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18/03/2017 LINGUASAGEM ­ Revista Eletrônica de Popularização Científica em Ciências da Linguagem

POLÍTICA EDITORIAL - NORMAS PARA PUBLICAÇÃO - CONSELHO EDITORIAL - EDITORIAL - QUEM SOMOS -  CONTATO
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS LINGÜÍSTICOS  - DIALETO CAIPIRA

      
 
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Wilhem von Humboldt nasceu em Potsdam, em 1767, e morreu em 1835.
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fundou a Universidade de Berlim (1810), a partir de um ideal humanista de
 
Veja também educação. Era irmão do renomado explorador e naturalista Alexander von
  Humboldt, que o ajudou nas pesquisas lingüísticas fornecendo-lhe dados sobre
diversas línguas e dialetos com os quais entrava em contato em suas viagens. Foi a
partir de 1819 que Humboldt se dedicou mais intensamente aos estudos
lingüísticos, uma vez que as frustrações no campo político o afastaram da vida

Ceditec pública. (HUMBOLDT, 2004; SEUREN, 1998)


 
W. Von Humboldt foi um dos lingüistas que fortemente se destacou no
início do século XIX, juntamente com R. Rask, J. Grimm e F. Bopp. Esses três
últimos foram pioneiros nos trabalhos de lingüística histórica, cujo método
empregado, que supunha o fenômeno da mudança como degeneração de um
Domínio Público
estado primitivo e puro da língua, era o de comparação das línguas; já o primeiro
 
se destacou, dentre outras áreas, no campo da lingüística geral, não tendo se
dedicado como seus contemporâneos ao estudo histórico (ROBINS, 1983). Segundo
Robins, caso houvesse maior desenvolvimento das idéias de Humboldt e se seus
trabalhos fossem conhecidos, “ele certamente seria colocado ao lado de Saussure
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como um dos fundadores do pensamento lingüístico moderno” (1983, p. 140). Essa


importância conferida às reflexões de Humboldt também é compartilhada por
Steiner ao afirmar que “O jogo de inteligência, a sutileza de notação particular, a
GEScom poderosa argumentação que Humboldt exige dão a seus escritos sobre a
 
linguagem, embora incompletos, uma estatura única” (2005, p. 105).
Humboldt pode ser considerado contemporâneo por ser, de um lado, um
pensador interdisciplinar, cujas pesquisas em diferentes áreas do saber
favoreceram a produção de um conhecimento acerca da língua que incluiu, há um
GETerm só tempo, preocupações com a forma, os sentidos, as funções e a natureza das
 
línguas. Por outro lado, o estudioso alemão pautou seu conhecimento acerca da
linguagem em uma base “holística”, recusando e criticando o trabalho reducionista
e desmembrador da língua.
Devido a esse caráter duplo – interdisciplinar e “holístico” –, as idéias de
Institut Ferdinand de Saussure
  Humboldt são difíceis de serem enquadradas ou rotuladas. Contudo, uma tentativa
de nomeação da tradição humboldtiana foi apontada por Bakhtin/Voloshinov
([1929] 1988), que o teria identificado como o maior representante do
“subjetivismo idealista”. Tal corrente de pensamento considera o psiquismo
 
Portal de Periódicos Capes individual como fundamento da língua, pautando as regras da linguagem em uma
 
psicologia individual. A língua é vista como um fluxo instável de atos de fala dos
quais cada enunciação é singular e não repetível; não obstante, é possível a
observação de traços semelhantes nas enunciações de forma a garantir a unidade

 
da língua e a compreensão em uma dada comunidade. Trata-se de uma negação do
Portal de Revistas Científicas Persee
positivismo lingüístico e de conferir à língua uma concepção estética, sendo “o ato
 
de criação individual da fala” a realidade essencial da língua (1988, p. 76). Pode-se
dizer que essa descrição se caracteriza por uma abordagem não somente idealista,
mas também romântica da língua.  Contudo, Bakhtin/Voloshinov não estava cego
para a complexidade do pensamento humboldtiano, visto que chama a atenção de
Revue Texto!
  seu leitor para a profundidade e aparentes “contradições” no pensamento de
Humboldt, aspectos que teriam conferido ao lingüista alemão o papel de “iniciador
de diferentes correntes profundamente divergentes entre si” (1988, p. 73).
Porém, dada a amplitude e a generalidade dos trabalhos de Humboldt,
Texto livre pode-se questionar o termo “subjetivismo idealista” usado por Bakhtin/Voloshinov
 
para definir o pensamento do teórico alemão. Isso porque as concepções deste
último parecem circular pelo romantismo, idealismo, liberalismo, humanismo e
pelo hinduísmo, conforme se percebe nas citações a seguir:
 
TRIANGLE
 
Sua concepção de natureza humana
é fortemente influenciada por Rousseau, e
sua formulação da bondade originária do
homem, pela filosofia da natureza de
UEHPOSOL
Goethe. (ROSENFIELD In: HUMBOLDT, 2004,
 
p. 22)
 
Por certo que a ética kantiana e o
ideal humanista de Humboldt da
personalidade sem arestas e harmoniosa
têm algo em comum. (BURROW In:
HUMBOLDT, 2004, p. 97).

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Sua concepção de homem, que parte
de uma crítica do homem do Iluminismo,
apresenta os rasgos do idealismo. Para
Humboldt, o indivíduo precisa de liberdade
para poder alcançar o máximo grau de
desenvolvimento de suas capacidades. A
ação do Estado deve ser limitada, para não
prejudicar o aperfeiçoamento do indivíduo.
(ABELLÁN In: HUMBOLDT, 2004,
contracapa). 
 
Não deveria ser inteiramente
surpreendente que Humboldt, na parte final
de sua vida, tal como Schelling e Wagner,
houvesse desenvolvido interesse pelo
misticismo oriental; ele tornar-se-ia
entusiasmado com o Bhagavad Gita.  (nota
7, HUMBOLDT, 2004, p. 177).

 
De qualquer forma, sobre o ‘problema do rótulo’, vale citar o comentário
de Russell: “Um dos grandes obstáculos à compreensão da filosofia, e na verdade
de qualquer outro campo, é a classificação cega e extremamente rígida dos
pensadores por meio de rótulos. Contudo, a divisão convencional não é arbitrária,
mas sim indica alguns traços das suas tradições” (2002, p. 306).
A seguir, apresento algumas idéias humboldtianas que ainda fazem eco na
lingüística moderna, seja pelo apagamento, seja pela retomada e reconfiguração
que tais idéias sofreram, a saber: uma concepção de língua tida como processo
(energeia), a visão holística acerca do estudo das línguas, e a relação intrínseca
entre língua, pensamento e cultura.
 
1 A natureza das línguas
 
Na concepção de Humboldt, as complexidades intelectual e lingüística se
justapõem, não sendo possível falar sobre linguagem sem recorrer a uma certa
concepção de ser humano/ indivíduo. E a individualidade tanto se remete às
nações, com suas particularidades, como aos indivíduos, com suas próprias
línguas. Sobre este último aspecto, o autor chega a sugerir que “[...] seria portanto
melhor multiplicar as diferentes línguas, na medida permitida pelo número de
seres humanos habitantes do planeta” (HUMBOLDT, trad. OLIVEIRA, 2006, p. 09).
À individualidade prende-se a noção de liberdade, que existe na relação de
cada indivíduo com a língua, e esta, por sua vez, aparece a ele pronta e como
produto de gerações anteriores. Assim, liberdade não pode ser entendida como
arbitrariedade em relação à língua, mas diz respeito – em função da
interdependência entre linguagem e pensamento – à utilização criativa do
pensamento e ao uso da imaginação: trata-se, nesse caso, de “atuação autônoma
da individualidade” (HUMBOLDT, trad. BRAGANÇA Jr., 2006, p. 173). Porém, esta
liberdade é limitada, pois a língua possui uma tradição que é constitutiva dela,

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sendo resultado de várias gerações e da relação com outras línguas. Citando


Humboldt: “a análise das línguas há de reconhecer e respeitar o fenômeno da
liberdade, porém, investigar com zelo igual os limites da mesma” (HUMBOLDT,
trad. WEININGER, 2006, p. 165).
O autor defende uma visão inatista da língua, mas não desconsidera o
processo de mudança, uma vez que é natural que as línguas se misturem. Tal
mistura, por certo, repercute na própria língua, mesmo sendo ela um artefato inato
e mental. Além disso, a língua, para Humboldt, apesar de inata, não deve ser
considerada “uma obra acabada (Ergon), mas sim uma atividade (Energeia)”
(HUMBOLDT, trad. VOLOBUEF, 2006, p. 99), e tal aspecto associa-se ao modo do
indivíduo perceber o mundo, que também está sempre em construção, uma vez
que língua e indivíduo estão vinculados.
Na direção das concepções inatista e mentalista de língua, cabe um breve
comentário voltado para um olhar a Humboldt através das lentes chomskianas. 
Pode-se perceber que, apesar de Chomsky citar várias vezes a célebre frase de
Humboldt de que a língua “precisa fazer dos seus meios limitados um uso ilimitado
e consegue fazê-lo por causa da identidade da força geradora de pensamento e
linguagem” (HEIDERMANN, 2006, p. XXVII), pouco se sabe sobre a abordagem
humboldtiana, através de Chomsky. Este não levou em conta, por exemplo, que a
mudança na língua é possível em decorrência do contato inevitável entre as línguas
e que o estudo da língua deveria contemplar, concomitantemente, um olhar
científico, “desmembrador”, e um olhar filosófico que considere, por exemplo, a
reação da língua “perante a atividade intelectual da nação” (HUMBOLDT, trad.
VOLOBUEF, 2006, p. 115). O gerativista efetuou um recorte de noções que para
Humboldt são intrinsecamente associadas, incluindo o caráter universalizante da
língua que, na teoria de Humboldt, “não diz respeito a uma gramática universal
entendida como um sistema, mas como uma dinâmica mental de elaboração da
expressão [...] Para Humboldt, a gramática como tal (como um a priori) e a
comunicação são absolutamente acessórias. O essencial é o trabalho elaborador do
espírito” (FARACO, 2004, p. 44).
No caso de se proceder a um estudo comparativo das línguas, Humboldt
propõe que deve ser contemplada uma investigação tanto (i) do organismo das
línguas (associado ao intelecto humano), servindo-se da comparação entre as
línguas; como (ii) da formação das línguas (associada ao desenvolvimento
histórico), exigindo-se o isolamento da língua para sua análise. Dessa maneira, “o
estudo empírico de comparação das línguas pode mostrar de que modo diferente o
ser humano realizou a linguagem, e qual parte da esfera do pensamento ele
conseguiu transferir para aquela” (HUMBOLDT, trad. MONTEZ, 2006, p. 39). Esse
tipo de estudo recobriria objetos de diferentes dimensões: “a linguagem, os
objetivos que os seres humanos alcançam por meio desta, o gênero humano em
seu progressivo desenvolvimento e cada uma das nações” (ibid., p. 39).
 
2 O holismo de Humboldt
 
No que diz respeito ao estudo da linguagem, Humboldt contempla dois
aspectos que devem estar interligados: a forma e a substância. O autor alerta para
o fato de que, na investigação minuciosa da forma de cada língua, se deve levar em
conta as dificuldades em delimitar as fronteiras do que seria uma língua específica
e o fato de que a língua, na sua natureza, permanece constantemente em evolução.

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Salienta ainda que a análise da forma não visa identificar e classificar as diversas
partes da linguagem, uma vez que “a quebra em palavras e regras nada mais é do
que obra malfeita e morta, produzida pela prática desmembradora da ciência”
(HUMBOLDT, trad. VOLOBUEF, 2006, p. 101). Essa preocupação com o
esmiuçamento da forma também é evidente no seguinte trecho: “mesmo o falar da
nação mais rudimentar é uma obra natural nobre demais para ser desfigurada em
partes tão casuísticas e ser examinada de forma tão fragmentária” (HUMBOLDT,
trad. MONTEZ, 2006, p. 43). Já o estudo da substância da língua envolve “de um
lado, o som propriamente dito, de outro, a totalidade das impressões sensoriais e
dos movimentos autônomos do espírito que antecedem a construção dos conceitos
com o auxílio da língua” (HUMBOLDT, trad. VOLOBUEF, 2006, p. 112-3).
É na interligação de forma e substância que se revela o caminho da
expressão do pensamento: “por meio da representação da forma deve-se
reconhecer o caminho específico pelo qual a língua, e com ela a nação à qual
pertence, chega à expressão do pensamento” (ibid., p. 115). Percebe-se que para
Humboldt a língua deve ser estudada como constituída, simultaneamente, de
forma e substância. Não se trata de dicotomizar esses dois aspectos para favorecer
um estudo científico da língua; trata-se, sim, de ver no fenômeno lingüístico as
regras e leis que constituem seu funcionamento, bem como o aspecto semântico
(mental) da linguagem. 
A abordagem holística de Humboldt também pode ser percebia nas noções
de objetividade e de subjetividade vinculadas à língua. Segundo o autor, as duas
constituem uma realidade só e apenas se diferenciam “porque a ação autônoma da
reflexão as opõe uma à outra” (HUMBOLDT, trad. OLIVEIRA, 2006, p. 11). Com isso,
a objetivação e subjetivação da língua são resultado das ações dos indivíduos
sobre elas, sendo que Humboldt defende que as duas ações deveriam estar ligadas
em uma única, de forma a se “capturar” o todo da língua. 
 
3 Língua, cultura e pensamento
 
Humboldt concebe a língua como mediadora entre o mundo real e o
mundo da consciência; com isso, ela é, ao mesmo tempo, material e espiritual.
Nesse sentido – como capacidade e atributo da mente humana – a linguagem é
universal, diferente das línguas que, ao serem passíveis de alteração de acordo
com o meio, moldam e modificam a percepção do mundo; assim, línguas
diferentes oferecem diferentes olhares sobre o mundo e, portanto, diferentes
respostas à vida (STEINER, 2005). Devido a essa definição de língua, Seuren (1998)
defende que o interesse principal de Humboldt teria sido a relação dinâmica
existente entre língua, cultura e pensamento. Com isso, culturas mais
desenvolvidas teriam línguas mais complexas e sofisticadas e vice-versa – crença
que teria conferido ao filósofo alemão uma mente chauvinista, o que era comum no
contexto cultural nacionalista em que vivia. Ademais, esse tripé teria servido de
inspiração para a hipótese Humboldt-Sapir-Whorf de que os padrões mentais das
pessoas seriam, em certa medida, determinados pela língua que falam. Contudo,
Seuren (1998) afirma que apesar de as leituras tradicionais localizarem Humboldt
como um representante daquela hipótese, a visão dialética do filósofo alemão se
distancia dela, ao reforçar a existência de uma relação de mão dupla entre língua e
pensamento. Assim, a verdadeira hipótese-Humboldt seria, segundo Heath (in

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SEUREN, 1998, p. 114), a de que o pensamento e a língua formam uma unidade


inseparável.
Ainda sobre a interdependência entre linguagem e pensamento, ambos se
desenvolveriam, segundo Humboldt, paralelamente, não havendo hierarquia ou
causalidade de um em relação ao outro: os dois teriam uma origem comum. Assim,
o padrão mental de um povo é retratado pela linguagem, e vice-versa, sendo que
diferentes línguas possuem diferentes modos de interpretar e compreender o
mundo, já que “a diversidade entre as várias línguas não é uma questão de sons e
signos distintos, mas sim de diferentes perspectivas de mundo” (CASSIRER, 1972,
p. 50). A inter-relação entre linguagem e pensamento fica clara na seguinte
colocação de Humboldt: “[...] objetividade e subjetividade – em si uma só e a
mesma coisa – só se tornam diferentes porque a ação autônoma da reflexão as
opõe uma à outra” (HUMBOLDT, trad. OLIVEIRA, 2006, p. 11); ou ainda quando o
autor menciona que “a língua consiste no esforço permanentemente reiterado do
espírito de capacitar o som articulado para a expressão do pensamento”
(HUMBOLDT, trad. VOLOBUEF, 2006, p. 99).
 
Considerações finais
 
De acordo com as idéias de Humboldt, a língua deve ser estudada a partir
de duas abordagens complementares: uma que leva em conta a linguagem de uma
nação/de um indivíduo, e outra que contempla a inevitável relação entre as línguas.
A metodologia deve ser, simultaneamente, filosófica/histórica e racional/científica.
O pensador alemão, apesar de operar com categorias binárias (objetivo e subjetivo,
forma e substância, indivíduo e nação, universal e relativo, entre outras), não
possui uma visão dicotômica do estudo da língua, mas sim dialética, o que se
evidencia, por exemplo, na sua percepção de que a língua, ao mesmo tempo em
que define um indivíduo, define uma nação.
 
Referências bibliográficas
 
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da Linguagem (1929). São Paulo: Editora Hucitec, 1988.
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FARACO, Carlos Alberto. Estudos pré-saussurianos. In: MUSSALIN, F.;
BENTES, A. C. (orgs). Introdução à Lingüística – fundamentos epistemológicos. São
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HEIDERMANN, Werner; WEININGER, Markus J. (orgs). Wilhem von Humboldt –
Linguagem, Literatura, Bildung. Florianópolis: UFSC, 2006.
HUMBOLDT, Wilhem von. Sobre a natureza da língua em geral (Trad. Paulo
Oliveira). In: HEIDERMANN, Werner; WEININGER, Markus J. (orgs.), 2006. p. 2-19.
_____. Sobre a natureza da linguagem em geral (Trad. Paulo S. X. de
Oliveira). In: HEIDERMANN, Werner; WEININGER, Markus J. (orgs.), 2006. p. 03-19.
_____. Sobre o estudo comparado das línguas em relação com as diferentes
épocas do desenvolvimento das línguas (Trad. Luiz Montez). In: HEIDERMANN,
Werner; WEININGER, Markus J. (orgs.), 2006. p. 20-93.
_____. Forma das línguas (Trad. Karen Volobueff). In: HEIDERMANN, Werner;
WEININGER, Markus J. (orgs.), 2006. p. 94-119.

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_____. Natureza e constituição da língua em geral (Trad. Weininger). In:


HEIDERMANN, Werner; WEININGER, Markus J. (orgs.), 2006. p. 120-165.
_____. Carta para Karl Ferdinand Becker: A língua como organismo (Trad.
Álvaro Alfredo Bragança Júnior). In: HEIDERMANN, Werner; WEININGER, Markus J.
(orgs.), 2006. p. 166-179.
_____. Os limites da ação do Estado (trad. Jesualdo Correia). Rio de Janeiro:
Topbooks, 2004.
ROBINS, Robert H. Pequena História da Lingüística. Rio de Janeiro: Ao livro
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RUSSELL, Bertrand. História do pensamento ocidental (trad. Laura Aves e

Aurélio Rebello). 6a ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.


SEUREN, Pieter A.M. Western Linguistics. Oxford/Massachusettes: Blackwell,
1998.
SEVERO, Cristine Gorski. 2007. Por uma perspectiva social dialógica da
linguagem: repensando a noção de indivíduo. Tese (Doutorado) – Universidade
Federal de Santa Catarina, Programa de Pós-Graduação em Lingüística.
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_____. Sobre o apagamento de Humboldt nas teorias lingüísticas modernas.
Revista Eletrônica Don Domenico, Guarujá, no. 01, p. 01-10. 2007a.
STEINER, George. Depois de Babel – questões de linguagem e tradução
(trad. C. A. Faraco). Curitiba: UFPR, 2005.
 
    
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