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O QUE A UMBANDA ESPERA DE NÓS

Todas as pessoas que frequentam os milhares de terreiros espalhados pelo mundo,


esperam algo da Umbanda.

Alguns médiuns entram na corrente porque “disseram que precisam desenvolver”, “que
vai ser bom pra vida deles”, etc.

Outros se acham tão desenvolvidos que estão fazendo o favor de estar num terreiro,
com seus guias com nomes pomposos e superiores...

Há os que acham que ser umbandista é ir de vez em quando na gira, encher o pescoço
de guias, rodar do santo e voltar pra casa, achando que fizeram muito.

Mensalidade? Que absurdo! Mas não é casa de caridade?

Com relação à assistência, consolidou-se o entendimento de que os guias têm obrigação


de resolver os problemas que eles mesmos criaram...mas entidades não fazem fofoca, não
fazem carnês, não fazem escolhas erradas.

É obvio que estão aqui pra ajudar sim, mas pra isso é preciso que o consulente mude de
pensamento e atitude, a fim de consertar os equívocos e não repetir os mesmos erros.

Todos esperam algo da Umbanda, mas alguém se pergunta o que a Umbanda espera
de nós?

Pra começar, a Umbanda espera respeito! Por que uma pessoa não vai à missa ou em
culto de shorts ou decote, mas acha que pode ir vestida assim num terreiro? Por acaso um
terreiro não é sagrado o bastante para ela? Ou a Umbanda não seria uma religião séria e digna
de respeito como todas as outras?

Da parte dos filhos, a Umbanda espera que estudem e saibam o que foi revelado sobre
o mistério Exu e Pomba-gira, pra que não confundam suas próprias fantasias e conceitos
equivocados e transformem as giras de esquerda num espetáculo deplorável, que assusta e
espanta as pessoas, relegando nossa religião a segundo plano.

Espera que os erês não sejam confundidos com crianças humanas, mas compreendidos
como seres cuja inocência os ponha em relação a nós tais como crianças. Que a malandragem
da falange do Sr. Zé Pelintra é a de ter jogo de cintura nas lutas da vida, e não ter várias mulheres
ou enganar as pessoas como os “malandros” humanos.

A Umbanda espera que os filhos que vão aos terreiros pra “descarregar” mudem de
religião, pois terreiro é local sagrado e não lata de lixo...

A Umbanda espera que os filhos que chegam e encontram o terreiro limpo e arrumado,
tenham a sensatez de ficar e ajudar na limpeza no final dos trabalhos. Afinal, alguém imagina
que tudo se fez sozinho, num passe de mágica? Espera que os membros da corrente tenham a
consciência de que cada uma tem a obrigação de ajudar a manter o chão em que pisa e que um
terreiro não se mantém às custas de esmolas, mas sim de compromisso dos filhos para com a
casa que eles escolheram.

O que é pedido nos terreiros sérios não é dízimo nem aquilo que o filho não pode dar,
mas sim o mínimo para que se possa manter um templo que tem despesas comuns a todos.
A Umbanda espera que o filho-de-santo respeite o pais e mãe que ele mesmo escolheu
pra conduzir sua vida espiritual, e se no percurso descobrir que quer trilhar outros caminhos, vá
em paz sem cuspir no prato que comeu...

Espera também um pouco de noção daqueles que cospem no prato em que ainda estão
comendo...envenenando o próprio Axé, bebendo veneno esperando que o outro morra...

Da parte dos dirigentes, espera que aceitem as decisões dos filhos, que são livres pra
escolher o terreiro que quiserem, quando quiserem, sem pressões ou ameaças.

A Umbanda espera que sejamos sábios e que rejeitemos todo tipo de maledicência ou
outras conversas contraproducentes, que nos afastam da divindade e da evolução, ao invés de
nos aproximar delas.

Palavra é poder. Um umbandista deve saber seu valor e usá-la com sabedoria. Se fofocas
fossem orações estaríamos todos salvos...

A Umbanda espera que a reforma íntima seja praticada e não apenas estudada. A
mudança vem de dentro, fruto de um bom coração e uma mente aberta, onde não existam
julgamentos do lado material nem do lado espiritual, rotulando espíritos como maiores ou
menores, com ou sem luz, bons ou maus...o que existe são os que compreenderam ou ainda
não...

A Umbanda espera que seus filhos estudem sobre mediunidade, sobre os mecanismos
da incorporação, se desenvolvam de forma sadia, sem vícios e equívocos infundados, que
tornam esse dom um problema e não uma virtude.

A Umbanda espera que seus fiéis não emporcalhem os pontos de força dos Orixás com
sujeira, garrafas, plásticos, isopor ou coisas do gênero, mas que possam fazer suas oferendas
com respeito e limpeza, deixando na natureza apenas os itens biodegradáveis e que não agridam
o meio ambiente.

A Umbanda ainda quer ser descoberta...quer ser sentida, compreendida e praticada


como nenhuma religião jamais foi. A Umbanda veio pra resgatar aquela época em que a
natureza era considerada uma extensão e uma manifestação de Deus, sem necessidade de
templos, pastores ou intermediários de qualquer sorte.

A Umbanda espera, pacientemente, que seus filhos vejam além das aparências, tenham
coragem de sair da zona de conforto e que sejam mais que apenas umbandistas; sejam
guerreiros da luz! Que sejam irradiadores das qualidades de cada Orixá, que sejam faróis a guiar
os passos daqueles que ainda dormem, Axé!