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Curso Thomas More: “Como defender a Igreja sem levantar a Voz”

1) Saber o público alvo para quem nós estamos a falar. É completamente distinto estarmos a

falar para uma criança, para um idoso, para um letrado ou para um analfabeto. Esta é um

dos aspetos fulcrais que temos de ter impreterivelmente em conta antes de começarmos

qualquer tipo de conversa, debate ou discussão. Corremos vários riscos neste ponto. O de

sermos demasiado infantis, o de sermos demasiado concretos, o de sermos demasiado

gerais. Teremos que ser capazes de adaptar a nossa mensagem ao nosso interlocutor.

Ideias:

1) Por de trás do espaço público existem alguns Princípios Essenciais.

2) Existe um método próprio para comunicar Questões Nevrálgicas.

Por vezes, o erro que nós cometemos não é tanto de conteúdo, não é tanto da mensagem, mas

mais o modo, a forma, como comunicamos a nossa ideia. Esta aspeto relaciona-se com a

importância de sabermos à partida o nosso público alvo, porém envolve também outros assuntos

que abordaremos em seguida.

A atitude do recetor, do nosso interlocutor, também é crucial. Nós não podemos comunicar as

nossas ideias, mesmo que estas sejam verdadeiras. Se o nosso interlocutor estiver a ter uma atitude

de não saber e de não querer saber é complicado que cheguemos a acordo e a algum tipo de debate

ideológico frutífero.

Fatores da Comunicação Pública:

1) Mensagem→ Aquilo onde temos mais margem de melhoria e aquilo que nós

podemos controlar melhor, quando confrontados com a obrigação de falar para

qualquer tipo de público. Antes de entrarmos em qualquer tipo de interação pública,

temos que, em primeiro lugar, saber exatamente aquilo que queremos dizer. Caso

contrário tornamo-nos vulneráveis a qualquer tipo de perguntas carregadas que vão


afetar a nossa capacidade de transmitir informação, vão afetar todo o nosso aspeto

comunicativo.

2) Imagem→ Um pouco mais difícil de controlar, mas igualmente relevante. Veja-se o

exemplo do primeiro debate televisivo da história do mundo. Kennedy vs. Nixon. A

questão da maquilhagem do primeiro fez com que este fosse eleito (recolhendo os

votos de quase todas as mulheres e jovens). É também neste tópico que vamos ganhar

ou perder autoridade. É difícil que ganhemos algum tipo de respeitabilidade se formos

para a televisão debater algum assunto fraturante se estivermos vestidos de T-shirt e

chinelos…

3) Gestão do Tempo→ Extremamente complicado de se controlar. Esta gestão também

é crucial, visto que vai influenciar a nossa capacidade de transmitir a mensagem que

temos preparada. Exemplo do maluquinho do Porto no parlamento. É importante que

tenhamos a capacidade de expandir e contrair o nosso argumento em 2 minutos ou 2

horas. Isto pode parecer fácil de fazer, mas de facto, se estivermos sob pressão, não é

fácil que consigamos transmitir os nossos conhecimentos a outros quando somos

forçados a fazer estes jogos de tempo.

Porém, não nos podemos esquecer que todos estes 3 fatores são completamente irrelevantes se

as pessoas perceberem que o emissor da mensagem é incoerente e não acredita (nem vive) naquilo

que está a dizer. Portanto, façamos o que Ralph Waldo Emerson nos diz: “O que fazes fala tão

alto, que não consigo ouvir o que dizes”. De acordo com Kierkegaard, o Cristianismo é “Uma

mensagem que anuncia o mensageiro”, e é nisto mesmo que temos de atentar. Uma mensagem

tem que ser vista à luz do seu mensageiro. Se quem profere a mensagem é um banana, por

muito boa que seja a sua mensagem, o seu impacto será sempre reduzido, quando não nulo ou até

mesmo negativo, fazendo com que o nosso interlocutor/recetor perca interesse em mudar de

opinião.
Imagem:
Neste aspeto, tem de haver um jogo sólido entre o conteúdo e a forma da imagem. Se estas não

jogarem, temos um problema. Existe algo que está manifestamente errado, e que tem que

impreterivelmente ser corrigido. Caso contrário, perdemos a atenção do recetor e faz com que ele

não ligue à mensagem que estamos a tentar transmitir.

Aqui, no monumento abaixo representado, existe algo que funciona. A obra de arte em memória

de todos os bebés abortados transmite-nos uma mensagem que é forte, concisa, eficaz. Espelha

sofrimento de uma senhora, que ao mesmo tempo não é mãe, porque matou a própria filha, mas

que não o deixa de ser apenas por a sua filha não estar viva. A filha dá a entender, com o gesto que

faz com a sua mão, um ato de complacência para com a sua progenitora, se bem que o seu perdão

não é efetivo, porque ela já não existe. Os materiais utilizados são indubitavelmente geniais.

O material opaco da mãe demonstra a existência e o acrílico translúcido demonstra a ausência.


Apologética Negativa:

Basicamente, a apologética negativa, consiste em jogar ao ataque. Em muitas situações é isto que

acontece nas nossas vidas. Quando confrontados, decidimos, porque temos a verdade do nosso

lado, confrontar o nosso opositor de modo agressivo/destrutivo. Este método de discussão pode

ser útil com algum tipo de situações (em especial quando somos confrontados com plateias

desfavoráveis) e com algum tipo de ouvintes (especificamente os mal-intencionados e os

adolescentes teimosos). Porém, este método pode ter um problema muito significativo.

Corremos o risco de perder, para sempre, o nosso interlocutor. Perdemos essa pessoa, porque ela

foi humilhada. Isto faz com que seja pouco provável que essa pessoa mude de opinião, faz apenas

com que essa pessoa ganhe ainda mais aversão às minhas ideias, por mais nobres e verdadeiras que

elas possam ser, e a mim próprio, dado que eu as humilhei. Será quase impossível que essa pessoa

volte a tentar falar comigo, a discutir, a trocar ideias. Sugere-se, portanto, que este método seja

utilizado apenas em último recurso e que em casos onde não se justifique a apologética negativa

seja utilizado antes o Método do Enquadramento.

Exemplos com força:

 Discurso do Obama→ Yes, we can!

 JMJ de Madrid→ Importância de rezar o terço.

 Anúncio da Pheiser→ Be brave!

Em todos estes três exemplos existem mensagens positivas, curtas, que recorrem a uma história e

a vários exemplos. O facto é que mesmo que não seja fácil associar o conteúdo ao mensageiro e à

sua mensagem, isto acaba por funcionar muito, mas mesmo muito bem.
Temas fundamentais do Cristianismo:

 Não é uma doutrina filosófica, nem é anonómino, não se encontra independente do

sujeito.

 “Ou Cristo vive ou é vã a nossa fé. Comamos e bebamos que amanhã morreremos”. A

ressurreição de Cristo é fundamental para a sua autoridade. É normal que os apóstolos se

tivessem fechado depois da morte de Cristo na Cruz.

 O Cristianismo não é uma ideologia. Tem de ser algo muito mais forte.

 “Eu sou o caminho a verdade e a vida”. Os santos caminham para ser ipsis Christis. Ou os

cristãos caminham em direção a Cristo, ou não estamos aqui a fazer nada.

 Ser Cristão é identificar-se em tudo com Cristo.

 Existe o perigo do relativismo moral, o de cozinhar um Deus à medida do nosso egoísmo.

 Antes de vermos o bem e o mal temos de ver de onde vem a nossa moralidade. E não

somos nós que definimos…

Tipos de pergunta de questão sobre Deus:

 Existencial→ Que questionam a existência

 Especulativa→ Que questionam o conteúdo

 Aquilo que fazemos constitui-nos. Ou andamos para a frente ou para trás no amor de

Deus.

 Às vezes Deus põe-nos em posições que nos obrigam a fazer uma escolha radical. Ou Ele,

ou eu.

 O sofrimento como um “invisible hook” → Chesterton


 O jantar dos ateus→ Les Diaboliques

 Quando o sentido não está em Deus está em todo o lado, mas essa busca é demasiado

ampla e surgirão sempre problemas relacionados com essa busca de sentido abstratamente

ampla. O pior ídolo serei eu próprio.

Quem é Deus?

A resposta passará pela revelação. Até certo ponto é possível chegar-se a uma criatura

superior, mas é preciso que Deus fale a nossa linguagem para nós a conhecermos. Temos duas

fontes de revelação: A sagrada escritura e a Sagrada tradição.

Na sagrada escritura temos a Antiga (pedagogia divina) e a nova Aliança (a boa nova).

Temos uma metáfora viva cujo conteúdo permaneça. A linguagem empregue na sagrada escritura

é escrita numa linguagem não só poética, mas que não perde a essência e perdura ao longo dos

séculos. A S.E. é a palavra de Deus.

Na sagrada tradição há a história comum de um povo. As pessoas que vivem a verdade

de Cristo falam a mesma linguagem. Aquilo que segundo o ponto de vista do povo era

verdadeiro.

A Igreja teve um problema, porque tinha a responsabilidade de definir o que era ou não a

palavra de Deus e as suas verdades de fé.

Os protestantes têm um problema, porque nas escrituras não diz que basta a fé e as

escrituras.

Porque é que a Igreja se pode pronunciar sobre o novo testamento? Porque é da autoria

da Igreja esses escritos.


O pecado original é querer definir-se o bem e o mal. Conhecer é poder (ter a posse, ter o

controlo). O desconhecimento, por oposição, é autodestrutivo, é não poder.

Dons Preternaturais:

1. Imortalidade

2. Impassibilidade (não ter sofrimento)

3. Integridade (ter controlo absoluto sobre si mesmo)

4. Ciência Moral Infusa (conhecer o que é bom)

Um pai cumpre as promessas→ Scott Hann

No hebraico o superlativo é a repetição da mesma palavra. Há morte sobrenatural e a morte

natural. O demónio faz referência à morte física.

O pecado original não é só um pecado de orgulho. “o fruto era bom” implica que a tentação era

sedutora e boa para o ouvido do homem “sereis como deuses”.

Paradise Lost→ John Milton

Com o pecado original existe a perda dos bens preternaturais.

Livro IX, discussão Adão e Eva. Passagem da claridade, para a perda e desgraça do pecado. Há

perda da integridade e dá origem à concupiscência. Todo o ser humano que nasce pós-pecado

original nasce num estado ferido, uma natureza avariada.

O Génesis continua com a História de Noé. A descrição da primeira aliança. Estava bêbedo.

Depois a uma segunda aliança com Abraão. História do sacrifício iminente e impedido de Isaac.

A história da concubina.

Há uma terceira aliança com Moisés e a História das tábuas da lei. “Tudo o que o Senhor disser

nós o faremos”. O gesto é consumado pelo aspergir do sangue da bacia. Problema da desconfiança

na rocha.
Há a quarta aliança com o Rei David. Problemas com as mulheres.

A ideia de que a ofensa a Deus tem de ser reposta. Já vem desde a Orestheia e a história de

Agamenon.

Deus vai pedindo cada vez mais às suas alianças.

Sacrifício do animal, com Noé, sacrifício do filho, com Abraão, mas que foi do cordeiro

(vicariedade), depois é todo o povo, com Moisés, sacrifícios diários e a questão do templo, com

David.

A ofensa do pecado original é infinita. O homem, para além de ter perdido os dons preternaturais,

fica privado do convívio com Deus. O dano precisa de ser reparado e, para tal, é preciso um

sacrifício perfeito que restitua os danos a Deus.

Nós somos um ser relacional e, como tal, dependemos inteiramente dos outros.