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Geen ‘Mastre em Direito Constitucional pele PUC-SP. Espacialista er Dirito Const © tucional pela Escola Superior de Direfte Constitucional. Advogade na seara de Direito Publica, Professora de Direito Administretivo & Constitucional na rede LEG: Professora no Saraiva Aprova. Colunista de Dirsita Administrative da Radio dlustiga no STE. Aarora de diversas obras para concursos pdbiens e CAB, ‘Site, wiv iciniarossi.com br, Redes sovieis: Blcinierossi, WhaisApo tere per ticipacdo de late de transmissdo de dicas da autora: 017-89739-9091 {mande lurha rensagern com seu nome completo}. | Sutnatio a 1 Prinelpios de administacdo piles: 11. Ineodugao; 1.2. Concetta de creo edininistretive 1.2. Pinopios expresso na Consituiglo Federal 1.91. Princfoia dallogalidedo; 13.2, Principio da impassoalicade; 1.3.3. Prineitio da motaidade, 1914: Principia da publicidade; 13.6. Priveipo da aficiércia ~ 2. Principios impli ‘tos ha Gonsituigao Federal: 2.1. Principio de supemacia do interasse ples sobre 0 particular; 2.2, Princisio da indisponiaitdade do interesse publico; 2.8. Frinefsio da autotute'; 2.4. Principio da contiwiade des servigas pUbicoe: 2.6. Frincfio da tuela cu controle; 2.6, Principio da tsonomia; 2.7. Pricipo da mot ~ vagto: 2.8, Prinipio da razoabldede e propotcionaldede; 2.9. Principio da boa-te ‘cu'da contiangs; 2.10. Poncipio da sequrangsjurcica 8 Poceres da dninisra- 480; 3.1. Intvoduglo; 2.2. Carectersticas dos poderes da administragdo; 3.3, Po- detes om espécie; 8.3.1, Poder vinculads ou regrado; $3.2. Poder disericionsrio; 3.3.3 Poder cisciplinar, 1.3.4. Poder hiardrquico: 3 35 Pocar da policia: 8.3.5 CCeracteristices co poder de nollca; 2.3.6, Poder regulementar iou normative) ~ 4: AtoS atimin statins: 4.1. Inrodugde; 4.2. Cessiicactes importantes; 4.2.1. Ato simples; 4.2.2, Ato composto; 4.2.3, Ato complex; 4.3. Atibutos des atos edminisvatives, 4.3.4. Presungio de legitrsidece; 4.9.2. Autoexecutoredade: 4.3.3, Tipicdada: 4.3.4, Imporetividede: 44, Blemantos ou requlsités dos atos administrativos: 4.41, Forme; 4.4.2. Finalidade: 44.3. Sujeito competerte; 4.48.1. Critéios para defnigdo de competence; 4.4.4, Motivo; 44.4.1. Motive: $0; 4.4.4.2, Teoria dos motives ceterminantes; 4.4.5, Objeto cu conteddr 4.6. Extinggo dos atos administrativos = 8. Orgariaacaa de administragaa" 6.1. Admi- Tistiaydo diets, 51.1. Descentraizarao versus desconcentragao; 6.2. Auter- ‘quies, 5.3. Caracterstcas: 5.4. Agencies reguladoras, 6.5. Fundegdes puibices, 5.6, Agdncias executivas, 5.7. Empresas piblcas versus sosiedades de econo- Imia “iste: 5.8. AssociagSes ptiblicas ~ 6. Terceito setor: 6.1. Orgerizaches so- ~ eiais'6.2. Servigas sociss autnomes; 6.3. OrgarizagSes de sociedace chil de Interasse piblice - 7, Responsebilidade cil to Estadss 71. Iniaducac: 7.2. Fun- daritentos da responsabiidade civil do estovo; 73. Sueitos Ja responsabitdeds 0 Estado; 7.4. Exclusio ta responsabilidad asteta: 7 8. Tooria de rsee integra; 7.8; Respansebilidade civ do Estado em casos de omnisséo; 7.7, Responsebilida- de de estado por etos legslativos e judicais, 7.8, Jrisprudércie sobre response: bidade civ do Estado: 7.8. Divito de regresee ~ 8, Servigos ptivicus ¢ conees- sio de servigas piibicos: 81. Inttoducéo; 8.2. Principias dos serviges ptibicos, 8.3, Concasséo ¢ permissae de servigos publicos dma previsto na Lel a. 8.987/96 — quo regulamenta ort, 175, CP, 8.4. Formas de extinggo do contrato de concesséo; 8.5. Concosséo espacial da servigos pubicos (tema provista ne Loin. 11.079/2004) — porceri piiblico-privace: 8.6.1. Conceito © modaledes: 8.5.2. Caracreristicas importantes: 8 6, Permissdo de servicos polis; 8.7. Aue torizegéo de servicos pdblicos - 9. Agentes pUbicos. 9.1. Acessibiidade; 9.2. Jutisprudéncia sabre concurs publice: 8.3. Categorias de agentes piibicos: 9.3.1, Agentes polticas; 93.2. Servidores astetais: 9.3.2.1, Sorvidotes pobi60s, 9.3.2.2, Servidor de ente govesmamental de dieite privado femipagados odbi- cos); 93.3, Particuiares em colavoragdo com o Estado; 8.3.4. Agantes de fato; 9.3.8: Miitares; 9.3.5.1. Milteres dos Estados, Distnto Federal Territéios tart. 42.6 pargratos da CF, 9.3.6.2, Miltares das Forces Armadas —integrantes de Unido fart. 142, § 3°, CF): 8.4. Cargos versus empregos pUblicos; 2.5. Estabilda- de: 9.6. Provimento versus investidure; 9.7, Remiuneracso dos agentes pubicos: consideragdes easencias: 9.8. Dreito de greve cos agentes publeds; 9.9, Prin- cipsis ports da Let n 18 300/201 - Lei do Mandado de Injunééo: 9.10. Apossn- tadona do servior~ 10. Imorabidade administativa: 10.1. Intracucao; 10.2. Afos de improbidade aciministretiva: 10.21. Enriquecimento lito (art. 9*da LIA) ~ne~ ccassidade de dolo ou mé-46 pare sue configureedo; 10.2.2. Dano ac erdrio fart. 10 da LIA) ~necessicade de dole ou culpa para sua confiquracko; 10.2.2.1. Atos ¢@ improbidade administrativa decorrentes de concesséo ou aplicagéo indevida de benetitia financoira ou tibutério fart. 10-8 da LIA): 102.3. Vioaco €os princk pios da administracéo fart. 11 da LIA] — necessidede de dole ou mé-té para sus configuragdo, 10.3, Sengbes apliciveis eo agente imarebo; 10.4, Suita ativa éo ato de improbidade acministrativa; 10.6. Acdo chil pabloa varsus agf0 popula 10.5.1, Ago civil piblice: 10.5.2. AeBo poplar: 10.8. Prascrigdo né li de imoro~ bidade administativa; 10.7, Jurisprudéncia sobre improbidede administrva — 11, Processo administrative focerel ~ Lein. 9784/99: 11.1, IntrodugBo: 11.2. Cie ‘6rios obsarvacios na pronasso administrative federal; 11.3. Fases do proceso edministrativ federal; 114, Do rec.rso edministetivo: 11.6. De reviséo do pro- ‘64580; 11.6. Sumulas to STJ— 12. Lietacdo: 12.1, Conceito ¢ base constitucional (ait. 97, XX; 12.2. Principio of lichagdo: 12.3, Feses da lcitaéo; 12.4, Modal odes Ge lnitacéo, 12.41. Tipos de fcitago (eritério de julgemento das propos- ‘esl: 12.4.2, Contratagdo citeta: bcltacSo cisponsivat versus inexigibiidade de ix chagdo; 72.4.2. Lickagio cispensével: 12.4.2.2. inarigibidads do lcnagac: 125, Desisténcia da lictagso ~ 18. Regime Diferenciado pera Contrecagdes — ADG: 131. Apticagéo do RDC; 18.2. Caractorstices principas; 8.3, Fases co ROC: 13.4, Crtérios de jutgamento do RDC ~ $4, Contatos edriristrativos = 15, Intervengao do Estedo na propriedade: 16.1, Desaproptiagse: 16.2, Coracterist- cas principsis da desspropriacdo ordinavia fet. 5°, XXIV, CFI: 15.3. Desepropria- «80 indiceta; 16.4. Requisico aciminsstretiva; 15.5. Tombarento, 45.8. Servidéo administrative: 18.7. Limiagdc administrative; 16.8, Ocuoagto ternparérie — 16 Estatuto da Cidade: 16.1. instrumentos jrldicas de poltica urbana: 161.1. Parco lamento, editiceczo ou utlizagdo compulsorios: 161.2. Do IPTU progressive rio tempo; 161.3. Da desapropriegéo com nagemento em ttuos; 16.1.4. Da usuca- pio escecial de iméval urbano: 16.1 S. Do diteto de superficie; 16.1.6. Do dat ‘de preempeao; 16.1.7. Da cutorga onerasa do disito de constr; 16.1.8. Dab ‘speragies urbonas consorviadas, 16.2. Estudo de impacto de vieiwhanga (EV), 16.3, Piano diretor~ 17. Contele da adrrinistragto ~ 18, Bens pubicos: 18.1 In~ trodugéo; 18.2, Principals classficeges dos bens pablus; 16.2.1. Quento a ttue laridado, 18.2.2. Quanto a dostinacdo, 18.2. Atrinuioe dos bens péblicos ~ Rofo rancies biliogréfices ~ Questbes, a 1, PRINCIPIOS DA ADMINISTRAGAO PUBLICA a 14, Introdugéo O diteito administrative & um amo recente, Teve 0 seu nascimento no século XVIII no momento em que se, consolidou o Prinefpio da Tripartigtio dos Poderes de Montesquieu. Os Bstados eram governados por um soberitno, ¢ a ideia de poder vinta porque diziam que os soberanos sepresentavam a divindade — v.g., Lufs XTV, com a méi- xxima “o Bstado sou eu”. A partir dos séculos XVI e XVI surgem pensa- mentos visando a limitagao desse poder (sobretudo com, John Locke em seus dois Tratados sobre o Governo, em Montesquien em Q espirito das leis; “s6 0 poder li- mita 0 podet"), Assim, atribui-se as fungdes do Estado « diversos ‘Srgiios, objetivando 0 combate ao poder através da im- posigdo de limites a quem 0 exerce. O direito administrative aparece com.o objetivo de estadar qual a fungao administrativa do Bstado © 08 Or ‘los que a desempenham. @ 12, Conceito de direito administrativo Diversos so 0s critérios para conceituar direito ad- ministrativor a) escata do servigo piblico; b)critério do poder executivo; c}critério das relagées juridieas; d) cri- ‘ério teleoligico ou finalistico; e) critério negative ou residual; © 0 mais recorrente em provas, f) eritérto da AdministragHo Pablica: o direito administrative brasi- Ielto consiste “no conjunto harménico dos psincipios Jlrfdicos que regem os érgios, os agentes ¢ as atividades piiblicas tendentes a realizar concreta, direta e imediata- mente os fins desejados pelo Estado” (MEIRELLES, 2010, p. 40). 0 denominado “regime juridico administeativo” um regime de diteito piblico, aplicdvel aos Srgios € eatidades que compdern @ administragio pablicae & atuagio dos agentes administrativos em gerd.” Ba- seia-se na ideia de existéncia de poderes especiais passiveis de soremn exercidos pela édmitiistragio pa- blice, contrabalancados pela imposicio de restrigoes cespeciais & atuagéio dessa mesma administragio, nfo existentes — neni os poderes nem as restrigdes — nas relagbes tipicas do direito privedo, Essas prerrogati- vas € limnitagdes tracuzem-se, respectivamente, nos prinefpios da supremacia do interesse piblico ¢ da indisponibilidade do interesse péblico (ALEXAN- DRINO; VICENTE, 2010, p. 10). 1.3. Prine(pios expressos na Constitvigéo Federal © att, 37, caput, CF estabelece que: “A administra- ‘edo publica direta e inditeta de qualquer dos Poderes da Unig, dos Rstados, do Distrito Federal ¢ dos Munict- plos obedecerd sos prinejpios de legalidade, impessoal dade, moralidade, publicidade e eficitncia”. 1.31. Principio da legalidade ela legalidade, s6 « lei obriga os homens ¢ permite atvagdo do Estado, ¢ administrar € atuat conforme a li. Legalidade no direito privado no se confunde com legalidade no direito pibtico. Para o direito privado adota-se um ctitério de no contradigao a lei: 20 particular € licito realizar todas as condutes, excettindas aquelas que por fei estdo proibidas. ‘Wa legalidade no direito piiblico panta-se num eri- tério de subordinagio & lef: 0 administrador s6 pode fa- er 0 que 2 lei autoriza ou determina, Os atos ilegais podem ser anolados tanto pela Ad- ministragio Péblica (através do Principio da Autotutela) ‘quanto pelo Poder Judiciério (porque nenhuma testo ou ameaga a direito ser4 exclufda da apreciagto do Poder Judiciirio), Os efeitos da anulagio so ex tune. bg) O direito da Administragio a amular 0s atos administrativos de que decorram efeitos favordveis para os destinatatios decai em cinco anos, contados a dota em que foram praticados, salvo comprovada ‘mé-f6. No caso de efeitos patrimoniais continues, o prazo de decadéncia contar-se-4 da percepgio de primeiro pagamento, © 13.2, Principio da impessoatidade principio da impessoalidade estabelece que.ao ad- ministrador & vedado tratar ¢ administrado de forma be- néfica ou detrimentosa, significa, portanto, austncia de subjetividade no exercicio da atividade administrativa, Allguns institutos do direito administrative repre~ sentam a observancia do principio da impessoalidade: a) obrigatoriedade de licitagdie nos termos do art. 37, XI, CF; b) obrigatoriedade de concurso piiblico nos tetmos do art. 37, I, CF; ¢) vedacdo 20 nepotismno nos tsrimos da Stmuta Vinculante 13: