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O ministério VIVA A IGREJA tem como:

MISSÃO
COOPERAR PARA O CRESCIMENTO DE IGREJAS SAUDÁVEIS.

VISÃO
FUNDAMENTALMENTE BÍBLICOS, MODERNAMENTE RELEVANTES,
ESPIRITUALMENTE INTELIGENTES E SINCERAMENTE AMOROSOS.

NOSSOS VALORES:
1. As Escrituras Sagradas - única regra de fé e prática; suficiente, inerrante e infalível;
2. Devoção sincera, pessoalmente e comunitariamente transformadora.
3. Amor à Igreja do Nosso Senhor - Sua noiva;
4. Reflexão sincera e profunda da realidade;
5. Dar de graça o que recebemos de graça.

NOSSAS ESTRATÉGIAS:
1. Debate sobre a sociedade, a Igreja e o Reino com base nas Escrituras;
2. Valorização da teologia sadia e da excelência hermenêutica;
3. Criação e participação de encontros, seminários, mesas redondas e outros meios para pensar a Igreja
na pós-modernidade, tendo como fundamento essencial as Escrituras;
4. Reflexão científica em benefício do Reino de Deus;
5. Fomento de treinamentos nas Igrejas locais para o desenvolvimento de uma espiritualidade e prática
cristã fundamentadas nas Escrituras;
6. Preparação de material para treinamentos e capacitação das igrejas locais.

DIREITOS AUTORAIS:
Todos os materiais postados são gratuitos e você está autorizado a baixá-los, reproduzi-los, distribuí-los,
divulgá-los ou postá-los em parte ou na íntegra desde que citada a fonte e mantida a autoria.

AJUDE O VIVA A IGREJA:


O ministério VIVA A IGREJA não cobra por seus materiais, mas você pode contribuir com qualquer va-
lor através da conta:
Banco do Brasil
Conta corrente: 4.241-2
Agência: 3900-4
Favorecido: Handerson Xavier

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Introdução

Bem-vindo ao desafio de crescer na fé!

Esperamos contribuir de forma decisiva para seu desenvolvimento em Cristo. Até aqui você tem sido perse-
verante na decisão de servir ao amado Senhor de nossas vidas, e esperamos que continue assim.
Este material foi elaborado para ser feito mediante os encontros de discipulados. Então, note as dicas abai-
xo:
1. Sempre inicie com uma oração e a leitura do texto bíblico da semana;
2. Leia com atenção o capítulo, os versículos indicados e assinalando as partes importantes;
3. Ao final, no “Reflita sobre isso...”, anote suas respostas;
4. Encerre com uma oração;
5. Não esqueça! O encontro de discipulado deve ser semanal.

Agradecemos aos nossos irmãos que contribuíram para a criação deste manual. Todas as idéias, críticas, su-
gestões e correções feitas foram essenciais para que o tivéssemos em mãos.
Que o Senhor possa nos abençoar de forma superabundante, pois o que mais desejamos é crescer na fé pa-
ra amá-lO cada vez mais.

Em Cristo.

Pr. Handerson Xavier

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Sumário

Cap. Pág

1. Você: Um discípulo de Jesus . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 05


2. Conhecendo a Deus: A Bíblia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 08
3. Conhecendo a Deus: A Oração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
4. Conhecendo a Deus: A Adoração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
5. O discípulo e a vontade de Deus . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
6. Livres em Jesus . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
7. Nossos relacionamentos: O Amor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
8. Nossos relacionamentos: O perdão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
9. Nossos relacionamentos: A Comunhão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
10. Vida no Espírito: Sendo cheios dEle . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
11. Vida no Espírito: Os frutos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
12. Batalha espiritual: Os inimigos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
13. Batalha espiritual: A Armadura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
14. Mantendo sua integridade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
15. O Cristão e o Mundo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
16. Testemunhar para fazer Discípulos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
17. O Discípulo e o Dinheiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
18. A Ressurreição do Senhor Jesus . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65
19. Buscando as coisas do Alto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69
20. As ordenanças do Senhor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72
21. A Igreja: Corpo de Cristo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75

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Capítulo 1
Você: Um discípulo de Jesus

Leitura: Mateus 28:19

Olá! Seja bem-vindo à família de Jesus! Graças a Deus que você tem perseverado em Seus caminhos. Sabe-
mos que surgirão dificuldades e barreiras para tentar fazê-lo desistir, e por isso o Senhor nos ensinou que deverí-
amos ser discipulados, pois por meio dele damos os primeiros passos na fé cristã e nos fortalecemos para resistir
aos ataques do Diabo, aos apelos dos nossos desejos pecaminosos e tentações deste mundo.
Este não é o primeiro manual que você faz, por isso deve estar consciente da necessidade de ter tempo de
leitura bíblica e oração. Será importante reservar um bom momento durante a semana a fim de estudar este ma-
nual e encontrar-se com seu discipulador para compartilhar sobre seu aprendizado, lutas, dúvidas, vitórias e mui-
to mais.
Lembre-se: no texto bíblico acima, Jesus diz que todos devemos ser discipulados e aprender a serví-lO, e es-
te manual foi preparado para ajudá-lo a crescer na fé, para a Glória de Deus.

Quem é discípulo de Jesus?

Para descobrir quem é discípulo de Jesus abra a sua Bíblia em Lucas 9:23. Aqui o Senhor Jesus diz que são
necessárias 3 atitudes para segui-lO. Quais são elas?

Muito bem! Um discípulo é, primeiramente, aquele que “negou a si mesmo”, entregando os cuidados da
sua vida à Jesus; agora Ele é quem comanda o leme do nosso barco, o Senhor direciona nossos passos. Somos
propriedade exclusiva dEle e devemos fazer, acima de tudo, a Sua vontade.
Em segundo lugar, o discípulo é aquele que “toma a cruz dia a dia”. Isto não quer dizer que a vida do crente
é sempre tomada de dores e sofrimentos e que não haja alegria e contentamento. Tomar a cruz representa a pos-
tura do crente frente ao desafio de caminhar com Jesus. Uma posição de entrega, sabendo que não devemos ter
medo de andar com Ele, porque mesmo que cheguemos a morrer, estamos com nossa salvação guardada, já que
a cruz significou para o Senhor não somente sofrimento e dor, mas também vitória! Glória a Deus por isto!
E, por último e igualmente importante, discípulo é aquele que aceita o “siga-me” de Jesus, não como uma
religião ou um clube, mas como um “aluno” ou “aprendiz”. Ele segue ao Mestre para observar o que Ele faz e age
da mesma forma.
Caso alguém não se enquadre nestes princípios, não pode e nem consegue ser um discípulo.
Faça este exercício assinalando aquilo que é importante para você neste momento:

( ) Aprender sobre a Bíblia ( ) Ganhar muito dinheiro ( ) Ver televisão


( ) Tempo de oração ( ) Lazer e diversão ( ) Compartilhar minha fé
( ) Namoro ( ) Tempo com Deus ( ) Agir como Jesus
( ) Comunhão ( ) Estudo bíblico ( ) Ausentar-se da comunhão

Deus: O maior amor do discípulo.

A palavra “amor” está tão corrompida e distorcida que muitas pessoas não sabem realmente o que significa
“amar”. Os discípulos de Jesus precisam ter uma visão clara sobre isso, pois foram chamados para amá-lO acima
de todas as coisas. Como diz Marcos 12:30: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a
tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força”. Nada e nem ninguém deve nos impedir de amar a

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Deus. Coisa alguma e até mesmo nossa família – incluindo os parentes mais queridos – devem receber maior
amor do que aquele que damos a Deus.
Isto deve nos levar a refletir que tudo entregamos a quem mais amamos. Se tivermos dificuldades em amá-
lO acima de todas as coisas, nos será difícil confiar nEle de todo coração, lançar sobre Ele nossas ansiedades e
saber que Ele sempre tem o melhor para cada um de nós. Conseqüentemente, oraremos pouco, pois não teremos
muito desejo de estar na Sua presença e leremos pouco a Bíblia, porque não estaremos interessados em conhecê-
Lo.
Desta forma você percebe a necessidade de aprendermos sobre este amor que está acima de todas as coi-
sas, e isto faz parte do discipulado: abrir mão cada vez mais de mim mesmo para amar cada vez mais a Deus. Este
é nosso alvo e objetivo maior.
Aproveite o momento e assinale abaixo aquele que deve ser seu maior amor.

( ) pai/mãe ( ) irmãos ( ) esposa/marido ( ) filhos ( ) você ( ) Deus ( ) outro: _________________________

Alcançando o crescimento pelo discipulado

Para começar, leia Filipenses 2:12.


Como você percebeu, o texto fala sobre “desenvolver a salvação”. Significa que todos os que já estão salvos
devem procurar progredir a fim de se parecerem cada vez mais com o Senhor Jesus. Chamamos isto de santidade
ou “processo de santificação”. Para que este processo ocorra, precisamos ser moldados pela Palavra e aprender
sobre Deus, Seu Reino e como devemos viver esta vida.
O objetivo do discipulado é fazer com que um crente novo aprenda mais sobre Deus e Sua Palavra (a Bíblia),
sua nova fé, a vida na igreja, batalha espiritual, frutos do Espírito e tudo aquilo que possa ajudá-lo a desenvolver
uma vida santa e ativa.
O discipulado possui quatro aspectos:
1. O aspecto do conhecimento: Lendo a Bíblia, participando de seminários, estudando os manuais, ouvindo
sermões, etc. É disto que fala Mateus 22:29: “Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus”. Muitos
estão no pecado porque, simplesmente, ignoram o que dizem as Escrituras. O discípulo deve ter uma vida de lei-
tura da Palavra e disposição para aproveitar as oportunidades de conhecê-la de forma mais profunda, pois ela é
“lâmpada para os nossos pés” (Salmo 119:105).
2. O aspecto da busca pessoal: Não adianta ler a Bíblia se não existir no coração um desejo de encontrar-se
pessoalmente com Deus. É o que diz o Salmo 63:1: “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a
minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água”. O grande anseio do cren-
te deve ser conhecer pessoalmente e cada vez mais ao Senhor, Sua Palavra e Seu poder. Fazer com que o Ele pas-
se de um grande desconhecido a um grande amigo.
3. O aspecto da prática: Muitos falham neste ponto. Lêem a Palavra sem a colocarem em prática. De nada
adianta só ler a Bíblia. É preciso colocá-la em prática. Assim diz Tiago 1:2: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra
e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos”. Perceba que alguém que lê e não pratica está se enga-
nando. O verdadeiro crescimento vem do conhecimento, da busca e da prática.
4. O aspecto da transmissão: A matemática é a seguinte: leio a Bíblia buscando sinceramente conhecer a
Deus; este desejo aliado ao conhecimento dEle através da Bíblia faz com que muitas áreas da minha vida (valores,
pecados, hábitos, caráter, etc) sejam transformadas, pois decido praticar aquilo que Ele me mostrou; isto me faz
compartilhar (ou transmitir) o que aprendi para outros irmãos, estimulando-os a buscarem mais a Deus. É o que
diz Colossenses 3:16: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em
toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração”.
Para facilitar seu aprendizado guarde as seguintes palavras: conhecer, buscar, praticar e transmitir.

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O discípulo e a prestação de contas

Jesus nos colocou numa comunidade para que crescêssemos juntos. Discipulado requer supervisão e acom-
panhamento. Para tanto, quando você entrou em uma célula, foi escolhida uma pessoa para lhe acompanhar du-
rante o início do seu crescimento. Esta pessoa é o seu “discipulador”. Ela tem um compromisso de ajudá-lo a cres-
cer na fé, orar pelas dificuldades que podem surgir, compartilhar de suas alegrias e vitórias e ser um exemplo para
você. O necessário é que você separe um tempo na sua semana para estar junto dela a fim de compartilharem
sobre este material de discipulado. Disto dependerá o seu crescimento espiritual.
Com certeza, o Diabo não gostará de vê-lo crescer na fé e se tornar uma “arma” poderosa nas mãos de
Deus. Ele fará de tudo para que isto não aconteça, tentando-o a desistir, não encontrando tempo, desanimando,
colocando amargura em seu coração, trazendo preocupações ou muitas dúvidas. Saiba que a Bíblia diz que maior
é o que está em nós (Deus) do que aquilo (Diabo) que está no mundo (1 João 4:4). As coisas não vão bem? “Ba-
teu” o desânimo? Muitas perseguições no trabalho, em casa ou na escola? Tentações difíceis de resistir? Tenha à
mão o telefone e o endereço do seu discipulador ou líder de célula, pois caso não seja possível uma visita no mo-
mento, poderá receber uma ministração pelo telefone. Mas não desista jamais de crescer para o Senhor Jesus.

Prepare-se para esta jornada

Ao nos entregarmos para Jesus, iniciamos uma vida de relacionamento com Deus, o que lhe permitirá expe-
rimentar cada vez mais dElei, dependendo de sua sede e fome espiritual. O Senhor nos chamou para produzir
frutos: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para
que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele
vo-lo conceda” (João 15:16). Mas só produziremos frutos que agradem a Deus se estivermos ligados a Ele: “Per-
manecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não perma-
necer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim” (João 15:4).
É isso aí amado(a)! Que nosso querido Deus derrame grandes bênçãos sobre a sua vida e lhe faça crescer,
muito, para a Glória dEle.

Reflita sobre isso...

1. Por que você precisa ser discipulado?


2. O que é necessário para você ser um discípulo de Jesus?
3. Você poderia explicar brevemente quais os QUATRO ASPECTOS DO DISCIPULADO?
4. Sente-se bem em ter um discipulador? O que você espera dos encontros de Discipulado?
5. Há algo que Deus falou ao seu coração durante este estudo?

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Capítulo 2
Conhecendo a Deus: A Bíblia

Leitura: 2 Timóteo 3:16

Consideramo-nos íntimos de alguém quando conhecemos detalhes da vida desta pessoa. Podemos conhe-
cer várias pessoas na escola, igreja, trabalho, família, mas somente com uns poucos mantemos uma profunda
intimidade. Isto ocorre quando conhecemos suas vontades, gostos, o que o desagrada e o que o agrada.
Em se tratando de Deus, isto é muito importante, pois Ele nos chamou para a intimidade.
Veja estes textos:

João 15:15: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos cha-
mado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer”. Somos íntimos do Senhor e Ele
nos chama de amigos.

Romanos 8:15: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados,
mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai”. A palavra “Aba” significa “Paizinho”,
uma forma carinhosa de referir-se a Deus, demonstrando profunda intimidade.

A Bíblia sempre nos mostra a necessidade de nos aproximarmos cada vez mais de Deus – dia-a-dia – para al-
cançarmos uma intimidade profunda com Ele. No estudo desta semana falaremos sobre o papel da Bíblia nesta
busca.

Ser íntimo faz toda a diferença

Infelizmente, nem todos os cristãos se dispõem a buscar este relacionamento profundo com o Senhor, o
que os deixa fracos, desanimados e infrutíferos. No entanto, buscar intimidade é buscar o coração de Deus.
Para onde ir? O que fazer? Que emprego escolher? Como resolver meus problemas familiares? Como lidar
com aquele irmão difícil? Como agir no meio dos incrédulos? O que busca a intimidade sempre quer receber de
Deus a direção de sua vida. Na Bíblia vemos muitos exemplos:
Enoque era filho de Jarede (Gênesis 5:24) e sua intimidade com Deus foi tão profunda que Deus o levou pa-
ra o céu antes mesmo dele morrer. Deus o amava e lhe tinha tanto apreço que o tomou para Si.
Moisés, libertador do povo de Israel da escravidão (Êxodo 33:11) também era íntimo de Deus, o que o fez
ser chamado por Deus de “amigo”, pois falava com ele face a face através da Sua glória.
Davi, rei de Israel, foi o homem segundo o coração de Deus. Suas palavras em vários salmos demonstram
seu desejo de buscar ao Senhor, declaram seus momentos de angústia por causa do pecado e sua alegria pela
comunhão com Deus.
Estes são alguns dos exemplos bíblicos de pessoas que desfrutaram de uma profunda intimidade com Deus,
tendo suas vidas transformadas e sendo usados por Ele.

A Bíblia nos ensina sobre Deus

Para ter intimidade com Deus é preciso ler o livro que Ele escreveu. A Bíblia é uma autobiografia. Nela O
vemos revelando a Si mesmo, mostrando aos homens quem e como Ele é e o que devemos fazer para nos apro-
ximarmos dEle. Isto significa que para O conhecermos, devemos ler a Bíblia.
Como discípulo de Cristo, você deve tirar um tempo diário de leitura bíblica, dando preferência pela leitura
de livros inteiros, pois assim você será mais bem alimentado. Melhor do que ler um capítulo de um livro hoje e o
de outro livro amanhã, é concentrar-se em um livro, desde seu primeiro capítulo até o final.

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Bem. Isto aparentemente é fácil, mas não é. Além da falta de hábito que algumas pessoas têm da leitura, o
Diabo fará de tudo para afastá-lo deste propósito. Você, entretanto, deve permanecer firme, conhecendo Deus
através da Sua Palavra, pois isto fortalecerá sua mente e seu coração para lutar contra o seu pecado e contra as
investidas de Satanás, porque assim como o alimento físico é para o corpo físico, assim é a Bíblia para o nosso
espírito: o alimento!

Algumas dicas para a leitura da Bíblia

As dicas abaixo têm como propósito ajudá-lo a ter um tempo proveitoso de leitura:

1. Tenha um tempo determinado: Procure disciplinar seu tempo, já que muitas situações ocorrerão para lhe
afastar deste propósito. Não deve ser a hora em que você está mais cansado ou o horário mais ocupado do dia,
mas um tempo em que possa doar qualidade de atenção para a Palavra de Deus.

2. Faça a leitura em local adequado: Ler em locais com pouca ventilação, iluminação fraca e muito barulho
são fatores que desestimularão sua leitura. Ler deitado não é indicado, pois, além de causar desconforto no corpo
por causa da posição, pode provocar sono. Ler e ouvir som ao mesmo tempo divide a atenção do nosso cérebro e
diminui a apreensão. O local ideal é: pouco barulho, nenhuma interrupção, ventilação agradável, sentado e com
luz indireta. Estas dicas podem não tornar você um grande leitor, mas procuram melhor a qualidade e a quantida-
de do seu tempo disponível para a leitura da Bíblia.

3. Inicie com a oração: Nunca esqueça de orar antes de ler a Bíblia pedindo a Deus que ilumine seu coração
para compreender as verdades nela contidas e disposição para obedecer e praticar. É preciso sempre pedir: “Se-
nhor, ajuda-me a ver quem eu sou, o quanto preciso mudar e como posso ser melhor. Ajuda-me a obedecer ao
Senhor e a Sua Palavra”.

4. Siga um livro de cada vez: Algumas pessoas gostam de ler a Bíblia como a galinha come o milho: um aqui
e outro ali. A proposta de Deus na Palavra é oferecer um banquete, e não um pequeno lanche. Inicie o estudo da
Bíblia em um livro e siga-o até o fim. Se você é novo convertido, o estudo em algum dos Evangelhos (Mateus,
Marcos, Lucas e João) é aconselhável.

5. Faça anotações: Durante a leitura o Senhor falará muito com você e poderá ser útil fazer anotações. Po-
derão surgir dúvidas ou questionamentos que precisam de um esclarecimento por parte de seu discipulador, líder
ou pastor.
6. Meditar é essencial: Após ter seu tempo de leitura, você precisa meditar. Meditar é refletir, pensar sobre
o assunto, fazer um auto-questionamento sobre o que significa aquilo que acabou de ler e o que Deus quer lhe
ensinar. Na meditação você procurar aplicar à sua vida tudo o que leu.

Devemos sempre obedecer a Bíblia

Alguns lêem a Palavra até diariamente, mas falham em obedecê-la. Decoram versículos – e isto é até impor-
tante, sabem os textos mais famosos, emocionam-se ao lê-la sem, contudo, obedecê-la. Como se diz por aí: “entra
por um ouvido e sai pelo outro”.
Para buscarmos uma intimidade com o Senhor precisamos ler e praticar o que diz a Bíblia como Palavra de
Deus para nossas vidas. Ela pode nos confrontar, apontar nossos pecados, mostrar o quanto estamos errados,
mas nos revela a forma de tratarmos esses problemas.
Em Mateus 7:24-27 o Senhor Jesus compara o crente verdadeiro como aquele que constrói sua casa sobre a
rocha. Construir a casa sobre a rocha quer dizer “obedecer a Jesus”, e esta obediência é que mostra que somos
verdadeiros cristãos.
A Bíblia sempre apresenta o crente como alguém que obedece ao Senhor. Leia estes versículos:

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Lucas 11:28: “Ele, porém, respondeu: Antes, bem-aventurados são os que OUVEM a palavra de Deus e a
GUARDAM!”.
João 10:27: “As minhas ovelhas OUVEM a minha voz; eu as conheço, e elas me SEGUEM”.

Mateus 7:21: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que FAZ a
vontade de meu Pai, que está nos céus”.

Sua prioridade como discípulo é aprender a ouvir a voz de Deus através da Sua Palavra e colocá-la em práti-
ca, pois você é uma ovelha e deve ouvir a voz do Pastor. Agindo assim, você permitirá que Deus trabalhe em sua
vida, curando feridas espirituais, apontando falhas que precisam de restauração e levando-o ao crescimento espi-
ritual.

Reflita sobre isso...

1. Qual o propósito que temos para buscar intimidade com Deus?


2. Como a Bíblia pode nos ajudar nesta busca por intimidade?
3. Existe algo, hoje, que Deus tem falado a você por meio da Bíblia?
4. Como ovelha, há disposição em você para obedecer ao Senhor, permitindo que Ele trabalhe de forma profunda
e transformadora?

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Capítulo 3
Conhecendo a Deus: A Oração

Leitura: Colossenses 4:2

Nesta semana falaremos sobre outro fator importante na busca da intimidade com Deus: a oração.
A oração é um diálogo entre o crente e Deus. É uma conversa onde não apenas falamos sobre nós, mas bus-
camos ouvir a voz do Senhor para nossas vidas. Através da oração nós podemos conversar com o Pai sobre nossos
sonhos, lutas e dificuldades. Podemos falar com Ele sobre as pessoas que desejamos levar para Jesus e pedir que
cure ou liberte alguém.

Relacione-se com Deus pela oração.

Oração é um diálogo. É uma conversa entre você e Deus. Da mesma forma que você fala com Ele, Ele deseja
falar com você.
Oração também deve se tornar viva com a presença do Senhor na medida em que nos tornamos mais ínti-
mos dEle. A oração não foi designada para ser uma formalidade sem vida ou uma simples recitação memorizada
pela qual passamos ou uma apresentação a Deus de nossa lista de desejos.
Jesus, ao falar sobre a oração dos fariseus (Mt 6:5), condenou a oração vazia e as vãs repetições. A oração
sincera conquista a atenção de Deus. A questão não é só orar, mas orar com sinceridade e um desejo sincero de
conhecer ao Pai.
Antes de desejarmos receber as bênçãos de Deus, precisamos saber que oração é um relacionamento com
Ele. O que podemos pedir de melhor e de mais especial? Só existe uma resposta a está pergunta: o próprio Deus.
Quem entende a essência da oração sabe que nenhuma bênção se compara a isto.

O quarto de escuta.

Quando utilizamos esta expressão não o fazemos de forma literal. Queremos simplesmente dizer que de-
vemos ter um local especial para falar com o Senhor. É o seu lugar de estar a sós com Deus. Um ambiente calmo,
tranqüilo e que permita a concentração, reflexão e sua conversa com Ele. Pode ser um lugar da sua casa ou qual-
quer outro lugar onde possa desfrutar da intimidade na oração, onde haja liberdade para rir, chorar, falar, cantar
e expressar seus sentimentos na presença do Amado Pai.
Lugar para descarregar o fardo e “recarregar a bateria” da nossa vida. Lugar para aquietar a alma e descan-
sar o coração. Ali você deposita diante do Pai não somente sua vida, mas todos os irmãos da sua célula e as pes-
soas que você tem evangelizado.
A oração antes de mudar as circunstâncias ao nosso redor muda a nossa própria vida. Por meio dela nos
preparamos para fazer parte da comunhão sincera da família cristã, nos abrindo para receber a ministração dos
nossos irmãos em Cristo e nos tornando um canal dEle para as outras pessoas. A oração sincera nos faz aceitar a
vontade do Pai.

Existe uma forma correta para orar?

Esta é uma pergunta que muitos desejam a resposta. Como devemos orar? De pé, sentados, deitados ou de
joelhos? Outros se questionam: Qual é a forma mais “poderosa” de falar com Deus? Alguns chegam a declarar: “A
oração feita de joelhos tem mais efeito”. Ou ainda com relação à tonalidade da voz na oração: “Oração poderosa
é aquela de quem fala mais alto ou grita”. Outros irão defender: “A oração em tom baixo é aquela de quem tem
mais intimidade”. Bem, tudo isto é superficial diante do que é realmente importante na oração.
A Bíblia nunca impõe uma posição para orar.

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Atos 9:40: “Mas Pedro, tendo feito sair a todos, pondo-se de joelhos, orou; e, voltando-se para o corpo, dis-
se: Tabita, levanta-te! Ela abriu os olhos e, vendo a Pedro, sentou-se”.
1 Reis 19:4: “Ele mesmo, porém, se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um
zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma, pois não sou melhor do que
meus pais”.
2 Reis 2:20: “Então, virou Ezequias o rosto para a parede e orou ao SENHOR, dizendo: Lembra-te, SENHOR,
peço-te, de que andei diante de ti com fidelidade, com inteireza de coração, e fiz o que era reto aos teus olhos; e
chorou muitíssimo”.
Lucas 18:13, 14: “O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas
batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e
não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado”. O publicano –
cobrador de impostos que sempre roubava do que arrecadava – orava de pé e foi atendido na sua oração.
Também não percebemos nenhuma referência à tonalidade da voz, se ela deve ser fraca ou forte, se deve-
mos orar baixo ou orar alto. Não há relação entre a aparência que sua oração tem e o fato dela ser atendida por
Deus.
Quando era novo convertido uma música me incomodava muito, pois dizia que a melhor oração era feita de
madrugada quando a “fila é bem menor”. Deus, dizia a música, devia estar muito ocupado durante o dia e isto
causava um congestionamento na central telefônica do céu. Este antigo cântico, na verdade, diminuía o poder de
Deus, tirando sua onipresença. O Senhor ouve nossas orações individualmente, ao mesmo tempo e sem a menor
preocupação de quanto tempo iremos levar. A melhor hora para fazermos nossas orações é aquela em que esta-
mos verdadeiramente disponíveis. Isto não depende nem da hora em que oramos e nem de quanto tempo leva-
mos.

O que pode impedir nossas orações

Não é a posição em que você ora, nem a tonalidade da sua voz e muito menos se seu português é correto. A
oração não é uma série de palavras mágicas que quando ditas na forma e na ordem corretas produzem algum
efeito. Não existem fórmulas miraculosas para tornar a oração poderosa ou mais agradável a Deus. Falar que Deus
não nos atende porque estamos orando de pé, porque falamos baixo ou nossas palavras não são utilizadas da
maneira correta é pura superficialidade. Mais importante do que saber o “sim” ou o “não” de Deus é conhecê-lO.
Veja o que pode impedir suas orações:
1. Pecado oculto: esconder e guardar pecados no coração são fortes empecilhos para que Deus ouça sua
oração. O que você precisa fazer é confessar esses pecados, abandoná-los e procurar ajuda caso não consiga su-
perá-los.
2. Mágoa ou ressentimento: estar amargurado com alguém também impede que Deus atenda nossas ora-
ções. Nossa raiva ou amargura O desagradam profundamente. Tome uma atitude correta ao perdoar aquele que
lhe fez mal, independentemente se ele lhe pediu perdão ou não.
3. Não viver a verdade: não praticar o que diz a Bíblia é não viver a verdade, e agindo assim não seremos
ouvidos. É sobre isto que Pedro falava do homem que não tratar bem sua mulher (1 Pedro 3:7). Este é o pecado
daquele que, sabendo que a Bíblia condena tal comportamento, o pratica. Precisamos, novamente, de arrepen-
dimento e mudança de vida para nos relacionarmos intimamente com Deus.
4. Busca interesseira: Buscar a Deus para satisfazer nossos prazeres carnais e pecaminosos é algo que não
será atendido. Devemos avaliar a intenção que nos leva a pedir certas coisas, pois podemos estar querendo usar
Deus para conquistarmos algo, sem, necessariamente, desejarmos estar num relacionamento com Ele. Tiago 4:3:
“pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres”.

5. Falta de fé: de que adianta orar se não acreditamos que o Senhor pode – e quer – nos responder? Toda
oração pressupõe fé e desejo de ser atendido. Por isso o autor de Hebreus dizia que para nos aproximarmos de
Deus precisamos de fé (Hebreus 11:6), devemos acreditar que nosso Pai deseja relacionar-se conosco.

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O que realmente importa na oração

O importante na oração é que busquemos a Deus com um coração sincero. Para nos relacionarmos com Ele
precisamos buscá-lO de todo coração (Hebreus 10:22), desejosos por encontrá-Lo, ouvir Sua voz e não apenas
para derramarmos nossos problemas e pecados sobre Ele. Muitos procuram o poder, a bênção, os dons, os mila-
gres, as curas, sem se preocuparem em buscar ao Senhor acima de tudo; não devemos nos preocupar, pois todas
as coisas nos serão acrescentadas (Mt 6:33).
A oração deve ser, também, espontânea. Deus não aceita orações decoradas, frases que não sejam ditas pe-
lo nosso coração, palavras que, apesar de bonitas, não dizem nada do que somos ou sentimos. Nada melhor do
que a espontaneidade e a sinceridade para falarmos com o Ele.

Tenha um tempo com o Senhor

Não é interessante como separamos tempo para tudo durante o nosso dia, mas nem sempre lembramos de
orar e conversar com Deus? Um dos grandes desafios da vida cristã é mudar essa situação, buscando ao Senhor
em todos os momentos.
Se você realmente deseja isso, comece separando um tempo diário para estar com o Senhor. Procure disci-
plinar seu horário para investir tempo em oração e leitura da Palavra. Ninguém perde tempo orando ou estudan-
do a Bíblia, ao contrário, este é um tempo muito bem investido. Crentes que não agem assim são fracos e alvos
fáceis para o Diabo. O Senhor Jesus instruiu Seus discípulos a orarem para que não caíssem em tentação (Mateus
26:41).
Tendo separado este tempo, procure ser fiel a ele. Isto não quer dizer que não devemos orar em outros pe-
ríodos ou ter um tempo flexível, pois ocorrerão momentos em que não poderemos esperar chegar a hora marca-
da, mas deveremos buscar ao Senhor naquele momento. O real desafio é manter uma vida diária de oração.
Também é importante agradecer a Deus nas suas orações. Foi isto que o Senhor fez na Sua oração conheci-
da como o “Pai nosso” (Mateus 6:5-15). Jesus, antes de fazer qualquer pedido, adorou ao Pai. Quando formos
orar, precisamos agradecer, adorar, louvar. Reconhecer quem Deus É: grande, maravilhoso, misericordioso, amo-
roso, Senhor de nossas vidas, fiel, presente, etc. Tenha isto em mente quando você for conversar com Ele.
Precisamos sempre lembrar que Deus atende nossas orações se forem conforme a Sua vontade, pois Ele sa-
be o que é melhor para cada um de nós. A vontade do Senhor é boa, perfeita e agradável (Romanos 12:1, 2). Po-
demos achar que determinado desejo é bom, mas Deus sabe que não é, por isso Ele sempre nos atende de acordo
com aquilo que Ele mesmo planejou para nós.
Enfim, a oração sempre é encerrada com o pedido “em nome de Jesus”. Esta não é uma fórmula, mas preci-
samos pedir tudo em nome do Senhor Jesus. Através dEle o Pai atende nossas orações.
Agora pratique a oração. Dedique-se a buscar ao Senhor, pois todo o que busca encontra e o que procura
acha – isto se você colocar seu coração no intento de encontrar ao Senhor.

Reflita sobre isso...

1. Qual sua maior dificuldade para ter uma vida de oração?


2. Você consegue ver em sua vida, hoje, algum impedimento para ter a sua oração ouvida?
3. Faça sua lista de oração e compartilhe com seu discipulador. Divida-a da seguinte maneira:
- Motivos pelos quais devo agradecer a Deus nesta semana.
- O que preciso confessar a Deus como pecado para que Ele me perdoe?
- Pessoas que precisam ouvir de Jesus através da minha vida.
- Pessoas as quais sei que necessitam de oração. Especifique quais as necessidades delas.
- Meus pedidos pessoais.
4. Encerrem este tempo orando pela lista elaborada acima.

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Capítulo 4
Conhecendo a Deus: A Adoração

Leitura: Romanos 15:9

Falar de intimidade com Deus é falar sobre louvor. Todo aquele que O conhece O adora, é impelido a exaltá-
lO por todas as Suas obras e por aquilo que Ele É.
Já estudamos sobre a Bíblia, oração, e agora aprenderemos sobre a adoração. Comece lendo o texto acima,
pois ele o ajudará a perceber o quanto isto é importante.

Isto é adoração

Adorar é honrar, louvar por algo que Deus fez ou reconhecer quem Ele É.
Louvamos a Deus por Sua infinita misericórdia, por Sua bondade e fidelidade com cada um de nós. Este é
um grande motivo para adorarmos, pois se não fosse o Seu grande amor, ainda estaríamos perdidos em nossos
pecados. Graças ao Senhor que nos amou mesmo antes de O amarmos. O Pai decidiu enviar Jesus Cristo para
morrer pelas nossas iniquidades. É importante você saber que Romanos 8:37-39 diz: “Em todas estas coisas, po-
rém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a
morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes,
nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está
em Cristo Jesus, nosso Senhor”.
Também O adoramos pelas Suas obras. Tudo o que Ele tem feito por nós e em nossas vidas precisa ser re-
conhecido em nosso louvor. Deus nos abençoa, ouve nossas orações, cura nossas feridas, abre portas de empre-
go, cura nossa alma e nos aceita em Sua presença. Adorar é reconhecer – e agradecer – tudo o que Ele tem feito.
Por mais que as situações estejam difíceis, Ele sempre estará ao nosso lado. Sabendo disso, nosso coração deve se
encher de uma alegria e gratidão, transformadas em um louvor vivo, sincero e maravilhoso.

Adorando com a nossa vida

A primeira forma de adoração é a louvar com nosso comportamento. Quem é agradecido a Deus pelo que
Ele É e faz, não só canta, mas vive para o Senhor. A obediência e uma vida consagrada são marcas da verdadeira
gratidão.
Este é um dos pontos mais importantes, pois caso não estejamos adorando com nossas vidas, de nada vale-
rão nossas palavras. Não adiantará cantar a Deus se não O estamos obedecendo ou então não mostramos uma
vida correta. Adorar com a vida é isto: viver como Jesus gostaria que vivêssemos e procurar agir para O agradar.
Essa é a parte mais difícil da adoração. Não é fácil abrir mão do nosso orgulho, egoísmo e pecado para dei-
xarmos o Senhor trabalhar em nossas vidas. Gostamos de “desaparecer” num culto de domingo, quando nosso
comportamento não é visto pelas pessoas. Cantamos músicas que não vivemos, mas ninguém sabe disso. A ado-
ração verdadeira e sincera começa, antes de tudo, com nossas atitudes. Desta forma adoraremos a Deus: fazendo
O que Ele aprova.

Adorando com nossas boas obras

Importante também, e que na realidade tem a ver com a adoração através da nossa vida, é a adoração por
meio das boas obras.
Esta adoração é aquela que é feita quando praticamos o bem para as pessoas, quando nossas atitudes para
com os outros são bondosas e demonstram o amor de Deus por elas. Quando ajudamos alguém, levamos pessoas
para Jesus ou trazemos os desviados novamente para Ele, socorremos aos necessitados, visitamos os enfermos ou

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praticamos qualquer ato de misericórdia, estamos adorando. Servir é adorar, e servindo às pessoas estamos ser-
vindo a Cristo.
Apesar de sermos salvos pela fé, sem a necessidade de boas obras, fomos chamados e comprados pelo san-
gue de Jesus para as praticarmos (leia Mateus 5:15 e 1 Pedro 2:12).
Para quem devemos fazer estas boas obras? Muitos podem pensar que devemos agir assim com nossos ir-
mãos em Cristo, amigos e familiares, mas isto se estende a todas as pessoas, inclusive nossos inimigos, persegui-
dores, os que falam mal de nós e os que nos maltratam. Devemos fazer o bem para todos, mesmo para aqueles
que tentam nos prejudicar. Como diz Romanos 12:21: “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o
bem”. Esta é uma grande marca do verdadeiro cristão: fazer o bem para todas as pessoas. Veja o que o Senhor
Jesus nos ensina em Mateus 5:43-45: “Ouvistes que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu,
porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai
celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos”.

Adorando com nossas palavras

Aqui podemos incluir tudo aquilo que falamos (cânticos e orações) para o Senhor.
O livro de Salmos, um dos maiores da Bíblia, é um livro de oração e adoração. Os salmos eram músicas utili-
zadas pelos judeus em vários momentos de sua vida religiosa. Declarar o que sentimos pelo Senhor, nossa grati-
dão, nosso compromisso, nossos frutos, é resultado dos pontos anteriores: adorar com vida e praticar boas obras.
Não podemos nos calar quando devemos cantar e agradecer por tantas bênçãos que Ele tem derramado sobre
nós. Deixar de adorar através da música é pecado, assim como não viver a Palavra ou não praticar boas obras.
Muitos permitem que o desânimo, a apatia e a ingratidão penetrem em seus corações, comprometendo suas vi-
das de adoradores. Não permita que isso aconteça com você! Seja um autêntico adorador.
No livro dos Salmos encontramos com freqüência o verbo “cantar”, como no Salmo 7:17: “Eu, porém, ren-
derei graças ao Senhor, segundo a sua justiça, e cantarei louvores ao nome do Senhor Altíssimo”; e o Salmo 13:6:
“Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem”; e ainda o Salmo 104:33: “Cantarei ao Senhor enquan-
to eu viver; cantarei louvores ao meu Deus durante a minha vida”.
Você pode gostar de escrever poemas ou músicas para o Senhor. Faça isso, pois Deus será adorado naquilo
que você escreve. Talvez você não saiba sobre notas musicais, melodias, mas a adoração congregacional – aquela
do domingo à noite e da célula – é para todos nós.
A adoração pelas palavras deve estar presente em nossas orações. Jesus nos ensina a iniciar a oração com
agradecimentos a Deus (Mateus 6:9), pois mesmo nos momentos mais difíceis da nossa vida, sempre teremos
motivos para louvar. Lembre-se de que você é salvo pela graça e misericórdia do Senhor. Faça da adoração um
momento importante nos cultos de domingo, nos encontros da célula e no seu período de oração.

Glorifique a Deus no que você faz

Existem outras formas de demonstrar a Deus o quanto você O ama e o quanto está disposto a adorá-lO:
- Dança: Nela utilizamos o corpo para declarar nosso amor ao Pai. Alguns talvez tenham o ministério de
dança e se dedicarão ao ensaio de coreografias e técnicas corporais, pois têm um chamado específico para isto.
Mas você pode dançar numa celebração, na célula, ou em algum momento especial com o Senhor. Dançar como
adoração a Deus não é pecado! Leia estes textos para comprovar: Êxodo 15:20; Juizes 11:34; 1 Samuel 21:11; 2
Samuel 6:14; Salmo 150:4; Jeremias 31:13; Lamentações 5:15.
- Ministério: É o lugar que cada um de nós ocupa no Corpo de Cristo. É um serviço específico para o qual
Deus nos chamou. Existem muitos ministérios: teatro, louvor, administração, infantil, adolescentes e jovens, lide-
rança, casais, servir, entre outros. Para glorificá-lO no ministério para o qual você foi chamado é preciso fazer o
melhor possível. Deus não se agrada daquele que faz a Sua obra relaxadamente (Jeremias 48:10), ao contrário,
para O adorarmos em nosso ministério, devemos procurar fazer tudo com excelência e responsabilidade.
- Ministração: Ministramos quando servimos, exortamos, admoestamos, oramos por alguém ou utilizamos
nossos dons espirituais para a edificação da igreja. Quando agimos assim, devemos ter em mente que não o faze-

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mos por nós mesmos, mas pela graça e poder de Deus. Desta forma, a glória pertence somente ao Senhor. Minis-
trar na vida do outro não somente é como nos edificamos, mas uma das formas de adoração.
- Contribuição: Dar financeiramente também é glorificar. O dinheiro sempre tenta tomar o lugar de Deus em
nossas vidas. Quando contribuímos de forma espontânea e alegre é sinal de que realmente o dinheiro não ocupa
o primeiro lugar em nosso coração, mas sim o Senhor. Além do mais, o dinheiro que investimos no Reino é rever-
tido para obras da igreja, e isto também é glorificar a Deus.
- Responsabilidade: O crente deve ser alguém que busca dar exemplo, por isso ele tem responsabilidade
com seus compromissos. Glorificar a Deus através de uma vida responsável com os horários e compromissos é
algo importante, pois é ruim ver um crente em quem ninguém confia, pois não pagas suas contas ou é visto como
alguém irresponsável. Ir para a celebração de domingo para louvar a Deus e chegar atrasado é algo que manifesta
que o crente precisa melhorar muito neste sentido. Nosso Deus merece o melhor, por isso devemos ser responsá-
veis.
- Evangelismo: o Senhor nos chamou para que mostrássemos para todo mundo o quanto Ele é bondoso
(Efésios 2:7). Fazemos isso ao levarmos as pessoas para Jesus. Quanto mais pessoas se converterem, mais irmãos
estarão glorificando a Deus. Conduzir pessoas à Cristo é glorificar ao Senhor.
Existem outras formas de adorar e você até poderia acrescentar algumas. Estas são as mais importantes pa-
ra o seu crescimento hoje. O essencial é lembrar que adorar não é apenas cantar, mas viver para o Senhor, prati-
car a Bíblia e transmitir o amor de Deus para todas as pessoas.

Os três momentos da adoração

- A adoração pessoal: é o momento em que você está no seu devocional orando e estudando a Bíblia. Por
ser um momento de intimidade, aproveite para desenvolver sua criatividade na adoração pessoal, declamando
poemas, cantando músicas, tocando algum instrumento, escrevendo cartas para Deus como agradecimento, len-
do salmos, orando agradecendo, cantando junto com um CD ou qualquer outra forma que possa utilizar para de-
monstrar seu amor e gratidão.
- A adoração na célula: é o momento que, juntamente com seu grupo familiar, você adora ao Senhor. Procu-
re envolver-se com os irmãos da sua célula neste momento. Pode haver propostas para um louvor diferente, mas
a essência da adoração sempre estará presente: agradecer a Deus. Este momento não pode faltar em sua célula,
mas há a tendência de não o levarmos a sério. A atitude de irreverência (desrespeito) para com a presença de
Deus na célula é algo condenável, um grande pecado, já que nosso Senhor merece o melhor. Envolva-se neste
momento e ajude seus irmãos a fazerem o mesmo.
- A adoração na celebração: são os encontros semanais de todas as células, quando nos reunimos para
agradecermos a Deus como uma família. Celebramos o amor de Deus, a salvação e nossa comunhão. Novamente,
precisa estar presente o elemento do respeito (reverência), pois, apesar de todos desfrutarmos de liberdade para
adorar com a postura que desejarmos (de pé, sentados, ajoelhados, etc.), não temos a liberdade de não adorar. A
atenção deve estar focalizada no Senhor, com os nossos corações atentos a Ele.

Para começar a adorar

Apesar de não merecermos a presença de Deus, Ele nos aceita por causa de Jesus Cristo que morreu por
nós. A adoração em minha vida deve causar transformação. Devo refletir sobre minha situação espiritual diante
de Deus e quais impedimentos existem para me aproximar dEle. Nossa confissão dizendo: “Pai, perdoa-me porque
pequei”, precede a adoração, preparando nossa vida para um real encontro com Deus.

Reflita sobre isso...

1. De acordo com a leitura dessa semana, como podemos adorar a Deus?


2. Pense e compartilhe sobre formas de adorar a Deus.
3. Compartilhe sobre como você tem experimentado os três momentos da adoração.
4. Consegue perceber em sua vida alguma atitude que impeça seu louvor?

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Capítulo 5
O discípulo e a vontade de Deus

Leitura: Romanos 12:1 e 2

Muito temos falado sobre Deus e Sua vontade. Aprendemos que Ele ama seus filhos e deseja o melhor para
eles. Aqui surge uma questão muito importante: como saber qual a vontade de Deus para nossas vidas? Corremos
o risco de confundir nosso desejo pessoal com o “sim” dEle para aquilo que pedimos. Sentimo-nos empolgados
com uma ótima proposta de emprego ou um namoro em vista e nos questionamos: Deus quer isto para minha
vida? Então começamos a “interpretar os sinais” de Deus baseados neste anseio de recebermos uma resposta
positiva de Sua parte.
Podemos estar “cegos” por causa dos nossos desejos. Deixamos de ver as coisas como elas realmente são.
Desprezamos as desvantagens, os problemas e os defeitos. Então, chega o momento em que confundimos a von-
tade de Deus com a nossa ou, simplesmente, começamos a pensar se Ele realmente sabe o que é melhor.
No estudo desta semana abordaremos este importante tema para a vida espiritual: Como saber e fazer a
vontade de Deus? Não garantimos respostas fáceis ou fórmulas prontas para resolver esta questão, mas procura-
remos dar direcionamentos para melhor ouvir ao Senhor, descobrir qual Sua vontade e ter condições de experi-
mentá-la.
Leia o texto da semana, e dedique especial atenção ao estudo abaixo.

A vontade de Deus e a nossa

Não nascemos preparados para conhecer e fazer a vontade de Deus. Com efeito, alguns podem prová-la e
ainda assim não se sentirem satisfeitos. Isto ocorre por causa do espírito de rebelião que existe na raça humana
caída e pecaminosa. Herdamos este descontentamento em nossa natureza. Nossa vontade, então, mostra-se con-
trária à vontade de Deus.
Sem Cristo, somos movidos pelos nossos desejos, paixões e ambições. Buscamos a satisfação pessoal acima
de qualquer coisa; desejamos a felicidade pessoal a todo custo; queremos realizar nossos desejos mesmo que
para isso tenhamos que pecar. A vontade de Deus é contrária a tudo isto. Ela é antagônica à nossa natureza des-
truída pelo pecado. Por isso dizemos que, naturalmente, o ser humano não tem condições de sentir-se plenamen-
te realizado ao provar a vontade do Senhor.
Salmo 34:8 diz: “Oh! Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia”.
Somos convidados por Deus a provar dEle. Conhecê-lO. Mas sem uma certa preparação não estaremos prontos
para este encontro. De fato, o Senhor é bom, mas nem todos conseguem chegar a esta conclusão, principalmente
quando Sua vontade é contrária àquilo que se deseja.
Ao contrário, aquele que confia sua vida ao Senhor é feliz, como diz o Salmo 84:12: “Ó Senhor dos Exércitos,
feliz o homem que em ti confia”. Descobrimos muitos ensinamentos interessantes sobre a vontade do Senhor na
Bíblia. Veja estes versículos:
- Mateus 7:21: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a
vontade de meu Pai, que está nos céus”. Os que fazem a vontade do Senhor mostram que são salvos.
- Mateus 12:50: “Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai celeste, esse é meu irmão, irmã e mãe”.
O Senhor Jesus considera como parte de Sua família aqueles que fazem Sua vontade.
- João 9:31: “Sabemos que Deus não atende a pecadores; mas, pelo contrário, se alguém teme a Deus e pra-
tica a sua vontade, a este atende”. Deus ouve aqueles que fazem Sua vontade.
- 1 Tessalonicenses 4:3: “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prosti-
tuição”. A vontade de Deus é que nos santifiquemos e purifiquemos do pecado.
- Hebreus 10:36: “Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de
Deus, alcanceis a promessa”. Devemos perseverar em fazer a vontade de Deus, seja ela qual for.

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- 1 Pedro 2:15: “Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância
dos insensatos”. A vontade de Deus é que demos bom testemunho e pratiquemos o bem para calar aqueles que
falam contra o Evangelho.
- 1 Pedro 3:17: “Porque, se for da vontade de Deus, é melhor que sofrais por praticardes o que é bom do
que praticando o mal”. Pode ser da vontade de Deus o passar por algum sofrimento.

Aprenda a fazer a vontade de Deus

Já dizia o salmista: “Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por
terreno plano” (Salmo 143:10). Esta é uma oração sábia! Talvez muito possam dizer ao final de suas orações: “Seja
de acordo com o Teu querer, Senhor”, mas precisamos com igual interesse pedir a Deus que nos ensine como
fazer a Sua vontade.
Existem dois grupos de pessoas que buscam conhecer a vontade de Deus:
1. Os convenientes: Querem saber a vontade de Deus, mas sem o compromisso de realizá-la. São curiosos,
mas não obedientes. Estão dispostos a obedecer desde que ela esteja de acordo com o que querem. Na verdade,
eles oram com a decisão já tomada.
2. Os sinceros: Buscam de todo coração agradar a Deus, não importando qual seja Sua vontade. O que inte-
resa aos sinceros é obedecer. Confiam que o Senhor tem o melhor para oferecer. Os sinceros têm desejos e an-
seios assim como os convenientes. A diferença está na maneira de reagir ao “não” e ao “sim” de Deus. Os sinceros
obedecem.
Para que passemos de convenientes a sinceros devemos encarar uma tríplice mudança em nossa vida:
1. Devemos nos oferecer como sacrifício. Romanos 12:1 diz: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de
Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”.
Sacrificar-se quer dizer consagrar-se inteiramente a Deus, incluindo a vontade. É pertencer inteiramente à Ele,
depositando tudo que temos e somos em Sua presença – sentimentos, dores, desejos, sonhos, frustrações e me-
dos – e dizer: “Faça em mim, Senhor, a Tua vontade”. É abrir mão daquilo que mais quero em favor da vontade de
Deus para a minha vida. Alguém que não esteja completamente disposto a agir desta maneira não conseguirá
provar da vontade de Deus.
2. Não devemos nos conformar com este século. Romanos 12:2 diz: “E não vos conformeis com este sécu-
lo”. O “século” representa os valores deste mundo distante de Deus. Valores contaminados pelo pecado, pela
vaidade e pelo orgulho. Podemos encontrar dificuldades em fazer a vontade de Deus pelo fato dos nossos valores
ainda estarem comprometidos pelo pecado. Devemos fazer uma profunda avaliação interior e descobrir o que
existe em nós que precisa ser mudado. Talvez Deus já esteja mostrando qual a Sua vontade e, até mesmo, fazen-
do com que você a experimente, mas tendo seus valores contaminados por este “século” fica difícil sentir-se satis-
feito. Estes valores envolvem toda a nossa vida: família, dinheiro, trabalho, objetivos de vida, entre tantos outros.
O nosso desafio é identificar quais são eles e seguir o terceiro ponto.
3. Devemos ter nossa mente transformada. Romanos 12:2 diz: “Mas transformai-vos pela renovação da
vossa mente”. Saber quais valores precisam ser mudados não é suficiente para provar a vontade de Deus. É preci-
so mudá-los, e isto ocorre à medida que são substituídos por valores construídos segundo a Bíblia. Quanto mais
formos transformados, mais teremos condições de experimentar o melhor do Senhor para nossas vidas. Precisa-
mos passar por esta renovação interior, o que não é fácil, pois somos confrontados a todo o momento por velhos
hábitos e desejos pecaminosos que precisam ser abandonados, mas se desejamos experimentar a boa, perfeita e
agradável vontade de Deus, devemos passar por este doloroso processo.
Somente desta forma estaremos preparados para descobrir e obedecer a vontade de Deus.

A vontade de Deus é boa, agradável e perfeita

Todos desejamos coisas boas. Buscamos aquilo que acreditamos nos fazer bem, mesmo que os outros
achem que seja algo muito ruim. Queremos o melhor para nossa família, o melhor na nossa vida profissional, as
melhores posições no mercado de trabalho, a melhor casa, os melhores eletrodomésticos. Somos muito apegados
à qualidade. Quando queremos adquirir algum bem pensamos em qualidade e preço.

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Gastamos muito dinheiro numa boa casa para, após alguns meses, descobrir que ela foi construída com ma-
terial de baixa qualidade e surgem infiltrações e goteiras nos dias de chuva. Compramos uma roupa nova e logo
percebemos que ela encolheu na primeira lavagem. Com muita alegria compramos um carro novo, mas nossa
felicidade se desfaz quando começam os defeitos e as peças de reposição são caras e a mão-de-obra dispendiosa.
Damos de presente aos nossos filhos um vídeo game de última geração para, no mês seguinte sermos surpreendi-
dos por um mais novo ainda. Em todos esses casos e todos os outros que acontecem existe algo em comum: bus-
camos o melhor que nosso dinheiro possa pagar. Ao final das contas dizemos muitas vezes: “Ah, se eu soubesse
disso não teria comprado”. Não sabemos o futuro, não dispomos de todos os fatos, não acompanhamos a linha de
produção daquilo que adquirimos.
O que quero dizer é que a nossa capacidade de decidir entre o que é bom ou ruim é muito limitada. Como
aquele investidor da bolsa de valores que compra várias ações de uma empresa que, ninguém imaginava, estava
desviando seus recursos e maquiando os resultados para esconder os prejuízos. Sim, todos nós somos limitados e
nossas escolhas refletem exatamente isso. Muitos utilizam o ditado: “Se arrependimento matasse, eu já estaria
morto”.
Não é imprudente, então, substituir o nosso melhor pelo excelente de Deus. Isto diz Filipenses 1:10: “Para
aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo”. Você deseja o melhor para a
sua vida? Fico feliz por isso. Mas saiba que Deus tem para você aquilo que é excelente!

A vontade de Deus é descrita em Romanos 12:2 da seguinte forma: “Para que experimenteis qual seja a
boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.
O Senhor é onisciente. Ele conhece todas as coisas em todos os momentos, não tendo uma visão limitada
como a nossa. Conhece o passado, sabe o presente e vê o futuro. Podemos confiar nEle por causa de Sua bonda-
de, do Seu amor, do Seu poder e da Sua onisciência, que é um de Seus atributos, lhe conferindo o poder de saber
tudo, em todo tempo e em todos os lugares.
Experimentar a vontade de Deus que é boa, perfeita e agradável só é possível através da fé, pois submeter-
se ao propósito de Deus não significa uma vida sem sofrimento ou angústia. O que pode ocorrer é justamente o
contrário! Obedecemos e acabamos sofrendo. Devemos confiar nEle, sabendo que Seus planos não podem ser
frustrados (Jó 42:2). Podemos não saber a razão do que passamos no momento, mas temos a convicção de que o
Senhor está no controle, tomando conta de nós. Não há porque temer, pois Deus quer o excelente para Seus fi-
lhos.

Como descobrir a vontade de Deus

Até aqui vimos que não estamos naturalmente preparados para provar a vontade de Deus. Pedir algo que
Deus não quer nos dar mostra-se uma experiência comum e multiplica o número de “orações não atendidas”.
Para experimentar e gostar daquilo que o Senhor tem para nós é necessário sacrifício e mudança de vida, trocan-
do valores seculares por valores bíblicos. Só desta forma teremos condições de saber e aprovar a boa, agradável e
perfeita vontade de Deus.
Partindo do princípio que você não busca conhecer a vontade do Senhor por pura conveniência, mas é sin-
cero em seu desejo; que sacrificou a si mesmo e tem procurado mudar seus valores pecaminosos por valores san-
tos, vale terminar este estudo dando alguns conselhos sobre como saber a vontade de Deus para a sua vida.
1. Primeiro conselho: CONHEÇA-O! Como saber o que alguém deseja se não conhecermos essa pessoa?
Quanto mais você saber sobre Deus, mais condições terá de descobrir qual a Sua vontade. Baseado nisto, leia a
Bíblia diariamente. Nela encontramos muito da vontade de Deus claramente revelada. Um exemplo: Você recebe
uma proposta de emprego que lhe trará muito dinheiro, mas que o deixará sem tempo para a família. Será que é
da vontade de Deus? A Bíblia já dá a resposta: Não! O compromisso do marido é no cuidado espiritual de sua fa-
mília, e nisto não deve ser negligente. Portanto, muitas das orações que fazemos já estão respondidas nas Escritu-
ras.
2. Segundo conselho: ORE! Quer descobrir a vontade de Deus? Pergunte a Ele! Busque a Deus sinceramente
em suas orações. Não se aproxime dEle com as “cartas marcadas” ou com tudo resolvido. Esteja aberto a mudar
completamente seus planos em favor daquilo que o Senhor deseja,

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3. Terceiro conselho: ESPERE! Não seja precipitado. Seja cauteloso e paciente. Deus não responde orações
de acordo com a nossa agenda. Ele tem a forma correta de agir e intervir no momento certo. Temos a tendência
de interpretar este “silêncio” de Deus como desinteresse. Muitas vezes é nesta “demora” que Ele está trabalhan-
do em nosso coração para ouvirmos a Sua resposta.
4. Quarto conselho: ACONSELHE-SE! Lemos em Provérbios 11:14 que “na multidão de conselheiros há segu-
rança”. Podemos estar tão hipnotizados com aquilo que queremos que deixamos de perceber eventuais armadi-
lhas diabólicas, pecados, erros e complicações. Ouvir alguém que não está envolvido é útil para tirarmos uma me-
lhor conclusão, além do que Deus pode usar as pessoas para nos revelar a Sua vontade. Também não adianta pe-
dir conselhos para aquelas pessoas que dirão o que queremos ouvir. Esteja aberto a posições contrárias.
5. Quinto conselho: OUÇA! Não tente manipular a resposta ou fingir que não entendeu. Quando Deus diz
“não” quando esperávamos que Ele dissesse “sim”, podemos ter esta tendência. Lembre-se, Ele quer para você o
excelente, aquilo que é bom, agradável e perfeito. Então, compreenda o “não” de Deus como o excelente para a
sua vida. De igual forma, o “sim” dEle é bom, agradável e perfeito.

A vontade de Deus e o Seu plano em nossa vida

Resta-nos, por fim, lembrar que o excelente não é aquilo que desejamos, mas o que o Senhor tem planeja-
do para nós. A vontade é boa, agradável e perfeita porque foi assim avaliada por Deus. Como dissemos, somos
limitados, avaliamos muito mal os riscos e as implicações daquilo que pedimos.
Filipenses 1:6 diz: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la
até ao Dia de Cristo Jesus”. Esta é a vontade de Deus, é isto que Ele deseja: concluir em nós aquilo que Ele come-
çou. Esta vontade sempre se realizará. Deus não abrirá mão de Seu plano em nosso favor por causa das nossas
orações. Ele sempre nos atende à medida da Sua vontade, como lemos em 1 João 5:14: “E esta é a confiança que
temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve”. O nosso grande desa-
fio é orar na direção daquilo que Deus deseja, assim como aprendeu o rei Davi: “Agrada-me fazer a tua vontade, ó
Deus meu” (Salmo 40:8a).
Agindo assim seremos abençoados por Deus, recebendo dEle aquilo que é excelente para nós. O Senhor nos
surpreenderá com muitas bênçãos boas, agradáveis e perfeitas.

Reflita sobre isso...

1. Em se tratando de conhecer e fazer a vontade de Deus você se considera um conveniente ou um sincero? Pro-
cure definir cada um dos dois tipos. Talvez você precise dizer que em alguns momentos é conveniente e, em ou-
tros, sincero. Procure discutir com seu discipulador sobre as ocasiões em que isto acontece.
2. A vontade de Deus só é experimentada por aqueles que passaram pelas 3 transformações. Compartilhe com o
seu discipulador sobre suas dificuldades em permitir que estas mudanças ocorram em sua vida. Compartilhe,
também, valores seculares que precisam ser mudados.
3. A vontade de Deus é boa, agradável e perfeita. Como podemos aplicar este conhecimento às situações de gran-
de dificuldade pelas quais passamos?
4. Como aplicar os 5 conselhos para saber a vontade de Deus para a sua vida? Você está buscando alguma respos-
ta de Deus neste momento? Como estes conselhos podem ajudá-lo?

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Capítulo 6
Livres em Jesus

Leitura: Colossenses 1:13, 14

Estar em Cristo significa ser livre. Nesta semana aprenderemos sobre a nossa liberdade em Jesus. Libertos
de que ou de quem? Livres para quê? Como fomos libertos? Estas são algumas perguntas que procuraremos res-
ponder neste estudo.
Quando estamos sem Cristo experimentamos uma falsa liberdade. Temos “liberdade” para fazer o que der
em nossa cabeça, mesmo que sejam muitas loucuras e pecados. Não temos que prestar contas a ninguém. Por
essa aparente liberdade, alguns julgam ruim o caminho de Cristo, mas precisamos lembrar que o nosso inimigo –
o Diabo – não faz o bem nem mesmo para aqueles que são seus escravos.
Nosso propósito é lhe apresentar a sua liberdade em Jesus, como vivê-la e, também, a vantagem de sermos
servos de Cristo. Com isso, desejamos fortalecer o seu coração contra as investidas do Diabo, firmando suas con-
vicções de que você não é mais um escravo do inimigo, mas servo de Deus.

Sem Cristo somos escravos do Diabo

Basta ler o texto de Tito 3:3 para ter uma visão da nossa escravidão no mundo: “Pois nós também, outrora,
éramos néscios, desobedientes, desgarrados, ESCRAVOS de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia
e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros”. No mundo, a nossa “liberdade” é utilizada para desagradar a
Deus e fazer aquilo que o Diabo gosta. Por mais tentador que seja viver no pecado, o resultado é a separação
eterna de Deus, isto é, o inferno.
A Bíblia diz que tudo que fizermos nos será cobrado, pois prestaremos contas de cada uma de nossas atitu-
des e palavras. Viver uma vida de liberdade sem Jesus pode parecer melhor do que submeter-se a Ele, mas os
resultados serão trágicos no dia do juízo, em que o Senhor julgará todas as pessoas.
Satanás e seus anjos têm como ministério roubar, matar e destruir (João 10:10), e não poupará esforços pa-
ra alcançar estes propósitos. Tudo o que é oferecido por ele tem aparência de inocência, prazer, alegria e satisfa-
ção, mas o que ele realmente quer é matar, roubar e destruir. Existem várias formas de fazer isto, e Satanás é
muito astuto: adultério, mentira, fofoca, maledicência, inveja, amargura, vícios, infidelidade e avareza entre ou-
tros pecados, são grandes laços lançados por ele. Uma vez na armadilha, ele não perderá tempo em devorar sua
vítima.

A morte de Jesus: O preço da nossa liberdade

Nossa liberdade teve um preço. Veja o que diz Apocalipse 5:9: “e entoavam novo cântico, dizendo: Digno és
de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue COMPRASTE para Deus os que
procedem de toda tribo, língua, povo e nação”.
Perceba que fomos comprados com o sangue de Jesus para pertencermos a Deus. Se antes éramos escravos
do Diabo e a ele servíamos, agora somos escravos do Senhor. Nosso dono mudou, mas ainda temos proprietário.
O Senhor é o dono de nossas vidas. Ele é o nosso Pastor e nós as suas ovelhas. Leia 1 Pedro 1:18: “Ora, se invocais
como Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante
o tempo da vossa peregrinação, sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que
fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de
cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo”.
Este foi o nosso preço: o sangue de Jesus. Ele morreu por nossos pecados, com diz 1 Coríntios 15:3: “Cristo
morreu por nossos pecados”. Na cruz, o Senhor estava sofrendo pelas nossas dores, apagando nossas faltas, lim-

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pando nossa vida. Fez isto para que nos sujeitássemos a Ele e não mais ao Diabo. Isto é algo pelo qual devemos
agradecer sempre!

Em Cristo somos servos de Deus

Ao entregarmos nossa vida para Jesus deixamos de servir ao Diabo e passamos a servir a Deus. Isto significa
que Ele é o Senhor das nossas vidas. Devemos, portanto, fazer o que O agrada. A Bíblia chama isto de “consagra-
ção” ou “santidade”, que é aquele que Deus escolheu e separou para Si. Como santos, devemos lutar para pare-
cermos cada vez mais com o nosso Senhor.
A nossa separação do mundo não envolve apenas as regras negativas do tipo “não faça isso” ou “não faça
aquilo”. Devemos obedecer muitos mandamentos que a Bíblia tanto recomenda como ordena. Veja o que diz 2
Coríntios 5:15: “E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele
que por eles morreu e ressuscitou”. A Palavra de Deus diz que Jesus morreu por nós, para que vivêssemos não
para nós mesmos, mas para o Senhor. Este é o grande propósito e ideal de vida do discípulo: parecer-se cada vez
mais com Jesus.
A Bíblia diz que não devemos mentir, mas falar a verdade; diz que não devemos usar a nossa língua para
amaldiçoar, mas abençoar; não devemos roubar, mas trabalhar; não devemos fazer o mal, mas praticar o bem;
entre tantas outras coisas que não devemos fazer, mas muitas atitudes que devem fazer parte de nossa vida cris-
tã.
Você não pode ter dois senhores (Mateus 6:24). Não pode amar o mundo e a Jesus (1 João 2:15). Quem ama
o mundo e as coisas do mundo se torna um inimigo de Deus. Por isso a sua vida precisa ser consagrada para per-
tencer inteiramente ao Senhor.

Jesus nos livra da culpa

Quando algumas pessoas se convertem, ainda sentem o peso de seus pecados. Não conseguem se livrar da
culpa e sempre se questionam: “Será que Deus realmente me perdoou?”. Para respondermos esta questão preci-
samos ler Romanos 8:2: “Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte”.
Aqui diz que Cristo nos livrou da lei do pecado e da morte. A culpa pelos nossos erros é coisa do passado.
A Bíblia também nos dá a certeza baseada no fato de que em Cristo nós somos novas criaturas. É o que diz 2
Coríntios 5:17: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fize-
ram novas”. A nossa velha vida ficou para trás. Nossos erros, nossas maldições, nossas dívidas diante de Deus e
nossas ofensas foram apagadas. Como crentes nós precisamos tomar consciência e ter plena certeza de nossa
posição de novas criaturas. O Diabo tentará lançar sobre você o peso dos velhos pecados e das velhas culpas, mas
tenha certeza de que você é uma nova criação de Deus em Cristo Jesus. Leia o Salmo 103:12.

Mudando velhos hábitos e valores

Mesmo convertidos, ainda precisamos experimentar uma vida cada vez mais transformada. A Bíblia sempre
coloca a consagração como um processo, algo que leva tempo e esforço durante a caminhada cristã, onde somos
confrontados com hábitos e valores contrários à Palavra de Deus. Este doloroso processo é necessário para o cris-
tão e é necessária a disposição de trilhar este caminho de humildade para se parecer cada vez mais com o Senhor
Jesus.
Veja o que Deus precisa trabalhar:

1. Problemas pessoais: Pode ser uma falta de perdão que gera mágoa em seu coração; um erro do passado
que prejudicou alguém; a timidez que o impede de relacionar-se; indisposição com alguém por motivo de discor-
dância; dificuldades familiares de respeito ou submissão; problemas no trabalho; falta de sabedoria em relacio-
nar-se na escola, mau testemunho, entre outros pecados na área pessoal.

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2. Valores errados: Isto é muito comum, pois trazemos valores e conceitos errados quando viemos do mun-
do para a igreja. Precisamos conhecer a Palavra de Deus para aprendermos o que ela nos revela sobre os valores
do Reino. Um exemplo: no mundo, os maiores são considerados aqueles que são servidos; no Reino, os maiores
são os que servem. A lógica de Deus é diferente da lógica do mundo, e isto precisa de ajustes quando entramos na
vida da Igreja.

3. Hábitos nocivos: Outra área que precisamos de libertação diz respeito aos nossos hábitos. São costumes e
vícios aprendidos no mundo dos quais precisamos nos libertar. Podem prejudicar o nosso corpo (1 Coríntios 6:19),
ou não. Somos moradas do Espírito Santo, e por isso devemos nos cuidar. Cigarro e álcool são apenas dois dos
vários vícios que podem nos prejudicar. Existem outros hábitos nocivos, como pedir dinheiro a agiota, música com
mensagens anticristãs, tempo gasto com inutilidades, preguiça, maledicência, mentira, roubo, entre outros.

4. Problemas sexuais: Umas das áreas que mais tocam o ser humano é a sexualidade. A forma bíblica de tra-
tar sobre este tema é completamente diferente do mundo. Além de serem pecados, estas questões podem criar
hábitos em nossa vida, dificultando ainda mais o nosso crescimento. Tendências ou práticas homossexuais, mas-
turbação, sexo antes do casamento, adultério, casais com dificuldades no relacionamento sexual, e outros peca-
dos ligados a esta área formam grandes fraquezas. Precisam de libertação e cura.

5. Problemas financeiros: Incapacidade de cuidar bem de suas finanças, gastando muito mais do que rece-
be; apego exagerado ao dinheiro; falta de vontade de contribuir com a obra de Deus; egoísmo por não querer
ajudar aos irmãos que passam por dificuldades e uma vida constantemente insatisfeita e amargurada por não
receber o que merece. Como cristãos, devemos ter sabedoria para lidar com o dinheiro, pois ele pode ser uma
grande armadilha para aprisioná-lo ao pecado.

Buscando e alcançando libertação

Nossos pecados impedem nosso crescimento e podem levar ao desvio da fé. Abaixo, damos algumas dicas
para alcançar a libertação. Mas lembre-se: o caminho pode ser doloroso e humilhante, mas a gratificação é a li-
berdade e a aprovação de Deus.

1. Primeiro passo: Identifique suas fraquezas. Cuidado! Nem sempre elas são percebidas de forma clara,
podendo estar oculta. É interessante ao Diabo deixá-lo na ignorância e convencê-lo de que tal prática não repre-
senta um risco à espiritualidade. Identificar as fraquezas é como cavar um poço: pode faltar ar, ser quente e até
mesmo ter muita lama, mas é lá no fundo que as encontramos.
A identificação é uma conquista de Deus em nossas vidas. Por mais que tenhamos capacidade de saber
quais são elas, nos falta coragem e sinceridade o suficiente para as confessarmos. Neste momento é importante
pedirmos a ajuda de Deus através da oração e meditação na Palavra. A identificação torna-se não a busca por um
dia, mas uma busca insistente e diária, até que Deus mostre e eu consiga – ou queira – ver. Devemos fazer como o
salmista: “Examina-me, SENHOR, e prova-me; sonda-me o coração e os pensamentos” (Salmo 26:2). Nossa oração
deve ser neste molde, pedindo ao Senhor que Ele faça uma sondagem profunda em nossa alma.
Quando conseguir identificá-las, tenha o cuidado de anotá-las, pois há o risco de você esquecer ou deixar
para lá quando passar o impacto da descoberta. Faça anotações do que Deus lhe mostrou de forma específica e
procure lembrar os momentos em que essas fraquezas se manifestam.
Algo importante durante todo o processo é contar com a ajuda de algum irmão que interceda por sua vida e
tenha condições de ministrar para você.

2. Segundo passo: Confesse a sua fraqueza. Talvez este seja o passo mais doloroso. Coisas banais podem ser
fáceis de confessarmos, mas alguns dos nossos dramas, dores e pecados podem nos causar vergonha.
Lemos em 1 João 1:9: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e
nos purificar de toda injustiça”. Uma vez descoberta a fraqueza, confesse-a a Deus, pois Ele o perdoará. Esta é
uma maravilhosa promessa para você. A luta contra o pecado pode não ser resolvida em um dia ou um momento.

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Não existem palavras mágicas para libertar ou curar, mas Deus tem poder para fazer isto na sua vida, podendo,
entretanto, levar algum tempo. Tome cuidado, pois o Diabo pode tentá-lo a desistir do processo, desestimulando-
o a crer no perdão de Deus.
Confesse aos seus irmãos. Sobre isto Tiago nos recomenda: “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos ou-
tros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” (Tiago 5:16).
Quando confessamos nossos pecados uns aos outros, abrimos o coração para a cura, pois podemos receber a
ministração de nossa célula ou algum irmão sobre nossa vida. Esteja disposto a compartilhar sua dificuldade, pois
isto é um passo importante em sua libertação. Confie na sua célula, pois ela tem um pacto de fidelidade e amor,
não sendo permitido comentar fora do grupo o que foi confessado.

3. Terceiro passo: Persevere. Ser perseverante é insistir até conseguir. A libertação pode demorar algum
tempo, mas não desista! Neste momento, torna-se de grande importância a “prestação de contas”, onde você
compartilha com seu discipulador ou líder sobre como anda o processo, quais são suas dificuldades e como têm
sido as vitórias. Ao ser perseverante seja sincero. O seu discipulador quer ajudá-lo a alcançar a libertação, mas
você precisa ser transparente. Não esconda informações, não minta e não fuja do problema, pois a cura é alcan-
çada encarando a verdade com coragem.
Ao identificar certos pecados, poderá ser feita alguma espécie de “restituição”. Se alguma atitude sua casou
prejuízo para outra pessoa, é preciso que haja um momento de restituir o mal que você fez. Pode ser necessário
quitar uma dívida que foi feita; concertar algo que você quebrou; assumir uma mentira que você falou; pedir per-
dão a quem magoou. A restituição é sempre na medida do erro e é feita para reparar o mal praticado.

A libertação é possível se colocarmos o nosso coração diante de Deus e desejarmos o crescimento espiritu-
al.

Não existem maldições para os que estão com Jesus

Você é livre! Não pesam sobre a sua vida maldições, pois Jesus as quebrou quando morreu na cruz. Lembre-
se que você é uma nova criatura e deve viver livre de todas as fraquezas que impedem seu crescimento. Busque
ao Senhor de todo o seu coração e Ele mostrará no que você precisa melhorar.

Reflita sobre isso...

1. Procure lembrar seu tempo de escravo no mundo. Como o diabo escravizava você?
2. Como Deus tem transformado sua vida e o libertado após a conversão?
3. Você ainda tem algum problema de culpa que gostaria de compartilhar?
4. Você já consegue identificar alguma fortaleza em sua vida nas áreas citadas no estudo?
5. Dos passos para a libertação das fortalezas, qual deles é mais difícil para você seguir?

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Capítulo 7
Nossos relacionamentos: O Amor

Leitura: João 13:35

No estudo desta semana falaremos sobre nossos relacionamentos. Aparentemente relacionar-se parece fá-
cil, mas pode tornar-se difícil. Em momento algum o Senhor prometeu uma vida terrena sem dificuldades, princi-
palmente no que diz respeito aos nossos relacionamentos. Somos diferentes, com problemas diferentes e formas
de agir peculiares. Uns gostam de jogar bola, outros de vôlei. Uns gostam de rock, enquanto outros preferem mú-
sica clássica. Relacionar-se no Corpo de Cristo é um desafio que precisamos vencer.
Não existe forma melhor de tratar sobre isso do que falando acerca do amor. Esta grande marca do discípu-
lo em João 13:35 é essencial para o bom relacionamento entre os irmãos.
Antes de tudo, precisamos ser humildes. Não podemos tratar os outros como inferiores a nós mesmos por-
que têm gostos diferentes dos nossos. Na verdade, a Bíblia diz que devemos considerar os outros “superiores a
nós mesmos” (Filipenses 2:3). Portanto, esteja revestido deste espírito de humildade para aprender sobre o amor,
pois somente os humildes conseguem aprender a amar.

Por que precisamos amar uns aos outros?

Um dos mandamentos mais repetidos em toda a Bíblia é sobre o amor. Precisamos refletir sobre esta ques-
tão: Por que a Bíblia insiste tanto que devemos amar uns aos outros? Isto tem muitas algumas explicações impor-
tantes.
Primeiramente, Deus diz que devemos amar uns aos outros porque Ele é amor. Como diz 1 João 4:8: “Aque-
le que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor”. Ele nos deu o maior exemplo ao nos escolher quando
ainda éramos Seus inimigos. Foi dEle a decisão de enviar a Jesus para morrer por nós na cruz. Perceba que este
texto diz que quem conhece a Deus ama, pois o amor é uma marca que é impressa em nossas vidas quando nos
entregamos para Jesus. Então o Senhor diz que devemos seguir seu exemplo (João 13:15) e ser como Ele (João
13:15). Então, ser discípulo de Jesus é amar.
Em segundo lugar, há tanto esta insistência em amar porque não é uma tarefa fácil. Se definirmos amor
como um mero sentimento, chegaremos à conclusão de que é muito fácil, mas não é só isto. O amor de Deus foi
demonstrado em atitudes, não apenas em algo que Ele sentia (João 3:16). Ele não apenas declarou-Se para nós,
mas decidiu agir motivado por este amor. O resultado foi o gesto mais amoroso e misericordioso de toda a histó-
ria da humanidade: Jesus fazendo-Se carne para morrer em nosso lugar. Quando falamos sobre amarmos aos
outros estamos nos referindo não apenas a sentir, a falar, mas, principalmente, ao que fazemos. Sobre isto diz 1
João 3:18: “Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade”.

O amor em 1 Coríntios 13

O texto de 1 Coríntios 13 é o mais lembrado ao falarmos sobre este tema. Nesta passagem, Paulo mostra
que o amor é um dom de Deus dado para todos os crentes, sendo chamado de “dom mais importante”. Leia 1
Coríntios 13 e veja quais as características do verdadeiro amor.
Em primeiro lugar, Paulo fala da importância de fazer as tudo com amor: caridade, sacrifício, profetizar,
operar milagres, ministrar com dons espirituais, ofertar, etc. O amor deve estar presente em tudo que fazemos,
tanto por Deus quanto pelas pessoas. Podemos adorar sem amar a Deus; dar esmolas sem amarmos realmente
aos necessitados; manifestar os dons miraculosos sem amor; evangelizar sem amor; orar sem amor e até mesmo
sermos mortos por causa da fé, mas sem amarmos verdadeiramente a Deus. O amor deve estar presente em tudo
o que fazemos.
Em seguida, Paulo nos apresenta algumas das características:

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1. O amor é paciente (v. 4): paciência (ou perseverança) é a capacidade de sofrer infortúnios, dificuldades e
lutas sem perder o amor. Quem ama suporta as perseguições sem amargura ou ódio. Em outras palavras, o amor
não tem “pavio curto”. Ssabe esperar, colocando diante de Deus suas dificuldades sem procurar a vingança.

2. O amor é benigno (v. 4): aquele que faz ou age com bondade. Mesmo recebendo o mal, é capaz de fazer
o bem. Assim fez o nosso Senhor, pois quando éramos seus inimigos por causa do pecado (Efésios 2:3), Ele nos
deu a vida através de Jesus Cristo. Amar é não pagar o mal com o mal (Romanos 12:21), mas vencer o mal com o
bem. Esta benignidade não deve se resumir aos irmãos na fé, mas para com todos, inclusive para com os que nos
fazem mal, falam contra nós ou nos perseguem (Mateus 6:27-36).

3. O amor não arde em ciúmes (v. 4): já ouvimos falar que o ciúme é o tempero do amor. Grande mentira
esta, pois o ciúme não é amor. Ao contrário, o verdadeiro amor não arde em ciúmes. Nada tem a ver o cuidado
que devemos ter uns pelos outros e o ciúme. O ciúme é possessivo e inseguro, ao passo que o verdadeiro amor é
compartilhar e confiar. Por isso, o amor não pode envolver ciúmes.

4. O amor não se orgulha ou se ufana (v. 4): são duas palavras com o mesmo significado. Ufanar-se é contar
vantagem ou querer posicionar-se acima das outras pessoas. Como o princípio do amor é a humildade e conside-
rar os outros superiores a si mesmo, a atitude da ufania não demonstra o verdadeiro amor. Quem ama enxerga o
outro numa posição de igualdade. Uma das marcas do amor é a ausência do orgulho por algo que fez por alguém.

5. O amor não se ensoberbece (v. 4): soberba tem o mesmo significado que arrogância. Aqui também está
presente a atitude de humildade, pois o amor não é arrogante, não vive destratando as pessoas. O soberbo gosta
de exaltar-se, mostrando o quanto é importante ou que faz algo melhor que os outros. Gosta de exaltar suas qua-
lificações e capacidades. O verdadeiro amor não se preocupa com essas coisas, nem se julga superior por causa
delas.

6. O amor não age inconvenientemente (v. 5): quem ama sabe se comportar e tratar as pessoas. O amor nos
leva a refletir sobre nossas ações antes mesmo as praticarmos. A pessoa que ama reflete: “Será conveniente agir
assim?”, “Quais serão as conseqüências dos meus atos?”. O amor faz somente o que convém, o que seja puro,
agradável e sábio.

7. O amor não procura seus próprios interesses (v. 5): esta é um das grandes marcas do verdadeiro amor.
Quem ama procura o bem do próximo, pensa nas necessidades dos outros e não somente nas suas. Um grande
exemplo deste amor é o de Jesus, que sofreu e morreu pelos nossos interesses. Sobre isso, o apóstolo Paulo diz:
“Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros”.

8. O amor não se exaspera (v. 5): a pessoa que ama não trata os outros de maneira áspera ou grosseira.
Quem ama procura ser gentil. Precisamos tomar cuidado quando passamos por problemas, pois temos a tendên-
cia de descontar nos outros nossas dificuldades. Temos que ter cuidado ao compartilhar nossas decepções, para
que não acabemos ferindo os que nada têm a ver com isso. Precisamos tomar cuidado, também, quando os ou-
tros passam por problemas, pois elas ficam sem paciência e têm a tendência de tratar-nos de forma áspera.

9. O amor não se ressente do mal (v. 5): em palavras bem simples, quem ama não se amargura. Mesmo que
alguém faça o mal, quem ama não ficará amargurado ou desejando a vingança, ao contrário, pagará o mal que lhe
foi feito com uma boa atitude. Se alguém falar mal, retribuirá com palavras de bênçãos. Ao ser perseguido, orará
pelo perseguidor, pois o amor não fica ressentido ou amargurado por algo ruim que lhe aconteceu.

10. O amor não se alegra com a injustiça, mas folga com a verdade (v. 6): umas das coisas que entristece o
coração de quem ama é ver alguém sofrendo uma injustiça. Quem ama não aprova o que está errado, não fecha
os olhos para o pecado e não fica calado diante da opressão. Amar é “botar a boca no trombone”, apontando os
erros e não praticando as coisas que tais pessoas praticam. Se quem ama é entristecido pela injustiça, por outro

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lado alegra-se ao ver a verdade sendo dita e defendida. Enquanto a injustiça representa um peso, a verdade tor-
na-se um alívio.

11. O amor tudo sofre (v. 7): o amor não é apagado pelas adversidades. O sofrimento não é capaz de destru-
ir o verdadeiro amor, mas termina por aumentá-lo. Quem ama sabe ser empático e sensível ao sofrimento do
próximo, como se ele mesmo sofresse. Isto significa que o amor consegue passar por todo tipo de adversidade, de
dor e de angústia sem deixar de ser amor.

12. O amor tudo espera (v. 7): alguém já disse que “o amor não tem pressa de vencer, mas contenta-se com
a certeza”. Quem ama sabe esperar, perseverar, aguardar com paciência. O amor não nos torna ansiosos ou pre-
cipitados, mas nos faz ter o que chamamos de “longanimidade”, que é a capacidade de esperar por muito tempo.
Quem ama não desiste de amar.

13. O amor tudo suporta (v. 7): É a capacidade sobrenatural dada por Deus aos cristãos. O amor nos faz su-
portar as perseguições, tentações, ameaças, injúrias, calúnias e tudo mais. Jesus suportou, por amor a nós, a cruz
que tão cruelmente Lhe tirou a vida. O amor nos faz estar dispostos para sofrer tudo pela causa de Cristo.

Exercendo o amor pelos seus irmãos

Como vimos, o amor não é um mero sentimento, mas sim prática. Por isso, sempre que a Bíblia fala do
amor, o faz demonstrando uma série de atitudes. Veja alguns versículos e o que eles dizer sobre como devemos
amar.
Romanos 12:9 – O nosso amor deve ser sincero.
Romanos 12:10 – O amor deve ser cordial, tratando bem todas as pessoas.
1 Coríntios 16:14 – Todos os nossos atos devem ser feitos com amor.
Gálatas 5:13 – O amor deve nos levar a servirmos uns aos outros.
Efésios 4:2 – Suportar com amor as pessoas difíceis.
1 Tessalonicenses 3:12 – Nosso amor precisa crescer e aumentar.
Hebreus 10:24 – Precisamos ajudar as pessoas a amarem cada vez mais.
1 Pedro 1:22 – O amor deve ser intenso e vivo.
1 João 5:3 – Quem ama a Jesus de verdade obedece aos Seus mandamentos.
Estes são apenas alguns exemplos deste assunto tão abundante em toda a Bíblia, e vez por outra você se
deparará com alguma exortação ou mandamento para amarmos uns aos outros.

Veja agora algumas formas práticas para demonstrar amor para seus irmãos:

1. Sensibilidade: O amor é sensível ao próximo, e sem sensibilidade não há amor. Demonstar que você se in-
teressa pelos problemas do outro é uma ótima forma de demonstar e viver o amor que você tem. Não podemos
ficar de braços cruzados quando vemos algum irmão passando por lutas. Quem ama procura fazer algo para dimi-
nuir um sofrimento alheio. Quanto mais formos sensíveis, mais teremos a possibilidade de aumentarmos o nosso
amor.
2. Ministração com o dom espiritual: O dom espiritual é a capacitação que Deus dá ao crente no momento
da conversão, quando o Espírito Santo passa a habitar nele. Utilizar o dom para abençoar vidas é uma forma de
amar. Existem vários dons, e futuramente você aprenderá quais são eles para poder utilizá-los para edificar a igre-
ja.
3. Serviço cristão: Existem muitas atitudes recomendadas pela Bíblia, mesmo que não faça parte do nosso
dom espiritual, como por exemplo: consolar, repreender, orar, dar uma Palavra, aconselhar, usar de misericórdia,
servir fisicamente, etc. Não podemos esperar que só quem que tenha o dom faça, mas devemos fazer a nossa
parte, ministrando na vida das pessoas.
4. Doando seu tempo: O bem mais precioso dos nossos dias é o tempo. Em se tratando de amor, este é um
importante investimento. Quando você demonstra seu amor através do cuidado, do dom espiritual ou do serviço,

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não está perdendo ou gastando o seu tempo, mas investindo. Tenha isso em mente, pois relacionamentos de-
mandam tempo, e ninguém que não está disposto a agir assim conseguirá amar de verdade.

Amar. Uma decisão para hoje

Algo muito forte sobre o amor descrito na Bíblia é que ele não nos deixa outra escolha a não ser amar. Não
existe, em nenhuma passagem da Palavra de Deus, qualquer desculpa que possa liberar você deste compromisso.
Este é um mandamento para ser obedecido, mesmo antes de ser sentido. A nossa decisão deve ser a de
amar as pessoas com um amor prático e sensível. Esta é uma escolha não para amanhã, mas para HOJE!
Muitos irmãos precisam dos seus dons, do seu serviço e da sua atenção, por isso, esteja preparado para in-
vestir tempo em demonstrar amor para as pessoas.
Lembre-se! O amor é uma decisão que acontece no coração de quem foi amado por Deus: você.

Reflita sobre isso...

1. Por que precisamos amar uns aos outros?


2. Avalie seu amor diante do trecho de 1 Coríntios 13 que foi estudado.
3. O que você poderia fazer em termos práticos para demonstrar seu amor pelos irmãos?
4. Existe alguém que, para você, é difícil de amar?

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Capítulo 8
Nossos relacionamentos: O Perdão

Leitura: Colossenses 3:13

Todo aquele que se relaciona corre o risco de entrar em conflito por causa de algum pecado que tenha co-
metido ou por ser alvo do pecado alheio. Isto ocorre porque, além da natureza pecaminosa, somos diferentes uns
dos outros, e conviver nesta diversidade de sentimentos e pensamentos não é tarefa fácil, mas possível e até ne-
cessária para o cristão.
O autor de Hebreus nos exorta: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, faça-
mos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hebreus 10:25). Nossos problemas pesso-
ais não são barreiras para a comunhão, mas desafios para nos ajustarmos à vida no Corpo de Cristo.
Nesta semana aprenderemos como resolver certos problemas na comunhão através do perdão, este mara-
vilhoso mecanismo criado por Deus para resolver conflitos e intrigas. Devemos ressaltar que para perdoarmos,
precisamos amar, e por isto falamos sobre o amor no estudo passado.

Quando não há perdão

Viver sem perdão na Igreja é algo impossível. Podemos até levar uma vida religiosa, mas sem perdão ela fica
sem vida, sem ânimo e sem a bênção de Deus. Deixar de perdoar ou de pedir perdão contamina não só a nossa
vida, mas a de outras pessoas, trazendo sérias conseqüências.
A primeira conseqüência por não perdoarmos é que Deus também não nos perdoa. Veja o que diz Mateus
6:15: “Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofen-
sas”. Este texto deixa claro que para recebermos o perdão de Deus precisamos também perdoar. Então, não per-
doar significa quebrar o nosso relacionamento com os irmãos e com Deus.
Por que Ele nos trata assim? Por sabes o quanto vale o perdão. O fato de ter perdoado nossos pecados signi-
fica que devemos perdoar as ofensas que os outros praticam contra nós. Nosso Pai sacrificou a Jesus para nos
perdoar e por isso não podemos reter o perdão – afinal, será que somos maiores ou mais justos do que Deus? O
que ocorre é que, quando nos sentimos perdoados por Deus, ganhamos uma disposição para perdoarmos aos
outros.
Uma segunda conseqüência é a amargura. Se não perdoamos é porque temos amargura em nosso coração
e não estamos demonstrando o amor de Deus. Não perdoar, além de tudo, é pecado, e por isso também precisa-
mos pedir perdão. Muitos sentem dificuldades em perdoar porque ainda não compreenderam a totalidade do
amor do Pai.
Outro problema com a amargura é que ela é contamina os outros. Hebreus 12:15 diz: “Atentando, diligen-
temente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que,
brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados”. Este versículo mostra que a amargura é
uma raiz que cresce a ponto de invadir o coração dos outros. Desta forma, quando estamos amargurados, acaba-
mos de levar outros a se amargurarem. Com toda a certeza não é só a falta de perdão a causa da amargura, mas é
importante nos avaliarmos para saber se não a sentimos por alguém.
Uma última conseqüência é o enfraquecimento da igreja. Quando não perdoamos o nosso coração se con-
tamina de amargura e, uma vez contaminado, leva outros a se contaminarem. Isto traz um enfraquecimento na
comunhão, afastando os irmãos uns dos outros e de Deus, tornando-os alvos fáceis para o Diabo. É muito preocu-
pando que muitos cristãos não saibam perdoar. O Senhor Jesus orou: “Perdoais nossas ofensas assim como nós
perdoamos a quem nos tem ofendido” (Mateus 6:12).

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Quando é preciso perdoar

Devemos perdoar quando alguém comete um pecado contra nós. Não existe um número máximo de vezes
que podemos perdoar. Em nosso coração precisamos desenvolver amor, paciência e tolerância para com o outro,
pois o perdão deve ser um presente dado aos que pecam.
Caso alguém peque contra você, esteja consciente que, como cristão, deve perdoá-lo, mesmo que ele não
se arrependa do que fez. O nosso perdão deve ser incondicional, pois não depende do arrependimento do outro.
Não podemos esperar que alguém se arrependa para que decidamos perdoar. O que acontece é que, quando
aquele que errou vem lhe pedir perdão, você verbaliza o que já aconteceu em seu coração. O perdão já foi dado,
você não tem mágoa em seu coração, e a declaração é para a restauração do relacionamento.
Caso alguém venha lhe pedir perdão e você o negar, a pessoa é justificada, pois agiu corretamente ao que-
rer restaurar o relacionamento, mas você peca, por ter retido o perdão. Tome como exemplo o Senhor Jesus que,
morrendo na cruz, insistiu em perdoar aqueles que tiravam a Sua vida (Lucas 23:34).
Devemos perdoar porque, acima de tudo, Deus nos perdoou quando vivíamos longe dEle. Seu perdão nos
foi dado para apagar a multidão dos nossos erros. Como forma de manifestar a gratidão por tamanho perdão,
devemos ser levados pelo amor que temos por Ele a perdoar os que pecarem contra nós. Não temos outra esco-
lha a não ser perdoar os pecados que são cometidos contra nós.

Quando é preciso pedir perdão

No caso acima, alguém pecou e você deveria perdoar. Agora acontece justamente o contrário: você pecou
contra alguém e precisa pedir perdão. Vamos procurar entender bem o que a Bíblia fala sobre ARREPENDIMENTO.
O Novo Dicionário da Bíblia diz que “arrependimento” é “uma radical transformação de pensamento, atitu-
de e direção” e ainda, que “consiste de um abandono ao pecado e de um voltar-se para Deus e Seu serviço”.
Podemos pecar contra Deus, mas pecando contra as pessoas estamos pecando contra Ele também. Entre-
tanto, devemos avaliar se o nosso arrependimento é sincero. Para isto procure questionar-se o porquê de você
estar se arrependendo. Caso seja por causa do sofrimento que o erro trouxe, pode não ser realmente sincero, mas
se, em meio ao sofrimento do pecado, você percebeu que magoou o coração de Deus, tem tudo para ser o verda-
deiro arrependimento.

O Arrependimento sincero é aquele que:

1. Reconhece: Quando nos damos conta que magoamos ao Pai e que agimos contrários a Sua Palavra. O re-
conhecimento do pecado não deve ser porque perdeu alguma coisa ou deixou de ganhar algo, mas é o profundo
constrangimento e a vergonha por ter desobedecido. Este é o reconhecimento, e ele deve ser profundo, procu-
rando ter consciência de todos os atos que praticamos com o nosso pecado, não escondendo nenhum deles.
Lembre-se: O MOTIVO DO NOSSO ARREPENDIMENTO DEVE SER PORQUE MAGOAMOS A DEUS E O DESOBEDECE-
MOS.

2. Confessa: Quando declaramos a Deus tudo o que fizemos de errado, passo a passo. Devemos ser sinceros
quando confessamos, não ocultado pecado algum ou diminuindo a sua seriedade. Uma tendência que temos ao
confessarmos nossos pecados é a de responsabilizar os outros pelo que fizemos. Esta tentativa de “aliviar nossa
barra” com Deus colocando parte da responsabilidade nos outros demonstra que não estamos sendo sinceros o
suficiente. Na confissão não somos acusadores dos outros, mas pedimos perdão pelas nossas faltas.

3. Muda: Quando abandonamos o pecado e nos voltamos para Deus. Não basta reconhecer e confessar, é
preciso abandonar o pecado. Deixar o que estamos praticando de errado é parte inseparável do arrependimento.
A idéia é que quando pecamos, trilhamos o caminho errado, mas ao nos arrependemos voltamos a caminhar em
santidade. Abandonar o pecado pode ser muito doloroso, mas não podemos afastar esta necessidade de sofrer tal
dor para restaurar a nossa comunhão com Deus.

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4. Restitui: Quando consertamos o erro que cometemos. A restituição pode se dar no nível de perdão,
quando para restituir o relacionamento basta a pedir perdão; pode ser dar no nível de reconhecer e falar a verda-
de para quem mentimos; pode envolver a restituição ou o pagamento de algo que foi roubado; ou pode significar
pagar dívidas que foram feitas e não saldadas. Um grande exemplo de restituição foi Zaqueu (Lucas 19:8).

Se você pecar contra alguém, deve passar por este processo de arrependimento que culmina com o pedido
de perdão a quem você ofendeu. Alguns cristãos usam a prática de “deixar para lá” ou do “cair no esquecimento”,
mas estas não são as formas bíblicas de resolver conflitos. O único meio de restaurarmos relacionamentos é me-
diante o pedido de perdão para quem ofendemos.
E se a pessoa não lhe perdoar quando você pedir perdão? Deus o perdoou por ter agido corretamente, mas
a pessoa que lhe reteve o perdão está em pecado diante dEle por demonstrar amargura e não desejar a restaura-
ção. Não existe nenhum motivo para não perdoarmos e também para não pedirmos perdão.

Feridas que demoram a sarar

Alguns de nossos pecados podem prejudicar as pessoas, causando traumas e relacionamentos quebrados.
Quando isto acontece, algumas “feridas” são abertas e podem demorar a sarar mesmo após o pedido de perdão.
Deverá levar certo tempo até a pessoa aprender a confiar em você novamente, mas isto é conseqüência do peca-
do.
Quando magoamos alguém é como se a feríssemos. O pedido de perdão pode sarar a ferida, mas algumas
marcas ficam. O nosso desafio como cristão é tornar estas “marcas” símbolos de relacionamentos restaurados,
corações quebrantados e agora reunidos em Jesus.
Se você estiver passando por dificuldade semelhante, procure ter paciência e seja perseverante tanto em
amar quanto a continuar agindo corretamente. Bons relacionamentos demoram a ser formados e elementos co-
mo confiança, sinceridade, abertura, compartilhamento, disposição e humildade são essenciais para mantê-los.

Reflita sobre isso...

1. O que é perdoar e quando devemos perdoar?


2. Existe algum momento em que podemos não perdoar alguém?
3. Procure definir com suas palavras o que seria “arrependimento”.
4. Avalie sua vida hoje de acordo com o que está proposto abaixo:
- Existe alguma amargura em meu coração contra alguém?
- Preciso perdoar alguém?
- Preciso pedir perdão a alguém?

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Capítulo 9
Nossos relacionamentos: A Comunhão

Leitura: Hebreus 10:25

Falamos de amor, perdão e agora aprenderemos sobre comunhão. Vivemos dias de individualismo onde ca-
da um quer se isolar em sua casa e destinam pouco ou nenhum tempo para os relacionamentos.
A Bíblia nunca monstra a possibilidade de sermos cristãos longe uns dos outros. Esta idéia de “ser crente em
casa” é um engano que afasta os irmãos do ideal de comunidade no Novo Testamento. A palavra “Igreja” significa
“os chamados para fora”. Perceba que o verbo “chamar” está no plural e não no singular. Por mais difícil que seja,
a vida em comunidade foi o que Deus planejou para sua Igreja. Viver fora deste ideal é viver fora da vontade de
Deus.
No entanto, precisamos saber corretamente o que é manter comunhão para não incorrermos no risco de
acreditarmos viver em comunidade, mas na realidade estarmos longe de experimentá-la. Como você leu em He-
breus 10:25, somos exortados a não abandonar a comunhão, e sobre isso nós queremos falar esta semana.

O que é comunhão

A palavra “comunhão” vem do grego koinonia, que significa “ter em comum”. Assim, para vivermos essa
comunidade precisamos ter algo em comum. A Bíblia utiliza várias expressões para falar como devemos viver em
comunhão:
- Unidos na mesma disposição mental e no mesmo parecer (1 Coríntios 1:10): Uma mesma disposição deve
guiar a nossa vida na comunidade, pois devemos ser movidos por um espírito de serviço de humildade e amor.
Nossa visão para a igreja como um local de crescimento e bênção deve ser geral. Não podemos impor nossas von-
tades individuais para a comunhão, mas permitir que Deus direcione a ministração certa para nossas dificuldades.
- Pensar a mesma coisa, ter o mesmo amor, estar unidos de alma e ter o mesmo sentimento (Filipenses 2:2):
Quais são as nossas motivações? Por que fazemos o que fazemos? Quais são os nossos sentimentos para com os
outros? Para viver em comunidade precisamos unir nossas vidas em um amor que envolva todas as pessoas. De-
vemos direcionar nossa motivação para o crescimento de todos e não para cada um individualmente.
- Ter tudo em comum (Atos 2:44): Este é um dos grandes desafios da comunidade que deseja ser uma famí-
lia. Ter em comum com as pessoas é algo mais importante do que falar sobre bens ou dinheiro. Se tivermos, real-
mente, todas as coisas em comum e se, a partir de nós mesmos, pertencermos uns aos outros, conseguiremos
viver este versículo. Serviremos, cuidaremos, abençoaremos, e muito mais, pois somos todos uma família.
- Perseverança para viver em comunhão (Atos 2:42): De acordo com o que você leu acima, viver a comuni-
dade não é fácil, mas um grande desafio. Só é possível alcançar a comunhão se houver perseverança. Lutar contra
a amargura do nosso coração, procurar alcançar e ajudar todas as pessoas da igreja para que desfrutem de comu-
nhão, ultrapassar nossas diferenças, servir a todos e ministrar na vida de cada um só é conseguido com muita
perseverança.

As bênçãos da comunhão

Se é difícil alcançar este ideal de viver em comunidade, as bênçãos que advém dela compensam todo o es-
forço. Não pense que é inútil envolver-se neste projeto de Deus, pois todos ganham quando cada um faz a sua
parte.
Ao vivemos em comunhão somos abençoados pelo CUIDADO de Deus e dos nossos irmãos. Estando tristes
recebemos consolo; enfermos recebemos visitas; luta recebemos oração; e assim as nossas necessidades espiritu-

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ais vão sendo supridas. Quem abre mão de viver em comunhão deixa de receber todo este cuidado: oração, con-
solo, exortação, ajuda, etc.
Outra bênção da comunhão é o CRESCIMENTO. Sem ela não podemos crescer. Quando vivemos em comu-
nidade e enfrentamos adversidades e lutas, somos colocados numa situação em que podemos crescer como pes-
soas e como família. Além disso, encontramos apoio nos momentos de angústia para nos mantermos de pé.

Não existe relacionamento sem “tempo”

Qual o bem humano mais precioso que temos? Dólar? Ouro? Diamantes? Nosso bem mais precioso é o
TEMPO. O homem desenvolveu várias tecnologias para ajudá-lo a realizar tarefas, mas lhe falta cada vez mais
tempo. Não há tempo para descansar, família, igreja e amigos. Quem nunca ouviu aquela máxima que diz ser o
tempo, dinheiro. O corre-corre, a pressa, a pressão e o estresse, doença conhecida como o mal da modernidade.
Mas não existe outra forma de mantermos comunhão se não for investindo nosso tempo.
Como discípulos de Cristo, precisamos separar tempo para todas as atividades que nos fazem crescer na fé.
Conseqüentemente, aqueles que não souberem lidar com o tempo disponível ou não tiverem disposição para
fazer certos sacrifícios, terão um crescimento lento e difícil.
Diante disto, surgem novas tecnologias que nos afastam cada vez mais uns dos outros. Tanto o celular como
a internet são instrumentos importantes nos dias atuais, mas não substituem o encontro pessoal ou uma conversa
olho-no-olho com o irmão. Além de tudo, o ambiente violento da nossa sociedade nos faz ficar cada vez mais em
casa, isolados. A comunhão precisa ultrapassar estas barreiras. Viver em comunidade deve fazer parte da nossa
apertada agenda não como o supérfluo, mas como essencial para a vida cristã. Sem tempo não haverá comunhão.
Corremos o risco de achar que a comunhão da qual necessitamos é aquela do domingo à noite na celebra-
ção, ou no encontro semanal da célula. Nada disso! A Igreja que Jesus sonhou não funciona apenas no domingo
ou no encontro da célula, mas todos os dias da semana. Bem, podemos usar algo para ilustrar esta idéia limitada
de comunhão nos domingos e na célula: Seria suficiente comer apenas duas vezes na semana? Pois bem, da mes-
ma forma não podemos viver a comunhão apenas dois dias.

A comunhão a partir da vida na Célula

Fica difícil manter comunhão com todas as pessoas num culto de domingo. A célula propicia momentos
mais profundos de relacionamento e edificação. Como o grupo é pequeno, a possibilidade de compartilhar é mui-
to maior. Criar relacionamentos a partir de grupos pequenos garante bons amigos e o apoio necessário ao passar
por momentos bons e difíceis. Para esses irmãos da célula você deve dedicar momentos especiais não só durante
o encontro da célula, o quanto for possível ou necessário.
Faça visitas para compartilhar da Palavra e orar. Você se surpreenderá o quanto Deus o usará para abençoar
outras vidas e, você mesmo, será muito abençoado. Com toda certeza a célula foi uma boa invenção do coração
de Deus para que pudéssemos viver ligados ao Corpo de Cristo. O que precisa ser feito é permitir que Deus o use
para ministrar na vida dos outros e, também, aceitá-la sobre sua vida.

Comunhão e ministração para a edificação da Igreja

Edificar significa “crescer” ou “desenvolver”. Dizer que estamos sendo “edificados” é dizer que temos cres-
cido espiritualmente. Para que isto ocorra, precisamos estar em comunhão com nossos irmãos. Ir para a célula
sem estar aberto para este crescimento prejudica não só o seu desenvolvimento, mas o de todo o grupo.
Este crescimento é prazeroso e gratificante, mas envolve certa dose de abnegação. Veja:

1. Crescer na fé pode significar abandonar algo. Para crescermos precisamos ter a coragem de confessar o
pecado e abandoná-lo, e isto pode envolver humilhação. Podem ocorrer casos em que precisemos abrir mão de
algo que, em si não é pecado, mas assim se torna por ser um peso e impedir o seu crescimento. Este abandono
pode ser algo doloroso, mas necessário. Como diz Hebreus 12:1: “Portanto, também nós, visto que temos a rode-

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ar-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos
assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta”.

2. Crescer na fé envolve sacrifício. Muitos não encontram tempo para orar, estudar a Palavra ou ministrar
na vida do outro, não abrem mão dos momentos de lazer que dispõem e não visitam os irmãos da célula. Desta
forma o crescimento se torna impossível, pois estas pessoas não colocam em prática o que diz a Bíblia sobre o
cuidado que devemos ter com nossa própria vida e com a vida dos nossos irmãos. Devemos lembrar que somos
um corpo, e como tal precisamos crescer juntos. Precisamos sacrificar nosso individualismo, esta tendência que
temos de não levar em consideração os outros, de viver como se o próximo não fosse importante ou de nos preo-
cuparmos somente com os nossos interesses. Se quisermos crescer, precisamos nos ajudar e buscar o interesse do
próximo. É preciso sacrificar nosso comodismo, saindo para visitar os que precisam de cuidado, orar pela célula e
por aqueles que precisam ouvir sobre Jesus.

Vencendo estas duas maiores barreiras para uma comunhão viva, estaremos aptos para a real comunidade,
interessados nos nossos irmãos, ministrando em suas vidas com nossos dons espirituais e serviço, consolando e
repreendendo. Por isso precisamos aprender a cuidar uns dos outros.

Rompendo barreiras

Quem nunca ouviu o seguinte ditado: “A primeira impressão é a que fica”? Esta frase nada tem haver com o
Reino de Deus, pois somos convidados por Jesus a olharmos para o coração e não para as aparências.
Pode acontecer que ao falarmos com algum irmão, sejamos tratados com indiferença. Então pensamos: “Es-
se irmão não tem amor”. Mas este julgamento pode ser precipitado. Devemos tentar imaginar porque ele agiu
assim. Pode ser que ele esteja passando por alguma luta ou problema e talvez esteja precisando de oração e con-
solo. Por isso não julgue precipitadamente e não feche o coração para relacionar-se com ele. Não devem existir
barreiras dentro da igreja, por nenhum motivo, mas precisamos ter em nosso coração o desejo e a disposição de
servirmos uns aos outros.

Reflita sobre isso...

1. O que você diria que é a comunhão e o que ela pode fazer em nossa igreja?
2. Por que o tempo é tão importante na comunhão?
3. Qual relação você faria entre a célula e a comunhão?
4. Porque a comunhão é tão importante na edificação?
5. Quais são suas barreiras para viver em comunhão?

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Capítulo 10
Vida no Espírito: Sendo cheios dEle

Leitura: Gálatas 5:16-25

Todo cristão deve andar no Espírito. Acreditamos ser essencial para aquele que deseja crescer na fé uma
correta compreensão sobre o que é viver no Espírito, o que isso representa, quais são os frutos e como produzi-
los.
O apóstolo Paulo fazia distinção entre os crentes “espirituais” e os “carnais”, isto é, aquele que viviam no
Espírito, motivados por Ele e ensinados segundo a Palavra de Deus; já os crentes carnais eram infantis e não de-
monstravam crescimento, pois eram como crianças espirituais.
Somos estimulados por Deus a buscarmos o crescimento no Espírito. Caminhar no Espírito é viver pela fé,
permitindo que Ele molde as nossas atitudes, cure nossas feridas da alma, nos encha de amor e misericórdia. Ca-
minhar no Espírito também significa ser usado por Ele como um instrumento de poder para levar pessoas para o
Senhor, consolar, repreender e ministrar com dons espirituais.

Quem é o Espírito Santo

O Espírito não é uma força como dizem algumas religiões, mas uma pessoa, fazendo parte da Trindade junto
ao Pai e ao Filho. Se olharmos para a criação do mundo (Gênesis 1:26), vemos que é dito “Façamos o homem”.
Como você notou, o verbo fazer está no plural, indicando a presença do Pai, Filho e Espírito.
Veja algumas coisas que o Novo Testamento fala sobre quem É o Espírito Santo:
1. Tiago 4:5: “Ou supondes que em vão afirma a Escritura: É com ciúme que por nós anseia o Espírito, que
ele fez habitar em nós? ” Aqui vemos que o Espírito Santo habita nos crentes.
2. João 14:26: “mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará
todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”. O Espírito Santo nos ensina e lembra sobre o que
Jesus ensinou.
3. Mateus 3:16-17: “Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de
Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em
quem me comprazo”. Vemos as três pessoas da Trindade: O Pai fala com Jesus e o Espírito Santo desce sobre Ele.
4. Mateus 28:19: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Fi-
lho, e do Espírito Santo”. Os que cressem deveriam ser batizados em nome da Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.
5. 1 Pedro 1:2: “eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e
a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas”. A santificação dos crentes faz parte da
obra do Espírito Santo.
6. Atos 1:8: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto
em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”. Para testemunhar sobre Jesus é preci-
so o poder do Espírito.
7. Romanos 8:16: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”. A certeza de
que somos filhos de Deus é dada pelo Espírito Santo que habita em nós.
8. Romanos 8:26: “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sa-
bemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis”. O
Espírito Santo nos ajuda a orar de maneira adequada.
9. 1 Coríntios 6:19: “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o
qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?”. Nosso corpo é um santuário para o Espírito Santo,
por isso devemos cuidar bem dele.
10. 2 Coríntios 1:21-22: “Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus, que também
nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração”. Fomos selados com o Espírito Santo: isto significa

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que pertencemos exclusivamente a Deus. O Espírito Santo é o nosso penhor: isto significa que a presença do Espí-
rito em nossa vida nos garante a salvação.

Muito mais poderíamos apresentar sobre o Espírito Santo, mas estes versículos são suficientes. O essencial
é sabermos que o Espírito Santo é Deus, faz parte da Trindade e é uma pessoa distinta do Pai e do Filho. Ele nos
foi concedido pelo Pai quanto o Senhor Jesus morreu, ressuscitou e subiu ao céu para ser glorificado. O Espírito
Santo habita nos crentes, capacitando-os a se relacionarem com Deus, a testemunharem de Cristo e a obedece-
rem a Palavra. Sua presença em nós é garantia de que somos filhos de Deus, nascidos de novo, transformados por
Cristo e de que temos a vida eterna.

Como podemos reagir à voz do Espírito

Aprendemos que o Espírito habita em nós e que devemos nos relacionar com Ele. Entretanto, nem sempre
estamos dispostos a ouvir o que Ele tem a dizer, principalmente se o seu direcionamento é algo que tememos.
Precisamos estar atentos para o que Ele fala, pois Sua orientação é essencial para o nosso crescimento.
Uma das formas que podemos reagir à voz do Espírito é RESISTINDO. Veja o que diz Atos 7:51: “Homens de
dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram
vossos pais, também vós o fazeis”. Quando o Espírito quer nos quebrantar, mudar algo em nossa vida, levar-nos
ao arrependimento, podemos resistir não permitindo que isto aconteça. Quanto mais resistirmos ao que o Espíri-
to quer fazer, mais nosso coração se afasta de Deus – é isto que a Bíblia chama de “endurecimento”.
Outra forma de reagir à voz do Espírito é ENTRISTECÊ-LO. Lemos isto em Efésios 4:30: “E não entristeçais o
Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção”. Quando permitimos que a maldade habite em
nosso coração ou não nos arrependemos dos pecados que praticamos estamos entristecendo o Espírito. Podemos
enganar as pessoas guardando mágoas, raiva, inveja, infidelidade ou outro pecado qualquer, mas Deus conhece o
nosso coração, e um crente que vive assim entristece o Espírito Santo.
Ainda podemos APAGAR o Espírito. Leia 1 Tessalonicenses 5:9: “Não apagueis o Espírito”. Muitas vezes o
Espírito quer atuar na Igreja, até mesmo através da nossa vida. Ao nos sentirmos intimidados, envergonhados ou
temerosos O estamos apagando. Não utilizar nossos dons espirituais, não colocar em prática os nossos talentos ou
viver sem oração é apagar o Espírito.
Por fim, podemos e devemos nos ENCHER do Espírito. Isto é dito em Efésios 5:18: “E não vos embriagueis
com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito”. Não devemos resistir, entristecer ou apagar o Espí-
rito. O que devemos fazer é buscar um enchimento dEle e torná-Lo cada vez mais presente e atuante em nós.
Ouvir mais a Sua voz, receber Seu direcionamento, Sua força e Seu consolo. Uma vida cheia do Espírito é podero-
sa, atuante, frutífera e alegre. O crente só tem uma solução: buscar ser cheio do Espírito. Deseje isto para a sua
vida, pois faz toda a diferença.

Como ser cheio do Espírito Santo

Quanto a isto, o texto de Efésios 5:18 ao 6:9 é esclarecedor. Faça esta leitura e acompanhe este estudo para
ter um bom esclarecimento sobre o assunto.
O que primeiro devemos notar é que o enchimento é um processo, acontece constantemente, à medida
que crescemos na fé e nos parecemos mais com Cristo. Este processo de ser cheio do Espírito também precisa ser
mantido mediante uma busca constante, o que não é fácil, e deve haver muita perseverança. Então, lembre-se
que ser cheio do Espírito não acontece em um determinado momento, mas gradativamente, à medida que você
se aproxima mais de Deus.
Em segundo lugar, observamos que o enchimento não é algo que o crente escolhe ou não. Ele DEVE querer
e buscar ser cheio do Espírito. Deve ser uma luta constante, uma prioridade, um desejo, uma motivação. Ser cheio
do Espírito não deve ser exceção à nossa vida, mas a regra. Crente que não deseja ter esta intimidade com Deus e
ser cheio do Espírito é quem mais precisa. Nunca esqueça que você deve buscar!
Veja como buscar o enchimento do Espírito Santo:

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1. Não se embriagar com vinho, mas ser cheio do Espírito Santo (v. 18): a relação entre vinho e Espírito não
sem sentido. Já notou como ficam alguém embriagado? Ele é dominado pela bebida, não tendo vontade própria,
perde o controle e é capaz de esbanjar tudo o que tem com o álcool. O crente deve ser controlado pelo Espírito.
Suas atitudes, hábitos, pensamentos, ações e sentimentos têm uma relação profunda com Deus. Não devemos
estar encharcados de bebida, mas encharcados do Espírito Santo.

2. Ter relacionamentos cristãos dominados pelo Espírito (5:19-21): a forma como nos relacionamentos na
igreja tanto nos enche do Espírito quanto é uma forma de mostrarmos o quanto estamos cheios dEle. Primeira-
mente, para sermos cheios do Espírito devemos ter cuidado com o que falamos. O v. 19 diz que devemos falar uns
com os outros salmos e cânticos espirituais. Não podemos ser cheios do Espírito se as nossas conversas não pro-
duzem glórias a Deus e nem edificação para os irmãos. Quando conversamos, devemos nos questionar se Deus
está sendo glorificado. Músicas mundanas, piadas imorais, fofocas, murmurações e amarguras só entristecem o
Espírito. Devemos ser tão dominados por Jesus que tudo o que falamos será direcionado para honrar o nome dE-
le. Outra coisa é falar sobre “sujeição”. Para sermos cheios precisamos nos sujeitar uns aos outros, diz o v. 21.
Quem busca a Deus esvazia-se de seu orgulho e individualismo, passa a pensar nos outros e, até mesmo, sujeitar-
se a eles.

3. Ter um casamento dominado pelo Espírito (5:22-33): aqui partimos para a família, a começar pelo casa-
mento. O marido deve estar sujeito à esposa, e a esposa ao seu marido. Nem o machismo nem o feminismo são
corretos diante de Deus, mas devemos olhar para a Palavra a fim de compreendermos sobre enchimento do Espí-
rito no casamento. Isto é muito sério, pois não adianta “sermos santos” na igreja e verdadeiros “incrédulos” no
lar. A nossa fé deve ser manifestada em casa, no relacionamento marido e mulher. A mulher deve submeter-se ao
marido como ajudadora. O homem, por sua vez, deve amar a mulher a ponto de dar a vida por ela.
4. Ter uma família dominada pelo Espírito (6:1-4): se antes falamos sobre marido e mulher, agora falamos
de pais e filhos. Os filhos devem obedecer e honrar aos pais, tratando-os com amor. Não deve ser conhecido co-
mo bêbado, preguiçoso, infiel, criminoso ou qualquer outra coisa que traga vergonha para a família. Por sua vez,
os pais devem criar os filhos na disciplina do Senhor. Algo que ocorre com certa freqüência é uma disciplina mal
aplicada sobre os filhos. Por vezes não é a disciplina do Senhor, mas uma vingança dos pais por causa da desobe-
diência do filho. A disciplina de Deus através dos pais é aquela que cura, liberta, demonstra amor e conserta o que
está errado sem desestimular os filhos.

5. Ter um emprego controlado pelo Espírito (6:5-9): como você é no seu trabalho? Como é o relacionamen-
to com o seu patrão? E, caso seja patrão, como trata seus funcionários? Aquele que busca ser cheio ou que já é
cheio tem uma vida dominada pelo Espírito dentro do trabalho. Consegue relacionar-se sem contaminar-se. É
honesto, não “fazendo hora”. Procura honrar o patrão e exercer sua função da melhor forma possível. Procura ser
um funcionário honesto, justo e exemplar. Age assim não para ser visto pelo chefe, mas para agradar a Deus,
mesmo que não receba um aumento de salário. O patrão demonstra que o Espírito domina a sua vida através da
forma como ele trata seus empregados. Com justiça, misericórdia e respeito.

Quando somos dominados pelo Espírito não existe área em nossa vida que não seja transformada.

Reflita sobre isso...

1. O que mais lhe chama a atenção quando você estudou sobre quem é o Espírito Santo?
2. Você consegue identificar, hoje, algo que você tem feito que tem resistido, entristecido ou apagado o Espírito?
3. Quais são suas maiores dificuldades em buscar o enchimento do Espírito Santo?

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Capítulo 11
Vida no Espírito: Os frutos

Leitura: Gálatas 5:22-25

Como você aprendeu, devemos ser cheios do Espírito. Para que isso ocorra é necessária uma vida na fé, de-
sejando crescer e conhecer cada vez mais ao Senhor.
Também descobrimos que o enchimento é um processo que passa por todas as áreas de nossa vida. Além
disso, já sabemos que precisamos nos manter cheios, através de uma busca constante e de uma vida santificada.
Este capítulo continua o tema do Espírito Santo, enfocando os frutos que Ele produz em nós. Sua presença
viva nos capacita a viver de uma forma agradável a Deus, dinâmica e ativa. Muitos crentes são desanimados, frios
e sem frutos porque estão resistindo, entristecendo ou apagando o Espírito. Nosso desafio é colocar em prática a
Palavra de Deus que nos exorta a produzirmos muito fruto, e um fruto que permaneça.

Frutificando em nossa vida espiritual

João 15:16 diz: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos
designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em
meu nome, ele vo-lo conceda”. Deus nos escolheu por causa do amor que tem por nós, e não por causa de algo
que tivéssemos a Lhe ofertar. Não produzir frutos é viver longe da vontade de Deus. João 15:8 ainda acrescenta
que esses frutos devem ser “muitos”, e não poucos. Alguns fazem de “produzir muito fruto” uma exceção, mas
isto deve ser a regra. A preocupação do crente deve ser, realmente, produzir muitos frutos para Deus.
Para que esta realidade de produzir muitos frutos que permaneçam esteja presente em nossa vida, preci-
samos lembrar de que o Senhor Jesus disse em João 15:4-5: “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós.
Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar,
se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá
muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”. Eis o grande segredo: permanecer ligado com Cristo, pois sem
Ele nós somos completamente incapazes de frutificar. Dependerá do quanto estamos ligados com Cristo, da qua-
lidade do relacionamento que dispomos em nosso coração para com Ele, de nossa intimidade e proximidade. O
fruto é a conseqüência natural para aqueles que estão ligados intimamente na videira.

As obras da carne

Ao lermos o texto de Gálatas 5:19-21, nos chama atenção a lista de pecados que são chamadas de obras da
carne. São chamados assim por serem resultados da nossa natureza pecaminosa e de uma vida sem Deus. Apesar
de sermos crentes, transformados pelo poder de Deus, o pecado ainda habita em nós, por isso devemos tomar
cuidado para não praticarmos as obras da carne.
O apóstolo Paulo dá uma lista com algumas destas obras, pois ele mesmo diz que “outras coisas semelhan-
tes a estas” poderiam ser acrescentadas. Imaginemos o que poderíamos acrescentar na lista: vícios do jogo e ci-
garro, descontrole nos gastos, preguiça, comodismo, infidelidade conjugal, pornografia na Internet, roupas imo-
rais, palavrão, vaidade, etc. Nas linhas abaixo procure acrescentar mais alguns:
O apóstolo Paulo enumera algumas delas:
1. Prostituição: relações sexuais ilícitas, como adultério, fornicação, incesto, etc.;
2. Impureza: moral comprometida por causa de desvios sexuais e de uma vida devassa;
3. Lascívia: desejo incontrolável por satisfazer apetites sexuais, mesmo que na mente;
4. Idolatria: amar algo ou alguém acima de Deus, como uma pessoa, um objeto ou um desejo;
5. Feitiçaria: Manipulação por meios mágicos. Aqui estão incluídos a macumba, magia, tarô, etc.;
6. Inimizades: Ser hostil ou causar hostilidade;

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7. Porfias: Causar disputa, contenda ou confusão;


8. Ciúmes: Rivalidade invejosa, zelo punitivo;
9. Iras: A palavra ira vem da mesma palavra que “assassinar”. Vontade de destruir o objeto da raiva;
10. Discórdias: Fomentar a facção. Sentimento faccioso;
11. Dissensões: Causar divisões dentro do corpo de Cristo;
12. Facções: Criar partidos. Primeiro vêm as discórdias, depois a dissensão e por fim as facções;
13. Invejas: Desejar algo que não seja seu. Estar amargurado por causa da inveja;
14. Bebedices: Hábito de beber e embriagar-se;
15. Glutonarias: Pessoa que vive de excessos e não tem domínio sobre seus próprios desejos físicos;

Os frutos do Espírito

Se as obras são da carne, resultados do nosso pecado, os frutos são do Espírito, e somente uma pessoa con-
vertida pode produzi-los. As obras da carne são naturais, os frutos do Espírito são sobrenaturais. Apenas aqueles
que buscam o enchimento podem vivenciá-los.
Paulo também alista os frutos do Espírito em Gálatas 5:22-23:

1. O amor: “o fruto do Espírito é o amor”. O fato de estar no singular indica que todos os outros são resulta-
dos deste, pois se não amarmos não teremos condições de manifestar nenhum outro. É o pré-requisito para pro-
duzirmos os outros frutos do Espírito.
Deus ordena que devemos amá-lO acima de todas as coisas (Mateus 22:37). Amar algo ou alguém acima de
Deus é idolatria. Também devemos amar nossos irmãos em Cristo, pois assim seremos conhecidos como discípu-
los do Senhor (João 13:35). De igual forma devemos amar a todas as pessoas, inclusive aqueles que nos odeiam e
perseguem (Mateus 5:44). Este é o amor que é fruto do Espírito.

2. A alegria: Não é a alegria por estar tudo bem, mas uma capacidade de manter-se alegre mesmo nos mo-
mentos mais difíceis, até com risco de vida. Há uma linda história desta alegria em Atos 16:24-26, em que Paulo e
Silas estão presos e adorando a Deus.
Esta capacidade sobrenatural de passar por provações e manter-se alegre é chamada de “alegria no Espíri-
to” em Romanos 14:17. Na verdade, devemos tê-la quando estamos sofrendo por sermos cristãos, pois comparti-
lhamos com Cristo os sofrimentos que Ele passou (1 Pedro 4:13). As coisas podem estar difíceis financeiramente,
podemos estar sendo perseguidos, humilhados, desprezados, mas sofrer por fazer o que é correto é sofrer por
causa do nome de Jesus, e por isso devemos nos alegrar, como diz Tiago 1:2: “Meus irmãos, tende por motivo de
toda alegria o passardes por várias provações”. Acima de tudo, devemos nos alegrar no Senhor (Filipenses 3:1), o
motivo de toda a nossa felicidade.

3. A paz: Esta paz não é aquela de quando tudo vai bem, mas é a que supera toda tribulação e dificuldade,
sendo um estado interior de quem conhece a Deus e tem certeza da salvação.
A paz com Deus é um dos resultados da morte de Cristo. Nós vivíamos em inimizade com Ele, afastados por
causa do nosso pecado e fazendo os desejos da nossa carne. Quando fomos salvos em Cristo, Ele restaurou a nos-
sa paz com Deus. Esta paz tem 3 aspectos. O primeiro é a paz interior, que é fruto não de uma ausência de dificul-
dades, mas da presença do Espírito em nossa vida. Jesus nos prometeu não uma paz como a do mundo (Jo 14:27),
mas uma que ultrapassa a compreensão humana. Paulo diz em Filipenses 4:7: “E a paz de Deus, que excede todo
o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus”. É a paz que nos faz firmes em meio à
tribulação.
Um segundo aspecto é a paz com os irmãos da própria igreja, evitando as guerras que causam divisões, fo-
focas, maledicências e brigas. Como diz Paulo em Romanos 14:19: “Assim, pois, seguimos as coisas da paz e tam-
bém as da edificação de uns para com os outros”. Dizer que tem paz com Deus, mas não com os irmãos, é não ter
paz nenhuma.
E o terceiro aspecto é a paz com as pessoas que não são cristãs. Muitos tratam os descrentes como inimigos
e alvos de guerra, como se fossem uma constante ameaça. O crente de deve desejar levar a paz com Deus evange-

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lizando os incrédulos. É o que a Bíblia chama de “evangelho da paz” em Efésios 6:15. Temos um único inimigo que
é o Diabo, mas para as pessoas devemos levar a paz de Deus.

4. A longanimidade: Este fruto na vida do crente o torna perseverante e paciente. É a capacidade de supor-
tar adversidades de forma alegre e esperançosa. Quem é longânimo não fica amargurado e nem murmura diante
dos problemas, mas mantém a fé e a esperança.
A longanimidade está ligada à forma como nos comportamos nas dificuldades e como reagimos diante das
coisas ruins que nos acontecem. Nossa tendência é o desespero, a angústia, ira, amargura e murmuração. A lon-
ganimidade nos torna graciosos em nossa espera, mantendo o coração livre de qualquer insatisfação ou murmu-
ração.
Está ligada, também, aos nossos relacionamentos. Existem pessoas difíceis com as quais devemos nos rela-
cionar. Leia Efésios 4:2: “com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros
em amor”. Não devemos descartar ou abandonar as pessoas porque elas são difíceis, mas amá-las e suportá-las
no interesse de levá-las ao crescimento espiritual.

5. A benignidade: A benignidade dá um caráter íntegro e agradável. É a disposição moral para o bem.


Não é algo natural, pois somos pecadores. Ao contrário, é produzido pelo Espírito na vida do crente, que a
demonstra em um trato amoroso. Quando é ofendido responde com brandura, quando atacado não revida, e
quando é maltratado, perdoa.

6. A bondade: Bondade e benignidade são quase a mesma coisa. A diferença é que enquanto a benignidade
é uma disposição moral para fazer o bem, a bondade é a prática do próprio bem em si. Novamente nos depara-
mos com a realidade de que, naturalmente, não somos pessoas boas. A bondade como fruto do Espírito é algo
colocado em nosso coração por Deus.
Podemos dizer que ela é o amor posto em ação. Esse amor não tem um direcionamento apenas voltado pa-
ra os irmãos, mas todas as pessoas. O Senhor Jesus nos ensinou em Lucas 6:27 que deveríamos não só desejar,
mas fazer o bem para os que nos odeiam e perseguem. E esta é a medida da bondade como fruto do Espírito:
fazer o bem para todas as pessoas.

7. A fidelidade: Característica de alguém em quem se pode confiar. Este fruto o faz ser firme na fé a ponto
de merecer confiança. Mesmo diante das mais duras perseguições ou dificuldades ele não abre mão da sua fé e
do seu amor por Deus. Não se vende e nem se entrega ao pecado.
Esta fidelidade não é somente para Deus, mas para as pessoas também. Um hábito que deixa de existir no
coração do fiel é a maledicência. Nada pior do que relacionar-se com o maledicente, pois é um verdadeiro “ami-
gos da onça”. Nunca sabemos quando seremos traídos, pois lhe falta o fruto da fidelidade.

8. A mansidão: Quando falamos sobre mansidão devemos lembrar de “manso”. Os animais mansos são
aqueles que não atacam, que respeitam seus donos e são facilmente ensinados. A mansidão como fruto na vida
do crente o torna manejável e ensinável. Submete-se facilmente à disciplina de Deus e não se revolta contra Ele.
O manso é uma pessoa humilde, conhecendo seu lugar diante de Deus. Confia porque conhece ao Pai, não
se abala diante das adversidades; na adversidade não se revolta contra Deus; quando erra sabe pedir perdão e
mudar de atitude. Tem um coração aberto para aprender, mesmo que isso leve tempo e envolva algum sacrifício.
O manso é alguém que consegue descansar em Deus, pois tem absoluta certeza de que Ele sabe o que é melhor.

9. O domínio próprio: Este é o fruto do autocontrole, de quem não se deixa dominar pelas suas paixões.
Torna o crente controlado e reflexivo. Pesa suas ações antes de praticá-las. Pensa antes de falar ou tomar qual-
quer atitude. Se houvesse mais a presença deste fruto na vida dos crentes muitos problemas de relacionamentos
simplesmente deixariam de existir.
Quanta raiva não surge por causa de uma palavra dita num momento errado? Quantas pessoas não prome-
tem coisas que não podem cumprir? Quantas decisões equivocadas não tomamos? Se tivéssemos domínio próprio

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evitaríamos muitos desses problemas. Muitas pessoas não seriam magoadas, muitas falsas promessas não seriam
feitas e muitas decisões erradas não seriam tomadas.
De todas as coisas, a mais difícil de dominar é a nossa língua (Tiago 3:1-12). Tanto louvamos a Deus como
amaldiçoamos aos nossos irmãos com ela. Com a língua bendizemos a Deus, mas murmuramos quando passamos
por dificuldades. Este é um desafio muito importante, o de dominarmos a nossa própria língua.

A nossa luta deve ser para produzir os frutos do Espírito, caso contrário manifestaremos as obras da carne
ditas anteriormente. Por mais que seja algo difícil, o Senhor não nos deixa alternativa senão a de buscarmos fruti-
ficar.

Reflita sobre isso...

1. Como podemos produzir muito fruto que permaneça?


2. Quais obras da carne você consegue identificar mais em sua vida?
3. O que você acha que falta em sua vida para produzir mais frutos do Espírito?
4. Quais frutos do Espírito estão mais ausentes em sua vida? E quais os mais presentes?

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Capítulo 12
Batalha espiritual: Os inimigos

Leitura: Efésios 6:12

As lutas do crente não são resultados apenas do pecado ou da provação, mas também da guerra espiritual,
de uma investida do diabo contra as nossas vidas na tentativa de fazer-nos abandonar o caminho e desviar da fé.
Muitas pessoas que não conhecem a Cristo não acreditam em anjos, sejam bons ou maus, pois nunca os viram, e
vivem na ignorância de que existe esta realidade espiritual na qual todos nós estamos envolvidos.
Durante esta semana e a próxima estaremos nos prendendo a este importante tema, pois muitos erros têm
surgido para confundir os crentes. Falaremos sobre quem são eles, quais suas características e o que a Bíblia fala
sobre a investida diabólica.
Portanto, ore e medite no texto acima para iniciarmos o nosso estudo.

Quem são os anjos

Os anjos nem sempre existiram, mas foram criados por Deus entre o primeiro e o sexto dia da criação. Em
Colossenses 1:16 diz: “Pois nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis,
sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele”.
Todas as coisas foram criadas através de Jesus e para Jesus, inclusive os anjos, que no texto são chamados de invi-
síveis, principados e potestades. Atualmente, a palavra “potestade” ganhou um significado de “demônios”, mas
ela também faz referência aos anjos de Deus.
Eles foram criados todos de uma só vez, isto é, o seu número não aumenta nem diminui, pois eles não po-
dem se reproduzir (Mateus 22:30). Não são criados novos anjos, e eles não podem ser destruídos, pois sendo es-
píritos, possuem eternidade assim como nós. Sabe-se que eles foram criados em grande número, como lemos em
Daniel 7:10: “Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam e miríades de miríades
estavam diante dele, assentou-se o tribunal e se abriram os livros”.
Não possuem corpos nem forma física, como diz o Salmo 104:4: “Faze aos teus anjos ventos, e a teus minis-
tros labaredas de fogo”, mas podem assumir forma corpórea, como em Gêneses 18:1, 2, onde Abraão recebe a
visita de anjos que, apesar de não necessitarem, comem. Também aparecem em várias visões de profetas como
Daniel e Ezequiel (Ezequiel 10:7, 8) de forma bem diferente do aspecto humano. Apesar de não terem corpos,
podem tomá-los. Veja que em Marcos 5:2 o corpo de um homem é tomado na cidade de Gadara, e se torna es-
cravizado pelos demônios. Mesmo não possuindo corpos como os nossos eles estão limitados pelo tempo (não
sabem de tudo) e pelo espaço (não podem estar em dois lugares ao mesmo tempo), mas podem estar em grande
número em um espaço limitado, como em Lucas 8:30, em que um homem é possesso por vários deles ao mesmo
tempo.
Possuem inteligência e conhecimento (2 Samuel 14:20), superando a humana, mas não sabem de tudo, co-
mo por exemplo a volta de Cristo (Mateus 24:36). São mais fortes do que nós, em 2 Pedro 2:11: “Ao passo que os
anjos, embora maiores em força e poder, não proferiram contra eles juízo infame na presença do Senhor”, entre-
tanto eles não são onipotentes, tendo força limitada, mesmo sendo superior a humana. Percebemos também que
eles são organizados em algumas classes, como os querubins e os serafins.

Os anjos de Deus

Nem todos os anjos seguiram a Satanás quando este caiu. Alguns permaneceram fiéis ao Senhor para O ser-
vir e louvar. A palavra “anjo” quer dizer “mensageiro”, e por isso os encontramos como mensageiros de Deus em
várias passagens das Escrituras como, por exemplo, em Lucas 2:9-15, onde o anjo declara aos pastores sobre o

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nascimento do Senhor Jesus e, no mesmo texto, aparece uma multidão de anjos louvando a Deus. Estes são dois
ministérios dos anjos: serem portadores de mensagens e louvar a Deus.
No Salmo 103:20 é dito que os anjos executam a vontade de Deus, sendo assim, eles não apenas louvam e
trazem mensagens, mas também atuam para que a vontade de Deus seja cumprida. É o ministério do serviço dos
anjos, que servem a Deus diante do Seu trono, o que vemos por várias vezes no ministério terreno de Jesus, como
por exemplo, em Mateus 4:11: “Com isto, o deixou o diabo, e eis que vieram anjos e o serviram [a Jesus]”. Saiba
que em nenhum momento devemos orar para um anjo ou cantar algo para eles, pois só o Senhor é digno de ado-
ração. Mesmo os anjos bons não são mediadores entre Deus e os homens; eles não nos representam diante dEle,
pois isto é algo que o próprio Senhor Jesus faz diante do Pai.
Não pense que um anjo é mais importante que você, pois ele é e sempre será apenas uma criatura, e você,
além de criatura, é um filho de Deus feito à Sua imagem e semelhança. O anjo bom foi enviado para cuidar daque-
les que Deus escolheu para receberem a salvação. Isto é bem claro quando o autor de Hebreus, falando sobre os
anjos, diz: “Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a sal-
vação?” (Hebreus 11:14).

Os anjos caídos

Os anjos foram criados por Deus para Seu serviço e adoração, mas um anjo de nome Lúcifer, pertencente a
maior classe de anjos, desejou ser igual ao Senhor. Leia isto em Isaías 14:12-15. Deus, então, o lançou para fora do
céu juntamente com todos os anjos e passou a ser chamado de Satanás, que quer dizer “adversário”, pois se opõe
aos crentes em Cristo.
A queda dos anjos não lhes tirou a condição de seres sobrenaturais, imateriais, fortes e inteligentes, eles
não podem ser destruídos e ainda mantém certo acesso à presença de Deus, como lemos em Jó 1:6, mas o caráter
deles é completamente corrompido, perverso e voltado para o ódio. Os anjos caídos nunca alcançarão o arrepen-
dimento, primeiro porque eles nunca se arrependerão, e, segundo, porque eles não foram tentados por ninguém,
mas decidiram pecar. Por isso lemos em Mateus 25:41 que o inferno é um lugar preparado para o Diabo (Satanás)
e seus anjos. Em Ezequiel 28:11-15 ele é chamado de perfeito, cheio de sabedoria, formoso, querubim da guarda
e ungido de Deus. Seu orgulho e vontade de ser como o Senhor (Isaías 14:13) o fez pecar e cair.
Uma confusão que muitos crentes fazem é achar que o diabo é adversário de Deus, mas isto não é verdade,
pois o Senhor É tão poderoso que não tem ninguém que O consiga resistir.

O que a Bíblia diz sobre o nosso inimigo

A Bíblia utiliza alguns nomes para referir-se ao Diabo, o que nos revela muito sobre seu caráter perverso:
Satanás: quer dizer adversário. Não suporta a lealdade e a comunhão que une Deus àqueles que O amam
(Jó 1:6-11; Zacarias 3:1; 1 Tessalonicenses 2:18);
Diabo: quer dizer acusador, difamador e maldizente: salienta o seu caráter dominado pelo ódio e pelo des-
prezo (Apocalipse 2:10);
Tentador: procura induzir os cristãos a pecarem ou abandonarem a fé (Mateus 4:3);
Belzebu: aquele que preside a corrupção. Corrompe moral e intelectualmente (sexo, drogas, desonestidade,
maledicência, mentiras, etc.);
Belial: quer dizer marginal. Ele se opõe à Lei de Deus (2 Coríntios 6:15);
Serpente: destaca sua inteligência e astúcia utilizadas para seduzir. Ele não anuncia o caminho que reco-
menda e nem revela as conseqüências das prazerosas atividades que promove (2 Coríntios 11:3);
Grande dragão: destaca sua fúria destrutiva e sem piedade (Apocalipse 12:12);
“deus” deste mundo (século): deseja a adoração, é o imitador de Deus, o fraudador da verdade. Como imi-
tador de Deus ele tem: igreja (Apocalipse 2:9); ministros (2 Coríntios 11:14s); teologia (1 Timóteo 4:1); ceia (1 Co-
ríntios 10:21); evangelho (Gálatas 1:7); trono (Apocalipse 13:2) e adoradores (Apocalipse 13:4);
Maligno: demonstra seu caráter totalmente corrompido (Mateus 6:13).
Este nomes, lembre-se, fazem referência à uma única pessoa: Satanás.

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O ministério do diabo

Em João 10:10 está escrito: “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham
vida e a tenham em abundância”. Jesus é aquele que nos dá a vida em abundância, em contraposição o Diabo vem
para fazer o oposto: tirar a vida.
Este ladrão vem para roubar. Não apenas bens materiais como dinheiro, casa, carro, mas também saúde
mental e física das pessoas, a felicidade, a esperança, o amor, os amigos, a família e tudo o que ele puder fazer
para atingir a vida das pessoas. Lembre-se que o Diabo não tem misericórdia ou compaixão das suas vítimas.
Ele também vem para matar. Pode ser uma morte por assassinato ou levar a pessoa ao suicídio, mas ele
também pode fazer isso aos poucos, utilizando as drogas, álcool, promiscuidade ou situações de risco. Mas a mor-
te mais séria é o afastamento de Deus. Quando não somos convertidos estamos mortos por causa dos nossos
pecados. Morto, neste sentido, significa “separado de Deus”, e o Diabo quer que as pessoas permaneçam assim, e
fará de tudo para que elas continuem cegas e enganadas com respeito a si mesmas e a Deus.
Ele veio para destruir nossos valores morais, nossas famílias, nossos filhos e tudo mais que ele puder. A atu-
almente os valores corretos são cada vez mais ridicularizados por este mundo que está sob o comando do Diabo.
Falar para os jovens que eles não devem ter relações sexuais antes do casamento é considerado ridículo para o
mundo sem Deus, dizer que a Palavra exige que o casamento seja indissolúvel e que não haja traição é motivo de
piadas, pois o Diabo já tem destruído estes valores.

Nem tudo é culpa do diabo

Apesar do ministério do Diabo ser “roubar, matar e destruir”, ele não é culpado por tudo de ruim que
acontece em nossa vida. Pode, na verdade, aproveitar certas situações para realizar seus intentos contra as pes-
soas. Veja alguns exemplos.
Um rapaz que tem um bom trabalho mas é irresponsável, chegando atrasado no emprego e fazendo hora,
perderá o emprego e não poderá falar que foi culpa do Diabo, pois suas atitudes o fizeram ser demitido.
Um homem que trai a mulher, que é insensível às dificuldades de sua esposa e não cuida dos filhos será
responsável pelo Diabo encontrar espaço em sua família. Quando ela estiver desestruturada – por mais que eles
tenham sido tentados pelo Diabo – o marido deverá encarar sua responsabilidade em ter entregue sua família nas
mãos do inimigo.
Um jovem que dirige seu carro em alta velocidade e de forma imprudente não deverá colocar a culpa no
Diabo ao atropelar alguém ou ele mesmo sofrer algum acidente, pois isto foi conseqüência do seu pecado.
Uma das maiores causas dos nossos problemas somos nós mesmos: nosso pecado, nossa irresponsabili-
dade, insensibilidade, insensatez, falta de domínio próprio, mentira e orgulho. Por isso devemos estar conscientes
de que nós abrimos portas para o Diabo para que ele possa entrar. Tem crente que vive “amarrando” tudo que é
diabo por aí, mas não cuida bem de sua família, não instrui seus filhos nos caminhos do Senhor, não é um homem
ou mulher de respeito, não foge do mal e nem procura consagrar-se a Deus. Existe um livro que possui um título
muito sugestivo: “Antes de amarrar a Satanás, amarre a você mesmo”. A melhor forma de lutar contra o Diabo é
mantendo sua integridade e santidade.
Precisamos reconhecer as armadilhas do Diabo, suas más intenções e em qual área ele tem tentado. Para
que sejamos capazes de fazer isto, precisamos manter a nossa própria vida firme no Senhor, obedecendo-O em
todas as coisas com fidelidade e amor. Desta forma seremos capazes de lutar e vencer o nosso inimigo.

Como o diabo nos leva a cair em uma armadilha

Você já parou para pensar sobre como ocorre o pecado? Não? Veja o que está escrito em Tiago 1:13-15:
“Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo
a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a
cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte”.
Primeiramente (v. 13), precisamos saber que a tentação nunca vem de Deus. Ele não é a fonte ou a origem
dos nossos desejos por aquilo que é pecaminoso. Deus pode nos provar fazendo com que passemos lutas o nosso

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crescimento, mas Ele nunca tenta ninguém. Isto quer dizer que Deus não prova ninguém com um instrumento
pecaminoso.
Em segundo lugar (v. 14), é dito que “cada um é tentado segundo a sua própria cobiça”. A fonte do pecado
está em nós, nos desejos carnais e pecaminosos. Somos tentados por aquilo que o nosso coração deseja. O que o
Diabo faz é oferecer o que ele anseia. Se você tem desejo de trair sua esposa, o diabo procurará utilizar este dese-
jo contra você mesmo. O jovem tem desejo de manter relações sexuais com sua namorada? O diabo criará uma
situação propícia para que eles estejam a sós durante algum tempo. O trabalhador quer ganhar algum dinheiro a
mais? Surgirão oportunidades de se corromper e praticar algum ato ilícito. A força que o Diabo utiliza contra nós é
o nosso próprio desejo carnal. Ele sabe o que realmente não tenta. Ele não perde tempo oferecendo algo que
você não goste.
Por último (v. 15), a figura utilizada é a do casamento que termina com o sexo. Nela nós somos o noivo e o
desejo pecaminoso a noiva. O Diabo é quem realiza o casamento. O resultado desta sedução do desejo em nossa
vida é o pecado. O pecado é uma criança que, ao nascer, mata aquele que o gerou. Gera em nós a separação de
Deus.
Quer evitar o pecado? Tenha consciência de quais são suas fraquezas e o que lhe tenta. Compartilhando
com seu discipulado sobre suas lutas para orarem e lutarem por santidade. Caso você não resista e caia, não es-
conda o seu pecado, mas confesse-o e procure ajuda. Lembre-se que o pecado parece bom, mas sempre gera a
morte.

A nossa vitória em Cristo

Apesar de termos tão terríveis inimigos, precisamos estar conscientes de nossa posição de filhos de Deus e
nascidos de novo. Durante a sua batalha espiritual, procure lembrar-se de que nada pode nos separar do amor de
Deus (Romanos 8:31-39). O Senhor nunca nos abandonará. Mesmo que pequemos, Ele ainda nos amará. O Diabo
não tem poder ou força para nos afastar de Deus, pois somos mais que vencedores no amor de Cristo. Tenha esta
confiança de que Ele nunca o deixará. Ele nos ama não pelo que fazemos, mas sim porque Ele decidiu nos amar.
O nosso inimigo foi derrotado quando Jesus morreu por nós (Colossenses 2:15). Satanás foi humilhado na
cruz, exposto ao ridículo, seus planos estão frustrados e ele mesmo condenado ao inferno. Nunca devemos temê-
lo, mas sim lutar contra ele pelas pessoas que estão aprisionadas.
Existe alguém maior em você (1 João 4:4). Satanás está no mundo, vivo e ativo, operando seus maus inten-
tos, destruindo vidas e aprisionando pessoas. Nós temos o Espírito Santo de Deus, que é o próprio Deus habitando
em nós, por isso não temos que temer ao Diabo ou aquilo que ele quer fazer contra nós. A presença do Espírito
Santo em minha vida me concede poder, força e autoridade para lutar e vencer.
Há sempre perdão para o arrependido (1 João 1:9). Deus não quer que você peque, mas se isto acontecer
saiba que Ele o perdoa. Não deixe que o Diabo o engane dizendo que “Deus não te ama” ou que “Não existe per-
dão para você”. Deus sempre perdoa aquele que, sinceramente, manifesta arrependimento e confessa seus peca-
dos. Quem não pede perdão a Deus quando peca é derrotado duas vezes pelo diabo. Confie no amor e no perdão
de Deus. Ao cair, levante-se e continue buscando-O para que Ele restaure a sua vida.

Reflita sobre isso...

1. O que você poderia falar sobre os anjos caídos?


2. O que os anjos de Deus fazem pelos escolhidos?
3. Você consegue identificar alguma área de tentação do diabo em sua vida, hoje?
4. Qual parte do estudo desta semana Deus usou para falar mais ao seu coração?

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Capítulo 13
Batalha espiritual: A armadura

Leitura: Efésios 6:13-18

Como vimos anteriormente, travamos uma luta constante contra o diabo e seus anjos. Ele tenta de todas as
formas nos afastar da vida na igreja e não se sentirá satisfeito até cumprir em nós o seu ministério, que é roubar,
matar e destruir.
Cabe aqui uma pergunta: Você está preparado para lutar nesta batalha espiritual? Quais armas estão a sua
disposição para vencê-la? Lutamos somente por nós mesmo ou também pelos outros?
Estas são apenas algumas perguntas que procuramos responder desde o capítulo anterior. Nesta semana
veremos quais são as nossas armas e o que representa cada uma delas. Esteja atento para aprender mais de Deus
sobre este assunto que é importante não apenas para a nossa vida pessoal, mas também para a ministração na
vida dos nossos irmãos que passam por lutas espirituais.

O nosso dia mau

Todos os dias passamos por lutas grandes ou pequenas. Somos constantemente provados em nossa fé, mas
existem dias em que parece que nada dá certo, que tudo se volta contra nós, somos incompreendidos, persegui-
dos e humilhados, nossos planos se frustram e ficamos cansados e desanimados. Este é o “dia mal”. Nele sentimos
um grande peso sobre nossos ombros. Nunca mandam aviso, daí a necessidade de estarmos preparados para
enfrentá-los. Não podemos esperar chegar o “dia mal” para vestirmos a armadura de Deus, na verdade, precisa-
mos estar sempre vestidos com ela, para não sermos pegos desprevenidos pelo nosso inimigo.
O versículo 11 de Efésios 6 diz que devemos estar sempre (todos os dias) vestidos com toda (e não apenas
uma parte) a armadura de Deus para resistirmos aos ataques do diabo, pois ele não tem dia certo e nem um lugar
específico para nos atingir. Como seu interesse é destruir-nos ele intentará nos atacar num momento propício (dia
mal) e numa área desprotegida. Eis o grande motivo para vivermos vestidos com toda a armadura de Deus: deve-
mos “permanecer inabaláveis”, não caindo nestas armadilhas.

O cinturão da verdade (v. 14)

Naquela época os soldados usavam uma roupa longa chamada de “túnica”. Para que esta não atrapalhasse
os movimentos que deveriam ser ágeis nas batalhas, utilizavam-se de um cinto para prender suas extremidades.
Era o cinturão, e Paulo utiliza esta figura para falar da primeira parte da armadura de Deus: a verdade.
Conheço muitos cristãos que foram pegos por Satanás ao falarem alguma mentira. Conheci certo rapaz que
praticou atos criminosos no seu trabalho e foi descoberto. Na tentativa de ganhar dinheiro agiu de forma menti-
rosa roubando cheques de seu patrão. Ao ser pego, além de ter sido demitido e humilhado, envergonhou seus
pais e correu o risco de ser preso. Ele faltou com a verdade e se aliou à mentira tornando-se um alvo fácil para
Satanás.
A mentira é algo que cega, pois acabamos seduzidos pelas facilidades que ela nos apresenta, mas sempre
cria um abismo para a vida espiritual do cristão. Se desejamos estar firmes, devemos falar sempre a verdade
mesmo que isto traga algum prejuízo. É melhor fazer o que é correto, honesto e justo. Lembre-se: Deus sempre
faz com que as coisas ocultas sejam reveladas (Marcos 4:22). Um caso de adultério, um vício e outras mentiras
sempre vêm à tona e sempre nos trazem muita vergonha e dor, além de gerar feridas profundas como divórcio,
demissão, perda de credibilidade, desvio, etc. Ser sempre verdadeiro e honesto é a primeira parte da armadura de
Deus, pois Satanás – que é o nosso acusador – nada poderá fazer contra aqueles que falam a verdade.

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A couraça da justiça (v. 14)

A couraça era uma peça de metal que protegia o peito, o abdome e as costas. Aqui ela representa a justiça
do crente e tem dois significados.
Primeiramente, é a certeza de que fomos justificados por Deus e que nossos pecados estão perdoados.
Quando tenho convicção do perdão de Deus em minha vida sei que serei aceito caso confesse para o Senhor
aquele pecado que cometi. Dúvidas com relação à nossa posição de crentes salvos e justificados por Deus nos
tornam fracos na batalha espiritual. A figura é a de um tribunal cujo juiz é Deus, o advogado de defesa é o Senhor
Jesus, o promotor é Satanás e nós somos os réus. Satanás nos acusa diante de Deus, apresentando nossos atos de
injustiça e nossos pecados; Jesus, por sua vez, nos defendeu quando levou sobre Si nossos pecados. Deus, então,
nos absolve porque Cristo nos justificou. Leia Romanos 8:1.
Em segundo lugar, este texto diz que o crente deve praticar a justiça como resultado do perdão de Deus em
sua vida. Praticar a justiça é viver uma vida de santidade e compromisso com o Senhor, buscando estar sempre no
centro de Sua vontade. Como no ponto anterior sobre a verdade, ser justo é essencial para o cristão em sua cami-
nhada e na batalha espiritual.

O calçado do evangelho da paz (v. 15)

Foi dito que nossa luta não é contra a carne, nem contra o sangue, mas contra os demônios (v. 12). Entre-
tanto, temos sempre a tendência de levar a batalha espiritual para o lado pessoal. Estes versículos (12 e 15) nos
mostram que não devemos ter uma atitude de hostilidade ou raiva para com as pessoas – até mesmo aquelas que
são usadas pelo Diabo contra a nossa vida – pois a nossa luta não é contra elas.
Não devemos odiar os que nos odeiam, ao contrário, devemos amá-los; devemos abençoar aqueles que fa-
lam mal de nós e fazer bem para os que nos perseguem. Falando francamente, o crente não deve ter outro inimi-
go a não ser o Diabo. Lembre-se: nossa luta não é contra as pessoas, mas contra Satanás.
O que fazer, então, com as pessoas que nos perseguem e odeiam? Devemos fazer com elas o que diz este
versículo: levar a paz com Deus!
O calçado, apesar de pequeno, era importantíssimo, pois ele possuía algumas travas que impediam o solda-
do de cair no momento da luta e ser pego de surpresa. Se deixarmos entrar em nosso coração a raiva, amargura
ou insensibilidade pelos que estão sendo usados pelo inimigo, estaremos perdendo a batalha; estaremos desli-
zando no campo de guerra e nos tornando alvos fáceis para o Diabo.
Além disso, devemos lembrar que a nossa luta deve ser para levar as pessoas para a paz com Deus por meio
do nosso testemunho. É curioso perceber que em meio à grande batalha contra as forças de Satanás, estamos
transportando a mensagem que pode converter aquelas pessoas que são “inimigas” em nossos irmãos em Cristo
(Lucas 4:18).

O escudo da fé (v. 16)

O escudo era uma peça feita de madeira revestida de couro (às vezes metal) que protegia o corpo contra as
flechas, lanças ou a espada do inimigo. Nosso escudo é a fé, que protege contra tudo aquilo que é lançado pelo
Diabo contra nós. O inimigo tentará lançar dúvidas sobre a bondade de Deus e Seu amor para conosco. Quem
nunca ouviu em sua mente uma frase desestimuladora quando passava por alguma luta: “Você não tem jeito”,
“Deus não tem cuidado de você”, “Não vale a pena tanto esforço” ou “O Senhor não cumprirá Suas promessas”.
São os dardos inflamados do maligno contra a nossa fidelidade a Deus.
O escudo da fé nos faz acreditar no Senhor, no Seu amor e na Sua misericórdia. Quando peco, ouço o dardo
do inimigo: “De novo? Deus não perdoará você novamente”. Minha fé responde: “Não! Deus promete em sua
Palavra que sempre me perdoará quando me arrepender dos meus pecados!”.
A fé nos faz acreditar naquilo que o Senhor diz em Sua Palavra sobre sermos Seus filhos, nascidos de novo,
herdeiros das promessas, mais que vencedores, fortalecidos no poder de Deus, selados com o Espírito Santo,
amados, preciosos e muitas outras bênçãos e promessas que Ele tem para o Seu povo, que é a Igreja. Embraçar o
escudo da fé é rejeitar todas as mentiras de Satanás e confiar na Palavra de Deus.

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O capacete da salvação (v. 17)

O capacete consistia em uma peça que variava do couro ao metal e protegia a cabeça do soldado contra ob-
jetos lançados pelo inimigo. Em 1 Tessalonicenses 5:8 é chamado de “capacete da esperança da salvação”, o que
contribui para a nossa compreensão.
Ele nos chama a atenção para a importância que deve ter a nossa convicção de que fomos salvos por Deus.
Parece brincadeira, mas existem cristãos que não crêem que já foram salvos, mas que serão salvos se forem per-
severantes e bondosos. Entretanto, já fomos avisados pelo Senhor que a salvação nunca se dará por meio das
obras que fazemos, mas sim pela Sua graça. Nossa perseverança e a bondade são resultados da salvação que Deus
operou no salvo, e não o contrário.
A epístola de Tito 3:5 diz que fomos salvos mediante o lavar regenerador do Espírito Santo, e não que “se-
remos” salvos. Eu já sou salvo, o inferno não é mais o meu destino final, e sim o céu; a morte não tem mais domí-
nio sobre a minha vida. Quando você estiver passando por sua luta espiritual tenha sempre a certeza: “Jesus já me
salvou! Eu pertenço a Ele e ninguém pode tirar a salvação que Ele me deu, nem mesmo todos os enviados do Dia-
bo”.

A espada do Espírito (v. 17)

Na época de Cristo a espada era uma arma importante. Existiam dois tipos: a romfaia, que era uma espada
longa utilizada para abrir caminho no exército inimigo, atingindo vários soldados de uma vez; e existia ainda a
macharia, que era pequena e se destinava à luta corpo-a-corpo. A espada do Espírito é a macharia, utilizada em
nossas batalhas corpo-a-corpo com o Diabo. Ela representa a Palavra de Deus, essencial para derrotarmos o inimi-
go.
Em Mateus 4:1-11 vemos que Satanás utiliza alguns versículos da Bíblia para tentar a Jesus que, por sua vez,
a utiliza de forma correta para vencê-lo. Nossos inimigos também conhecem a Bíblia e a deturpam o quanto po-
dem para nos fazer acreditar nas suas propostas pecaminosas. Tenha cuidado, pois a Bíblia também pode ser utili-
zada para fins diabólicos quando mal interpretada e aplicada. Jesus utilizou-a de forma sábia e coerente, vencen-
do as tentações do Diabo.
Isto nos faz lembrar que importante não é só ter uma Bíblia, mas saber utilizá-la. O apóstolo Paulo já dizia
ao jovem pastor Timóteo que ele deveria manejar bem a Palavra da verdade (2 timóteo 2:15). Luta bem contra o
Diabo aquele que estuda com amor a Palavra de Deus e a coloca em prática; aquele que protege sua mente e o
seu coração contra as mentiras ditas pelo inimigo, mesmo quando ele utiliza a Bíblia para tentar.

A oração (v. 18)

Não poderíamos deixar de chamar a atenção para a oração da mesma forma como Paulo faz neste texto. A
busca a Deus pela oração também faz parte da batalha. De nada adiante sabermos todas as partes da armadura
de forma decorada, mas não termos uma vida de oração.
Devemos lembrar de orar por nós mesmos, pedindo que graça a Deus nos mantenha fiéis e santos em Sua
presença, frutificando mesmo em meio às mais difíceis lutas. Orar para que não sejamos vencidos pelo Diabo ou
pela maldade do nosso próprio coração. Orar pedindo sabedoria e discernimento a Deus, para compreendermos
as realidades espirituais e ficarmos atentos para não cairmos em armadilhas.
Também precisamos orar por nossos irmãos em Cristo que passam por lutas espirituais ou quaisquer difi-
culdades. Pedir que nosso Deus os fortaleça e proteja para não caírem no que é mal.
Devemos orar, ainda, por aqueles que não são crentes, para que Deus os liberte das garras do Diabo, os tire
dos vícios, das seitas, da promiscuidade, cure suas feridas interiores e os leve para Jesus. Orar por aqueles que nos
perseguem, nos fazem mal e odeiam. Quando oramos com fé as coisas acontecem, milagres ocorrem, pessoas são
libertas e vidas são curadas. Como lemos em Tiago 5:16: “Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo”. Creia
no poder do nosso Deus que tem prazer em ouvir as nossas orações e atendê-las.

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Agora só falta lutar

Tendo dito tudo isto sobre batalha espiritual, só nos resta dizer uma coisa neste estudo: nunca estamos li-
vres dela. Ela ocorre o tempo todo, a todo o momento, todos os dias de nossa vida terrena. Apesar de existirem
momentos em que a luta é mais intensa, ela sempre está acontecendo. No momento em que você lê este manual,
existe uma guerra para que não aprenda nada ou não seja um discípulo de Jesus.
Cabe a você como soldado desta batalha, lutar com as armas espirituais descritas acima. Decida em seu co-
ração fazer diferença! Participe da batalha, pois Deus já fez de você um vencedor. Seja um soldado para libertar
vidas cativas e destruir as obras diabólicas na vida de seus irmãos em Cristo. Não tenha medo, pois o Senhor está
contigo e nunca te abandonará. Quando nos convertemos, somos alistados neste exército, e é melhor passar por
esta vida como um grande herói de guerra do que como um covarde desertor.
Seja um valente dos exércitos de Deus!

Reflita sobre isso...

1. Você tem se sentido oprimido pelo diabo estes dias?


2. Quais partes da armadura de Deus lhe têm faltado?
3. Você já tem conseguido identificar alguma área fraca em sua vida que possa ser utilizada pelo Diabo contra
você?
4. Momento de oração:
a) Ore por você mesmo na batalha, pedindo sabedoria e discernimento;
b) Ore pelos seus irmãos, para que eles vençam a batalha espiritual;
c) Ore pelos incrédulos, por aqueles que estão perseguindo você. Peça que Deus os liberte.

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Capítulo 14
Mantendo sua integridade

Leitura: 1 Tessalonicenses 5:23

Nesta semana aprenderemos mais sobre um tema essencial para a nossa vida cristã: a integridade. Muitos
caem na fé e são humilhados pelo Diabo pela ausência de uma vida íntegra. Não são sinceros diante de suas famí-
lias, amigos e igreja. Guardam pecados ocultos em seu coração e estão cegos pelo inimigo para não verem que o
Senhor pode operar em suas vidas uma profunda libertação.
A integridade não pode ser desprezada, pois dela depende o nosso testemunho diante das pessoas que ain-
da não conhecem a Jesus. E mais que isso, foi desta forma que fomos chamados para viver neste mundo, mas não
de acordo com valores carnais e pecaminosos, mas segundo a Palavra de Deus.
Por isso, abra seu coração, ore e medite no texto acima para iniciarmos nosso estudo.

O que é Integridade?

A palavra integridade significa: completo em todas as suas partes; em nada defeituoso; inteiro.
O íntegro é aquele que, em todas as áreas de sua vida, pratica a Palavra de Deus. Uma ilustração para isto é
algo que vi na televisão há algum tempo. Um ônibus espacial norte-americano estava para reentrar na atmosfera
terrestre quando seus sensores acusaram um grande aumento de temperatura na parte externa da nave. Após
cuidadoso exame sobre a situação, os técnicos chegaram à conclusão de que na decolagem um pequeno pedaço
de espuma isolante teria se desprendido da fuselagem, chocando-se contra uma das asas e comprometido a IN-
TEGRIDADE da nave. O resultado foi trágico. O ônibus espacial não suportou o calor e explodiu, matando todos os
tripulantes.
Da mesma forma é a nossa vida espiritual. Quando estamos com alguma área em falta, comprometemos a
nossa integridade. Basta apenas uma falha, uma rachadura e o estrago pode vir a qualquer momento. Não esque-
ça que o Diabo é especialista em encontrar essas brechas para tentar destruir-nos.

Algumas causas da falta de integridade

Hoje os evangélicos passam por uma crise de integridade. Muitos não conseguem mais viver plenamente o
Evangelho e obedecer ao Senhor por toda a vida. Não mais coloca, em prática os mandamentos de Deus, alegan-
do que são difíceis e complicados.
Isto acontece, primeiramente, pela visão que temos da nossa vida. Cresceu assustadoramente a idéia de
que podemos dividir ou separar o que somos por áreas distintas: vida espiritual, vida financeira, vida familiar, vida
profissional, vida secular, vida ministerial, etc.
Esta compreensão da vida dividida em partes nada tem de bíblica. Nunca somos informados pela Palavra de
Deus que podemos ser separados, como se algo que fizéssemos em uma “área” de cunho financeiro não influen-
ciasse nossa relação com Deus. Somos um todo e não podemos ser departamentalizados. Tudo o que fazemos,
por mais simples que pareça, trás uma série de conseqüências. Assim, sendo desonesto meu louvor não será acei-
to por Deus; se não sou bom marido, não posso me considerar um cristão sadio e maduro; se chego atrasado aos
meus compromissos, como celebração e célula, por exemplo, apresento um louvor defeituoso ao Senhor. Somos
uma totalidade e não várias partes juntas num lugar só.
Em segundo lugar, a nossa idéia de que exista uma diferenciação entre pecados grandes e pequenos for-
mam uma barreira para a integridade. Crer que exista algum pecado que Deus possa tolerar, que Ele não conside-
re como grave, é simplesmente terrível. Para Deus, todos os pecados são iguais. São abominados por Deus, mes-
mo aqueles que consideramos “pequenos”. Nossa atitude para com eles deve ser de arrependimento, confissão e
abandono.

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E, por último, devemos salientar a concepção de que o homem pode manter o pecado sob controle. Esta vi-
são de que somos fortes o bastante para conviver com ele é ilusória. O pecado cega o entendimento, mascara
nossa real condição diante de Deus, macula a consciência pura e nos incapacita a lutar contra o pecado. Tornamo-
nos fortes quando nos submetemos a Deus em amor. Nunca brinque com o pecado e nunca subestime o que o
Diabo pode fazer em sua vida, mas saiba que dependemos da graça e da misericórdia de Deus para não vencer-
mos o pecado.

Áreas mais comuns de falta de integridade

Para Deus, chegar atrasado a uma celebração ou em um encontro de célula é tão pecaminoso quanto men-
tir. Desobedecer é tão condenável quanto praticar feitiçaria. Adulterar é tão grave quanto ser avarento. Então,
quando assumimos um compromisso com alguém e não cumprimos, também estamos cometendo um pecado
diante de Deus, e isto é falta de integridade. Quantas vezes não pegamos algo emprestado de alguém e não de-
volvemos? Isto é falta pecado também. Veja estes exemplos de falta de integridade:
Sexualidade: O adultério é falta de integridade, mas também a fornicação (sexo antes do casamento), mas-
turbação, pornografia, imoralidade (palavras, roupas e atitudes), homossexualismo, etc. Os pecados da sexualida-
de são largamente abordados nas Escrituras, pois esta é uma área de maior fraqueza do ser humano. Muitos caí-
ram por causa destes pecados que podem começar de forma “inocente”, mas representam grandes armadilhas
satânicas.
Finanças: Ser avarento (amor ao dinheiro, falta de vontade para contribuir) é pecado, mas o gasto excessivo
também. Muitos têm falta de integridade nesta área, pois não contribuem com a Igreja, não investem em missões
e não ajudam aos que necessitam. Outros gastam em excesso, comprando o que não precisam, vivem trocando de
carro enquanto alguns irmãos não têm quase o que comer. Alguns gastam o que não podem, endividando-se e, às
vezes, apelando para agiotas.
Família: A falta de integridade na família não se origina somente nas questões sexuais, mas parte para ou-
tros problemas. Um pai que não exerce o sacerdócio, um marido que não ama a esposa, uma mulher que não é
ajudadora idônea nem submissa, filhos desobedientes ou preguiçosos são comuns dentro da família.
Relacionamentos: A integridade pode ser comprometida em nossos relacionamentos: mentiras, maledicên-
cias, falta de perdão ou arrependimento, egoísmo, orgulho, insensibilidade, etc. Alguns cristãos tornam-se indig-
nos da confiança porque não têm palavra.
Precisamos aprender que não podemos dividir a nossa vida, reparti-la em várias áreas, como “vida espiritu-
al”, “vida financeira”, “vida secular” e “vida familiar”. Isto simplesmente não existe! Nossa vida é uma coisa só, e o
que fazemos em nosso trabalho, família, escola ou outro lugar qualquer nos afeta por inteiro. É como a estrutura
daquele ônibus espacial que falamos. Uma parte não íntegra compromete toda a nave.
Precisamos nos vigiar constantemente para não deixar passar despercebido qualquer falta de integridade. O
problema pode começar pequeno e ir se agravando com o tempo, pois vira um hábito pecaminoso, e quanto mais
tempo passamos nele, mais insensíveis nos tornamos à voz de Deus.

Quando as brechas não mais incomodam

Um homem pode estar cego para o adultério que comete ou a mentira que divulga. Pode realmente ter es-
quecido das coisas que pegou emprestado e não devolveu e, passando pela sua estante, mesmo olhando não se
preocupará em devolver. O crente poderá passar dias e meses sem oração e não se dará conta de que isto é pe-
cado. Não evangelizará e mesmo assim não se incomodará. Podemos estar completamente enganados sobre a
nossa situação diante de Deus, sinceros, mas mesmo assim tomados de pecado e com a integridade comprometi-
da.
Deus criou um dispositivo mental chamado de “consciência” que tem a capacidade de alertar-nos quando
há qualquer problema de integridade. Apesar de não ser perfeita – pois ela também foi contaminada pelo pecado,
é um grande referencial para nos avaliarmos diante de Deus e diante das pessoas.
É a consciência que “pesa” quando cometemos algo que vai contra a Palavra de Deus, nossas convicções ou
nossos hábitos. O apóstolo Pedro já nos exortou sobre termos uma boa consciência para não darmos motivos

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para os incrédulos falarem mal de nós (1 Pedro 3:16). Paulo dizia a Timóteo que a má consciência leva o crente ao
desvio (1 Timóteo 1:19), e que ela é essencial para o bom exercício do ministério do cristão (1 Timóteo 3:9). A
consciência deve ser pura diante dos homens e de Deus (Atos 24:16), pois ela é afetada não só pelo que fazemos
contra o Senhor, mas, também, contra as pessoas. Entretanto, não devemos confiar inteiramente nela, como é
dito em 1 Coríntios 4:4: “Porque de nada me argúi a consciência; contudo, nem por isso me dou por justificado,
pois quem me julga é o Senhor”. Neste texto o apóstolo Paulo reconhece que a consciência pode estar enganada
ou contaminada e por isso precisa ser avaliado por Deus constantemente. Assim, não também não devemos con-
fiar plenamente no julgamento de nossa consciência, mas na sondagem de Deus em nosso coração.
Sempre corremos o perigo de ter cauterizada a nossa consciência. Este alerta aparece em 1 Timóteo 4:2:
“Pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência”. Consciência cauterizada é
aquela que se torna insensível ao pecado devido a sua prática insistente. No início a consciência acusa, mas com o
passar do tempo ela vai se acomodando ao pecado, não servindo mais para alertar sobre o que é errado.
Quando chega neste ponto, somente a misericórdia de Deus para libertar tal vida. Isto é bem ilustrado na
parábola do “Filho pródigo” de Lucas 15:11-31. O filho que sai de casa e esbanja todos os seus bens de forma ir-
responsável chega a desejar o alimento dos porcos, mas nada lhe é dado. Ele permanece naquela situação deplo-
rável até que “cai em si”, isto é, até que sua consciência o acusa, voltam suas lembranças sobre o passado na casa
do pai e ele decide voltar. A consciência daquele jovem já estava contaminada e insensível, mas Deus usou de
misericórdia para com ele, fazendo-o voltar para seu lar. Precisamos buscar esta boa consciência, pois ela é essen-
cial para uma vida íntegra. Devemos fazer como o rei Davi no Salmo 139:23 e 24. Leia e anote estes versículos no
espaço abaixo.

Salmo 139:23 e 24

Restaurando a integridade

Nunca seremos completamente íntegros enquanto vivermos aqui neste mundo. A perfeição absoluta é al-
cançada na eternidade. Nossa luta é para buscarmos o alvo da plenitude da nossa vida diante de Deus com uma
boa consciência e integridade. Vez por outra nos depararemos com falhas que precisam de cuidado e restauração,
e a forma como encaramos estes momentos e quais atitudes tomamos é o que realmente vai marcar nossa cami-
nhada cristã. Fechar os olhos para a falta de integridade é cometer suicídio espiritual, é cauterizar e insensibilizar
a consciência. Sua postura deve ser aquela descrita no quadro acima.
Mas quando já houve uma quebra na integridade? O que fazer para recuperar o que foi perdido?
Devemos lembrar o que o Senhor nos diz em 1 João 1:9: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e
justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. Existe perdão para o pecador que se arre-
pende de seus pecados. Precisamos crer nisto com fé e esperança de que o Senhor não nos abandona e purifica
nosso coração.
Precisamos de acompanhamento, isto é, prestar contas a alguém sobre nossas lutas pessoais. O ato de con-
fessar os pecados a alguém faz parte do processo de cura e libertação. Quando nos cercamos de pessoas cheias
do Espírito Santo, sábias na Palavra e que tenham disposição para acompanhar nossa caminhada, estamos contri-
buindo para a nossa própria integridade. Alguns crentes podem achar desagradável ter outra pessoa “pegando no
pé”, mas quem não aceita intervenção ou não é aberto para receber conselhos não poderá manter sua integrida-
de por muito tempo. O verdadeiro cristianismo é pautado nos relacionamentos saudáveis dentro da Igreja. Abrir
mão deles é abrir mão da própria santidade.
Por último, é necessário que restauremos as áreas fragilizadas, o que pode envolver restituição de algo que
foi roubado ou emprestado, um pedido de perdão, humilhação, confissão pública, disciplina, resgate de confiança,

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enfim, uma mudança radical de atitude. Isto pode até ser difícil e doloroso, mas quem está verdadeiramente ar-
rependido não terá problemas para agir assim.

Para ser íntegro

A integridade não é fruto de alguém que tem medo do inferno ou da dor do pecado. A verdadeira motiva-
ção é o amor a Deus acima de todas as coisas. De nada adianta buscarmos uma vida correta se ela é motivada por
medo da condenação ou por pressão de um grupo religioso. Para sermos íntegros precisamos pensar no nosso
amor por Deus. Ele deve ser o centro da nossa vida, a nossa motivação para viver. Por amar tanto ao meu Senhor
luto para ser íntegro, abrindo mão de muitos prazeres e pecados que me agradam, hábitos que me prejudicam,
um estilo de vida contrário à Palavra, valores mundanos e paixões carnais. Quando coloco Jesus no trono do meu
coração estas coisas vão sendo diminuídas e transformadas pelo poder de Deus.
A integridade também é fruto da busca incessante para agradar a Deus e não a homens. É como se estivés-
semos num teatro onde a nossa vida é o espetáculo. Quem é a sua platéia? Se forem os homens, você não se es-
forçará muito para alcançar os valores de santidade e integridade. Os homens nunca exigem muito e sempre
abrem concessões para que se possa pecar e ficar mais à vontade. Mas se a sua platéia for o Senhor, você lutará
para apresentar um espetáculo digno daquele que assiste.
Quem é a sua platéia? Nem sempre existe um pastor por perto, não podemos estar sempre rodeados pelos
irmãos. Como agimos quando “ninguém” está olhando? Quando estamos em nosso quarto, no computador, no
trabalho, de férias em um local que ninguém nos conhece como agimos? Tudo dependerá de quem for a sua pla-
téia.

Reflita sobre isso...

1. O que você compreende sobre integridade?


2. Quais áreas de sua vida existem mais dificuldades para ser íntegro?
3. Por que é tão difícil ser íntegro?
4. Quem é sua platéia?

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Capítulo 15
O Cristão e o Mundo

Leitura: 1 João 2:15-17

O Senhor Jesus em Sua oração de João 17 intercede ao Pai pelos discípulos. No versículo 15 lemos: “Não pe-
ço que os tire do mundo, e sim que os guarde do mal”. Não era intenção do Senhor Jesus criar um povo que vives-
se isolado e distante das pessoas, que não mantivéssemos relacionamentos ou não convivêssemos na sociedade,
ao contrário, seu desejo era que continuássemos vivendo neste mundo por um propósito específico.
Este é o assunto do estudo esta semana. Nosso objetivo é esclarecer-lhe sobre como relacionar-se com os
que não entregaram sua vida para o Senhor. Como conviver? Como manter relacionamentos saudáveis e constru-
tivos? Como manter-se ligado às pessoas sem envolver-se nos valores contrários a Palavra de Deus?

Valores do Mundo x Valores do Reino

Como você percebeu na leitura inicial, não devemos amar o mundo nem o que há nele. Mas o que isso signi-
fica? Será que Ele quer dizer que devemos desprezar as pessoas que não são Suas? Sabendo quem É nosso Deus,
temos certeza de que não é isto que Ele quis dizer.
O que não devemos amar no mundo são os seus valores, regras de conduta que vão contra a Palavra, aquilo
que a cultura diz que é certo e a Bíblia condena. A isto não devemos amar, mas as pessoas sim, com um amor de
Deus. 1 João 5:19 diz: “Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno”. Por isso não devemos
amar o mundo, porque ele está nas mãos do nosso inimigo. Quando falamos sobre batalha espiritual aprendemos
que devemos lutar contra o diabo, mas para as pessoas devemos levar paz, e é exatamente isto que cada crente
deve fazer, desprezando todo o sistema de valores do mundo, pregar a palavra da salvação dos que estão perdi-
dos.
Quando nos convertemos, trazemos muitos desses valores conosco, e a transformação para os valores do
Reino é gradual, envolvendo muita abdicação e sacrifício. Nossa vida vai se transformando à medida que nossos
valores vão mudando.

Quadro dos valores

Veja esta pequena lista comparativa entre os valores do Mundo e os valores do Reino de Deus.

Tema Valor do Mundo Valor do Reino de Deus


Família A família tem sido desfeita pelo mundo. Não existe É essencial vivê-la em santidade e compromisso. Homem e
mais compromisso nem santidade. mulher têm papéis definidos.
Sexo Vale tudo pelo prazer, mesmo antes do casamento. Uma bênção de Deus para aqueles que são casados.

Dinheiro Vale tudo para consegui-lo. É importante quando podemos compartilhar com os outros.

Relacionamento As pessoas estão cada vez mais isoladas e egoístas. Essenciais no Reino. Devemos nos preocupar uns com os
Amor só por si mesmo. outros. Amor ao próximo.

Deus Cada um tem o seu. Religião não se discute. Viva e Só há um Deus verdadeiro. Alcançar as pessoas com a men-
deixe viver. sagem da salvação.

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O princípio da transformação da mente

Estes valores não são transformados automaticamente quando somos convertidos, mas os trazemos para
dentro da vida do Reino de Deus. Daí os conflitos que surgem quando eles se chocam com a Palavra. Entretanto,
devemos ter em nosso coração a motivação e disposição para mudarmos quando nos depararmos com algo que
pensamos, uma idéia, um valor, uma forma de agir, uma perspectiva de vida, sonhos e desejos que vão contra a
vontade do Senhor expressa na Bíblia. Para vivermos neste mundo mantendo a nossa integridade de cristão, pre-
cisamos ter uma mente renovada pela Palavra, transformada e adaptada aos valores do Reino para o qual fomos
conquistados por Cristo. Caso isto não ocorra, seremos contaminados por valores pecaminosos.
É o princípio da transformação da mente em Romanos 12:2: “E não vos conformeis com este século, mas
transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita
vontade de Deus”.
Não se conformar com este século é não permitir que nossa mente se adeque aos valores mundanos e aqui-
lo que o mundo diz que é correto e Deus diz ser errado. Como crentes, devemos sempre tomar uma posição ao
lado de Cristo, custe o que custar. Pode até ser mais cômoda esta adequação ao mundanismo, mas agir assim é
pecado e contaminação da mente. Muitos cristãos entram em crise espiritual porque não abriram mão de seus
velhos valores, hábitos pecaminosos e da forma mundana de pensar.
Não devemos nos conformar com este século, mas permitir que Deus opere uma transformação de vida a
partir da nossa mente. Vamos pensar em alguns exemplos: Como o mundo vê o sofrimento? Como algo a ser evi-
tado. Mas para o crente o sofrimento aprimora a fé, e por isso não devemos fugir das lutas. Como o incrédulo vê
as pessoas? Ele as valoriza pelo que podem oferecer e pela aparência. Os cristãos devem olhar para o coração e
não para a aparência; não devem fazer distinção ente o pobre e o rico, mas tratar a todos com igual importância e
amor. Permita que a Palavra de Deus transforme sua mente, renove o seu entendimento e mude seus valores,
pois só assim você conseguirá viver neste mundo influenciando, sem ser negativamente influenciado.

O princípio do sal e da luz

Em Mateus 5:13-16 o Senhor Jesus nos chama de sal e luz. O sal é para salgar o mundo; a luz é para iluminar
as trevas. De que adianta um sal dentro do saleiro ou uma luz onde já existem muitas luzes? Ao contrário, o Se-
nhor mostra com esta comparação a nossa importância neste mundo.
Aprendemos com isto que devemos ter uma vida impactante para aqueles que não conhecem ao Senhor e
que precisam ouvir as boas novas da salvação. Isto nós faremos mostrando uma vida diferente com qualidade e
compromisso. No mundo existe ódio, inveja, amargura, egoísmo, mas como sal e luz devemos mostrar algo com-
pletamente contrário: paz, amor, comunhão, perdão, reconciliação, esperança... Apresentar em nossas vidas e
relacionamentos o que o Senhor tem proposto para um mundo que não O conhece.
Agir assim é fazer o que nos manda o Senhor. É viver a vida de Jesus em nós, agir como Ele agiu, fazer o que
Ele fez, amar como Ele amou, perdoar como Ele perdoou, agir com misericórdia para com os perseguidos, injusti-
çados e doentes – tanto espirituais como físicos.
O mundo só crerá em nossa pregação quando ver o quanto ele nos transformou e moldou. Isto é ser sal e
luz. Certa vez, perguntaram ao indiano Gandhi se ele acreditava em Jesus. Ele responde: “Creio no Cristo, mas não
no vosso cristianismo”. Os cristãos de sua época não davam testemunho, o que tirava a credibilidade do evagelho.
Antes de pregarmos com nossas palavras, devemos pregar com a nossa vida, apresentando a Jesus de forma
concreta por meio de nossas ações e comportamento. Existem convertidos que pregam a Palavra, mas são egoís-
tas, avarentos, invejosos, rancorosos e irresponsáveis. Não mostram na vida prática nenhuma transformação ope-
rada por Jesus. Se quisermos alcançar as pessoas sem Cristo, precisamos viver e praticar tudo que Ele ensinou.

O princípio da firme decisão

Somos atacados em nossos valores do Reino a todo o momento. Programas de televisão, outdoors, revistas,
livros, professores, amigos, internet e até familiares. São muitas as tentações e oportunidades para pecarmos. O
que fazer? Como agir? Como manter-se puro em meio a tanta sujeira que vemos e ouvimos? É possível ser santo?

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Não só é possível como necessário! Santo é aquele que é separado para o serviço de Deus em vida – e não
depois de morto, como ensinam algumas religiões. Veja o que o profeta Daniel aprendeu quando foi duramente
provado em sua fé. Daniel 1:8 diz: “Resolveu Daniel, firmemente, não se contaminar com as finas iguarias do rei,
nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar”.
O crente deve tomar uma decisão firme de não se contaminar. É preciso ter coragem para não aceitar aqui-
lo que é pecaminoso ou impuro. Você pode até passar por situações humilhantes no trabalho, escola, família e
amigos, mas toda a perseguição não pode fazer você voltar atrás da decisão de não se contaminar. Foi isto que o
profeta Daniel fez, pois não queria alimentar-se de alimentos que eram consagrados aos deuses pagãos da Babi-
lônia. É preciso ter coragem para pagar o preço, e, infelizmente, existem crentes que não pagam, mas vendem-se
por medo, timidez ou covardia. Se você quer fazer diferença neste mundo deve decidir viver nele sem se contami-
nar. Não existe outra coisa a fazer.

Guerra e paz

Cristãos não devem ter inimigos a não ser o Diabo e seus anjos. Os outros podem nos ver como inimigos,
mas nós não devemos tratá-los assim, ao contrário, o Senhor Jesus deixou bem claro sobre qual a forma de tratar
essas pessoas: “Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao per-
verso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; e, ao que quer demandar contigo e
tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem
te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes. Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e
odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos
torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e
injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o
mesmo? E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo?
Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mateus 5:38-48).
Como agir com o incrédulo? De acordo com o que é dito acima! Não devemos pagar o mal com o mal, mas
praticar sempre o bem. Se formos feridos, não devemos revidar. Devemos ser pacientes, amorosos, perdoadores,
simpático com todos, justos e santos como o nosso Deus é santo. Para o Diabo devemos levar a espada, mas para
as pessoas devemos levar a Palavra da salvação. Devemos desejar que eles se tornem nossos irmãos em Cristo. E
além do mais, que recompensa temos em amar os que nos amam? Em sermos simpáticos com aqueles que nos
tratam bem? Não existe nada de sobrenatural nisso. O pior dos homens tem capacidade de agir assim, mas de-
monstramos que somos filhos de Deus quando amamos a todos, indistintamente.

Influenciar sem ser influenciado

Jesus colocou você neste mundo para testemunhar e impactar esta sociedade com o amor do Pai. Influencie
as pessoas a desejarem os valores de Deus, a vida eterna, servir ao Senhor, mas não permita que você mesmo
deseje aquilo que é desaprovado pela Palavra.
O crente tem essa capacidade, pois a luz é o único elemento que passa pelo mais impuro dos ambientes e
mesmo assim permanece pura. Você precisará ser moldado pela renovação da mente e tomar uma firme decisão
de não se contaminar. Seja uma grande testemunha do amor de Deus, vivendo-O em sua vida diária de santidade
e compromisso com a Palavra. Muitos conhecerão a Jesus pela maneira como você apresenta nas atitudes e nas
palavras a mensagem da salvação. Este é o seu propósito de vida.

Reflita sobre isso...

1. Você consegue identificar em sua vida, hoje, valores mundanos? Quais seriam?
2. Como tem sido viver, na prática, o evangelho de Cristo?
3. Você tem tido experiências de perseguição ou humilhação por parte de incrédulo? Como você deve agir nestas
situações?
4. Quais decisões de não-contaminação você precisa tomar hoje?

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Capítulo 16
Testemunhar para fazer Discípulos

Leitura: Mateus 28:19

Até agora vimos como devemos nos relacionar com as pessoas que não são cristãs. Vimos que não devemos
odiar as pessoas, mesmo aquelas que nos perseguem, falam e tramam o mal contra nós, pois estão cegas pelo
Diabo e necessitam de salvação. Também não devemos nos envolver pelos valores pecaminosos que o mundo
apresenta, mas manter nossa integridade.
Nesta semana falaremos sobre duas responsabilidades que o Senhor Jesus colocou sobre nós: sermos tes-
temunhas e fazermos discípulos. Procuraremos responder à questão da seguinte forma: Por que fomos escolhidos
e salvos por Deus? Como podemos cumprir o propósito do Senhor em nossas vidas? E as respostas a estas per-
guntas são partes essenciais para este estudo.

O propósito de vida do cristão

Não merecemos a salvação. Nunca fizemos nada que melhorasse a nossa situação diante de Deus, ao con-
trário, fizemos muito para desmerecer a Sua graça. Paulo, em Efésios 2:1-3, define assim situação do homem sem
Jesus:
- Mortos em delitos e pecados, separados de Deus;
- Escravizados pelo diabo;
- Escravizados pelos desejos pecaminosos;
- Inimigos de Deus.
Diante desta terrível situação, ainda podemos acrescentar o que o Senhor Jesus fala sobre o coração huma-
no: mau, homicida, adúltero, promíscuo, desonesto, mentiroso e blasfemo (Mateus 15:19). O profeta Jeremias diz
que “o nosso coração é mais enganoso do que todas as coisas e DESESPERADAMENTE corrupto” (Jeremias 17:9). E
como se não bastasse, o Salmo 53:3 diz que não existe ninguém que faça o bem. O apóstolo Paulo apresenta a
situação do homem sem Cristo em Romanos 3:10-18: “como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há
quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o
bem, não há nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora
está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar
sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus
diante de seus olhos”.
Ninguém é capaz de, por si mesmo, escolher ao Senhor, desejar estar com Ele, pois está completamente
morta no pecado e tomada pela carnalidade do seu coração. O homem nunca pode e nunca poderá fazer o que é
preciso para conquistar por si mesmo a salvação. Ele não só não quer, como não tem as condições para isso. Pre-
cisamos encarar a situação miserável do pecador diante de Deus, condenado ao inferno eternamente.

O “mas” de Deus

Diante de toda esta situação parecia que nada havia a fazer a não esperar chegar a hora de irmos para o in-
ferno. Surge então, em Efésios 2:4, o “mas” de Deus. Salvação é uma escolha do Senhor, uma iniciativa dEle. Tudo
que é necessário para o perdão dos nossos pecados foi providenciado pelo Pai através de Seu Filho Jesus Cristo
sem qualquer iniciativa humana. O homem nunca pediu salvação, nunca implorou para não ser condenado ao
inferno e, muito menos ainda, nunca amou a Deus como deveria. Então Ele, por amor, decide sacrificar o Seu Filho
Jesus por nós.
Devemos agradecer por esse “mas”, uma conjunção adversativa de três letras que mudou completamente a
nossa história e o curso de nossas vidas. Graças a Deus por Seu amor infinito, que tornou possível a nossa salva-

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ção. Não fizemos nada para merecê-la, não O escolhemos e, mesmo antes de O amarmos, Ele nos amou primeiro
(1 João 4:19). Isto deve produzir em nosso coração uma vida de entrega total, confiança e gratidão. Tudo devemos
a Ele, e por Ele devemos viver e até morrer.

Para que Deus escolheu você?

Deus o escolheu com um propósito. A igreja é o Corpo de Cristo, lugar dos santos, mas nem por isso um clu-
be. Encontramo-nos num campo de batalha, e aqui se encaixa o propósito de Deus para a sua vida.
Primeiramente, Deus nos escolheu para a santidade, isto é, sermos parecidos a Ele. Leia Efésios 1:4 e 2 Tes-
salonicenses 2:13. Isto é o que Deus espera de nós: a santidade e a integridade. Viver nos padrões do mundo ou
na mediocridade espiritual é fugir do propósito de Deus para a sua vida. Em razão deste grande princípio moral e
espiritual da santidade giram todos os outros propósitos. Estar sem santidade desqualifica qualquer pessoa para
exercer qualquer ministério que seja (louvor, dança, ação social, liderança, diaconia, etc), por isso, e acima de
tudo, devemos viver em santidade.
Deus também lhe escolheu para ser um filho dEle. Leia Efésios 1:5. Ele nos adotou através de Cristo. Ser fi-
lho implica ter uma vida diferente, apresentando quem é nosso Pai e O honrando com nossas atitudes. Pelo fato
de sermos filhos, somos herdeiros, estando destinados a receber a salvação como nossa herança. Como filhos
amados, devemos adorar ao nosso Deus por ter operado tão grande obra em nossas vidas.
E por último, fomos escolhidos para mostrar a graça de Deus. E aqui é que centralizaremos nosso estudo es-
ta semana. Fomos escolhidos para testemunhar sobre o amor salvador de Cristo. Leia Efésios 2:4-7. Nosso propó-
sito de vida é apresentar quem é Deus para as pessoas que não O conhecem. Mostrar com a nossa própria vida,
com a forma que vivenciamos o Seu amor e como amamos uns aos outros, e só então falarmos sobre Ele. Neste
propósito reside a importância de sermos testemunhas e fazedores de discípulos.
Para cumpri-lo você precisa santificar-se, deve ter atitudes de filho e mostrar para todas as pessoas o quan-
to o Seu Pai é amoroso, rico em graça e misericordioso.

Sendo testemunhas

Somo testemunhas porque vivemos para o Senhor, nos sacrificando por Ele dia-a-dia. Quem não está dis-
posto a viver inteiramente para Jesus não pode ser um discípulo. Muitos dizem que estão dispostos a isso, mas
suas vidas não condizem com esta afirmação. São desonestos, maldizentes, mentirosos, maus maridos e pais,
mães relapsas, jovens irresponsáveis, crianças rebeldes, etc. Quem está disposto a viver por Jesus busca uma vida
consagrada a Ele.
A palavra “testemunha” também nos chama a atenção para a idéia do tribunal. É ele que narra no tribunal
os fatos dos quais foi testemunha. Os incrédulos não têm conhecimento da verdade, não são iluminados e preci-
sam aprender conosco sobre quem é esse homem que chamamos de Salvador. De que adianta falar sobre amor
se não o demonstramos na prática? Como mostrar que Jesus tem misericórdia se não perdoamos os que pecam
contra nós? Como conhecerão a vida na igreja se formos relapsos e irresponsáveis com ela? Fique atento, pois o
mundo presta mais atenção à sua vida do que às suas palavras.
Para cumprir o mandamento do Senhor Jesus de fazer discípulos, precisa aprender a ser uma testemunha
dEle, apresentando quem Ele é e o que Ele pode fazer, e isto com a sua vida.

Sendo discípulos

Já falamos sobre este assunto em nosso primeiro capítulo. Você conseguiria lembrar as 3 atitudes necessá-
rias para sermos discípulos de Jesus em Lucas 9:23? Anote-as embaixo, e, se desejar, releia o capítulo 1 deste ma-
nual.

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Qualquer pessoa, para ser um discípulo de Jesus, precisa passar ter as 3 atitudes acima. Não fazemos as re-
gras do discipulado, mas sim aquele que nos discipula – o nosso Mestre Jesus. Não podemos dizer a Ele o que
deve ou não fazer, mas confiar em Sua sabedoria e amor, que nos levará ao crescimento na fé, ao conhecimento
cada vez mais profundo da Palavra e a ficarmos cheios do Espírito Santo. Esta é a vida do discípulo: seguir ao Mes-
tre 24 horas por dia para aprender sobre e com Ele.

Desenvolvendo relacionamentos

Talvez este seja o momento em que você comece a se questionar sobre como aproximar-se de um incrédu-
lo. A maneira mais eficaz de levar as pessoas ao Senhor é mostrá-lO através de sua vida.
Quanto mais pessoas você conhecer, maior será a probabilidade de fazer discípulos. Alguns cristãos não têm
tempo para se relacionar com novas pessoas e criar vínculos, e mesmo os quem já existem não têm investimento
de tempo para apresentar a Jesus. Isto é algo sério, mas que precisa ser vencido.
Comece com seus familiares. Visitas regulares são importantes, convites para assistir a uma celebração ou
encontro de célula podem ser eficazes. Esteja presente de forma a testemunhar a verdade. Quando algum familiar
estiver doente ou passando por problemas, mostre-lhe o amor de Deus orando e compartilhando da Palavra. Pro-
cure envolver outros cristãos com seus amigos e familiares não-cristãos nas oportunidades que surgirem, como
eventos, encontros, aniversários e datas comemorativas.

Não abra mão da sua santidade

Para ser simpático não é preciso ser carnal ou abrir mão de seus princípios. Não faça isso, pois o que você
receberá serão apenas críticas. Pode até parecer que ao fazermos aquilo que os não-crentes fazem somos simpá-
ticos e aceitos, mas ao contrário, somos alvo de gozação e ridicularização.
Conquiste o respeito de seus amigos pela forma como você ama ao Senhor, pela sua integridade, honesti-
dade e confiabilidade. Quando algum deles passar por qualquer problema, procurará aquele que for sábio, dedi-
cado, sincero e fiel. Seja você essa pessoa, demonstrando bom caráter cristão.
Deixe claro os limites! Assuma que é cristão; recuse-se a tomar álcool ou qualquer tipo de droga; não permi-
ta que lhe desrespeitem com certas brincadeiras envolvendo seu caráter ou honestidade; tenha um elevado pa-
drão ético e moral; faça o melhor que puder no seu trabalho, escola, família e até com os vizinhos. As pessoas
respeitam aqueles que sabem quais os seus limites, e isto não quer dizer deixar de ser simpático.

Apresentando a Palavra

Depois de criar vínculos é necessário apresentar o plano de Deus para a salvação do homem por meio das
palavras. Para isso, você deve estar inteirado dos versículos necessários para esclarecer o que a Bíblia fala sobre o
assunto. Isto deve ser feito pelo seu estudo bíblico diário, mediante anotações dos versículos essenciais para o
evangelismo. Quando surgir a oportunidade de participar de um treinamento sobre evangelismo não perca a
oportunidade, pois lhe serão dadas ferramentas para compartilhar o evangelho com os incrédulos.
Lembre-se que, apesar de ser um instrumento, a conversão não depende de você. Quem converte é o Espí-
rito Santo, e isto pode acontecer em pouco ou em muito tempo. Alguns se convertem no primeiro dia, enquanto
outros aceitarão após vários anos. Outros, ainda, nunca se converterão. A nossa alegria, em verdade, deve ser por
aqueles que são aceitos por Deus, são convertidos e transformados pelo Senhor.

A importância da oração

Não poderíamos falar sobre evangelismo sem tocar no assunto da oração, pois por ela lutamos espiritual-
mente pelas vidas cativas pelo Diabo. Iniciar o processo de evangelismo sem oração pode se tornar complicado,
pois forças humanas e sobrenaturais estão envolvidas nele.
Apresente na célula o nome das pessoas que tem evangelizado a fim de o acompanharem em oração. Pro-
cure ser específico sobre os problemas pelos quais seus irmãos devem orar: vícios, ligação com seitas, problemas

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familiares, traumas, situação financeira difícil, se ele é um perseguidor seu, ou qualquer outro problema do qual
ele necessite de libertação. A oração é um fator decisivo para que você tenha liberdade de pregar para a pessoa.
Ore sempre: quando for fazer uma visita, quando for convidar para a célula, quando quiser levá-la para algum
encontro ou programação da igreja, para participar de uma festa ou almoço em sua casa, etc. Ore com sua família
sobre isso, interceda e creia no milagre de Deus.

Fazendo discípulos

Fazer discípulos não é apenas levar alguém a fazer parte de uma igreja. Quando a pessoa entregar a vida pa-
ra o Senhor, ela precisará receber discipulado e pode ser que você se torna o discipulador dela. Respeitando sem-
pre: homem discipula homem, mulher discipula mulher, para evitar quaisquer problemas ou tentações.
Assim como você tem sido acompanhado ao fazer este e outros manuais, você será preparado para discipu-
lar outras pessoas que serão levadas a Jesus por intermédio do seu testemunho. Prepare-se, pois a vida de disci-
pulador é maravilhosa e tem grandes recompensas diante de Deus, na eternidade.

Reflita sobre isso...

1. O que você entende por ser o “testemunho” um propósito de Deus para a sua vida?
2. Como você poderia levar alguém até Jesus?
3. Quais estratégias você poderia utilizar para evangelizar alguém?
4. Faça uma lista das pessoas que você quer levar para Jesus. Ao terminar, ore por elas.

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Capítulo 17
O Discípulo e o Dinheiro

Leitura: Mateus 6:24

Os bens materiais nos trazem muita preocupação, apesar de não levarmos nenhum deles para a eternidade.
Outros amam tanto ao dinheiro e aos bens que são escravizados pelo conforto e pelo consumismo.
Precisamos pensar sobre a postura do discípulo em relação aos bens materiais. O dinheiro não é mal por si
mesmo. É um objeto sem vida, mas que exerce um grande poder sobre as pessoas. Existem pessoas fazem loucu-
ras por causa dele, mesmo que para isso percam amigos, família e até a própria vida.
Nesta semana aprenderemos sobre o significado do dinheiro para o discípulo de Jesus. Como utilizá-lo? Es-
tamos escravizados por ele? Somos avarentos ou generosos? Estas e outras perguntas responderemos em nosso
estudo desta semana. Procure rever seus conceitos sobre os bens materiais à luz da Palavra de Deus.

Dinheiro: uma bênção ou uma maldição

Em Mateus 19:16-22 lemos a história de um jovem rico que se aproxima de Jesus com o intuito de saber
como poderia ser salvo. O Senhor lhe responde que deveria obedecer aos mandamentos. O jovem contra argu-
menta dizendo que obedecia a todos desde a infância. Jesus lhe diz, então, que deveria vender tudo o que tinha e
dar aos pobres. O jovem saiu triste porque era rico e não queria ver-se livre de seus bens.
Se você ler esta comovente história perceberá melhor o que falamos. Qual o problema do jovem rico? Ele
não seguia todos os mandamentos desde a sua infância? Não! Ele não obedecia ao maior mandamento que é
amar a Deus sobre todas as coisas. Seus bens materiais eram o alvo do seu maior amor, e isto lhe impedia de en-
tender a proposta de Jesus para a salvação.
Muitos são escravos do dinheiro e não sabem. Acreditam cumprir os mandamentos, serem salvos e since-
ros, mas estão completamente enganados. Deixam-se dominar pelo desejo de ter, investem todo tempo no traba-
lho, esforçam-se demais naquilo que traz lucro financeiro, mas são incapazes de dedicarem-se com qualidade
àquilo que diz respeito à Igreja, família ou amigos. Na verdade, a máxima dele é: Tempo é dinheiro!
Quando temos uma vida completamente insatisfeita e infeliz por causa daquilo que ganhamos – mesmo que
seja razoável – é sinal de que o dinheiro é uma maldição e está impedindo o nosso crescimento. A questão é tão
séria que o Senhor Jesus disse ser impossível para um homem dominado pelo amor as riquezas entrar no céu, pois
o deus dele é o dinheiro. Dificilmente encontramos alguém que reconhece sua ganância e avareza. Isto é uma
pena, pois muitos são e não sabem. Da mesma forma que o dinheiro trás segurança financeira, tem a capacidade
de cegar o nosso entendimento.

Uma avaliação bíblica do dinheiro

Como falamos, o dinheiro não é em si uma maldição. Para que ele se torne algo maldito é preciso colocar
nele sua esperança, amor e segurança. Pode ser uma bênção, desde que siga alguns princípios importantes:
1. Princípio do uso: Devemos amar as pessoas e usar as coisas. O dinheiro é útil na medida em que supre
necessidades. É uma bênção poder usar o dinheiro sem ser usado por ele. Você tem dinheiro, ou é o dinheiro que
lhe tem? Pessoas são mais importantes do que os bens materiais, por isso devem ser amadas. Se o dinheiro ultra-
passa a função de uso começa a ser uma maldição.
2. Princípio do controle: Você é capaz de controlar seus gastos e viver com o que tem? Gastar mais do que
recebe ou não ter controle é sinal de que não sabe lidar com o dinheiro. Controlar gastos, comprando o que é
necessário e evitando o desperdício é sinal de uma pessoa que sabe colocar o dinheiro no lugar certo.
3. Princípio da oferta (ou mordomia): Você não gasta por quê? Somente para economizar e aumentar sua
conta bancária? Utilizar o que tem para ajudar aos que passam por dificuldades é a mais clara prova de que você

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domina seu dinheiro, e não o contrário. Deixar de comprar o que é desnecessário para ajudar alguém é não só
uma prova de que o dinheiro ocupa o lugar certo em sua vida, mas que você realmente ama seus irmãos em Cris-
to (Efésios 4:8).
4. Princípio da satisfação: Qual o nível da sua satisfação com seus bens materiais? Não estamos dizendo que
não deva por um salário melhor, mas que deve estar alegre pelo sustento de Deus. A ganância, aquele pecado que
acomete o insatisfeito, esta mais presente em nossas vidas do que realmente gostamos de assumir.
A Bíblia ainda nos afirma que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (1 Timóteo 6:10). Sobre isto nós
temos falado desde o início. O dinheiro pode comprar médicos e medicamentos, pode adquirir conforto, com
dinheiro evitamos problemas, compramos coisas e realizamos sonhos. Que tentação não é esquecer-se de Deus e
voltar nosso coração para o enriquecimento! Mas relembre o que é dito em Mateus 6:24.
Em Efésios 4:28 lemos que o propósito de trabalharmos e ganharmos dinheiro é para ajudar aos necessita-
dos, principalmente os irmãos na fé. A falta desta liberdade é um claro sinal de sua escravidão aos bens materiais,
e pode ser muito difícil para você entrar no Reino dos Céus.
Quais riquezas devemos buscar? As eternas. É isto o que diz Mateus 6:19-20 e outros textos: Romanos
15:13 – Ricos de esperança; 1 Timóteo 6:18 – Ricos em boas obras, generosidade e no repartir; Tiago 2:5 – Ricos
na fé; 1 Coríntios 1:5 – Ricos na Palavra e no conhecimento. Nestas coisas devemos desejar ser cada vez mais ri-
cos.

Contribuição para a Igreja

Outro ponto importante é a questão das ofertas. Vemos na televisão o mau exemplo de igrejas que exigem
de seus membros uma remuneração obrigatória para conceder bênçãos. Não podemos comprar nada de Deus, e
Ele não precisa – nem um pouco que seja – do nosso dinheiro. O Senhor não cobra por suas bênçãos, pois são de
graça.
Quem precisa de dinheiro são as pessoas: pastores, missionários, funcionários da igreja, irmãos em dificul-
dade, ministérios e estrutura organizacional. Para isso o dinheiro é necessário. Contribuímos para que os pastores
possam dar tempo integral ao ministério e dedicar-se com mais liberdade ao ensino na igreja. Para que os missio-
nários possam continuar exercendo suas funções, como cuidar de igrejas e fazer discípulos. Existem irmãos que
trabalham para a instituição da igreja, como os secretários, e eles precisam receber o seu sustento. Irmãos preci-
sam de cestas básicas, medicamentos e ajuda financeira. Isto sem falar de gastos com impostos, contas de telefo-
ne, luz e água. Enfim, precisamos das contribuições fiéis de todos os irmãos para mantermos as atividades em
funcionamento.
Fazemos isto porque o Senhor ordenou: “Os que pregam o evangelho, que vivam do evangelho” (1 Coríntios
9:14). Isto com respeito aos pastores e missionários. Quanto melhor for a remuneração deles, maior liberdade
terão para comprar livros para estudo, adquirir meios para realizar seus trabalhos, cuidar da saúde e da família,
dedicar-se à oração e meditação da Palavra.
Ao contribuirmos a Igreja tem um grande ganho espiritual com pastores preparados e capacitados. Estes
homens podem participar de encontros e seminários destinados à capacitação, reciclagem e aprimoramento do
ministério. Quando a igreja investe em seus pastores, está investindo em si mesma e em seu crescimento.
Existem pastores de tempo integral, que se dedicam inteiramente à obra ministerial, não trabalhando em
outros lugares e dependendo exclusivamente da igreja. Há os que não têm tempo integral e trabalham fora, rece-
bendo seu sustento em parte da igreja e do trabalho ou somente do trabalho. Existem vantagens de um pastor
dedicar-se exclusivamente a obra, mas não há impedimento bíblico algum para exercer seu ministério ativamente
e ter outro trabalho. Isto pode acontecer, inclusive, por necessidade.

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Por que deixamos de contribuir?

Existem alguns problemas que comprometem a nossa capacidade de ofertar. Veja alguns.
O problema mais citado é a falta de dinheiro. Isto pode ocorrer por vários motivos, e o primeiro deles é a
falta de emprego. A Bíblia é bem clara de que devemos dar do que temos (2 Coríntios 8:12) e não do que não te-
mos. Um engano é pensar que só devemos contribuir se estivermos empregados. A contribuição deve ser feita
baseada em qualquer forma de rendimento: mesada, pensão e não somente o salário. Então, o irmão pode estar
desempregado mas ter uma fonte de renda, e dela deve ofertar. Mas outro problema com relação à falta de di-
nheiro é a má aplicação. Não utilizar o dinheiro com sabedoria é pecado. Fazer dívidas que não tem condições de
pagar, comprar coisas supérfluas ou por pura ostentação leva à avareza e vaidade. Sabendo utilizar o que ganha
sempre terá para ofertar ao Senhor, sem problemas. E, por fim, alguns podem não estar vendo a contribuição
como prioridade, deixando para separá-la no final das contas e, muitas vezes, falta dinheiro. Quem entende a
contribuição como uma prioridade não separa a oferta por último, mas o faz antes de tudo.
Há também falta de amor. O fato da Bíblia declarar que devemos contribuir não segundo os nossos ganhos,
mas segundo o nosso coração (2 Coríntios 9:7), indica que, contribuir mal ou deixar de contribuir, não é uma ques-
tão de falta de dinheiro, mas de falta de amor.
Lembre-se que nós amamos a Deus ou as riquezas. Dar com tristeza é amor ao dinheiro, dar com alegria é
amor ao Senhor. Além do mais, isto demonstra a falta de cuidado com os pastores, missionários e demais irmãos
que dependem de ajuda. Se realmente entendemos que o pastor exerce a mais excelente das obras (1 Timóteo
3:1), saberemos cuidar deles à altura deste encargo. Então, antes de colocar a mão no bolso para ofertar, coloque
a mão no coração para amar.
Por fim, alguns podem não contribuir por castigo. Quando algo acontece na igreja e não concordamos, po-
demos deixar de ofertar para pressionar o pastor. Isto é algo desumano. Conheci um pastor que tinha mulher e 3
filhos. Desejoso por ver sua igreja crescer, iniciou algumas mudanças na forma litúrgica do culto. Resultado: os
irmãos retiveram o dízimo para que o pastor voltasse atrás. As conseqüências são imaginadas: toda a família co-
meçou a passar fome. Infelizmente aquele pastor não suportou e abandonou o ministério. Por mais que seja difícil
acreditar que um cristão possa ser tão maldoso e diabólico, isto acontece com certa freqüência e alguns até
acham que é natural. Se existe um problema e uma discordância, esta não é a forma de resolver o problema.

Princípios para a contribuição

Em 2 Coríntios 9 vemos um grande exemplo de contribuição na Bíblia. Acompanhe o estudo.


Paulo levantava uma oferta na região da Macedônia para os irmãos de Jerusalém que passavam por perse-
guições e dificuldades financeiras. As igrejas macedônicas eram muito pobres, mas insistiram em querer contribuir
(2 Coríntios 8:1-4). Paulo diz que esta atitude demonstrou a sinceridade do amor deles por pessoas que eles nun-
ca conheceram (8:8). Esta história mostra que esses irmãos economizaram durante um ano para ofertarem, mes-
mo com a pobreza que eles tinham. A partir daí, no capítulo 9 deste livro, aprendemos 4 princípios que precisam
estar presentes em nossas ofertas:

1. Princípio do zelo (como devo fazer). Os irmãos daquelas igrejas se mostraram fiéis ao compromisso du-
rante todo o ano. Por mais que fosse tentador utilizar o dinheiro separado para outros fins, eles resistiram firme-
mente, afinal, muitas vidas dependiam da fé e fidelidade deles. Nossa contribuição precisa ser tomada de igual
zelo e responsabilidade. Por mais que não seja obrigatória a oferta – pois deve ser algo não por imposição, mas
por amor – devemos ser zelosos nela, pois quando assim fazemos, reconhecemos que Deus é quem nos dá todas
as coisas das quais desfrutamos.

2. Princípio da generosidade (quanto devo ofertar). Nossa oferta deve ser dada de acordo com nossa grati-
dão. A Bíblia nos ensina que devemos ser generosos quando ofertamos e que devemos fazer isto com alegria.
Devemos nos alegrar pela possibilidade de contribuir, e não sentir um peso no coração por estar “jogando dinhei-
ro fora”, pois estamos investindo na igreja, no Reino de Deus.

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3. Princípio da ministração (por que devo fazer). Não devemos considerar apenas a oração e utilização dos
dons espirituais como ministração na vida dos irmãos. Contribuir também é ministrar. Sobre isso nos ensinou Tia-
go: “Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer
dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual
é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta”. A fé tem obras, e uma destas
obras é a contribuição.

4. Princípio da semeadura e da colheita (qual a recompensa). Este texto diz que aquele que semeia pouco,
colhe igualmente pouco. Aquele, entretanto, que semeia muito, irá colher em abundância. Deus ama a quem dá
com alegria (2 Coríntios 9:7). Existe neste texto a promessa de quer o Senhor recompensará cada um que com
amor, alegria, gratidão e liberalidade contribuem com Sua obra. Ele abençoa à medida que o nosso dinheiro rende
mais durante o mês. Não adoecemos, o carro não quebra, conseguimos uma carona para o trabalho, ganhamos
um livro de presente para a escola dos nossos filhos, somos convidados para jantar na casa de amigos e o Senhor
desta forma faz nosso salário aumentar. Você colhe à medida que planta, desde que suas motivações não sejam
de troca, mas de gratidão. O que Deus fará com aquele que com amor e fidelidade contribui com a Sua obra? Dará
mais, para que ele possa ter mais recursos para contribuir.

A prosperidade

O que parece é que a motivação para a contribuição vem pela recompensa que teremos. Damos para rece-
ber mais de Deus. Pensamos não ser isto correto, pois contribuímos pelo que Deus já deu, e não para Ele dar mais.
A nossa motivação essencial não deve ser a do investimento para multiplicar, no mês que vem, os seus ganhos,
mas deve ser a da retribuição, do reconhecimento pelo que Deus já tem dado. Dar esperando algo em troca da
parte de Deus é mesquinho e egoísta, demonstrando o valor que realmente damos ao dinheiro e nisto não se
aplica o princípio da semeadura e da colheita.
Cremos que Deus pode tornar as pessoas prósperas, mas que Ele não se obriga em momento algo a, por
meio de um milagre, enriquecer a quem quer que seja. Além do mais, vemos que a Palavra de Deus fala muito
sobre “trabalho”, e ao que parece muitos crentes querem enriquecer sem fazer força. Deus pode nos tornar prós-
peros, mas por intermédio do trabalho honesto e íntegro.
Devemos lembrar que a prosperidade não é só financeira, mas principalmente espiritual. Crescer a conta
bancária pode significar perder a fé, esquecer-se de Deus e amar mais aos bens do que ao Senhor. Nossa preocu-
pação maior deve ser a mesma de Paulo: “Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente
em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as cir-
cunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo
posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:11-13).
João, escrevendo a Gaio (3 João), diz no versículo 2: “Amado, acima de tudo, faço votos por tua prosperida-
de e saúde, assim como é próspera a tua alma”. Perceba que a prosperidade material futura de Gaio está ligada à
sua prosperidade espiritual presente. Os bens que ele já possui são usados, de acordo com esta epístola, para
cuidar dos pregadores e missionários. A certeza de João é que se Gaio tiver mais bens, irá utilizá-los para ajudar as
pessoas. Eis uma alma próspera que merece prosperidade material.
Seja um crente que ama a contribuição, pois Deus ama a quem dá com alegria!

Reflita sobre isso...

1. Qual a importância que os bens materiais ou o dinheiro ocupa em sua vida?


2. Como você vê a contribuição que os crentes devem fazer?
3. Você tem alguma dificuldade em ofertar? O que o leva a deixar de contribuir?
4. Qual (is) princípio (s) da contribuição já está (ao) presente (s) em sua vida?

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Capítulo 18
A Ressurreição do Senhor Jesus

Leitura: 1 Coríntios 6:14

Jesus ressuscitou! Esta verdade apresentada pela Bíblia é essencial para nossa vida cristã. Jesus precisava
não somente morrer pelos nossos pecados, mas também ressuscitar como tinha sido previsto nas Escrituras.
Os que negam a ressurreição de Cristo o fazem para não admitirem que a alma seja imortal e que para ela
há um destino específico: salvação ou condenação. Tentam obter consolo na idéia de que não existe nada após a
morte, mas que o fim da vida representa o aniquilamento total do indivíduo, o que a Palavra de Deus combate
com veemência.
Nesta semana apresentaremos este assunto tão importante para os cristãos, pois nossa esperança está em
alcançar a eternidade com Cristo, já que Ele ressuscitou. Como vimos no capítulo 12, é essencial para o cristão ter
a certeza da sua salvação e aqui procuraremos fortalecer esta convicção.

A ressurreição estava no plano de Deus

Não era apenas a morte de Cristo que estava incluída no plano de Deus para a Salvação. Jesus sabia que res-
suscitaria (Mateus 16:21) e alertava aos seus discípulos sobre esta promessa. Curiosamente, estas palavras do
Mestre não pareceram claras aos discípulos senão após a Sua ressurreição.
O Senhor Jesus ressuscitara o filho de uma viúva na cidade de Naim (Lucas 7:11-15), a filha de Jairo (Marcos
5:35-42) e seu amigo Lázaro, da cidade de Betânia (João 11).
Algo que devemos aprender sobre a história de Lázaro é que as pessoas acreditam que existe esperança en-
quanto há vida. Como diz aquele ditado: “Só não tem jeito para a morte”. O Senhor destruiu esta idéia mostrando
que Ele tinha domínio sobre a morte, pois Ele é o Senhor da vida.
Referindo-se à ressurreição, o apóstolo Paulo exclama: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó
morte, o teu aguilhão?” (1 Coríntios 15:55). Ele argumenta no versículo anterior que “a morte foi tragada pela
vitória”. Jesus destruiu o poder da morte, pois Ele tem em suas mãos toda a autoridade. O sacrifício de Cristo e
Sua ressurreição trouxeram as boas novas da vida eterna, pois a morte não tem e nunca terá domínio sobre os
cristãos. Isto também estava planejado desde o princípio.

Ressurreição: Verdade ou Mentira?

Não é de hoje que muitos tentam negar a ressurreição de Cristo buscando explicações para o fato do corpo
não ter sido encontrado na sepultura.
Esta foi a preocupação dos sacerdotes e fariseus após a morte e sepultamento de Cristo: “No dia seguinte,
que é o dia depois da preparação, reuniram-se os principais sacerdotes e os fariseus e, dirigindo-se a Pilatos, dis-
seram-lhe: Senhor, lembramo-nos de que aquele embusteiro, enquanto vivia, disse: Depois de três dias ressusci-
tarei. Ordena, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até ao terceiro dia, para não suceder que, vindo
os discípulos, o roubem e depois digam ao povo: Ressuscitou dos mortos; e será o último embuste pior que o pri-
meiro” (Mateus 27:62-64). Eles tinham medo que os discípulos de Jesus roubassem o corpo durante a noite e
mentissem dizendo que Jesus tinha ressuscitado. Pedem, então, uma escolta para o túmulo.
Mesmo com a escolta, o corpo desaparece. Em Mateus 28:11 é dito que os guardas contaram tudo o que
aconteceu: Após um grande terremoto a pedra do túmulo é movida, um anjo aparece e eles ficam como mortos.
Mesmo com o relato das testemunhas oculares, os sacerdotes e fariseus procuram subornar os guardas para dize-
rem que o corpo tinha sido roubado. O problema é que se eles tivessem realmente permitido que o corpo fosse
roubado, deveriam ser mortos por não vigiarem o túmulo. Alguns tentam negar a ressurreição:

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1. A teoria da conspiração: Jesus e seus discípulos planejaram uma conspiração para enganar o mundo. Esta
teoria é encontrada na própria Bíblia, quando os líderes judeus subornaram os guardas para que dissessem que os
discípulos roubaram o corpo de Jesus enquanto dormiam. Perceba que em momento algum é permitido a alguém
testemunhar sobre algo que aconteceu enquanto dormia. Além disso, qualquer soldado romano que dormisse
estando de guarda seria punido com a morte. Levanta-se a questão: Se a desculpa usada tivesse sido a de que
durante a noite, enquanto os soldados dormiam, os discípulos vieram e roubaram o corpo, levantamos duas ques-
tões. A primeira é: “Como eles sabiam que tinham sido os discípulos já que estavam dormindo?”. E a segunda é:
“Se os soldados estavam acordados, porque deixaram que eles levassem o corpo?”. Se realmente não houve res-
surreição, seria muito fácil acabar com o embuste apresentando o corpo morto de Jesus, o que os fariseus, sacer-
dotes e romanos não puderam fazer. Considere que as pessoas são capazes de morrer por aquilo que acreditam
ser verdade – mesmo que não o seja – mas jamais morreriam por aquilo que sabem ser mentira. A história da
Igreja está repleta de personagens que morreram acreditando na ressurreição de Cristo. Estevão foi apedrejado;
Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, e muitos outros exemplos. E o que dizer, ainda, das mais de 500 tes-
temunhas que viram Jesus após a ressurreição? A teoria seguinte tenta explicar isto.

2. A teoria do desmaio: Alguns tentam explicar que Jesus não morreu, mas desmaiou durante a crucificação.
Três dias depois ele acordou e foi embora. Devemos notar que Jesus teve a morte atestada (Marcos 15:42-46).
Um centurião acostumado a ver pessoas morrerem constata o falecimento. Em João 19:31-34 é dito que sai san-
gue misturado com água quando Jesus é transpassado por uma lança, sinal de que Ele realmente tinha morrido.
Jesus passa, ainda, por um longo processo de embalsamamento que utilizava cerca de 45 quilos de especiais e
envolvia todo o corpo, inclusive a cabeça (Lucas 24:1-3), e nos perguntamos: Como os discípulos não sentiram o
coração de Jesus batendo e seu movimento de respiração? Isto é um completo absurdo. Jesus é sepultado como
todo morto (Mateus 27:60). Devemos pensar ainda: Como Jesus, após ter sido cruelmente flagelado, espancado,
carregado enorme peso, passado pela agonia asfixiante da cruz, derramado todo o seu sangue, passado três dias
enrolado em faixas que lhe impediam de respirar, sem comer ou beber água e ainda mover a pedra que estava na
entrada da sepultura? Como Ele, após ter feito tudo isto, teve forças para vencer uma guarda romana armada e
caminhar 22 quilômetros até a cidade de Emaús? Isto é mais impossível que o próprio milagre da ressurreição.

3. A teoria da visão: As aparições de Jesus aos discípulos não passavam de alucinações dada a grande expec-
tativa que tinham da ressurreição. Esta teoria também não é verdadeira. Em Lc 24:36-43 Jesus repreende seus
discípulos quanto à incredulidade que tinham na ressurreição. Em Mc 16:1 as mulheres estão se dirigindo ao tú-
mulo para ungir Jesus morto. Maria chora ao pensar que haviam roubado o corpo de Jesus (Jo 20:11-14). Ao ve-
rem Jesus, os discípulos pensam tratar-se de um fantasma (Lc 24:36-43). Diante do relato de Maria Madalena
acerca de ter visto Jesus ressurreto, os discípulos manifestam grande incredulidade (Mc 16:9-13). Vemos que não
existia nenhuma expectativa por parte dos discípulos acerca da ressurreição de Jesus. Acabar com esta alucinação
seria muito fácil. Bastava aos líderes dos judeus apresentarem o corpo morto de Jesus, mas não puderam fazer
isso. A medicina e a psicologia nos mostram que seria impossível uma mesma alucinação acometer tantas pessoas
ao mesmo tempo, no mesmo lugar e na mesma hora. Até as “alucinações” são perfeitamente idênticas, o que
entra em conflito com o que a ciência diz sobre elas.

4. A teoria do túmulo errado: As mulheres tomadas de tristeza erraram o caminho para o túmulo. Ao se de-
pararem com um túmulo vazio pensaram que Jesus tivesse ressuscitado. Sendo assim, devemos acreditar que
Pedro e João ao receberem a notícia do túmulo vazio também erraram o caminho (Lc 24:12). Outra questão que
surge é porque os líderes dos judeus simplesmente não apresentaram o túmulo certo com o corpo de Jesus quan-
do começou a correr a notícia sobre a ressurreição? Estes líderes precisaram se deparar com um fato: o túmulo
estava vazio, por isso subornaram os guardas.

Além dos próprios soldados como testemunhas da ressurreição, muitos discípulos viram a Jesus (Atos 1:3).
Ao caminho de Emaús, dois discípulos encontram com Jesus de uma forma sobrenatural (Lucas 24:13-35). Vejam
também Atos 2:32 e Atos 4:33.
Acreditamos, com plena certeza, que Jesus ressuscitou como diz a Bíblia.

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E se o Senhor Jesus não tivesse ressuscitado?

Devemos louvar a Deus porque Jesus ressuscitou. Por mais que as pessoas tentem argumentar que isto não
ocorreu, as evidências são muito fortes para serem ignoradas. Cremos pela fé neste poder que tirou ao Senhor do
túmulo, e nos tirará também para viver ao lado do Pai, durante toda a eternidade. Graças a Deus por isso.
Leia 1 Coríntios 15:12-19: “Ora, se é corrente pregar-se que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como, pois,
afirmam alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, então, Cristo
não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé; e somos tidos por falsas tes-
temunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressusci-
tou, se é certo que os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressus-
citou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que
dormiram em Cristo pereceram. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infeli-
zes de todos os homens”.
Se realmente Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vã. Falamos uma mentira quando dizemos que os
mortos podem ressuscitar. Como falar de vitória baseados na morte humilhante e miserável de Cristo? Como ser
ousado no pregar? Como falar de amor e justiça de Deus? Como falar de esperança na eternidade? Na verdade, se
Ele não tivesse realmente ressuscitado seríamos falsas testemunhas, pregando algo que nunca ocorreu. É isto que
lemos nos versículos 14 e 15 do texto acima.
Nossa fé também seria vã. Como crer em alguém que está morto? Porque pedir algo em nome de Jesus se
Ele, na verdade, não nos pode ouvir? Nossa fé seria sem fundamento, até porque não poderíamos crer em Deus e
em Sua Palavra já que ela diz que Jesus ressuscitou, sendo que isto não é verdade. Nosso acesso a Deus não existi-
ria, pois ele foi refeito na ressurreição do Senhor. Jesus seria apenas um homem como tantos outros, só que mais
bonzinho e inteligente. Isto nós lemos nos versículos 14 e 17.
Também não teríamos recebido o perdão de Deus. Não só a morte, mas também a ressurreição era neces-
sária para completar a obra da expiação e conceder perdão através do Senhor (Romanos 4:25). Sem ressurreição
ainda estaríamos mortos em nossos pecados e sem esperança de perdão, aguardando apenas o momento de nos-
sa morte e condenação ao inferno eterno. Isto é dito no versículo 17.
Por fim, se não ocorresse a ressurreição de Cristo não teríamos esperança. O que esperar do nosso futuro
depois da morte? O que nos aguardaria? Como livrar-se da morte eterna imposta pelo pecado? Estaríamos espe-
rando um Jesus que nunca iria voltar, pois ainda está morto. Seria impossível viver neste mundo com tantas incer-
tezas da vida eterna. Veja o que diz o versículo 19.
Nossa vida não está vinculada apenas a um homem que morreu, mas ao Deus que se fez carne e habitou en-
tre nós, morreu por nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia como havido sido planejado. Nada de coincidên-
cia, mas sabedoria de Deus. O Senhor Jesus não foi um mártir, mas ofereceu-se como sacrifício. Não tinha apenas
uma boa mensagem e a morte foi um desvio de percurso, algo não planejado, mas Sua morte e ressurreição fazi-
am parte do maravilhoso plano de Deus.
Que maravilha poder perceber a perfeição e o amor do nosso Deus Trino, que nos amou e escolheu para re-
cebermos a salvação de forma imerecida através da morte e ressurreição de Seu Filho, o Deus e homem Jesus
Cristo. Que esperança maravilhosa temos, assegurada por Aquele que tem poder sobre a morte, que não nos dei-
xará na sepultura! Ao morrermos fisicamente, nossos olhos se abrirão ao lado do Deus Eterno, para nunca mais
sofrermos, chorarmos ou termos qualquer tipo de dor. Glórias ao nosso Deus por isso.

O que significa a ressurreição para nós?

Como vimos, não existe a menor dúvida de que o milagre da ressurreição ocorreu. Este fato mostra que o
Senhor Jesus é o Messias, o Salvador dos homens (Atos 2:32,36). Tudo o que Ele operou em milagres, pregou e
viveu é evidenciado pela sobrenaturalidade da sua vida, morte e ressurreição.
O fato de Sua ressurreição faz dEle o nosso mediador perfeito (Efésios 2:13 e Hebreus 7:27,28). Não existe
outra pessoa que possa nos aproximar de Deus, somente Jesus, como diz 1 Timóteo 2:5: “Porquanto há um só
Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem”. Não podemos ser condenados justamen-
te porque o nosso Senhor está ressurreto diante do Deus Pai (Romanos 8:34).

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A vitória de Cristo sobre a morte é a nossa vitória. O poder da morte foi destruído pela vitória do Senhor:
“Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?”. A morte não significa para o crente a
separação, mas a união com Cristo. Ela nos une eternamente a Deus, nos leva ao céu, onde não há lágrimas, nem
dores, mas só a paz que o Senhor tem guardado para aqueles que são Seus.
Quando o Senhor ressuscitou, enviou-nos o Espírito Santo: “Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu
vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei” (João 16:7).
É o Consolador enviado para habitar nos crentes e lhes capacitar a viver no Evangelho. Sua presença em nós trás
santificação e faz produzir os frutos espirituais.
Que tal fazer uma oração de agradecimento antes de continuar o seu estudo, por tudo aquilo que Deus fez
para salvar você? Ore agradecendo a Deus pela morte e ressurreição de Jesus, que tão amorosamente e gracio-
samente ofereceu Sua própria vida em sacrifício por nossos pecados, para que tivéssemos vida.

Reflita sobre isso...

1. Como você se sente diante da ressurreição do Senhor Jesus?


2. Como você estaria hoje, se Cristo não tivesse ressuscitado?
3. Você tem sido grato pela ressurreição de Cristo a ponto de permitir que o Espírito transforme diariamente a sua
vida?
4. Escreva numa folha separada o seu testemunho de conversão para compartilhar com seu discipulador.

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Capítulo 19
Buscando as coisas do Alto

Leitura: Colossenses 3:1-3

Enquanto não somos chamados por Deus para estarmos com Ele, como devemos viver? Com o que deve-
mos gastar nossas energias? Quais devem ser nossos maiores investimentos?
Estas perguntas são respondidas se soubermos onde temos colocado nosso coração e quais são as nossas
riquezas. Precisamos nos perguntar sobre o que é mais importante para: a conversão de alguém ou um carro?
Uma tv nova ou um investimento em estudo bíblico? Alguém já disse que se você quiser saber o que a pessoa
considera importante veja como ela gasta seu dinheiro e seu tempo. Isto indicará se estamos buscando as coisas
do alto.
Estando aqui nesta terra, passando por lutas, batalhas espirituais, perseguições e até muitas alegrias, deve-
mos olhar para o alto, desejar as coisas que são eternas. É sobre isso que falaremos esta semana.

O amor pelo mundo

O crente que ama o mundo é direcionado não exclusivamente por Deus, mas por influências diabólicas, de
valores pecaminosos, atitudes contraditórias à Palavra e insensibilidade para o arrependimento. Este amor tem
um grande preço, pois ou amamos ao mundo ou a Deus. Se nos tornarmos amigos deste mundo, estaremos nos
tornando inimigos de Deus, sem meio termo ou tentativa de agradar a dois senhores. Agradando um pouquinho
que seja ao mundo, você estará desagradando a Deus.
Leia o que diz 1 João 2:15-16: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o
mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência
dos olhos e a soberba da vida, não procedem do Pai, mas procedem do mundo”. Este texto é claro: se você amar
ao mundo, o amor do Pai não está em você. Oh Deus, quantos crentes não estão novamente apaixonados pelo
mundo e tornando-se inimigos do Senhor? Não há a menor possibilidade de amar as coisas do mundo e a Deus ao
mesmo tempo.
No fim de tudo, nossas paixões direcionam nossas ações. Sobre isto nos alertou o Senhor Jesus em Mateus
6:21: “Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”. Onde está guardado seu tesouro? No
mundo? No secularismo? Nos velhos valores pecaminosos? O que consideramos nosso tesouro direciona atitudes
e comportamentos.
Existe um bom motivo para não amarmos ao mundo. Ele é incompatível com o amor de Deus (1 João 2:15).
Um contraria o outro. O amor a Deus ofende ao mundo, e o amor ao mundo ofende a Deus. É uma questão de
escolha e esforço, negando-se a participar, ouvir, falar ou praticar aquilo que não reproduz o amor ao Senhor.
Em Tiago 4:4 existe uma expressão muito forte para definir este amor ao mundo: “Infiéis, não compreendeis
que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de
Deus”. Optar por amar ao mundo é declarar-se contra Deus.

Amar ao que Deus ama

Vejo em meu ministério que alguns cristãos gostam de muita coisa mundana. Um grande exemplo é a músi-
ca secular, com letras contrárias à Palavra, que não demonstram a glória de Deus. Motivados por este mundanis-
mo ao qual Deus abomina, compram cds, camisetas, revistas e outros objetivos que exaltam aquilo que o Senhor
odeia.
Todo crente deveria guiar-se a partir deste versículo: “Não aborreço eu, SENHOR, os que te aborrecem? E
não abomino os que contra ti se levantam? (Salmo 139:21)”. Antes de comprarmos um ingresso para um show,

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uma camiseta ou um cd, deveríamos nos perguntar: “O que Deus acha disto?”, ou “Deus gosta disso aqui?”. Caso
a resposta seja negativa, não devemos fazer.
Fazer aquilo que desagrada a Deus não diz respeito apenas a objetos a serem adquiridas, mas comporta-
mentos, relacionamentos, palavras, ou qualquer outra atitude da qual o Senhor possa dizer: “Eu não gosto disto”,
“Não aprovo esta sua atitude”. Como namoro com não-cristãos, por exemplo, que alguns dizem não ter problema
algum pelo fato da pessoa ser até legal, mas que Deus não aprova. Ou o sexo antes do casamento, muito em mo-
da hoje em dia, mas que é considerado como pecado pelas Escrituras.
Por mais difícil que seja negar-se a praticar o que desagrada ao Senhor, isto não só é necessário, como uma
franca demonstração de conversão verdadeira. Vale a pena abrir mão daquilo que Jesus, até que possa dizer com
vontade: “Isto eu não faço e não aprovo, pois não agrada ao meu Deus”.
Não devemos fazer o que Deus não ama, mas por outro lado, precisamos praticar aquilo que O agrada. A vi-
da cristã não é um livro cheio de regras negativas e de comportamentos condenáveis. Elas até ocorrem, mas exis-
tem muitas outras exortações para fazermos aquilo que manifesta o amor de Cristo em nossas vidas. Se realmen-
te Cristo vive em nós, como diz Gálatas 2:20, quem direcionará nosso comportamento é o próprio Senhor. Não
farei, como conseqüência disso, aquilo que me agrada – seja escutar um cd, namorar um incrédulo, agir com de-
sonestidade, etc – mas aquilo que agrada a Deus.
Aqui entra a regra da “fidelidade”. Deus me escolheu, perdoou, limpou e salvou, agora devo minha vida a
Ele. Fomos comprados por Ele e para Ele, como diz: “Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a
Deus no vosso corpo” (1 Coríntios 6:20). Ou também 1 Coríntios 7:23: “Por preço fostes comprados; não vos tor-
neis escravos de homens”. Não pertencemos a nós mesmos, mas ao Senhor. Não devemos fazer o que nosso co-
ração manda, mas o que nosso Deus deseja.
Portanto, avalie tudo o que você tem feito (atitudes, palavras, relacionamentos, trabalho, namoro, casa-
mento, amigos, em oculto, em público, férias, escola, vizinhos, política, igreja, ministério, célula, celebrações, etc)
e procure saber se faz o que Deus ama, ou ao contrário, aquilo que não tem aprovação celestial. Lembre-se: você
pertence a Deus, e é Ele quem deve direcionar sua vida.

Como você gasta sua energia física e seu dinheiro?

Como foi dito anteriormente, a forma como utilizamos nossa energia física e o nosso dinheiro mostra o que
temos de mais importante em nossa vida. A vontade de possuir um carro zero ou uma televisão nova pode, em
certos casos, manifestar um amor exagerado pelos bens materiais.
Como saber? Se nossos investimentos se resumem a esta área é porque as temos como as mais importan-
tes. Encarar uma jornada estafante de trabalho a ponto de não ter tempo para orar ou compartilhar a Palavra com
a família mostra valores que precisam ser transformados. As recompensas no céu nunca são relacionadas a quan-
to de dinheiro você consegue poupar aqui na terra. Os recompensados no céu serão dos que:
1. São perseguidos por causa de Cristo (Mateus 5:11-12);
2. Buscam agradar a Deus, e não os homens (Mateus 6:1);
3. Cuidam dos pregadores e missionários (Mateus 10:41-42);
4. Amam aos inimigos e fazem bem aos que perseguem (Lucas 6:35);
5. Ensinam a Palavra e fazem discípulos (1 Coríntios 3:8);
6. Vivem servindo ao Senhor Jesus (Colossenses 3:24);
7. Cuidam dos pobres e doentes (Lucas 14:13-14).
Gastar energia e dinheiro nestas coisas é aumentar a recompensa no céu, e não perder tempo na igreja co-
mo pensam alguns. Talvez você já tenha ouvido uma frase igual ou parecida a esta: “Ah! Esse negócio de servir na
igreja é coisa para solteiro e jovem”, mas é um grande engano pensar assim. Nunca nos aposentaremos na fé ou
deveremos deixar de buscar as coisas do alto, mas devemos lutar para alcançarmos as bênçãos do céu.
Este é um investimento certo e eterno. Como diz Mateus 6:19-20: “Não acumuleis para vós outros tesouros
sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros
tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o
teu tesouro, aí estará também o teu coração”.

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Reflita agora sobre quais são seus maiores sonhos e investimentos, pois é neles que você está colocando o
seu coração. Vamos fazer um exercício. Coloque abaixo – em ordem de importância – quais são suas prioridades,
levando em consideração o fator “tempo” e o fator “dinheiro”:

Investir dinheiro na família é necessário, mas não podemos ensinar aos nossos filhos que os bens materiais
são o que existem de mais importante de nossa vida, ou que não precisamos depender de Deus, mas sim do di-
nheiro.
O interessante do exercício acima é levá-lo a perceber quanto tempo de oração você tem tido diariamente,
qual sua dedicação à leitura da Palavra, quantas pessoas você tem evangelizado, em quantas vidas você tem mi-
nistrado com dons espirituais, e outras atividades que realmente manifestam uma busca pelas coisas do alto. Se
você é casado, procure mostrar isto aos seus filhos.

Buscar e pensar nas coisas do alto

Devemos colocar nosso coração nas coisas do alto (Colossenses 3:1-4), onde estão os tesouros eternos que
não correm o risco de serem roubados ou enferrujarem. A segurança de todo o investimento feito no céu é total,
pois quem guarda é o próprio Deus.
A palavra “buscar” significa “orientar nossa vontade”, demonstrando que nossas prioridades são as coisas
do céu, lá estão as nossas reais “ambições”, é de lá que desejamos vir a nossa aprovação. Quando buscamos as
riquezas do alto, nossas maiores alegrias vêm por elas. Sentimo-nos felizes por pregar o evangelho, crescer na fé,
ir para a célula, participar das celebrações, orar, ministrar na vida de algum irmão, ser útil para alguém, aconse-
lhar, exortar ou repreender qualquer pessoa em falta. Apesar de podermos nos alegrar com aquilo que é material
– afinal, Deus nos concede essas coisas – nosso maior prazer e realização está em ver a nossa recompensa no céu
aumentando por amor a Cristo.
A palavra “pensar” demonstra qual é a nossa “motivação” ou “inspiração”. Podemos fazer as coisas certas
com as motivações erradas, mesmo que seja evangelismo, ofertas, estudo bíblicos, etc. O nosso coração precisa
estar corretamente motivado para recebermos recompensa da parte de Deus. Fazer as coisas para recebermos o
aplauso dos homens, ou esperar que alguém veja nosso esforço e nos recompense é perder a verdadeira bênção
que está guardada para aquele que, por amor a Deus, fazem a Sua vontade. O que faz você evangelizar, orar, ofer-
tar, ministrar, participar de um ministério ou simplesmente ir à igreja? Se você estiver esperando o reconhecimen-
to dos homens, pode até receber, mas o galardão não virá da parte de Deus, pois tudo o que fazemos com since-
ridade de coração para o Senhor, tem certo galardão para a eternidade.
Esta é a sua vida de cristão: buscar e pensar nas coisas que são do alto.

Reflita sobre isso...

1. Existe algo no mundo que ainda prende você?


2. Avalie sua vida de acordo com o que você gasta e como você investe sua energia física.
3. O que você compreendeu por “buscar” e “pensar” nas coisas do alto?
4. O que você precisa buscar mais quando falamos sobre as coisas do alto?

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Capítulo 20
As Ordenanças do Senhor

Leitura: Mateus 28:19 e Lucas 22:19

Este é o penúltimo capítulo do manual e esperamos que você já esteja crescendo na fé e compartilhando
sobre a salvação com aquelas pessoas que não conhecem a Jesus. A vida no Corpo de Cristo é direcionada para a
glória de Deus, exaltando-O em tudo. Este é o objetivo do discipulado: torná-lo semelhante a Jesus.
Nesta semana falaremos sobre duas ordenanças dadas pelo Senhor Jesus para a Sua Igreja. A primeira é o
Batismo, a segunda é a Ceia do Senhor. Elas nos ensinam verdades profundas sobre a vida cristã e isto que nós
veremos a seguir.

O Batismo

O batismo é a primeira ordenança que cumprimos em nossa vida cristã. É a representação do novo nasci-
mento (2 Coríntios 5:17) iniciado quando morremos para o mundo e passamos a viver para Deus. É um símbolo
daquilo que já aconteceu conosco: a conversão. Quando somos mergulhados na água, estamos representando a
nossa morte para o mundo e que deixamos de viver para o nosso desejo e pecado. Quando saímos da água, re-
presentamos que somos novas criaturas, vivendo para o Senhor, para pertencer a Ele e satisfazer não a nossa,
mas a Sua vontade.
Nenhuma obra – mesmo que seja a ordenança do batismo – tem poder para salvar. Devemos lembrar que
ela apenas SIMBOLIZA a conversão. Os salvos precisam ser batizados PORQUE foram salvos, e não PARA SEREM
salvos.
Porque ser batizado? O objetivo do batismo é testemunhar publicamente a fé em Jesus para irmãos em
Cristo, familiares, parentes e amigos. Nele você assume publicamente sua conversão, por isso é interessante que
no seu batismo haja pessoas não convertidas presentes, e não somente irmãos em Cristo. Lembre-se: O batismo
nunca salva o pecador, mas SIMBOLIZA ou REPRESENTA o que já aconteceu com ele.
O batismo também não perdoa pecados, não nos torna mais justos, pois o objetivo é mostrar o aconteci-
mento marcante da conversão. O modo para perdoar pecados é aquele de 1 João 1:9: a confissão. Se confessar-
mos nossos pecados Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e purificar de toda a iniqüidade. Então não
espere ser salvo ou perdoado por causa do batismo, pois ele apenas representa sua conversão. Mas apesar disso,
todo crente deve ser batizado para mostrar sua fé no Senhor. Algumas seitas defendem que o batismo salva, mas
nós crentes não acreditamos nisto, pois a Bíblia é bem clara que a fé é um dom de Deus, dado ao homem não por
merecimento ou obras (como o batismo), mas pela Sua graça (Efésios 2:8 e 9).

Quando devo ser batizado?

Cremos que o discípulo deve ser batizado após ter sua fé em Jesus comprovada pela perseverança. É prová-
vel que alguns que foram batizados não tinham assumindo um compromisso sincero com Cristo, daí a necessidade
de se provar a fé, para saber se é falsa ou genuína. Recomendamos, também, que a pessoa seja batizada após
terminar este material de discipulado, momento em que terá mais esclarecimento sobre a vida cristã.
Alguns dizem: “Não estou preparado”, mas a preparação é a conversão que já ocorreu na vida do crente.
Chega, às vezes, a ser uma desculpara para não ter compromisso, pois o “não estou preparado” pode significar, na
verdade: “Ainda não sei se estou disposto a viver com Cristo”. Por isso todo crente deve ser batizado para assumir
publicamente sua fé em Jesus. Não existem motivos para ficar adiando, pois apesar de ser uma ordenança impor-
tante para o discípulo, ela é simples. Caso você ainda não tenha sido batizado, comunique ao seu discipulador ou
líder de célula para que ele deixe a igreja a par de sua necessidade.

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Qual a forma correta do batismo?

Existem duas formas de batismo: a imersão e a aspersão.


No batismo por imersão, a pessoa é completamente coberta pela água, em um tanque, rio, piscina, lagoa ou
qualquer local onde isto seja possível. No batismo por aspersão, é jogado apenas um pouco de água sobre a cabe-
ça da pessoa sem, necessariamente, ser submersa ou estar dentro da água.
A forma que utilizamos é por imersão, pois a palavra grega para “batismo” significa mergulhar. Quando Je-
sus foi batizado em Lucas 1:10, ele teve que sair da água; em João 3:23 é dito que João batizava em Enom porque
ali tinha muitas águas; em Atos 8:27-40 é narrada a história do oficial de Candace que desce às águas e é batizado.
Além de tudo isso, a visão do sepultamento na água e do ressurgimento ao levantar-se nela, traz mais en-
tendimento no batismo por imersão do que no batismo por aspersão. Portanto, utilizamos este batismo por acre-
ditarmos ser mais coerente com a Palavra.

A Ceia do Senhor

Foi celebrada pela primeira vez pelo Senhor Jesus durante a sua última refeição com os discípulos antes de
ser entregue aos sacerdotes e fariseus. Como lemos em Lucas 22:17-20: “E, tomando um cálice, havendo dado
graças, disse: Recebei e reparti entre vós; pois vos digo que, de agora em diante, não mais beberei do fruto da
videira, até que venha o reino de Deus. E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto
é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, depois de cear, tomou o cáli-
ce, dizendo: Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós”.
Outras instruções importantes sobre a Ceia são dadas por Paulo em 1 Coríntios 11:23-30: “Porque eu recebi
do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo
dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por seme-
lhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu san-
gue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque, todas as vezes que comerdes este
pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha. Por isso, aquele que comer o pão ou
beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si
mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe
juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem”.
Da mesma forma como o batismo, a Ceia é uma representação, mostrando a verdade Bíblica da comunhão
com Deus através da morte de Cristo. A nossa paz dependeu dessa morte cruel, pois Cristo pagou as nossas dívi-
das. O momento da Ceia se torna um momento de agradecimento pelo que Ele fez e decidimos mais uma vez
viver para Ele, procurando agradá-lO em tudo; é um momento de constrangimento, pois nos percebemos indignos
de tão grande amor, somos confrontados com nossas falhas, nosso erros e pecados; mas é também um momento
de alegria, pois nossa nova vida foi dada por Cristo, através da Sua morte e ressurreição.

Os elementos da Ceia do Senhor

Existem dois elementos na Ceia: o pão e o vinho.


O pão simboliza o corpo de Cristo entregue pelos nossos pecados. Jesus nos disse ser o pão da vida, e quem
comesse dele jamais teria fome (João 6:35). Lembrando o que profetizou Isaías sobre Jesus: tomou sobre Si nossas
dores, traspassado por nossas transgressões, moído pelas nossas iniqüidades, castigado para nos dar paz, pisado
para que fôssemos sarados, levou nossas iniqüidades, oprimido e humilhado, levado como ovelha ao matadouro,
sofreu julgamento injusto, cortado dentro os vivos, ferido por causa das nossas transgressões, moído por Deus e
ofereceu sua alma como oferta pelo pecado (Isaías 53:1-12). Isto foi o que aconteceu ao Senhor Jesus, e o pão
simboliza seu corpo sendo esmagado por causa de nossos pecados.
O fruto da vide, vinho ou suco de uva, representa o sangue de Jesus derramado por nossos pecados. Em
Hebreus 9:22 lemos que sem derramamento de sangue não há remissão de pecados. Quando Jesus morre na cruz,
um soldado corta seu lado com uma lança e o que sai é sangue misturado com água (João 19:34), pois ele já tinha
derramado sangue por nós. Quando bebemos o vinho devemos lembrar que nossa salvação e comunhão com

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Deus dependeram desta sofrida morte de Jesus. Ele Era e É perfeito, mas foi morto por nossas imperfeições. Nun-
ca cometeu crime, mas foi punido por causa das nossas injustiças. Não o procurávamos, mas Ele veio ao nosso
encontro. Que grande amor este de Deus por nós! Devemos ser impactados pela visão do nosso Deus morrendo
por nós na cruz, derramando seu sangue, tendo seu corpo cravado no madeiro para nos dar a paz. Glória a Deus!

Como saber se está preparado para participar da Ceia do Senhor?

A Bíblia sempre coloca dois pré-requisitos para participar da Ceia do Senhor.


O primeiro é a conversão. Somente os crentes podem tomar a Ceia, pois ela representa um momento de
comunhão com Deus, uma lembrança de quem somos e de que temos uma aliança com o Pai através de Cristo.
Uma pessoa não-convertida não consegue compreender este significado, além de ainda carecer de salvação.
O segundo é a santidade. O crente em pecado não pode participar da Ceia. Paulo nos alerta quanto a isso:
“Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do
Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe
sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si” (1 Coríntios 11:27). Antes de participarmos precisamos nos ava-
liar para saber como estamos diante de Deus. Se nos achamos em desobediência ou rebeldia, não devemos to-
mar, pois incorremos em praticar mais um pecado: o de tomar a Ceia do Senhor indignamente. Por isso naquela
igreja muitos tinham dormido, isto é, morrido, pois disseram ter comunhão com Deus, mas estava guardando
pecados no coração.
É necessário ser batizado para participar da Ceia? A Bíblia nunca declara isto, mas devemos compreender
que todas as pessoas que se converteram nas passagens das Escrituras procuraram ser batizadas. Devemos per-
guntar “Por que você não foi batizado?”. Se você ainda não o fez porque não sabe se está no caminho certo não
deve tomar a Ceia, pois certeza da salvação e de que quer viver inteiramente para Deus é essencial para poder
participar. Mas se você não foi batizado porque ainda não chegou o dia específico do batismo, mas tem certeza de
salvação e que vive para Deus, pode tomar a Ceia normalmente.
Precisamos prestar atenção no testemunho e nos relacionamentos. Não podemos participar da Ceia se não
damos um testemunho santo do Senhor, se nossa vida é incoerente com a Palavra, se desobedecemos a Cristo ou
se vivemos na mentira. Devemos avaliar nosso coração para os relacionamentos com crentes e incrédulos. Será
que existe amargura em nosso coração? Temos problemas com falta de perdão? Se nossos relacionamentos estão
comprometidos, precisamos restaurá-los para, então, tomarmos a Ceia.

O que fazer se não estiver preparado?

Decisão sábia é não tomar a Ceia se não estiver nas condições necessárias. Mas deixar de tomar não resolve
o problema. Procuremos sondar nossa própria vida e nossas intenções. Encontrar pecado em nosso coração não
significa resolvê-lo. Se estivermos em pecado e não pudermos tomar a Ceia, devemos fazer algo a respeito disso.
Se a sua consciência o acusou, resolva seu problema. Restaure relacionamentos, volte a ofertar, perdoe ou
peça perdão, restitua ou que foi tirado, volte a ser um bom filho, marido ou esposa, saia da mediocridade, volte a
orar e ler a Palavra, etc. De que adianta nos avaliarmos diante de Deus, encontrarmos pecados, não tomarmos a
Ceia e não fazermos nada? Precisamos tomar decisões que nos levem ao arrependimento e restauração das nos-
sas vidas. Estar em pecado e não se arrepender por isso, é indício de dureza de coração e insensibilidade para com
Deus.
Na Ceia, encontre o caminho da recuperação de sua própria vida, relembrando o grande amor de Deus por
você. Decida viver para Ele, limpando seu coração e tomando decisões que mudem o seu rumo para melhor. Por-
tanto, caso não possa tomar a Ceia, haja para que você reate sua comunhão com Deus.

Reflita sobre isso...

1. O Batismo Salva? Porque devemos ser batizados?


3. O que simboliza a Ceia do Senhor e seus elementos?
5. O que fazer quando não posso tomar a Ceia do Senhor?

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Capítulo 21
A Igreja: Corpo de Cristo

Leitura: Atos 2:42-47

Chegamos a última semana deste manual de discipulado. Como tema, escolhemos falar um pouco sobre a
nossa igreja, contarmos um pouco de nossa história e o que desejamos ser e fazer como Corpo.
Compreendemos que a Igreja é a união dos crentes em Cristo Jesus. Não acreditamos ser a igreja algo como
um clube, mas local de restauração, renovação, conserto, batalhas e vitórias. Por isso devemos perguntar: Como
participar ativamente da vida no Corpo? Qual a função das células e da celebração? Estas são algumas questões
que procuraremos responder durante esta semana.
Portanto, ore ao Senhor e faça a leitura acima para iniciarmos o último capítulo deste discipulado.

O que é a Igreja

A Igreja (com “I” maiúsculo) é diferente da igreja (com “i” minúsculo). A Igreja é chamada de “universal”,
pois é composta pelos verdadeiros cristãos de todos os lugares do mundo em todos os tempos. O Senhor disse
que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18). Está além de qualquer espaço físico, pois
diz respeito às pessoas. Não pode ser destruída nem mesmo pela morte. Muitos governantes tentaram, mas to-
dos os esforços foram em vão. A grande perseguição que a Igreja sofreu e sofre desde seu início não impede seu
crescimento a ponto de um historiador da Igreja dizer que “o sangue dos mártires é a semente da Igreja”. Cristo é
o cabeça deste Corpo (Colossenses 1:18).
A igreja é chamada de “local”, pois reúne um determinado número de cristãos para a adoração, oração e
ensino bíblico. Também não faz referência a qualquer espaço físico, mas a pessoas. É o encontro de servos de
Cristo, pecadores regenerados, santos que estão sendo santificados. É a família de Deus (Efésios 2:19) formada
por crentes batizados e associados por um pacto de fé. Nela buscamos atingir o objetivo da edificação mútua
apresentado em Efésios 4, onde cada irmão dotado com seus dons espirituais ministra na vida da igreja.
Os cristãos são conscientes de que a vida na igreja envolve certa parcela de sacrifício, amor e compromisso.
Somos responsáveis uns pelos outros. Podem surgir dificuldades de relacionamento, o que é normal para uma
comunidade de pecadores que buscam a Deus. A forma de resolver conflitos nesses casos deve ser mediante o
arrependimento e perdão, buscando a paz com Deus e com as pessoas (Romanos 14:19).

A célula e a celebração

Procuramos experimentar a comunhão de duas formas de igual importância:


1. A célula: é o nosso grupo pequeno de comunhão e ministração. Todas as células possuem o “encontro da
célula” que ocorre uma vez por semana, onde há ministração, louvor e estudo da Palavra. Para ser membro da
igreja você precisa fazer parte de um destes grupos, pois acreditamos ser assim a vida da igreja no Novo Testa-
mento. Se você tiver dificuldades para compreender isto, você deverá fazer o manual chamado “Minha vida na
célula”, que procura ensinar, passo-a-passo, o que ela é.
2. A celebração: é o encontro semanal de todas as células. É o chamado “culto”, a reunião comunitária dos
santos para receberem ministração da Palavra por meio do pastor, bem como é o momento de todos os cristãos
adorarem a Deus. A celebração é tão importante quanto a célula. Os dois momentos são essenciais para a vida do
discípulo, não devendo abrir mão de nenhum destes dois encontros.
A célula não substitui a celebração, e nem a celebração substitui o culto, mas ambos se completam. Portan-
to, participe ativamente da vida da igreja para o seu crescimento e o de seus irmãos.

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Os cincos sistemas

A vida na célula pode ser muito bem representada pelos seus cinco sistemas: comunidade; treinamento;
prestação de contas; liderança e evangelismo. Para facilitar seu aprendizado, usaremos a “mão” para representar
estes sistemas:
O polegar representa a COMUNHÃO: todos os dedos trabalham em conexão com o polegar. Todos os
sistemas em uma célula relacionam-se a partir da célula e retornam para a célula. É a vida expressa na
comunhão através das células.

O dedo mínimo representa o DISCIPULADO: representa os novos convertidos e os fracos que precisam
de cuidado de um discipulador para crescer na fé.
O dedo anelar representa a PRESTAÇÃO DE CONTAS: é o dedo da aliança e sugere responsabilidade.
A célula possui um sistema de apoio de uns aos outros, mesmo os que já receberam discipulado.
O dedo médio representa a LIDERANÇA: representa as pessoas mais maduras da célula. Os líderes
devem ser treinados para cuidar da célula.
O dedo indicador representa o EVANGELISMO: é o dedo que pega as coisas e dá a direção. Esta é a
direção evangelística da célula. O propósito de levar pessoas para Jesus.

Os pastores

Cremos que os pastores são homens chamados por Deus para dedicarem suas vidas ao ministério da Palavra
em uma igreja local. Cremos que sua principal atribuição é ensinar e apascentar as ovelhas, alimentando-as e ca-
pacitando-as para que exerçam seus ministérios e utilizem seus dons espirituais para o crescimento e edificação
do Corpo de Cristo (Efésios 4:11-16). Eles exercem a mais excelente das obras (1 Timóteo 3:1), e por isso devem
receber sustento da igreja para que vivam com dignidade (1 Coríntios 9:14).
Para exercerem o ministério eles devem não somente declararem-se chamados, mas ser aprovados pela
igreja e demonstrar as qualificações necessárias para o pastorado. Não cremos que o pastor seja infalível ou que
dele emane todo poder e autoridade para a Igreja. O rebanho é confiado pelo Supremo Pastor – Jesus – aos ho-
mens, e cabe a estes prestarem contas a Deus no dia do juízo (1 Pedro 5:1-4). O pastor pode ser questionado se
estiver errado, ou até mesmo disciplinado como diz a Palavra (1 Timóteo 5:19-21). Deve zelar pela sua posição e
testemunho diante do rebanho como exemplo de humildade, santidade, testemunho no mundo, caráter e relaci-
onamento familiar.
Os pastores devem ser amados e respeitados pelos irmãos, pois exercem serviço de honra diante de Deus.
As ovelhas devem submeter suas vidas à autoridade pastoral, demonstrando obediência, a não ser em casos em
que sua autoridade ou conselho puder ser considerado como pecaminoso ou contrário à Palavra.
Nossa visão de ministério é ampla, abordando o homem em todas as suas necessidades, sejam espirituais,
emocionais ou físicas. Como igreja, estamos neste mundo para transformar valores e melhorar aquilo que foi cor-
rompido pelo pecado, demonstrando a graça de Deus através das nossas vidas de forma prática. Nosso objetivo é
glorificar a Deus e fazer discípulos.

As ovelhas

Temos o objetivo de ser uma igreja formada por um povo que se submeta à Palavra do Senhor com alegria,
exercendo o ministério da reconciliação, isto é, o evangelismo, fazendo sempre novos discípulos que cresçam na
fé em Cristo por meio do discipulado e da vida no Corpo. Em nossa igreja todos devem ser tidos como iguais, in-
dependente de sexo, idade, grau de instrução, estado civil, raça ou condição financeira. Entretanto, compreen-
demos que devemos fazer o possível como povo de Deus para dirimir as dificuldades e sofrimentos dos irmãos em
suas necessidades, estimulando ao estudo e trabalho.
É essencial que no coração de cada ovelha haja um desejo por contribuir com generosidade para com a obra
do Senhor, pois assim poderão ser sustentados os diversos ministérios da igreja, obras missionárias, pastores e

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funcionários. Não contribuir financeiramente tendo condições de fazê-lo além de ser manifestação de ingratidão é
pecado de avareza. Entretanto, devemos contribuir com alegria e não por constrangimento. Ninguém será força-
do a contribuir, e não haverá distinção de membros pela quantia de suas ofertas. O dízimo e a oferta são contri-
buições voluntárias, e não pagamentos por serviços prestados. Deus não cobra a Sua graça e favor.
Quando casados, os irmãos da Comunidade devem vivenciar uma relação familiar de respeito, santidade e
fidelidade. O homem deve exercer seu sacerdócio sobre a esposa e os filhos; a esposa deve auxiliar seu marido
não como inferior, mais como igual. Um deve procurar a satisfação e promoção do outro. O homem pertence a
sua esposa e não dispõe de si mesmo sem o consentimento desta, e, da mesma forma, a mulher não dispõe de si
mesma sem o consentimento do marido.
Os filhos devem ser criados na disciplina e admoestação do Senhor (Efésios 6:4), recebendo dos pais o ensi-
no da Palavra de Deus. Precisam desfrutar de um lar equilibrado e seguro, crescendo em todos os sentidos ao lado
dos pais, familiares e sociedade, inclusive a igreja. Os pais são responsáveis pelos seus filhos, e por eles devem
prestar contas. Os filhos devem amar e honrar aos seus pais mediante uma vida de caráter e moral, investindo seu
tempo nos estudos, tendo respeitado o seu tempo de oração, leitura da Palavra e comunhão, bem como tempo
ao lazer.
Os jovens irmãos da igreja devem procurar viver de maneira santa, abstendo-se de relações sexuais antes
do casamento, pois a Bíblia as condena. O fato de estar trabalhando ou estudando não pode constituir uma des-
culpa para a falta de crescimento espiritual, pois acreditamos ser possível crescer na fé mediante a vida nos estu-
dos e trabalho.
Enfim, o que esperamos das ovelhas (crianças, jovens, adultos e idosos) é que vivam em paz, sirvam uns aos
outros, andem em unidade, exercem seus ministérios, utilizem seus dons espirituais para a edificação, busquem a
santidade, contribuam com alegria e façam discípulos.

Reflita sobre isso...

1. Quais as diferenças entre a Igreja e a igreja?


2. Quais são os cinco sistemas da vida na célula e como podemos representá-los?
3. Qual o seu papel dentro da igreja local?

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