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APOSTILA DE INTRODUÇÃO AOS SISTEMAS SOLARES FOTOVOLTAICOS

Introdução

Nas últimas décadas, o mundo começa a usar com uma maior intensidade outras
fontes de energia como a solar e a eólica. São fontes de energias usadas há milhares
de anos, porém a grande demanda por eletricidade nas últimas décadas fez a
humanidade se voltar na exploração destas energias. Tanto a energia eólica como a
solar se usam para a produção de energia elétrica. O desenvolvimento de uma nação
está relacionado diretamente com o consumo de energia, assim, quanto maior for a
deficiência energética, menor o índice de desenvolvimento.
A partir das nossas necessidades, somos dependentes da eletricidade, a cada dia cresce
mais ainda essa demanda, porém, devemos lembrar que explorar os recursos naturais
a todo custo em detrimento das nossas necessidades, causamos impactos ao meio
ambiente que podem ser irreversíveis.

A importância da disseminação do conhecimento em energia renovável é diretamente


relacionada com a velocidade dos avanços tecnológicos e das mudanças no cenário
econômico-ecológico mundial, além dos aspectos regionais relacionados ao grande
potencial de recursos naturais em energia renovável do semiárido.
No Brasil, o desenvolvimento econômico e a crise hídrica têm requerido um crescente
incremento na oferta de energia, resultando na busca por tecnologias alternativas,
econômicas e ecologicamente viáveis de curto prazo. Tabela 1 apresenta a matriz
elétrica brasileira em 2014.

Combustível 2014
(%)
Hidro 65,2

Gás Natural 13,0


7,3

Biomassa

Petróleo 6,9

Carvão 3,2

Nuclear 2,5

Eólica 2,0
Tabela 1: Geração de eletricidade no Brasil por combustível (%) [EPE, 2015]

Neste contexto, o Estado do Ceará destaca-se pela disponibilidade potencial


em termos de energia solar, eólica e de biomassa, dentre outros, o que favorece
o desenvolvimento de sistemas conectados à rede e autônomos, a partir da
utilização eficiente dessas fontes renováveis. Tabela 2 apresenta a matriz de
geração de eletricidade no Ceará em 2014.
Planta Potência elétrica Participação (%)
( MW )
Hidro 6 0 ,2
Térmica 1946 61 , 3
Eólica 1219 38 , 4
Solar 1 0 , 03
Nuclear 0 0
Total 3172 100

Tabela 2: Potência instalada no Ceará – 2014 [BEN 2015]


É a tecnologia de geração através da conversão direta da luz em eletricidade através do
chamado efeito fotovoltaico. A célula solar fotovoltaica é o dispositivo semicondutor
que utiliza este efeito para produzir eletricidade em corrente contínua. Mais adiante
veremos, o quão simples é a instalação e aplicação desta energia em nosso dia a dia.
Essas células não precisam de luz solar direta para o processo de conversão de energia,
podendo gerar um pouco de eletricidade em um dia nublado.

O silício é o material semicondutor mais utilizado para a fabricação de células solares.


O módulo (painel) solar fotovoltaico é composto por células fotovoltaicas conectadas
em arranjos (série / paralelo) produzindo tensão e corrente adequados para a
utilização da energia.
As principais vantagens da tecnologia

• Os sistemas fotovoltaicos (FV) fornecem energia renovável, fazendo a conversão


de energia solar.
• Os painéis FV são robustos e resistentes a intempéries ambientais, uma
tecnologia segura para a conversão da energia solar. As empresas dão garantias
extensas em termos de vida útil e dos níveis de eficiência dos painéis ao longo
do tempo: vida útil de até 25 anos ou mais, alguns com perda máxima de
eficiência de apenas 18%, mesmo após 20 anos de operação.

• Painéis FV operam sem geração de ruído, pois não incorporam partes mecânicas
móveis.
• Em regiões como o Nordeste do Brasil, a produção de energia por meio FV não
apresenta diferença alta entre o estimado e o produzido. Essa característica
favorece a integração dessa alternativa energética ao sistema elétrico na medida
em que são relativamente reduzidas as incertezas quanto à disponibilidade
energética da fonte e, por consequência, quanto ao retorno do investimento.
As principais vantagens da tecnologia
• Com relação aos custos operacionais e custos de manutenção, os painéis FV, ao
contrário de outras tecnologias de energia renovável, exigem custos de manutenção
operacionais mínimos ou, apenas executar limpeza regular da superfície do painel é
suficiente para operação.
• A eletricidade gerada é a mais democrática das fontes verdes, pois tem aplicação
diversa, tanto residencial como em larga escala.
As principais desvantagens da tecnologia
• Os painéis FV têm baixos níveis de eficiência, em comparação a outras fontes de
energia renovável - como a hidroelétrica, variando entre 12-20%. Os sistemas FV
são limitados pela capacidade dos materiais utilizados nas células (Filme fino, mono
ou policristalinas).
• Produção de corrente elétrica contínua, que deve ser convertida em corrente
alternada (AC) para que possa ser utilizada para consumo (ou para ser transferida
para a rede de energia, ou diretamente para o consumo próprio). Para converter CC
para CA, painéis FV utilizam inversores, equipamentos eletrônicos caros e com
certas limitações tecnológicas, aumentando o custo do sistema como um todo,
especialmente em potências maiores.
Iluminação pública e residencial Sistemas de emergência e back up

Cercas eletrificadas Carregamento de baterias em geral

Telecomunicações, transmissão de dados, sinais, Eletrificação de escolas e postos de saúde e


internet rurais

Bombeamento de água Rádio, TV, parabólica

Náutica e embarcações Telefonia rural, fixa e celular

Sinalização (estradas, torres, ferrovias) Informática (computadores e impressoras)

Refrigeração residencial Eletrificação residencial rural

Sistemas de alarme e segurança Sistemas conectados à rede


Aplicações da tecnologia FV
Tabela 3 – Aplicações dos sistemas FV
Nos sistemas autônomos, os módulos FV são a única fonte de eletricidade
para a carga; podem ser com baterias ou sem baterias.

 Sem baterias: A água é à base da vida e o


sistema de bombeamento de água com
energia solar FV é, sem dúvida, uma das
soluções de grande valor para
convivência com a escassez de água.

 Com baterias: possuem acumuladores que


armazenam a energia para períodos
nublados ou sem sol, dimensionados de
acordo com a autonomia que o sistema se
propõe.
Os principais componentes são: Painel fotovoltaico, Controlador de Carga/Descarga das
baterias, Banco de baterias, Inversor para cargas em CA, Cargas CC ou CA.

Figura 2 – Sistema FV autônomo utilizando banco de baterias.


Os principais componentes são: Painel fotovoltaico, Controlador de Carga/Descarga das
baterias, Banco de baterias, Inversor para cargas em CA, Cargas CC ou CA.
A bateria pode ser definida como um conjunto de células
eletroquímicas, conectadas em série e/ou em paralelo, capazes de
armazenar eletricidade na forma de energia química. Quando
conectada a uma carga, o processo se inverte e a bateria converte
energia química em eletricidade na forma de corrente contínua. A
bateria de chumbo-ácido é a tecnologia mais empregada.
Controladores de carga são dispositivos que têm a missão de proteger
as baterias contra cargas e descargas excessivas que possam
prejudicá-las, reduzindo a vida útil.
Nos sistemas híbridos, mais de uma fonte se soma para o abastecimento de energia
elétrica para a carga. Figura 3 apresenta uma aplicação de sistema híbrido na
Alemanha, unindo módulos FV, aerogerador e gerador diesel.
Foto: Paulo Carvalho

Figura 3: sistema híbrido FV – aerogerador – gerador diesel


Nos sistemas conectados à rede elétrica, os módulos FV entregam a eletricidade gerada
a uma rede na qual estão conectados outros tipos de geradores, como usinas hidro e
termoelétricas. A Figura 4 ilustra os componentes principais de um sistema conectado
à rede elétrica, sistema já adotado em vários países do mundo com instalação em larga
escala, com sistemas de pequena e grande potencia elétrica.

Foto: Paulo Carvalho

Figura 4 – Planta FV conectada à rede elétrica (Alemanha)


Os sistemas conectados apresentam muitas vantagens ambientais, em
relação aos sistemas autônomos: não utilização de baterias e de
controladores de carga, a geração e injeção direta na rede elétrica, que
funciona como bateria virtual e também garante que toda a energia seja
utilizada, ou localmente ou em outro ponto da rede. Pode ser usado para
consumo doméstico, ou simplesmente produzir e injetar a energia na rede
elétrica.

No Brasil esse tipo de sistema FV deve ser instalado e operar conforme norma
técnica da concessionária local regulamentada por resolução normativa 482
da Agencia Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
Os principais componentes são: Módulos FV, Inversor Grid-tie ou On-grid,
Quadro de controle e proteção, Medidor de energia bidirecional (figura 5).
Figura 5 – Estrutura de um sistema FV conectado à rede elétrica

Módulos FV
As características elétricas mais importantes dos módulos ou painéis FV são dadas em
termos da potência elétrica, corrente elétrica continua e tensão elétrica continua
normalmente fornecidas na plaqueta de identificação(figura 6).
Ponto de Potência máxima (MPP): É o valor máximo de potência que
se pode entregar a uma carga e corresponde ao ponto da curva no
qual o produto V x I é máximo (V é a tensão elétrica e I é a corrente
elétrica). O parâmetro MPP é utilizado no dimensionamento do
painel com relação aos consumidores de energia elétrica
(motobombas, lâmpadas, chuveiros elétricos).

Corrente no ponto de máxima potência (IMPP): É o valor da corrente


que é entregue a uma carga à máxima potência (MPP), sob
determinadas condições de irradiação e temperatura. É utilizada
como corrente nominal do modulo solar. IMPP é utilizado para o
dimensionamento da seção transversal (bitola) dos cabos elétricos no
sistema FV.
Tensão no ponto de máxima potência (VMPP): É o valor da tensão que é
entregue à carga à máxima potência, sob determinadas condições de
irradiação e temperatura. É utilizada como tensão nominal do painel solar
e estabelece a conexão (série ou paralela) adotada para a interligação
entre os módulos conforme a necessidade da carga da instalação elétrica.

Corrente de curto-circuito (ISC): é a corrente elétrica que o módulo


consegue fornecer quando seus terminais estão em curto-circuito. A
informação da corrente de curto-circuito é útil para auxiliar no
dimensionamento dos sistemas FV e na especificação dos equipamentos
e acessórios ligados ao módulo. O valor da corrente de curto-circuito é a
corrente máxima, em qualquer hipótese, que o módulo vai fornecer nessa
condição.
Tensão de circuito aberto (VOC): é o valor da tensão elétrica, medida em volts (V),
que o módulo fornece nos seus terminais quando estão abertos, ou seja, é a tensão
medida por um voltímetro quando não existe corrente elétrica circulando pelo
módulo.
ELETRICAL
PARAMETERS
TYPE PVE-P6- PVE-P6- PVE-P6- PVE-P6- PVE-P6- PVE-P6- PVE-P6-
210 215 220 225 230 235 240
210W 215W 220W 225W 230W 235W 240W
Rated Maximum
Power at STC

Open Circuit Voltage 36.60 36.77 36.94 37.11 37.28 37.45 37.62

(Voc)
Maximum Power 29.40 28.60 29.80 30.00 30.20 30.40 30.60

Voltage (Vmp)

Maximum Power 7.14 7.26 7.38 7.50 7.62 7.73 7.84

Current (Imp)

Short Circuit Current 8.10 8.16 8.25 8.33 8.42 8.50 8.59

(Isc)

Power Tolerance 3%
Tabela 4: Características de módulos FV
Na figuras 7 e 8 estão representadas as curvas de corrente x tensão e de potência x
tensão de uma célula solar, destacando a corrente de curto-circuito, a tensão de
circuito aberto e o ponto de potência máxima (MPP).
Figura 7: Curva de corrente x tensão de uma célula solar
Figura 8: Curva de potência x tensão de uma célula solar
A dependência da curva de corrente x tensão para diferentes valores de irradiância e
temperatura pode ser observada nas figuras 9 e 10. Os pontos de potência máxima se
encontram, para os níveis mais elevados de irradiância, em uma faixa de tensão
relativamente estreita.

Figura 9: Curvas I x V para temperatura da célula de T = 25°C e diferentes níveis


de irradiância
Figura 10: Curvas I x V para irradiância de 1000 W/m2 e diferentes temperaturas da célula
Considerando que a potência fornecida pela célula depende da
irradiância e da temperatura, diferentes células podem ser comparadas
entre si por intermédio do estabelecimento de condições padrões de
teste que devem ser atendidas para a comparação do rendimento:

• espectro de referência AM 1,5;


• irradiância de 1000 W/m2 e
• temperatura da célula de 25°C.
Cada módulo apresenta suas características próprias, de acordo com a tecnologia
que foi usada na célula. Os módulos de silício monocristalino e policristalino (figura
11) são os mais utilizados na atualidade
Os módulos FV utilizados
para sistemas conectados à
rede elétrica são de
potências mais elevadas,
normalmente, com
valores:

- acima dos 150/160 Wp,


chegando aos 260/300
Wp;
- Vmpp na ordem dos 30
VDC;
Os módulos FV comerciais tem
forma quadrada ou retangular;
suportam ligeiras
deformações, adaptando-se a Foto: Paulo Carvalho
esforços mecânicos. Os
Figura 11: Módulos de silício policristalino
fabricantes de módulos
disponibilizam dados com características elétricas, mecânicas e outras informações
importantes acerca dos módulos. A identificação e informações gerais trazem dados do
fabricante, altura, largura, peso, tomada de ligação, tipo de tomada de ligação, cabo,
superfície do vidro frontal, tipo de célula, classe de potência, graduação de potência,
estrutura, nº de células, carga mecânica admissível.

Inversores
A principal característica dos inversores para aplicação FV é o intervalo de tensão para
o qual o sistema entra em funcionamento.
Foto: Paulo Carvalho

Figura 14 – Inversores para planta FV conectada à rede (Alemanha)

Quadro de controle e proteção


Deve existir no sistema AC, entre o inversor e a medição de energia da concessionária, um
quadro de comando e proteção.
Figura 16 – Sistema de comando e proteção do inversor

Figura 21 – Medidores de energia consumida e produzida


Medidor de energia
Este equipamento é normalmente definido pelo fornecedor de energia local, podendo
existir uma de duas soluções:
1 - contador bidirecional, fazendo a contagem da energia consumida e da produzida;
2 - contadores unidirecionais, um fazendo a contagem da energia consumida e o outro
da produzida (sendo este o exemplo da figura 21);
Localização dos módulos FV
Para projetos, deve-se consultar o valor da irradiação diária média da região; no caso
do Ceará, o valor é de 5,5 kWh/m2. Para medição da irradiação solar se utiliza o

piranômetro.
Figura 22: Piranômetro
É necessário garantir que no local de instalação dos módulos não ocorra risco de
sombreamento e que estejam próximos aos locais de utilização da energia, além da
inclinação correta.
A eficiência do módulo FV está ligada a sua correta instalação:

1. Fixação no telhado, pois está mais protegido do vento, de roubo e do vandalismo.


2. Orientação para o norte (regiões localizadas no hemisfério Sul) ou para o Sul (regiões
localizadas no hemisfério Norte).
3. Grau de inclinação correto para cada estado (Tabela 5), mas por recomendação dos
fabricantes observar um ângulo de inclinação de no mínimo 10°, para o escoamento da
água da chuva.
4. O módulo deve estar livre de sombreamento e/ ou sujeira, pois até mesmo a sombra
projetada por um fio telefônico pode reduzir sensivelmente sua capacidade. Se o módulo
estiver sujo, limpe o vidro com água e flanela de nylon. Detergentes não abrasivos ou
neutros podem ser usados para remoção da sujeita mais persistente.
Estados Ângulos de inclinação Estados Ângulos de inclinação Graus
Graus

Acre 10 Paraíba 10

Alagoas 10 Paraná 25

Amapá 10 Pernambuco 10

Amazonas 10 Piauí 10

Bahia 10 Rio de Janeiro 22

Ceará 10 Rio grande do Norte 10

Espírito Santo 20 Rio grande do Sul 40

Goiás 16 Rondônia 10

Maranhão 10 Roraima 10

Mato Grosso 15 Santa Catarina 32

Mato Grosso do Sul 20 São Paulo 23

Minas Gerais 19 Sergipe 10


Pará 10 Tocantins 10

Tabela 5 – Grau de inclinação dos painéis FV


Quando a demanda de energia aumenta, um único painel já não é mais suficiente para
suprir a demanda das cargas; porém, é possível aumentar a geração simplesmente
conectando outros painéis ao sistema.

Ligação em série: É feita conectando-se o terminal Negativo de um módulo com o


terminal Positivo do módulo seguinte. Os terminais de saída do conjunto serão os dos
terminais das extremidades da associação. A tensão do sistema será igual à soma da
tensão de cada módulo e a corrente será a mesma de 1 módulo.

Se a VMPP dos módulos é 12 V, os terminais de saída fornecerão 24 V para a carga do


sistema. Nesse caso, essas cargas devem ter tensão nominal de 24 V. O valor da corrente
permanecerá o mesmo, permitindo assim o uso de cabos de mesma bitola. Conectando
vários painéis em série, aumenta a tensão do sistema. Em um sistema FV quanto maior
for a tensão, menores serão as perdas de energia ao longo dos cabos.
Figura 23 – Diagrama da conexão em série
Ligação em paralelo: É feita conectando todos os módulos entre si com Positivo com
Positivo e Negativo com Negativo (figura 24). Nessa associação, a corrente do conjunto
será a soma das correntes dos módulos associados e a tensão do conjunto se mantém
igual a tensão elétrica de 1 só módulo. Essa tensão elétrica é o parâmetro VMPP,
quando o conjunto de painéis é conectado a carga.
Figura 24 – Ligação em paralelo
Estrutura para instalação dos painéis
Fixa - montada numa posição que não se altera; no mínimo deve garantir uma inclinação
adequada de forma a melhorar a exposição direta aos raios Solares, com orientação a
norte para unidades no hemisfério sul (caso do Brasil);

Foto: Paulo Carvalho

Figura 34 – Estrutura fixa para painéis FV em estacionamento (Portugal)


Semifixas - montada numa estrutura que permita o ajuste manual, alternando, por
exemplo, entre uma inclinação de Inverno, quando o Sol anda mais baixo e o grau de
inclinação deve ser maior e o Verão, quando o Sol anda mais alto e o grau de inclinação
deve ser menor;

Móvel – estrutura dotada de um seguidor solar que orienta automaticamente os painéis FV


de forma a fazerem face ao Sol ao longo do dia.
Figura 35: Módulo FV com seguidor solar
A estrutura é um fator muito importante, pois um mau funcionamento do suporte
comprometerá o investimento feito. No telhado onde geralmente se faz a instalação
para autoconsumo deve ser verificado o tipo de telha e madeiramento, enfim, toda
a estrutura que suporta o telhado respeitando as limitações arquitetônicas. Para as
instalações em plano horizontal deve se verificar a altura mínima e também as

cargas de vento que adicionam um esforço mecânico aos suportes e ancoragens.

Para fixar os módulos em telhados, deve-se ter especial cuidado na


impermeabilização, tanto para o sistema FV, quanto pela própria edificação.
Dependendo do telhado, é preciso saber que suporte vai ser utilizado. Tem os
suportes para telhados de cerâmica, argila ou concreto (figura 36) e os suportes
para telhados metálicos.
Figura 36 – Suporte para telhados de argila
As presilhas são dispostas para receber o perfil de suporte que será dimensionado e
posicionado de acordo com os módulos, por isso que a etapa de medição dos espaços
disponíveis é tão importante durante o estudo de caso e proposta de projetos (figura 37
a, b, c)
Figura 37 a – Presilha para telhas de metal

Figura 37 b
Figura 37 c
O que prende os módulos e o perfil de suporte são as presilhas rosqueadas, que
são adaptáveis à grande maioria dos módulos, desde que sejam emoldurados e
a sua moldura esteja dentro dos padrões. Nas estruturas em telhado inclinado,
principalmente os de telhas de argila, não é recomendável utilizar de ajustes para
corrigir a inclinação, que tornam a instalação mais difícil, pois o suporte deverá
suportar cargas de vento maiores. Ao optar por uma instalação no telhado requer
análise e cuidado, melhor seria arquitetar o telhado já com a devida orientação
e inclinação, porém, isso só é possível em fase de edificação ou no caso de
reforma. Fazer ajustes para instalação do sistema FV, depois da estrutura pronta,
pode inviabilizar o projeto.
A construção do painel FV no chão ou cobertura permite maior flexibilidade quanto a
orientação e inclinação. Nas grandes instalações, devem ser tomados alguns cuidados,
principalmente quanto ao sombreamento, como já vimos, este pode ser um dos fatores de
aparecimento de hot spots.
Figura 38 – Estrutura para montagem de painéis
Para instalações no chão, o painel deverá ter altura mínima de 30 cm do chão a fim
de evitar o sombreamento causado pelo mato, ou sujeira dos módulos mais baixos,
causadas pela chuva ao tocar no chão. Esses cuidados são especialmente importantes
para os sistemas instalados em localidades remotas e/ou inóspitas. Já para painéis
montados em coberturas a altura mínima recomendável é de 5 cm, para permitir o
escoamento da chuva, e a quebra da força do vento, e diminui a carga de vento sobre
o painel.
Atividades sobre telhados

Os telhados podem ser basicamente de dois tipos:


Telhados inclinados: figura 39 apresenta planta FV instalada em telhado inclinado na
cidade de Colônia, Alemanha. Observe a inclinação do telhado, devido à latitude do
país (latitude de 51° norte)
Telhados planos: figura 40 apresenta planta FV em telhado plano em Fortaleza, Brasil
(latitude de 4° sul). Como citado, uma inclinação mínima deve ser mantida para
facilitar o escoamento de água da chuva.
Figura 39: planta FV em telhado inclinado (Colônia, Alemanha)
Figura 40: planta FV em telhado plano (Fortaleza, Brasil)
As principais causas de acidentes em trabalhos realizados sobre telhados podem ser
resumidas em:

a) quebra de telhas devido à baixa resistência mecânica e tábuas mal posicionadas;


b) escorregamento devido a telhas molhadas ou com acentuada inclinação;
c) uso de calçados inadequados e/ou impregnados de óleo ou graxa;
d) operações de levantamento e transporte incorreto de telhas;
e) deslocamento sobre coroamento dos prédios;
f) emprego de escadas inadequadas de acesso ao telhado;
g) ofuscamento pela luz solar, diretamente ou refletida;
h) falta de sinalização e isolamento nos pisos inferiores ao local de trabalho.
Algumas medidas preventivas devem ser tomadas quando do início de atividades
sobre telhados:

• Evitar concentração excessiva de pessoas ou materiais num mesmo ponto sobre o


telhado;
• Observar o uso de equipamento de proteção individual (EPI): botas de segurança,
óculos de segurança, capacete de segurança, cinturão de segurança, luvas;
• Observar se as condições atmosféricas são favoráveis;
• Observar se o local abaixo do telhado está interditado e isolado.
No portal do Ministério do Trabalho e Emprego é encontrada a NR 18 - CONDIÇÕES E
MEIO AMBIENTE DE TRABALHO NA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO. Para projetos de
instalação de plantas FV integradas às edificações, merece destaque o item 18.18
TELHADOS E COBERTURAS, reproduzido no final deste manual.

A norma tem como objetivo estabelecer “diretrizes de ordem administrativa, de


planejamento e de organização, que objetivam a implementação de medidas de
controle e sistemas preventivos de segurança nos processos, nas condições e no meio
ambiente de trabalho na Indústria da Construção”.
Dimensionamento de planta FV
conectada à rede elétrica
Conta de Energia Elétrica
kWh

JAN 175
FEV 175
MAR 170
ABR 91
MAI 230
JUN 174
JUL 184
AGO 161
SET 130
OUT 123
NOV 156
DEZ 164
SOMA 1933
MÉDIA 161,08
Média de Consumo: 160 kWh/Mês
Consumo Anual de Energia elétrica:
160 kWh x 12 meses = 1.920 kWh
Fator de Capacidade

𝐹𝐶𝐹𝑉 = ℰ𝐹𝑉/ (𝑃𝑜𝑡𝐹𝑉𝑛𝑜𝑚𝑖𝑛𝑎𝑙. 𝑇)


Horas de Sol Pleno
Quantidade de horas necessárias para igualar a
irradiação total medida (Wh/m2), caso a
irradiância seja igual a 1000 W/m2.
Qual o FC para novembro de 2014?
- 30 dias;

- Arranjo FV de 348 Wp;

- Eletricidade gerada: 47,55 kWh;’


Dados de Fortaleza, CE
Arranjo FV de 348 Wp
Descrição set/14 out/14 nov/14 dez/14 jan/15 fev/15 mar/15

52,65 60,18 47,55 48,95 47,93 34,98 41,78


ℰ𝐹𝑉 (kWh)

250,56 258,912 250,56 258,912 258,912 233,856 258,912


ℰ𝐹𝑉𝑛𝑜𝑚𝑖𝑛𝑎𝑙 (kWh)

21,01% 23,24% 18,98% 18,91% 18,51% 14,96% 16,14%


𝐹𝐶_𝐹𝑉 (%)

Sol Pleno (h) 6,30 6,97 5,69 5,67 5,55 4,49 4,84
FC médio = 18,82 %
Qual a potência nominal FV para
atender a demanda anual?
Quantos módulos?
Parâmetros Elétricos
5 módulos!
Quantos módulos por fileira
(série)?
TEMPERATURE COEFFICIENTS FOR PV MODULES AND
ARRAYS: MEASUREMENT METHODS, DIFFICULTIES, AND
RESULTS

David L. King, Jay A. Kratochvil, and William E. Boyson


Sandia National Laboratories, Albuquerque, NM
26th PVSC; Sept. 3Wct. 3,1997; Anaheim, CA

Coeficiente de temperatura para Si policristalino


Qual a tensão ajustada?
𝑉aju = 𝑉𝑜𝑐 × (1+ (𝑇𝑚𝑖𝑛−25°)∗𝐶𝑡)

Voc = 37,62 V
Tmin = 50°C
Ct = - 0,0039
Vaju = 33,95 V
Número de módulos por fileira

Inversor suporta expansão!


Isc, mod = 8,59 A

Imax, inv = 20 A
Bibliografia
Balanço Energético Nacional 2015
M. R. Borges Neto; P. C. M. Carvalho: Geração de Energia Elétrica - Fundamentos; Editora Érica, 2012 (ISBN 978-85-365-0422-3)
EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA: Balanço Energético Nacional; 2015
EREC – GREENPEACE: [R]evolução energética: perspectivas para uma energia global sustentável; 2007
INTERNATIONAL ENERGY AGENCY: Key World Energy Statistics; 2014