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Dependência de jogos eletrônicos: a possibilidade de um novo

diagnóstico psiquiátrico
Por, Debora Crocomo – aluna bolsista MEC/SESu – PET
De _____________, “Dependência de jogos eletrônicos: a possibilidade de um
novo diagnóstico psiquiátrico”, Revista de Psiquiatria Clínica, páginas 28-33

A crescente utilização de recursos tecnológicos como a internet e jogos


eletrônicos tem causado preocupação nos especialistas em doenças
psiquiátricas, já que o caráter lúdico e funcional está sendo ultrapassado pelo
seu uso excessivo, ocasionando comportamentos maníacos por indivíduos que
possuem uma pré-disposição, tornando-se assim, um possível transtorno
psiquiátrico.
Apesar de ser um problema atual, não existem muitos estudos acerca do
tema, no entanto, a revisão bibliográfica realizada indica uma prevalência
mundial de transtornos psiquiátricos associados à dependência eletrônica e
aborda possíveis tratamentos baseados na terapia cognitivo-comportamental.
O estudo relata que o uso excessivo de jogos eletrônicos e internet
demonstram similaridades com a dependência química, pelo fato de as áreas
cerebrais responsivas aos estímulos dos jogos são as mesmas nos indivíduos
dependentes de tais substâncias. Usuários dependentes de tecnologia sofrem
alterações em neurotransmissores dopaminérgicos, o que altera as reações
diante de experiências de sensibilização, reações emocionais e de
recompensa. Observa-se também, a proposta de que a dependência de jogos
eletrônicos pode estar ligada a traços de personalidade, como em indivíduos
que tem a autoestima comprometida.
A ocorrência de comorbidades em usuários patológicos são comumente
associadas à depressão, suicídio, transtorno de ansiedade social, transtorno de
ansiedade generalizada, transtorno obsessivo compulsivo, transtorno de déficit
de atenção e hiperatividade. Os sintomas da dependência eletrônica ainda são
padronizados e dependem de estudos mais aprofundados para se chegar a um
transtorno diagnóstico específico.
A terapia cognitiva comportamental vem sendo utilizada para o
tratamento da dependência eletrônica, e sugere que o indivíduo passe a
reaprender a fazer uso da tecnologia de forma necessária. Porém, há poucas
pesquisas que comprovem a sua eficácia completa e diversos estudos ainda
devem ser realizados para que se chegue a um diagnóstico correto com
descrição correta do possível novo transtorno, bem como de tratamentos
eficazes no combate a esse novo tipo de dependência, que está aumentando,
juntamente com o desenvolvimento tecnológico.