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Cabeamento Estruturado

Autor: Prof. Antônio Palmeira


Colaboradores: Profa. Elisângela Mônaco
Prof. José Carlos Morilla
Professor conteudista: Antônio Palmeira

Mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Paulista – UNIP (2013). Especialista em Gestão da Tecnologia
da Informação pelo Centro Universitário Uninassau em Pernambuco (2010), Engenheiro de Telecomunicações pela
Universidade de Pernambuco (2008). Profissional certificado em ITIL v3 Foundation e COBIT v4.1 Foundation.

Professor das disciplinas de Tecnologia da Informação dos cursos de graduação (presencial e a distância) em Gestão
de TI do Centro Universitário do Senac. Professor de disciplinas de Tecnologia da Informação e Redes de Computadores
na Universidade Paulista – UNIP. Professor de disciplinas técnicas de Telecomunicações do Instituto Técnico de Barueri.

Tem experiência de mais de dez anos em Gestão e Governança de TI e na prestação de serviços de TI a empresas
do segmento financeiro e concessionárias de serviços de telecomunicações.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

P172c Palmeira, Antonio.

Cabeamento Estruturado. / Antonio Palmeira. – São Paulo:


Editora Sol, 2017.

172 p., il.

Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e


Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XXIII, n. 2-064/17, ISSN 1517-9230.

1. Cabeamento estruturado. 2. Eletricidade. 3. Cabos metálicos.


I. Título.

CDU 621.315.2

© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou
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Material Didático – EaD

Comissão editorial:
Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
Dra. Divane Alves da Silva (UNIP)
Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
Dra. Valéria de Carvalho (UNIP)

Apoio:
Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos

Projeto gráfico:
Prof. Alexandre Ponzetto

Revisão:
Carla Moro
Ana Fazzio
Sumário
Cabeamento Estruturado

APRESENTAÇÃO.......................................................................................................................................................9
INTRODUÇÃO............................................................................................................................................................9

Unidade I
1 ELETRICIDADE.................................................................................................................................................... 11
1.1 Eletricidade básica................................................................................................................................ 11
1.1.1 Conceitos básicos......................................................................................................................................11
1.1.2 Resistência elétrica e condutância elétrica................................................................................... 13
1.1.3 Correntes e tensões elétricas.............................................................................................................. 15
1.1.4 Circuitos elétricos.................................................................................................................................... 16
1.1.5 Indução eletromagnética..................................................................................................................... 17
1.1.6 Instrumentos de medidas elétricas.................................................................................................. 17
1.2 Sistemas de proteção elétrica.......................................................................................................... 19
1.2.1 Instalações elétricas .............................................................................................................................. 19
1.2.2 Segurança em instalações elétricas ................................................................................................ 20
1.2.3 Aterramento ............................................................................................................................................. 21
2 MEIOS DE TRANSMISSÃO NAS REDES DE COMPUTADORES.......................................................... 23
2.1 Elementos das redes de computadores........................................................................................ 23
2.1.1 Histórico e conceitos básicos em redes de dados e cabeamento........................................ 23
2.1.2 Protocolos e modelos de rede............................................................................................................ 24
2.1.3 Classificação das redes de computadores..................................................................................... 29
2.1.4 Arquiteturas e topologias de rede.................................................................................................... 31
2.1.5 Equipamentos e dispositivos de rede.............................................................................................. 32
2.1.6 Ethernet....................................................................................................................................................... 36
2.2 Meios de transmissão.......................................................................................................................... 37
2.2.1 Conceitos básicos em meios físicos.................................................................................................. 37
2.2.2 Tipos de meios físicos............................................................................................................................. 38
2.2.3 Efeitos indesejáveis nos meios físicos............................................................................................. 40
2.2.4 Proteção elétrica para o sistema de cabeamento de redes.................................................... 40
2.2.5 Diferenças entre compatibilidade eletromagnética e
interferência eletromagnética....................................................................................................................... 44

Unidade II
3 CABOS METÁLICOS.......................................................................................................................................... 49
3.1 Cabos coaxiais......................................................................................................................................... 49
3.1.1 Histórico e evolução............................................................................................................................... 49
3.1.2 Construção de um cabo coaxial........................................................................................................ 49
3.1.3 Propriedades e vantagens dos cabos coaxiais............................................................................. 50
3.1.4 Tipos e categorizações de cabos coaxiais...................................................................................... 51
3.1.5 Conectores de cabos coaxiais............................................................................................................. 53
3.1.6 Uso de cabos coaxiais em redes de computadores.................................................................... 55
3.2 Cabos de pares trançados.................................................................................................................. 57
3.2.1 Histórico e introdução........................................................................................................................... 57
3.2.2 O cabo de par trançado e a sua topologia.................................................................................... 60
3.2.3 Tipos de cabos de pares trançados................................................................................................... 60
3.2.4 Categorias de cabos de pares trançados........................................................................................ 62
3.2.5 Conectores para cabos de pares trançados................................................................................... 64
4 FIBRA ÓPTICA..................................................................................................................................................... 68
4.1 Conceitos.................................................................................................................................................. 68
4.1.1 Histórico das comunicações ópticas................................................................................................ 68
4.1.2 Vantagens das comunicações ópticas............................................................................................. 69
4.1.3 Natureza da luz........................................................................................................................................ 70
4.1.4 Propagação da luz em uma fibra óptica........................................................................................ 71
4.2 Tipos de fibras ópticas e conectores.............................................................................................. 74
4.2.1 Fibra óptica multimodo......................................................................................................................... 74
4.2.2 Fibra óptica monomodo........................................................................................................................ 74
4.2.3 Conectores ópticos.................................................................................................................................. 75

Unidade III
5 NOÇÕES DE CABEAMENTO ESTRUTURADO........................................................................................... 79
5.1 Histórico e introdução do cabeamento estruturado.............................................................. 79
5.1.1 Histórico e conceitos de cabeamento estruturado.................................................................... 79
5.1.2 Categorias e classes de desempenho............................................................................................... 82
5.1.3 Subsistemas de cabeamento estruturado e seus espaços relacionados........................... 83
5.2 Normas de cabeamento estruturado............................................................................................ 85
5.2.1 Organizações padronizadoras............................................................................................................. 85
5.2.2 Normas ANSI/TIA para cabeamento estruturado....................................................................... 86
5.2.3 Normas ISO/ABNT para cabeamento estruturado...................................................................... 87
6 SUBSISTEMAS DE CABEAMENTO ESTRUTURADO............................................................................... 88
6.1 Subsistema de cabeamento horizontal........................................................................................ 88
6.1.1 Introdução.................................................................................................................................................. 88
6.1.2 Componentes do cabeamento horizontal..................................................................................... 89
6.1.3 Métodos de interconexão..................................................................................................................... 91
6.1.4 Ponto de consolidação e tomadas de telecomunicações multiusuários ......................... 93
6.1.5 Cabeamento óptico horizontal.......................................................................................................... 96
6.2 Subsistema de cabeamento vertical.............................................................................................. 99
6.2.1 Introdução.................................................................................................................................................. 99
6.2.2 Cabeamento de backbone de edifício...........................................................................................101
6.2.3 Cabeamento de backbone de campus..........................................................................................103
Unidade IV
7 ESPAÇOS EM SISTEMAS DE CABEAMENTO ESTRUTURADO..........................................................109
7.1 Área de trabalho..................................................................................................................................109
7.1.1 Introdução................................................................................................................................................109
7.1.2 Especificações da área de trabalho..................................................................................................111
7.2 Espaços de telecomunicações........................................................................................................112
7.2.1 Sala de telecomunicações..................................................................................................................112
7.2.2 Sala de equipamentos.........................................................................................................................117
7.2.3 Infraestrutura de entrada................................................................................................................... 119
7.2.4 Requisitos importantes nos espaços de telecomunicações................................................ 123
8 IMPLEMENTAÇÃO DO CABEAMENTO ESTRUTURADO.....................................................................123
8.1 Testes e certificação do cabeamento estruturado.................................................................123
8.1.1 Testes do cabeamento de par metálico....................................................................................... 123
8.1.2 Testes do cabeamento de par metálico: wiremap, comprimento
e perda de inserção......................................................................................................................................... 124
8.1.3 Testes do cabeamento de par metálico: diafonia.................................................................... 126
8.1.4 Testes do cabeamento de par metálico: outros testes...........................................................131
8.1.5 Testes de campo.................................................................................................................................... 133
8.1.6 Testes do cabeamento óptico.......................................................................................................... 135
8.2 Práticas de instalação e gerenciamento do cabeamento estruturado..........................138
8.2.1 Projetos em cabeamento estruturado.......................................................................................... 138
8.2.2 Metodologia para gerenciamento de projetos..........................................................................141
8.2.3 Práticas de instalação do cabeamento estruturado com pares trançados................... 146
8.2.4 Práticas de instalação do cabeamento estruturado com fibras ópticas........................ 148
8.2.5 Encaminhamento de cabos.............................................................................................................. 150
8.2.6 Administração do cabeamento estruturado.............................................................................. 153
APRESENTAÇÃO

O objetivo desta disciplina é apresentar as principais normas para a construção do cabeamento


estruturado nos mais diversos ambientes, incluindo subsistemas, espaços e recursos.

A fim de propiciar um melhor entendimento sobre os meios físicos que utilizam condutores metálicos,
serão abordados os conceitos de eletricidade e de instalações elétricas. Essas abordagens apresentarão
conceitos de corrente, tensão, potência e resistência elétrica, destacando questões voltadas para o
aterramento e a blindagem de cabos.

Ao ler este livro-texto, espera-se que o aluno não somente tome conhecimento de normas de
cabeamento estruturado, mas também perceba a importância do seu uso estratégico nas redes de
computadores, principalmente sob o aspecto prático.

Inicialmente, serão mencionados os conceitos básicos que envolvem eletricidade e instalações


elétricas, com ênfase nas grandezas elétricas, na utilização da proteção elétrica e todos os aspectos
relacionados ao cabeamento de redes. Ainda, serão retomados os conceitos básicos de redes de
computadores e seus elementos, com destaque especial para os meios físicos de transmissão.

Em seguida, retomaremos o estudo dos meios físicos, agora com maior grau de detalhamento para
os meios confinados. Falaremos sobre os meios físicos que utilizam condutores metálicos e faremos um
estudo sobre as fibras ópticas.

Também trataremos do cabeamento estruturado propriamente dito e as suas normas. Primeiro, será
apresentado um histórico, os conceitos principais, as normas, as categorias e as classes de desempenho.
Depois, entraremos nos subsistemas de cabeamento estruturado vertical e horizontal.

Por fim, abordaremos os espaços de telecomunicações e os aspectos referentes à implementação


do cabeamento estruturado. Os espaços de telecomunicações mencionados serão as salas de
telecomunicações e de equipamentos, além da infraestrutura de entrada. Na implementação do
cabeamento estruturado, serão destacadas as práticas de instalação, além dos testes e da certificação
do cabeamento estruturado, conforme padrões internacionais.

Esperamos que você tenha uma boa leitura e se sinta motivado a ler e conhecer mais sobre
cabeamento estruturado não somente por meio deste material, mas também procurando a bibliografia
sugerida, além das normas vigentes.

Boa leitura!

INTRODUÇÃO

Atualmente, são cada vez mais escassos os processos de negócio ou as rotinas de nosso dia a dia que
não façam uso de uma ferramenta tecnológica. Essas ferramentas estão ligadas em rede e à internet,
fazendo com que esses recursos se revelem com uma considerável importância para a sociedade.
9
As redes, chamadas de redes de computadores, são formadas por quatro elementos básicos: as
mensagens, os protocolos, os dispositivos e os meios físicos. Este último precisa receber uma grande
atenção sob pena de afetar o desempenho, a qualidade e a eficiência dos projetos e da implementação
de redes de computadores, principalmente as redes locais, conhecidas como LAN (Local Area Network).

Durante um bom tempo, o cabeamento para as redes de comunicação de voz era distinto das redes
de comunicação de dados. Os cabos utilizados nas redes de telefonia (voz), embora fossem de pares
metálicos, não eram obrigatoriamente trançados e seguiam padrões próprios diferentes do padrão de
cabeamento estruturado. As primeiras redes de comunicação de dados utilizavam os cabos coaxiais e se
apresentavam com uma realidade totalmente diferente da contemplada nos dias de hoje.

Com a evolução da tecnologia ethernet em camadas de enlace e física, mais especificamente com
uso dos cabos de pares trançados metálicos, o padrão de cabeamento estruturado com características
modernas foi se desenvolvendo. Isso favoreceu a ideia de um sistema de cabos e hardwares de conexão,
atendendo a todos os tipos de comunicação, seja de voz, seja de dados.

Hoje, o padrão de cabeamento estruturado unifica processos, normas e práticas para projetos
de implementação de meios físicos confinados em uma LAN, mesmo com a presença de múltiplas
infraestruturas e dos mais variados protocolos em todas as camadas mais superiores dos modelos
de rede.

10
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Unidade I
1 ELETRICIDADE

1.1 Eletricidade básica

1.1.1 Conceitos básicos

Eletricidade é uma forma de energia. Em grande parte, o estudo da


eletricidade se ocupa em aprender formas de se controlar a energia
elétrica. Quando controlada corretamente, a eletricidade pode fazer
muito do trabalho exigido para manter a nossa sociedade em pleno
funcionamento. Porém, quando não controlada, como no caso dos raios,
a energia elétrica pode ser muito destrutiva. Ela é parte tão inseparável
de nossas vidas diárias que frequentemente pensamos nela como um
recurso infinito e inesgotável. Ainda, sem ela, nossa vida seria bem
diferente e muito mais difícil do que realmente é no cotidiano. A energia
elétrica ilumina nossos lares e indústrias, faz funcionar computadores,
rádios, telefones celulares, salas de TV, e fornece a potência necessária
aos motores de máquinas de lavar, secadores de roupas, aspiradores de
pó, e assim por diante. É um exercício difícil de imaginar um lar que
não utilize energia elétrica para o seu funcionamento diário (FOWLER,
2013, p. 1).

Além de todas essas constatações positivas do uso da eletricidade, é possível também afirmar que,
graças a ela, ocorre a comunicação de dados em uma rede de computadores por meio de um cabo
construído a partir do cobre.

Assim como o cobre, toda matéria é constituída de minúsculas partículas chamadas de


átomos. Estes, por sua vez, são compostos de: partículas subatômicas positivas (chamadas
de prótons); partículas subatômicas negativas (chamadas de elétrons); e partículas neutras
(chamadas de nêutrons).

Os prótons e os nêutrons encontram-se no núcleo do átomo, e os elétrons giram ao redor do núcleo.


A figura a seguir apresenta a estrutura de um átomo:

11
Unidade I

Elétrons Núcleo

Figura 1 – Os elétrons e o núcleo de um átomo

Alguns átomos têm a capacidade de ceder ou de receber elétrons de outros átomos, criando um
fluxo de elétrons entre corpos. Essa transferência acaba por gerar um desequilíbrio de cargas positivas
e negativas em um determinado corpo. Assim, os corpos que possuem a mesma carga (considerando
ambos positivos ou ambos negativos) se repelem, ao passo que corpos com cargas opostas se atraem.

A figura a seguir mostra a ação dessas forças:

- - + + + -
Figura 2 – Os elétrons e o núcleo de um átomo

A diferença entre a quantidade de prótons e de elétrons em um corpo determina a quantidade


da carga elétrica, que tem a propriedade de exercer uma força em um campo de eletricidade estática
(chamado de campo eletrostático). Dessa forma, a carga elétrica realiza um trabalho ao deslocar outra
carga por meio de uma repulsão (se as cargas forem iguais) ou de uma atração (se as cargas forem
diferentes). A capacidade de deslocar cargas é chamada de potencial elétrico.

Observação

Segundo Fowler (2013), o trabalho é uma grandeza que mede a energia


entregue a um corpo por um sistema. Já a energia expressa a capacidade
de executar o trabalho por parte do sistema.

A diferença entre o potencial de cargas é chamada de diferença de potencial elétrico, conhecida


como ddp. A diferença de potencial elétrico entre dois pontos é conhecida por tensão elétrica,
popularmente mencionada como voltagem, devido a sua unidade de medida ser o Volt (V).

12
CABEAMENTO ESTRUTURADO

O fluxo de elétrons, gerado a partir de um ddp, é chamado de corrente elétrica e é representado pela
unidade fundamental Ampere (A). Em materiais condutores metálicos, verifica-se uma corrente elétrica
com deslocamento de cargas negativas do potencial menor para o potencial maior.

Quando utilizado como meio físico de comunicação em uma rede de computadores, um cabo de
cobre, que é um material condutor, transporta a informação por meio da corrente elétrica, de forma
instantânea, com velocidade próxima ao valor de 300.000 quilômetros por segundo (velocidade da luz).
Fazendo uma comparação com o deslocamento de água em um cano, é como se a água percorresse
aproximadamente 300.000 quilômetros em praticamente 1 segundo.

Outra interessante grandeza utilizada em eletricidade é a potência elétrica, que especifica a


quantidade de trabalho realizado por cargas elétricas. A unidade de medida da potência é dada em
Watt (W) e seus submúltiplos (Kw, MW, GW). Essa unidade de medida é uma homenagem ao cientista
James Watt.

Observação

As grandezas tensão elétrica, corrente elétrica e potência elétrica são


consideradas fundamentais no estudo da eletricidade e em qualquer que
seja a sua aplicação.

1.1.2 Resistência elétrica e condutância elétrica

Além das grandezas fundamentais elétricas já vistas, há a resistência como resultado da característica
que todo material possui: a resistividade, ou resistência específica, que é representada pela letra grega
ρ (lê‑se rho).

A partir da resistividade, encontra-se a resistência elétrica, que diz respeito à oposição exercida à
passagem da corrente elétrica. Isso se dá porque os elétrons encontram uma dificuldade natural em se
deslocar, isto é, movimentarem-se pelas estruturas atômicas dos materiais.

A letra R é utilizada para representação da resistência, que tem como unidade de medida o ohm (Ω).
Lembrando que o seu valor está sempre relacionado à natureza dos materiais, sua temperatura e suas
dimensões. Ao mencionar dimensões, afirma-se que o modo de se encontrar a resistência elétrica é:

L
R  
A

Quando mencionamos um determinado cabo, o valor de sua resistência elétrica é encontrado a


partir do cálculo da equação anterior, envolvendo o valor de L (medida de comprimento), o valor de A
(medida área de seção transversal) e ρ (resistividade).

13
Unidade I

O cálculo da resistência também pode ser obtido por meio da Primeira Lei de Ohm. Essa lei enuncia
que um bipolo passivo (dispositivo de dois terminais) consome a energia elétrica fornecida por uma
fonte de tensão elétrica, provocando uma queda de potencial no circuito elétrico.

Dessa forma, tem-se:

Resistência = (tensão elétrica).(corrente elétrica)

Em consequência da resistência encontrada nos corpos, o impacto causado pelos elétrons nos
átomos gera uma transferência da energia para os elétrons, causando grande agitação e consequente
aumento da temperatura. O aumento de temperatura, em consequência da passagem dos elétrons, é
conhecido como efeito Joule.

O dispositivo utilizado em eletricidade que possui uma resistência fixa, sob condições normais,
recebe o nome de resistor. Um bom exemplo de uso de resistores é no chuveiro elétrico, composto de
um resistor, que, ao deixar-se percorrer por uma corrente elétrica, aquece-se e faz com que a água
também seja aquecida.

A figura a seguir apresenta a simbologia de um resistor:

Figura 3 – Simbologia de um resistor

Diametralmente oposta à resistência está a condutância, considerada outra característica importante


que informa a facilidade com que uma corrente elétrica circula por um corpo. A condutância é o inverso
da resistência.

Aqueles materiais que possuem alta condutância elétrica (consequentemente baixa resistência
elétrica) são chamados de condutores. Entre exemplos de condutores estão o cobre, o alumínio e a prata,
cada um deles com suas diferenças e particularidades.

De forma inversa, existem os materiais isolantes que possuem altos valores de resistência para
passagem da corrente elétrica; no entanto, não se pode afirmar que não há a passagem de poucos
elétrons, ou seja, um pouco de condutância. Entre exemplos de isolantes estão o papel, a madeira, o
plástico, a borracha, o vidro e a mica.

Considerados como um meio termo entre condutores e isolantes, estão os semicondutores.


Estes não podem ser considerados nem bons condutores, nem bons isolantes. Sob determinadas
condições, eles se apresentam com uma condutância considerável, sendo extremamente
importantes para o desenvolvimento dos dispositivos eletrônicos. Os principais semicondutores
são o silício e o germânio.

14
CABEAMENTO ESTRUTURADO

1.1.3 Correntes e tensões elétricas

As correntes e tensões elétricas podem ser contínuas ou alternadas. Na forma contínua, conhecida
por CC ou DC, o valor de tensão ou de corrente não varia a polaridade (sentido) com o decorrer do
tempo. Na forma alternada, conhecida por CA ou AC, o valor de tensão ou de corrente varia a polaridade
(sentido) com o decorrer do tempo.

A geração de tensão elétrica pode ocorrer de diversas maneiras, sempre considerando que há uma
transformação de uma forma de energia em outra, produzindo, assim, um desequilíbrio de elétrons
entre dois terminais.

As principais fontes de tensão elétrica contínua são as pilhas e as baterias. Elas possuem uma
diferença de potencial elétrico entre os seus polos, a partir das reações químicas, e são capazes de gerar
uma corrente elétrica para um circuito elétrico interligado aos seus polos.

A forma mais simples de geração de uma tensão elétrica alternada é por meio de um gerador, que
converte a energia mecânica em energia elétrica. Essa energia mecânica pode ser oriunda da queima de
um combustível, por exemplo, da energia térmica ou do giro de uma turbina em uma usina hidroelétrica.

A figura a seguir mostra gráficos de correntes e tensões contínuas e alternadas, com a simbologia
das respectivas fontes de alimentação:

Tempo Tempo
0 0

-
V
+

-I -V
Corrente cc Tensão cc

Tensão ca Corrente ca

V I
+ +
+ +
0 0
- Tempo -
- -

Figura 4 – Correntes e tensões CC e CA

15
Unidade I

Observação

A tensão elétrica de fornecimento pela concessionária de energia


elétrica para uma residência é sempre alternada.

1.1.4 Circuitos elétricos

Um circuito elétrico é um caminho fechado por onde circula uma corrente elétrica. É composto
de fonte de tensão, condutores, carga e instrumento de controle, conforme pode ser visto na
figura a seguir:
Condutor

+
Fonte de Carga
tensão (resistor)
-

Controle (chave)
Condutor

Figura 5 – Circuito elétrico

No circuito elétrico apresentado, encontra-se uma fonte de tensão contínua (uma bateria) que vai
produzir um fluxo de corrente elétrica. Também há uma carga, que é um resistor, além de um condutor
e uma chave liga-desliga do circuito.

Outros circuitos podem ser construídos com um maior grau de complexidade. Não obstante,
a sua composição segue a ideia do mais elementar dos circuitos (formados por fonte, carga,
condutores e controle).

Saiba mais

Para conhecer um pouco mais sobre eletricidade, circuitos elétricos e


grandezas elétricas, leia:

FOWLER, R. Fundamentos de eletricidade: corrente contínua e


eletromagnetismo. 7. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2013. v. 1.

16
CABEAMENTO ESTRUTURADO

1.1.5 Indução eletromagnética

Qualquer carga elétrica em movimento, ou seja, produzindo um fluxo de corrente elétrica, gera
um campo magnético. Essa realidade é facilmente percebida quando um condutor, conduzindo uma
corrente elétrica, é capaz de formar um campo magnético circular (ao seu redor).

Assim como uma corrente elétrica variável tem a capacidade de gerar um campo magnético, um
campo magnético tem a capacidade de gerar uma corrente elétrica por meio de um fenômeno chamado
de indução eletromagnética.

A corrente elétrica, gerada por um campo magnético, é provocada pela tensão elétrica induzida
no condutor. Essa tensão é conhecida por força eletromotriz e é a base para o entendimento de
toda a formação da corrente alternada, além da teoria que cerca a transmissão em meios sem fio e
todos os processos relacionados às interferências eletromagnéticas sofridas pelos cabos utilizados
nas redes de computadores.

Por esse motivo é que um cabo utilizado em redes de computadores, quando submetido à ação de
campos eletromagnéticos (formado por campos elétricos e magnéticos), pode ter as transmissões de
seus sinais com falhas devido aos ruídos e interferências, causando a degradação dos sinais.

1.1.6 Instrumentos de medidas elétricas

As grandezas elétricas devem ser medidas utilizando-se instrumentos adequados para tal uso,
que podem ser digitais ou analógicos (estes quase em desuso). Um instrumento de medida analógico
apresenta a sua leitura por meio de um ponteiro defletindo sobre uma escala gradual. Um medidor
digital apresenta a sua leitura em um display, normalmente com um valor de fundo de escala.

A figura a seguir apresenta um instrumento de medida analógico.

Figura 6 – Instrumento de medida analógico

17
Unidade I

A figura a seguir apresenta um instrumento de medida digital:

Figura 7 – Instrumento de medida digital

Uma importante característica de um instrumento de medida é a resolução, ou seja, a menor medida


distinguida pelo instrumento. No caso de medidores analógicos, a resolução é a menor divisão da escala.
No caso de medidores digitais, a resolução é o dígito menos significativo.

Os principais instrumentos de medidas são:

• Voltímetro: utilizado para medidas de tensão elétrica.


• Ohmímetro: utilizado para medidas de resistência elétrica.
• Amperímetro: utilizado para medidas de corrente elétrica.
• Frequencímetro: utilizado para medida de frequência.
• Wattímetro: utilizado para medidas de potência elétrica.
• Osciloscópio: utilizado para medir as mais diversas grandezas elétricas por meio da leitura da
forma de onda.

Observação

Com um osciloscópio é possível medir uma tensão elétrica, inclusive a


tensão média e eficaz quando se trabalha com uma corrente alternada. No
entanto, é comum a utilização de um multímetro, que executa as funções
de ohmímetro, voltímetro e amperímetro.

18
CABEAMENTO ESTRUTURADO

A figura a seguir apresenta um multímetro digital:

Figura 8 – Multímetro digital


1.2 Sistemas de proteção elétrica

1.2.1 Instalações elétricas

Conforme mencionado anteriormente, o circuito elétrico é um caminho fechado no qual circula


uma corrente elétrica. Quando uma série desses circuitos está inter-relacionada e tem um determinado
objetivo, forma-se um sistema elétrico. Uma instalação elétrica é um sistema elétrico formado por
componentes que conduzem e não conduzem uma corrente elétrica.

Os principais componentes de uma instalação elétrica são:

• Equipamento elétrico: considerado uma unidade funcional, completa e distinta, que exerce
funções de geração, transmissão, distribuição ou utilização de energia elétrica. Os equipamentos
podem ser fixos, estacionários, portáteis, manuais.

• Aparelho elétrico: estão incluídos os aparelhos de medição, os aparelhos eletrodomésticos


(geladeiras, liquidificadores, dentre outros), os aparelhos eletroprofissionais (computadores,
impressoras, dentre outros) e os de iluminação (lâmpadas, luminárias e seus acessórios).

• Linha elétrica: constituída por um ou mais condutores e os seus elementos de fixação e suporte,
além de todas as proteções mecânicas necessárias.

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Unidade I

• Dispositivo elétrico: considerado equipamento integrante de um circuito elétrico, com a finalidade


de executar manobras, comando, controles ou proteções elétricas.

• Carga elétrica: além de expressar valor em eletricidade, pode ser compreendido como um
equipamento que absorve potência elétrica.

Em uma instalação elétrica, os circuitos são formados pelos condutores elétricos, dispositivos
interligados, dispositivos de proteção, dispositivos de comando, tomadas de corrente, dentre outros.
Esses circuitos precisam prezar pela prevenção de faltas elétricas, além de facilitar inspeções, ensaios e
manutenção, evitando todos os perigos oriundos de falhas.

1.2.2 Segurança em instalações elétricas

Qualquer atividade biológica, seja glandular, nervosa, ou muscular, é


estimulada ou controlada por impulsos de corrente elétrica. Se essa
corrente fisiológica interna somar-se a outra corrente de origem externa,
devido a um contato elétrico, ocorrerá no organismo humano uma
alteração das funções vitais normais que, dependendo da duração da
corrente, pode levar o indivíduo à morte. Os principais efeitos que uma
corrente elétrica (externa) produz no corpo humana são tetanização,
parada respiratória, queimadura e fibrilação ventricular. A tetanização
é um fenômeno decorrente da contração muscular produzida por uma
corrente elétrica. Verifica-se que sob a ação de um estímulo, devido a
uma ddp em uma fibra muscular, o músculo se contrai e, em seguida,
retorna ao estado de repouso. Se houver um segundo estímulo antes
do repouso os dois efeitos poderão somar-se. Diversos estímulos
simultâneos produzem contrações repetidas do músculo, de modo
progressivo; é chamada de contratação tetânica. Quando a frequência
dos estímulos ultrapassa certo limite, o músculo é levado à contração
completa e permanece nessa condição até que cessem os estímulos,
retornando lentamente ao estado de repouso (COTRIM, 2003, p. 96).

Um dos principais motivadores para o cuidado e a segurança na operação de dispositivos e recursos


em instalações elétricas é o risco do choque elétrico, principalmente a partir do crescimento exponencial
de aplicações e utilizações da energia elétrica nas últimas décadas.

O choque elétrico é caracterizado como uma perturbação provocada no homem ou animal,


quando percorrido por uma corrente elétrica, gerando uma série de efeitos indesejáveis, alguns deles
já colocados anteriormente.

Os estudos sobre os perigos da corrente elétrica para os seres humanos iniciaram-se em 1930, com
o objetivo de mapear o nível de periculosidade da corrente elétrica em animais e humanos.

20
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Entretanto, foi em 1974 que um grupo de estudiosos da engenharia elétrica, após longas pesquisas,
publicaram o primeiro documento internacional contendo orientações básicas para proteção contra
choques elétricos em instalações elétricas. Esse documento é conhecido como a publicação 479 da
Comissão Internacional de Eletrotécnica (IEC) e foi a base para a criação da norma brasileira NBR 6533
sobre proteção contra choques elétricos.

Todo choque elétrico gera, em maior ou menor intensidade, o desenvolvimento de calor devido
ao efeito Joule (esse efeito demonstra o calor gerado a partir de um fluxo de elétrons), podendo
produzir queimaduras, dependendo, é claro, da densidade de corrente elétrica e do tempo de ação no
organismo humano.

Os efeitos gerados pelo choque elétrico devem ser considerados a partir do entendimento de que
o corpo humano é composto de forma heterogênea de líquidos e tecidos orgânicos de resistividade
variável. Os valores mais altos são encontrados na pele, no tecido ósseo e no tecido adiposo.

Além das condições ambientais, as condições fisiológicas também influenciam nos efeitos
do choque porque estão relacionadas à resistência do corpo humano, que é variável. Dentre
os fatores, é possível considerar: estado da pele; local do contato; área de contato; pressão de
contato; duração do contato; natureza do contato; taxa de álcool no sangue; tensão elétrica
do choque.

As normas estabelecem uma série de ações para a prevenção e o consequente aumento da segurança.
Dentre elas: isolação das partes vivas (energizadas); barreiras e invólucros de proteção; obstáculos;
colocação fora do alcance das pessoas; dispositivos de proteção à corrente diferencial-residual; utilização
de esquemas de aterramento elétrico.

Saiba mais

Para conhecer um pouco mais sobre os perigos da eletricidade e dos


choques elétricos, leia:

COTRIM, A. A. M. B. Instalações elétricas. 4. ed. São Paulo: Pearson, 2003.

1.2.3 Aterramento

Para entender o aterramento como peça fundamental em qualquer instalação elétrica, é preciso
compreender que a terra (solo) é um condutor desejado pela corrente elétrica, ou seja, para onde ela
sempre tenta fluir. A tabela a seguir apresenta a condutividade de alguns solos:

21
Unidade I

Tabela 1 – Condutividade dos solos

Natureza do solo Resistividade (0hm / metro)


Solos alagadiços / pantanosos 5 a 30
Lodo 20 a 100
Húmus 10 a 150
Argila plástica 50
Margas e argilas compactas 100 a 200
Areia argilosa 50 a 500
Areia silicosa 200 a 3.000
Solo pedregoso nu 1.500 a 3.000
Solo pedregoso com relva 300 a 500
Calcáreos moles 100 a 400
Calcáreos compactos 1.000 a 5.000
Calcáreos fissurados 500 a 1.000
Xisto 50 a 300
Micaxisto 800
Granito / Arenito 100 a 10.000

Fonte: Fowler (2013, p. 112).

Lembrete

A resistência elétrica é a oposição exercida à passagem da corrente elétrica.

O aterramento é a interligação intencional do sistema elétrico ao solo realizada por meio de um


condutor elétrico. Os três tipos de aterramento conhecidos são:

• Aterramento funcional: obtido por meio da ligação de um condutor (normalmente o neutro) do


sistema elétrico à terra.

• Aterramento de proteção: obtido por meio da ligação das estruturas metálicas e metais condutores
à terra.

• Aterramento de trabalho: obtido por meio da interligação temporária do sistema elétrico à terra.

Os principais fatores e aspectos ligados ao aterramento são:

• Eletrodo de aterramento: é o condutor ligado diretamente à terra, por onde transita a corrente elétrica.

• Tensão de aterramento: é a ddp encontrada entre o ponto em que se situa o eletrodo e a distância
nula de potencial.

22
CABEAMENTO ESTRUTURADO

• Resistência de aterramento: é o valor encontrado a partir da divisão da tensão de aterramento e


a corrente que flui pelo eletrodo até a terra. Esse aspecto dependerá da resistividade do solo.

Em um sistema de comunicação devem ser aterrados o cabo blindado e os dispositivos


utilizados nos processos de transmissão. O motivo da execução do aterramento do cabo blindado
é a garantia de que os sinais conduzidos por meio da corrente elétrica não sofram interferências
de campos eletromagnéticos.

Os equipamentos de telecomunicações devem ser aterrados em um barramento conectado a um


cano de metal e um bastão de aterramento fincado na terra com uma profundidade de pelo menos 2,5
metros. O eletrodo condutor do aterramento é interligado ao plugue de energia padrão em uma das
conexões de pino.

Exemplo de aplicação

O aterramento é de grande importância em todo tipo de instalação elétrica, inclusive


as residências. Durante um bom tempo, no Brasil, as instalações elétricas em residências não
contavam com sistema de aterramento. Como é hoje na sua casa e no seu trabalho? Há algum
sistema de aterramento?

2 MEIOS DE TRANSMISSÃO NAS REDES DE COMPUTADORES

2.1 Elementos das redes de computadores

2.1.1 Histórico e conceitos básicos em redes de dados e cabeamento

As redes de dados não faziam parte do cotidiano de negócios até o começo


da década de 1970, quando os provedores de rede e fabricantes de hardware
começaram a desenvolver redes padronizadas. A Xerox Corporation publicou
o padrão ethernet, sua rede proprietária, em 1972. Com a disseminação da
ethernet e seus similares, novos padrões de computadores e redes digitais
evoluíram e levaram ao desenvolvimento de novos tipos de cabeamento. A
ethernet também forneceu a base para a criação da rede local. A história
da rede usando os métodos convencionais de hoje é razoavelmente
jovem comparada à história das telecomunicações em geral. As redes
de computadores são redes de comunicação de dados, mas devem o seu
desenvolvimento às redes de telecomunicação de voz, cabo e difusão
(SHIMONSKI; STEINER; SHEEDY, 2014, p. 91).

A partir do crescimento das redes de comunicação de dados, o fluxo da informação ficou cada
vez mais eficiente e eficaz. Isso porque a forma como as pessoas se comunicam evoluiu e muito,
considerando o papel decisivo da internet.

23
Unidade I

Uma nova sociedade global está cada vez mais despontando, e a vida em todas as áreas foi
modificada. Seja no trabalho, na escola, na família, nas formas de diversão, enfim, quase tudo é
possível com apenas poucos cliques e sem tantos esforços graças à internet.

E o que é a internet? É o mesmo que uma rede de computadores?

Embora os conceitos de internet e de redes de computadores pareçam ser os mesmos, um não


significa necessariamente a mesma coisa que o outro. A internet é uma grande rede de computadores,
mas nem todas as redes de computadores estão interligadas à internet, porque há uma série de redes
proprietárias que não passam necessariamente por Provedores de Serviços de Internet, conhecidos
como ISPs.

Quando se mencionam redes de computadores, elas referem-se a um conjunto de dispositivos


interconectados, troncando informações e compartilhando recursos computacionais por meio de uma
comunicação provida de um meio físico de transmissão e regida por protocolos.

É comum dividirmos as redes de computadores em quatro partes: protocolos, meios físicos,


mensagens e dispositivos.

A mensagem é aquilo que se deseja transmitir entre a origem e o destino. Formação, codificação e
formatação da mensagem obedecem a regras conhecidas como protocolos.

Os protocolos são as regras que os dispositivos de rede usam para se comunicar. Os meios
físicos são os meios de transporte que permitem a transmissão de dados. Também são conhecidos
como canais de comunicação. Eles dividem-se em:

• Meios confinados ou guiados: quando o sinal está confinado em um cabo.

• Meios não confinados ou não guiados: quando o sinal se propaga pelo ar, por meio de
ondas eletromagnéticas.

Os dispositivos são os elementos responsáveis pela transmissão, pela recepção e pelo


encaminhamento de dados. Eles estão divididos em:

• Dispositivos finais: formam a interface entre os usuários e a rede de comunicação subjacente.

• Dispositivos intermediários: conectam os hosts individuais à rede e podem conectar várias redes
individuais para formar uma rede interconectada.

2.1.2 Protocolos e modelos de rede

Uma comunicação entre duas pessoas é repleta de regras – formais ou informais. Em um tribunal,
quando o advogado, o juiz, as testemunhas ou os réus querem falar, há normas prescritas por um
regimento. Da mesma forma, na comunicação entre computadores, existem normas: os protocolos.
24
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Os protocolos podem ser considerados como acordos ou regras que regem os processos de
comunicação de dados. Eles normalmente são criados em um contexto descrito por um modelo ou
padrão, não operando de maneira isolada, mas totalmente interligados, formando uma pilha de
protocolos. Isso porque os computadores não utilizam somente um protocolo para se comunicar,
mas vários.

Alguns autores também definem protocolo como a linguagem que os computadores “falam”, de
modo que o transmissor e o receptor consigam “conversar” de forma amigável. Por isso, é comum dizer
que os protocolos:

• Sincronizam a “conversa” entre duas pontas, de forma a criar a conexão.

• Detectam erros no canal de comunicação, além de retransmiti-los.

• Atuam na recuperação de erros, executando endereçamento e retransmissões.

• Controlam o fluxo de informações.

Em redes de computadores, os principais modelos que agrupam protocolos são os modelos OSI
(Open System Interconnection) e TCP/IP.

Desenvolvido entre o final da década de 1970 e o ano de 1984, a fim de interconectar


sistemas abertos e segmentar a problemática das redes de computadores em camadas, o
modelo OSI foi criado pela ISO (International Organization for Standardization), que é uma
das maiores organizações internacionais de padronização, atuando em diversas áreas de
desenvolvimento tecnológico.

Os principais benefícios trazidos pelo modelo OSI são:

• auxilia na elaboração do protocolo;

• estimula a competição;

• impede que mudanças em uma camada afetem outras;

• provê uma linguagem comum.

25
Unidade I

O quadro a seguir apresenta as camadas do modelo OSI:

Quadro 1 – Camadas do modelo OSI

Modelo OSI
Camada de aplicação
Camada de apresentação
Camada de sessão
Camada de transporte
Camada de rede
Camada de enlace
Camada de física

Fonte: Torres (2016, p. 61).

Essas camadas definem o modo pelo qual as informações “descem” até os dispositivos de
hardware e “sobem” até os aplicativos. Cada camada é independente da outra em suas funções e
responsabilidades. As camadas permitem que o OSI seja um modelo modular, facilitando o projeto
e o desenvolvimento das redes.

As camadas de aplicação, apresentação e sessão são consideradas as camadas superiores do modelo


OSI pelo fato de serem as mais próximas do usuário e por terem o dado como PDU.

A camada de aplicação fornece a interface entre as aplicações que utilizamos para a


comunicação e a rede subjacente pela qual nossas mensagens são transmitidas. É a camada de
acesso do usuário final à rede, consistindo em um conjunto de aplicativos e serviços que provê a
interação usuário-máquina.

A camada de apresentação é aquela que responde às solicitações da camada de aplicação e encaminha


solicitações de serviço para a camada de sessão. É a responsável pela sintaxe e a semântica dos dados
transmitidos, bem como pela conversão e formatação dos dados.

A camada de transporte habilita a comunicação de múltiplas aplicações na rede, ao mesmo


tempo, em um único dispositivo. Ela também assegura que, se necessário, todos os dados sejam
recebidos confiavelmente e em ordem pela aplicação correta, mediante mecanismos de tratamento
de erros.

A camada de rede do modelo OSI é responsável pelo endereçamento lógico dos dispositivos de
rede e pelo roteamento dos pacotes. O primeiro propósito dessa camada é o endereçamento lógico,
também conhecido como endereço IP, que é um número formado por 32 bits que identificam a
rede e o host. É também nessa camada que ocorre o roteamento, que é o processo de determinação
do melhor caminho.

26
CABEAMENTO ESTRUTURADO

A camada de enlace é responsável por gerenciar o circuito de transmissão implementado na


camada física. Ela também é responsável por realizar detecção e correção de erros. Isso acontece
na formação do quadro da camada de enlace, que normalmente possui um campo de controle
de erros.

A camada física do modelo OSI é responsável por definir os meios físicos utilizados nos enlaces
para transporte dos bits, além de todos os padrões mecânicos e elétricos relacionados às redes de
computadores.

A informação que transita em cada camada do modelo OSI recebe um nome, ou melhor, uma PDU
(Protocol Data Unit). As PDUs de cada camada são:

• Camada 7: dados.

• Camada 6: dados.

• Camada 5: dados.

• Camada 4: segmento.

• Camada 3: pacote.

• Camada 2: quadro.

• Camada 1: bit.

Na verdade, a informação que é gerada na camada de aplicação e recebe o nome de dados é


encapsulada nas outras camadas. Esse encapsulamento é o processo de adicionar informações aos dados
enquanto eles passam através das camadas do modelo OSI. As informações adicionadas aos dados são
chamadas de cabeçalho.

Outro modelo de redes importante é o modelo TCP/IP. Ele também é conhecido como modelo DoD
(Department of Defense – Departamento de Defesa norte-americano) e foi elaborado para atender
à necessidade de criação da rede de computadores da Arpa (Advanced Research Projects Agency
– Agência de Pesquisas e Projetos Avançados do Departamento de Defesa). É um modelo aberto e
relativamente simples. Concebido como projeto em 1970, traduz toda a problemática das redes em
camadas, da mesma forma que o modelo OSI.

A ideia da Arpa era conceber um conjunto de protocolos com as seguintes características:

• Operação independente do fabricante de hardware e software.

• Boa recuperação de falhas (uma grande preocupação das forças militares norte-americanas).

27
Unidade I

• Operar com altas taxas de erro, oferecendo serviços confiáveis.

• Ser eficiente, tendo uma baixa sobrecarga de dados.

• Ter escalabilidade, sem afetar o desempenho e a disponibilidade da rede.

O quadro a seguir apresenta o modelo TCP/IP:

Quadro 2 – Camadas do modelo TCP/IP

Modelo TCP/IP

Camada de aplicação

Camada de transporte

Camada de internet

Camada de acesso

Fonte: Torres (2016, p. 72).

A camada de aplicação do modelo TCP/IP também é conhecida como camada de processo. Ela lida
com aplicativos e dispositivos de origem e destino, sendo a camada mais próxima do usuário.

A camada de transporte também é conhecida como camada de host a host. Ela controla o
fluxo de informações entre dispositivos, gerenciando o tipo de transmissão (orientada ou não
orientada a conexão).

A camada de internet também é conhecida como camada de rede. É nessa camada que é executado
o processo de roteamento de pacotes. O mais popular protocolo das redes de computadores também
integra essa camada – IP.

A camada de acesso à rede é responsável por gerenciar a transmissão da informação no meio físico.
Ela reúne as funções das camadas de enlace e física do modelo OSI.

Sob o aspecto teórico, o modelo OSI é o mais citado e o mais didático para o aprendizado das redes
de computadores. Não obstante, o modelo TCP/IP se aproxima mais da realidade e do funcionamento
das redes.

28
CABEAMENTO ESTRUTURADO

É possível estabelecer uma comparação entre as camadas dos dois modelos, conforme pode ser
verificado no quadro a seguir:

Quadro 3 - Comparação dos modelos OSI e TCP/IP

Modelo OSI Modelo TCP/IP


Camada de aplicação
Camada de apresentação Camada de aplicação
Camada de sessão
Camada de transporte Camada de transporte
Camada de rede Camada de internet
Camada de enlace
Camada de acesso
Camada física

Pode-se perceber que o modelo TCP/IP agrupa as funcionalidades das camadas de aplicação,
apresentação e sessão do OSI em apenas uma camada, denominada camada de aplicação do TCP/IP.

O mesmo acontece com as camadas de enlace e física do OSI, reunidas em apenas uma camada
no modelo TCP/IP – a camada de acesso.

As camadas de transporte dos dois modelos são praticamente equivalentes, e a camada de rede
do modelo OSI corresponde à camada de internet do modelo TCP/IP.

Outro modelo de protocolos, pouco conhecido e obsoleto, é o modelo SNA (Systems Network
Architecture). Desenvolvido pela IBM em 1974, define o conjunto de protocolos de comunicação
que utilizam os mainframes fabricados pela IBM. Ele agrupa os seus protocolos em sete camadas:
controle físico, controle lógico do enlace, controle do caminho, controle de transmissão, controle
de fluxo de dados, serviços de apresentação e serviços de transação.

2.1.3 Classificação das redes de computadores

As redes de computadores podem ser classificadas quanto a sua abrangência em:

• LAN (Local Area Network): rede relativamente pequena de computadores, de abrangência limitada.

• MAN (Metropolitan Area Network): rede de alta velocidade composta de LANs em uma mesma
região metropolitana.

• WAN (Wide Area Network): rede que conecta LANs situadas em diferentes áreas metropolitanas.

Em uma LAN, dispositivos finais de interconexão de LANs estão em uma área limitada, como uma
casa, uma escola, um edifício de escritórios ou um campus. Uma LAN é geralmente administrada por uma
única organização ou uma única pessoa. O controle administrativo que rege as políticas de segurança e
29
Unidade I

controle de acesso é executado no nível de rede. As LANs fornecem largura de banda de alta velocidade
aos dispositivos finais internos e aos dispositivos intermediários.

As MANs conectam LANs dentro de uma região metropolitana, alcançando extensões inferiores às
WANs. As principais características das MANs são: interconexão de locais espalhados em uma cidade,
conexões dotadas de velocidades intermediárias entre LAN e WAN e conectividade com outros serviços,
como o de TV.

As WANs interconectam as LANs em grandes áreas geográficas, como entre cidades, estados,
províncias, países ou continentes. Normalmente, são administradas por vários prestadores de serviço e
costumam fornecer links de velocidade mais lenta entre as LANs.

Em geral, as redes WAN possuem grande heterogeneidade de mídias de transmissão. Além disso,
trabalham com velocidades inferiores àquelas com que estamos habituados nas redes locais. As
tecnologias de comutação em WANs são classificadas em:

• comutação por circuitos;

• comutação por pacotes;

• comutação por células.

A comutação por circuitos é caracterizada pela alocação dos recursos por meio de um caminho
virtual dedicado a garantir uma taxa constante durante a transmissão. Essa comutação é usada em
comunicação de voz, que exige uma transferência contínua da informação. O funcionamento da
comutação de circuitos ocorre em três etapas: estabelecimento, conversação e desconexão.

Na comutação por pacotes, não é exigido o estabelecimento de um caminho prévio para a informação,
que é dividida em pacotes de tamanho fixo de forma dinâmica, permitindo o encaminhamento pela
rede. Cada pacote é comutado individualmente e enviado nó a nó entre origem e destino, podendo a
sequência ser alterada pelo fato de essa rede oferecer mecanismos para manter a sequência de pacotes
nó a nó, reordenar pacotes antes da entrega e detectar e recuperar os erros.

A comutação por célula é uma grande evolução se comparada com as duas tecnologias anteriores.
Só se tornou possível devido à baixa taxa de erro dos meios de transmissão existentes, hoje baseados
em fibra óptica. Consiste no uso de células de tamanho fixo. Nessa tecnologia, a banda é alocada
dinamicamente, o que garante o suporte a aplicações de taxa constante, como serviços de voz e vídeo
em tempo real, e taxa variável, como serviços de dados.

Redes WAN são gerenciadas por ISPs (Internet Service Providers), classificados em três níveis: no
nível 1, estão os ISPs responsáveis pelas conexões nacionais e internacionais, dando forma à internet; no
nível 2, estão os ISPs de serviços regionais, que se conectam ao nível 1 (nesse nível, são vendidos serviços
de rede WAN); por fim, no nível 3, estão os provedores locais, normalmente para usuários domésticos.

30
CABEAMENTO ESTRUTURADO

O protocolo utilizado dentro do ISP não é o mesmo disponibilizado no loop local dos
clientes finais. A rede interna do ISP usa padrões de comunicação mais eficientes, como o ATM
(Asynchronous Transfer Mode).

Os quadros dos protocolos de enlace WAN são muito semelhantes, representando sinais que
indicam inicialização, endereços, controles, dados, checagem de bits e finalização do quadro.
Embora tenham semelhanças, os algoritmos desses protocolos trazem funcionalidades diferentes
em seus campos.

Os principais dispositivos de WAN são: modem; CSU/DSU (Channel Service Unit/Data Service Unit);
servidor de acesso; Switch WAN; roteador; roteador de backbone.

Existem outras classificações quanto à abrangência. São elas:

• PAN (Personal Area Network): redes de curta distância (alguns poucos metros) – por exemplo, a
tecnologia bluetooth.

• CAN (Campus Area Network): redes que interligam um campus (uma área de dimensão inferior a
uma MAN e superior a uma LAN).

• VLAN (Virtual Local Area Network): rede local virtual que surge da segmentação de uma LAN em
redes menores.

• WLAN (Wireless Local Area Network): rede local sem fio.

2.1.4 Arquiteturas e topologias de rede

Uma arquitetura de rede é um meio de descrever o projeto lógico de uma rede de computadores. Ela
apresenta os meios tecnológicos que sustentam a infraestrutura, os serviços e os protocolos de rede. As
características abordadas pela arquitetura são: tolerância a falhas, escalabilidade, qualidade de serviço
e segurança.

Os tipos de arquitetura de rede são:

• Cliente-servidor: é caracterizada pela existência do controle e gerenciamento central de recursos


em servidores.

• Ponto a ponto: é uma arquitetura em que qualquer computador pode atuar tanto como servidor
quanto como cliente.

A topologia de uma rede descreve sua estrutura, o modo como são feitas as conexões entre os
dispositivos e podem se dividir em topologias físicas e lógicas.

31
Unidade I

As topologias físicas têm o papel de identificar a disposição física dos componentes de rede. Nelas,
encontramos os dispositivos, os meios físicos e a forma como ocorrem as interligações. As topologias
físicas podem ser classificadas em: topologia física em estrela, topologia física em barramento e topologia
física em anel.

Na topologia física em estrela, todos os componentes estão interligados a um equipamento


concentrador, que é o núcleo central de uma rede. Nas redes locais modernas, é muito comum o uso
dessa topologia, em que o equipamento concentrador é normalmente um hub ou um switch.

Na topologia física em barramento, cada um dos componentes está interligado a um barramento


físico – por exemplo, um cabo coaxial, muito utilizado como barramento de redes locais.

Na topologia física em anel, há um meio físico interligando os componentes um por um, formando
um anel físico. A grande fragilidade dessa rede está no ponto de falha que cada componente representa.

As topologias lógicas podem ser classificadas em: topologia lógica em barramento e topologia lógica
em anel.

Na topologia lógica em barramento, é utilizado o método de contenção, que é um processo de


acesso ao canal de comunicação com acesso múltiplo e verificação de portadora. A maior parte das
redes locais opera com essa topologia e esse método porque trabalha com a tecnologia ethernet. Nas
redes ethernet, a topologia física usada pode ser em estrela ou barramento, mas a topologia lógica é em
barramento, ou seja, todos “enxergam” uma estrela ou um barramento, mas os dados trafegam em um
barramento lógico.

Na topologia lógica em anel, é utilizado o método de acesso controlado, de forma que os dispositivos
podem utilizar o canal de comunicação de modo controlado e revezado. Nesse método, usa-se o processo
de passagem do token: este é passado entre os dispositivos de forma que seus detentores momentâneos
possam utilizar o meio físico. Bons exemplos são as redes Token Ring, FDDI (Fiber Distributed Data
Interface) e Token Bus.

2.1.5 Equipamentos e dispositivos de rede

Os dispositivos são os elementos responsáveis pela transmissão, recepção e encaminhamento de


dados. Para o funcionamento de uma rede, são necessários dispositivos que permitam o transporte
de dados e uma comunicação adequada entre os diversos equipamentos. Eles estão divididos em:
dispositivos finais e dispositivos intermediários.

Os dispositivos finais de rede (também chamados de hosts) são aqueles que estão mais próximos das
pessoas. Esses dispositivos formam a interface entre os usuários e a rede de comunicação subjacente.
Um dispositivo de host é a origem ou o destino de uma mensagem transmitida pela rede. São exemplos
de dispositivos finais: computadores, impressoras de rede, telefones VoIP, terminais de videoconferência,
câmeras de segurança e dispositivos móveis.

32
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Os dispositivos intermediários são os que se interconectam a dispositivos finais, fornecendo


conectividade, e funcionam em segundo plano para garantir que os dados fluam pela rede. Esses
dispositivos conectam os hosts individuais à rede e podem conectar várias redes individuais para formar
uma rede interconectada.

Os dispositivos intermediários podem ser de acesso à rede (switches e pontos de acesso sem fio),
interconexão (roteadores) e segurança (firewalls).

Os concentradores são dispositivos intermediários de rede. Os dois principais, utilizados especialmente


em redes locais, são: hubs e switches.

O hub, equipamento que trabalha na camada física do modelo OSI, é responsável por repetir,
amplificar e regenerar um sinal para toda a rede, operando com o meio físico que utiliza cabos de pares
metálicos. O hub foi o primeiro equipamento utilizado para implementar redes de computadores locais
com topologia física em estrela, mas ele se comporta como um barramento lógico.

O hub também é conhecido como repetidor multiporta devido ao fato de repetir bits recebidos em
uma porta para todas as outras, sem a utilização de qualquer processo inteligente, isto é, o hub não
tem conhecimento dos hosts que estão interligados às suas portas, sendo esse o principal motivo de se
referir ao hub como um equipamento burro.

A figura a seguir apresenta um hub exercendo o papel de concentrador:

PC-PT PC-PT
PC0 CopyPC0

Hub-PT
Hub0

PC-PT PC-PT
PC1 CopyPC1

Figura 9 – Hub como concentrador

Em redes com grande número de hosts, não é recomendável a utilização de hub, porque ele causa
um aumento no número de colisões. Essas colisões ocorrem quando mais de um host tenta transmitir
ao mesmo tempo, degradando o desempenho e a eficiência das redes.

33
Unidade I

Não obstante, as repetições executadas pelos hubs são extremamente eficientes quando se
deseja estender o alcance de uma rede local, interligando nós de rede fisicamente separados por
uma distância considerável.

O switch também é um equipamento concentrador. Embora um pouco parecido com um hub, ele
opera na camada de enlace do modelo OSI, justamente porque tem conhecimento dos hosts que estão
interligados a suas portas. Na verdade, o conhecimento do switch é baseado no endereço físico que cada
host possui, denominado endereço MAC.

Dessa forma, o switch encaminha as informações apenas para o endereço físico de destino correto,
evitando tráfego desnecessário e aumentando a eficiência no processo de comunicação de dados.

Isso é possível porque o switch constrói e armazena uma tabela interna dos endereços MAC dos hosts
interligados a suas portas, permitindo o processo de tomada de decisão sobre o correto encaminhamento
das informações que por ele trafegam.

A figura a seguir apresenta o switch exercendo o seu papel de comutador:

PC-PT PC-PT
CopyCopyPC0 CopyPC0(1)

2950-24
Switch0

PC-PT PC-PT
CopyCopyPC1 CopyPC1(1)

Figura 10 – Switch como comutador

A característica de chavear ou comutar a informação de uma porta para a outra faz com que o
switch seja conhecido como comutador ou chaveador.

O roteador é um dos principais dispositivos utilizados em redes locais e redes de longa distância.
Ele tem como principal objetivo interconectar diferentes segmentos de redes que podem estar em um
mesmo prédio ou distantes a milhares de quilômetros. O roteador encaminha os pacotes de dados entre
as redes de computadores atuando na camada de rede do modelo OSI.

34
CABEAMENTO ESTRUTURADO

A figura a seguir mostra uma topologia de rede incluindo um roteador:

PC-PT PC-PT PC-PT PC-PT


PC0 CopyPC0 CopyCopyPC0 CopyPC0(1)

Hub-PT 1841 2950-24


Hub Roteador Switch

PC-PT PC-PT PC-PT PC-PT


PC1 CopyPC1 CopyCopyPC1 CopyPC1(1)

Figura 11 – Roteador interligando duas redes

Por meio do processo de roteamento, ele toma as decisões sobre os melhores caminhos para o
tráfego da informação, roteando pacotes de dados. Isso é possível devido à construção de tabelas de
roteamento que o roteador mantém para executar adequadamente os seus processos e, assim, facilitar
a comunicação de dados.

Um roteador também pode limitar o tamanho do domínio de broadcast, fazendo com que mensagens
em broadcast sejam impedidas de sair de uma rede para outra.

O roteador também tem a capacidade de interligar redes de topologias, arquiteturas e tecnologias


totalmente diferentes. Isso porque essas questões referem-se a outros níveis de protocolo, que são
praticamente transparentes para os roteadores. Por exemplo, os roteadores podem interligar redes que
operam com tecnologias Token Ring e ethernet.

Entre os demais dispositivos de rede, é importante citar a placa de rede. Ela é a responsável pela
conexão do computador à rede. Qualquer computador que se interligue a uma rede necessita desse
dispositivo. Cada uma delas possui um endereço MAC único.

O servidor é outro equipamento que tem um papel crucial pela sua presença mandatória nas
arquiteturas de rede cliente-servidor. Os servidores são responsáveis pelo controle e compartilhamento
dos recursos de uma rede. Podem ser classificados como: servidores de impressão, de arquivos, de proxy,
de comunicação, entre outros.

Operando na camada física, os modems também podem ser considerados equipamentos


importantes para o funcionamento das redes, principalmente de longa distância. O modem tem
o objetivo de transformar os sinais digitais em sinais analógicos para a transmissão, por meio do
35
Unidade I

processo de modulação. Na recepção, os modems executam a demodulação, que é a transformação


do sinal analógico em digital.

2.1.6 Ethernet

A ethernet, padrão adotado na maior parte das redes locais do mundo, surgiu na década de 1970,
criado por estudantes da Universidade do Havaí que propunham interligar os computadores espalhados
pelas ilhas em um computador central na ilha de Honolulu.

Em 1978, foi criado um padrão para ethernet chamado DIX, por um consórcio entre as empresas
Digital Equipment Company, Intel e Xerox.

Os primeiros produtos com padrão ethernet foram vendidos na década de 1980, com transmissão de
10 Mbps por cabo coaxial grosso (thicknet), com uma distância de 2 quilômetros.

Em 1985, o IEEE desenvolveu o padrão 802, mas, para assegurar os padrões da ISO/OSI, alterou o
projeto ethernet original para 802.3.

Para o padrão ethernet, a camada de enlace divide-se em duas subcamadas:

• Controle de Enlace Lógico (LLC – Logical Link Control): constitui a interface entre o método de
acesso ao meio e os protocolos da camada de rede, ou seja, cuida de todas as tratativas com os
protocolos de alto nível.

• Controle de Acesso ao Meio (MAC – Media Access Control): é responsável pela conexão com o
meio físico e o endereço físico, também conhecido como endereço MAC. Também é responsável
pela montagem do quadro.

O padrão ethernet define os meios físicos utilizados nas redes LAN e suas respectivas características.
A tabela a seguir apresenta os principais padrões em uso nos dias atuais:

Tabela 2

Velocidade
Padrão Distância máxima Meio físico
teórica
Par trançado sem blindagem, de
10BaseT 10 Mbps 100 m categoria 3 ou 5
Par trançado sem blindagem, de
100BaseTX 100 Mbps 100 m categoria 5, 6 ou 7
Fibra óptica multimodo (62,5
100BaseFX 100 Mbps 400 m micrômetros)
Par trançado sem blindagem, de
1000BaseT 1 Gbps 100 m categoria 5, 6 ou 7
1000BaseCX 1 Gbps 25 m Par trançado blindado (obsoleto)
Fibra óptica multimodo (62,5
1000BaseSX 1 Gbps 260 m micrômetros)

36
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Fibra óptica monomodo (9


1000BaseLX 1 Gbps 10 km micrômetros)
10GBase-SR 10 Gbps 80 km Fibra óptica multimodo
10GBase-LR 10 Gbps 10 km Fibra óptica monomodo
10GBase-ER 10 Gbps 40 km Fibra óptica monomodo

Adaptado de: Filippetti (2017, p. 56).

Cada notação descrita nessa tabela especifica um padrão de operação: primeiro, aparece a taxa
de transmissão; depois, o tipo de transmissão e o tipo de meio. Por exemplo, no padrão 10BaseT, está
especificada a taxa de transmissão máxima de 10 Mbps, seguida de uma transmissão em banda-base e
de um cabo de par trançado como meio físico (representado pela letra T).

Saiba mais

Para conhecer um pouco mais sobre as redes de computadores e seus


elementos, leia:

TORRES, G. Redes de computadores. Rev. e atual. 2. ed. Rio de Janeiro:


Novaterra, 2016.

2.2 Meios de transmissão

2.2.1 Conceitos básicos em meios físicos

Os meios físicos de rede, também conhecidos como canais de comunicação, são os meios de
transporte que permitem a transmissão de dados.

Esses meios são peças fundamentais no processo de comunicação nas redes de computadores, por
isso, em sua determinação, é necessária a adoção de critérios como: velocidades suportadas, imunidade
a ruído, taxa de erros, disponibilidade, confiabilidade, atenuação e limitação geográfica.

Os meios físicos podem ser classificados em confinados e não confinados. Os confinados são
os cabos coaxiais, de pares metálicos, e as fibras ópticas. Os não confinados são os que utilizam
comunicação sem fio, por exemplo: comunicação via satélite, enlaces de micro-ondas, bluetooth
e radiodifusão de um modo geral.

Muitas empresas e organizações consideram o projeto desses meios físicos como um investimento
de longo prazo, e, para que ele seja adequado, devem ser considerados os seguintes fatores: custo,
escalabilidade, confiabilidade e gerenciamento.

37
Unidade I

É muito comum referir-se à taxa de transferência, em determinado canal de comunicação,


como largura de banda (bandwidth). A maioria das transmissões com alta velocidade ou largura
de banda considerável ocorre nas comunicações digitais, sem o uso da modulação, ou seja, em
banda-base.

Saiba mais

Para conhecer um pouco mais sobre os meios físicos, leia:

SHIMONSKI, R. J.; STEINER R.; SHEEDY, S. Cabeamento de rede. Rio de


Janeiro: LTC, 2014.

2.2.2 Tipos de meios físicos

O cabo coaxial foi o primeiro tipo de meio físico de rede empregado em uma LAN. Esse cabo é
utilizado para comunicações de vídeo, sendo conhecido também, popularmente, como cabo BNC
(Bayonet Neill-Concelman).

O cabo coaxial é constituído por um fio de cobre condutor, revestido por uma camada com um
material isolante e coberto por uma blindagem de alumínio ou cobre para proteger o fio de interferências
externas. Com essa composição, o cabo coaxial é mais indicado para longas distâncias, suportando
velocidades de megabits por segundo sem a necessidade de regeneração do sinal.

A figura a seguir mostra um cabo coaxial:


Capa plástica
Núcleo de Material Condutor externo protetora
cobre isolante em malha)

Figura 12 – Cabo coaxial

O cabo de par metálico trançado é composto de um, dois ou quatro pares de fios enrolados de
dois em dois, formando uma camada isolante. Essa medida mantém as suas propriedades elétricas
ao longo do fio e reduz o nível de interferência eletromagnética. Esses cabos são encontrados em
redes domésticas e corporativas, interligando modems, computadores, roteadores, hubs e demais
ativos de rede.

38
CABEAMENTO ESTRUTURADO

A figura a seguir mostra um cabo de par trançado:

Figura 13 – Cabo de par trançado

A fibra óptica é um meio físico que transporta dados na forma de sinais luminosos (fótons).
É um meio seguro de transmitir dados, pois não transportam sinais elétricos, minimizando
problemas de segurança e de ruídos/interferência. Constituída de material dielétrico, em geral
muito fino, de sílica ou vidro, transparente, flexível e de dimensões reduzidas, a fibra óptica tem
em sua construção mais três elementos: núcleo central de vidro; casca; revestimento.

A figura a seguir mostra um cabo de fibra óptica:

Núcleo
(vidro)

Coberura
(plástico)
Revestimento
interno (vidro)

Figura 14

A transmissão nas fibras ópticas ocorre sob o princípio da reflexão da luz, mediante aparelhos
que transformam sinais elétricos em pulsos de luz – fótons. Cada fóton representa um código
binário: 0 ou 1.

No único meio físico não confinado que é o ar, ocorre a comunicação de sinais de rádio, em que
a informação é transportada por meio de ondas eletromagnéticas. Essas ondas são irradiadas por
antenas transmissoras em determinada frequência e captadas por uma antena receptora dentro da
mesma frequência.

O meio físico é o ar, que pode ser considerado um dos meios físicos mais delicados no processo
de transmissão de dados. Isso porque ele é muito suscetível à ação de distúrbios e efeitos indesejáveis
(vários deles oriundos de fenômenos naturais) que prejudicam a comunicação de dados.
39
Unidade I

2.2.3 Efeitos indesejáveis nos meios físicos

Todos os meios físicos podem sofrer a ação de efeitos indesejáveis que prejudicam a comunicação
de dados. Entre os principais, é possível citar:

• Interferência: sinal de origem humana que invade o canal de comunicação, atrapalhando e


dificultando o processo de comunicação. Esse tipo de distúrbio é também conhecido como
sinais espúrios.

• Ruído: sinal aleatório de origem natural que provoca efeitos indesejáveis nos canais de
comunicação. Os ruídos podem ser classificados em: ruídos térmicos (resultado da agitação dos
elétrons nos átomos), ruídos atmosféricos (fruto das descargas elétricas na atmosfera) e ruídos
cósmicos (gerados por distúrbios fora da Terra).

• Atenuação: perda de potência de um sinal ao se propagar por um canal de comunicação.

• Distorção: alteração da forma do sinal devido à atenuação imposta às diferentes frequências.

O canal de comunicação de rádio tem suas particularidades, inclusive no que diz respeito a distúrbios
e efeitos indesejáveis. Entre eles, é possível citar:

• Atenuação no espaço livre: provocada pela propagação da própria onda transmitida de uma
antena para outra a uma distância d.

• Perdas por vegetação e obstáculo: causadas pelas características do relevo, do terreno, que podem
atrapalhar a propagação da onda.

• Efeito das ondas multipercurso: trata-se das ondas secundárias que chegam à antena receptora a
partir dos mais diferentes percursos e com diferentes intensidades, defasadas entre si e em relação
à onda principal.

• Ação da chuva: fenômeno meteorológico que ocorre no percurso da onda, enfraquecendo-a,


despolarizando-a e degradando a recepção do sinal.

• Efeito Doppler: variação da frequência do sinal devido à alteração de velocidade do equipamento


transmissor. Esse distúrbio só é observado em comunicações móveis.

• Formação de dutos no percurso da onda: distúrbio causado por túneis (dutos) de umidade, que
provocam desvanecimento (enfraquecimento) do sinal.

2.2.4 Proteção elétrica para o sistema de cabeamento de redes

Quando se utilizam cabos metálicos como meio físico nas redes de computadores, inevitavelmente
esse meio físico é acometido por diversos distúrbios que provocam as interferências eletromagnéticas e
podem degradar o sinal transmitido, causando a sua ininteligibilidade.
40
CABEAMENTO ESTRUTURADO

A fim de reduzir esses efeitos, utilizam-se algumas técnicas: balanceamento, blindagem, aterramento
e filtragem.

O balanceamento é obtido a partir do trançamento dos pares de fios utilizados na transmissão do


sinal e também pelo uso de fontes de transmissão assimétricas, de modo a aumentar a qualidade da
resposta do cabo sob o ponto de vista das interferências eletromagnéticas.

A filtragem é executada a partir de circuitos elétricos e eletrônicos, denominados filtros, que eliminam
interferências eletromagnéticas oriundas de frequências específicas.

A blindagem é uma técnica mais apurada, trabalhada em conjunto com o balanceamento, de forma
a reduzir ou prevenir o acoplamento de sinais indesejáveis.

A figura a seguir apresenta um cabo metálico de pares trançados com uma blindagem geral para os
quatros pares:

Figura 15

A figura a seguir apresenta um cabo metálico de pares trançados com uma blindagem individual e
geral para os quatros pares:

Figura 16
Outra técnica importante é o aterramento, que elimina problemas ocasionados pelos campos
elétricos e magnéticos nas blindagens dos cabos e nos equipamentos de telecomunicações utilizados.

Lembrete

Aterramento é a interligação intencional do sistema elétrico ao solo


realizada por meio de um condutor elétrico.
41
Unidade I

Existem pelo menos quatro configurações de aterramento para a blindagem de cabos, e a sua escolha
é uma tarefa relativamente complicada devido às diferenças dos sistemas cabeados quando expostos à
interferência eletromagnética e à frequência de operação.

A configuração I apresenta o segmento de cabos que interligam a tomada de telecomunicações


(ponto de rede) ao concentrador de cabos (patch panel), sendo aterrado em uma única extremidade.
A tomada de telecomunicações e o patch panel são blindados. Os patch cords, ou cordões de manobra
(cabos que interligam computadores e as tomadas/cabos que interligam concentradores de cabos e
dispositivos de rede), não são blindados.

A figura a seguir apresenta a configuração I:


Espaço de
telecomunicações
Switch
Área de trabalho
(WA)
Patch cord
U/UTP
TO blindada
Cabo F/UTP
Cabeamento
Patch panel blindado horizontal
Patch cord
U/UTP

Figura 17

A configuração II é muito semelhante à configuração I; a única diferença é que o patch cord utilizado
na sala de telecomunicações tem que ser blindado.

A figura a seguir apresenta a configuração II:


Espaço de
telecomunicações
Switch
Área de trabalho
(WA)
Patch cord
blindado
TO blindada
Cabo F/UTP
Cabeamento
Patch panel blindado horizontal
Patch cord
U/UTP

Figura 18

42
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Na configuração III, o segmento de cabos é aterrado nas duas extremidades do enlace, e todos
os patch cords são blindados, tanto aqueles do espaço de telecomunicações quanto aqueles da
área de trabalho.

A figura a seguir apresenta a configuração III:


Espaço de
telecomunicações
Switch
Área de trabalho
(WA)
Patch cord
blindado
TO blindada
Cabo F/UTP
Cabeamento
Patch panel blindado horizontal
Patch cord
blindado

Figura 19

A configuração IV é semelhante à configuração III, com uma única diferença no aterramento, que só
existe no espaço de telecomunicações.

A figura a seguir apresenta a configuração IV:


Espaço de
telecomunicações
Switch
Área de trabalho
(WA)
Patch cord
blindado
TO blindada
Cabo F/UTP
Cabeamento
Patch panel blindado horizontal
Patch cord
blindado

Figura 20

43
Unidade I

O quadro a seguir apresenta as vantagens e desvantagens das quatro configurações:

Quadro 4

Configuração Vantagem Desvantagens

• Nenhuma proteção
• Não há loop de terra em ou proteção limitada
I baixas frequências. contra interferências
eletromagnéticas.

• Não há loop de terra em • Nenhuma proteção


baixas frequências. ou proteção limitada
• Uso de patch cord contra interferências
II blindado no espaço eletromagnéticas.
de telecomunicações • Sujeito a formação de
oferece proteção loops de terra de alta
contra interferências frequência.
eletromagnéticas.

• Blindagem total do
canal com total proteção • Não proteção contra loops
III contra interferências de terra.
eletromagnéticas.

• Uso de patch cords


blindados oferecem • Sujeito a formação de
IV proteção contra
interferências loops em alta frequência.
eletromagnéticas.

Fonte: Marin (2013, p. 187).

Observação

A norma americana ANSI/TIA-607-B especifica o sistema


de aterramento que deve ser utilizado para o cabeamento de
telecomunicações. As normas brasileiras NBR 5410 e NBR5419 também
apresentam essas especificações.

2.2.5 Diferenças entre compatibilidade eletromagnética e interferência eletromagnética

Existe um pouco de confusão nos conceitos que cercam a compatibilidade eletromagnética (EMC) e
a interferência eletromagnética (EMI). Por isso é bom recorrer a exemplos.

Imagine dois equipamentos eletrônicos de mesma natureza em um mesmo ambiente, operando


em graus de eficiência estabelecidos em seus respectivos projetos. A EMC é a capacidade que esses
equipamentos têm de operar sem gerar transtornos um para o outro, ou seja, sem afetar ou ser afetado.
A EMI é a interferência resultante das características dos elementos que formam os equipamentos
eletrônicos citados no exemplo.

44
CABEAMENTO ESTRUTURADO

A figura a seguir mostra os elementos fundamentais da EMC:

Carga

Linha de transmissão - rede elétrica


Fonte

Energia irradiada

Energia irradiada

Dados
Tx/Rx
Energia irradiada

Voz
PABX

Energia irradiada

Figura 21

Há uma preocupação especial com a EMI e a EMC pelo simples motivo de que todo tipo de
dispositivo elétrico ou eletrônico pode produzir um campo eletromagnético em seus ambientes. Dessa
forma, são capazes de gerar uma EMI.

Resumo

Iniciamos esta unidade retomando um antigo conteúdo de física do


Ensino Médio extremamente importante para o estudo do cabeamento
estruturado: a eletricidade. Lembramos que ela é uma forma de energia
que gera uma série de benefícios para a sociedade em geral.

Toda matéria é constituída por minúsculas partículas chamadas de


átomos. Estes, por sua vez, são compostos de: partículas subatômicas
positivas (chamadas de prótons); partículas subatômicas negativas
(chamadas de elétrons); e partículas neutras (chamadas de nêutrons).

A partir disso, mostramos o processo de geração da corrente elétrica,


bem como o entendimento de todas as outras grandezas em eletricidade,
como a tensão elétrica, a potencial elétrica, a resistência elétrica,
consideradas fundamentais no estudo da eletricidade e em qualquer
que seja a sua aplicação. Apresentamos também os instrumentos que
servem para medir essas grandezas, tais como: ohmímetro, voltímetro,
amperímetro, wattímetro.
45
Unidade I

Ao mencionar os conceitos de resistividade e resistência elétrica,


inevitavelmente entramos no entendimento da condutividade elétrica,
lembrando que a maior parte das redes de computadores é interligada por
meios físicos cabeados, construídos a partir de materiais condutores.

Mencionamos que a geração de tensão elétrica pode ocorrer de diversas


maneiras, sempre considerando que há uma transformação de uma forma
de energia em outra, produzindo, assim, um desequilíbrio de elétrons entre
dois terminais. As principais fontes de tensão elétrica contínua são as pilhas
e as baterias. A forma mais simples de geração de uma tensão elétrica
alternada é por meio de um gerador, que converte a energia mecânica em
energia elétrica.

De posse desses conhecimentos, aprendemos que um circuito elétrico


é um caminho fechado por onde circula uma corrente elétrica. Os circuitos
elétricos são compostos de fonte de tensão, condutores, carga e instrumento
de controle.

Para fundamentar o entendimento sobre compatibilidade


eletromagnética e interferência eletromagnética, apresentamos uma rápida
fundamentação sobre o processo de indução eletromagnética, afirmando
que qualquer carga elétrica em movimento, ou seja, produzindo um fluxo
de corrente elétrica, gera um campo magnético.

Prosseguimos ainda no primeiro capítulo falando de instalações


elétricas. Seus principais componentes são: equipamento elétrico; aparelho
elétrico; linha elétrica; dispositivo elétrico; carga elétrica.

Mencionamos a importância da segurança nas instalações elétricas,


principalmente no que tange a choques elétricos, seus efeitos no corpo
humano, condições ambientais em que se dão, bem como normas de
proteção e segurança.

Apresentamos o aterramento como uma interligação intencional do


sistema elétrico ao solo, realizado por meio de um condutor elétrico. Os três
tipos de aterramento conhecidos são: aterramento funcional; aterramento
de proteção; e aterramento de trabalho.

Em seguida, vimos um panorama geral dos conceitos básicos de redes


de computadores em vista da introdução dos conteúdos sobre meios físicos,
seus tipos, efeitos indexáveis, dentre outros. Nesse panorama, apresentamos
de forma resumida os componentes básicos das redes de computadores:
mensagens; protocolos; meios físicos; e dispositivos.

46
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Ainda, apresentamos os meios físicos de rede, também conhecidos como


canais de comunicação, que são os meios de transporte que permitem a
transmissão de dados. Favorecemos a compreensão da importância desses
meios para o processo de comunicação nas redes de computadores.

Concluímos com uma pequena explanação sobre a proteção elétrica


para o sistema de cabeamento de redes, com ênfase no aterramento e na
blindagem de cabos trançados de pares metálicos.

Exercícios

Questão 1. Assinale a alternativa que apresenta apenas instrumentos de medidas usados na área
de eletricidade:

A) Voltímetro; Ohmímetro; paquímetro e ponte de Wheatestone.

B) Amperímetro; Frequencímetro; Wattímetro e osciloscópio.

C) Amperímetro; Frequencímetro; Wattímetro e ponte de Wheatestone.

D) Voltímetro; Ohmímetro; paquímetro e osciloscópio.

E) Voltímetro; Ohmímetro; paquímetro e amperímetro.

Resposta correta: alternativa B.

Análise das alternativas

A) Alternativa incorreta.

Justificativa: embora o voltímetro e o Ohmímetro sejam instrumentos de medidas elétricas, o


paquímetro é um instrumento para medir a distância entre dois lados simetricamente opostos em um
objeto; a ponte de Wheatstone é um esquema de montagem de elementos elétricos que permite a
medição do valor de uma resistência elétrica desconhecida usando um voltímetro.

B) Alternativa correta.

Justificativa: o amperímetro é um instrumento usado para medir a intensidade de corrente elétrica;


o frequencímetro mede a frequência de oscilação elétrica; o wattímetro mede a potência elétrica e o
osciloscópio pode fazer várias medições elétricas.

47
Unidade I

C) Alternativa incorreta.

Justificativa: embora o amperímetro, o frequencímetro e o wattímetro sejam instrumentos de


medidas elétrica, a ponte de Wheatstone é um esquema de montagem de elementos elétricos que
permite a medição do valor de uma resistência elétrica desconhecida usando um voltímetro.

D) Alternativa incorreta.

Justificativa: embora o voltímetro, o ohmímetro e o osciloscópio sejam instrumentos de medidas


elétricas, o paquímetro é um instrumento para medir a distância entre dois lados simetricamente
opostos em um objeto.

E) Alternativa incorreta.

Justificativa: embora o voltímetro, o ohmímetro e o amperímetro sejam instrumentos de medidas


elétricas, o paquímetro é um instrumento para medir a distância entre dois lados simetricamente
opostos em um objeto.

Questão 2. Com relação a sua abrangência, as redes de computadores podem ser classificadas em
LAN, MAN e WAN. Dentro dessa perspectiva, analise as afirmativas a seguir:

I – A rede LAN é uma rede relativamente pequena de computadores, de abrangência limitada.

II – A rede MAN é uma rede de alta velocidade composta de várias redes pequenas em uma mesma
região metropolitana.

III – A rede WAN é uma rede que conecta várias redes de alta velocidade situadas em diferentes
áreas metropolitanas

Está correto o que se afirma em:

A) I, apenas.

B) II, apenas.

C) I e II, apenas.

D) II e III, apenas.

E) I, II e III.

Resolução desta questão na plataforma.

48
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Unidade II
3 CABOS METÁLICOS

3.1 Cabos coaxiais

3.1.1 Histórico e evolução

Esse tipo de meio físico confinado é um velho conhecido de todos por ser muito utilizado nas
transmissões de TV, embora não seja apenas essa a sua funcionalidade. O cabo coaxial pode ser utilizado
para comunicações híbridas que envolvam voz, vídeo e dados, mesmo sendo obsoleto em relação às
soluções com cabos de pares trançados.

Foi criado por volta de 1920 em uma rede de telefonia transcontinental, atendendo a conexões
metropolitanas de centrais telefônicas. Em 1941 foi utilizado em escala comercial pela AT&T no Estados
Unidos, com o propósito de comunicações a distância e para a TV a cabo.

Também foi o primeiro tipo de cabo utilizado em redes de computadores, tornando-se


bastante popular para conexões em redes de computadores pessoais já na década de 1980, com
a tecnologia ethernet.

Em ambientes de LAN, foi gradativamente substituído pelos cabos de pares trançados metálicos e
pelas fibras ópticas, devido à relação custo-benefício oferecida, além das dificuldades de instalação e
velocidade limitada.

Nas redes de comunicação de voz, os cabos coaxiais são utilizados nas interligações de troncos
(links que transportam múltiplos sinais de voz) comutados entre estações telefônicas.

Lembrete

O cabo coaxial não é o único tipo de meio confinado. Os cabos de


pares metálicos e os cabos de fibra óptica são também considerados um
meio confinado.

3.1.2 Construção de um cabo coaxial

O cabo coaxial é formado por um fio condutor envolvido por um material dielétrico de grande
resistência, geralmente um material plástico ou poroso, sendo os mais comuns o poliestireno ou o
teflon. Esse material suporta campos eletrostático consideráveis.
49
Unidade II

Há uma blindagem metálica envolvendo o material dielétrico, podendo ser uma malha de fios
acompanhada ou não de uma folha metálica, sempre dependente da frequência suportada pelo cabo.

A construção do cabo é completada com um revestimento isolante nas cores preto, bege, cinza ou
amarelo. O material-base de construção desse revestimento é o policloreto de vinila, também conhecido
como PVC, acompanhado de um material antichamas.

A figura a seguir apresenta os detalhes da construção de um cabo coaxial:

Figura 22

3.1.3 Propriedades e vantagens dos cabos coaxiais

Os cabos coaxiais conduzem os sinais da informação por meio das ondas eletromagnéticas que se
propagam entre a blindagem e o condutor, livre das interferências externas.

As principais variáveis consideradas controladoras dos efeitos físicos do processo de transmissão em


um cabo coaxial são:

• espaçamento entre a blindagem e o fio condutor, bem como o seu diâmetro;

• qualidade do isolamento entre a blindagem e o fio condutor;

• ambiente em que se encontra instalado o cabo.

As principais vantagens são:

• distâncias mais longas habilitadas pela blindagem do cabo;

• utilização em redes de banda larga;

• grande imunidade contra ruídos e atenuações do sinal.

50
CABEAMENTO ESTRUTURADO

As principais desvantagens são:

• apresenta-se com muitos mau contatos;

• grandes dificuldades nas passagens do cabo;

• utilização em topologias limitadas, em que a quebra do cabo desabilita todo o segmento;

• maior dificuldade na adição e remoção da máquina;

• está limitado a velocidade de 10 Mbps.

3.1.4 Tipos e categorizações de cabos coaxiais

De forma geral, os cabos coaxiais podem ser divididos em: blindagem dupla; twinaxial;
triaxial; multicabos.

Os cabos de blindagem dupla, como o próprio nome diz, são dotados de duas blindagens cobrindo
o dielétrico, com a finalidade de oferecer uma maior proteção contra interferências externas, além de
diminuir a atenuação.

Figura 23

O cabo twinaxial tem uma construção um pouco diferente. Ele possui dois condutores isolados em
paralelo ou entrelaçados dentro de uma blindagem comum e um revestimento isolante.

O cabo triaxial é construído a partir de um núcleo único formado por duas blindagens, diferindo do
cabo coaxial de blindagem dupla, na transmissão da informação que pode ocorrer tanto no condutor
interno, quanto na blindagem interna, sendo a blindagem externa reservada para aterramento.

Os multicabos podem ser considerados feixes de cabos coaxiais construídos sob medida para
determinadas aplicações.

Os cabos coaxiais podem variar de acordo com seu diâmetro, blindagem, impedância, temperatura,
taxa e aplicação. Por isso, é comum uma categorização por grau de RG (Radio Guide), norma com
origens militares que designa a especificação de cabos coaxiais.

A tabela a seguir apresenta a categorização dos cabos coaxiais:

51
Unidade II

Tabela 3

Twinaxial ou Material Impedância Faixa de


Grau Diâmetro (mm)
coaxial dielétrico (Ohm) temperatura (°C)
RG-6 Coaxial Polietileno sólido 75 -40 até +85 8,433
RG-8 Coaxial Polietileno sólido 50 -40 até +85 7,341
RG-11 Coaxial Polietileno sólido 75 -40 até +85 10,287
RG-22 Twinaxial Polietileno sólido 95 -40 até +85 10,668
RG-34 Coaxial Polietileno sólido 75 -40 até +85 16,002
RG-58 Coaxial Polietileno sólido 50 -40 até +85 4,953
RG-59 Coaxial Polietileno sólido 75 -40 até +85 6,147
Teflon com
RG-62 Coaxial 93 -40 até +85 6,147
espaço de ar
Teflon com
RG-71 Coaxial 93 -55 até +85 6,223
espaço de ar
RG-108 Twinaxial Polietileno sólido 78 -40 até +85 5,969
RG-122 Coaxial Polietileno sólido 50 -40 até +85 5,486
RG-133 Coaxial Polietileno sólido 95 -40 até +85 10,287
RG-164 Coaxial Polietileno sólido 75 -40 até +85 22,098
RG-165 Coaxial Teflon sólido 50 -55 até +250 10,414
RG-174 Coaxial Teflon sólido 50 -40 até +85 2,794
RG-178 Coaxial Teflon sólido 50 -55 até +200 1,829
RG-179 Coaxial Teflon sólido 75 -55 até +200 2,540
RG-180 Coaxial Teflon sólido 95 -55 até +200 3,581
RG-187 Coaxial Teflon sólido 75 -55 até +200 2,540
RG-188 Coaxial Teflon sólido 50 -55 até +200 2,489
RG-195 Coaxial Teflon sólido 95 -55 até +200 3,581
RG-196 Coaxial Teflon sólido 50 -55 até +230 1,829
RG-212 Coaxial Polietileno sólido 50 -40 até +85 8,433
RG-213 Coaxial Polietileno sólido 50 -40 até +85 10,287
RG-214 Coaxial Polietileno sólido 50 -40 até +85 10,795
RG-216 Coaxial Polietileno sólido 75 -40 até +85 10,795
RG-217 Coaxial Polietileno sólido 50 -40 até +85 13,843
RG-218 Coaxial Polietileno sólido 50 -40 até +85 22,098
RG-223 Coaxial Polietileno sólido 50 -40 até +85 5,385
RG-225 Coaxial Polietileno sólido 50 -55 até +250 10,922
RG-302 Coaxial Teflon sólido 75 -55 até +200 5,131
RG-303 Coaxial Teflon sólido 50 -55 até +200 4,318
RG-316 Coaxial Teflon sólido 50 -55 até +200 2,489
RG-365 Coaxial Teflon sólido 50 -55 até +85 10,795
RG-393 Coaxial Teflon sólido 50 -55 até +200 9,906
RG-400 Coaxial Teflon sólido 50 -55 até +200 4,953

Fonte: Shimonski, Steiner e Sheedy (2014, p. 93).

52
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Observação

Tanto a medida de impedância quanto a de resistência é dada em Ohm.


As duas expressam uma oposição à passagem da corrente. A principal
diferença é que na impedância é considerada a corrente alternada.

As categorizações mais comuns são RG-6, RG-8, RG-11, RG-58 e RG-59. A categorização
RG-6 é utilizada para vídeo, CATV, inclusive com forte recomendação para uso comercial em VHF,
UHF, 800 MHz. A categorização RG-8 também é utilizada para CATV, com qualidade superior à
categorização da versão anterior. A categorização RG-11 é muito utilizada para vídeo e antenas
UHF e VHF. A categorização RG-174 é fortemente recomendada para lances curtos de transmissão
em HF, além de conexões internas e uso de RF portátil. A categorização RG-223 é para uso em
estúdios de TV.

3.1.5 Conectores de cabos coaxiais

Existe uma série de conectores para cabos coaxiais utilizados para as redes de computadores
(utilizando tecnologia ethernet) e os sistemas de vídeos. Os principais conectores são o
BNC (Britsh Naval Connector) e o AUI (Attachment Unit Interface), utilizados para redes de
computadores e transmissões de vídeos. Dentre outros conectores, é possível citar: tipo F; DIN
(Deutshe Industrie Norm); tipo N; SMA (Subminiature A); TNC (Threaded Neill Concelman); UHF
(Ultra High Frequency).

O conector AUI é utilizado para o padrão ethernet em cabos coaxiais grossos, conhecido como
padrão 10Base5, conectados em placas de rede.

A figura a seguir mostra um conector AUI:

Figura 24

53
Unidade II

O conector BNC, sem dúvidas um dos mais conhecidos, é utilizado em redes ethernet (Thinnet ou
10Base2) para cabos coaxiais finos. Esses conectores são ligados nas placas de rede pelo método inserir
e girar.

A figura a seguir mostra um conector BNC:

Figura 25

Outro tipo de conector é o DIN, que foi desenvolvido na Alemanha ainda nos anos 1960. Ele foi
originalmente utilizado em aplicações militares e depois em aplicações comerciais na telefonia móvel
celular analógica.

A figura a seguir mostra um conector DIN:

Figura 26

Os conectores tipo F são utilizados em equipamentos de TV e de VCR, sendo rosqueados em suas


conexões, utilizando uma frequência de 1 GHz. Os conectores tipo N podem ser utilizados em até 11
GHz, sendo à prova d’água e com uma conexão rosqueada.

Os conectores TNC são considerados uma versão melhorada do conector BNC, com uma interface
rosqueada e sem o inserir e girar. O conector UHF é destinado a comunicações de radiofrequência acima
de 50 MHz, sendo relativamente barato e chamado algumas vezes de conector PL-259.

54
CABEAMENTO ESTRUTURADO

A tabela a seguir mostra as especificações típicas desses conectores:

Tabela 4

Conector Frequência (GHz) Potência (W) Diâmetro (mm) Custo


BNC 0-4 80 15,24 Baixo
F 0-0,9 N/A 11,176 Baixo
N 0-11 300 20,32 Médio
SMA 0-18 100 10,16 Médio
TNC 0-11 100 15,24 Baixo
UHF 0-0,3 500 21,59 Baixo
DIN 0-7,5 2500 28,575 Alto

Fonte: Shimonski, Steiner e Sheedy (2014, p. 97).

3.1.6 Uso de cabos coaxiais em redes de computadores

Para o uso em redes de computadores, mais especificamente no padrão ethernet para redes locais,
há dois tipos: cabo coaxial fino (padrão 10Base2) e cabo coaxial grosso (padrão 10Base5). A principal
diferença entre esses dois cabos é a espessura do cabo.

A nomenclatura para o padrão ethernet é composta de:

<taxa máxima de transmissão> <tipo de transmissão> <comprimento máximo>.

A taxa máxima de transferência alcançada em cabos coaxiais na ethernet é 10 Mbps, e o tipo de transmissão
utilizada é a banda base. Se o cabo coaxial for fino, o alcance máximo é de 185 metros (por isso mencionamos
10Base2), e, para o cabo coaxial grosso, é de 500 metros (por isso mencionamos 10Base5).

O cabo coaxial fino é também conhecido por thinnet ou cheapernet e tem a categorização
RG-58, quando utilizado no padrão ethernet, com impedância de 50 Ohms. Um antigo padrão
de redes conhecido como ARCnet utilizava a categorização RG-62 com uma impedância de
93 Ohms.

O cabo coaxial fino tem um diâmetro de 4,953 mm se utilizado na categorização RG-58. Quando
utilizada a categorização RG-62, tem um diâmetro de 6,147 mm. Nesse cabo é possível interligar, em um
segmento de 185 metros, um total de pelo menos 30 computadores, sem a utilização de um repetidor.
Caso utilizem-se repetidores, é possível interligar cinco segmentos de 185 metros com 30 computadores
cada, chegando a um total de 925 metros com 150 computadores.

A topologia física utilizada no cabo coaxial é conhecida como linear ou em barramento, porque
todos os computadores são interligados a um mesmo “barramento” ou segmento. Essa interligação é
possível por meio de um conector BNC em “T”, conforme pode ser visto na figura a seguir:
55
Unidade II

Figura 27

Em cada ponta que finaliza o segmento, é necessário instalar um terminador. A figura a seguir
mostra um conector BNC terminador:

Figura 28

O cabo coaxial grosso é conhecido por thichnet e, com seu uso, é possível alcançar uma
distância de 500 metros sem a necessidade de repetidores, com a interligação de 100 computadores.
Utilizando-se repetidores é possível interligar cinco segmentos, totalizando uma rede com 2.500
metros e 500 computadores.

O cabo coaxial grosso é muito utilizado para a formação de backbones (espinha dorsal) das redes devido à
distância máxima alcançada, mas foi gradativamente sendo substituído pelos cabos de fibra óptica.

Para o padrão ethernet, as redes que utilizam cabos coaxial grosso são chamadas de 10Base5, e a
conexão dos computadores é feita por meio de um conector “vampiro”, assim chamado porque faz dois
furos no cabo coaxial para estabelecer um contato com o núcleo do cabo.

É necessário também a instalação de um transceptor para interligar o barramento do cabo coaxial


ao computador por meio de um cabo de 15 pinos (conector AUI).

56
CABEAMENTO ESTRUTURADO

A figura a seguir mostra a conexão em barramento do cabo coaxial grosso:

Transceptor Terminador

Figura 29

Observação

A distância entre transceptor precisa ser de pelo menos 2,5 metros.


A distância entre o transceptor e o computador deve ser de no máximo
15 metros.

3.2 Cabos de pares trançados

3.2.1 Histórico e introdução

O tipo mais usado em cabeamento de rede é o cabo de par trançado. Nas


décadas de 1970 e 1980, o cabeamento com cabo de par trançado era
usado para comunicação de voz. Nos anos de1980, as redes de dados
também começaram a usar cabeamento com cabo de par trançado, pois
o mesmo oferecia uma base simples, barata e modular para redes de
área local. As múltiplas vias em cabos permitem comunicação duplex
(conversação telefônica), caminhos separados para sinalização e
inicialização e comunicação em banda larga. O trançado dos fios em
um cabo par trançado controla a degradação do sinal causada pela
interferência eletromagnética (EMI) e a interferência de radiofrequência
(RFI). A quantidade de voltas por unidade de comprimento no trançado
de cada par de fios controle problemas como a interferência e diafonia
(cross‑talk) entre os pares do cabo. A interferência é potencialmente
mais grave em cabeamento de dados, no qual a diafonia pode danificar
severamente a integridade da comunicação de dados. No entanto, a
diafonia ocorre com mais frequência em redes de voz, onde os usuários
podem ocasionalmente ouvir conversas ocorrendo em outros fios dentro
do mesmo feixe de cabo. No entanto, a diafonia geralmente ocorre em
níveis não audíveis (SHIMONSKI; STEINER; SHEEDY, 2014, p. 97).

57
Unidade II

Os cabos de pares trançados são construídos a partir do cobre como material condutor, que
transporta a informação por meio da corrente elétrica. Os principais motivos para o uso do
cobre são:

• condutividade: é um ótimo condutor, apresentando uma resistividade muito baixa;

• robustez: suas propriedades físicas habilitam um bom comportamento diante de extremos de


temperatura e eventuais rupturas;

• maleabilidade: pode ser forjado, martelado e maleável;

• nível de corrosão: não enferruja diante de corrosões;

• ductibilidade: pode ser facilmente fiado sem quebrar.

Os cabos de cobre podem ter os núcleos dos seus fios na forma sólida ou na forma multifilar
(composto de uma malha ou feixe de filamentos). Esses núcleos são normalmente revestidos por um
material isolante, chamado muitas vezes de dielétrico, de forma a impedir que correntes elétricas
externas cheguem até o fio condutor.

Para o cabo de pares trançados que possuem mais do que um condutor, é adicionada outra
camada isolante para proteger a integridade física dos pares de fios. Em algumas situações é
necessária uma blindagem ou dos pares, ou de todo o cabo, com o objetivo de prevenir o meio
físico das interferências externas.

Ainda sobre os materiais isolantes utilizados nos cabos de cobre, é possível destacar:

• elastômeros: material semelhante ao plástico e à borracha, com uma grande flexibilidade mecânica;

• termoplásticos: muito conhecido pelo seu principal tipo que é o policloreto de vinila (PVC), é o
mais utilizado como isolante por conseguir resistir a diversos ambientes hostis;

• flúor polímeros: conhecido como material isolante e antichamas, porque só queima em


temperaturas muito altas, além de emitir pouca fumaça.

Os cabos de cobre são classificados e rotulados segundo um padrão internacional conhecido como
Universal Service Order Code (USOC), que utiliza a codificação American Wire Gauge (AWG).

A tabela a seguir mostra os graus de AWG mais encontrados:

58
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Tabela 5

Código AWG Diâmetro (mm) Área (mm²) Resistência (Ohm/km)


46 0,04 0,0013 13700
44 0,05 0,0020 8750
42 0,06 0,0028 6070
41 0,07 0,0039 4460
40 0,08 0,0050 3420
39 0,09 0,0064 2700
38 0,10 0,0078 2190
37 0,11 0,0095 1810
36 0,13 0,013 1300
35 0,14 0,015 1120
34 0,16 0,020 844
33 0,18 0,026 676
32 0,20 0,031 547
30 0,25 0,049 351
28 0,33 0,08 232
27 0,36 0,096 178
26 0,41 0,13 137
25 0,45 0,16 108
24 0,51 0,20 87,5
22 0,64 0,33 51,7
20 0,81 0,50 34,1
18 1,02 0,78 21,9
16 1,29 1,3 13,0
14 1,63 2,0 8,54
13 1,80 2,6 6,76
12 2,05 3,3 5,4
10 2,59 5,26 3,4
8 3,73 8,00 2,2
6 4,67 13,6 1,5
4 5,90 21,73 0,8
2 7,42 34,65 0,5
1 8,33 43,42 0,4
0 9,35 55,10 0,31
00 10,52 69,46 0,25
000 11,79 83,23 0,2
0000 13,26 107,30 0,16

Fonte: Shimonski, Steiner e Sheedy (2014, p. 74).

59
Unidade II

3.2.2 O cabo de par trançado e a sua topologia

Tipicamente um cabo de par trançado é utilizado em uma topologia física em estrela. Assim, cada
computador (ou host, de forma geral) é interligado ao concentrador de rede (que pode ser um hub ou
um switch) por meio dos cabos de pares trançados.

Essa nova concepção de topologia física foi uma evolução quando comparada à topologia física em
barramento utilizada com os cabos coaxiais nas LANs mais antigas. Se antes, ao romper-se o cabo, todo
o segmento de rede ficava inativo, agora, ao romper-se um dos cabos da topologia estrela, os outros
segmentos funcionam normalmente.

A figura a seguir apresenta essa topologia:

PC-PT PC-PT
PC0 CopyPC0

Hub-PT
Hub0

PC-PT PC-PT
PC1 CopyPC1

Figura 30 – Topologia Estrela

Lembrete

Quando se utilizam hubs ou switches, a topologia física é estrela, mas,


logicamente falando, a topologia continua sendo em barramento (linear).

3.2.3 Tipos de cabos de pares trançados

Os cabos de pares trançados podem ser divididos em três tipos: cabos de pares trançados sem
blindagem; cabos de pares trançados com blindagem individual; cabos de pares trançados com
blindagem geral.

O cabo de par trançado sem blindagem é conhecido pelo seu acrônimo UTP (Unshielded
Twiested Pair) e é o mais comum em instalações de redes locais. A distância máxima alcançada é de
aproximadamente 100 metros em LANs no padrão ethernet, sem a necessidade de repetidores.

60
CABEAMENTO ESTRUTURADO

A taxa de transferência suportada vai de 10 Mbps até 10 Gbps utilizada nas tecnologias ethernet:

• 10BaseT: cabo de par trançado com taxa de transferência de 10 Mbps em banda base;

• 100BaseT: cabo de par trançado com taxa de transferência de 100 Mbps em banda base;

• 1000BaseT: cabo de par trançado com taxa de transferência de 1.000 Mbps em banda base;

• 10GBaseT: cabo de par trançado com taxa de transferência de 10 Gbps em banda base.

A figura a seguir apresenta um cabo UTP já decapado:

Pares trançados
sem blindagem

Figura 31

O cabo de par trançado com blindagem geral é conhecido como cabo F/UTP (Foil/Unshielded Twisted
Pair) e não tem uma blindagem individual para os pares de fios.

A figura a seguir mostra um cabo F/UTP:

Blindagem
Pares trançados externa geral
sem blindagem

Condutor do dreno da blindagem

Figura 32

61
Unidade II

O cabo de par trançado com blindagem geral e individual é conhecido como cabo S/FTP (Screneed/
Foiled Twisted Pair).

A figura a seguir mostra um cabo S/FTP:


Malha externa de
Pares trançados blindagem geral
blindados com
folhas metálicas

Figura 33

3.2.4 Categorias de cabos de pares trançados

A entidade norte-americana que cuida de padronização das telecomunicações é a TIA


(Telecommunications Industry Association), antes vinculada a EIA (Electronics Industries Alliance). A
TIA criou uma padronização, hoje praticamente internacionalizada, para categorias de cabos de pares
trançados, apontando propriedades e características distintas de cada um dos cabos.

As categorias de cabos criadas pela EIA/TIA, endossadas pela ANSI (American National Standars
Institute), possuem as categorias que vão (originalmente) da 3, 5 e 6. Uma empresa chamada Anixter
utilizava cabos de pares trançados para telefonia e os chamava de cabos “nível 1” (hoje chamado de
categoria 1), e os cabos de pares trançados para as redes de dados eram chamados de “nível 2” (hoje
chamado de categoria 2).

A ISO também criou uma padronização de cabos divididos por classes que tem uma similaridade com
as categorias da ANSI/TIA/EIA e Anixter.

Assim, é possível apresentar as categorias de cabos que são aceitas internacionalmente como:

• Categoria 1: conhecida como Anixter nível 1, era utilizado apenas para a telefonia fixa, com
transmissões de até 1 MHz. Como não é reconhecida pela ANSI/TIA/EIA, não integra sistemas de
cabeamento estruturado.

62
CABEAMENTO ESTRUTURADO

• Categoria 2: conhecida como Anixter nível 2, era utilizada para redes com padrão Token Ring da
IBM, com uma taxa de transferência de até 4 Mbps, considerada obsoleta. Essa categoria também
não é reconhecida pelas normas de cabeamento estruturado.

• Categoria 3 (padronização ISO Classe C): foi o primeiro padrão para a ethernet com cabos de pares
trançados não blindados, conhecida como 10BaseT. Tinha como características principais uma
taxa de transferência de 10 Mbps, uso de um cabo com 24 AWG e uma frequência de operação
de 16 MHz. Hoje, essa categoria é considerada obsoleta para redes de dados, mas ainda pode ser
utilizada para a telefonia fixa.

• Categoria 4: utilizada em redes no padrão Token Ring, com uma taxa de transferência máxima
de 16 Mbps e uma frequência de operação de 20 MHz. Os cabos dessa categoria operam com
quatro pares de fios com 22 AWG ou 24 AWG. Essa categoria não é reconhecida pelas normas de
cabeamento estruturado estabelecidas pela ANSI/TIA.

• Categoria 5: utilizada para transmissões com taxa de transferência de até 1 Gbps e uma frequência
de 100 MHz. Foi rapidamente substituída pela categoria 5e.

• Categoria 5e (padronização ISO Classe D): extremamente semelhante fisicamente à categoria 5,


diferindo apenas nas especificações de paradiafonia, que foram melhoradas devido ao aumento
do trançamento dos pares de fios. Esse ganho é perceptível em transmissões com taxa de
transferência de 1 Gbps. Por esse motivo, a categoria 5 foi praticamente toda substituída pela
categoria 5e.

Observação

O “e” da categoria 5e significa enhanced, que, traduzindo para português,


quer dizer “melhorado”.

• Categoria 6 (padronização ISO Classe E): utilizada para transmissões de até 250 MHz, é considerada
uma melhoria na categoria 5e. Possui quatro pares de fios de 24 AWG.

• Categoria 6A (padronização ISO Classe EA): utilizada para transmissões de até 500 MHz e taxas de
transferência de até 10 Gbps, com pares trançados.

Observação

O “a” da categoria 6A significa “ampliado”.

• Categoria 7 (padronização ISO Classe F): utiliza cabo de pares trançados blindados que permitem
uma operação até 600 MHz.

63
Unidade II

• Categoria 7A (padronização ISO Classe FA): semelhante à categoria anterior, mas com uma
frequência máxima de 1 GHz.

3.2.5 Conectores para cabos de pares trançados

O conector utilizado para cabos de pares trançados é 8P8C, popularmente conhecido como RJ-45.

A figura a seguir mostra esse conector:

Figura 34

Fonte: Torres (2016, p. 388).

Esse conector possui oito contatos, de forma a receber os quatro pares de fios do cabo de par
trançado. Cada par de fios em um cabo de par trançado tem uma cor diferente, e a ordem das
cores é importante na conexão do cabo no conector. As cores dos fios do cabo de par trançado
são: laranja; vede; marrom; azul.

O par laranja é formado por um fio laranja trançado a um outro fio laranja, sendo este mais claro.
Alguns fabricantes utilizam a cor branca no lugar do fio laranja mais claro, chamando este de branco
do laranja. Da mesma forma ocorre com os outros pares, por exemplo o par azul, formado pelo azul e o
branco do azul (ou azul claro). Os outros pares seguem o mesmo padrão.

A ordem de conexão dos pares no conector RJ-45 obedece ao padrão T568 criado pela TIA, que
estabelece dois tipos de conexão: T568A e T568B.

64
CABEAMENTO ESTRUTURADO

O quadro a seguir apresenta o padrão de conexão T568A:

Quadro 5

Função Função
Pino Cor (10 Mbps / 100 Mbps) (1 Gbps / 10 Gbps)
1 Branco do verde Transmissão Transmissão/Recepção
2 Verde Transmissão Transmissão/Recepção
3 Branco do laranja Recepção Transmissão/Recepção
4 Azul Não usado Transmissão/Recepção
5 Branco do azul Não usado Transmissão/Recepção
6 Laranja Recepção Transmissão/Recepção
7 Branco do marrom Não usado Transmissão/Recepção
8 Marrom Não usado Transmissão/Recepção

Fonte: Torres (2016, p. 394).

O quadro a seguir apresenta o padrão de conexão T568B:

Quadro 6

Função Função
Pino Cor (10 Mbps / 100 Mbps) (1 Gbps / 10 Gbps)
1 Branco do laranja Transmissão Transmissão/Recepção
2 Laranja Transmissão Transmissão/Recepção
3 Branco do verde Recepção Transmissão/Recepção
4 Azul Não usado Transmissão/Recepção
5 Branco do azul Não usado Transmissão/Recepção
6 Verde Recepção Transmissão/Recepção
7 Branco do marrom Não usado Transmissão/Recepção
8 Marrom Não usado Transmissão/Recepção

Fonte: Torres (2016, p. 394).

Quando deseja-se interligar equipamentos com o mesmo padrão elétrico de conexão (por exemplo:
dois computadores ou dois switches), é necessário a construção de cabos para conexões cruzadas. As
conexões cruzadas são obtidas quando em uma ponta do cabo a crimpagem do conector segue o
padrão T568A e na outra ponta a crimpagem do conector segue o padrão T568B.

Observação

O termo crimpagem, utilizado apenas em redes de computadores, remete


ao ato de conectorizar um cabo de par trançado em uma conector RJ-45.

65
Unidade II

Ao interligar-se equipamentos com um diferente padrão elétrico de conexão (por exemplo: um


computador e um switch) é necessário ter o mesmo padrão nas crimpagens de conector efetuada em
ambas as pontas do cabo.

Saiba mais

Para conhecer um pouco mais sobre o conector RJ-45 e a crimpagem


de cabos, leia:

TORRES, G. Redes de computadores. Rev. e atual. 2. ed. Rio de Janeiro:


Novaterra, 2016.

A figura a seguir apresenta a ferramenta utilizada na crimpagem de um cabo de par trançado em


um conector RJ-45. A ferramenta é conhecida como alicate de crimpar:

Figura 35

A topologia de rede montada a partir do uso de cabos de pares trançados, principalmente segundo
as normas de cabeamento estruturado, é composta por um patch panel e uma tomada RJ-45, conforme
pode ser verificado na figura a seguir:
Patch panel

Tomada
RJ45

Figura 36

66
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Um patch panel é um componente passivo utilizado em redes que utilizam o cabo de par trançado
como meio físico. Ele é composto por diversas tomadas RJ-45, normalmente 24 ou 48 tomadas. O patch
panel é utilizado como um terminador de cabos. A figura a seguir apresenta um patch panel:

Figura 37

O outro segmento de cabos é terminado em uma tomada RJ-45 fêmea, conhecido popularmente por
jack ou keystone. A figura a seguir mostra uma tomada RJ-45 fêmea:

Figura 38

A ferramenta utilizada para crimpagem do cabo de par trançado em um patch panel e/ou em uma
tomada RJ-45 é o alicate de inserção punch down, que pode ser visto na figura a seguir:

Figura 39

67
Unidade II

4 FIBRA ÓPTICA

4.1 Conceitos

4.1.1 Histórico das comunicações ópticas

Desde os tempos remotos, as pessoas possuem uma necessidade natural


de comunicar-se com outras. Tal necessidade criou um interesse no
desenvolvimento de sistemas de comunicação para enviar mensagens
de um local distante a outro. Entre os diversos sistemas que as pessoas
tentaram utilizar, os métodos ópticos de comunicação são particularmente
interessantes. Um dos primeiros meios conhecidos de comunicação óptica
foi o método de sinais de fogo utilizado pelos gregos oito séculos antes
de Cristo para enviar alarmes, chamadas de socorro ou anúncios de
determinados eventos. Melhorias nesse sistema de transmissão óptica não
foram ativamente desenvolvidas em virtude das limitações tecnológicas do
período. Por exemplo, a velocidade de envio de informações por essa via era
limitada, pois a taxa de transmissão de informação dependia de quão rápido
os emissores dos sinais moviam suas mãos; o receptor do sinal óptico era
o olho humano sujeito a erros, as linhas de transmissão exigiam caminhos
retilíneos e os efeitos atmosféricos, como a neblina ou a chuva, faziam a
linha de transmissão não ser tão confiável. Assim, passou a ser mais rápido,
eficiente e confiável enviar mensagens por meio de um correio conectado a
uma rede de estradas (KEISER, 2014, p. 25).

A ideia de comunicação óptica, que se iniciou com a transmissão de informações por meio dos
primeiros sinais de fumaça, intensificou-se a partir do surgimento do laser na década de 1960 e
com o surgimento da primeira fibra óptica com características modernas em 1970. A partir daí a
tecnologia de transmissão óptica começou a se desenvolver, com utilização em escala mundial
por volta de 1978.

Não se contrapondo aos padrões de comunicação elétrica surgidos em 1837, as comunicações ópticas
complementaram as comunicações elétricas, fazendo com que enlaces de distâncias tão limitadas
alcançassem distâncias de centenas de quilômetros, sem o uso de repetidores, já na década de 1980.

Lembrete

Quando utilizados, os pares metálicos podem alcançar distâncias de, no


máximo, 100 metros.

Com o desenvolvimento da informática, a necessidade da comunicação de dados, com um


tráfego crescente de voz e vídeo, as comunicações ópticas começaram a assumir um protagonismo
principalmente nas transmissões em banda larga.
68
CABEAMENTO ESTRUTURADO

O quadro a seguir mostra uma cronologia dos sistemas de comunicações ópticos:

Quadro 7

Ano Fato
2500 a.C. Conhecimento das primeiras amostras de vidro.
Tempos romanos Transformação do vidro em fibra.
1790 Criação do telégrafo óptico na França por Claude Chappe.
1841 Guiamento de luz em um jato d’água, demonstrado em Genebra por Daniel Colladon.
1880 Alexander Graham Bell inventa o fotofone.
Utilização de bastões curvos de vidro para iluminar cavidades do corpo humano em
1888
Viena pelos Drs. Roth e Reuss.
1920 Utilização de bastões curvos de vidro em sistemas de iluminação de microscópios.
Investigação da transmissão de imagens através de fibras de vidro colocadas em
1949
paralelo, na Dinamarca, por Holger Moller Hansen e Abraham C. S. Van Heel.
1954 Surgimento de diversos estudos reportando feixes de fibras ópticas sem casca.
Estudos e criação das fibras de vidro com casca, a partir do derretimento de um tubo
1956
sobre um bastão de vidro.
1957 Primeiros testes com endoscopia de fibra óptica em um paciente.
1960 Primeiras demonstrações com laser.
Uso de dutos ópticos ocos feitos de tubos refletivos e publicação dos estudos teóricos
1961
sobre fibras monomodo.
1962 Fabricação dos primeiros diodos lasers a semicondutor.
1970 Demonstração da transmissão por fibras ópticas e o uso de lasers a semicondutor.
Transmissão de tráfego telefônico por meio de enlaces de fibras ópticas a 45 Mbps no
1977
centro de Chicago.
1981 Transmissão de 140 Mbps por 49 km pela Britsh Telecom.
Operação do primeiro cabo óptico no Canal da Mancha.
1986
AT&T transmite 1,7 Gbps em fibras ópticas monomodo.
1987 Criação do amplificador óptico em fibra dopada.
1988 Operação do primeiro cabo óptico transatlântico.
Década de 1990 Introdução do sistema DWDM (Desne Wavelength Division Multiplexing).
Dias atuais Aperfeiçoamento contínuo dos dispositivos ópticos.

4.1.2 Vantagens das comunicações ópticas

Configuram-se como principais vantagens das comunicações ópticas:

• Alcance de longas distâncias nos processos de transmissão quando estabelecida uma comparação
com os cabos metálicos.

• Redução drástica no número de componentes de redes responsáveis por regenerar sinais com
nível de potência diminuído em consequência das distâncias dos enlaces.

69
Unidade II

• Aumento considerável da largura de banda suportada pelo meio físico.

• Aumento da capacidade de transporte de informação, devido ao fato de as fibras ópticas


suportarem um maior número de canais de comunicação em uma mesma fibra.

• Tamanhos e pesos menores quando comparados aos cabos metálicos.

• Imunidade à interferência eletromagnética.

• Considerado nível de segurança operacional, devido ao fato de não possuir loops de terra faíscas
ou quaisquer outros problemas elétricos.

4.1.3 Natureza da luz

Devido a sua própria natureza, a luz é considerada uma das condutoras de informação que mais se
destacam. Os olhos humanos conseguem perceber a energia eletromagnética (como luz) na faixa que
vai de 43 x 10¹³ Hz (vermelho) até 75 x 10¹³ Hz (violeta).

A figura a seguir mostrar a faixa de frequência visível entre outras faixas de frequência no espectro
eletromagnético:
Faixa TV Infravermelho UV
cidadão
AM FM Micro-ondas Visível
Raios x e γ

f(HZ)
103 106 109 1012 1015 1018

Figura 40

A partir do entendimento de que capacidade transmissão, inclusive a velocidade, é diretamente


ligado a sua frequência, constata-se que a luz tem um grande velocidade no vácuo. O valor da
velocidade da luz é 300.000.000 metros por segundo, ou seja, em aproximadamente 1 segundo a luz
percorre 300.000 quilômetros (no vácuo).

Observação

A luz é formada por partículas e o nome delas é fóton. O fóton é a


menor unidade de luz.

70
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Outra característica interessante é o comprimento da onda eletromagnética da luz, chamado de


apenas comprimento de onda da luz. Ele pode ser encontrado por meio da equação:

c

f

A letra “f” representa a frequência e a letra “c” representa a velocidade da luz no vácuo.

A figura a seguir mostra o comprimento de onda eletromagnética para algumas faixas de


frequência específicas:

15
10
Frequência (1014Hz)

5
UV Visível Infravermelho
4
3

1,5
0,2 0,3 0,4 0,5 0,7 1,0 1,5 2,0
Comprimento de onda (µm)

Figura 41

Os sinais visivelmente luminosos têm essas interessantes propriedades, e outros sinais fora da
região visível também tem. Não obstante, a luz (visível) para transmissão em uma fibra de vidro
não é uma eficiente combinação, uma vez que é atenuada consideravelmente. A melhor situação
se dá na transmissão de sinais em fibra óptica no comprimento de onda eletromagnética na faixa
de infravermelho.

Os comprimentos de onda em que há grande eficiência nas comunicações por meio das fibras de
vidro são os próximos a 0,85 µm e entre 1,1 e 1,6 µm.

4.1.4 Propagação da luz em uma fibra óptica

Quando a luz se propaga em linha reta em uma substância uniforme e de repente adentra
outra substância com densidade diferente, o raio de luz tem a sua direção modificada. A figura a
seguir ilustra essa situação, onde o raio se propaga de uma substância vizinha mais densa a outra
menos densa.

71
Unidade II

Menos Menos Menos


denso denso denso
Mais Mais Mais
denso denso denso
I I I
I < ângulo crítico I = ângulo crítico I > ângulo crítico
refração refração refração

Figura 42

No exemplo citado na figura anterior, quando o ângulo de incidência “I” é menor que o ângulo
crítico, o raio se refrata, ou seja, passa da substância (ou superfície) mais densa para a menos densa.
Quando o ângulo de incidência é igual ao ângulo crítico, a luz segue uma trajetória paralela à divisão
entre os dois materiais. Quando o ângulo de incidência é maior que o ângulo crítico, o raio de luz é
refletido e permanece o seu trajeto dentro da substância mais densa.

Observação

O ângulo crítico é uma propriedade de uma substância, relacionando-


se aos conceitos de refração e reflexão.

O entendimento sobre o ângulo crítico passa pela compreensão de um conceito físico chamado de
índice de refração, também conhecido como índice refrativo. Tal índice é a relação entre a velocidade
da luz no vácuo e em outro meio.

A tabela a seguir apresenta o índice de refração de diversos materiais:

Tabela 6

Material Índice de refração


Acetona 1,356
Ar 1
Diamante 2,419
Álcool etílico 1,361
Vidro 1,52 – 1,62
Glicerina 10473
Silício 3,650
Água 1,333

Fonte: Keiser (2014, p. 60).

Os fenômenos da reflexão e da refração também ocorrem em uma fibra óptica. Nela, o fenômeno da
reflexão da luz por meio de um canal, que nada mais é que um núcleo de vidro. Esse núcleo é construído
a partir de um vidro de altíssima qualidade e mais fino que um fio de cabelo, além de ser revestido de
72
CABEAMENTO ESTRUTURADO

outro vidro menos denso, que favorece a reflexão da luz para dentro do núcleo. Há ainda uma capa
protetora que cria uma resistência mecânica ao núcleo e ao revestimento.

A figura a seguir apresenta uma primeira ideia construtiva da fibra óptica:

2a

n1 Casca
Núcleo n2 < n1 Capa

Figura 43

De forma muito parecida aos sistemas de transmissão em cabos de cobre, as comunicações por fibra
óptica necessitam de um emissor, que normalmente é um LED ou um laser. Esse emissor converte o
sinal elétrico em óptico. De modo similar no destino, um receptor óptico, normalmente um fotodiodo,
converte o sinal óptico em sinal elétrico.

A figura a seguir denota a ideia da comunicação óptica:

Revestimento
Emissor Núcleo Receptor
Revestimento

Figura 44

Observação
Alguns autores chamam de casca o revestimento que envolve o núcleo
da fibra óptica.

Os modos de propagação da luz em uma fibra óptica podem ocorrer de duas formas: multimodo e
monomodo. Esses modos necessitam de características distintas e serão detalhados na próxima secção.

Saiba mais
Para conhecer um pouco mais sobre a propagação da luz na fibra
óptica, leia:
KEISER, G. Comunicações em fibras ópticas. 4. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014.

73
Unidade II

4.2 Tipos de fibras ópticas e conectores

4.2.1 Fibra óptica multimodo

A fibra óptica multimodo recebe esse nome devido a sua forma de propagação ocorrer a partir de
múltiplos feixes de luz oriundos de uma fonte de luz, atravessando o núcleo da fibra óptica por diversos
caminhos. Esse foi o primeiro tipo de cabo óptico utilizado em ambientes comerciais, e por causa do seu
baixo custo ainda é muito utilizada.

Essas fibras podem ser divididas em índice degrau e índice gradual. As fibras multimodo índice
degrau possuem um núcleo com densidade constante em linha reta até o limite com o revestimento,
tendo este uma menor densidade. As fibras multimodo índice gradual tem maior densidade no centro
do núcleo e vai reduzindo a densidade até chegar no limite ente o núcleo e o revestimento.

A figura a seguir apresenta a ideia que cerca essas duas fibras ópticas multimodo:

Multimodo, índice degrau

Multimodo, índice gradual


Figura 45

As fibras multimodo são normalmente mais “grossas” que as fibras monomodo, além de possuir
núcleos de 50 mícrons ou 62,5 mícrons. O fato de possuir um núcleo maior, habilita-se, desta forma,
transmissores com LED de baixo custo.

Observação

Apenas para se ter uma ideia, 1 mícron equivale a 0,000001 metros.

Uma grande desvantagem das fibras multimodo é a existência da dispersão modal que aumenta
atenuação nesse meio físico. Essa dispersão é fruto da defasagem entre os sinais transmitidos de forma
múltipla, além de aumentar com a distância entre transmissores e receptores.

4.2.2 Fibra óptica monomodo

A fibra óptica monomodo é também conhecida como fibra de modo único, sendo caracterizada por
ter um modo de propagação praticamente paralelo ao limite entre o núcleo e o revestimento. Outra
característica interessante é que o seu núcleo tem um diâmetro bastante reduzido quando comparado
com os das fibras multimodo.
74
CABEAMENTO ESTRUTURADO

A figura a seguir apresenta a ideia que cerca a fibra monomodo:

Figura 46

Diferentemente das fibras multimodo, que utilizam LEDs para transmissão, as fibras monomodo
utilizam o laser para a emissão do sinal, elevando, assim, a qualidade na comunicação

O núcleo das fibras monomodo medem aproximadamente de 8 a 9 mícrons. Não obstante, convém
lembrar que o núcleo, acrescido da casca e do revestimento, deixa o diâmetro do cabo de fibra monomodo
praticamente do mesmo tamanho da fibra multimodo.

Neste modo não encontramos a dispersão modal, porque utiliza-se apenas um modo de propagação
da luz.

4.2.3 Conectores ópticos

Como a comunicação em uma fibra é unidirecional, para que se construa um enlace é necessário o
uso de um par de fibra. Assim, os conectores são divididos em individuais e duplos.

Os conectores individuais são presos separadamente em cada fibra. Os principais exemplos de


conectores individuais são:

• SC (Subscriber Connector): criado pela NTT (Nippon Telephone and Telegraph), é considerado o
mais comum.
• ST (Straight Tip): criado pela AT&T, tem muita semelhança com um conector BNC de cabo coaxial,
pelo fato de ser atarrachado.
• FC (Ferrule Connector): normalmente utilizado em fibras monomodo.
• LC (Lucent): criado pela empresa Lucent, é considerado uma versão miniatura do conector SC.

As figuras a seguir mostram exemplos de conectores individuais:

Conector SC Conector ST Conector FC Conector LC

Figura 47

75
Unidade II

Os conectores duplos são utilizados ao mesmo tempo para duas fibras. Os principais exemplos de
conectores individuais são:

• MIC (Medium Interface Connector): utilizado em redes ethernet.

• MT-RJ: utilizado em redes FDDI.

As figuras a seguir mostram exemplos de conectores duplos:

Conector MT-RJ Conector MIC

Figura 48

Exemplo de aplicação

Para conhecer um pouco mais sobre conectores, não somente ópticos, faça uma pesquisa incluindo
preços e outras especificações de mercado para os conectores mais utilizados em redes locais.

Resumo

O foco desta unidade II foi o estudo dos meios físicos confinados (cabos
coaxiais, cabos de pares metálicos e cabos de fibra óptica).

Já no primeiro capítulo mencionou-se o cabo coaxial, seu histórico,


detalhes da sua construção, bem como a sua aplicabilidade, extremamente
presente nos inícios das redes locais, mas hoje considerado obsoleto e não
previsto nas normas de cabeamento estruturado.

Foram apresentadas as principais vantagens dos cabos coaxiais,


dentre eles: distâncias mais longas habilitadas pela blindagem do cabo;
utilização em redes de banda larga; a grande imunidade contra ruídos e
atenuações do sinal. E como principais desvantagens: excesso de mau
contato; grandes dificuldades nas passagens do cabo; utilização em
topologias limitadas, onde a quebra do cabo desabilita todo o segmento;
maior dificuldade na adição e remoção da máquina; limitação de
velocidade em 10 Mbps.
76
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Concluiu-se a secção dedicada aos cabos coaxiais mencionando a


categorização e os conectores utilizados.

A unidade foi complementada com um estado do cabo de par trançado


metálico. Este é construído a partir do cobre como material condutor,
que transporta a informação por meio da corrente elétrica. Os principais
motivos para o uso do cobre são: condutividade; robustez; maleabilidade;
nível de corrosão; ductibilidade.

Complementou-se com uma explanação geral sobre as categorias dos


cabos de pares metálicos trançados, os conectores utilizados e demais
detalhes construtivos.

A unidade tratou dos estudos sobre as comunicações ópticas como


fundamentais para alcançar um aumento decisivo na velocidade
transmissão, imunidade a ruídos, dentre outros benefícios obtidos por meio
de seu uso, principalmente em redes locais.

Por fim, foram apresentados os tipos de fibra ópticas e os conectores utilizados.

Exercícios

Questão 1. Assinale a alternativa que apresenta corretamente uma característica de um cabo coaxial:

A) É um cabo ótico, que possui uma blindagem metálica, usado para transmissão híbrida.

B) É um cabo metálico para transmissão de sinais de rádio.

C) É um cabo metálico que pode ser usado em comunicações híbridas.

D) É um cabo metálico constituído de dois fios trançados, sendo o primeiro tipo de cabo utilizado
em redes de computadores.

E) É um cabo formado por um fio condutor envolvido por um material dielétrico de grande resistência,
usado unicamente para telefonia.

Resposta correta: alternativa C.

Análise das alternativas

A) Alternativa incorreta.

Justificativa: o cabo coaxial é um cabo metálico, que possui uma blindagem metálica, usado para
transmissão híbrida.

77
Unidade II

B) Alternativa incorreta.

Justificativa: sinais de rádio não são transmitidos por cabos.

C) Alternativa correta.

Justificativa: o cabo coaxial é um cabo metálico, que possui uma blindagem metálica, usado para
transmissão híbrida.

D) Alternativa incorreta.

Justificativa: o um cabo metálico constituído de dois fios trançados é conhecido como par trançado.

E) Alternativa incorreta.

Justificativa: embora o cabo coaxial seja um cabo formado por um fio condutor envolvido por um
material dielétrico de grande resistência, ele não é usado unicamente para telefonia. Esse tipo de cabo
é usado para transmissão híbrida.

Questão 2. Com relação à topologia, tipicamente, os cabos de par trançado são usados em LANs
com a topologia:

A) Estrela.

B) Barramento.

C) Em anel.

D) Em linha.

E) Em quadrado.

Resolução desta questão na plataforma.

78
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Unidade III
5 NOÇÕES DE CABEAMENTO ESTRUTURADO

5.1 Histórico e introdução do cabeamento estruturado

5.1.1 Histórico e conceitos de cabeamento estruturado

Os modelos mais antigos de cabeamento de dados utilizados nos anos de


1960 em conexões ponto a ponto de computadores host para terminais de
dados consistiam principalmente em transmissão de sinal desbalanceado
através de cabeamento de pares trançados de baixa capacidade. Em meados
de 1970, foram introduzidos computadores de grande porte, mainframes,
que usavam cabos coaxiais. Mais tarde, a introdução do BALUN (termo
derivado de balanceado/desbalanceado) permitiu que equipamentos
baseados em cabos coaxiais fossem atendidos pelo mesmo cabeamento de
pares trançados usados para voz. O BALUN permitiu a conversão de um
sinal balanceado em desbalanceado para sua transmissão por cabos de pares
trançados. Na década de 1980, com a evolução da tecnologia ethernet,
a então 10BaseT que operava a 10 Mbps passou a ser implementada em
cabeamento Categoria 3/Classe C. Em 1985, a EIA, agora extinta, e a TIA
organizaram comitês técnicos para desenvolver um conjunto uniforme de
padrões para cabeamento estruturado em edifícios comerciais (MARIN,
2013, p. 23).

A estruturação de um padrão de cabeamento começou após 1985, impulsionada pelo


desenvolvimento das redes de computadores. A partir de todo um trabalho de instituições
padronizadoras, como a TIA e a ECA (Electronic Components Association), sucessora da EIA, muitas
normas têm sido criadas.

Também incentivada pela ISSO, foi desenvolvida uma norma padrão para cabeamento estruturado,
conhecida como 14565, que logo foi traduzida para o português e padronizada pela NBR, chamando-se
NBR-14565:2013.

O ano de 1991 foi um marco para o cabeamento estruturado. Nesse ano, foi lançado um documento
inicial com as normas de cabeamento geral para clientes, atualizado a partir de mudanças sofridas pela
indústria de telecomunicações, revisado em 1995 e lançado como norma TIA/EIA-568-A.

79
Unidade III

Saiba mais

Para conhecer um pouco mais sobre o histórico do cabeamento de


redes, leia:

LIMA FILHO, E. C. Fundamentos de redes e cabeamento estruturado. São


Paulo: Pearson, 2014.

Houve mais duas atualizações: a primeira em 2000, quando a norma recebeu o nome de
TIA/EIA-568-B, e a segunda em 2006, com um relançamento da norma sob o nome de TIA/EIA-568-C.

O cabeamento estruturado, que antes era conhecido como cabeamento de rede local de
computadores, ou cabeamento predial, é um conjunto de recursos e tecnologias que envolve cabos
e hardwares de conexão para voz e dados, definido por normas, em vista do atendimento das
necessidades dos usuários de telecomunicações e TI.

A ideia de estruturar o sistema de cabeamento totalmente baseado em normas é criar um padrão


não específico de uma indústria, favorecendo a interoperabilidade no processo de comunicação da
informação.

Observação

O projeto de cabeamento estruturado deve propiciar tomadas de


telecomunicações (também conhecidas como pontos de rede) disponíveis
para qualquer tipo de aplicação: voz, dados ou imagens.

As principais vantagens ao se adotar um sistema de cabeamento estruturado são:

• aumento da confiabilidade no cabeamento de redes a partir da garantia do desempenho projetado;

• perceptível redução nos custos com a implementação do cabeamento (incluindo a mão de obra);

• escalabilidade e flexibilidade para implementação de diferentes aplicações;

• imediato atendimento das necessidades apresentadas pelos usuários;

• possibilidade de integrar diferentes aplicações em uma única solução de cabeamento;

• padrão de cabeamento interoperável, independentemente do fornecedor utilizado;

• maior vida útil para o sistema de cabeamento.


80
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Para fundamentar ainda mais a necessidade de estruturar o cabeamento, o quadro a seguir


apresenta uma comparação de situações que envolvem o cabeamento convencional (não estruturado)
e o cabeamento estruturado:

Quadro 8

Situação Cabeamento convencional Cabeamento estruturado


Todas as tomadas de
acesso estão pré-instaladas
Deve-se providenciar a com base na densidade
Chegada de novos passagem de cabos para de ocupação de áreas
equipamentos e/ou interligar esses computadores de trabalho. Ativam-se
funcionários, e novos ramais à rede da empresa ou aos os pontos desejados no
telefônicos são necessários. ramais de PABX. quadro de administração
determinando se serão
computadores ou telefones.
As instalações de As tomadas que antes
computadores e telefones são
Um setor que possui 1 ramal eram utilizadas para ramais
tratadas separadamente, sendo
e 4 computadores se muda poderão ser utilizadas para
necessário instalar novos cabos
para uma sala onde havia 3 computadores em rede,
para computadores, e os
ramais e 21 computadores. bastando mudar a conexão
cabos de ramal telefônico no quadro de administração.
ficarão inativos.

Toda infraestrutura provisória Os pontos pré-instalados


Uma equipe é montada deve ser construída. Se a rede poderão ser ativados
temporariamente e precisa for de alta velocidade, a equipe temporariamente e depois
de computadores em rede e interna não tem recursos para desativados. Tudo através do
ramais telefônicos. construir. quadro de administração.

O ponto de rede que está Todos os cabos e tomadas


Rede de computadores com com problemas deve ser são identificados. A estação
excesso de carga provocado identificado e o cabo com problemas poderá
por problemas de conexão substituído. Normalmente, a utilizar outro ponto de
física em algum dos pontos. identificação do cabo é difícil conexão disponível até a
porque não há documentação. solução do problema.

Necessidade de acesso Todos os pontos instalados


Novos cabos que permitam
a computadores em um são testados e certificados,
tráfego em alta velocidade
sistema que necessita suportando todas as redes
devem ser instalados. A equipe
de maior velocidade por de alta velocidade. Qualquer
interna não tem recursos
manipular grandes volumes computador poderá operar
para isso.
de informações. em alta velocidade.
Os pontos pré-instalados nas
Novos cabos devem ser novas salas são ativados
Mudança de salas. passados para as novas salas e, na rede através do quadro
assim, sucessivamente. de administração.
Toda a rede da empresa é O cabeamento está
ligada à internet. Algumas Todo o cabeamento existente preparado para se conectar
pessoas passam a utilizar deve ser substituído. aos equipamentos instalados
aplicações multimídia. nessas redes.

O sistema de PABX da Todo o cabeamento de O sistema está preparado


empresa é todo convertido telefonia deve para suportar sistemas de
para digital. ser substituído. telefonia digital.

Fonte: Pinheiro (2015, p. 12).

81
Unidade III

5.1.2 Categorias e classes de desempenho

Conforme visto anteriormente, a TIA (antigamente respondendo como EIA) criou o padrão de
cabeamento estruturado adotado em praticamente todo o mundo, determinando características e
propriedades em categorias.

Com o aval da ANSI, a TIA estabeleceu as categorias 3 (hoje obsoleta), 5, 6 e 7, complementadas


pelas categorias 1 e 2, criadas pela Anixter (não reconhecida pela TIA). A categoria 1, mencionada
pela Anixter como nível 1, provia o cabeamento para telefonia fixa em transmissões de até 1 MHz.
A categoria 2, mencionada pela Anixter como nível 2, provia o cabeamento para redes IBM, que utilizavam
a tecnologia Token Ring em taxas de transferência de até 4 Mbps.

A categoria 3, padronizada pela ISO como Classe C, destinou-se às primeiras redes ethernet que
utilizavam cabos UTP, com transmissão em banda base, taxa de transferência de 10 Mbps e uma largura
de banda de frequência igual a 16 MHz. A categoria 3 (também chamada de cat.3) ainda é utilizada em
sistemas de telefonia fixa.

A categoria 5, não mais reconhecida como um padrão de cabeamento estruturado, provia uma
comunicação com velocidade de até 1 Gbps e uma frequência de 100 MHz. Os cabos cat.5 foram
substituídos pelos cabos de categoria 5e, conhecidos como cabos cat.5e.

A categoria 5e recebeu o nome de Classe D pela ISO e tem muitas semelhanças com a cat.5,
com exceção das especificações de paradiafonia, melhoradas graças ao aumento do trançamento
dos pares de fios. Assim, os cabos cat.5e conseguem prover transmissões com taxa de transferência
de 1 Gbps.

A categoria 6 (chamada também de cat.6), 6A (também chamada de cat.6A) e 7 (chamada


também de cat.7) propiciaram um vertiginoso aumento na qualidade das comunicações via
cabo em uma rede local de computadores. Essas categorias podem prover comunicações de até
10 Gbps, utilizando cabos de pares trançados blindados e garantindo o mínimo nível de ruído e
interferências no sinal.

Lembrete

A partir da categoria 6, utilizam-se quatro pares de fios de 24 AWG.

O quadro a seguir apresenta um resumo das categorias de desempenho especificadas para


cabeamento estruturado:

82
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Quadro 9

Tipos de cabos
Categoria/Classe Normas aplicáveis Largura de banda
conhecidos
TIA/EIA, ISO/IEC, NBR,
Categoria 3 / Classe C U/UTP e F/UTP 16 MHz
CENELEC
TIA/EIA, ISO/IEC, NBR,
Categoria 5e / Classe D U/UTP e F/UTP 100 MHz
CENELEC
TIA/EIA, ISO/IEC, NBR,
Categoria 6 / Classe E U/UTP e F/UTP 250 MHz
CENELEC
Categoria 6A / Classe EA TIA/EIA e ISO/IEC U/UTP e F/UTP 500 MHz
Categoria 7 / Classe F ISO/IEC e NBR S/UTP e F/FTP 600 MHz
Categoria 7A / Classe FA ISO/IEC S/FTP e F/FTP 1 GHz

Fonte: Marin (2013, p. 13).

5.1.3 Subsistemas de cabeamento estruturado e seus espaços relacionados

O cabeamento estruturado é compreendido como um sistema dividido em dois subsistemas:


subsistema de cabeamento horizontal e subsistema de cabeamento de backbone. A figura a seguir
mostra esses subsistemas:
CD BD FD CP TO

TE

Subsistema de Subsistema de Subsistema de cabeamento Cordão da


cabeamento cabeamento horizontal área de
de backbone de backbone trabalho
de campus de edifício
Subsistema de cabeamento genérico

Figura 49

Conforme descrito na figura anterior, existem alguns elementos funcionais no sistema de


cabeamento estruturado. São eles: distribuidor de campus (CD); distribuidor de edifício (BD);
distribuidor de piso (FD); ponto de consolidação (CP); tomada de telecomunicações (TO); backbone
de campus; backbone de edifício.

Além desses elementos e os subsistemas, as normas também especificam os espaços (locais) de


telecomunicações relacionados ao cabeamento estruturado. São eles: área de trabalho (WA); sala de
telecomunicações (TR); sala de equipamentos (ER); infraestrutura de entrada (EF).

83
Unidade III

Observação

Para cada elemento funcional e espaço relacionados ao cabeamento


estruturado, há uma sigla entre parênteses que representa o nome do
elemento, ou espaço, em inglês.

A figura a seguir apresenta uma topologia básica de um sistema de cabeamento estruturado:

4
3

4 3

5 1
7 7 3

Figura 50

A tabela a seguir mostra cada um dos componentes e a numeração descrita na figura anterior:

Tabela 7

Numeração Componente
1 Cabeamento horizontal
2 Cabeamento vertical (backbone)
3 Área de trabalho
4 Sala de telecomunicações
5 Sala de equipamentos
6. Infraestrutura de entrada
7 Distribuidores

84
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Para facilitar o entendimento, a figura a seguir mostra uma visão de uma estrutura hierárquica
dos subsistemas de cabeamento:

CD
Sistema de
cabeamento
de backbone
de campus
BD BD
Sistema de
cabeamento
de backbone
de edifício
FD FD FD FD

Sistema de
cabeamento
CP CP horizontal
CP CP
TD TD TD TD TD TD TD TD TD TD

Figura 51

5.2 Normas de cabeamento estruturado

5.2.1 Organizações padronizadoras

Como já mencionado anteriormente, durante um bom tempo, os padrões e as normas relacionadas


às telecomunicações e à tecnologia da informação eram praticamente fechadas e sob monopólio de
cada um dos fabricantes. Isso acabava por gerar uma total falta de interoperabilidade, dificultando as
ações de planejar, organizar, implementar e monitorar as tecnologias.

Aos poucos, a partir de trabalhos realizados por organizações padronizadoras, os padrões


tornaram-se cada vez mais abertos, favorecendo a compatibilidade entre sistemas, principalmente
os de cabeamento estruturado.

Esses padrões podem ser classificados em: padrões de facto e padrões de jure.

Os padrões de facto são aqueles que não foram reconhecidos por uma organização ou comitê ao
serem lançados por uma pessoa ou comunidade. O termo de facto quer dizer “existente de fato”. A
tecnologia ethernet “original” surgida em 1972 é um bom exemplo de um padrão de facto.

Os padrões de jure são protocolos reconhecidos legalmente ou por organizações. O termo de jure
significa “de acordo com a lei”. Essas normas são controladas por uma instituição padronizadora.

Um produto sem padronização recebe o nome de facto e, ao ser padronizado por uma organização,
altera seu status para de jure. Os padrões de jure têm as suas especificações submetidas a um corpo
avaliador no formato RFC (Request for Change) até a sua versão final aprovada.

85
Unidade III

Os principais órgãos padronizadores são: Institute of Electrical and Eletronics Engineers – IEEE;
American National Standars Organization – ANSI; International Organization for Standardization – ISO;
International Telecomunication Union – ITU-T; International Eletrotechnical Commission – IEC; Eletronic
Industries Alliance – EIA; Telecommunications Industry Association – TIA.

O IEEE é a maior organização do mundo sem fins lucrativos. É formada por engenheiros elétricos e
eletrônicos que promovem criação, desenvolvimento, integração, compartilhamento e conhecimento
aplicado à ciência e às tecnologias da eletricidade e da informação. Para cada padrão IEEE, existe um
grupo de trabalho que desenvolve e aprimora os padrões e inovações.

Outra organização é a ANSI. Criada em 1918, é um órgão americano sem fins lucrativos de
padronização com mil membros associados entre empresas, organizações, agências do governo e
instituições internacionais. A padronização da rede FDDI, feita pela ANSI, pode ser considerada como
uma das maiores contribuições para a indústria de redes. Atua nas especificações de padrões eletrônicos
em parceria com a IEC e representa os Estados Unidos da América junto à organização ISO.

A ISO é uma das maiores organizações internacionais de padronização, atuando em inúmeras áreas
de desenvolvimento tecnológico. É constituída por diversas organizações de diferentes países. Na área
de comunicação e redes de computadores, sua maior contribuição foi à padronização do Modelo de
Referência OSI (Open System Interconnection) no ano de 1984.

A TIA é uma organização norte-americana, surgida a partir da desregulamentação da indústria das


telecomunicações ocorrida na década 1980 nos EUA. A TIA desenvolveu uma série de normas e padrões
envolvendo cabeamento de par trançado, fibras ópticas, equipamentos prediais, dentre outros.

A ITU-T é uma organização criada em 1993 que sucedeu a CCITT. Foi fundada em 1865 e é responsável
pelos padrões internacionais de telegrafia e telefonia. As normas criadas pela ITU-T abrangem questões
voltadas para a comunicação de dados e de telefonia.

5.2.2 Normas ANSI/TIA para cabeamento estruturado

A principal norma internacional para o cabeamento estruturado em edifícios comerciais é a ANSI/


TIA-568-C (atualização da norma ANSI/TIA-568-B), que está em cinco componentes: ANSI/TIA-568-C.0;
ANSI/TIA-568-C.1; ANSI/TIA-568-C.2; ANSI/TIA-568-C.3; ANSI/TIA-568-C.4.

A norma ANSI/TIA-568-C.0 foi criada em 2009, atualizada em 2012 e está destinada ao cabeamento
de telecomunicações em dependências do cliente. Essa norma define o cabeamento de uso geral,
incluindo estrutura do sistema de cabeamento, opção de meio físico, distâncias permitidas, requisitos
de instalação e todos os testes.

A norma ANSI/TIA-568-C.1 foi criada em 2009, atualizada em 2011 e está destinada a


especificidades do cabeamento de telecomunicações em edifícios comerciais. Ela abrange as
definições do cabeamento de backbone e horizontal, do próprio cabeamento utilizado, bem como
topologias e práticas de instalação.
86
CABEAMENTO ESTRUTURADO

A norma ANSI/TIA-568-C.2 foi criada em 2009 e está destinada ao cabeamento de pares trançados,
incluindo os seus componentes.

A norma ANSI/TIA-568-C.3 foi criada em 2008, atualizada em 2011 e está destinada ao cabeamento
que utiliza fibras ópticas, incluindo todas as suas especificidades.

A norma ANSI/TIA-568-C.4 foi criada em 2011 e está destinada ao cabeamento coaxial e aos
componentes de banda larga, bem como as suas especificações físicas, mecânicas e de interferência.

Existem outras normas, definidas pela ANSI/TIA, que estão relacionadas ao sistema de cabeamento
estruturado. São elas:

• ANSI/TIA-569-C: destinada à infraestrutura predial para cabeamento.

• ANSI/TIA-606-B: destinada ao gerenciamento do cabeamento estruturado.

• TIA-607-B: destinada ao aterramento para cabeamento de telecomunicações.

• ANSI/TIA-862-A: destinada à automação predial.

• ANSI/TIA-570-C: destinada ao cabeamento residencial.

• ANSI/TIA-758-B: destinada ao cabeamento de planta externa.

• ANSI/TIA-942-A: destinada à infraestrutura de telecomunicações para data centers.

• TIA-1005-1: destinada ao cabeamento industrial.

• TIA-1158: destinada ao teste de campo de cabeamento balanceado.

5.2.3 Normas ISO/ABNT para cabeamento estruturado

Além daquelas criadas pela ANSI/TIA, a ISO também desenvolveu algumas normas que foram
adaptadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT para uso no Brasil.

As principais normas relacionadas ao cabeamento estruturado são:

• Norma NBR16264: desatinada ao cabeamento estruturado residencial; sua edição mais atualizada
está em vigor desde 2016.

• Norma NBR16521: destinada ao cabeamento estruturado industrial; sua edição está em vigor
desde 2016.

• Norma NBR14565: destinada ao cabeamento estruturado para edifícios comerciais e data centers;
sua edição mais atualizada está em vigor desde 2013.
87
Unidade III

• Norma NBR14076: destinada a cabos ópticos – determinação do comprimento de onda de corte;


sua edição mais atualizada está em vigor desde 2017.

• Norma NBR16415: destinada a caminhos e espaços para cabeamento estruturado; sua edição
mais atualizada está em vigor desde 2015.

Observação

A principal norma voltada para o cabeamento estruturado é a


NBR14565, que, juntamente com a norma ANSI/TIA-568.C, será a base
para a construção dos conceitos e das especificações utilizados neste
livro-texto.

Saiba mais

Para conhecer um pouco mais sobre as normas de cabeamento


estruturado, acesse:

<www.abnt.org.br>

6 SUBSISTEMAS DE CABEAMENTO ESTRUTURADO

6.1 Subsistema de cabeamento horizontal

6.1.1 Introdução

Para entender bem o subsistema de cabeamento horizontal, é necessário conhecer alguns


elementos relacionados a ele. O primeiro elemento é a tomada de telecomunicações, conhecida
pelo seu nome em inglês: Telecommunication Outlet (TO). A TO é também conhecida como ponto
de rede e, segundo a ABNT (2013), é o hardware de conexão no qual o cabo horizontal é terminado
na área de trabalho.

O segundo elemento importante é o distribuidor de piso, também conhecido como Floor


Distributor (FD). Segundo a ABNT (2013), é o hardware de conexão a partir do qual se origina o
cabeamento horizontal.

Compreendidos esses dois elementos, é possível definir o subsistema de cabeamento horizontal


como aquele que interliga um distribuidor de piso até a tomada de telecomunicações. A figura a seguir
apresenta a ideia do cabeamento horizontal:

88
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Distribuidor de peso
(FD)
Cabo horizontal

Patch panel Tomada de


telecomunicações (TO)

Figura 52

O termo horizontal advém do fato de os lançamentos dos cabos ocorrerem de forma horizontal
entre as áreas de trabalho e as salas de telecomunicações.

Até que avancemos, é importante saber que a área de trabalho é o espaço onde o usuário
que acessa serviços de telecomunicações está situado. Também é importante saber que a sala de
telecomunicações é um espaço onde está situado o distribuidor de piso, podendo abrigar alguns
equipamentos de redes.

Esses cabos podem ser lançados em tubulações embutidas em pisos, eletrocalhas ou badejas
suspensas. As normas ISO/IEC 18010:2002 e ANSI/TIA-569-C apresentam as técnicas e os métodos
aplicados no encaminhamento de cabeamento horizontal, contendo especificações e recomendações
importantes que garantem os padrões aceitáveis de mercado.

A figura a seguir apresenta a passagem de um cabeamento horizontal:

Figura 53

6.1.2 Componentes do cabeamento horizontal

A norma NBR 14565 apresenta os seguintes componentes do subsistema de cabeamento horizontal


(ABNT, 2013):

• cabos horizontais;

• jumpers e patch cords no distribuidor de piso;

89
Unidade III

• terminações mecânicas dos cabos horizontais nas tomadas de telecomunicações;

• terminações mecânicas dos cabos horizontais nos distribuidores de piso, incluindo o hardware de
conexão, por exemplo, as interconexões ou conexões cruzadas;

• ponto de consolidação;

• tomadas de telecomunicações.

A figura a seguir apresenta um subsistema de cabeamento horizontal que contém grande parte
desses componentes:
Distribuidor de piso Área de trabalho (WA)
TO
C
Cabeamento horizontal Cordão de
(90 m, máximo) usuário
Patch cord D
B

A
A + B + D = 10 m (máximo)
Cordão de equipamento A + B + C + D = 100 m (máximo)

Sala de telecomunicações (TR)

Figura 54

A topologia física verificada na figura anterior é estrela, que possui um lance (segmento) de cabo
reservado interligando cada porta do distribuidor de piso a sua respectiva tomada de telecomunicações
na área de trabalho.

Duas outras importantes informações contidas na figura anterior referem-se ao comprimento dos
cabos. Para o segmento de cabos horizontais, especifica-se um comprimento máximo de 90 metros para
o lance de cabos horizontais. Também o somatório do comprimento dos cordões de equipamento, patch
cords do distribuidor de piso e patch cords da área de trabalho não pode ser superior a 10 metros. Assim,
o comprimento total de cabos e cordões de manobra não superará 100 metros (limite máximo para que
não haja atenuação significativa em cabos de pares metálicos).

Lembrete

Os patch cords, ou cordões de manobra, são os cabos que interligam


computadores e as tomadas de telecomunicações. Também podem
interligar concentradores de cabos e dispositivos de rede.

90
CABEAMENTO ESTRUTURADO

A figura a seguir apresenta uma distribuição real de cabos, incluindo o distribuidor de piso (patch
panels) e um switch (concentrador de rede):

Patch panels

Switchs ethernet

Figura 55

Além dos cabos de pares trançados metálicos blindados ou não blindados, as principais normas
de cabeamento estruturado também permitem o uso de alguns cabos ópticos. Não obstante, convém
afirmar que devido à relação custo/benefício, não é comum o uso de cabos de fibra óptica em segmentos
de cabos horizontais.

Os cabos de fibra óptica utilizados são:

• cabo óptico multimodo de 50/125 micrômetros (OM-3 e OM-4);

• cabo óptico multimodo de 62,5/125 micrômetros (OM-1 e OM-2).

6.1.3 Métodos de interconexão

Existem duas formas básicas autorizadas pelas normas para a interconexão dos equipamentos ativos
de rede, como switches e hubs, aos cabos horizontais. Essas formas são: interconexão ou cruzada.

No método de interconexão, os equipamentos ativos de rede são diretamente ligados


ao distribuidor (patch panel) por meio de cordões de manobra (patch cords), dispensando o
espalhamento utilizado no método anteriormente explicado. Devido à relação de custo-benefício,
esse método é amplamente utilizado.

91
Unidade III

A figura a seguir apresenta o método de interconexão:

Patch cords de Área de trabalho


interconexão (WA)
Cabeamento
horizontal TO

TO
Equipamentos ativos Patch panels
TO
Cabeamento
horizontal
TO

Área de trabalho
(WA)

Figura 56

No método de conexão cruzada, constrói-se um espelhamento entre saídas do switch e do patch


panel. A grande vantagem desse método é a separação entre distribuidores e equipamentos ativos de
rede, favorecendo a segurança para equipamentos de rede, que, livres de qualquer ligação diretamente
do cabeamento, podem ficar isolados em seus racks, impedindo o acesso de terceiros não autorizados.

A figura a seguir apresenta o método de conexão cruzada:


Área de trabalho
(WA)
Conexão cruzada
TO

Cabeamento horizontal

TO
Patch cords

Cordões de
equipamentos

Equipamentos ativos

Figura 57

92
CABEAMENTO ESTRUTURADO

O método de conexão cruzada pode também ser utilizado para interligar o cabeamento de backbone
ao cabeamento horizontal. A figura a seguir mostra essa configuração:
Área de trabalho
(WA)
Conexão cruzada
Cabeamento
Patch cords horizontal TO

TO

TO

TO
Patch panels associados Patch panels associados
ao backbone às áreas de trabalho

TO

TO
Patch cords Cabeamento TO
horizontal
Patch panels associados Patch panels associados Área de trabalho
ao backbone às áreas de trabalho (WA)
Conexão cruzada
Backbone

Figura 58

6.1.4 Ponto de consolidação e tomadas de telecomunicações multiusuários

Segundo a ABNT (2013), a norma NBR 14565 define ponto de consolidação como: ponto de
conexão no subsistema de cabeamento horizontal situado entre o distribuidor de piso e a tomada de
telecomunicações.

A figura a seguir ilustra um bloco de conexão do tipo 110 utilizado como ponto de consolidação:

Figura 59

93
Unidade III

A utilização de pontos de consolidação auxilia o projeto de cabeamento estruturado em escritórios


abertos, assim designados por representarem edifícios comerciais com amplos pavimentos e poucas (ou
nenhuma) paredes dividindo os espaços.

Como esses escritórios são caracterizados por terem um layout flexível de suas áreas de trabalho, os
pontos de consolidação se tornam uma opção interessante que possibilita, segundo a norma NBR 14565
(ABNT, 2013), a realocação de tomadas de telecomunicações.

A figura a seguir apresenta a implementação de um ponto de consolidação em um subsistema de


cabeamento horizontal:
Área de trabalho

P
doC
Cabo
Distribuidor de Ponto de
piso (PD) consolidação (CP)

Cabo horizontal
Patch panel

Tomada de
telecomunicações (TO)

Figura 60

A norma NBR 14565 determina os seguintes critérios no uso de pontos de consolidação em


cabeamento estruturado (ABNT, 2013):

• Os pontos de consolidação devem ser instalados de forma que cada conjunto de áreas de trabalho
seja atendido por no mínimo um ponto.
• Cada ponto de consolidação pode atender apenas 12 áreas de trabalho.
• Os pontos de consolidação devem ser implementados em locais de fácil acesso para a manutenção.
• A distância entre o ponto de consolidação e o distribuidor de piso deve ser de, no mínimo, 15 metros.
• A distância entre o ponto de consolidação e a área de trabalho deve ser de, no mínimo, 5 metros.
• Os pontos de consolidação devem integrar o sistema de gerenciamento do cabeamento estruturado.
• O ponto de consolidação deve estar situado em espaços físicos próximos às áreas de trabalho por
ele atendidas, sem quaisquer emendas ou extensões de cabeamento.
94
CABEAMENTO ESTRUTURADO

• O ponto de consolidação não deve estar situado no mesmo espaço do distribuidor de piso.

Observação

A utilização do ponto de consolidação só encontra sentido em espaços


caracterizados por frequentes remanejamentos.

As tomadas de telecomunicações multiusuários também são conhecidas como MUTO (Multiuser


Telecommunication Outlet). A ABNT (2013) define MUTO como um componente funcional do cabeamento
estruturado com várias tomadas de telecomunicações, com a finalidade do atendimento a usuários de
diversas áreas de trabalho.

A MUTO também é definida para o uso em cabeamento para escritórios abertos, aqueles caracterizados
por frequentes mudanças de layout.

Segundo a norma NBR 14565 (ABNT, 2013), as principais observações que devem ser consideradas
para o uso da MUTO são:

• Uma MUTO instalada em uma área de escritório aberto deve atender um grupo de áreas de trabalho.

• Uma MUTO só pode atender um máximo de 12 áreas de trabalho.

• Uma MUTO deve ser instalada em local de fácil acesso e a uma distância mínima de 15 metros do
distribuidor de piso.

O limite máximo para o patch cord da área de trabalho, utilizando uma MUTO, sofre algumas
restrições da norma, de forma que não pode ser superior a 20 metros para cabos não blindados (24
AWG) e 15 metros para cabos blindados (26 AWG).

A tabela a seguir apresenta os comprimentos máximos dos lances de cabeamento horizontal e o


comprimento máximo permitido de cabos na área de trabalho que utiliza MUTO e cabos não blindados:

Tabela 8

Comprimento do lance do Comprimento máximo do patch Comprimento total do


cabeamento horizontal (metros) cord da área de trabalho (metros) cabeamento horizontal (metros)
90 5 100
85 14 99
80 18 98
75 22 99
72 23 97

Fonte: Marin (2013, p. 45).

95
Unidade III

A tabela a seguir apresenta os comprimentos máximos dos lances de cabeamento horizontal e o


comprimento máximo permitido de cabos na área de trabalho que utiliza MUTO e cabos blindados:

Tabela 9

Comprimento do lance do Comprimento máximo do Comprimento total do


cabeamento horizontal – H patch cord da área de trabalho cabeamento horizontal
(metros) – I (metros) (metros)
90 8 98
85 11 96
80 15 95
75 28 93
72 20 91

Fonte: Marin (2013, p. 45).

Os valores máximos encontrados para o patch cord de usuário na área de trabalho são obtidos por
meio da fórmula a seguir, estabelecida pela norma NBR 14565 (ABNT, 2013):

 102  H
I  5
 1  k 

O fator k representa uma correção para o tipo de cabo utilizado. Se o cabo for não blindado
(24 AWG), o fator é igual a 0,2. Se o cabo for blindado (26 AWG), o fator é igual a 0,5.

Observação

A MUTO também é gerenciada pelo sistema de cabeamento estruturado.

6.1.5 Cabeamento óptico horizontal

Em algumas situações, há a necessidade da implementação de fibras ópticas como solução de


cabeamento horizontal, principalmente se os distribuidores de piso e os equipamentos ativos de rede
utilizarem interfaces ópticas, como nas redes FTTD (Fiber to the Desk).

Observação

A redes FTTD são aquelas em que o meio físico utilizado até a área de
trabalho na tomada de telecomunicações é a fibra óptica.

Essa solução de cabeamento horizontal é utilizada em implementação num único edifício, não sendo
recomendada a interligação entre edifícios diferentes em um mesmo campus.

96
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Guardando algumas diferenças verificadas, quando relacionado ao cabeamento balanceado (par


metálico), o cabeamento horizontal óptico apresenta-se com três métodos de conexão: interconexão;
emenda; passagem direta (pull-through).

No método de interconexão, conecta-se o cabeamento horizontal óptico diretamente no equipamento


ativo óptico de rede, sem um distribuidor de piso. A figura a seguir descreve esse método:
Sala de Área de trabalho
telecomunicações
(WA)
TR
Cabeamento óptico horizontal TO
(90 m, máximo)

Cordão (óptico)
de usuário
Backbone

ER Distribuidor óptico
Cordão de
equipamento

Equipamento ativo óptico


Sala de equipamentos

Figura 61

No método de emenda, é feita uma emenda na sala de telecomunicações antes de se interligar o


meio físico ao equipamento ativo óptico de rede. A figura a seguir descreve esse método:
Sala de Área de trabalho
telecomunicações
(WA)
TR

Emergência Cabeamento óptico horizontal TO


óptica (90 m, máximo)

Cordão (óptico)
Backbone de usuário

ER Distribuidor óptico
Cordão de
equipamento

Equipamento ativo óptico


Sala de equipamentos

Figura 62

97
Unidade III

No método de passagem direta, o lance de cabo horizontal, oriundo do distribuidor óptico


centralizado, chega até a tomada de telecomunicações da área de trabalho sem bloqueios e/ou
terminações intermediárias. A figura a seguir ilustra esse método.
Área de trabalho
(WA)

TO

Cordão (óptico)
de usuário
Cabeamento óptico horizontal
(90 m, máximo)

ER Distribuidor óptico
Cordão de
equipamento

Equipamento ativo óptico


Sala de equipamentos

Figura 63

Observação

No método de passagem direta, existe apenas o subsistema de


cabeamento horizontal, sem a passagem por sala de telecomunicações.

Seja qual for o método utilizado, é importante lembrar que, no cabeamento horizontal, a distância
máxima, ainda que se utilize cabos ópticos, é de 90 metros. Somando-se os patch cords, a distância não
pode ser superior a 100 metros.

As fibras ópticas utilizadas em cabeamento horizontal são:

• fibra óptica multimodo de 62,5/125 micrômetros;

• fibra óptica multimodo de 50/125 micrômetros;

• fibra óptica multimodo de 62,5/125 micrômetros, otimizada para laser OM-3 e OM-4.

98
CABEAMENTO ESTRUTURADO

6.2 Subsistema de cabeamento vertical

6.2.1 Introdução

O subsistema de cabeamento vertical também é conhecido como subsistema de cabeamento de


backbone ou subsistema de cabeamento tronco. A sua principal função é interconectar as salas de
telecomunicações, sala de equipamentos e infraestrutura de entrada de um prédio.

A figura a seguir apresenta a ideia do subsistema de cabeamento de backbone:

Área de trabalho (WA)

TR TO
Cabeamento
horizontal
TO

Área de trabalho (WA)

TR TO
Cabeamento
horizontal
TO

Subsistema de Área de trabalho (WA)


backbone
TR TO
Cabeamento
horizontal
TO

Área de trabalho (WA)

TR TO
Cabeamento
horizontal
TO

ER EF

TR: Sala de telecomunicações


ER: Sala de equipamentos
EF: Infraestrutura de entrada

Figura 64

99
Unidade III

O backbone é um dos mais importantes componentes do sistema de cabeamento estruturado. A


própria palavra backbone já carrega consigo uma grande importância, porque significa “espinha dorsal”.

A figura a seguir apresenta o subsistema de cabeamento de backbone, que é dividido em subsistema


de cabeamento de backbone de edifício e subsistema de cabeamento de backbone de campus:

Campus
CD
Subsistema de
cabeamento de
backbone de campus

BD BD
1 2
Subsistema de
cabeamento de
backbone de edifício

FD1 FD2 FD1 FD2 FD3

Subsistema de
cabeamento
horizontal
CP CP CP

TO TO TO TO TO TO TO TO TO
Edifício 1 Edifício 2

Figura 65

É perceptível que a implementação de um backbone se dá sempre em uma topologia física


em estrela, com os dois níveis hierárquicos apresentados na figura anterior (campus e edifício).
Observe também que a topologia favorece um arranjo hierárquico: no topo, o distribuidor de
campus (CD); logo depois, o distribuidor de edifício (BD); e terminando com o distribuidor de
piso (FD).

Observação

O distribuidor de edifício está situado na sala de equipamentos


principal do edifício, e em cada andar (piso) do edifício está um
distribuidor de piso.

De forma geral, as normas utilizadas no subsistema de cabeamento horizontal são replicadas para o
subsistema de cabeamento de backbone, respeitando, é claro, algumas particularidades.

100
CABEAMENTO ESTRUTURADO

É aconselhável que os distribuidores de piso e edifício tenham entre eles redundância, a fim
de que o sistema de cabeamento estruturado seja tolerante a falhas. Da mesma forma, com
o objetivo de alcançar maior tolerância a falhas, os distribuidores de edifício também podem
estar interligados.

Outra consideração importante é a interligação dos distribuidores de campus e os distribuidores de


piso sem a passagem por um distribuidor de edifício, que pode ocorrer quando o distribuidor de campus
e o distribuidor de piso estiverem no mesmo prédio. Essa consideração não vale quando o distribuidor
de piso e o distribuidor de edifício estiverem em prédios diferentes.

As normas de cabeamento estruturado também permitem a interligação de um distribuidor de


edifício a uma tomada de telecomunicações em uma área de trabalho apenas quando houver um
cabeamento óptico centralizado, conforme visto anteriormente.

As normas de cabeamento estruturado reconhecem os seguintes cabos para o subsistema de


cabeamento de backbone:

• Cabo UTP de quatro pares, 100 Ohm.

• Cabo F/UTP de quatro pares, 100 Ohm.

• Cabos multipares sem blindagem (utilizados apenas para voz).

• Cabo óptico multimodo 62,5/125 micrômetros, 50/125 micrômetros e multimodo otimizado para
transmissão em laser (OM-3 e OM-4).

• Cabo óptico monomodo.

Observação

Os cabos de categoria 3 não podem ser utilizados para subsistema de


cabeamento de backbone.

6.2.2 Cabeamento de backbone de edifício

A fim de interligar pavimentos diferentes, implementa-se o cabeamento de backbone de


edifício, ou seja, interligando a sala de equipamentos (ER) à sala de telecomunicações (TR) em
cada pavimento.

A figura a seguir apresenta o backbone de edifício:

101
Unidade III

TR

TR

Backbone de edifício
(dentro do edifício)

TR

TR

ER

TR: Sala de telecomunicações


ER: Sala de equipamentos

Figura 66

O subsistema de cabeamento de backbone de edifício, segundo a norma NBR 14565 (ABNT, 2013),
é composto de:

• cabos de backbone de edifício;

• jumpers e patch cords no distribuidor de edifício;

• hardware de conexão utilizado para a terminação dos cabos.

102
CABEAMENTO ESTRUTURADO

A norma NBR 14565 também define as distâncias máximas que podem ser estabelecidas entre o
distribuidor de campus e o distribuidor de piso. A tabela a seguir apresenta essa distribuição:

Tabela 10

Tipo de cabo Distância (m) Aplicação


Fibras monomodo OS-1 2.000 10 GbE
Fibras monomodo OS-2 10.000 10 GbE
Fibras multimodo OM-1 2.000 Fast ethernet
Fibras multimodo OM-2 800 Gigabit ethernet
Fibras multimodo OM-3 1.000 Gigabit ethernet
Fibras multimodo OM-4 550 10 GbE
Cabos balanceados Classe A 2.000 Voz, PABX (até 100 kHz)
Cabos balanceados Classe B 200 RDSI (até 1 MHz)
Cabos balanceados Classe C, D, E e F 100 Alta velocidade (até 600 MHz)

Fonte: Marin (2013, p. 55).

Observação

As distâncias apresentadas na tabela anterior não se baseiam na


capacidade do meio físico, mas, sim, nas necessidades de aplicação.

6.2.3 Cabeamento de backbone de campus

Quando mais de um edifício integra um campus, é necessária a implementação do subsistema


de cabeamento de backbone de campus, responsável pela interconexão de prédios. Para esse tipo
de cabeamento, é aconselhável o uso de cabos de fibra óptica no tráfego de dados e cabos de pares
trançados multipares para tráfego de voz.

A figura a seguir apresenta a ideia do backbone de campus:

103
Unidade III

Edifício 1

FD

FD

Edifício 1

FD FD

FD FD

FD Backbone de campus BD
(entre edifícios)

CD: Distribuidor de campus


BD: Distribuidor de edifício
FD: Distribuidor de piso

Figura 67

De maneira similar ao subsistema de cabeamento horizontal, no subsistema de cabeamento de


backbone de campus é possível utilizar dois tipos de métodos de conexão: cruzada ou interconexão.

Exemplo de aplicação

Para testar um pouco de seus conhecimentos, faça uma visita a uma empresa, ou mesmo onde você
trabalha, e verifique se o sistema de cabeamento é estruturado.

104
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Resumo

Inicialmente, foi mencionando o histórico do cabeamento estruturado


sempre em uma perspectiva comparativa com os padrões antigos de
cabeamento de redes. Após 1985, impulsionado pelo desenvolvimento
das redes de computadores, foi estruturado um padrão de cabeamento.
Contudo, apenas no ano de 1991 que ocorreu um marco para o
cabeamento estruturado: o lançamento de um documento inicial com as
normas de cabeamento geral para clientes, chamado de TIA/EIA-568. Esse
documento foi atualizado a partir de mudanças sofridas pela indústria de
telecomunicações, revisado em 1995 e lançado como norma TIA/EIA-568-A.

Apresentou-se também as principais vantagens ao se adotar um sistema


de cabeamento estruturado, fundamentando ainda mais a necessidade de se
estruturar o cabeamento como uma comparação de situações que envolvem
o cabeamento convencional (não estruturado) e o cabeamento estruturado.

Foi retomado o assunto classe e categorias de desempenho, enfatizando


a aderência às principais normas de cabeamento estruturado.

O cabeamento estruturado é um sistema dividido em dois subsistemas:


subsistema de cabeamento horizontal e subsistema de cabeamento de backbone
com os seus elementos funcionais: distribuidor de campus (CD); distribuidor de
edifício (BD); distribuidor de piso (FD); ponto de consolidação (CP); tomada de
telecomunicações (TO); backbone de campus; backbone de edifício.

Além desses elementos e dos subsistemas, foram apresentados


outros elementos e espaços (locais) de telecomunicações relacionados ao
cabeamento estruturado: área de trabalho (WA); sala de telecomunicações
(TR); sala de equipamentos (ER); infraestrutura de entrada (EF).

Em seguida, foram demonstradas as principais normas de cabeamento


estruturado, com ênfase na principal norma internacional para o
cabeamento estruturado em edifícios comerciais, a ANSI/TIA-568-C.

Além das normas criadas pela ANSI/TIA, mencionou-se a principal norma


brasileira, baseada naquela criada pela ISO e mantida no Brasil pela ABNT
(Associação Brasileira de Normas Técnicas): Norma NBR14565 – destinada
ao Cabeamento Estruturado para Edifícios Comerciais e Data Centers; a sua
edição mais atualizada está em vigor desde 2013.

Ainda, foram apresentados os dois subsistemas de cabeamento


estruturado: horizontal e backbone.

105
Unidade III

Primeiro, foi definido como subsistema de cabeamento horizontal aquele


que interliga um distribuidor de piso até a tomada de telecomunicações. O
termo horizontal advém do fato de os lançamentos dos cabos ocorrerem de
forma horizontal entre às áreas de trabalho e as salas de telecomunicações.

Os componentes do subsistema de cabeamento horizontal são: cabos


horizontais; jumpers e patch cords no distribuidor de piso; terminações
mecânicas dos cabos horizontais nas tomadas de telecomunicações;
terminações mecânicas dos cabos horizontais nos distribuidores de piso,
incluindo o hardware de conexão, por exemplo: as interconexões ou
conexões cruzadas; ponto de consolidação; tomadas de telecomunicações.

Ainda sobre o subsistema de cabeamento horizontal, foram mencionados


os tipos de conexão em cabos balanceados e também o cabeamento
horizontal fundamentado no uso de fibras ópticas.

Por fim, a unidade abordou o subsistema de cabeamento vertical, conhecido


como subsistema de cabeamento de backbone, ou subsistema de cabeamento
tronco. A sua principal função é interconectar salas de telecomunicações, sala
de equipamentos e infraestrutura de entrada de um prédio.

A unidade foi concluída com as divisões do subsistema de cabeamento


de backbone: campus e edifício.

Exercícios

Questão 1. Na estrutura hierárquica de subsistemas de cabeamento mostrada na figura s seguir são


destacadas as partes (a), (b) e (c).

CD
(a)

BD BD

(b)

FD FD FD FD

(c)
CP CP
CP CP

TD TD TD TD TD TD TD TD TD TD

106
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Assinale a alternativa que apresenta corretamente a sequência (a), (b) e (c):

A) Sistema de cabeamento de backbone de campus; Sistema de cabeamento de backbone de edifício;


Sistema de cabeamento horizontal.

B) Sistema de cabeamento horizontal; Sistema de cabeamento de backbone de campus; Sistema de


cabeamento de backbone de edifício.

C) Sistema de cabeamento de backbone de campus; Sistema de cabeamento horizontal; Sistema de


cabeamento de backbone de edifício.

D) Sistema de cabeamento de backbone de edifício; Sistema de cabeamento de backbone de campus;


Sistema de cabeamento horizontal.

E) Sistema de cabeamento de backbone de edifício; Sistema de cabeamento horizontal; Sistema de


cabeamento de backbone de campus.

Resposta correta: alternativa A.

Análise das alternativas

Justificativa geral: existem alguns elementos funcionais no sistema de cabeamento estruturado que
são o distribuidor de campus (CD), o distribuidor de edifício (BD), o distribuidor de piso (FD), o ponto de
consolidação (CP) a tomada de telecomunicações (TO), o backbone de campus, o backbone de edifício e
o cabeamento horizontal.

Essa cadeia é hierarquizada a partir do distribuidor de campus até o terminal de usuário, que, a partir
do backbone de edifício, é interligado à rede pelo cabeamento horizontal.

Assim, na figura apresentada, o subsistema (c) é precedido do subsistema (b) que é precedido do
subsistema (a). Como o subsistema (c) é o que faz a ligação com os terminais, ele é o cabeamento
horizontal, que deve ser precedido pelo backbone de edifício, que, por sua vez, deve ser precedido do
backbone de campus.

Ou seja:

(a) backbone de campus.

(b) backbone de edifício.

(c) cabeamento horizontal.

Questão 2. Tendo como referência os padrões e as normas relacionadas às telecomunicações e à


tecnologia da informação, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:
107
Unidade III

I – Os padrões de facto são aqueles que não foram reconhecidos por uma organização ou comitê ao
serem lançados por uma pessoa ou comunidade e podem se transformar em padrões de jure quando
forem reconhecidos por uma organização padronizadora

PORQUE

II – Apenas uma organização padronizadora pode alterar o status de um padrão de facto para de jure.

A respeito dessas afirmativas, assinale a opção correta:

A) As afirmativas I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.

B) As afirmativas I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.

C) A afirmativa I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.

D) A afirmativa I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.

E) As afirmativas I e II são proposições falsas.

Resolução desta questão na plataforma.

108
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Unidade IV
7 ESPAÇOS EM SISTEMAS DE CABEAMENTO ESTRUTURADO

7.1 Área de trabalho

7.1.1 Introdução

Entrada de antena

Infraestutura do
edifício para cabos
Infraestutura do
edifício para cabos
Pavimento do edifício

Sala de
telecomunicações
Infraestutura do
edifício para cabos
Infraestutura do
edifício para cabos

Sala de
telecomunicações
Sala de
equipamentos
Infraestutura do
edifício para cabos

Entrada principal
Infraestutura de
entrada

Tomada de
Infraestutura para telecomunicações
rede de campus (TO)

Entrada alternativa Área de trabalho


(WA)

Figura 68

109
Unidade IV

Os principais espaços em sistemas de cabeamento estruturado são as áreas de trabalho e os espaços


de telecomunicações. Os espaços de telecomunicações encontrados nas organizações são: sala de
telecomunicações, sala de equipamentos e infraestrutura de entrada. A figura anterior mostra os espaços
em sistemas de cabeamento estruturado.

A área de trabalho é muito conhecida pelo seu acrônimo em inglês WA, que significa Work Area.
Essas áreas são os espaços onde o usuário está situado no edifício comercial e também onde está
disponível a conectividade necessária para que as aplicações funcionem.

Sob o aspecto técnico, é considerado um espaço do sistema de cabeamento estruturado, porque é


lá que o usuário consegue utilizar o seu computador em rede ou fazer uma chamada de voz pelo seu
telefone.

A norma NBR 14565 (ABNT, 2013, p. 4) define a área de trabalho “como espaço do edifício no qual
seus ocupantes interagem com os serviços disponibilizados pelo cabeamento estruturado”.

O cabeamento que chega até a área de trabalho é normalmente oriundo do distribuidor de piso
situado na sala de telecomunicações. Conforme mencionado, esse cabeamento é conhecido por
horizontal, terminando em uma tomada de telecomunicações, conhecida pelo seu acrônimo em inglês
TO (Telecommunication Outlet).

Lembrete

O cabeamento estruturado é composto de dois subsistemas: subsistema


de cabeamento horizontal e subsistema de cabeamento de backbone.

A figura a seguir apresenta uma área de trabalho típica.


Área de trabalho
WA

TO
Cabos U/UTP, F/UTP categoria 5 e/ou superior

Cabeamento horizontal

Figura 69

110
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Uma tomada de telecomunicações normalmente obedece ao padrão RJ-45. A figura a seguir


apresenta a imagem de um conector fêmea RJ-45:

Figura 70

7.1.2 Especificações da área de trabalho

Como todo e qualquer espaço, ou subsistema do cabeamento estruturado, a área de trabalho


obedece a uma série de especificações estabelecidas pela norma NBR 14565, descritas na ABNT (2013).

A primeira especificação, que parece até um pouco controversa em comparação com o cabeamento
não estruturado, é a exigência de instalação de duas tomadas de telecomunicações por área de trabalho.
Essas tomadas, blindadas ou não, obrigatoriamente são terminadas em conectores RJ-45, onde é
conectado o cabo de par trançado categoria 5e ou superior.

Observação

Caso o subsistema de cabeamento horizontal seja provido por cabos


ópticos multimodo de 50/125 micrômetros ou 62,5/125 micrômetros, é
recomendável que apenas uma das tomadas seja terminada em conectores
ópticos. Dessa forma, conserva-se uma das tomadas provida por cabo de
par traçado.

Outra importante determinação diz respeito aos espelhos das tomadas de telecomunicações.
Eles devem ser no padrão 4 x 2” ou 4 x 4”, montados em caixas de piso, caixas de superfície ou
fixados no próprio mobiliário de escritório.

Uma área de trabalho deve ter pelo menos um tamanho de 5 m², podendo chegar a 10 m².
Não obstante, nada impede que, a partir do conhecimento do projeto físico e do layout da edificação, as
áreas de trabalho sejam menores que 5 m², atendendo, é claro, às necessidades do usuário.

O cabeamento horizontal deve ser encaminhado na área de trabalho pelo piso e/ou pelo teto,
utilizando também caminhos adequados na própria mobília presente na área de trabalho. Usando o
mobiliário como caminho de passagem do cabo, é necessária a percepção da importância das mudanças
no cabeamento estruturado quando ocorrerem mudanças de layout ou mobília no escritório.
111
Unidade IV

Uma regra de ouro na instalação de tomadas de telecomunicações em uma área de trabalho indica que
elas devem ser instaladas em locais de fácil acesso, sem descuidar da segurança. Um bom exemplo seria a
instalação de tomadas de telecomunicações em pisos frios. Tomadas de telecomunicações instaladas em
caixas diretamente implementadas em pisos frios estão sujeitas a problemas como eventuais lavagens
do piso e poeiras frequentes que podem danificar os contatos metálicos dos conectores RJ-45 fêmea.

Quando instaladas em quaisquer outros lugares sujeitos a ação de agentes químicos, limpeza,
poeira etc., recomenda-se que as tomadas de telecomunicações tenham protetores.

7.2 Espaços de telecomunicações

Os espaços de telecomunicações são definidos como aqueles destinados


a abrigar os distribuidores do sistema de cabeamento estruturado, bem
como equipamentos ativos de redes. Os espaços de telecomunicações
devem ser dedicados aos sistemas de telecomunicações e não podem
ser compartilhados com outros sistemas do edifício. Algumas normas
técnicas que se aplicam a encaminhamentos e espaços para sistemas
de cabeamento estruturado em edifícios comerciais utilizam uma
nomenclatura comum a todos os espaços de telecomunicações e outros
utilizam termos específicos para cada espaço (sala de telecomunicações,
sala de equipamentos etc.). Na prática, é comum encontrarmos
nomenclaturas específicas para cada espaço; isso ajuda a diferenciá-
los por funções específicas, bem como no sistema de gerenciamento da
infraestrutura de cabeamento (MARIN, 2013, p. 61).

7.2.1 Sala de telecomunicações

A sala de telecomunicações também é conhecida pelo seu acrônimo em inglês TR – Telecommunications


Room. Ela é um espaço de telecomunicações dentro do edifício comercial, destinado à interligação
do subsistema de cabeamento horizontal ao subsistema de cabeamento vertical por meio do
distribuidor de piso.

A norma NBR 14565 (ABNT, 2013) especifica que a sala de telecomunicações é o espaço que abriga o
distribuidor de piso e pode também abrigar o distribuidor de edifício e equipamentos de redes destinados
ao atendimento dos usuários do pavimento em que se situa a sala de telecomunicações.

Nas salas de telecomunicações, é importante que haja facilidade no espaço, alimentação elétrica,
controles do ambiente, dentre outros, destinados à instalação de componentes passivos.

As principais normas de cabeamento estruturado recomendam a implantação de uma sala de


telecomunicações por andar de um edifício comercial com a finalidade de atender a todas áreas de
trabalho daquele pavimento.

112
CABEAMENTO ESTRUTURADO

A figura situa a sala de telecomunicações no sistema de cabeamento estruturado:

TR
TO

TR
TO
Cabeamento de
backbone

TR
TO

TR
TO

Cabeamento horizontal

ER

Figura 71

Observação

Quando não é possível a implementação de uma sala de telecomunicações


em um pavimento, as áreas de trabalho podem ser interligadas à sala de
telecomunicações de um pavimento adjacente.

Além norma NBR 14565, as normas ANSI/TIA-569-C, ISO/IEC 14763-2, ISO/IEC 18010 fazem uma
série de recomendações sobre as dimensões da sala de telecomunicações baseada no número de tomadas
de telecomunicações atendida pelo distribuidor de piso da sala.

113
Unidade IV

A tabela a seguir apresenta o dimensionamento recomendado pela norma ANSI/TIA-569-C:

Tabela 11

Tomadas de Área aproximada da sala de Dimensões da sala (m)


telecomunicações (TO) telecomunicações (m²)
Até 200 15 3x5
Entre 201 e 800 36 6x6
Entre 801 e 1600 72 6 x 12
Entre 1601 e 2400 108 9 x 12

Fonte: Marin (2013, p. 55).

As normas ISO/IEC 14763-2 e ISO/IEC 18010 recomendam que a menor sala de telecomunicações
não tenha uma área inferior a 9,6 m² (com dimensões de 3 x 3,2 metros) para até 500 tomadas de
telecomunicações. A figura a seguir apresenta a sala de telecomunicações com essas dimensões:

3,0 m

1,6 m
3,2 m

Figura 72

As normas ISO/IEC 14763-2 e ISO/IEC 18010 também recomendam que até 1.000 tomadas
de telecomunicações sejam atendidas por uma sala de telecomunicações de área 14,72 m²
(com dimensões 3,2 x 4,6 metros). A figura a seguir apresenta a sala de telecomunicações com
essas dimensões:

114
CABEAMENTO ESTRUTURADO

4,6 m

1,6 m 1,6 m
3,2 m

Figura 73

A partir de 1.000 tomadas de telecomunicações, o adicionamento de 500 tomadas de telecomunicações


aumenta uma de suas dimensões em 1,6 metros.

É comum também considerar a área do pavimento para a tomada de decisão sobre as dimensões da
sala de telecomunicações. Não obstante, a área do pavimento não pode ser a base para a definição das
dimensões da sala de telecomunicações.

A figura a seguir apresenta um exemplo de uma sala de telecomunicações:

Duto de ar Barramento
de terra Prancha de madeira
Shaft

Eletroduto

Luminárias

Eletroduto

Prancha de
madeira
Esteira para cabos

Luminárias
Eletroduto

Quadro
elétrico Duto de ar : Tomada elétrica

Figura 74

115
Unidade IV

As normas ainda recomendam para a sala de telecomunicações:

• Caso haja equipamentos instalados, seja provida de um sistema de climatização 24 horas, 365
dias por ano, com temperaturas variando entre 18º e 24º C e uma umidade entre 30% e 55%.

• A iluminação deve possuir pelo menos 540 luxes, de forma que não haja problemas na
manutenção do cabeamento.

• O aterramento deve ser ligado ao sistema de aterramento do prédio.

• A porta de acesso da sala ter no mínimo 910 mm x 2.000 mm.

• Deve possuir um ambiente controlado, fechado e com acesso limitado para pessoas autorizadas.

• Esteja situada em uma área do pavimento cujo acesso não dependa do acesso a outros espaços.

• A distribuição do cabeamento seja aérea, evitando uso de teto falso.

Em edifícios e pavimentos onde não seja exequível a construção de uma sala com as
dimensões outrora especificadas, pode-se utilizar um espaço menor. A norma ANSI/TIA-569-C
recomenda que a menor sala de telecomunicações tenha dimensões mínimas de 1,3 m x 1,3 m.
Se nem esse espaço estiver disponível, é possível instalar um “armário de telecomunicações”
no shaft do edifício.

A figura a seguir apresenta um exemplo de um armário de telecomunicações em um shaft:


Componentes de conexão

Dutos (tubulações)

Portas

Figura 75

116
CABEAMENTO ESTRUTURADO

7.2.2 Sala de equipamentos

A norma NBR 14565 (ABNT, 2013) define que a sala de equipamentos é o espaço de telecomunicações
destinado a abrigar os equipamentos de uso comum em toda a rede, a terminação de cabos e os
distribuidores do sistema de cabeamento estruturado.

A sala de equipamentos também é conhecida pelo seu acrônimo em inglês ER – Equipment


Room, atendendo um edifício inteiro ou todo um campus . Assim, a sala de equipamentos,
enquanto local mais importante do sistema de cabeamento estruturado, pode conter um
distribuidor de campus e/ou distribuidor de edifício, concentrando o cabeamento horizontal
e o cabeamento de backbone .

Na sala de equipamentos, podem ser instalados equipamentos ativos de redes, (switches,


roteadores, hubs e servidores), equipamentos de telefonia (central telefônica e outros equipamentos
de gerenciamento de sistemas de voz), equipamentos de telecomunicações (modems, rádios,
multiplexadores etc.) e demais equipamentos de informática.

Justamente pelo fato de a sala de equipamentos conter dispositivos tão cruciais para o
funcionamento das redes, há a necessidade de um controle de temperatura do ambiente (18 ºC a 24 ºC)
para não prejudicar a operação dos equipamentos. O controle de acesso e as questões de segurança
relacionadas à sala de equipamentos também precisam ser observados. A iluminação precisa ser
uniforme na faixa de 500 luxes, medidos a 1 metro do chão.

As funções da sala de telecomunicações podem ser absorvidas pela sala de equipamentos


quando as duas forem projetadas no mesmo pavimento. Assim, em um mesmo andar não há
necessidade das duas.

Lembrete

A sala de telecomunicações tem a finalidade de atender apenas um


pavimento. No máximo, pavimento adjacentes.

117
Unidade IV

A figura a seguir apresenta a sala de equipamentos e os elementos de cabeamentos interligados


a ela.

TR
(FD)

TR
(FD)

Backbone de
edifício

TR
(FD)

TR
(FD)

ER Backbone de
CD/BD campus

TR: Sala de telecomunicações


ER: Sala de equipamentos
CD: Distribuidor de campus
BD: Distribuidor de edifício
FD: Distribuidor de piso

Figura 76

Em um edifício, é de grande importância determinar a localização da sala de equipamentos


no prédio, de forma a otimizar a interligação entre ela e os outros elementos do cabeamento
estruturado. Convém dizer que as normas não mencionam qual é o local de implementação da
sala de equipamentos.

As principais normas que mencionam especificações para a sala de equipamentos são:


ANSI/TIA-569-C e ISO/IEC 14763-2. Sobre o dimensionamento, essas normas seguem caminhos

118
CABEAMENTO ESTRUTURADO

distintos. A ANSI/TIA-569-C aponta que a sala de equipamentos tem que ter um tamanho mínimo
de 10 m² (caso abrigue um distribuidor de edifício) e 12 m² (caso abrigue um distribuidor de
campus). Caso a área provida pelo distribuidor de campus seja 50.000 m², para cada 10.000 m²
aumenta-se o tamanho da sala de equipamentos em 1 m².

A ISO/IEC 14763-2 trata o tamanho da sala de equipamentos da mesma forma que trata a sala de
telecomunicações.

Lembrete

Até 1.000 tomadas de telecomunicações precisam ser atendidas


por uma sala de telecomunicações de área 14,72 m² (com dimensões
3,2 m x 4,6 m). A partir de 1.000 tomadas de telecomunicações, o
adicionamento de 500 tomadas de telecomunicações aumenta uma de
suas dimensões em 1,6 metros.

7.2.3 Infraestrutura de entrada

É conhecida pelo seu acrônimo EF – Entrance Facility. A norma NBR 14565 (ABNT, 2013) define que
a infraestrutura de entrada é o local de entrada de todos os serviços de telecomunicações do edifício e
inclui a interface de rede externa.

A infraestrutura de entrada é interligação do sistema de cabeamento estruturado com o mundo


externo.

Observação

O espaço de cabeamento estruturado é chamado popularmente de


“facilidades” ou “facilidade de entrada”.

É normalmente na infraestrutura de entrada que se encontra o demarc (também conhecido


como ponto de demarcação), que separa o cabeamento externo do cabeamento interno, ou seja,
quando se encerra a responsabilidade do provedor de serviços e se inicia a responsabilidade da
rede interna.

A figura a seguir situa a infraestrutura de entrada no sistema de cabeamento estruturado:

119
Unidade IV

Área de trabalho (WA)

TR TO
Cabeamento
horizontal
TO

Área de trabalho (WA)

TR TO
Cabeamento
horizontal
TO

Área de trabalho (WA)

TR TO
Cabeamento
horizontal
TO

Área de trabalho (WA)

TR TO
Cabeamento
horizontal
TO

ER EF

Infraestrutura de entrada

Figura 77

Na infraestrutura de entrada, encontra-se o DG (Distribuidor Geral), o DID (Distribuidor Intermediário


Digital) e o DGO (Distribuidor Geral Óptico).

No DG, estão terminados os cabos de pares de telefonia oriundos da operadora de telefonia pública.
No DID, as conexões que utilizam cabos coaxiais em links E1 e T1. No DGO, temos as fibras ópticas
entregues pela operadora no demarc.

120
CABEAMENTO ESTRUTURADO

A figura a seguir apresenta uma DG:

Figura 78

A localização da infraestrutura de entrada é um aspecto de grande importância. A ideia é implementar


esse espaço em local seco, livre de inundações e mais próximo possível da entrada de energia elétrica do
edifício, de forma a garantir uma agilidade na interligação do aterramento.

A norma ANSI/TIA-569-C especifica as dimensões da infraestrutura de entrada de modo similar à


sala de equipamentos que abriga um distribuidor de campus, de maneira que o espaço mínimo é restrito
a 12 m² para uma área de edifício de 50.000 m². Para cada 10.000 m², acrescenta-se 1 m² ao tamanho
do espaço da infraestrutura de entrada.

A norma ISO/IEC 14763-2 dá uma tratativa diferenciada no que tange as dimensões da infraestrutura.
Essa norma recomenda, para efeitos de dimensionamento, a infraestrutura de entrada como uma sala
de telecomunicações de baixa densidade.

Uma inovação na norma ANSI/TIA-569-C foi a criação do “espaço do provedor”, que é um


espaço adicional em edifícios monousuários (edifício de um mesmo cliente) dedicado à instalação de
equipamentos de provedores de serviços de telecomunicações.

121
Unidade IV

A figura a seguir apresenta a ideia de espaço do provedor:


Sala de Sala de
equipamentos telecomunicações

ER TR

Espaço
do provedor

TR
EF TR

Infraestrutura Sala de
de entrada telecomunicações

Figura 79

A figura a seguir mostra o layout de um espaço do provedor:


Suprimento ou
retorno do ar
Prancha de
madeira

Tomada elétrica

Encaminhamentos Encaminhamentos da sala de


da EF ou provedor equipamento ou provedor

Luminárias

TGB (aterramento)

Rack de
gabinete
$

Interruptor
Portas de luz

Figura 80

122
CABEAMENTO ESTRUTURADO

7.2.4 Requisitos importantes nos espaços de telecomunicações

A partir de um apanhado geral das normas para espaços de telecomunicações, destacam-se alguns
pontos primordiais de forma resumida para o perfeito funcionamento do sistema de cabeamento
estruturado. São eles:

• Requisito 1 – segurança: as normas reforçam a importância da segurança física das instalações,


de forma que o controle de acesso seja restrito a pessoal autorizado. Ainda nesse requisito, a
norma prescreve a existência de um plano de segurança do edifício.

• Requisito 2 – localização: é preciso valorizar os locais onde os espaços serão implementados,


destacando a possibilidade de expansão, facilidade de acesso, inclusive permitindo a locomoção
com grandes e pesados equipamentos.

• Requisito 3 – altura: as normas especificam que a altura entre o piso acabado e o teto do
espaço seja de pelo menos 2,4 metros, além do vão entre as lajes de pavimentos, que deve ser
de pelo menos 3 metros.

• Requisito 4 – piso/parede/teto: devem ser tratados de forma a acumular o mínimo possível


de poeira, além de ser claros e antiestéticos. Ainda nesse requisito, deve-se mencionar a
importância de não haver infiltrações.

• Requisito 5 – climatização: os espaços de telecomunicações precisam ter um controle de


temperatura e umidade, de forma a não prejudicar a operação dos dispositivos ativos de rede.

8 IMPLEMENTAÇÃO DO CABEAMENTO ESTRUTURADO

8.1 Testes e certificação do cabeamento estruturado

8.1.1 Testes do cabeamento de par metálico

Um sistema de cabeamento estruturado utiliza-se de diversas infraestruturas dos mais variados


fabricantes, provocando a necessidade de se atribuir importância aos testes feitos em todos os
subsistemas, seja ele horizontal ou de backbone. Os testes no cabeamento estruturado são conhecidos
como “certificação”.

A certificação do cabeamento é um termo utilizado para os conjuntos de testes executados no


cabeamento que visam assegurar garantia do sistema, sua completa aderência às normas e o desempenho
esperado pela categoria a que o cabo se propõe.

Especificamente o cabo de par metálico deve ser certificado e aprovado quando obtiver sucesso nos
testes a seguir:

123
Unidade IV

• 1º teste: configuração de terminação (wiremap);

• 2º teste: comprimento;

• 3º teste: perda de inserção;

• 4º teste: diafonia;

• 5º teste: relação diafonia e atenuação;

• 6º teste: alien crosstalk;

• 7º teste: perda de retorno;

• 8º teste: atraso de propagação;

• 9º teste: delay skew.

8.1.2 Testes do cabeamento de par metálico: wiremap, comprimento e perda de inserção

O primeiro e mais fácil dos testes em cabos de pares balanceados é o wiremap, que verifica o mapa
de fios, bem como a continuidade e a conectorização (terminação) dos pares metálicos nas tomadas de
telecomunicações fio a fio.

A figura a seguir mostra as terminações no padrão T568A e T568B:


Par 2 Par 3
Par 3 Par 1 Par 4 Par 2 Par 1 Par 4

1 2 3 4 5 6 7 8 1 2 3 4 5 6 7 8

T568A T568B

Figura 81

124
CABEAMENTO ESTRUTURADO

A figura a seguir mostra a configuração de terminação dos pares nas tomadas de telecomunicações:
1 1

2 2
3 3

6 6
4 4

5 5
7 7

8 8

Figura 82

O wiremap tem o objetivo de verificar a existência ou não de:

• continuidade pino a pino: demonstra se os pares estão íntegros e sem quaisquer descontinuidades
ou rompimentos;

• pares invertidos: demonstra se há uma inversão acidental dos fios de um determinado par;

• pares transpostos: apresenta quaisquer transposições de pares nas terminações;

• condutores abertos: verifica se há algum condutor que está rompido;

• condutores ou pares em curto-circuito: verifica se há condutores ou pares que, acidentalmente


decampados, estejam em curto-circuito;

• split-pair (pares divididos): verifica se um condutor de um par está invertido com o condutor
de outro par.

O segundo teste a ser apresentado é o teste de comprimento, que verifica se o lance de cabos de
pares metálicos atende às exigências da norma. O parâmetro comprimento é fortemente relacionado e
dependente do parâmetro velocidade de propagação nominal.

O terceiro teste é conhecido por perda de inserção, ou popularmente chamado de teste de atenuação
nos cabos. A atenuação representa o enfraquecimento da potência do sinal elétrico transportado no
meio físico, devido às características resistivas do material condutor e da capacitância mútua entre os
condutores e entre os condutores e a terra.

A perda de inserção é sempre medida em decibel, conhecido apenas por dB por unidade de
comprimento, normalmente o metro. Os cálculos com dB envolvem o logaritmo da base 10 da
125
Unidade IV

relação entre a potência de saída (recebida) e a potência de entrada (transmitida) em um meio.


A figura a seguir apresenta essa ideia:
Entrada Saída

Circuito ou canal
Sinal de de transmissão Sinal de
entrada saída

Figura 83

A fórmula a seguir é utilizada para calcular a atenuação:

 potência do sin al de entrada


A  10log  dB
 potência do sin al de entrada

A fim de fornecer uma ideia das variações em dB, verifique a tabela a seguir:

Tabela 12

Relação de potência dB
2 para 1 3
10 para 1 10
20 para 1 13
40 para 1 16
100 para 1 20
200 para 1 23
1.000 para 1 30

Fonte: Marin (2013, p. 91).

Observação
As perdas de inserção não têm uma variação linear e proporcional ao
lance de cabos. Isso porque existem outros fatores oriundos de componentes
que contribuem para o enfraquecimento do sinal.

8.1.3 Testes do cabeamento de par metálico: diafonia

O quarto teste é a diafonia, também conhecida como crosstalk ou linha cruzada, que ocorre a
partir dos mecanismos de acoplamento indutivo e capacitivo, limitando o desempenho do sistema
de comunicação. A diafonia pode ser também compreendida como interferência eletromagnética
propagada em diferentes pares de fios.

126
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Os efeitos da diafonia são atenuados ou ampliados a partir dos seguintes fatores: bitola dos
condutores, trancamento dos pares, existência ou não de blindagem e isolante utilizado. Portanto, para
minimizar os seus efeitos, é possível tomar algumas ações, tais como:

• menor destrançamento possível dos pares ao conectorizá-los nas terminações;

• uso de cabos com blindagem individual e/ou geral;

• utilização exaustiva das normas vigentes de cabeamento estruturado.

A diafonia pode ser classificada, de forma geral, em dois modos: paradiafonia e telediafonia. A
paradiafonia é conhecida pelo acrônimo NEXT (Near End Crosstalk), sendo medida no par interferido que
está na mesma extremidade do par interferente (origem da interferência). A telediafonia é conhecida
pelo acrônimo FEXT (Far End Crosstalk), sendo medida no par interferido na extremidade oposta ao par
interferente (origem da interferência).

A figura a seguir apresenta as duas formas de diafonia:


Informação propagando-se pelo par do cabo

Par 1

Par 2

FEXT
NEXT Par 3

Par 4

Figura 84

Observação

Os testes de NEXT e FEXT são semelhantes sob o ponto vista elétrico.

Existem duas metodologias de teste de NEXT e FEXT conhecidas: NEXT (ou FEXT) par a par e powersum
NEXT (ou FEXT).

A primeira é conhecida como NEXT par a par e é obtida a partir da influência dos pares uns
nos outros de forma individual. A NEXT par a par foi a primeira metodologia utilizada em cabos
127
Unidade IV

de categoria 5, mostrando-se de grande eficiência no relato de interferências eletromagnéticas


devido ao fato de utilizar apenas dois pares de fios no processo de comunicação. As combinações
encontradas par a par são:

• P1  P2
• P1  P3
• P1  P4
• P2  P3
• P2  P4
• P3  P4

A figura a seguir mostra a interferência do par P1:

Sinal aplicado ao cabo

Par 1

NEXT 1-2 Par 2 FEXT 1-2

NEXT 1-3 Par 3 FEXT 1-3

NEXT 1-4 Par 4 FEXT 1-4

Figura 85

A figura a seguir mostra a interferência do par P2:


Sinal aplicado ao cabo
NEXT 2-1
Par 1 FEXT 2-1

Par 2

NEXT 2-3 Par 3 FEXT 2-3

NEXT 2-4 Par 4 FEXT 2-4

Figura 86

128
CABEAMENTO ESTRUTURADO

A figura a seguir mostra a interferência do par P3:


Sinal aplicado ao cabo

NEXT 3-1 Par 1 FEXT 3-1

NEXT 3-2
Par 2 FEXT 3-2

Par 3

NEXT 3-4 Par 4 FEXT 3-4

Figura 87

A figura a seguir mostra a interferência do par P4:


Sinal aplicado ao cabo

NEXT 4-1 Par 1 FEXT 4-1

NEXT 4-2
Par 2 FEXT 4-2

NEXT 4-4
Par 3 FEXT 4-4

Par 4

Figura 88

A segunda é conhecida como powersum NEXT, também chamada de PS-NEXT, que substituiu a NEXT
par a par e é utilizada nas categorias superiores à categoria 5, contabilizando o efeito de todos os pares
em um mesmo par. As combinações encontradas são as seguintes:

• P1  P2, P3, P4

• P2  P1, P3, P4

• P3  P1, P2, P4

• P4  P1, P2, P4

Para encontrar o PS-NEXT, os equipamentos encontram primeiro o NEXT par a par e somam os seus
efeitos. A figura a seguir apresenta os efeitos do PS-NEXT no par 4:

129
Unidade IV

Par 1

Par 2

Par 3

PS-NEXT, Par 4 Par 4 PS-FEXT, Par 4

Figura 89

A figura a seguir apresenta os efeitos do PS-NEXT no par 1:


PS-FEXT, Par 1

PS-NEXT, Par 1 Par 1

Par 2

Par 3

Par 4

Figura 90

A figura a seguir apresenta os efeitos do PS-NEXT no par 2:

Par 1

PS-FEXT, Par 2
PS-NEXT, Par 2
Par 2

Par 3

Par 4

Figura 91

130
CABEAMENTO ESTRUTURADO

A figura a seguir apresenta os efeitos do PS-NEXT no par 3:

Par 1

Par 2

PS-FEXT, Par 3
PS-NEXT, Par 3
Par 3

Par 4

Figura 92

8.1.4 Testes do cabeamento de par metálico: outros testes

O quinto teste utilizado em cabos de pares metálicos trata-se de uma relação entre a diafonia e a
atenuação, estabelecendo um parâmetro para certificação que reporte influências conjuntas desses dois
aspectos. Os dois métodos encontrados nesse teste são: ACRN (Attenuation to Crosstalk Ratio Near End)
e o ACRF (Attenuation to Crosstalk Ratio Far End).

Da mesma forma que ocorre com a diafonia, os testes de ACRN e ACRF também possuem as suas
variações, podendo ser medidos par a par e powersum. Assim, temos:

• ACRN par a par: diferença entre a resposta de atenuação par a par em um lance de cabos com
diferentes NEXT par a par.

• ACRF par a par: diferença entre a resposta de atenuação par a par em um lance de cabos com
diferentes FEXT par a par.

• PS-ACRN: diferença entre a resposta de atenuação de cada par em um lance de cabos com
diferentes combinações de PS-NEXT.

• PS-ACRF: diferença entre a resposta de atenuação de cada par em um lance de cabos com
diferentes combinações de PS-NEXT.

O alien crosstalk é o sexto teste feito em sistemas de cabeamento estruturado utilizando pares
metálicos. Esse teste tem o intuito de verificar a interferência dos pares de um cabo em pares de outros
cabos ou feixes de cabos. Ele é de grande importância em redes que utilizam aplicações em gigabit
ethernet ou 10 gigabit ethernet.

Da mesma forma que na diafonia, ACRN e ACRF, o alien crosstalk também pode ser medido par a par
e em powersum, em suas variações NEXT e FEXT.
131
Unidade IV

O sétimo teste a ser destacado é a perda de retorno, que representa a medida de todas as reflexões
causadas por descasamento de impedância característica em um lance de cabos. O descasamento de
impedância ocorre porque não há uma continuidade no canal (meio físico), que precisa ser conectorizado
em distribuidores, conectores, dentre outros, causando as reflexões.

A perda de retorno, também conhecida como relação de onda estacionária, varia com a frequência
do sinal. A unidade de medida da perda de retorno é o decibel (dB).

As normas ISO/IEC 11801 e NBR 14565 especificam valores para perda de retorno em cabeamento
estruturado que podem ser vistos na tabela a seguir:

Tabela 13

Escala de frequências Limite mínimo para perda de retorno


1 a 10 MHz 18 dB
10 a 16 MHz 15 dB
16 a 20 MHz 15 dB
20 a 100 MHz 10 dB

Fonte: ABNT (2013, p. 45).

A figura a seguir mostra como se dá uma perda de retorno:


Sinal transmitido
Sinal refletido por Sinal atenuado devido
causa da conexão à reflexão que segue
rumo ao receptor

TX RX

Conector

Figura 93

O oitavo teste é o atraso de propagação, como a medida de tempo utilizado por um sinal ao
propagar-se no lance de cabo entre a origem e o destino. A medida de atraso está fortemente
relacionada às características construtivas e elétricas do cabo, tais como resistência, indutância,
capacitância e condutância.

O delay skew é o nono teste, também conhecido como desvio do atraso de propagação. Ele expressa
a diferença no tempo entre atrasos de propagação de pares que têm maior velocidade e aqueles mais
lentos em um cabo de par metálico.

132
CABEAMENTO ESTRUTURADO

A tabela a seguir apresenta os valores referenciais de atraso de propagação e de delay skew para
cabos de categoria 5e e 6:

Tabela 14

Frequência (MHz) Atraso de propagação Velocidade de Delay skew máximo


máximo (ns/100 m) propagação mínima (%) (ns/100 m)
1 570 58,5 45
10 545 61,1 45
100 538 62 45
250 536 62,1 45

Fonte: Marin (2013, p. 91).

A figura a seguir apresenta o atraso de propagação e o desvio de atraso de propagação


( delay skew ):

490 ns

Par 1
505 ns
Par 2
Desvio de atraso de
propagação = 20 ns
500 ns (510 - 490)
Par 3

510 ns
Par 4

Figura 94

8.1.5 Testes de campo

O teste de campo é o trabalho de certificação propriamente dito em cabos de pares metálicos. Esses
testes podem ocorrer das seguintes formas: enlace permanente e canal.

No enlace permanente, são consideradas as partes fixas (permanentes) do sistema de cabeamento


estruturado, ou seja, do patch panel do distribuidor de piso até a tomada de telecomunicações.

133
Unidade IV

A figura a seguir mostra esse modelo de testes:

Ponto de Área de trabalho


Distribuidor de piso (WA)
(FD) Cabeamento consolidação (CP)
horizontal TO

A B

T T

90 m (máximo)

Equipamento Equipamento
teste teste

Cabos e cordões Componentes de conexão Comprimento máximo

Cordão de teste T Distribuidor de piso FD

Cabo horizontal A Ponto de consolidação CP A + B = 90 m (máx.)

Cabo ou CP B Tomada de telecomunicações TO

Figura 95

Observação

Para todo o enlace permanente, são permitidos no máximo 90 metros.

Lembrete

Em um subsistema de cabeamento horizontal só pode existir um ponto


de consolidação.

Para o teste de canal, são considerados os elementos permanentes e todos os cordões de manobra
e patch cords.

A figura a seguir apresenta a configuração de teste de canal:

134
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Área de trabalho
Ponto de (WA)
Distribuidor de piso Cabeamento consolidação (CP)
horizontal TO

C D
B
E

100 m (máximo)

Cabos e cordões Componentes de conexão Comprimento máximo


Cordão de equipamento A Distribuidor de piso FD
Patch cord B C + D = 90 m (máx.)
Ponto de consolidação CP
Cabo horizontal C A + B + E = 10 m (máx.)
Cabo do CP (opcional) D
Tomada de telecomunicações TO
Cordão do usuário E

Figura 96

Observação

Para o teste de canal, são permitidos até 100 metros, respeitando o


tamanho de até 90 metros para o enlace permanente.

Encontram-se no mercado diversos equipamentos que efetuam os testes de certificação no


cabeamento estruturado. De posse desses equipamentos, é importante observar alguns procedimentos
relevantes para efetuar uma correta certificação. São eles:

• De posse do equipamento de testes, verificar se o software é o mais adequado e atualizado


para uso.

• Seguir todas as recomendações do fabricante do equipamento, respeitando as configurações e


conexões corretas.

• Efetuar sempre a calibragem, de acordo com as especificações e recomendações do fabricante.

• Configurar corretamente as opções de testes, a fim de atender às necessidades do usuário.

8.1.6 Testes do cabeamento óptico

Assim como ocorre com os cabos de pares metálicos, os cabos de fibra óptica precisam ser
adequadamente testados, com o objetivo de garantir eficiência e eficácia no uso desse meio físico no
sistema de cabeamento estruturado.
135
Unidade IV

Observação

Não utilizamos o termo certificação para cabos de fibras ópticas, e o


motivo é muito simples; nas fibras ópticas não se comparam os resultados
com padrões predeterminados.

Os dois parâmetros testados nas fibras ópticas são a atenuação e o comprimento. A atenuação,
como primeiro parâmetro, é normalmente função do comprimento de onda do sinal de luz transmitido.
O comprimento do enlace óptico, como parâmetro físico importante, influencia decisivamente o
desempenho do sistema de cabeamento estruturado.

Lembrete

A atenuação é o enfraquecimento da potência de um sinal transmitido


ao longo de um meio físico.

A atenuação nas fibras ópticas pode se dar a partir de diversos fatores, tais como:

• absorção do sinal propagado no núcleo da fibra devido às impurezas do próprio núcleo;

• espalhamento (oposto à absorção), quando o sinal de luz atinge partículas presentes no núcleo
e são refletidas e refratadas;

• qualidade das terminações e fusões ópticas.;

• raios de curvatura das fibras ópticas.

A tabela a seguir apresenta coeficientes de atenuação nas fibras ópticas:

Tabela 15

Comprimento de Coeficiente de Largura de banda modal


Tipo de cabo óptico onda (nm) atenuação (dB/km) (MHz.km)
Fibra multimodo 50/125 850 3,5 500
micrômetros
Fibra multimodo 50/125 1.300 1,5 500
micrômetros
Fibra multimodo 62,5/125 850 3,5 160
micrômetros
Fibra multimodo 62,5/125 1.300 1,5 500
micrômetros
Monomodo – cabos de 1.310 1,0 Não se aplica
uso interno

136
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Monomodo – cabos de 1.550 1,0 Não se aplica


uso interno
Monomodo – cabos de 1.310 0,5 Não se aplica
uso externo
Monomodo – cabos de 1.550 0,5 Não se aplica
uso externo

Fonte: Marin (2013, p. 109).

Observação

A largura de banda modal, também conhecida como dispersão modal, é


a especificação da largura de banda das fibras ópticas multimodo.

As medições dos testes nos segmentos de cabos de fibra óptica são feitas por um instrumento
conhecimento pelo seu acrônimo OTDR (Optical Time Domain Reflectometer), que significa refletor
óptico no domínio do tempo. O OTDR injeta pulsos de sinais luminosos no núcleo da fibra óptica para
medir o seu comprimento utilizando o princípio da reflectometria no domínio no tempo. O pulso
gerado pelo OTDR é transmitido para o destino e refletido de volta, possibilitando a verificação do
cabeamento óptico.

Os OTDR conseguem localizar os pontos de falhas nos enlaces, porque cada vez que o pulso de
luz encontra quaisquer emendas, acompladores e até descontinuidades, o sinal é refletido de volta
para a origem.

Na medição de atenuação, é comum o uso de um método, descrito nas normas, chamado de jumper
de referência. A figura a seguir ilustra esse modelo de teste:

Jumper de teste 1 Power meter


(J1) Enlace óptico
sob teste
Fonte
óptica

Acoplador
Acoplador óptico Jumper de teste 2
óptico (J2)

Figura 97

A atenuação total em sistemas de cabeamento estruturado que utilizam fibras ópticas é a somatória
dos seguintes itens:

• atenuação das emendas;


• atenuação dos acopladores ópticos;
• atenuação do segmento de cabos.
137
Unidade IV

As normas especificam valores de referência para atenuação máxima na emenda óptica em 0,3 dB.
Para os acopladores ópticos, a atenuação máxima é de 0,75 dB.

Saiba mais
Para conhecer mais sobre testes no cabeamento estruturado, leia o
capítulo 6 de:
MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do
projeto à instalação. 4. ed. São Paulo: Erica, 2013.

8.2 Práticas de instalação e gerenciamento do cabeamento estruturado

8.2.1 Projetos em cabeamento estruturado

Para uma boa prática de instalação, é necessário o estabelecimento de um projeto de cabeamento


estruturado. Por isso, é preciso entender um pouco o que vem a ser um projeto.

Dinsmore e Barbosa (2009) afirmam que um projeto é como um empreendimento único temporário,
ou seja, com início e fim determinados, utilizando recursos e conduzido por pessoas, com a finalidade de
criar um produto ou serviço único.

Monteiro (2008) cita a definição de projeto dada pelo Conjunto de Conhecimento para Gestão
de Projetos (PMBOK – Project Management Body of Knowledge): um empreendimento de caráter
temporário com atividades relacionadas e executadas progressivamente para atingir uma meta definida,
com um produto ou serviço único.

Rabechine Junior et al. (2002) citam que projeto é um processo único, consistindo de um grupo de
atividades coordenadas e controladas com datas para início e término, composto de pessoas dedicadas
que visam atingir a um propósito ou objetivo específico.

Partindo das definições apontadas por esses autores, percebe-se pelo menos três características
inerentes à definição de projeto. São elas:

• Temporal: essa característica denota a limitação de tempo inerente a um projeto, ou seja, ele
tem “dia e hora” para iniciar e para acabar.
• Exclusividade: entregável, seja produto, seja serviço, produzido por um projeto é algo único,
exclusivo, diferente de qualquer outro produto ou serviço já visto.
• Objetiva: um projeto sempre tem uma meta/objetivo definido.

Em um projeto de cabeamento estruturado, observamos essas três características, porque normalmente


são estabelecidos prazos de início e fim de implantação dos sistemas e subsistemas. Também observamos que
138
CABEAMENTO ESTRUTURADO

os projetos de cabeamento não são iguais, cada um tem a sua particularidade. Sobre a característica objetivo,
é possível entender que o projeto de cabeamento estruturado sempre tem uma meta a cumprir.

As realidades que envolvem os projetos de forma geral (não somente em cabeamento estruturado)
envolvem pessoas, processos, ferramentas e práticas que sem as quais não é possível atingir os objetivos
ligados a eles.

Os autores Marques Junior e Plonski (2011) afirmam que os projetos têm papel preponderante na
estratégia organizacional, comportando-se como vetores de mudanças e inovações, trazendo vantagens
competitivas para as empresas.

Dinsmore e Barbosa (2009) afirmam ainda que o ciclo de vida de um projeto é composto de fases,
que são determinadas por características específicas e necessidades de cada projeto.

A quantidade de fases de um projeto depende da complexidade do projeto e da área, mas, de um


modo geral, as fases são quatro: concepção e início do projeto; planejamento e organização do trabalho
do projeto; execução do trabalho do projeto; encerramento e conclusão do projeto.

A figura a seguir mostra as etapas do ciclo de vida de um projeto:

3
Execução 4
Conclusão
1
Planejemento
1
Concepção/
Iniciação

Figura 98

A primeira etapa engloba a identificação de necessidades, problemas ou oportunidades que


podem resultar em um projeto. A segunda etapa envolve o desenvolvimento e o planejamento
da solução proposta para a necessidade e o problema outrora apresentados. A terceira etapa é a
execução do projeto, ou seja, a implementação da solução proposta. A quarta etapa é a final, em
que o projeto é encerrado.

Especificamente, a primeira etapa (iniciação) de um projeto de cabeamento estruturado ocorre


a partir de informações importantes, oriundas do cliente e de sua engenharia, que podem e devem
repassar as seguintes informações:

• Projeto de arquitetura do local onde o sistema de cabeamento estruturado será instalado, de


forma a identificar os espaços de telecomunicações e as áreas de trabalho.

139
Unidade IV

• Projeto de distribuição elétrica, ar-condicionado, segurança, circuito fechado de TV, automação


do edifício, dentre outros.

• Projeto de localidades apresentando requisitos e informações importantes sobre as áreas do


edifício.

• Aplicações a serem implementadas no subsistema de cabeamento estruturado.

• Fator de crescimento da rede de computadores.

Após a coleta das informações prestadas pela engenharia e pelo usuário, executa-se uma visita de campo,
a fim de confirmar os dados repassados anteriormente pela engenharia e pelo usuário. Esse trabalho contribui
para o estabelecimento de um escopo de atividades e integra a etapa de planejamento do projeto.

É ainda na etapa planejamento que são mapeadas as premissas e as restrições do projeto de


cabeamento estruturado. As premissas são suposições consideradas verdadeiras, certas e reais para
propósitos de planejamento, afetando diversos aspectos do projeto. Elas precisam ser validadas e
analisadas no intuito de descobrir os impactos que podem causar nos projetos, além de terem um
profundo envolvimento com a gestão de riscos de um projeto. As restrições são fatores limitantes para
a equipe de projeto e o gerente de projetos.

Na próxima etapa, chamada de execução, o cabeamento estruturado é implementado conforme


definido no plano de gerenciamento de projetos, utilizando as melhores práticas de instalação dos
subsistemas de cabeamento estruturado e espaço de telecomunicações e respeitando todas as normas.
Ainda na fase de execução, é efetuada uma constante verificação do desempenho, estabelecendo os
parâmetros de testes utilizados, bem como as certificações do cabeamento (caso sejam de pares metálicos).

Para a conclusão do projeto, são efetuadas todas as documentações do cabeamento estruturado


e armazenadas todas as lições aprendidas nesse projeto, a fim de que projetos futuros não tenham os
mesmos problemas.

Um projeto de cabeamento estruturado chega ao seu sucesso quando atende a pelo menos três
condições fundamentais: tempo (execução dentro do prazo estipulado); custo (execução dentro do
custo desenhado); escopo (com a qualidade planejada, de acordo com os requisitos de negócios e dentro
das expectativas dos clientes).

Esses fatores de sucesso são descritos por meio da restrição tripla, representada por um triângulo
que indica um perfeito equilíbrio entre três itens: prazo, custo e escopo.

Seja qual for a combinação das três restrições, sempre é preciso levar em consideração o adequado
equilíbrio, no intuito de alcançar a satisfação do cliente dentro da qualidade almejada por ele.

Essas três restrições podem impactar os objetivos e o sucesso dos projetos, e também cada uma
delas pode influenciar outras, uma vez que:

140
CABEAMENTO ESTRUTURADO

• Diminuindo-se o prazo do projeto, haverá um aumento de custo ou uma redução do escopo.

• Diminuindo-se o custo, haverá um aumento do prazo ou redução no escopo.

• Aumentando-se o escopo, haverá um aumento de prazo ou aumento de custo do projeto.

A figura a seguir mostra a restrição tripla:

Cu
op
Qualidade

sto
Esc
e satisfação
do cliente

Prazo

Figura 99

8.2.2 Metodologia para gerenciamento de projetos

Uma das metodologias mais utilizadas para gerenciamento de projetos é o PMBOK (Project
Management Body of Knowledge). Ele foi elaborado pelo Project Management Institute (PMI)
conjuntamente com diversos profissionais e especialistas filiados; há diversas versões e atualizações
publicadas desde a sua primeira versão em 1996.

O PMBOK fornece vocabulário comum aos gerentes de projetos, assim como um guia de processos,
ferramentas e técnicas que são extremamente úteis na condução dos projetos de uma organização.

O Guia PMBOK é o padrão para gerenciar a maioria dos projetos na


maior parte das vezes em vários tipos de setores econômicos. Descreve os
processos, ferramentas e técnicas de gerenciamento de projetos usados
até a obtenção de um resultado bem-sucedido. Esse padrão é exclusivo ao
campo de gerenciamento de projetos e tem relacionamento com outras
disciplinas de gerenciamento de projetos, como gerenciamento de programas
e gerenciamento de portfólios. Os padrões de gerenciamento de projetos
não abordam todos os detalhes de todos os tópicos. Esse padrão limita-se a
projetos individuais e aos processos de gerenciamento de projetos amplamente
reconhecidos como boa prática (PMI, 2008, p. 14).

Segundo Fernandes e Abreu (2012), o método do PMBOK pode ser utilizado nos mais variados
projetos possíveis, incluindo os de Tecnologia da Informação (TI).

A ênfase do modelo é sobre a gestão de projetos e não sobre a engenharia


do produto resultante do projeto. Por exemplo, podemos utilizar o modelo

141
Unidade IV

para a gestão de projetos de software e sistemas, mas não para o processo


metodológico do desenvolvimento do software. O PMBOK, para ser utilizado
de forma consistente em uma organização de TI, necessita de adaptações
em função dos tipos, portes e riscos dos projetos. Além do mais, deve ser
estabelecido um processo de gerenciamento de projetos que interligue,
de forma lógica e coerente, as boas práticas entre si. Adicionalmente,
formulários específicos devem ser elaborados para o uso do processo. O
modelo também pode ser aplicado em ferramentas de gerenciamento de
projetos existentes no mercado, sendo que algumas ferramentas podem
apoiar total ou parcialmente as boas práticas do modelo. Como toda
inovação, a implantação do gerenciamento de projetos na organização
também não é uma tarefa fácil. Necessita de forte comprometimento
das lideranças da organização e dos executivos e gerentes (FERNANDES;
ABREU, 2012, p. 365).

O PMBOK recomenda que os projetos sejam gerenciados em ciclos de vidas, que incluem um conjunto
de processos que necessitam ser seguidos para a boa administração do projeto. Esses processos se
dividem em cinco grandes grupos de gerenciamento de processos relacionados, que são:

• grupo de processos de iniciação;

• grupo de processos de planejamento;

• grupo de processos de execução;

• grupo de processos de monitoramento e controle;

• grupo de processos de encerramento.

O mapeamento dos grupos de processos do gerenciamento de projetos pode ser visto na figura a seguir:

Monitoramento
e controle
Planejamento

Iniciação Encerramento

Execução

Figura 100

142
CABEAMENTO ESTRUTURADO

O grupo de processos de iniciação reúne os processos de definição de um novo projeto ou nova fase
do projeto, incluindo as aprovações para comprometimento dos recursos organizacionais necessários ao
início de um projeto ou de uma fase específica.

O grupo de processos de planejamento inclui os processos que estabelecem o escopo total do esforço,
determinando um planejamento, bem como revisitando e refinando as metas e objetivos do projeto.
Essa é uma das fases mais importantes de um ciclo de vida de gerenciamento de projetos

O grupo de processos de execução é composto de processos que concretizam os planos de


projeto. Assegura, também, que a execução do processo permaneça sincronizada com os objetivos
e as metas definidas.

O grupo de processos de monitoramento e controle efetua as avaliações de desempenho e as analisa,


visando regular, rever e controlar o progresso do desempenho do projeto.

O grupo de processos de encerramento tem a responsabilidade de terminar formalmente


e ordenadamente as atividades de uma fase ou do projeto propriamente dito. Em muitas
situações, a esse grupo de processo é dispensada pouca atenção, o que prejudica o alinhamento
final do projeto.

A progressão pelos grupos de processos do gerenciamento de projetos


tem as mesmas características que a progressão pelas fases do projeto.
Isto é, os custos são mais baixos durante os processos de iniciação, e
poucos membros da equipe estão envolvidos. No grupo de processo de
execução, o custo e o número de pessoas participantes aumentam e
voltam a diminuir conforme o projeto se aproxima do encerramento. As
chances de sucesso são mínimas durante a iniciação e muito grandes
durante o encerramento. As chances de risco são maiores durante os
processos de iniciação, planejamento e execução, mas o impacto dos
riscos é maior durante os últimos processos. As partes interessadas têm
maior influência durante os processos de iniciação e planejamento e
veem essa influência diminuir ao longo dos processos de execução,
monitoramento e controle e encerramento (HELDMAN, 2009, p. 30).

Os processos dos grupos de processos interagem e se sobrepõem uns aos outros, de formas muitas
vezes iterativas, devendo ser revisitados várias vezes ao longo do ciclo de vida. Esses processos produzem
saídas que são entradas em outros processos, inclusive de grupos diferentes, conforme pode ser verificado
na figura a seguir:

143
Unidade IV

Iniciação

Planejamento

Execução

Monitoramento e
controle

Encerramento

Figura 101

Além dos grupos de processos, o modelo PMBOK é constituído por nove áreas de conhecimento
em gerenciamento de projetos: gerenciamento da integração do projeto; gerenciamento do escopo do
projeto; gerenciamento do tempo do projeto; gerenciamento dos custos do projeto; gerenciamento da
qualidade do projeto; gerenciamento dos recursos humanos do projeto; gerenciamento das comunicações
do projeto; gerenciamento dos riscos do projeto; gerenciamento das aquisições do projeto.

Do relacionamento entre as áreas de conhecimento e os grupos de processos, encontram-se os


processos de gerenciamento de projetos, conforme visto a seguir:

• Área de conhecimento: gerenciamento da integração do projeto:

— Processo de iniciação: desenvolver o termo de abertura do projeto.


— Processo de planejamento: desenvolver o plano de gerenciamento do projeto.
— Processo de execução: orientar e gerenciar a execução do projeto.
— Processos de monitoramento e controle: monitorar e controlar o trabalho do projeto; realizar
o controle integrado do projeto.
— Processo de encerramento: encerrar o projeto ou fase.

• Área de conhecimento: gerenciamento do escopo do projeto:

— Processos de planejamento: coletar requisito; definir escopo; criar EAP.


— Processos de monitoramento e controle: verificar escopo; controlar escopo.

• Área de conhecimento: gerenciamento do tempo do projeto:

— Processos de planejamento: definir atividades; sequenciar atividades; estimar os recursos das


atividades; estimar a duração das atividades; desenvolver o cronograma.
144
CABEAMENTO ESTRUTURADO

— Processo de monitoramento e controle: controlar o cronograma.

• Área de conhecimento: gerenciamento dos custos do projeto:

— Processos de planejamento: estimar os custos; determinar o orçamento.

— Processo de monitoramento e controle: controlar os custos.

• Área de conhecimento: gerenciamento da qualidade do projeto:

— Processo de planejamento: planejar a qualidade.

— Processo de execução: realizar a garantia da qualidade.

— Processo de monitoramento e controle: realizar o controle da qualidade

• Área de conhecimento: gerenciamento de recursos humanos do projeto:

— Processo de planejamento: desenvolver o plano de recursos humanos.

— Processos de execução: mobilizar a equipe do projeto; desenvolver a equipe do projeto;


gerenciar a equipe do projeto.

• Área de conhecimento: gerenciamento das comunicações do projeto:

— Processo de iniciação: identificar as partes interessadas.

— Processo de planejamento: planejar as comunicações.

— Processos de execução: distribuir informações; gerenciar as expectativas das partes interessadas.

— Processos de monitoramento e controle: reportar o desempenho.

• Área de conhecimento: gerenciamento dos riscos do projeto:

— Processos de planejamento: planejar o gerenciamento de riscos; identificar os riscos;


realizar a análise qualitativa dos riscos; realizar a análise quantitativa dos riscos; planejar
a resposta aos riscos.

— Processo de monitoramento e controle: monitorar e controlar os riscos.

• Área de conhecimento: gerenciamento de aquisições do projeto:

— Processo de planejamento: planejar as aquisições.

— Processo de execução: conduzir as aquisições.

145
Unidade IV

— Processo de monitoramento e controle: administrar as aquisições.


— Processo de encerramento: encerrar as aquisições.

8.2.3 Práticas de instalação do cabeamento estruturado com pares trançados

Com o objetivo de garantir o desempenho dos sistemas de cabeamento estruturado, várias


especificações de práticas de instalação dos subsistemas são aconselhadas na etapa de execução do
projeto. Essas práticas mencionam desde o uso do ferramental adequado até a forma de utilização e
implementação do cabeamento propriamente dito.

Recomenda-se na instalação do cabeamento estruturado a observação dos seguintes itens:

• observar a utilização dos forros falsos e dos pisos elevados;

• verificar os problemas de compatibilidade e interferência eletromagnética que podem surgir no


encaminhamento inadequado dos cabos em infraestrutura compartilhada com a rede elétrica;

• efetuar de forma adequada os processos de testes e certificação do cabeamento estruturado


antes da entrega do produto final ao cliente;

• garantir a inexistência de tradicionais problemas envolvendo o cabeamento de cobre e/ou


óptico, tais como: cabos com capas danificada; curvaturas excessivas; cabos estrangulados por
amarras e abraçadeiras; caixas de superfície soltas.

Na instalação do cabeamento de cobre, as normas recomendam envolver pouca tensão nas cintas
que organizam os cabos e desencorajam o uso de abraçadeiras plásticas, apresentando as fitas de velcro
como opção.

Outro importante detalhe, ainda no cabeamento de par metálico, é o raio de curvatura. Este é um
dos parâmetros mais críticos na instalação do cabeamento. A tabela a seguir apresenta a recomendação
de raios mínimos de curvatura:

Tabela 16

Raio mínimo de curvatura (em


Tipo de cabo repouso e instalado)
U/UTP 4 pares 4x o diâmetro externo
F/UTP e S/FTP 4 pares 8x o diâmetro externo
U/UTP multipares 10x o diâmetro externo
U/UTP patch cord 6 mm
F/UTP e S/FTP patch cord 50 mm

Fonte: Marin (2013, p. 71).

146
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Observação
Caso o segmento de cabo seja dobrado além de suas especificações, seu
desempenho ficará comprometido.

As imagens a seguir apresentam raios de curvatura corretamente estabelecidos em um sistema de


cabeamento estruturado:

Figura 102

Sobre a tensão máxima de tração no puxamento dos cabos, os fabricantes e as normas apontam as
suas especificações, mas essa não é uma grande preocupação. A recomendação é sempre a utilização do
bom senso no emprego da força para puxar cabos.

O destrançamento é mais um critério que precisa ser observado para que o balanceamento elétrico
não seja afetado. Para cabos de categoria 3, recomenda-se o destrançamento na terminação no valor de
75 mm. Para os cabos de categoria 5e e superiores, a recomendação é destrançar 13 mm.

O cabo precisa ser decapado corretamente, bem como crimpado de forma adequada, com o
ferramental recomendado para as atividades que envolvem o cabeamento estruturado. A figura seguir
apresenta algumas dessas ferramentas:

Figura 103

147
Unidade IV

As normas também recomendam sobras de cabos tanto na área de trabalho (30 cm) quanto nos
espaços de telecomunicações (3 metros). Essas sobras são destinadas a manutenções necessárias no
sistema de cabeamento estruturado.

Sobre a construção de patch cords, as normas não recomendam sua construção pelo instalador. Não
obstante, há uma prática de mercado em que se autoriza esse procedimento quando todos os recursos
utilizados procedem do mesmo fabricante.

A qualidade das conexões é de grande importância para um sistema de cabeamento estruturado


de qualidade. Por isso, é fundamental que as ferramentas de inserção/conectorização (punch down e
alicate de crimpar) estejam em perfeito estado de uso. A figura a seguir ilustra essas ferramentas:

Figura 104

8.2.4 Práticas de instalação do cabeamento estruturado com fibras ópticas

Para a instalação de cabeamento estruturado envolvendo cabos e conectores ópticos, é importante


considerar que as fibras são instaladas aos pares (TX e RX), considerando sempre a ordem direta de
conexões, em ambas as extremidades. A figura a seguir apresenta essa ideia:
Distribuidor de edifício Distribuidor de piso
Vista frontal Conexão (vista lateral) Conexão (vista lateral) Vista frontal
1 1
B A
A B
2 2
3 3
B A
A B
4 4

N. ímpar N. par
B A
A B
N. par N. ímpar
Acopladores Numeração Numeração Acopladores
B para A consecutiva consecutiva A para B
Legenda
Conector SC simplex Posição A Fibras pares
Acoplador 568SC Posição B Fibras ímpares

Figura 105

148
CABEAMENTO ESTRUTURADO

A instalação pode ser feita dessa maneira porque os acopladores ópticos são instalados na ordem
inversa, conforme visto na figura anterior.

Os raios de curvatura nas fibras ópticas são ainda mais críticos. A tabela a seguir apresenta as
particularidades de raio de curvatura nas fibras ópticas:

Tabela 17

Raio mínimo de Raio mínimo de


Subsistema de Número de fibras curvatura em curvatura durante a
cabeamento no cabo repouso (cm) instalação (cm)
Backbone de edifício Até 12 10,5 7,0
Backbone de edifício Até 24 15,5 10,5
Backbone de edifício Até 84 22,5 15,0
Backbone de campus Até 48 26,5 17,5
Backbone de campus Até 72 30,5 20,5
Backbone de campus Acima de 200 29,5 19,0
Horizontal 2 6,5 4,5
Horizontal 4 7,2 4,8

Fonte: Marin (2013, p. 76).

Na implementação do cabeamento estruturado utilizando fibras ópticas, é necessária, em muitas


situações, a execução de emendas usando a técnica de fusão. Para compreender bem esse processo,
é bom recordar e aprofundar a construção de um cabo óptico. A figura a seguir resgata o conceito
construtivo e apresenta um pouco mais de detalhes:
Kevlar

Acrilato

Fibra
Buffer
Capa

Figura 106

Para executar esse processo, é necessária uma máquina de fusão de fibras ópticas de alta precisão,
que efetua a fusão em dois passos: alinhamento dos núcleos das fibras ópticas e geração do arco
voltaico capaz de fundir as fibras e soldá-las umas às outras.

As etapas a seguir precisam ser cumpridas no processo de fusão:

• Etapa 1: decapagem do cabo óptico: deve-se remover um metro da capa do cabo.


• Etapa 2: remoção de resíduos: deve-se remover todos os resíduos da fibra decapada, além de
retirar toda poeira, a fim de garantir que a fusão tenha alto grau de qualidade.
149
Unidade IV

• Etapa 3: remoção do buffer: deve-se remover 10 cm do buffer de cada fibra, individualmente,


e proceder com uma limpeza.

• Etapa 4: remoção da cobertura da fibra: deve-se remover 5 cm da cobertura da fibra óptica.

• Etapa 5: inserção do tubete: deve-se inserir um tubete com uma barra de reforço da fusão para
que ele cubra a emenda após a fusão. Esse tubete é um material termorretrátil que se molda à
fusão sob aquecimento. A barra metálica confere uma resistência maior à emenda. A figura a
seguir apresenta o tubete:
Tubete de proteção Fibra óptica

Fibra óptica
Emenda por fusão
Barra de reforço da fusão
a) Detalhe da instalação do tubete sobre a) Exemplo de um tubete para
a emenda para proteção mecânica proteção de emenda óptica

Figura 107

• Etapa 6: clivagem e limpeza da fibra: a fibra é clivada e limpada com um pano embebido de
álcool isopropílico e colocada na máquina de fusão.

• Etapa 7: fusão: as fibras são colocadas, juntamente com o tubete e sua barra de reforço, na
máquina de fusão, que efetua a emenda óptica.

Saiba mais

Para conhecer mais sobre o processo de fusão das fibras ópticas, leia o
capítulo 5 de:

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do


projeto à instalação. 4. ed. São Paulo: Erica, 2013.

8.2.5 Encaminhamento de cabos

As normas ANSI/TIA-569-C e ISO/IEC 18010 mencionam as recomendações necessárias ao


encaminhamento de cabos em edifícios comerciais, determinando a infraestrutura de calhas, canaletas,
dutos, dentre outros.

A figura a seguir mostra uma série de materiais utilizados no encaminhamento de cabos:

150
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Figura 108

As normas indicam que os cabos precisam ser encaminhados em compartimentos somente a eles
dedicados, ou seja, sem quaisquer tipos de compartilhamentos. Os caminhos trilhados pelos cabos
devem estar adequados às características do ambiente, respeitando as proibições das normas.

Para a capacidade dos caminhos, é necessário observar as seguintes recomendações:

• Suportes tipo gancho ou anel devem ter a sua capacidade limitada para não gerar deformações
geométricas nos cabos. A figura a seguir mostra esse tipo de suporte:

Figura 109

151
Unidade IV

• Ocupação de apenas 50% da capacidade das eletrocalhas. A figura a seguir mostra


essa eletrocalha:

Figura 110

• Ocupação inicial de canaletas aparentes e de mobiliários em torno de 40% e com ocupação


final de 60%:

Figura 111

• Para eletrodutos fechados, a ocupação inicial será de 30% e a ocupação final de 50%,
observando o que dizem as normas e o que está descrito na tabela a seguir:

Tabela 18

Número máximo de cabos baseado na ocupação de 30%


Diâmetro do
eletroduto Diâmetro externo do cabo (mm)
em mm
3,3 4,5 5,6 6,1 7,4 7,9 9,4 13,5
16 (½ ) 1 1 0 0 0 0 0 0
21 ( ¾ ) 6 5 4 3 2 2 1 0
27 (1) 8 8 7 6 3 3 2 1
41 (1 ½ ) 20 18 16 15 7 6 4 2
53 (2) 30 26 22 20 14 12 7 4
63 (2 ½ ) 45 40 36 30 17 14 12 7
78 (3) 70 60 50 40 20 20 17 7
103 (4) 30 14

Fonte: Marin (2013, p. 85).

152
CABEAMENTO ESTRUTURADO

8.2.6 Administração do cabeamento estruturado

O objetivo principal da administração do cabeamento estruturado é fazer com que a organização de


todos os subsistemas e espaços de telecomunicações sejam conservados, tenham uma longa vida útil e
obedeçam sempre a padrões e normas nacionais e internacionais.

É possível utilizar uma série de boas práticas de gestão de infraestrutura de Tecnologia da Informação.
Não obstante, o cabeamento estruturado é dotado de algumas particularidades que precisam ser
consideradas para uma adequada gestão desse recurso.

Dentre essas considerações, convém destacar:

• utilização de identificações dos componentes do sistema de cabeamento estruturado, sejam


subsistemas, sejam espaços de telecomunicações;

• construção de registros e relatórios dos seus elementos;

• adoção de um plano de conservação dos ambientes de telecomunicações;

• estabelecimento de um plano de manutenção preventiva nos subsistemas de cabeamento


estruturado;

• especificação gráfica do sistema, envolvendo simbologias e topologias;

• plano de verificação das questões de cabeamento estruturado relacionadas às instalações elétricas.

As administrações do cabeamento estruturado, bem como as suas especificações, reconhecem


quatro classes de gerenciamento com as suas particularidades. São elas: classe I; classe II;
classe III; classe IV.

A classe I é caracterizada por ter espaços atendidos por uma única sala de equipamentos e não há
sala de telecomunicações, cabeamento de backbone ou sistemas de cabeamento de planta externa.
Devido à simplicidade da infraestrutura gerenciada, os encaminhamentos não precisam integrar o
sistema de gerenciamento.

A classe II é caracterizada por ter um único edifício com várias salas de telecomunicações, e os
encaminhamentos não fazem parte do sistema de gerenciamento do cabeamento estruturado.

A classe III é caracterizada por ter uma infraestrutura de campus dotada de uma planta externa
de cabeamento.

A classe IV é caracterizada por ter uma infraestrutura com vários campi em um único sistema
de gerenciamento.

153
Unidade IV

A tabela a seguir resume as identificações que precisam existir em cada classe de gerenciamento:

Tabela 19

Identificação Classe I Classe II Classe III Classe IV


Identificador dos espaços de telecomunicações X X X X
Identificadores de enlaces horizontais X X X X
Identificador do barramento de aterramento X X X X
principal de telecomunicações
Identificador do barramento de aterramento X X X X
de telecomunicações
Identificador do cabo de backbone X X X
de edifício
Identificador dos pares ou fibras ópticas do X X X
backbone de edifício
Identificador do sistema de proteção contra X X X
incêndio
Identificador dos edifícios X X
Identificador dos cabos de backbone X X
de campus
Identificador dos pares ou fibras ópticas do X X
backbone de campus
Identificador do campus ou localidade do X
edifício

Fonte: Lima Filho (2014, p. 154).

Resumo

Esta unidade teve como foco os espaços em sistemas de cabeamento


estruturado e a implementação do cabeamento estruturado, envolvendo
métodos e técnicas de instalação e gerenciamento.

Foram estudados os principais espaços em sistemas de cabeamento


estruturado, que são as áreas de trabalho e os espaços de telecomunicações.
Os espaços de telecomunicações encontrados nas organizações são: sala de
telecomunicações, sala de equipamentos e infraestrutura de entrada. Também
foram mencionadas as suas especificações, requisitos e diversas recomendações
feitas pelas normas vigentes para sistemas de cabeamento estruturado.

A partir da implementação do cabeamento estruturado, foram


analisados os testes mais utilizados nos cabos de pares metálicos e de fibra
óptica. Ainda, discutiu-se a prática de gestão de projetos em cabeamento
estruturado, mostrando um pouco da metodologia em gestão de projetos
de uma forma geral.

154
CABEAMENTO ESTRUTURADO

Para finalizar, contemplaram-se as práticas de instalação propriamente


dita e houve uma abordagem sobre a administração dos sistemas de
cabeamento estruturado.

Exercícios

Questão 1. A ISO/IEC 14763‑2 e ISO/IEC 18010 recomendam para a sala de telecomunicações:

I – Sistema de climatização 24 horas, 365 dias por ano, com temperaturas variando entre 18º e 24º
C e uma umidade entre 30% e 55%.

II – Iluminação com no mínimo 540 luxes.

III – Aterramento ligado ao sistema de aterramento do prédio.

IV – Distribuição do cabeamento aérea, evitando uso de teto falso.

Estão corretas as afirmativas:

A) I e IV, apenas.

B) II e III, apenas.

C) I, II e IV, apenas.

D) I, III e IV, apenas.

E) I, II, III e IV.

Resposta correta: alternativa E.

Análise das afirmativas

Justificativa geral: recomendações da ISO/IEC 14763‑2 e ISO/IEC 18010 para a sala de


telecomunicações são:

• Sistema de climatização 24 horas, 365 dias por ano, com temperaturas variando entre 18º e 24º C
e uma umidade entre 30% e 55%.

• Iluminação com pelo menos 540 luxes, de forma que não haja problemas na manutenção
do cabeamento.

• Aterramento ligado ao sistema de aterramento do prédio.


155
Unidade IV

• Porta de acesso da sala com, no mínimo, 910 mm por 2.000 mm.

• Ambiente controlado, fechado e com acesso limitado para pessoas autorizadas.

• Situada em uma área do pavimento cujo acesso seja independente do acesso a outros espaços.

• Distribuição do cabeamento aérea, de preferência sem o uso de teto falso.

Ao observar as afirmativas da questão, é possível verificar que as recomendações nelas contidas


pertencem ao rol de recomendações apontadas pelas ISO/IEC 14763‑2 e ISO/IEC 18010. Assim, todas as
afirmativas estão corretas.

Questão 2. Para ser certificado o cabo de par metálico deve ser aprovado em alguns testes. Assinale
a alternativa que apenas apresenta testes aos quais os cabos devem ser submetidos:

A) Diafonia; diâmetro de eletrocussão e relação diafonia/atenuação.

B) Alien crosstalk; perda de retorno e perda de envio.

C) Atraso de propagação; delay skew e delay wifi.

D) Wiremap; comprimento e perda de inserção.

E) Alien crosstalk; altura de jump e perda de envio.

Resolução desta questão na plataforma.

156
FIGURAS E ILUSTRAÇÕES

Figura 1

GUSSOW, M. Eletricidade básica. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. p. 13.

Figura 2

GUSSOW, M. Eletricidade básica. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. p. 16.

Figura 3

GEBRAN, A. P.; RIZZATO, F. A. P. Instalações elétricas prediais. Porto Alegre: Bookman, 2017. p. 12.

Figura 4

GUSSOW, M. Eletricidade básica. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. p. 21.

Figura 5

GUSSOW, M. Eletricidade básica. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. p. 50.

Figura 6

FOWLER, R. Fundamentos de eletricidade: corrente contínua e eletromagnetismo. 7. ed. São Paulo:


McGraw-Hill, 2013. V. 1. p. 54.

Figura 7

FOWLER, R. Fundamentos de eletricidade: corrente contínua e eletromagnetismo. 7. ed. São Paulo:


McGraw-Hill, 2013. V. 1. p. 54.

Figura 8

FOWLER, R. Fundamentos de eletricidade: corrente contínua e eletromagnetismo. 7. ed. São Paulo:


McGraw-Hill, 2013. V. 1. p. 57.

Figura 9

SOUZA, L. B. Redes de computadores: guia total. São Paulo: Érica, 2011. Adaptada.

Figura 10

SOUZA, L. B. Redes de computadores: guia total. São Paulo: Érica, 2011. Adaptada.
157
Figura 11

SOUZA, L. B. Redes de computadores: guia total. São Paulo: Érica, 2011. Adaptada.

Figura 12

TANENBAUM, A. S.; WETHERALL, D. J. Redes de computadores. 5. ed. Rio de Janeiro: Person Prentice Hall,
2011. p. 62.

Figura 13

TANENBAUM, A. S.; WETHERALL, D. J. Redes de computadores. 5. ed. Rio de Janeiro: Person Prentice Hall,
2011. p. 63.

Figura 14

TANENBAUM, A. S.; WETHERALL, D. J. Redes de computadores. 5. ed. Rio de Janeiro: Person Prentice Hall,
2011. p. 64.

Figura 15

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São
Paulo: Erica, 2013. p. 179.

Figura 16

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São
Paulo: Erica, 2013. p. 179.

Figura 17

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São
Paulo: Erica, 2013. p. 185.

Figura 18

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São
Paulo: Erica, 2013. p. 175.

Figura 19

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São
Paulo: Erica, 2013. p. 186.

158
Figura 20

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São
Paulo: Erica, 2013. p. 187.

Figura 21

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São
Paulo: Erica, 2013. p. 191.

Figura 22

TORRES, G. Redes de computadores. Rev. e atual. 2. ed. Rio de Janeiro: Novaterra, 2016. p. 370.

Figura 23

SHIMONSKI, R. J.; STEINER R.; SHEEDY, S. Cabeamento de rede. Rio de Janeiro: LTC, 2014. p. 91.

Figura 24

SHIMONSKI, R. J.; STEINER R.; SHEEDY, S. Cabeamento de rede. Rio de Janeiro: LTC, 2014. p. 92.

Figura 25

SHIMONSKI, R. J.; STEINER R.; SHEEDY, S. Cabeamento de rede. Rio de Janeiro: LTC, 2014. p. 95.

Figura 26

SHIMONSKI, R. J.; STEINER R.; SHEEDY, S. Cabeamento de rede. Rio de Janeiro: LTC, 2014. p. 95

Figura 27

TORRES, G. Redes de computadores. Rev. e atual. 2. ed. Rio de Janeiro: Novaterra, 2016. p. 372.

Figura 28

TORRES, G. Redes de computadores. Rev. e atual. 2. ed. Rio de Janeiro: Novaterra, 2016. p. 373.

Figura 29

TORRES, G. Redes de computadores. Rev. e atual. 2. ed. Rio de Janeiro: Novaterra, 2016. p. 374.

Figura 30

SOUZA, L. B. Redes de computadores: guia total. São Paulo: Érica, 2011. Adaptada.
159
Figura 31

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 19.

Figura 32

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 19.

Figura 33

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 19.

Figura 34

TORRES, G. Redes de computadores. Rev. e atual. 2. ed. Rio de Janeiro: Novaterra, 2016. p. 388.

Figura 35

TORRES, G. Redes de computadores. Rev. e atual. 2. ed. Rio de Janeiro: Novaterra, 2016. p. 398.

Figura 36

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 22.

Figura 37

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 23.

Figura 38

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 24.

Figura 39

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 26.

160
Figura 40

AMAZONAS, J. R. A. Projetos de sistemas de comunicações ópticas. Barueri: Manole, 2005. p. 8.

Figura 41

AMAZONAS, J. R. A. Projetos de sistemas de comunicações ópticas. Barueri: Manole, 2005. p. 9.

Figura 42

MOSHARRAF, F.; FOROUZAN, B. A. Redes de computadores: uma abordagem top-down. Porto Alegre:
AMGH, 2013. p. 586.

Figura 43

KEISER, G. Comunicações em fibras ópticas. 4. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. p. 66.

Figura 44

MOSHARRAF, F.; FOROUZAN, B. A. Redes de computadores: uma abordagem top-down. Porto Alegre:
AMGH, 2013. p. 586.

Figura 45

MOSHARRAF, F.; FOROUZAN, B. A. Redes de computadores: uma abordagem top-down. Porto Alegre:
AMGH, 2013. p. 587.

Figura 46

MOSHARRAF, F.; FOROUZAN, B. A. Redes de computadores: uma abordagem top-down. Porto Alegre:
AMGH, 2013. p. 587.

Figura 47

TORRES, G. Redes de computadores. Rev. e atual. 2. ed. Rio de Janeiro: Novaterra, 2016. p. 424.

Figura 48

TORRES, G. Redes de computadores. Rev. e atual. 2. ed. Rio de Janeiro: Novaterra, 2016. p. 424.

Figura 49

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISSO/IEC 14565: Cabeamento
Estruturado para edifícios comerciais e data centers. Rio de Janeiro, 2013. p. 18.
161
Figura 50

PINHEIRO, J. M. S. Guia completo de cabeamento de redes. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. p. 12.

Figura 51

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISSO/IEC 14565: Cabeamento
Estruturado para edifícios comerciais e data centers. Rio de Janeiro, 2013. p. 22.

Figura 52

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 36.

Figura 53

LIMA FILHO, E. C. Fundamentos de redes e cabeamento estruturado. São Paulo: Pearson, 2014. p. 141.

Figura 54

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 36.

Figura 55

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 37.

Figura 56

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 44.

Figura 57

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 42.

Figura 58

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 43.

162
Figura 59

CAETANO, S. S. Cabeamento estruturado. São José-SC: Instituto Federal Santa Catarina, 2011. p. 56.

Figura 60

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 39.

Figura 61

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 47.

Figura 62

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 48.

Figura 63

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 49.

Figura 64

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 44.

Figura 65

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 44.

Figura 66

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 45.

Figura 67

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 46.

163
Figura 68

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 69

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 70

LIMA FILHO, E. C. Fundamentos de redes e cabeamento estruturado. São Paulo: Pearson, 2014. p. 142.

Figura 71

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 72

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 73

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 74

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 75

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 76

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 77

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 78

LIMA FILHO, E. C. Fundamentos de redes e cabeamento estruturado. São Paulo: Pearson, 2014. p. 136.

164
Figura 79

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 80

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 81

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 82

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 83

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 84

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 85

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 86

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 87

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 88

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 89

Grupo Unip-Objetivo.

165
Figura 90

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 91

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 92

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 93

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 94

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 95

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 96

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 97

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 98

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 99

MONTEIRO, A. Certificação PMP. Rio de Janeiro: Brasport, 2008. p. 13. Adaptada.

Figura 100

DINSMORE, P. C; BARBOSA, A. M. C. Como se tornar um profissional em gerenciamento de projetos:


livro-base de “Preparação para certificação PMP – Project Management Professional”. Rio de Janeiro:
Qualitymark, 2009. p. 28. Adaptada.
166
Figura 101

HELDMAN, K. Gerência de projetos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. p. 32. Adaptada.

Figura 102

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 71.

Figura 103

LIMA FILHO, E. C. Fundamentos de redes e cabeamento estruturado. São Paulo: Pearson, 2014. p. 154.

Figura 104

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 73.

Figura 105

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 106

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 107

Grupo Unip-Objetivo.

Figura 108

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 86.

Figura 109

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 84.

Figura 110

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São Paulo:
Erica, 2013. p. 88.
167
Figura 111

MARIN, P. S. Cabeamento estruturado: desvendando cada passo: do projeto à instalação. 4. ed. São
Paulo: Erica, 2013. p. 85.

REFERÊNCIAS

Textuais

ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR ISSO/IEC 14565: Cabeamento
Estruturado para edifícios comerciais e data centers. Rio de Janeiro, 2013.

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livro-base de “Preparação para certificação PMP – Project Management Professional”. Rio de Janeiro:
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