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A cidade colonial não nasce apenas como entreposto comercial, na verdade o objetivo era

outro. Era o estado que comandava a cidade, porém no interior quem comandava era o
poderio privado a quem era representado pelos senhores nativos.
Por vezes a coroa era obrigada a intervir fora das povoações, nesse aspecto, abriu-se um
leque de oportunidades para empregar milícias e tropas burocráticas dentro dos exércitos
profissionais. Essas tropas profissionais tinham objetivo de empreender guerras no
interior, quando as milícias não estivessem dando conta da expansão pelo Território
brasileiro.
As cartas fazem referência ao envio de tropas para guerra do Açu, em que o Dom
Fernando Martins Mascarenhas de Lancastro, pede ajuda ao rei para enviar tropas
burocráticas, porém, o rei apenas manda os indígenas. Tal qual, existia um temor por parte
dos governadores ao mandar as tropas burocrática, já que era grande o risco de deserção
das tropas, haja visto o baixo recurso e escassez de homens para eventuais expedições.
Relata-se o caso em 1674 príncipe pedido ajuda ao capitão mor de Pernambuco para que
esse enviasse infantaria (Cerca de 25 soldados) e munições para a capitania do Rio Grande
do Norte.
Nesse caso não é para um canto tão remoto assim que vão mandar os homens de Recife
e Olinda, ao contrário, trata-se de um dos centros urbanos chaves da colônia. Mesmo
assim é um deslocamento de homens cujos pagamentos estão frequentemente em atraso,
mal equipados, malvestidos, mal alimentados, embarcados em condições precárias
localidades onde estes não possuem laços sociais. E são esses laços sociais que mantém
esses homens vivos
As disputas políticas também no seio da Coroa tendem a usar as tropas burocráticas e
institucionais como instrumentos de efetivação dos poderes em questão. Assim, os pobres
e livres urbanos são postos, mais uma vez, como elementos chaves das disputas de poder
entre os grandes.
Mas a utilização da tropa burocrática também não tem um caráter somente político. Ela
também pode ser bastante prática, por exemplo, quando é empregada na cobrança de
impostos. Eles eram utilizados para bloquear boiadas.
As tropas burocráticas coloniais não são apenas organismos repressivos, são também
estamentos reprimidos da sociedade. E se cobrar impostos, recrutar homens, policiar as
vilas, desbaratar quilombolas e revoltas índias, lutar contra castelhanos e mostrar o devido
lugar a alguns senhores mais ousados.
Aspectos da companhia.
Essas companhias, comandadas ‘pelo arbítrio dos tenentes, nunca faziam exercícios, nem
no quartel se conhecia o que era disciplina. Eram uns homens vestidos de uniformes, que
andavam a cavalo absolutos, e sem terem outro algum exercício que o de acompanharem
alguns o vice-rei, quando saía fora, além de dois que acompanhavam o tenente-general.
Artesãos, bandidos, esmoleres: as formas alternativas de
trabalho dos militares
Observar-se que desde criminosos, vadios e outros elementos incômodos faziam parte da
tropa do rei, sendo que banana e farinha eram seus alimentos, haja visto do miserável
soldo.
O serviço militar impedia que os soldados exercessem outra função na colônia, já as
milícias poderiam exercer diferentes funções. Para resolver tal problemática, eram
providenciadas licenças para os soldados. Assim se envolviam com atividades que iam
desde trabalhos mecânicos, pedir esmolas, ou expedientes a exemplo de arranjar cobre ao
rezar diante a porta dos nobres (colando editais ou cantando missa em operas e igrejas)
enfim qualquer tipo de trabalho.
Alguns oficiais por terem seu soldo atrasado, as vezes por anos, utilizavam do charme ao
montar em cavalos alazões para conquistar garotas com elevadas condições econômicas.
O baixo soldo acaba por gerar condições desfavoráveis, empurrando os militares para o
latrocínio e mendicância.
Velhos, estropiados e ignorantes: Incompetência e
inutilidade das tropas
A parte da tese busca analisar discurso da invalidez das tropas (página 215) ; “Atesto que
Francisco Ferreira da Assumpção soldado da 3 ª Companhia do Regimento do Recife é
enfermo do achaque de asma a qual queixa além de ser de sua natureza rebelde e pela
maior parte incurável...Pelo que ele é incapaz do Real Serviço, em cujo diário e
indispensável trabalho se há de arruinar de todo.
O valor dos soldados
O caso de um soldado que pediu demissão depois de 29 anos, haja vista a
insustentabilidade da situação das tropas. Outro dado diz respeito ao fato de que os
bandidos e condenados sejam rapidamente incorporados à tropa de linha, não ajuda a que
esses corpos fujam da desonra e afasta os homens de boa conduta.
Roubos, estupros, assassínio
Fuga. Resistência. Castigo. Punição