) Qual expressão utilizada pelo menino indica que, naquele momento, ele ainda não pode realizar o plano?

Na expressão “Quando eu crescer”, o verbo crescer está conjugado no tempo futuro e indica a possibilidade
de realização de algo em um momento posterior à fala.

Leia a tabela abaixo, com os verbos conjugados no modo subjuntivo.

Modo subjuntivo
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação
Tempos verbais
cantar correr partir
Que eu cante Que eu corra Que eu parta
Presente
Que tu cantes Que tu corras Que tu partas
Indica um fato incerto no presente ou um desejo.
Que ele cante Que ele corra Que ele parta
“Mesmo que eu cante, será necessário contratar
Que nós Que nós Que nós
mais cantores para o musical.”
cantemos corramos partamos
“Eu quero que você saiba que vou cantar em um
Que vós canteis Que vós corrais Que vós partais
musical.”
Que eles cantem Que eles corram Que eles partam

Se eu cantasse Se eu corresse Se eu partisse


Pretérito imperfeito Se tu cantasses Se tu corresses Se tu partisses
Indica um fato que poderia ocorrer diante de Se ele cantasse Se ele corresse Se ele partisse
certa condição ou um fato incerto no passado, no Se nós Se nós Se nós
presente ou no futuro. cantássemos corrêssemos partíssemos
“Se eu cantasse bem, poderia ter participado do Se vós Se vós Se vós
musical.” cantásseis corrêsseis partísseis
“Eu queria que você soubesse cantar.” Se eles Se eles Se eles
cantassem corressem partissem

Futuro Quando eu Quando eu Quando eu


cantar correr partir
Indica a possibilidade de realização de um fato.
Quando tu Quando tu Quando tu
“Quando eu cantar, todos saberão do meu cantares correres partires
talento.”
Quando ele Quando ele Quando ele
“Eu serei feliz quando você souber do meu cantar correr partir
talento.”
Quando nós Quando nós Quando nós
Modo subjuntivo
cantarmos corrermos partirmos
Quando vós Quando vós Quando vós
cantardes correrdes partirdes
Quando eles Quando eles Quando eles
cantarem correrem partirem

ID/BR

Lembre-se

As terminações dos verbos, em negrito, são chamadas desinências e indicam a pessoa do discurso
(primeira, segunda ou terceira), o número (singular ou plural), o modo (indicativo, subjuntivo ou imperativo)
e o tempo (presente, passado ou futuro).
Página 268

REFLEXÃO LINGUÍSTICA Na prática

Responda sempre no caderno.

1. Leia o poema.

Tuas mãos

Como se nascessem todos os ventos


brotassem todas as águas
de tuas mãos
fabricasses estrelas
e cavalos-marinhos
como se arrancasses da terra
o segredo da vida
com tuas mãos

Roseana Murray. Fruta no ponto. São Paulo: FTD, 1998. p. 47.

Acervo PNBE

Fig. 1 (p. 268)


Andréa Vilela/ID/BR

a) Quais são as ações que aparecem nesse poema?

b) Quem pode realizar as ações expressas?

c) Essas ações podem ser realizadas no mundo real? Por quê?

d) Os verbos estão conjugados no modo subjuntivo. O que o uso desse modo verbal indica sobre as ações?

2. Leia o texto a seguir, escrito por Mario Quintana.

Do manual do perfeito cavaleiro

Cuidado!
Deves tocar a campainha tão suavemente
como se tocasses o umbigo da dona de casa.

Mario Quintana. Sapato furado. São Paulo: Global, 2006. p. 8. © by Elena Quintana.

Acervo PNBE

a) Nesse texto, há uma comparação. Quais ações estão sendo comparadas?

b) De acordo com o texto, o que essas ações têm em comum?

c) Copie o verbo do texto que está no modo subjuntivo. O que esse modo verbal indica sobre a ação?

d) Qual é a relação entre o título e as ações expressas no texto?

3. Complete as frases a seguir usando o modo subjuntivo, expressando, portanto, um desejo, uma
possibilidade ou uma hipótese.

a) Eu viajaria se…

b) O planeta ficaria menos poluído se…

c) Não haveria problema de falta de água se…


d) A cidade seria mais bonita se…

e) O mundo seria um lugar melhor se...

4. Copie as frases a seguir e complete-as, utilizando os verbos no modo subjuntivo. Fique atento ao contexto
da frase para escolher o tempo verbal adequado.

a) Se elas ______ mais tempo, poderão ver a apresentação. (ficar)

b) Espero que elas ______ as notas, para que ______ aprovadas. (conseguir / ser)

c) Quando os músicos ______ disponíveis, poderemos entrevistá-los. (estar)

d) Se nossos amigos ______ ouvido o recado, todos chegariam no horário. (ter)

e) Ele sugeriu que você ______ ao médico. (ir)

f) Eu quero que ela ______ à minha festa, para que possamos comemorar juntas. (vir)
Página 269

LÍNGUA VIVA
O modo subjuntivo na construção de argumentos

1. Leia um trecho de uma entrevista do ator baiano Luís Miranda.

Fazer cinema na Bahia eu já acho uma grande vitória em meio ao caos que está a cultura baiana. Ausência de
teatro, ausência de cineclubes, as grandes salas ficaram restritas apenas aos shoppings. [...] Eu espero muito
fazer cada vez mais cinema na Bahia, eu moro aqui, trabalho muito fora, mas moro aqui. Então, espero que o
cinema cresça cada vez mais. E eu vou fazer o que puder para o cinema baiano crescer.

Disponível em: <http://www.cinepipocacult.com.br/2011/07/entrevista-exclusiva-com-luis-miranda.html>.


Acesso em: 30 abr. 2015.

Fig. 1 (p. 269)


Luís Miranda. Fotografia de 2014.
Zô Guimarães/Folhapress

a) Qual é a opinião de Luís Miranda sobre a cultura e o cinema baiano atual?

b) Como ele fundamenta sua opinião?

c) O ator cita uma expectativa positiva em relação a fazer cinema na Bahia. Que verbo indica o que ele deseja
para esse cinema?

d) Transcreva a frase em que esse desejo é expresso.

e) Em que tempo e modo o verbo que indica a ação que o ator deseja para o cinema baiano está flexionado?

f) Pelo contexto, o que o uso desse tempo e modo verbal expressa?

g) Qual é a relevância da expressão desse desejo para a construção da argumentação do texto?

2. Leia esta parte de uma entrevista com o contador de histórias Fábio Lisboa, que trata do gosto pela leitura
e da importância da imaginação.

Em um mundo onde os celulares e outras tantas mídias dominam a atenção das crianças, o
que fazer para que elas não percam o gosto pela leitura?

Nada supera o poder da imaginação. Nem as novas mídias. Especialmente, para quem descobre o gosto pela
leitura e, assim, aprende a usar o seu poder imaginativo. [...] O problema é que muitas crianças e mesmo
jovens não chegam a ter incentivos suficientes para que se tornem leitores fluentes e aprendam a usar o seu
próprio imaginário. Então o segredo para que os livros sejam amados é, independente dos novos recursos
audiovisuais, que os pais e professores incentivem as crianças e os jovens a descobrirem, em si mesmos, o
recurso inigualável da leitura e da imaginação.

Thiago Barreto. Disponível em: <http://www.contarhistorias.com.br/2014/08/viagem-literaria-2014-


entrevista-com-o.html>. Acesso em: 30 abr. 2015.

a) Segundo Fábio, o que a descoberta do gosto pela leitura possibilita?

b) Qual o processo sugerido por Fábio Lisboa para que haja maior aproximação das crianças e dos jovens
com os livros?

c) Copie o trecho em que o contador de histórias explicita esse processo.

d) Em que tempo e modo o primeiro verbo desse trecho está flexionado?


e) Reescreva esse trecho, iniciando-o desta forma: “É necessário que os pais e professores incentivem as
crianças e os jovens a descobrir em si mesmos o recurso inigualável da leitura e da imaginação para que...”

ANOTE

No processo argumentativo, para reforçar a opinião (expressando o desejo de mudança) e formular


argumentos (indicando a finalidade de determinada ação), podemos usar verbos no tempo presente do
modo subjuntivo.
Página 270

LEITURA 2
O QUE VOCÊ VAI LER

Fig. 1 (p. 270)


Eva Furnari (1948- ), escritora. Fotografia de 2010.
Leticia Moreira/Folhapress

Você vai ler uma entrevista com a escritora Eva Furnari. Italiana nascida em Roma, Eva veio para o Brasil aos
2 anos de idade. Formada em Arquitetura, a autora publicou mais de 60 livros e, além de escrevê-los, ela faz
as ilustrações de suas histórias voltadas para o público infantojuvenil. Vencedora de vários prêmios nacionais
e internacionais, Eva Furnari é uma das autoras de maior prestígio no Brasil.

Na entrevista a seguir, publicada no caderno Pensar, suplemento do jornal Estado de Minas, a autora revela
suas opiniões sobre educação e tecnologia e conta um pouco sobre as personagens de seus livros, além de
dizer o que está lendo atualmente.

Entrevista

Eva Furnari: “Os professores são heróis” Eva Furnari não costuma conceder entrevistas. “Fico tão
concentrada no trabalho”, justifica a autora e ilustradora de livros infantojuvenis publicados e premiados no
Brasil e mundo afora – Itália, México, Equador, Guatemala, Bolívia. A italiana de 64 anos, que mora em São
Paulo desde os 2, abriu exceção para o Pensar, na ocasião de relançamento de Anjinho, obra de 1998
premiada com o Jabuti de melhor ilustração. E falou, com o mesmo destemor com a qual escreve, sobre
bullying, comportamento, novas tecnologias, educação, da falta dela. “A democracia não é um mar de rosas,
requer negociação e os professores têm a missão difícil de lidar com as crianças livres demais, mimadas pelo
capitalismo”, analisa. Eva assina o texto e as imagens de mais de 60 livros, alguns retirados por ela mesma do
mercado. “Porque não estava satisfeita com eles. Tenho uns 60 e poucos livros, então, acontece.” No fim das
contas, a escritora, que confessou não ler quando criança por ter hipermetropia, não resiste a uma boa
história.

Alguns títulos infantojuvenis estão tão focados na moral da história que são chatos. Que
qualidade é imprescindível em um livro para jovens e crianças?

Na literatura cabe de tudo, desde que seja benfeito. Os professores usam muito a literatura na escola e
viramos (autor e professor) uma dupla, mas acho que alguns focam mais no valor ético e acabam fazendo um
material que é mais racional. Mas, se a literatura infantil não tiver um aspecto emocional, a criança não se
liga, não atinge. Sobre o que é imprescindível, acho que, em primeiro lugar, a qualidade do texto. Precisa ser
escrito em linguagem adequada pois são leitores ainda em desenvolvimento, mas acho que uma boa história
é uma história bem contada. Normalmente, o que interessa e envolve o adulto vai envolver e interessar à
criança também.

Fig. 2 (p. 270)


Capa do livro Anjinho, de Eva Furnari.
Moderna/Arquivo da editora
ANJINHO
Página 271

Você se considera uma escritora realizada?

Realizada, com certeza. Tenho mais de 30 anos de carreira. E o carinho enorme que recebo de professores. Às
vezes, não tenho tempo de atender as pessoas... Mas, por outro lado, me sinto começando junto com desafios
novos. Não consigo repetir projetos. Quando me pedem “faz um livro parecido com aquele e tal”, não
consigo. Se repetir, acho que fica vazio, irracional, a gente precisa criar com alma. Nesse sentido, cada livro é
uma experiência nova.

Você tem uma relação com personagens que, nos padrões da sociedade, parecem perdedores.
Felpo Filva; Mel, que sofre bullying em Nós; os personagens de Listas fabulosas. Todos eles,
no entanto, são anti-heróis encantadores. Tem algo de autobiográfico nisso?

Acho que aconteceu com todo mundo. Todo mundo tem um desajuste. O ser humano quer ser reconhecido,
protegido, olhado com consideração, amor. Uns são mais intensos, sofridos, outros mais leves, mas acho que
hoje existe uma tentativa de maior cuidado com o outro. A competição é natural, a disputa por liderança está
em cachorros, mas somos racionais e podemos tentar ver de um ponto de vista diferente. É natural uma
criança querer ser mais do que outra e fazer isso diminuindo o outro, mas é dever do adulto oferecer outras
alternativas, ver que o problema existe naquele que quer humilhar. Acho que essa consciência é do adulto.

Fig. 1 (p. 271)


Capa do livro Felpo Filva, de Eva Furnari.
Moderna/Arquivo da editora
Felpo Filva

Fig. 2 (p. 271)


Capa do livro Nós, de Eva Furnari.
Moderna/Arquivo da editora
Nós

Fig. 3 (p. 271)


Capa do livro Listas fabulosas, de Eva Furnari.
Moderna/Arquivo da editora
Listas fabulosas

Sua infância foi feliz?

Foi sim, muito feliz. Tinha todas aquelas brincadeiras...

Que qualidades você admira nas crianças de agora? Quais não admira?

A criança é o resultado de como está sendo educada. Ela ocupa o espaço que o adulto deixar. Admiro o
interesse delas por tudo, suas ideias, suas observações. Mas muitas vivem com a falta de respeito. E isso não
admiro. Não respeitar professores, colegas, mais velhos. Não admiro criança folgada, mimada.

E o que você pensa da educação hoje?

Estamos em um momento de confusão, com novos padrões. A educação saiu de autoritária e centralizada, da
época da ditadura militar, para, com a guerra, a emancipação da mulher, um modelo democrático. E em
todas as instâncias: governo, família. A tentativa é conciliar a necessidade de ordem coletiva com liberdade
pessoal. Na educação estamos em fase experimental sobre como equacionar este conflito. A democracia não é
um mar de rosas, requer negociação e os professores têm a missão difícil de lidar com as crianças livres
demais, mimadas pelo capitalismo. Hoje, o desafio maior é comportamental, de relacionamento, da figura de
autoridade. Os professores são verdadeiros heróis e me alegro de fazer parte desse time que batalha. O
governo parece ser do contra e, em vez de ajudar, atrapalha. Mas acho que estamos indo bem: existe uma
democracia em construção.
Página 272

Que conselho você daria aos pais?

Os pais precisam entender que não há como evitar o sofrimento dos filhos. E parece que educamos tentando
fazer com que a vida deles seja um mar de rosas, mas ela não é nem vai ser. Com esse sentimento
interiorizado, fica mais fácil entender a importância dos limites.

Qual sua opinião sobre e-books e demais tecnologias?

Eu acho que a tecnologia faz parte do desenvolvimento. As crianças hoje são rápidas. A internet funciona
nesse mesmo ritmo, uma aceleração mental de um Come-come. Mas é em detrimento do corpo, que fica
menos presente, mais desconectado. No livro, a leitura tem um ritmo um pouco mais lento e mais próximo
do funcionamento padrão. A questão é física. O ser humano precisa estar mais integrado em si mesmo. Acho
importante que haja limite na quantidade de tecnologia para o bem do corpo, que foi feito para relaxar
quando o Sol se põe. Com a luz elétrica, o computador, a internet, perdemos isso. Não é uma questão moral,
de ser contra ou a favor. Acho que o desenvolvimento é útil, mas o limite é necessário.

Você foi uma criança que gostava de ler?

Eu, na verdade, tinha hipermetropia, então, não via muito bem. Minha mãe é que me contava muitas
histórias. Hoje, sou uma leitora voraz.

O que você está lendo?

O homem que ouve cavalos. É uma autobiografia de Monty Roberts, um encantador de cavalos que ainda
está vivo e conta como descobriu seu método de domar esses animais. Também li o livro adulto da autora de
Harry Potter, J. K. Rowling. Ela é outra grande contadora de histórias. Gostei muito de Morte súbita.

Você já pensou em escrever um livro adulto?

Acho que permaneci um pouco infantil e tenho essa afinidade com literatura infantojuvenil, mas, de vez em
quando, escrevo um conto. Quem sabe, um dia, não vou publicá-los?!

Raquel Lima. O Estado de Minas, 11 maio 2013. Caderno Pensar.

Fig. 1 (p. 272)


Capa do livro O homem que ouve cavalos, de Monty Roberts.
Bertrand Brasil/Arquivo da editora
O HOMEM QUE OUVE CAVALOS

GLOSSÁRIO
Anti-herói: oposto de herói. Personagens de ficção a quem faltam atributos físicos ou morais característicos
aos heróis.
e-books: termo em inglês que significa livro digital, podendo ser acessado e lido em suportes eletrônicos,
como computadores, celulares ou leitores de livros digitais.
Jabuti: prêmio literário de maior reconhecimento no Brasil. Lançado em 1959, ao longo dos anos foi
abarcando categorias de premiação, incluindo melhor capa, melhor ilustração, melhor livro de biografia, de
romance, de poesia, entre outros.
Página 273

Estudo do texto
Responda sempre no caderno.

Para entender o texto

1. No texto de introdução, qual informação revela o interesse despertado pelos livros de Eva Furnari mesmo
anos após o lançamento?

2. O título da entrevista foi retirado de uma das falas de Eva Furnari.

a) Qual pergunta motivou a resposta em que essa fala está inserida?

b) De acordo com Furnari, com que tipo de situação o professor precisa lidar no mundo atual?

c) Nessa mesma resposta, a autora indica a ação necessária ao professor para lidar com essa situação. Que
ação é essa?

d) Ao apresentar esse título à entrevista, qual aspecto se quer destacar na obra de Eva Furnari?

e) Qual trecho dessa resposta de Eva Furnari revela esse aspecto?

ANOTE

O título tem como uma de suas funções chamar a atenção do leitor para a entrevista. Ele pode ser o destaque
de uma fala ou de uma informação que faça o leitor se interessar em ler o texto na íntegra.

3. Em uma das respostas, Furnari indica o que é necessário para escrever uma boa história. Quais são as
características que uma história infantil deve ter, de acordo com a autora?

4. Em uma das perguntas, a entrevistadora aborda o fato de algumas personagens criadas por Eva Furnari
fugirem de padrões sociais.

a) De acordo com Eva, o que significa a presença dessas personagens em suas histórias?

b) Ao tratar desse assunto, Eva Furnari opina sobre a importância dos adultos na orientação de crianças.
Qual é a opinião dela sobre isso?

5. Em uma das respostas, Furnari apresenta sua opinião sobre o uso da tecnologia fazendo referência a um
jogo eletrônico muito popular, conhecido como “Come-come”, cujo objetivo consiste em comer bolinhas
agilmente e escapar dos inimigos.

a) Qual comparação é feita pela autora a partir dessa referência ao jogo?

b) Com base nessa comparação, Furnari apresenta uma consequência. Que consequência é essa?

c) De acordo com Furnari, por que a leitura de livros poderia ser uma alternativa a essa consequência?

d) Ao defender sua opinião, a escritora Eva Furnari faz uso de um argumento objetivo, relacionado à
necessidade de um determinado ritmo para o corpo. Que argumento é esse?

e) Nessa mesma resposta, Furnari faz uso de um argumento relacionado à necessidade de o ser humano
repensar o ritmo e a relação que está estabelecendo consigo mesmo. Transcreva a frase em que esse
argumento está presente.

Fig. 1 (p. 273)


Fotografia de menina lendo um livro.
Samuel Borges Photography/Shutterstock.com/ID/BR
Página 274

Responda sempre no caderno.

ANOTE

Os argumentos usados para convencer o interlocutor do ponto de vista de quem fala podem ser objetivos,
baseados em fatos concretos, em dados. Podem também ser subjetivos, elaborados com base na vivência
pessoal ou na observação da realidade pela ótica de um indivíduo.

O texto e o leitor

1. O texto que você leu foi publicado em um suplemento semanal de um jornal mineiro de ampla circulação.
Esse suplemento traz reportagens, entrevistas e ensaios relacionados às ciências humanas, filosofia,
literatura, entre outros. Considerando essas informações, responda às questões.

a) Qual a relação entre o assunto da entrevista e o fato de ele ser publicado nesse suplemento?

b) Quem é o público-alvo dessa entrevista e por quais assuntos tratados na entrevista ele pode se interessar?

2. Considerando que no mesmo período da entrevista estava sendo relançado um livro de Eva Furnari, qual
foi o objetivo do entrevistador ao realizar essa entrevista com a escritora?

ANOTE

Ao realizar uma entrevista, o entrevistador tem um objetivo específico, uma intencionalidade a respeito do
que deseja descobrir. Uma mesma entrevista pode abarcar mais de um objetivo, como: conhecer o trabalho
do entrevistado, seus gostos, sua opinião sobre assuntos que domina, traçar um perfil pessoal, entre outros.

3. Uma das perguntas presentes na entrevista busca oferecer alguns subsídios para a ação do leitor em
relação à educação das crianças.

a) Que pergunta é essa?

b) Qual é a relação entre essa pergunta e o público-alvo do suplemento?

4. Se a entrevista tivesse sido realizada em uma publicação voltada para as crianças, que tipo de pergunta,
provavelmente, seria feita a Eva Furnari? Esse tipo de pergunta está presente na entrevista apresentada?

ANOTE

As perguntas feitas pelo entrevistador devem ter relação com os interesses do público-alvo da
entrevista. Geralmente, o entrevistador prepara com antecedência as perguntas que fará ao entrevistado.
Ainda assim, dependendo das respostas, podem surgir novas perguntas no decorrer da entrevista.

5. Na entrevista, algumas palavras foram utilizadas em sentido figurado.

a) Observe os termos destacados e indique o significado de cada um deles.

• Os pais precisam entender que não há como evitar o sofrimento dos filhos. E parece que educamos
tentando fazer com que a vida deles seja um mar de rosas, mas ela não é nem vai ser.

• Os professores são verdadeiros heróis e me alegro de fazer parte desse time que batalha.

b) Considerando que esses trechos foram retirados da fala da entrevistada, o que eles revelam sobre o tom
usado na entrevista?
Página 275

6. Observe, de forma geral, a linguagem utilizada na entrevista. Ela se aproxima mais do registro formal ou
do informal? Justifique.

ANOTE

De acordo com o entrevistado, com o assunto e com o público-alvo, a entrevista se aproximará mais ou
menos do registro formal. Na entrevista lida, embora haja momentos de informalidade, a linguagem
predominante está de acordo com o uso formal da língua.

Comparação entre os textos

1. Compare as duas entrevistas lidas neste capítulo.

a) Qual o foco de cada uma delas: A vida profissional ou a vida pessoal do entrevistado?

b) O que caracteriza a linguagem das entrevistas?

c) Nas duas entrevistas, há textos de introdução. Qual deles apresenta mais informações sobre o
entrevistado, sobre sua vida e obra?

Fig. 1 (p. 275)


Paulo Tatit. Fotografia de 2011.
Marisa Cauduro/Folhapress

Fig. 2 (p. 275)


Eva Furnari. Fotografia de 2010.
Werther Santana/Estadão Conteúdo

Sua opinião

1. Neste capítulo, lemos duas entrevistas feitas com pessoas ligadas ao meio cultural. Uma dessas pessoas
apresenta a vida artística musical e a outra apresenta seu fazer artístico por meio da literatura. Essa
diversidade de experiências e o contexto que cada uma delas viveu foram abordados adequadamente pelos
entrevistadores? Justifique sua resposta.

Fig. 3 (p. 275)


Fabiana Salomão/ID/BR

Respeito e valorização das diferenças

Com uma pergunta sobre algumas de suas personagens consideradas fora do padrão, Eva Furnari diz que
todo mundo tem um desajuste e todo ser humano precisa ser reconhecido, protegido, olhado com
consideração, amor.

Considerando essa fala, discuta com os colegas e o professor as seguintes questões:

I. Qual a importância do convívio de pessoas com diferentes características nos grupos sociais, familiares,
entre outros?

II. Por que algumas pessoas têm dificuldade em aceitar pessoas com características diferentes das suas?

III. De que maneira podemos contribuir para que todas as pessoas se sintam incluídas na sociedade?

Fig. 4 (p. 275)


Fabiana Salomão/ID/BR
Página 276

PRODUÇÃO DE TEXTO
Entrevista

AQUECIMENTO

Leia a seguir uma pergunta feita em uma entrevista com a cineasta Laís Bodanzky, veiculada na revista Marie
Claire, sobre seu filme As melhores coisas do mundo.

Marie Claire: O fato de ser uma diretora mulher já causou algum problema?

Laís Bodanzky: Isso nunca ficou claro para mim, nunca senti dificuldade. Mas recentemente parei para
pensar por que tenho de explicar tantas vezes a mesma coisa. Será que é porque sou mulher? Será que existe
resistência, ou não? É por não ser autoritária? É necessário ser um pouco mais firme? Mas não é meu jeito de
ser. Vou no argumento. E isso exige paciência. Eu fico surpresa com a quantidade de paciência.

Mariane Morisawa. Disponível em: <http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI138402-


17735,00-ENTREVISTA+COM+LAIS+BODANZKY+A+CINEASTA+DA+DELICADEZA.html>. Acesso em:
30 abr. 2015.

Fig. 1 (p. 276)


A cineasta Laís Bodanzky. Fotografia de 2013.
Zanone Fraissat/Folhapress

• Essa entrevista foi publicada em uma revista direcionada a mulheres adultas. Observando as perguntas
feitas à cineasta, responda:

a) Qual a relação entre a pergunta e o tipo de revista em que a entrevista foi publicada?

b) Imagine que essa entrevista vai ser publicada em uma revista voltada aos jovens que estão em busca de
informações sobre profissões. Que assuntos podem ser abordados?

c) Elabore cinco perguntas que podem ser direcionadas à cineasta, tendo como base os assuntos indicados no
item anterior.

Proposta

Você entrevistará um profissional de uma área de seu interesse. Pode ser um professor, um funcionário da
escola, um amigo de seus pais ou alguém da família.

A entrevista será feita por carta ou e-mail e integrará um Guia das Profissões que ficará na biblioteca da
escola, disponível para consulta.

Quais destas profissões você conhece? Quais gostaria de conhecer?

Fig. 2 (p. 276)


Barista.
Helen King/Corbis/Latinstock

Fig. 3 (p. 276)


Webdesigner.
Damir Spanic/iStock/Getty Images

Fig. 4 (p. 276)


Estilista.
David P. Hall/Corbis/Latinstock
Fig. 5 (p. 276)
Chef de cozinha.
John Birdsall/Age Fotostock/Keystone

Fig. 6 (p. 276)


Administrador rural.
Charles O’Rear/Corbis/Latinstock
Página 277

Planejamento e elaboração do texto

1. Planeje a entrevista de acordo com as seguintes etapas:

a) Convide uma pessoa para ser o entrevistado. Explique-lhe que você enviará as perguntas por carta ou por
e-mail e que elas devem ser respondidas por escrito.

b) Faça uma pesquisa sobre a profissão do entrevistado. Consulte sites de universidades e guias de profissão.

c) Elabore um roteiro de perguntas. Por exemplo: Quantos anos você tem? Possui algum hobby? Onde
estudou? Por que escolheu essa profissão? O que já realizou? Quais são suas ambições? Como é sua rotina de
trabalho?

d) Considere, ao fazer o roteiro, o que o leitor de um Guia das Profissões quer saber: a rotina do profissional;
a média salarial; as boas faculdades e cursos da área; a necessidade de formação complementar; a situação
atual do mercado de trabalho, habilidades necessárias para a profissão, etc.

e) Extraia boas respostas do entrevistado, evitando fazer perguntas cujas respostas sejam apenas sim e não.
Por exemplo, em vez de perguntar “O mercado de trabalho para médicos é bom?”, pergunte “Como você
avalia o mercado de trabalho para os médicos?”.

f) Escreva sua carta ou e-mail com as perguntas e envie ou entregue ao entrevistado, pedindo-lhe que
responda ao questionário em dois ou três dias.

2. Redija o texto considerando os aspectos a seguir:

a) Verifique a necessidade de adaptar as respostas do entrevistado para que fiquem claras e tenham um
registro mais formal.

b) Dê ao texto um título que desperte o interesse do leitor.

c) Escreva um parágrafo introdutório com uma breve apresentação do entrevistado, um comentário sucinto
sobre sua vida e realizações e um resumo dos assuntos a serem abordados na entrevista.

d) Se quiser, ilustre o texto com uma fotografia ou com um desenho do entrevistado.

Avaliação e reescrita do texto

1. Troque sua entrevista com a de um colega da classe. Após uma leitura atenta da produção do colega,
responda às questões a seguir em uma folha.

a) A introdução apresenta as informações necessárias? Justifique.

b) As perguntas estão relacionadas aos objetivos da entrevista? Explique.

c) A linguagem está adequada ao público-alvo?

2. Com base na avaliação do colega, faça as modificações necessárias em seu texto.

Dicas para a elaboração do Guia das Profissões

• Para elaborar o Guia das Profissões, será necessária a participação de três voluntários.

• O primeiro produzirá a capa, utilizando desenho, pintura ou colagem. As imagens devem remeter ao
universo das profissões, e o título do guia deve aparecer em destaque.

• O segundo escreverá uma breve apresentação do guia. É importante que os leitores saibam quem o
produziu, quando e com a orientação de qual professor.
• O terceiro organizará um sumário, listando as profissões contempladas em ordem alfabética e indicando o
número da página correspondente ao início de cada entrevista.

• O material deve ser grampeado ou encadernado.

Fig. 1 (p. 277)


Fabiana Salomão/ID/BR
GUIA DAS PROFISSÕES
Página 278

REFLEXÃO LINGUÍSTICA
Verbo: formas nominais

1. Releia o trecho a seguir, da entrevista com a escritora Eva Furnari.

Você se considera uma escritora realizada?

Realizada, com certeza. Tenho mais de 30 anos de carreira. E o carinho enorme que recebo de professores. Às
vezes, não tenho tempo de atender as pessoas... Mas, por outro lado, me sinto começando junto com desafios
novos. Não consigo repetir projetos. Quando me pedem “faz um livro parecido com aquele e tal”, não
consigo. Se repetir, acho que fica vazio, irracional, a gente precisa criar com alma. Nesse sentido, cada livro é
uma experiência nova.

Fig. 1 (p. 278)


Escritora Eva Furnari. Fotografia de 2010.
Leticia Moreira/Folhapress

a) Qual assunto é abordado nesse trecho da entrevista?

b) No início da resposta, qual palavra Eva Furnari utiliza para expressar como se sente em relação à sua
profissão?

c) Eva Furnari destaca sua parceria com os professores. Que verbo utilizado pela escritora revela um processo
contínuo, ainda não finalizado, dessa parceria?

d) Ao falar sobre o processo de criação, qual ação Eva Furnari diz não conseguir realizar?

e) Qual verbo indica essa ação? Ele está flexionado? Explique.

Observe que os verbos realizada, começando e repetir não apresentam flexão de tempo nem de modo. Esses
verbos estão na forma nominal.

ANOTE

As formas nominais do verbo são o infinitivo (exprime o processo verbal em potência), o gerúndio
(expressa a ideia de ação em desenvolvimento) e o particípio (mostra o resultado de um processo).

Esses verbos são formados por radical + vogal temática + desinência.

Infinitivo: desinência -r. Exemplo: repetir.

Gerúndio: desinência -ndo. Exemplo: repetindo.

Particípio: desinência -do. Exemplo: repetido.

As formas nominais do verbo podem assumir nas frases papéis normalmente atribuídos a palavras de
outras classes gramaticais. Observe.

I. Repetir projetos não será possível.

II. Você se considera uma escritora realizada?

III. Uma criança lendo será a imagem utilizada na capa do livro!

IV. A criança lia o livro sorrindo.


Na frase I, o verbo repetir, no infinitivo, exerce o papel de substantivo, podendo ser substituído por: A
repetição de projetos não será possível. Na frase II, o particípio de realizar indica uma qualidade ou
estado da escritora, funcionando como adjetivo. Na frase III, o gerúndio do verbo ler indica uma
característica da criança (a criança que lê), assumindo, também, a função própria dos adjetivos. Na frase IV,
o gerúndio do verbo sorrir indica o modo como a criança lia (sorrindo), exercendo a função das palavras que
indicam as circunstâncias da ação verbal.

Relacionando

Em textos do gênero entrevista, é comum o uso de verbos no infinitivo. Esse uso ocorre, em geral, no
momento em que se apresenta uma opinião apoiada em argumentos que fazem referência a situações gerais,
amplas. Veja esse trecho de uma resposta de Eva Furnari: “É natural uma criança querer ser mais do que
outra e fazer isso diminuindo o outro, mas é dever do adulto oferecer outras alternativas, ver que o
problema existe naquele que quer humilhar.”
Página 279

REFLEXÃO LINGUÍSTICA Na prática

Responda sempre no caderno.

1. Leia um texto postado no blog de uma revista de divulgação científica.

Contando as gotas no chuveiro

Com o verão chegando no hemisfério sul, o uso da água é algo que preocupa bastante. Além das já erradas
mangueiras que lavam tudo nesta época do ano, da calçada ao carro e até o cachorro junto às crianças,
aquelas duchas frias no final da tarde, para tirar o cansaço e o suor, se tornam quase obrigatórias. Mas
quanta água é gasta só nessa brincadeira?

O site SmartPlanet indica um aparelho que pode te ajudar – e avisar – no cálculo. O ECO Showerdrop mede
quanta água é gasta durante o seu banho, calcula o tempo em que você deve ficar no chuveiro e, ainda, te
avisa por meio de bipes quando é a hora de desligar a torneira. Para os mais teimosos, você até pode ignorar
os avisos, mas ele continua calculando quanta água é desperdiçada graças à teimosia…

De acordo com o site, uma banheira média comporta 80 litros de água, enquanto um chuveiro elétrico expele
6 litros do líquido por minuto. Fazendo as contas, um banho de chuveiro deve durar não mais que 13 minutos
para atingir a mesma quantidade de água usada em uma banheira.

Como cada chuveiro se comporta de um jeito, o aparelho consegue medir qual a vazão e calcular quanto é
expelido por minuto. E acabou as desculpas para os banhos lentos!

Disponível em: <http://super.abril.com.br/blogs/planeta/contando-as-gotas-do-chuveiro/>. Acesso em: 12


fev. 2015.

Fig. 1 (p. 279)


Aparelho mede água gasta no banho.
www.showerdrop.com/ID/BR

a) Releia o título do texto. Qual é a relação entre ele e o conteúdo do texto?

b) Observe os verbos chegando, tirar, avisar e desperdiçada presentes no texto. Esses verbos estão em quais
formas nominais?

c) Observando a situação de uso, qual a função que cada um desses verbos desempenha no texto?

2. Agora, leia um trecho de um poema.

Pura verdade

Vi um braço de mar
coçando o sovaco
e também dois tatus
jogando buraco.

Eu vi um nó cego
andando de bengala
e vi uma andorinha
arrumando a mala.
[…]
É a pura verdade,
a mais nem um til,
e tudo aconteceu
num primeiro de abril.

José Paulo Paes. Um passarinho me contou. 6. ed. São Paulo: Ática, 2002. p. 10.
Fig. 2 (p. 279)
Andréa Vilela/ID/BR

a) Explique o que significam as seguintes expressões:

• braço de mar

• nó cego

b) O poema apresenta situações inusitadas que produzem humor. Copie duas delas.
Página 280

3. Observe as frases abaixo.

I. Vi um braço de mar coçando o sovaco.

II. Vi um braço de mar que coçou o sovaco.

Qual é a diferença de sentido entre elas?

4. Reescreva as seguintes frases, empregando o verbo no tempo presente do modo indicativo, mas mantendo
a função exercida pelo gerúndio nas frases originais.

I. Tatus jogando buraco.

II. Andorinha arrumando a mala.

5. Leia o texto a seguir.

Voar no mar

Campeonato reúne adeptos do kitesurfe no Piauí; com o auxílio de uma pipa, esporte é
espécie de surfe “voador”

Com um calor de quase 40 graus, ventos beirando os 56 km por hora e muitos gritos de “hu-hu”, os maiores
atletas do mundo deram um show na etapa brasileira do mundial de kitesurfe realizada na Praia do
Coqueiro, em Luis Correia, Piauí.

Ainda tão desconhecido no Brasil como o litoral desse estado, o esporte foi criado na década de 1980
quando os irmãos franceses Bruno e Dominique Legaignoux inventaram a pipa inflável (kite, em inglês).

Com uma prancha nos pés e a pipa acoplada ao corpo e controlada pelas mãos, o atleta consegue fazer
manobras no ar.

Juliana Calderari. Voar no mar. Folhateen, suplemento do jornal Folha de S.Paulo, 1º out. 2007.

Fig. 1 (p. 280)


Campeonato Mundial de Kitesurf. Fotografia de 2003.
Flávio Florido/Folhapress

a) O que o texto informa sobre a pipa (kite)? E sobre o kitesurfe?

b) O que as palavras em destaque no texto têm em comum?

c) A que outras palavras do texto elas se referem?

6. Os verbos no particípio podem desempenhar função semelhante à dos adjetivos, indicando características
dos seres: esporte desconhecido / pipa acoplada (ao corpo). Atribua duas qualidades a cada substantivo
abaixo usando essas formas verbais.

a) guarda-chuva

b) parque

c) amigo

7. Reescreva o bilhete a seguir, substituindo os trechos em destaque pelas formas nominais do verbo. Faça as
adaptações necessárias.

Fig. 2 (p. 280)


Mirella Spinelli/ID/BR
Luíza,
Aqui está a matéria que a professora deu na aula de hoje. Só não coloquei os exercícios que resolvi, pois acho que a resposta está errada. Também
faltou a aula de História, que perdi porque cheguei atrasada. Amanhã, se você for à escola, te devolvo o livro que emprestei semana passada.
Beijos,
Marina.
Página 281

LÍNGUA VIVA
O gerundismo

1. Leia o texto abaixo.

Para você estar passando adiante

Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando e possa estar deixando discretamente
sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando sem estar espalhando essa praga terrível da
comunicação moderna, o gerundismo.

Você pode também estar passando por fax, estar mandando pelo correio ou estar enviando pela internet. O
importante é estar garantindo que a pessoa em questão vá estar recebendo esta mensagem, de modo que ela
possa estar lendo e, quem sabe, consiga até mesmo estar se dando conta da maneira como tudo o que ela
costuma estar falando deve estar soando nos ouvidos de quem precisa estar escutando.

[…]

Mais do que estar repreendendo ou estar caçoando, o objetivo deste movimento é estar fazendo com que
esteja caindo a ficha das pessoas que costumam estar falando desse jeito sem estar percebendo.

Nós temos que estar nos unindo para estar mostrando a nossos interlocutores que, sim!, pode estar existindo
uma maneira de estar aprendendo a estar parando de estar falando desse jeito.

[…]

Ricardo Freire. Em: Joaquim Ferreira dos Santos (Org.). As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de
janeiro: Objetiva, 2007.

Fig. 1 (p. 281)


Andréa Vilela/ID/BR

a) O texto não oferece uma definição de gerundismo. No entanto, pelos exemplos oferecidos, o leitor pode
entender de que se trata. Pela sua leitura, como pode ser definido o gerundismo?

b) Qual é o grupo de pessoas que o autor pretende atingir com esse texto?

c) Logo no primeiro parágrafo, o autor refere-se ao gerundismo como uma “praga terrível da comunicação
moderna”. Nos dois parágrafos seguintes, ele expõe os motivos para justificar essa posição. Quais são esses
motivos?

d) Transcreva alguns exemplos de gerundismo do texto de Ricardo Freire.

e) O autor afirma no texto que não tem como intenção principal “estar repreendendo ou estar caçoando”.
Como você avalia essa afirmação?

ANOTE

O uso exagerado de gerúndios na língua portuguesa ficou conhecido como gerundismo.

O gerundismo é uma maneira de utilizar a forma nominal gerúndio sem que ela expresse, de fato, o processo
verbal no momento de sua ocorrência. O gerundismo também se caracteriza por ocorrer na seguinte
combinação de verbos: verbo auxiliar + estar + verbo no gerúndio. Exemplo: Eu vou estar conversando
com você amanhã.

Alguns acreditam que o gerundismo tenha surgido de traduções de textos em inglês para o português.
Página 282

QUESTÕES DA ESCRITA
Responda sempre no caderno.

Emprego do g e do j

1. Os trava-línguas são uma espécie de brincadeira que consiste em dizer corretamente frases com sílabas
difíceis de pronunciar ou com sílabas formadas por sons que se repetem, mas em ordem diferente. Leia em
voz alta o trava-línguas abaixo.

Nas jaulas o jaguar


girando, javalis selvagens,
jararacas e jiboias gigantes.
Girafas gigantes gingando
com jeito de gente.

Domínio público.

Fig. 1 (p. 282)


Andréa Vilela/ID/BR

a) Observe as consoantes das palavras que compõem esse trava-línguas. Qual é o som que mais se repete?

b) Quais são as letras que representam esse som?

As letras g e j apresentam o mesmo som quando utilizadas antes das vogais e e i, o que pode gerar confusão
na hora da escrita. Observe alguns fatores que determinam o uso de uma letra ou de outra.

Uso da letra j

• Nas palavras de origem tupi-guarani e africana.

Exemplos: pajé, jirau, canjica.

• Nos verbos terminados em -jar, em todas as conjugações.

Exemplos: gracejar (gracejo, gracejei, gracejem).

• Nas palavras derivadas de outras que apresentem a letra j.

Exemplos: laranjeira (derivada de laranja); lojista (derivada de loja).

Uso da letra g

• Nas palavras terminadas em: -agem, -igem, -ugem.

Exemplos: garagem, origem, ferrugem (são exceções as palavras pajem e lambujem).

• Nas palavras derivadas de outras que apresentem a letra g.

Exemplo: evangelista (derivada de evangelho).

• Nas palavras terminadas em -ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio.

Exemplos: pedágio, contágio, estágio, colégio, prestígio, relógio, refúgio.

2. Copie estas frases e complete as lacunas com as letras g ou j. Depois, justifique sua resposta.

a) A _iboia estava escondida no meio da floresta.


b) Pedro não veio à escola, pois estava com farin_ite.

c) A cozinheira despe_ou o caldo na panela.

d) A chuva era tanta que ele não teve cora_em de sair de casa.

e) O acara_é estava com um sabor muito bom.

f) O marinheiro via_ou por vários lugares do mundo.


Página 283

3. Observe as palavras do quadro e, adaptando-as, escreva as frases completando-as coerentemente.

gesso majestade loja algema

a) O rapaz chegou ao trabalho com o braço ______.

b) O entrevistador apresentou-se ______ para o público.

c) Ele é um ______ muito conhecido na região.

d) Eles foram encaminhados______ à delegacia.

Entreletras

Descubra quem é o entrevistado

Cada aluno entrevistará um colega da classe em segredo. Quando todas as entrevistas estiverem prontas,
cada um apresentará as respostas dadas pelo entrevistado secreto, e os colegas tentarão descobrir quem ele é.
Para que a atividade seja realizada, siga as etapas abaixo.

1. O professor colocará o nome de cada aluno em um pedaço de papel e realizará um sorteio de maneira que
cada um fique responsável por entrevistar um colega.

2. Entreviste a pessoa que foi sorteada para você. Para não chamar a atenção dos colegas, faça a entrevista
durante o intervalo das aulas, por telefone, na entrada ou na saída da escola. Leia, a seguir, algumas
sugestões de perguntas para a entrevista.

a) O que você gosta de fazer nas horas vagas?

b) De que tipo de música você gosta?

c) Qual é seu grupo musical ou cantor preferido?

d) Qual é o seu programa de televisão preferido?

e) Quem é a pessoa que você mais admira? Por quê?

f) Se você fosse se definir em uma só palavra, qual seria?

3. Quando todos os alunos tiverem realizado a entrevista, o professor organizará a apresentação das
respostas e toda a classe tentará descobrir quem é o entrevistado secreto de cada um dos colegas da sala.

Fig. 1 (p. 283)


Andréa Vilela/ID/BR

PARA SABER MAIS

Livros

Conversa com J. K. Rowling, de Lindsey Fraser. Editora Panda Books.

Fig. 2 (p. 283)


Panda Books/Arquivo da editora
CONVERSA COM J. K. ROWLING

Traço e prosa, de Maurício Paraguassu, Odilon Moraes, Rona Hanning. Editora Cosac Naify.

Fig. 3 (p. 283)


CosacNaify/Arquivo da editora
TRAÇO E PROSA
Filmes
Palavra (En)Cantada. Direção de Helena Solberg. Brasil, 2009.
Tarja Branca. Direção de Cacau Rhoden. Brasil, 2014.
Página 284

ATIVIDADES GLOBAIS

REFLEXÃO LINGUÍSTICA

Responda sempre no caderno.

1. Leia este trecho da letra de canção.

Elizabete no Chuí

[…]
E eu só sei cantar assim:
Elizabete no Chuí e eu aqui
gastando olho na novela das sete
haja saliva pra tanto chiclete
queimando pensamento com Elizabete
sonhando em ser
Humphrey Bogart em Casablanca
contrabando em zona franca
monge zen no Sri Lanka
presidente em Casa Branca […]

Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. Elizabete no Chuí. Intérprete: Arnaldo Antunes. Em: Saiba. BMG
Ariola, 2004. 1 CD. Faixa 8

Fig. 1 (p. 284)


Fabiana Salomão/ID/BR

a) Elizabete, a quem o eu lírico simbolicamente se refere, está em um lugar distante, o município de Chuí,
que marca o extremo sul do país. O que ele faz enquanto ela está lá?

b) Se os verbos gastar, queimar e sonhar estivessem conjugados no pretérito perfeito do modo indicativo,
que sentido se daria às ações do texto?

c) As expressões “gastando olho” e “queimando pensamento” não são usuais. Que sentido elas expressam
nessa letra?

d) O que você faz quando precisa “matar o tempo”? Construa uma frase que envolva o uso de um verbo no
gerúndio.

2. Observe o anúncio a seguir.

Fig. 2 (p. 284)


Outdoor de Banco de Sangue, Porto Alegre (RS).
Banco de Sangue (HPS de Porto Alegre)/Escala. 27º- Anuário de Criação.
BE_TRIZ
MUITAS PESSOAS ESTÃO PRECISANDO DE SANGUE A PARA CONTINUAR VIVENDO.
FAÇA A SUA PARTE.
DOE.
BANCO DE SANGUE DO HPS

a) De que assunto trata o anúncio?

b) Por que o nome Beatriz está incompleto na imagem?

c) O anúncio tem duas locuções verbais construídas com verbos no gerúndio. Que sentido os verbos no
gerúndio acrescentam à mensagem transmitida?
Página 285

O que você aprendeu neste capítulo

Entrevista

• Gênero oral ou escrito, composto de introdução, perguntas e respostas.

• Espaços de circulação: jornais, revistas, sites, blogs, rádio e televisão.

• Texto de introdução: apresentação do entrevistado e do assunto da entrevista.

• Elaboração de roteiro: todo entrevistador tem determinada intencionalidade, que direcionará o tipo de
pergunta que será feita ao entrevistado.

• Linguagem: características diferentes de acordo com o público leitor, o suporte de publicação (rádio,
televisão, jornal, revista, etc.) e a intencionalidade do entrevistador.

• Marcas de oralidade: costumam ser mantidas nas entrevistas de rádio e amenizadas ou suprimidas nas
entrevistas impressas.

• Argumentação: nas entrevistas, consiste em justificar determinado ponto de vista por meio de exemplos,
comparações, etc., conforme o direcionamento dado pelo entrevistado.

Modo subjuntivo

• Presente: expressa fato incerto no presente ou um desejo.

• Pretérito imperfeito: expressa fato que poderia ocorrer diante de certa condição, ou fato incerto no
passado, no presente ou no futuro.

• Futuro: indica possibilidade de realização de um fato.

Formas nominais dos verbos

• Infinitivo: processo verbal em potência; pode ter valor de substantivo.

• Gerúndio: processo verbal em curso; funciona como adjetivo ou advérbio.

• Particípio: ação já acabada; funciona como adjetivo.

Uso da letra J

• Nas palavras de origem tupi-guarani e africana.

• Nos verbos terminados em -jar, em todas as conjugações.

• Nas palavras derivadas de outras que apresentem a letra j.

Uso da letra G

• Nas palavras terminadas em: -agem, -igem, -ugem.

• Nas palavras derivadas de outras que apresentem a letra g.

• Nas palavras terminadas em: -ágio, -égio, -ígio, ógio, -úgio.

Autoavaliação

Para fazer a autoavaliação, releia o quadro O que você aprendeu neste capítulo.

• Você aprendeu como preparar uma boa entrevista?


• Qual é a diferença entre opinião e argumentação?

• Quais são suas dúvidas sobre o uso do subjuntivo e das formas nominais?

• Qual das duas produções de texto você gostou mais de fazer? Por quê?
Página 286

ORALIDADE
Entrevista oral

Você já passou pela experiência da entrevista? Alguma vez precisou entrevistar alguém ou foi entrevistado?
Já assistiu a alguma entrevista na televisão ou pela internet?

Você vai entrevistar um colega e ser entrevistado também. Para que a entrevista seja bem aproveitada, vamos
estudar suas características e a melhor maneira de realizá-la.

A entrevista faz parte do universo da oralidade, pois sua natureza contempla o contato direto entre
entrevistador e entrevistado. Vejamos dois exemplos:

Texto I

Assista ao vídeo, disponível na internet, em que Mauricio de Sousa é entrevistado por Drauzio Varella.

Disponível em: <http://drauziovarella.com.br/audios-videos/drauzio-entrevista-mauricio-de-sousa/>.


Acesso em: 12 fev. 2015.

Fig. 1 (p. 286)


Mauricio de Sousa. Fotografia de 2013.
Danilo Verpa/Folhapress

Texto II

Agora leia uma entrevista concedida por Mauricio de Sousa ao site Universo HQ.

Universo HQ: Mauricio, você foi convidado para um festival no qual se celebra a Mulher. Como se sente
sabendo que, aqui em Portugal, a maioria do público que consome suas revistas pertence ao sexo feminino?

Mauricio: Nossa! Verdade? Bem, isso me enche de orgulho e de emoção. Afinal, pertenço a uma linhagem
de matriarcas, todas elas mulheres com personalidade forte, líderes e responsáveis por uma família inteira; e
isso é algo que tento transmitir nas minhas personagens também, criando protagonistas fortes e corajosas.
[…]

UHQ: Como é continuar a conviver com os mesmos personagens após tantos anos? Ainda mais por saber
que eles foram responsáveis por influenciar gerações durante as três últimas décadas?

Mauricio: Bem, como meus personagens são baseados nos meus filhos, e, partindo do princípio que nunca
nos fartamos dos filhos, eu não me canso deles jamais (risos). E essa responsabilidade é muito grande, mas
dá uma satisfação enorme. É bom saber que muita gente cresceu lendo e se divertindo com meus
personagens, já que eles foram criados com essa intenção.

UHQ: A certa altura de sua carreira, você decidiu deixar a prancheta e delegar os trabalhos a uma equipe de
profissionais que hoje constituem a Mauricio de Sousa Produções. O que o levou a esse “afastamento”?

Mauricio: Olha, chegou uma altura em que precisei decidir se queria ser apenas “mais um” autor ou se
pretendia dar um passo à frente em relação ao meu trabalho, criando, para isso, uma “linha de montagem”.

Hugo Silva. Disponível em:


<http://www.universohq.com/Quadrinhos/2003/entrevista_mauricio_sousa.cfm>. Acesso em: 12 fev. 2015.

Converse com os colegas sobre os seguintes aspectos:

• As perguntas feitas foram adequadas? Por quê?

• Quais perguntas você faria se fosse o entrevistador?


• Os entrevistadores fizeram alguma pesquisa sobre o Mauricio de Sousa e a obra dele antes da entrevista?
Explique sua resposta.

• Alguma pergunta foi elaborada no momento da entrevista? Essa situação pode eventualmente acontecer?
Por quê?
Página 287

Produção de texto: entrevista

O que você vai fazer

Organize uma entrevista cujo tema é “A Educação Física na escola”. Entreviste os colegas de classe a fim de
saber a opinião deles a respeito dessa prática no ambiente escolar e se os jovens valorizam essas aulas. Note
que, em algum momento, você ocupará o papel de entrevistado nessa atividade.

Preparação

1. Um bom entrevistador é aquele que sabe fazer boas perguntas e conhece o tema proposto. Então, vá à
biblioteca da escola e procure livros sobre o assunto.

2. Procure o professor de Educação Física e peça que ele discorra sobre o tema. Pergunte por que há
Educação Física na escola, quais são os objetivos, as modalidades praticadas, as regras das aulas, como são
tratados os alunos com necessidades especiais e, ainda, se os alunos têm interesse pelas aulas. Anote no
caderno tudo o que você pesquisou ou ouviu do professor.

3. Planeje a entrevista e considere os itens seguintes:

• Considere os aspectos mais interessantes que você pesquisou. Lembre-se de que você é o entrevistador e
deve ter clareza sobre o que trata cada questão.

• Observe se há perguntas sobre aspectos diferentes do tema.

• Planeje como vai abordar o entrevistado, ou seja, como vai apresentá-lo, como fará as perguntas e como vai
encerrar a entrevista.

• Esteja preparado para a surpresa: às vezes; o entrevistado fala de algo que não está em sua lista de
perguntas, mas você considerou interessante. Aproveite e faça novas perguntas no momento da entrevista.

• Ensaie o tom mais adequado de voz, a entonação mais adequada para a situação e o grau de formalidade
que dará ao evento.

O dia da entrevista

Após o professor organizar a ordem das entrevistas, siga o planejamento e as concretize. Siga estas dicas:

• Ouça com atenção as perguntas.

• Procure evitar palavras como: “tipo” e “né”.

• Use a formalidade adequada à situação escolar.

Fig. 1 (p. 287)


Andréa Vilela/ID/BR

Avaliação

Depois da entrevista realizada, considere:

a) Como entrevistador.

• Fez uma boa apresentação e finalização da entrevista?

• O número de perguntas foi adequado?

• As perguntas apresentaram diversidade de aspectos abordados?

• Esperou o entrevistado acabar de falar para fazer outra pergunta?


• Usou nível de linguagem adequado à situação?

• Considerou as respostas a fim de melhorar suas perguntas?

b) Como entrevistado.

• Esperou o término da pergunta para começar a responder?

• Respondeu ao que foi perguntado em cada questão feita?

• Usou nível de linguagem adequado à situação?

• As entrevistas são fontes de conhecimento. Muitas vezes, por meio delas, pode-se aprender com os outros o
que ainda não se sabe ou o que não viveu.
Página 288

CAPÍTULO 9 Revisão
CONVERSE COM OS COLEGAS

1. Observe a imagem ao lado.

Fig. 1 (p. 288)


Neil Lockhart/Shutterstock.com/ID/BR

a) Que tipo de embarcação está retratada na imagem?

b) Quais elementos presentes na imagem sugerem tratar desse tipo de embarcação?

c) Como pode ser caracterizado o ambiente em que essa embarcação se encontra?

d) Qual é a relação entre a caracterização desse ambiente e o tipo de embarcação presente na imagem?

2. Suponha que você decida escrever um texto com base no contexto apresentado na imagem.

a) Se o texto for uma narrativa de aventura:

• Que personagens poderão fazer parte da história?

• Em que época se passará essa história?

• Qual conflito será vivido pelas personagens?

b) Se for uma notícia:

• Qual será o título da notícia?

• Que informações poderão aparecer no texto?

• Que outras imagens poderão acompanhar essa notícia?

c) Se for uma biografia:

• Que tipo de trajetória de vida será registrado nesse texto?

• Quais informações estarão presentes na biografia?

3. Quais são as principais diferenças entre uma narrativa de aventura, uma notícia e uma biografia? Comente
sobre a linguagem e os objetivos dos leitores.

4. Em que outro gênero você poderia escrever um texto com base na imagem ao lado? Quais são as principais
características do gênero escolhido?

Neste capítulo, vamos rever dois gêneros que foram trabalhados durante o ano: a narrativa de aventura e
a notícia. Vamos falar de perigos e descobertas, usando o narrar e o relatar para apresentá-los.
Página 289

Página com foto dupla com a página anterior


Página 290

LEITURA 1
Narrativa de aventura

O QUE VOCÊ VAI LER

Na história a seguir, publicada em um livro de contos, as personagens vão viver uma aventura em busca de
fortuna. A narrativa se passa no Brasil, na costa do estado do Maranhão. Dois navios retornavam à Europa,
quando algo inesperado acontece e provoca mudanças nos planos dos navegantes.

Como costuma ocorrer em muitas das histórias que envolvem piratas, “Piratas sem piedade…” baseia-se em
fatos reais. Jean-Thomas Dulaien é uma personagem histórica que atuou no Brasil no início do século XVIII.
No entanto, não se sabe ao certo se os fatos relatados na narrativa ocorreram realmente ou se são fictícios.

Piratas sem piedade…

Voltando das ilhas do Caribe, o pirata francês Jean-Thomas Dulaien comandava seus dois navios, que se
chamavam Sem rumo e Sem piedade.

Na altura da linha do Equador, desviou-se rapidamente da rota programada e veio dar nas costas do
Maranhão.

– Que sorte! – exclamou de repente. – Acho que o diabo me ajudou. Não acredito no que estou vendo. Vou
procurar imediatamente um bom local para lançar âncora. Esta era a grande oportunidade que eu esperava
na vida…

O que tanto encantava Dulaien era, na verdade, uma visão macabra. A poucas milhas do litoral, mas fora do
alcance da vista de quem estivesse em terra, uma nau portuguesa, com a cruz de malta estampada em suas
velas, estava adernada a estibordo. Com certeza, tinha sido atingida à noite por forte tempestade: seus
mastros estavam partidos, o velame rasgado, o timão quebrado e, boiando no mar, nas proximidades do
barco, havia corpos de marinheiros mortos.

Tudo isso, porém, não estava interessando a Dulaien: seus olhos brilhavam porque, do alto da gávea de seu
barco, onde estava pendurado, ele já imaginava o carregamento da nau: sacos e arcas abarrotados de moedas
e lingotes de ouro, dos quais poderia se apossar.

Fig. 1 (p. 290)


Lúcia Brandão/ID/BR
Página 291

Tudo seria seu! Bastava chegar à nau antes que afundasse de vez e ordenar a seus homens que,
cuidadosamente, a saqueassem.

E Dulaien estava certo. O feixe de luz que se espalhou ao se abrirem as portas dos porões do navio fez refulgir
o ouro, que transbordava de sacos e mais sacos e se espalhava pelo chão.

– Vamos, molengas, vamos ao saque! – gritou, animando seus homens. – O lucro é bom. Mas façam
depressa, antes que esta banheira afunde!

Muito experientes em pilhagens, os piratas de Dulaien esvaziaram a nau em menos de uma hora. Quando a
embarcação afundou, o Sem piedade já estava cheio de ouro, conforme as ordens do capitão.

– E agora, meus caros, vamos festejar! Tragam para este navio toda a comida e toda a bebida que houver no
Sem rumo. A festa hoje vai ser aqui, ao lado de nossas riquezas.

– Mas é mesmo para levar tudo, capitão? Temos suprimentos para toda a viagem de volta à França. É muita
coisa, senhor.

– Não ouse contrariar minhas ordens, se não quiser ser trancado no porão a pão e água!

Os homens fizeram o que Dulaien mandou e, logo em seguida, os dois navios piratas rumaram para as
proximidades de uma ilha. Ao cair da noite, os festejos a bordo: mais beberam do que comeram, fazendo tinir
as moedas de ouro sobre a tosca madeira da grande mesa improvisada no convés.

Alta hora da madrugada, Dulaien sugeriu:

– Vamos todos para terra! Quero que meus homens descansem ao ar livre… É possível até que tenhamos a
sorte de encontrar belas nativas…

Sem condições de discutir nada, os homens saíram nos botes, remando lentamente. O capitão pirata ia à
frente: ao contrário de seus comandados, parecia sóbrio, forte, sem sono.

Fig. 1 (p. 291)


Lúcia Brandão/ID/BR
Página 292

Duas horas depois, quando todos já dormiam, cobertos pelas estrelas e embalados pelo vinho, um barquinho
afastou-se sorrateiramente da ilha, rumo ao Sem piedade: era Dulaien, que só, com todo o ouro, bem
escondido nos porões, fugia para a Europa. Passaria antes por uma ilhota qualquer das imediações, onde
conseguiria tripulação mercenária para acompanhá-lo até o fim da viagem.

No dia seguinte, por volta do meio-dia, ao acordar, os marinheiros não tiveram outra opção. Voltaram ao
Sem rumo e procuraram o porto brasileiro mais próximo. Para não morrer de fome e para poder voltar à
Europa, tentaram saquear a cidade, mas foram presos imediatamente e trancafiados na mais subterrânea e
escura masmorra.

E é bem provável que tenham morrido lá, pois quem iria salvá-los?

Suely Mendes Brazão. Contos de piratas, corsários e bandidos. São Paulo: Ática, 1999. p. 21-24.

Fig. 1 (p. 292)


Lúcia Brandão/ID/BR

GLOSSÁRIO
Adernado: inclinado, tombado.
Convés: piso ou pavimento de um navio, especialmente aquele em céu aberto.
Cruz de malta: símbolo do cristianismo; utilizada em navios portugueses.
Estibordo: lado direito de uma embarcação.
Gávea: plataforma semelhante a um cesto presa no alto do mastro.
Lingote: metal fundido em forma de barra.
Masmorra: prisão.
Mercenário: que age apenas por interesse financeiro, interesseiro.
Nau: navio de grande porte.
Pilhagem: roubo praticado por um grupo de pessoas.
Refulgir: brilhar com intensidade.
Saquear: roubar, apossar-se com violência.
Suprimento: mantimento, estoque de alimentos.
Timão: volante da embarcação.
Tosco: rústico, grosseiro.
Velame: conjunto das velas de uma embarcação.

OS RISCOS DE SER PIRATA

A vida dos piratas era muito arriscada, pois, para conseguir grandes tesouros, eles enfrentavam vários
inimigos em batalhas. Muitos deles perdiam os membros em lutas e acidentes, sendo substituídos por
ganchos e pernas de pau.

Há personagens muito famosas que representam esses piratas, como Long John Silver, em A ilha do tesouro,
de Robert Louis Stevenson, e Capitão Gancho, em Peter Pan, de J. M. Barrie.

Fig. 2 (p. 292)


Coleção particular/Look and Learn/The Bridgeman/Keystone

Fig. 3 (p. 292)


Everett Collection/Keystone
Página 293

Estudo do texto
Responda sempre no caderno.

Para entender o texto

1. Os dois parágrafos iniciais da história trazem elementos característicos de narrativas de aventura. Que
elementos são esses?

2. Que descoberta desencadeia as ações da narrativa?

3. Quanto tempo duraram os acontecimentos narrados na história? Justifique sua resposta com trechos do
texto.

4. O nome de um dos navios dá pistas dos caminhos percorridos pelos piratas. O que podemos supor com
base no nome desse navio?

5. Como Jean-Thomas Dulaien é caracterizado no texto? Dê exemplo de uma atitude que demonstre o
caráter dele.

6. Quando avista o navio, Dulaien também vê marinheiros mortos. Qual é a reação dele ao se deparar com
essa cena? O que isso revela sobre o modo de ser dessa personagem?

7. Assim que Dulaien avista o navio adernado, ficamos sabendo de suas intenções. Quais eram elas?

8. Quais foram os obstáculos que ele teve de enfrentar para alcançar seu objetivo?

9. O texto dá uma indicação de que Dulaien iria enganar os piratas. Quando isso acontece?

O texto e o leitor

1. Observe o título da narrativa: “Piratas sem piedade…”.

a) Que informação esse título antecipa ao leitor?

b) A quem se refere a palavra piratas presente no título? Explique.

2. Releia.

– Que sorte! – exclamou de repente. – Acho que o diabo me ajudou. Não acredito no que estou vendo. Vou
procurar imediatamente um bom local para lançar âncora. Esta era a grande oportunidade que eu esperava
na vida…

Os piratas são personagens conhecidas pelos leitores. O que se pode supor como a grande oportunidade na
vida de um pirata?

Fig. 1 (p. 293)


Lúcia Brandão/ID/BR

3. A narrativa termina com uma interrogação.

a) Qual seria uma possível resposta a essa pergunta, de acordo com o que ocorreu na história?

b) Que efeito essa pergunta causa no leitor?

4. O que você supõe que aconteceu com os demais piratas?

Teriam mesmo morrido na masmorra? Escreva um final para a história, contando o destino desses homens.
UMA BANDEIRA FAMOSA

A bandeira do navio Sem piedade, de Dulaien, foi descrita pelo prefeito de Nantes da seguinte maneira:
“Feita com material preto e desenhos em branco, com um homem com uma espada, junto com ossos e uma
ampulheta.”.

A original se encontra na Biblioteca Nacional da França.

Fig. 2 (p. 293)


Mauricio de Sousa Produções Ltda.
Página 294

LEITURA 2
Notícia

O QUE VOCÊ VAI LER

A notícia que você vai ler trata sobre uma descoberta arqueológica realizada em Florianópolis, Santa
Catarina, que, ao longo de vários anos, envolveu o trabalho de diversos pesquisadores. O que será que foi
descoberto? Qual o valor histórico dessa descoberta? Por que será que esse achado é considerado
importante?

Publicada no jornal on-line catarinense Notícias do Dia, essa notícia apresenta informações que podem
auxiliar você a responder a essas perguntas.

Tesouro arqueológico é revelado no Sul da Ilha de Santa Catarina

Pedra histórica de um naufrágio de um navio espanhol, em 1583, foi retirada do mar neste
domingo

Uma pedra histórica esculpida com o escudo das armas da Espanha foi retirada do mar, no Sul da Ilha, na
tarde desta quinta-feira (23). Especialistas, que trabalham na exploração do sítio arqueológico há seis anos e
acreditam que a peça faça parte de um dos naufrágios mais antigos encontrado em águas das Américas,
provavelmente de 1583. Com aproximadamente 800 quilos, o objeto foi recebido com aplausos, quando
chegou junto à embarcação, no Veleiros da Ilha, na Baía Sul da capital.

Outras peças que ainda estão no fundo do mar são agora o próximo alvo dos pesquisadores. Entre o tesouro
arqueológico estão: armas reais, uma pedra triangular com inscrições em latim citando o rei Felipe II da
Espanha, e um canhão de bronze que pode ser um dos mais antigos do mundo. Nos próximos meses a equipe
deve concentrar esforços na retirada das peças.

Fig. 1 (p. 294)


Débora Klempous/Jornal Notícias do Dia
Embarcação chega à Baía Sul, na capital, carregando a pedra de navio espanhol. Florianópolis (SC), 2011.
Página 295

As pesquisas arqueológicas subaquáticas no Sul da Ilha começaram em 2005, quando pesquisadores


encontraram uma âncora de origem espanhola, provavelmente do século 16. “Isso nos motivou a realizar
pesquisas, que tiveram um impulso maior, em 2008, com o apoio da Fapesc (Fundação de Amparo à
Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina)”, lembra o diretor do projeto Barra Sul, Gabriel Corrêa,
responsável pela exploração.

“As informações que virão a partir do estudo destes artefatos vão nos mostrar uma história que pouca gente
conhece”, avalia o historiador Evandro de Souza. Os pesquisadores exploram uma área de 400 quilômetros
entre as praias de Naufragados, Ponta do Papagaio, Sonho e Pântano do Sul. Entre os séculos 15 e 16, a região
era um ponto estratégico de abastecimento para navegadores. “As embarcações que naufragaram seguiam
para o Estreito de Magalhães, no Chile (uma passagem navegável ao sul da América do Sul). Tinham um
projeto audacioso para a construção de duas fortalezas”, conta Corrêa.

Destino da peça será avaliado

O capitão Claudio Lisboa, da Capitania dos Portos de Santa Catarina, explica que a pedra retirada está sob
responsabilidade da União e do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Depois do
trabalho de restauração será feita uma avaliação do local em que a pedra deverá ficar para exposição. “Será
feito o levantamento do valor histórico e depois será avaliada uma instituição que tenha condições de manter
a peça”, ressalta. “Acredito que a peça deve ficar no Estado”, comenta o secretário executivo do Ministério da
Cultura, Vitor Ortis.

Para a coordenadora de Arqueologia da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina) “a descoberta vai
começar a descrever a história de ocupação no estado”. A universidade fará todo o trabalho de dessalinização
e higienização da peça.

O diretor de operações de mergulho, Ney Mund Filho, avalia que a peça é somente “a ponta de um iceberg.
Ninguém fez a inserção na parte coberta, acreditamos que tem muito mais coisas lá”, disse. “Com esta peça
facilita a comprovação dos naufrágios”, completa.

Mônica Amanda Foltran. Publicado em: 23 fev. 2011. Disponível em:


<http://www.ndonline.com.br/florianopolis/noticias/12463-tesouro-arqueologico-e-revelado-no-sul-da-
ilha-de-santa-catarina.html>. Acesso em: 4 fev. 2015.

Fig. 1 (p. 295)


Inscrições na pedra encontrada em navio do século 16. Florianópolis (SC), 2011.
Débora Klempous/Jornal Notícias do Dia

GLOSSÁRIO
Arma: figura que compõe o símbolo de um país.
Arqueológico: referente à Arqueologia, ciência que, utilizando processos como coleta e escavação, estuda
os costumes e os povos antigos pela análise do material (fósseis, artefatos, monumentos, etc.) que restou da
vida desses povos.
Dessalinização: remover ou reduzir o sal de algo.
Página 296

Estudo do texto
Responda sempre no caderno.

Para entender o texto

1. Qual é o principal fato relatado nessa notícia?

2. Releia o primeiro parágrafo do texto.

a) Quais características da pedra são apresentadas nesse parágrafo?

b) O que há no sítio arqueológico em que a pedra estava?

c) O que o leitor pode deduzir com base na informação sobre o tempo de trabalho dos especialistas nesse sítio
arqueológico?

d) O que ocorreu quando a pedra histórica chegou à embarcação?

e) Considerando as informações presentes nesse parágrafo, quais fatores relacionados à exploração


arqueológica e ao resgate da pedra motivaram essa ação?

3. Ao longo da notícia, é informada ao leitor a motivação das pesquisas arqueológicas na região.

a) Qual fato motivou a pesquisa?

b) De acordo com as informações apresentadas, que contribuição o estudo dos artefatos resgatados pode
proporcionar?

4. Considerando as informações apresentadas no texto, responda.

a) Em que ano as pesquisas foram iniciadas?

b) No momento da publicação da notícia, onde as pesquisas arqueológicas estavam sendo realizadas?

c) Além da indicação do ano em que essa exploração teve início e a área específica onde ela acontecia, é
apresentado ao leitor os motivos da pesquisa. Por que essas informações são importantes à notícia?

O texto e o leitor

1. Leia as informações a seguir do site da Prefeitura de Florianópolis.

Florianópolis, cidade brasileira capital do Estado de Santa Catarina, conhecida também como “Ilha da
Magia”. Situa-se no litoral catarinense e conta com uma parte insular (ilha de Santa Catarina) e outra parte
continental incorporada à cidade em 1927, com a construção da ponte pênsil Hercílio Luz – 820 m de
comprimento – que ligou a ilha ao continente. Encontra-se aproximadamente entre 20 e 40 metros de
altitude [...].

Disponível em: <http://www.pmf.sc.gov.br/entidades/turismo/index.php?cms=a+cidade&menu=6>.


Acesso em: 5 fev. 2015.

Fig. 1 (p. 296)


Imagem de Florianópolis (SC), feita por satélite em 2015.
2015 Digital Globe/Google Earth
Continente
Baia Norte
Baia Sul
Ilha de Santa Catarina
a) De acordo com o texto, a cidade de Florianópolis é formada por duas partes. Quais são elas?

b) Explique o que caracteriza geograficamente cada uma dessas partes.


Página 297

2. Com base na notícia “Tesouro arqueológico é revelado no Sul da Ilha de Santa Catarina” e no texto da
atividade anterior, responda às questões.

a) Releia o início da notícia e indique como é chamada a parte da cidade onde ocorria a exploração
arqueológica.

b) A notícia foi publicada em um jornal on-line catarinense. Qual a relação entre esse fato e a forma como a
cidade é identificada na notícia?

c) Se a notícia fosse veiculada em um jornal de outra parte do país, as referências à cidade de Florianópolis
seriam as mesmas? Explique.

3. A notícia menciona que outras peças podem ser encontradas.

a) Quais são essas peças?

b) A pedra retirada do mar e essas peças são qualificadas no texto como “tesouros”. Que ideia essa
qualificação reforça para o leitor?

4. Na notícia, são citadas algumas fontes para falar sobre a descoberta da pedra arqueológica.

a) Copie o quadro a seguir no caderno e indique o que cada uma das fontes declara sobre o fato.

Fonte Informação
Gabriel Corrêa, responsável pela exploração arqueológica
Evandro de Souza, historiador
Claudio Lisboa, capitão das Capitanias dos Portos de Santa Catarina
Vitor Ortis, secretário executivo do Ministério da Cultura
Coordenadora de Arqueologia da Unisul
Ney Mund Filho, diretor de operações de mergulho
ID/BR

b) Antes ou após as declarações, são mencionados, além do nome, o cargo ou a formação acadêmica das
fontes. Por que essas informações são essenciais para a construção de sentido do texto?

c) Qual é a importância da citação de fontes em notícias?

Comparação entre os textos

1. Responda às questões sobre os dois textos lidos neste capítulo.

a) Os dois textos tratam de acontecimentos envolvendo peças valiosas. De acordo com os contextos
apresentados, qual o valor atribuído a essas peças em cada uma das situações?

b) Embora os dois textos tratem de descobertas, diferem em relação ao planejamento delas. Por quê?

2. Copie a tabela no caderno e complete-a.

Piratas sem Tesouro arqueológico é revelado no Sul da Ilha de


piedade… Santa Catarina
Gênero
Espaço de
circulação
Piratas sem Tesouro arqueológico é revelado no Sul da Ilha de
piedade… Santa Catarina
Público leitor
ID/BR
Página 298

REFLEXÃO LINGUÍSTICA
Revisão

1. Releia o título e a linha fina da notícia.

Tesouro arqueológico é revelado no Sul da Ilha de Santa Catarina

Pedra histórica de um naufrágio de um navio espanhol, em 1583, foi retirada do mar neste
domingo

a) A linha fina é uma frase que aparece abaixo do título de uma notícia. Nela, os substantivos naufrágio e
navio são acompanhados pelo artigo um. Como esse artigo é classificado?

b) Considerando que a linha fina antecede o texto, porque é usado esse artigo na linha fina da notícia?

c) Reescreva a linha fina utilizando um artigo que indique maior precisão. Faça as adaptações necessárias.

d) Ao utilizar esse artigo, a redação da linha fina ficou adequada à apresentação do fato? Explique.

2. Leia o poema a seguir.

Infância

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.


Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu


a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo


olhando para mim:
– Psiu… Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro… que fundo!

Lá longe meu pai campeava


no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que a minha história


era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

Carlos Drummond de Andrade. Poesia completa. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002. p. 6. Carlos
Drummond de Andrade © Graña Drummond. www.carlosdrummond.com.br.

Fig. 1 (p. 298)


Andréa Vilela/ID/BR

Cada estrofe do poema apresenta um aspecto da vida do eu lírico. Crie um título para cada uma delas
utilizando substantivos.
Página 299

3. Observe as seguintes formas verbais presentes no poema.

montava ia ficava dormia lia

chamava dava campeava sabia era

a) O que é possível perceber sobre as ações expressas por esses verbos?

b) Em que tempo verbal esses verbos estão flexionados?

4. Na terceira estrofe do poema, são empregados vários verbos.

a) Quais verbos estão na forma nominal?

b) Em qual forma nominal esses verbos estão flexionados?

c) O que o uso dos verbos coser e olhar nessa forma nominal revela a respeito das ações da mãe?

5. Releia o verso.

Café preto que nem a preta velha

a) Explique o sentido das palavras em destaque.

b) Qual é a classe gramatical dessas palavras?

6. Releia a última estrofe, em que é citada a história de Robinson Crusoé, um jovem náufrago que viveu 28
anos em uma ilha deserta do Caribe.

E eu não sabia que a minha história


era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

a) A que se refere o pronome possessivo minha nessa estrofe?

b) O que a história do eu lírico tem em comum com a de Robinson Crusoé?

c) Por que o eu lírico considera sua história mais bonita que a história de Robinson Crusoé?

7. Leia a tira a seguir.

Fig. 1 (p. 299)


Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa.
Mauricio de Sousa Produções Ltda.
Q1:
Q2:
Q3: !
Q4: CHOMP CHOMP CHOMP

a) Descreva a fisionomia da menina nos dois primeiros quadrinhos.

b) No terceiro quadrinho, que sentimento da menina é indicado pelo símbolo do balão?

c) Além do balão, que outros recursos a tira utiliza, no terceiro quadrinho, para mostrar o sentimento da
menina?

d) O que significa a onomatopeia empregada no último quadrinho?

e) Explique a importância das fisionomias da menina, do símbolo do balão e do emprego da onomatopeia


para o humor da tira.
Página 300

8. Leia a notícia a seguir.

Fã de Odisseia, de Homero, menino de 10 anos lança na Flip primeiro livro

‘Toninho, o poeta A-Ventura’ reúne poemas de Antonio P. Ventura. Segundo o pequeno


autor, ele é inspirado pelo cotidiano e pela mitologia

Fã assumido de autores clássicos e com mais de 150 obras na estante, o escritor Antonio P. Ventura, de dez
anos, lançou seu primeiro livro neste sábado (2), no Curto Circuito Off Flip, atração realizada em paralelo à
12ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). “Toninho, o Poeta A-Ventura” é uma coletânea de poesias
do menino, que vive em Mococa (SP).

“Fui escrevendo um poema, escrevendo um poema, escrevendo um poema... Aí, depois, a gente fez uma
compilação de todos os poemas. A gente juntou 12 de todos que escrevi e fez esse livro”, diz Toninho, como
prefere ser chamado.

“Comecei a escrever porque toda vez que lia um livro, me sentia dentro da história. Aí eu pensei: ‘Ah, eu
também quero que as pessoas sintam a mesma coisa com algo que eu escrevi’”.

De acordo com o jovem escritor, seu primeiro texto foi elaborado quando tinha apenas cinco anos, pouco
depois de aprender a escrever, aos quatro e meio. Aos seis, leu um de seus livros prediletos: o poema
“Odisseia”, de Homero, que divide o posto de favorito ao lado de “Frankenstein”, de Mary Shelley. Além
dessas, que Toninho diz ter lido em versões com texto integral, ele já leu obras como “Ilíada”, também de
Homero, “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, e agora está lendo “Moby Dick”, de Herman Melville.

Assim como lê poemas e romances, o menino revela que tem vontade de escrever os dois. Conta que tira
inspiração de “coisas cotidianas, como o sol, a lua, a chuva...” e da mitologia e que a família sempre o
motivou a escrever.

“Me ajudou muito, sem ela eu nem sei se estaria aqui lançando esse livro. Ela falava: ‘Toninho, vai e escreve
para exercitar. Toninho, escreve um poema como exercício para a escrita’. Acho que sem minha família, que
sempre me ajudou, sempre me fez companhia, eu não estaria aqui”.

O pai de Toninho, Antonio Ventura, também é escritor e lançou, ao lado do filho, seu segundo livro: “O
Guardador de Abismos”. O menino, ele garante, é motivo de orgulho.

“Hoje a gente tem a felicidade de ver que o Toninho já está fazendo até uma literatura com uma certa
maturidade. É muito bom”, elogia.

Publicado em: 4 ago. 2014. Disponível em: <http://g1.globo.com/pop-arte/flip/2014/noticia/2014/08/fa-


deodisseia-de-homero-menino-de-10-anos-lanca-na-flip-primeiro-livro.html>. Acesso em: 6 fev. 2015.

Fig. 1 (p. 300)


Antonio P. Ventura, jovem escritor. Fotografia de 2014.
Renato Batista Ventura/Acervo do fotógrafo

a) Qual é o principal fato relatado?

b) Em que tempo verbal estão os verbos da linha fina? Por que eles estão nesse tempo?

c) Releia o segundo parágrafo e explique qual é o efeito que a repetição do verbo escrevendo causa ao leitor.

d) O verbo sentir na frase “Ah, eu também quero que as pessoas sintam a mesma coisa com algo que eu
escrevi” está em que modo?

e) O que esse modo verbal indica em relação à ação à qual se refere?

f) No quarto parágrafo, a expressão “que Toninho diz ter lido” revela a opinião de quem escreveu a
reportagem? Qual?
g) Por que são usadas as aspas no quinto parágrafo?
Página 301

9. Responda às questões sobre a linguagem do texto da atividade anterior.

a) Como é a linguagem nas falas de Toninho: formal ou informal? Justifique com elementos do texto.

b) Como é a linguagem nos trechos que não são as falas do menino?

c) Essa notícia foi veiculada em um site destinado ao público adulto. Por que a fala do menino foi mantida na
linguagem indicada no item a?

d) Reescreva a fala do menino no segundo parágrafo na mesma linguagem respondida no item b.

10. A história a seguir tem como personagem Nasrudin, presente em vários contos populares do Oriente.
Nasrudin caracteriza-se pela inteligência e pelo humor. Após ler o texto, responda às questões.

Na casa de chá da cidade, alguns homens conversavam. Nasrudin entrou ali, e um deles, Massoud, o chamou:

– Estou com um problema muito sério, Nasrudin. Emprestei uma moeda de prata a um amigo e sei que ele
não vai me pagar. Mas não havia ninguém por perto, ou seja, não tenho testemunhas do empréstimo.

– Muito fácil – disse o mulá. – Chame o homem aqui na casa de chá e diga bem alto, na frente de todo
mundo: “Quando é que você vai me pagar as vinte moedas de ouro que me deve?”.

– Mas foi só uma moeda de prata – corrigiu Massoud.

– É exatamente o que ele vai dizer, Massoud – continuou Nasrudin. – Você queria testemunhas, não queria?

Regina Machado. Nasrudin. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2001. p. 42-43.

a) Qual é a importância do uso dos numerais nesse texto? Explique.

b) No texto, há locuções adjetivas que caracterizam alguns substantivos. Quais são essas locuções e a que
substantivos elas se referem?

c) Por qual motivo Nasrudin aconselha Massoud a utilizar a locução de ouro em vez da locução de prata?

11. Leia a letra de canção a seguir.

Azul

Eu não sei se vem de Deus


Do céu ficar azul
Ou virá dos olhos teus
Essa cor que azuleja o dia…

Se acaso anoitecer
E o céu perder o azul
Entre o mar e o entardecer
Alga marinha, vá na maresia
Buscar ali um cheiro de azul
[…]
Corre e vá dizer pro meu benzinho
Um dizer assim
O amor é azulzinho…
[…]

Djavan. Azul. Em: Djavan ao vivo. Sony Music, 2000.

Fig. 1 (p. 301)


Andréa Vilela/ID/BR
a) Em que elementos aparece a cor azul?

b) A palavra azul não representa apenas uma cor. Que novos sentidos ela ganha nessa canção?

c) A palavra azul exerce na canção as funções de verbo, adjetivo, locução adjetiva e substantivo. Dê um
exemplo, extraído do texto, para cada uma dessas classes gramaticais.

d) Explique o uso do diminutivo no verso “O amor é azulzinho”.


Página 302

JOGO
Os caminhos da aventura

Você e os colegas vão criar um jogo de tabuleiro de aventura em que o herói enfrentará muitos desafios para
alcançar o objetivo.

Fig. 1 (p. 302)


Lúcia Brandão/ID/BR
JOGO

Organização

A classe será dividida em grupos de até seis alunos e cada grupo vai criar um jogo de percurso diferente com
o tema aventura. Para começar, é fundamental que os grupos decidam o espaço em que as aventuras do jogo
acontecerão: uma floresta, um castelo, uma cidade, o mar, outros planetas, etc. Feito isso, os grupos devem
seguir algumas etapas de planejamento.

Planejamento

• Cada integrante do grupo deve definir qual será o herói ou a heroína da aventura, por exemplo: se o espaço
for outro planeta, a personagem pode ser um(a) astronauta, um(a) extraterrestre, etc. Todos os heróis
buscarão o mesmo objetivo no jogo, por exemplo: alcançar o local do outro planeta onde há água.

• Depois, é preciso definir qual será a situação inicial de todos os heróis (o ponto de partida da jornada) e
qual será o objetivo (o ponto de chegada do jogo).

• Criem os obstáculos que precisam ser ultrapassados (um inimigo, um lugar perigoso, etc.) e o que os heróis
podem ter como ajuda (uma bússola, um escudo, etc.).

A tabela a seguir pode ajudar os grupos na organização dessas informações.

Espaço Herói Situação inicial Objetivo Obstáculo Ajuda

ID/BR

Criação do jogo

Material necessário

• Duas cartolinas para criação do tabuleiro.

• Seis folhas de papel sulfite para criação das cartas.

• Régua.

• Lápis de cor, canetinhas ou giz de cera para colorir o tabuleiro.

• Uma peça que represente os heróis da aventura (tampinha, botão, etc.). Será necessária uma para cada
jogador ou uma para cada dupla.

• Dado.

Como fazer o tabuleiro

1. Em uma folha avulsa, façam um rascunho do tabuleiro.

• Planejem qual será o formato do percurso do jogo (espiral, labirinto, etc.).


• Calculem, de acordo com o espaço disponível, qual será o tamanho das casas. Serão 48 casas no total: 15
casas azuis, 15 casas verdes, 12 casas-surpresa, 4 casas vale-consulta, a casa inicial e a casa final.

• Desenhem as casas do percurso, distribuindo-as assim: casas-surpresa (uma a cada três casas) e casas vale-
consulta (uma a cada nove casas). Pintem, proporcionalmente, as demais casas de verde e de azul.

• Esbocem as ilustrações que vão marcar a identidade visual do jogo. Vocês podem criar o fundo com
imagens representativas do espaço escolhido.

2. Façam a versão final do jogo na cartolina, colorindo-o. Sejam criativos!


Página 303

Como preparar as fichas

1. Dobrem as folhas de sulfite ao meio três vezes e as cortem nos lugares marcados pelas dobras, de modo a
obter oito partes iguais, que serão as cartas do jogo.

2. Separem essas partes em: 15 cartas azuis, 15 cartas verdes, 12 cartas-surpresa (oito com obstáculos e
quatro com ajudas), 6 cartas vale-consulta.

3. Ilustrem as cartas-surpresa com algo diferente, que represente obstáculo ou ajuda, conforme o tema da
aventura criada pelo grupo. Repitam as ilustrações nos retângulos destinados às casas-surpresa no tabuleiro.

4. Em oito das cartas-surpresa, escrevam um desafio ou uma armadilha que o herói pode enfrentar durante o
percurso e o que o jogador terá de fazer se cair nessa casa (por exemplo, voltar certo número de casas, ficar
uma rodada sem jogar, etc.).

5. Nas quatro cartas-surpresa restantes, escrevam uma ajuda que o herói pode ter (encontrar uma poção de
velocidade e avançar cinco casas, por exemplo).

6. Nas cartas azuis, elaborem uma pergunta sobre o que aprenderam ao longo do ano sobre os gêneros
textuais. Nas cartas verdes, as perguntas devem ser sobre conhecimentos linguísticos (substantivo, adjetivo,
etc.). As cartas também devem conter as respostas para as perguntas, assim como o número de casas que o
jogador pode avançar em caso de acerto. Utilizem os boxes Anote ao longo do livro para realizar essa tarefa.

7. No restante das cartas, escrevam vale-consulta.

Como jogar

Participantes: de dois a seis jogadores.

1. Coloquem as peças no tabuleiro, na casa que representa o início da aventura.

2. Para definir a ordem de jogada dos participantes, sorteiem o primeiro jogador. O próximo a jogar será o
seguinte, de acordo com o sentido horário.

3. Lancem o dado e andem o número correspondente de casas no tabuleiro.

4. Retirem uma carta da respectiva cor da casa em que pararam e entreguem-na a outro jogador, o qual vai
ler a pergunta da carta em voz alta.

5. Respondam à pergunta. Ao acertar, andem o número de casas indicado na carta. Ao errar, fiquem onde
estão. Se não souberem responder, passem a vez.

6. Ao cair em uma casa vale-consulta, coletem uma carta do monte correspondente. Ela pode ser usada como
auxílio para responder às perguntas do jogo. Depois de utilizada, deve ser devolvida ao monte das cartas
vale-consulta.

7. Ao cair em uma casa-surpresa, peguem uma carta-surpresa e façam o que ela pedir.

8. Depois de avançar ou voltar casas de acordo com a jogada, o jogador ou a dupla deve passar a vez sem
pegar mais nenhuma carta. Portanto, cada jogador ou dupla joga apenas uma vez.

9. Vence o jogo quem chegar à casa final do tabuleiro primeiro, completando a aventura.

O dia do jogo

No dia combinado, todos os grupos apresentam seus jogos. Cada grupo organiza uma mesa com o tabuleiro,
as peças e as regras do jogo. Os alunos sortearão um dos jogos para jogar. Um integrante do grupo deve ficar
junto dos colegas para ensinar as regras e acompanhar as jogadas.

Fig. 1 (p. 303)


Lúcia Brandão/ID/BR
Página 304

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABREU, A. S. Curso de redação. 12. ed. São Paulo: Ática, 2004.

______. Gramática mínima: para o domínio da língua padrão. 2. ed. Cotia: Ateliê Editorial, 2006.

ANTUNES, I. Muito além da gramática: por um ensino sem pedras no caminho. São Paulo: Parábola, 2007.

ARAÚJO, J. C. (Org.). Internet & ensino: novos gêneros, outros desafios. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007.

BAGNO, M. Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística. São Paulo: Parábola,
2007.

BAKHTIN, M. Os gêneros do discurso. In: Estética da criação verbal. 6. ed. São Paulo: WMF Martins
Fontes, 2011.

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