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Alfred North Whitehead

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Alfred North Whitehead (Ramsgate, 15 de fevereiro de 1861 — Alfred North Whitehead
Cambridge, 30 de dezembro de 1947) foi um filósofo, lógico e
matemático britânico. É o fundador da escola filosófica conhecida
como a filosofia do processo, atualmente aplicada em vários
campos da ciência, como dentre outros na ecologia, teologia,
pedagogia, física, biologia, economia e psicologia.

No início de sua carreira dedicou-se à matemática, à lógica e à


física. Seu primeiro grande trabalho foi O Tratado sobre a
Álgebra Universal (1898), onde se propôs a unificar a álgebra, a
exemplo do que David Hilbert fez com a geometria não
euclidiana. Seu trabalho mais notável sobre o assunto é o
Principia mathematica (1910–1913), escrito com a colaboração Retrato de Alfred North Whitehead
de seu ex-aluno Bertrand Russell. O Principia Mathematica é Conhecido(a) Filosofia do Processo
considerado uma das obras mais importantes doséculo XX.[13] por Teologia do Processo
Nascimento 15 de fevereiro de 1861
Durante o período entre o final dos anos 1910 e o início dos anos Ramsgate, Kent, Reino Unido
1920, Whitehead enveredou-se gradualmente para a filosofia da
Morte 30 de dezembro de 1947 (86 anos)
ciência e para a metafísica. Durante esse período, afastou-se do Cambridge, Massachusetts,
logicismo e passou a se dedicar à filosofia da natureza como Estados Unidos
mostrado nas obras Os Princípios do Conhecimento Natural Residência Inglaterra e Estados Unidos
(1919) e O Conceito da Natureza (1920). Em Os Princípios da Nacionalidade Britânico
Relatividade (1922) ele faz uma abordagem crítica à teoria da
Cônjuge Evelyn Wade
relatividade de Albert Einstein. Desenvolveu um sistema
Alma mater Universidade de Cambridge
completo de metafísica que ocorre em meio à mudança e ao Universidade de Harvard
dinamismo, algo radicalmente diferente de tudo visto na filosofia
Influências
ocidental até então. Atualmente a obra filosófica de Whitehead - Lista
principalmente sua Magnum Opus, Processo e Realidade (1929) -
Aristóteles, Henri Bergson, Francis
é considerada a fundadora dafilosofia do processo. Herbert Bradley, John Dewey,
David Hume, William James,
Sua metafísica é centrada nos conceitos de "apertos" (expressão Immanuel Kant, Gottfried Wilhelm
que ele usa para indicar que uma percepção consciente ou Leibniz,[1] John Locke, Isaac
Newton, Platão, George
inconsciente incorpora alguns aspectos do objeto percebido). Santayana
Whitehead não busca explicar a teoria do conhecimento, e sim a
Influenciados
experiência em si, distinguindo-se da metafísica de Immanuel Lista
Kant. A filosofia do processo de Whitehead pressupõe que "é
Wilfred Eade Agar,[2] David
urgente ver o mundo como uma rede de processos
Bohm,[2] C. D. Broad,[3] Milič
interdependentes da qual fazemos parte, e todas as nossas escolhas
Čapek,[2] Gilles Deleuze,[4]
e nossas ações têm consequências onde vivemos".[14] Por essa Susanne Langer,[2] Ervin László,
razão Whitehead foi muito influente nos estudos da ecologia, Maurice Merleau-Ponty,[3] F. S. C.
sobretudo na ética ambiental de John B. Cobb.[15] Northrop,[2] Talcott Parsons,[5] Ilya
Prigogine,[3] Willard van Orman
Quine,[6] Bertrand Russell, B. F.
Skinner,[7] Wolfgang Smith,[8] John
Lighton Synge,[2] Jules
Índice Vuillemin,[3] Conrad Hal
Biografia Waddington,[2] Michel Weber,[9]
Trabalhos sobre matemática e lógica Sewall Wright,[10] Eric Voegelin[11]
O Tratado da Álgebra Universal Prêmios Medalha Sylvester (1925)
Principia Mathematica
Magnum opus Processo e Realidade
Uma Introdução à Matemática Principia Mathematica
Trabalhos sobre epistemologia e metafísica Assinatura
Uma Investigação sobre o Princípio do
Conhecimento Natural e O Conceito de Natureza
Ciência no mundo modernoe Religion in the
Making
Orientador(es) Edward Routh[12]
Processo e Realidade
Simbolismo: seu significado e efeitoe A função da Campo(s) filosofia, matemática, metafísica
Razão
Aventuras de ideias e Métodos de Pensamento
Filosofia e Metafísica
Da ciência empírica à especulação sobre o
universo
Retomando antigas ideias metafísicas
A Metafísica de Processo e Realidade
A concepção de realidade de Whitehead
A criatividade das entidades
Teoria da Percepção
Valor e evolução
Teologia do processo
A dupla natureza de Deus
Deus, a criatividade e a religião
Crítica à ciência moderna
Educação
Influência e legado
Recepção de seu pensamento
Ciências
Matemática e lógica
Ciências naturais
Filosofia
Obras
Em português
Ver também
Referências
Ligações externas

Biografia
Alfred North Whitehead nasceu em 1861 na cidade de Ramsgate, Inglaterra. Seu pai, Alfred Whitehead, foi pastor e professor da
Chatham House Grammar School, uma escola masculina fundada por seu pai Thomas (avô de Whitehead). Ambos foram descritos
pelo filósofo como homens extraordinários. Curiosamente Whitehead não menciona sua mãe Maria Sarah em nenhum de seus
escritos, denotando pouca proximidade, confirmada, mais tarde, por sua esposa Evelyn.[16] Ele frequentou a escola Sherborne em
Dorset, considerada uma das melhores escolas particulares do país de sua época. Durante o período escolar ele se destacou nas
atividades esportivas e em matemática.[17]
Em 1880 ele entrou para a Universidade de Cambridge, Trinity College onde se
tornou membro dos Apóstolos de Cambridge, uma sociedade secreta de estudantes.
Na universidade estudou matemática sob a direção deEdward Routh e se formou em
1884 com excelente desempenho. Foi condecorado Fellow do Trinity College no
mesmo ano, passando a lecionar matemática e física. Entre 1890 e 1898 escreveu
seu Tratado sobre a Álgebra Universal. Em 1900 escreveu com seu ex-aluno,
Bertrand Russell, o Principia Mathematica, um dos grandes trabalhos da história da
matemática do século XX.[13]
Foto da Trinity College, Cambridge,
onde Whitehead passou trinta anos - Em 1890 Whitehead se casou com Evelyn Wade, uma irlandesa radicada na França.
cinco como estudante, e vinte e Eles tiveram uma filha, Jessie Whitehead; e dois filhos, Thomas North Whitehead e
cinco como professor sênior.
Eric Whitehead - que veio a falecer aos 19 anos durante combate na Primeira Guerra
Mundial, servindo a Força Aérea Britânica.[18]

Em 1910, Whitehead pediu demissão do Trinity College e se mudou para Londres.


Visto que ele se demitiu antes de procurar outro ofício, acabou amargando um ano
de desemprego,[18] até aceitar o trabalho de professor em matemática aplicada à
mecânica na University College London. Mais tarde foi preterido na escolha pela da
.[18]
cadeira de Matemática e Mecânica, posição que ele realmente desejava assumir

Em 1914 Whitehead foi nomeado professor de matemática aplicada no Imperial


College London, onde seu velho amigo Andrew Forsyth era chefe do departamento
de matemática. Em 1918 ele foi eleito decano da Faculdade de Ciências da
Universidade de Londres, cargo que ocupou durante quatro anos. Em 1919 tornou-se
membro e presidente do Senado da Universidade, função a qual exerceu até sua ida
aos Estados Unidos em 1924. Sua política como presidente privilegiou o acesso de
estudantes carentes às universidades.[18]

A partir do final dos da década de 1910, ele passou a se interessar pela filosofia. A
despeito de não ter nenhum tipo de educação formal na área, sua obra filosófica se Bertrand Russell em 1907. Russell
desenvolveu e ganhou prestígio rapidamente. Em 1920 publicou O Conceito de foi aluno, colaborador e amigo de
Natureza e se tornou presidente da Sociedade Aristotélica entre 1922–1923.[18] Em Whitehead.
1924 Henry Osborn Taylor convidou Whitehead, então com 63 anos, para ocupar o
cargo de professor de filosofia daUniversidade Harvard.[18]

Foi durante seu período como professor de Harvard que Whitehead produziu suas mais importantes contribuições filosóficas. Em
1925 escreveu A Ciência e o Mundo Moderno, que foi reconhecida como uma alternativa ao dualismo, sobretudo ao dualismo
cartesiano.[16] Poucos anos depois publicou sua Magnum Opus, Processo e Realidade, obra que foi comparada, em importância e
complexidade, à Crítica da Razão Pura de Immanuel Kant.[15] A família Whitehead se estabeleceu definitivamente nos Estados
Unidos. Whitehead se aposentou em 1937 e permaneceu em Cambridge, Massachusetts até sua morte em 30 de dezembro de
1947.[18]

A biografia escrita por Victor Lowe é o estudo mais preciso sobre a vida do filósofo e matemático, porém muitos detalhes de sua
história permanecem obscuros. A pedido do autor
, sua família destruiu todas suas anotações pessoais depois de sua morte. Além disso
Whitehead era conhecido por exercer uma crença quase fanática ao direito à privacidade, registrando, portanto, poucas anotações de
cunho pessoal.[16]

.[19]
O Centro de Pesquisas sobre Whitehead lançou em 2017 uma edição crítica dos escritos pessoais do autor

Trabalhos sobre matemática e lógica


Além de numerosos artigos sobre matemática, Whitehead escreveu três livros importantes sobre a disciplina: A Teoria Universal da
Álgebra (1898), Principia Mathematica (1910 a 1913) e Uma Introdução à Matemática (1911). Os dois primeiros livros são
destinados exclusivamente para matemáticos profissionais, enquanto que o último, que cobre a história da matemática e suas bases
filosóficas,[20] é destinado a um público mais amplo. O Principia Mathematica, em particular, é considerado uma das obras mais
importantes da lógica matemática do século XX.[13]

Além de seu legado como autor do Principia Mathematica, a teoria da "extensa abstração" de Whitehead é considerada fundamental
para o ramo da ciência da computação e da ontologia conhecido como "mereotopologia", uma teoria que descreve as relações
espaciais entre as séries, as partes, as partes de partes e asfronteiras entre estas partes.[21]

O Tratado da Álgebra Universal


Em O Tratado de Álgebra Universal (1898), o termo álgebra universal possui essencialmente o mesmo significado do
contemporâneo; ou seja, refere-se ao estudo das estruturas algébricas em si, ao invés de modelos de estruturas algébricas de George
Grätzer.[22] Whitehead credita a William Rowan Hamiltone Augustus De Morgan a criação da disciplina.[22][23]

A álgebra de Lie, dada pelo espaço vetorial dos campos de vetores, bem como os quaterniões hiperbólicos e a álgebra sobre um
corpo, chamaram a atenção para a necessidade de se expandir estruturas algébricas para além do grupo associativo multiplicativo.
Alexander Macfarlane escreveu na revista Science: "A ideia principal deste trabalho não é a unificação dos diferentes métodos ou a
generalização da álgebra comum para incluí-los, mas sim o estudo comparativo entre as estruturas".[24] George Ballard Mathews
[25]
define que a obra "tem uma unidade de design verdadeiramente notável, dada a variedade de seus temas".

Principia Mathematica
Em “Principia”, Whitehead e Bertrand Russell propuseram uma conclusão de todas as
verdades matemáticas, baseando-se num rol precisamente delineado por axiomas e
regras de dedução. Para isso, eles empregaram uma linguagem lógico-simbólica própria.
O livro é considerado um dos mais importantes trabalhos sobre a interdisciplinaridade
entre matemática, lógica e filosofia, com dimensão comparável ao Organon de
Aristóteles.[26] A Modern Library colocou-o no 23º de uma lista dos cem mais
importantes livros eminglês de não ficção do século XX.[27][28]

Whitehead tinha a ideia inicial de concluir o Principia Mathematica em um ano,


contudo, o projeto se estendeu por dez anos.[29] Em sua primeira publicação o livro foi
dividido em três volumes (mais de 2 000 páginas) e, por seu público restrito, formado
majoritariamente por matemáticos profissionais, houve um prejuízo de 600 libras
esterlinas em sua publicação - 300 dos quais foram pagos pela Cambridge University
Press e 200 pela Royal Society. Whitehead e seu aluno Russell completaram a dívida
com cinquenta libras cada. Apesar do prejuízo inicial a obra ganhou reconhecimento.
Atualmente o Principia pode ser encontrado em praticamente todas as bibliotecas de
universidades.[30] Página de rosto da versão
resumida de Principia
mathematica.
Uma Introdução à Matemática
Ao contrário dos dois livros anteriores, em Uma Introdução à Matemática (1911), Whitehead não se dirige exclusivamente para
matemáticos profissionais. Ele busca um público mais amplo para explicar o que é a natureza da matemática; sua unidade, sua
estrutura interna e sua aplicabilidade.[31] Sobre a obra, Whitehead escreveu:

"O objetivo de Uma Introdução à Matemática não é o de ensinar matemática, mas permitir que os alunos
[32]
descubram do que esta ciência trata, ou seja, a base do pensamento exato aplicado a fenômenos naturais."
Este livro pode ser visto como uma tentativa de compreender a unidade e interligação entre a matemática e a filosofia e entre a
linguística e a física. Embora o livro não seja tão popular, em alguns aspectos, ele antecipa alguns desenvolvimentos ocorridos
posteriormente na filosofia e nametafísica.[33]

Trabalhos sobre epistemologia e metafísica

Uma Investigação sobre o Princípio do Conhecimento Naturale O Conceito de


Natureza
Em Uma Investigação sobre o Princípio do Conhecimento Natural (1919) e O Conceito de Natureza (1920), Whitehead rejeita a
identificação da natureza nas ferramentas matemáticas utilizadas para representar as suas estruturas de relacionamento. Ele sustenta
que o ponto geométrico é uma abstração que não corresponde à realidade que podemos experimentar. A realidade seria uma entidade
abstrata derivada de relações concretas e extensas no tempo e no espaço. Segundo ele, um "objeto" é o significado idealizado do que
é estável em um evento ou uma conjunto de elementos: ele classifica os eventos como as realidades fundamentais da experiência e da
natureza. Nessas obras ele se opõe ao empirismo radical deWilliam James.[34]

Ciência no mundo modernoe Religion in the Making


Em Ciência no Mundo Moderno (1925), Whitehead ataca o que chama de "materialismo científico dogmático." Ele critica, em
particular, a visão de que apenas as coisas que podem ser localizadas geometricamente são reais. Para ele, no entanto, o que importa
são as relações entre as coisas.[35] É também neste livro que introduziu a palavra "grip", que ele define como uma "percepção não
cognitiva".[36] Com isso, ele indica que as relações não são necessariamente baseadas no conhecimento e que a nossa primeira
consciência do mundo é pré-epistemológica. Os três últimos capítulos deste livro são dedicados à epistemologia, à religião, à ciência
e às condições de progresso social.[34]

Em Religion in the Making (1926), ele definiu a religião como "o que o indivíduo faz com sua própria solidão".[36] De acordo
Herstein, Whitehead entendia a religião como "uma forma de múltiplas relações do indivíduo 'no e para' o mundo. Além disso, esse
modo de relacionamento não pode ser entendido fora de seu contexto". Whitehead afirma que "o propósito de Deus é alcançar valor
[34]
no mundo temporal", o valor é entendido como "inerente a ele mesmo", como algo que é, e não como algo que é usado.

Processo e Realidade
Em sua Magnum Opus publicada em 1929, Whitehead elaborou a filosofia da organização, mais conhecida como a filosofia do
processo.[37]

Whitehead apresenta sua filosofia especulativa, tratando, de uma forma muito sofisticada, de questões como a metafísica, a ontologia
e a epistemologia. Processo e Realidade estabelece as bases para o seu princípio ontológico, que rejeita o dualismo de Descartes. Ele
pretende construir uma cosmologia capaz de perceber um mundo em formação, ou seja, no processo de transformação constante. Na
filosofia especulativa, o primeiro capítulo da obra, Whitehead enumera as condições que devem abarcar todo e qualquer sistema
especulativo; a coerência, a lógica e a relevância. O livro tem caráter investigativo e se destina a expandir a metafísica por meio de
uma série de questões religiosas e filosóficas. Para o autor, a metafísica não pode ser feita sem um sistema elaborado de compreensão
[21]
de cada ciência, buscando sempre extrair a experiência de cada campo científico.

Ainda é famosa a citação do livro onde ele afirma que:

“A definição mais precisa da Filosofia Ocidental é a de que ela não passa de uma sucessão de notas de rodapé da
obra de Platão.”[38]

Simbolismo: seu significado e efeitoe A função da Razão


Whitehead sempre demonstrou interesse em símbolos, e em Simbolismo: seu
significado e efeito (1929), eles continuam a ter um papel fundamental e atrelado à
sua teoria do grip. Ele desenvolve a ideia de que as nossas percepções sensoriais
não-cognitivas tomam a forma de símbolos. Por exemplo, simbolizar uma cadeira
.[34]
para um cão pequeno como um lugar para ele deitar

Na obra A Função da Razão (1929), ele atribui à razão três funções: viver,viver bem
e viver melhor.[34]

Aventuras de ideias e Métodos de Pensamento


De acordo com Herstein, Aventuras de ideias (1933) é uma obra crucial para se
dominar o esquema metafísico de Processo de Realidade. Aqui Whitehead aplica
sua metafísica no problema da história.[21]

Em Métodos de Pensamento (1938), depois de se opor aos excesso da filosofia da


linguagem de Wittgenstein, Whitehead afirma o que é, para ele, o propósito e a
função da filosofia: George Santayana, assim como
Whitehead, acreditou que a filosofia
"A filosofia serve para manter ativa a novidade de ideias fundamentais exerce uma função poética.
as quais iluminam o sistema social. Ela deve reverter à degradação do
pensamento substituído pelo lugar-comum do cidadão passivo (...) A
filosofia é semelhante à poesia"[34]

Filosofia e Metafísica

Da ciência empírica à especulação


sobre o universo
Whitehead não teve nenhum tipo de educação formal
em filosofia além de seus estudos pessoais durante a
graduação.[17] A despeito de ter demonstrado grande
interesse pela metafísica, considerava-se, na época,
um amador. Em uma carta a seu amigo e ex-aluno
Bertrand Russell, depois de discutirem se a ciência
Foto tirada em 1906 daUniversidade Harvard, onde Whitehead deveria ser meramente descritiva ou explicativa,
lecionou entre 1924 e 1937. Whitehead sentenciou: "Essapergunta nos leva para o
oceano da metafísica, onde minha profunda
ignorância dessa ciência me proíbe de entrar."[39] Mais tarde, Whitehead tornou-se um dos maiores metafísicos doséculo XX.[40]

Como filósofo, ele interessou-se pela metafísica num momento em que ela era considerada fora de moda, uma vez que as conquistas
cada vez mais impressionantes da ciência empírica classificavam sistemas metafísicos como inúteis pela impossibilidade de testes
empíricos.[41] Numa nota de um dos alunos de Whitehead, feita em 1927, encontra-se a seguinte citação: "Todo cientista, a fim de
preservar sua reputação, deveria dizer que odeia metafísica."[42] De acordo com Whitehead, cientistas estão constantemente
pressupondo sistemas metafísicos sobre como o universo funciona, mas estes pressupostos não são facilmente visíveis, pois eles não
são explicitamente formulados e, portanto, não são examinados ou contestados. Ele argumenta que os pesquisadores devem
constantemente restabelecer os seus pressupostos básicos sobre como funciona o Universo para a filosofia e a ciência poderem fazer
[43]
progressos reais. Por esta razão, ele considera os estudos metafísicos como essenciais para a ciência e para uma filosofia correta.
Retomando antigas ideias metafísicas
Whitehead considerou o dualismo cartesiano o responsável por todas as premissas metafísicas modernas. A ideia desenvolvida por
Descartes — de que a realidade é construída a partir de um dualismo entre mente-corpo ou matéria-substância sem demonstrar uma
Hegel, Kant e Espinoza.[44]
capacidade de síntese — influenciou todos os metafísicos modernos, tais como

Whitehead descartou essa hipótese e desenvolveu a premissa de um processo ontológico, onde os eventos são relacionados e
dependentes entre si. Ele também argumenta que os elementos mais fundamentais da realidade são as experiências. Assim, o termo
"experiência" é usado de uma forma muito ampla na sua obra. Por exemplo, para ele, processos inanimados — tais como colisões de
elétrons — compõem uma experiência. Ele enxerga a metafísica como uma "filosofia da organização", mais conhecida comofilosofia
do processo.[45]

De acordo com o filósofo Xavier Verley, Whitehead desenvolveu e concluiu ideias filosóficas como as de Spinoza (causa sui) ou
Leibniz (teoria sobre as mônadas). Para ele, Deus age no mundo de uma forma imanente, uma vez que é a causa eficiente das
entidades as quais atualiza, mas age também de uma maneira transcendente, pois se manifesta por meio da finalidade. A originalidade
do pensamento de Whitehead está em sua forma holística, pois ela engloba várias ciências, como a matemática (ideia algébrica de
vetor e multiplicidade), a física, a ética e a teologia rompendo a ideia de uma filosofia dividida em especialidades, tais como lógica,
epistemologia, filosofia moral, filosofia política, etc.[44]

Seu pensamento metafísico retoma, em muitos aspectos, afilosofia do século XVIIcom elementos platonistas, aristotélicos e estoicos
[44]
aos quais ele se inspira para unir a lógica à física e à ética.

A Metafísica de Processo e Realidade


Em Processo e Realidade, publicado originalmente em 1929, ao contrário de Russell e
do círculo de Viena, Whitehead usa o termo metafísica de maneira positiva. Ele a
emprega de maneira substantiva numa época em que o termo era utilizado como um
adjetivo. Quando Whitehead desenvolve suas ideias filosóficas ele não utiliza em um
primeiro momento a palavra "metafísica" mas sim "filosofia especulativa". Essa
filosofia especulativa seria a organização de um sistema lógico, coerente e necessário de
ideias em termos onde cada elemento de nossa experiência pode ser interpretado. Ele
define interpretação como tudo aquilo de que estamos conscientes, como, o que
gostamos, percebemos, desejamos ou pensamos. Para Whitehead, é especulativo usar a
razão para se desenvolver "um esquema que abarque completamente o universo". Sua
filosofia especulativa tem vários aspectos únicos como o de se apresentar na forma
dinâmica, ou seja, num constante processo.[46]

Whitehead se opôs às ideias de Whitehead foi um crítico da noção de que se podia chegar à certeza por meio da
Kant em alguns aspectos. dedução. Desse ponto de vista, ele acreditava que a filosofia não deve imitar a
matemática. Para ele, portanto, a tarefa da metafísica deveria ser inferior a de "construir
um sistema dedutivo do pensamento da premissa clara", como postulou Spinoza. Se na
metafísica tradicional esse sistema é dado com antecedência, na filosofia do processo ela passa a ser um "desenvolvimento potencial
disjunção.[46]
que se atualiza". O objetivo de sua metafísica é o avanço do conjunto por meio da

Enquanto a filosofia de Kant procura examinar "a possibilidade de um conhecimento", a de Whitehead define a "inteligência de uma
experiência particular que deve se lapidar e ficar cada vez mais clara gradativamente". Além disso, enquanto para Kant o tempo é
visto como "uma forma pura de sentido interior" utilizando-se da física de Isaac Newton, Whitehead se baseia na relatividade restrita
[46]
de Einstein, bem como na mecânica quântica que utiliza fragmentos concretos da realidade como objetos de estudo.

Em relação à história da filosofia, ele é radicalmente contrário a Heidegger, pois a define como "o avanço criativo do pensamento
ecimento de ser".[46]
civilizado" ao passo que para Heidegger, ela foi interpretada como "o declínio da verdade e do esqu
A concepção de realidade de Whitehead
Whitehead acredita que a noção de que omaterialismo é uma forma enganosa de descrever a natureza dos fatos. Em seu livroCiência
e o Mundo Moderno (1925), ele escreveu:

Essa posição persiste, no entanto, ao longo de


todo o período da cosmologia científica
estabelecida, a qual pressupõe que a
realidade última de uma matéria bruta
irredutível, ou material, estende-se por todo o
espaço em um fluxo de configurações. Em si,
uma tal matéria é absurda, sem valor, sem
sentido. Apenas faz o que faz fazer, seguindo
uma rotina fixa imposta pelas relações
externas que não emergem da natureza de
seu ser. É essa pretensão que chamo de
"materialismo científico". Também é uma
pretensão que objetarei como sendo
inteiramente imprópria para a situação
científica a que agora chegamos.[47]
John Locke foi uma das principais
influências de Whitehead. No
prefácio de Processo e Realidade,
Whitehead escreveu que "O autor
De acordo com Whitehead, conceitos como "qualidade", "matéria" e "forma" são que antecipou as principais posições
problemáticos. Na verdade, eles não levam em conta adequadamente a mudança e da filosofia do processo foi Locke em
esquecem a natureza ativa e experimental dos elementos básicos do mundo. Eles são seu Ensaio acerca do Entendimento
abstrações úteis de estudos, mas não os blocos de construção essenciais do universo. Humano.
Ele rejeita a posição de que um objeto possa ter uma identidade imutável que
descreve precisamente o que ele realmente é. Ainda que as pessoas sejam vistas como basicamente as mesmas ao longo do tempo, as
mudanças são apenas qualitativas e secundárias para a identidade básica (por exemplo, "o sujeito fica com o cabelo grisalho, mas
permanece sendo a mesma pessoa"). É possível dizer que ele retoma, em partes, a ideia de Heráclito de que "É impossível pisar no
mesmo rio duas vezes."[48]

Uma nota que soa imutável é explicada como o resultado da vibração do ar; uma cor imutável é explicada como uma vibração no
éter. Se explicarmos a imutável duração da matéria com o mesmo princípio, conceberíamos seus elementos ondulações vibratórias de
uma energia ou atividade fundamental. Whitehead levanta a ideia de que, se supuséssemos a ideia física da energia cada elemento
primordial seria um sistema organizado de corrente vibratória de energia. Com isso haveria um período definido associado a cada
elemento. E dentro desse período o sistema de corrente vibraria de um máximo estacionário a outro máximo estacionário - ou,
[47]
tomando uma metáfora do movimento da maré, o sistema vibraria de uma maré alta a outra maré alta.

O sistema — completa Whitehead — formando um elemento único, não é nada em cada um dos instantes. Demanda o seu período
integral para se manifestar. De modo análogo, uma nota de música não é nada em um instante, pois também demanda o seu período
integral para se manifestar.[47]

O segundo problema com o materialismo, de acordo com Whitehead, é que ele obscurece a importância dos "relacionamentos",
analisando todos os objetos separados dos outros objetos. Cada objeto é simplesmente um buquê material inerte que é única
"externamente" ligada a outras coisas. A ideia do materialismo levou as pessoas a pensar em objetos como basicamente separados no
[47]
tempo e no espaço, e não necessariamente relacionadas a qualquer coisa.

Para Whitehead as relações são matéria.[49] Essa afirmação pode ser constatada em notas de seus alunos de aulas proferidas durante o
[50]
outono de 1924; (A) é real para (B) e (B) é real para (A), mas em suas realidades, eles não são independentes um do outro.

A criatividade das entidades


Whitehead descreveu qualquer entidade como nada mais nada menos do que a soma das suas relações com outras entidades - a sua
"síntese" e "reação" ao mundo ao seu redor.Os relacionamentos não são secundários ao objeto, eles são o que o objeto [49]
é.

Deve-se enfatizar, no entanto, que a entidade não é apenas a soma de suas relações, mas também o “feedback”. Para Whitehead, a
criatividade é o princípio absoluto daexistência, e cada entidade (seja ela um ser humano, uma árvore ou elétrons) tem algum grau de
inovação na forma como responde a outras entidades, fugindo do determinismo integral das leis mecânicas e causais. Para o filósofo,
a maioria das entidades não têm consciência. Assim como as ações de um ser humano não podem sempre ser prevista, não podemos
prever onde as raízes de uma árvore vão crescer, como um elétron se move ou se vai chover amanhã. Além disso, a incapacidade de
prever o movimento de um elétron, por exemplo, não se deve a um erro ou a uma tecnologia inadequada; mas sim à
criatividade/liberdade fundamental de todas as entidades, como explicado porCharles Hartshorne.[51]

O outro aspecto da criatividade/liberdade como princípio absoluto é que cada entidade é limitada pela estrutura social de sua
existência (ou seja, suas relações). Sendo assim, cada entidade real deve estar em conformidade com as condições estabelecidas no
mundo ao seu redor. A liberdade existe dentro de algumas limitações, a individualidade e singularidade de uma entidade de sua
[49]
autodeterminação leva em conta o mundo e os limites que lhe foram delimitados.

Em resumo, Whitehead rejeitou a ideia de blocos separados e imutáveis em detrimento à ideia de uma realidade onde os eventos
estão interligados em um constante processo. Ele concebeu a realidade como um conjunto de processos dinâmicos do "tornar-se" ao
invés da estática ou do "ser", enfatizando dessa maneira que todas as coisas físicas mudam e evoluem, e que as "essências" imutáveis
-relacionados que são, de fato, as coisas reais.[44]
como a matéria são apenas abstrações dos eventos inter

Teoria da Percepção
Como a metafísica de
Whitehead descreve um
universo em que todas as
entidades vivenciam
experiências, ele precisava de
uma nova maneira de
descrever a percepção, a qual
não se limita à vida de seres
autoconscientes. O termo que
ele usa é o "grip", que vem do
latim prehensio, que significa
Henri Bergson William James John Dewey
"aproveitar".[52] Esse termo
indica uma percepção que "Eu também sou muito agradecido aBergson, William James e John Dewey. Uma
das minhas preocupações era a de resgatar o pensamento classificado como anti-
pode ser consciente ou
intelectual, ao qual, com ou sem razão, eles foram associados."
inconsciente, e se aplica tanto
para as pessoas como para os
elétrons.[52] Para Whitehead, o termo "grip" indica que a própria percepção incorpora aspectos da coisa percebida.[52] Desta forma,
as entidades consistem em percepções e relacionamento. Além disso, para Whitehead, a percepção ocorre em dois modos: o da
[43]
"eficácia causal" e o da "imediação de apresentação" (ou "aderência conceitual").

Whitehead descreveu a eficáciacausal como a direção causal das relações entre as entidades e a sensação de estar sendo influenciado
e afetado pelo ambiente sem interferência de um sentido. A imediação de apresentação, por outro lado, é o que é chamado de
"percepção pura do sentido",[49] sem a mediação de uma causalidade ou de uma interpretação simbólica. Em outras palavras, o
imediatismo de apresentação é a sua aparência pura, que pode ser falsa (como, por exemplo, "o objeto real" sendo visto por meio do
reflexo de um espelho). Em organismos superiores (como seres humanos), estes dois modos de percepção se confluem naquilo que
Whitehead chamou a "referência simbólica"; algo que liga a aparência de causalidade em um processo que é tão automático que
pessoas e animais dificilmente renunciam.[49]
Como ilustração Whitehead exemplificou a reação de uma pessoa diante de uma cadeira. Uma pessoa comum a observa, enxer
ga uma
forma colorida e imediatamente deduz que aquilo é uma cadeira. Já um artista, no entanto, não poderia sintetizar a noção de uma
cadeira pura e simplesmente; ele analisaria sua cor e sua harmonia estética.[49] Mas essa atitude não é comum, pois pessoas
categorizam objetos por hábito e instinto, sem refletir sobre ele. Os animais fazem o mesmo. Usando ainda a cadeira como exemplo,
Whitehead aponta que um cão "agiria como se ele tivesse posse da cadeira e saltaria nela de acordo com sua perspectiva". Whitehead
[49]
também classifica a referência simbólica como uma fusão da percepção sensorial pura e suas relações causais.

Whitehead recusou a ideia da "dissociação entre a nossa percepção da realidade e as ideias que aprendemos" defendida por Bertrand
Saint-Sernin. Ele recusou até mesmo uma divisão entre "abordagem poética e a abordagem científica do universo". Ele resumiu esse
ponto de vista em O Conceito da Natureza: "O fulgor avermelhado do poente deve ser parte tão integrante da natureza quanto o são
as moléculas e as ondas elétricas por intermédio das quais os homens da ciência explicariam o fenômeno. Cabe à filosofia natural
analisar como esses diferentes elementos da natureza”.[44] A ciência não é construída como uma abstração racional contrária da
timeu de Platão.[53]
percepção habitual. Whitehead busca articular os diferentes "pedaços de realidade", repetindo o método

Valor e evolução
De acordo com Whitehead, "a vida é relativamente pobre em valor de sobrevivência". Se a vida humana é limitada a cem anos,
enquanto uma pedra pode durar oitocentos milhões de anos, a questão do porquê complexos organismos não conseguiram remediar
esta situação, surge. Ele observa que a característica de formas de vida superiores é a de participar ativamente na mudança de seu
ambiente, uma atividade que ele enxerga diante de um triplo objetivo: viver, viver bem e viver melhor. Em outras palavras, de acordo
com o filósofo, a vida está voltada para o objetivo de aumentar sua própria satisfação. Sem tal meta, a vida seria totalmente
[54]
ininteligível. Dois pontos podem ser especificadas aqui: o de que o valor não é sobreposto aos fatos, mas é o coração deles.

Teologia do processo
De acordo com Donald Viney, a teologia do processo baseia-se na metafísica de Whitehead e de Charles Hartshorne, o qual foi seu
aluno por um semestre em Harvard. Ela se difere do conceito de alguns neotomistas chamados de "teístas abertos". Se para estes,
Deus limita seu poder de se abrir para o mundo, para Whitehead, Deus é, em alguns aspectos eterno e imutável, mas em outros,
[55]
temporal e suscetível de mudanças. Portanto, suas concepções são muito distintas.

A dupla natureza de Deus


Para Whitehead, Deus não está necessariamente relacionado à religião.[49] Não conceber Deus a partir da fé religiosa foi algo
necessário em seu sistema metafísico o qual justifica a existência de uma ordem. Todas as possibilidades existentes de ordem estão
contidas no que ele chama de "natureza primordial de Deus".

No entanto, a fim de abranger a experiência religiosa, ele apresentou o que chamou de uma segunda natureza de Deus ou sua
"natureza substancial”, exibindo uma abordagem dupla para o conceito de Deus. Ele mudou, ao longo dos anos, profundamente seu
pensamento teológico. A natureza primordial de Deus é por ele descrita como "a realização ilimitada conceitual de uma riqueza
absoluta em termos de potencialidade" ou seja, as possibilidades ilimitadas do universo. Esta natureza primordial é eterna e imutável,
proporcionando várias formas de viabilidade ao universo.[56] Viney observa a esse respeito que para Whitehead "A natureza
primordial de Deus é a de estar sempre considerando todas as opções" ao passo que Leibniz afirma que pertence a Deus “O
conhecimento de todos os fatos possíveis”.[49]

"Deste modo, Deus é completado pelo indivíduo em satisfações confluentes de fato finito. As as ocasiões
temporais são concluídas por sua união eterna com os seus próprios transformados, purificados em conformação
com a ordem eterna que é a final absoluta 'sabedoria.' O resumo final só pode ser expressado por meio de um
[43]
grupo de antíteses. Em cada antítese há uma mudança de sentido, que converte a oposição em um contraste."

"É verdade que Deus é permanente e o mundo é fluente, assim como é verdade que o mundo é permanente e Deus
é fluente.”
"É verdade que Deus é um só e o mundo, muitos, assim como é verdade que
mundo é um só e Deus muitos.”

"É verdade que, em comparação com o mundo, Deus é real eminentemente,


assim como é verdade que, em comparação com Deus, o mundo é real
eminentemente."

"É verdade que o Mundo éimanente em Deus, assim como é verdade que Deus é
imanente no mundo."

"É verdade que Deus transcende o mundo, assim como é verdade que se o
mundo transcende Deus."

Para Leibniz Deus tem "É verdade que Deus cria o mundo, assim como é verdade que o mundo cria
consciência imutável de tudo, ao Deus."[43]
passo que para Whitehead Deus
está em constante atualização de Os escritos de Whitehead sobre Deus inspiraram o movimento conhecido como teologia
possibilidades. [57]
do processo, uma escola teológica que continua em constante evolução.

Deus, a criatividade e a religião


A cosmologia de Whitehead tem como substância a criatividade, chamada como o princípio
de inovação. De acordo com Roland Faber, a ideia de Deus de Whitehead é muito diferente
das noções monoteístas tradicionais.[58] Em sua crítica mais famosa ao cristianismo ele
acusa a Igreja de dar a Deus os atributos que pertenciam exclusivamente a César.[43] Na
formulação oficial da religião, foi assumida a trivial forma da simples atribuição dos juízes,
que apreciaram uma falsa concepção sobre o Messias. Mas a profunda idolatria no poderio
de Deus, concebido à imagem dos dirigentes egípcios, persas e romanos, permanece. A
.[43]
Igreja dá a Deus os atributos que pertencem exclusivamente a César

"César conquistou o mundo ocidental na época em que o cristianismo foi


acolhido. Os textos recebidos da teologia ocidental foram editados por seus
juristas. O código e a teologia de Justino são as duas obras que exprimem um
mesmo movimento do espírito humano. Na formulação oficial da religião, foi
assumida a trivial forma da simples atribuição dos Juízes, que apreciaram uma Whitehead se alinha aJoão
de Patmos em relação à
falsa concepção sobre o Messias. Mas a profunda idolatria no poderio de Deus,
adoração.
concebido à imagem dos dirigentes egípcios, persas e romanos, permanece. A
."[43]
Igreja dá a Deus os atributos que pertencem exclusivamente a César

Para Whitehead, Deus não é invocado para introduzir uma ordem normativa diferente do que existe no mundo. Deus é sim o nome
dado a este elemento aqui e agora que assegura a solidariedade do universo. Na teologia do processo é a criatividade de Deus e dos
homens que cria continuamente a ordem. Viney observa que a criatividade é "o caráter de cada fato concreto. Para ilustrar isso,
Whitehead usa a declaração de Platão em Sofista onde ele tenta compreender e apreender o ato. Para Whitehead, entidades nunca são
[55]
inteiramente determinada pela atividade do outro, pois elas sempre conservam uma liberdade intrínseca.

Em Religion in the Making (1926), Whitehead analisa a origem da religião e evidencia sua análise sobre o culto, a revelação ou o
dogma e a moral. Para ele, Deus é a razão de ser do mundo e seu elemento de união.[59] Whitehead se alinha a visão do Apóstolo
João em relação a adoração a Deus. Para ambos, adorar Deus é assimilar sua razão como uma relação de amor mútuo. Sendo assim, a
[60]
visão está sempre presente e tem o poder de amar que apresenta o único propósito cujo cumprimento é a eterna harmonia.
Compreendido como “amor”, para ele Deus não é a força característica de César. Deus é um elemento unificador que acode o mundo
do caos advindo da falta de harmonia. Nisso, não há mal moral; o mal refere-se tão somente ao estado de fragmentação dos seres. O
-se a ele.[43]
caráter essencial da religião, deste modo, é a visão do que está além, a fim de unir

“A adoração a Deus não é uma norma de salvação, é uma aventura do espírito... A morte da religião é
[60]
acompanhada da repressão da sublime esperança de aventura.”

Crítica à ciência moderna


Whitehead lança a crítica à tendência de imobilizar o mundo a fim de torná-lo observável como fato irredutível, por concebê-lo como
[61]
simples matéria – decorrência da filosofiacartesiana – e dependente da vontade de um criador transcendente.

“A ciência moderna deve ter se originado da insistência medieval na racionalidade de Deus […]. Minha
explicação é que a fé na possibilidade da ciência, gerada antes do desenvolvimento da teoria científica moderna,
[62]
foi uma consequência inconsciente da teologia medieval”.

Educação
Whitehead mostrou durante toda sua vida um forte interesse em reformas educacionais. Além de seus muitos trabalhos sobre o
assunto, ele foi membro de uma comissão nomeada pelo então primeiro-ministro britânico David Lloyd George que visava estudar e
reformar o sistema deeducação no Reino Unido.[63]

O livro The Aims of Education and Other Essays (1929) inclui muitos ensaios e palestras de Whitehead publicados entre 1912 e
1927. Este livro foi escrito a partir de um discurso feito em 1916, quando ele era presidente da filial londrina da Associação
Matemática. Durante o discurso ele criticou o ensino que chamou de "ideias inertes", ou seja, desconectadas e sem aplicação prática
[44]
ou cultural. Ele ressalta que o ensino de ideias inertes não é apenas inútil, mas também prejudicial.

Uma das principais características de seus escritos sobre a educação é sua ênfase no fomento da imaginação. Em seu livro
Universidades e sua função(1929), Whitehead abordou sobre o tema:

"A imaginação não deve ser separada dos fatos; ela deve ser uma maneira de iluminá-los. Ela age estimulando os
princípios gerais aplicáveis aos fatos da forma como eles realmente existem. [...] Ela permite aos homens a
[44]
formulação de uma visão intelectual de um novo mundo."

Influência e legado
Durante as décadas de 1970 e 1980 o pensamento de Whitehead ficou restrito a um pequeno grupo de filósofos e teólogos, sobretudo
americanos. Somente a partir da década de 1980 foi que seu trabalho despertou maior atenção e passou a ser estudado pela
perspectiva de diversas áreas científicas.[15]

Recepção de seu pensamento


Apesar da filosofia de Whitehead ter despertado forte interesse por sua originalidade num contexto onde o empirismo lógico era
dominante, isso não significa que seu pensamento foi amplamente compreendido e aceito. De acordo com Philip Rose, sua obra é
considerada uma das mais difíceis de serem compreendidas dentre todo o cânone ocidental.[15] O teólogo Shailer Mathews da Escola
de Teologia de Chicago comentou sobre a obra Religion in the Making (1926): "É frustrante e embaraçoso ler página após página
constituídas por palavras relativamente familiares e não entender uma única frase". Na verdade, o interesse da Escola de Teologia
para o trabalho de Whitehead se deve muito a uma conferência onde Henry Nelson Wieman explanou o pensamento de Whitehead. A
conferência causou forte impacto e Henry foi rapidamente contratado pela universidade. Graças a ele, por pelo menos trinta anos, a
Escola de Teologia permaneceu intimamente associada ao pensamento de Whitehead.[64] Logo após a publicação do livro Processo e
Realidade, Wieman escreveu na revistaThe Journal of Religion:
"Nesta geração, poucas pessoas irão ler o livro de Whitehead. Mas sua influência irá
irradiar através de círculos concêntricos de uma forma cada vez mais ampla até que
o homem comum passe a pensar e trabalhar à luz desse livro sem saber de onde vem
essa influência."[65]

Embora Processo e Realidade tenha sido descrito como "sem dúvida o texto metafísica o
mais impressionante do século XX" por Peter Simons, ele realmente foi pouco lido e pouco
compreendido. Em parte, porque exige - como enfatizou Isabelle Stengers - "que seus
leitores devam aceitar a aventura de perguntas que os separa do consenso". Whitehead põe
em causa os pressupostos mais básicos da filosofia ocidental sobre como o universo
Whitehead foi orientador de
funciona, mas ao fazê-lo, ele antecipa uma série de problemas científicos e filosóficos do
Quine.
século XXI.[15]

Ciências
Durante o século XXI, o trabalho de Whitehead passou a ser abordado por diversas disciplinas, sobretudo com o livro Física e
Whitehead (2004) escrito pelos físicos Timothy E. Eastman e Hank Keeton.[66] Além dele, Michael Epperson lançou Mecânica
Quântica e a Filosofia de Alfred North Whitehead (2003) e os biólogos Brian G. Henning, Adam Scarfe e Dorion Sagan lançaram
Beyond Mecanism (2013).[67]

Matemática e lógica
Quando jovem, Whitehead conduziu sua pesquisa sobretudo nos campos da lógica e da matemática, dando continuidade ao trabalho
iniciado por Gottlob Frege, George Boole, Giuseppe Peano e Hermann Grassmann. O Tratado de Álgebra Universal é um dos os
últimos trabalhos importantes de Whitehead nos campos da álgebra e da lógica. Em Principia Mathematica, Russell e Whitehead
utilizaram um sistema de classificaçãoque foram notadamente influenciados por Frege e Peano. Whitehead foi um grande admirador
de Charles Sanders Peirce e, assim como Pierce, ele enxergou no desenvolvimento da lógica moderna novas ferramentas de
desenvolvimento metafísicos da álgebra. Por meio desse desenvolvimento, Whitehead viu a possibilidade de aprimorar os estudos das
ciências naturais.[68]

Ciências naturais
Whitehead foi particularmente influenciado pelo eletromagnetismo de Maxwell e pela teoria da
relatividade de Einstein. Em O Princípio da Relatividade (1922), ele criou uma teoria da
gravitação. Sua abordagem é conhecida pelo termo "teoria da gravitação". Muitas abordagens e
descobertas importantes feitas pelas ciências naturais no século XX foram antecipadas pela
metafísica de Whitehead. Portanto, a natureza estatística das leis da natureza é um resultado direto
da abstração das leis de identidades estruturais de eventos reais. O debate atual sobre como alterar
as leis da natureza ao longo do tempo pode ser facilmente observado nas construções metafísicas Latour é um proeminente
whiteheadianas.[69] sociólogo francês
influenciado por
Whitehead.
Filosofia
Através do seu trabalho comBertrand Russell e seu papel na formação deWillard van Orman Quine(seu orientado de doutorado),[70]
Whitehead está associado a duas grandes figuras da filosofia analítica - uma das principais correntes da filosofia em países de língua
inglesa, de acordo com John Searle. No continente europeu, sobretudo na França, ele influenciou filósofos como Jean Wahl,
Raymond Ruyer, Gilles Deleuze e o sociólogo Bruno Latour. Raymond Ruyer, metafísico e filósofo da ciência, cita Whitehead
muitas vezes em uma de suas principais obras, A Nova Teologia (1952). Deleuze o considerou "o último grande filósofo anglo-
[4]
americano, em contraste com os discípulos deWittgenstein que espalharam a obscuridade e o terror pela filosofia".
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com Bertrand Russell. Principia Mathematica, Volume II. Cambridge: Cambridge University Press, 1912. (eminglês)
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Em português
Ciência e o Mundo Moderno, Alfred North Whitehead; trad. de Alberto Barros - Lisboa: Ed. Ulisseia, 1964.

A Ciência e o Mundo Moderno, Alfred North Whitehead; trad. Hermann Herbert W atzlawick - São Paulo: Paulus,
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O Conceito de Natureza, Alfred North Whitehead; trad. Júlio B. Fischer - São Paulo: Martins Fontes, 1994.
Os Fins da Educação e Outros Ensaios, Alfred North Whitehead; trad. Leônidas Gontijo de Carvalho - São Paulo:
Companhia Editora Nacional, 1969.
A Função da Razão, Alfred North Whitehead; trad. Fernando Didimo V ieira - Brasília: Ed. Universidade de Brasília,
1985.
Introdução à Matemática, Alfred North Whitehead; trad. Mário Silva - Coimbra: Arménio Amado, 1948.

Processo e Realidade: Ensaio de Cosmologia , Alfred North Whitehead; trad. Maria T


eresa Teixeira; rev. Ricardo
Lopes Coelho, Dina Mendonça - Lisboa: Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, 2010.
Simbolismo, o Seu Dignificado e Efeito, Alfred North Whitehead; trad. Artur Morão - Lisboa: Edições 70, 1987.
Ver também
Filosofia da matemática
Lógica matemática
Principia Mathematica

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Ligações externas
The Center of Process Studies(em inglês) Acessado em 6 de junho de 2017.
Precedido por Medalha Sylvester Sucedido por
Tullio Levi-Civita 1925 William Henry Young

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