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A EVOLUÇÃO DA PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA

“A psicologia tem um longo passado, mas uma curta história”. (EBBINGHAUS. Apud
FERREIRA. 2006:13)

Dos primórdios da historia da humanidade até hoje encontramos pensadores e


cientistas, preocupados com o homem e o que o constitui. Cada período da história vai dando
suas contribuições para o homem entender o mundo em que vive e a si mesmo, e para que
haja o crescimento, antigas teorias são superadas. A psicologia, que é pensada já a 2.300 anos
a. C., na Grécia, como parte da filosofia, também faz o seu caminho para chegar hoje a ser
ciência. História conturbada, como cita Pierre Gréco “O psicólogo nunca está seguro de fazer
ciência. E quando a faz, nunca está seguro que faça psicologia.” (GRECO. 1972:19 apud
FERREIRA. 2006:22)
A psicologia, na Grécia antiga, é gestada dentro da filosofia, e nomes como o de
Platão e Aristóteles são importantes, porque deles é que surgem teorias que envolvem a
psicologia. Eles trabalham com a “Psique”, alma, imortal e separada do corpo (Platão) e
mortal, mas pertencente ao corpo (Aristóteles). Interessante observar que na Grécia, nesta
época, a alma não era pessoal, de alguém, mas uma alma universal (FERREIRA, 2006:16)
Isso porque os gregos não tem a noção de indivíduo, de eu. A sociedade em que vivem é mais
importante. O conhecimento de si, que se busca, é para conviver nesta sociedade. “As técnicas
de relação consigo não estão calcadas na busca da revelação de um eu, mas na construção de
si a partir da verdade e do ensinamento dos grandes mestres” (FERREIRA, 2006:15).
Inicia-se o período romano e a era cristã, e no século II d.C. começam a surgir as
primeiras noções de indivíduos, mais parecido com o que se entende hoje, dentro dos
mosteiros, na busca de uma vida de santidade. A igreja católica se organiza enquanto estrutura
e começa a deter o poder, também do conhecimento. As ciências começam a ser pensadas a
partir da ótica cristã, e o que é contrário a isso é rejeitado, inclusive com duras penas, como a
inquisição na Idade Média. No caminho das ciências destacam-se Santo Agostinho e São
Tomas de Aquino, que no início e no fim da Idade Média conseguem formular teorias para
unir a ciência à Deus. Contribuem para a psicologia retomando o conceito de alma e
enxergando nela a ação de Deus. O crescimento científico é pequeno.
No Renascimento encontra-se um campo fértil para o crescimento das ciências de
modo geral. Temos a figura de Descartes, entre muitos filósofos e cientistas, que com sua
teoria vai revolucionar o modo do homem relacionar-se consigo mesmo. Para ele, a Alma
(espírito) está separada do corpo, e o corpo, sem espírito, é apenas uma máquina. Isso provoca
a dessacralização do corpo, antes protegido como morada da alma. Como consequência, o
homem pode estudar o cadáver humano, provocando grandes avanços nas áreas relacionadas à
anatomia. Descartes também questiona o método da ciência, o como chegar ao conhecimento,
e coloca a dúvida como caminho para o verdadeiro conhecimento. Com essa nova força que
as ciências ganharam, a psicologia não encontra muitos caminhos abertos. Pois uma ciência
precisava de um objeto de estudo e de um método, como nas ciências naturais (e ela não tinha
claro nenhum dos dois).
Com o advento da Idade Moderna e o crescimento das Ciências, surge um grande
ceticismo, já que antes tudo era explicado a partir da concepção de Deus (Teocêntrismo).
Neste momento retoma-se o Antropocentrismo, já trabalhado na Grécia Antiga, e com ele
uma questão muito importante para a psicologia. Neste novo modo de ser o homem sente-se
inseguro, sem saber em quem confiar, já que a figura de Deus estava banida. Tanto
conhecimento acaba gerando uma crise sobre o próprio homem, trazendo questões sobre o eu
subjetivo, o publico e o privado, a liberdade, o trabalho, e possibilitando o reconhecimento da
pessoa como ser individual, participante de uma sociedade, livre, mas não tão livre como
gostaria, com forças que o controlam e que precisam ser investigadas. Estas novas questões
vão abrindo caminho para que a psicologia se molde, encontre seu espaço.
Assim, no final do século XIX, culminando toda uma trajetória de estudos, pesquisas,
feitas por diversos filósofos e outros cientistas em toda a Europa, na Alemanha “é feito um
projeto de psicologia enquanto ciência da experiência, tomando como base a fisiologia,
calcado no conceito de sensação como elemento objetivo e matematizável” (FERREIRA.
2006:21). O Pai da Psicologia, assim chamado, é Wilhelm Wundt. Com ele a “psicologia
deixa de ser o estudo da vida mental e da alma e passa a ser o estudo da consciência ou dos
fatos conscientes”. (FREIRE, 1997:57)
Da não concordância dos métodos e objetos de estudo propostos por Wundt surgem novos
laboratórios e novas escolas de psicologia, cada uma buscando clarear mais o método e o
objeto de estudo, quantificar as experiências. Temos, assim, no século XIX o Funcionalismo,
o Estruturalismo, o Associacionismo, que fazem parte de uma psicologia científica que
buscava mensurar os dados observados, e era uma psicologia sem alma, isto é, voltada para
outro objeto de estudo, palpável, como pedia a ciência. No século XX surgem, entre muitas
escolas, o Behaviorismo, a Gestalt, e a Psicanálise. Muitas vezes as escolas são contrárias
entre si, usam métodos diferentes, mas todos se dizem psicologia.
Assim, chega o momento em que a psicologia se separa da filosofia e recebe o nome
de ciência, “autônoma e experimental”.(FREIRE. 1997:56) Os psicólogos no principio, estão
dentro das academias, são professores e pesquisadores. Não tem preocupação pratica com o
mundo e a sociedade. Mas é preciso provar ao mundo que a psicologia tem uma função, e
começa então a psicologia prática, nas escolas, nos consultórios, nas empresas, no governo
(exército). Enquanto ciência possui inúmeras ramificações, “não constitui(...) uma ciência
una, não consegue totalizar a imagem de um objeto unitário e de um método
unificado”.(JAPIASSU. 1983:49). Muitas vezes essa pluralidade e diversidade acaba gerando
um questionamento sobre o real valor da psicologia para a ciência, mas ao mesmo tempo, a
construção do indivíduo moderno ou pós moderno pede uma ciência que busque respostas
para a grande crise que o homem vive e o ajude a adaptar-se nesta sociedade que lhe deu a
liberdade. O certo é que os homens aprenderam a consumir psicologia, seja para adaptar-se ao
mundo, seja para rebelar-se com o mundo. Espera-se dos psicólogos enquanto cientistas, que
saibam dar uma resposta ética a essa demanda, pois “ ciência sem consciência não passa de
ruína da alma.”( RABELAIS apud JAPIASSU. 1983:32)
BIBLIOGRAFIA
JAPIASSU, Hilton. A Psicologia dos psicólogos. 2.Ed.Rio de Janeiro:mago, 1983.
BOCK, Ana Mercês Bahia ET all. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 13.
Ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 1999.
FERREIRA, Artur Arruda leal. Historia da psicologia: rumos e percursos. 1. Ed. Rio de
Janeiro: Nau Editora.2006
FREIRE, Isabel Ribeiro. Raízes da Psicologia. 3. Ed. Petropolis: Vozes,1997.
FIGUEIREDO, Luis Claudio Mendonça. Psicologia, uma (nova) introdução: uma visão
histórica da Psicologia como ciência. 2. Ed. São Paulo: EDUC, 2003.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ
CAMPUS MINISTRO REIS VELLOSO
DISCIPLINA: HISTORIA E EPISTEMOLOGIA DA PSICOLOGIA
DOCENTE: MSC. LIENE MARTHA LEAL
DISCENTE: LETÍCIA DIAS BARONI

A EVOLUÇÃO DA PSCOLOGIA COMO CIÊNCIA

PARNAIBA, 30 DE MAIO DE 2014