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TEORIZAÇÃO ORGANIZACIONAL:
UM CAMPO HISTORICAMENTE
CONTESTADO

Os estudos organizacionais têm ori- para a transformação das irracionalidades


gens históricas nos escritos de pensadores humanas em comportamentos racionais
do século XIX, como Saint-Simon, que ten- (Wolin, 1961 : 378-383).
taram antecipar e interpretar as nascentes Assim, as raízes históricas dos estudos
transformações ideológicas e estruturais organizacionais estão profundamente inse-
geradas pelo capitalismo industrial (Wolin, ridas em um conjunto de trabalhos que ga-
1961). A modernização instigada pelo des- nhou expressão a partir da segunda metade
pertar do capitalismo trouxe mudanças eco- do século XIX, e que antecipava de forma
nômicas, políticas e sociais, que criaram um confiante o triunfo da ciência sobre a políti-
mundo fundamentalmente distinto daque- ca, bem como a vitória da ordem e do pro-
le em que imperavam as formas de produ- gresso coletivos concebidos racionalmente
ção e administração em pequena escala, tí- acima da recalcitrância e irracionalidade
picas das primeiras fases do desenvolvimen- humanas (Reed, 1985).
to capitalista do século XVIII e princípio do O crescimento de uma "sociedade
século XIX (Bendix 1974). Entre o fim do organizacional" representou um avanço
século XIX e o início do século XX, as gran- inexorável da razão, liberdade e justiça e
des unidades organizacionais difundiram- da possibilidade de erradicação da ignorân-
se amplamente, dominando as esferas eco- cia, coerção e pobreza. As organizações fo-
nômica, social e política, à medida que a ram racionalmente projetadas para resolver
crescente complexidade e intensidade da
atividade coletiva inviabilizavam a coorde-
nação personalizada e direta, e assim exigi-
am incrementos de capacidade administra-
tiva (Waldo, 1948). De fato, a ascensão do
"estado administrativo" simbolizou um novo
modo de organização da sociedade, em que

Tradução: Jader Cristino de Souza Silva e Marcos


Cerqueira Lima.
Revisão Técnica: Frederico Guanais, Marcos
Cerqueira Lima e Tânia Fischer.
a natureza humana foi transformada pela
organização racional e científica:
Organização como forma de poder
- esta foi a lição ensinada por Saint-Simon.
A nova ordem seria regida não mais por
homens, mas por "princípios científicos"
baseados na "natureza das coisas", e por-
tanto absolutamente independente da
von-
tade humana. Dessa forma, a promessa da
sociedade organizacional era o predomí-
nio das leis científicas sobre a subjetivida-
de humana, o que levaria ao desapareci-
mento completo do elemento político. (...)
[a organização] é o "grande instrumento"
2 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

conflitos permanentes entre as necessidades no debate sobre a natureza da organização


coletivas e as vontades individuais que vi- e quais os meios intelectuais mais adequa-
nham obstruindo o progresso social desde dos ao seu estudo (Reed e Hughes, 1992).
os dias da Grécia Antiga (Wolin, 1961). As Fundamentar-se em pressupostos de que
organizações garantiam a ordem social e a qualidades racionais e éticas são inerentes
liberdade pessoal pela combinação entre à organização moderna é algo cada vez mais
processos decisórios coletivos e interesses contestado por vozes alternativas que criti-
individuais (Storing, 1962), por meio de um cam radicalmente a objetividade e bonda-
projeto de bases científicas em que estrutu- de "naturais" das organizações (Cooper e
ras administrativas subjugassem os interes- Burrell, 1988). Se textos publicados nos
ses sectários aos objetivos coletivos institu- anos 50 e princípio dos 60 esbanjavam
cionalizados. O conflito perene entre "socie- autoconfiança na "identidade intelectual e
dade" e "indivíduo" seria permanentemen- racionalismo" de sua "disciplina" (Cf. Haire,
te superado. Enquanto Hegel fez uso da 1960; Argyris, 1964; Blau e Scott, 1963),
dialética histórica para erradicar o conflito nos trabalhos dos anos 80 e 90, predomi-
social (Plant, 1973), os teóricos organi- nam expectativas incertas, complexas e con-
zacionais depositavam sua fé na organiza- fusas sobre a natureza e o mérito dos estu-
ção moderna como a solução universal para dos organizacionais.
o problema da ordem social. Em termos kuhnianos, vivemos em
uma fase de ciência "revolucionária", não
Os organizacionistas viam a socie-
mais em uma fase de ciência "normal"
dade como um arranjo de funções, uma
construção utilitária de atividades (Kuhn, 1970). A ciência normal é domina-
integra- da pela atividade de resolver problemas e
das, ou um meio de focalizar as energias por programas de pesquisa incrementai, re-
humanas em um esforço combinado. En- alizados com base em modelos teóricos
quanto o símbolo de comunidade era a amplamente aceitos e fortemente institu-
fraternidade, o símbolo de organização cionalizados (Lakatos e Musgrave, 1970).
era Já a ciência revolucionária ocorre quando
o poder... organização significa um méto-
do de controle social, um meio de impor
ordem, estrutura e uniformização à socie-
dade (Wolin, 1961 : 343-344).
No entanto, com a compreensão
conferida pela perspectiva histórica do fi-
nal do século XX, o estudo e a prática de
organizações já são muito diferentes de an-
tes. As primeiras metanarrativas que trata-
vam da ordem coletiva e liberdade indivi-
dual por meio da organização racional e do
progresso material foram fragmentadas e
dispersas em uma grande diversidade de
"discursos" sem nenhuma força moral ou
coerência analítica (Reed, 1992). A prome-
tida garantia de progresso material e social
por meio do incremento tecnológico contí-
nuo, da organização moderna e da admi-
nistração científica hoje em dia parece cada
vez mais distante. Tanto a efetividade téc-
nica quanto a virtude moral das organiza
ções "formais" ou "complexas" são questio-
nadas por transformações intelectuais e
institucionais que estão levando-nos à frag-
mentação social, à desintegração política e
ao relativismo ético. Quem entre nós pode
dar-se ao luxo de ignorar aquilo que Bauman
chama de "padrões de ação tecnológico-bu-
rocráticos modernos e a mentalidade que
estes institucionalizam, geram, sustentam e
reproduzem" (1989 : 75), e que consistiram
nos alicerces psicossociais e nas precon-
dições organizacionais para o Holocausto?
Em suma, os estudiosos de organiza-
ção contemporâneos encontram-se numa
posição histórica e num contexto social em
que as "certezas" ideológicas e os "remen-
dos" técnicos que outrora eram o suporte
de sua "disciplina" estão sendo questiona-
dos e aparentemente já começam a recuar
TEORIZAÇAO ORGANIZACIONAL UM CAMPO HISTORICAMENTE CONTESTADO

ticas e os discursos éticos que moldaram seu


-------------------------------------------------------------- desenvolvimento e legitimaram sua essên-
os "pressupostos comuns" sobre o objeto de cia (Reed, 1992; Willmott, 1993). Tais abor-
estudo, os modelos de interpretação e o pró- dagens questionam tanto o retorno às ori-
prio conhecimento estão expostos a crítica gens quanto a celebração irrestrita da des-
e reavaliação contínuas (Gouldner, 1971). continuidade e diversidade: nem a adesão
A pesquisa e a análise são moldadas pela à onda relativista nem o recuo aos porões
busca de anomalias e contradições dentro da ortodoxia parecem futuros atraentes para
de um modelo teórico prevalecente, geran- o estudo das organizações. O primeiro pro-
do uma dinâmica intelectual interna de con- mete liberdade intelectual ilimitada, mas ao
flitos teóricos. Significa que tal disciplina é custo do isolacionismo e da fragmentação;
avassalada por conflitos internos e desacor- o segundo recai em um consenso antiqua-
dos sobre fundamentações ideológicas e do, sustentado por constante vigilância e
epistemológicas; seus vários defensores ha- controle intelectuais.
bitam e representam "mundos" paradigmá- Este capítulo adota a terceira via. Seu
ticos diferentes, entre os quais a comunica- objetivo é reconstruir a história do desen-
ção, e muito menos a mediação, tornam-se volvimento intelectual da teoria organiza-
impossíveis (Kuhn, 1970; Hassard, 1990). cional de forma a balancear contexto social
A fragmentação e a descontinuidade tor- com idéias teóricas, bem como condições
nam-se as características predominantes da estruturais com inovação conceituai. Essa
identidade e da rationale do campo de es- forma de pensar oferece a possibilidade de
tudos, ao invés da estabilidade e coesão que redescobrir e renovar um senso de visão
caracterizam a "ciência normal" (Willmott, histórica e de sensibilidade contextual que
1993). dão crédito tanto à "sociedade" quanto às
Uma forte estratégia de reação ao im- "idéias". A história dos estudos organizacio-
pacto divisor resultante da quebra com a nais e a maneira como essa história é conta-
ortodoxia funcionalista/positivista é a bus- da não são representações neutras do que
ca nostálgica das certezas do passado e do
conforto consensual que elas garantiam
(Donaldson, 1985). Essa "reação conserva-
dora" pode também requerer um consenso
político rigidamente imposto e vigiado den-
tro do campo, com o fim de reparar o teci-
do intelectual danificado por décadas de
lutas internas e restabelecer a hegemonia
teórica de determinado paradigma de pes-
quisa (Pfeffer, 1993). Tanto a forma "nos-
tálgica" quanto a "política" de conserva-
dorismo têm por objetivo resistir às tendên-
cias centrípetas desencadeadas pela luta
intelectual e promover o retorno à ortodo-
xia teórica e ideológica. Uma combinação
robusta de "volta às raízes" e "imposição
paradigmática" pode ser uma opção bastan-
te atrativa para aqueles que se sentiram per-
turbados pela fermentação intelectual que
ocorre nos estudos organizacionais.
Ao invés da "imposição paradigmá-
tica", outros acadêmicos buscam a "prolife-
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ração paradigmática" por meio do desen-


volvimento intelectual separado e do estí-
mulo a abordagens distintas dentro de do-
mínios diferentes, que não foram contami-
nados pelo contato com as perspectivas com-
petitivas (Morgan, 1986; Jackson e Carter,
1991). Essa reação à mudança so-
cial e sublevação intelectual fornece susten-
tação teórica para "experimentações lúdicas
sérias" em estudos organizacionais, nos
quais a ironia e humildade do pós-moder-
nismo substituem as obviedades sagradas
que caracterizam o modernismo racional,
incapaz de perceber que "a verdade objeti-
va não é o único caminho possível" (Gergen,
1992).
Se nem o conservadorismo, nem o
relativismo agradarem, uma terceira opção
é recontar a história da teoria organizacional
de forma a redescobrir as narrativas analí-
I4 PARTE 1 - MODELOS DE ANÁLISE ________________________________

se conseguiu no passado. De fato, qualquer contexto histórico e que está voltada para a
processo de reconstrução histórica que pre- construção e mobilização de recursos ide-
tenda servir de base às visões do presente e ais, materiais e institucionais para legitimar
do futuro é, na verdade, uma interpretação certos conhecimentos e os projetos políti-
controversa e contestada que sempre pode- cos que deles derivam. O debate teórico está
rá ser refutada. Portanto, o objetivo deste inserido em contextos intelectuais e sociais
capítulo é mapear a teoria da organização que têm um efeito crucial na forma e no
como um campo de conflitos históricos em conteúdo das inovações conceituais especí-
que diferentes línguas, abordagens e filoso- ficas, à medida que estas lutam com o obje-
fias lutam por reconhecimento e aceitação. tivo de obter aceitação dentro da comuni-
A próxima seção examina a criação e dade em geral (Clegg, 1994; Thompson e
o desenvolvimento da teoria em estudos McHugh, 1990). Como afirma Bendix, "um
organizacionais como uma atividade inte- estudo das idéias como armas para a gestão
lectual que está necessariamente envolvida de organizações poderia proporcionar um
com o contexto social e histórico em que melhor entendimento das relações entre
ela é criada e recriada. O capítulo então idéias e ações" (1974 : xx).
examinará seis modelos interpretativos que Isto não significa, contudo, que não
estruturaram o desenvolvimento do campo existam bases coletivas reconhecidas que
ao longo do último século, bem como os possam ser utilizadas para a avaliação de
contextos histórico-sociais em que eles atin- conhecimentos contraditórios. Em qualquer
giram certo grau de predominância intelec- momento histórico, os estudos organiza-
tual (sempre sujeita a contestação). A pe- cionais sempre foram constituídos por linhas
núltima seção considera as exclusões ou comuns de debate e diálogo, que estabele-
omissões mais significativas que se eviden- ceram os limites intelectuais e oportunida-
ciam nessas principais tradições narrativas. des para julgamento de novas contribuições.
O capítulo é concluído com uma avaliação O julgamento coletivo de novos e velhos tra-
de desenvolvimentos intelectuais futuros,
contextualizados dentro das formas narra-
tivas previamente esboçadas.

A ORGANIZAÇÃO DA TEORIA

Essa concepção de teorização organi-


zacional é baseada na visão de Gouldner de
que tanto o processo quanto o produto da
teoria devem ser vistos como um "processo
de ação e criação realizado por pessoas num
período histórico específico" (1980 : 9). A
análise e o debate sobre organizações e o
organizar com base em informações teóri-
cas são resultados de uma combinação pre-
cária de visão individual com produção téc-
nica situada dentro de um contexto históri-
co-social dinâmico. Como tal, a criação teó-
rica tem a responsabilidade de subverter
convenções institucionalizadas e petrifica
das em ortodoxias aceitas sem reflexão e que
portanto nunca poderão caber inteiramen-
te em modelos cognitivos e parâmetros
conceituais estabelecidos. Contudo, a pro-
babilidade de que iniciativas teóricas espe-
cíficas sejam convertidas em "mudanças de
paradigmas conceituais" mais significativas
depende muito de seu impacto cumulativo
nas comunidades e tradições intelectuais
que as mediam e recebem (Willmott, 1993).
Dessa forma, ao passo em que a criação te-
órica é sempre potencialmente subversiva
do status quo intelectual, seu impacto é sem-
pre atenuado por meio das relações conhe-
cimento/poder existentes e pela "recep-
tividade contextual", que é conferida a de-
senvolvimentos intelectuais específicos sob
condições histórico-sociais particulares
(Toulmin, 1972).
Em suma, a criação de uma teoria é
uma prática intelectual situada em dado
rEORIZAÇÃO ORGANIZACIONAL UM CAMPO HISTORICAMENTE CONTESTADO 5

balhos é feito com base em regras e normas va científica" (Thompson, 1978 : 205-206).
negociadas, das quais emergem um voca- Assim, a teoria organizacional é sujeita a
bulário e uma gramática da análise orga- procedimentos metodológicos comuns, mas
nizacional. Essa "racionalidade fundamen- que podem ser revisados, por intermédio dos
tada" (Reed, 1993) pode pecar pela falta de quais modelos e teorias explicativas são ne-
universalidade que normalmente se associa, gociados e debatidos. A interação e contes-
ainda que erroneamente (Cf. Putnam, tação de tradições intelectuais rivais impli-
1978), às chamadas ciências hard, mas mes-
mo assim ela estabelece um modelo
identificável de procedimentos e práticas
"que geram seu discurso próprio sobre pro-

Tabela 1 Narrativas analíticas em análise organizacional.

Modelo de Problemática Perspectivas ilustrativas/ Transições


metanarrativa principal exemplos contextuais
interpretatíva
Racionalidade Ordem Teoria das Organizações clássica, de Estado
administração científica, teoria da guarda-noturno
decisão, Taylor, Fayol, Simon a Estado
industrial
Integração Consenso Relações Humanas, neo-RH, de capitalismo
funcionalismo, teoria da empresarial
contingência/sistêmica, cultura a capitalismo do
corporativa, Durkheim, Barnard, bem-estar
Mayo, Parsons
Mercado Liberdade Teoria da firma, economia de capitalismo
institucional, custos de transação, gerencial
teoria da atuação, dependência de a capitalismo
recursos, ecologia populacional, neoliberal
Teoria Organizacional liberal
Poder Dominação Weberianos neo-radicais, marxismo de coletivismo
crítico-estrutural, processo de liberal
trabalho, teoria institucional, Weber, a corporativismo
Marx negociado
Conhecimento Controle Etnométodo, símbolo/cultura de
organizacional, pós-estruturalista, industrialismo/
pós-industrialista, pós-fordista/ modernidade
moderno, Foucault, Garfinkel, teoria a pós-
do ator-rede industrialismo/
pós-modernidade
Justiça Participação Ética de negócios, moralidade e OB, de democracia
democracia industrial, teoria repressiva
participativa, teoria crítica, a democracia
Habermas participativa
Tabela 1 Narrativas analíticas em análise organizacional.
Variáveis-chaves Previsões-chaves Referências-
chaves
6 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

ca a existência de entendimentos negocia- zacionais, promovendo o princípio de orga-


dos e relacionados a dado contexto e situa- nização social em que a função técnica racio-
ção histórica, que tornam a argumentação nalmente atribuída a cada indivíduo, grupo
racional possível (Reed, 1993). ou classe define sua localização socio-
Os modelos interpretativos da Tabela econômica, seu grau de autoridade e tipo
1 formam o campo intelectual de conflitos de comportamento. De acordo com Saint-
históricos em que a análise organizacional Simon, tal lógica fornece uma poderosa de-
se desenvolveu - um campo que deve ser fesa contra o conflito social e a incerteza
mapeado e atravessado levando-se em con- política, à medida que estabelece uma nova
sideração as inter-relações entre os fatores estrutura de poder baseada em capacidade
processuais e contextuais em torno dos quais técnica e na sua contribuição para o funcio-
essa área do conhecimento emergiu namento adequado da sociedade, e não de-
(Morgan e Stanley, 1993). Esses modelos rivada de fatores aleatórios ou de mercado,
conformaram o desenvolvimento dos estu- ou mesmo de privilégios de berço.
dos organizacionais por pelo menos um sé- A organização construída racional-
culo, à medida que forneceram: a gramáti- mente na forma de um instrumento dirigi-
ca por meio da qual narrativas coerentemen- do para a solução de problemas coletivos,
te estruturadas podem ser construídas e di- de ordem social ou de gestão está refletida
fundidas; os recursos simbólicos e técnicos nos escritos de Taylor (1912), Fayol (1949),
por meio dos quais a natureza da organiza- Urwick e Brech (1947) e Brech (1948). Es-
ção pode ser discutida; e um conjunto de ses trabalhos sustentam que a teoria das
textos e discursos compartilhados que po- organizações
dem ser usados para mediar debates entre
audiências leigas ou especialistas. Tais mo- "tem que ver com a estrutura de coorde-
nação imposta sobre as unidades de divi-
delos desenvolvem uma relação dialética
são do trabalho de uma empresa... A divi-
com processos históricos e sociais, como são do trabalho é o alicerce da organiza-
formas contestadas e pouco estruturadas de ção; é, de fato, a razão para que ela exis-
conceitualizar e debater aspectos chaves da ta" (Gulick e Urwick, 1937 : 3).
organização. Cada um deles é definido com
vistas à problemática central em torno da
qual eles se desenvolveram e ao contexto
histórico-social em que foram articulados.
Essa discussão, portanto, fornece uma apre-
ciação fundamentada de narrativas analíti-
cas estratégicas por meio das quais o cam-
po de estudos organizacionais é constituído
enquanto prática intelectual dinâmica,
permeada de controvérsias teóricas e con-
flitos ideológicos em torno da questão de
como a "organização" pode e deve ser.

TRIUNFO DO RACIONALISMO

Como defende Stretton, "bebemos a


racionalidade desde as primeiras gotas de
leite materno" (1969 : 406). Tal crença na
naturalidade do raciocínio calculado tem
raízes históricas e ideológicas bem defini-
das. Há uma tendência a considerar Saint-
Simon (1958) o primeiro "teórico organi-
zacional", supondo-se ter sido ele, "prova-
velmente, o primeiro a observar o surgimen-
to dos padrões organizacionais modernos,
identificando alguns de seus aspectos dis-
tintivos e insistindo na importância que eles
teriam para a sociedade que se formava...
percebeu ele que as regras básicas da socie-
dade moderna haviam sido profundamente
alteradas, de modo que organizações delibe-
radamente concebidas e planejadas viriam
a desempenhar um novo papel no mundo"
(Gouldner, 1959 : 400-401). A crença de que
a sociedade moderna é dominada por uma
"lógica da organização" é recorrente ao lon-
go de toda a história dos estudos organi-
TEOR1ZAÇÃO ORGANIZACIONAL UM CAMPO HISTORICAMENTE CONTESTADO 67 I

Os autores citados legitimam a idéia forma indispensável de poder organizado,


de que a sociedade e as unidades organi- baseado em funções técnicas objetivas e
zacionais que a constituem serão regidas por necessária para o funcionamento efetivo e
leis científicas de administração excluindo eficiente de uma ordem social fundamenta-
totalmente valores e emoções humanas da em autoridade racional-legal (Frug,
(Waldo, 1948). Princípios epistemológicos 1984; Presthus, 1975).
e técnicas administrativas transformam pre- Esses princípios estão profundamente
ceitos normativos altamente questionáveis embutidos nos fundamentos epistemoló-
em leis científicas universais, objetivas, imu- gicos e teóricos das perspectivas analíticas
táveis e portanto incontestáveis. O "indiví- que constituem o cerne conceituai dos estu-
duo racional é, e deve ser, organizado e dos organizacionais. A "administração cien-
institucionalizado" (Simon, 1957 : 101- tífica" de Taylor é direcionada ao permanen-
102). Os seres humanos tornam-se "maté- te monopólio do conhecimento organiza-
ria prima" transformada pelas tecnologias cional por intermédio da racionalização do
da sociedade moderna em membros bem desempenho do trabalho e do design fun-
comportados e produtivos da sociedade, cional. Como comenta Merkle:
pouco propensos a interferir nos planos de "ultrapassando suas origens nacionais e
longo prazo das classes dominantes e eli- técnicas, o taylorismo tornou-se um
tes. Portanto, os problemas sociais, políti- impor-
cos e morais podem ser transformados em tante componente da perspectiva filosófi-
problemas de engenharia passíveis de solu- ca da civilização industrial moderna, defi-
ção técnica (Gouldner, 1971). As organiza- nindo virtude como eficiência,
ções modernas anunciavam o triunfo do estabelecen-
do um novo papel para os especialistas
conhecimento racional e da técnica sobre a
em
emoção e o preconceito humano, aparente- produção, e criando parâmetros para no-
mente intratáveis. vos padrões de distribuição social" (1980 :
Esse modelo impregnou o núcleo ide- 62). Como ideologia ou como prática, o
ológico e teórico dos estudos organiza- taylorismo era extremamente hostil a teo-
cionais de forma tão abrangente e natural rias empresariais das organizações que
que sua identidade e influência foram vir- enfocassem necessidades técnicas e de
legitimação de uma pequena elite (Bendix,
tualmente impossíveis de serem detectados
1974; Rose, 1975; Clegg e Dunkerley,
ou questionados. Como Gouldner (1959) 1980). Como ressalta Bendix,
afirma, o modelo prescreve o "mapa" de
uma estrutura autoritária em que os indiví-
duos e grupos são obrigados a seguir certas
leis. Princípios de funcionamento eficiente
e eficaz foram promulgados como um axio-
ma para dirigir todas as formas de prática e
análise organizacional. Tal modelo fornece,
assim, uma caracterização universal da "re-
alidade" de uma organização formal, inde-
pendentemente de tempo, lugar e situação.
Uma vez aceito esse "mapa", legitimou-se
uma visão de organizações como unir ides
sociais independentes e autônomas, acima
de qualquer avaliação moral ou debate po-
lítico (Gouldner, 1971).
Embora a "era da organização" neces-
sitasse de uma nova hierarquia profissional
para atender às necessidades da sociedade
industrial em desenvolvimento, sobrepon-
do-se aos clamores da aristocracia moribun-
da e dos empresários conservadores, essa
visão era profundamente anti-democrática
e antiigualitária. Uma concepção determi-
nada por critérios técnicos e administrati-
vos de hierarquia, de subordinação e auto-
ridade perdia espaço em um contexto
sociopolítico de agitação inspirada em ide-
ais de sufrágio universal, tanto no ambien-
te de trabalho quanto na polis (Wolin, 1961;
Mouzelis, 1967; Clegg e Dunkerley, 1980).
A organização racional burocrática era so-
cial e moralmente legitimada como uma
8 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

mento". O racionalismo forneceu uma re-


"as ideologias gerenciais de hoje são dis- presentação de formas organizacionais
tintas das ideologias empresariais do pas- emergentes que legitimaram seu crescente
sado, à medida que as primeiras suposta- poderio e sua influência como característi-
mente ajudam o empregador ou seus cas inevitáveis em uma trajetória histórica
agen- de longo prazo, por meio de discursos acer-
tes a controlar e dirigir as atividades dos
ca da administração e gerência tecnocrática
empregados" (1974 : 9).
racional (Ellul, 1964; Gouldner, 1976). Ade-
Os princípios organizacionais de Fayol, mais, ele "elevou" a teoria e prática da ad-
ainda que modificados pela crescente ministração organizacional de uma arte in-
conscientização de que há uma necessida- tuitiva para um corpo de conhecimentos
de de adaptação contextual e de concilia- codificados e analisáveis, tornando possível,
ção de forças, foram orientados pela neces- inclusive, transações com o poderoríssimo
sidade de construir uma arquitetura de co- capital cultural e com o simbolismo da
ordenação e controle que contivesse a "ciência".
descontinuidade e o conflito inevitáveis cau- Considerado nesses termos, o racio-
sados pelo comportamento "informal". A nalismo estabeleceu uma concepção de te-
teoria organizacional "clássica" fundamen- oria e análise organizacionais como uma
ta-se na crença de que a organização forne- tecnologia intelectual em condições de ofe-
ce o princípio do projeto estrutural e valori- recer um
za uma prática de controle operacional, que "mecanismo capaz de tornar a realidade
podem ser determinados racionalmente e passível de manipulação por certos tipos
formalizados antes de qualquer operação. de ação (...); o racionalismo envolve o pro-
De fato, a teoria assume que a opera- cesso de circunscrever a realidade nos
cionalização é decorrência automática da cál-
culos governamentais, por meio de técni-
lógica do projeto e funciona como instru-
cas materiais relativamente mundanas"
mento de controle embutido na estrutura
(Rose e Miller, 1990 : 7).
formal da organização (Massie, 1965).
Ainda que o conceito de Simon (1945) A "organização" torna-se ferramenta
de "racionalidade limitada" e sua teoria de ou instrumento para autorizar e realizar
"comportamento administrativo" se ba-
seiem em uma crítica mordaz ao racio-
nalismo e formalismo excessivos presentes
na teoria organizacional e gerencial, suas
idéias também fundamentam-se em uma
abordagem que entende a escolha racional
entre opções claramente delineadas como
base da ação social (March, 1988). Essa vi-
são reduz o "trabalho interpretativo", vital
para o bom desempenho de atores indivi-
duais e organizacionais, a um mero proces-
so de cognição dominado por regras e pro-
gramas operacionais padronizados. E notá-
vel a exclusão de variáveis importantes como
política, cultura, moral e história do mode-
lo da "racionalidade limitada". Essas variá-
veis tornam-se analiticamente marginaliza-
das, se forem omitidas dos parâmetros
conceituais do modelo preferido de Simon,
-------------------------------------------------------------
à medida que forem tratadas como elemen-
tos aleatórios, externos e portanto não su-
jeitos à influência dos processos cognitivos,
dos procedimentos organizacionais, e mui-
to menos de seu controle.
O racionalismo exerceu profunda in-
fluência no desenvolvimento histórico e
conceituai da análise organizacional. Esta-
beleceu um modelo cognitivo e uma pauta
de pesquisas que não puderam ser ignora-
dos, mesmo por aqueles que quiseram ado-
tar uma linha radicalmente diferente
(Perrow, 1986). Além disso, tal corrente re-
percutiu ideologicamente no desenvolvi-
mento político de instituições e estruturas
econômicas durante o princípio e meados
do século XX, tornando as corporações e o
estado político "alcançáveis pelo conheci-
TEORIZACAO ORGANIZACIONAL UM CAMPO HISTORICAMENTE CONTESTADO 9

objetivos coletivos por meio do desenho e organizações modernas combinam autori-


do gerenciamento de estruturas voltadas à dade com um sentimento de comunidade
administração e manipulação de comporta- entre seus membros.
mentos organizacionais. A tomada de deci-
A missão da organização é não ape-
sões organizacionais apóia-se em uma aná- nas prover bens e serviços, mas também
lise racional das opções disponíveis, com criar o companheirismo. A confiança do
base em conhecimento qualificado e deli- autor moderno no poder da organização
beradamente orientado pelo aparato legal deriva de uma crença mais ampla, de que
estabelecido. Essa "lógica das organizações" a organização é o caminho para a reden-
torna-se garantia de avanço material, pro- ção humana frente a sua própria mortali-
gresso social e ordem política nas socieda- dade... Na comunidade e dentro das orga-
des industriais modernas, à medida que elas nizações, o homem moderno elaborou
objetos políticos em substituição aos obje-
convergem para um padrão de desenvolvi-
tos de amor. A busca pela comunidade
mento institucional e capacidade adminis-
buscou refúgio na noção do homem como
trativa em que a "mão invisível do merca- um animal político; a adoração da organi-
do" foi sendo gradualmente substituída pela zação foi parcialmente inspirada na espe-
"mão visível da organização". rança de encontrar uma nova forma de
A despeito do fato de estar presente civilidade (Wolin, 1961 : 368).
nos primórdios do desenvolvimento da teo-
Esta é uma questão central na emer-
ria organizacional, o modelo racional nun-
gência da perspectiva da escola de relações
ca teve domínio ideológico e intelectual
humanas na análise organizacional, que
completo. Sempre foi contestado por linhas
embora trate dos mesmos problemas do
alternativas. Os contestadores freqüente-
modelo racional, fornece para estes soluções
mente compartilhavam o projeto político e
distintas.
ideológico do modelo racional, que consis-
A monografia Administração e o tra-
te em descobrir uma nova fonte de autori-
balhador (Roethlisberger e Dickson, 1939)
dade e controle dentro dos processos e es-
e os escritos de Mayo (1933; 1945), por-
truturas da organização moderna, porém
tanto, acusam a tradição racional de igno-
usavam discursos e práticas diferentes para
rar as qualidades naturais e evolucionárias
alcançá-las. Em particular, muitos viam a
das novas formas sociais geradas pela in-
inabilidade de lidar com o dinamismo e ins-
dustrialização. Toda a força da escola de
tabilidade de organizações complexas como
relações humanas vem da identificação do
uma das maiores falhas do modelo racio-
isolamento social e dos conflitos como sin-
nal. Esse senso crescente de limitações prá-
tomas de uma patologia social. A "boa" so-
ticas e conceituais e a natureza utópica do
projeto político que o modelo racional sus-
tentava deram espaço para que o pensamen-
to organicista prosperasse onde antes as for-
mas de discurso mecanicista predominavam.

REDESCOBRINDO A COMUNIDADE

As questões que mais deixavam os crí-


ticos perplexos, a partir dos anos 30 e 40,
eram a incapacidade da organização
racionalística em resolver problemas de
integração social e as implicações desse fato
para a manutenção da ordem social em um
mundo mais instável e incerto. Essa forma
de abordagem permaneceu cega às críticas
de que a autoridade não é eficaz sem "coo-
peração espontânea ou intencional"
(Bendix, 1974). Os críticos, apreensivos com
o alto grau de racionalismo, enfatizavam a
necessidade prática e teórica de uma base
alternativa para o poder e autoridade inves-
tidos ao gerencialismo pelo projeto orga-
nizacional. O pensamento organicista preo-
cupava-se também com a maneira como as
10 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

ciedade e a organização eficaz são aquelas moldados por valores que estão profun-
capazes de facilitar e sustentar a realidade damente internalizados pelos membros
sociopsicológica de cooperação espontânea da
organização. O foco empírico, portanto, é
e estabilidade social em face de mudanças
direcionado a estruturas que emergem
econômicas, políticas e tecnológicas que es-
ameaçam a integração do indivíduo e do pontaneamente, sancionadas normativa-
grupo dentro de uma comunidade mais mente na organização (Gouldner, 1959 :
ampla. 405-406).
Ao longo de vários anos, essa concep-
ção de organizações como unidades sociais Dessa forma, processos emergentes, e
intermediárias que integram os indivíduos não estruturas planejadas, asseguram a es-
à civilização industrial moderna, sob a tu- tabilidade e sobrevivência de longo prazo
tela de uma administração benevolente e do sistema.
socialmente hábil, institucionalizou-se de tal Ao final dos anos 40 e começo dos 50,
modo que começou a desbancar a posição essa concepção de organizações como sis-
predominante mantida por exponentes do temas sociais voltados para as "necessida-
modelo racional (Child, 1969; Nichols, des" de integração e sobrevivência das or-
1969; Bartell, 1976; Thompson e McHugh, dens societárias maiores, das quais elas fa-
1990). Essa concepção convergia em teo- ziam parte, estabeleceu-se como o modelo
rias organizacionais com características so- teórico predominante dentro da análise
ciológicas e abstratas mais acentuadas, que organizacional. Simultaneamente e de for-
detinham grande afinidade com as prefe- ma convergente, eram desenvolvidos os fun-
rências evolucionistas e naturalistas da es- damentos da "teoria geral dos sistemas",
cola de relações humanas (Parsons, 1956; originária das áreas da biologia e da física
Merton, 1949; Selznick, 1949; Blau, 1955). (von Bertalanffy, 1950; 1956), o que forne-
Portanto, em suas origens o pensamento cia inspiração conceituai considerável para
organicista nos estudos organizacionais ba- o desenvolvimento subseqüente da teoria de
seou-se na crença de que o racionalismo
fornecia uma visão extremamente limitada
e freqüentemente enganadora das "realida-
des" da vida organizacional (Gouldner,
1959; Mouzelis, 1967; Silverman, 1970).
Ela enfatizava a ordem e o controle impos-
tos mecanicamente ao invés da integração,
da interdependência e do equilíbrio que
deveria existir nos sistemas sociais em de-
senvolvimento orgânico (cada um com sua
dinâmica própria). "Interferências" por parte
de agentes externos, tais como o projeto
planejado das estruturas organizacionais,
ameaçam a sobrevivência do sistema.
A organização como um sistema so-
cial facilita a integração de indivíduos den-
tro da comunidade mais ampla, bem como
a adaptação desta às condições técnico-so-
ciais de mudança, que freqüentemente ocor-
re de forma volátil. Essa visão é teoricamente
antecipada, ainda que de forma embrioná-
ria, por Roethlisberger e Dickson, que fa-
lam da organização industrial como um sis-
tema social operante que busca o equilíbrio
em um ambiente dinâmico (1939 : 567).
Essa concepção é influenciada pela teoria
dos sistemas sociais equilibrados de Pareto
(1935), em que as disparidades nas taxas
de mudança sociotécnica e os desequilíbrios
que estas trazem aos organismos são com-
pensados automaticamente por respostas
internas que, ao longo do tempo, restabele-
cem o equilíbrio do sistema.

Entende-se que as estruturas orga-


nizacionais são mantidas homeostática e
espontaneamente. As mudanças nos pa-
drões organizacionais são entendidas
como
conseqüência da reações cumulativas, não
planejadas, e adaptativas às ameaças ao
equilíbrio de todo o sistema. Respostas
aos
problemas são consideradas mecanismos
de defesa gradativamente desenvolvidos,
TEORIZAÇÃO ORGANIZACIONAL UM CAMPO HISTORICAMENTE CONTESTADO 11

sistemas sociotécnicos (Miller e Rice,, 1967) de às necessidades ideológicas e práticas de


e das "metodologias de sistemas soft" um grupo ascendente de projetistas de sis-
(Checkland, 1994). Foi, contudo, a interpre- temas e administradores que almejam o con-
tação estrutural-funcionalista da abordagem trole absoluto em meio a uma sociedade
sistêmica que assumiu proeminência den- cada vez mais complexa e diferenciada.
tro da "análise organizacional" e que domi- Assim, o entusiasmo geral com que a
naria o desenvolvimento teórico e a pesqui- teoria de sistemas foi recebida pela comu-
sa empírica desse campo entre os anos 50 e nidade de estudos organizacionais nos anos
70 (Silverman, 1970; Clegg e Dunkerley, 50 e 60 refletia uma ampla renascença do
1980; Reed, 1985). O funcionalismo estru- pensamento utópico, que presumia que a
tural e sua progênie, a teoria de sistemas, análise funcional dos sistemas sociais for-
forneceram um foco "interno" no projeto neceria os fundamentos intelectuais para a
organizacional, com uma preocupação "ex- nova ciência social (Kumar, 1978). O pro-
terna" voltada para a incerteza ambiental cesso de diferenciação sócio-organizacional,
(Thompson, 1967). A primeira visão talvez com a ajuda de engenheiros sociais
enfatizava a necessidade de grau mínimo especializados, resolveria o problema da
de estabilidade e segurança internas a lon- ordem social por meio de estruturas que
go prazo para a sobrevivência do sistema; a evoluem naturalmente, capazes de lidar com
segunda expunha as indeterminações ine- as crescentes tensões endêmicas entre os
rentes à ação organizacional tendo em vis- interesses individuais e as demandas insti-
ta as demandas ambientais e as ameaças que tucionais. A postura de que a sociedade em
escapam ao controle da organização. A ques- si resolveria o problema da ordem social fi-
tão fundamental de pesquisa que emerge ava-se em um "pressuposto do campo" de
dessa síntese entre preocupações estruturais que "toda a história da humanidade tem
e ambientais é o estabelecimento da combi- uma forma característica, um padrão, uma
nação entre configurações internas e condi- lógica ou significado que permeia a diversi-
ções externas que facilitem a estabilidade e dade de eventos aparentemente descone-
crescimento da organização a longo prazo xos" (Sztompka, 1993 : 107). A análise fun-
(Donaldson, 1985). cional de sistemas fornecia a chave teórica
O funcionalismo estrutural e a teoria para desvendar os mistérios desse desenvol-
de sistemas também fizeram uma "despo- vimento sócio-histórico, capacitando os ci-
litização" eficaz dos processos de tomada entistas sociais e organizacionais a prever,
de decisão por meio dos quais se estabelece explicar e controlar tanto a sua dinâmica
uma adaptação funcional adequada entre a interna quanto suas conseqüências institu-
organização e seu ambiente. Certos "impe- cionais. Apesar de essa visão lidar com uma
rativos funcionais", tais como a necessida-
de de equilíbrio de longo prazo do sistema
para a sobrevivência, presumivelmente eram
impostos a todos os atores organizacionais,
determinando os resultados dos projetos
produzidos por seu processo decisório
(Child, 1972; 1973; Crozier e Friedberg,
1980). Esse "passe de mágica" teórico rele-
ga os processos políticos à margem da aná-
lise organizacional. Ao manter as ressonân-
cias ideológicas mais amplas da teoria de
sistemas, a concepção converte conflitos de
valor sobre fins e meios em questões técni-
cas que podem ser "resolvidas" por meio de
um projeto eficaz de sistema e de adminis-
tração. Como indica Boguslaw (1965), essa
conversão apóia-se em uma fachada teóri-
ca, para não dizer utópica, de homo-
geneidade de valores; a realidade política
das mudanças organizacionais, bem como
as tensões e deformações que elas geram, é
mascarada como pequenos elementos de
atrito de um sistema que em tudo o mais
funciona perfeitamente. Ela também aten-
12 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

forma de evolucionismo e funcionalismo artigo clássico, se os mercados são perfei-


sócio-organizacional cujas raízes remontam tos, então as firmas (e organizações) deve-
aos escritos de Comte, Saint-Simon e riam desenvolver transações de mercado
Durkheim (Weinberg, 1969; Clegg e perfeitamente reguladas, baseadas no inter-
Dunkerley 1980; Smart, 1992), ela só veio câmbio voluntário de informações entre
a alcançar seu apogeu nos anos 50 e 60, no agentes econômicos iguais. Coase foi, con-
trabalho dos cientistas sociais que contribu- tudo, forçado a reconhecer a realidade das
íram para o desenvolvimento da teoria da firmas na condição de agentes econômicos
sociedade industrial, e que demonstraram coletivos, aos quais se atribui a "solução"
circunspecção histórica e sensibilidade po- para as falhas de mercado ou do colapso do
lítica muito inferiores às de seus predeces- sistema. Como mecanismos de "interna-
sores acadêmicos. lização" de trocas econômicas recorrentes,
Conseqüentemente, a ortodoxia fun- as firmas reduzem o custo das transações
cionalista/de sistemas, que veio a dominar, individuais por meio de padronização e
ou pelo menos estruturar, a prática intelec- rotinização, e aumentam a eficiência da
tual e o desenvolvimento das análises alocação de recursos dentro do sistema de
organizacionais entre os anos 40 e 60, era mercado em sua totalidade, à medida que
apenas parte de um movimento muito mais minimizam os custos de transação entre os
amplo que ressuscitou os modelos evolu- agentes, os quais, por natureza, descon-
cionistas do século XIX (Kumar, 1978: 179- fiam de seus parceiros.
190). Na teoria organizacional, essa orto- Coase, inadvertidamente, faz uso do
doxia completou-se teoricamente com o modelo racional quando admite que o com-
desenvolvimento da "teoria da contingên- portamento é motivado, primariamente,
cia" entre o fim dos anos 60 e princípio dos pelo objetivo de minimizar custos de mer-
70 (Thompson, 1967; Lawrence e Lorsch, cado e maximizar seus retornos. Tanto a tra-
1967; Woodward, 1970; Pugh e Hickson, dição racionalista quanto a economicista da
1976; Donaldson, 1985). Essa abordagem análise organizacional são construídas com
mostrava todas as virtudes e vícios intelec- base na "racionalidade limitada" para ex-
tuais da tradição teórica de onde buscaram plicar e prever a ação social e individual;
sua inspiração ideológica e metodológica.
Ela também reforçava a ética gerencialista
que tinha a pretensão de resolver, por inter-
médio de uma engenharia social especializa-
da e um projeto flexível de organização
(Gellner, 1964; Giddens, 1984), os proble-
mas institucionais e políticos fundamentais
das sociedades industriais modernas (Lipset,
1960; Bell, 1960; Galbraith, 1969).
Ainda assim, à medida que os anos 60
avançavam, as virtudes do pensamento
organicista eram cada vez mais sombreadas
por seus vícios, especialmente quando as
realidades sociais, econômicas e políticas se
recusavam a adequar-se às teorias explica-
tivas promulgadas por tal narrativa. Mode-
los alternativos de interpretação já começa-
vam a emergir para questionar o funciona
lismo, baseados em tradições intelectuais e
históricas muito diferentes. Antes que as
possamos considerar, contudo, é necessário
adentrar as teorias de organização orienta-
das pelo mercado.

ENTRA EM CENA O MERCADO

Teorias organizacionais baseadas no


mercado parecem ser uma contradição, em
termos: se os mercados operam da forma
especificada pela teoria econômica neoclás-
sica, ou seja, mecanismos de ajustes perfei-
tos que equilibram preço e custo, então não
há nenhum papel conceituai ou necessida-
de técnica para a existência de "organiza-
ção". Como constata Coase (1937) em seu
TEORIZAÇÃO ORGANIZACIONAL UM CAMPO HISTORICAMENTE CONTESTADO

ambas apoiam teorias que reconhecem a A teoria do custo de transação preocupa-se


organização em termos de eficiência e efi- com os ajustes adaptativos que as organiza-
cácia; ambas reverenciam intelectualmente ções precisam fazer para enfrentar as pres-
os modelos orgânicos, quando enfatizam a sões de maximização da eficiência em suas
evolução "natural" das formas organiza- transações internas e externas. A ecologia
cionais, que otimizam retornos dentro dos populacional destaca o papel das pressões
ambientes em que as pressões competitivas competitivas, que selecionam alguns tipos
restringem as opções estratégicas. As teo- de organização em detrimento de outros.
rias econômicas da organização também li- Ambas as perspectivas são baseadas em um
dam com elementos da tradição organicista, modelo de organização em que seu projeto,
quando enfocam organizações como um funcionamento e desenvolvimento são tra-
produto evolucionário e semi-racional de tados como resultados diretos de forças uni-
condições espontâneas e involuntárias versais, que não podem ser modificadas pela
(Hayek, 1978). As organizações são uma ação estratégica.
resposta automática e um preço razoável a O que fica evidente no modelo do
ser pago pela necessidade de se dispor de mercado é a falta de qualquer tentativa con-
agentes econômicos formalmente livres e tínua de abordar a questão do poder social
iguais, capazes de negociar e monitorar con- e da intervenção humana. Nem a aborda-
tratos em meio a transações complexas de gem de mercados/ hierarquias, nem a de
mercado, que não podem ser acomodadas ecologia populacional, ou mesmo a "teoria
em arranjos institucionais existentes. liberal das organizações" de Donaldson
Essas teorias econômicas da organiza- (1990; 1994) se interessam muito pelos
ção surgiram em resposta às limitações meios por meio dos quais a mudança
explanatórias e analíticas inerentes às teo- organizacional se estrutura em função de
rias clássica e neoclássica da firma (Cyert e lutas de poder entre atores sociais e as for-
March, 1963). Elas exigem que se conside-
re melhor o problema da alocação de recur-
sos como um determinante primário do
comportamento e projeto organizacional
(Williamson e Winter, 1991). O foco na
"microeconomia da organização" (Donald-
son, 1990; Williamson, 1990), assim como
uma teoria do comportamento da firma mais
sensível às limitações institucionais em que
são conduzidas as transações econômicas,
encorajaram a formulação de uma agenda
de pesquisa com ênfase nas estruturas de
corporativas de administração e em seu elo
com as funções organizacionais (William-
son, 1990). Esse modelo também se vale da
concepção de Barnard sobre organização
como cooperação, "que é consciente, deli-
berada e com fins específicos" (1938 : 4), e
que somente pode ser explicada como o re-
sultado de uma interação complexa entre a
racionalidade formal e a substantiva ou en-
tre requisitos técnicos e ordem moral
(Williamson, 1990). A tentativa original de
Barnard de fornecer uma síntese de organi-
zação como uma concepção sistêmica "raci-
onal" e "natural" dá o fundamento das teo-
rias baseadas no mercado, que floresceram
nos anos 70 e 80, tais como a análise do
custo de transação (Williamson, 1975;
Francis, 1983) e a ecologia populacional
(Aldrich, 1979; 1992; Hannan e Freeman,
1989).
Apesar de haver diferenças teóricas
importantes entre essas duas abordagens,
particularmente em relação à forma e ao
grau de determinismo ambiental do qual
elas se valem (Morgan, 1990), ambas se
baseiam em uma série de premissas que
compatibilizam formas administrativas in-
ternas com condições externas de mercado
por meio de uma lógica evolucionária, que
subordina a ação individual e coletiva aos
imperativos de eficiência e sobrevivência,
que vão muito além da influência humana.
I14 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE ______________________________

mas de dominação que eles legitimam turais e a ação social, à medida que molda
(Francis, 1983; Perrow, 1986; Thompson e as formas institucionais reproduzidas e
McHugh, 1990). Essas abordagens tratam transformadas pela prática social (Giddens,
a "organização" como sendo constituída de 1985; 1990; Layder, 1994). Ele rejeita o
uma ordem social e moral em que os inte- determinismo ambiental inerente às teorias
resses e valores individuais e grupais são organizacionais baseadas no mercado, com
simplesmente derivados de uma estrutura sua ênfase obstinada nos imperativos de efi-
de "interesses e valores do sistema", que não ciência e eficácia que garantem a sobrevi-
se contaminam por conflitos setoriais e lu- vência de longo prazo de certos tipos de
tas de poder (Willman, 1983). Uma vez que organização em detrimento de outros. A
esse conceito unitário é considerado inato, perspectiva do poder também questiona os
"aceito" como um aspecto "natural" e virtu- pressupostos unitaristas que são inerentes
almente invisível da organização, o poder, aos modelos racionalista, orgânico e de
os conflitos e a dominação podem ser segu- mercado, pois conceitua a organização como
ramente ignorados, tratados como elemen- uma arena de interesses e valores confli-,
tos "externos" ao campo de visão analítica e tantes, constituída pela luta de poder.
de preocupação empírica do modelo. O modelo de poder em análise
Essa forma unitária de conceber a or- organizacional é fundamentado na sociolo-
ganização é inteiramente compatível com gia de dominação de Weber e na análise da
um contexto político e ideológico mais am- burocracia e burocratização que derivam de
plo, dominado por teorias neoliberais de seu trabalho (Weber, 1978; Ray e Reed,
organização e controle da sociedade, que 1994). Mais recentemente, essa tradição
elevam as "forças impessoais de mercado" weberiana tem sido complementada pelas
à categoria analítica de universalidades teorizações de poder que se inspiraram no
ontológicas determinando as chances indi- interesse de Maquiavel pela micropolítica do
viduais e coletivas de sobrevivência (Miller
e Rose, 1990; Rose, 1992; Silver, 1987).
Desde as ideologias neoliberais ou darwi-
nianas do século XIX (Bendix, 1974) até
doutrinas mais recentes que enfatizam a
"sobrevivência dos mais aptos", todas essas
teorias defendem a expansão progressiva do
mercado, da racionalidade econômica e da
iniciativa privada, em detrimento de con-
ceitos cada vez mais frágeis e marginaliza-
dos de comunidade, serviço público e preo-
cupações sociais. Por meio da globalização,
as nações e empresas envolvem-se em lutas
cada vez mais acirradas, que terão por ven-
cedoras as organizações e economias que
se adaptarem de forma intensiva às deman-
das do mercado (Du Gay e Salaman, 1992;
Du Gay, 1994). Assim, teorias organiza-
cionais baseadas no mercado lidam com
movimentos cíclicos, dentro do próprio con-
texto socioeconômico, político e ideológico
do qual fazem parte (Barley e Kunda, 1992).
No entanto, elas permanecem negligentes
quanto à questão das estruturas e lutas de
poder dentro das organizações, por meio das
quais estas respondem a pressões econômi-
cas supostamente "objetivas" e "neutras".

FACES DO PODER

Poder continua a ser um conceito que,


embora usado em excesso, é um dos menos
compreendidos da análise organizacional.
Ele fornece as bases ideológicas e episte-
mológicas para uma teoria de organizações
que contrasta, profundamente, com as nar-
rativas analíticas e modelos interpretativos
previamente discutidos. O poder propala
uma lógica de organização e do organizar
enraizada analiticamente em concepções
estratégicas de poder social e intervenção
humana que são sensíveis à dinâmica
dialética existente entre as limitações estru-
TEORIZAÇÃO ORGANIZACIONAL UM CAMPO HISTORICAMENTE CONTESTADO 15 |

poder organizacional e sua expressão con- mos hierárquicos que sustentam a reprodu-
temporânea, refletida no trabalho de ção do poder" (Fincham, 1992 : 742).
Foucault (Clegg, 1989; 1994). As análises Esse diálogo entre conceituações de
baseadas em Weber enfatizam o caráter poder weberianas/institucionais e maquia-
relacionai do poder como recurso ou capa- vélicas/processuais levaram a uma compre-
cidade distribuídos de forma diferenciada e ensão muito mais sofisticada da natureza
que, se empregado com o devido grau de multifacetada das relações e processos de
habilidade estratégica e tática pelos atores poder, bem como de suas implicações para
sociais, produz e reproduz relações hierar- a estruturação das formas organizacionais.
quicamente estruturadas de autonomia e A análise de Lukes (1974) das "múltiplas
dependência (Clegg, 1989; Wrong, 1978). facetas do poder" tornou-se o maior ponto
Isto leva à priorização das formas institu- de referência para a pesquisa contemporâ-
cionais e aos mecanismos por meio dos quais nea sobre a dinâmica e os resultados do
o poder é alcançado, convertido em rotinas poder organizacional. Sua diferenciação
e contestado. A "ênfase está nas restrições entre as três faces ou dimensões de poder,
mais amplas e nos determinantes do com- ou seja, entre as formas de poder
portamento: as formas de poder que deri- "episódico", "manipulativo" e "hegemônico"
vam de estruturas de classe e propriedade, (Clegg, 1989), resulta em uma ampliação
o impacto dos mercados e profissões, e fi- considerável do programa de pesquisa para
nalmente a questão do gênero, que vem o estudo de poder na organização, bem
despertando cada vez mais interesse" como dos modelos pelos quais o tema pode
(Fincham, 1992: 742). Assim, a análise ser abordado.
weberiana da dinâmica e das formas de po- O conceito "episódico" de poder con-
der burocrático na sociedade moderna en- centra-se nos conflitos de interesse que se
fatiza a interação complexa que há entre a observa entre atores sociais identificáveis e
racionalização da sociedade e a da organi- seu encontro com objetivos opostos, parti-
zação, ambas reproduzindo estruturas cularmente em processos de tomada de de-
institucionalizadas sob o controle de "espe- cisão. A visão "manipulativa" concentra-se
cialistas" e "peritos" (Silberman, 1993). nas atividades de "bastidores", por meio das
Essa concepção estrutural ou institu- quais grupos que já detêm o poder manipu-
cional de poder organizacional foi comple- lam o processo de tomada de decisão a fim
mentada por um foco mais concentrado nos
processos micropolíticos, por meio dos quais
o poder é obtido e mobilizado, em oposição
ou em paralelo a regimes estabelecidos e a
suas estruturas de comando. Essa aborda-
gem está em forte consonância com o tra-
balho de Foucault sobre o mosaico das coa-
lizões e alianças diagonais que mobilizam
regimes disciplinares (Lyon, 1994). Nesses
casos, observam-se práticas organizacionais
em que o poder "sobre outros" pode ser
mantido temporariamente de uma perspec-
tiva "de baixo para cima", ao invés da tradi-
cional visão "de cima para baixo". Essa in-
terpretação processual do conceito de po-
der organizacional tende a concentrar-se nas
manobras táticas que buscam inverter o
equilíbrio de vantagens entre os diversos
interesses sociopolíticos (Fincham, 1992),
sendo menos convincente quando tenta ex-
plicar os mecanismos organizacionais mais
amplos que se institucionalizam como es-
truturas e retóricas aceitas, retóricas que
legitimam "associações coordenadas de for-
ma imperativa", e que são permanentes e
menos perceptíveis. Assim sendo, esse
enfoque mais recente de pesquisa sobre os
processos de interação, ou micropolítica, por
meio do qual as relações de poder são tem-
porariamente sedimentadas em estruturas
de autoridade mais permanentes e estáveis,
desvia a atenção para longe dos "mecanis-
16 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

de descartar questões que têm o potencial Friedland, 1985; Cerny, 1990; Miller e Rose,
de perturbar, ou ameaçar, seu domínio e 1990; Johnson, 1993). Tal pesquisa também
controle. A interpretação "hegemônica" questiona a coerência analítica e o alcance
enfatiza o papel estratégico de estruturas explanatório de um modelo teórico de po-
ideológicas e sociais existentes ao formar, e der com capacidade limitada de lidar com
assim limitar, seletivamente, os interesses e as complexidades materiais, culturais e po-
valores - e portanto a ação - de atores so- líticas das mudanças organizacionais.
ciais em qualquer campo de decisão. À me-
dida que se avança da concepção "episódica"
para a "manipulativa" e, enfim, "hege- CONHECIMENTO É PODER
mônica" de poder, ocorre um movimento
progressivo de análise e valoração que vai O modelo baseado em conhecimento
desde a capacidade humana de constituir tem sérias prevenções contra os tendências
relações de poder, até o papel dos mecanis- institucionais e estruturais que caracterizam
mos materiais e ideológicos de determinar os modelos analíticos previamente exami-
as estruturas de dominação e controle, por nados. Esse modelo rejeita as várias formas
meio das quais essas relações são institu- de determinismo metodológico e teórico e
cionalizadas (Clegg, 1989 : 86-128). Há a explanação lógica "totalizante" na qual os
também uma ênfase crescente na explica- outros se inserem. Ao invés disso, essa abor-
ção das estruturas de nível "macro" e dos dagem trata de todas as formas da ação so-
mecanismos que determinam os processos cial institucionalizada e estruturada como
organizacionais pelos quais as lutas de po- um mosaico temporário de interações e
der micropolíticas são mediadas. Isto acar- alianças táticas, que formam redes mutáveis
retou uma relativização das práticas orga- e relativamente instáveis de poder, tenden-
nizacionais específicas que produzem e re- do à decadência e dissolução internas. Ele
produzem formas institucionais.
Alguns pesquisadores (e.g. Fincham,
1992; Clegg, 1994; Knights e Willmott,
1989) tentaram contornar esta divisão en-
tre a concepção institucional/estrutural e a
processual/ intervencionista ao focalizar as
práticas organizacionais genéricas (ainda
que "localizadas"), por meio das quais al-
guns padrões de dominação e controle são
mantidos. Eles tentaram combinar o enfoque
weberiano na reprodução institucional de
estruturas de dominação com a abordagem
de Foucaut das micropráticas que geram
formas mutáveis de poder disciplinar. O
ponto focai, tanto em termos analíticos
quanto empíricos, é o discurso que usa o
pretexto de "perícia" para estabelecer pa-
drões particulares de estruturação e controle
organizacionais em diferentes sociedades e
setores (Abbott, 1988; Miller e 0"Leary,
1989; Powell e DiMaggio 1991; Larson,
1979; 1990; Reed e Anthony, 1992). Esses
discursos criam tipos específicos de regimes
disciplinares em um nível organizacional ou
setorial que estabelecem uma mediação
entre políticas governamentais estratégicas
centralizadas em agentes de intervenção,
por um lado, e a sua implementação tática
dentro de domínios localizados, por outro
(Miller e Rose, 1990; Johnson, 1993; vide
também alguns trabalhos recentes sobre a
teoria do processo de trabalho, e.g. Burawoy,
1985; Thompson, 1989; Littler, 1990; e ges-
tão da qualidade total, e.g. Reed, 1995;
Kirkpatrick e Martinez, 1995).
Esse tipo de pesquisa tenta explicar a
decadência e quebra de estruturas
"corporativistas" dentro das economias po-
líticas e práticas organizacionais de socie-
dades industriais avançadas, à medida que
enfoca suas contradições internas e a inca-
pacidade de responder a iniciativas políti-
cas e ideológicas externas, trazidas pela di-
reita neoliberal que ressurge (Alford e
TEORIZAÇÃO ORGANIZACIONAL UM CAMPO HISTORICAMENTE CONTESTADO 17

explica o desenvolvimento de "sistemas" mo- ras que reproduzem a "organização"


dernos da disciplina organizacional e con- (Goffman, 1983; Layder, 1994).
trole governamental como mecanismos ne- Várias abordagens teóricas específicas
gociados e contingentes de poder e relações, baseiam-se nessa orientação geral para de-
cujas raízes institucionais estão na capaci- senvolver uma agenda de pesquisa para
dade de exercer gerenciamento efetivo dos análise organizacional que tenha, como in-
meios de produção de novas formas do po- teresse estratégico, os processos de produ-
der em si (Cerny, 1990 : 7). ção do conhecimento por meio dos quais a
Assim, surgem como foco estratégico "organização" é reproduzida. A etnome-
de análise mecanismos técnicos e culturais, todologia (Boden, 1994), as abordagens
por meio dos quais campos particulares de pós-modernistas para cultura e simbolismo
comportamento humano (saúde, educação, organizacional (Calas e Smircich, 1991;
criminologia, administração) são estabele- Martin, 1992), a teoria da tomada de deci-
cidos como reservas de mercado para cer- são neoracionalista (March e Olsen, 1986;
tos especialistas ou grupos de peritos. Esses March, 1988), a teoria rede-ator (Law, 1991;
mecanismos têm muito maior significado do 1994a) e a teoria pós-estruturalista (Kondo,
que os poderes econômicos e políticos au- 1990; Cooper, 1992; Gane e Johnson, 1993;
tônomos, tais como "estado" ou "classe". O Clegg, 1994; Perry, 1994) contribuem, co-
conhecimento, e o poder que ele potencial- letivamente, para uma mudança do foco na
mente confere, assumem o papel central, análise organizacional, deslocando-o do ní-
fornecendo a chave cognitiva e os recursos vel macro de formalização ou institu-
representativos para a aplicação de um con- cionalização para um nível micro de análi-
junto de técnicas com que regimes discipli- se do ordenamento ou rotinização social. A
nares, ainda que temporários e instáveis, seus diferentes modos, essas abordagens -
podem ser construídos (Clegg, 1994). Co- muitas das quais são representadas nesse
nhecimentos altamente especializados e livro (ver os Capítulos de Calas e Smircich,
aparentemente esotéricos, que podem, po- Clegg e Hardy, e Alvesson e Deetz, neste
tencialmente, ser acessados e dominados Handbook) - tentam reformular o conceito
por qualquer indivíduo ou grupo com trei- de organização como sendo uma "ordem"
namento e habilidade necessários (Bladder, socialmente construída e sustentada, neces-
1993), fornecem os recursos estratégicos sariamente fundamentada em reservas lo-
para apropriação do tempo, do espaço e da calizadas de conhecimento, em rotinas prá-
consciência. Assim, a produção, codificação, ticas e em mecanismos técnicos mobiliza-
estoque e uso daqueles conhecimentos, que dos por atores sociais em suas interações e
são relevantes para a regulação do compor- discursos do dia-a-dia.
tamento social, tornam-se uma questão es-
tratégica para a mobilização e institu-
cionalização de uma forma de poder orga-
nizado que permita o "controle à distância"
(Cooper, 1992).
Retrabalhada dentro dessa problemá-
tica, a "organização" torna-se portadora de
conhecimentos sociais, técnicos e de habili-
dades por meio dos quais modelos particu-
lares de relacionamento social surgem e re-
produzem-se (Law, 1994a). Esse tipo de "or-
ganização" não tem característica ontológica
inerente nem significado expla-
natório como entidade ou estrutura
generalizável e monolítica. A contingência,
e não a universalidade, impera tanto no to-
cante ao conhecimento localizado e restri-
to, que torna possível a existência de orga-
nizações, quanto nas relações de poder que
elas geram. O foco da pesquisa encontra-se
na "ordem interacional" que produz a orga-
nização e os estoques de conhecimentos por
meio dos quais agentes se envolvem em prá-
ticas situacionais que constróem as estrutu-
18 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

Tomados em sua totalidade, os estu- as formas institucionais e as questões analí-


dos contemporâneos de discursos sobre co- ticas e normativas que elas levantam.
nhecimento/poder concentram-se nos me- Um exemplo relativamente óbvio des-
canismos por meio dos quais os membros se desenvolvimento é encontrado no "novo
organizacionais tentam impor ordem à or- institucionalismo" (Powell e DiMaggio,
ganização, gerando redes relacionais dinâ- 1991; Meyer e Scott, 1992; Whitley, 1992,
micas e ambíguas. Essa abordagem ratifica Perry, 1992). Outro pode ser visto no res-
uma visão de organizações como "a con- surgimento do interesse pela política eco-
densação de culturas locais de valores, po- nômica da organização e suas implicações
der, regras, critério e paradoxo" (Clegg, para a extensão da vigilância e do controle
1994 : 172). Esses estudos estão em conso- burocráticos na "modernidade tardia", que
nância com as imagens e preconceitos de se observam na complexa cadeia de formas
um espírito "pós-industrial" ou "pós-moder- e práticas institucionais (Alford e Friedland,
no", de acordo com o qual a organização é 1985; Giddens, 1985; 1990; Cerny, 1990;
desconstruída em termos da "tomada de Wolin, 1988; Thompson, 1993; Silberman,
decisão localizada, descentralizada, instan- 1993; Dandeker, 1990). Por fim, debates
tânea..." de forma que as "transformações e sobre a perspectiva imediata e de longo pra-
inovações organizacionais acontecem do zo para a democracia e participação
encontro entre informação e interação" organizacional dentro de estruturas de con-
(Boden, 1994 : 210). Isto está, por sua vez, trole corporativo, debates estes que se de-
inteiramente de acordo com as teorias da senvolveram em economias políticas domi-
especialização flexível (Piore e Sabei, 1984) nadas por ideologias e práticas neoliberais
e do capitalismo desorganizado (Lash e Urry, durante as décadas de 80 e 90 (Lammers e
1987; 1994), em que as formas ou estrutu- Szell, 1989; Morgan, 1990; Fulk e Steinfield,
ras institucionais, uma vez consideradas 1990; Hirst, 1993) e despertaram o interes-
constitutivos da "economia política", dissol- se por questões globais que devem ser obje-
vem-se em fluxos e redes de informações to da análise de organizações.
fragmentadas. Cada um desses campos da literatura
Há, contudo, uma dúvida persistente levanta questões fundamentais sobre os ti-
quanto ao que está perdido nessa "localiza-
ção" da análise organizacional e sua apa-
rente obsessão com o nível micro de pro-
cessos e práticas. A dúvida faz essas abor-
dagens parecerem estranhamente dissocia-
das das questões mais amplas sobre justiça,
igualdade, democracia e racionalidade. Per-
gunta-se: e quanto à preocupação socioló-
gica clássica com os aspectos macroes-
truturais da modernidade (Layder, 1994) e
suas implicações na forma como "devería-
mos" conduzir nossas vidas organizacionais?

ESCALAS DE JUSTIÇA

O refúgio analítico que os estudos


organizacionais buscaram dentro de aspec
tos locais da vida da organização os distan-
cia, teórica e epistemologicamente, dos te-
mas normativos e das questões estruturais
que formaram seu desenvolvimento histó-
rico e sua racionalidade intelectual. Pode-
se dizer, pelo menos, que esse afastamento
redefine, radicalmente, sua "missão intelec-
tual", distanciando-se de universalidades
éticas e de abstrações conceituais, ao tem-
po em que se aproxima de relatividades cul-
turais e de esquemas interpretativos que são,
inerentemente, resistentes a generalizações
históricas e teóricas. Contudo, essa mudan-
ça em direção à análise local em organiza-
ções e a recusa em enfrentar questões mais
ideológicas e estruturais não passaram de-
sapercebidas. Vários críticos tentaram
redirecionar o estudo das organizações para
TEORIZAÇÃO ORGANIZACIONAL UM CAMPO HISTORICAMENTE CONTESTADO

pos de controle corporativo predominantes sa forma, explicações que relacionam o com-


nas organizações contemporâneas e em suas portamento e desenho organizacional aos
bases de julgamentos morais e políticos so- contextos de nível macro ganham primazia,
bre justiça e imparcialidade, em contraste dado que estes são constituídos por padrões
com outros interesses e valores. Essa litera- de atividades
tura também reafirma a importância das
"supra-organizacionais que conduzem no
questões relativas à distribuição institu- tempo e no espaço as vidas materiais dos
cionalizada de forças econômicas, políticas seres humanos, bem como por sistemas
e culturais em sociedades desenvolvidas e simbólicos por meio dos quais eles
em desenvolvimento, que tendem a ser categorizam suas atividades e lhes confe-
marginalizadas nos discursos pós-modernis- rem significado" (Friedland e Alford,
tas e pós-estruturalistas, centrados na prá- 1991:
tica de interpretações e representações lo- 232).
cais. Essas abordagens reavivam uma con- Na condição de formas institucio-
cepção da organização como uma estrutura nalizadas de prática social, as organizações
institucionalizada de poder e autoridade que são vistas como "estruturas nas quais as
está acima das micropráticas localizadas dos pessoas poderosas dedicam-se a algum va-
membros organizacionais. lor ou interesse", e esse poder "tem muito
DiMaggio e Powell sustentam que o que ver com a preservação histórica dos
"novo institucionalismo" representa uma padrões de valores" (Stinchcombe, 1968 :
"rejeição dos modelos de atores racionais, 107). Portanto, o posicionamento histórico,
um interesse nas instituições como variá- estrutural e contextual dos valores e inte-
veis independentes, uma volta às explica- resses de atores coletivos, e não sua
ções cognitivas e culturais, e um interesse (re)produção local por meio de práticas de
em propriedades de unidades de análise nível micro, surgem como a prioridade ana-
supra-individuais que não podem ser re- lítica e explicativa para a teoria institucio-
duzidas a agregações ou tratadas como nal'.
conseqüência direta de atributos ou moti-
Esse foco no desenvolvimento históri-
vos individuais" (1991 : 8).
co e na contextualização estrutural de or-
Eles concentram seu foco na estrutu- ganizações, característico do "novo insti-
ra organizacional e em práticas encontra- tucionalismo", está refletido em um traba-
das em diferentes setores institucionais, nos lho recente sobre as mudanças na capaci-
"mitos de racionalidade" que legitimam e dade de "vigilância e controle" das organi-
rotinizam arranjos predominantes e, final-
mente,
"nas formas pelas quais a ação é estru-
turada e a ordem é viabilizada por siste-
mas compartilhados de regras que, por
um
lado, restringem a capacidade e propen-
são dos atores em otimizar recursos e, por
outro, privilegiam alguns grupos cujos in-
teresses estão assegurados por incentivos
e punições" (1991 : 11).
Sua ênfase nas práticas que penetram
as estruturas e processos organizacionais -
tais como o Estado, a classe social, e recei-
tas das profissões e indústrias/setores - re
vela o papel estratégico desempenhado pe-
las lutas de poder entre atores institucionais
com o objetivo de controlar "a formação e
reforma dos sistemas de regras que guiam
a ação política e econômica" (1991 : 28).
Ao reconhecer que a geração e a
implementação de formas e práticas insti-
tucionais são "repletas de conflitos, contra-
dição e ambigüidade" (1991 : 28), a teoria
institucional tem, como preocupação cen-
tral, o processo cultural e político por meio
do qual atores e seus interesses/valores são
institucionalmente construídos e mobiliza-
dos no apoio de certas "lógicas orga-
nizacionais" em detrimento de outras. Des-
I20 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE _____________________________

zações modernas que, como sugere Giddens, nhecimento que trata do que é geral e
tem o tema da "reflexividade institucional" integrativo para o homem [sic]; uma vida
como seu objeto de estudo estratégico. Tra- de envolvimento comum".
ta-se da Essa aspiração de reaver uma "visão
institucional" em análise organizacional, que
institucionalização de uma postura inves-
fale do relacionamento entre o cidadão, a
tigadora e calculista que se interessa por
condições genéricas de reprodução do sis- organização, a comunidade e o Estado nas
tema; ela ao mesmo tempo estimula e re- sociedades modernas (Etzioni, 1993; Arhne,
flete um declínio nos meios tradicionais 1994), é um tema rico. As pesquisas sobre
de fazer as coisas. Está também associada participação e democracia organizacional
à geração de poder (entendida como ca- sugerem que esforços de desenvolvimento
pacidade transformativa). A expansão da de projetos organizacionais mais partici-
reflexividade institucional está por trás da pativos e igualitários têm encontrado difi-
proliferação de organizações em contex- culdades extremas nos últimos 15 anos
tos modernos, incluindo organizações de (Lammers e Szell, 1989). Perspectivas de
alcance global (1993 : 6).
longo prazo para a democracia parecem
A ascensão de formas e práticas igualmente pessimistas em um mundo cada
organizacionais modernas é vista como in- vez mais globalizado e fragmentado, que
timamente ligada à crescente sofisticação, desestabiliza ou mesmo destrói identidades
alcance e variedade de sistemas burocráti- sociopolíticas e culturais estabelecidas, cor-
cos de vigilância e controle, que podem ser roendo a segurança cognitiva e a certeza
adaptados a várias circunstâncias sociais e ideológica que antes se imaginava possíveis
históricas diferentes (Dandever, 1990). A (Cable, 1994).
emergência e a sedimentação institucional A combinação de políticas neoliber-
do estado-nação e das estruturas adminis- tárias com vigilância sofisticada não teve
trativas profissionais desempenham um pa- êxito, contudo, para erradicar o desafio per-
pel crucial no avanço das condições materi- manente de encontrar formas de disciplina
ais e sociais aos quais a vigilância e o con- e controle organizacional mais discretas e
trole organizacional podem ser estendidos
(Cerny, 1990; Silberman, 1993). Mudanças
tecnológicas, culturais e políticas relativa-
mente recentes estimularam a criação e a
difusão de sistemas de vigilância mais dis-
cretos, que são muito menos dependentes
da supervisão e do controle diretos (Zuboff,
1988; Lyon, 1994). O crescimento da sofis-
ticação técnica e da penetração de sistemas
de controle também servem para reafirmar
a relevância atual da preocupação de Weber
sobre a perspectiva, a longo prazo, de
envolvimento individual significativo em
uma ordem social e organizacional, que
parece cada vez mais próxima, ainda que
continue distante, das vidas cotidianas (Ray
e Reed, 1994).
A análise organizacional parece, en-
tão, ter completado um ciclo ideológico e
teórico, uma vez que a percepção de amea-
ça à liberdade representada pelas formas
organizacionais burocráticas "modernas" do
início do século XX ecoam agora em deba-
tes sobre participação e democracia, em
meio ao regime de vigilância e controle, tão
sofisticado quanto discreto, que emergiu no
final do século (Webster e Robins, 1993). À
medida que a organização pós-moderna tor-
na-se um mecanismo de controle sociocul-
tural altamente disperso, dinâmico e des-
centrado (Clegg, 1990), impossível de ser
detectado ou combatido, questões que rela-
cionam responsabilidade política e cidada-
nia tornam-se tão importantes agora quan-
to eram há cem anos. Como Wolin (1961 :
434) elegantemente argumentou, a teoria
organizacional e a teoria política "devem
novamente ser vistas como a forma de co-
TEORIZAÇÃO ORGANIZACIONAL UM CAMPO HISTORICAMENTE CONTESTADO

auto-aplicáveis (Lyon, 1994). Como Cerny


argumentou em relação às mudanças A narrativa estruturada/analítica so-
organizacionais no final deste século: bre justiça e democracia organizacional bus-
ca reconectar o estudo dos discursos e das
Indivíduos e grupos devem definir- práticas localmente contextualizados com
se estrategicamente e manobrar
ordens de poder, de autoridade e de contro-
taticamen-
te no contexto da lógica do Estado, seja le institucionalizados, que têm racionalidade
amoldando-se a regras legais, seja compe- social e dinâmica histórica específicas. Es-
tindo por recursos distribuídos ou regula- tas, por sua vez, não podem ser entendidas
dos pelo Estado, ou mesmo tentando re- ou explicadas por meio de um foco limita-
sistir e evitar a influência e o controle de do na interação e nos eventos "cotidianos"
outro Estado ou de atores não estatais (Layder, 1994). Tal narrativa força-nos a
(...);
redescobrir o elo vital entre as demandas
o próprio Estado é constituído de uma ca-
deia de jogos de níveis médio e micro que práticas e as necessidades intelectuais do
são, também, caracterizadas por lógicas estudo das organizações, bem como os "pon-
contrastantes, por espaços intersticiais, tos de interseção" entre o normativo e o
por analítico. Esses pontos de interseção devem
estruturas dinâmicas e tensões contínuas ser redefinidos se tal análise quiser reter sua
(1990 : 35-36). relevância e vitalidade, em um mundo onde
Devido a esses jogos políticos sobre- estruturas estabelecidas de longo prazo so-
postos e freqüentemente contraditórios, frem uma pressão extrema para que se trans-
novos princípios e práticas organizativas formem em formas institucionais diferentes.
estão surgindo. As novas soluções propos-
tas requerem que se repense o relaciona-
mento entre o indivíduo e a comunidade, o
qual está mudando rapidamente em um
contexto sociopolítico em que a "o progra-
ma de identidade política" tem-se tornado
muito mais diversificado, instável, fragmen-
tado e contestado (Cable, 1994 : 38-40). A
pesquisa de Lyon (1994) sobre movimen-
tos sociais, grupos de interesse e coalizões
políticas contrários a regimes centralizados
e antidemocráticos de vigilância e controle
indica que há outras opções disponíveis além
da "paranóia pós-moderna" e do pessimis-
mo político que ela parece encorajar. De for-
ma semelhante, escritores como Hirst
(1993) e Arhne (1994; 1996) redescobriram
a sociedade civil e as diversas cadeias de
formas "associativas" de controle social e
econômico que estas continuam a gerar e
apoiar, mesmo estando nas garras de pres-
sões técnicas e sociais para maior centrali-
zação do poder e do controle.
Portanto, essa narrativa exige que re-
conectemos, analítica e politicamente, o lo
cal com o global; as práticas e processos
organizacionalmente situados com as racio-
nalidades e estruturas institucionais; a or-
dem negociada com o controle e o poder
estratégico. Em resumo, é preciso conside-
rar que:

Vivemos em um mundo maciçamen-


te interconectado e interdependente, po-
rém de forma desigual e irregular, onde a
"organização" (e desorganização) e os ti-
pos peculiares de organizações represen-
tam "problemas" fundamentais, tanto em
termos conceituais quanto práticos; em
tal
cenário, uma visão administrativa domi-
nante e ampla, por exemplo, só pode ser
obtida de forma limitada e imperialista,
tanto em termos conceituais quanto práti-
cos. Procurar entender e analisar tais
com-
plexas interseções e suas ramificações
deve, a meu ver, representar um compo-
nente-chave para o desenvolvimento fu-
turo do campo, se ele espera atender aos
desafios práticos e intelectuais que lhe
são
impostos (Jones, 1994 : 208).
I22 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE_____________________________

PONTOS DE INTERSEÇÃO essa visão, a "tese da contestação essencial


é preterida pela prática da desconstrução
Vários temas interconectados consti- total" (1993 : 233). Connolly concebe a te-
tuem a "espinha dorsal de análise" em tor- oria política, essencialmente, como um do-
no da qual as seis estruturas narrativas ana- mínio ou espaço de conflitos, no qual inter-
lisadas neste capítulo podem ser interpre- pretações rivais da vida política podem ser
tadas como tentativas contestadas de repre- analiticamente identificadas e racionalmen-
sentação e controle de nosso entendimento te debatidas por agentes responsáveis, sem
sobre a prática social estratégica insti- que se apele ao "provincialismo transcen-
tucionalizada que é a "organização". Assim dental" característico do universalismo
como o discurso da teoria política, o discur- epistemológico e do relativismo cultural.
so da teoria da organização deve ser consi- Essa concepção pode ser usada para mapear
derado como uma rede contestável e con- os temas subjacentes ao relato histórico da
testada de conceitos e teorias, que travam teoria das organizações apresentado neste
batalhas para impor certos significados em capítulo.
detrimento de outros a nosso entendimen- Esses temas podem ser resumidos das
to partilhado da vida organizacional na seguintes formas: um debate teórico a res-
modernidade recente. peito das explicações rivais sobre conceitos
de "atuação" e "estrutura", à medida que
Dizer que uma rede particular de estes são empregados como conceitos-cha-
conceitos é contestável eqüivale a dizer ve de características organizacionais; um
que
debate epistemológico entre "construti-
os referenciais e critérios de julgamento
que ela expressa estão abertos à contesta- vismo" e "positivismo" e suas implicações
ção. Dizer que essa rede é essencialmente para a natureza e caráter do conhecimento
contestável eqüivale a afirmar que os cri- que os estudos organizacionais produzem;
térios universais da razão - como agora os um debate analítico sobre a prioridade re-
entendemos - não bastam para conciliar lativa a ser conferida, nos estudos orga-
esses conflitos definitivamente. Quem nizacionais, ao nível "local" em oposição ao
pro- nível "global" de análise; um debate nor-
põe conceitos essencialmente
contestáveis
investe contra aqueles que interpretam e
operacionalizam os referenciais a seu pró-
prio modo, tornando-os representativos
da
vontade de Deus ou da razão ou da natu-
reza com um provincialismo transcenden-
tal; eles tratam os referenciais com que
estão intimamente familiarizados como
critérios universais de medida para ava-
liar todas as outras teorias, práticas e
ideais. Eles se utilizam de uma retórica
universalista para proteger práticas pro-
vinciais... A frase "conceitos essencialmen-
te contestáveis", se bem interpretada,
cha-
ma a atenção para a conexão interna exis-
tente entre os debates conceituais e os
debates sobre a forma de bem viver; cha-
ma a atenção para os motivos que agora
temos para acreditar que o espaço racio-
nal para tais contestações continuará a
existir no futuro; para o valor de se man-
ter tais contendas vivas mesmo em cená
rios onde se requer uma orientação deter-
minada à ação; e para a tarefa que cabe
àqueles que aceitam os primeiros três te-
mas de expor seu hermetismo conceituai
onde este foi imposto artificialmente
(Connolly, 1993 : 225-231).
Connolly desenvolve esse argumento
para desenvolver uma crítica ao "univer-
salismo racional" e ao "relativismo radical"
que dominam a análise política nas arenas
da filosofia analítica anglo-americana e do
deconstrucionismo continental (1993 : 213-
247). Ele é particularmente crítico do
"hermetismo conceituai" artificial e sem
garantias dos relatos foulcaudianos sobre
discursos de conhecimento/poder, que en-
tendem atores sociais como artefatos, ao
invés de agentes de poder. De acordo com
TEORIZAÇÃO ORGANIZACIONAL UM CAMPO HISTORICAMENTE CONTESTADO

cia da atuação gerencial em nossa socieda-


de" (1994 : 71). Sua rejeição de extremis-
mativo entre o "individualismo" e "coleti- mos teóricos de reducionismo individualis-
vismo" como concepções ideológicas rivais, ta e determinismo coletivista é bem aceita.
que competem pela noção de "viver bem" A necessidade de desenvolver teorias expla-
nas sociedades modernas. Cada uma das seis natórias em que a "atuação deriva da natu-
narrativas contribui e participa para a for- reza simultaneamente facilitadora e contra-
mação dos espaços intelectuais contestados, ditória dos princípios estruturais de acordo
abertos por esse debate. com os quais agem as pessoas" (1994 : 72)
constitui uma das questões centrais no pro-
grama de pesquisas da análise organiza-
O debate atuação/estrutura cional.

Layder argumenta que, na teoria so-


cial, o debate atuação / estrutura "concen- O debate construtivista/
tra-se na questão de como a criatividade e positivista
as restrições se relacionam por meio da ativi-
dade social - como podemos explicar sua Os assuntos epistemológicos têm de-
coexistência?" (1994: 4). Os que enfatizam sempenhado um papel estratégico no desen-
a atuação concentram-se na busca de um volvimento da teoria organizacional, espe-
entendimento da ordem social e orga- cialmente nos últimos 25 anos, à medida
nizacional que saliente as práticas sociais por que a ortodoxia positivista vem sendo pre-
meio das quais seres humanos criam e re- terida por várias escolas de metodologia
produzem instituições. Os que privilegiam interpretativa, realista e crítica (Hassard,
a "estrutura" ressaltam a importância dos 1990; Willmott, 1993; Donaldson, 1985;
padrões e das relações externas que deter- 1994; Aldrich, 1992; Gergen, 1992). Esse
minam e circunscrevem a interação social debate tem que ver com as formas repre-
dentro de formas institucionais específicas. sentacionais, por meio das quais as "preten-
Com relação às estruturas narrativas
acima, percebe-se, por um lado, um abismo
teórico entre um conceito de organização
que se refere a determinadas estruturas
como condicionantes de comportamentos
individuais e coletivos, e por outro lado, um
conceito que induz a uma teoria de redes
de interação preconcebidas, por meio das
quais geram-se e reproduzem-se estruturas
temporárias, cujos mecanismos ordenadores
estão em permanente mudança. As narrati-
vas racional, integracionista e de mercado
apoiam firmemente a concepção estrutural
da organização, ao passo que os pesquisa-
dores que trabalham segundo as tradições
de poder, conhecimento e justiça preferem
o conceito de atuação organizacional. Mui-
to esforço tem sido feito na tentativa de su-
perar, ou pelo menos reconciliar essa
dualidade teórica, por meio de abordagens
que enfatizam a natureza simultaneamente
83 |

constituída e constituinte da atuação e da


estrutura na reprodução organizacional (e.g.
Giddens, 1984; 1993; Boden, 1994); no
entanto, o conflito gerado por essas lógicas
explanatórias rivais continua sendo fonte de
tensão criativa nos estudos organizacionais.
Há sempre o risco de que as concep-
ções orientadas para a atuação afastem por
demais a organização de seu ambiente con-
textual, tornando-se incapaz de lidar com
grandes mudanças nas formas institucionais
dominantes. Por outro lado, visões orienta-
das pela estrutura tendem a resultar em uma
explanação lógica determinística, na qual a
sociedade esmaga a atuação com uma for-
ça monolítica (Whittington, 1994 : 64). A
conclusão de Whittington é que a análise
de organizações necessita de uma teoria de
"escolha estratégica adequada à importân-
24 PARTE I - MODELOS DE ANALISE

soes de conhecimento" dos teóricos da or- Em estudos organizacionais, as abor-


ganização podem ser avaliadas e legitima- dagens teóricas desenvolvidas com base nas
das. Enquanto as narrativas racional, estruturas de poder, conhecimento e justiça
integracionista e de mercado se desenvol- tendem a dar destaque a processos e práti-
veram com base na ontologia realística e na cas organizacionais em nível local/micro; as
epistemologia positivista, as tradições de narrativas racional, integracionista e de
poder, conhecimento e justiça são mais fa- mercado, por outro lado, começam por uma
voráveis a uma ontologia construtivista e a concepção mais global da "realidade da or-
uma epistemologia convencionalista. A pri- ganização". Abordagens etnometodológicas
meira trata "organização" como um objeto e pós-estruturalistas levam o foco local ao
ou entidade existindo como tal, e que pode extremo, ao passo que a ecologia popu-
ser explicada em termos de princípios ge- lacional e o institucionalismo desenvolvem
rais ou de leis que governam seu funciona- um nível de análise mais global. Abordagens
mento. A segunda promove uma concepção que se fixam no nível local/micro de análi-
da organização como sendo um artefato se em estudos organizacionais correm o ris-
socialmente construído e dependente, que co de basear suas pesquisas em "ontologias
somente pode ser entendido em termos de homogêneas", o que faz com que se torne
convenções metodológicas altamente restri- muito difícil, se não impossível, ir além das
tas e localizadas, sempre abertas a revisões práticas cotidianas em que os membros se
e mudanças. acham envolvidos (Layder, 1994: 218-229).
Essas epistemologias radicalmente Como resultado, fica comprometida a sua
opostas legitimam procedimentos e proto-
colos muito diferentes para avaliar as "pre-
tensões de conhecimento" do pesquisador
organizacional. A epistemologia positivista
restringe severamente o limite do "conheci-
mento" que pode ser atingido pelos estudos
organizacionais, limitando-o àqueles fatos
que podem ser submetidos a um "método
de prova" rigoroso, bem como a generaliza-
ções semelhantes a leis que ela sanciona. O
construtivismo adota uma posição muito
mais liberal - para não dizer relativista - e
recai nas normas e práticas comunais res-
tritas de comunidades de pesquisa específi-
cas, desenvolvidas ao longo do tempo (Reed,
1993). Várias tentativas de se seguir um
meio termo entre essas polaridades episte-
mológicas têm sido feitas (Bernstein, 1983),
porém o campo de conflitos onde lutam a
corrente relativista/construtivista e a positi-
vista/objetivista continua a existir nos estu-
dos organizacionais.
O debate local/global

O debate atuação/estrutura gira em


torno de questões fundamentais sobre a ló-
gica da explanação que deve ser seguida
pelos analistas organizacionais, ao passo que
o debate construtivista/positivista realça a
arraigada controvérsia sobre as formas
representacionais, através das quais este
conhecimento deve ser desenvolvido, ava-
liado e legitimado. O debate localismo/
globalismo surge quando o foco narrativo
se direciona às questões relativas ao nível
de análise em que a pesquisa e a análise
organizacional devem ser conduzidos. Como
Layder (1994) assinala, questões relativas
a níveis de análise fixam-se em torno de di-
ferentes modelos de realidade social e em
torno das propriedades analíticas das enti-
dades ou objetos localizados nos diferentes
níveis dentro de tais modelos. Portanto, o
debate "micro/macro" questiona se a ênfa-
se deve ser dada aos "aspectos íntimos e
detalhados da conduta individual [ou] em
fenômenos impessoais, de maior escala"
(1994 : 6).
TEORIZAÇÃO ORGANIZACIONAL UM CAMPO HISTORICAMENTE CONTESTADO 25

------------------------------------------- preceito ontológico/metodológico está na


crença de que formas de organização social
capacidade teórica de perceber, e muito que vão além de associações diretas
menos explicar, as engrenagens intrincadas interpessoais só podem ser justificadas em
e complexas das práticas locais, em toda sua termos de sua contribuição positiva para a
variabilidade e contingência, bem como as proteção da liberdade e da autonomia indi-
estruturas institucionalizadas (Smith, vidual.
1988). O perigo correspondente que há em O coletivismo encontra-se no ponto
"ontologias estratificadas" é que elas nunca oposto do espectro ideológico/metodoló-
vêem a dialética que há entre estruturas e gico, à medida em que recusa o reconheci-
práticas sociais, as quais se constituem mu- mento de atores individuais como compo-
tuamente. nentes constituintes da organização formal;
A tendência que se observa, em análi- os indivíduos tornam-se simplesmente cifras
se organizacional, de mudar o foco analíti- para as programações cognitivas, emocio-
co para tão perto do nível local/micro traz nais e políticas geradas pelas grandes estru-
consigo o risco de se perder de vista as limi- turas. Se, por um lado, o individualismo ofe-
tações e recursos estruturais que conformam rece uma visão da organização como uma
o processo de (re)produção ou "ordenação" criação não intencional dos atores indivi-
organizacional. Alguns estudos, contudo, duais que seguem os desígnios de seus ob-
conseguem manter uma relação intrincada, jetivos políticos e instrumentais, por outro
porém absolutamente vital, entre local e lado, o coletivismo trata a organização como
global, entre atuação e estrutura, e entre uma entidade objetiva que se auto-impõe
construção e restrição. De fato, as pesqui- aos atores com tal força que lhes deixa pou-
sas mais recentes e importantes no estudo ca ou nenhuma alternativa, exceto obede-
das organizações são encontradas nos tra- cer a seus comandos (Whittington, 1994).
balhos de Zuboff (1988), sobre tecnologia A narrativa integracionista apóia-se muito
da informação; na análise de Jackall (1988) nessa visão, à medida que identifica uma
dos "labirintos morais" a serem descober- lógica de funcionamento e desenvolvimen-
tos em grandes corporações americanas; e to da organização que funciona à revelia dos
na pesquisa de Kondo (1990) sobre a "auto- indivíduos, e que limita bastante suas op-
construção da personalidade" em organiza- ções de tomada de decisão, ao ponto de
ções japonesas. Esses estudos redescobrem
e renovam a relação de constituição mútua
existente entre práticas e formas institu-
cionalizadas que estão no cerne de um tipo
de análise organizacional que ultrapassa os
limites do entendimento do cotidiano,
conectando-se com a dinâmica histórica,
social e organizacional que estrutura o de-
senvolvimento de uma sociedade.

O debate individualista/
coletivista
A última vertebra analítica que cons-
titui a estrutura teórica dessa breve história
dos estudos sobre organizações é o debate
ideológico entre a visão individualista e
coletivista da ordem organizacional. As te-
orias organizacionais individualistas estão
fundamentadas em uma perspectiva analí-
tica e normativa que vê a organização como
resultado de ações e reações individuais
potencialmente redutíveis a suas partes com-
ponentes. Portanto, teorias baseadas no
mercado, e a rica vertente das teorias da
tomada de decisão criadas em torno dessa
perspectiva individualista (Whittington,
1994), negam que conceitos coletivos tais
como "organização" têm alguma outra ca-
racterística ontológica ou metodológica
além de representarem um código simplifi-
cado para os comportamentos de atores in-
dividuais. A justificativa ideológica para esse
I26 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE_______________________________

quase extingui-las. Embora o coletivismo volvimento global e seus impactos em for-


esteja muito menos em voga atualmente, ele mas de controle e administração das orga-
continua a oferecer uma concepção de or- nizações e instituições em todo o mundo.
ganização e análise organizacional que de-
safia diretamente o domínio das perspecti-
vas analíticas fundamentadas em um pro- Gênero
grama reducionista/individualista.
A "cegueira relativa ao gênero" da te-
oria e análise organizacional é bem docu-
PONTOS DE EXCLUSÃO mentada em outras obras e não necessita
ser ensaiada outra vez (Hearn et al., 1989;
Cada um dos quatro pontos de inter- Calas e Smircich, 1992; Witz e Savage,
seção apresentados na história narrada por 1992; Mills e Tancred, 1992; Ferguson,
este capítulo estrutura o campo de conflitos 1994; Martin, 1994; ver também o Capítu-
no qual a teoria das organizações vem to- lo de Calas e Smircich deste Handbook). O
mando forma como um empreendimento ponto básico que se quer enfatizar aqui é
intelectual identificável e factível. Eles es- que as categorias, conceitos e teorias fun-
tabelecem um conjunto de parâmetros em damentais com os quais a análise orga-
meio aos quais tornou-se possível, durante nizacional geralmente lida não permitem o
quase um século, um diálogo entre inter- reconhecimento do fato de que as estrutu-
pretações concorrentes e conflitantes de ras e processos organizacionais são per-
organização, à medida que os cientistas so- meados por relações e práticas de poder
ciais tentam dar conta do crescimento e da baseadas no gênero. Isto acarreta uma for-
importância estratégica dessa prática so- ma extrema de miopia intelectual e ideoló-
cial. Contudo, os pontos de interseção en- gica institucionalizada, em que são excluí-
tre as narrativas são também relevantes por das dos programas de pesquisa a contribui-
tudo aquilo que eles excluem, ou seja, por ção vital das teorias e práticas organi-
conta dos pontos de exclusão ou de "silên- zacionais para a produção e reprodução de
cio" que eles revelam. "pessoas sexuadas" (Mills e Tancred 1992),
As narrativas analíticas estruturadas bem como as estruturas de desigualdade e
que constituem o campo de conflitos histó-
ricos da teoria organizacional são estórias
que filtram e mediam seletivamente uma
realidade social e histórica extremamente
diversa e complexa. Essas narrativas omi-
tem, ou no mínimo marginalizam, aspectos
da vida organizacional que podem adquirir
significado estratégico, se observados de um
ponto de vista diferente. O teor das narrati-
vas está longe de ser ingênuo; na verdade,
ele se baseia nos pressupostos sobre a reali-
dade da organização e os meios intelectu-
ais que sejam mais apropriados para sua
exploração, e que encontram pouca aceita-
ção em outras áreas.
Nossa consciência e sensibilidade para
com essas omissões ou "ausências" tem cres
cido nos últimos anos, porém, estas perma-
necem sendo realidades relativamente sub-
desenvolvidas e minimizadas nos estudos
das organizações, para as quais somente
agora nos voltamos. Quatro temas são
cruciais para essa "agenda latente" na aná-
lise organizacional: a questão do gênero e
suas implicações para o modo pelo qual
conceitualizamos, analisamos e praticamos
a organização; o tema da etnicidade e raça
e sua relevância para o nosso entendimen-
to da desigualdade organizacional; o assun-
to da tecnociência e seu potencial para trans-
formar as estruturas organizacional e os
meios teóricos por meio dos quais elas são
intelectualmente abordadas; e, finalmente,
o processo de desenvolvimento e subdesen-
TEORIZAÇÃO ORGANIZACIONAL UM CAMPO HISTORICAMENTE CONTESTADO 87 I
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

controle por meio das quais se perpetua sua sas categorias analíticas e compromissos
subordinação (Witz e Savage, 1992). ideológicos básicos.

Raça e etnicidade Scarbrough e Corbett argumentam que a


nova tecnologia da informação está geran-
Enquanto a crítica feminista à "ceguei- do "circuitos" de controle, significados e
ra relativa ao gênero" inata à teoria desenhos mais complexos e inovadores, à
organizacional tem ganhado força nos últi- medida que "a força transformacional do
mos 10 anos ou mais, a questão dos funda- conhecimento tecnológico pode escapar aos
mentos raciais e étnicos do poder nas orga- desígnios dos poderosos e ameaçar, e não
nizações está apenas começando a surgir na simplesmente reproduzir, a estrutura eco-
literatura como um tópico aceitável de in- nômico-social existente" (1992 : 23). Mui-
vestigação e debate (Nkomo, 1992; Reed, to se fala em uma estratégia de controle
1992; Ferguson, 1994; ver também o Capí- organizacional "neotaylorista" como sendo
tulo de Nkomo e Cox deste Handbook): a força motriz por trás das mudanças
tecnológicas contemporâneas (Webster e
introduzir a cor da pele nos estudos Robins, 1993). Contudo, uma leitura mais
organizacionais requer reflexão sobre o matizada sugeriria que as tecnologias avan-
sig- çadas vêm abrindo novos focos de conflito
nificado dessa cor e o desmonte da com-
e circuitos de controle, que tornaram ainda
plexa gramática da raça que
rotineiramen- mais difícil a realização de previsões sobre
te mistura terminologias biológicas (por tendências de longo prazo nas estruturas de
exemplo, "preto", "branco"), geográficas poder.
(por exemplo, "americano africano", O trabalho de Escobar (1994) sobre a
"ame- emergência de uma nova "cibercultura" em
ricano asiático") e históricas (por exem- sociedades avançadas/pós-modernas levan-
plo, "americano nativo", "indígena") para
ta questões fundamentais sobre o papel da
rastrear a identidade racial. Raça, assim
como gênero, apresenta-se como desem-
penho por si mesma, um conjunto de prá-
ticas, linguagens e auto-aprendizagens
tão
denso e pesado que é possível mascarar a
história como natureza (Ferguson, 1994 :
93).

Ferguson conclui que a introdução da


cor na análise organizacional poderia enco-
rajar-nos "a pensar na raça, não como uma
propriedade estática que adere aos indiví-
duos, mas como um conjunto de práticas e
identidades produzidas por meio de com-
plexas interações entre geografia, história e
poder" (1994 : 95). Dessa forma, tanto a
"sexualização" quanto a "colorização" da
teoria organizacional abriria caminho para
uma definição "muito mais ampla da cons-
tituição e objetivos dos estudos orga-
nizacionais" (1994 : 97) e faria com que nos
dedicássemos a um questionamento mais
profundo, e portanto mais perigoso, de nos-
Tecnociência

As práticas e os processos sociotécnicos


por meio dos quais a "ordenação orga-
nizacional" se conforma são temas perma-
nentes nos estudos organizacionais, e
reemergem como uma pesquisa de interes-
se estratégico nas abordagens contemporâ-
neas que se inspiram nas teorias organi-
zacionais baseadas no conhecimento, tal
como a teoria de rede-ator (Law, 1991;
1994a). Contudo, a interação dinâmica en-
tre cultura e tecnologia atrai ainda mais a
atenção dos pesquisadores que se concen-
tram no desenvolvimento de novas tecno-
logias da informação, que aparentemente
acarretam "uma transformação fundamen-
tal na estrutura e no significado da cultura
e sociedade moderna" (Escobar, 1994 : 211).
I28 ['ARTE I - MODELOS DE ANÁLISE ______________________________

tecnologia como agente e produto da pro- meçam também a atrair a atenção dos pes-
dução cultural e social. Ele argumenta que quisadores organizacionais (Escobar, 1994;
novos desenvolvimentos em inteligência Ramirez, 1994). Contudo, todo o terreno da
artificial e biotecnologia, que radicalmente globalização política, econômica e cultural
transformam o relacionamento entre as dominada pelo Ocidente e seus impactos nas
máquinas, corpos e comportamentos, deses- novas formas organizacionais emergentes
tabilizam a divisão convencional do traba- no Primeiro e no Terceiro Mundo permane-
lho entre ciência, tecnologia e sociedade. Em cem como temas pouco explorados nas aná-
vez da tradicional distinção categórica en- lises contemporâneas da organização (Calas,
tre "natureza" e "sociedade", está se forman- 1994).
do, "por meio de intervenções tecnológicas Essa breve revisão de algumas das
baseadas na biologia, uma nova ordem para omissões apresentadas pelas tradições teó-
a interação entre a vida, a natureza e o cor- ricas revela sua capacidade limitada de auto-
po" (1994 : 214). Ela reconfigura radical- reflexão crítica. Qualquer das narrativas
mente a prática e o discurso organizacional analiticamente estruturadas, bem como as
que giram em torno dos desenvolvimentos abordagens teóricas particulares e progra-
tecnocientíficos. Escobar afirma ainda que mas de pesquisa que elas estimulam, exclui
esses desenvolvimentos levarão a "profun- e marginaliza ao mesmo tempo que inclui e
das mudanças na acumulação do capital, nas estrutura. Contudo, a interação dinâmica
relações sociais e na divisão do trabalho em entre tradições rivais abre espaço para o
muitos níveis... A mudança para novas diálogo racional e a reflexão criativa por
tecnologias da informação marcou o apare- meio das quais o estudo de organizações se
cimento de processos de trabalhos mais fle- desenvolve ou "progride" como prática in-
xíveis e descentralizados, altamente telectual identificável e coerente. O diálogo
estratificados por fatores de gênero, etnia, racional entre tradições que competem en-
classe e fatores geográficos" (1994 : 120). tre si e a auto-reflexão crítica sobre suas li-
Considerado nesses termos, o concei- mitações inerentes são características sem-
to de "tecnociência" começa a sensibilizar
pesquisadores organizacionais para os no-
vos campos organizacionais e cenários insti-
tucionais nos quais os desenvolvimentos
científicos e tecnológicos se combinam para
criar novas formas de apropriação e meca-
nismos de decisão. Isso é, particularmente,
o caso do desenvolvimento do Terceiro Mun-
do, onde corporações transnacionais dedi-
cam-se à pesquisa e desenvolvimento
biotecnológico, nas áreas de genética de
plantas, cultura de tecidos industriais e
manipulação genética de microorganismos,
que provavelmente resultarão em uma
"biorrevolução" dirigida pelos imperativos
da acumulação de capital ao invés de cres-
cimento interno. É nesses termos que o re-
lativo silêncio sobre as implicações cultu-
rais e políticas da biotecnologia se encaixa
perfeitamente com a negligência constante
dos interesses e tradições do Terceiro Mun-
do nos estudos organizacionais.

Desenvolvimento global e
subdesenvolvimento
Pesquisadores como Castells (1989) e
Smith (1993) têm começado a reconhecer
as "novas dependências" entre os países "ri-
cos em tecnologia" e os "pobres em
tecnologia", que resultam da dominação,
pelo Primeiro Mundo, das inovações como
computadores, tecnologia biológica e de
informação, bem como de sua coordenação
sistemática dos mecanismos organizacionais
associados à "tecnociência". As práticas cul-
turais e as formas políticas por meio das
quais esses novos relacionamentos de ex-
ploração e dependência são mediados co-
TEORIZAÇÃO ORGANIZACIONAL UM CAMPO HISTORICAMENTE CONTESTADO 29

pre presentes no campo. Elas provavelmen- rativas que gerem questões" (1994b : 249).
te se tornarão características ainda mais sig- Isto não necessariamente leva os estudos
nificativas quando os debates interno e ex- organizacionais a um redemoinho incon-
terno a cada narrativa descortinarem as con- trolável de relativismo, argumenta Law, pois
tradições e tensões encontradas em qualquer essa opção nos sensibiliza para a necessida-
comunidade intelectual, bem como nas au- de de preservar e utilizar o pluralismo inte-
diências mais amplas para as quais ela diri- lectual viabilizado pela crítica e de revelar
ge seu discurso. O estudo das organizações os "processos pelos quais os atos de narrar
vem atravessando um debate prolongado e ordenar as estórias ocorrem espontanea-
sobre sua identidade, razão e objetivo há mente" (1994b : 249).
mais de três décadas. Esse debate tem lan- Como já foi relatado em seções ante-
çado uma verdadeira torrente de novas riores desse capítulo, o chamado para a re-
abordagens, cujas falas são dirigidas a uma clusão e o reagrupamento em torno de uma
extensão cada vez maior de audiências, e ortodoxia intelectual renovada é uma ten-
que trata de um conjunto muito mais am- dência forte dentro do campo no presente
plo de questões do que o fazia quando as momento. A seus próprios modos,
necessidades técnicas e os interesses políti- Donaldson (1985; 1988; 1989; 1994) e
cos de uma pequena elite formadora de di- Pfeffer (1993) tentam reviver a narrativa dos
retrizes dominavam o cenário. O debate estudos organizacionais como um empreen-
atual também enfatiza algumas questões bá- dimento científico em sintonia direta com
sicas sobre os rumos mais apropriados para as necessidades técnicas e interesses políti-
o desenvolvimento futuro do estudo de or- cos das elites formadoras de diretrizes; esta
ganizações. é, aliás, uma aspiração e uma motivação que
dominou o desenvolvimento do campo des-
de as primeiras décadas deste século. Seu
NARRANDO O FUTURO TEÓRICO apelo por consenso paradigmático e disci-
plina em torno de uma ortodoxia meto-
Law sugeriu que, ao longo das últimas dológica e teórica dominante, que forneces-
duas décadas, os estudos organizacionais se, cumulativamente, conhecimento codifi-
atravessaram uma "fogueira de certezas" em cado e "amigável ao usuário" às elites for-
relação a suas fundações ontológicas, com- madoras de diretrizes, está em consonância
promissos teóricos, convenções metodoló- com o atual desejo de restabelecer ordem
gicas e predileções ideológicas (1994b : 248- intelectual e controle em um mundo cada
249). Os pressupostos do domínio relacio- vez mais fragmentado e incerto. Eles são
nados à prevalência analítica da "ordem" herdeiros intelectuais e ideológicos do
sobre a "desordem"; da "estrutura" sobre o cientificismo tecnocrático que permeia as
"processo"; das "internalidades" sobre as
"externalidades"; dos "limites" sobre as "eco-
logias"; e da "racionalidade" sobre a "emo-
ção" têm sido incinerados por críticas fero-
zes a sua arrogância teórica inata e a sua
pretensão metodológica. Law delineia as
duas respostas possíveis para essa situação:
"avançar a qualquer custo" ou, o oposto,
"deixar que brotem mil flores". A primeira
opção sugere uma reclusão às fortificações
intelectuais que oferecem proteção contra
os efeitos radicalmente desestabilizadores
da crítica contínua e da desconstrução, des-
de que seja feita uma reforma adequada
dessas fortificações. Ela apoia um reagru-
pamento geral em torno de um paradigma
teórico aceito e um programa básico de pes-
quisas, que neutralizem a dinâmica frag-
mentária criada pelas abordagens que rom-
peram com a ortodoxia. A segunda opção
estimula uma continuada proliferação de
"mais questões e incertezas e (...) mais nar-
PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

cessos e práticas comunais de reflexão críti-


ca necessária à identificação de anomalias
tradições racionais, integracionistas e de dentro das teorias existentes oferece uma
narrativas de mercado previamente anali- alternativa mais atraente, tanto para a ar-
sadas. Esse apelo a uma unicidade intelec- rogância do "sempre em frente" ortodoxo
tual, em torno de um paradigma teórico re- quanto para a desesperança do "tudo é váli-
novado e ao consenso ideológico sobre as do" relativista. Willmott (1993) resiste ao
necessidades tecnocráticas restritivas às dogma da incomensurabilidade paradig-
quais a análise organizacional deve servir, mática, ao mesmo tempo em que enfatiza o
se apoiam no pressuposto de que o retorno papel crucial da política acadêmica insti-
à ortodoxia é um projeto politicamente viá- tucionalizada ao determinar critérios de
vel. acesso aos recursos e infra-estrutura - (bol-
O alter ego da visão "de volta à orto- sas, periódicos, editores etc.) que confor-
doxia" é a "tese da incomensurabilidade", mam as condições em que os diferentes
que vem recebendo nova vida intelectual da paradigmas do conhecimento são produzi-
crescente influência das abordagens pós- dos e legitimados. Contudo, essa sensibili-
estruturalista e pós-modernista, tais como dade quanto às "práticas de produção" que
a teoria do discurso de inspiração facilitam a aceitação de certas teorias
foucauldiana e a teoria ator-rede (Jackson organizacionais e marginalizam ou exclu-
e Carter, 1991; Willmott, 1993; 1994; em outras não é suficiente. A análise de
Alvesson e Willmott, 1992). Simpatizantes Willmott revela que há pouca consciência
da "tese da incomensurabilidade" se acomo- quanto às formas em que essas práticas de
dam no relativismo epistemológico, teórico produção interagem com práticas adju-
e cultural. Eles rejeitam a possibilidade de dicatórias, construídas ao longo de deter-
um discurso compartilhado entre posições
paradigmáticas conflitantes em favor de um
relativismo sem qualificação, que politiza
completamente o debate intelectual entre
tradições rivais. Relações de mútua exclusi-
vidade entre paradigmas oferecem visões
polarizadas da organização e das linguagens
da análise organizacional, que não podem
ser reconciliadas. Assim, as narrativas rivais
que constituem "nosso" campo estão trava-
das em uma luta pelo poder intelectual sem
nenhuma esperança de mediação. Um "de-
sejo de poder" transcendental nietzschiano
e uma idéia geopolítica darwiniana de "so-
brevivência do mais adaptado" tornam-se
os parâmetros intelectuais e institucionais
dentro dos quais essa luta deve ser travada.
Não há possibilidade de sustentar uma nar-
rativa por meio da argumentação, da lógica
e da prova; o que há simplesmente é o po-
der de um paradigma dominante e das prá-
ticas disciplinares que ele gera e legitima.
Não há reconhecimento de regras funda-
mentais, negociadas, dentro das quais se
pode contestar racionalmente (Connolly,

1993 : 233-234), nem um interesse com-


partilhado na mediação de suspeitas e riva-
lidades mútuas. A concepção de estudos
organizacionais como um campo de confli-
tos históricos mediados pelo contexto, por-
tanto, é substituída pela prática de uma
desconstrução total e pelo relativismo sem
qualificação em que se baseiam esses auto-
res.
Essa "escolha de Hobson", entre a or-
todoxia renovada e o relativismo radical não
é a única opção: uma sensibilidade maior
ao contexto sócio-histórico e à dinâmica
política do desenvolvimento teórico não
precisa degenerar-se em uma desconstrução
impensada e total como a única alternativa
à ortodoxia ressurgente. O trabalho de
Willmott (1993) baseado na abordagem
kuhniana do desenvolvimento teórico no
âmbito das ciências sociais e naturais ofere-
ce uma saída para esse beco sem saída inte-
lectual no qual tanto a ortodoxia quanto o
relativismo desembocam. Seu foco nos pro-
TEORIZAÇÃO ORGANIZACIONAL UM CAMPO HISTORICAMENTE CONTESTADO 31

minado período de desenvolvimento inte- renovação dos estudos organizacionais.


lectual, para formar as regras negociadas por Como argumenta Perry, "não podemos es-
meio das quais abordagens e tradições ri- capar da história ou do jogo da cultura. Toda
vais possam ser avaliadas. Precisamos de- teorização é portanto parcial; toda teo-
senvolver maior consciência das maneiras rização é seletiva" (1992 : 98). Contudo,
sutis e intricadas de interação entre as con- aqui não se trata de racionalização em prol
dições materiais e as práticas intelectuais, e de um consenso paradigmático forçado ou
do modo como essa interação gera e sus- rumo à proliferação irrestrita de para-
tenta as tradições narrativas e os programas digmas. Ao contrário, está se falando de uma
de pesquisa inerentemente dinâmicos, que apreciação mais sensível da complexa inte-
constituem o campo dos estudos organi- ração entre um conjunto de condições
zacionais ao longo do tempo. institucionais e formas intelectuais em mu-
"Reflexividade institucional" (Giddens, tação, à medida que se combinam para re-
1993; 1994) não é apenas a característica produzir a reflexividade e a crítica que são
que define os fenômenos que são objeto de o marco do estudo contemporâneo de orga-
estudo dos pesquisadores organizacionais; nizações.
ela é também uma característica constitutiva A proposta implícita deste capítulo é
da troca intelectual que eles praticam. O sugerir que os teóricos organizacionais de-
estudo de organizações é ao mesmo tempo senvolveram e continuarão a desenvolver
progenitor e herdeiro dessa reflexividade uma rede de debates críticos internos e ex-
institucionalizada, à medida que necessa- ternos às tradições narrativas, que irão in-
riamente depende e sistematicamente cul- delevelmente conformar a evolução do cam-
tiva uma atitude crítica e um questio- po. Três debates parecem particularmente
namento em torno de seus objetos, media- intensos e potencialmente produtivos no
dos por meio de uma interação dinâmica presente. O primeiro é a necessidade perce-
nas tradições narrativas que constituem seu bida de desenvolver uma "teoria sobre o
legado intelectual. Os estudiosos da organi- assunto" que não degenere nas simplicida-
zação não podem evitar esse legado: ele des do reducionismo ou nos absurdos do
define os pressupostos que formam o pano determinismo. O segundo é o desejo gené-
de fundo e o contexto moral que alimentam rico de construir uma "teoria organizacio-
as decisões dos pesquisadores quanto a ideo- nal" que venha a realizar a mediação analí-
logia, epistemologia e teoria. Essas escolhas tica e metodológica entre as restrições do
são feitas em um legado que não é simples- localismo e a grandiosidade do globalismo.
mente "passado adiante", mas sim constan-
temente revisitado, reavaliado e renovado
à medida que passa pelo debate crítico e re-
flexão que são o sangue intelectual dos es-
tudos organizacionais.
A reflexividade e a crítica estão institu-
cionalizadas no âmbito das práticas intelec-
tuais que constituem o estudo das organi-
zações. Os critérios específicos pelos quais
esses "mandatos gerais" são definidos, bem
como as condições sociais, econômicas e
políticas em que eles são ativados, variam
no tempo e no espaço. O poder material e
simbólico mobilizado por diferentes comu
nidades acadêmicas afeta claramente a so-
brevivência de tradições narrativas rivais.
Contudo, o elo indelével entre o raciocínio
prático que permeia as narrativas estru-
turadas analiticamente e o desenvolvimen-
to teórico em um contexto sócio-histórico
dinâmico não pode ser apagado nem pela
ortodoxia conservadora, nem pelo relati-
vismo radical. É precisamente o confronto
entre tradições narrativas rivais, particular-
mente quando suas tensões internas e con-
tradições ou anomalias estão clara e crua-
mente expostas, que fornece o dinamismo
intelectual essencial ao redescobrimento e
\ 32 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE
-----------------------------------------------------------------------------

O terceiro debate é a necessidade imperio- ______ , SCOTT, W. R. Formal organizations: a


sa de nutrir uma "teoria do desenvolvimen- comparative approach. Londres : Routledge
to (intelectual)" que resista às limitações do and Kegan Paul, 1963.
conservadorismo e às distorções do rela- BODEN, D. The business of talk: organizations in
tivismo. Desde que este capítulo tenha for- action. Cambridge : Polity Press, 1994.
necido alguma contribuição para avançar o BOGUSLAW, R. The new Utopians: the study of
debate sobre esses temas de forma histori- system design and social change. Englewood
camente mais informada e intelectualmen- Cliffs, NJ : Prentice-Hall, 1965.
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NOTA TÉCNICA: TEORIZANDO
SOBRE ORGANIZAÇÕES -
VAIDADES
ou PONTOS DE VISTA?
ROBERTO FACHIN E SUZANA BRAGA RODRIGUES

O texto de Michael Reed é, apropria- vamente, em questões de ordem, consenso,


damente, o texto introdutório deste volu- liberdade, dominação, controle e participa-
me que faz o estado-da-arte dos estudos ção.
organizacionais, pois é abordagem de índo- O texto acentua que o "terreno é his-
le histórica sobre os diversos temas, dife- toricamente contestado", implicando dife-
rentes contextos e distintas metodologias rentes visões sobre o que são organizações
que cercam o campo de estudo. Em verda- e como devem ser estudadas e compreendi-
de, juntamente com o texto introdutório de das, caminhos ortodoxos ou relativistas,
Clegg & Hardy (Organizações e estudos quem sabe vaidades transformadas em pro-
organizacionais), o texto de Reed abre o es- postas teóricas à busca de um espaço para
pectro de temas que serão mais deta- consagrar-se e receber prosélitos. Diferen-
lhadamente tratados em capítulos posterio- tes paradigmas inundam o campo, mas não
res. recebem claramente uma preferência, em-
Lidando, como material de estudo e bora certas tendências tenham grupo maior
análise, com as produções das diferentes de adeptos. O mapeamento dessas tendên-
correntes do pensamento administrativo, cias dentro dos quadros metanarrativos
acentuando suas contribuições e suas con- apresentados, leva-nos a evocar o conceito
testações a teorias anteriores, o texto traba- de "conversações" adotado pelos organiza-
lha com material que é, em sua maioria, fa- dores da edição original. Para Clegg & Hardy
miliar ao leitor presumível desta obra. Par- (ver introdução ao presente volume), o
ticularmente digna de nota é a Tabela 1 do Handbook, ao selecionar trabalhos dentro
texto - Narrativas analíticas em análise da corrente principal de estudos bem como
organizacional -, em que Reed relaciona as linhas emergentes, ao evidenciar as diferen-
diferentes perspectivas teóricas acopladas a tes perspectivas que organizam o campo de
esquemas interpretativos distintos e às pro- estudos, cria oportunidades para que "con-
blemáticas trabalhadas dentro dos respecti- versações" comecem entre tais tendências,
vos contextos. Assim, em vez de equacionar estimulando a diversidade, acordos e desa-
a história da teorização organizacional cordos. Reed, ao classificar as diferentes
numa visão histórica linear - designatr o de
escolas que surgem em seqüência e que são
tão presentes na maioria dos livros utiliza-
dos em nosso meio -, Reed os classifica em
perspectivas cujo esquema de análise acen-
tua racionalidade, integração, mercado, po-
der, conhecimento ou justiça e com proble-
máticas cujo foco concentrava-se, respecti-
40 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

perspectivas, permite ao leitor perceber, de nhecimento aqui produzido para explicar e


forma mais clara, as diferentes ênfases teó- melhorar a administração no país; aliás, na
ricas, com a luz que derrama sobre os di- mesma linha de texto de J. E Chanlat sobre
versos pontos de vista. O leitor brasileiro a produção de conhecimento administrati-
poderá, assim, melhor inserir-se na comu- vo em Quebec (Chanlat, 1996). O questio-
nidade mundial de estudiosos e a contribuir namento do pensamento etnocêntrico tam-
para o conhecimento em administração es- bém aparece em muitos outros textos (veja-
crevendo sobre teorias que melhor expli- se, a título de exemplo: Fachin, 1990,
quem nossa realidade. Bertero e Keinert Bethlem, 1989, como principalmente o re-
(1994 : 89-90) já lembraram, analisando a cente Motta e Caldas, 1997). Conclusões
produção brasileira em análise organi- emanadas do estudo de Bertero e Keinert
zacional, os questionamentos a respeito da (1994), que focaliza a trajetória dos estu-
pretendida universalidade dos estudos nas dos organizacionais no Brasil de 1961 a
áreas de ciências humanas e sociais da ne- 1993, indicaram que o conhecimento gera-
cessidade de "uma teoria administrativa do no Brasil era praticamente reprodução
brasileira", defendida desde Guerreiro Ra- do pensamento americano e limitado para
mos, mas com simpatizantes até hoje. poder explicar a realidade brasileira. Bertero
Livros como o presente, que recons- e Keinert (1994 : 85) concluíram que a ne-
trói o estado-da-arte dos estudos organiza- cessidade de criar perspectivas mais apro-
cionais, ajudam a sanar uma das dificulda- priadas ao contexto brasileiro não pôde ser
des do leitor brasileiro: a identificação de atendida, eis que muitos dos estudos, de
fontes importantes da evolução teórica de- feitio contestatório (17% da amostra), eram
vidamente classificadas em mapas cogni- principalmente de ênfase reflexiva ou críti-
tivos definidos. O leitor brasileiro tem tido ca, mas incapazes de fazer avançar o que já
acesso a obras clássicas e influentes, mas se conhecia das teorias estrangeiras.
nem sempre teve acesso a textos que, em- Os estudos mencionados indicam que
bora não igualmente importantes, confor- não é por acaso que as avaliações críticas
mam enlaces na contestação de teorias em sobre o conhecimento em organizações têm
vigor e na evolução teórica empreendida. O
artigo de Reed permite a reconstrução de
tais elos no conhecimento, e facilita, ao
identificá-las devidamente, a busca do aces-
so a tais obras. Talvez essa dificuldade no
acesso seja explicação para a relativa pouca
ênfase que autores brasileiros emprestam à
revisão bibliográfica em seus artigos, e con-
centração em obras clássicas e tradicionais
(Rodrigues, 1997).
O tamanho da economia brasileira e
um setor privado diversificado indicam o
potencial do Brasil para o desenvolvimento
de uma teoria de administração independen-
te. Além disso, nosso sistema de pós-gradua-
ção já conta com mais de 20 anos de atua-
ção. No entanto, a produção realmente
publicada que abranja tais requisitos é mais
uma pretensão do que uma possibilidade
real dada a, às vezes, pouca familiaridade
com o conhecimento produzido pelo
mainstream anglo-saxão, mas também de-
vido a ser publicação "raramente apoiada
em pesquisa empírica" e de "reduzida origi-
nalidade" (Bertero & Keinert, 1994 : 89-90).
Por esse motivo, possivelmente, muito pou-
ca produção nacional é mostrada em perió-
dicos internacionais (Rodrigues, 1997).
A evolução do conhecimento brasilei-
ro sobre organizações já teve alguns analis-
tas (Machado-da-Silva, Cunha e Ambon,
1990; Bertero & Keinert, 1994; Vergara e
Carvalho Jr., 1995). A influência do pensa-
mento anglo-saxão no Brasil é particular-
mente tratada em Rodrigues (1997). Tanto
o texto de Rodrigues (1997) como o de
Bertero, Caldas e Wood Jr. (1998) fazem
questionamentos sobre a adequação da co-
NOTA TÉCNICA! TEORIZANDO SOBRE ORGANIZAÇÕES - VAIDADES OU PONTOS DE VISTA? 101

tido abrigo nos encontros anuais da Asso- é considerado como de alta qualidade ou co-
ciação Nacional dos Programas de Pós-gra- nhecimento relevante. Diferentemente de
duação em Administração (Anpad) - o nú- outras áreas das ciências sociais e humanas,
cleo de formação de uma comunidade de a produção de conhecimento em adminis-
estudiosos que tem se reunido já há 20 anos tração é, geralmente, aberta a diferentes
e que hoje seleciona artigos com base em paradigmas e diferentes abordagens meto-
sistemas de blind review cada dia mais aper- dológicas, o que ainda uma vez nos remete
feiçoado. Nas revistas mais respeitadas da à necessidade das "conversações" tão insis-
área, também o processo "cego" de avalia- tentemente referidas neste texto.
ção há muito se produz, mesmo que com as Rodrigues (1997) afirma o declínio, no
deficiências desvendadas em estudo recen- Brasil, da influência dos estudos organi-
te de Bertero, Caldas e Wood Jr. (1998). zacionais tradicionais oriundos da vertente
Há necessidade, porém, de uma comu- americana e britânica. As mudanças enfren-
nidade mais efetiva de estudiosos sobre or- tadas pelo país (tais como abertura de mer-
ganizações, o que hoje é dificultado não só cado, a presença cada vez mais forte do ca-
pela fragmentação das áreas de estudo como pital estrangeiro, em suma, os passos que
pelas deficiências existentes na estruturação nos levam ao termo "globalização") têm
geral da área: resultado da fragilidade e ins- provocado novos temas (vantagens compe-
tabilidade das instituições, da falta de apoio titivas, métodos de produção baseados nas
(e recursos) nas universidades para desen- experiências japonesas, inovação e apren-
volver trabalho de pesquisa (e ainda que dizagem organizacional) bem como novos
haja apoio de órgãos federais de fomento, relacionamentos de pesquisa, mas, ainda
há instabilidades notórias nas políticas de assim, et pour cause, os estudos tradicionais
desenvolvimento científico) e do apoio qua- têm sido incapazes de proporcionar as ex-
se exclusivo na literatura estrangeira plicações esperadas e as soluções para os
(Rodrigues, 1997; Fachin, 1990). É uma problemas enfrentados pela sociedade bra-
área de estudos sem dúvida em busca de sileira de hoje.
legitimação. Não é uma área que se afirmou Entre os estudos destinados a mapear
como atraente para o meio empresarial - a evolução do conhecimento administrati-
como marketing e finanças - a não ser quan-
do elabora em torno da estratégia (Bertero
e Keinert, 1994), mas há sinais, porém, de
uma presença forte da área dentro da co-
munidade acadêmica de administração, tais
como a apresentação numerosa de papers
às sessões específicas sobre "organizações"
nos encontros da ANPAD e a recente consti-
tuição, dentro da Anpad, do Grupo de Estu-
dos Organizacionais.
Em qualquer circunstância, o quadro
teórico delineado por Reed leva-nos nova-
mente a referir o conceito de "conversações".
Na própria intenção inicial do livro de Clegg,
Hardy e Nord estava implícita a noção do
enraizamento cultural da teoria organiza-
cional, além de ser um empreendimento
cujos "produtos estão sujeitos, freqüente
mente, a negociações e rearranjos de signi-
ficado" (Rodrigues, 1997). É ainda de se
fazer menção ao texto de Astley (1985, re-
ferido por Rodrigues, 1997) que descreve
os estudos organizacionais como uma ativi-
dade social moldada pelo consenso sobre o
que se constitui em expressão válida de co-
nhecimento, não somente em termos de
quadro conceptual, mas também em termos
de estrutura lingüística. Uma narrativa vá-
lida, segundo Astley, seria aquela conside-
rada como de alta qualidade pelos acadê-
micos reputados como "guardiães" do que
seja conhecimento relevante. E na análise
dos critérios de avaliação da produção
científica em administração no Brasil
(Bertero, Caldas e Wood Jr., 1998) que se
constata o ainda pouco consenso sobre o que
I 42 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE ______________________________

vo no Brasil, o conduzido por Machado-da- britânica. Investigando as razões de tal pre-


Silva et ali (1990) evidenciou os temas mais dominância, apresenta-se a descoberta tal-
discutidos entre os anos 1985 e 1989 nos vez mais percuciente: a escolha de literatu-
quatro periódicos acadêmicos mais reputa- ra estrangeira era mais resultado de ser um
dos daquela época: mudança e inovação nas conhecimento legitimado no circuito inter-
organizações; administração e planejamen- nacional do que na capacidade, a ela atri-
to (os mais freqüentes, 23% e 27% do total, buível, de melhor explicar os problemas in-
respectivamente); processo decisório; de- vestigados. Autores brasileiros eram rara-
sempenho organizacional; relações organi- mente citados, não porque fossem de quali-
zação-ambiente; poder e conflito; clima e dade inferior, mas porque careciam da legi-
cultura nas organizações; burocracia e timidade implícita quando a literatura era
tecnocracia. Os temas mais freqüentes eram estrangeira. Outras interpretações podem
mera conseqüência do contexto vivido pelo ser levantadas, mas o fato é que "conversa-
país à época, segundo afirma Machado-da- ções" dentro do quadro nacional ainda são
Silva et al. (1990 : 18). raramente desenvolvidas.
No estudo de Rodrigues (1997) foram Concluindo, indicamos que o texto de
reunidas evidências sobre os tópicos mais Reed ajuda o leitor e pesquisador brasileiro
freqüentes nos três periódicos mais respei- a melhor balizar o avanço do campo, mas
tados na área: "mudança e inovação nas diríamos que uma leitura atenta do último
organizações" continua a ser um tópico im- texto deste volume - o texto de Burrell, um
portante assim como, a partir dos anos 90, dos autores do influente Sociological
"cultura organizacional". E a metodologia Paradigms and Organizational Analysis -
preferida é a "qualitativa". Estudos com deve permitir uma perspectiva também
abordagem crítica são tão freqüentes como epistemológica, tão cara a muitos autores
os de perspectiva mais pragmática, espe- em nossa realidade, conforme afirmam
cialmente a partir de 1995. Bertero e Keinert (1994) em seu texto, de-
Ainda quanto à metodologia empre- nunciando que tal ênfase em epistemologia
gada nos estudos organizacionais brasilei-
ros, Bertero & Keinert (1994 : 82-86) apre-
sentam duas interpretações curiosas: (a) de
um lado, indicam a importância de concei-
tos, teorias e variáveis das ciências sociais
para a análise organizacional, mas, no Bra-
sil, a tradição das ciências sociais, diferen-
temente da norte-americana, não é funcio-
nalista, tendo havido ampla "adoção do
marxismo para interpretação da realidade
social" não havendo, entre nós, o "vínculo
tão importante entre Análise Organizacional
e funcionalismo, característico de grande
parte da produção norte-americana e tam-
bém inglesa" (1994 : 82); (b) de outro, ao
registrar a escolha de variáveis orga-
nizacionais tratadas pelos autores em seu
estudo, indicam a influência da literatura
americana; usaram-se variáveis "considera-
das importantes para o conhecimento das
organizações pelas diversas escolas ou pers-
pectivas teóricas" donde a inevitabilidade
que "uma abordagem organizacional usan-
do a Sociologia acabasse por privilegiar va-
riáveis tipicamente funcionalistas, já que
este foi o paradigma sociológico predomi-
nante" nos estudos americanos. E conclui,
mostrando a relativa incoerência entre as
duas interpretações: "portanto, diferencia-
ção horizontal, diferenciação vertical e com-
plexidade são necessariamente escolhidas e
não luta de classes, hegemonia e domina-
ção" (1994 : 86).
Vergara e Carvalho Jr. (1995) também
desenvolveram estudo de período mais re-
cente (1989-93), partindo de outra amos-
tragem. Uma das principais conclusões é a
de que os diferentes artigos examinados
partiam do uso de fontes bibliográficas pre-
dominantemente de origem americana ou
NOTA TÉCNICA: TEORIZANDO SOBRE ORGANIZAÇÕES - VAIDADES OU PONTOS DE VISTA? 103 |,

"denota um certo 'aristocracismo' científico autores "devem defender constantemente


que é exatamente o oposto do pragmatismo suas idéias contra proposições alternativas"
da 'mão na massa' ou hands on." O último e, portanto, construir seus trabalhos a par-
volume desta trilogia vai, no entanto, em- tir de trabalhos anteriores, não é muito im-
prestar sua ênfase à ação organizacional, portante em nosso contexto. Idéias parecem
talvez contribuindo para aumentar a apli- às vezes sair do nada, não havendo preocu-
cabilidade do conhecimento produzido no pação com o que já foi dito sobre a matéria.
Brasil, atendendo à crítica de Bertero e Donde uma fragmentação no conhecimen-
Keinert (1994). to produzido e pouca preocupação com con-
Naturalmente, o texto de Reed não solidação do conhecimento. Que tal mudar-
suscita todas as perguntas e muito menos se este quadro?
todas as respostas. Conforme afirma
Rodrigues (1997), autores brasileiros têm
confiado mais em teorias anglo-saxônicas e
têm pouca confiança em conhecimento cria- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
do internamente, sendo muito difícil criar
líderes distinguíveis no campo. O consenso ASTLEY, G. W. Administrative science as socially
aparente que molda os estudos organi- constructed truth. Administrative Science
Quarterly, 30: 497-513, 1985.
zacionais no Brasil, afirma, descansa prin-
cipalmente em pensamento americano ou BERTERO, C. O., KEINERT, T. M. M. A evolução
europeu. Logo, o campo é dividido por con- da produção brasileira em análise
organizacional a partir dos artigos publica-
tradições entre aqueles que acreditam que
dos pela RAE no Período de 1961-93. Revis-
os modelos estrangeiros não tem utilidade
ta de Administração de Empresas, 34 (3): 81-
no contexto brasileiro e aqueles que confi- 90, 1994.
am inteiramente na literatura estrangeira e
BERTERO, C. O., CALDAS, M. P, WOOD JR., T.
pensam que não há muitas inovações gera- Critérios de avaliação da produção científica
das internamente. Esse tipo de fissura refle- em administração no Brasil. Relatório de
te a lacuna decorrente de uma ausência de Pes-
liderança no campo nacional e descobre a quisa. São Paulo : NPP/EAESP, 1998.
fragilidade de um sistema derivado de uma
hierarquia baseada num sistema reputa-
cional.
Diferentemente do que ocorre na pu-
blicação em periódicos estrangeiros, os au-
tores brasileiros parecem não se sentir obri-
gados a referir produção anterior (o que é
mandatório em periódicos americanos e bri-
tânicos, pelo menos). Rodrigues (1997)
aliás, já acentuava tal aspecto, lembrando
que Astley (1985) já apontava a necessida-
de, nos artigos, de um equilíbrio adequado
entre tradição (representada pela produção
anterior) e inovação (a contribuição especí-
fica daquele artigo) e que, aparentemente,
há uma crença subjacente na necessidade
somente de referir-se aos textos mais conhe-
cidos, aos pioneiros, aos prestigiados (cf.
Üsdiken & Pasadeos, 1995). Mas não se deve
excluir a influência produzida pela falta de
estrutura, conforme já referido anteriormen-
te, que se reflete nas lacunas existentes nas
coleções de periódicos de nossas bibliote-
cas levando ao mesmo resultado: concen-
tração da revisão de literatura em autores
clássicos.
Enquanto na vertente anglo-saxônica
(Rodrigues 1997) a elaboração teórica é
crucial na reputação acadêmica e no desen-
volvimento científico, no Brasil, esse aspec-
to não parece ter a mesma relevância, eis
que o país tem sido tradicionalmente um
importador de teorias (nem sempre aplicá-
veis, como muitos criticam). Além disso, a
prática de contestar trabalho de colegas não
é freqüente. Como Astley (1985 : 505, apud
Rodrigues, 1997) observa, a idéia de que os
PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

BETHLEM, A. Gerência à brasileira. São Paulo :


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CHANLAT, J. F. From cultural imperialism to
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TEORIA DA CONTINGÊNCIA
ESTRUTURAL*
LEX DONALDSON

Entre os estudos organizacionais, a única que seja altamente efetiva para todas
Teoria da Contingência tem fornecido um as organizações. A otimização da estrutura
paradigma coerente para a análise da es- variará de acordo com determinados fato-
trutura das organizações. O paradigma cons- res, tais como a estratégia da organização
tituiu um quadro de referência no qual a ou seu tamanho. Assim, a organização óti-
pesquisa progrediu, levando à construção ma é contingente a esses fatores, que são
de um corpo de conhecimento científico. O denominados fatores contingenciais. Por
objetivo deste capítulo é traçar os contor- exemplo, uma organização de pequeno por-
nos da teoria da contingencial da estrutura te, que tenha poucos empregados, é estru-
organizacional e mostrar como a pesquisa turada otimamente ao possuir uma estrutu-
dentro desse paradigma evoluiu na forma ra centralizada, em que a tomada de deci-
da ciência normal. são está concentrada no topo da hierarquia,
O conjunto recorrente de relaciona- enquanto uma organização de grande por-
mentos entre os membros da organização te, que possua muitos empregados, é estru-
pode ser considerado como sendo a estru- turada otimamente utilizando uma estrutu-
tura da organização, o que inclui (sem se ra descentralizada, em que a autoridade
restringir a isso) os relacionamentos de au- para a tomada de decisão está dispersa pe-
toridade e de subordinação como represen- los níveis inferiores da hierarquia (Child,
tados no organograma, os comportamentos 1973; Pugh et al., 1969). Há diversos fato-
requeridos pelos regulamentos da organi- res contingenciais: estratégia, tamanho, in-
zação e os padrões adotados na tomada de certeza com relação às tarefas e tecnologia.
decisão, como descentralização, padrões de Essas características organizacionais, por sua
comunicação e outros padrões de compor- vez, refletem a influência do ambiente em
tamento. Engloba tanto a organização for- que a organização está inserida. Assim, para
mal oficialmente prescrita, quanto a orga- ser efetiva, a organização precisa adequar
nização de fato, não oficial e informal sua estrutura a seus fatores contingenciais,
(Pennings, 1992). Não há definição de es- e assim ao ambiente. Portanto, a organiza-
trutura organizacional que circunscreva fir-
memente seu objeto a priori; mas cada pro-

Tradução: Marcos Amatucci.


Revisão técnica: Carlos Osmar Bertero.
jeto de pesquisa focaliza vários aspectos di-
ferentes da estrutura organizacional, sem
pretender que seu foco esgote as questões.
A teoria da contingência estabelece
que não há uma estrutura organizacional
I 46 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

ção é vista como adaptando-se a seu am- ORIGENS DA TEORIA DA


biente. CONTINGÊNCIA ESTRUTURAL
Cada um dos diferentes aspectos da
estrutura organizacional é contingente a um Até o final dos anos 50, a produção
ou mais fatores contingenciais. Assim, a ta- acadêmica sobre estrutura organizacional
refa da pesquisa contingencial é identificar era dominada pela escola clássica de admi-
o fator ou fatores contingenciais particula- nistração. Esta sustentava que havia uma
res aos quais cada aspecto da estrutura única estrutura organizacional que seria al-
organizacional precisa adequar-se. Isto en- tamente efetiva para organizações de todos
volve a construção de modelos teóricos de os tipos. Essa estrutura caracterizava-se por
adequação entre fatores contingenciais e um alto grau de tomada de decisão e plane-
estruturais, e seu teste frente a dados em- jamento no topo da hierarquia, de maneira
píricos. Os dados empíricos geralmente con- que o comportamento dos níveis hierárqui-
sistem em dados que comparam diferentes cos inferiores e de operações era previamen-
organizações com seus fatores contin- te especificado em detalhes pela gerência
genciais e estruturais. A teoria da contin- sênior, por meio de definição de tarefas, es-
gência da estrutura organizacional será aqui tudo do trabalho e procedimentos similares
denominada de "Teoria da Contingência (Brech, 1957).
Estrutural" (Pfeffer, 1982). A escola clássica de administração
Kuhn (1970) argumenta que a pesqui- manteve sua influência durante a primeira
sa científica ocorre dentro do quadro de re- metade deste século, mas foi combatida a
ferência de um paradigma, o qual especifi- partir da década de 30, e de maneira cres-
ca as idéias teóricas principais, os pressu- cente daí por diante, pela escola de relações
postos, a linguagem, o método e as conven- humanas. Essa abordagem focava o empre-
ções. O crescimento de um corpo de conhe- gado individual como possuidor de necessi-
cimentos é marcado por revoluções para- dades psicológicas e sociais. Um entendi-
digmáticas, quando um paradigma é aban- mento dessas necessidades permitiria uma
donado e substituído por outro. Essas mu-
danças descontínuas são radicais e pouco
freqüentes. Na maior parte do tempo, a
ciência se desenvolve numa fase chamada
de ciência normal, guiada pelas regras do
paradigma. Nessa fase, a pesquisa lida com
problemas no interior do paradigma resol-
vendo anomalias, não questionando o para-
digma.
O estudo da estrutura organizacional
testemunhou uma mudança de paradigma
quando a escola clássica de administração
foi suplantada pelo novo paradigma da teo-
ria da contingência, conforme será visto a
seguir. Isto inaugurou uma fase de "ciência
normal" dentro do paradigma contingencial
(Scott, 1992). Assim, o estudo da estrutura
organizacional é atualmente pluralístico,
com conflito entre paradigmas e ciência
normal no interior dos paradigmas (Aldrich,
1992; Donaldson, 1985a, 1995a; Pfeffer,
1993). Uma vez que outros capítulos neste
Handbook lidam com outros paradigmas,
iremos aqui nos concentrar no paradigma
contingencial. A ciência normal que tem sido
seguida dentro do paradigma contingencial
é provavelmente a mais ampla corrente iso-
lada de ciência normal no estudo de estru-
tura organizacional até o presente. Assim,
na discussão do paradigma contingencial,
há um considerável volume de pesquisas ao
qual se referir. Conseqüentemente, o con-
ceito de ciência normal nos estudos
organizacionais é bem ilustrado pelo traba-
lho no campo da teoria da contingência da
estrutura organizacional (v. tb. Donaldson,
1996).
47
TEORIA DA CONTINGÊNCIA ESTRUTURAL

apreciação de como a organização do tra- tarefa é o coração do conceito de contin-


balho emergia da interação da dinâmica dos gência, que tem implicações para conceitos
grupos (Roethlisberger e Dickson, 1939). contingenciais de segunda ordem, tais como
Isto habilitaria os gerentes a adotar uma inovação e tamanho.
abordagem mais atenciosa que iria evocar O significado da incerteza da tarefa
a cooperação do empregado. O foco aqui deriva da percepção de que quanto mais
estava nos processos bottom-up (de baixo incerta a tarefa, mais informações têm que
para cima) de organização e nos benefícios ser processadas e isto, por sua vez, molda
da participação na tomada de decisão por as estruturas de comunicação e de controle
empregados dos níveis mais baixos da hie- (Galbraith, 1973). Quanto mais incerta a
rarquia (Likert, 1961). Houve tentativas de tarefa, menos suscetíveis de programação
aproximar essas duas abordagens contradi- serão as atividades de trabalho e mais se
tórias da administração clássica e das rela- apoiarão em arranjos ad hoc. Além disso, as
ções humanas por meio do argumento de organizações que lidam com incerteza têm
que cada abordagem tinha seu lugar. Assim, que se valer de procedimentos especia-
nos anos 50 e 60, teorias contingenciais lizados e isto exige flexibilização da obedi-
desenvolveram-se sobre tópicos como deci- ência hierárquica, pois parte dessa especia-
sões em pequenos grupos e liderança (veja lização pode estar localizada nos níveis hie-
Vroom e Yetton, 1973). No final dos anos rárquicos inferiores. Parte desses conheci-
50, estudiosos começaram a aplicar a idéia mentos especializados podem ser ainda pri-
de contingência a estruturas organizacio- vativos de profissionais, o que comprome-
nais. teria ainda mais o controle por meio da hi-
A idéia-chave na literatura sobre pe- erarquia.
quenos grupos era a de que a resolução de A hipótese central da teoria da con-
problemas em grupo seria mais eficaz numa tingência estrutural é que as tarefas de bai-
estrutura centralizada quando a tarefa fos- xa incerteza são executadas mais eficazmen-
se relativamente estabelecida, mas reque- te por meio de uma hierarquia centraliza-
reria uma estrutura menos centralizada e da, pois isso é mais simples, rápido e permi-
mais rica quando a tarefa contivesse incer- te uma coordenação estrita mais barata. Na
tezas, de maneira a produzir e comunicar a medida que a incerteza da tarefa aumenta,
grande quantidade de conhecimento e co- por meio de inovação ou outro fator simi-
municação necessários (Pennings, 1992 : lar, a hierarquia precisa perder um pouco
276). Aplicada a toda a estrutura orga- do controle e ser coberta por estruturas co-
nizacional, a idéia eqüivale a uma hierar-
quia que centraliza habilidades, comunica-
ções e controle para tarefas com baixa in-
certeza, e uma rede de equipes flexíveis e
participativas para tarefas de alta incerte-
za. A principal maneira de se reduzir incer-
tezas é fazer as coisas repetidamente, evi-
tando a inovação. Portanto a inovação tor-
na-se o principal fator contingencial subja-
cente à contingência da tarefa com incerte-
zas. O aumento de escala pode levar a tare-
fas com baixo grau de incerteza, pois a es-
cala implica repetição, como ocorre com os
processos de produção em massa.
Escala também leva a crescente núme-
ros de empregados, o que, por seu turno,
leva à especialização. Isto estreita o escopo
de cada cargo, de maneira que os cargos
tornam-se menos variados e complexos, o
que por sua vez diminui a incerteza da tare-
fa. Essas tarefas repetitivas e de baixa in-
certeza são passíveis de formalização buro-
crática podendo ser especificadas em des-
crições de cargo, procedimentos operacio-
nais padronizados, regras e treinamento. A
burocratização posteriormente reduz a in-
certeza daqueles que estão desempenhan-
do as tarefas. Dessa maneira, a incerteza da
I 48 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE _____________________________

municativas e participativas. Isto reduz a A teoria de Burns e Stalker (1961) foi


simplicidade estrutural e eleva os custos, desenvolvida num livro que forneceu exten-
mas é recompensado pelos benefícios da sas ilustrações de estudos de caso qualitati-
inovação. A medida que o tamanho aumen- vos da indústria eletrônica. Esta foi prova-
ta, a estrutura compacta, simples e centrali- velmente a contribuição mais circulada da
zada é substituída por uma burocracia ca- literatura sobre teoria da contingência es-
racterizada por uma hierarquia exagerada trutural. Forneceu de um só golpe uma sín-
e grande especialização. Essa burocracia tese entre a escola clássica de administra-
permite a descentralização porque os funcio- ção e a escola das relações humanas nas
nários são cada vez mais controlados pela estruturas mecanicista e orgânica, respecti-
formalização (por exemplo, regras), e a vamente. Ela resolveu o debate entre elas
descentralização é cada vez mais requerida com o compromisso de que cada uma era
porque o aumento na escala, da complexi- válida em seu próprio lugar. Também deu
dade estrutural interna e do comprimento primazia à incerteza da tarefa, guiada pela
da hierarquia fazem a centralização impra- inovação, como o fator de contingência.
ticável. A burocracia traz malefícios por Aproximadamente no mesmo momen-
meio da rigidez, disfunções e alguma perda to em que Burns e Stalker apresentavam sua
de controle, mas estes são mais que com- teoria, Woodward (1958; 1965) conduziu
pensados pelo aumento na previsibilidade, um estudo comparativo quantitativo de uma
baixos salários médios, redução no overhead centena de organizações manufatureiras.
gerencial e aumento na informatização que Ela examinou suas estruturas organiza-
a burocratização também traz. Quando a cionais e descobriu que não se relaciona-
organização aumenta o leque e a complexi- vam com o tamanho das organizações. A
dade de seus outputs, isto é, produtos ou tecnologia de operação surgiu como a cha-
serviços, ou aumenta sua abrangência ve explicativa da estrutura organizacional
territorial, tornando-se uma multinacional, (Woodward, 1965). Onde a tecnologia de
aumentará também sua complexidade es- operação era simples, com produtos singu-
trutural e o grau de descentraliza-
ção, adotando uma estrutura divisio-
nal ou matricial.
Este é o pano de fundo que fornece a
unidade teórica subjacente às idéias que
compõem a teoria da contingência estrutu-
ral. Uma visão assim totalizadora é possível
em retrospecto, mas, na verdade, a teoria
foi desenvolvida como um quebra-cabeças,
por meio de saltos que identificavam cone-
xões entre um fator contingencial particu-
lar, ou vários, e um fator estrutural, ou vá-
rios. Esses insights teóricos tiveram origem
em estudos que ofereceram sustentação
empírica provenientes de organizações
reais.
Burns e Stalker (1961) foram respon-
sáveis pelo enunciado seminal e que iniciou
a abordagem contingencial da estrutura
organizacional. Eles distinguiram entre a
estrutura mecanicista, em que os papéis
organizacionais eram firmemente definidos
por superiores, que detinham o monopólio
do conhecimento organizacional, e a estru-
tura orgânica, em que os papéis orga-
nizacionais eram definidos de forma menos
rígida, como resultado de discussão entre
as partes, pois o conhecimento necessário
ao desempenho das tarefas estava diluído
entre os empregados. Burns e Stalker (1961)
argumentaram que quando uma organiza-
ção enfrenta um ambiente estável, a estru-
tura mecanicista é mais efetiva; mas onde a
organização enfrenta um alto grau de mu-
dança tecnológica e de mercado, uma es-
trutura orgânica é necessária. O resultado
da alta incerteza do ambiente e das tarefas
na organização significa que a cooperação
espontânea entre equipes de especialistas,
isto é, a estrutura orgânica, é mais efetiva.
TEORIA DA CONTINGÊNCIA ESTRUTURAL 49

lares ou fabricação em pequenos lotes, exi- estrutura (amplitude média de controle dos
gindo habilidades manuais e artesanais, supervisores de primeira linha), como tam-
como por exemplo, instrumentos musicais, bém indica que as organizações que ado-
a organização era razoavelmente informal tassem a amplitude de controle encontrada
e orgânica. Onde a produção havia avança- teriam melhor desempenho; inversamente,
do para grandes lotes e produção em mas- as que se afastassem da amplitude de con-
sa, utilizando equipamentos mais sofistica- trole reduziriam seu desempenho.
dos, como nas montadoras de automóveis, Woodward (1965) argumentou que adequa-
a organização do trabalho era mais forma- ção entre estrutura organizacional e tecnolo-
lizada e mecanicista, e mais de acordo com gia leva a um desempenho superior ao das
as prescrições da administração clássica. organizações onde a estrutura está em de-
Entretanto, com o avanço tecnológico pos- sacordo com a tecnologia.
terior levando a uma produção mais auto- Burns e Stalker e Woodward trabalha-
matizada e utilização mais intensa de capi- ram no Reino Unido. Contribuições pionei-
tal, surge uma produção por processo con- ras vieram também dos Estados Unidos.
tínuo, como numa refinaria de petróleo. Lawrence e Lorsh (1967) têm o mérito de
Aqui, a organização da produção em massa terem iniciado o uso do termo "teoria da
cede lugar para equipes de trabalho dirigi- contingência" para identificar a então inci-
rem linhas orgânicas e de relações huma- piente abordagem para a qual contribuíram
nas. A previsibilidade cada vez maior do sis- de maneira decisiva. Eles determinaram que
tema técnico e a suavidade da produção, à a taxa de mudança ambiental afeta a dife-
medida que a tecnologia avança, levam pri- renciação e a integração da organização.
meiro a uma estrutura mais mecanicista e Taxas elevadas de mudança ambiental exi-
depois a uma estrutura mais orgânica. gem que certas partes da organização, como
O modelo de Woodward (1965) era o departamento de Pesquisa e Desenvolvi-
mais complexo que o de Burns e Stalker mento (P&D), enfrentem índices de incer-
(1961), contando com três estágios ao in- teza maiores do que outras partes, tais como
vés de dois. Entretanto, eles compartilha- o departamento de produção. Isto leva a
vam uma conceitualização similar de estru- grandes diferenças de estrutura e de cultu-
tura, enquanto mecânica a orgânica, e tam- ra entre os departamentos, com P&D sendo
bém convergiam a respeito da tecnologia internamente mais orgânico e a produção
como indutora de incerteza. Além disso, mais mecanicista. Essa grande diferencia-
Woodward, como Burns e Stalker, sustenta-
ram que o futuro pertenceria ao estilo de
administrar orgânico de relações humanas,
e que isto seria imposto à Administração pela
evolução tecnológica. A tarefa da pesquisa
e dos trabalhos acadêmicos seria chamar a
atenção dos administradores para essas
descobertas, de maneira que se evitassem
as ineficiências que tanto Woodward (1965)
quanto Burns e Stalker (1961) descreve-
ram como conseqüência de não se adapta-
rem com a rapidez necessária as estrutu-
ras organizacionais às evoluções da tecnolo-
gia.
Diferentemente de Burns e Stalker
(1961), Woodward (1958; 1965) utilizou
medidas quantitativas da estrutura organi-
zacional, tais como a amplitude de controle
(número de subordinados que o chefe pos-
sui) dos supervisores de primeira linha, o
número de níveis hierárquicos (cadeia es-
calar) e a proporção entre mão-de-obra di-
reta e indireta. Woodward (1965) obtém
muitos resultados quantitativos mostrando
associações entre tecnologia de operações
e vários aspectos da estrutura organi-
zacional. Há também uma tabela (1965 :
69, Tabela 4) que não só mostra uma asso-
ciação entre a tecnologia e um aspecto da
I 50 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE _____________________________

ção torna a coordenação entre os dois de- as diferentes partes dessa estrutura espe-
partamentos, por exemplo, para lançar um cializando-se para ir ao encontro das exi-
novo produto, mais problemática. A solu- gências das diferentes partes daquele ambi-
ção é promover um nível maior de inte- ente. Thompson teorizou também a respei-
gração por meio de pessoal mais integrado to das políticas organizacionais, como o fi-
em equipes de projeto e coisas do gênero, zeram Burns, Stalker e Perrow. O foco prin-
ao lado de processos interpessoais de reso- cipal da teoria da contingência, contudo,
lução de conflitos por meio de abordagens permanece no modo como a estrutura
do tipo problem-solving. Lawrence e Lorsh organizacional é modulada de maneira a
(1967) apresentaram sua teoria num estu- satisfazer as necessidades do ambiente e nas
do comparativo de diferentes organizações tarefas daí decorrentes (v. Donaldson,
de três indústrias: containers, alimentação 1996).
e plásticos. Eles demonstraram também que Nos EUA, Blau (1970) desenvolveu a
organizações cujas estruturas adequaram- teoria da diferenciação estrutural. Ela afir-
se a seu ambiente obtiveram melhores de- ma que as organizações crescem em tama-
sempenhos. nho (empregados), de modo que se estrutu-
Hage (1965) desenvolveu uma teoria ram de forma mais elaborada, em um cres-
axiomática das organizações, similar a Burns cente número de subunidades, tais como
e Stalker, em que organizações centraliza- mais divisões, mais seções por divisão, mais
das e formalizadas obtinham alta eficiên- níveis hierárquicos e assim por diante. Tam-
cia, porém baixos índices de inovação, en- bém argumentou que o crescimento orga-
quanto as organizações descentralizadas e nizacional leva a grandes economias de es-
menos formalizadas eram menos eficientes, cala, com a proporção de funcionários que
mas apresentavam altos índices de inova- ocupam cargos de gerência ou staff de su-
ção. Assim, cada estrutura pode ser ótima, porte diminuindo.
dependendo do objetivo da organização:
eficiência ou inovação. Hage e Aiken (1967; Conforme ficaram conhecidas no Brasil. (N.T.)
1969) demonstraram a validade da teoria
num estudo sobre organizações de saúde e
de previdência social.
Perrow (1967) argumentou que a
tecnologia do conhecimento era contingen-
te à estrutura organizacional. Quanto mais
codificado o conhecimento utilizado na or-
ganização e quanto menos exceções encon-
tradas nas operações, mais o processo
decisório da organização poderia ser cen-
tralizado.
Thompson (1967) desenvolveu uma
extensa teoria das organizações, contendo
muitas idéias e proposições. Ele separou
organizações de tipo "sistema fechado" de
organizações que são "sistemas abertos",
efetuando trocas com seu ambiente. Argu-
mentou que organizações tentam isolar suas
principais tecnologias de produção num sis-
tema fechado para emprestar-lhes eficiên
cia, defendendo-as do meio ambiente. Lida-
se com perturbações externas por meio de
projeções, relatórios e outros mecanismos.
Thompson (1967) também distinguiu três
diferentes tecnologias: cadeias longas, me-
diadoras e intensivas* (long-linked,
mediating e intensive). Além disso, distinguiu
três níveis de interdependência entre as ati-
vidades no fluxo de trabalho - combinadas,
seqüenciais e recíprocas (pooled, sequential
e reciprocal) - e identificou os diferentes
mecanismos de coordenação para se lidar
adequadamente com cada interdependên-
cia. Ele concluiu que as interdependências
entre as atividades no fluxo de trabalho da
organização tinham que ser manejadas em
diferentes níveis hierárquicos, gerando as-
sim o desenho da organização. Thompson
(1967) acrescentou que o ambiente molda
diretamente a estrutura organizacional, com
TEORIA DA CONTINGÊNCIA ESTRUTURAL 51

Max Weber (1968) argumentou que contendo divisões geográficas e matrizes por
as organizações estavam-se tornando estru- área e por produto. Egelhoff (1988) desen-
turas cada vez mais burocráticas, caracteri- volve uma teoria da contingência formal
zadas por uma administração impessoal, baseada nas exigências de processamento
promovida em parte por seu tamanho cres- de informações.
cente. No Reino Unido, o Grupo de Aston Outros fatores contingenciais, tais
(assim chamado por causa de sua universi- como hostilidade ambiental (Khandwalla
dade) argumentou a favor da necessidade 1977) e ciclo de vida do produto
de se melhorar a medição da estrutura (Donaldson, 1985b), têm sido identificados,
organizacional (Pugh et al., 1963). Seus in- e suas implicações para a estrutura orga-
tegrantes desenvolveram um grande núme- nizacional teorizadas. Para um modelo que
ro de medidas quantitativas de diferentes prescreve o desenho organizacional ótimo
aspectos da estrutura organizacional, com requerido pela combinação das contingên-
atenção para a confiabilidade (Pugh et al., cias estratégicas e de inovação, vide
1968; Pugh e Hickson, 1976). O Grupo de Donaldson (1985a : 171).
Aston pesquisou organizações de diversos
tipos, incluindo muitas organizações indus-
triais e organizações de serviços tanto pú-
blicas como privadas. Distinguiram empi- O MODELO TEÓRICO DA
ricamente duas grandes dimensões da es- CONTINGÊNCIA ESTRUTURAL
trutura organizacional: estruturação das
atividades (o quanto a organização adota O aumento do índice de inovação de
de especialização funcional, regras e proce- uma empresa pode refletir a competição
dimentos) e concentração da autoridade com outras empresas por meio de novos
(centralização da tomada de decisão) (Pugh produtos, assim, em última instância, a cau-
et al., 1968). Examinaram um grande nú- sa é o ambiente. Por essa razão, a aborda-
mero de fatores contingenciais e utilizaram- gem contingencial é freqüentemente chama-
se de regressão múltipla para identificar di- da de "a abordagem da organização e seu
ferentes conjuntos de preditores da estru- ambiente". Entretanto, a inovação ambiental
tura organizacional. Para estruturação o leva a organização a aumentar seu grau de
principal preditor foi o tamanho da organi- inovação pretendida, a qual é causa imedi-
zação em número de empregados, sendo as ata da adoção de uma estrutura orgânica.
maiores as mais estruturadas (Pugh et al., Assim a estrutura é causada diretamente por
1969). Para centralização, a principal con-
tingência foi o tamanho da organização e
se a organização estudada era ou não sub-
sidiária de uma organização maior, sendo a
descentralização maior em organizações
independentes (Pugh et al., 1969).
Uma variante da teoria da contingên-
cia estrutural focalizou as implicações da
estratégia corporativa como contingente
para a estrutura organizacional das empre-
sas. Chandler (1962) mostrou historicamen-
te que a estratégia determina a estrutura.
As corporações necessitam manter uma ade-
quação entre sua estratégia e sua estrutura,
caso contrário terão menor desempenho.
Especificamente, uma estrutura funcional
ajusta-se a uma estratégia não diversificada,
mas não se ajusta a uma estratégia diver-
sificada em que uma estrutura divisional é
requerida para o gerenciamento efetivo da
complexidade de produtos e mercados mui-
to diferentes (Chandler, 1962).
Outros pesquisadores analisaram o sig-
nificado estrutural da passagem de uma
operação exclusivamente doméstica para a
multinacionalização (Stopford e Wells,
1972; Egelhoff, 1988; Ghoshal e Nohria,
1989). Isto levou à adoção de estruturas
I 52 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE ______________________________

um fator interno e apenas indiretamente contabilidade, planejamento da produção,


pelo ambiente. Ambos os fatores, interno e arquivos, pessoal e assim por diante. O com-
externo, são considerados contingenciais, portamento é cada vez mais regulado por
mas uma afirmação mais parcimoniosa da descrições de cargo escritas, planos, proce-
teoria da contingência estrutural precisaria dimentos e regras. Esses elementos consti-
referir-se apenas ao fator interno. Portanto, tuem uma teia impessoal que regula os
muitos dos fatores contingenciais da estru- membros da organização, de maneira que
tura, tais como tamanho da organização ou o controle se desloca da supervisão direta e
tecnologia, são internos à organização, ain- pessoal para dispositivos impessoais. No
da que reflitam o ambiente na forma de ta- caso extremo da grande organização, sua
manho da população ou tecnologias comer- estrutura é uma burocracia mecânica
cialmente disponíveis. Assim, conquanto (Mintzberg, 1979). O aumento em escala e
seja correto incluir fatores ambientais como especialização significa que o trabalho de
contingências que moldam a estrutura, uma qualquer indivíduo torna-se mais rotineiro
explicação suficiente pode ser obtida consi- e isto facilita sua formalização burocrática,
derando-se apenas fatores internos como o que, por sua vez, intensifica o caráter ro-
contingências. tineiro e a previsibilidade do trabalho. A
A importância da teoria da contingên- maior formalização e previsibilidade do
cia pode ser brevemente resumida da se- comportamento do empregado encoraja os
guinte maneira. Uma pequena organização, níveis sêniores a aumentar a delegação de
aquela com poucos empregados, é efetiva- autoridade para níveis hierárquicos cada vez
mente organizada numa estrutura simples mais baixos, à medida que podem fazê-lo
(Mintzberg, 1979), em que há poucos ní- seguros de que aquela delegação será utili-
veis na hierarquia. A autoridade para a to- zada da maneira desejada pelos
mada de decisão é concentrada no princi- delegadores, embora tal controle se torne
pal executivo (que, freqüentemente, é o pro- imperfeito à medida que aparecem as
prietário na pequena empresa), que exerce disfunções burocráticas (Gouldner, 1954;
o poder diretamente sobre os empregados Merton, 1949). A especialização crescente
dos níveis inferiores por meio de instrução
direta. Assim, há pouca delegação de auto-
ridade e há também pouca especialização
entre os empregados. A medida que a orga-
nização cresce em tamanho, especificamente
no número de empregados, a estrutura tor-
na-se mais diferenciada. Muitos outros ní-
veis são adicionados à hierarquia, criando-
se camadas de gerentes intermediários. Al-
guma autoridade de tomada de decisão do
executivo do topo é delegada para essa ca-
mada intermediária, proporcionalmente ao
grau de conhecimento do local, dos assun-
tos operacionais, tais como supervisão do
pessoal de nível operacional e algumas de-
cisões de produção. Essa delegação é, em
certa medida, imposta aos gerentes sêniores
pelo aumento da carga das decisões que eles
experimentam à medida que o tamanho da
organização e a complexidade aumentam.
Novamente, o crescimento da hierarquia e
a dispersão geográfica das pessoas fazem
com que a administração sênior fique longe
da "linha de fogo", e assim torna-se impos-
sível para eles ter acesso a todas as infor-
mações requeridas. Entretanto, os gerentes
sêniores continuam a decidir sobre estraté-
gias, políticas e grandes decisões, incluindo
a alocação do capital e os montantes orça-
mentários.
Por toda a organização há uma divi-
são maior do trabalho conforme as opera-
ções são decompostas em seus componen-
tes e alocadas a departamentos e equipes
de trabalho específicos. A administração
também é crescentemente fragmentada em
especializações, cada uma gerenciada por
grupos funcionais (.staff) distintos, como
O PARADIGMA DE PESQUISA DA
TEORIA DA CONTINGÊNCIA
do pessoal aumenta sua competência, o que
novamente incentiva a delegação, apesar, de ESTRUTURAL
os riscos reaparecerem (Selznick, 1957).
A medida que as organizações procu- Quase toda a pesquisa inicial sobre
ram inovar em produtos, serviços ou pro- contingência estrutural foi publicada entre
cessos produtivos, as tarefas se tornam mais 1960 e 1970 e foi fruto da eclosão de pes-
incertas. Essas tarefas não podem ser for- quisas conduzidas principalmente durante
malizadas pela burocracia, não podendo ser os anos 60. Assim, por volta de 1970, havia
especificadas previamente por meio de uma um paradigma de pesquisa bem estabeleci-
regra ou procedimento, porque isto reque- do.
reria um conhecimento que os burocratas A teoria que serve de base é o funcio-
não possuem. Assim, há o recurso do apren- nalismo sociológico (Burrel e Morgan,
dizado por tentativa e erro, freqüentemente 1979). Assim como o funcionalismo bioló-
acompanhado pelo emprego de funcioná- gico explica como os órgãos do corpo hu-
rios mais educados e altamente treinados mano contribuem para o bem-estar, o fun-
como profissionais. A organização tem que cionalismo sociológico explica a estrutura
permitir que eles sejam prudentes e usem social por suas funções, que são suas con-
sua iniciativa, com a divisão de trabalho real tribuições para o bem-estar da sociedade
incluindo elementos de equipe e surgindo (Merton, 1949; 1975; Parsons, 1951; 1964).
por meio de discussões entre os funcioná- A ramificação sociológica organizacional do
rios, mais do que sendo imposta por superi- funcionalismo postula que a estrutura
ores hierárquicos. Isto significa que, em prin- organizacional é moldada de forma a pro-
cípio, o departamento de P&D é estruturado ver a organização de efetivo funcionamen-
mais organicamente que o departamento de to (Pennings, 1992). A teoria organizacional
produção. Enquanto P&D projeta e desen- do funcionalismo estrutural procede da se-
volve, o departamento de operações e pro- guinte maneira: variações na estrutura
dução fabrica e o de vendas vende. A con- organizacional são identificadas e explicadas
fluência desses requisitos significa que a ino- por funcionarem eficazmente em determi-
vação de sucesso necessita de coordenação nada situação. A estrutura ajusta-se ao que
entre esses departamentos e isto é alcança- há de contingente, que, por sua vez se ajus-
do por equipes de projeto interfuncionais
ou matrizes ou divisões de produto (depen-
dendo de outras contingências, tais como o
grau de diversificação estratégica, vide
Donaldson, 1985b).
A medida que as empresas se diversi-
ficam de um único produto ou serviço para
múltiplos produtos ou serviços, a estrutura
funcional original deixa de responder à com-
plexidade das decisões. A estrutura multi-
divisional reduz a complexidade à medida
que cada divisão passa a decidir sobre seus
produtos e mercados. Isto leva ao aprimo-
ramento das decisões e ao aumento da ve-
locidade decisória, aliviando a sobrecarga
da alta administração e permitindo que se
concentre nas decisões estratégicas e numa
TEORIA DA CONTINGÊNCIA ESTRUTURAL 113 I
-------------------------------------------------------------------- ijg^

intervenção mais seletiva nas divisões. O


centro conserva o controle global, tratando
as divisões como centros de lucro e criando
um staff corporativo para monitorar o
desempnho divisional e planejar a estraté-
gia corporativa. Assim, a organização, quan-
do grande e diversificada, torna-se até mais
burocratizada e descentralizada.
Este é, resumidamente, o modelo teó-
rico da contingência sobre o modo como a
estrutura organizacional muda à medida
que as contingências mudam devido ao cres-
cimento.
I 54 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE ______________________________

ta ao meio ambiente. Adequação (fit) é a Child (1974). Em segundo lugar, houve uma
premissa subjacente. Organizações buscam crescente atenção para a confiabilidade das
a adequação, ajustando suas estruturas a medidas. Woodward (1965) não se preocu-
suas contingências, e isto leva à associação pou em indicar a confiabilidade de suas
observada entre contingência e estrutura. medidas e se valeu de aproximações que
A ênfase na adaptação da organização a levaram a uma baixa confiabilidade, como
seu ambiente faz da teoria da contingência medidas de itens isolados. Pesquisadores
estrutural parte do funcionalismo adapta- posteriores buscaram melhorar a confiabi-
tivo. lidade pelo uso de medidas de múltiplos
A base teórica do funcionalismo têm itens, como o Grupo de Aston (Pugh et al.,
significado que o paradigma da contingên- 1968). Hoje, é comum entre os trabalhos
cia pode ser adotado tanto por sociólogos publicados nos melhores periódicos infor-
interessados apenas na explicação da estru- mar sobre a confiabilidade das variáveis. Em
tura organizacional, para os quais a funcio- terceiro lugar, os modelos teóricos utiliza-
nalidade da estrutura é puramente uma cau- dos para explicar um aspecto da estrutura
sa, e por teóricos da administração, para os organizacional evoluíram do uso de um
quais a efetividade oriunda da estrutura único fator contingencial, por exemplo,
orienta uma atitude prescritiva aos admi- tecnologia em Woodward (1965), para o uso
nistradores. Na história da teoria da contin- de diversos, tal como em Pugh et al. (1969),
gência, ambos os valores têm motivado os isto é, evoluíram da monocausalidade para
pesquisadores (Hickson, comunicação pes- a multicausalidade. Por último, a análise dos
soal). dados utiliza estatísticas mais sofisticadas.
O método utilizado na pesquisa contin- Woodward (1965) utilizou apenas estatísti-
gencial tendeu a seguir Joan Woodward cas simples, ao passo que, no final dos anos
(1965). Um estudo comparativo é feito com 60, se usava estatística multivariada e téc-
organizações diferentes (ou usando diferen- nicas que levavam em consideração o tama-
tes unidades da mesma organização, se nho da amostra utilizada (p. ex.: Pugh et
apresentarem interesse). Cada fator contin- al., 1969).
gencial e estrutural é medido, com uma es-
cala quantitativa, ou com uma série de ca-
tegorias ordenadas. Cada organização rece-
be um escore em cada fator estrutural e
contingencial. A distribuição cruzada de
escores das organizações em um par de fa-
tores contingenciais e estruturais é exami-
nada para verificar-se onde há uma asso-
ciação. Isto é feito por tabulação cruzada
ou correlação. A teoria que continha a hi-
pótese de associação entre a contingência e
a estrutura é testada. Organizações em con-
formidade com a associação são compara-
das com aquelas que desviam de tal asso-
ciação. Se as organizações que estão con-
formes com a associação suplantam, em de-
sempenho, as organizações "desviantes",
isto significa que temos uma adequação
entre a contingência e a estrutura. Assim,
em muitas pesquisas, a associação empírica
se apoia numa adequação aproximada
(Child, 1975; Drazin e Van de Ven, 1985;
Woodward, 1965). Contudo, em outras pes-
quisas, o modelo de adequação é derivado
da teoria (Alexander e Randolph, 1985;
Donaldson, 1987). É desejável unir os mo-
delos de adequação empírica e teoricamen-
te derivados, ao longo do curso da pesqui-
sa.
Com o passar do tempo, as pesquisas
tornaram-se mais sofisticadas em quatro
aspectos. Em primeiro lugar, maior impor-
tância foi dedicada à definição operacional
dos conceitos. Por exemplo, Woodward
(1965) mediu o desempenho organizacional
de forma vaga. Pesquisadores posteriores
foram mais precisos e registraram suas de-
finições de maneira mais explícita, como
TEORIA DA CONTINGÊNCIA ESTRUTURAL 55

Trabalhos pioneiros da teoria da con- chaves como centralização organizacional


e desempenho organizacional, não podem
tingência estrutural utilizam-se com fre-
sequer ser discutidos sem uma análise da
qüência de pesquisas de várias organizações organização em nível de coletividade e
em dado momento, isto é, utilizam-se do como
método seccional.* A partir desses dados, sistema (vide também Donaldson, 1990).
são feitas inferências de que a causalidade O funcionalismo adaptativo, o mode-
flui numa direção particular, isto é, da con- lo da adequação da contingência e o méto-
tingência para a estrutura. Essa interpreta- do comparativo constituem o coração do
ção funcionalista-adaptativa é uma conven- paradigma da teoria da contingência estru-
ção na pesquisa da contingência estrutural. tural. Eles fornecem o pano de fundo em
Não obstante, o método correlacionai deixa que os pesquisadores subseqüentes traba-
espaço para outras interpretações causais. lham.
Por exemplo, Aldrich (1972) reanalisou os
dados de Aston e argumentou que as corre-
lações são compatíveis com um modelo em
que a estrutura causa o tamanho da organi-
A FASE DE CIÊNCIA NORMAL:
zação - o oposto da interpretação causai REPLICAÇÃO E GENERALIZAÇÃO
promovida pelo Grupo de Aston (Pugh et
al., 1969). Essas interpretações alternativas Por volta de 1970, havia um para-
constituem desafios ao paradigma. Tem ha- digma de teoria de contingência estrutural
vido progresso na resolução de algumas estabelecido e aqueles que vieram depois
dessas questões de causalidade em favor do puderam orientar seus esforços dentro des-
determinismo da contingência, conforme sa tradição e contribuir para a evolução da
será visto adiante. literatura (para uma revisão v. Donaldson,
A teoria e a evidência empírica utili- 1995b).
zadas na teoria da contingência estrutural Os estudos de contingência pioneiros
são positivistas. A organização é vista como produziram evidência de conexões entre as
forçada a ajustar sua estrutura a fatores contingências e a estrutura organizacional,
materiais, tais como tamanho e tecnologia. mas essas evidências podiam constituir-se
Idéias e valores não figuram como causas em acasos ou idiossincrasias ou refletir vie-
de maneira proeminente. Ademais, não há
muito espaço para a escolha ou para a von-
tade humanas. Há muito pouca informação
na maioria das análises contingenciais a res-
peito de quem exatamente toma as decisões
estruturais ou quais são seus motivos ou
como as estruturas são implementadas
(Pugh et al., 1969; Blau e Schoenherr,
1971). Assim, a análise é despersonalizada
e ocorre ao nível da organização como enti-
dade coletiva que persegue seus objetivos.
Há, portanto, a ausência de uma análise ao

Método cross-sectional, em contraposição ao mé-


todo longitudinal, isto é, aquele que tomaria uma
organização em diversos momentos no tempo.
(N.T.)
nível dos atores humanos (Pennings, 1972).
Uma análise como esta identificaria os ato-
res no processo de redesenhar as organiza-
ções, suas crenças, ideais, valores, interes-
ses, poder e táticas. Muito da crítica exter-
na ao paradigma gira em torno da falta de
uma análise ao nível do ator individual na
pesquisa da teoria da contingência estrutu-
ral (Silverman, 1970). De fato, a validade
de falar-se sobre "a organização" ao invés
dos indivíduos que compõem a organização
tem sido combatida sociológica e filosofica-
mente (Silverman, 1970). Contudo,
Donaldson (1985a) oferece uma defesa dos
constructos em nível organizacional, argu-
mentando que eles são naturais e indispen-
sáveis na teoria organizacional. Fenômenos-
PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

Shenoy, 1981; Conaty et al., 1983; Azumi e


McMillan, 1981; Ayoubi, 1981; Kuc et al.,
ses de seus autores. Portanto, havia a ne- 1981; Tai, 1987; Horvath et al., 1981;
cessidade de replicação, isto é, necessidade Bryman et al., 1983; Blau et al., 1976). As-
de outros estudos, realizados por pesquisa- sim, o relacionamento tamanho-especializa-
dores independentes, para ver se eles en- ção funcional generaliza-se globalmente e
contravam ou não o mesmo fenômeno. Ré- não é confinado a nações anglo-saxônias,
plicas raramente são feitas na mesma orga- tais como o Reino Unido e os Estados Uni-
nização, de modo que os estudos também dos, onde esse tipo de relacionamento foi
fornecem um teste de generalização, isto é, originalmente identificado (para uma revi-
se os resultados originais sustentam-se nos são, vide Donaldson, 1996).
estudos de novas organizações, quando con-
dições, como o tipo de organização ou o país,
são diversos daquelas em que os estudos
iniciais foram realizados (Fletcher, 1970).
Por exemplo, durante os anos 70, houve um
crescente interesse em saber se diferentes
culturas nacionais demandariam diferentes
formas de estrutura organizacional, de
modo a tornar falsa uma teoriageraZ de con-
tingência estrutural (Hickson et al., 1974;
Lammers e Hickson, 1979; Mansfield e
Poole, 1981; McMillan et al., 1973). Esse
interesse continuou nos anos 90 e gerou
muitas pesquisas (como Conaty et al. 1983;
Hickson e McMillan, 1981; Routamaa,
1985). A orientação inicial da maioria dos
pesquisadores foi a de esperar encontrar as
relações contingência-estrutura apontadas
pelos estudos pioneiros, mas perceberam
que as generalizações dos estudos iniciais
deveriam ser tratadas com cautela em cada
novo ambiente pesquisado. Réplicas e ten-
tativas de generalização constituem boa
parte da pesquisa de ciência normal na lite-
ratura da contingência estrutural.
O Grupo de Aston insistiu em réplicas
(Child, 1972a; Hinings e Lee, 1971; Inkson
et al., 1970). As múltiplas dimensões da es-
trutura organizacional dos estudos pionei-
ros não foram encontradas em algumas ré-
plicas, enquanto outras confirmaram ape-
nas a dimensão principal de maneira isola-
da (Child, 1972a; Grinyer e Yasai-Ardekani,
1980; 1981; Hinings e Lee, 1971). Este é
um dos maiores problemas com os traba-
lhos do Grupo de Aston... houve tentativas
de solução pelo exame de tópicos meto-
dológicos, tais como as medidas das variá-
veis e se o status da organização (como va-
riável dependente ou independente) afeta-
ria os resultados (Donaldson et al., 1975;
Greenwood e Hinings, 1976; Mansfield,
1973; v. tb. Reimann, 1973; Starbuck,
1981). Os diferentes resultados são vistos
tanto como reflexos de diferentes visões te-
óricas, como constituindo refutações e con-
firmações (Weber, 1968).
Diversamente, os principais resulta-
dos, em termos de contingência-estrutura
dos estudos originais, foram confirmados:
tamanho é a principal contingência para a
estruturação burocrática das atividades
organizacionais. Réplicas o confirmaram
(Pugh e Hinings, 1976). Estudos posterio-
res mostraram que esses resultados podem
ser generalizados para diversos tipos de or-
ganizações, localizadas em diversas nações
e regiões. Por exemplo, Donaldson (1986 :
74) revisa 35 estudos de relações entre o
tamanho da organização e a variável estru-
tural grau de especialização funcional. To-
dos os estudos encontraram uma correla-
ção positiva. Esses estudos incluem organi-
zações de 15 países: Algeria, Canadá, Egi-
to, Finlândia, França, Alemanha, índia, Irã,
Japão, Jordânia, Polônia, Singapura, Sué-
cia, Reino Unido e Estados Unidos (respec-
tivamente, Zeffane, 1989; Hickson et al.,
1974; Badran e Hinings, 1981; Routamaa,
1985; Zeffane, 1989; Child e Kieser, 1979;
TEORIA DA CONTINGÊNCIA ESTRUTURAL 57

------------------------------------------- da ciência normal tem sido mobilizada para


fazer estudos através do tempo, de maneira
DINÂMICA DA CAUSALIDADE a revelar os reais caminhos da causalidade.
A questão das relações entre estraté-
Até agora a discussão tem se concen- gia e estrutura tem sido estudada em maior
trado em estudos seccionais (vide nota do detalhadamente, de maneira que é uma área
tradutor número 2) que correlacionam a conveniente para se examinar a causalida-
contingência e a estrutura no mesmo ponto de.
e ao mesmo tempo. A teoria da contingên-
cia interpreta essa associação de acordo com
seu próprio paradigma, que é o funcionalis-
mo adaptativo e o determinismo contin- Dinâmicas de estratégia e
gencial. Surge então a questão da correção estrutura
dessa interpretação.
Cada uma das principais teorias do A explicação da correlação entre es-
paradigma da contingência enfoca apenas tratégia e estrutura é a teoria funcionalista
determinados pares de fatores contingen- de que há uma adequação entre certas es-
ciais e estruturais (por exemplo, tamanho e tratégias e certas estruturas (Chandler,
burocracia, ou estratégia e estrutura). Os 1962). A pesquisa acerca do desempenho
críticos alegam que não existe uma teoria indagou inicialmente se estruturas divisio-
da contingência, mas apenas uma coleção nais superavam, em termos de desempenho,
de teorias que constituem, na melhor das as estruturas funcionais (por exemplo,
hipóteses, uma abordagem contingencial. Armour e Teece, 1978). Entretanto, isto não
Entretanto, é possível responder a esse dis- é o mesmo que teoria da contingência, que
parate oferecendo uma teoria comum, sustenta que não é a estrutura de per se, mas
subjacente a todas. Esta pode ser denomi- antes se ela está ou não adequada à estraté-
nada teoria da adaptação estrutural para gia, que é relevante para o desempenho. Isto
readquirir adequação (structural adaptation requer a operacionalização de um modelo
to regain fit) (SARFIT) (Donaldson, 1987). que especifica certas combinações de estra-
Ela sustenta haver adequação entre cada tégias e estruturas como adequadas e ou-
contingência e um ou mais aspectos da es- tras combinações como inadequadas.
trutura organizacional de forma que a ade- Donaldson (1987) propôs um modelo como
quação afeta positivamente o desempnho
e a inadequação a afeta negativamente. Uma
organização inicialmente "adequada" tem
sua contingência alterada e desse modo tor-
na-se "inadequada", sofrendo um declínio
de desempenho: isto leva à adoção de uma
nova estrutura de modo que a adequação é
readquirida e o desempenho restaurado.
Portanto, o ciclo da adaptação é: adequa-
ção, mudança da contingência, inadequa-
ção, adaptação estrutural, nova adequação.
Esse modelo causai está por trás de muitas
das teorias de contingência estrutural (Burns
e Stalker, 1961; Lawrence e Lorsch, 1967;
Williamson, 1970; 1971; Woodward, 1965).
Têm havido argumentos contra idéias
do tipo SARFIT que contestam cada um de
seus componentes. Argumenta-se que as
correlações entre cada contingência e estru-
tura significam processos causais diferentes
daqueles do modelo SARFIT (Aldrich,
1972). Erros ou incertezas na interpretação
teórica são tidos como possíveis por causa
das limitações dos estudos seccionais. Os
comentaristas sugerem que os estudos de
teoria de contingência estrutural devem ir
além dos estudos seccionais ou desenhos
sincrônicos de pesquisa para realizar estu-
dos de mudança organizacional por meio
do tempo, isto é, estudos longitudinais ou
diacrônicos (Mansfield e Poole, 1981;
Galunic e Eisenhardt, 1994). Assim, parte
I 58 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE ______________________________

este derivando-o do trabalho de Chandler 13), reproduzindo-se assim a hipótese nula


(1962) e outros. encontrada em estudos prévios de mudan-
Corporações "adequadas" superariam ça organizacional.
o desempenho das "inadequadas", fornecen- Então, os dados foram analisados pelo
do validação empírica (Donaldson 1987). exame separado de cada um dos estágios
Além disso, a adequação ocorre num mo- do modelo SARFIT e este foi confirmado.
mento anterior ao desempenho, enfatizando Das 87 corporações que se moveram da ade-
que a adequação é causa e o desempenho é quação para a inadequação, 83% o fizeram
efeito. Hamilton e Shergill (1992; 1993) devido ao aumento de seu nível de contin-
também validaram empiricamente um mo- gência estratégica, adotando uma estraté-
delo de adequação muito similar, mostran- gia de diversificação (1987 : 14). Assim, o
do relacionamento positivo com desempe- ciclo de adaptação estrutural é iniciado pela
nho. Organizações em adequação por uma mudança na contingência, como sustenta o
série de anos tiveram melhoria de desem- SARFIT. Passando para o segundo passo no
penho superior àquelas em inadequação no modelo SARFIT, os dados foram analisados
mesmo período. Isto significa que estar ade- para ver se a inadequação levaria à mudan-
quada leva a um aumento no desempenho ça estrutural. Dessas corporações em con-
e dessa forma, a adequação deveria ser vis- dições "inadequadas", 39% mudaram suas
ta como causa e o desempenho como con- estruturas, enquanto entre as "adequadas",
seqüência. Hill et al. (1992) também mos- apenas 9% o fizeram (1987 : 14). Isto con-
traram que as adequações da estratégia e firma que a inadequação causa mudança
da estrutura estão positivamente relaciona- organizacional. Das corporações que muda-
das com o desempenho. Assim, a proposi- ram sua estrutura, 72 porcento moveram-
ção de que a adequação entre estratégia e se da inadequação para a adequação e ape-
estrutura afeta o desempenho recebe apoio, nas 5 porcento moveram-se da adequação
e um pouco desse apoio vem de pesquisas para a inadequação (1987 : 14). Assim, a
em que a dimensão temporal fornece sus- mudança estrutural foi predominantemen-
tentação à inferência causai de que adequa- te adaptativa, isto é, adotou-se uma estru-
ção afeta desempenho. A teoria funcionalista
de que as corporações alinham suas estru-
turas com suas estratégias por causa de uma
adequação subjacente encontra sustentação
empírica.
Alguns estudos de mudança organiza-
cional têm buscado uma correlação entre
mudança da contingência e mudança da
estrutura, durante o mesmo período de tem-
po ou no período de tempo imediatamente
seguinte. Seus resultados têm sido confu-
sos e têm tendido a gerar dúvidas sobre a
teoria da contingência estrutural (Dewar e
Hage, 1978; Dyas e Thanheiser, 1976;
Inkson et al., 1970; Meyer, 1979). Enquan-
to a teoria da contingência sustenta que a
contingência causa a estrutura, isto só ocorre
a longo prazo, pois o curto e médio prazos
são marcados por diversas inadequações.
Assim a mudança da contingência leva ini-
cialmente apenas a uma nova inadequação,
que eventualmente conduz a uma mudan-
ça de estrutura e a uma nova adequação.
Esse modelo causai alongado e com várias
etapas expressa melhor a teoria contin-
gencial e por isso deveria ser objeto de veri-
ficações empíricas sobre mudança organi-
zacional.
Donaldson (1987) combinou dados de
estudos de estratégia e estrutura em cinco
países (França, Alemanha, Japão, Reino
Unido e Estados Unidos). Primeiramente, os
dados foram analisados de maneira tradi-
cional: buscou-se uma associação entre a
mudança da contingência da estratégia e a
mudança na estrutura no período imedia-
tamente posterior. Não houve associação
positiva entre estratégia e estrutura (1987 :
TEORIA DA CONTINGÊNCIA ESTRUTURAL 59 [

tura divisional para adequar a estrutura a firma que a dinâmica da causalidade é a


uma estratégia corporativa mais diversi- identificada pelo modelo SARFIT.
ficada. Portanto, a inadequação estrutural ESCOLHA
causa adaptação estrutural, como o SARFIT ESTRATÉGICA
sustenta. E assim cada estágio separado do
SARFIT foi validado. A teoria da contingência estrutural é
Quando a mudança organizacional é determinista no sentido de que a contingên-
examinada com um modelo que captura cia causa a estrutura (embora com um re-
mais precisamente todo o processo envolvi- tardamento temporal). A organização cur-
do na adaptação estrutural, então a teoria va-se ao imperativo de adotar uma nova
da contingência estrutural é confirmada. estrutura que se ajuste ao novo nível de con-
Quando se utiliza o modelo simplista de que tingência de forma a evitar a perda de de-
mudança na contingência leva à mudança sempenho em virtude da inadequação. Esse
estrutural, chega-se à conclusão errônea que determinismo tem sido muito criticado. Al-
acaba por não confirmar a teoria da contin- guns autores rejeitam um determinismo
gência estrutural. Isto é a "ciência normal" situacional como este, afirmando que os
em ação: resolver descobertas contrárias à administradores têm livre escolha
teoria pela demonstração de que os proce- (Whittington, 1989) e alguns falam de "li-
dimentos de testes empíricos estavam incor- vre arbítrio" (Bourgeois, 1984). Child
retos por não fazer uso de um modelo teó- (1972b) argumenta, mais moderadamente,
rico devidamente articulado. que as contingências possuem alguma in-
A teoria da contingência sustenta que fluência, mas há um grau considerável de
a estratégia leva à estrutura. Contudo, Hall escolha, que ele chama de "escolha estraté-
e Saias (1980) argumentam que a estrutu- gica" (v. tb. Reed, 1985; Pennings, 1992).
ra leva à estratégia. Bourgeois (1984) criti- Child (1972b) argumenta que a esco-
ca a pesquisa da contingência por falhar em lha para os administradores e outros diri-
considerar a causalidade reversa na qual o gentes organizacionais surge de fontes di-
fator de contingência presumido realmente versas. Ele aponta o processo de tomada de
resulta da estrutura. Surge a possibilidade, decisão, que intervém entre a contingência
portanto, de que correlações positivas sur- e a estrutura, começando assim um esboço
jam entre estratégia e estrutura, mas indi- de análise ao nível da ação administrativa
cando que a estrutura causa a estratégia. (action-level analysis).** Administradores (e
Entretanto, Donaldson (1982) examinou outros dirigentes organizacionais) variam
essa possibilidade e não encontrou estrutu- em suas respostas às contingências de acor-
ras divisionalizadas que levassem estraté- do com suas percepções, suas teorias implí-
gias de diversificação.* A correlação entre citas, preferências, valores, interesses e po-
estratégia e estrutura não se manifesta com der (Child, 1972b). Os pioneiros da teoria
estruturas que causam estratégias. Isto con- da contingência estrutural fazem alguma

Note que essas conclusões só foram possíveis a


partir da operacionalização do modelo que espe-
cifica certas combinações de estratégias e estru-
turas, conforme dito no início da seção. (N.T.)
Esse nível "micro" de análise, em que o tomador
de decisão individual aparece, é contraposto ao
nível "macro" de análise anterior, onde a empre-
sa aparece como um todo indivisível na relação
com o ambiente externo ou com outras contin-
gências também tomadas de maneira "macro".
Sobre vários níveis de análise organizacional, v.
PFEFFER, Jeffrey. Organizations and organization
theory. Londres : Pitman, 1982. (N.T.)
60 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

tura nova e adequada, podendo chegar a


décadas (Channon, 1973; Donaldson, 1987;
menção a esses fatores, mas prosseguem na Dyas e Thanheiser, 1976). A adaptação es-
defesa do imperativo da contingência trutural tende a ocorrer quando a organiza-
(Woodward, 1965). ção em inadequação tem baixo desempenho
Para Child (1972b) esses fatores no (Donaldson, 1987). Isto é consistente com
nível da ação ganham força e espaço em vir- o argumento da escolha estratégica (Child,
tude da fraqueza do imperativo dos siste- 1972b). Contudo, o estudo que revela esse
mas. Uma organização "inadequada" pode fenômeno (Donaldson, 1987; Rumelt, 1974)
sofrer queda de desempenho, mas esse fa- envolve as 500 maiores da revista Fortune,
tor pode ser de menor importância frente isto é, os pilares do capitalismo americano.
às demais causas de perda de desempenho. Muitos dos estudos de adaptação estrutural
Uma corporação numa posição de mercado a contingências mutantes são de grandes
dominante, tal como um monopólio ou oli- corporações (Channon, 1973; Donaldson,
gopólio, ou uma corporação numa indús- 1987; Dyas e Thanheiser, 1976; Fligstein,
tria protegida, tem excesso de lucros, ou 1985; Mahoney, 1992; Palmer, et al. 1987;
ociosidade de recursos, que lhe permitam Pavan, 1976; Rumelt, 1974; Suzuki, 1980).
absorver um decréscimo em desempenho, E portanto falso entender que grandes
por causa da inadequação estrutural, sem corporações façam adaptações estruturais
deixar que o nível de lucratividade torne-se pouco freqüentes. Por exemplo, Fligstein
insatisfatório. Assim, os administradores de (1985 : 386, Quadro 2) mostra que, entre
tais organizações podem conservar uma es- as 100 maiores corporações dos EUA, 71
trutura inadequada se o desejarem por um
longo tempo. Novamente, Child (1972b)
argumenta que quando a inadequação não
é mais tolerável e é necessário restaurar a
adequação, isto pode ser feito mantendo-se
a estrutura e alterando-se a contingência de
modo que a estrutura se ajuste. Assim não
há imperativo para adaptar a estrutura à
contingência, pois há uma rota alternativa
para reconquistar a adequação. Dessa ma-
neira, o imperativo de se adotar uma estru-
tura para dada contingência é consideravel-
mente atenuado, aumentando o espaço da
escolha estratégica. A teoria da escolha es-
tratégica têm sido amplamente reconheci-
da e constitui um desafio considerável para
a teoria da contingência estrutural.
O argumento de Child (1972b) de que
o imperativo dos sistemas é mais fraco do
que supunham os pioneiros da teoria da
contingência foi examinado e não é tão vá-
lido quanto em geral se presume. Comenta-
ristas apontam que na pesquisa de Aston
sobre a estrutura burocrática, os fatores
contingenciais foram responsáveis por ape-
nas metade da variância na estrutura, de
modo que muito da variância na estrutura
-------------------------------------------
pode ser devida à escolha estratégica. En-
tretanto, a variância na estrutura explicada
por fatores contingenciais é subestimada em
virtude de erros de mensuração. Donaldson
(1986 : 89) mostrou que a verdadeira cor-
relação entre tamanho e especialização fun-
cional, depois da correção do erro de men-
suração, é 0,82. Isto significa que 67% da
variação estrutural é explicada pelo tama-
nho, o que é bem mais do que a metade.
Dos 33% restantes de variância da estrutu-
ra, uma parte será devida a outros fatores
contingenciais, e alguns serão devidos ao
intervalo de tempo na adaptação da estru-
tura ao tamanho e às demais contingências.
Assim, a variância estrutural restante para
ser explicada pela escolha estratégica é, na
melhor das hipóteses, menor de 30%. E pode
muito bem ser menos do que 30% por cau-
sa de outros fatores que possam influenciar
a estrutura, além dos mencionados e da pró-
pria escolha estratégica.
A pesquisa sobre estratégia e estrutu-
ra mostra que organizações em inadequação
podem demorar muito a adotar uma estru-
TEORIA DA CONTINGÊNCIA ESTRUTURAL 61

adotaram a estrutura multidivisional, de 28% da rentabilidade e a adequação estru-


1919 a 1979. Até mesmo corporações gran- tural (à estratégia) responsável por 16%
des e saudáveis podem enfrentar alterações (1993 : 19). Assim, o efeito da inadequação
de desempenho descendo a níveis insatis- da estrutura organizacional é similar em
fatórios. Isto pode surgir quando ocorre re- magnitude àquele da dominação do merca-
cessão econômica, aumento da competitivi- do. A inadequação estrutural não é despre-
dade internacional, desregulamentação da zível em seu efeito sobre o desempenho
indústria e assim por diante. quando cotejada com a dominação de mer-
Críticos afirmam que, enquanto a teo- cado. Para a maioria das empresas, o grau
ria da contingência sugere que a organiza- de "folga" de recursos organizacionais pro-
ção responde ao ambiente, por outro lado, piciado pela dominação de um mercado
a organização pode alterar o ambiente tor- poderia ser exaurido pela inadequação es-
nando-o mais favorável a seus objetivos trutural, fazendo com que o desempenho
(Perrow, 1986; Pfeffer e Salancik, 1978). Isto se tornasse insatisfatório, obrigando a uma
torna mais fácil para a organização ser lu- readaptação estrutural.
crativa e assim evitar ter que fazer altera- A teoria da escolha estratégica argu-
ções estruturais. Perrow (1986) vale-se da menta que uma organização em inade-
análise de Hirsch (1975) para mostrar que quação pode readquirir sua adequação pela
a maior lucratividade da indústria farma- alteração de sua contingência de forma a
cêutica, quando comparada à indústria que esta venha a se adequar a sua estrutu-
fonográfica, deve-se à grande regulamen- ra; evitando, portanto, a necessidade de
tação governamental do mercado farmacêu- mudar uma estrutura preferida pelos admi-
tico, que cria uma barreira de entrada, re- nistradores. De fato, a pesquisa empírica
duzindo, portanto, a concorrência. Presu- revela que 95% das corporações que se
mivelmente, um ambiente benigno seria movem da inadequação para a adequação
atraente para muitas empresas, mas nem fazem isto por meio de mudanças que en-
todas são bem-sucedidas em produzir um volvem adaptações estruturais (Donaldson,
ambiente de tal maneira favorável. Isto in- 1987). A maioria das corporações se ajusta
dica a resiliência do ambiente e de institui- adaptando estrutura à estratégia. Apenas
ções poderosas como o governo. O grau de 5% das corporações movem-se da inade-
regulamentação da indústria farmacêutica quação para a adequação alterando a estra-
americana é atípico, refletindo a preocupa- tégia para que se ajuste à estrutura existen-
ção pública de que drogas podem ser mais te. Na realidade, corporações não utilizam
perniciosas do que discos de paradas de su- a rota da adequação da contingência para
cessos. De fato, a política governamental em chegar à adequação. A diferença é muito
diversos países (Austrália, Nova Zelândia, marcante a ponto de levantar dúvidas a res-
Reino Unido e EUA) é cada vez mais
desregulamentar indústrias de maneira a
aumentar a concorrência com o intento de
restringir disponibilidades organizacionais
e forçar organizações a se adaptarem. As-
sim, a idéia de que reengenharia ambiental
é uma alternativa à adaptação organiza-
cional é um exagero e se enfraquece com o
passar do tempo.
Uma inadequação estrutural é tolerá-
vel, quando ocorre moderada ociosidade de
recursos organizacionais, porque os efeitos
negativos da inadequação são vistos como
menores, especialmente para uma organi-
zação saudável que domina um mercado
oligopolizado (Child, 1972b). Entretanto,
um estudo feito por Hamilton e Shergill
(1992; 1993) comparou o efeito sobre o
desempenho da inadequação estrutural com
o efeito da concentração da indústria, do-
minação do mercado ou oligopólio. A con-
centração da indústria foi responsável por
62 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

peito de a adaptação contingencial ser mes- em pequenas empresas não pode ser gene-
mo uma rota alternativa. Quando a mudan- ralizado para empresas, grandes. Portanto,
ça de estratégia produz uma nova adequa- os efeitos da personalidade do CEO restrin-
ção, isto não se deve ao fato de que se pre- gem-se a pequenas empresas, pois nas
feriu alterar a estratégia para satisfazer a grandes empresas a institucionalização da
estrutura existente; na verdade, tratou-se de estrutura organizacional restringe a influ-
um retorno a uma estrutura funcional por- ência de fatores contingenciais de natureza
que foi decidido que se deveria reduzir o pessoal.
nível de diversificação, pois a estratégia Fligstein (1985) mostra que a origem
diversificadora tinha acabado de gerar que- funcional do CEO afeta a estrutura. Por sua
da de desempenho. Portanto, não se tratou vez a origem funcional do CEO é afetada
de adequar estratégia à estrutura, mas se pela estrutura e pela estratégia, isto é, por
alterou a estratégia, optando-se por centrar uma contingência estrutural (Fligstein,
as atividades no core business, com a venda 1987). Assim, não está claro que a origem
dos negócios considerados não fundamen- funcional do CEO seja causa da estrutura e
tais. Ao invés de rotas alternativas para a que independa da estrutura e das contin-
adequação e escolha, a pesquisa sustenta a gências estruturais. Muitos dos fatores em
visão de que corporações selecionam a es- nível individual que Child (1972b) e outros
tratégia e então costuram uma estrutura que vêem como moldadores de decisões estru-
seja adequada (Chandler, 1962; Christensen turais podem ser afetados pela estrutura
et al., 1978). organizacional, pela estratégia, pelo tama-
Assim o desenvolvimento de uma nho e por outras contingências. Por exem-
"ciência normal" tem sido capaz de respon- plo, o poder para afetar a escolha de estru-
der às objeções ao paradigma da teoria da turas é possivelmente afetado pela estrutu-
contingência estrutural pelo campo da es- ra organizacional existente; de maneira si-
colha estratégica. Os imperativos sistêmicos milar, o interesse de um administrador é
são fortes e limitam em alto grau a escolha
dos administradores sobre a estrutura or-
ganizacional. As organizações, mesmo as
grandes e saudáveis, curvam-se ao impera-
tivo de ter que adequar sua estrutura às con-
tingências para evitar perdas intoleráveis de
desempenho. Se alguma escolha resta, re-
duz-se em grande parte à ocasião em que
efetuar a mudança estrutural (v. tb.
Donaldson, 1996).
Têm havido alguns movimentos no
sentido de demonstrar o papel dos indiví-
duos em formatar a estrutura organiza-
cional, em que as características individu-
ais somam-se às contingências na explica-
ção da estrutura. Miller e seus colegas mos-
traram que a estrutura é afetada pela per-
sonalidade do CEO - Chief Executive Officer
(Miller et al., 1988; Miller e Droge, 1986;
Miller e Toulouse, 1986). Entretanto, o es-
tudo de Miller et al. (1988) foi realizado
em pequenas organizações, onde o impacto
do CEO é provavelmente maior do que em
grandes organizações, onde o CEO tem
menos influência, dividindo-a com especia-
listas do staff, e as decisões são mais buro-
cratizadas (como os autores aceitam
(1988 : 564). Além disso, o efeito do ta-
manho é restrito num estudo de pequenas
organizações. Assim, o estudo de Miller et
al. (1988) provavelmente superestima o im-
pacto da personalidade do CEO e subesti-
ma o efeito do tamanho. De fato, Miller e
Droge (1986 : 552) não encontraram rela-
cionamento entre a personalidade do CEO
e a estrutura organizacional em grandes
organizações. Igualmente, Miller e Toulouse
(1986 : 1397) encontraram mais efeitos da
personalidade do CEO sobre a estrutura
organizacional de pequenas do que de gran-
des firmas. Assim, o efeito da personalida-
de do CEO sobre a estrutura organizacional
TEORIA DA CONTINGÊNCIA ESTRUTURAL 63

afetado por sua posição na estrutura (vide gência nas escolas de administração acele-
também Donaldson, 1996). ra a adoção de estruturas organizacionais
A principal tentativa feita por Child mais efetivas, como esperado pelos pesqui-
(1973) para forjar uma teoria da estrutura sadores pioneiros (Woodward, 1965).
ao nível do ator individual sustenta que a
formalização burocrática é afetada pelo grau
de qualificação e especialização do staff ad- ADEQUAÇÃO E DESEMPENHO
ministrativo que é o arquiteto da burocra-
tização. Dessa forma, a especialização leva Como já foi apontado, a idéia central
à formalização. Assim, a teoria é essencial- da teoria da contingência é que há uma ade-
mente estrutural, explicando a estrutura quação entre a estrutura e a contingência
pela própria a estrutura. Isto não chega a organizacional que afeta o desempenho
substituir a teoria estrutural por uma teoria organizacional. A partir dos anos 80, res-
do ator individual. surgiu o interesse pela conceituação e men-
A teoria da escolha estratégica forne- suração operacional da adequação, princi-
ceu-nos o estímulo para um exame mais palmente entre os pesquisadores norte-ame-
detido de vários itens na teoria da contin- ricanos, como o trabalho crítico de
gência estrutural. O resultado confirma a Schoonhoven (1981). Outros têm procura-
teoria estrutural em sua forma original, dei- do investigar o relacionamento empírico
xando intacto seu determinismo. entre suas definições operacionais de ade-
A teoria da escolha estratégica fre- quação e desempenho organizacional, ava-
qüentemente exibe um aspecto negativo que liada de diversas maneiras (Alexander e
consiste em procurar assegurar um papel Randolph, 1985; Argote, 1982; Drazin e Van
para a escolha gerencial mostrando que de Ven, 1985; Gresov, 1989; Gresov et al.,
administradores escolhem estruturas que 1989; Van de Ven e Drazin, 1985).
não são as mais apropriadas (ótimas) para Drazin e Van de Ven (1985) modela-
a situação (Child, 1972b), manifestando um ram adequação como uma linha de iso-de-
capricho pelo qual deveriam ser moralmen- sempenho e efetuaram medidas do grau de
te culpados (vide especialmente Whitting- inadequação entre uma variável contingen-
ton, 1989). Assim, a escolha manifesta-se te e diferentes variáveis estruturais de di-
pela preferência de uma estrutura que não versas organizações. Isto trouxe à luz a
é a mais efetiva. Entretanto num segundo
movimento, mais positivo, os administrado-
res selecionam a estrutura que conduzirá a
organização à adequação com aumento da
efetividade organizacional, e reconhecimen-
to dos imperativos sistêmicos. Assim, indi-
víduos escolhem, mas na verdade são ato-
res humanos que acionam um sistema che-
gando a um resultado benéfico para a orga-
nização porque em conformidade com a te-
oria da contingência.
A sustentação para essa maneira posi-
tiva de entender a escolha gerencial é
fornecida por Palmer et al. (1993). Eles
mostram que a adoção de uma estrutura
multidivisionalizada em empresas america
nas era mais freqüente quando o CEO era
um diplomado de uma escola de adminis-
tração de elite. Palmer et al. (1993) argu-
mentam que os CEOs teriam adquirido a
idéia de uma estrutura multidivisional pela
educação. A adoção de uma estrutura
multidivisional em grandes corporações
norte-americanas foi uma adaptação predo-
minantemente racional às mudanças em
estratégia. A estrutura multidivisional foi
adotada para que se adequasse estratégia e
estrutura (Donaldson, 1987). Assim, o efei-
to da educação em administração sobre a
divisionalização é uma evidência encora-
jadora de que o conhecimento que os admi-
nistradores adquirem da teoria da contin-
I 64 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE ____________________________

desejabilidade de se considerar a adequa-


ção não apenas entre a variável contin-
gencial e uma variável estrutural, mas en-
tre a variável contingencial e todas as variá- REFLEXÕES SOBRE O PARADIGMA DA
veis estruturais para as quais ela é uma con- TEORIA DA CONTINGÊNCIA
tingência. Um conceito multiestrutural de ESTRUTURAL
adequação como este reflete mais satisfato-
riamente a noção de adequação subjacente A ciência normal da teoria da contin-
e por isso é bem-vinda. De outro lado, abre gência estrutural vem recebendo a atenção
a porta para um modelo mais plenamente de um grande número de pesquisadores e
multivariado, em que os fatores contin- estudiosos. Entretanto, não desfruta de acei-
genciais e todas as variáveis estruturais para tação universal e provavelmente perdeu
as quais eles são contingentes são conside- importância a partir da década de 70. Sur-
rados simultaneamente para cada organi- giram diversas abordagens, como a teoria
zação (Randolph e Dess, 1984). Esse mode- institucional nos EUA (Meyer e Scott, 1983)
lo multidimensional de adequação captura- e a teoria do agenciamento (agency theory)
ria a idéia de adequação de uma forma mais no Reino Unido (Silverman, 1970). Os EUA
rica. Seria mais complexo, mas não comple- têm testemunhado o aparecimento de no-
xo demais, à medida que cada variável es- vas teorias organizacionais (vide Donaldson,
trutural tem, na prática, um número limita- 1995a), que vêm abrigando abundante pes-
do de contingências. Muitas variáveis estru- quisa sobre estrutura organizacional. Já se
turais têm como suas contingências apenas disse que os incentivos da carreira acadê-
um conjunto limitado de variáveis contin- mica premiam mais a criação de novos
genciais, na maior parte das vezes restrita a paradigmas do que a perseverança no estu-
uma ou poucas das variáveis de tamanho, do dos paradigmas mais antigos (Aldrich,
estratégia, incerteza da tarefa e responsabi- 1992; Mone e McKinley, 1993). Ademais, a
lidade pública. O próximo passo na pesqui- combinação de teorias alternativas com re-
sa da adequação é esclarecer com exatidão
quais as poucas contingências que se apli-
cam a cada diferente aspecto da estrutura e
incluí-las em modelos multivariados que
capturem de forma exaustiva a adequação
para em seguida estabelecer as medidas
dessa adequação multivariada e seu impac-
to no desempenho. Este é um tópico impor-
tante para o futuro da pesquisa contin-
gencial.

O DESAFIO DE OUTROS
PARADIGMAS

Como parte do crescente pluralismo


no estudo das organizações, desde meados
dos anos 70, novos paradigmas surgiram na
sociologia e na economia, oferecendo expli-
cações sobre a estrutura organizacional e
se juntando à teoria da contingência estru
tural (Pennings, 1992; Davis e Powell,
1992). Incluem a teoria da dependência de
recursos (Pfeffer e Salancik, 1978), a teoria
institucional (Powell e DiMaggio, 1991), a
teoria da ecologia populacional (Hannan e
Freeman, 1989), a teoria do agenciamento
(Jensen e Meckling, 1976) e as teorias dos
custos econômicos de transação (Williamson
1985). Algumas dessas teorias são apresen-
tadas em outros capítulos e volumes deste
Handbook. Há ainda uma discussão detalha-
da e crítica sobre cada uma dessas teorias e
se apresentam argumentos a favor da teo-
ria da contingência (Donaldson, 1995a).
Nosso ponto de vista é que essas teorias mais
novas oferecem contribuições que suple-
mentam a teoria da contingência, que con-
tinua sendo a principal teoria explicativa
da estrutura organizacional (Donaldson,
1995a).
TEORIA DA CONTINGÊNCIA ESTRUTURAL 65

sultados negativos no interior do paradigma utilidade da teoria da contingência estrutu-


da pesquisa sobre contingência estrutural ral.
faz com que muitos pesquisadores acredi- Uma vez que a teoria da contingência
tam que suas descobertas são contestações estrutural começou como uma síntese en-
da teoria da contingência estrutural e que tre as idéias opostas da administração clás-
isto representa um avanço da análise sica e da escola de relações humanas, não é
organizacional. Por exemplo, Cullen et al. de admirar que venha a servir como elemen-
(1986) reestudaram a teoria de Blau (1970) to de síntese para uma teoria organizacional
e suas variáveis ao longo do tempo. Os re- mais ampla. A questão então é saber se a
sultados negativos foram interpretados teoria da contingência estrutural se tornar
como indicativos de que a teoria de Blau uma parte maior ou menor da nova síntese.
deve ser vista como uma teoria estática e Proponentes da teoria da contingência es-
não uma explicação dinâmica do tamanho trutural acharão que ela irá contribuir ma-
organizacional, como Blau sempre desejou. joritariamente para a nova síntese
Nesses casos, os pesquisadores não estão (Donaldson, 1995a). Proponentes de outras
tratando os resultados negativos como pro- teorias organizacionais acharão que a teo-
blemas do paradigma a serem solucionados, ria da contingência estrutural irá fornecer
como se esperaria no desenvolvimento de uma parte menor e suas próprias teorias
uma "ciência normal". serão fornecedoras dos elementos mais im-
Dessa forma, o desenvolvimento de portantes. Este poderia ser um dos princi-
uma ciência normal da teoria da contingên- pais debates sobre o futuro imediato dos
cia estrutural tem ocupado apenas alguns estudos organizacionais.
estudantes de organizações. Mesmo assim,
os resultados têm conduzido a progresso
considerável, problemas têm sido esclareci- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
dos e o paradigma da contingência estrutu-
ral vem se fortalecendo. E apesar de a teo- ALDRICH, Howard E. Technology and
organizational structure: a re-examination of
ria da contingência estrutural ser apenas
the findings of the Aston Group.
uma entre várias teorias, no ensino da ad- Administrative Science Quarterly, 17: 26-43,
ministração constata-se seu inequívoco pre- 1972.
domínio. Os textos sobre estrutura organi- ______ . Incommensurable paradigms? Vital signs
zacional continuam a depositar grande con- from three perspectives. In: REED, Michael,
fiança na teoria da contingência estrutural HUGHES, Michael (Eds.). Rethinking
e em seus resultados (Bedeian e Zammuto,
1991; Child, 1984; Daft, 1986).
Dado o crescente pluralismo teórico do
campo dos estudos da estrutura organiza-
cional, muitos pesquisadores aceitam basi-
camente a teoria contingencial da estrutura
e acrescentam variáveis e interpretações dos
paradigmas estruturais mais novos, tais
como a teoria institucional, porém de ma-
neira eclética (para exemplos vide Fligstein,
1985; Palmer et al, 1993). Desse modo, a
teoria da contingência continua sendo o eixo
principal da pesquisa mesmo para os que se
valem de outras teorias. Esse ecletismo re-
sulta no colapso das várias teorias que não
logram erigir-se em paradigmas e acaba sen-
do rejeitado pelos adeptos mais radicais das
diversas teorias (vide Aldrich, 1992). Entre-
tanto, os pesquisadores contemporâneos
mais típicos tentam acomodar as diferentes
idéias dentro de seus modelos de pesquisa
(Fligstein, 1985; Palmer et al., 1993). Ao
mesmo tempo em que há dificuldades em
integrar os diversos paradigmas contempo-
râneos (vide Donaldson, 1995a), a tentati-
va de reintegrar o campo é altamente reco-
mendada. E, paradoxalmente, todo esse
ecletismo pode estar tornando-se a grande
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NOTA TÉCNICA: TEORIA DA
CONTINGÊNCIA ESTRUTURAL
CARLOS OSMAR BERTERO

Em seu capítulo, Lex Donalson postu- se pode negar que isto em muito auxiliou
la ser a Teoria da Contingência Estrutural para que se tornasse um modelo de traba-
não só um conjunto respeitável de conheci- lho, e em conformidade com o paradigma
mentos acumulados na área organizacional, tivesse gerado livros, modelos de consultoria
mas possivelmente a maneira mais adequa- e grande quantidade de teses de mestrado
da de se construir uma "ciência" organiza- e doutorado. Contemporaneamente, diría-
cional. mos que na América Latina o mesmo suces-
Não é possível negar que a Teoria da so em termos de ciência normal foi obtido
Contingência constitui o mais amplo con- pelo paradigma da Teoria da Dependência,
junto de trabalhos publicados lidando com versão marxista com base nalgumas ques-
Análise Organizacional. A preocupação com tões de comércio internacional e que busca-
estrutura, como variável que deve ser va explicar o subdesenvolvimento e a mar-
explicada, a situa dentro da melhor tradi- ginalidade do Terceiro Mundo, e especial-
ção organizacional, influenciada pelo "admi- mente da América Latina, em face do gran-
nistrativismo", que era uma das formas as- de bloco desenvolvido situado no Atlântico
sumidas pela velha proposta da one best way. Norte. Como o paradigma da Dependência
No fundo, a origem da preocupação com permeou todas as ciências sociais, também
estrutura procurava responder à pergunta: se fez sentir na Análise Organizacional. Po-
Qual a forma correta, ou qual a melhor rém, se hoje a Teoria da Dependência é re-
maneira de organizar? Antes da abordagem ferência apenas para a história das ciências
contingencial, a resposta era buscada em sociais na América Latina, o mesmo não se
termos absolutos, com a contingencializa- pode dizer da Teoria da Contingência Es-
ção, inegavelmente, a resposta relativizou-
se, pois serão possíveis tantas estruturas
"corretas" quantas forem as variáveis contin-
gencializadoras. As origens e os trabalhos
pioneiros estão bem lembrados no texto de
Lex Donaldson e ainda julgamos aconselhá-
vel que muitos desses textos sejam revisi-
tados pelos estudiosos de nossos dias. A
maioria deles já padece da triste sina de
muitas obras, freqüentemente citadas e ra-
ramente lidas. Exemplos seriam os trabalhos
conhecidos, como o do Grupo de Aston
(Pugh e Hickson, 1976; Pugh e Hinings,
1976), o livro de Burns e Stalker (1961) e o
livro de Joan Woodward (1965).
O fato de a Teoria da Contingência
Estrutural situar-se confortavelmente no in-
terior de um paradigma funcionalista auxi-
liou para que pudesse assumir as caracte-
rísticas kuhnianas da "ciência normal". Não
NOTA TÉCNICA: TEORIA DA CONTINGÊNCIA ESTRUTURAL 75

trutural quando tratamos de Análise Organi- Donaldson apresenta em seu capítulo. Boa
zacional. Ela continua viva e gerando gran- parte da literatura gerencialista apresenta
de quantidade de trabalhos e de abordagens sucessos e insucessos empresariais como
gerenciais, seja por meio da consultoria, seja conseqüência de capacidades ou incapaci-
pela ação de administradores que gerenciam dades de readaptação a um ambiente de
organizações. negócios que se teria alterado. Quando a
Isto pode ser comprovado pelas duas readaptação ocorre, o resultado é visto como
grandes variáveis contingencializadoras que a recuperação do sucesso, caso contrário,
até o momento foram utilizadas: tamanho temos o fracasso e o eventual desapareci-
e meio ambiente. Classicamente, os tra- mento da organização ou sua queda no
balhos de Peter Blau (1970) e do Grupo de ranking que lhe é relevante. Portanto a Teo-
Aston foram obras importantes, em que se ria da Contingência Estrutural explica boa
buscava o impacto do tamanho sobre o que parte da literatura recente, entenda-se dos
hoje chamaríamos de formatação organiza- últimos 15 anos, envolvendo gestão estra-
cional. Os trabalhos referidos foram elabo- tégica e mudança e transformação organi-
rados no período do desabrochar e da gran- zacional.
de expansão das organizações de tipo buro- Também se deve reconhecer que boa
crático funcional, que fizeram amplo uso da parte da literatura e das práticas hoje ado-
tipificação ideal weberiana, além de adap- tadas em design organizacional, envolven-
tarem os conceitos durkheimianos de dife- do reorganização ou reestruturação e os fa-
renciação e integração. Nos dias atuais, a mosos "problemas" de readequação, ou sim-
questão se altera. Se é fato que a buro- plesmente adequação entre estratégia, es-
cratização hoje perdeu sentido em boa par- trutura e processos administrativos conti-
te das explicações que se podem oferecer nuam altamente dependentes de uma visão
para formatação organizacional, não há organizacional que é fornecida pela Teoria
dúvida de que o abandono ou a mitigação da Contingência Estrutural. A medida que
do burocratismo funcional recolocam a a idéia de paradigma de Kuhn implica se-
questão da variável tamanho, mas de for- não a suspensão, pelo menos o amorteci-
ma alguma a excluem do cenário. Na ver- mento do senso crítico, pois quando um
dade, nada lida mais diretamente com ta- paradigma "triunfa" ele tende a ser sofre-
manho do que as propostas de reestru- gamente abraçado pela comunidade cientí-
turação que enveredam pelo downsizing. Se fica, pode-se constatar que isto de fato ocor-
no passado o aumento de tamanho era vis- reu com o contingencialismo voltado à ex-
to como elemento decisivo, em nossos dias plicação de estrutura organizacional em
sua redução e a fragmentação organiza- nosso mundo de administração e análise
cional em substituição ao burocratismo fun- organizacional. É necessário reconhecer que
cional continuam correndo por dentro de nem todos o abraçaram crítica e conscien-
um contexto de explicação contingencial da temente, mas com certeza colocaram seus
estrutura. barcos para flutuar no caudal contin-
O ambiente continua variável deci- gencialista. Se a Teoria da Contingência Es-
siva nos dias atuais como explicação de trutural for vista como uma desistência de
contingencialização e isto não apenas na construir uma one best way em nível da prá-
clássica proposta de Alfred D. Chandler tica administrativa, e também como a afir-
(1962), mas especialmente no SARFIT mação da impossibilidade de construir uma
(Structural Adaptation to Regain Fit) que explicação única para a estrutura organi-
NOTA TÉCNICA: TEORIA DA CONTINGÊNCIA ESTRUTURAL 76

zacional, ela pode ser vista como um sinal entendida como o reconhecimento de que
de maturidade. Aqui, a maturidade deve ser modelos universais, absolutos e necessá-

FURB - Biblioteca Centrai


I 77 PARTE 1 - MODELOS DE ANÁLISE____________________________

rios de ciência, como desenvolvidos na área


de exatas, biológicas e geociências não são
aplicáveis noutras áreas de conhecimento,
especialmente nas áreas de ciências sociais,
sejam puras ou aplicadas. Isto também per-
mite ver a Teoria da Contingência Estrutu-
ral de um ângulo menos polêmico e menos
rígido do que o habitual, à medida que ela
é vista como modelo de "ciência normal",
mas capaz de flexibilizar-se pela absorção
de outras perspectivas contingencializado-
ras. Na verdade, quando se fala em cultura
organizacional, diferenças entre modelos de
gestão entre países e culturas, não se está
contingencializando e portanto relativi-
zando? Quando ouvimos que o modelo nor-
te-americano de empresa e seu tipo de
governança (governance) pode não ser
universalizável e que os países latinos, como
França, Itália e os da América Latina, têm
outro tipo de empresa, que demanda igual-
mente outro tipo de estrutura de cúpula e
outro modelo de governança, não continu-
amos a contingencializar? Se a contingen-
cialização traz consigo a renúncia à univer-
salização, e portanto, a ruptura com deter-
minado modelo de ciência, isto poderá le-
var-nos à melancolia, mas também pode le
var à aceitação de que a realidade adminis-
trativa não pode ser entendida ou aborda-
da gerencialmente sem a contingecialização
relativizadora.

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ECOLOGIA ORGANIZACIONAL-
JOEL A. C. BAUM

O QUE ECOLOGIA ORGANIZACIONAL diferenças existam entre investigadores in-


É dividuais, a pesquisa ecológica tipicamente
é iniciada por três observações: (1) diversi-
E NÃO É
dade é uma propriedade dos agregados de
organizações, (2) organizações freqüente-
Até a metade dos anos 70, a aborda- mente têm dificuldade para executar e pla-
gem predominante na teoria de organiza- nejar mudanças suficientemente rápidas
ção e gerenciamento enfatizava a mudança para responder às demandas de ambientes
adaptativa nas organizações. Segundo essa incertos e mutáveis e (3) a comunidade das
visão, quando o ambiente organizacional organizações é raramente estável - organi-
muda, líderes ou coalizões dominantes em zações aparecem e desaparecem continua-
organizações alteram as características mente. Feitas essas observações, ecólogos
organizacionais apropriadas para responder organizacionais passam a procurar explica-
às demandas do ambiente. A abordagem de ções para a diversidade nos níveis da popu-
estudo da mudança organizacional, que lação e da comunidade da organização e
enfatiza os processos de seleção ambiental, focalizam as taxas de fundação e fracasso,
introduzidos também nesse período (Aldrich criação e morte de populações organizacio-
e Pfeffer, 1976, Aldrich, 1979, Hannan e nais, como fatores-chaves para o crescimen-
Freeman, 1977, McKelvey, 1982), tem-se to e redução da diversidade.
tornado progressivamente influente. A linha Organizações, populações e comuni-
de pesquisa dentro da perspectiva ecológi- dades constituem os elementos básicos da
ca da mudança organizacional gerou gran- análise ecológica das organizações. Um con-
de excitação, controvérsia e debate dentro junto de organizações engajadas em ativi-
da comunidade científica dedicada à teoria dades similares e com padrões similares de
das organizações e da administração. utilização de recursos constituem uma po-
Inspirada pela questão "por que há pulação. Populações formam-se como resul-
tantos tipos de organizações?" (Hannan e tado de um processo que isola ou segrega
Freeman, 1977 : 936), ecólogos organiza- um tipo de organização de outro, incluindo
cionais procuram explicar como as condi- incompatibilidades tecnológicas e ações
ções políticas, econômicas e sociais afetam institucionais, tais como regulamentações
a relativa abundância e diversidade de or-

Tradução: Kátia Madruga.


Revisão técnica: Luiz Felipe Nasser Carvalho.
ganizações e tentam justificar sua composi-
ção mutante ao longo do tempo. Embora
I 79 PARTE I - MODELOS DF. ANÁLISE

do governo. Populações desenvolvem rela- que para toda a população das organizações:
ções com outras populações engajadas em existem limites para a influência das ações
atividades distintas, formando comunidades individuais sobre a variabilidade nas pro-
organizacionais. Comunidades organizacio- priedades organizacionais. Conseqüente-
nais são sistemas funcionalmente integra- mente, as ações de indivíduos poderão não
dos de populações interagentes. Os resulta- explicar muito a respeito da diversidade nas
dos para as empresas em qualquer popula- populações de organizações.
ção são fundamentalmente interligados com
empresas em outras populações dentro da
mesma comunidade. Abordagens ecológicas para a
mudança organizacional
Ecologia organizacional e As mudanças nas populações organi-
determinismo ambiental zacionais refletem a atuação de quatro pro-
cessos básicos: variação, seleção, retenção e
Embora a ecologia organizacional seja competição (Aldrich, 1979; Campbell, 1965;
atualmente um notável subcampo dos estu- McKelvey, 1982). Variações fazem parte dos
dos organizacionais, existem muitos críticos comportamentos humanos. Qualquer tipo
e céticos em relação a ela. Por quê? O deba- de mudança, intencional ou não, é uma va-
te centraliza-se primeiramente nas hipóte- riação. Indivíduos produzem constantemen-
ses a respeito das influências relativas da te variações em, por exemplo, competên-
história organizacional, de seu ambiente e cias administrativas e técnicas, em seus es-
de seus padrões de escolha estratégica so- forços para ajustar a relação de suas orga-
bre os padrões de mudança da organização, nizações ao ambiente. Algumas variações
desenvolvidas pela teoria da inércia estru- trazem mais benefícios que outras na aqui-
tural (Hannan e Freeman, 1977; 1984). A sição de recursos num ambiente competiti-
teoria da inércia estrutural afirma que as
organizações existentes freqüentemente têm
dificuldades para mudar sua estratégia e
estrutura de forma suficientemente rápida
para acompanhar as demandas de ambien-
tes incertos e mutáveis e enfatiza que a
maioria das inovações organizacionais,
freqüentemente ocorre no início da história
das organizações e populações. A mudança
e a variabilidade organizacionais são, por-
tanto, consideradas essencialmente, o refle-
xo da substituição de uma organização iner-
te (isto é, inflexível) por outra. Para os críti-
cos e céticos, isto significa determinismo
ambiental e a desconsideração da ação hu-
mana (Astley e Van de Ven, 1983,
Perrow, 1986).
Abordagens ecológicas implicam que
as ações de indivíduos em particular não
importam para as organizações? A resposta
é não, é claro. Uma parte da confusão é que
o determinismo é erroneamente contrasta-
do com oprobabilismo (Hannan e Freeman,
1989; Singh e Lumsden, 1990). Deixando
de lado se a discussão a respeito de se as
ações são tolas ou inteligentes, cuidadosa-
mente planejadas ou instintivas, o fato é que
indivíduos podem claramente influenciar o
futuro das organizações. Sob as condições
de incerteza, contudo, existem severas res-
trições às habilidades dos indivíduos para
conceber e implementar corretamente mu-
danças que aumentem as chances de sobre-
vivência e sucesso organizacional diante da
competição. Conseqüentemente, "num mun-
do de grandes incertezas, esforços adapta-
tivos... tornam-se essencialmente randô-
micos em relação a seu valor futuro"
(Hannan e Freeman, 1984 : 150). Uma se-
gunda parte da confusão está ligada ao ní-
vel da análise. As ações dos indivíduos são
mais importantes para sua organização do
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 80 |

vo e são, então, selecionadas positivamente Meu objetivo neste capítulo é avaliar


- não pelo ambiente, mas pelos administra- e consolidar o presente estado da arte em
dores dentro das organizações e pelos in- ecologia organizacional. Para realizar o pro-
vestidores, clientes e reguladores governa- posto, reviso a maioria das afirmações teó-
mentais no ambiente externo (Burgelman, ricas, estudos empíricos e discussões que
1991, Burgelman e Mittman, 1994; estão ocorrendo neste momento. Embora
McKelvey, 1994; Meyer, 1994; Miner, 1994). tenha tentado examinar o campo da inves-
Quando variações de sucesso são co- tigação em ecologia organizacional compre-
nhecidas, ou quando tendências ambientais ensivamente, devido à pesquisa ecológica
são identificáveis, indivíduos podem tentar constituir, neste momento, um grande cor-
copiar e implementar essas variações de po de trabalho e devido a já existirem ou-
sucesso em sua própria organização ou po- tras revisões extensas (Aldrich e
dem tentar prever, antecipar, planejar e Wiedenmayer, 1993, Carroll, 1984a; Wholey
implementar políticas no contexto de ten- e Brittain, 1986; Singh e Lumsden, 1990),
dências previsíveis (DiMaggio e Powell, focalizarei os trabalhos mais recentes. O
1983; McKelvey, 1994; Nelson e Winter, restante deste capítulo é organizado em
1982). Mas quando variações de sucesso são duas seções principais. Reviso a teoria e
desconhecidas, porque, por exemplo, o com- pesquiso as taxas de fundação e fracasso
portamento dos consumidores e competido- organizacionais na primeira seção e taxas
res é imprevisível, a probabilidade de esco- de mudança organizacional na segunda. Em
lher a variação correta e implementá-la é ambas as seções, enfatizo temas e debates
muito baixa. Mesmo quando variações de contemporâneos, bem como identifico ques-
sucesso são identificadas, a ambigüidade de tões centrais que permanecem sem respos-
suas possíveis causas pode frustrar as tenta- ta e saliento novas e emergentes direções
tivas de imitação. Sob essas condições, va- que parecem promissoras para a pesquisa
riações podem ser vistas como tentativas futura.
experimentais, algumas conscientemente
planejadas e outras acidentais, algumas re-
sultando em sucesso outras em fracasso
(McKelvey, 1994; Miner, 1994).
Quer elas sejam conhecidas ou não,
com o passar do tempo, variações de suces-
so são retidas na forma de organizações so-
breviventes que são caracterizadas por tais
variações. Se as chances de sobrevivência
são baixas para organizações com uma va-
riante especial, isso não significa necessa-
riamente que essas organizações estão des-
tinadas ao fracasso. Na verdade, significa
que a capacidade dos indivíduos de mudar
as organizações com sucesso é de grande
importância (Hannan e Freeman, 1989). A
teoria ecológica, portanto, não remove os
indivíduos da responsabilidade de controle
(ou influência, pelo menos) sobre o sucesso
e sobrevivência da organização: indivíduos
realmente têm importância. A teoria ecoló-
gica, contudo, assume que os indivíduos não
podem sempre (ou freqüentemente) deter-
minar previamente que variações irão ser
bem-sucedidas ou quais irão mudar as es-
tratégias e as estruturas de suas organiza-
ções rápido o suficiente para acompanhar
as demandas de ambientes incertos e mutá-
veis. Conseqüentemente, em contraste com
as abordagens da adaptação, que explicam
mudanças na diversidade organizacional em
termos de escolhas estratégicas cumulativas
e mudanças nas organizações existentes, as
abordagens ecológicas realçam a criação de
novas organizações e o desaparecimento de
outras.

Este capítulo
81
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL

FUNDAÇÃO E FRACASSO novos papéis como atores sociais e criar


ORGANIZACIONAL papéis e rotinas organizacionais a tempo,
em um período no qual os recursos orga-
nizacionais estão sendo exigidos até o limi-
Abordagens ecológicas da fundação e
te. Novas organizações parecem enfrentar
fracasso representam variações radicais em
a falta de influência e apoio, relações está-
relação às abordagens tradicionais que fo-
veis com agentes constituintes externos im-
calizam as iniciativas, capacidades e habili-
portantes e legitimidade. Seguindo numa
dades individuais. A abordagem tradicional
linha complementar, Hannan e Freeman
- baseada em traços inatos - a respeito da
(1984) sugerem que as pressões seletivas
fundação de organizações assume que há
favorecem organizações capazes de demons-
algo sobre o passado de um indivíduo ou
trar serem confiáveis e terem justificação.
personalidade que o leva a fundar uma or-
Mostrar confiança e justificação exige das
ganização (Gartner, 1989). Igualmente, a
organizações alta reprodutividade. Esta
pesquisa tradicional a respeito de política
reprodutividade, e a inércia estrutural que
de negócios normalmente atribui o fracas-
ela gera, aumentam à medida que avança a
so organizacional à inexperiência e incom-
idade da organização. Uma vez que os pro-
petência administrativa, ou a situação finan-
cessos de seleção favorecem enormemente
ceira inadequada (Dun e Bradstreet, 1978).
estruturas reprodutíveis, organizações mais
As abordagens ecológicas à fundação e fra-
antigas são menos propensas ao fracasso do
casso organizacional, comparativamente,
que organizações iniciantes.
enfatizam causas contextuais ou ambientais
Bastante relacionada à suscetibilidade
- sociais, econômicas e políticas - que pro-
das novatas está a suscetibilidade das peque-
duzem variações nas taxas de fundação e o
nas empresas. Organizações maiores são
fracasso das organizações ao longo do tem-
po, influenciando estruturas de oportunida-
de que confrontam fundadores organiza-
cionais potenciais e restrições de recursos
com que se deparam as organizações exis-
tentes (Aldrich e Wiedenmayer, 1993;
Carroll, 1984a; Romanelli, 1991). Em ter-
mos mais amplos, a teoria e a pesquisa eco-
lógicas sobre a criação e fracasso focalizam
três temas, resumidos na Tabela 1: (1) pro-
cessos demográficos, (2) processos ecológi-
cos e (3) processos ambientais.

PROCESSOS DEMOGRÁFICOS

Considerando que os processos de fun-


dação de empresas são atributos de uma
população, já que nenhuma organização
existe antes de sua criação, os processos de
fracasso ocorrem nos níveis organizacionais
e populacionais: as organizações existentes
têm histórias e estruturas que influenciam
suas taxas de fracasso. Desse modo, o estu-
do dos fracassos organizacionais é compli-
cado pela necessidade que temos de consi-
derar processos tanto no nível organiza-
cional quanto populacional. A análise demo-
gráfica examina os efeitos das característi-
cas organizacionais sobre as taxas de fra-
casso em populações organizacionais.

Dependência de idade e tamanho

Uma linha central de investigação na


pesquisa ecológica tem sido o efeito da ida-
de organizacional sobre o fracasso. A visão
predominante é a da suscetibilidade das no-
vatas (Stinchcombe, 1965 : 148-149), ou
seja, a propensão de organizações mais jo-
vens terem taxas mais altas de fracasso.
Apoiando esse argumento está a hipótese
de que organizações mais jovens são mais
vulneráveis, porque elas têm que aprender
82 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

Tabela 1 Principais abordagens ecológicas para a fundação e fracasso organizacional.


Variáveis-chave Previsões-chave Referências-
chave
Processos Demográficos Idade organizacional Suscetibilidade das novatas: as Freeman et al.,
taxas de fracasso 1983
Dependência da idade
organizacional declinam com
a idade, conforme os papéis e
rotinas são dominados, e as
relações com os agentes
externos são estabelecidas.
Suscetibilidade da Bruderl e
adolescência: taxas de fracasso Schusller, 1990;
organizacional Fichman e
crescem com os aumentos Levinthal, 1991
iniciais da idade, alcançam um
pico, quando os primeiros
recursos são depauperados,
então declinam com os futuros
aumentos da idade.
Suscetibilidade da Baum, 1989a;
obsolescência: Ingram, 1993;
as taxas de fracasso Ranger-Moore,
organizacional aumentam com 1991; Barron et
o tempo, à medida que seu al., 1994
ajuste inicial com o ambiente
se corrói.
Dependência do tamanho Suscetibilidade das as taxas de fracasso Freeman et al.,
Tamanho organizacional pequenas empresas: organizacional declinam com o 1983
tamanho, protegendo
organizações das ameaças à
sobrevivência.
Processo Ecológico Estratégia Especialistas exploram uma Freeman e
Dinâmicas de amplitude especialista estreita faixa dos recursos e são Hannan, 1983;
do nicho favorecidos em ambientes 1987; Carrol,
concentrados e refinados (fine- 1985
grained)
Estratégia do Generalistas toleram mais
generalista facilmente um amplo espectro
de as mudanças ambientais e
são favorecidos em ambientes
de grande variabilidade e não
refinados (.course-grained).
Dinâmica da população Fundações 0 início do crescimento em Carroll e
anteriores fundações prévias sinaliza Delacroix, 1982;
oportunidades, estimulando Delacroix e
novas fundações; mas tais Carroll, 1983;
crescimentos criam Delacroix et al.,
competição por recursos, 1989
83
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL

Tabela 1 Continuação.
Variáveis-chave Previsões-chave Referências-
chave
reprimindo novas fundações.
Crescimentos das fundações
anteriores que sinalizam
diferenciação organizacional
diminuem as taxas de
fracasso.
Fracassos anteriores 0 início do crescimento nas
mortes prematuras libera
recursos, estimulando novas
fundações, mas tal
crescimento adicional sinaliza
um ambiente hostil,
reprimindo novas fundações.
Os recursos liberados pelas
mortes prematuras diminuem
as taxas de fracasso.
Dependência da Densidade da 0 início do crescimento na Hannan e
densidade população (isto é, densidade aumenta a Freeman, 1987;
número de legitimidade institucional de 1988;1989;
organizações numa uma população, aumentando Hannan e Carrol,
população) as taxas da fundação e 1992
diminuindo os fracassos;
aumentos adicionais, porém,
produzem competição,
diminuindo as fundações e
aumentando os fracassos.
Interdependência da Densidade da Examina os efeitos da Hannan e
comunidade população densidade entre populações. Freeman, 1987;
Populações competitivas 1988;
(mutualistas) sufocam Barnett, 1990;
(estimulam) as taxas de Brittain, 1994.
fundação entre elas e
aumentam (diminuem) as
taxas de fracasso de cada uma.
Processos ambientais Desordem política Desordens políticas afetam os Carroll e
padrões das fundações e Delacroix, 1982;
Processos institucionais
fracassos, mudando os Delacroix e
alinhamentos sociais, Carrol, 1983;
rompendo relações Carrol e Hup,
estabelecidas entre 1986
organizações e recursos, e
liberando recursos para
utilização por novas
organizações.
Regulamentações Políticas governamentais Tucker et al.,
governamentais afetam padrões de fundação e 1990a; Baum e
fracasso, melhorando, por Oliver, 1992;
84
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL
J

Tabela 1 Continuação.

Modelo de Problemática Perspectivas ilustrativas/ Transições


metanarrativa principal exemplos contextuais
interpretatíva
Racionalidade Ordem Teoria das Organizações clássica, de Estado
administração científica, teoria da guarda-noturno
decisão, Taylor, Fayol, Simon a Estado
industrial
Integração Consenso Relações Humanas, neo-RH, de capitalismo
funcionalismo, teoria da empresarial
contingência/sistêmica, cultura a capitalismo do
corporativa, Durkheim, Barnard, bem-estar
Mayo, Parsons
Mercado Liberdade Teoria da firma, economia de capitalismo
institucional, custos de transação, gerencial
teoria da atuação, dependência de a capitalismo
recursos, ecologia populacional, neoliberal
Teoria Organizacional liberal
Poder Dominação Weberianos neo-radicais, marxismo de coletivismo
crítico-estrutural, processo de liberal
trabalho, teoria institucional, Weber, a corporativismo
Marx negociado
Conhecimento Controle Etnométodo, símbolo/cultura de
organizacional, pós-estruturalista, industrialismo/
pós-industrialista, pós-fordista/ modernidade
moderno, Foucault, Garfinkel, teoria a pós-
do ator-rede industrialismo/
pós-modernidade
consideradas menos suscetíveis ao fracasso de fato, ser resultado da confusão com o
por uma série de razões. Uma vez que o tamanho não mensurado (Levinthal 1991a).
maior tamanho aumenta a tendência à inér- Embora numerosos estudos ecológicos an-
cia nas organizações e que as pressões sele- teriores sustentem consistentemente a hipó-
tivas ambientais favorecem organizações tese da susceptibilidade das novatas
estruturalmente inertes por sua confiabili- (Carroll, 1983; Carroll e Delacroix, 1982;
dade, organizações maiores são considera- Freeman et al., 1983), conforme a Tabela 2
das menos vulneráveis aos riscos do fracas- demonstra, estudos recentes demonstram
so (Hannan e Freeman, 1984). A propen- que - após o controle pelo tamanho orga-
são das pequenas organizações para o fra-
casso é também apontada como uma das
conseqüências de alguns problemas, como
dificuldades para levantar capital, recrutar
e treinar a força de trabalho, responder aos
pagamentos com altas taxas de juros e lidar
com os custos administrativos de estar de
acordo com as regulamentações do gover-
no (Aldrich e Auster, 1986). O tamanho
grande também tende a legitimar organiza-
ções, à medida que ele é interpretado pelos
investidores como o resultado do sucesso
da empresa e como um indicador de um
futuro confiável.
Considerando que as novas organiza-
ções tendem a ser pequenas, se, conforme a
suscetibilidade das pequenas empresas
aponta, pequenas organizações têm taxas de
fracasso mais altas, então a suscetibilidade
das novatas e das pequenas empresas são
passíveis de ser confundidas e devem ser
separadas empiricamente (Freeman et al.,
1983). Então, o que aparece como depen-
dência negativa em relação à idade pode,
85PARTE I - MODELOS DE ANALISE

Tabela 2 Estudos da dependência da idade e do tamanho, 1989-1994.


População Idade* Tamanho Variável de Referências
tamanho
_
Sindicatos dos Estados Unidos, + Membros na Hannan e Freeman, 1989;
1836-1985" fundação Carrol e Hannan, 1989a;

1989b; Carrol e Wade,

1991; Hannan e Carroll,

1992

Cervejeiros dos Estados Unidos, - nac

1633-1988

Jornais da Argentina, 1800-1900 U - na

Jornais da Irlanda, 1800-1975 - na

Jornais de São Francisco, 1800-1975 - na

Jornais de Little Rock, 1815-1975 - na

Jornais de Springfiel, 1835-1975 - na

Jornais de Shreveport, 1840-1975 - na

Jornais de Elmira, 1815-1975 na •


-
Jornais de Lubbock, 1890-1975 - na

Jornais de Lafayette, 1835-1975 - na

Vinícolas da Califórnia, 1940-1985 0 - Capacidade Delacroix et. al., 1989;


de estoque Declacroix e Swaminathan,

1991

Companhias telefônicas de Iowa, 0 0 Assinantes Barnett, 1990; Bamett e


1900-29 Amburgey, 1990

Companhias telefônicas da Pensilvânia, + 0

1879-1934

Organizações de negócios da Alemanha +/- - Empregados Bruderl e Schussler, 1990


Ocidental, 1890-1899 no período de

fundação

Cervejeiros bávaros, 1900-81 0 - Simulação de Swaminathan e


pequenas Wiedenmayer, 1991

empresas

Creches de Toronto, 1971-89 + - Capacidade de Baum e Oliver, 1991; 1992;


licenciados Baum e Singh, 1994b

Jornais de imigrantes dos Estados - na Olzak e West, 1991

Unidos, 1877-1914

Jornais afro-americanos, 1877-1914 - na

Companhias de seguro de vida do

Estado de New York +/- Ativos Ranger-Moore, 1991


-
Bancos de Manhattan, 1840-1976 0 - Ativos Banaszak-Holl, 1992; 1993
Hóteis de Manhattan, 1898-1990 + - Número de Baum e Mezias, 1992
salas

California S&L, 1970-1987 0 0 Ativos Haveman, 1992; 1993a


US mutual S&L, 1960-1987 +/- 0 Ativos Rao e Nielsen, 1992
US stock S&Ls, 1960-1987 +/- 0 Ativos

Produtores de cimento dos Estados

Unidos, 1888-1982 0/- na Anderson e Tushman, 1992

Produtores de minicomputadores, +/- na

1958-1982

Grupo HMOs do Estados Unidos, 0 - Matrícula Wholey et. al., 1992


1976-1991

US independence practice Assn HMOS, + - Matrícula

1976-1991

Jornais Finlandeses, 1771-1963 na Amburgey et al., 1993


-
Cervejeiros dos Estados Unidos, + - Produção em Carrol et al., 1993
1878-1988 1878e 1879
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 86

Tabela 2 Estudos da dependência da idade e do tamanho, 1989-1994.

Modelo de Problemática Perspectivas ilustrativas/ Transições


metanarrativa principal exemplos contextuais
interpretatíva
Racionalidade Ordem Teoria das Organizações clássica, de Estado
administração científica, teoria da guarda-noturno
decisão, Taylor, Fayol, Simon a Estado
industrial
Integração Consenso Relações Humanas, neo-RH, de capitalismo
funcionalismo, teoria da empresarial
contingência/sistêmica, cultura a capitalismo do
corporativa, Durkheim, Barnard, bem-estar
Mayo, Parsons
Mercado Liberdade Teoria da firma, economia de capitalismo
institucional, custos de transação, gerencial
teoria da atuação, dependência de a capitalismo
recursos, ecologia populacional, neoliberal
Teoria Organizacional liberal

a x/y dá os sinais dos significantes (p < 0,05) de termos lineares e quadrados, respectivamente, quando
estimados. X dá o sinal dos efeitos do crescimento inicial em idade, Y dá os sinais do efeito para aumentos
no futuro
b \feja Hannan e Freeman (1989 : 257-259) para uma interpretação desse efeito de tamanho positivo,
c na - não aplicável
d Amburgey et al. (1994) testa um efeito cúbico do tamanho para examinar o risco de fracasso das organiza-
ções de tamanho médio.

nizacional atual - as taxas de fracasso não de tempo em que a organização permanece


declinaram com o tempo. Uma vez que protegida. Conforme esses estoques iniciais
muito do suporte original para a hipótese se degradam, as organizações enfrentam a
da suscetibilidade das novatas vem de estu- suscetibilidade da adolescência; aquelas
dos em que o tamanho das organizações não organizações que fracassaram foram inca-
é controlado, os resultados primeiramente pazes de gerar os fluxos de recursos neces-
sustentados podem simplesmente refletir
viés de especificação. Em contraste, os es-
tudos na Tabela 2 sustentam fortemente o
prognóstico a respeito da suscetibilidade das
pequenas empresas, isto é, de que as taxas
de fracasso organizacional declinam à me-
dida que cresce o tamanho das empresas.

Maior pode ser melhor, mas mais velho


significa mais sensato?

Esses resultados levaram a duas pers-


pectivas teóricas alternativas sobre a depen-
dência da idade que questionam o argumen
to básico da suscetibilidade das novatas.1 A
hipótese da suscetibilidade da adolescência
(Bruderl e Schussler 1990; Fichman e
Levinthal, 1991) prevê uma relação em for-
ma de "U" invertido entre idade e fracasso
organizacional. Esse modelo parte da obser-
vação de que toda nova organização come-
ça com um estoque inicial de ativos, entre
os quais boa vontade, crenças positivas,
compromisso psicológico e investimentos de
recursos financeiros, que as protegem do
fracasso, durante um período inicial de "lua-
de-mel" - mesmo quando os resultados ini-
ciais não são favoráveis. Quanto maior o
estoque inicial de ativos, maior o período
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 87

sários, porque, por exemplo, não consegui-


ram estabelecer os papéis e rotinas neces- Dois exemplos de problemas gerados
sários ou desenvolver relações estáveis com por tendenciosidade na seleção de amostras
agentes externos importantes. Contudo, podem contribuir para a fraqueza dos argu-
após a adolescência, a futura probabilidade mentos da suscetibilidade das novatas na
de fracassos declina, uma vez que as orga- Tabela 2. Primeiramente, as novas organi-
nizações sobreviventes foram capazes de zações estudadas podem ser velhas organi-
adquirir os recursos suficientes continua- zações novatas, isto é, tardias no processo
mente. de emergência (Katz e Gartner, 1988). Se
Os argumentos da suscetibilidade dos os pesquisadores fossem capazes de obter
novatos e da suscetibilidade da adolescên- informações anteriores ao processo de fun-
cia oferecem explicações divergentes para dação (por exemplo, anteriores à incorpo-
a dependência de idade em organizações ração formal da empresa), os resultados da
jovens, mas ambas concordam que as taxas suscetibilidade das novatas seriam muito
de fracasso diminuem para organizações mais fortes. Em segundo lugar, organizações
mais velhas. Além disso, os processos sub- censuradas pela esquerda,* isto é, aquelas
jacentes a esses modelos (por exemplo, a fundadas antes do começo do período de
aprendizagem e a criação de novos papéis e observação, são incluídas em várias análi-
rotinas, o estabelecimento de relações com ses. Devido ao fato de já serem sobreviven-
agentes externos e a corrosão de vantagens) tes, essas organizações tendem a ser casos
ocorrem muito cedo dentro da vida das de baixo risco. Conseqüentemente, conside-
empresas. A hipótese da suscetibilidade da rar organizações censuradas pela esquerda
idade prevê uma taxa de fracasso crescente
para organizações mais velhas, como um
resultado de processos que ocorrem mais Left-censored organizations, no original.
tarde na vida das organizações (Barron et
al., 1994; Baum, 1989a; Ingram, 1993; Ran-
ger-Moore, 1991). Desse modo, a hipótese
da suscetibilidade da idade complementa e
estende as hipóteses sobre suscetibilidade
das novatas e sobre suscetibilidade da ado-
lescência (Baum, 1989a).
O argumento da suscetibilidade da
idade começa com outro insight do ensaio
de Stinchcombe (1965 :153): "as invenções
organizacionais que podem ser feitas den-
tro de um determinado momento da histó-
ria dependem da tecnologia social disponí-
vel naquele período". As organizações re-
fletem o ambiente no período de sua funda-
ção. Quando muda o ambiente em que uma
organização é fundada, o ajuste que existe
entre as organizações e seu ambiente é al-
terado, uma vez que a informação incom-
pleta, a racionalidade limitada e tendências
inerciais tornam o alinhamento às novas
demandas ambientais difícil, quando não
impossível. Mudanças ambientais também
criam oportunidades para novas organiza-
ções entrarem e destruírem as posições com-
petitivas das organizações já estabelecidas.
Ironicamente, tentativas para realinhar a
organização com seu ambiente podem re-
sultar em riscos adicionais, resultantes dos
limites das habilidades dos indivíduos em
conceber e implementar mudanças com su-
cesso e do potencial que tentativas de mu-
danças maiores têm de diminuir a perfor-
mance organizacional e romper relações
externas importantes (Hannan e Freeman
1984). Portanto, enfrentar uma série de
mudanças ambientais que diminuem o ali-
nhamento das organizações com seus am-
bientes expõe organizações com mais idade
a um risco crescente de fracasso.

Resultados da pesquisa e
direções futuras
88 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

como padrão pode levar à subestimação das lido para o tamanho organizacional, é cla-
taxas de fracasso em prazos mais curtos ro), avanços recentes oferecem a promessa
(Guo, 1993). de progressos futuros.
Enquanto a suscetibilidade das nova-
tas pode normalmente ser subestimada, a
suscetibilidade da idade pode ser superesti- PROCESSOS ECOLÓGICOS
mada. Se a idade coincide com a quantida-
de de mudanças ambientais experimenta- Dinâmicas de extensão de nicho
das pela organização e se o risco de fracas-
so aumenta com a mudança ambiental cu- Na afirmação inicial a respeito da eco-
mulativa, então a probabilidade de fracas- logia organizacional, Hannan e Freeman
so aumentará artificialmente com a idade, (1977) usam a teoria do tamanho de nicho
se a mudança ambiental não for controlada para formular um modelo de capacidades
(Carroll, 1983 : 313). Então, da mesma for- diferenciais de sobrevivência das organiza-
ma que a dependência negativa da idade ções especialistas - que possuem pouca so-
pode resultar artificialmente do tamanho bra de recursos e concentram-se nos modos
não controlado, a dependência positiva da de exploração de uma estreita faixa de cli-
idade (após controlada pelo tamanho) po- entes potenciais - e organizações
derá resultar artificialmente da exposição generalistas - que apelam para a média dos
não controlada à mudança ambiental. Cla- consumidores que ocupam o meio do mer-
ro que isto implica que, após o controle pelo cado e exibem tolerância adaptativa para
tamanho e mudança ambiental, nenhuma variações mais amplas nas condições am-
dependência da idade deveria ser encontra- bientais. Baseadas na teoria da posição de
da. ajuste (Levins, 1968), Hannan e Freeman
A sustentação limitada para a hipóte- focalizam dois aspectos da variação
se da suscetibilidade da idade pode ter uma ambiental para explicar a relativa preva-
explicação mais simples: testes da hipótese lência de especialistas e generalistas. A pri-
da suscetibilidade da adolescência são pou- meira - variabilidade - refere-se à variação
co freqüentes. Visivelmente, cinco dos sete nas flutuações ambientais em torno de sua
estudos na Tabela 2 que permitem a depen- média, ao longo do tempo. A segunda,
dência da idade não regular, encontram a granulosidade, refere-se à desigualdade, ir-
suscetibilidade da adolescência. regularidade dessas variações, com muitas
Pesquisas a respeito da dependência
da idade devem ir além do uso da idade
como substituto para todos os constructos,
salientando os vários modelos de dependên-
cia da idade e começando a testar as hipó-
teses do modelo diretamente. Por exemplo,
a hipótese da suscetibilidade das novatas
assume que a falta da aprovação social, de
estabilidade e de recursos suficientes tipifica
novos entrantes numa população, e que es-
sas deficiências aumentam seus riscos de
fracasso, mas a variação organizacional nes-
ses fatores é raramente medida diretamen-
te. É claro, se organizações jovens são capa-
zes de obter legitimidade e acesso aos re
cursos mais cedo, por meio da formação de
vinculações institucionais à comunidade e
agentes públicos, a suscetibildade das no-
vatas poderá não ser observada (Baum e
Oliver, 1991). Um benefício adicional desse
tipo de abordagem é que as suscetibilidades
das novatas, da adolescência e da obso-
lescência, podem ser tratadas como comple-
mentares, em vez de serem consideradas
processos organizacionais competitivos.
Então, embora saibamos muito pouco so-
bre como a idade diminuirá os fracassos
organizacionais ou as condições sob as quais
uma ou outra ou algumas combinações des-
ses modelos predominarão (o mesmo é vá-
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 89

Tabela 3 Previsões da teoria da extensão de nicho das formas favorecidas.

Modelo de Problemática Perspectivas ilustrativas/ Transições


metanarrativa principal exemplos contextuais
interpretatíva
Racionalidade Ordem Teoria das Organizações clássica, de Estado
administração científica, teoria da guarda-noturno
decisão, Taylor, Fayol, Simon a Estado
industrial
Integração Consenso Relações Humanas, neo-RH, de capitalismo
funcionalismo, teoria da empresarial
contingência/sistêmica, cultura a capitalismo do
Fonte: Adaptado de Hannan e Freeman (1989 : 311).
corporativa, Durkheim, Barnard, bem-estar
Mayo, Parsons

e pequenas variações periódicas que são são de que a crescente concentração de


refinadas* e algumas variações periódicas mercados aumenta a taxa de fracasso das
maiores que são grosseiras.** A Tabela 3 re- grandes organizações generalistas e dimi-
sume as formas organizacionais dominan- nui a taxa de fracasso das pequenas organi-
tes prognosticadas pela teoria da tamanho zações especialistas.
de nicho. O prognóstico-chave (para ajuste
côncavo, no qual a magnitude média da
variação ambiental é extensa em relação às Resultados da pesquisa e direções
tolerâncias organizacionais) é que em am- futuras
bientes refinados as organizações especia-
listas dominam as generalistas independen- Embora a distinção entre especialistas
temente do nível de incerteza ambiental. Isto e generalistas seja usada atualmente com
ocorre porque as organizações especialistas mais freqüência na pesquisa ecológica como
suportam melhor as flutuações ambientais, uma distinção estratégica, estudos recentes
enquanto generalistas são incapazes de res-
ponder rápido o suficiente, para acompa-
nhar qualquer grau de eficiência produtiva
(mas veja Herriott, 1987). Então, sob con-
dições específicas de ambientes refinados,
a teoria da posição de ajuste desafia a teo-
ria da contingência organizacional conven-
cional de que ambientes incertos sempre
favorecem organizações generalistas, por-
que elas dissipam, distribuem seus riscos
(Lawrence e Lorsch, 1967; Pfeffer e
Salancik, 1978; Thompson, 1967).
Carroll (1985) propõe um modelo al-
ternativo sobre a dinâmica de extensão de
nicho desenhada para explicar as capacida-
des diferenciadas de sobrevivência dos es-

Fine-grained, no original.
Coarse-grained, no original.
pecialistas e generalistas em ambientes ca-
racterizados por economias de escala. Em
contraste com a teoria de ajuste, que prevê
que dentro de determinada população a es-
tratégia ótima existe, Carroll propõe que a
competição entre grandes organizações
generalistas numa população para ocupar
o centro de mercados livres libera recursos
periféricos que, provavelmente, serão usa-
dos por membros menores e mais especiali-
zados de uma população. Carroll denomina
o processo de geradores desses resultados
de particionamento de recursos. O modelo
de particionamento de recursos implica que,
em mercados concentrados com (poucas e
grandes organizações generalistas), as pe-
quenas organizações especialistas podem
explorar mais recursos sem um engajamento
na competição direta com organizações
generalistas maiores. Isto resulta na previ-
____________________ ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 90 [

da dinâmica dos nichos de populações não Padrões prévios de fundação e fracas-


usam a teoria de extensão de nicho e so de uma população podem influenciar as
freqüentemente tratam a variação ambiental taxas atuais de fundação (Delacroix e
tanto espacial, quanto temporal (Baum e Carroll, 1983). Inicialmente, fundações an-
Mezias, 1992; Baum e Singh, 1994b; 1994c; teriores sinalizam um nicho fértil para em-
Carroll e Wade, 1991; Haveman, 1994; preendedores potenciais, encorajando no-
Lomi, 1995). Testes de previsão específicos vas fundações. Conforme, porém, as funda-
de extensão de nicho e de teoria de par- ções aumentam, a competição por recursos
ticionamento de recursos são limitados. O também aumenta, desencorajando as novas
estudos de fracassos de restaurantes da Cali- fundações. Os fracassos anteriores são prog-
fórnia (Freeman e Hannan, 1983; 1987) e nosticados como tendo um efeito curvilíneo
de empresas americanas de semicondutores similar sobre as fundações. Primeiramente,
(Hannan e Freeman, 1989) não suportaram os fracassos liberam recursos que podem ser
a hipótese básica de que, para ajustes côn- reutilizados em novas fundações criações.
cavos, em ambientes refinados, especialis- Mas fracassos adicionais sinalizam um am-
tas dominam sobre os generalistas, indepen- biente hostil, desencorajando novas funda-
dentemente do nível de incerteza do ambi- ções. Criações e fracassos prévios podem
ente, e, desse modo, então falham em dis- também diminuir taxas de fracasso. Os re-
tinguir a teoria de extensão de nicho da te- cursos liberados pelos fracassos anteriores
oria ortodoxa da contingência organiza- aumentam a viabilidade das organizações
cional. A Teoria do particionamento de re- já estabelecidas, diminuindo a taxa de fra-
cursos é sustentada em estudos sobre fra- casso no próximo período (Carroll e
casso em empresas jornalísticas (Carroll Delacroix, 1982). Ondas de fundações
1985; 1987), bem como em dois estudos organizacionais, que refletem diferenciações
recentes sobre fundação e fracasso de que segmentam as exigências de recursos
cervejarias americanas (Carroll e organizacionais, diminuem as taxas de fra-
Swaminathan, 1992) e fundação de bancos casso, reduzindo a competição direta por
cooperativos rurais na Itália (Freeman e recursos (Delacroix et al., 1989).
Lomi, 1994) que oferecem sustentação par- Explicações da Teoria da Dependên-
cial. Estudos que comparam os prognósti- cia da Densidade para fundações e fracas-
cos destes dois modelos e estudos que con- sos são similares, embora não idênticas.
trastam modelos ecológicos com prognósti- Aumentos iniciais na densidade popula-
cos da teoria da contingência tradicional são cional podem aumentar a legitimidade ins-
necessários. As formulações atuais sobre a titucional de uma população. A capacidade
teoria de extensão de nicho que focalizam de os membros da população adquirirem
exclusivamente a variação ambiental tem- recursos aumenta consideravelmente, quan-
poral também precisam estar ligadas às
abordagens recentes que consideram a va-
riação ambiental espacial. Finalmente, a
possibilidade de polimorfismo organiza-
cional (por exemplo, diversificação não re-
lacionada versus variação temporal, diver-
sificação relacionada versus variação espa-
cial), uma alternativa estratégica para em-
presas especialistas e generalistas, também
deve ser incorporada aos quadros concei-
tuais existentes (Usher, 1994).
Dinâmica da população e
dependência da densidade
A pesquisa recente em ecologia
organizacional sobre fundação e fracasso
tem devotado muita atenção aos processos
intrapopulacionais de dinâmica da popula-
ção, como número de fundações e fracassos
prévios em uma população, e da densidade
da população, ou seja, número de organiza-
ções na população.
I 91 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE ____________________________

do aqueles que controlam os recursos con- Embora o suporte à Teoria da Depen-


sideram aquela forma organizacional como dência da Densidade seja bastante forte, ela
certa. Contudo, à medida que uma popula- ainda sofre algumas críticas. A Teoria da
ção continua a crescer, a interdependência Dependência da Densidade recebeu alguma
entre seus membros torna-se competitiva. atenção crítica por sua proposta integradora
Quando há poucas organizações numa po- das perspectivas institucional e ecológica
pulação, a competição de umas com as ou- (Baum e Powell, 1995; Delacroix e Rao,
tras pelos recursos compartilhados e escas- 1994; Zucker, 1989). Alguns autores têm
sos pode facilmente ser evitada. Mas isto se questionado a hipótese implícita de que cada
torna mais difícil à medida que os competi- organização numa população influencia e é
dores em potencial aumentam. Combinados, influenciada pela competição igualmente
os efeitos mútuos dos aumentos iniciais na (Baum e Mezias, 1992; Baum e Singh,
densidade e os efeitos competitivos de au- 1994a; 1994b; Winter, 1990). Numa crítica
mentos posteriores sugerem efeitos curvi- metodológica, Petersen e Koput (1991) ar-
líneos da densidade da população nas taxas gumentam que o efeito negativo do cresci-
de fundação e fracasso (Hannan e Carroll mento inicial na densidade populacional
1992, Hannan e Freeman, 1989). sobre a taxa de fracasso pode resultar da
Hannan e Freeman (1989), Hannan e heterogeneidade não observada na popula-
Carroll (1992) e outros fornecem bases ção (mas veja Hannan et al., 1991). Singh
empíricas substanciais para relações curvi- (1993) observa que parte do debate sobre
líneas prognosticadas pelo modelo de de- dependência de densidade origina-se da
pendência da densidade. Por comparação, principal força desse modelo, sua generali-
embora freqüentemente significativas, as dade, que tem sido atingida as custas da
descobertas da dinâmica de populações são precisão de suas medições e realismo de seu
confusas (Aldrich e Wiedenmayer, 1993; contexto. Singh conclui que "nós podemos
Singh e Lumsden, 1990). Além disso, con- fazer bem ao sacrificar alguma generalida-
forme ilustrado na Tabela 4, quando a dinâ- de, desde que isso leve a pesquisa para uma
mica e a densidade populacionais são mo- maior precisão e realismo" (1993 : 471). Os
deladas conjuntamente, estudos recentes efeitos de densidade são claros empirica-
descobriram que efeitos dinâmicos da po- mente, mas as condições específicas que
pulação são geralmente mais fracos e me-
nos robustos. Mesmo os resultados originais
de Delacroix e Carroll (1983), a respeito de
populações de empresas jornalísticas na
Argentina e na Irlanda não se sustentam
quando a densidade é introduzida numa
reanálise de seus dados (Carroll e Hannan,
1989b).
Uma explicação possível para a apa-
rente dominância do processo de dependên-
cia de densidade sobre os processos de di-
nâmica populacional é o caráter mais siste-
mático da densidade frente à frente com a
natureza transitória das mudanças de den-
sidade que resulta das fundações e fracas-
sos contínuos. Uma explicação relacionada
é que os efeitos das fundações e fracassos
são mais transitórios que os dados anuais -
tipicamente disponíveis - são capazes de
detectar (Aldrich e Wiedenmayer, 1993).
Uma terceira explicação é a maior sensibili-
dade das estimativas por especificações
quadráticas das fundações e fracassos pré-
vios das observações marginais. Esses da-
dos necessitam ser pesquisados mais deta-
lhadamente antes que os efeitos das dinâ-
micas das populações sejam abandonados,
o que é claramente a tendência na pesquisa
recente.

Elaboração do modelo de
dependência da densidade
92 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

Tabela 4 Dinâmica da população e estudos da dependência da densidade.'

População Referência

Fundações Densidade
Fracassos da
prévias prévios população
Estudos de Fundações
Modelo de Problemática Perspectivas ilustrativas/ Transições
metanarrativa principal exemplos contextuais
interpretatíva
Racionalidade Ordem Teoria das Organizações clássica, de Estado
administração científica, teoria da guarda-noturno
decisão, Taylor, Fayol, Simon a Estado
industrial
Integração Consenso Relações Humanas, neo-RH, de capitalismo
funcionalismo, teoria da empresarial
contingência/sistêmica, cultura a capitalismo do
corporativa, Durkheim, Barnard, bem-estar
Mayo, Parsons
Mercado Liberdade Teoria da firma, economia de capitalismo
institucional, custos de transação, gerencial
teoria da atuação, dependência de a capitalismo
recursos, ecologia populacional, neoliberal
Teoria Organizacional liberal
Poder Dominação Weberianos neo-radicais, marxismo de coletivismo
crítico-estrutural, processo de liberal
trabalho, teoria institucional, Weber, a corporativismo
Marx negociado
Conhecimento Controle Etnométodo, símbolo/cultura de
organizacional, pós-estruturalista, industrialismo/
pós-industrialista, pós-fordista/ modernidade
moderno, Foucault, Garfinkel, teoria a pós-
do ator-rede industrialismo/
pós-modernidade
Justiça Participação Ética de negócios, moralidade e OB, de democracia
democracia industrial, teoria repressiva
participativa, teoria crítica, a democracia
Habermas participativa
Tabela 1 Narrativas analíticas em análise organizacional.
Variáveis-chaves Previsões-chaves Referências-
chaves

exemplo, a legitimidade, Barnett e


estimulando a demanda, s Carroll, 1993
proporcionando subsídios e
regulando a competição.
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 93

Tabela 4 Continuação.

População Fundações Fracassos Densidade Referência


previas prévios da população s

Empresas de transmissão de fax de


Manhatan - 1965-1992 Baum et al., 1993; 1995
Associação de planejamento pré-dominante +/0
Associação de planejamento pós-dominante 0 -/+
Associação Comercial dos Estados Unidos,
1901-1990 + -/+ Aldrich et al., 1994

Inclui somente analise que estima tanto a dinâmica da população quanto os efeitos de dependência da
densidade. X/Y dá os sinais de significantes (p < 0,05) em termos lineares e quadrados, respectivamente.

geram legitimidade e competição são mais uma densidade contemporânea da popula-


ambíguas - são entendidas mais pelos re- ção, a densidade nos períodos históricos
sultados do que pela substância. Então, a particulares que estão em foco. Carroll e
interpretação precisa dos extensos resulta- Hannan (1989a) propõem um refinamento
dos da dependência de densidade necessita do modelo para incluir um efeito tardio adi-
ser mais explorada. cional na densidade da população, que aju-
Muitas elaborações, re-especificações da a explicar o declínio da população com
e novas mensurações têm avançado recen- base nos picos de densidade. Eles sugerem
temente a fim de responder as questões le- que as chances de sobrevivência das orga-
vantadas pela formulação inicial da depen- nizações são sensíveis aos níveis de densi-
dência de densidade. Embora Hannan e dade da população no período de sua cria-
Carroll tenham questionado alguns destes ção. Especificamente, organizações funda-
desenvolvimentos (por exemplo, 1992 : 38- das em condições de alta densidade popula-
39, 71-74), essas novas direções parecem
manter o compromisso real para melhorar
a precisão e o realismo com respeito à
legitimação e à competição. Esses desenvol-
vimentos, resumidos na Tabela 5, são revi-
sados a seguir:

Razões para a concentração

As trajetórias de crescimento de diver-


sas populações organizacionais parecem
seguir um padrão repetitivo. Inicialmente,
o número de organizações cresce lentamen-
te, depois rapidamente, chegando a um pico.
Uma vez que o pico é alcançado, há um
declínio no número de membros da popu-
lação e um crescimento da concentração. Na
ecologia organizacional, o modelo de depen
dência de densidade é usado para explicar
a forma da trajetória de crescimento até seu
pico (Hannan e Carroll, 1992). Uma vez que
não se permite a nenhuma organização ou
pequeno grupo de organizações dominar
(cada organização numa população é con-
siderada como contribuindo e vivendo igual-
mente a competição), o modelo da depen-
dência de densidade prevê um crescimento
logístico nos números até um nível de equi-
líbrio. Mas isto não justifica o declínio pos-
terior nos números e o aumento da concen-
tração (Carroll e Hannan, 1989a; Jammam
e Carroll, 1992). Duas elaborações da for-
mulação original têm procurado responder
a esta questão.

Atraso de densidade - No modelo da


dependência de densidade, é considerada
94 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

Tabela 5 Elaborações do modelo de dependência de densidade, 1989-1995.


Modelo Variáveis-chave Natureza da Elaboração Referência
Atraso da densidade Densidade da Adiciona à formulação original Carrol e Hannan,
população na um efeito de impressão da 1989a; Hannan e
fundação densidade na fundação. Ajuda a Carrol, 1992
explicar o declínio na densidade
da população comumente
observado em populações mais
velhas.
Dependência de massa Massa da população Especifica novamente o efeito Barnett e Amburgey,
(densidade da da competição da densidade da 1990
população medida população, permitindo que
pelo tamanho das organizações maiores tenham
organizações) competição mais fortes. Ajuda a
explicar a tendência para a
concentração nas populações
organizacionais.
Conformidade Densidade Relacionai Tenta explicar a legitimação de Baum e Oliver, 1992;
institucional (número de conexões uma forma organizacional em Hybels et al., 1994
entre uma população termos das aprovações por parte
e o ambiente de atores organizacionais
institucional) poderosos.
Medidas de Concorrência por Efeitos de legitimação do Rao, 1994; Hybels,
legitimidade não Certificação e modelo com medidas de 1994
baseadas na medidas de conteúdo institucionalização não baseadas
densidade baseadas na mídia na densidade.
Densidade baixa inicial Densidade da Separa legitimação inicial de Baum, 1995
x Densidade baixa população x idade da poder de mercado tardio e os
tardia população efeitos de repartição de recursos
de densidade de população
baixa em populações que se

j
tenham desenvolvido além de
sua densidade de pico.
Nível de análise Densidade da cidade, Tenta descobrir o nível de Carroll e Wade, 1991;
do estado, da região, análise apropriado para estudar Swaminathan e
nacional (densidade os padrões de dependência da Wiedenmayer, 1991;
da população em densidade, comparando Hannan e Carrol,
vários níveis de processos de dependência da 1992
agregação geográfica) densidade entre os vários níveis
de análise.
Competição localizada Similaridade de Detalha novamente o efeito da Hannan et al., 1990,
tamanho, preço, densidade da competição, Baum e Mezias, 1992
localização permitindo que organizações
(densidade de similares possam competir num
população medida nível de intensidade mais alto.
pelo tamanho das
diferenças das várias
características
organizacionais)
I 95 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

Tabela 5 Elaborações do modelo de dependência de densidade, 1989-1995.

Modelo de Problemática Perspectivas ilustrativas/ Transições


metanarrativa principal exemplos contextuais
interpretatíva
Racionalidade Ordem Teoria das Organizações clássica, de Estado
administração científica, teoria da guarda-noturno
decisão, Taylor, Fayol, Simon a Estado
industrial
Integração Consenso Relações Humanas, neo-RH, de capitalismo
funcionalismo, teoria da empresarial
contingência/sistêmica, cultura a capitalismo do
corporativa, Durkheim, Barnard, bem-estar
Mayo, Parsons
Mercado Liberdade Teoria da firma, economia de capitalismo
institucional, custos de transação, gerencial
teoria da atuação, dependência de a capitalismo
recursos, ecologia populacional, neoliberal
cional tendem persistentemente aTeoria Organizacional
experi- liberal
ção, a soma dos tamanhos de todas as orga-
mentar taxas mais altas de fracasso. Uma nizações na população, ou, em outras pala-
alta densidade nas fundações cria uma sus- vras, a densidade da população medida pelo
ceptibilidade à escassez de recursos que im- tamanho das organizações. Se organizações
pede as organizações de se moverem rapi- grandes são competidores mais fortes, en-
damente de seu processo de organização até tão, após o controle pela densidade da po-
a produção em plena escala. A alta densi- pulação, o aumento da massa populacional
dade também resulta num estreitamento de tem que ter um efeito competitivo, diminu-
nicho, forçando organizações recém-funda- indo a taxa de fundação e aumentando a
das, que não conseguem competirparí-passu taxa de fracasso de organizações menores.
com as organizações já estabelecidas, a usar Admitindo que as forças competitivas
recursos inferiores ou marginais. Essas con- das organizações possam variar em função
dições por si sós marcam as organizações, de seu tamanho, o modelo de dependência
afetando sua viabilidade por meio de sua
existência. Carroll e Hannan mostram que
a densidade populacional no período da fun-
dação de uma organização está positivamen-
te relacionada às taxas de fracasso em seis
das sete populações analisadas (Carroll e
Hannan, 1989a; Hannan e Carroll, 1992).
Isto significa que as organizações que en-
tram em populações de alta densidade ele-
vam persistentemente as taxas de fracasso,
contribuindo para uma explicação para o
declínio da densidade da população com
base em seu pico. Contudo, muitos outros
estudos falharam ao replicar esses resulta-
dos (Aldrich et al., 1994; Wholey et al.,
1992). Além do mais, os efeitos do atraso
da densidade parecem produzir um equilí-
brio oscilante na densidade da população
(Hannan e Carroll, 1992 : 183), em vez de
um declínio simples e definitivo.

Dependência de massa - Várias pers-


pectivas na teoria de organização e de
gerenciamento sugerem que organizações
maiores geram uma competição mais forte
do que suas rivais menores, resultante de
seu maior acesso aos recursos, poder de
mercado e economias de escala e escopo.
Se organizações maiores geram competição
mais forte, então modelos ecológicos da di-
nâmica da população deveriam refletir sua
maior significância. Barnett e Amburgey
(1990) avançam na elaboração de um mo-
delo de dependência da densidade que in-
corpora essa possibilidade. Eles fazem isto,
modelando os efeitos da massa da popula-
cognitiva possa ser alcançada sem aprova-
ção sociopolítica, a legitimidade sociopo-
da massa permite que organizações maio- lítica é uma fonte vital de, ou um impedi-
res em uma população possam dominar, mento para a legitimidade cognitiva. De
gerando competição mais forte do que or- fato, uma vez que as populações orga-
ganizações menores, deslocando o tamanho nizacionais contemporâneas raramente ope-
de sua população em freqüência e aumen- ram isoladamente do Estado, das profissões
tando a concentração. Organizações maio- e das influências sociais maiores, a legitimi-
res podem, portanto, ter papel importante dade sociopolítica não pode ser ignorada
em ecologia organizacional, não porque elas (Baum e Oliver, 1992, Baum e Powell,
são afetadas individualmente pelas pressões 1995).
de seleção, mas porque têm uma influência
desproporcional na dinâmica da população Conformidade institucional e legiti-
(Barnett e Amburgey, 1990). Infelizmente, midade sociopolítica - Em seu comen-
os resultados de dependência da massa são tário provocativo, Zucker (1989) critica
confusos. Alguns estudos encontram os efei- Hannan e seus colegas por envolverem o
tos previstos (Banaszak-Holl, 1992; 1993; conceito de legitimação ex post facto, para
Baum e Mezias, 1992). Outros encontram explicar os efeitos da densidade nas taxas
resultados confusos, não os encontram de fundação e fracasso e sugere que as esti-
(Hannam e Carroll, 1992) ou encontram mativas para densidade são indicativos de
efeitos mútuos* (Barnet e Amburgey, 1990). outros efeitos (veja também Miner, 1993,
Embora os resultados não sustentados pa- Petersen e Koput, 1991). Ela advoga o uso
reçam ser atribuíveis à limitação dos dados de medidas mais diretas dos processos
(Hannan e Carroll, 1992 : 130-131) ou ca- institucionais subjacentes. Suas críticas le-
racterísticas significativas do estudo das vam para o argumento da densidade como
populações (Barnett e Amburgey, 1990 : 98- processo, na qual a legitimação já não é uma
99), uma explicação mais geral pode ser variável a ser mensurada, e sim um proces-
encontrada na Teoria de Grupos Estratégi- so que relaciona densidade a fundações e
cos (Caves e Porter, 1977) que sugere que fracassos. Hannan e Carroll reivindicam que
as inferências válidas para toda uma indús- "o crescimento na densidade controla... os
tria a respeito de seu poder de mercado não processos de [legitimação] e não os reflete"
podem ser feitas quando grupos estratégi- (1992 : 69). Essas visões concorrentes -
cos caracterizam a competição, uma vez que
as barreiras de mobilidade protegem dife-
renciadamente os grupos estratégicos.

Densidade e processos institucionais

Lançando mão da literatura neo-insti-


tucional (DiMaggio e Powel, 1983; Meyer e
Rowan, 1977), Zucker 1977), ecólogos
organizacionais traçam uma distinção en-
tre a legitimidade cognitiva e a sociopolítica
(Aldrich e Fiol 1994). De uma perspectiva
cognitiva, uma forma organizacional é legi-

Mutualistic effects, no original. (N.T.)


ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 155 I
------------------------------------------------------------- '
tima "quando há pouca dúvida nas mentes
dos atores de que ela serve como o cami-
nho natural para efetuar algum tipo de ação
coletiva" (Hannan e Carroll, 1992 : 34). A
abordagem sociopolítica enfatiza como a
conformidade em contextos relacionais e
normativos influencia a legitimidade da for-
ma organizacional, sinalizando sua confor-
midade com as expectativas sociais e insti-
tucionais. Embora os institucionalistas ve-
jam essas duas facetas da legitimação como
complementares e fundamentalmente inter-
relacionadas, a teoria de dependência da
densidade enfatiza somente a legitimidade
cognitiva. E, ainda que a legitimidade
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 97

um mecanismo de difusão social. Rao


(1994) argumenta que vitórias cumulativas
variável indicativa e processo - sugerem em competições por certificação melhoram
diferentes efeitos de covariantes adicionais a reputação da organização aos olhos dos
(Hanna e Carroll, 1992). Se a densidade é consumidores e financiadores avessos a ris-
um indicador indireto, que mede a legiti- cos, aumentando seu acesso a recursos e
mação mais diretamente, dela resultariam suas chances de sobrevivência. Além disso,
em efeitos de densidade de primeira ordem, Rao argumenta que, por aumentar as opor-
ou os levaria a desaparecerem juntos. Mas, tunidades de certificação e a difusão do co-
do ponto de vista da densidade como pro- nhecimento sobre as organizações e seus
cesso, a inclusão dessa covariância implica produtos, essas competições estabelecem a
maior precisão e reforço dos efeitos de legi- identidade e legitimidade de um produto e
timação da densidade. de seus produtores, baixando o risco de fra-
Baum e Oliver (1992) buscam exata- casso dos fabricantes. Sua análise nos
mente essa questão. Eles argumentam que primórdios da indústria automobilística
uma limitação importante do modelo de americana sustenta essas idéias, demons-
dependência da densidade é que ele negli- trando que as vitórias em corridas de car-
gencia a evolução de interdependências das ros, amplamente divulgadas, melhoraram as
populações com relação às instituições que taxas de sobrevivência dos produtores de
as cercam. Contudo, onde relações com a carros individuais e, além disso, que a
comunidade e o governo são densas, esses prevalência cumulativa nas competições di-
atores institucionais podem exercer influên-
cia considerável sobre as condições que re-
gulam a competição por recursos escassos e
legitimidade na população. Baum e Oliver
(1992) propõem uma hipótese alternativa
em que a legitimação é explicada em ter-
mos da relação de uma população com seu
ambiente institucional. Eles modelam a con-
formidade institucional com a densidade
relacionai, ou seja, o número de relações
entre os membros da população e organiza-
ções da comunidade e agências governa-
mentais em seus ambientes institucionais.
Enquanto as estimativas iniciais num estu-
do de creches sustentam os prognósticos de
dependência da densidade curvilínea, tan-
to para fundações quanto para fracassos, a
inclusão da densidade relacionai alterou
ambas as relações por serem puramente
competitivas. Esses resultados sustentam a
crítica à mensuração de Zucker. Hybels et
al. (1994) replicam esses resultados num
estudo de fundações de empresas de
biotecnologia americanas, no qual alianças
estratégicas verticais (entradas e saídas) são
usadas para medir a conformidade da in-
dústria no contexto relacionai e institucio-
nal. Esses estudos sugerem que a formula-
-------------------------------------------
ção da densidade como variável indicadora
da legitimidade foi mais precisa, e, além
disso, que a densidade da população pode
ser um indicador da legitimidade sociopo-
lítica tanto quanto (ou ao invés de) da legi-
timidade cognitiva (Baum e Powell, 1995).
A pesquisa futura que incorpora a densida-
de populacional e a relacionai pode forne-
cer mais explicações do papel dos proces-
sos institucionais numa dinâmica da popu-
lação.

MEDIDAS DE LEGITIMIDADE NÃO


BASEADAS EM DENSIDADE

Várias outras alternativas para estu-


dar a legitimação não baseadas em densi-
dade têm sido recentemente examinadas.
Em muitas indústrias, organizações com pro-
pósitos especiais estabelecem certificações
para avaliar produtos ou empresas e classi-
ficam os participantes de acordo com seu
desempenho em critérios preestabelecidos.
A certificação oferece um teste social comum
de produtos e organizações que serve como
98 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

------------------------------------------- população, nos quais a teoria da dependên-


cia da densidade não é apropriada para sua
minuiu a taxa de fracasso agregada. Em
explicação. Conseqüentemente, são neces-
complemento às competições por certifica-
sários estudos futuros que estimem separa-
dos, um grande número de atividades de
damente os efeitos da densidade linear pre-
certificação e credenciamento sinaliza a con-
matura e tardia (Baum, 1995).
fiabilidade, elevando a legitimidade socio-
política das formas organizacionais, contri-
buindo para sua legitimidade cognitiva ao
Densidade e processos competitivos
espalhar conhecimento sobre elas (Baum e
Powell, 1995).
A teoria da dependência da densida-
Outra fonte básica de difusão de in-
de assume que a intensidade da competi-
formação sobre as atividades de uma forma
ção depende do número de organizações em
organizacional é a mídia impressa. Existem
uma população. Alguns pesquisadores, con-
arquivos detalhados de cobertura de mídia
tudo, questionam a suposição implícita nes-
sobre muitas indústrias, e a análise do con-
sa abordagem de que todos os membros de
teúdo desses registros públicos oferece uma
uma população são equivalentes, assumin-
técnica potencialmente poderosa para a
do que cada membro compete pelos mes-
operacionalização da legitimidade. Medidas
mos recursos escassos e contribuem e vivem
desse tipo são usadas amplamente na pes-
igualmente a competição (Winter, 1990 :
quisa de movimento social (exemplo: Olzak,
286). Embora a pesquisa demonstre que
1992, Tilly, 1993). Medidas baseadas no
essa suposição pode ser uma aproximação
conteúdo prometem tanto alta compara-
inicial razoável, a teoria da ecologia
bilidade entre estabelecimentos cobertos
organizacional sugere que a intensidade da
pela mídia impressa, quanto comparabi-
competição entre organizações numa popu-
lidade temporal dentro de um dado contex-
lação seja amplamente uma função de suas
to. Hybls (1994) empregou com sucesso as
medidas de legitimidade baseadas na mí-
dia, numa analise das fundações de empre-
sas americanas de biotecnologia.

Condições iniciais x Condições tar-


dias de baixa densidade - Embora,
conforme observado anteriormente, a teo-
ria da dependência da densidade preveja
somente o crescimento logístico das popu-
lações a partir de um pico de tamanho, isto
é freqüentemente testado nas populações
que se desenvolveram bem além de sua den-
sidade de pico. Isto complica as interpreta-
ções de legitimidade dependente da densi-
dade. Embora a densidade inicial baixa te-
nha um significado específico (isto é, a
legitimação) na teoria de dependência da
densidade, a baixa densidade tardia não tem
nenhum significado (Baum, 1995). Notada-
mente, as condições de baixa densidade ini-
cial e tardias parecem ter efeitos análogos
sobre as taxas vitais que não são distinguidas
nas estimativas: não é improvável que al-
gumas organizações grandes que dominam
segmentos substanciais de mercado fracas-
sarão, e que a crescente concentração po-
derá liberar recursos, criando oportunida-
des para os novos entrantes, que não exi-
gem deles engajamento na competição di-
reta com organizações maiores e bem
estabelecidas (Carroll, 1985). Coeficientes
de densidade de primeira ordem podem
então significar poder de mercado tardio e
particionamento de recursos, e não a legiti-
mação inicial. Baum e Powell (1995) des-
cobriram que a evidência para a dependên-
cia da densidade é muito mais forte em es-
tudos que incluem condições de baixa den-
sidade tardia. Conseqüentemente, os resul-
tados de numerosos estudos, que apoiam a
legitimidade da dependência da densidade
podem ser questionados ao incorporar in-
formação sobre os períodos de declínio da
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 99

os, revelando-se mais fortemente nos níveis


mais altos de agregação espacial. Mais pes-
similaridades na exigência de recursos:
quisa é necessária para suportar ou recusar
quanto mais similar a exigência de recur-
essa especulação.
sos, maior o potencial de competição inten-
sa (McPherson, 1983; Hannan e Freeman,
Competição localizada - Hannan e
1977; 1989). Se todas as organizações numa
Freeman (1977 : 945-946) propõem que
população não são competidores equivalen-
organizações de tamanhos diferentes usam
tes, a densidade da população poderá não
diferentes estratégias e estruturas; e, como
fornecer a medida mais precisa da competi-
resultado, embora organizações de diferen-
ção enfrentada pelas diferentes organiza-
tes tamanhos possam estar engajadas em
ções na população. Isto sugere que a teoria
atividades similares, organizações grandes
da dependência da densidade pode ser enri-
e pequenas dependem de diferentes combi-
quecida pela incorporação de microestru-
nações de recursos. Isto implica que organi-
turas da população. Recentemente, foram
zações competem mais intensamente com
examinados vários modelos ecológicos que
organizações de tamanhos similares. Por
incorporam diferenças organizacionais ex-
exemplo, se organizações pequenas e gran-
plicitamente para especificar mais precisa-
des dependem de diferentes recursos (por
mente os processos competitivos dentro das
exemplo, hotéis grandes dependem de con-
populações organizacionais.
venções, enquanto hotéis pequenos depen-
Nível de análise - Em suas formulações
originais, a teoria da dependência da densi-
dade implicitamente assume que as organi-
zações competem geograficamente entre si
com intensidade igual à de organizações
vizinhas. Pesquisadores começaram a refi-
nar essa suposição, desagregando a densi-
dade da população de acordo com o nível
de análise (isto é, agregação espacial), para
explorar os limites geográficos nos proces-
sos competitivos (e institucionais). Por
exemplo, Hannam e Carroll (1992), Carroll
e Wade, (1991) e Swaminathan e
Wiedenmayer (1991) analisaram a depen-
dência da densidade nas taxas de fundação
de cervejarias americanas e alemãs nos ní-
veis de análise municipal, estadual, regio-
nal e nacional. Esses estudos estimam sepa-
radamente o modelo de dependência da
densidade para cada nível de análise e, en-
tão, comparam os coeficientes entre níveis.
Eles revelam que efeitos competitivos locais
e difusos diferem muito mais que os efeitos
de legitimação comparáveis nas indústrias
cervejeiras americanas e alemãs. Lomi
(1995) obteve resultados paralelos nas aná-
lises das taxas de fundação dos bancos coo-
perativos rurais italianos. Recentemente,
-------------------------------------------
Hannan et al. (1995) estimaram os mode-
los de fundação organizacional na indústria
automobilística européia na qual a legiti-
mação dependente da densidade e a com-
petição foram operacionalizadas emdiferen-
tes níveis de análise. Eles encontraram uma
competição mais forte no nível nacional e
uma legitimação mais forte no nível euro-
peu.
Esses e outros estudos recentes
(Amburgey et al., 1993), Baum e Singh,
1994a, 1994b; Rao e Neilsen, 1992) susten-
tam a especulação de Zucker (1989 : 543)
de que "áreas geograficamente menores
deveriam, teoricamente, desenvolver com-
petição mais intensa, uma vez que estas são
áreas de recursos mais limitados". Ao mes-
mo tempo, eles também sustentam a idéia
de que processos institucionais operam num
nível mais extenso (Hannan et al., 1995),
servindo para contextualizar processos eco-
lógicos (Scott 1992; Tucker et al., 1992).
Então, processos competitivos podem ser
freqüentemente heterogêneos, operando
mais fortemente nas arenas ambientais lo-
cais, enquanto processos institucionais po-
dem freqüentemente ser mais homogêne-
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 100

dem de viajantes individuais), então padrões postos de uma organização com o de todas
de uso de recursos serão especializados pela as outras organizações na população. Jun-
distribuição de segmentos de tamanho. Con- tas, as densidades de sobreposição e de não-
seqüentemente, a competição entre grandes sobreposição desagregam as forças compe-
e pequenas organizações será menos inten- titivas e não competitivas para cada organi-
sa que a competição entre organizações zação numa população. Empreendedores
grandes ou entre as pequenas. Embora a são vistos como pouco inclinados ou inca-
competição localizada por tamanho não te- pazes de fundar organizações em partes do
nha recebido atenção empírica até pouco espaço de recursos em que a densidade de
tempo (Hannan et al 1992), estudos de ban- sobreposição é alta. Prevê-se que organiza-
cos (Banaszak-Holl, 1995) e hotéis de ções que operam em condições de alta den-
Manhatan (Baum e Mezias, 1992) e organi- sidade de sobreposição são também menos
zações americanas mantenedoras de saúde sustentáveis. Inversamente, prevê-se que há
(Wholey et al., 1992) fornecem agora evi- mais chances de investidores mirarem ou
dência empírica da competição localizada serem capazes de fundar organizações em
por tamanho. Esses resultados demonstram partes do espaço de recursos em que a den-
que a intensidade da competição enfrenta- sidade de não-sobreposição é alta, devido à
da por organizações numa população de- falta de competição direta por recursos e ao
pende não somente do número de outras potencial para o aumento da demanda com-
organizações, mas também de seus tama- plementar. Por essas razões, a alta densida-
nhos relativos. Baum e Mezias (1992) ge- de de não-sobreposição, espera-se uma que-
neralizam os modelos de competição loca- da nas taxas de fracasso. Baum e Sihgh en-
lizada por tamanho para outras dimensões contram suporte para essas previsões em
organizacionais e mostram que, além da si- populações de creches da região metropoli-
milaridade do tamanho das organizações, a tana de Toronto, para as quais as exigências
competição numa população pode ser mais de recursos foram definidas pelas idades das
intensa entre organizações geograficamen- crianças que elas tinham capacidade de
te próximas ou entre aquelas que praticam matricular. Esses estudos indicam que as
preços similares. organizações têm diferentes probabilidades
A pesquisa futura sobre a competição de se tornarem estabelecidas e de suportar
localizada pode oferecer compreensão di-
reta da dinâmica da diversidade organiza-
cional. Modelos de competição localizada
implicam um padrão de seleção por ruptu-
ra ou por segregação (Baum, 1990b,
Amburgey et al., 1994), no qual a competi-
ção entre entidades semelhantes por recur-
sos finitos leva, eventualmente, a diferen-
ciação (Durkheim, 1933, Hawley, 1950:
201-203). Esse modo de seleção tende a au-
mentar a diferenciação organizacional, pro-
duzindo muito mais lacunas do que suaves
variações contínuas na distribuição dos
membros de uma população, em algumas
dimensões organizacionais.
Sobreposição de nicho organizacio-
nal Baum e Singh (1994b; 1994c) testam o
modelo de sobreposição de recursos, no qual
o potencial para competição entre duas or-
ganizações é diretamente proporcional à
sobreposição de suas bases de recursos-al-
vos, ou nichos organizacionais. A competi-
ção potencial para cada organização é me-
dida pela densidade de sobreposição, ou seja,
pela sobreposição das exigências de recur-
sos de uma organização somada às exigên-
cias de todas as outras organizações da po-
pulação (isto é, a densidade da população
medida pela sobreposição das exigências de
recursos). Baum e Singh definem uma variá-
vel complementar, densidade de não-sobre-
posição, que agrega os recursos não sobre-
I 101 PARTE I — MODELOS DE ANÁLISE ________________________

diferentes destinos de sobrevivência após tos dessas interações sobre a dinâmica das
sua fundação em função das locações que comunidades organizacionais estão emer-
elas objetivam, num espaço de recursos gindo agora como uma área importante de
multidimencional. A generalização dessa investigação (Singh e Lumsden, 1990). Re-
desagregação da densidade da população sultados de estudos recentes de interação
em densidades de sobreposição e não- da comunidade estão resumidos na Tabela
sobreposição pode ajudar a explicar melhor 6.
o papel da heterogeneidade populacional
nas interpretações dos resultados de depen-
dência de densidade não regular (Petersen Resultados de pesquisa e
e Koput, 1991, Hannan et al., 1991). direções futuras

Entre os estudos apresentados na Ta-


Interdependência da bela 6, as aplicações de modelos de inte-
comunidade ração da comunidade em grupos estratégi-
cos parecem particularmente promissoras
Relações entre populações organiza- (Brittain, 1994, Carroll e Swaminathan,
cionais são centrais para as teorias ecológi- 1992). Embora o constructo dos grupos es-
cas das organizações. Populações desenvol- tratégicos capture a idéia de que a força da
vem relações com outras populações enga- competição sobre a performance organi-
jadas em diversas atividades que as vincula zacional de uma organização depende da
em comunidades organizacionais (Astley, localização de seus vários rivais no ambien-
1985; Fombrum, 1986; Hawley, 1950). Co- te de recursos, a pesquisa empírica, exami-
munidades organizacionais são formadas nando os efeitos de grupos estratégicos em
quando a competição leva à criação de no- competição, é bastante limitada (McGee e
vas populações de organizações que satis- Thomas, 1986, Thomas e Venkatraman,
fazem papéis complementares, dos quais 1988). Modelos de interdependência da
elas são dependentes, mas não competido- comunidade que enfatizam interações en-
ras com populações estabelecidas. Dessa
forma, a competição leva para a emergên-
cia de um sistema complexo de populações
funcionalmente diferenciadas, ligadas por
interdependências mútuas. O crescimento
da complexidade interna cria a estabilida-
de da comunidade, tornando mais lenta a
formação de novas populações. Contudo, a
complexidade interna da comunidade tam-
bém estabelece a base para seu colapso. Se
sistemas complexos experimentam distúr-
bios (por exemplo, inovação tecnológica,
mudança regulatória), além de certo nível
limiar, eles podem desintegrar como resul-
tado de um efeito dominó.
Quando uma população em evolução
interage com outras populações, o sucesso
da sobrevivência de seus membros depen-
de da natureza e força de suas interações
ecológicas. Conseqüentemente, é sempre
difícil entender o comportamento de orga-
nizações numa única população isolada,
porque o destino das populações tem uma
ligação em comum (Fombrun, 1988). A eco-
logia das comunidades organizacionais pre-
ocupa-se explicitamente com a estrutura e
a evolução dessas interações entre popula-
ções organizacionais e considera as conse-
qüências para o nível do sistema dessas
interações pela dinâmica da co-atuação de
partes da população. Brittain e Wholey
(1988) identificam os seguintes tipos possí-
veis de interação entre duas populações,; e
k, em que os sinais para a* e akj são, respec-
tivamente: (-,0) competição plena, (-,0)
competição parcial, (+,-) competição pre-
datória, (0,0) neutralidade, (+,-) comen-
salismo e (+,+) simbiose. Estudos dos efei-
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 102

Tabela 6 Estudos de interdependência de comunidades, 1989-1995.


Comunidade Interações da comunidade Referências
Sindicatos de trabalhadores Competição parcial (-,0): densidade crescente dos Hannan e Freeman,
da Indústria e Artesãos, sindicatos dos Artesãos, tanto reduzem a fundação 1989
1836-1985 (EEUU) quanto aumentam o fracasso dos sindicatos
industriais, mas a densidade do sindicato industrial
não afeta nem a fundação nem o fracasso do
sindicato dos artesãos
Cooperativas de Comensalismo ( + ,0): densidade crescente das Staber, 1989
Consumidores, Marketing e cooperativas de marketing; a densidade crescente
Trabalhador no Canadá das cooperativas de marketing estimula a fundação
atlântico, 1900-87 de cooperativas de consumidores; a densidade
crescente de cooperativas de consumidores estimula
a fundação de cooperativas de trabalhadores
Companhias de Telefone da Competição Parcial (-,0): densidade crescente das Barnett, 1990
Pensilvânia, 1879-1934: companhias de magneto aumenta o fracasso das
tecnologia para baterias companhias de bateria comum mas a densidade das
comuns e de magneto; companhias de bateria comum não afeta o fracasso
companhias de baterias das companhias de magneto
comuns de troca simples e Simbiose (+,+): densidade crescente das
múltipla companhias de troca simples diminui o fracasso das
companhias de força múltipla e a densidade
crescente das companhias de troca múltipla, em
contrapartida diminui o fracasso das companhias de
troca simples
Creches e Jardins de Infância Competição total (-,-): densidade crescente das Baum e Oliver,
na Região Metropolitana de cresches estimula o fracasso das creches e, em 1991
Toronto, 1971-87 contrapartida, a densidade crescente das creches
estimula o fracasso das creches
Bancos Comerciais e Caixas Neutralidade (0,0): densidades dos bancos Ranger e Moore et
de Poupança em Mnhatan, comerciais e caixas de poupança não têm relação al., 1991
1792-1980 entre si quanto às taxas de fundação
Companhias de Seguros de Comensalismo ( + ,0): aumento da densidade de
Vida (Sociedade Anônima e sociedades anônimas estimula a fundação de
Ltda.) no Estado de Nova companhias limitadas, mas a densidade das
Iorque, 1760-1937 companhias ltdas. não afeta a fundação de
sociedades anônimas
Indústria Cervejeira dos Comensalismo (+,-): aumento da densidade dos Carrol e
EEUU, 1975-90: bares cervejeiros estimula a fundação de Swaminathan,
microcervejarias, bares e microcervejarias, mas a densidade das 1992
produtoras em massa1 microcervejarias não afeta a fundação de bares
cervejeiros
Competição Parcial (-,0): aumento da densidade dos
produtores em massa estimula o fracasso das
microcervejarias, mas a densidade das
microcervejarias não afeta o fracasso dos produtores
em massa
HMOs dos EEUU, 1976-91: Neutralidade (0,0): densidades dos grupos e HMOs Wholey et al.,
grupo de HMOs e IRA não estão relacionadas entre si quanto às taxas 1992
associações de práticas de fracasso
independentes
L
103PARTE I - MODELOS DE ANALISE

Tabela 6 Continuação.
Comunidade Interações da comunidade Referências
Produtores de Componentes Competição total (-,-): fundação, nenhuma; fracasso, Brittain, 1994
Eletrônicos nos EEUU, 1947- r-especialistas e r-generalistas,
81: k-especialistas e k-generalistas
r-especialistas, Competição parcial (-,0): fundação,
k-especialistas, r-generalistas e k-especialistas; fracasso,
r-generalistas, r-generalistas e k-generalistas
k-generalistas2 Competição predatória (+,-): fundação, nenhuma;
fracasso, r-especialistas e
k-especialistas
Neutralidade (0,0): fundação, nenhuma; fracasso, r-
generalistas e k-generalistas
Comensalismo (+,0): fundação, r-especialistas e r-
gereralistas, r-generalistas e k-generalistas; fracasso,
r-especialistas e k-generalistas
Simbiose (+,+): fundação, r-especialistas e
k-especialistas, r-especialistas e k-generalistas, k-
especialistas e k-generalistas; fracasso, nenhum

Companhias de Transmissão Competição parcial (-,0): firmas de transmissão de Baum et al., 1995
de fax, 1965-92: cortes de fax com design predominante diminuem fundação e
design pré e pós-dominantes aumentam o fracasso de firmas de transmissão de fax
com design pós-dominante

Todas as interações possíveis são neutras (0,0).


Veja Brittain (1994) para uma discussão mais detalhada a respeito dos resultados.

tre múltiplas subpopulações organizacionais


proporcionam um modo de analisar a com-
petição dentro e entre os múltiplos grupos
estratégicos que compõem uma indústria.
Uma abordagem ecológica para a teoria dos
grupos estratégicos prove informações à pes-
quisa sobre administração estratégica, pro-
porcionando um modelo dos efeitos das es-
tratégias organizacionais e dos membros de
grupos estratégicos em populações dinâmi-
cas.
Embora estudos como aqueles da Ta-
bela 6 proporcionem evidências empíricas
da existência, da estrutura e da influência
potencial das comunidades organizacionais
sobre a dinâmica da população, eles tocam
superficialmente na "caixa de Pandora" da
ecologia das comunidades (DiMaggio,
1994). Até o momento, as comunidades
organizacionais estudadas foram limitadas
em escala e escopo a setores sociais e eco
nômicos isolados de atividade organiza-
cional (mas veja Baum e Korn, 1994; Korn
e Baum, 1994). Além disso, uma vez que
poucos estudos tentam prever a forma das
interações interpopulacionais específicas,
sabemos muito pouco a respeito do momen-
to em que competição ou mutualismo irão
existir entre organizações. Desafortunada-
mente, dentro de comunidades organiza-
cionais, populações afetam o destino umas
das outras, não somente através das rela-
ções diretas entre elas, mas também por
meio de relações indiretas e da reação que
flui por meio da comunidade (Baum e Singh,
1994d). Então, a dinâmica da comunidade
envolve a reação não linear entre popula-
ções interagentes: tais não-linearidades po-
dem complicar substancialmente as tentati-
vas de derivar previsões no nível da comu-
nidade (Carroll, 1981: 587, Puccia e Levins,
1985, Capítulo 3). Por essa razão, Baum e
------------------------------------------- ____________________ ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 104 |

Singh, 1994d, Korn e Baum, 1994) defen- a partir de seus antecessores, a fim de en-
deram o uso de uma técnica analítica cha- contrar populações de organizações e ex-
mada análise de loop (Puccia e Levins, 1985) plicar suas origens. Enquanto a herança
para modelagem de sistemas comunitários biológica é primariamente baseada na pro-
complexos. A análise da curva permite a pagação dos genes, processos de heredita-
derivação das previsões no nível da comu- riedade para organizações sociais parecem
nidade e justifica os efeitos das interações muito diferentes e sugerem uma dinâmica
indiretas e dos processos de feedback no sis- evolucionária completamente diferente da-
tema da comunidade. quelas esperadas com a pura transmissão
Mais fundamentalmente, contudo, em- genética. Baum e Singh (1994a) antecipam
bora Hannan e Freeman (1977) clamem por uma abordagem de processos genealógicos
pesquisas populacionais, como o primeiro organizacionais que expressa a preponde-
passo para o estudo do fenômeno no nível rância de mecanismos lamarkianos de he-
da comunidade, a pesquisa em ecologia reditariedade, visto que a competência de
organizacional permanece primariamente produção e organização adquirida por meio
focada no nível da população. Então, a per- do aprendizado pode ser retransmitida.
gunta - por que há tantos tipos de organi- Não obstante a alguns trabalhos em
zações? - ainda tem que ser perseguida se- economia evolucionária (Nelson e Winter,
riamente. Se, contudo, a diversidade pre- 1982; Winter, 1990), em teoria organiza-
sente das organizações é entendida como cional (Van de Ven e Grazman, 1994; Zucker,
um reflexo do efeito cumulativo de uma lon- 1977) e em teoria do aprendizado organi-
ga história de variação e seleção (Hannan e zacional (Levinthal, 1991b) estarem preo-
Freeman, 1989 : 20), então é necessária uma cupados com processos genealógicos das
explicação de como as formas das popula- organizações, a agenda de pesquisa sobre
ções organizacionais se tornam e permane- hereditariedade organizacional permanece
cem diferentes através do tempo. O desen- aberta.
volvimento desse problema parece impro-
vável, sem atenção para o desenvolvimento
de uma teoria de evolução organizacional PROCESSOS AMBIENTAIS
(Baum e Singh, 1994a; mas, para diferen-
tes pontos de vista, veja Carroll, 1984a; Em sua revisão da ecologia orga-
Hannan e Freeman, 1989). A evolução nizacional, Singh e Lumsden (1990 : 182)
organizacional envolve uma inter-relação
complexa entre processos ecológicos e his-
tóricos. Isto começa com a proliferação di-
ferencial de variações dentro das populações
que leva, em última análise, a fundações, o
produto do pensamento empreendedor que
emerge de populações estabelecidas para
criar novas populações e termina com a
extinção do último membro da população
que a imitação criou em torno da organiza-
ção fundadora (Lumsden e Singh 1990).
Poucos pesquisadores têm-se dirigido à
emergência e ao desaparecimento de popu-
lações organizacionais (para exceções veja
Aldrich e Fiol, 1994; Astley, 1985; Lumsden
e Singh, 1990; Romanelli, 1991). Conse-
qüentemente, ainda sabemos muito pouco
sobre as estruturas da herança e transmis-
são organizacional. Além disso, uma teoria
de evolução organizacional deve conside-
rar processos históricos de conservação e
transmissão da informação (isto é, proces-
sos genealógicos), pelos quais a produção e
a organização de rotinas, organizações e
populações são levados (isto é, replicadas)
através do tempo (Baum, 1989b; McKelvey,
1982; Nelson e Winter, 1982).
O estudo desses processos genealó-
gicos envolve o traçado das linhas evolu-
cionárias de descendência das organizações
105 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

identificaram a convergência das perspecti- mentais, ou pela conformidade institucio-


vas ecológicas e institucionais em organiza- nal.
ções "como um excitante desenvolvimento
da pesquisa em teoria organizacional". Teo-
rias institucionais e ecológicas têm conver- Turbulência política
gido principalmente sobre a questão: como
as variáveis do ambiente institucional (por A turbulência política afeta as taxas de
exemplo, política governamental, condições fundação e fracasso, rompendo os alinha-
políticas e relações de sanção) influenciam mentos sociais e estabelecendo relações en-
a dinâmica da população? Desde então, uma tre organizações e recursos, liberando re-
segunda, e igualmente excitante, convergên- cursos para uso por novas organizações.
cia emergiu da teoria do ciclo tecnológico. Apoiando esse argumento, Delacroix e
A busca dessa convergência é fundamental Carroll (1983) afirmam que ciclos de fun-
para o avanço da ecologia organizacional. dações de jornais na Argentina e na Irlanda
Processos ambientais, tais como mudanças refletem as turbulências políticas, além da
institucionais e evolução tecnológica, que dinâmica da população. Anos de turbulên-
modelam formas organizacionais apropria- cia política foram marcados pelo aumento
das e condicionam relações histórico-estru- nas taxas de fundação em ambos os países.
turais (por exemplo, as bases da competi- Carroll e Huo (1986) replicam esse resulta-
ção entre organizações), necessitam ser in- do e também asseguram que a turbulência
tegrados completamente à teoria e pesqui- política aumenta as taxas de fracasso de
sa ecológicas. Desenvolvimentos recentes empresas jornalísticas numa análise da fun-
nessas áreas de convergência são revisados dação de jornais na área da Baía de São
a seguir. Francisco. Amburgey e seus colegas também
encontram evidências de que a turbulência
política aumenta as taxas de fracasso na Fin-
Processos institucionais lândia (Amburgey et al., 1988). Notadamen-
te, jornais fundados durante os anos de tur-
Ambientes organizacionais represen-
tam mais do que simples "fontes para en-
trada, informação e conhecimento para sa-
ída" (Scott e Meyer, 1983 : 158). Regras
institucionalizadas e crenças sobre organi-
zações também figuram proeminentemen-
te (DiMaggio e Powel, 1983; Meyer e
Rowan, 1977). A Teoria Institucional enfa-
tiza que organizações devem estar em con-
formidade com essas regras e requerimen-
tos, se quiserem receber suporte e ser per-
cebidas como legítimas. O papel dessas res-
trições normativas tem crescido recentemen-
te na teoria e na pesquisa ecológicas. Alguns
vêem essa relação entre a teoria institucio-
nal e a ecológica como complementares e
propõem sua síntese dentro de uma única
estrutura explicativa (Hannan e Carroll,
1992; Hannan e Freeman, 1989). Outros
concebem a teoria institucional como um
contexto para a teoria ecológica: a relação
entre elas não é complementar, é também
hierárquica (Tucker et al., 1992). Partindo
desse ponto de vista, o ambiente institucio-
nal constitui o contexto social mais amplo
para a ocorrência de processos ecológicos:
o ambiente institucional pode prescrever o
critério de seleção ambiental para julgar se
uma organização ou população inteira deve
ou não sobreviver (Barnett e Carroll, 1993;
Baum e Oliver, 1991; 1992; Fombrun,
1988). A pesquisa ecológica sobre proces-
sos institucionais compara tipicamente ta-
xas de fundação e fracasso entre populações
organizacionais ou por meio do tempo, à
medida que a arena institucional de uma
população em particular muda devido à tur-
bulência política, regulamentações governa-
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 106

bulência política têm vida curta, compara- eventos de rotina cujos efeitos cumulativos
dos com aqueles formados em períodos mais são substanciais. Por exemplo, com o tem-
estáveis (Carroll e Delacroix, 1982). Para po, por meio de processos coercitivos,
explicar esses resultados, Carroll e seus co- miméticos e normativos, expectativas insti-
legas argumentam que jornais fundados em tucionais das regulamentações governamen-
períodos de turbulência política são opor- tais tornam-se inerentes às práticas e carac-
tunistas que prosperam graças aos recursos terísticas das organizações (DiMaggio e
liberados em períodos de conflitos sociais, Powell, 1983). Essas características institu-
mas então, tornam-se obsoletos ou pouco cionais que proporcionam a certeza de que
competitivos, quando o ambiente se estabi- as organizações são confiáveis para funcio-
liza. Em outras palavras, os jornais são par- nar produzem conseqüências ecológicas,
te de um ambiente político. O processo po- como, por exemplo, a restrição do espectro
lítico afeta outros tipos de organizações? de comportamentos competitivos possíveis
Carroll et al. (1988) fornecem um argumen- (Freeman e Lomi, 1994). Outros são mais
to teórico que generaliza as predições a res- dramáticos e interrompem os laços estabe-
peito de outros tipos de organizações, mas lecidos entre as organizações e os recursos,
este ponto permanece sem prova empírica. liberando recursos para o uso por novas or-
ganizações (Carroll et al., 1988).
Uma vez que o contexto regulatório
Regulamentação governamental varia bastante, a pesquisa ecológica freqüen-
temente formula hipóteses sobre os efeitos
Partindo de um ponto de vista ecoló- reguladores e regulatórios de áreas de pes-
gico, as regulamentações governamentais quisa particulares. Contudo, a pesquisa re-
são vistas como restrições importantes na cente identifica quatro maneiras básicas em
organização e na aquisição de recursos que que as regulamentações governamentais in-
afetam a diversidade organizacional fluenciam as taxas de fundação e fracasso
(Barnett e Carroll, 1993; Hannan e Freeman, (veja Tabela 7). Consistente com a perspec-
1977). Aumentando (diminuindo) o núme- tiva de que os processos ecológicos estão hi-
ro e/ou a variedade de restrições, a regula- erarquicamente contidos pelos processos
mentação aumenta (diminui) a hete- institucionais, essa pesquisa mostra como re-
rogeneidade ambiental, expandindo (con- gulamentações governamentais agem, para
traindo) o número de nichos potenciais e restringir e impulsionar o comportamento
aumentando (diminuindo) a diversidade organizacional bem como condicionar as
organizacional total possível dentro de uma relações ecológicas entre as organizações.
comunidade organizacional. Embora os te-
óricos institucionais concordem, o assunto
central de suas perspectivas é o nível de frag-
mentação na estrutura do ambiente institu-
cional regulatório (Scott e Meyer 1983).
Quando a influência no ambiente regula-
tório é centralizada, as demandas insti-
tucionais são facilmente coordenadas e im-
postas sobre as organizações. Em contras-
te, estruturas regulatórias fragmentadas
sofrem com a ambigüidade e o conflito, e a
ação coordenada para influenciar organiza-
ções é mais difícil. Então, consistente com
as hipóteses ecológicas, quanto maior a frag-
mentação das estruturas regulatórias num
campo organizacional (isto é, quanto
maior o número de recursos institucionais
e restrições distintos), maior a diversi-
dade de organizações que podem ser man-
tidas.
A pesquisa ecológica sobre os efeitos
regulatórios procura saber como as mudan-
ças nas regulamentações governamentais
influenciam o padrão de fundação e o fra-
casso organizacional. Algumas mudanças
regulatórias incorporam certos processos ou
107PARTE I - MODELOS DE ANALISE

Tabela 7 Regulamentação do governo e dinâmicas da população.

Modelo de Problemática Perspectivas ilustrativas/ Transições


metanarrativa principal exemplos contextuais
interpretatíva
Racionalidade Ordem Teoria das Organizações clássica, de Estado
administração científica, teoria da guarda-noturno
decisão, Taylor, Fayol, Simon a Estado
industrial
Integração Consenso Relações Humanas, neo-RH, de capitalismo
funcionalismo, teoria da empresarial
contingência/sistêmica, cultura a capitalismo do
corporativa, Durkheim, Barnard, bem-estar
Mayo, Parsons
Mercado Liberdade Teoria da firma, economia de capitalismo
institucional, custos de transação, gerencial
teoria da atuação, dependência de a capitalismo
recursos, ecologia populacional, neoliberal
Teoria Organizacional liberal
Poder Dominação Weberianos neo-radicais, marxismo de coletivismo
crítico-estrutural, processo de liberal
trabalho, teoria institucional, Weber, a corporativismo
Marx negociado
Conhecimento Controle Etnométodo, símbolo/cultura de
organizacional, pós-estruturalista, industrialismo/
pós-industrialista, pós-fordista/ modernidade
moderno, Foucault, Garfinkel, teoria a pós-
do ator-rede industrialismo/
pós-modernidade
Justiça Participação Ética de negócios, moralidade e OB, de democracia
democracia industrial, teoria repressiva
participativa, teoria crítica, a democracia
Habermas participativa
Tabela 1 Narrativas analíticas em análise organizacional.
Variáveis-chaves Previsões-chaves Referências-
chaves

exemplo, a legitimidade, Barnett e


estimulando a demanda, Carroll, 1993
proporcionando subsídios e
regulando a competição.
Ligações Ligações a instituições Singh et al.,
institucionais comunitárias e públicas 1986b; Baum e
legitimadas conferem Oliver, 1991
legitimidade e recursos às
organizações, reduzindo os
níveis de fracasso.
108
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL

Tabela 7 Continuação.

Efeito Regulador Exemplos Referências


nacionais resultaram na divisão dos recursos
que capacitaram bancos cooperativos rurais a
recorrer à base de recurso liberado na periferia
do sistema sem se envolverem diretamente na
competição com bancos generalistas.
Monitorando, 0 endosso do Governo Federal do Canadá na Tucker et al.,
certificando, legitimação de grupos da comunidade local 1990a; Singh et al.,
autorizando e engajados em atividade organizacional 1991
apoiando independente para o alcance de objetivos
coletivos, por meio de programas de
oportunidades para jovens, aumentou a taxa
de fundação de organizações de serviço social
voluntário na região metropolitana de Toronto.
0 crescente envolvimento da Divisão de Baum e Oliver,
Serviços para Crianças da Região 1991; 1992
Metropolitana de Toronto no monitoramento,
autorização e aprovação das atividades de
creches na cidade aumentou a credibilidade e
legitimidade das organizações nelas engajadas
junto à população, aumentando as fundações e
diminuindo os fracassos das creches.
Natureza da 0 programa de oportunidades para jovens do Tucker et al.,
competição governo federal do Canadá alterou a 1990a; Singh et al.,
dependência da densidade de fundações 1991
especialistas entre organizações de serviços
sociais na região metropolitana de Toronto.
A Convenção Kingsbury, uma regulamentação Barnett e Carrol,
para conter a atividade competitiva de uma 1993
firma dominante, a Bell Corp., disparou um
processo de aumento da competição, alterando
o relacionamento entre as grandes e pequenas
companhias telefônicas que passou de
simbiótico para competitivo.

O próximo passo óbvio dentro da pesquisa


nessa área é estudar como a regulamenta-
ção governamental, e os processos institu-
cionais de forma mais ampla condicionam
os processos ecológicos diretamente, exami
nando as interações entre variáveis institu-
cionais e ecológicas (Baum e Oliver, 1991;
Tucker et al., 1990a; Singh et al., 1991;
Tucker et al., 1988).
109 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

Conexões institucionais dade de pesquisas adicionais sobre relações


institucionais.
Teóricos institucionais propõem que
uma organização tem mais chances de so-
breviver se ela obtém legitimidade, suporte Processos tecnológicos
social e aprovação dos atores no ambiente
institucional no qual está inserida (DiMaggio A inovação tecnológica tem o poten-
e Powell, 1983, Meyer e Rowan, 1977). Essa cial de influenciar profundamente popula-
legitimidade externa eleva o status da orga- ções organizacionais, porque ela pode rom-
nização na comunidade, facilita a obtenção per mercados, mudar a importância relati-
de recursos, impede questionamentos sobre va de vários recursos, desafiando as capaci-
os direitos de uma organização e a compe- dades de aprendizagem organizacional e al-
tência para fornecer produtos ou serviços terando a natureza da competição (Cohen
específicos e permite que a organização de- e Levinthal, 1990; Tushman e Anderson,
monstre sua conformidade com as normas 1986). A inovação tecnológica cria oportu-
e expectativas institucionais. Embora a pes- nidades para a fundação de novas organi-
quisa sobre a conformidade institucional das zações, quando as fontes existentes de van-
organizações ainda seja limitada, de manei- tagens competitivas decaem e novas opor-
ra com a previsão da teoria institucional, os tunidades para estabelecer posições emer-
resultados dos estudos existentes indicam gem. Isto também cria incertezas e riscos
que o desenvolvimento de laços com impor- para aquelas organizações estabelecidas,
tantes instituições do Estado da comunida- porque os resultados podem ser somente
de, bem como com outras organizações que imperfeitamente vislumbrados. Por um lado,
operam no mesmo campo institucional, têm o impacto de uma inovação pode não ser
papel muito significativo no aumento das conhecido até que seja tarde demais para
chances de sobrevivência da organização. que as organizações estabelecidas, usando
Singh et al. (1986) descobriram que o
registro numa agência governamental de
serviço social voluntário no cadastro de uma
comunidade e a posse de um número de
registro de instituição de caridade diminuiu
a suscetibilidade das novatas numa popula-
ção de organizações de serviço social volun-
tário. Miner et al. (1990) descobriram que
os jornais finlandeses ligados aos partidos
políticos têm uma taxa de fracasso signifi-
cativamente mais baixa que as organizações
de jornais sem esse tipo de vinculação. Baum
e Oliver (1991) descobriram que creches e
berçários que mantêm relações com orga-
nizações comunitárias (exemplos: escolas,
centros comunitários e organizações religi-
osas) e com uma agência governamental
municipal exibiram vantagens de sobrevi-
vência sobre aquelas sem essas ligações, e
também que essas vantagens aumentaram
significativamente com a intensidade da
competição. Eles também mostraram que
organizações novatas e pequenas, especia-
lizadas no cuidado de crianças, beneficia-
ram-se das ligações institucionais mais do
que organizações maiores, mais velhas e
generalistas. Num estudo sobre produtores
de circuitos integrados, Loree (1993) des-
cobriu que as taxas de fracasso caíram ini-
cialmente após a aprovação para produção
militar, mas então aumentaram com o tem-
po, conforme os vínculos se tornaram mais
antigos. Uzzi (1993) também demonstra
como as chances de sobrevivência das em-
presas que produzem roupas em New York
aumenta, conforme seu nível de intercone-
xão social e comercial. Acima de tudo, es-
ses estudos sugerem que estas ligações das
organizações a um contexto institucional
maior podem alterar as relações causais
básicas propostas em ecologia organiza-
cional. Isto sugere enfaticamente a necessi-
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 110

tecnologias ultrapassadas, possam compe- mentais e para aperfeiçoamentos da tecno-


tir com sucesso com os novos competido- logia dominante. Embora exista algum de-
res. Por outro lado, arriscar-se cedo demais bate sobre a universalidade do ciclo tecno-
com uma inovação pode comprometer as lógico, ele tem se demonstrado esclarecedor
chances de sobrevivência das organizações numa grande variedade de indústrias (Nel-
estabelecidas, se aquela tecnologia acaba son, 1994).
não se tornam dominante. Então, as estru-
turas competitivas de uma população refle-
tem suas tecnologias subjacentes e a inova- Resultados de pesquisa e direções
ção tecnológica pode influenciar profunda- futuras
mente a dinâmica competitiva e a evolução
da população com o passar do tempo Como os ciclos tecnológicos influen-
(Barnett, 1990; Brittain e Freeman, 1980; ciam padrões de fundação e fracasso orga-
Dosi, 1984; Utterback e Suárez, 1993). nizacional? Resultados de pesquisas dispo-
níveis que relacionam ciclos tecnológicos à
fundação e ao fracasso organizacional pa-
Ciclos tecnológicos e recem apoiar fortemente as principais hipó-
dinâmica da população teses (veja Tabela 8). Embora essa pesquisa
proporcione inicialmente conexões promis-
Sustentada pela caracterização da evo- soras entre ciclos tecnológicos e dinâmicas
lução tecnológica de Schumpeter (1934; populacionais, é necessário estendê-la em
1950) como um processo de destruição cri- pelo menos três direções importantes. Pri-
ativa, a pesquisa reforça a idéia de que as meiro, embora a teoria sugira que as taxas
tecnologias desenvolvem-se ao longo do de fracasso das organizações estabelecidas
tempo, por meio de ciclos de longos perío- e das novatas sejam significativamente di-
dos de mudança incremental - que melho- ferentes, estudos dos efeitos dos ciclos
ram e institucionalizam uma tecnologia exis- tecnológicos sobre os fracassos organiza-
tente - pontuados por descontinuidades tec- cionais não fazem diferenciação exata dos
nológicas nas quais as novas tecnologias, grupos de organizações fundadas antes e
radicalmente superiores, removem aquelas depois das descontinuidades tecnológicas ou
ultrapassadas, tornando possível uma ordem do design dominante (Baum et al., 1993;
de magnitude ou uma melhora no desem- 1995; Suárez e Utterback, 1992). Segundo,
penho organizacional (Dosi, 1984; Tushman e mais fundamentalmente, estudos raramen-
e Anderson, 1986). Descontinuidades tecno-
lógicas geram a competição à medida que
organizações tecnologicamente superiores
deslocam as desatualizadas. A nova tecno-
logia pode ser tanto do tipo incremento na
competência - que se constrói sobre o co-
nhecimento incorporado à tecnologia exis-
tente - quanto do tipo destruição da compe-
tência, que destrói as habilidades requeridas
para operar e administrar a tecnologia ob-
soleta existente (Tushman e Anderson,
1986). Essa distinção ajuda a especificar a
probabilidade de as organizações serem
estabelecidas ou de as novatas tornarem-se
competidoras tecnologicamente superiores
como resultado da mudança tecnológica.
Descontinuidades tecnológicas são seguidas
por períodos de fermentação em que a com-
petição, pelo domínio de múltiplas varian-
tes da nova tecnologia e com a tecnologia
vigente, cria grandes incertezas (Anderson
e Tushman, 1990). O fermento tecnológico
termina com a emergência de um modelo
ou design dominante, uma arquitetura úni-
ca que mantém o domínio em uma classe
de produtos (Abernathy 1978). Uma vez que
um design dominante emerge, o avanço
tecnológico retorna para melhorias incre-
I 111 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

Tabela 8 Ciclos de tecnologia e dinâmica da população.

Variável Previsões Exemplos Referências

Descontinuidade Uma descontinuidade do tipo Tushman e


do tipo aumento de aumento da competência Anderson, 1986
competência consolida a posição
competitiva das empresas
estabelecidas, aumentando sua
vantagem competitiva sobre as
novas organizações,
desencorajando os entrantes
potenciais.
Taxas de entrada e saída
(Entry-to-exit ratios)
declinaram (isto é, fundações
foram suprimidas) nos 05 anos
após as descontinuidades do
tipo aumento de competência
nas indústrias de cimento e
transporte aéreo dos Estados
Unidos.8

As vantagens das empresas Baum et al., 1993


estabelecidas desgastam-se
com o passar do tempo,
quando a inércia acaba
tornando difícil para elas tirar
total proveito de uma
tecnologia mais avançada. Isto
protege as empresas
estabelecidas de se moverem
rapidamente para uma nova
tecnologia, também criando
aberturas para novos entrantes
desenvolverem ativos
especializados, conhecimento
e reputação de mercado.
A mudança de um regime de
aumento de competência, na
tecnologia de transmissão de
fac-símile, de analógica para
digital diminui inicialmente as
taxas de fundação e fracasso
das organizações de serviços
de transmissão, mas ambas as
taxas aumentaram assim que a
descontinuidade retrocedeu no
passado.

Descontinuidade A descontinuidade do tipo Freeman, 1990


do tipo destruição destruição de competência
de competência prejudica as posições
competitivas das empresas
estabelecidas, tornando suas
competências obsoletas,
permitindo que as
organizações que exploram a Henderson e
nova tecnologia entrem e Clarck, 1990
estabeleçam posições em
mercados anteriormente
impenetráveis às custas de
empresas estabelecidas,
sobrecarregadas com o legado
de uma tecnologia mais
ultrapassada.
Taxas de saída de produtores
de semicondutores
aumentaram após a
continuidade da destruição de
competências de circuitos
integrados.

Empresas que lidam com a


indústria de equipamentos de
alinhamento de fotolitos foram
suplantadas sucessivamente
por novos entrantes que
exploram novas tecnologias.

Período de A fermentação tecnológica uma nova tecnologia ou tecnológicas nas


fermentação produz uma sucessão de defender o regime existente - indústrias de
regimes tecnológicos que mas qual dos regimes cimento,
geram novos mercados e tecnológicos ou das variantes recipientes de
melhoram dramaticamente a Taxas de fracasso vidro
performance das empresas. As organizacional aumentaram e de
organizações devem escolher durante as fermentações microcomputadore
I 112 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

s nos Andreson, 1988;


Estados Anderson e
Unidos. Tushman, 1992
____________________________________________________________________________________________ F.C0I.0G1A ORGANIZACIONAL 113 |

Tabela 8 Continuação.
Variável Previsões Exemplos Referências
técnicas dominará dentro dos
regimes competitivos é
completamente incerto.
Designs dominantes Um design dominante cria uma Organizações fundadas antes Suárez e
vantagem competitiva para as do design dominante nas Utterback, 1992
empresas estabelecidas, ao indústrias de automóveis,
permitir a realização de transistores, calculadoras
economias de produção e de eletrônicas e de TV nos
outros tipos, produzindo uma Estados Unidos tiveram taxas
onda de fracassos entre de fracasso de idade específica
empresas que não controlaram mais baixa, depois dos designs
a tecnologia dominante, dominantes, do que aquelas
criando barreiras à entrada de fundadas posteriormente.
novas empresas, levando a um Ondas de fracasso ocorreram Anderson, 1988
profundo declínio no número no período imediatamente
de organizações e à após a emergência de designs
estabilização da indústria. dominantes nas indústrias de
cimento, recipientes de vidro,
e industria de vidros para
janelas, mas as taxas de
fracasso declinaram com o
passar do tempo, à medida
que a indústria foi
restabilizada.
A emergência do padrão DOS Ingram, 1993
foi seguido por uma onda de
fracassos na indústria de
minicomputadores, mas taxas
de fracasso declinaram com o
tempo, conforme a indústria
foi estabilizada

a Embora Tushman e Anderson (1986) interpretem sua descoberta original de que as taxas de entrada-saída
declinaram nos cinco anos após as descontinuidades de destruição de competências na indústria de cimen-
to e microcomputadores dos Estados Unidos - como contraditórias às previsões - uma vez que se espera
que ambas as taxas aumentem após as descontinuidades de destruição de competências, uma comparação
de pré e pós-discontinuidades das taxas de entrada e saida é um teste que pode confundir.

te incorporam medidas específicas de tecno-


logia das organizações. A incorporação da
informação específica das organizações so-
bre tecnologia estende a pesquisa existente
em pelo menos três caminhos principais.
Um, o padrão de interdependência entre as
empresas que operam com tecnologias di-
ferentes durante os períodos de fermento
pode ser examinado, permitindo que o pro-
cesso de destruição criativa possa ser mo-
delado diretamente por um caminho mais
refinado (Barnett, 1990). Dois, as implica-
ções no desempenho de uma inovação es-
pecífica da empresa (por exemplo, a ado-
ção de uma nova tecnologia) e condições
que influenciam 'se' e 'quando' tal inovação
114 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

( + )
Institucionalizaçã Momentum (-)
o

X+) (+)
(+)
Tentativa de
Estrutura (+) (-) mudança na
Inércia competênci
reprodutível
a
(+1 principal
(+)

,(+)/(-)
Rotinas
padronizada (+)
s Fracasso
(-)/
Idade
organizacional
(+)
Tamanho
organizacional

Figura 1 Teoria da inércia estrutural (adaptada de Kelly e Amburgey, 1991 : 593).

será recompensada podem ser modeladas de taxas de mudança organizacional esta-


diretamente (Barnett, 1990; Mitchell, vam disponíveis. Essa falta de atenção tal-
1991). Três, padrões de interdependência vez tenha ocorrido, pelo menos em parte,
entre organizações, que usam designs de pela Teoria da Inércia Estrutural (Hannan e
tecnologia pré e pós-descontinuidade ou pré Freeman, 1977; 1984). A Teoria da Inércia
e pós-dominância permitem a superiorida- Estrutural descreve organizações como en-
de competitiva das tecnologias a serem mo- tidades relativamente inertes para as quais
deladas diretamente (Baum et al., 1993; a resposta adaptativa não é somente difícil
1995). Terceiro, a pesquisa examina especi- e pouco freqüente, mas perigosa. Conse-
almente "como" as mudanças em tecno- qüentemente, a mudança em organizações
logia influenciam os processos ecológicos. isoladas é vista como contribuindo conside-
Contudo, mais pesquisa é necessária para ravelmente menos para a mudança no nível
examinar como a dinâmica ecológica influ- populacional do que os processos demográ-
encia a mudança tecnológica. Wade (1993;
1995) fornece alguns passos importantes
nessa direção. Sua análise de mudança tec-
nológica no mercado de microprocessadores
nos Estados Unidos mostra que os novos
entrantes são as principais fontes de intro-
dução de designs, que o processo de depen-
dência da densidade influencia padrões de
entrada de patrocinadores de design, bem
como a taxa pela qual os novos designs ga-
nham suporte organizacional e que a emer
gência de um design dominante estimula a
entrada de novos patrocinadores.

MUDANÇA ORGANIZACIONAL:
TEORIA DA INÉRCIA ESTRUTURAL

Embora os pesquisadores ecológicos


tenham reunido estudos importantes rela-
tivos às taxas de fundação e fracasso, até
recentemente poucos estudos sistemáticos
requerem que as estruturas organizacionais
sejam altamente reprodutíveis (isto é, está-
ficos de fundação e fracasso organizacional. veis ao longo dos anos). A reprodutibilidade
Não obstante a importância dessa posição da estrutura é alcançada pela institucio-
teórica para abordagens ecológicas, até re- nalização dos propósitos e pela padroniza-
centemente, sua veracidade tinha sido acei- ção das rotinas organizacionais. Institu-
ta como verdade indiscutível. Os ecólogos cionalização e padronização oferecem a van-
organizacionais têm começado a examinar tagem da reprodutibilidade, mas elas tam-
as hipóteses da Teoria da Inércia Estrutural bém produzem pressões inerciais fortes con-
- a influência dos fatores ambientais e orga- tra mudanças (1984 : 154-155).
nizacionais nas taxas de mudanças em or- A estrutura na Teoria da Inércia Estru-
ganizações individuais e a adaptabilidade tural refere-se a algumas, mas não a todas
(isto é, conseqüências de sobrevivência) dos das características das organizações.
diferentes tipos de mudanças organiza- Hannan e Freeman (1984 : 156) enfatizam
cionais. as características centrais da estrutura or-
A teoria organizacional e de adminis- ganizacional, que estão relacionadas "às
tração freqüentemente focaliza as vantagens demandas usadas para mobilizar recursos
relativas das configurações alternativas das destinados a iniciar uma organização e às
características organizacionais. Conseqüen- estratégias e estruturas usadas para manter
temente, uma grande quantidade de pesqui- fluxos de recursos escassos". As caracterís-
sas sobre mudança organizacional tem-se ticas centrais principais incluem objetivos
concentrado no conteúdo das mudanças: a organizacionais, formas de autoridade, tec-
mudança para uma configuração mais van- nologia principal e estratégia de marketing
tajosa é considerada adaptativa, enquanto das organizações. As características perifé-
a mudança para uma configuração menos ricas protegem as características centrais da
vantajosa é considerada prejudicial organização em relação à incerteza, forman-
(Amburgey et al., 1993). Em complemento do um filtro e ampliando as conexões da
a este foco, a Teoria da Inércia Estrutural
de Hannan e Freeman (1984) oferece um
modelo de processo de mudança organiza-
cional que considera tanto as restrições in-
ternas quanto as externas sobre a mudan-
ça. A Teoria da Inércia Estrutural direciona-
se para duas questões principais: até que
ponto as organizações podem mudar e é a
mudança benéfica para as organizações? A
Figura 1 apresenta uma revisão da Teoria
da Inércia Estrutural.

Até que ponto as organizações


podem mudar?
Hannan e Freeman (1977) apontam
que as organizações enfrentam tanto restri-
ções internas quanto externas em sua capa-
cidade de mudança e que, dadas essas res-
trições, os processos de seleção fornecem a
explicação apropriada para mudança nas
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 173 I
--------------------------------------------------------------

populações organizacionais. Baseados em


seu argumento anterior, Hannan e Freeman
(1984) adotam aqui uma abordagem um
tanto diferente que assume seriamente o
potencial para a mudança organizacional ao
vislumbrar a inércia como conseqüência mais
do que antecedente aos processos de sele-
ção. Eles seguem a hipótese de que, embo-
ra alguns tipos de mudanças ocorram fre-
qüentemente nas organizações e embora,
algumas vezes, essas mudanças possam até
mesmo ser radicais, a natureza dos proces-
sos de seleção é tal que as organizações com
características inertes têm mais chance de
sobreviver (1984 : 149).
A teoria da inércia estrutural assume
que as organizações experimentam pressões
por uma performance confiável e por ações
responsáveis. Ela também assume que tan-
to a confiabilidade como a justificabilidade
I 116 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE __________________________

organização a seu ambiente. Características que exibem uma performance confiável e


periféricas incluem números e tamanhos de justificável em suas ações, Hannan e
subunidades, números de níveis hierárqui- Freeman (1984 : 160) concluem que,
cos, amplitude de controle, padrões de co- freqüentemente, tentativas para mudar as
municação e mecanismos de proteção. características centrais que visam promover
Hannan e Freeman (1984 :156) propõe que a sobrevivência - mesmo daquelas que po-
as características centrais tem níveis mais dem eventualmente reduzir os riscos de fra-
altos de inércia do que as características casso pelo melhor alinhamento da organi-
periféricas. zação com seu ambiente - expõem as orga-
Hannan e Freeman (1984) propõem nizações a um risco de fracasso maior a curto
ademais que, além de mudar em função da prazo. Então, a teoria da inércia prevê que
estrutura organizacional, as pressões iner- as organizações podem freqüentemente fra-
ciais variam com o tamanho e a idade cassar como um resultado direto de suas
organizacional. Devido ao fato de que as tentativas de sobrevivência.
organizações mais velhas tiveram tempo Além disso, por seus efeitos sobre a
para formalizar completamente as relações reprodutibilidade e a inércia, tanto a idade
internas, padronizar rotinas, instituciona- quanto o tamanho organizacional afetam a
lizar lideranças e distribuir poderes, bem probabilidade de sobrevivência a curto pra-
como desenvolver redes ricas de dependên- zo aos choques causados por tentativas de
cia e comprometimento com outros atores mudanças em características centrais. Uma
sociais, a reprodutibilidade da estrutura e a vez que as estruturas internas e as rotinas
inércia deveriam aumentar com sua idade. são mais institucionalizadas e suas conexões
Então, organizações mais velhas deveriam externas são estabelecidas de uma forma
ser mais limitadas em sua habilidade de melhor, organizações mais velhas são as que
adaptação às demandas mutantes do ambi- têm especialmente maior probabilidade de
ente. Conseqüentemente, a probabilidade de experimentar o rompimento como resulta-
ocorrer tentativas de mudança em caracte-
rísticas centrais declinam com a idade
(1984 : 157). O tamanho organizacional
também é associado com a resistência para
mudar. A medida que as organizações cres-
cem, elas" enfatizam a previsibilidade, os
papéis formalizados, os sistemas de contro-
le e seu comportamento torna-se previsível,
rígido e inflexível. Além disso, ao proteger
organizações do fracasso, o tamanho maior
pode reduzir o ímpeto de mudança
(Levinthal, 1994). Conseqüentemente, a
probabilidade de tentativa de mudança em
características centrais declina com o tama-
nho (Hannan e Freeman, 1984 : 159).

A mudança é benéfica?

Talvez, o aspecto mais marcante da


teoria da inércia estrutural é a relação hi
potética entre a mudança das característi-
cas centrais e a suscetibilidade dos novatos,
a propensão que organizações jovens têm
para taxas de fracasso mais altas
(Stinchcombe 1965). Hannan e Freeman
(1984 : 160) propõem que a tentativa de
mudanças em características centrais da
organização produz uma renovada susceti-
bilidade dos novatos, roubando o histórico
que a organização possui do valor da sobre-
vivência. A tentativa de mudança nas carac-
terísticas centrais diminui a confiabilidade
e a justificabilidade do desempenho da or-
ganização, fazendo-a retornar aos níveis de
uma organização novata, destruindo ou tor-
nando obsoletas rotinas e competências
estabelecidas e rompendo relações com ato-
res ambientais importantes. Ela também
mina a legitimidade adquirida da organiza-
ção, modificando sua missão visível. Dado
que os acionistas favorecem organizações
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 117 |

do da mudança em características centrais Testes da teoria da


(1984 : 157). Em contraste, organizações inércia estrutural
maiores, embora com menor probabilidade
de tentar mudanças em características cen-
trais num primeiro momento, têm maior Dependência da idade e de tamanho
probabilidade de morrer durante uma ten- nas taxas de mudança
tativa de mudança desse tipo (1984 : 159).
O tamanho grande pode proteger organiza- Testes de dependência do tamanho e
ções dos efeitos desestabilizadores das mu- da idade nas taxas de mudança organi-
danças em características centrais, por zacional são apresentados na Tabela 9. Os
exemplo, ajudando a manter velhas e no- resultados são cruzados e, no total, pare-
vas maneiras de fazer as coisas durante o cem oferecer suporte para as previsões da
período de transição ou superando priva- Teoria da Inércia Estrutural. Em sua revisão
ções de curto prazo e desafios competitivos da ecologia organizacional, Singh e
que acompanham as tentativas de mudan- Lumsden (1990 : 182) usam a distinção
ça. "central-periférico" para interpretar os re-
Se uma organização consegue sobre- sultados disponíveis. Eles consideram que
viver a curto prazo ao choque de uma mu- taxas de mudanças em caraterísticas centrais
dança em sua característica central, Hannan diminuem com a idade, enquanto taxas de
e Freeman (1984 : 161) prevêem que o ris- mudanças em características periféricas au-
co de fracasso declinará com o passar do mentam com a idade. Infelizmente, essa dis-
tempo, uma vez que a confiabilidade do de- tinção não ajuda a justificar os resultados
sempenho é restabelecida, relações externas confusos da dependência da idade (e de ta-
são restabilizadas e a legitimidade organi- manho) na Tabela 9. Por exemplo, a diver-
zacional é reafirmada. Contudo, a taxa de sificação - o desenvolvimento de novos pro-
declínio na taxa de fracasso, após a mudan- dutos ou serviços, freqüentemente para no-
ça em uma competência central, não é vos clientes e freqüentemente que requei-
especificada pelo modelo da inércia estru- ram implementação de novas tecnologias de
tural. Se a taxa de declínio da taxa de fra- administração, produção ou distribuição
casso subseqüente à mudança continuar a (Haverman, 1993a) - é uma mudança em
uma taxa idêntica àquela anterior à mudan- característica central que tem sido estuda-
ça, a organização enfrentará risco a curto da entre diversas populações. Infelizmente,
prazo sem nenhum benefício a longo pra- a Tabela 9 revela poucas evidências de que
zo. Se a taxa de declínio na taxa de morte
que segue a mudança é menor que a ante-
rior, a organização aumentará tanto seus ris-
cos de fracasso tanto no curto quanto a lon-
go prazo. Se, contudo, a taxa de declínio é
mais rápida que a taxa de declínio original,
a organização se beneficiará a longo prazo
por assumir riscos de curto prazo da mu-
dança. Então, embora a teoria da inércia
estrutural veja a mudança em característi-
cas centrais como maléficas a curto prazo,
ela pode, em última análise, ser adaptativa
se a organização administrar para superar
os perigos associados com a ruptura inicial.
Assim, a teoria da inércia estrutural
enquadra a questão de a mudança organi-
zacional ocorrer no nível populacional ou
no nível de organizações individuais en-
quanto um fator da taxa de mudança de
organizações em relação com a taxa de mu-
dança do ambiente. Organizações podem ser
capazes de responder a mudança do ambi-
ente ou porque elas são relutantes ou inca-
pazes de mudar ou porque elas fracassam
prioritariamente na realização de esforços
de mudanças.
118 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

Tabela 9 Estudos da taxa de mudança organizacional.


População Tipo de mudança Idade" Tamanho Número de Tempo Referências
mudanças desde a
prioritárias última
(anteriores) mudança
Negócios Proprietário
_ 0 na Amburgey e
+
jornalísticos dos Editor - 0 + na Kelly, 1985
Estados Unidos Nome - 0 0 na

1774-1865 Layout - 0 + na

Conteúdo 0 0 0 na

Organizações de Nome + + na na Singh et al.,


serviços sociais Patrocinador 0 0 na na 1988; 1991;
voluntários Local + 0 na na Tucker e al.,
Área de serviço + 0 na na 1990b

Objetivos + 0 na na

Grupo de clientes 0 0 na na

Condições de serviços 0 0 na na

Executivo Chefe + + na na

Estrutura + 0 na na

Produtores de Mudança na + na na na Bocker,1989


semicondutores estratégia inicial

do Vale do

Silício"

Empresas de Entrada para na 0 na na Mitchell, 1989


diagnóstico subcampo emergente

médico por

imagem dos

Estados Unidos,

1959-1988

Creches da De especialistas para + - na na Baum, 1990a


região generalistas

metropolitana De generalistas para +/- 0 na na


de Toronto,
1971-1987 especialistas

Organizações De fins lucrativos a + 0 na na Ginsberg e


mantenedoras fins não lucrativos Buchholtz, 1990

de saúde dos

Estados Unidos"

Agências Especialismo no nível Kelly e

Aéreas dos EUA, de negócio 0 + na Amburgey, 1991,


-
1962-1985 Generalismo no nível veja Kelly,1998

de negócio 0 - + na

Especialismo no nível

de corporação 0 0 + na

Generalismo no nível

de corporação 0 - + na

Postos de Aumento de domínio 0 na na 0 Usher, 1991


gasolina, Contração de domínio 0 na na +
1959-88 Migração de nicho +/- na na na
_
Vinícolas da Portfolio de marca 0 + - Delacroix e
Califórnia, Linha de produto - + 0 Swaminathan,
-
1946-1984 Status do 1991

proprietário da terra 0 0 + 0
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 119 [

Tabela 9 Continuação.

População Tipo de mudança Idade Tamanho Número de Tempo Referências


mudanças desde a
prioritárias última
(anteriores) mudança

500 Empresas Fusões de extensão de Amburgey


Revista Fortune produtos na e
Fusões de Miner,
conglomerados na 1992;
Fusões horizontais na Amburgey
Integração Vertical na e
Diversificação de Dancin,
mercado e produto na 1994
Descentralização
estrutural na
Jornais da Conteúdo
Finlândia Freqüência da na
1771-1963 publicação na
Associações de Tentativa de
bares do Estado unificação - na Amburgey
1918-1950 et al.,
na
Institutos livres Mudança para 1993;
de artes liberais co-educar Minter et
0
Adição de programa al., 1990
na
de pós-graduação Halliday et
+ na
Adição de programa al.,
de negócios 1993
+
Companhias de Aquisição
Zajac e
bancos holding, relacionada na
Aquisição não- Kraatz,
1956-1988
relacionada 1993
na
Ginsberg e
California S8cL, Estado real (taxas de
entrada) Baum, 1994
1977-1987 +
Hipotecas não
residenciais
0
Seguros com lastro Ginsberg e
em hipotecas Baum, 1994
0
Empréstimo ao
consumidor
Empréstimo comercial 0
Haveman,1
Companhias de o 994;
serviços
veja
Mudança no domínio o também
Associações de
comércio dos
e objetivos da 0/0 o Haveman,
organização 1992;
EUA 1900-1980 na
Entrada de rota 1993a;
Companhias na
Saída de rota 1993b
aéreas da Cali-
fórnia 1979-1984 na
Entrada no mercado +
Creches da região na
Saída do mercado 0
metropolitana
de Toronto,
1971-1989
na
na
na Aldrich et
na al.,
na
1994

Baum e
Korn,
1996

Baum e
Singh,
1996

na

na
120 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

X/Y da os sinais dos significantes (p < 0,05) termos lineares e quadrantes, respectivamente, quando estimado
Dados do período de observação não fornecido
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 121 [

a diversificação é relacionada negativamen- Amburgey e seus colegas (Amburgey e Kelly,


te tanto à idade quanto ao tamanho. 1985; Amburgey et al., 1993; Amburgey e
Miner, 1992, Kelly e Amburgey, 1991) su-
Fluidez de Idade e Tamanho - A Teo- gerem que um entendimento completo da
ria da Inércia Estrutural está errada? Em mudança organizacional requer a conside-
contraste com as argumentações sobre inér- ração da história das mudanças da organi-
cia estrutural, algumas visões teóricas su- zação. De uma perspectiva de aprendizado
gerem que as organizações se tornam mais organizacional, fazer mudanças proporcio-
fluidas com o tempo (Singh et al., 1988). na às organizações a oportunidade de tor-
Embora os processos de seleção favoreçam nar a mudança uma rotina (Levitt e March,
organizações que estão ajustadas a seu meio 1988; Nelson e Winter, 1982). Toda vez que
ambiente, o ajuste entre organizações e seus uma organização se empenha num tipo par-
ambientes está constantemente sendo ero- ticular de mudança, ela aumenta sua com-
dido, uma vez que a racionalidade limitada petência naquele tipo de mudança. Quanto
da administração, as restrições de acesso às mais experiente uma organização se torna
informações e as pressões inerciais impedem em um tipo particular de mudança, mais
as organizações de acompanharem as mu- provavelmente repetirá essa mudança -
danças constantes do ambiente. Deste modo, porque ela sabe como fazê-la. Se uma mu-
"por meio de uma história cumulativa de dança particular casualmente se liga ao su-
sobrevivência, as tensões e os esforços de cesso, nas mentes dos decisores organi-
sobreviver em meio a tantas mudanças do zacionais - independente de existir essa li-
ambiente acumulam-se nas organizações, gação de fato - os efeitos de reforço torna-
aumentando as pressões para que mudem" rão a repetição mais provável. Então, uma
(1988 : 6). vez que essa mudança é iniciada, o proces-
Alguns pontos de vista teóricos tam-
bém sustentam a idéia de que as organiza-
ções maiores são mais fluidas. A complexi-
dade, a diferenciação, a especialização e a
descentralização internas, todas caracterís-
ticas das organizações grandes, têm sido
associadas à adoção das inovações
(Haveman, 1993a). Os recursos disponíveis
para as grandes organizações podem capa-
citá-las a iniciar mudanças, em resposta às
mudanças ambientais (Cyert e March,
1963). O maior tamanho relativamente a
outros atores também aumenta o poder de
mercado (Bain, 1996), diminuindo as bar-
reiras de entrada em função de economias
de escala e reduzindo as considerações po-
líticas externas (Pfeffer e Salancik, 1978).
Estimativas de idade e tamanho na
Tabela 9 sustentam as previsões de inércia
e fluidez com semelhante freqüência. Con-
tudo, há boas razões para duvidar de alguns
dos resultados de fluidez. Muitos estudos
que encontram as evidências de fluidez in
cluem organizações censuradas pela esquer-
da (ou seja, fundadas antes do início da
observação). Em virtude de essas organiza-
ções de orientação de esquerda serem fun-
dadas antes de o período de observação co-
meçar, e não serem observadas quando são
mais jovens e menores, incluí-las pode le-
var a uma subestimação das taxas de mu-
dança em idades e tamanhos menores. Além
disso, se organizações grandes são protegi-
das por seus recursos dos riscos da mudan-
ça, o suporte para a fluidez do tamanho pode
refletir numa seleção viciada da amostra
resultante de censura pela direita (isto é,
escolha de organizações fundadas após o
começo do período de observação): não se
observam organizações pequenas mudando,
porque elas fracassam antes da realização
de seus esforços.

Momentum Repetitivo - Embora


Hannan e Freeman (1984) não incluam
mudanças prévias em seu modelo teórico,
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 122

so de mudança, por si só, torna-se rotineiro gumentos subjacentes diretamente. Dado


e sujeito a forças inerciais. Isto cria o momen- que os coeficientes de tamanho e idade re-
tum repetitivo, isto é, a tendência para man- velam pouco sobre os processos organi-
ter a direção e a ênfase de ações anteriores zacionais subjacentes, ainda sabemos mui-
no comportamento corrente (Miller e Frie- to pouco sobre como os efeitos de idade e
sen, 1980). Experiências com a mudança de tamanho, ou as condições sob as quais flui-
um tipo particular permitem prever o au- dez, inércia e momentum predominarão.
mento da probabilidade de que a mudança Para aprender o que realmente está aconte-
desse mesmo tipo será repetida no futuro. cendo, são necessários estudos que utilizam
Para reconciliar a idéia de que a mu- medidas mais diretas dos processos organi-
dança organizacional é impulsionada pelo zacionais subjacentes. Os argumentos de
momentum repetitivo com evidência de que fluidez e inércia não são necessariamente
as organizações se movem de períodos de concorrentes; eles podem ser complemen-
mudança para períodos de inatividade, tares - de fato, os argumentos da fluidez da
Amburgey et al. (1993) propõem que os efei- idade baseiam-se parcialmente na inércia
tos de mudanças anteriores são dinâmicos. para criar um gap entre organizações e am-
Uma vez que o processo de busca organi- bientes -, e as relações subjacentes que eles
zacional começa com as rotinas mais utili- prevêem podem potencialmente existir si-
zadas recentemente (Cyert e March, 1963), multaneamente.
a probabilidade de repetir mudanças espe-
cíficas deveria ser mais alta imediatamente
após sua ocorrência, mas declinaria com o
tempo, uma vez que as mudanças foram os
últimos aumentos feitos. Combinados, os
efeitos dinâmicos e principais de mudanças
anteriores pressupõem que a probabilidade
de repetir uma mudança em particular sal-
ta imediatamente após uma mudança des-
se tipo, sendo que o tamanho do salto au-
menta após cada mudança adicional, mas
declina com o tempo, a partir do momento
em que aquele tipo de mudança ocorreu pela
última vez.
O suporte para o momentum repetitivo
da mudança organizacional é forte: entre
as estimativas na Tabela 9, as taxas de mu-
dança aumentam com o número de mudan-
ças anteriores do mesmo tipo em 18 de 24
testes. Estimativas para o efeito dinâmico,
contudo, são mais confusas. Notadamente,
os estudos que controlam por um ou ambos
os efeitos de mudança anterior justificam
muito da evidência em favor de Teoria da
Inércia Estrutural: nove dos doze coeficien-
tes negativos de idade negativa e sete de
dez coeficientes negativos de tamanho ocor-
rem nesses estudos. Então, o suporte para a
fluidez da idade e do tamanho pode refletir
um viés de especificação: organizações maio-
res e mais velhas podem ter maior propen-
são para a mudança não porque são maio-
res ou mais velhas, mas porque acumula-
ram experiência com a mudança. Acima de
tudo, esses resultados sugerem firmemente
a necessidade de uma visão maior das for-
ças inerciais sobre a organização - uma que
inclua o momentum tanto quanto a inércia
no processo de mudança.
Embora atentar para questões de es-
colha das organizações - como a censura
pela esquerda ou pela direita, ou seja, a ex-
clusão de empresas fundadas anteriormen-
te ou posteriormente ao início da observa-
ção, ou ainda questões de viés de especi-
ficação - possam melhorar nosso entendi-
mento do processo de mudança no nível
organizacional de forma incrementai, ga-
nhos maiores poderiam ser alcançados se
os pesquisadores começassem a testar os ar-
I 123 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE __________________

Mudança e fracasso organizacional afirmam, a menos que os dados sejam refi-


nados, mudanças de características centrais
Se a pesquisa ecológica indica que a podem freqüentemente não ser observadas,
inércia e o momentum freqüentemente res- porque organizações fracassam antes da
tringem a mudança organizacional, é claro realização de seus esforços. Por exemplo, se
que tal efeito não é necessariamente preju- algumas mudanças de características cen-
dicial: além de promover a confiança e a trais demonstram-se fatais dentro de um
justificação do desempenho, em um am- ano, essas mudanças fatais não serão de-
biente incerto, a inércia e o momentum po- tectadas nos primeiros dados que normal-
dem proteger as organizações de terem que mente estão disponíveis. Esse problema da
responder rápido freqüentemente demais às censura pela direita diminui os riscos esti-
mudanças ambientais. Mas se a inércia ou mados da mudança, porque as mudanças
o momentum são ou não prejudicais, depen- mais perigosas não são identificadas na aná-
de, em última análise, do risco da mudança lise.
organizacional.
A Tabela 10 apresenta os resultados Desempenho organizacional - Embo-
de estudos, investigando as conseqüências ra organizações com desempenhos supe-
para a sobrevivência de mudanças organi- riores e ruins tenham a probabilidade de en-
zacionais. As organizações, nos estudos de frentar riscos diferentes de fracasso, bem
populações, não necessariamente fracassam como taxas e tipos de mudança (Hambrick
como resultado de seus esforços para mu- e D'Aveni, 1988; Haveman, 1992; 1993a;
dar - mas elas também não necessariamen- 1993b; 1994), as análises ecológicas dos
te aumentam suas chances de sobrevivên- efeitos da mudança sobre fracassos
cia organizacional. Operam as organizações organizacionais não incluem normalmente
num mundo de tantas incertezas que os es- medidas de desempenho organizacional em
forços adaptativos acabam tornando-se es- progresso. Isto cria dois problemas. Primei-
sencialmente randômicos com relação a seu
valor futuro? (Hannan e Freeman, 1984 :
150). Infelizmente, somente seis estudos na
Tabela 10 separam efeitos de curto e longo
prazos e somente três deles também testam
a variação de tamanho e idade nos efeitos
destrutivos da mudança. Qualquer conclu-
são nesse ponto seria, portanto, prematura.
E notável, contudo, que o suporte para as
previsões da teoria da inércia estrutural é
forte nos três estudos mais completamente
especificados (Amburgey et al., 1993; Baum
e Singh, 1996; Haveman, 1993c), para to-
das as mudanças examinadas com exceção
de uma (isto é, entradas de creches no mer-
cado).

Direções futuras

Além da necessidade de mais pesqui-


sa sobre adaptabilidade da mudança orga
nizacional que especifique as previsões da
teoria da inércia estrutural, a pesquisa fu-
tura poderá também beneficiar-se ao consi-
derar os assuntos que seguem.

Censura pela esquerda e pela direi-


ta - Organizações censuradas pela esquer-
da, ou seja, aquelas fundadas antes do co-
meço do período de observação, não são
observadas quando são mais jovens e me-
nores, mas, de acordo com a teoria da inér-
cia estrutural, quando têm maior probabili-
dade de mudar e estão mais vulneráveis aos
riscos da mudança. Incluir essas organiza-
ções na análise pode levar à subestimação
dos riscos totais da mudança, bem como à
variação nos riscos para organizações de
diferentes tamanhos e idades. Além disso,
se a mudança organizacional de caracterís-
ticas centrais é tão perigosa a curto prazo
quanto os argumentos da inércia estrutural
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 124 [

Tabela 10 Estudos de mudança e Fracasso Organizacional.


População Tipo de mudança Mudança Tempo Mudança Mudança Referências
anterior8 desde a X X
última idade tamanho
mudança
Jornais dos Editor + 0 na na Carrol, 1984b
Estados Unidos

1800-1975

Periódicos de Proprietário + na na na Amburgey e


negócios dos Editor 0 na na na Kelly, 1985
Estados Unidos Nome 0 na na na

1774-1865 Layout 0 na na na

Conteúdo 0 na na na

Organizações Patrocinador + na na na Singh et al.,


de serviço social Localização
- na na na 1986

voluntário, Área de serviço + na na na

1970-1982 Objetivos 0 na na na

Grupos de clientes + na na na

Executivo chefe
- na na na

Estrutura 0 na na na

Companhias Especialismo ao nível Kelly e

aéreas dos do negócio 0 na na na Amburgey, 1991;


Estados Unidos, Generalismo ao nível veja também

1962-1985 do negócio 0 na na na Kelly, 1988


Especialismo ao nível
corporativo 0 na na na
Generalismo ao nível
corporativo 0 na na na

Mudança periférica 0 na na na

Postos de Aumento ou 0 + na na Usher, 1991


gasolina, contração do domínio

1959-1988

Vinícolas da Aumento do portfolio Delacroix e

Califórnia, de marca 0 0 na na Swaminathan,


1946-1984 Diminuição do portfolio 1991; veja

de marca 0 0 na na Swaminathan e

Aumento da linha de Delacroix, 1991

produto
- 0 na na

Diminuição da linha de

produto 0 0 na na

Aquisição de terra
- 0 na na

Diminuição de terra 0 0 na na

Jornais Conteúdo + - + na Amburgey et al.,

filandeses, Freqüência + + na 1990; 1993


-
1774-1963 Layout 0
- + na

Localização 0
- + na

Nome + - + na

Califórnia S8cLs, Hipotecas residenciais


- na na na Haveman, 1992

1977-1987 Estado real (+ invest.) 0 na na na


Hipotecas não
residenciais
- na na na

Seguros lastreados

hipotecas 0 na na na
I 125 PARTF I - MODELOS DF. ANÁLISE

Tabela 10 Continuação.

Modelo de Problemática Perspectivas ilustrativas/ Transições


metanarrativa principal exemplos contextuais
interpretatíva
Racionalidade Ordem Teoria das Organizações clássica, de Estado
administração científica, teoria da guarda-noturno
decisão, Taylor, Fayol, Simon a Estado
industrial
Integração Consenso Relações Humanas, neo-RH, de capitalismo
funcionalismo, teoria da empresarial
contingência/sistêmica, cultura a capitalismo do
corporativa, Durkheim, Barnard, bem-estar
Mayo, Parsons
Mercado Liberdade Teoria da firma, economia de capitalismo
institucional, custos de transação, gerencial
teoria da atuação, dependência de a capitalismo
recursos, ecologia populacional, neoliberal
Teoria Organizacional liberal
Poder Dominação Weberianos neo-radicais, marxismo de coletivismo
crítico-estrutural, processo de liberal
trabalho, teoria institucional, Weber, a corporativismo
Marx negociado
Conhecimento Controle Etnométodo, símbolo/cultura de
organizacional, pós-estruturalista, industrialismo/
pós-industrialista, pós-fordista/ modernidade
moderno, Foucault, Garfinkel, teoria a pós-
do ator-rede industrialismo/
^HHIHHiiHH^^HHHilHHHHHI^HHHH^HHHHHHHHIHI^I^I^HI^HHIHI pós-modernidade
a X da os sinais dos coeficientes significantes (p < 0,05)

ro, a lógica de causa e efeito é pouco clara,


porque algumas mudanças ou tipos de mu-
danças são sintoma de declínio organiza-
cional, mais do que causas de fracasso. Se-
gundo, os modelos de estimação estão pro-
pensos a vieses de especificação: se as taxas
de mudança e fracasso organizacional são
ambas influenciadas pelo desempenho re-
cente, uma conexão falsa entre mudança e
fracasso será observada se o desempenho
anterior não for controlado. Embora seja
improvável que indicadores específicos de
desempenho organizacional possam ser ob-
tidos para populações inteiras ao longo do
tempo, uma forma de lidar com esse pro-
blema é usar o crescimento e o declínio
organizacional como uma medida de desem-
penho aproximado (Baum, 1990a; Baum e
Singh, 1996; Havemam, 1993c; Scoott,
1992 : 342-362).

Protetores de transformação - Um
tópico correlato é o pressuposto de que to-
das as organizações são igualmente suscetí-
veis aos efeitos das mudanças no fracasso.
Hannan e Freeman (1984) identificaram a
idade e o tamanho como fatores que alte-
ram a exposição das organização à susce-
tibilidade da mudança. Contudo, até o pre-
sente, somente três estudos (veja Tabela 10)
explicaram essa variabilidade (Amburgey et
al., 1993; Baum e Singh, 1996; Haveman,
1993c). Conexões institucionais (isto é, li-
gações a importantes instituições do Estado
e da comunidade) podem também fornecer
essa proteção da transformação, ao confe-
ECOLOGIA ORGANIZACIONAL 126

rir recursos e legitimidade extras para as com implicações muito diferentes para os
organizações (Miner et al., 1990; Baum e estudos das organizações, essas visões não
Oliver, 1991). Assim como a performance são fundamentalmente incompatíveis. En-
não mensurada, a variação não mensurada quanto a teoria ecológica enfatiza a predo-
da suscetibilidade aos riscos da mudança minância da seleção sobre a adaptação, a
podem causar especificações viesadas nas complementaridade dos efeitos adaptativos
estimativas do modelo. e ecológicos é claramente refletida na pes-
quisa revisada aqui. As pesquisas nas Tabe-
Variação de tipo interna - A ênfase eco- las 8 e 9 não parecem sustentar a hipótese
lógica ao processo de mudança tem resulta- ecológica com firmeza: organizações mu-
do numa menor atenção dada pelos pesqui- dam freqüentemente em resposta a mudan-
sadores ecológicos ao conteúdo da mudan- ças ambientais, e quase sempre sem nenhum
ça. Embora categorias abrangentes de mu- efeito prejudicial. Além disso, as taxas de
dança estejam sendo diferenciadas, de acor- mudança em geral não são compelidas pela
do com seu conteúdo (veja Tabelas 9 e 10), idade e tamanho, conforme previsto pela
todas as instâncias de uma categoria de Teoria da Inércia Estrutural. Ao mesmo tem-
mudança em particular são tipicamente con- po, contudo, em contraste com uma forte
sideradas equivalentes. Enquanto essa hipó- visão de adaptação, as conseqüências da
tese pode fornecer uma aproximação inici- mudança para a sobrevivência parecem mais
al razoável, para muitos tipos de mudança ligadas a buscas aleatórias do que a uma
podem existir diferenças de tipo interno, ação estrategicamente calculada (Baum e
com substanciais implicações sobre a sobre- Singh, 1996; Delacroix e Swaminathan,
vivência. Uma dessas diferenças é a varia- 1991). Analisados em conjunto, os resulta-
ção de tipo interna no efeito das mudanças dos sugerem uma relação complexa entre
sobre a intensidade da competição (Baum e adaptação e seleção: porque a mudança
Singh, 1996). Por exemplo, dependendo de organizacional pode afetar o fracasso
como as ações específicas de uma organiza- organizacional, o resultado ao nível de po-
ção alteram o tamanho de seu domínio re- pulação resultante de processos de adapta-
lativamente ao tamanho do número de or- ção e seleção combinados não é a simples
ganizações que competem nesse domínio, agregação de cada processo separadamen-
as atividades de diversificação da organiza- te. Estudando as transformações das popu-
ção podem aumentar, diminuir ou deixar lações organizacionais durante os períodos
inalterada a intensidade da competição que de rápida mudança ambiental, podem-se
a organização enfrenta. Baum e Singh abrir as janelas para a oportunidade de exa-
(1996) mostram que os efeitos de mudan- minar mais de perto as ligações entre as
ças no domínio do mercado (tanto de ex- perspectivas de adaptação e seleção na mu-
pansão quanto contração) sobre a sobrevi-
vência das creches dependem de como as
mudanças afetam a intensidade da compe-
tição: mudanças que diminuem a intensi-
dade da competição melhoram as chances
de sobrevivência organizacional, enquanto
aquelas que aumentam a intensidade da
competição diminuem as chances de sobre-
vivência. Desse modo, ao incorporar a va-
riação de tipo interno nos efeitos da mu-
dança, pode-se ajudar a explicar alguns re-
sultados anteriores confusos nos estudos das
conseqüências adaptativas da mudança or-
ganizacional.

Reconciliando
adaptação e seleção

Embora as visões adaptativa e ecoló-


gica sejam freqüentemente apresentadas
como alternativas mutuamente exclusivas,
I 127 PARTE 1 - MODELOS DE ANÁLISE_________________________

dança organizacional (Levinthal, 1994; também não resolveram esses problemas.


McKelvey, 1994). Muito poucas análises das Partindo de um ponto conceituai, enquanto
mudanças no nível organizacional exploram exemplos de inconsistências na lógica inter-
essas experiências naturais (para exceções, na são incomuns na teoria ecológica (mas
veja Ginsberg e Buchholtz, 1990). veja Young, 1988), muitos casos de ambi-
Como Hannan e Freeman (1977: 930) güidade conceituai aparecem. Questões são
apontam, um tratamento completo das re- freqüentemente levantadas sobre o signifi-
lações ambiente-organização deve cobrir cado e definição de conceitos centrais da
tanto adaptação como seleção. Agora é o teoria, tais como organização, população,
momento para expandir as fronteiras das fundação, fracasso e legitimidade (Astley,
perspectivas ecológicas e adaptativas para 1985; Carroll, 1984a; Rao, 1993; 1994;
criar uma abordagem combinada que veja McKelvey, 1982; Young, 1988). Para ser jus-
processos de adaptação e seleção como com- to, estas ambigüidades não são exclusivas
plementares e interagentes. Expandindo o da ecologia organizacional, mas endêmicas
estudo da mudança organizacional dessa para os estudos das organizações (Tucker,
maneira, criar-se-á uma estrutura conceituai 1994). Outra fonte recorrente de problemas
que considere seriamente a ocorrência de conceituais é a validade metodológica dos
processos de seleção e a combine com o es- testes das hipóteses teóricas. Uma área de
tudo sistemático das mudanças no nível debate freqüente é a adequação de inferir-
organizacional, que podem, sob certas con- se processo de legitimação com base nas
dições, ser adaptativas. estimativas de densidade da população, em
vez de medir-se o constructo subjacente
mais diretamente (Baum e Powell, 1995;
PROGRESSOS, PROBLEMAS E Delacroix e Rao, 1994; Hannan e Carroll,
DIREÇÕES FUTURAS 1992; Zucker, 1989). Em parte, esse proble-
ma se origina do uso em larga escala, pela
Como essa revisão mostra, a ecologia ecologia organizacional, de bancos de da-
organizacional é uma subdisciplina vital dos dos históricos nos quais, por necessidade,
estudos das organizações, onde a pesquisa medidas são freqüentemente removidas dos
tem-se proliferado constantemente e onde conceitos. A pesquisa sobre a dependência
a sofisticação metodológica tem aumenta-
do. Mas no que a ecologia organizacional
contribui para o progresso dos estudos
organizacionais? Uma forma de responder
a essa questão é examinar quais problemas
a ecologia organizacional resolve (Lauden,
1984; Tucker, 1994). De acordo com Lauden
(1984 : 15), teorias científicas devem resol-
ver dois tipos de problemas: (1) problemas
empíricos, que são questões substantivas
sobre os objetos (isto é, organizações), que
constituem ser domínio de pesquisa; e (2)
problemas conceituais que incluem questões
sobre a consistência lógica interna e ambi-
güidade conceituai de teorias desenvolvidas
para resolver problemas empíricos, bem
como a validade metodológica dos testes dos
argumentos teóricos. Dessa perspectiva, a
contribuição da ecologia organizacional
para o progresso pode ser definida em ter-
mos de sua capacidade para acumular pro-
blemas empíricos resolvidos, enquanto mini-
miza o escopo de problemas empíricos e
conceptuais não resolvidos.
Conforme revelado nessa revisão, a
ênfase básica da ecologia organizacional é
o desenvolvimento de explicações teóricas
para problemas empíricos específicos. Em-
bora a ecologia organizacional tenha avan-
çado no conhecimento sobre amplo espec-
tro de problemas empíricos, poucos (se al-
gum) destes podem ser considerados defi-
nitivamente resolvidos. É claro que outras
subdisciplinas de estudos organizacionais
ecologia organizacional 128

da idade, e em menor grau aquela sobre generalidade pode "esconder" muitos pro-
dependência de tamanho, também sofre blemas-chaves de ecologia organizacional.
com o problema. Conseqüentemente, ao sacrificar alguma
Embora problemas empíricos não re- generalidade por maior precisão e realismo,
solvidos e problemas conceituais não sejam os ecólogos organizacionais podem ser ca-
incomuns em áreas novas e emergentes da pazes de começar a resolver alguns desses
pesquisa científica, quanto mais tempo os problemas. A pesquisa que adota essa es-
problemas - especialmente, problemas tratégia de solução de problema tem con-
conceptuais - permanecem sem solução, tribuído para a literatura em pelo menos três
maior torna-se sua importância nos deba- maneiras. Primeiro, as elaborações do mo-
tes sobre a veracidade da teoria que a ge- delo de dependência da densidade (veja
rou (Lauden, 1984 : 64-66). O que produz Tabela 5) ajudam a aumentar tanto a preci-
os problemas da ecologia organizacional? são da mensuração, por exemplo, medindo
Embora ecólogos organizacionais gostariam os processos subjacentes de competição e
que suas teorias fossem generalizáveis en- legitimação ou diferenciadamente ou mais
tre populações organizacionais, maximi- diretamente (Baum e Oliver, 1992; Baum e
zassem o realismo de contexto e a precisão Singh, 1994b; 1994c), ou realismo contex-
na mensuração das variáveis, de fato, ne- tual, por exemplo, ao incorporar as caracte-
nhuma teoria pode ser geral, precisa e rea- rísticas específicas da população tais como
lista ao mesmo tempo (McGrath, 1982; distribuições do tamanho organizacional ou
Puccia e Levins, 1985; Singh, 1993). Teori- estruturas de nicho de mercado no modelo
as devem, portanto, sacrificar algumas di- (Barnett e Amburgey, 1990; Baum e Mezias,
mensões para maximizar outras. Por exem- 1992; Baum e Singh, 1994b; 1994c). Se-
plo, teorias realistas podem ser aplicadas a gundo, as análises ecológicas que incorpo-
somente um domínio limitado, enquanto ram processos tecnológicos e institucionais
teorias gerais podem ser imprecisas ou en- ajudam a melhorar o realismo contextual,
ganadoras para aplicações específicas. ligando processos ecológicos em populações
Ecólogos organizacionais parecem favore- organizacionais a processos históricos nos
cer a decisão entre precisão e realismo pela ambientes circunvizinhos (Barnett, 1990;
generalidade. Por exemplo, precisão e rea- Barnett e Carroll, 1993; Tucker et al., 1990a;
lismo são claramente sacrificados pela ge- Singh et al., 1991). Terceiro, a pesquisa
neralidade na teoria da dependência da den- que enfatiza uma precisão de mensuração
sidade e na teoria da inércia estrutural. Isto maior esclarece as causas subjacentes da de-
é menos verdadeiro na teoria de extensão pendência de tamanho e idade nas taxas de
de nicho e no modelo de particionamento fracasso organizacional (Singh et al., 1986;
de recursos.
Por um lado, essa estratégia de pes-
quisa produz a principal força da ecologia
organizacional: a acumulação de uma for-
ça de evidência empírica comparável a situ-
ações organizacionais diversas num espec-
tro de problemas empíricos sem paralelo nos
estudos das organizações. Por outro lado,
ela também cria uma maior fraqueza: o
grande conjunto de coeficientes de medi-
das indiretas, tais como tamanho, idade e
densidade da população, revela pouco so-
bre as explicações teóricas desenhadas para
justificar os problemas empíricos de interes-
se. Isto cria problemas conceituais ao pro-
mover ceticismo a respeito da veracidade
do processo subjacente inferido, porque os
resultados ajustados não podem ser preci-
samente interpretados, criando problemas
empíricos não solucionados ao dificultar a
explicação teórica de resultados não ajusta-
dos.
Então, o sacrifício do realismo contex-
tual e da precisão de medidas em favor da
I 129 parte i - modelos df analise ___________________________

Baum e Oliver, 1991). Medidas mais robus- quanto o autor era Professor Assistente em
tas no nível organizacional são necessárias Administração na Stern School of Business,
para estabelecer mais precisamente as na New York University.
microfundamentações da teoria ecológica.
Meu ponto de vista é que agora temos 1. Sou grato a Jim Ranger-Moore pelo uso do título
desta seção, que é o título de seu manuscrito de
testes indiretos mais do que suficientes das
1991.
teorias gerais e que a resolução de proble-
mas e o progresso em ecologia organi-
zacional podem ser ampliados, movendo-
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
se em direção a uma maior precisão e rea-
lismo na teoria e na pesquisa. Isto significa
ABERNATHY, William. The productivity dilemma.
ficar mais próximo dos problemas da pes-
Baltimore, MD : Johns Hopkins University
quisa. A proximidade pode adicionar realis- Press, 1978.
mo e revelar aspectos importantes do fenô-
ALDRICH, Howard E. Organizations and
meno que pesquisadores ecológicos distan- environments. Englewood Cliffs, NJ :
ciados não podem detectar. Isto também sig- Prentice-Hall, 1979.
nifica o foco maior sobre as anomalias. Re-
______ , AUSTER, Ellen R. Even dwarfs started
sultados que são inconsistentes uns com os small: liabilities of age and size and their
outros ou com a explicação teórica são co- strategic implications. Research in
muns em ecologia organizacional. O enten- Organizational Behavior, 8: 165-198.
dimento dessas anomalias é crucial para Greenwich, CT : JAI Press, 1986.
especificar as condições sob as quais as vá- ______ , FIOL, Marlene C. Fools rush in? The
rias previsões sustentam e aumentam a pre- institutional context of industry creation.
cisão. Significa também a formulação de Academy of Management Review, 19: 645-
novos tipos de questões de pesquisa que 670,
desenvolvam conexões com outras linhas de 1994.
pesquisa na teoria das organizações e rela- ______ , PFEFFER, Jeffrey. Environments of
cione os processos micro e macro. Uma co- organizations. Annual Review of Sociology, 2:
nexão desse tipo na qual algum trabalho já 79-105, 1976.
se iniciou é a especificação dos impactos da
dinâmica ecológica das organizações sobre
os empregos e pessoas (Haveman e Cohen,
1994; Korn e Baum, 1994). Finalmente, isto
significa deixar os problemas de pesquisa
dirigirem a escolha da modelagem da pes-
quisa e metodologia e não o contrário. Para
algumas questões específicas, a história
organizacional será mais apropriada do que
a história de uma população inteira.
Ecólogos organizacionais necessitam come-
çar a planejar estudos e usar métodos que
capacitem melhor as questões de pesquisa
a serem respondidas. Em alguns casos, isto
pode requerer o uso de métodos múltiplos
- qualitativo tanto quanto quantitativo. A
alteração da orientação de pesquisa ecoló-
gica nessas direções pode ajudar a concluir
mais sobre a grande contribuição potencial
da ecologia organizacional para a teoria e
pesquisa nos estudos das organizações, bem
como para a prática na política pública, ad-
ministração e empreendimentos.

NOTAS

Por valiosas discussões, conversas e


comentários, eu gostaria de agradecer a
Howard Aldrich, Terry Amburgey, Jack
Brittain, Charles Fombrun, Raghu Garud,
Heather Haveman, Kathy Hick, Paul Ingram,
Helaine Korn, Walter Nord, Jim Ranger-
Moore, Woody Powell, Huggy Rao, Lori
Rosenkopf, Kaye Schoonhoven, Jitendra
Singh, Bill Starbuck e Anand Swaminathan.
Este capítulo foi escrito, parcialmente, en-
I 130 PARTE I ~ MODELOS DE ANÁLISE

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de Meyer e Rowan (1977), proliferaram sido dada à conceitualização e à espe-
análises organizacionais baseadas em uma cificação dos processos de instituciona-
perspectiva institucional. Trabalhos sob a lização (a respeito, ver DiMaggio, 1991;
bandeira da teoria institucional têm inves- Strang e Meyer, 1993; e Rura e Miner, 1994,
tigado vasta gama de fenômenos, desde a com relatos de progressos recentes nesta
expansão de políticas de pessoal específicas direção).
(Tolbert e Zucker, 1983; Baron et al., 1986; Conforme notado no trabalho ante-
Edelman, 1992) à redefinição fundamen- rior de Zucker (1977), que se concentrava
tal da missão organizacional e de suas es- nas conseqüências de níveis de instituciona-
truturas (DiMaggio, 1991; Fligstein, 1985), lização diferenciados, a institucionalização
até a formulação de políticas nacionais e in- aparece tanto como processo quanto como
ternacionais por organizações governamen- variável-atributo. Isso deve-se, talvez, por
tais (Strang, 1990; Zhou, 1993). No entan- seu trabalho ter sido baseado em amostra
to, ironicamente, a abordagem institucio- de pequenos grupos, muito embora, na
nal ainda há que se tornar institucio- maioria das análises organizacionais, não
nalizada. Há pouco consenso sobre a defi- tenha sido utilizada uma abordagem para a
nição de conceitos-chave, mensurações ou institucionalização baseada em processo.
métodos no âmbito desta tradição teórica. Pelo contrário, a institucionalização é qua-
Ao contrário da ecologia populacional, com se sempre tratada como um estado qualita-
suas medidas padronizadas de densidade, tivo: ou as estruturas são institucionalizadas
a teoria institucional ainda não desenvol- ou não o são. Conseqüentemente, negligen-
veu um conjunto central de variáveis-pa- ciam-se importantes questões sobre os fato-
drão, não tem metodologia de pesquisa pa- res determinantes das variações nos níveis
dronizada nem tampouco conjunto de mé-
todos específicos. Os estudos têm-se basea-
do em uma variedade de técnicas que in-

* Tradução: Humberto Falcão Martins e Regina


Cardoso.
Revisão técnica: Marcelo Milano Falcão Vieira e
Roberto Fachin .

cluem estudos de caso, regressão múltipla,


modelos longitudinais de vários tipos, en-
tre outras (veja também Davis e Powell,
1992; Scott e Meyer, 1994). Nossa revisão
da literatura sugere uma importante origem
para esta variedade de abordagens: a des-
peito do considerável conjunto de trabalhos
identificados como parte desta tradição,
140 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

de institucionalização, e sobre como tais va- sem qualquer reflexão ou resistência com-
riações podem afetar o grau de similarida- portamental, sem questioná-las, unicamen-
de entre conjuntos de organizações. te baseados em seus interesses particulares
Neste capítulo, analisamos estas ques- (veja Wrong, 1961). Sugerimos que estes
tões oferecendo uma abordagem teórica dois modelos gerais devem ser tratados não
específica dos processos de instituciona- como opostos, mas representando dois pó-
lização. Começamos apresentando um bre- los de um continuum de processos de toma-
ve panorama histórico da pesquisa e da teo- das de decisão e comportamentos. Deste
rização sociológica em organizações em modo, um problema-chave para a teoria e a
meados da década de 70. Esta visão geral pesquisa é especificar as condições sob as
pretende não só esclarecer as ligações entre quais o comportamento aproximar-se-á de
a teoria institucional e a precedente tradi- um lado ou outro deste continuum. Em sín-
ção sociológica sobre estrutura organiza- tese, precisa-se de teorias que clarifiquem
cional, como, também, contextualizar a quando há probabilidade da racionalidade
compreensão a respeito da aceitação, por ser mais ou menos limitada. A clarificação
parte dos estudiosos de organizações, do dos processos de institucionalização propor-
quadro explanatório da teoria institucional ciona um ponto de partida útil para a ex-
no final da década de 70. A seção seguinte ploração dessa questão.
examina a exposição inicial da teoria no ar-
tigo original de Meyer e Rowan (1977), con-
centrando-se no modo como este desafiou ANÁLISES SOCIOLÓGICAS DAS
as tradições teóricas e empíricas então do- ORGANIZAÇÕES: AS ORIGENS DA
minantes na pesquisa organizacional. Apon-
tamos uma aparente ambigüidade lógica
TEORIA INSTITUCIONAL
nessa formulação, que envolve a condição
fenomenológica de arranjos estruturais que Análises funcionalistas das
são os objetos dos processos de institu- organizações
cionalização. No restante do capítulo, ofe-
recemos um modelo geral dos processos de O estudo das organizações tem uma
institucionalização, com o propósito de es- história relativamente curta dentro do cam-
clarecer essa ambigüidade e de elaborar as po da Sociologia. Antes do trabalho de
implicações lógicas e empíricas de uma ver- Robert Merton e seus discípulos, no fim da
são da teoria institucional baseada na feno- década de 40, as organizações não eram
menologia, originada por Zucker. Finalmen- propriamente reconhecidas pelos sociólogos
te, com base nessa análise, consideramos americanos como um fenômeno social dis-
uma variedade de questões que requerem
desenvolvimento teórico adicional e estudo
empírico.
Nossos principais objetivos nesse es-
forço são dois: classificar as contribuições
teóricas da teoria institucional para a análi-
se organizacional e também avançar nesta
perspectiva teórica a fim de melhorar sua
utilização em pesquisa empírica.' Há, tam-
bém, um objetivo mais geral e mais ambi-
cioso, que é o de construir uma ponte entre
os dois modelos distintos de ator social
subjacentes à maioria das análises organi-
zacionais, aos quais nos referiremos como
modelo do ator racional e modelo institu-
cional. O primeiro baseia-se na premissa de
que indivíduos estão constantemente envol-
vidos em cálculos dos custos e benefícios das
diferentes alternativas de ação e que o com-
portamento segue critérios de maximização
de utilidade (Coleman, 1990; Hechter,
1990). No segundo modelo, ao contrário,
pressupõe-se que indivíduos "sobre-sociali-
zados" aceitam e seguem normas sociais,
A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA TEORIA INSTITUCIONAL 141

tinto, merecedor de estudo próprio. Embo- rico geral, o exame empírico das relações
ra organizações tenham, certamente, sido entre os elementos da estrutura organiza-
objeto de estudo por sociólogos antes do cional era um foco natural de estudo.
advento da análise funcionalista (veja, por A segunda premissa é a de que as es-
exemplo, o trabalho de teóricos americanos truturas existentes contribuem para o fun-
associados à escola de Chicago: Park, 1922; cionamento de um sistema social, pelo me-
Thomas e Znaniecki, 1927), tais estudos tra- nos para a manutenção de seu equilíbrio,
tavam as organizações mais propriamente pois, de outro modo, o sistema não sobrevi-
como aspectos de problemas sociais gerais, veria. Uma implicação desta premissa, men-
tais como desigualdade social, relações cionada por Merton (1948), é que a mu-
intercomunitárias, desvio social etc; o foco dança provavelmente ocorre quando as dis-
da análise não estava nas organizações en- funções associadas a determinado arranjo
quanto organizações. A despeito do papel- institucional excedem às contribuições fun-
chave atribuído por Weber (1946) e Michels cionais daquele arranjo. Esse raciocínio le-
(1962) às organizações formais em suas vou a um interesse explícito na identifica-
análises sobre a ordem industrial, a noção ção das conseqüências funcionais e disfun-
de que organizações, nos processos sociais cionais de certos arranjos estruturais.2
modernos, são atores sociais independen-
tes não foi amplamente reconhecida até o
trabalho pioneiro de Merton e seus colegas Análises quantitativas da co-
(veja Coleman, 1980; 1990). Conforme será variação estrutural
explorado mais adiante, considera-se tanto
atores organizacionais quanto individuais A busca do primeiro problema, ou seja,
como potenciais criadores de nova estrutu- o exame das inter-relações entre elementos
ra institucional (Zucker, 1988). (Veja tam- estruturais estabeleceu as bases para uma
bém a discussão de DiMaggio de 1988 so- linha geral de pesquisa que veio a dominar
bre empreendedores institucionais.) e definir os estudos sociológicos de organi-
O interesse inicial de Merton (1948)
no estudo das organizações parece ter sido
direcionado primeiramente por preocupa-
ção com o teste empírico e o desenvolvimen-
to de uma lógica geral da teoria social
funcionalista. As organizações, vistas como
sociedades em microcosmos, ofereciam a
oportunidade de condução do tipo de pes-
quisa comparativa necessária ao exame
empírico dos princípios funcionalistas (veja
Selznick, 1949; Gouldner, 1950; Blau,
1955). Desse modo, uma das maiores mar-
cas produzidas pela análise de organizações
realizadas por Merton e seus alunos foi o
foco na dinâmica da mudança social, uma
questão que a teoria funcionalista tem sido
freqüentemente acusada de negligenciar
(Turner, 1974).
A preocupação com a mudança se re-
fletia em dois objetivos principais, que fo
ram as características marcantes dos estu-
dos organizacionais na tradição funcio-
nalista: o exame da natureza da "co-varia-
ção" entre diferentes elementos da estrutu-
ra, e a avaliação do equilíbrio dinâmico en-
tre os efeitos benéficos e disfuncionais de
determinados arranjos estruturais. Tais ob-
jetivos referem-se diretamente às duas
premissas-chave encrustradas na teoria fun-
cionalista a respeito de requisitos de sobre-
vivência de coletividades sociais.
A primeira premissa é a de que os com-
ponentes estruturais de um sistema devem
ser integrados para que o sistema sobrevi-
va, uma vez que os componentes são partes
inter-relacionadas do todo. Um corolário
derivado desse pressuposto principal é que
uma mudança em um componente estrutu-
ral requer mudanças adaptativas em outros
componentes. Assim, dado este quadro teó-
142 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

zações para as próximas duas décadas. Essa outras organizações. Ao enfatizar o papel
linha de pesquisa foi cada vez mais caracte- determinante de considerações de poder
rizada por análises quantitativas de co- para explicar a estrutura das organizações
variância entre os elementos da estrutura (veja Thompson e McEwen, 1958), desafia-
organizacional formal, e por explicações va abordagens teóricas dominantes que fo-
essencialmente econômicas destas co-varia- calizavam, em grande parte ou exclusiva-
ções. A rápida ascendência desta abordagem mente, os aspectos da eficiência da produ-
na análise organizacional reflete principal- ção. No entanto, na linha de trabalhos an-
mente sua afinidade com tradições de pes- teriores, uma abordagem voltada para a
quisa organizacional já estabelecidas no dependência de recursos também estava
campo da "ciência administrativa", na épo- presente, implicitamente ligada ao modelo
ca em que os sociólogos voltaram sua aten- decisório do ator racional, embora, nesse
ção para o estudo da burocracia (Follett, modelo, o comportamento dos atores esti-
1942; Fayol, 1949; Gulick e Urwick, 1937; vesse baseado em cálculos voltados para a
Woodward, 1965). Considerava-se que a maximização do poder e da autonomia em
estrutura formal refletia os esforços racio- lugar da eficiência pura. A influência de pro-
nais dos decisores no sentido de maximizar cessos sociais, tais como a imitação ou a
a eficiência, assegurando-se coordenação e conformidade normativa, que poderiam re-
controle de atividades de trabalho. Assim, a duzir ou limitar o processo decisório autô-
descoberta de uma relação positiva entre nomo, era amplamente ignorada.
tamanho e complexidade era explicada em
termos da: (a) necessidade e capacidade de
organizações maiores buscarem especializa- ESTRUTURAS FORMAIS COMO
ção visando ao aumento da eficiência; (b)
relação entre complexidade e tamanho do
MITO E CERIMÔNIA
componente administrativo em termos do
crescimento da necessidade de supervisão Propriedades simbólicas da
para lidar com problemas de coordenação estrutura
decorrentes da especialização etc.3
A pesquisa organizacional mudou seu A análise feita no já clássico artigo de
foco no fim dos anos 60 para incluir consi- Meyer e Rowan (1977) ofereceu, portanto,
derações sobre os efeitos das forças ambien- uma mudança radical nos modos conven-
tais na determinação da estrutura, mas o
quadro explanatório básico funcionalista/
econômico foi mantido na maioria dos tra-
balhos (veja, por exemplo, Thompson, 1967;
Lawrence e Lorsch, 1967). Apesar do domí-
nio dessa abordagem na análise e na expli-
cação da estrutura organizacional formal
(ou talvez por causa dela), esse paradigma
esteve sujeito a críticas crescentes no come-
ço dos anos 70. Em parte, um crescente ce-
ticismo refletia a ausência geral de desco-
bertas empíricas cumulativas feitas por tra-
balhos nessa tradição (Meyer, 1979). O
amplo renascimento e reavaliação da apli-
cabilidade geral de argumentos desenvolvi
dos anteriormente por Barnard (1938),
Simon (1947), e March e Simon (1957),
enfatizando os limites da racionalidade dos
decisores, pode também ter ajudado a esta-
belecer as bases para a aceitação de para-
digmas alternativos (Weick, 1969).
Refletindo a crescente insatisfação com
explicações tradicionais da estrutura formal,
um novo enfoque às relações organização-
ambiente, chamado dependência de recur-
sos (Pfeffer e Salancik, 1978), tornou-se
cada vez mais proeminente na década de
70. Esta perspectiva concentrava sua aten-
ção no interesse dos decisores em manter
autonomia e poder organizacionais sobre
I 143 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE _____________________

cionais de pensar a estrutura formal e a na- causais de estrutura. Primeiramente, no que


tureza da decisão organizacional por meio se refere aos determinantes da estrutura, a
da qual se produz a estrutura. Sua análise atenção é dirigida para influências externas
foi guiada por uma idéia-chave, qual seja: não relacionadas ao processo de produção
as estruturas formais têm tanto proprieda- real, tais como mudanças na legislação e o
des simbólicas como capacidade de gerar desenvolvimento de sólidas normas sociais
ação. Em outras palavras, as estruturas po- dentro da rede organizacional. Ao fazer isto,
dem ser revestidas de significados social- questionou-se a importância relativa de ca-
mente compartilhados e então, além das racterísticas organizacionais internas, tais
funções "objetivas", podem servir para in- como tamanho e tecnologia, tradicionalmen-
formar um público tanto interno quanto te investigadas como fontes de estrutura
externo sobre a organização (Kamens, formal. O argumento também sugeria indi-
1977). Explicar as estruturas formais deste retamente modos alternativos de interpre-
ponto de vista proporcionou aos pesquisa- tar tais características (como, por exemplo,
dores organizacionais a oportunidade de ex- indicadores tanto da visibilidade das orga-
plorar um amplo espectro de novas idéias nizações junto ao público em geral como das
sobre as causas e conseqüências da estrutu- redes organizacionais).
ra. Mais ainda, em termos de conseqüên-
A noção de que organizações têm as- cias ou resultados, o argumento resultou em
pectos simbólicos não era totalmente nova: ênfase na adoção de arranjos estruturais
vários autores, ao especificarem missões da específicos que haviam adquirido significa-
organização, arranjos estruturais ou estu- do social, tais como políticas formais de
darem os membros do alto escalão orga- contratação, práticas de contabilidade e de
nizacional, acentuaram as funções simbóli- orçamento e cargos ou funções associadas
cas que representavam (Clark, 1956; à eqüidade no emprego. Isso resultou num
Selznick, 1957; Zald e Denton, 1963). Na questionamento sobre a utilidade dos esfor-
tradição funcionalista, dizia-se que tais ele- ços teóricos e empíricos existentes destina-
mentos eram críticos para assegurar apoio
ambiental por meio da demonstração de
consistência entre os valores centrais da or-
ganização e aqueles da sociedade maior
(Parsons, 1956; 1960). A contribuição de
Meyer e Rowan a esse primeiro trabalho
repousa em seu esforço sistemático para
compreender as implicações do uso da es-
trutura formal para propósitos simbólicos,
particularmente no sentido de ressaltar as
limitações de explicações de cunho mais ra-
cional da estrutura.

Implicações

Baseada na noção de que uma estru-


tura formal pode sinalizar comprometimen-
to com padrões eficientes e racionais de or-
ganização e, portanto, atingir "aceitação"
social geral (Scott e Lyman, 1968), a análi-
se de Meyer e Rowan especificou três gran-
des implicações dessa noção. A primeira é a
de que a adoção da estrutura formal pode
ocorrer independentemente da existência de
problemas específicos e imediatos de coor-
denação e controle relativas às atividades
de seus membros.
'As organizações são levadas a in-
corporar as práticas e procedimentos
defi-
nidos por conceitos racionalizados de tra-
balho organizacional prevalecentes e ins-
titucionalizados na sociedade. Organiza-
ções que fazem isto aumentam sua legiti-
midade e suas perspectivas de
sobrevivên-
cia, independentemente da eficácia ime-
diata das práticas e procedimentos adqui-
ridos" (1977 : 340).
Este argumento desafiou os diversos
aspectos dos então dominantes modelos
144 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

dos à conceitualização e medição de estru- nas frouxamente ligados entre si e às ati-


turas em termos gerais e abstratos, tais como vidades, normas são freqüentemente vio-
formalização, complexidade e centralização. ladas, decisões não-implementadas, ou, se
Uma segunda grande implicação apon- implementadas, têm conseqüências incer-
tas, tecnologias são de eficiência proble-
tada pela análise de Meyer e Rowan é que a
mática, e sistemas de avaliação e inspeção
avaliação social das organizações e, conse- são subvertidos ou tornados tão vagos de
qüentemente, de sua sobrevivência, pode modo a garantir pouca coordenação.
estar na observação das estruturas formais (1977 : 342)
(que pode ou não funcionar de fato), em
vez de estar nos resultados observáveis re- Essa implicação também representa
lacionados ao desempenho das tarefas em um desafio às explicações tradicionais so-
questão. bre estrutura, as quais, ao tratar as estrutu-
ras formais como meios para coordenação
Assim, o sucesso organizacional de- e controle de atividades, assumiram, neces-
pende de fatores que vão além da eficiên- sariamente, uma conexão estreita entre as
cia na coordenação e controle das ativida-
estruturas e os comportamentos dos mem-
de de produção. Independentemente de
bros da organização.
sua eficiência produtiva, organizações
inseridas em ambientes institucionais al-
tamente elaborados legitimam-se e ga-
nham os recursos necessários a sua sobre-
vivência se conseguirem tornar-se
AMBIGÜIDADES NA
isomór- TEORIA INSTITUCIONAL
ficas nos ambientes (1977 : 352).
Essa afirmação contradiz frontalmen- Ao traçar esta última implicação,
te premissas subjacentes orientadas para o Meyer e Rowan desvinculam estrutura for-
mercado ou, pelo menos, para o desempe- mal e ação, definindo implicitamente estru-
nho, das funções da estrutura formal, que turas institucionais como aquelas que estão
foram dominantes nos trabalhos anteriores: sujeitas a tal desvinculação. No entanto,
(1) que organizações ineficientes em termos anteriormente, usaram o conceito de estru-
de produção seriam eliminadas por meio de turas institucionais do mesmo modo que
um processo de competição interorgani- Berger e Luckmann (1967) e Zucker (1977):
zacional; e (2) que as correlações entre uma estrutura que se tornou institucio-
medidas de estrutura formal e nas caracte- nalizada é a que é considerada, pelos mem-
rísticas tais como tamanho e tecnologia re- bros de um grupo social, como eficaz e ne-
sultariam então, da sobrevivência de orga- cessária; ela serve, pois, como uma impor-
nizações cuja forma condizia com as deman-
das de seus ambientes de produção. Embo-
ra tais suposições estivessem na base da
maioria das análises quantitativas sobre os
determinantes das estruturas, elas eram
freqüentemente explícitas apenas em estu-
dos que tratavam diretamente da eficácia
organizacional (Goodman e Pennings,
1977). A noção de que as organizações po-
deriam sobreviver, mesmo tendo baixo de-
sempenho implicava na possibilidade, exis-
tência e permanência de organizações em
"constante fracasso" (Meyer e Zucker, 1989),
ou seja, organizações que sobrevivem a des-
peito de ineficiências evidentes que, pela
lógica, deveriam levá-las ao fracasso.
Finalmente, a terceira grande impli-
cação, originada pelo trabalho de Meyer e
Rowan, foi que a relação entre atividades
do dia-a-dia e os comportamentos dos mem-
bros da organização e das estruturas formais
pode ser negligenciada:
Na maior parte das vezes, as orga-
nizações formais estão frouxamente agru-
padas (...) elementos estruturais estão
ape-
A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA TEORIA INSTITUCIONAL 145

tante força causai de padrões estáveis de temas de regras (...) [que levam a uma ên-
comportamento. fase no] fluxo de recompensas e sanções"
Isso cria uma ambigüidade inerente no (1994 : 98). Nessa abordagem não se per-
argumento fenomenológico de Meyer e cebe, no entanto, nitidez entre as fronteiras
Rowan, pois a própria definição de "institu- das teorias de dependência de recursos e a
cionalizado" contradiz a alegação de que institucional, obscurecendo, desse modo, a
estruturas institucionais são passíveis de ser autêntica contribuição teórica desta última
desvinculadas do comportamento. Para ser para a análise organizacional em particu-
institucional, a estrutura deve gerar uma lar.
ação. Segundo argumento de Giddens Para ilustrar essa questão, é interes-
(1979), uma estrutura que não se traduz sante fazer uma comparação entre estudos
em ação é, fundamentalmente, uma estru- recentes baseados na teoria institucional e
tura "não-social". Geertz (1973 : 17) toca estudos anteriores no âmbito conceituai da
numa tecla semelhante: "Acessamos siste- dependência de recursos. Usando uma pers-
mas simbólicos somente por meio do fluxo pectiva institucional para examinar os efei-
do comportamento - ou, mais precisamen- tos de leis e políticas governamentais sobre
te, da ação social." estruturas de emprego, Sutton et al. argu-
A discussão sobre a desvinculação en- mentam:
tre estrutura e ação lembra a definição de "Confrontados com um ambiente
Goffman (1959) de estruturas instituciona- le-
lizadas;* a crença na eficácia e na necessi- gal aparentemente hostil, os empregado-
dade de tais estruturas está sujeita a con- res adotam procedimentos institucionali-
trovérsias; as estruturas, porém, são, ainda zados, legalmente reconhecidos para evi-
assim, vistas como servindo a um útil pro- tar possíveis litígios, bem como demons-
pósito de apresentação. Daí resulta que a trar conformidade adequada, de boa-fé,
tais estruturas fundamentais falte legitimi- com as determinações governamentais".
(1994 : 946)
dade normativa e cognitiva (Delia Fave,
1986; Walker et al., 1986; Stryker, 1994; Do mesmo modo, Edelman sugere que
Aldrich e Fiol, 1994), não sendo elas, de as organizações que constróem estruturas
modo algum, sinais reais de intenções formais como gestos simbólicos de confor-
subjacentes. Segundo definições-padrão do mação com a política governamental são
termo, no entanto, há dúvida sobre o fato
de tais estruturas poderem ser apropriada-
mente descritas como institucionalizadas.

Dependência de recursos versus


processos institucionais

Ademais, a ambigüidade inerente a


esta visão de mudança estrutural nas orga-
nizações leva a uma confusão fundamental
entre as teorias institucional e a teoria de

* "Bastidores/palco" Çbackstage/frontstage', na obra


original de Goffmann. (N.T.)

dependência de recursos (Zucker 1991 :


104). Scott (1987 : 497) argumentou que
uma mudança na teoria institucional no sen-
tido de explicar as "fontes ou loci de 'pres-
crições racionalizadas e impessoais'", em vez
de explicar as "propriedades de sistemas de
crenças generalizadas", tem a vantagem de
aumentar o quadro explicativo das estrutu-
ras formais. Inclui-se, nesse quadro, a con-
formidade das organizações com as deman-
das de atores externos, a fim de obter os
recursos necessários para sua sobrevivência.
Mais recentemente, Scott formulou: "Boa
parte da pesquisa empírica e teórica sobre
instituições está corretamente direcionada
a agências regulatórias (...) que exercem
poderes legítimos de formular e aplicar sis-
146 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

"menos sujeitas a provocar protestos, na fir- (generalizado) de que é negligenciável seu


ma, de classes protegidas de empregados, efeito no comportamento dos indivíduos. A
ou de membros da comunidade que procu- persistência de tal contradição no entendi-
ram emprego (...) e, muito provavelmente, mento cultural (isto é, que estruturas signi-
assegurarão mais recursos governamentais ficam comprometimento com alguma ação;
(contratos, dotações etc.) e (...) serão me- e que estruturas podem não estar relacio-
nos sujeitas a auditorias de agências de nadas com ação) nos surge como um enig-
regulação" (1992 : 1542). Assim, o deline- ma que não pôde ainda ser resolvido no uso
amento da estrutura é tratado como mudan- desta abordagem.
ça estratégica, mas, aparentemente, é ape- Há, ainda, em relação ao que se viu,
nas superficial; é a contrapartida organiza- um problema geral com os trabalhos que
cional das ações manipulativas de narcisis- enfatizam simplesmente as funções simbó-
tas que conscientemente utilizam "másca- licas, e asseguradoras de recursos, da estru-
ras falsas" como meio de obter seus pró- tura; refere-se ao pressuposto implícito de
prios objetivos por meio de outros.4 que os custos de criação de tais elementos
Outros estudos, descritos nos trabalhos estruturais são relativamente baixos, se com-
de Pfeffer e Salancik (1978) sobre a teoria parados aos ganhos potenciais de recursos
da dependência de recursos, refletem uma conseguidos no ambiente. Esse pressupos-
explicação lógica muito similar. Eles rela- to, presumivelmente, segue crença de que,
tam, por exemplo (1978 : 197-200), que freqüentemente, mudanças nas estruturas
Pfeffer fez um estudo de caso sobre uma or- formais não têm o poder de alterar a ação.
ganização que criou, intencionalmente, duas Embora haja freqüentes citações teóricas a
unidades estruturalmente distintas, uma das respeito, não há evidência empírica que sus-
quais sem fins lucrativos, com o fito de con- tente que a atividade social seja tão ubíqua
formar-se às definições, ainda em vigor na e barata como o ar que respiramos
sociedade, a respeito da forma apropriada (Granovetter, 1985). A partir da pesquisa
para organizações educacionais, asseguran- desenvolvida até o momento, não sabemos
do, dessa forma, o necessário apoio do am- dizer, concretamente, se a estrutura é regu-
biente externo. Similarmente, descrevem
(1978 : 56-59) pesquisa conduzida por
Salancik que examinava o relacionamento
entre indicadores da visibilidade das empre-
sas e sua dependência relativa de contratos
com o governo federal, bem como indican-
do a existência de arranjos organizacionais
mostrando comprometimento com a políti-
ca de emprego em igualdade de oportuni-
dades. Os resultados indicaram associação
entre maior dependência [de recursos! e
uma sinalização mais intensiva de aceita-
ção das leis de ação afirmativa, por meio da
criação de cargos ou empregos, bem como
da documentação, por escrito, de progra-
mas e de políticas. Observa-se uma super-
posição espantosa entre tais argumentos e
os oriundos de trabalhos mais recentes ela
borados dentro do quadro de referência da
teoria institucional.
A falta de uma distinção teórica entre
tais estudos resulta, em parte, da falta de
ênfase em característica típica da teoria ins-
titucional - isto é, o foco no papel das com-
preensões de base cultural como determi-
nantes do comportamento (Strang, 1994) e
nas limitações normativas do processo deci-
sório racional. Ao se promover mudança na
direção de uma ênfase maior nas mudanças
em "aparência", e desenfatização das con-
seqüências internas da estrutura institucio-
nalizada, bem como ao tratar a estrutura
simplesmente como símbolo e signo, acaba-
se por aceitar o argumento implícito de que
uma estrutura consegue manter seu valor
simbólico mesmo em face do conhecimento
I 147 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE ____________________ ------------------

larmente desvinculada do funcionamento A partir de trabalhos identificados com


interno da organização, nem tampouco o a tradição filosófica da fenomenologia,
custo de criar-se tal estrutura, quando com- Berger e Luckmann (1967) identificaram a
parado com qualquer incremento nos flu- institucionalização como um processo cen-
xos de recursos para a organização (discus- tral na criação e perpetuação de grupos so-
são crítica destes resultados de pesquisa ciais duradouros. Uma instituição, o resul-
pode ser encontrada em Scott e Meyer, tado ou o estágio final de um processo de
1994). institucionalização, é definido como "uma
A reorientação da teoria institucional tipificação de ações tornadas habituais por
para que venha a ser mais influenciada por tipos específicos de atores" (1967 : 54; se-
uma abordagem de "dependência de recur- guindo Schutz, 1962; 1967).
sos" provavelmente reflete, em parte, o des- Nessa definição, ações tornadas habi-
conforto generalizado com a falta de volun- tuais referem-se a comportamentos que se
tarismo que é sugerido por versões, feno- desenvolveram empiricamente e foram ado-
menologicamente orientadas, da teoria ins- tados por um ator ou grupo de atores a fim
titucional, ou o que Oliver chama de "des- de resolver problemas recorrentes. Tais com-
crição abertamente passiva e conformista portamentos são tornados habituais à
das organizações" (1991 : 146). Isso pode medida que são evocados com um mínimo
surgir da aparente predominância da stasis* esforço de tomada de decisão por atores em
em uma abordagem fenomenológica resposta a estímulos particulares. Tipificação
(DiMaggio, 1988): como é prática corrente envolve o desenvolvimento recíproco de
na análise organizacional, o foco da abor- definições compartilhadas ou significados
dagem institucional tem sido, tradicional- que estão ligados a estes comportamentos
mente, na forma pela qual os atores seguem tornados habituais (veja Schutz, 1962;
persistentes scripts institucionais; questiona- 1967). Uma vez que tipificações acarretam
mentos sobre como tais scripts são produzi- classificações ou categorizações de atores
dos, mantidos e modificados têm sido am- aos quais as ações são associadas, este con-
plamente negligenciado (Barley e Tolbert, ceito implica que os significados atribuídos
1988). Dessas questões nos ocuparemos em à ação tornada habitual se tornaram gene-
seguida, usando análises teóricas de Berger ralizados, isto é, independentes de indiví-
e Luckmann (1967) e Zucker (1977) como
ponto de partida.
Ao abordarmos essas questões, privi-
legiamos o pressuposto de que a criação de
uma nova estrutura envolve mais recursos
que a manutenção da antiga: a alteração e
a criação de estruturas organizacionais cons-
tituem custos para a organização. A estru-
tura social não é simplesmente um subpro-
duto da atividade humana; em vez disso, a
ação humana é requerida para produzi-la
(Zucker et al., 1995; Zucker e Kreft, 1994).

Conforme o dicionário Webster, trata-se do


estancamento de qualquer fluxo corporal, como
sangue num vaso sangüíneo ou fezes no intesti-
no. (N.T.)
Assim, as estruturas que são alteradas ou
criadas carecem de credibilidade para agre-
gar algum valor positivo à organização, ou
os decisores tipicamente não alocariam re-
cursos para alterar ou criar nova estrutura
formal. Os decisores organizacionais, com
certeza, podem ter mais ou menos poder
discricionário: algumas vezes o poder deci-
sório é bastante amplo, às vezes, não. A
análise aqui desenvolvida é mais aplicada a
exemplos em que os decisores têm graus de
poder discricionário relativamente altos, em
relação à adoção das estruturas.5

PROCESSOS DE
INSTITUCIONALIZAÇÃO
A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA TEORIA INSTITUCIONAL

----------------------------------------------------- lizadas as rotinas, mais prontamente elas


eram transmitidas aos novos empregados.
duos específicos que desempenham a ação. Desse modo, a transmissão é casual e, con-
Zucker (1977) referiu-se a esse processo de seqüentemente, relacionada à institucionali-
generalização do significado de uma ação zação. Ao enfatizar a exterioridade de um
como objetificação, e o identificou como um conjunto de comportamentos, a transmis-
dos componentes-chave do processo de insti- são aumenta o grau de institucionalização
tucionalização. desses comportamentos; a institucionali-
Análises fenomenológicas institucio- zação, por outro lado, afeta a facilidade de
nais anteriores, sugerem, desse modo, ao transmissões subsequentes (Tolbert, 1988).
menos dois processos seqüenciais envolvi- Este conjunto de processos seqüenciais
dos na formação inicial das instituições e - habitualização, objetivacação e sedimen-
em seu desenvolvimento: a habitualiza- tação - sugerem variabilidade nos níveis de
ção, * isto é, o desenvolvimento de compor- institucionalização, implicando, deste modo,
tamentos padronizados para a solução de que alguns padrões de comportamento so-
problemas e a associação de tais comporta- cial estão mais sujeitos do que outros à ava-
mentos a estímulos particulares, e a obje- liação crítica, modificação e mesmo a elimi-
tivação,** o desenvolvimento de significa- nação. Em resumo, tais padrões compor-
dos gerais socialmente compartilhados liga- tamentais podem variar em relação ao grau
dos a esses comportamentos, um desenvol- em que estão profundamente imbricados no
vimento necessário para a transposição de sistema social (mais objetivo, mais exte-
ações para contextos além de seu ponto de rior) e, portanto, variam em termos de sua
origem. estabilidade e de seu poder de determinar
Mais adiante em sua análise, Berger e comportamentos.
Luckmann (1967) sugerem um aspecto adi- A análise de Berger e Luckmann con-
cional da institucionalização, que foi tam- centrava-se na ocorrência de processos de
bém identificado por Zucker e chamado de institucionalização entre atores individuais
exterioridade. Exterioridade se refere ao e não organizacionais. A pesquisa experi-
grau em que as tipificações são "vivenciadas mental de Zucker estendeu a análise às or-
como possuindo uma realidade própria, uma ganizações, mas ainda em nível micro. Os
realidade que confronta o indivíduo como atores organizacionais distinguem-se por
um fato externo e coercitivo" (1967:58). Ela
está relacionada à continuidade histórica das
tipificações (Zucker; 1977) e, em particu-
lar, à transmissão das tipificações aos novos
membros que, não tendo conhecimento das
suas origens, estão aptos a tratá-las como
"dados sociais" (Berger e Luckmann, 1967;
Tolbert, 1988). Estamos, aqui, nos referin-
do ao processo por meio do qual as ações

* Os autores cunharam a expressão habitualization,


que sempre preferimos traduzir no texto por "tor-
nadas habituais" mas que aqui, finalmente, pre-
ferimos deixar na forma original do inglês,
aportuguesada e grafada em itálico. (N.T.)
** Como no texto, é uma expressão cunhada pelos
autores, aqui conservada nessa versão aportugue-
sada de objetification. (N.T.)

205 |

adquirem a qualidade de exterioridade


como sedimentação.
Em um estudo experimental anterior,
Zucker (1977) demonstrou que o aumento
do grau de objetivacação e exterioridade de
uma ação também aumenta o grau de
institucionalização (indicado pela conformi-
dade dos indivíduos ao comportamento de
outros), e que, quando a institucionalização
é alta, a transmissão da ação, a manuten-
ção desta ação ao longo do tempo, e sua
resistência à mudança também são altas.
Nelson e Winter (1982) encontraram um
processo semelhante em curso na criação
de tarefas rotineiras dentro de organizações.
Segundo eles, quanto mais instituciona-
I 149 PARTE I - MODELOS DF. ANÁLISE ___________________ -----------------------------------------------------

determinado número de propriedades - similares, possivelmente organizações inter-


autoridade hierárquica, período de vida conectadas, que enfrentam circunstâncias
potencialmente ilimitado, responsabilidades similares, e que variam consideravelmente
legais específicas, entre outros, (veja em termos da forma de implementação. Tais
Coleman, 1980) que, provavelmente, afe- estruturas não serão objeto de qualquer tipo
tarão o modo pelo qual os processos de teorização formal (Strang e Meyer, 1993),
institucionais são desempenhados, tanto e o conhecimento da estrutura entre os que
entre as organizações como dentro delas6 não a adotaram - especialmente aqueles que
Desse modo, consideramos a extensão des- não estão em contato direto e freqüente com
ta análise especificamente para fluxos os adotantes - será extremamente limita-
institucionais entre organizações formais. A do, em termos de operação e também de
Figura 1 mostra um sumário de nossa análi- propósito (Nelson e Winter, 1982).
se do processo de institucionalização, e as Exemplos de estruturas neste estágio
forças causais que são críticas em diferen- de institucionalização podem ser encontra-
tes pontos do processo.7
dos prontamente ao comparar-se organo-
gramas de qualquer conjunto de organiza-
ções semelhantes. Tais comparações, quase
Habitualização certamente, revelarão um leque de órgãos

Em um contexto organizacional, o pro-


cesso de habitualização envolve a geração
de novos arranjos estruturais em resposta a
problemas ou conjuntos de problemas
organizacionais específicos, como também
a formalização de tais arranjos em políticas
e procedimentos de uma dada organização,
ou um conjunto de organizações que encon-
trem problemas iguais ou semelhantes. Es-
ses processos resultam em estruturas que
podem ser classificadas como um estágio de
pré-institucionalização.
Há farta literatura a respeito da ino-
vação organizacional e da mudança organi-
zacional, relevante para a compreensão des-
tes processos (por exemplo, Quinn e
Cameron, 1988; Huber e Glick, 1993). O
que é essencial para os propósitos de nossa
análise, no entanto, é que nesse estágio a
criação de novas estruturas em organizações
é, em grande parte, uma atividade indepen-
dente. Uma vez que os decisores organi-
zacionais podem compartilhar uma base
comum de conhecimentos e idéias que tor-
nem a inovação factível e atraente, a ado-
ção de uma dada inovação pode ocorrer, e
freqüentemente ocorre, em estreita asso-
ciação com a adoção de processos em ou-
tras organizações (isto é, invenção simultâ-
nea). Organizações que estão passando por
um problema podem, como parte inerente
de sua procura por soluções, também levar
em consideração as soluções desenvolvidas
por outros (DiMaggio e Powell, 1983). Daí
pode resultar imitação, mas os decisores
vêem pouco sentido nisso, já que não há con-
senso a respeito da utilidade geral da ino-
vação. Portanto, a adoção pode ser ampla-
mente prevista pelas características que tor-
nam viável a reorientação técnica e econô-
mica para uma dada organização (Anderson
e Tushman, 1990; Leblebici et al., 1991) e
por meio de arranjos políticos internos, que
fazem com que as organizações sejam mais
ou menos receptivas aos processos de mu-
dança (veja March e Simon 1957).8
No estágio de pré-institucionalização,
então, muitas organizações podem adotar
uma dada estrutura, mas essas serão prova-
velmente em pequeno número, limitado a
um conjunto circunscrito de organizações
A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA TEORIA INSTITUCIONAL 150 |

Legislação
Mudanças Forças do
tecnológicas mercado

i T l
Inovação

Habitualização > Objetificação ........................... ► Sedimentação


4 A *

Monitoramento Teorização Impactos Defesa de grupo


interorganizacional positivos de interesse
Resistência
de grupo

Figura 1 Processos inerentes à institucionalização.

e políticas idiossincráticos a um conjunto ou tratégia de baixo custo que requer menor


subconjunto limitado das organizações - investimento de "recursos sociais" do que
diretores de comunicações eletrônicas, de- criar nova estrutura organizacional.
partamentos acadêmicos de avicultura, li-
gações entre marketing e produção etc. Es-
ses tipos de estruturas tendem a ser relati-
vamente menos permanentes, por vezes
durando apenas o período de duração de
uma gestão (veja Miner 1987 : 1991).

Objetificação

O movimento em direção a um status


mais permanente e disseminado está ba-
seado no próximo processo, a objetificação,
que acompanha a difusão da estrutura. A
objetificação envolve o desenvolvimento de
certo grau de consenso social entre os
decisores da organização a respeito do va-
lor da estrutura, e a crescente adoção pelas
organizações com base nesse consenso. Tal
consenso pode emergir por meio de dois
mecanismos diferentes, embora não neces-
sariamente não relacionados.
Por um lado, as organizações podem
utilizar evidências colhidas diretamente de
uma variedade de fontes (noticiários, ob-
servação direta, cotação acionária etc) para
avaliar os riscos de adoção da nova estrutu-
ra. A medida que se espera que os resulta-
dos da mudança estrutural se generalizem,
os efeitos encontrados em outras organiza-
ções serão determinantes significativos da
próxima decisão de adoção. Deste modo, a
objetificação da estrutura é, em parte, con-
seqüência do monitoramento que a organi-
zação faz dos competidores, e de esforços
para aumentar sua competitividade relati-
va. Reciclar "velhas invenções sociais" é es-
PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

(1) a definição de um problema organiza-


cional genérico, o que inclui a especificação
Em conseqüência, a disseminação de de um conjunto ou categoria de atores
novas estruturas para determinada organi- organizacionais caracterizados pelo proble-
zação será obstáculo relativamente menor ma; e (2) a justificação de um arranjo es-
do que seria criar uma vez mais estruturas trutural formal particular como a solução
semelhantes naquela mesma organização; para o problema com bases lógicas ou
isto acontece porque outras organizações empíricas (veja também Galaskiewicz,
terão "pré-testado" a estrutura e porque a 1985). A primeira tarefa envolve gerar re-
percepção dos decisores sobre os custos e conhecimento público da existência de um
benefícios relativos dessa adoção será in- padrão consistente de insatisfação ou de fra-
fluenciada pela observação do comporta- casso organizacional característico de deter-
mento de outras organizações. Desse modo, minado grupo de organizações; a segunda
quanto mais organizações tiverem adotado
a estrutura, maior probabilidade terão os
decisores de perceber uma tendência favo-
rável ao equilíbrio relativo dos custos e be-
nefícios.
Nossos argumentos, aqui, coadunam-
se com os modelos decisórios seqüenciais
recentemente desenvolvidos por economis-
tas (Banerjee, 1992; Bikchandani et al.,
1992; veja também David 1985). Esses mo-
delos têm como premissa a noção básica de
que há algum grau de incerteza nos resulta-
dos de diferentes escolhas, e que os toma-
dores de decisão usarão a informação obti-
da por meio da observação das escolhas de
outros, bem como seu próprio julgamento
objetivo para determinar qual a "melhor"
escolha. Nessas condições, quando uma es-
colha é mais disseminada, é mais provável
que venha a ser percebida como uma esco-
lha ótima; e, ainda, serão menos influentes
os julgamentos independentes dos decisores
sobre o valor da escolha (veja também
Tolbert, 1985; Abrahamson e Rosenkopf,
1993).9
A objetificação e difusão da estrutura
também podem ter, como ponta de lança,
aquele referido algumas vezes, na literatu-
ra de mudança organizacional, como
champion* - freqüentemente, neste caso,

'Champion', no uso corrente, significa " pessoa que


luta por outra ou por uma causa; um defensor,
um protetor" (conforme Webster's New World
Dictionary of the American Language), um líder
de projeto, uma liderança incansável por um ob-
jetivo ou um projeto. (N.T.)
um conjunto de indivíduos com interesse
material na estrutura (DiMaggio, 1988).
Assim, por exemplo: (a) defensores de re-
gras de funcionamento do serviço público
provinham de famílias da elite cujo acesso
tradicional aos cargos políticos locais havia
sido rompida pelo desenvolvimento de
"má-
quinas políticas" dominadas por imigrantes
(Tolbert e Zucker, 1983); (b) difusão de
pro-
cedimentos formalizados de seleção e de
avaliação de desempenho no setor privado,
no período que se seguiu à Segunda Guerra
Mundial, foi influenciada pelos esforços
promocionais de membros da categoria
emergente de administradores de pessoal
(Baron et al., 1986); (c) o papel presente-
mente desempenhado por consultores na
adoção de práticas de qualidade total é
amplamente reconhecido (Reeves e Bednar,
1994; Sitkin et al., 1994). DiMaggio (1991),
Rowan (1982), Covaleski e Dirsmith (1988),
Chaves (1996) e Ritti e Silver (1986) tam-
bém oferecem exemplos do papel de gru-
pos de interesse na promoção de mudanças
estruturais em organizações.
Champions terão maior probabilidade
de surgir quando houver um grande "mer-
cado" potencial para inovação (por exem-
plo, quando mudanças no ambiente tiverem
afetado negativamente as posições compe-
titivas de determinado número de organi-
zações). A fim de serem bem-sucedidos, os
champions devem realizar duas grandes ta-
refas de teorização (Strang e Meyer, 1993):
A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA TEORIA INSTITUCIONAL

------------------------------------- o grau de institucionalização total é que a


propensão dos atores para empreender ava-
tarefa envolve o desenvolvimento de teo- liações independentes da estrutura declina-
rias que diagnostiquem as fontes de insatis- rá de modo significativo.
fação ou de fracasso, de modo compatível
com a apresentação de uma estrutura espe-
cífica como solução ou tratamento. Sedimentação
Ao identificar o conjunto de organiza-
ções que enfrentam um problema definido A institucionalização total envolve se-
e ao prover uma avaliação positiva de uma dimentação, um processo que fundamental-
estrutura como solução apropriada, a teo- mente se apoia na continuidade histórica da
rização atribui à estrutura uma legitimida- estrutura e, especialmente, em sua sobrevi-
de cognitiva e normativa geral. Para que os vência pelas várias gerações de membros da
esforços de teorização sejam persuasivos e organização. A sedimentação caracteriza-se
eficientes, eles devem também oferecer evi- tanto pela propagação, virtualmente com-
dência de que a mudança é realmente bem- pleta, de suas estruturas por todo o grupo
sucedida em pelo menos alguns casos que de atores teorizados como adotantes ade-
possam ser examinados por outros, consi- quados, como pela perpetuação de estrutu-
derando a adoção da nova estrutura. Na ras por um período consideravelmente lon-
base de tal teorização e na evidência que a go de tempo. Deste modo, ela implica uma
acompanha, os champions encorajam a dis- bidimensionalidade ("largura" e "profundi-
seminação de estruturas por meio de um dade") das estruturas (Eisenhardt, 1988).
conjunto de organizações que, de outro A identificação dos fatores que afetam
modo, não teriam conexão direta. a abrangência do processo de difusão, como,
Estruturas que se objetificaram e fo- também, a conservação, a longo prazo, de
ram amplamente disseminadas podem ser uma estrutura é, assim, a chave para a com-
descritas como estando no estágio de semi- preensão do processo de sedimentação. Um
institucionalização. Nesse estágio, é típico dos fatores, apontado em grande número
que os adotantes sejam bastante heterogê-
neos; conseqüentemente, determinadas ca-
racterísticas organizacionais anteriormente
identificadas com a adoção terão poder
preditivo relativamente limitado (Tolbert e
Zucker, 1983). O ímpeto da difusão deixa
de ser simples imitação para adquirir uma
base mais normativa, refletindo a teorização
implícita ou explícita das estruturas. A medi-
da que a teorização se desenvolve e se
explicita, deve diminuir a variação na for-
ma que as estruturas tomam em diferentes
organizações.
Exemplos de estruturas que podem ser
consideradas nesse estágio incluem as de
produção baseada em equipes, círculos de
qualidade, planos de remuneração baseados
em produtividade, consultores internos, pro-
gramas de desenvolvimento gerencial e
organizacional, gerenciamento de políticas
de trabalho/família e programas de assis-
209 |

tência ao empregado, entre outras. Apesar


de tais estruturas geralmente terem uma
taxa de sobrevivência mais longa compara-
das àquelas no estágio pré-institucional, é
certo que nem todas perduram indefinida-
mente. De fato, o destino, geralmente, as
investe de uma qualidade de moda ou ma-
nia (Abrahamson, 1991). Isto ocorre por-
que estruturas no estágio de semi-insti-
tucionalização têm, via de regra, uma his-
tória relativamente curta. Desse modo, ape-
sar de terem adquirido certo grau de acei-
tação normativa, os adotantes, não obstan-
te, estarão conscientes de sua qualidade re-
lativamente não testada e, conscientemen-
te, monitorarão a acumulação de evidência
(de sua própria organização, bem como de
outras) a respeito da eficácia das estrutu-
ras. Somente quando uma estrutura atinge
I 153 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE___________________

de estudos, é a existência de um conjunto (por exemplo, alterações duradouras no


de atores que são, de algum modo, afeta- mercado, mudanças radicais em tecnolo-
dos adversamente pelas estruturas e assim gias) que poderão permitir a um grupo de
são capazes de se mobilizarem coletivamen- atores sociais, cujos interesses estejam em
te contra elas. A análise de Covaleski e oposição à estrutura, a ela se opor cons-
Dirsmith (1988) a respeito da resistência cientemente ou a explorar suas fraquezas
legislativa contra novos arranjos orçamen- (veja a descrição de Rowan [1982] sobre o
tários em universidades nos dá um exem- declínio dos profissionais de saúde nas es-
plo intra-organizacional desse tipo de for- colas após o advento das vacinas; veja tam-
ça. Em nível de análise inter-organizacional, bém Aldrich, 1979 :167; Davis et al., 1994).
a descrição de mudanças na indústria de A Tabela 1 resume nossos argumen-
radiodifusão, feita por Leblebici et al. (1991), tos sobre as características e conseqüências
ressalta o papel crucial das pequenas orga- dos processos que compõem a instituciona-
nizações concorrentes, as quais, estando em lização.
desvantagem devido às práticas correntes,
acabam por agir ativamente na promoção
de práticas alternativas no setor. Do mesmo Implicações para a pesquisa
modo, Rowan (1982), ao estudar a dissemi-
nação de três estruturas diferentes nos dis- Existem algumas implicações da nos-
tritos escolares da Califórnia, salientou o sa análise para estudos empíricos de orga-
papel do conflito de interesses nos proces- nizações que se baseiam na teoria institu-
sos de institucionalização emergentes. cional. Em nosso ponto de vista, a implica-
Mesmo na ausência de oposição dire- ção mais importante é, provavelmente, a
ta, a sedimentação pode ser truncada gra- necessidade de desenvolvimento de medi-
dualmente pela falta de resultados demons- das mais diretas e melhor documentação das
tráveis associados à estrutura. Uma relação
positiva fraca entre uma estrutura e os re-
sultados desejáveis pode ser suficiente para
afetar a difusão e a manutenção das estru-
turas, especialmente se seus defensores con-
tinuam envolvidos em sua teorização e pro-
moção. No entanto, em muitos casos, a li-
gação entre a estrutura e os resultados pre-
vistos é bastante distante e a demonstração
de impacto, muitíssimo difícil. Dado o de-
senvolvimento e a promoção de estru-
turas alternativas destinadas a alcançar os
mesmos fins, as organizações provavelmente
abandonarão arranjos antigos em favor de
estruturas mais novas e promissoras
(Abrahamson, 1991; veja argumentos aná-
logos de Abbott, 1988), ao menos se os cus-
tos associados com a mudança forem relati-
vamente baixos.
Assim, a total institucionalização da
estrutura depende, provavelmente, dos efei-
tos conjuntos de: uma relativa baixa resis
tência de grupos de oposição; promoção e
apoio cultural continuado por grupos de
defensores; correlação positiva com resul-
tados desejados. A resistência provavelmen-
te limitará a disseminação da estrutura en-
tre organizações identificadas, pela teori-
zação, como adotantes significativos; a pro-
moção continuada e/ou benefícios demons-
tráveis são necessários para contrabalançar
tendências entrópicas e, assim, assegurar a
perpetuação da estrutura no tempo (Zucker,
1988). Exemplos de estruturas totalmente
institucionalizadas nos Estados Unidos da
América variam de políticas de estabilidade
de emprego em organizações de ensino su-
perior a serviço de bebidas em vôos, até o
uso de memorandos como forma de comu-
nicação dentro de um escritório (Yates e
Orlikowski, 1992).
A reversão deste processo, isto é, a
desinstitucionalização, provavelmente re-
quererá uma grande mudança no ambiente
I
A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA TEORIA INSTITUCIONAL
154

Tabela 1

Modelo de
metanarrativa
Estágios de institucionalização e dimensões comparativas.

interpretatíva
Problemática
principal
Perspectivas ilustrativas/
exemplos
Transições
contextuais
I
Racionalidade Ordem Teoria das Organizações clássica, de Estado
administração científica, teoria da guarda-noturno
decisão, Taylor, Fayol, Simon a Estado
industrial
Integração Consenso Relações Humanas, neo-RH, de capitalismo
funcionalismo, teoria da empresarial
contingência/sistêmica, cultura a capitalismo do
corporativa, Durkheim, Barnard, bem-estar
Mayo, Parsons

solicitações de institucionalização das estru- Além disso, nossa análise sugere que
turas, uma vez que resultados associados a a identificação dos determinantes das mu-
uma dada estrutura, provavelmente, depen- danças no nível de institucionalização das
derão do estágio ou nível de institucio- estruturas representa um caminho impor-
nalização em que se encontrar. Dependen- tante e promissor para trabalhos teóricos e
do da amplitude e da forma pela qual os empíricos. Estudos existentes já sugeriram
dados são colhidos, diferentes procedimen- certo número de determinantes potenciais
tos poderão ser utilizados. do processo de legitimação de uma estrutu-
Por exemplo, análises sobre o nível de ra e, portanto, quão institucionalizada ela
institucionalização de estruturas contempo- se torna. A esse respeito, alguns estudos
râneas poderiam utilizar pesquisa tipo demonstraram que quando organizações
survey sobre a percepção da necessidade de grandes e centralizadas são inovadoras e
permanência de determinada estrutura para logo adotam uma estrutura, esta estrutura
o funcionamento eficiente da organização tem mais probabilidade de se tornar total-
(por exemplo, Rura e Miner, 1994), ou usar mente institucionalizada do que outras
questionários sobre atributos relacionados (DiMaggio e Powell, 1983; Fligstein, 1985;
ao grau de institucionalização, tais como o 1990; Baron et al., 1986; Davis, 1991;
grau de certeza subjetiva sobre os julgamen- Palmer et al., 1993). Além disso, os traba-
tos feitos (Zucker, 1977). Ainda que o de- lhos de Mezias (1990) e seus colegas (Mezias
senvolvimento de indicadores adequados
para essa medição seja, sem sombra de dú-
vida, uma tarefa controversa, este proble-
ma não é exclusividade do construto da
institucionalização (estamos nos referindo,
por exemplo, a conceitos padronizados, tais
como: produtividade, eficácia, incerteza).
Como ocorre com outros construtos difíceis,
este problema pode ser solucionado em par-
te utilizando técnicas psicométricas padro-
nizadas.
Pesquisa histórica utilizando dados de
arquivos, por outro lado, poderá lidar com
o problema prestando maior atenção à do
cumentação do contexto histórico - ou
doumentando-o - como das mudanças cul-
turais ao redor da pretendida institu-
cionalização das estruturas (Zucker, 1988).
A análise de conteúdo de materiais escri-
tos, em alguns casos, pode fornecer indica-
dores úteis a respeito do estado cultural das
estruturas (Tolbert e Zucker, 1983). Qual-
quer que seja a metodologia usada para co-
letar dados, no entanto, qualquer afirma-
ção plausível a respeito do grau de institu-
cionalização de estruturas, provavelmente,
residirá numa estratégia envolvendo trian-
gulação de fontes e métodos.
I 155 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ——i

' --- dições sob os quais as teorias - a institucio-


nal, a de dependência de recursos e a con-
e Scarselletta, 1994) sugerem que o status
tingencial orientada para eficiência, pode-
social das forças opositoras à adoção de uma
rão trazer insights úteis para estudos orga-
estrutura pode operar no sentido oposto:
nizacionais. Infelizmente, diferentes teo-
quanto maior o status do oponente, menor
rias, freqüentemente, levam aos mesmos re-
o grau de institucionalização.
sultados organizacionais previstos - em-
Existem outros fatores que, intuitiva-
bora os mecanismos postulados para pro-
mente, também esperaríamos que tivessem
duzir os resultados sejam diferentes. Portan-
um impacto na institucionalização: (1) a
to, é muito mais difícil, se não impossível,
variedade das organizações para as quais
determinar se os fatores ressaltados por
uma dada estrutura seria teoricamente re-
determinada perspectiva teórica estão de
levante (quanto maior o leque de organiza-
fato intervindo para determinar as ações
ções, mais difícil seria oferecer evidências
organizacionais.
convincentes da efetividade de estruturas e,
Por causa disso, pode ser útil confinar
portanto, mais baixo o grau de institu-
"testes" empíricos da teoria institucional aos
cionalização); (2) o número de champions
estudos de contextos em que não existam
ou o tamanho dos grupos de champions
grandes atores tentando compelir as orga-
(quanto maior o número de champions,
nizações a adotarem uma estrutura, seja
menor será a probabilidade de processos
pelo uso da lei, seja pela retenção de recur-
entrópicos tornarem-se operantes e, portan-
sos críticos. Ou talvez seja útil comparar
to, mais alto o nível de institucionalização);
diretamente os processos de adoção, sem
(3) o grau pelo qual a adoção de uma estru-
pressão àqueles em que haja alguns elemen-
tura está vinculada a mudanças que envol-
vam altos custos para as organizações
adotantes (investimentos mais elevados de-
veriam atenuar tendências entrópicas, resul-
tando, deste modo, em um alto grau de
institucionalização); (4) a força da correla-
ção entre a adoção e os resultados deseja-
dos (criação de fortes incentivos para man-
ter a estrutura, daí resultando alto grau de
institucionalização); e assim por diante.
O estudo dos determinantes do pro-
cesso de institucionalização provavelmente
requererá trabalho comparativo sobre o
desenvolvimento e propagação de diferen-
tes estruturas. Isso poderá envolver, por
exemplo, a construção e comparação de di-
versos casos reais de estruturas que tenham
sido objeto de teorizações recentes - círcu-
los de qualidade, programas de assistência
aos empregados, políticas de comunicações
e assim por diante. Esse tipo de estudo de
caso comparativo poderá trazer importan-
tes percepções para se saber se existem ou
não semelhanças nos processos pelos quais
ocorre a adoção e difusão dos diferentes ti-
pos de estruturas.

Alternativamente, insights úteis podem


ser obtidos por meio da análise comparati-
va da difusão e do destino de determinada
estrutura em diversos setores industriais ou
em diversos países (veja Strang e Tuma,
1993). Tal pesquisa tem o potencial de refe-
rir-se a certo número de dilemas em pro-
cessos de institucionalização sugeridos por
várias observações empíricas. Por que algu-
mas estruturas (por exemplo, produção por
equipes) existem em alguns setores indus-
triais, mas não em outros (regimes de esta-
bilidade)? Terão os processos de institu-
cionalização sempre menor probabilidade
de afetar estruturas em organizações me-
nores (Han, 1994) e, caso tenham, por quê?
Por que as inovações biotecnológicas apa-
recem em pequenas novas firmas nos Esta-
dos Unidos, mas predominantemente em
grandes firmas no Japão (Zucker e Darby,
1994)?
Uma grande implicação final que gos-
taríamos de tirar de nossa análise é a neces-
sidade de se considerar os contextos ou con-
156 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

tos coercitivos, como em nosso exame da ração de determinado número de proble-


adoção da reforma do funcionalismo públi- mas: (1) como e quando as escolhas ou li-
co em Estados em que isso não era requeri- nhas de ação alternativas se tornam social-
do por lei e em Estados em que isso era uma mente definidas; (2) quem age para causar
imposição legal (Tolbert e Zucker, 1983). a mudança e para difundi-la para organiza-
Do mesmo modo, pode também ser ções múltiplas, e por quê; e (3) quais são os
útil focalizar as aplicações empíricas da te- benefícios potenciais de se criarem estrutu-
oria institucional em análises em que os ras semelhantes, ou de convergir para as
benefícios materiais associados à estrutura mesmas estruturas, que levam ao isomor-
não sejam prontamente calculáveis (que é fismo institucional que observamos com tan-
o caso de muitas inovações administrativas, ta freqüência. Para a teoria institucional se
bem como de inovações técnicas) - isto é, desenvolver como um paradigma coerente
em que abordagens contingenciais orienta- e, deste modo, fazer uma contribuição du-
das para a eficiência não sejam tão relevan- radoura para a análise organizacional, tais
tes. Ou, também, pode ser útil avaliar como questões sobre os processos de institucio-
instituições sociais estão acostumadas a au- nalização demandam respostas tanto con-
mentar benefícios materiais, como, por ceituais quanto empíricas. Nessa análise,
exemplo, quando colaboradores científicos delineamos algumas respostas iniciais para
tendem a ser selecionados na mesma orga- esses problemas, respostas cuja extensão e
nização, usando efetivamente as fronteiras modificação deverão esperar ainda desen-
organizacionais como "envelopes de infor- volvimento teórico e testes empíricos.
mação" que protegem novas descobertas de
uma exploração prematura por parte de
outros (Zucker et al., 1995). JNÍOTAS

Gostaríamos de agradecer a Howard


CONCLUSÕES Aldrich, Michael Darby, Shin-Kap Han, John
Meyer, Linda Pike e Peter Sherer por dedi-
Ao ressaltar o papel das influências car tempo e esforço para ler e oferecer co-
normativas nos processos de tomada de de- mentários úteis sobre os primeiros rascu-
cisão organizacional, a teoria institucional nhos deste capítulo. Lynne Zucker reconhe-
oferece uma extensão importante e distinti- ce o apoio a esta pesquisa por subsídios da
va ao nosso repertório de perspectivas e
abordagens para explicar a estrutura orga-
nizacional. Enquanto a noção de que os
decisores são dotados de racionalidade li-
mitada tornou-se um componente básico
na cartilha da pesquisa organizacional, as
implicações disso não são exploradas em
profundidade pela maioria das teorias con-
temporâneas.10 Como a racionalidade é li-
mitada e sob quais condições ela será mais
ou menos limitada são questões raramente
abordadas. A teoria institucional oferece um
quadro de referência que pode ser útil na
abordagem dessas questões, mas sua utili-
dade nesse aspecto requer maior desenvol
vimento teórico a fim de esclarecer as con-
dições e os processos que fizeram com que
as estruturas se institucionalizassem. Uma
compreensão mais clara da instituciona-
lização como um processo nos permitiria
especificar o impacto de maior número de
aspectos sociais da tomada de decisão, tais
como os efeitos da posição social dos que
fornecem informações sobre as escolhas fei-
tas e as condições sob as quais as previsões
de uma escolha particular somente se tor-
narão possíveis se os aspectos sociais forem
diretamente incluídos na análise.
A referência a este tópico geral de con-
dições de aplicabilidade requer a conside-
A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA TEORIA INSTITUCIONAL 157 |

cálculos (isto é, de racionalidade relativamente


não-limitada).
Fundação Sloan por meio do Programa de
Tecnologia Industrial NBER, e do System-
wide Biotechnology Research Education
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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opiniões expressas aqui são dos autores e
ABBOTT, Andrew. The System of Professions. Chi-
não da NBER.
cago : University of Chicago Press, 1988.
1. Aqui nós concentramos nossa análise dos proces- ABRAHAMSON, Eric. Managerial fads and
sos de institucionalização em nível interor- fashions: the diffusion and rejection of
ganizacional. Processos semelhantes provavel- innovations. Academy of Management
mente operam no nível intraorganizacional tam- Review,
bém, embora os mecanismos exatos, bem como 16:586-612, 1991.
suas conseqüências, possam diferir, Veja Tolbert
(1988), Rura e Miner (1994) e Barley e Tolbert
______ , Rosenkopf, Lori. Institutional and
(1988) para discussões da relação entre proces- competitive bandwagons: using mathema-
sos inter e intraorganizacionais. Veja Zucker tical modeling as a tool to explore
(1977) para a discussão e teste experimental de innovation
processos intraorganizacionais e conseqüências. diffusion. Academy of Management Review,
2. A evolução dessa linha de pesquisa inclui traba- 18: 487-517, 1993.
lhos focalizando a relação entre estrutura formal
e "organização informal" e, particularmente, as ALDRICH, Howard. Organizations and Environ-
relações de poder entre membros da organização ments. Englewood Cliffs, N.J.: Prentice-Hall,
(por exemplo, Blau, 1955; Zald e Berger, 1978; 1979.
Perrow, 1984). Talvez porque tal trabalho fosse
menos compatível com a literatura sobre a ciên-
______ , Fiol, Marlene. Fools rush in? The
cia administrativa existente, ele não alcançou pro- institutional context of industry creation.
eminência tão rapidamente na literatura socioló-
gica sobre organizações quanto aos trabalhos fo-
calizando a co-variação entre elementos estrutu-
rais.
3. Veja, por exemplo, Stinchcombe (1959),
Thompson (1967), Pugh et al. (1969), Blau
(1970). Hall (1987) traz uma crítica e resumo
completos das conclusões desta literatura.
4. Outro análogo no nível individual é a bajulação,
na qual a lisonja e a exagerada conformidade são
utilizadas para atender às necessidades pessoais
por meio da alteração das respostas de pessoas
dotadas de poder ou autoridade (Jones, 1964;
Jones e Wortman, 1973). Veja também Elsbach e
Sutton (1992) para uma discussão sobre
"gerenciamento de impressões" nas organizações.
5. D'Aunno et al. (1991) descrevemo modo pelo qual
exigências conflitantes feitas a organizações de
saúde mental comunitárias por diferentes círcu-
los resultam na adoção de práticas incompatíveis
e contraditórias. Sugerimos que tais contradições
na estrutura têm mais chance de ocorrer quando
os gerentes tiverem pouca margem discricionária
quanto à adoção de mudanças estruturais.
6. Deixamos para desenvolvimento posterior proces-
sos de mudança que operam dentro de certa or-
ganização. Assume-se que a inércia dentro das
organizações bloqueia a mudança interna, ou,
pelo menos, a faz extremamente difícil (Kanter,
1983; 1989). No entanto, os processos de insti-
tucionalização, provavelmente, serão muito im-
--------------------------------------
portantes para o funcionamento interno da orga-
nização (Zucker, 1977; Pfeffer, 1982).
7. Conforme nos foi assinalado por John Meyer, esse
modelo pode ser mais aplicável a sociedades ca-
racterizadas por estados nacionais relativamente
fracos.
8. Leblebici et al. (1991) mostram que quando as
vantagens de uma inovação não são claras, são
freqüentemente as firmas menores e com menos
vantagem competitiva as primeiras a adotar, por-
que os riscos relativos de sua adoção serão meno-
res para elas.
9. Este processo de teorização já foi explicitamente
desenvolvido e empiricamente testado em nível
individual como características de estados difusos
(referências chave incluem Berger et al., 1972;
Webster e Driskell, 1978; Zelditch et al., 1980;
Ridgeway e Berger, 1986). É mais fácil ver erros
no processo de generalização quando atributos
pessoais, tais como gênero ou etnia, são analisa-
dos. Mas esperamos erros semelhantes em nível
organizacional.
10. Um bom exemplo é dado pela teoria de custos de
transação (Williamson 1975), que se baseia ex-
plicitamente na premissa de racionalidade limi-
tada. No entanto, os trabalhos nessa tradição pa-
recem estar implicitamente baseados na premissa
de que os decisores são capazes de executar cál-
culos extremamente complexos necessários para
estimar os custos relativos da transação associa-
dos às diferentes formas relacionais e de selecio-
nar um curso de ação apropriado baseado nesses
158 PARTE I - MODELOS DE ANÁLISE

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