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Fichas Documentais Sobre


Como fazer monografias: TCC, dissertações e teses
(ACEVEDO; NOHARA, 2013)
Fichas elaboradas na disciplina de Seminário de Projeto de Pesquisa 2017
com adição de comentários e orientações técnicas do professor
UFPR-SACOD-Deartes
Professor José Estevam Gava

Referência completa:
ACEVEDO, Claudia Rosa; NOHARA, Jouliana Jordan. Como fazer monografias: TCC,
dissertações e teses. São Paulo: Atlas, 2013.

CONCEITOS PRELIMINARES

Monografia é um trabalho escrito sobre tema único, fruto de pesquisa cientificamente


embasada e que responde a uma pergunta ou problema central (ACEVEDO; NOHARA, p.5).
O TCC deve seguir o modelo científico? Pelo visto, a ABNT não deixa isso muito claro,
dando margem a interpretações diversas. Contudo, essa dúvida é solucionada à página 22. Segundo
as autoras, o TCC também deve seguir o modelo científico, assim como as dissertações e teses.
Alguns professores deste departamento não concordam, afirmando que no TCC não se produz
conhecimento, apenas se aprende a lidar com as referências (neste caso, o TCC não seria pesquisa,
mas apenas trabalho acadêmico de consulta, mera compilação de informações). O regulamento de
nosso TCC, no entanto, deixa claro que é necessário seguir a lógica científica e explicitar o
problema central logo na etapa de projeto, não importando opiniões discordantes entre os
professores (idem, p.22).

PESQUISA CIENTÍFICA
A pesquisa científica diz respeito a procedimentos voltados a responder uma questão,
problema ou dúvida. Toda pesquisa deve ser objetiva. Ela não pode ser subjetiva nem pessoal, mas
reconhecível e passível de ser aceita por várias pessoas. Ela não trata de opiniões pessoais. O
caráter, portanto, tem de ser universal e não pessoal. O foco de uma pesquisa científica deve ser a
realidade empírica, ou seja, tudo o que existe e que pode ser posto à prova (idem, p.6).
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A CIÊNCIA E SEU OBJETIVO


O objetivo da ciência é compreender a realidade empírica; explicar; predizer eventos ou
fenômenos. Por realidade empírica se entende tudo o que pode ser permeado pela experiência, ou
seja, todo o conhecimento que possa ser captado pelos sentidos e pela consciência. Fatos são coisas
que existem. Fenômenos são construções intelectuais oriundas da percepção dos fatos (idem, p.7)
A ciência visa a explicar como é a realidade; explicar as razões de ela ser assim; como
são as coisas. A ciência não se presta a ensinar a se fazer algo, como, por exemplo, escrever um
método de contrabaixo. Fazer uma série de normativas práticas que ensinam a fazer algo não é
fazer ciência. A ciência explica como determinado fenômeno se relaciona com outros. Assim,
explicar é conhecer relações e essas explicações são sempre parciais, sujeitas a aprimoramentos
ou a outros pontos de vista mais aperfeiçoados ou pertencentes a outra corrente teórica. Em
resumo, a ciência investiga as causas dos fenômenos bem como as relações entre eles. A ciência
permite também descrever e classificar fenômenos. Fazer um manual prático não é fazer ciência
(idem, p.9-11).
A ciência pode ajudar a resolver problemas da humanidade, mas não de forma direta,
imediata ou consequente, pois não é esse seu objetivo. A ciência pode sugerir direções, mas não
pode dizer como fazer alguma coisa. A ciência não é um receituário. Além disso, a ciência busca
por generalizações que possam gerar leis, não por casos específicos (p.11-12).

TEORIA
Teoria é tudo o que se sabe a respeito de algo vindo da realidade empírica. A teoria resume
e explica fatos; apresenta relações entre fatos; classifica; sistematiza; seleciona; indica lacunas,
prevê novos fatos e relações e orienta novas hipóteses. A teoria deve existir em toda e qualquer
pesquisa científica, que é cumulativa e progressiva, que sempre aumenta a quantidade e a
qualidade do conhecimento armazenado (p.12).
A ciência representa o mundo por intermédio de teorias verificáveis e certificadas por
diferentes pesquisadores. Teorias são sempre melhoradas ou adaptadas. As teorias já existentes
precedem as observações da realidade, favorecendo novas investigações. Constructos são
conceitos inventados; construções mentais da realidade. Música clássica, por exemplo, é uma
construção mental cuja explicação depende de uma série de considerações e pontos de vista
mutáveis (p.13).
Teorias elaboram possíveis relações entre constructos. Elas podem ser reputadas (aceitas)
ou refutadas (recusadas) (p.14-15).
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REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Rever a bibliografia implica em considerar trabalhos anteriores sobre o mesmo assunto
ou campo do conhecimento. As autoras tentam separar teoria de revisão bibliográfica, mas ambas
são, em essência, teoria: conhecimento acumulado sobre algo. Cabe ao pesquisador decidir se
apresenta a teoria separada da revisão bibliográfica. Contudo, juntá-las é bem mais fácil e prático
(p.15).

PROBLEMAS E HIPÓTESES
Problema é a pergunta central da pesquisa. Hipóteses são explicações preliminares a
serem testadas cientificamente. Ambos, problemas e hipóteses servem para direcionar a pesquisa.
Sem problema e sem hipóteses uma pesquisa não tem como ser iniciada (p.16).

LEIS
Leis nascem da comprovação de hipóteses. Leis são enunciados que descrevem
regularidades. Para se tornar lei, a hipótese deve ter alcance geral, deve ser confirmada e validada
empiricamente e pertencer a alguma corrente teórica. Leis predizem fenômenos ou pelo menos
devem ter essa capacidade (p.17).

MÉTODO CIENTÍFICO
O método científico é composto por regras e procedimentos pelos quais o conhecimento
científico se dá. O método científico “é a lógica da justificação” ou recusa de hipóteses, leis e
teorias (p.18).

ETAPAS DA LÓGICA CIENTÍFICA


A lógica científica é o encadeamento lógico que envolve etapas: formulação de um
problema, revisão bibliográfica, enunciado de hipóteses, descrição da metodologia, coleta de
dados, sua análise e interpretação (p.18).

O PROCESSO DA PESQUISA CIENTÍFICA


Esse processo deve conter a interação entre o problema central, os eventos ou objetos do
mundo, a teoria e os métodos (p.18).
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AS PARTES DE UMA MONOGRAFIA


Toda monografia científica deve conter, esquematicamente, as seguintes partes:
- Introdução, pela qual se apresenta o problema e delineia-se toda a pesquisa.
- Revisão da literatura, domínio conceitual com base na teoria existente sobre o assunto.
- Metodologia diz como será feita a coleta de dados e como estes serão tratados ou
manuseados.
- Resultados, por onde se descreve o que se obteve na prática.
- Discussão, etapa em que a análise entrelaça o domínio conceitual e os resultados da
pesquisa.
- Considerações finais, seção final, que dá o fechamento do trabalho; a “moral da
história”; o “resumo da ópera” (p.20).

PROJETO DE PESQUISA
O projeto é o planejamento da pesquisa; é a primeira instância validadora da pesquisa.
Nenhuma monografia científica se torna monografia sem antes ter passado pela etapa de projeto.
O projeto é a primeira instância de validação na construção do conhecimento (p.21-22).

PESSOAL ENVOLVIDO
Desde a etapa de projeto, várias pessoas terão sido envolvidas na construção da futura
pesquisa, a iniciar pelos professores responsáveis pelas três disciplinas que são pré-requisitos para
o TCC, até chegar ao pretendido orientador, que com toda certeza vai propor que o projeto seja
reformulado em algum nível. Iniciada a pesquisa, além do orientador haverá o coordenador do
TCC, que tem a atribuição de zelar pelo cumprimento de todo o regulamento. O coordenador pode
ser consultado sobre qualquer assunto pertinente ao TCC, inclusive sobre sua escrita e execução,
opinando e sugerindo, se julgar que deve (ainda que alguns professores não gostem muito dessa
“intromissão”). Finalmente, haverá mais dois professores convidados a integrar as bancas de
qualificação e defesa. Ao todo, oito pessoas (estudante + sete professores) estarão envolvidas em
cada trabalho e, de certa forma, serão responsáveis pelo resultado final. É por isso que uma
pesquisa não tem como apenas expressar opiniões pessoais de alguém. Ela é sempre fruto de
muitas cabeças pensantes (informações adicionadas pelo professor).

PARTES DO PROJETO
Todo projeto tem de conter um problema (dúvida, questionamento, fio condutor) posto
de forma clara e objetiva, uma fundamentação teórica básica e uma explanação metodológica que
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explique como o trabalho será desenvolvido na prática, ao longo do tempo disponível. O projeto
de pesquisa é o esboço sobre o qual se construirá a monografia científica. Desta forma, o texto do
projeto nunca é descartado, mas sim aprimorado e complementado até se transformar na
monografia (p.22).

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PARTES DE UM TRABALHO CIENTÍFICO

Toda monografia científica é dividida em três grandes partes: pré-textual, textual e pós-
textual. Antes de tudo vem a capa, que em nosso TCC deve estar presente apenas na versão final,
com encadernação rígida e lombada também impressa (ver apostila específica) (p.23).
Essas grandes partes obrigatoriamente devem conter:
Parte pré-textual: folha de rosto – resumo – sumário.
Parte textual: introdução – desenvolvimento – conclusão (considerações finais). Aqui está
o miolo do trabalho, com divisão em capítulos ou seções numeradas.
Parte pós-textual: referências (p.24).

PARTES OBRIGATÓRIAS DO PROJETO DE PESQUISA


Todo projeto tem de conter:
-Problema
-Objetivos (geral e específicos)
-Fundamentação teórica
-Hipóteses
-Metodologia (explanação de técnicas para coleta e análise de dados)
-Referências (sendo parte pós-textual, esta não é numerada como seção) (p.25)

Todas essas partes devem estar “amarradas” em torno do problema central, que é o fio
condutor da pesquisa. Esse foco é obrigatório, deve ser único, redigido com clareza e mantido ao
longo de todo o trabalho (p.24-25).
Em toda monografia científica a discussão deve considerar tanto as pesquisas anteriores
feitas sobre tema correlato como a fundamentação teórica a respeito do assunto (p.26).
Para testar se o foco está sendo mantido ao longo de cada parágrafo deve-se perguntar:
- O trecho contribui para responder ao problema central? (p.27)
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Da mesma forma, todas as seções (capítulos ou partes) devem contribuir com a solução
da pergunta central. Caso contrário, haverá perda de foco; haverá partes supérfluas que não
contribuem para a pesquisa e devem ser omitidas (p.29).

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A INTRODUÇÃO

Na introdução deve-se responder a três perguntas essenciais:


-O quê? Primeiramente de forma ampla; depois, de forma mais específica.
-Por quê? Esta é a parte das justificativas para o trabalho.
-Como? Aborda-se aqui a metodologia a ser aplicada.

A introdução deve, nesta sequência:


Apresentar sumariamente o assunto.
Justificar sua importância.
Explicitar o problema.
Delinear os objetivos.
Definir termos ou conceitos especiais.
Informar como o trabalho é dividido e do que tratam suas partes (p.31).

APRESENTAÇÃO DO ASSUNTO – O QUÊ?


Assunto é algo amplo; uma área do conhecimento. Assim, um assunto pode conter
infinitos problemas. Como definir um assunto? Um assunto pode ser definido a partir de leituras
preliminares, exploratórias, por iniciativa do estudante ou por sugestão do pretendido orientador.
O assunto também pode ser definido a partir de uma disciplina acadêmica já cursada. Pode ainda
partir de uma predileção ou interesse pessoal sobre assunto já parcialmente conhecido, o que
facilita muito as coisas (p.32).
Esses procedimentos preliminares fornecem “inspiração” para se eleger um problema;
indicam lacunas de informação a serem preenchidas (p.33).
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JUSTIFICATIVA – POR QUÊ?


Justificar significa convencer o leitor de que a pesquisa vale a pena, é interessante,
pertinente e exequível. Contudo, isso deve ser feito com base em argumentos impessoais (34-35).

O PROBLEMA – O QUÊ?
O problema deve ser anunciado de forma interrogativa e com a máxima clareza. Sem isso,
a pesquisa não tem futuro; sequer pode ser iniciada (p.37-38).

Devem ser evitadas questões sobre como fazer algo, pois que escapam do domínio da
ciência. Evitem-se, também, expressar juízos de valor, pois que não podem ser verificados
empiricamente. Evitem-se, ainda, casos particulares, pois à ciência interessam apenas
generalizações. Casos particulares só são pertinentes com o objetivo de explicarem fenômenos
gerais (p.38).

OBJETIVOS DO ESTUDO – POR QUÊ?


Os objetivos devem ser enunciados com os verbos no infinitivo. O objetivo geral visa a
responder à questão central. Objetivos específicos são auxiliares do objetivo geral. O objetivo geral
é alcançado graças aos objetivos específicos (ou secundários) (p.39 e 41).

DEFINIÇÃO DE TERMOS
É necessário definir termos sempre que houver risco de dúvida ou má interpretação de
termos técnicos, termos especiais ou conceitos. No caso de uma pesquisa que envolva termos
próprios da linguagem musical, pode-se considerar que ela só será lida por pessoas que conheçam
o essencial dessa linguagem. Assim, não será necessário definir os termos de uso mais corrente e
de mais amplo conhecimento. Cabe aí usar o bom-senso (p.42).

ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO
Para finalizar a seção de introdução, ou capítulo introdutório à pesquisa, apresenta-se
como o trabalho é dividido, descrevendo-se brevemente o que conterá cada parte, capítulo ou
seção. O exemplo colocado pelas autoras nesta página indica a bibliografia (referências) como um
capítulo de pesquisa. Contudo, sendo uma parte pós-textual, as referências não devem conter
numeração, pois não são um capítulo da pesquisa.
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Recapitulando, a seção de introdução deve, nesta ordem:


Apresentar sumariamente o assunto (do que se trata?).
Justificar sua importância (por que o assunto foi escolhido?).
Explicitar o problema (o que será tratado mais especificamente?).
Delinear os objetivos (o que se busca?).
Definir termos ou conceitos especiais (do que se trata especificamente?).
Informar como o trabalho é dividido e do que tratam suas partes (como o assunto será
abordado?).
Assim, na introdução deve-se responder às perguntas: O quê? Por quê? Como? (p.45)

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REVISÃO DA LITERATURA

Ainda que o capítulo destinado à teoria possa ser subdividido, as autoras recomendam
apresentar a teoria sobre o assunto e a revisão de trabalhos anteriores numa única seção do trabalho.
Na teoria relacionam-se as leis máximas de determinada área do conhecimento, leis que servem
de balizas gerais. Na revisão da bibliografia relacionam-se outros estudos que trataram de
problemática semelhante àquela então escolhida (p.47).
As teorias são amplas e “podem explicar diferentes fenômenos”. A revisão de trabalhos
anteriores trata de considerar outras pesquisas que analisaram fenômenos específicos que estejam
diretamente relacionados à nova pesquisa. Levando em conta que pode haver várias teorias para
explicar um mesmo fenômeno, cabe ao pesquisador escolher aquela que ele achar mais
conveniente. Da mesma forma, pelo menos num trabalho de conclusão de curso, não há o
compromisso de buscar tudo o que existe sobre o fenômeno, cabendo ao pesquisar e seu orientador
selecionar um elenco apenas suficiente de trabalhos anteriores (p.48).
A ciência é sempre um trabalho de conjunto no qual pesquisas mais recentes se apoiam
em pesquisas já realizadas que lhes dão apoio, sustentação; tudo com o objetivo de “buscar
melhores explicações para o mundo”. O caráter evolutivo da ciência e a crítica a trabalhos
anteriores só é possível quando se conhece muito bem o assunto. Por isso, toda pesquisa deve
demonstrar conhecimento sobre o que já foi escrito por outros pesquisadores. Só assim é possível
a superação e a busca por melhores explicações para algo (p.49).
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AS REFERÊNCIAS
Levando em conta que toda a seção de revisão da literatura tratará de trabalhos
preexistentes, é necessário deixar claro para o leitor quem são os autores desses trabalhos. Essa
“prestação de contas” não é apenas um protocolo acadêmico, mera indicação do que foi lido.
Referenciar os autores e suas obras é essencial para que o leitor interessado em algum trabalho
específico possa encontra-lo e lê-lo na íntegra. A revisão da literatura fornece ao leitor o “estado
da arte” em determinado campo de estudo. Rever a literatura ajuda a encontrar novos problemas,
propor novas hipóteses e a selecionar métodos e técnicas de pesquisa (p.49).
Rever trabalhos anteriores implica em responder às seguintes perguntas:
(1) O que já foi relatado sobre o fenômeno?
(2) Quais teorias foram selecionadas?
(3) Quais lacunas ainda podem ser preenchidas?
(4) Quais escolhas metodológicas podem ser feitas?
(5) Quais conceitos e definições já se construíram sobre o fenômeno?
Apoiar-se firmemente em trabalhos já realizados facilita na hora de convencer a
comunidade científica de que foram feitas as melhores escolhas metodológicas.

OPINIÕES PESSOAIS
Durante a revisão da literatura não cabem opiniões pessoais sobre o objeto investigado.
Os autores podem se colocar um pouco mais “pessoalmente” apenas nos capítulos de discussão e
considerações finais (“conclusão”).

TIPOS DE CITAÇÕES
Os autores pesquisados podem ser citados literalmente ou serem parafraseados. No
primeiro caso, também chamado de “citação direta”, trechos de determinadas obras são transcritas
literalmente, palavra por palavra. No segundo caso, parafrasear significa compreender as ideias e
reescrevê-las com as próprias palavras. As autoras recomendam utilizar mais este segundo
procedimento, pois o excesso de transcrições literais deixa o texto cansativo, além de indicar que
o autor da pesquisa é muito preguiçoso. Em ambos, contudo, é obrigatório fazer as referências de
acordo com as normas acadêmicas. Caso contrário, estará se plagiando alguém.

É PREFERÍVEL PARAFRASEAR
É sempre melhor fazer paráfrases, escrever com as próprias palavras, porque, primeiro,
treina-se redação; segundo, garante-se que o conhecimento trazido de outros autores foi realmente
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compreendido e assimilado pelo pesquisador. Quando um texto acadêmico contém excesso de


citações literais é sinal de três coisas: primeiro, que o pesquisador tem muita dificuldade em
escrever; segundo, não compreendeu o suficiente do assunto para explicá-lo com suas próprias
palavras; terceiro, é preguiçoso e busca apenas preencher o espaço com algo (p.50).

REFERÊNCIAS CURTAS
Nestas páginas as autoras apresentam exemplos de revisão de literatura. Note-se que todas
as referências são abreviadas e feitas de duas maneiras. Quando o autor não é citado no parágrafo
usa-se (ARAÚJO, 2004), por exemplo. Quando ele é citado, como na página 61: “...para Elias e
Scotson (2000), o processo...”, coloca-se entre parênteses apenas o ano da publicação e,
eventualmente, a página.

Em resumo:
Quando o nome do autor não aparece na discussão, referencia-se (FULANO, 1998).
Quando o autor é citado na discussão, referencia-se apenas o ano (1998).
Note-se que em nenhum momento dos exemplos aparecem referências completas, apenas
abreviadas. Algumas normas técnicas e professores exigem que se façam referências completas
em notas de rodapé ao menos na primeira vez em que determinado autor é citado. Alguns
professores gostam que sempre se façam referências completas em nota de rodapé, deixando o
aspecto gráfico confuso e carregado.
-Por que isso é desaconselhável?
-Primeiro, porque polui o texto, sempre desviando a atenção do leitor para notas de
rodapé. Segundo, não há o mínimo sentido e lógica em se fazerem referências completas no miolo
da pesquisa, pois essas referências obrigatoriamente aparecerão todas na página de referências, ao
final do trabalho, tornando-se redundante colocá-las duas vezes ao longo de uma pesquisa.
Outro motivo para se evitar notas de rodapé é o fato de que nem sempre o editor de texto
vai fazer isso corretamente. Pelo contrário, pode dar muita dor de cabeça e o risco de o texto ficar
visualmente poluído, sem padrão. Assim, melhor evitar nota de rodapé (p.51-63).
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HIPÓTESES DA PESQUISA

Hipóteses são suposições de como é a realidade. São, portanto, explicações provisórias


para um fenômeno. As hipóteses são levantadas a partir da fundamentação teórica e da revisão da
literatura. As autoras recomendam que as hipóteses sejam apresentadas na seção de fundamentação
teórica. No desenrolar da pesquisa as hipóteses serão confirmadas ou rejeitadas (p.65).
As autoras admitem a existência de pesquisas meramente exploratórias, que têm como
objetivo apenas conhecer em maior profundidade determinado assunto. Nestes casos, as hipóteses
são levantadas ao final do trabalho, ficando abertas para serem respondidas em pesquisas
posteriores. Pesquisa exploratórias não são pesquisas científicas de fato, pois apenas coletam
informações sobre algo, sistematizam arquivos e acervos para posterior utilização investigativa.
São, de fato, procedimentos iniciais de pesquisa (p.67-68).

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MÉTODO

A descrição do método empregado permite que outra pessoa reproduza ou conteste a


pesquisa. A metodologia (descrição e discussão do método) deve explicar detalhadamente à
comunidade científica como o trabalho foi desenvolvido, explicitando e atestando sua
cientificidade. Para tanto, algumas perguntas-chave têm de ser respondidas quando se redige a
metodologia:
-Quais conceitos foram usados para representar o fenômeno?
-Qual foi o delineamento metodológico adotado?
-Como se deu a coleta de dados?
-Se houve entrevistas, como as pessoas foram selecionadas? Quantas? Quais seus perfis?
Que instruções lhes foram dadas?
-Se houve técnicas estatísticas, quais foram elas? (p.69-70)
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NÍVEIS DE PESQUISA
Para as autoras há três níveis (ou estágios) de pesquisa científica. São os níveis
exploratório, descritivo e explicativo. Pela maneira como isso é colocado, de início não fica muito
claro se as autoras se referem a tipos de pesquisas ou a etapas lógicas do trabalho científico (p.70).
Entende-se que uma pesquisa exploratória não é exatamente uma pesquisa científica, mas
um levantamento prévio para se conhecer bem um fenômeno, eleger problema e hipóteses para
posterior pesquisa explicativa. Ou seja, é uma das “fases” de uma pesquisa. Da mesma forma, uma
pesquisa descritiva não se presta a explicar fenômenos, apenas descrevê-los, quantificá-los ou
compreender relações entre conceitos envolvidos no fenômeno, servindo de base para o
prosseguimento das análises. É a pesquisa explicativa, também chamada investigativa, que vai dar
real contribuição no sentido de explicar como as coisas são.
Depois de ler com atenção as páginas 69 a 72, pode-se concluir que esses três níveis
devem estar presentes numa pesquisa explicativa (investigativa) como partes sequenciais do
raciocínio lógico-científico. Isto fica claro quando se observa o esquema à página 70, que mostra
os tópicos integrantes do capítulo de métodos. Os “níveis de pesquisa” ali aparecem como o
primeiro tópico. Nada impede, porém, como já adiantado pelas autoras, que haja pesquisas
(monografias) apenas exploratórias e descritivas, desde que expliquem isso desde o início e
justifiquem suas razões de ser e seus objetivos. Contudo, isso não deixa de ser meio estranho,
pouco lógico (p.71).

DELINEAMENTOS DE PESQUISA
A seção de métodos deve incluir o “desenho” geral da pesquisa, indicando qual será o
procedimento básico dentre um leque de métodos existentes. Em lugar de “método”, as autoras
preferem usar o termo “delineamento” para definir esses procedimentos para coleta e análise de
dados numa pesquisa. A seguir, vai a relação desses “delineamentos” (métodos) (p.72).

LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO
Este procedimento corresponde à revisão da literatura (livros e trabalhos científicos -
monografias e artigos publicados), monografias artigos com vistas a se construir os referenciais
teóricos da pesquisa. Na verdade, esse levantamento é obrigatório em toda pesquisa científica, de
modo que não se trata de um método, mas de um procedimento inicial.
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LEVANTAMENTOS EM ARQUIVOS
Este procedimento busca informações não bibliográficas que possam ser úteis à pesquisa.
Hemerotecas, por exemplo, arquivam jornais de notícias, revistas (magazines) antigas e periódicos
de todo tipo. Outras fontes de dados são cartórios, arquivos governamentais, arquivos de dados
demográficos, de instituições públicas ou privadas, museus, fundações, arquivos de áudio, cinema,
vídeo etc. Como no item anterior, aqui não se trata de método, mas de uma fonte de dados (p.73).

PESQUISA EXPERIMENTAL
Este método de pesquisa implica em manipular e controlar variáveis com vistas a
responder à questão central. Escolhas aleatória são importantes neste método, pois aumenta a
isenção do pesquisador e aumenta a credibilidade dos resultados. Controlar, aqui, significa
delimitar, restringir e isolar eventos. Este tipo de método é bastante empregado nas ciências
biológicas, em experimentos laboratoriais que permitam controle total do ambiente. Nos métodos
não experimentais o pesquisador trabalha com os dados como eles se encontram no mundo (p.74-
75).

PESQUISA EX POST FACTO


Neste método, compara-se uma situação experimental com outra de controle, mas sem
manipulação por parte do pesquisador.

LEVANTAMENTOS
Este método implica em envolver grande número de pessoas e analisar dados
quantitativamente, mas sem grande profundidade no estudo do fenômeno investigado.
Levantamentos podem gerar análises tanto descritivas quanto explicativas. Pesquisas sociais se
valem desse método de estudo, principalmente.

ESTUDO DE CASO
Implica em análise detida e aprofundada sobre um ou mais eventos e planejamentos
prévios para tanto. O estudo de caso detém-se em eventos do momento presente e procura explicar
como e porque determinado evento ocorre. Este método não é experimental, pois não se
manipulam as variáveis independentes. Estudo de caso é basicamente qualitativo e pode servir
tanto para explorar como para descrever e explicar fenômenos. Este método gera generalizações
analíticas. Por lidar com poucos fenômenos localizados e envolvendo poucas pessoas, o estudo de
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caso se assemelha à pesquisa experimental, que também usa poucas amostras para gerar suas
generalizações e leis.
O estudo de caso se detém em analisar em profundidade unidades dentro de sistemas mais
amplos. Os estudos de casos enfatizam interpretações em determinados contextos, pois
representam pontos de vista diferentes e às vezes conflitantes presentes em determinada situação
social. O estudo de caso se aplica a estudos descritivos e exploratórios com o fim de compreender
muito bem a manifestação geral de um problema. Aplica-se, também, a estudos que possam
promover um conhecimento implícito para fazer generalizações e desenvolver e desenvolver novas
ideias e novos significados.
As técnicas de levantamento para estudo de caso comportam relatos de experiências do
pesquisador sobre o tema de estudo (experiência vicária); relatórios com análise de determinado
fato; observação, entrevista e outras fontes de dados.
O estudo de caso se presta a estudos qualitativos e naturalísticos (sem intervenção ou
controle por parte do pesquisador). Implica em cuidadosa análise de conteúdo, requerendo
considerável habilidade do pesquisador. Caso contrário, há o risco de apenas de juntarem dados
mal explorados ou conclusões irrelevantes (p.75-76).

GRUPO DE FOCO ou ENTREVISTA FOCALIZADA EM GRUPO


Este método se concentra em entrevistar pessoas verbalmente (em torno de dez) sobre
determinado assunto e a discussão é conduzida por um moderador.

ENTREVISTA EM PROFUNDIDADE
Neste método, as entrevistas são individuais e é dada maior liberdade de expressão ao
entrevistado. As questões podem ser totalmente estruturadas de antemão (com perguntas
fechadas), mas também podem ser semiestruturadas, valendo-se de pontos de discussão em vez de
questionários. Neste método e no anterior, o entrevistado sabe do propósito da investigação.

PESQUISAS PROJETIVAS
Neste caso de entrevistas orais o entrevistado desconhece o objetivo da pesquisa, sendo
encorajados a se expor livremente sobre algo. Este método demanda mais tempo na aplicação e
análise dos resultados e requer grande experiência dos entrevistadores e conhecimentos de
psicologia ou psicanálise.
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PESQUISA NATURALÍSTICA, DE CAMPO ou ETNOGRÁFICA


Implica em investigar os indivíduos em seu comportamento natural, situação natural.
Utiliza-se principalmente a observação. Na pesquisa etnográfica, o investigador é inserido no
ambiente social em análise, como membro da comunidade. Os dados são coletados por meio de
observação e registro das falas do grupo estudado. Focalizado na cultura total de um grupo
humano, a etnografia preocupa-se com práticas cotidianas, ritos, símbolos e valores praticados por
determinada comunidade humana.
A etnografia se concentra na cultura de um grupo de pessoas com a finalidade de aprender
a partir desse grupo cultural, compreender visões de mundo tal como esse grupo as define. A
etnografia descreve, assim, sistemas de significados culturais de determinados grupos. Faz-se
ciência descrevendo a cultura, a arte e o conhecimento que um grupo tem acerca do mundo.
A etnografia se aplica a estudos descritivos e exploratórios que tenham como objetivo
retratar a realidade de forma completa e profunda. É útil no exame detalhado de um ambiente, de
um sujeito específico ou de uma situação em particular. O levantamento de dados se dá pela
observação participante e direta, entrevistas e trabalhos de campo. Usam-se histórias de vida,
análise de documentos, testes psicológicos, audiovisuais, fotografias e análise de conteúdo. O
pesquisador necessariamente faz parte de todas as fases da pesquisa, inclusive no trabalho de
campo, nem que seja na coordenação dos coletores de informações, e se envolve com os atores
investigados. Este método requer do pesquisador pensamento crítico e habilidade para analisar,
sintetizar e avaliar informações, sendo muito usado para levantar conhecimentos sobre educação,
psicologia social e estudos culturais (p.77-78).

OBSERVAÇÃO SISTEMÁTICA
Apesar de também preocupado em registrar comportamentos, neste método o pesquisador
sabe de antemão os aspectos que serão analisados e a situação pode ser tanto de laboratório quanto
natural (p.78).

PESQUISA QUALITATIVA ou INTERPRETATIVA


A pesquisa qualitativa está presente em vários métodos, como entrevistas em
profundidade, grupos de foco, etnografia, análise de discurso, história oral, fotoetnográfica, dentre
outros. Essas abordagens qualitativas/interpretativas são úteis para determinar as razões e os
porquês de certas coisas, fenômenos ou comportamentos. Este método segue a lógica científica:
questionamento / coleta de dados / análise / resultados.
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Em muitos casos, contudo, o pesquisador está inserido no ambiente analisado, observando


e registrando o que vê. Não há coleta de amostras, nem procedimentos experimentais. Grupos ou
indivíduos são analisados em profundidade com vistas a verificar especificidades ou gerar
possíveis generalizações. Os métodos qualitativos buscam interpretar significados e as narrativas
resultantes podem ser enriquecidas com falas do grupo em questão e trechos anotados no local
pelo pesquisador (p.78-79).

ABORDAGENS QUALITATIVAS versus QUANTITATIVAS


Diferentemente das abordagens qualitativas acima descritas, os métodos quantitativos
baseiam-se em experimentos e levantamentos, por exemplo. Segundo as autoras, apesar de
distintas formas de explicar o mundo, ambos os métodos são plenamente válidos e passíveis de
serem usados juntamente numa mesma pesquisa, ou, pelo menos têm o mesmo grau de
cientificidade. Tudo depende, obviamente, do rigor e lógica com que são aplicados (p.79).

OUTROS MÉTODOS DE PESQUISA

SURVEY
Este método é de natureza quantitativa. Usa quantidade significativa de amostras e
geralmente emprega cálculos estatísticos, mas não probabilísticos. Tem caráter de mapeamento
geral (panorâmico) de uma situação, em dado momento, sendo ideal para estudar grandes
populações. A coleta de dados ocorre só uma vez durante o estudo. Podem ser empregados
questionários abertos ou fechados. Survey é o oposto do estudo de caso.

PESQUISA DOCUMENTAL
Este é um método que examina materiais de várias naturezas que ainda não receberam
tratamento analítico ou que podem ser reexaminados na busca por interpretações novas e/ou
complementares ao que já se sabe. A pesquisa documental é um método vantajoso e pertinente no
estudo de pessoas às quais o pesquisador não tem acesso físico, por não estarem mais vivas ou por
estarem distantes ou inacessíveis. A coleta de dados se dá por levantamento em materiais escritos,
estatísticos ou mesmo elementos iconográficos (sinais, grafismos, imagens, fotografias, filmes
etc.). Os conteúdos são então analisados com base em codificação, classificação e categorização.
Uma limitação ocorre quando os muitos documentos utilizados não foram produzidos
com o propósito de fornecer informações com vistas à investigação social, o que possibilita vários
17

tipos de utilizações e interpretações. Nem sempre os documentos constituem amostras


representativas do fenômeno em estudo. Em alguns casos, também, os documentos acessíveis ao
pesquisador, aqueles que foram preservados, nem sempre possibilitam dados válidos e confiáveis.
Em contrapartida, este método permite que a imaginação e a criatividade levem os pesquisadores
a propor trabalhos que explorem enfoques inéditos sobre algo.

PESQUISA BIBLIOGRÁFICA
Nesta modalidade de pesquisa as fontes de dados são basicamente trabalhos publicados
(livros e artigos científicos) oriundos principalmente da grande área de humanidades. Neste
método, fundamentação teórica e fonte de dados podem se confundir, cada qual assumindo as
mesmas funções. Teoria e fontes são comparadas e têm seus conteúdos cruzados, contribuindo
para responder ao problema. Trata-se de pesquisa unicamente qualitativa, argumentativa. Em
geral, não ocorre experimentação nem coleta de dados para além dos livros consultados. A
pesquisa bibliográfica se aplica especialmente aos vários ramos da história, filosofia, direito e
letras, por exemplo. A maior limitação da pesquisa bibliográfica é que os resultados não podem
ser postos à prova como nas ciências empíricas, baseando-se o pesquisador apenas em seu poder
de demonstração, argumentação e retórica. A grande dificuldade desse método é que o pesquisador
necessita dominar profundamente um vasto acervo bibliográfico para levar adiante sua tese e
convencer a comunidade acadêmica. Um mesmo problema envolve múltiplas “soluções”.

PESQUISA-AÇÃO
É um tipo de pesquisa que envolve a ação dos pesquisadores e dos grupos de interesse
por intermédio do contato direto com o campo em que está sendo desenvolvido o estudo. Trata-se
de um tipo de pesquisa social mais flexível, de caráter psicológico de campo, cujo objetivo é uma
mudança de ordem psicossocial. A pesquisa-ação se aplica em pesquisas sociais e em estudos de
caso; em pesquisas exploratórias e investigativas. É um método adequado para aliviar situações
marcadas por relações de desigualdade entre patrão e empregado, homem e mulher, professor e
aluno etc. com o objetivo de solucionar problemas práticos. Não se trata, portanto, de unicamente
fazer ciência, mas de intervir diretamente no mundo.
Neste método, o levantamento de dados se dá pelo envolvimento ativo do pesquisador na
situação que está investigando. Dá-se a partir do relacionamento entre as pessoas envolvidas no
problema e o pesquisador. Técnicas mais específicas são a dinâmica de grupo, a entrevista
individual ou coletiva, questionário, observação participante, história de vida, sociodrama e análise
de conteúdo. Por isso, envolve algo grau de argumentação e interpretação. Devido à sua natureza
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unicamente qualitativa, a pesquisa-ação pode ser criticada por carecer de objetividade. Além disso,
pode refletir muito a subjetividade do pesquisador, fugindo do campo da ciência mais ortodoxa.
Enquadram-se bem neste método de pesquisa os memoriais de arranjo e composição que
são realizados em nosso departamento.

PESQUISA PARTICIPANTE
Nesta modalidade de pesquisa há interação entre o pesquisador e as situações
investigadas. A comunidade participa da análise de sua própria realidade com objetivo de
promover transformações sociais em benefício de si própria. O foco dessa pesquisa geralmente
está em suprir carências especialmente de operários, camponeses, agricultores e nativos. Detém-
se ainda na relação entre dirigentes e dirigidos, na investigação de grupos sociais desfavorecidos,
temas político-pedagógicos, pesquisas em educação e demais estudos cujo objetivo seja a mudança
social.
Os levantamentos de dados são feitos mediante questionários, observações participantes,
entrevistas, diálogos com grupos e observação de resultados. A pesquisa participante exige
bastante rigor de quem investiga, devendo este dominar técnicas de estudo-ação que permitam
apreender a complexa realidade dos fenômenos sem distorcê-la. Por se voltar à ação e às
necessidades básicas de indivíduos, a técnica de pesquisa participante distingue ciência popular e
ciência dominante, sendo, portanto, mais ideológica do que científica.

CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE MÉTODOS


Discussões pormenorizadas sobre o método de pesquisa adotado (sua história e
antecedentes) são mais requeridas nos níveis de pós-graduação, nos quais os resultados são
validados como ciência e entram no corpo da teoria construída sobre determinado assunto. No
âmbito de um TCC não se exige tanto rigor nem muito aprofundamento em termos metodológicos,
sendo ali mais observado o manuseio das referências, a clareza da apresentação e lógica geral do
trabalho.

EQUÍVOCOS A SEREM EVITADOS


É relativamente comum ver estudantes elegerem um método antes de terem assunto e
problema. Fazer isso significa inverter a lógica da pesquisa científica, pois é o problema e sua
abordagem que determinam o método a ser adotado, jamais o contrário.
Por fim, os métodos não são leis. Em cada tipo de pesquisa é possível e desejável que se
façam adaptações com diferentes métodos. O importante é deixar claras e justificar as decisões
metodológicas tomadas.
19

7
INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS

Instrumentos de coleta de dados são os meios pelos quais o pesquisador vai se comunicar
com o “mundo real” para colher elementos, dados e informações qualitativas ou quantitativas úteis
e pertinentes ao trabalho científico.
As autoras mencionam apenas formulários e questionários como procedimentos de
coletas de dados, mas eles não são os únicos meios. Pesquisas bibliográficas ou que se baseiem
em análise musical, por exemplo, não usarão entrevistas. Cada área e modalidade de pesquisa
buscará os instrumentos de coleta mais adequados.
No caso de questionários, na seção de metodologia é necessário especificar como a coleta
foi realizada, quem a fez, o tempo e o local utilizados, se o contato com os entrevistados foi
presencial ou à distância etc. Também é essencial fazer-se um pré-teste para verificar se as
perguntas são compreensíveis e feitas com objetividade e correção gramatical, se os termos e
conceitos estão postos com clareza e bem explicados, se as alternativas (se houver) estão
completas, se a sequência das questões é adequada e se alguma pergunta deixou de ser respondida
pela maioria dos entrevistados. A partir do pré-teste aprimora-se o questionário para a aplicação
definitiva (p.79-80).

CONSTRUCTOS, VARIÁVEIS, DEFINIÇÕES OPERACIONAIS E ESCALAS


As autoras conduzem suas explicações tomando exemplos de áreas que utilizam
pesquisas de parâmetros sociais. No fundo, elas querem dizer que qualquer termo técnico, escala
de valores ou conceitos complexos precisam ser definidos assim que aparecem numa monografia.
Para tanto, deve-se recorrer à teoria consolidada sobre o assunto e à revisão de trabalhos anteriores.
São esses cuidados que garantem a validade e cientificidade de uma pesquisa (p.80-82).

O PROCESSO DE AMOSTRAGEM UTILIZADO


Amostra é a “fatia do mundo real” que oferecerá dados à pesquisa.
Amostragem é a maneira de colher essas “fatias” do mundo.
Há inúmeras formas de se coletar informações do mundo real e cada assunto, área do
conhecimento ou tipo de pesquisa fará isso de um jeito próprio. As autoras abordam e explicam as
amostragens mais usadas em pesquisas de caráter social, que envolvem pessoas, mas que se
estendem também a outros tipos de pesquisa. São as amostragens probabilística, não-
probabilística, aleatória simples, probabilística estratificada, sistemática, probabilística por
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conglomerados, não-probabilística por conveniência, por conveniência, por cotas, por tráfego e
autogerada. Depois de escolhida a melhor forma de “fatiar” o mundo real, deve-se ver qual dessas
amostragens mais bem se encaixa em determinada pesquisa, nomear essa amostragem e explicá-
la em detalhes.
Em resumo: qualquer que seja a forma de se acercar do mundo para obter informações
empíricas, é obrigatório especificar como isso foi feito e justificar cada escolha. Se for possível
enquadrá-la num modelo já existente, melhor ainda (p.82-83).

OBJETO E SUJEITOS DO ESTUDO


Objeto de estudo é o foco das análises.
Sujeitos do estudo são os indivíduos ou elementos que fornecerão dados empíricos.
Mais uma vez as autoras oferecem exemplos que envolvem pesquisas sociais. Contudo,
esses princípios, rigores e lógicas científicas são universais, podendo ser estendidos a quaisquer
áreas do conhecimento e tipos de pesquisa. Tudo o que foi tratado nestas seções do livro (6.3 a
6.6) refere-se a procedimentos metodológicos e devem, portanto, entrar no capítulo de métodos de
uma pesquisa (p.84).

7
RESULTADOS

Resultados e discussão podem ser conjugados num único capítulo da pesquisa ou tratados
separadamente. Fica ao critério do pesquisador. As autoras de Como fazer monografias optaram
por separar essas partes. Segundo as autoras, o capítulo de Resultados deve conter, nesta ordem:

1) Reapresentação da pergunta central da pesquisa.


2) As condições que tornaram possível testar as hipóteses e responder a essa pergunta.
3) De que maneira o fenômeno em estudo foi testado, mensurado e analisado.
4) Como o problema foi “resolvido”.
5) Apresentar resultados estatísticos, numéricos (se for o caso).
6) Descrever comportamentos observados (se for o caso).
7) Apresentar tabelas, gráficos, figuras com dados etc.
8) Por fim, um resumo do capítulo.
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Nem toda pesquisa precisa ter um capítulo de resultados. Se não houver trabalho de
campo, não houver experimentos práticos, nem entrevistas, por exemplo, não há porque relatar
“resultados”. Neste caso, vai-se diretamente para a discussão. É o caso de pesquisas bibliográficas
e de análise musical (p.91-92).

8
DISCUSSÃO

Discutir significa analisar os dados coletados e relacioná-los com a teoria existente.


Discutir é relacionar o referencial teórico com os resultados empíricos com o objetivo de responder
à questão central da pesquisa. Objetivos e hipóteses também devem ser considerados no capítulo
de discussão (p.101). Segundo as autoras, o capítulo de Discussão deve conter, nesta ordem:

1) Reafirmação do objetivo central do estudo.


2) Análise dos resultados (se houver) e seus significados ou...
3) Discussão com base naquilo que a pesquisa se propôs a esclarecer.

Questões a serem respondidas no capítulo de Discussão:

1) O que significam os dados coletados? O que se pode concluir a respeito deles?


2) Os resultados concordam ou discordam (se for o caso) da fundamentação teórica?
3) Novas hipóteses ou modelos teóricos puderam ser propostos?
4) Quais tendências e generalizações tornaram-se possíveis com a nova pesquisa?
5) Quais novas modalidades de pesquisa puderam ser lançadas? (p.102)

Fica evidente que as autoras delineiam suas orientações com base em suas áreas de
atuação, que envolvem pesquisas com pessoas e visam à afirmação de grandes leis gerais. Quando
não há pesquisa de campo, nem experimentos em ambientes controlados, por exemplo, as
discussões podem tomar diversos rumos, os mais convenientes para dar conta dos objetivos de
determinada pesquisa e argumentar em favor deles. No entanto, se pensarmos bem, aquilo que é
proposto acima e as perguntas que idealmente devem ser respondidas podem ser adaptadas a todo
e qualquer tipo de pesquisa, de qualquer especialidade.
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Em resumo, não importa qual seja a área do conhecimento, deve sempre haver essa lógica
científica e esse rigor metodológico para que uma pesquisa tenha validade e ampla aceitação.
Absolutamente nada pode escapar a essa lógica e a esse rigor.

9
CONCLUSÃO

No capítulo de conclusão deve-se responder à questão central da pesquisa com a máxima


clareza e objetividade. As autoras assim resumem as partes de uma pesquisa e o que devem conter:
-Revisão da literatura: descreve o que já se sabe sobre tema e problemática.
-Metodologia: mostra como o problema foi investigado.
-Resultados: descreve os dados obtidos.
-Discussão: faz o cruzamento entre a teoria e os novos dados obtidos.
-Conclusão (considerações finais): considera a discussão e responde à questão.

O que deve conter a parte de conclusão (considerações finais):


-Comparações entre resultados e hipóteses.
-Confrontação entre objetivos e conquistas realizadas.
-Cruzamentos entre a teoria e os dados empíricos coletados.
-Contribuição que a pesquisa ofereceu ao campo do conhecimento.
-As limitações do estudo realizado (tamanho da amostra, opões de amostragem etc.).
-Novas hipóteses e sugestões para estudos futuros (p.113-114).

“A ciência é fruto do acréscimo de uma pesquisa após outra, sempre levando em


consideração os resultados anteriores” e deixando o campo sempre aberto para prosseguimentos e
novas pesquisas acerca do tema. Dependendo da complexidade e extensão da pesquisa, os tópicos
de contribuição do estudo, limitações e sugestões podem merecer seções à parte. Contudo,
dificilmente isso ocorre em nível de TCC, de modo que a melhor saída é juntar-se tudo no capítulo
de considerações finais (p.115).
23

10
MAIS ALGUMAS DICAS SOBRE O CONTEÚDO DO TRABALHO

CONTRIBUIÇÕES QUE O ESTUDO PODE OFERECER


Segundo as autoras, uma nova pesquisa pode dar sua contribuição em três níveis:
conceitual, empírico e metodológico (p.125).
Contribuições conceituais melhoram ou atualizam a definição de constructos (conceitos,
ideias e definições complexas). Podem ainda propor novos conceitos, novas hipóteses ou melhores
explicações para estas.
Contribuições empíricas apontam para novas maneiras práticas de se testar hipóteses para
o problema; deixam para que outros pesquisadores ou pesquisas realizem esses experimentos.
Contribuições metodológicas envolvem mudanças no âmbito metodológico, tais como
mudanças na amostragem, escalas e outros procedimentos da pesquisa (p.126-127).

ERROS MAIS FREQUENTES


(que comprometem a qualidade do trabalho científico)
-A questão não é muito interessante (faltam-lhe explicações teóricas).
-Pouca originalidade (faltam-lhe evidências empíricas; falta-lhe a possibilidade de se
criarem novas relações teóricas; o estudo não viabiliza a criação de nova linha de pesquisa).
-Ocorrência de objetivos pouco claros; objetivos bastante conhecidos (que nada
acrescentam à área de estudo); objetivos que não justificam a pergunta central; objetivos que não
são atingidos.
-Problemas metodológicos, tais como: amostra inapropriada; constructos (conceitos) mal
definidos; conceitos sem a necessária definição; inexistência de embasamento teórico para as
hipóteses; falta de empirismo no experimento; instrumentos de análise inadequados; entrevistas
individuais cujos resultados não podem ser interpretados como de âmbito mais geral e ausência de
discussão teórica a respeito.
-Ausência ou teoria e revisão bibliográfica insuficientes.
-Uso de referências bibliográficas não-científicas ou de qualidade e legitimidade
duvidosas. Isto geralmente acontece quando se usam apenas informações buscadas na internet.
-O pesquisador demonstra não conhecer nem dominar suficientemente a teoria do
assunto. Isto fica claro quando as informações são desencontradas e sem referências.
-Não há coerência no uso da teoria.
-O referencial teórico, a metodologia e a interpretação dos resultados não se articulam.
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-As considerações finais não são coerentes com a teoria apresentada; são incompatíveis
com as análises efetuadas; não respondem à pergunta central ou, pelo contrário, extrapolam o que
foi verificado empiricamente (“viajando” demais no assunto; perdendo as bases).
-Pequena contribuição à ciência por nada (ou muito pouco) se agregar de novo ao que já
se sabe; pela incapacidade de estender, aprofundar, enriquecer a discussão ou indicar lacunas no
conhecimento; por apenas replicar estudo anterior sem a adição de melhorias ou novidades.
-Redação confusa, sem a necessária clareza e lógica no discurso; existência de (muitos)
erros ortográficos e gramaticais; organização deficiente dos conteúdos; ausência de lógica na
estruturação do trabalho. Nestes casos, a saída é pedir ajuda a quem domine redação. Verifica-se
que vários professores (talvez a maioria) não indicam aos estudantes os problemas de redação e
de gramática. Daí a necessidade em passar os textos por revisor competente (p.127-129).

ESTRUTURANDO O ANTEPROJETO DE PESQUISA


(adições do professor)

O anteprojeto tem de se adequar ao modelo fornecido pelo professor da disciplina pré-


requisito do TCC, que já contém a formatação gráfica exigida, os tópicos obrigatórios e a tabela
do cronograma. Basta preencher e adaptar o que for necessário. O anteprojeto deve ter a mesma
formatação geral da futura monografia de TCC. Consulte-se a apostila para mais detalhes.
O resumo tem de ser feito com muito cuidado, pois ele é o “cartão de visitas” do projeto,
mostrando com clareza e objetividade o que se pretende com o trabalho. Orientações a seguir.

RESUMO
O resumo deve ocupar um parágrafo de até dez (10) linhas com espaçamento simples e
sem recuo de parágrafo. O resumo precisa delinear com clareza e muita objetividade tema,
problema, justificativa, objetivos e método. O resumo não pode argumentar, não pode explicar
demais nem conter referências, devendo apenas resumir o essencial. Abaixo, um exemplo de
resumo com as partes ressaltadas em cores diferentes:

Em 1957, o violonista Laurindo Almeida e o saxofonista Bud Shank lançaram o álbum


Brazilliance vol.1, contendo músicas brasileiras e latinas com elementos jazzísticos, tornando o
disco marco histórico da fusão entre samba e jazz. Questiona-se aqui se o álbum de fato merece
essa designação, pois os autores consultados não analisam as músicas de forma técnica. O objetivo
desta pesquisa é detectar como se deu a fusão de estilos, esclarecendo porque esse álbum se tornou
marco histórico. Como objetivos específicos serão traçadas breve história do estilo samba-jazz e
biografias dos dois músicos. Todas as músicas do álbum Brazilliance vol.1 serão analisadas
auditivamente, descritas e comentadas de modo a responder ao problema central.
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No caso de um memorial (de composição, arranjo ou outro tipo de criação) o tema é a


própria criação artística, brevemente descrita; o problema é o desafio proposto, a tarefa que se
coloca; a justificativa explica os motivos e decisões do autor, o que o moveu para criar algo novo;
objetivos descrevem o que se almeja com o trabalho, também além da criação em si, como os
ganhos pessoais para o estudante, a nova experiência etc.; o método são os meios e procedimentos
a serem utilizados para a criação. O memorial deve ser escrito em primeira pessoa, cabendo ao
estudante se colocar de forma mais franca e subjetiva, menos subordinado a uma fundamentação
teórica. A estrutura do trabalho segue, contudo, as mesmas seções e parâmetros.
Em qualquer que seja a pesquisa, independentemente da área de conhecimento ou nível
acadêmico, o resumo tem de ser breve e objetivo, dando conta dos tópicos acima descritos.
Quando o estudante não consegue delinear seu trabalho em poucas linhas é sinal de que
ele mesmo ainda não sabe bem o que deseja fazer.

CRITÉRIOS PARA AVALIAR PROJETOS (segundo o regulamento do nosso TCC)


1) Objetividade e consistência do projeto de pesquisa, com clara delimitação do problema;
2) Compatibilidade com os objetivos do curso e de suas habilitações;
3) Nível adequado de complexidade quantitativa e qualitativa do trabalho;
4) Viabilidade de realização do projeto de pesquisa;
5) Facilidade de acesso a dados para a realização da pesquisa;
6) Valor teórico e eventualmente prático do trabalho de graduação;
7) Qualidade da apresentação da proposta, em termos formais e de conteúdo.

DICAS PRÁTICAS
O arquivo digital do projeto é a base que dará origem à monografia. À medida que o
trabalho evolui, novas versões devem ser criadas com “salvar como”, atualizando o nome do
arquivo de acordo com a etapa; atualizando a página de rosto (de “projeto de pesquisa” para
“monografia”), recheando e aprimorando os capítulos. Deve-se fazer assim até chegar às versões
finais (texto para qualificação, defesa e, finalmente, capa dura). Desta maneira, a formatação será
mantida, tornando tudo mais prático e eficiente e haverá cópias de segurança das outras versões.
Passadas as etapas de projeto, o trabalho se torna monografia, segundo o que pede o
regulamento do nosso TCC. Observe-se que o cronograma só deve aparecer nas etapas de projeto;
depois, deve ser omitido. Observe-se que abstract e considerações finais são obrigatórios apenas
nas etapas de defesa e de capa dura. Até lá, não adianta perder tempo com isso. Deve-se estar
sempre atento às normas, usar o bom-senso, a lógica e ser prático.
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Os livros-base da disciplina de Seminário de Projeto de Pesquisa, as fichas documentais,


a apostila do TCC e os modelos gráficos fornecem tudo o que é preciso saber, em todos os aspectos
possíveis. Basta aplicar esses conhecimentos. Dessa maneira, o trabalho com o orientador será
mais eficiente e produtivo. Considere-se que o orientador raramente ajuda o estudante a redigir,
tampouco corrige erros ortográficos, gramaticais ou de lógica. Normalmente ele apenas diz que o
texto não está bom; poderá se irritar e perder o interesse na pesquisa. Por isso, o estudante assume
grande responsabilidade aqui. É preciso sair da passividade, tornar-se proativo e agir por conta
própria. As informações essenciais estão todas à mão. O estudante deve se tornar independente.