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U N I V E R S I DA D E

CANDIDO MENDES

CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA


PORTARIA Nº 1.282 DO DIA 26/10/2010

MATERIAL DIDÁTICO

SOCIOLOGIA BRASILEIRA

Impressão
e
Editoração

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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................................... 3
UNIDADE 1 - AS ORIGENS DA SOCIOLOGIA .............................................................................................. 5
UNIDADE 2 - A SOCIOLOGIA NO BRASIL ................................................................................................. 19
UNIDADE 3 - ALGUNS TEMAS DE SOCIOLOGIA ..................................................................................... 40
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................................. 47

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INTRODUÇÃO

A sociologia nasceu da aspiração de alguns teóricos em transformar os


estudos sobre a sociedade em produto tão preciso quanto os estudos dos cientistas
da natureza. Assim como Newton identificou as leis da física e, a partir delas, o
homem pode dominar com muito mais eficiência a natureza, acreditava-se que o
conhecimento das leis que movem a sociedade ao longo da história também
poderiam ser conhecidas mediante um estudo adequado.

Destacamos aqui as obras de Augusto Comte, Émile Durkheim e Max Weber


como sendo as origens da sociologia, especialmente do ponto de vista teórico-
metodológico. A sociologia, no entanto, não se limitou a reproduzir as ideias destes
autores e ganhou novas tendências, como o marxismo, e áreas do saber que se
expandiram a partir dela, como a sociologia da educação e a do trabalho.

Na sociologia brasileira, destacamos as obras de alguns dos mais importantes


sociólogos brasileiros; dentre eles, os dois grandes pilares seriam: Florestan
Fernandes e Fernando Henrique Cardoso, dos quais apresentamos as principais
obras e fases de produção.

Em geral, classifica-se a sociologia dentro de um conjunto denominado


Ciências Sociais. Além da sociologia, fazem parte deste campo do saber a ciência
política e a antropologia.

A sociologia historicamente dedicou-se ao estudo macro-social procurando


compreender os fenômenos sociais não somente em suas manifestações concretas,
mas também em suas gêneses, sendo que predominaram pesquisas sobre o
sistema capitalista e as consequências por ele provocadas nos chamados países
periféricos.

Com o fim da ditadura militar e o processo de democratização no Brasil o eixo


temático também foi se alterando das grandes questões político-econômicas para a
questão dos movimentos sociais que fizeram parte deste processo de
redemocratização. Mais recentemente ainda, novas áreas temáticas ganharam
espaço dentro da pesquisa e do ensino em sociologia, dentre as quais

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pode-se destacar: a sociologia da religião, a sociologia da educação, a sociologia


política, a sociologia do trabalho e os núcleos de estudo, sendo os mais conhecidos
os que trabalham o tema da violência.

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UNIDADE 1 - AS ORIGENS DA SOCIOLOGIA


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por Ivete Batista da Silva Almeida

Augusto Comte

A sociologia nasce com a doutrina positivista de Augusto Comte (1798 –


1857). A doutrina positivista propõe uma série de elementos fundamentais, dos
quais, três serão analisados a seguir. São eles: a lei dos três estágios, a doutrina da
ciência, e, por fim, a sociologia como física social.

A lei dos três estágios é o fundamento de todos os outros elementos do


pensamento comteano. Comte acreditou ter encontrado a lei ou as leis que explicam
o desenvolvimento tanto da psique humana, quanto das ciências e da sociedade. O
primeiro estágio é o teológico ou fictício; o segundo estágio é o metafísico ou
abstrato e o terceiro estágio é o científico ou positivo.

No estágio teológico ou fictício os fenômenos naturais, humanos e sociais são


vistos como resultado a ação direta e contínua de agentes sobrenaturais. Entende-
se, então, que se trata de uma visão animista do mundo, segundo a qual os
fenômenos da natureza são resultados da vontade de seres sobrenaturais, como
deuses e entidades, que interagem com os homens por meio da religião e rituais
místicos. Desta forma, poderíamos intervir no curso dos acontecimentos somente
quando evocássemos tais forças sobrenaturais. Então, se um homem adoece ou se
uma sociedade entra em crise social, os deuses ou o Deus são evocados para
intervirem.

No estágio metafísico ou abstrato os fenômenos naturais, humanos e sociais


são explicados como resultado de essências, ideias ou forças abstratas que,
novamente, estariam além da matéria (tradução literal de metafísica) sem que
sejam, no entanto, consideradas deuses ou divindades. Aqui encontramos as

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Ivete Batista da Silva Almeida é Mestre e Doutoranda em História Social pela Universidade de São
Paulo, professora da Faculdade Católica de Uberlândia e consultora de materiais didáticos e pára-
didáticos.

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filosofias tais como a de Platão para quem o mundo real era o das ideias e o mundo
material não passava de uma sombra daquele. Neste estágio, as potencialidades
humanas são explicadas como “faculdades”, isto é, como um potencial inato para
pensar ou realizar coisas. Para Aristóteles, as plantas cresceriam em virtude da
presença da “alma vegetativa”: um impulso interno que permite o desenvolvimento
dos organismos. A física de Aristóteles, seria um exemplo de pensamento
metafísico, pois atribuía vontades à natureza, por exemplo, a pedra tende a cair
porque quer ir para o seu lugar natural, assim como a fumaça tende a subir porque
quer ir para o seu lugar natural. Segundo Comte, Galileu e Newton demonstraram
que a física de Aristóteles estava equivocada e, por isso, tornam-se dois modelos
fundamentais para delinear o que é o estágio científico ou positivo.

Neste estágio, o homem reconhece a impossibilidade de obter conhecimentos


absolutos, o que em linguagem metafísica significa renunciar à pergunta sobre qual
a origem dos fenômenos ou qual é a essência de um fenômeno, igualmente
renuncia saber qual é a finalidade dos mais diversos acontecimentos e procura
somente descobrir, a partir da observação empírica e do raciocínio lógico, as leis
efetivas que governam os fenômenos humanos, sociais e naturais.

Comte decreta a morte da metafísica, o que, em outros termos, significa opor-


se à filosofia clássica de matiz ou platônica ou aristotélica. Tomando a segunda
como exemplo sintomático, observa-se que há uma resposta direta às quatro causas
que Aristóteles formula em sua obra Filosofia Primeira e que foi intitulada por seus
discípulos de Metafísica. Para ele, todos os fenômenos podem ser explicados a
partir das quatro causas: a causa material (o que é), a causa formal (o que virá a
ser), a causa eficiente (o que permite passar do ser ao vir a ser) e a causa final (o
porquê de vir a ser). Ora, estas quatro causas são o próprio fundamento da
metafísica, especialmente a causa formal e a causa final. A primeira indaga pelo que
o ser irá se transformar e a segunda pela finalidade desta passagem.

O estágio científico renuncia a essas questões e só se importa em explicar


como as coisas acontecem e não porque acontecem. Enquanto Aristóteles
procurava explicar a causa do movimento dos astros, chegando ao primeiro motor
que move sem ser movido exatamente porque se a busca é sempre pela causa de

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algum fenômeno é preciso chegar a um momento no qual se explica como o


movimento original ocorre sem que ele mesmo tenha sido movido por algo. Ora, as
físicas de Galileu e de Newton dispensam este tipo de dificuldade ao se
perguntarem como os fenômenos ocorrem e não o motivo de ocorrem. Daí surgem,
por exemplo, as leis de Newton que seriam a explicação da mecânica ou dinâmica
dos fenômenos e não uma explicação sobre as razões das coisas ocorrerem.

Para o pensamento comteano, o gênero humano passou pelos três estágios,


mas não de maneira uniforme. A Europa seria o lugar onde se atingiu o estágio
científico, em outras regiões, como a África e a Ásia não chegariam ao mesmo
estágio. Assim, dentro dessa perspectiva, uma sociedade poderia ser considerada
mais avançada do que outra.

Da mesma forma, as próprias ciências também passam por estágios de


evolução como as sociedade e, sendo os mesmos três estágios: teológico,
metafísico e científico. Como vimos mais acima, a física de Aristóteles não deixa de
ser uma ciência, porém que não atingiu o estágio máximo do saber humano, por
isso, foi superada pela física de Newton. Comte observa que enquanto as ciências,
como a física, a química, a biologia, a mecânica, avançavam rapidamente graças ao
método científico, o campo dos fenômenos sociais continuava sendo dominado por
proposições preso à metodologia do estágio teológico e metafísico.

Comte afirmava que a sociedade deveria ser objeto de rigorosa pesquisa


científica por meio da criação de uma nova ciência: a sociologia científica. Tratava-
se, portanto, de manter o objetivo de todas as ciências: conhecer as leis. Portanto, a
sociologia científica se inspira no modelo de ciência criada por Newton: da mesma
forma que a descoberta de leis físicas permitiu um enorme avanço na ciência e na
tecnologia, a pesquisa e o conhecimento dos fenômenos sociais permitiria o controle
dos efeitos destes fenômenos. Enfim, da mesma forma que o conhecimento das leis
da termodinâmica permite construir imensos mecanismos movidos a vapor, o
domínio dos fenômenos sociais permitiria a construção de sociedades estáveis. Isto
era fundamental, pois mesmo as nações mais desenvolvidas eram vítimas das
contínuas crises sociais. Como afirma Comte: “Em suma, ciência, logo previsão;
previsão, logo ação: essa é a fórmula simples que expressa de modo exato a

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relação geral entre a ciência e a arte, tomando esses dois termos em sua acepção
total”.

A sociologia é definida, portanto, como uma física social, cujo objetivo é


permitir com que uma sociedade mergulhada em crise transite para um estado de
ordem social. Este foi o objetivo de toda a filosofia política e de toda filosofia ética
criadas até então: Aristóteles, Santo Tomás de Aquino, Maquiavel, Hobbes,
Rousseau e tantos outros criaram sistemas políticos que buscavam seus
fundamentos em pura metafísica e, por isso, suas predições não tinham qualquer
valor científico, o que vale dizer, não poderiam efetivamente provocar as mudanças
que anunciavam. O objetivo é, então, conhecer por meio da observação dos fatos e
do uso da razão, a mecânica das sociedades e planejar de tal modo a prevenir
futuras crises. “É na previsibilidade racional do desenvolvimento futuro da
convivência social que se pode resumir o espírito fundamental da política positiva”.
(REALE, 1990, p. 301).

Desta forma, a sociologia de Augusto Comte o raciocínio e a observação


permitem estabelecer as leis dos fenômenos sociais, assim como a física determinou
as leis dos fenômenos físicos. Assim, é preciso diferenciar, dentro da física social,
dois campos distintos: a estática social e a dinâmica social. A estática social tem por
objeto as condições de existência comuns a todas as sociedades em todos os
tempos. Para estabelecer as leis da estática social deve-se ter em vista que
determinadas relações entre os diversos aspectos da vida social, por exemplo, os
fatores sociais, econômicos, culturais entre outros. Alguns exemplos de temas da
estática social são: a sociabilidade natural do homem, os núcleos familiares e a
divisão do trabalho.

A dinâmica social consiste no estudo das leis de desenvolvimento da


sociedade. Sua lei fundamental é a dos três estágios. No estágio teológico havia o
predomínio do poderio militar (o feudalismo é o exemplo mais característico desta
fase); o estágio metafísico é caracterizado por reivindicações democráticas, sendo
que seu exemplo característico são as reformas religiosas e a Revolução Francesa;
ao estágio positivo corresponde a sociedade industrial.

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Conforme Reale, os principais aspectos da sociologia de Augusto Comte são:

1) A estática social indaga sobre as condições da Ordem; a dinâmica estuda as leis


do Progresso;

2) O progresso humano, em seu conjunto. Sempre se concretizou seguindo etapas


obrigatórias, porque naturalmente necessárias; a história da humanidade é o
desdobramento da natureza humana.

3) O desenvolvimento da humanidade vai do estágio teológico ao estágio positivo,


no entanto, Comte não desvaloriza o passado e a tradição em nome da
exaltação do futuro. É o passado que está grávido do futuro;

4) A física social é o pressuposto necessário de uma política racional. E o problema


é que a política está sob o controle de advogados e literatos que nada entendem
do funcionamento mecânico da sociedade;

Do ponto de vista metodológico, Comte considera que a forma correta de


conhecer as leis da sociedade são a observação, o experimento e o método
comparativo. Pela observação pode-se inferir o estágio de desenvolvimento de cada
sociedade, com base na lei dos três estágios, identificando em que estágio do
desenvolvimento se encontra esta ou aquela sociedade. O experimento em
sociologia não tem as mesmas facilidades do experimento em ciências naturais por
que não é possível criar laboratórios de seres humanos, mas os casos individuais e
grupais de anomalias representam verdadeiros laboratórios sociais. Por fim, o
método comparativo permite, por analogia, fazer com que os diferentes casos
observados auxiliem a elaboração de leis inferidas pelo método comparativo.

Émile Durkheim

Émile Durkheim (1855 – 1917) funda o que ficou conhecido como “sociologia
científica”, porque pretende torná-la uma ciência autônoma e, diferentemente, de
seus antecessores, procura se afastar das bases metafísicas da sociologia e
transformá-la definitivamente em uma ciência. A sociologia não deve ser uma

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filosofia da história que tenha por objetivo determinar as leis gerais que promovem a
marcha da humanidade. Ela também não deve pretender ser metafísica tendo por
objeto definir a natureza da sociedade. Essas críticas são dirigidas a diversos
pensadores que teriam, ora mais, ora menos, elaborado teorias que não atendiam
às especificações de uma ciência. O sistema comteano caracterizava-se por ser
extremamente autoritário, uma vez que queria entregar o poder político a técnicos;
Spencer propõe um sistema sociológico em evolução, mas radicalmente
individualista. Proudhon vê na justiça a mola do progresso, preconizada
especialmente em sua obra O Sistema das Contradições Econômicas ou a Filosofia
da Miséria de 1846; Marx havia previsto uma justiça que se realizará por força de
leis inexoráveis que, mudando a estrutura material, convulsionariam as atuais
relações sociais injustas.

Em As Regras do Método Sociológico (1895) Durkheim apresenta uma série


definições que apresentam a sociologia como uma ciência autônoma. Por influência
do positivismo, considerava-se como ciência, um campo do saber que tivesse objeto
e método próprios, por isso, tratava-se de defini-los em relação à sociologia. Comte
havia determinado as leis fundamentais da estática e da dinâmica social; Spencer
identificara as leis que determinam a evolução de tipo orgânico das formas sociais e,
Durkheim, por sua vez, demonstrando que apesar dos avanços de seus
antecessores, a sociologia ainda precisaria de uma definição mais adequada,
empenha-se na especificação do objeto da sociologia: os “fatos sociais”. Tais fatos
consistem em modos de agir, pensar e sentir exteriores ao indivíduo e dotados de
poder de coerção em virtude do qual se impõem. Consequentemente, não podem
ser confundidos com os fenômenos orgânicos, porque consistem em representações
e em ações, nem com os fenômenos psíquicos, que não têm outra existência senão
as que experimentam na consciência individual e por meio dela. Enfim, os fatos
sociais são irredutíveis à vida biológica e à vida psíquica do indivíduo. Por isso, em
resumo, podemos destacar as três características dos fatos sociais: generalidade,
quando comuns a todos os indivíduos de um grupo ou à sua maioria; exterioridade,
o fato social é externo ao indivíduo, existe independentemente de sua vontade;
coercitividade, os indivíduos se sentem pressionados a seguir o comportamento

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estabelecido.

Durkheim acredita que a consciência ou a vida psíquica de cada indivíduo é,


em quase sua totalidade, reflexo dos fatos sociais que lhe dão conformidade. Assim,
determinados fatos individuais como o ciúme, a religiosidade, o amor paterno, dentre
outros, não são inerentes à natureza humana, mas da organização coletiva. O
método sociológico deve, portanto classificar os fatos sociais, dentro de uma mesma
sociedade, em fatos normais e fatos patológicos. Os fatos normais são aqueles que
dão as formas “mais gerais” de comportamento de uma sociedade em determinada
época. Com base nos fatos normais, define-se os patológicos que são anomalias
dentro destas formas “mais gerais” e pode-se comparar diferentes sociedades, pois
há um critério que o permite. Além disso, a sociologia tem por tarefa, também,
encontrar as causas determinantes dos fatos sociais em ‘fatos sociais que lhe são
anteriores’ e nunca em razões psíquicas ou biológicas, ou, nas palavras de
Durkheim: “em fatos da consciência individual”.

Um de seus trabalhos mais marcantes e que ainda influencia até hoje o


método sociológico é Da Divisão do Trabalho Social e 1893, em que oferece uma
explicação para a divisão do trabalho e, a partir desta, realiza uma análise da
solidariedade social. Durkheim distingue as sociedades simples, na qual os vínculos
de consanguinidade determinam as relações sociais, nas quais há um patrimônio
comum de ideias, avaliações e experiências que cimenta os membros da
comunidade, dando-lhes “coração e mente”, mas produz um tipo de solidariedade
chamada de mecânica. Nas sociedades industriais modernas os sujeitos se
distinguem por profissão, por ambiente familiar e social, pela educação, neste caso,
produz um tipo de solidariedade chamada de orgânica, pois seus membros não são
homogêneos e com diferentes interesses. Para ele, as sociedades industriais
modernas são um desenvolvimento normal e até mesmo desejável das sociedades
humanas. Por isso, podemos dizer que, para Durkheim, existem sociedades mais
evoluídas do que outras. Considera boa a diferenciação das profissões – que
permitem o desenvolvimento técnico – a redução da autoridade da tradição e o
crescente domínio da razão. Seu trabalho ganha ainda mais originalidade quando
analisa um aspecto negativo desta sociedade industrial moderna: o suicido.

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Durkheim percebeu que o aumento do número de suicídios entre indivíduos


de uma sociedade, poderia ser relacionado aos três diferentes tipos de solidariedade
social. São eles: o suicídio altruísta, provocado por motivos sociais, como a honra ou
como quando uma anciã de tribo nômade tira a própria vida para não ser um peso
para o grupo. Observa o pensador, que este é mais comum nas sociedades simples.
O suicídio egoísta, no qual prevalece a livre escolha pessoal; e o terceiro tipo: o
suicídio anômico.

Há duas situações fundamentais nas quais os índices de suicídio aumentam


consideravelmente: nas grandes depressões e nos períodos de prosperidade
imprevista, pois ambas as situações levam à derrocada das expectativas. É definido
assim como suicídio anômico por causa da anomia (ausência de leis ou normas)
provocada pelas situações acima descritas. Nestas situações o grupo permanece,
mas todas as relações de solidariedade são desfeitas, portanto o indivíduo não
conta mais com sistemas de apoio nem com pontos de referência. A desordem
social leva à desintegração dos laços e, este, ao aumento dos suicídios.

Max Weber

Max Weber (1864 – 1920) dentre suas inúmeras obras escreveu a que mais
influenciaria, sem dúvida nenhuma, o século XX: A ética protestante e o espírito do
capitalismo de 1904 - 1905. Além de estudos específicos da sociologia Weber
também refletiu sobre as ciências humanas em Estudos críticos sobre a lógica da
sociologia (1906).

Weber é um crítico do pensamento marxiano na medida em que este admite a


influência da estrutura sobre a superestrutura, mas não admite o inverso. Por
estrutura no marxismo entende-se as formas sociais de produção e a divisão do
trabalho e por superestrutura as manifestações culturais como a religião, as
manifestações culturais populares e outras. Então, para a teoria marxiana, a cultura
é o reflexo da divisão de trabalho, enquanto que para Weber, as formas culturais
influenciam decisivamente a estrutura econômica da sociedade.

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A teoria do agir social torna-se um dos fundamentos de sua teoria. A


classificação dos tipos de agir social torna-se importante para que se possa
interpretar os fenômenos da vida social, são critérios de análise que são
encontrados de modo mais ou menos misturados na sociedade. Weber distingue
quatro tipos de agir social. Conforme Reale (1991): “O primeiro é o comportamento
racional em relação a um fim (como, por exemplo, o do engenheiro que constrói uma
ponte ou do general que pretende conquistar a vitória); segundo, ação racional em
relação a um valor (quando um sujeito age racionalmente não para alcançar um
resultado extrínseco, mas para permanecer fiel a um valor, como no caso do capitão
que vai a pique com o navio que afunda ao invés de abandoná-lo); ação efetiva
(aquela ditada imediatamente pelo estado de espírito ou pelo humor do sujeito);
ação tradicional (aquela que é ditada pelos hábitos, costumes e crenças, tornados
como que segunda natureza).” (1991, p. 470).

Portanto, encontrar critérios como os tipos de agir social ou os procedimentos


metodológicos têm por objetivo descrever e explicar as conformações históricas e
regularidades que se percebe na história. Weber, portanto, quer fundamentar o
estudo da sociedade como ciência e não como uma vivência ou experiência social
vivida, pois ter a experiência de viver em uma determinada comunidade não significa
que a conheça cientificamente. Para ele, tanto as ciências naturais como as como as
sociologia têm o mesmo fundamento que as tornam ciências: produzir explicações
causais.

Em sociologia a explicação causal pode ser um caminho sem fim, pois


relação de causa e efeito pode nos levar a um passado infinitamente remoto e
incerto. Por exemplo, se nos perguntarmos pelas causas políticas da Primeira
Guerra Mundial, vamos recuar para as relações de força entre as grandes nações
européias desde a primeira metade do século XIX e não esgotaremos o assunto.
Assim, devemos fazer escolhas para selecionar melhor o objeto de estudo, estas
escolhas estão baseadas numa referência de valores e, desta forma, encontramos
uma relação causal entre dois fenômenos de modo absolutamente seguro. Ao invés
de nos perguntarmos sobre grandes fenômenos e suas inúmeras causas, devemos
nos ater a fenômenos menores, mas ter mais certezas sobre suas estruturas. Um

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exemplo deste tipo de pesquisa é o seu As condições dos camponeses na margem


oriental do Elba de 1892.

Estas referências de valores não selecionam os fenômenos estudados pelo


valor intrínseco dos próprios fenômenos, mas pertencem ao cientista que os
escolhe. Ainda que seja objetivamente científico escolher os fenômenos a serem
estudados e estabelecer suas relações causais, são os valores do pesquisador que
definem suas escolhas. Num exemplo do próprio Weber, a prostituição, a religião e o
dinheiro são fenômenos sociais; tomar um ou outro como objeto de estudo é uma
escolha (portanto uma ação decorrente dos valores do pesquisador) que está
relacionada ao pesquisador e não ao fenômeno em si. Diante de uma realidade
infinita o sociólogo define quais fenômenos deseja estudar a parir de seu próprio
interesse, mas o interesse não está no fenômeno em si, como vimos.

Outro aspecto da teoria de Weber é a teoria do tipo ideal. Seu objetivo é dar o
máximo de cientificidade possível à sociologia e, para obter isto, precisa de recursos
teóricos adequados. Segundo as palavras de Weber:

O tipo ideal obtém-se pela acentuação unilateral de um ou de alguns pontos de vista


pela conexão de certa quantidade de fenômenos difusos e discretos, existentes aqui em
maior e lá em menor medida, por vezes até ausentes, correspondentes àqueles pontos de
vista unilateralmente evidenciados, em quadro conceitual em si unitário. Em sua pureza
conceitual, esse quadro nunca poderá ser encontrado empiricamente na realidade: ele é
uma utopia. E ao trabalho histórico se apresenta a tarefa de verificar, em cada caso
individual, a maior ou menor distância daquele quadro ideal, estabelecendo, por exemplo,
em que medida o caráter econômico das relações de determinada cidade pode ser
qualificado conceitualmente como próprio da economia urbana. (WEBER apud REALE,
1991, p. 473).

O tipo ideal é, portanto, um expediente heurístico ou instrumento


metodológico derivado da observação da realidade, cuja função é comparar os
casos concretos da realidade em relação a ele. O tipo ideal não é a identidade
autêntica da realidade, pois ele não é uma expressão desta realidade. Ele também
não se presta a ser um critério de avaliação valorativa Por exemplo, uma vez
definido o quadro do que é o “cristianismo ideal” compara-se a este modelo as
diversas manifestações cristãs concretas; não se pode dizer que uma ou

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outra destas formas de cristianismo são mais autênticas ou menos autênticas do que
outras, mas somente que estão mais ou menos próximas do tipo ideal o que não é
um julgamento de valor.

Pode-se dizer que a teoria mais conhecida de Weber é decorrente de sua


obra A ética protestante e o espírito do capitalismo. Para ele, as formas religiosas de
vida influenciam os fenômenos sociais e não somente os fatores econômicos e, sob
este aspecto sua teoria se afasta decisivamente de Karl Marx.

Para Weber o capitalismo tem como uma de suas principais molas


propulsoras a ética calvinista, isto porque, o calvinismo propõe duas formas de
interpretação da religião que o afastam das formas antigas e produzem uma nova
concepção moral. A primeira delas é a eliminação de qualquer elemento mágico no
mundo, o que nos leva à possibilidade de domínio e exploração da ordem natural. O
segundo, a ética calvinista acentua o traço protestante de uma religião anti-
ritualística o que evidencia sua concepção de que não há comunicação entre o
espírito de Deus e o do homem senão em cada indivíduo, portanto, os rituais
católicos, por exemplo, são desprovidos de qualquer poder de ação efetiva.

Outra característica da ética calvinista que fornece as bases do capitalismo é,


sem dúvida, o lucro. Tradicionalmente, a Igreja Católica e outras correntes
protestantes viam o lucro como pecado, especialmente nos empréstimos a juros. No
entanto, para o calvinismo o lucro em si não é um mal, mas o que se faz dele.
Assim, apesar de trabalhar para obter lucro, o calvinismo não recomenda que se o
utilize para o desfrute dos prazeres mundanos, mas para investi-lo novamente.
Assim, dentro da ética calvinista a busca pelo lucro e seu re-investimento, que leva à
obtenção de ainda mais lucro, conduz a uma enorme acumulação de capital que
torna os empreendimentos do capitalismo viáveis.

Conforme Reale, para Weber, o calvinismo pode ser sintetizado, sob o ponto
de vista acima apresentado, em quatro características fundamentais:

a) existe um Deus absoluto e transcendente, que criou o mundo e o governa, mas


que o espírito finito dos homens não pode captar;

b) esse Deus, onipotente e misteriosos, predestinou cada um de nós à salvação ou

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à danação, sem que, com nossas obras, possamos modificar um decreto divino
já estabelecido;

c) esteja destinado à salvação ou à danação, o homem tem o dever de trabalhar


pela glória de Deus e criar o reino de Deus sobre esta terra;

d) as coisas terrenas, a natureza humana e a carne pertencem ao mundo do


pecado e da morte; a salvação não pode ser para o homem senão dom
totalmente gratuito da graça divina.

e) No calvinismo não há nada que possamos fazer para garantir, por nós mesmos,
nossa salvação, ao contrário da ética católica na qual, fazer boas obras é uma
forma de conquistar maiores chances de salvação eterna. Cabe somente a Deus
decidir quem será salvo e que não o será e nós não podemos ter a pretensão de
pretendermos influenciar as decisões divinas com nossas obras. Além disso,
Deus já sabe quem será e quem não será salvo; este é o problema da
predestinação. Porém, há um outro aspecto que Weber observa ser um dos
fundamentos do capitalismo: alguns sinais exteriores evidenciam quem são os
escolhidos, os electi. O sucesso material na vida mudana, na profissão, o lucro
são vistos como prova da escolha divina. Como vimos isto não significa que o
calvinista usará este sucesso para o deleite, ao contrário, há uma certa angústia
que o leva a trabalhar cada vez mais, pois não tem como saber se será ou não
salvo.

A influência do marxismo na sociologia

O pensamento de Karl Marx e de autores normalmente classificados como


marxistas, por exemplo, Louis Althusser, Antonio Gramsci e outros influenciaram as
pesquisas em sociologia fazendo com que a ciência da sociologia se tornasse um
mecanismo de denúncia da exploração do trabalho, da luta das minorias, da
revolução do proletariado etc.

Quando mais adiante observarmos a análise de Florestan Fernandes sobre a

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“revolução burguesa” estaremos diante de uma demonstração dessa influência.


Assim, antes de iniciarmos a análise da sociologia no Brasil é necessário rever
alguns dos conceitos marxistas e marxianos mais importantes na elaboração de um
pensamento sociológico de esquerda no Brasil.

O modo de produção é a forma pela qual uma sociedade produz seus bens,
seus serviços bem como o modo pelo qual os utiliza e distribui entre seus membros.
Para Marx, o “motor da história” é o modo de produção, pois é ele quem determina
os outros campos da sociedade. Portanto, modo de produção é a relação direta
entre as forças produtivas e as relações sociais de produção.

Ocorre que os modos de produção não são estáticos, ao contrário, são


dinâmicos, pois as forças produtivas se modificam ao longo da história na medida
em que os métodos de trabalho e o avanço tecnológico impelem tais mudanças. Da
mesma forma, as relações sociais de produção também se transformam ao longo do
tempo.

O desenvolvimento das forças produtivas provoca mudanças e chegam até


provocar revoluções nos modos de produção. Marx elencou os modos de produção
e indicou o modo pelo qual eles passam de um a outro. Os principais modos são:
primitivo, escravista, asiático, feudal, capitalista e socialista.

Estes modos de produção podem coexistir dentro de uma mesma sociedade,


mas não por muito tempo, por exemplo, enquanto o norte dos Estados Unidos era
industrial e capitalista, o sul era escravista, situação que não demorou a gerar
conflitos sendo o mais grave a Guerra de Secessão. Mas na humanidade em geral,
também há coexistência, como por exemplo, formas primitivas de produção na Ásia
e na África coexistem com formas capitalistas da Europa.

É no modo de produção capitalista que aparecem os conceitos que, mais


tarde, vão influenciar a sociologia brasileira. O modo de produção capitalista tem
como uma de suas principais características a propriedade privada e as relações
assalariadas de trabalho. A burguesia, que substituiu a nobreza feudal, torna-se
senhora dos meios de produção (terra e fábricas), bem como proprietária das
instituições que fazem a riqueza circular, como o comércio, os bancos e outros

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serviços.

A luta de classes é um fenômeno forjado pelo pensamento marxista segundo


o qual a história da sociedade humana é a história da luta de classes. Os exemplos
são: homens livres e escravos; patrício e plebeu; servo e senhor feudal; operário e
capitalista. A luta entre opressores e oprimidos é que provoca as inevitáveis
transformações da sociedade humana, pois seus interesses diferentes são, na
perspectiva marxista, inconciliáveis.

A ideia de revolução burguesa nasce, então, da concepção de que a


burguesia, antes oprimida pela nobreza, provoca revoluções de tal forma a passar
de classe dominada a classe dominante. As revoluções inglesas e a revolução
francesa são exemplos de revoluções burguesas.

Ocorre que, para Marx, as sociedades humanas devem evoluir do modo de


produção primitivo para o socialista passando pelo modo de produção capitalista,
portanto, tanto na sociedade geral, quanto nas sociedades particulares deve haver a
revolução burguesa, isto é, o momento no qual a burguesia deixa de ser dominada
pela nobreza e assume o poder instaurando a democracia.

O caso do Brasil, e de outros países subdesenvolvidos é que as burguesias


nacionais não tiveram tempo de fazer sua própria revolução recebendo decisiva
influência da burguesia internacional criando uma polêmica entre o desenvolvimento
capitalista interno sob a pressão da burguesia internacional.

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UNIDADE 2 - A SOCIOLOGIA NO BRASIL

A presença do pensamento sociológico no Brasil não se deu de modo


uniforme, apresentando diversas etapas. Normalmente, os estudiosos da sociologia
no Brasil dividem-na em duas grandes etapas as quais, por sua vez, são
subdivididas em alguns períodos:

1. A herança histórico-cultural da Sociologia

a) período dos pensadores sociais;

b) período da sociologia de cátedra.

2. Etapa contemporânea da Sociologia

a) período da sociologia científica;

b) período de crise e diversificação;

c) período de busca da nova identidade.

1. A Herança Histórico-Cultural da Sociologia.

O pensamento sociológico no Brasil encontra no século XIX suas origens, não


como ciência, mas como reflexão sobre temas que mais tarde receberiam
abordagem sociológica.

a) O período dos pensadores sociais.

Neste período as temáticas centrais são: a formação do Estado brasileiro e o


problema da identidade nacional, o qual, por sua vez, traz como sub-tema a questão
racial. As reflexões sobre estes temas não eram feitas tomando como referência os
métodos científicos da sociologia, mas outras influências como o iluminismo, o
darwinismo social, o evolucionismo de Spencer e Haeckel, dentre outros.

Florestan Fernandes em A sociologia no Brasil. Contribuição para o estudo de

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sua formação e desenvolvimento afirma que este período não é uniforme, pois se
pode identificar nele uma primeira fase caracterizada pelo autodidatismo em termos
de análise dos fenômenos sociais e uma segunda fase, já no início do século XX,
caracterizada por análises mais complexas baseadas em princípios histórico-
pragmáticos e histórico-geográficos. Esta segunda fase, mais do que a primeira,
fornece elementos mais concretos para o ulterior desenvolvimento da sociologia
como ciência no Brasil.

b) Período da Sociologia de Cátedra

Este período é caracterizado pela adoção da disciplina Sociologia em


determinadas faculdades, especialmente nas Escolas Normais – para formação de
professores – como disciplina auxiliar da Pedagogia, em geral, sob o nome de
sociologia da educação. Esta adoção deveu-se à influência do movimento da Escola
Nova no Brasil, cujos representantes mais notáveis são Lourenço da Gama Filho e
Anísio Teixeira. As influências mais marcantes neste período são as de Durkheim e
do filósofo norte-americano John Dewey.

As temáticas mais marcantes são: a análise das causas do “atraso”


econômico e cultural do Brasil; o problema da formação das raças e a miscigenação;
a formação da identidade nacional e, no caso da Escola Nova, como um sistema de
educação que considere a realidade concreta da sociedade brasileira para que
possa transformar esta mesma realidade.

2. A Etapa contemporânea da sociologia no Brasil

Esta etapa é marcada pelo início das atividades de pesquisa e ensino da


sociologia no Brasil não como ciência auxiliar de outras disciplinas. Isto só foi
possível graças à institucionalização de cursos de nível superior específicos de
Sociologia, como foi o caso da criação, em 1933, da Escola de Sociologia e Política
de São Paulo e, em 1934 a Seção de Sociologia e Ciência Política da Universidade
de São Paulo. A diferença desta etapa para a anterior é, portanto, a formação de

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sociólogos no Brasil voltados tanto para o ensino como a pesquisa na área.

Do ponto de vista metodológico as diferenças são ainda mais marcantes em


relação ao período anterior, pois como vimos não se tratava de pesquisas
sociológicas propriamente ditas, mas pesquisas em outras áreas que interessavam à
temática da sociologia. A partir do momento em que surgem cursos de nível superior
na área ocorre uma especialização do trabalho de pesquisa introduzindo métodos
científicos de trabalho, parafraseando Florestan Fernandes, tratava-se de submeter
o estudo dos fenômenos sociais aos padrões científicos de trabalho sistemático,
tanto no que se refere ao trabalho de campo em que a investigação exige o domínio
do método empírico-indutivo, como no campo da investigação teórica.

O objetivo de produzir conhecimento sociológico não atendia somente aos


anseios intelectuais, no entanto. O objetivo de pesquisar os mais diversos
fenômenos sociais é, também, o de compreender o meio social brasileiro e
programar a ação sobre ele. Trata-se, portanto, de uma ação estratégica
fundamental, pois até então, o Brasil não tinha pesquisas de campo sobre sua
sociedade que pudessem orientar ações públicas.

O Brasil era um vasto campo tanto para os estudos sociológicos quanto para
os antropológicos. Alguns exemplos deste campo de estudos são: as inúmeras
culturas das nações indígenas em território nacional; contatos, conflitos e
acomodações de povos e culturas diversas vivendo sob um mesmo espaço;
decorrente do item anterior o problema das relações étnicas o contraste entre as
sociedades urbanizadas – e cujo processo de urbanização se acelerava cada vez
mais – e culturas populares remanescentes, especialmente das sociedades rurais.
Além disso, outros fenômenos também passam a ser objeto de estudo e pesquisas
sociológicas no Brasil, tais como: a migração; a estratificação e mobilidade sociais.

Em meados da década de 1950 surge o movimento que ficou conhecido


como “Escola da USP” ou ainda “Escola de Sociologia Paulista” que teve como
mentor Florestan Fernandes. Este grupo desenvolveu uma série de projetos de
pesquisa sobre temas como as relações raciais no Brasil, o desenvolvimento
urbano-industrial de São Paulo, especificamente, mas também o brasileiro. Alguns
representantes deste grupo são, além do próprio Florestan Fernandes, Fernando

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Henrique Cardoso, Octávio Ianni e outros.

Do ponto de vista metodológico as pesquisas em sociologia a partir desta


década são marcadas por duas correntes divergentes que serão analisadas a
seguir. A primeira é a Teoria da Modernização, representada principalmente por
Florestan Fernandes, cujo foco estava voltado para a possibilidade de
desenvolvimento racional, urbano-industrial e democrático da sociedade brasileira. A
segunda é a Sociologia Autêntica, representada principalmente por Guerreiro
Ramos, cuja proposta era desenvolver objetos de pesquisa e métodos que
estivessem adequados à realidade nacional, pois considerava que métodos e
objetos vindos das escolas de sociologias européias e norte-americanas não eram
adequados para compreender a nossa realidade.

A Teoria da Modernização considera o processo de desenvolvimento como


transição da sociedade rural tradicional para a sociedade industrial moderna.
Quando ou enquanto este processo de transição é incompleto forma-se o fenômeno
da sociedade dual, isto é, a coexistência de duas formas societárias dentro de uma
mesma sociedade nacional.

Este quadro de sociedade dual era considerado uma realidade não somente
do Brasil, mas também de toda a América Latina. Então, caracterizava-se a
sociedade rural como uma sociedade arcaica, na qual as relações entre os
indivíduos eram marcadas pela familiaridade e pela pessoalidade e manifestada em
instituições como o compadrio, a dominação paternalista, o clientelismo, formas de
trabalho arcaicas. Neste tipo de sociedade, as possibilidades de mudança da
posição social do indivíduo são mínimas, pois a estratificação social é rígida.

Nas sociedades modernas, por sua vez, as relações pessoais são


determinadas pelas ações interpessoais destinadas a fins racionais e utilitários; este
tipo de relacionamento é chamado de secundário, por oposição ao primário, das
sociedades arcaicas. As sociedades urbanas substituem, portanto, a dependência
das relações pessoais por instituições funcionais, nas quais o compadrio e o
clientelismo, por exemplo, não são critérios para o estabelecimento de relações. A
estratificação social é menos rígida, dando mais possibilidade de mobilidade dos
indivíduos entre os grupos sociais. Enquanto nas sociedades arcaicas os valores

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pessoais são norteados por valores tradicionais, nas sociedades modernas os


valores pessoais são norteados pela dinâmica da sociedade urbana: as mudanças, o
progresso, as inovações e a racionalidade econômica.

A Teoria da Modernização, no entanto, sofreu inúmeras críticas


metodológicas e de fundamento. Em primeiro lugar, a noção de sociedade dual não
parece corresponder à realidade na medida em que as supostas organizações
societárias fazem parte de uma única sociedade global. Assim, arcaicos ou feudais e
modernos ou capitalistas representam pólos distintos de uma única sociedade.

Por outro lado, a Teoria da Modernização acreditava que quanto mais a


sociedade fosse urbanizada, racional e moderna, mais criaria condições para o
desenvolvimento da sociologia científica. Esta se definia por adotar os princípios dos
procedimentos científicos conhecidos e aplicá-los ao estudo específico dos
fenômenos sociais. No entanto, a sociologia científica acaba por apresentar uma
tendência ao tecnicismo, ao estandardizar ao extremo seus procedimentos;
generalizar o uso de instrumentos de pesquisa, bem como infra-estrutura de
pessoal, espaço físico e equipamentos.

A expectativa dos adeptos da Teoria da Modernização é de quanto mais a


América Latina caminhasse rumo à democratização de suas instituições políticas,
maiores seriam as condições de desenvolvimento da pesquisa e do ensino em
Sociologia. Os golpes militares nas décadas de 1960 e 1970 foram interpretados
como obstáculos à consolidação da sociologia científica na América Latina.

Opondo-se, também, à tendência da Teoria da Modernização a Sociologia


Autêntica considera que a situação de dependência econômica, política e cultural à
qual os países subdesenvolvidos em geral, e os latino-americanos em particular,
vivem, implica o desfavorecimento da sociologia. A sociologia vinda dos centros
decisórios do capitalismo mantém a sociologia brasileira numa situação de
dependência metodológica e de princípios.

Assim, é preciso que a América Latina livre-se da dependência política,


econômica e cultural sob a qual vive para que possa fortalecer suas instituições e,
ao mesmo tempo, produzir um conhecimento sociológico autêntico que atenda às

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necessidades próprias do continente.

Os teóricos da corrente da Sociologia Autêntica insistiam na necessidade de


uma libertação concomitante da política dos países capitalistas, preconizando a
formação de uma sociedade socialista e, por outro lado, o abandono das
problemáticas, paradigmas e técnicas sociológicas desenvolvidas nas nações
desenvolvidas do capitalismo que atendiam somente à sua própria realidade. Como
poderia a sociologia no Brasil produzir a auto-compreensão da realidade nacional se
tanto seus fundamentos como seus métodos são produzidos e adequados a outras
realidades?

Nas palavras de Guerreiro Ramos:

A disciplina sociológica, no Brasil e nos países de formação semelhante,


como os da América Latina, tem evoluído até agora, segundo influências
exógenas que impediam, neles, o desenvolvimento de um pensamento
científico autêntico ou em estreita correspondência com as circunstâncias
particulares desses países. Assim, a disciplina sociológica nesses países se
constitui de glosas de atitudes, posições doutrinárias e fórmulas de salvação
produzidas alhures, ou ilustra menos o esforço do sociólogo para
compreender a sua sociedade, do que para se informar da produção dos
sociólogos estrangeiros. (RAMOS, 1957, p. 19).

Para Ramos é preciso lançar a sociologia brasileira numa crise a ser


provocada por uma autocrítica radical. Esta autocrítica perguntar-se-ia se os
resultados das pesquisas de fato colaboram para o processo de autoconsciência
nacional. A sociologia, na concepção de Ramos, portanto, deve ser uma teoria
militante da realidade nacional que seja original tanto do ponto de vista da
problemática quando da metodologia.

Ramos estabelece algumas características fundamentais do que ele define


como “sociologia consular”: simetria, sincretismo, dogmatismo, dedutivismo,
alienação e inautenticidade.

A simetria e o sincretismo referem-se à transposição de doutrinas e métodos


das teorias dos países centrais para o Brasil de forma que produzem resultados que
em nada contribuem para a compreensão da realidade nacional.

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O dogmatismo é a acusação da adoção do método do “argumento de


autoridade” em sociologia o que implicaria que a autoridade dos textos estaria acima
da pesquisa social. A consequência imediata do dogmatismo é o dedutivismo. A
dedução é o processo de inferências no qual se parte de determinadas verdades
pré-estabelecidas que possam ser consideradas axiomas fundamentais e conforma
a realidade a estes axiomas. No caso contrário, no indutivismo, os dados obtidos por
meio da pesquisa nos permitem formular teorias gerais, com o risco evidente de
generalização. Assim, os argumentos de autoridade tornam verdadeiros paradigmas
invioláveis. Neste caso, tanto o positivismo quanto o marxismo produziram análises
sociológicas do tipo dedutivista.

Entre o final da década de 1950 e os anos de 1970 uma série de


acontecimentos político-sociais proporciona uma série de temas que serão objeto de
estudos sociológicos. Dentre estes acontecimentos podemos destacar: os golpes de
Estado que reverteram a tendência democratizante na América Latina; a derrota das
guerrilhas socialistas; a experiência socialista cubana; a Conferência Episcopal de
Medellín que torna a Teologia da Libertação a principal tendência político-religiosa.

Em 1964 o golpe militar e o AI-5 de 1968, iniciaram a perseguição política aos


intelectuais de várias áreas de conhecimento e com a sociologia não foi diferente. O
fechamento o ISEB (Instituto de Estudos Brasileiros), bem como o exílio de
intelectuais, porém, não foi suficiente para refrear o desenvolvimento do ensino e da
pesquisa de sociologia no Brasil, pois as pesquisas em nível superior nas
universidades e em institutos como o CEBRAP, o CEDEC e o IDESP mantiveram a
sociologia, apesar das divergências teóricas entre os sociólogos, ativa no Brasil.

Florestan Fernandes

Os estudiosos do pensamento de Florestan Fernandes costumam dividir sua


obra em quatro etapas:

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a) Etapa de formação (1941 – 1952)

b) Etapa da sociologia numa era de revolução social (1952 – 1967)

c) Etapa da reflexão sobre a revolução burguesa no Brasil (1967 – 1986)

d) Etapa da militância-cidadã (1986 – 1995)

a) Etapa de formação

Nesta etapa a obra de Florestan Fernandes é marcada pelos estudos


empíricos num primeiro momento e teóricos num segundo momento. Dois são seus
estudos sobre os Tupinambás: A organização social dos Tupinambás (1947) e A
função social da guerra na sociedade Tupinambá (1949). As obras teóricas são: a
introdução da tradução de Contribuição à crítica da economia política de Karl Marx,
em 1946; e Concepção de ciência política em Karl Mannheim de 1947. Por fim,
também em 1947 escreve O problema do método na investigação sociológica o que
adiantava os debates entre o indutivismo e o dedutivismo no pensamento
sociológico.

Para ele, a função da pesquisa em sociologia não era somente a erudição,


mas uma ação efetiva no meio social por intermédio do conhecimento das forças
que operam na sociedade. Esta intervenção do conhecimento produzido pela
sociologia no meio social era uma racionalização da sociedade; seu objetivo era a
construção de uma ordem social para a sociedade industrializada, democrática que
exige novos parâmetros tanto para o homem, quanto para o Estado. Tal como ele
define em O significado da sociologia no mundo moderno (1950) a respeito das
possibilidades que criam para a intervenção na sociedade, elas abrem: perspectivam
quase insondáveis de conhecimento e domínio das forças que operam no meio
social em que vivemos. De outro lado, elas poderão contribuir para a formação do
novo tipo de homem, exigidas pela civilização científica e industrial em
desenvolvimento. (1971, p. 300).

b) Etapa da sociologia numa era de revolução social (1952 – 1967)

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Esta etapa é marcada pelo objetivo de formulação de uma sociologia aplicada


que pudesse favorecer a construção de uma ordem social, democrática, industrial
dentro de um prisma racional.

A Sociologia Aplicada trata, portanto, da análise dos fenômenos sociais para


realizar previsões de intervenção racional no controle das situações que emergem
na sociedade. As principais obras nas quais elabora suas teses desta fase são: O
método de interpretação funcionalista em sociologia, de 1953; O problema da
indução da sociologia, de 1954; A reconstrução da realidade na sociologia, de 1957.

No entanto, sua obra não tem como único pano de fundo a sociologia
aplicada, pois há uma questão que permeia sua reflexão neste período: teria a
burguesia brasileira condições de fazer uma revolução burguesa igual a do modelo
francês, isto é, racional-democrática-popular?

Duas são as hipóteses de respostas a esta questão as quais podem ser


divididas em dois períodos: a primeira é a hipótese da demora cultural (1954 – 1959)
e a segunda é a hipótese do dilema social-brasileiro (1959 – 1965).

A primeira hipótese é formulada em textos como Existe uma crise da


democracia no Brasil? de 1954. A tese é de que há várias esferas culturais e
institucionais. O processo de transformação ou transição de um período a outro da
evolução social não ocorre de modo uniforme sendo que algumas esferas se
transformam ocorrem com mais rapidez do que em outras, assim, ocorrem atritos e
tensões resultantes deste processo de mudança social.

Para Florestan Fernandes a democracia no Brasil ainda não estava


consolidada, porque havia setores sociais e esferas da cultura em que a presença
de irracionalidades (disnomias) demonstrava que a instalação do Estado
democrático de direito era ainda incipiente.

Por exemplo, no caso da política, trata-se do convívio de uma mentalidade


política democrática e moderna com uma mentalidade política arcaica. A estrutura
dos partidos políticos e o funcionamento normativo da política revelam a
discrepância de mentalidades. Assim, para Florestan Fernandes, é preciso que
estas esferas sejam colocadas em padrões uniformes de desenvolvimento por meio

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de um sistema de educação que favorecesse a transição para uma mentalidade


democrática.

O golpe de Estado de 1964 demonstrou que a interpretação de Florestan


Fernandes estava, ao menos em parte, correta, pois a possibilidade e a realização
efetiva de um retorno a um quadro político arcaico, como uma ditadura, ainda
rondavam o espectro político nacional.

Florestan Fernandes, então, elabora a segunda hipótese: a do dilema social


brasileiro. Este tem por principal característica o apego sociopático ao passado. Do
ponto de vista do discurso, prega-se o avanço e o progresso, mas a postura é de um
notório conservadorismo cultural e político. Tal dilema não se passa somente no
campo teórico, porém, adentra a vida concreta e promove convulsões sociais
extremamente graves.

c) Etapa da reflexão sobre a revolução burguesa no Brasil (1967 – 1986).

Esta terceira etapa denota uma ruptura com a forma de produção intelectual
até então. Em Sociedade de classe e subdesenvolvimento, de 1969, Florestan
Fernandes interpreta o subdesenvolvimento econômico do Brasil como um
fenômeno que apresenta estruturas econômicas heterogêneas, além disso, também
da evolução do regime de classes no Brasil.

Neste sentido, interpreta a situação da classe dominante no Brasil: sua visão


de capitalismo e as consequentes exigências sociais forjam-se dentro do que se
considera o capitalismo dependente. Para que a classe dominante possa
compreender o processo no qual está inserida deve ser compelida por outras
classes para “pensar e transformar o mundo numa perspectiva universal”.

A revolução burguesa brasileira deu-se em condições de


subdesenvolvimento, no qual transparece a heterogeneidade econômica e, em
relação aos países centrais do capitalismo, num contexto de dependência. Do ponto
de vista político, esta revolução burguesa não tendeu à democracia, mas às
características marcadamente antidemocráticas e anti-popular.

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Por isso, podemos dizer que a burguesia brasileira torna-se uma classe
dominante autocrática na medida em que pratica uma democracia limitada aos
membros da própria classe e, por outro lado, mantém o monopólio da acumulação
de capital.

Do ponto de vista pessoal, Florestan Fernandes sofreu inúmeros golpes da


ditadura militar, como sua cassação da Universidade de São Paulo em 1969 e o
exílio no Canadá até 1973.

d) Etapa da Militância-Cidadã (1986 – 1995).

Esta etapa combina as análises do teórico à prática política, pois, a convite do


Partido dos Trabalhadores, Florestan Fernandes concorre a uma vaga na
Assembléia Constituinte e é eleito. Como deputado constituinte luta contra a
manutenção dos privilégios das elites. Além de deputado, Florestan também
integrou a Comissão de Educação, onde ajudou a elaborar regulamentações para o
sistema de educação no Brasil impondo, por exemplo, percentual da arrecadação a
ser gasto obrigatoriamente com educação e ciência.

No entanto, seu trabalho teórico não se esgotou com a ação política e neste
período escreveu várias obras, dentre elas: O processo constituinte, de 1988; O PT
e os rumos do socialismo, de 1989; A transformação da periferia e o capitalismo
monopolista na era atual, de 1994; Tensões na educação, de 1995.

Miriam Limoeiro-Cardoso sintetizou um dos aspectos mais importantes para o


leitor que quer compreender o pensamento de Florestan Fernandes: o compromisso
ético da ciência e a responsabilidade social do cientista. Assim, afirma:

Se há um referencial constante em todo o pensamento de Florestan Fernandes é o


desenvolvimento capitalista, sempre e em primeiro lugar na sua estrutura e na sua dinâmica
geral, internacional e, sempre em relação com elas, na sua especificidade periférica ou
dependente. Quando se preocupa com a sociologia como ciência e com o sociólogo como
intelectual socialmente responsável, Florestan Fernandes o faz contextualizando a ciência e
o cientista na sociedade burguesa, destacando as exigências e as seduções do poder
burguês e, por outro lado, os interesses de classe, diferenciados, as possibilidades e os
limites da racionalidade da atividade científica e o que entende como tarefas

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decorrentes do compromisso ético do intelectual enquanto intelectual. (LIMOEIRO-


CARDOSO, s/d. p. 16)

Florestan Fernandes faleceu em 10 de agosto de 1995.

Fernando Henrique Cardoso

Liedke Filho (2005) divide o pensamento de Fernando Henrique Cardoso em


quatro temas-momentos:

a) o estudo da sociedade escravocrata brasileira e das relações raciais no Brasil


(1955 – 1961)

b) a reflexão sobre o desenvolvimentismo brasileiro (1961 – 1963)

c) a análise da dependência estrutural da sociedade brasileira no contexto da


dependência latino-americana (1965 – 1972)

d) o modelo político autoritário brasileiro e as possibilidades e tarefas da


redemocratização (1971 até o presente).

a) o estudo da sociedade escravocrata brasileira e das relações raciais no Brasil


(1955 – 1961)

Em Capitalismo e escravidão no Brasil meridional, de 1962, Cardoso analisa a


sociedade brasileira classificando-a como capitalista-escravista, pois continha
formas heterogêneas de produção. Esta sociedade era o resultado da relação entre
a forma capitalista do sistema econômico e a base escravista das relações de
produção. Assim, para propor uma tese sobre a situação particular vivida pelo Brasil
meridional, forja o conceitos de patrimonialismo senhorial e de casta escrava.

b) a reflexão sobre o desenvolvimentismo brasileiro (1961 – 1963)

Nesta fase, analisa a situação do desenvolvimento brasileiro em relação à


burguesia industrial. Contrariamente às tendências de sua época,

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demonstra que não foi esta burguesia a responsável pela elaboração de um projeto
nacional-desenvolvimentista, mas por setores técnico-burocráticos do Estado, com o
apoio da oligarquia. Por outro lado, quando a burguesia industrial pôde assumir o
controle do Estado, não valorizou o desenvolvimento nacionalista, mas submeteu-se
a ser periferia do sistema, conformando-se com uma espécie de subcapitalismo.

c) a análise da dependência estrutural da sociedade brasileira no contexto da


dependência latino-americana (1965 – 1972)

Inicia-se a terceira fase quando, Fernando Henrique Cardoso auto exila-se no


Chile em 1964 onde permaneceu até 1967, lecionando na Faculdade Latino
Americana de Ciências Sociais e trabalhando em pesquisa na CEPAL a Comissão
Econômica para a América Latina.

Ao retornar para o Brasil torna-se professor de Ciência Política da USP, mas


em 1969 é aposentado compulsoriamente com outros intelectuais por conta das
medidas repressivas do Ato Institucional AI – 5.

Neste mesmo ano, funda junto com outros intelectuais, como Paul Singer e
José Gianotti, entre outros, o CEBRAP – Centro Brasileiro de Análise e
Planejamento.

Uma de suas mais importantes obras nesse período foi Desenvolvimento e


dependência na América Latina, de 1973 em parceira com o historiador Enzo
Faletto. A tese fundamental desta obra é que o tipo de desenvolvimento econômico
pelo qual o Brasil passa, assim como a América Latina, ao invés de levar à
independência econômico-política, ao contrário, mantém e aprofunda a situação de
dependência em relação aos países centrais.

Os grupos internos estão sujeitos aos grupos e alianças externas, assim,


muitas vezes, os conflitos entre diferentes grupos sociais, políticos e econômicos no
Brasil e na América Latina sofrem a influência de alianças e grupos exteriores.

As pesquisas de Cardoso ganharam originalidade ao apontar que a situação


de dependência do capitalismo latino-americano não era todo homogêneo. Duas
macro-tendências se formaram: por um lado, países onde havia um

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controle nacional do sistema produtivo (como o Brasil e a Argentina) e as economias


de enclave (como o México e o Chile). Assim, o novo caráter da dependência, a
internacionalização do mercado, exige novas posturas político-econômica da
sociedade brasileira.

Por conta disso, Cardoso rejeitava a tese de setores da esquerda socialista


que propugnavam a impossibilidade de desenvolvimento efetivo dentro da lógica do
sistema capitalista.

d) o modelo político autoritário brasileiro e as possibilidades e tarefas da


redemocratização (1971 até o presente).

A respeito desta fase, Liedke Filho afirma:

No início dos anos setenta inicia-se um quarto momento da produção intelectual de


Fernando Henrique sobre o Brasil contemporâneo, centrando-se na análise do modelo
econômico-político do regime pós-64 e das possibilidades de uma real democratização da
vida social brasileira. Em 1976, Cardoso publica a coletânea Autoritarismo e
Democratização, em que substitui o conceito de internacionalização do mercado interno pelo
de capitalismo dependente-associado, e propôs, para a compreensão do Brasil pós-64, o
conceito de capitalismo dependente-associado, com base na aliança entre empresas
estatais e em capitais internacionais, os quais têm por parceira menor a burguesia local, que
não deixou de existir. (Cardoso, 1976, p. 34).

Nesta fase, Cardoso tem claro que os críticos do capitalismo, especialmente


os de esquerda, esquecem-se que na atual fase deste sistema sócio-econômico, as
relações de trabalho, o processo de produção e outras características não estão
mais presas aos parâmetros de períodos anteriores. A exploração da mais valia
torna-se muito mais importante no sentido relativo, progresso técnico, do que, no
sentido direto: a super-exploração da jornada de trabalho.

Por outro lado, suas críticas aos defensores do capitalismo no modelo do


“milagre brasileiro” baseiam-se na ideia de que o desenvolvimento econômico não
deve estar baseado na concentração de renda, mas pode e deve coexistir com a
distribuição de renda caracterizando uma democracia social. Por fim, a o
desenvolvimento econômico não deve ser feito com base no autoritarismo

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político que marcou o período do “milagre brasileiro”, mas, mesmo sob o capitalismo
dependente-associado, é possível promover o desenvolvimento econômico com
base na democracia.

Pensando sobre o processo de redemocratização do Brasil, propõe a ideia de


“democratização substantiva” segundo a qual não se limita à esfera da política
partidária, mas amplia sua ação para a participação de várias instituições sociais
como sindicatos, igrejas, associações de estudantes, movimentos sociais e outros,
que deveriam participar de todos os processos decisórios a serem tomados em
plano estatal e partidário.

Fernando Henrique Cardoso, antes mesmo de seu mestre ingressou na vida


política do país. Em 1978 candidatou-se a senador pelo Movimento Democrático
Brasileiro (MDB), na ocasião, o partido de oposição ao regime militar e foi eleito
suplente. Em 1983 tornou-se senador. Com a volta da democracia, participou da
fundação do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Em 1994 foi eleito presidente da República, sendo reeleito em 1998. Sob seu
governo o Brasil conheceu a estabilidade econômica. Liedke Filho assinala três
teses que o sociólogo – e o político – orientaram sua ação ao longo de seus oito
anos de mandato:

Primeira, a tese da viabilidade de algum tipo de desenvolvimento capitalista,


ainda que em condições de dependência associada, com presença do
capital internacional, sem que isto signifique que as burguesias locais
deixem de existir; a tese da viabilidade de algum tipo de (re) distribuição de
renda, mesmo nessas condições; e, terceira, baseada nas teses anteriores,
a tese da necessidade-viabilidade de uma democratização substantiva, com
justiça social, participação democrática e liberdade efetiva. (LIEDKE FILHO,
2005, p. 18).

A sociologia brasileira hoje

Liedke Filho observa que até meados da década de 1970, a temática

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fundamental da sociologia brasileira era a questão da dependência político-


econômica do Brasil em relação aos países centrais do capitalismo e que, a partir
daí, passa a ser, principalmente, pela “temática da reativação da sociedade civil” e
dos movimentos sociais.

A derrota da proposta das eleições diretas para presidente, a campanha


Diretas-Já, em 1984 e a vitória de Fernando Collor de Melo nas eleições de 1989,
fez com que as pesquisas em sociologia mudasse o rumo, deixando a temática dos
movimentos sociais e voltando-se para uma temática microssocial enfatizando
questões como as representações, a identidade e o imaginário social, o que, para
ele, constitui uma opção problemática do ponto de vista epistemológico e teórico-
metodológico.

OCTÁVIO IANNI

Octávio Ianni (1926 – 2004) é, sem dúvida uma das referências da chamada
“escola paulista de Sociologia”, além de ser inegavelmente, um dos grandes pilares
da sociologia no Brasil, pois, em seus cinquenta anos de carreira, somou à figura do
acadêmico, pesquisador e docente a do intelectual atento às questões de seu
tempo.

Em seu artigo Octavio Ianni: A Sociologia como vocação, André Botelho,


apresenta trajetória do mestre, que iniciaria sua carreira logo após a conclusão de
sua formatura em Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da
Universidade de São Paulo, em 1954, assumindo as funções de assistente do então
professor titular, Florestan Fernandes.

Tendo sido aposentado compulsoriamente, por efeito do AI-5, fez parte ainda
do corpo docente da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, da equipe de
pesquisadores do CEBRAP, além de ter sido professor visitante e conferencista
convidado em diversas universidades norte-americanas, latino-americanas e
européias. Retomou a docência definitivamente na Universidade Estadual de

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Campinas, onde trabalhou até seus últimos dias no ano de 2004.

Vários formam os alvos da obra do mestre paulista da sociologia, contudo, o


trabalho com diferentes temáticas teve por objetivo a compreensão de diferentes
dimensões temporais do processo de formação da sociedade brasileira; em seu
passado, presente e porque não dizer, em seu futuro; criando assim, no corpus de
sua obra um conjunto de três grandes temas revisitados durante todo o decorrer de
sua produção intelectual.

Inicialmente, seguindo os passos do mestre Florestan Fernandes, Ianni


debateu as questões étnicas em trabalhos como Cor e Mobilidade Social em
Florianópolis (1960), e em As metamorfoses do Escravo (1962), no qual, como
aponta André Botelho, analisa o legado da escravidão para a consolidação de uma
sociedade democrática e igualitária no Brasil. Avançando no tempo, para o final dos
anos 70, teríamos ainda no bojo desta primeira temática a produção de Escravidão e
racismo, em que o sociólogo reflete sobre o papel do capitalismo como fator de
intervenção na consolidação das relações das sociedades escravistas.

Em sua segunda fase, analisando os dilemas sociais e políticos do Brasil que


então vivia um franco processo de industrialização, observa as mudanças sociais do
Brasil do pós-guerra, em obras como Política e Revolução Social no Brasil (1965),
Estado e Capitalismo no Brasil, também de 1965 e O colapso do populismo no Brasil
(1968).

Segundo Marcos Costa Lima:

“Nos anos 70 amplia o seu escopo e interpretação para dois temas que
também foram constantes na sua sociologia política, a natureza do Estado e
a América latina, desenvolvidos em A formação Estado populista na
América Latina, de 1975. Já não lhe bastava explicar o Brasil; para captar a
dinâmica do capitalismo, era necessário cotejar as nuanças do Estado na
região.” (2005,p.1)

Desta segunda fase, ainda segundo Lima, faz parte também o Ciclo da
Revolução Burguesa; no qual retoma os temas da industrialização, do populismo,
somados agora outras problemáticas como a das formas burguesas nos países

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periféricos, os militares e as possibilidades da revolução socialista na América


Latina.

Em sua terceira fase, tem por foco as relações que nascem e se transformam
a partir da compreensão das sociedades não mais pela perspectiva de uma relação
entre centro e periferia, mas a partir de uma relação norteada pela globalização, pelo
sistema-mundo e pelo crescente domínio do imperialismo – econômico e militar –
dos Estados Unidos. Nessa fase, escreve o premiado Enigmas da modernidade-
mundo (2000).

Embora a sociedade brasileira, sua formação e seus caminhos tenham sido


alvos de seus estudos, Ianni não se furtou a discutir suas ideias a respeito da
Sociologia e do papel do sociólogo. Aos temas como o da sociologia, vista como
técnica de controle social, ou como crítica da ordem social existente, somaram-se
ainda o da necessidade de engajamento do sociólogo, como alerta Botelho:

“Ianni, alertava para o risco de a Sociologia tornar-se incapaz de


transcender a ordem constituída, como crítica do existente, e acabar por
desempenhar meramente o papel de instrumento de adequação técnica de
meios a fins em sociedades, também por isso, marcadas por uma esfera
pública cada vez, mas estreita e uma participação democrática cada vez
mais reduzida.” (2004, P.5).

Comentando sobre o valor da produção intelectual do antigo aluno, Florestan


Fernandes, afirmou que a obra de Ianni deveria ser vista como uma obra
contemporânea, pois atendia de forma clara a duas principais dimensões: aos
desafios do presente, e à reinterpretação do passado.

MAURÍCIO TRAGTENBERG

Maurício Tragtemberg (1929 – 1998), sociólogo e intelectual ligado ao meio


acadêmico paulista, destacando-se, seu pensamento e sua obra em função de sua

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constante preocupação com as questões ligadas às classes trabalhadoras.

Tragtenberg, de origem simples, no Rio Grande do Sul, (em Erexim, atual


Getúlio Vargas), entre camponeses e pequenos proprietários. Conforme Afrânio
Mendes Catani, em seu artigo Maurício Tragtenberg: um intelectual contra o poder
intelectual, Tragtenberg, já na infância teria tido contato com as obras de Kropotkine,
Bakunin e Leon Tolstoi, autores lidos pelas pessoas de seu círculo de contatos
durante sua infância.

Vindo para São Paulo, ainda na infância, teve contato, na adolescência com o
PCB, do qual foi expulso em virtude de sua crítica ao pensamento stalinista e sua
aproximação com o pensamento trotskista. Frequentava assiduamente a Biblioteca
Mário de Andrade, tornando-se amigo de jornalistas e intelectuais, tendo resolvido,
por sugestão de Antonio Cândido, candidatar-se ao vestibular das Ciências Sociais
na Universidade de São Paulo. Embora tenha prosseguido suas pesquisas e seu
pensamento ligado à sociologia, terminou por graduar-se em História.

Em sua tese de doutorado, Burocracia e Tecnologia, Tragtenberg realiza,


segundo Catani, uma criteriosa análise das formas de dominação burocrática, com
base em Hegel, Marx e Weber. O foco do autor é a compreensão do fenômeno
burocrático, de seu surgimento, no modo-de-produção-asiático até as grandes
coorporações capitalistas.

Em função de sua trajetória como pensador e mesmo em virtude de sua


formação pessoal, ligada aos princípios e interesses das classes trabalhadoras,
outro grande foco das pesquisas de Tragtenberg foi o exame da sociedade soviética,
bem como da crise do capitalismo. Lecionou na Universidade do Estado de São
Paulo de São José do Rio Preto, tendo sido cassado em 1964. Lecionou ainda na
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, na Faculdade de Educação da
UNICAMP, na FGV. Na UNICAMP foi um dos fundadores da Revista Educação e
Sociedade, orientou diversos trabalhos de titulação, além de influenciar intelectuais
de outras universidades brasileiras e da América Latina.

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CEPAL - Comissão Econômica para a América Latina e o


Caribe

Esta comissão regional corresponde a uma das cinco criadas pela


Organização das Nações Unidas (ONU). Foi criada em 1948, àquela época, por
iniciativa do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC), tendo
sua sede em Santiago, no Chile. Sua criação estaria associada ao interesse das
Nações Unidas de coordenar as políticas direcionadas à promoção do
desenvolvimento econômico da região latino-americana, reforçando as relações
econômicas dos países da área, tanto entre si como com as demais nações do
mundo.

De maneira mais pontual, poderíamos destacar as linhas de pesquisa e


discussão da CEPAL orientadas a partir dos seguintes objetivos:

- Promover o desenvolvimento econômico e social mediante a cooperação e


integração regionais e subregionais;

- Reunir, organizar, interpretar e difundir informação e dados relativos ao


desenvolvimento econômico e social da região;

- Prestar serviços de assessoramento aos governadores e planificar,


organizar e executar programas de cooperação técnica;

- Formular e promover atividades e projetos de assistência para o


desenvolvimento que se adaptem às necessidades e prioridades da região.

Embora não tenham desenvolvido uma teoria própria em relação à questão


específica da educação, segundo Ramon de Oliveira, em seu artigo O legado da
CEPAL à educação nos anos 90, para o pensamento cepalino, era clara a
necessidade de articular-se educação, conhecimento e desenvolvimento. Via-se
assim a educação como propulsora de novas mentalidades e de novas práticas, em
acordo com as necessidades de se reformularem os sistemas educacionais, de
maneira a torná-los coetâneos das grandes mudanças no setor produtivo.

Conforme Oliveira:

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“Segundo a CEPAL, é aceitação generalizada, inclusive nos países


industrializados que em grande medida, os êxitos e atrasos no campo
econômico, político e social, podem ser explicados, se não totalmente, pelo
menos parcialmente, pela qualidade do serviço educacional oferecido. Para
a CEPAL esta certeza tem sido a principal responsável por haver, na
maioria dos países – independentemente de sua posição na competição
internacional – uma tomada de posição em prol da reformulação dos seus
sistemas educacionais e da implementação de mecanismos visando uma
maior atenção à qualidade da educação básica e ao repensar das ações
que objetivem a capacitação profissional.” (2001, p.03).

A CEPAL, desde sua criação congregou em seus quadros grande parte da


intelectualidade e representantes do pensamento desenvolvimentista na América
Latina, como Celso Furtado, Fernando Henrique Cardoso e Florestan Fernandes.
Suas principais preocupações voltaram-se para os temas associados ao
desenvolvimento sócio-econômico dos países, seus entraves e possibilidades de
solução; sendo, a base do pensamento cepalino a compreensão da industrialização
como o principal caminho para a superação do subdesenvolvimento dos países da
América Latina.

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UNIDADE 3 - ALGUNS TEMAS DE SOCIOLOGIA

Comunidade

A concepção do termo comunidade em sociologia ganhou uma acepção


diferente do que é utilizado em outras ciências humanas. Desta forma, é necessário
precisar quais são suas principais características.

Quando se fala em comunidade referimo-nos a grupos sociais com laços


afetivos, desenvolvidos em geral, por pequenos grupos sociais que se localizam
num território igualmente limitado. Desta forma, as tradições históricas e culturais
permanecem, ao contrário do que ocorre em grandes centros urbanos onde a
impessoalidade leva ao fim dos laços afetivos e destas tradições.

As principais características de uma comunidade são: nitidez, esta


característica está ligada aos limites geográficos da comunidade; pequenez, como
vimos mais acima, uma comunidade é composta por um pequeno grupo de pessoas;
relações pessoais, os vínculos de relacionamento, em geral, são diretos e de caráter
afetivo e emocional; homogeneidade, as atividades sociais são definidas para cada
faixa etária e, em geral, são divididas por gênero sexual, desta forma, as
transformações sociais são lentas.

Sociedade

Ao contrário das comunidades que são fundadas em laços afetivos, as


sociedades caracterizam-se pela impessoalidade, pois as relações humanas são
baseadas em convenções. Por exemplo, os grandes centros industriais-urbanos são
regidos por leis e regulamentos racionalmente elaborados a fim de tornar possível o
convívio de um grande número de pessoas em um espaço geograficamente limitado.

Nestas sociedades são poucos os valores, ou padrões de comportamentos,

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bem como as crenças religiosas que podem ser consideradas universalmente


aceitas o que leva a uma série de conflitos decorrentes de valores e interesses
diferentes. Este tipo de contato humano em sociedades é considerado secundário e
impessoal, ao passo que, nas comunidades é considerado primário.

Comunidades camponesas que atingem um grau maior de complexidade na


rede de relações podem ser denominadas como sociedades comunitárias, ao passo
que, por diferenciação, as sociedades urbano-industriais ou modernas, são
chamadas também de sociedades societárias.

Cidadania

As relações de solidariedade que harmonizam a vida nas comunidades, como


vimos, desaparecem nas sociedades societárias. Dessa forma, o individualismo de
interesses e valores põe em risco a própria coexistência dos membros. As leis,
regras e normas sociais devem regular as relações e os direitos, mas não são
suficientes, pois o processo de vigilância e punição de infratores não pode ser a
única forma de promover a convivência social.

Assim, contrariamente a tendência da desagregação de interesses e valores


particulares a ideia de cidadania reforça o princípio de que há valores e interesses
que têm valor para todos os membros da sociedade independentemente dos valores
e interesses particulares.

Desta forma, trata-se de fazer com que os cidadãos adquiram consciência de


seus direitos e de seus deveres, não apenas pela obediência às leis, mas também
por uma retomada dos princípios da solidariedade.

Organizações internacionais e nacionais atuam, especialmente desde o final


da Segunda Guerra Mundial neste sentido. Assim, declarações como a dos Direitos
Humanos e dos Direitos da Criança e do Adolescente, visam oferecer normas de
convívio e de respeito social, que podem eventualmente tornar-se leis em alguns
países. Porém, insistimos, não se trata apenas de obedecer normas e leis, mas criar

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relações de solidariedade.

Na década de 1990 no Brasil a Campanha Contra a Fome, liderada por


Herbert de Souza, mais conhecido como Betinho, tornou-se um exemplo
solidariedade em uma sociedade societária que ganhou amplo espaço na imprensa
e apoio popular.

Cultura

O tema da cultura torna-se objeto de estudo tanto da Antropologia,


especialmente o ramo conhecido como Antropologia Cultural, quanto da Sociologia.
Em primeiro lugar, é importante diferenciar os termos que procuram definir a cultura:

a) cultura de folk. Sistema de crenças e valores sociais de comunidades, em


geral isoladas, rurais e, cuja principal forma de transmissão da cultura é oral.

b) cultura erudita ou de elite. Tipo de cultura difundida por meio de escolas e


livros, de modo sistematizado, organizado e formal.

c) cultura popular. Em geral, definida como conjunto de valores, crenças,


práticas, objetos materiais e tradições criadas de forma espontânea.

d) cultura de massa. Conjunto de manifestações culturais que não é


produzida em nenhum grupo social específico, mas pela indústria cultural. Via de
regra, a indústria cultural não cria essas manifestações, apenas se apropria e
“industrializa” as manifestações produzidas em meios populares ou eruditos
transmitidas de modo incisivo pelos meios de comunicação de massa. Este conceito
foi criado pelos intelectuais da Escola de Frankfurt, dentre os quais podemos
destacar Theodor Adorno, Max Horkheimer e Walter Benjamin.

O estudo e a pesquisa em cultura implicam a identificação de alguns de seus


elementos mais característicos, os quais serão analisados a seguir.

Os traços culturais podem ser considerados o menor componente


representativo de uma cultura. Os objetos produzidos por um determinado grupo
social são representativos de uma manifestação deles, por exemplo, um

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cocar para alguma nação indígena; uma pulseira de ouro e pedras preciosas para a
sociedade societária; enfim, adornos de todos os tipos. É importante observar,
porém, que estes objetos só fazem sentido para a cultura que os produziu.

O complexo cultural é a combinação dos traços culturais, isto é, diversos


objetos produzidos, bem como as instituições criadas para que as manifestações
culturais ocorram, por exemplo, o carnaval de rua de Salvador, na Bahia, possui trios
elétricos, abadas, mas também uma rede de organizações que vendem ingressos, a
prefeitura que arrecada impostos, redes de hotelaria para os turistas etc.

A área cultural é a região geográfica onde predominam determinadas


manifestações culturais. Em uma mesma área ou em áreas próximas, diversos
grupos e suas manifestações culturais podem conviver, de modo nem sempre
respeitoso e simbiótico. Um exemplo deste caso é o convívio das manifestações de
afro-descendetes e dos euro-descendentes, no Brasil colonial.

O padrão cultural é um padrão de normas que rege o comportamento dos


indivíduos de determinada cultura e sociedade. Estas normas não são formais, mas
consuetudinárias e mantidas pela tradição. No caso das sociedades societárias,
muitos padrões culturais – como a monogamia – tornam-se leis.

A subcultura são manifestações culturais praticadas por grupos menores


dentro de uma mesma área cultural, assim, apesar de conviverem com uma cultura
mais ampla, mantém suas tradições próprias.

É importante destacarmos o papel da educação no processo de transmissão


da cultura de geração para geração, portanto de permanências, mas também é o
lugar privilegiado das mudanças culturais que ocorrem de geração para geração,
especialmente nas sociedades.

A educação é um processo que apresenta duas formas principais. A


educação formal, realizada em instituições como as escolas públicas e particulares
da rede oficial de ensino, bem como escolas de conteúdos extra-curriculares como
dança, música, idiomas estrangeiros. A educação formal é comum nas sociedades
nas quais há até mesmo a obrigatoriedade de se matricular as crianças em escolas
da rede oficial de ensino.

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A educação informal é praticada frequentemente nas comunidades onde o


processo de transmissão da cultura, o que inclui o idioma, os costumes, os valores
morais, são feitos em processos coletivos e sem o apoio de instituições de ensino,
por isso recebem a denominação de informais. Na mesma medida em que as
comunidades entram em contato com as sociedades e deixam, paulatinamente seu
modo de vida, o processo de educação informal vai sendo substituído pelo de
educação formal, até mesmo como forma de seus membros poderem garantir a
subsistência nas sociedades.

As Instituições Sociais

Trata-se da organização de um grupo social, dentro da sociedade, que se


torna estável em virtude de regras e procedimentos padronizados, cujo objetivo é
manter a coesão interna do grupo.

As instituições sociais têm por objetivo atender às necessidades dos


membros que a compõem e, por outro lado, servem de regulação e controle das
atividades dos membros que a compõe.

Alguns exemplos de Instituições Sociais são: a família, o Estado, as


instituições educacionais, a igreja e outras.

A família e uma instituição social que recebe algumas regulamentações


públicas, mas em geral, suas normas de comportamentos são determinadas por
identidade biológica, cultural. A família pode ser estuda sob vários aspectos dentre
os quais podem-se destacar: o número de casamentos a monogamia e a poligamia;
esta última pode ser do tipo poliandria ou poliginia. Outro aspecto para o estudo das
famílias, como instituições sociais, é as formas de casamento. A primeira é do tipo
endogâmica, mais comum entre as comunidades e as exogâmicas, mais comum nas
sociedades.

Em geral considera-se que são três as funções da família. A função sexual ou


reprodutiva; a função econômica e a função educacional. Também considera-se a

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família sob o ponto de vista dos tipos de família. São as famílias do tipo conjugal ou
nuclear (marido, esposa e filhos); consanguínia ou extensa (aquela que soma
parentes à família nuclear).

A igreja é um tipo de instituição social baseada em fenômeno humano: a fé.


Em diversos tipos de comunidade há manifestações religiosas, mas não
organizações de igrejas. Na sociedade ocidental, especialmente, ocorreu a formação
de igrejas, isto é, instituições sociais que agregam determinados grupos sociais que
aceitam suas regras e modulam o comportamento por suas normas.

Há muitas pesquisas sobre as instituições religiosas que abordam aspectos


como: o crescimento de determinado culto; a redução proporcional de fiéis em outro;
estudos comparativos de suas normas sociais etc.

O Estado é uma instituição social que não se restringe a um grupo, mas


atinge toda a sociedade. Sua função é legislar e vigiar o cumprimento das leis por
todos os indivíduos que o compõem. Normalmente, considera-se três o número de
componentes mais importantes do Estado: o território, para o qual pode-se usar o
equivalente, país; população e as instituições políticas que compõe sua estrutura de
poder: executivo, legislativo e judiciário.

É preciso, contudo, observar as diferenças entre alguns termos como Estado,


governo e nação. O Estado é uma instituição social que, como vimos, é por
instituições que mantém seu funcionamento. O governo é a estrutura administrativa
do Estado, muitas vezes considerado pelos estudiosos com “componente transitório”
do Estado o que é um equívoco, pois o governo não é transitório, mas os
representantes que ocupam seus cargos que têm poder transitório. A nação é
formada pelas pessoas que têm identidade cultural, linguística, territorial etc.

Quanto às formas de governo temos basicamente duas: a monarquia, onde o


governo é exercido por uma única pessoa. Dentro desta forma há dois sistemas
distintos, como as monarquias absolutas e as monarquias parlamentaristas. A outra
forma é a republicana, para a qual há também dois sistemas distintos: as repúblicas
presidencialistas e as repúblicas parlamentaristas.

As instituições escolares são um fenômeno das sociedades. Vimos mais

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acima que a educação formal é presente nas sociedades e se realiza por meio de
instituições oficiais. Elas podem se subdividir em vários tipos de organização, como
as escolas públicas, das redes municipais, estaduais e federais; escolas particulares
e escolas comunitárias, sem fins lucrativos. Estes tipos de organização podem atuar
nos diferentes níveis de ensino: educação infantil, ensino fundamental, ensino médio
e ensino superior. Sendo que os três primeiros tipos forma a educação básica.

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