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André Eduardo de Paula Freitas

CERÂMICAS NA ELETROMECÂNICA

Pesquisa apresentada ao Prof. Dr. Ricardo


Luiz Ribeiro do Departamento de Engenharia
Mecatrônica do Centro Federal de Educação
Tecnológica de Minas Gerais como trabalho
avaliativo da disciplina de Ciência dos
Materiais.

CEFET-MG / Campus Divinópolis


2018
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Índice

LISTA DE IMAGENS ........................................................................................... i

1- CONCEITO .................................................................................................. 3

2- TIPOS CERÂMICOS ................................................................................... 4

3- APLICAÇÕES .............................................................................................. 5

3.1- Supercondutores...................................................................................... 5

3.2- Sensores ................................................... Error! Bookmark not defined.

3.3- Ferramentas de corte ............................................................................... 7

3.4- Rolamentos .............................................................................................. 9

4- CONCLUSÃO ............................................................................................ 10

5- REFERÊNCIAS ......................................................................................... 11
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LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Produtos de cerâmica industrial. ........................................................ 4

Figura 2: Ímã flutuando sobre uma cerâmica supercondutora colocada em


nitrogênio líquido ................................................................................................ 5

Figura 3: Sensores piezoeléctricos.. .................................................................. 6

Figura 4: Ferramentas de corte desenvolvidas em cerâmicas. ......................... 8

Figura 5: Ferramentas de corte desenvolvidas em cerâmicas.. .....................9


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1- CONCEITO

É comum que não prestemos atenção a aspectos químicos ou históricos


da cerâmica, devido sua popularidade e presença em nosso cotidiano., tendo ela
importância significativa no desenvolvimento das atuais tecnologias.

Significando argila queimada, a cerâmica é produto final de produção de


artefatos a partir da argila como matéria prima. Tratam-se de materiais de
natureza inorgânica, sólida e não metálica, submetidos a altas temperaturas de
manufatura. Quimicamente, apresenta geralmente constituição de óxidos
metálicos, podendo conter também misturas iônicas.

Quanto a seu aspecto histórica, a cerâmica está entre os materiais


manufaturados mais antigos que se tem notícia, datando de mais de 20.000 anos
a.C., onde peças foram encontradas por arqueólogos na Checoslováquia.
Também na região do Japão foram encontradas importantes peças muito
antigas, as quais serviram para se conhecer a matéria prima utilizada na época
para a fabricação de diversos instrumentos e utensílios. Nas culturas babilônicas
e assírias também se encontram objetos elaborados a partir da argila cozida, em
texturas de alto brilho, o que era conseguido a partir de óxidos metálicos,
conforme ainda é utilizado hoje em dia. Na região brasileira já foram encontradas
peças aproximadamente com essa data, em solo Amazônico, em formas mais
rudimentares.

A indústria da cerâmica, após a Segunda Guerra Mundial, se desenvolveu


com grande avidez, de modo que os preços dos objetos baixaram, tornando
possível a utilização deste material por uma maior parcela da população. Novas
tecnologias surgiram, e matérias primas de mais fácil obtenção fazem hoje da
cerâmica um dos objetos manufaturados, a partir de fonte natural, mais
presentes em nossas vidas.

Embora as cerâmicas tradicionais tenham sido utilizadas em civilizações


antigas, a cerâmica avançada é um campo recentemente desenvolvido. Mas
eles têm algumas funções extremamente importantes e já mostraram um rápido
crescimento. Ambos os materiais cerâmicos possuem uma importância
significativa para a indústria e é de se esperar que o melhor ainda esteja por vir,
especialmente no campo da cerâmica avançada.
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2- TIPOS DE CERÂMICAS

Pode-se classificar a cerâmica em dois grandes grupos, a cerâmica


tradicional e a cerâmica de natureza avançada:

 CERÂMICA TRADICIONAL: é aquela utilizada em revestimentos


diversos, que vão desde azulejos até vasos para cultivo. Tijolos também
são produzidos a partir desta cerâmica, assim como qualquer outro objeto
que não requer uma maior sofisticação.

 CERÂMICA AVANÇADA: são materiais de engenharia, obtidos a partir


de uma matéria prima mais purificada, que pode ser a mesma que dá
origem à cerâmica tradicional, mas está em um estado maior de pureza.
Utiliza-se esse tipo de cerâmica, por exemplo, em tijolos refratários para
churrasqueiras e alguns fornos.

Figura 1: Produtos de cerâmica industrial.

Nas indústrias eletrônica e elétrica, materiais cerâmicos avançados como


titânio bário (BaTiO 3), materiais piezoelétricos e materiais semicondutores são
muito utilizados para a produção de capacitores cerâmicos, sensores de
temperatura, osciladores, etc.

As cerâmicas utilizadas para este tipo de aplicações são chamadas


cerâmicas funcionais. As propriedades específicas dos materiais cerâmicos
avançados são utilizadas para suas aplicações industriais. A ferroeletricidade é
uma propriedade em materiais como titânio de titânio de chumbo, titanato de
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chumbo, titanato de bário, etc. Os materiais ferroelétricos possuem duas


propriedades. Em uma deve haver uma polarização espontânea e na outra a
polarização deve ser capaz de reorientar. Esta propriedade é utilizada para
produzir aplicações como sensores, bombas, sonar, microfones, etc.

Embora as cerâmicas tradicionais tenham sido utilizadas em civilizações


antigas, a cerâmica avançada é um campo recentemente desenvolvido. Mas
eles têm algumas funções extremamente importantes e já mostraram um rápido
crescimento. Ambos os materiais cerâmicos possuem uma importância
significativa para a indústria e é de se esperar que o melhor ainda esteja por vir,
especialmente no campo da cerâmica avançada.

3- APLICAÇÕES

Inúmeras são as aplicações da cerâmica avançada, sendo difícil precisar


um segmento onde a utilização da cerâmica ocorra com maior intensidade.
Produzida a partir de complexos compostos químicos em um rigoroso processo
tecnológico, a cerâmica avançada é resistente a corrosões provocadas por
substâncias químicas e a altas temperaturas.

São diversas as áreas que se beneficiam das características


diferenciadas da cerâmica avançada, como na bioquímica, usada em implantes
dentários e também em substituição a ossos.

Na eletroeletrônica, essas características são aplicadas em sensores,


supercondutores, capacitores e sonares, assim como na área de mecânica, que
encontra soluções em ferramentas de corte e membranas.

É possível encontrar a cerâmica industrial no setor térmico, na área


nuclear, indústria têxtil, petroquímica, indústria alimentícia, entre muitas outras
áreas.

3.1 – Supercondutores

Uma grande parcela das pesquisas direcionadas à condutibilidade


das cerâmicas tem sido focalizada sobre um grupo de materiais cerâmicos
especiais que tem comportamento semelhante aos supercondutores em
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temperaturas elevadas. Os supercondutores têm características extraordinárias


por apresentarem resistência elétrica nula e repelirem completamente campos
magnéticos (Efeito Meissner).
A primeira característica promete a substituição dos condutores comuns
para garantir mais eficiência na transmissão de eletricidade e também a
capacidade de construção de magnetos muito mais poderosos, sendo este o
principal uso dos supercondutores atualmente. O efeito Meissner tem
despertado grande interesse como um meio possível de levitação magnética de
veículos, especialmente trens, para eliminar virtualmente todo atrito de trilhos e
portanto permitir maiores velocidades e grandemente reduzir o consumo de
potência.

Atualmente, a maioria dos óxidos cerâmicos supercondutores têm sido


produzidos contendo cobre, um alcalino terroso, tal como Estrôncio (Sr) ou Bário
(Ba), e uma terra rara, como Ítrio (Y) ou Lantânio (La). Tais supercondutores
oferecem possibilidade mais barata de resfriamento com nitrogênio liquefeito.

Figura 1: Ímã flutuando sobre uma cerâmica supercondutora colocada em nitrogênio líquido.

O paço dessas descobertas tem dado esperança de que um dia um


material supercondutor possa ser encontrado com uma temperatura crítica tão
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alta quanto a temperatura ambiente (cerca de 300K), que não precisasse de


nenhum resfriamento para permanecer como supercondutor.

3.2 – Sensores

Um grupo especial de cerâmicas isolantes encontram aplicações porque


exibem o efeito piezoelétrico - ou sejam quando elas são elasticamente
deformadas, elas geram uma voltagem, e quando uma voltagem é aplicada, elas
sofrem uma deformação elástica. Tais materiais podem ser usados em vários
transdutores eletro-mecânicos, incluindo geradores e detetores "sonar",
limpadores ultrason , resonadores de freqüência fixa, captadores fonográficos e
de microfones, e geradores de centelhas e ignidores (acendedores). Enquanto
muitos materiais são conhecidos por mostrarem o efeito piezoelétrico na forma
monocristalina (sendo o quartzo o exemplo mais comum), somente o grupo de
materiais cerâmicos conhecido como ferroelétricos (titanatos e zirconatos que
exibem polarização elétrica espontânea, histerese elétrica e piezoeletricidade)
podem apresentar a piezoeletricidade facilmente na forma policristalina. O
material cerâmico ferroelétrico mais importante é o titanato de bário (BaTiO3), o
zirconato titanato de chumbo (várias combinações de PbTiO3 e PbZrO3,
também designados cerâmicas PZT), e zirconato titanato de chumbo dopado
com lantânio (também designado como cerâmicas PLZT).

Figura 3: Sensores piezoeléctricos.


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3.3 – Ferramentas de corte

A cerâmica industrial contribui com o desenvolvimento de novas soluções


para os mais diversos setores da indústria, com vantagens competitivas que
impactam diretamente nos custos, além de diferenciais técnicos, que contribuem
para um processo mais eficiente. As ferramentas de corte desenvolvidos em
cerâmica industrial são um bom exemplo da aplicação dessa tecnologia.

Inicialmente, cerâmica era o nome atribuído a ferramentas de óxido de


alumínio. Na tentativa de diminuir a fragilidade destas ferramentas, os insertos
passaram por considerável desenvolvimento, sendo, hoje, um material muito
diferente. Hoje encontramos dois tipos básicos de cerâmica: a base de óxido de
alumínio e base de nitreto de silício.

As principais características da cerâmica são a alta dureza à quente


(1600°C), a não reação química com o aço, maior vida-útil da ferramenta, uso
com alta velocidade de corte e a não formação de gume postiço.

Figura 4: Ferramentas de corte desenvolvidas em cerâmicas.


Fonte: (BATISTA, 2005)[2]

No caso da cerâmica não metálica, em relação ao aço, tem 1/3 da


densidade, alta resistência a compressão, muito quebradiça, módulo de
elasticidade cerca de 2 vezes maior, baixa condutividade térmica, velocidade de
4 à 5 vezes a do metal duro e baixa deformação plástica.
A cerâmica deve ser utilizada na usinagem a seco para evitar choque
térmico e deve-se evitar também cortes interrompidos. Não podem ser usinados
materiais como o alumínio, pois reage quimicamente, ligas de titânio e materiais
resistentes ao calor, pela tendência de reagir químicamente devido a altas
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temperaturas, e magnésio, berílio e zircônio, por inflamarem na temperatura de


trabalho da cerâmica. Rolamentos em cerâmica avançada

3.4 – Rolamentos

Um bom exemplo da presença da cerâmica avançada como revolução na


indústria pode ser observado em sua aplicação em rolamentos. A qualidade dos
rolamentos feitos pelo setor de cerâmica industrial abre uma ampla gama de
aplicações.
O aço sempre esteve presente de forma insubstituível no
desenvolvimento de rolamentos de rolo durante décadas. No entanto, as
cerâmicas avançadas estão se tornando um material alternativo com excelentes
resultados. Rolamentos feitos de cerâmica de nitreto de silício ou zircônia
oferecem novas soluções para situações antes de difícil solução para os
rolamentos metálicos.

Figura 5: Ferramentas de corte desenvolvidas em cerâmicas.

Algumas características e propriedades dos rolamentos de cerâmica


avançada, como resistência ao desgaste, à temperatura e a química colocam a
cerâmica de nitreto de silício como o material ideal para aplicações de
manutenção intensiva. Os rolamentos de cerâmica também contam com
algumas outras características marcantes, como a combinação de resistência
elétrica específica e de baixo atrito e o aumento da vida útil do lubrificante.
Os rolamentos de cerâmica são normalmente utilizados na indústria
Alimentícia, em equipamentos de biotecnologia, fusos de maquinas de usinagem
e retifica de alta velocidade, indústria farmacêutica, instrumentos de precisão,
motores odontológicos, bombas e compressores, mineração e misturadores.
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4- CONCLUSÃO

Em uma análise superficial a cerâmica avançada pode parecer um item


de aplicações extremas, pensamento esse corroborado até mesmo pela sua
definição. Mas suas características que a denominam como avançada tem uma
relação muito maior com seu nível de desenvolvimento em comparação com
matérias tradicionais do que propriamente de suas aplicações.

A cerâmica avançada está presente em nosso dia a dia de uma forma às


vezes imperceptível, mas de extrema importância, sendo responsável por muitas
de suas atividades diárias, desde o funcionamento correto de todos os
componentes de seu veículo até o sorriso de muitos, com suas aplicações
insubstituíveis no campo da odontologia.

Desde próteses dentárias até revestimento de foguetes a cerâmica


avançada se mostra insubstituível em aplicações que demandam parâmetros
extremos de resistência. Chega a ser curioso que uma das primeiras tecnologias
desenvolvidas pelo homem, ainda nos primórdios da civilização possa passar
por revoluções tão grandes e estar na vanguarda da tecnologia.

A cerâmica avançada ainda encontra alguns desafios a serem vencidos


para uma maior escala de utilização em campos onde suas características são
de vital importância.
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5- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. ALDINGER, F.; SOMIYA, S.; SPRIGGS, R. M. Handbook of advanced


ceramics materials, applications, processing and properties. San
Diego: Academic Press, 2003.

2. BARSOUM, M.W. Fundamentals of ceramics. Philadelphia: Drexel


University, 2002.

3. CAHN, R.W. et al (Ed.) Materials Science and technology. New York:


VCH, 1993. v. 1 a 5, 9 a 11, 13, 14, 16, 17A e 17B.

4. KINGERY, W.D. et al. Introduction to Ceramics. New York: John Wiley


& Sons, 1976.