Você está na página 1de 14

Ministério da Educação

Universidade Tecnológica Federal do Paraná


Campus Pato Branco
Engenharia Mecânica

Embreagens e Freios

Prof. Robson Gonçalves Trentin

Embreagens e Freios
Introdução
Freios e embreagens além de serem utilizados nos automóveis são
empregados em máquinas de produção de vários tipos.
As embreagens são utilizadas para:
• Acoplar uma carga de alta inércia a um motor elétrico de menor
potência.
• Manter torque constante em um eixo de tensionamento.
• Desconexão em casos de emergência, separa o eixo do motor em
casos de emperramento da máquina.

2
Embreagens e Freios
Introdução
Os freios são utilizados para levar o eixo a uma parada que nos casos
de emergência devem ser repentina (em muitos casos em menos de
uma volta).
Freios antifalha trabalham acoplados, geralmente por molas, a menos
que seja aplicado potência para desacoplá-los. Exemplo: freio a ar em
caminhões, a pressão do ar libera o freio que trabalha normalmente
acoplado. Quando ocorre falha na alimentação do ar o freio é acionado
automaticamente.

Embreagens e Freios
Tipos de freios e embreagens
Podem ser classificados:
• Pela forma de atuação
• Pela maneira como transferem energia entre os elementos
• Pelo caráter do acoplamento
Pela forma de atuação
• Mecânica, pedal de embreagem de um automóvel
• Pneumática ou hidráulica, a pressão exercida por um fluido move um
pistão que acopla ou desacopla o mecanismo (freios de veículos)
• Elétrica, utiliza uma espira magnética para acionar o mecanismo
(solenóide)
• Automático, acoplamento através do movimento relativo entre os
elementos

4
Embreagens e Freios

Embreagens e Freios
Embreagens de contato positivo
A forma de transferência de energia pode ser por meio de um contato
mecânico positivo, como no caso de embreagens de dentes.
O engajamento mecânico se caracteriza pela interferência mecânica
através de garras, não sendo úteis como freio. O engajamento deve ser
feito a baixas velocidades (60 a 300 rpm).
Podem transmitir
grandes torques sem
escorregamento.

6
Embreagens e Freios
Embreagens e freios de atrito
São as mais comumente utilizados. Duas superfícies são pressionadas
entre si por meio de uma força normal para criar um torque de atrito.
A habilidade que uma embreagem ou freio tem de transmitir o calor
gerado pelo atrito pode ser o fator limitante de sua capacidade.

Embreagens e Freios
Embreagens e freios de atrito
As superfícies podem ser planas e perpendiculares ao eixo de
rotação, caso em que a força normal é axial – freio e embreagem de
disco.

8
Embreagens e Freios
Embreagens e freios de atrito
As superfícies podem ser cilíndricas com a força normal na direção
radial (freio ou embreagem de tambor).

Embreagens e Freios
Embreagens e freios de atrito
As superfícies podem ser cônicas (freio ou embreagem cônica).

10
Embreagens e Freios
Embreagens de
sobrevelocidade
Operam automaticamente com
base na velocidade relativa de
dois elementos. Atuam na
circunferência e permitem rotação
relativa em uma só direção. Se a
rotação tende a se inverter, a
geometria do mecanismo de
embreagem agarra o eixo e trava.
São utilizadas em guinchos para
evitar que a carga caia.

11

Embreagens e Freios
Embreagens centrífugas
Acoplam automaticamente
quando a velocidade do eixo
excede certo valor. Elementos
de atrito são forçados
radialmente contra um tambor
cilíndrico para que a
embreagem acople.

12
Embreagens e Freios
Embreagens e freios
magnéticos
As embreagens de atrito podem
ser operadas
eletromagneticamente.
Possuem vantagem como:
resposta rápida, facilidade de
controle, podem funcionar
acopladas ou desacopladas.

13

Embreagens e Freios
Acoplamentos fluídicos
Transmitem torque por meio de um fluido, tipicamente um óleo. Um
impulsor que possui pás é girado produzindo momento angular ao óleo
que movimenta uma turbina que é fixada ao eixo de saída.
Um acoplamento fluídico fornece partidas extremamente suaves e
absorve choques, uma vez que o fluido simplesmente cisalha quando
existe um diferencial de velocidade (acelerado ou desacelerado).
Haverá sempre algum escorregamento, a turbina não poderá nunca
alcançar 100% da velocidade do impulsor, mas poderá operar com
100% de escorregamento quando a turbina estanca.

14
Embreagens e Freios
Seleção e especificação
Fabricantes de embreagens e freios definem procedimentos de
especificação e seleção, em geral, baseados no torque, na potência e
nos fatores de serviço sugeridos, que compensam as diferentes
condições de carga, instalação ou fatores de meio ambiente com
relação aos que foram utilizados nos testes dos produtos. A
capacidade real nas condições de uso é considerada menor que a
capacidade anunciada para o dispositivo.

15

Embreagens e Freios
Fatores de serviço
De acordo com muitos fabricantes uma causa comum de problemas
em embreagens redunda da aplicação incorreta do fator de serviço que
levam em conta condições particulares de aplicação.
Um fabricante pode recomendar fator de serviço 1,5 enquanto outro
pode recomendar 3,0 para a mesma aplicação.
Uma embreagem ligeiramente pequena para determinada aplicação irá
escorregar e superaquecer. Uma embreagem muito grande adiciona
inércia desnecessária e pode sobrecarregar o motor que deve acelerá-
la.

16
Embreagens e Freios
Localização da embreagem
Quando uma máquina possui um redutor de velocidade e requer uma
embreagem surge a questão localiza-la no lado de baixa ou alta
velocidade.
Algumas vezes a posição é definida pela função, ex: automóvel
(desacoplar o motor da caixa de redução).
Uma embreagem no lado de baixa velocidade deve ser maior para
trabalhar com torques maiores.
A embreagem no lado de alta velocidade é menor devido ao torque
porem deve dissipar maior energia cinética e pode superaquecer mais
facilmente.

17

Embreagens e Freios
Materiais para embreagens e freios
Os materiais para as partes estruturais, como os discos e tambores,
são geralmente de ferro fundido cinzento ou aço.
As superfícies de atrito são forradas com um material que possua um
bom coeficiente de atrito, boa resistência a compressão e à
temperatura.
A fibra de asbesto foi o material mais comum, porem tem sido
substituído por ser cancerígeno.
As forrações moldadas usam geralmente resinas a base de polímeros.
Materiais sinterizados fornecem maiores resistências às temperaturas
e à compressão que os materiais moldados.

18
Embreagens e Freios
Materiais para embreagens e freios
A tabela abaixo mostra algumas propriedades friccionais, térmicas e
mecânicas de alguns materiais de forração.

19

Embreagens e Freios
Embreagens de disco
As embreagens na condição de uso apresentam a condição de
desgaste uniforme com pV = constante.

20
Embreagens e Freios
Embreagens de disco
Para o modelo de desgaste uniforme tem-se:

F: força axial
F = 2πri pmax (ro − ri )
pmax : pressão máxima
(
T = πµri pmax ro2 − ri2 ) T: torque de frenagem
N: número de faces de atrito
(ro + ri )
T = NµF
2
O máximo torque será quando o raio interno for:

ri = 0,577ro

21

Embreagens e Freios
Exemplo 15-1
Determine o tamanho adequado e força requerida para uma
embreagem de disco axial.
A embreagem deve transferir 7,5 hp a 1725 rpm com fator de serviço 2.
Usar modelo de desgaste uniforme. Pressupor um disco único a seco
com forração moldada.

22
Embreagens e Freios
Freios de tambor
Freios ou embreagens de tambor forçam o material de atrito (sapata)
sobre a circunferência de um cilindro seja externamente ou
internamente. Esse dispositivo é mais frequentemente utilizado como
freio.
Freio de tambor com sapatas externas curtas
Se o ângulo entre a sapata e o tambor for pequeno (< 45°) pode-se
considerar a força entre a sapata e o tambor como uma força
concentrada no centro da área de contato.

23

Embreagens e Freios
Freio de tambor com sapatas externas curtas

24
Embreagens e Freios
Freio de tambor com sapatas externas curtas

Fn = pmax rθ w

F f = µFn

T = F f r = µFn r

∑ M = 0 = aFa − bFn + cF f

b − µc
Fa = Fn
a

25

Embreagens e Freios
Freio de tambor com sapatas externas curtas
Auto-energização: com a direção de rotação do tambor mostrada o
momento de atrito cFf é aditivo ao momento aFa. Uma vez aplicada
qualquer força Fa o atrito gerado na sapata atua de maneira a
aumentar o torque de frenagem.

Autotravamento: se o produto µc ≥ b a força Fa requerida para ativar o


freio se torna nula ou negativa.

b − µc
Fa = Fn
a

26
Embreagens e Freios
Exemplo 15-2
Determine a razão c/r que irá
produzir uma relação de auto-
energização Fn/Fa de 2.
Encontre também a razão c/r
que irá causar autotravamento.
As dimensões são a=b=6, r=5,
coeficiente de atrito = 0,35.

27