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INSTALAÇÕES DE AR-CONDICIONADO – SISTEMAS CENTRAIS E UNITÁRIOS

Adilson Neponuceno de Andrade Junior1

Introdução
A boa instalação de ar-condicionado é de suma importância para o funcionamento do
sistema, para que se garanta uma satisfatória operação dos equipamentos, bem como uma boa
qualidade no ambiente e na saúde dos indivíduos que se submetem à sua exposição. Para
tanto, critérios devem ser respeitados e a NBR 16401 de 2008 é a principal ferramenta para
isso. Tal norma é dividida em três partes, cujo os assuntos são ordenados em: projetos de
instalações, parâmetros de conforto térmico e qualidade do ar.

Materiais e métodos
O presente resumo tem como metodologia, estudo bibliográfico e teórico com base na
norma da ABNT que trata das instalações de ar-condicionado a NBR 16401 de 2008.

Resultado e discussão
A NBR 16401-1:2008 determina que a elaboração do projeto das instalações de ar
condicionado, deve ocorrer de modo sucessivo e em etapas, com vistas à obtenção de uma
integração entre as atividades técnicas desenvolvidas e a edificação de forma qualificada e
satisfatória. A norma recomenda que o projetista execute e forneça os documentos de acordo
com seis estipulações que a mesma faz e além disso possibilita ao projetista suprimir algumas
dessas estipulações quando a edificação ou empreendimento já existe ou em situações em que
pretende-se aplicar reforma ou adequação em instalação já existente. Referente às
estipulações, a NBR 16401-1:2008 traz as seguintes: a) concepção inicial da instalação, que
consiste na análise conjunta entre projetista e empreendedor sobre o que se pretende, além de
coleta de informações, coleta de dados preliminares, análise comparativa, indicação das
necessidades das áreas. A norma recomenda que esta etapa deve englobar conceitualmente as
etapas de levantamento (EL), programa de necessidades (PN), estudo de viabilidade (EV) e
estudo preliminar (EP); b) definição das instalações que destina-se à evolução da concepção
das instalações e à representação das informações técnicas provisórias de detalhamento das
instalações e refere-se a etapa de anteprojeto (AP); c) identificação e solução de interfaces
que destina-se à concepção e à representação das informações técnicas das instalações já com
a soluções de interferências entre sistemas, tendo todas as suas interferências resolvidas,
referindo-se à etapa de pré-execução (PR); d) projeto de detalhamento que consolida o

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Graduando do Curso de Bacharelado em Engenharia Mecânica da Universidade Federal da Paraíba. E-mail:
adilsonnajunior@gmail.com
conceito de projeto adotado e à representação final das informações técnicas das instalações
necessárias à contratação e execução dos serviços, referindo-se as etapas de projeto básico
(PB) e projeto para execução (PE); e) projeto legal que refere-se à representação das
informações técnicas necessárias à análise e aprovação pelas autoridades competentes,
referindo-se à etapa projeto legal (PL); f) detalhamento de obra e desenhos “conforme
construído” que é uma etapa que cabe à empresa instaladora que deve realizar o detalhamento
e as adequações necessárias no projeto, modificações, fornecer e elaborar os desenhos, o
manual de operação e de instalação, os relatórios de ensaio, ajustes finais e balanceamento do
sistema. Logo após, a norma dispõe a respeito das condições climáticas e termoigrométricas
cujo o projeto deve se basear em dados climáticos e condições termoigométricas internas. A
norma apresenta o procedimento de cálculo da carga térmica, que deve abranger o
zoneamento, o cálculo das cargas térmicas de resfriamento e desumidificação como também
as cargas térmicas de aquecimento e umidificação, com a metodologia a ser utilizada pelo
projetista. No que se refere à carga térmica interna dos recintos, na envoltória devem ser
considerados fatores como o efeito do retardamento devido à inércia térmica da estrutura, bem
como o desempenho térmico dos elementos e componentes da edificação. Em relação às
fontes internas de calor e umidade, a norma dispõe que o número de pessoas esperado em
cada recinto deve ser considerado, assim como a iluminação (a forma que é montada e
estipulada), o equipamento de escritório, dos motores elétricos (sua dissipação de calor e
modo de operação), outras fontes de calor e umidade (dissipação de calor e a migração de
umidade), infiltrações. Quanto à carga térmica das unidades de tratamento de ar e
condicionadores autônomos, esta é constituída de forma a considerar a soma das cargas
térmicas das zonas, outros ganhos e perdas de calor, o ar exterior – aos quais devem ser
acrescentadas as cargas sensível e latente, do ar exterior a ser admitido no sistema. – e um
estudo psicométrico. No que se refere à carga térmica do sistema central ou do sistema multi-
split, a norma determina que igualmente devem ser consideradas questões como a soma das
unidades de tratamento de ar, outros ganhos de calor e a carga térmica de aquecimento e
umidificação, como já citado. A NBR 16401-1:2008 traz também critérios de projeto do
sistema: critérios gerais e outros específicos como o respeito à qualidade do ar interior,
adoção de soluções e dispositivos que favoreçam a conservação de energia, aspectos quanto
aos níveis de ruído (em ambientes internos da edificação, na vizinhança da edificação, nas
salas de máquinas, obediência à norma e legislação vigentes), controle de vibrações e
prevenção de incêndio. Em seguida, a norma traz critérios de seleção dos equipamentos
principais, quais sejam os grupos resfriadores de água, torres de resfriamento e condensadores
evaporativos, condensadores resfriados a ar, (adotando-se o valor correspondente à frequência
de ocorrência de 0,4% ou no mínimo 35˚ C.) sistemas centrais multisplit, unidades de
tratamento de ar, ventiladores, bombas hidráulicas e motores elétricos. Existe requisitos para a
difusão do ar e recomendações quanto a seleção das grelhas e dos difusores de acordo as
instruções do fabricante. No que se refere ao projeto de distribuição do ar, a norma recomenda
ao projetista que o traçado da rede de dutos deve ser o mais curto e direto possível, no
dimensionamento devem ser considerados fatores como diâmetro do tubo, velocidade do ar,
etc, além de apresentar três métodos: a) o método de fricção constante; b) método de
recuperação estática; e c) Método T de otimização. Quanto aos tipos e materiais de dutos, a
norma destaca: a) dutos metais; b) dutos flexíveis; e c) dutos de materiais fibrosos, quanto aos
últimos é necessário observar as exceções em que não podem ser utilizados tais tipos. O
projeto deve definir também a classe de pressão do duto, conforme tabela apresentada na
própria norma (variam de 125 a 2500), além de estipular o nível de selagem exigido e o
vazamento admissível nos dutos, a selagem (que deve atender à classe de pressão da norma),
o limite de vazamento admissível com base na tabela de recomendação de classe de
vazamento de acordo com a aplicação, trazida pela norma. Ademais, recomenda-se também
que o projeto estipule a exigência de realização de ensaios de vazamentos. A norma também
traz outras recomendações, tais quais configurações quanto às singularidades, dispositivos de
regulagem, construção e qualificação dos registros corta-fogo e corta-fumaça, bem como a
forma de isolação térmica dos dutos metálicos e tratamento acústico. De acordo com a norma,
deve se seguir também critérios de projeto para as instalações de água gelada, água quente e
água de condensação com base nas tabelas de velocidades econômicas recomendadas e a de
velocidade máxima recomendada para minimizar a erosão. Também há recomendações
relacionadas ao dimensionamento, os materiais da tubulação, o projeto da rede hidráulica,
detalhamento para execução, isolação térmica, linhas frigoríficas (de acordo com as instruções
do fabricante). Há também recomendações no que diz respeito às instalações elétricas que
devem obedecer ao disposto na NBR 5410. Quanto aos ensaios e a aprovação, a norma dispõe
sobre o procedimento a ser seguido e a sigla TAB é utilizada para identificar os trabalhos
relacionados nessa etapa. Ao dispor sobre os requisitos específicos do projeto, a norma
determina que para permitir o apropriado balanceamento da instalação, o projeto deve
especificar e mostrar nos desenhos reguladores de vazão de ar e válvulas com autoridade
sobre o fluxo com tolerância de ± 10% para elementos terminais e ramais individuais e
tolerâncias de ± 5% para dutos principais. Nas aplicações, recomenda-se nas zonas positivas,
insuflação de 0% a + 10% e para a exaustão e retorno de ar de 0% a -10%.
Para a NBR 16401-2:2008. referente aos parâmetros de conforto térmico, os fatores
que afetam o conforto térmico são os tipos de roupas utilizadas e a taxa de metabolismo
devido à atividade das pessoas. Tais fatores influenciam na determinação de parâmetros
ambientais que afetam o conforto térmico como: a temperatura de operação do evaporador, a
velocidade do ar e a umidade relativa. A forma de avaliação das condições térmicas de
conforto é feita por meio de uma escala numérica da ASHARAE, onde as sensações térmicas
são avaliadas em índices entre -3 e +3 onde zero é a sensação neutra. Os parâmetros para
determinação de uma sensação térmica aceitável têm como referência, 80% das pessoas ou
mais. Tal método utiliza como referência, grupos homogêneos de pessoas que usam roupas
típicas da estação e estão em atividade sedentária ou leve. Este parâmetro se enquadra na zona
de conforto estipulada pela ASHARAE. No caso verão, é recomendado que a temperatura
encontre-se entre 22,5° e 25,5°C, com umidade relativa do ar de 65%. A velocidade média do
ar no local não deve ser maior que 0,20 m/s para distribuição de ar convencional e 0,25 m/s
para sistema de fluxo de deslocamento. No inverno o recomendado é 21 a 23,5°C para 60%
de umidade e 21,5 a 24°C para 30% de umidade relativa. Para distribuição de ar convencional
utiliza-se 0,15m/s e para distribuição por fluxo de deslocamento o recomendado 0,20 m/s. Há
limitações a serem consideradas em relação às temperaturas e as velocidades. No caso no
plano vertical compreendido entre 0,1 e 1,1 m acima do solo, não deve ocorrer uma variação
de temperatura superior a 3K. Quando ocorrer variação gradual e contínua de temperatura, a
taxa não pode ultrapassa 0,5K por hora e seu acréscimo gradativo não deve sair dos limites de
temperaturas mencionados anteriormente em mais de 0,5K, muito menos e stagnar nele por
mais de uma hora. Além disso, a assimetria de temperatura radiante em forro quente, forro
frio, parede quente e fria devem ser inferiores a 5, 14, 23 e 10 K respectivamente. Vale
salientar, que correntes de ar em direção à nuca e ao tornozelo das pessoas não devem
ultrapassar a velocidade média estipulada anteriormente. Uma elevação na velocidade do
acima dos limites estipulados pode ser utilizar para compensar uma elevação de temperatura
superior a admissível. Essa elevação do limite não pode ser superior a 3K e a velocidade não
deve se elevar acima de 0,8m/s. Em caso de instalações novas ou suspeitas de desvios dos
parâmetros corretos é recomendado avaliar a conformidade dos parâmetros. Para isso, os
pontos de medições de temperatura de velocidade devem ser feitos no centro da zona ocupada
e nos locais desfavoráveis de obtenção de parâmetros como janela, boca de ar e portas de
acesso. A temperatura de globo deve ser obtida no chão, especificamente a 0,6 m do piso em
caso de pessoas sentadas e 1,1m no caso de pessoas em pé e no caso da temperatura média e
velocidade média, o ideal é de 0,1 e 1,1 m do piso para a mesma situação. Para medir
umidade relativa são necessário 4 medições em intervalos de 5 minutos. Na instrumentação
dos aparelhos de medição, é recomendado que a temperatura seja obtida com termômetros de
faixa de 0 a 70°C com resolução de 0,5°C no máximo. Para a umidade relativa, ela pode ser
obtida pelo higrômetro com faixa de 5 a 95% e resolução de 5% ou pela carta psicométrica. A
velocidade do ar deve ser medida por termoanemômetro com faixa de 0,1 a 0,5 m/s e
resolução de 0,05 m/s.

Quanto a NBR 16401-3:2008 refrente a qualidade do ar, ela serve para qualquer
sistema central não importando a capacidade. A norma define parâmetros e requisitos para
uma melhor qualidade do ar. Por meio dela se obitem a mínima vazão de ar a entrar na
ventilação, níveis mínimos de filtragem e requisitos técnicos de sistema. Para a ventilação ser
adequada a vazão mínima de ar externo para renovação é dimensionada considerando os
poluentes bilógicos, físicos e químicos esperados nas condições normais de operação.
Recomenda-se que a captação de ar exterior seja longe de fontes de poluição e a distância
mínima é especificada em tabela conforme o tipo de poluente. Caso isso não seja possível,
deve-se avaliar a instalação de dispositivos específicos para retirada de poluição no projeto.
A metodologia para a obtenção da vazão de entrada de ar encontra na seção 5.2.1 a 5.2.3,
onde a 5.2.1 é a vazão eficaz, 5.2.2 é a vazão a ser suprida na zona de ventilação e a 5.2.3 é a
vazão do ar exterior a ser suprida pelo sistema. A seção 5.2.3 especifica sistemas com zona de
ventilação única, múltiplas e sistema com zonas múltiplas suprindo mistura de ar exterior e ar
recirculado. A seção 6 se refere à filtragem do ar exterior que entra recinto evitando
acumulação de poluentes nos: equipamentos, dutos do sistema como também no recinto a
níveis aceitáveis. Na NBR 16401 os filtros são classificados pelo método da EN 779 onde os
filtros grossos têm eficiência determinada pelo ensaio gravimétrico. Cada aplicação tem um
nível de filtragem e esses níveis são estipulados na tabela 5 da norma. Em caso de aplicação
não listada, deve-se adotar a classe que esteja estipulada para uma aplicação similar. Quando
a aplicação for especial o recomendado é seguir uma norma específica para isso. Quando o
filtro é de no mínimo da classe G4, deve-se instalar um pré-filtro adicional para o ar exterior.
A sala de máquinas da instalação deve ser projetada de modo a facilitar manutenção. A
manutenção deve ser cuidadosamente planejada e executada pois além de garantir a
integridade dos equipamentos, ela também garante a qualidade do ar. Para isso elas devem ser
executadas de acordo com o estipulado nas ABNT NBR 13971 e 14679, obedecendo a
portaria CM/MS n° 3523 assegurando o Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC).
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 16401: Instalações de ar-
condicionado – sistemas centrais e unitários. Rio de Janeiro, 2008.