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BARROCO, M. L. S. Ética: fundamentos sócio-históricos. 3. ed.

São Paulo: Cortez,


2010. (Biblioteca básica do serviço social; v. 4).
“O sujeito ético-moral [...] que é o mesmo que ter senso ou consciência moral. Uma
ação moral consciente é aqueça em que o sujeito assume que o(s) outro(s) pode(m) ou
não sofrer as consequências por seus atos; por isso, a moral supõe o respeito ao outro
(alteridade) e a responsabilidade em relação aos resultados das ações para outros
indivíduos, grupos e para a sociedade em geral. [...] Basta pensar, por exemplo, em
atitudes éticas como a solidariedade, o companheirismo, o altruísmo, e torna-se mais fácil
entender por que o ato moral supõe a elevação acima das necessidades, desejos e paixões
singulares, por que ele exige pensar no outro e sair da condição do indivíduo egoísta,
voltado para si mesmo” (BARROCO, 2010, p. 58).
“Todavia, nem todas as ações têm implicações morais: muitas escolhas não têm
consequências para os outros, pois são opções pessoais, por exemplo, o modo de se vestir,
a opção religiosa, a orientação sexual, entre outras” (BARROCO, 2010, p. 58).
“A moral objetiva-se fundamentalmente: 1) como sistema normativo reprodutor dos
costumes, em resposta a exigências de integração social, vinculando-se ao individuo
singular e à vida cotidiana; 2) como conexão entre motivações do individuo singular e
exigências éticas humano-genéricas, vinculadas a diferentes formas de práxis, dentre elas
a práxis política” (BARROCO, 2010, p. 59).
“O sistema normativo, forma mais elementar de objetivação da moral, se realiza através
da reprodução de normas e regras de comportamento socialmente determinadas”
(BARROCO, 2010, p. 59).
“Por esses poucos exemplos, vemos como os valores morais surgem das necessidades
históricas dos homens. Uma vez instituídos, passam a se estruturar como sistema
normativo: conjunto de normas morais que visa à regulação do comportamento dos
indivíduos, tendo por finalidade atender às necessidades de sobrevivência, de justiça, de
defesa etc. da comunidade. As normas e valores também servem de orientação de valor,
de parâmetros para os juízos de valor, que visam nortear a consciência moral dos
indivíduos, compondo um código moral não escrito, cuja reprodução é realizada na vida
cotidiana, pela repetição formadora do hábito e dos costumes” (BARROCO, 2010, p. 60).
“Na sociedade de classes, já não é possível uma unidade em torno de valores e
necessidades comuns a todos os membros da sociedade, embora as classes dominantes
busquem a integração de sua orientação moral e a abstração das diferenças reais que –
brotando dos interesses socioeconômicos – perpassam pelos valores e modos de ser”
(BARROCO, 2010, p. 61)

3.3.2 Conservadorismo moral


“[...] o conservadorismo fundamenta-se na valorização do passado, da tradição, da
autoridade baseada na hierarquia e na ordem; nega a razão, a democracia, a liberdade com
igualdade, a indústria, a tecnologia, o divórcio, a emancipação da mulher, enfim, todas as
conquistas modernas” (BARRACO, 2010, p. 172).