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LINHAS DA HISTÓRIA 12

TESTE DE AVALIAÇÃO HISTÓRIA A – 12.º ANO

GRUPO I – O MARCELISMO: REFORMISMO POLÍTICO NÃO SUSTENTADO (1968-1973)

DOC. 1 – A TOMADA DE POSSE DE MARCELLO CAETANO, NA IMPRENSA (27/9/1968)

DOC. 2 - MARCELLO CAETANO, SOBRE AS OPÇÕES IDEOLÓGICAS E POLÍTICA EM JOGO (1971)


O socialismo está na moda em certos setores do pensamento e do ensino. Socialismo que, na prática, inevitavelmente
resvalaria para o comunismo autoritário […]. E digo que o socialismo não tem outro caminho senão o do comunismo,
porque, num país como o nosso, onde há muitos anos, e sobretudo graças à doutrina corporativa se deu relevo aos
interesses socais e se faz largamente a intervenção do Estado na economia – que evolução resta aos socialistas
senão a apropriação dos meios de produção, isto é, socialização das terras, das fábricas e do comércio? […]
Temos, porém, de nos acautelar contra a tentação de opor ao comunismo um liberalismo moldado sobre os padrões
do descuidado século XIX […]. O liberalismo político, praticado com a ingenuidade de outrora, assegura-lhes [aos
socialistas e comunistas] facilidades de doutrinação e de ação preciosas para a destruição da própria liberdade. Ora
uma liberdade que permita aos seus inimigos atuar à vontade, é uma liberdade suicida. […]. Por isso o caminho que
a Ação Nacional Popular segue é o caminho certo. Defendemos as liberdades essenciais da pessoa humana […]. A
Ação Nacional Popular luta por uma sociedade justa. Mas não há justiça sem autoridade […]. O Estado, para
assegurar a justiça, tem de ser forte.
Marcello Caetano, Renovação na Continuidade, Verbo, Lisboa, 1971, pp. 175-179.

DOC. 3 - CONGRESSO DA OPOSIÇÃO DEMOCRÁTICA, SOBRE AS OPÇÕES IDEOLÓGICAS E POLÍTICAS EM


JOGO (1973)
[…] O corporativismo afirma propor-se a harmonia das classes [capital e trabalho], arbitrando os seus interesses
antagónicos, como se não fosse ele próprio, a expressão do domínio de uma classe, e esta – a do grande capital –
pudesse servir de “árbitro” dos conflitos em que estão em causa os seus próprios interesses. […] O corporativismo
[…] manobra ideologicamente através da mudança de designações inconvenientes, mantendo inalteradas as
organizações respetivas, e, assim, a União Nacional passa a denominar-se Ação Nacional Popular, a PIDE […] passa
a ser DGS […]. Mas o caráter alienado e improvisador da demagogia corporativa apresenta ainda outra característica
[…] e que consiste em agravar as suas medidas legislativas, em ordem a assegurar o seu domínio violento de classe,
vestindo-se de roupagens de benevolência e de progresso. […]
Concluiremos forçosamente que a vida política no presente com partidos […], deverá permitir a livre expressão de
todas as correntes de pensamento […]. Quer dizer, tem de ser essencialmente liberal. O liberalismo político é, por
definição, uma fórmula de respeito mútuo. Se os problemas do homem vivendo em sociedade são complexos […], é
necessário que todos possam nele participar propondo as suas soluções sem subordinação a esquemas
preestabelecidos ou a ditames arbitrários. […]
3.º Congresso da Oposição Democrática de Aveiro, 1973.

1. Nomeie a designação atribuída ao período de governação de Marcello Caetano (Doc. 1).

2. Refira, a partir dos documentos 2 e 3, três mudanças implementadas por Marcello Caetano com
vista a dar uma imagem de reformismo e de abertura.
3. Associe cada um dos elementos relacionados com o marcelismo, presentes na coluna A, à
designação correspondente, que consta na coluna B.

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COLUNA A COLUNA B

(A) Constituída por deputados independentes, eleitos em 1969 nas listas da União (1) Assembleia
Nacional, defendiam um regime de liberdade, na qual se destacaram Pinto Leite, Miller Nacional.
Guerra, Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Magalhães Mota. Muitos acabaram por se
demitir. (2) III Congresso da
Oposição Democrática.
(B) Realizadas durante a governação marcelista, permitiram à oposição apresentar
candidatos em listas da CEUD (Comissão Eleitoral Democrática), CDE (Comissão (3) Exame Prévio.
Democrática Eleitoral) e CEM (Comissão Eleitoral Monárquica).
(4) Eleições legislativas
(C) Alteração da designação da comissão que realizava a censura sobre a produções de 1969.
literárias e culturais em geral, e cuja atuação foi, inicialmente, mais moderada.
(5) Vigília da capela do
(D) Realizado em Aveiro, em 1973, reuniu os vários movimentos e forças políticas na Rato.
clandestinidade, no qual se denunciaram as guerras coloniais e se destacou a
necessidade de derrubar o regime. (6) Ala Liberal.

(E) Realizada por católicos progressistas foi uma reunião de oração pela paz, contra a (7) Ação Nacional
guerra colonial, que foi reprimida pela PIDE/DGS. Popular (ANP).

4. Compare as duas perspetivas sobre as opções ideológicas e políticas, expressas nos documentos
2 e 3, quanto a três aspetos em que se opõem.

GRUPO II – O IMPACTO DA GUERRA COLONIAL NO DESENCADEAR DO


MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS

DOC. 1 – O CRESCENTE ISOLAMENTO INTERNACIONAL (1973)

DOC. 2 – O PROGRAMA DO I GOVERNO


PROVISÓRIO
A vitória alcançada pelo Movimento das
Forças Armadas Portuguesas, destituindo o
regime que não soube identificar-se com a
vontade do Povo, […], permite definir os
princípios básicos […] para a resolução da
grande crise nacional. […] reconhecer o
carácter essencialmente político da solução
das guerras no ultramar, lançando uma nova
política que conduza à paz.
1. Organização do Estado: […] b)
Publicação da lei das associações políticas;
sua regulamentação […];
Cartaz apelando à manifestação contra a visita de Marcelo Caetano 2. Liberdades cívicas: a) Garantia e
a Londres (15 de julho de 1973), em protesto e denúncia contra o regulamentação do exercício das liberdades
regime e a sua política colonial. cívicas, nomeadamente das definidas em
Declarações Universais de Direitos do Homem; d) Garantia da independência e pluralismo dos meios de
informação.
Tomada de posse do I Governo Provisório, 16 de Maio de 1974.

1. Ordene cronologicamente os seguintes acontecimentos:

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(A) Golpe militar das Caldas.


(B) Reconhecimento da independência da Guiné Bissau pela ONU.
(C) Início da guerra na província ultramarina de Angola.
(D) Revogação do Ato Colonial e alteração da designação de colónia para província ultramarina.
(E) Início da governação de Marcello Caetano.

2. Identifique três das medidas tomadas após o 25 de Abril para concretizar os pontos 1 e 2 do
Programa do I Governo Provisório.

GRUPO III – DAS TENSÕES IDEOLÓGICAS E POLÍTICAS À ESTABILIZAÇÃO DA


DEMOCRACIA (1974-1982)
DOC. 1 – CRIAÇÃO DO CONSELHO DA REVOLUÇÃO (1975)
Considerando que os acontecimentos ocorridos em 11 de março de 1975 impõem uma tomada de atitudes muito
firmes por parte do Movimento das Forças Armadas;
Considerando a determinação do Movimento das Forças Armadas em serem atingidos o mais rapidamente possível
os objetivos constantes do seu Programa; […]
Considerando que o Movimento das Forças Armadas decidiu institucionalizar-se, mediante a criação desde já de um
Conselho da Revolução e de uma Assembleia do Movimento das Forças Armadas; […] Vista e aprovada em Conselho
de Estado.
Promulgada em 14 de março de 1975. Publique-se. O Presidente da República, FRANCISCO DA COSTA GOMES.
Lei n.º 5/75, de 14 de março.

DOC. 2 – A POLÍTICA ECONÓMICA DOC. 3 – ALIANÇA POVO/MFA


A aliança Povo-MFA tem sido uma realidade
constante do processo revolucionário até ao momento
presente. […] é necessário que às massas
trabalhadoras sejam asseguradas condições de
participação ativa, o que passa por formas de
organização popular, […] estimulando-a e apoiando-a
para a defesa e dinamização da Revolução em curso.
[…]
As Comissões de Moradores, Comissões de
Trabalhadores e outras organizações de base popular
[…]. As Assembleias Populares são apoiadas pelo
MFA e órgãos do aparelho de Estado, […] A
organização popular proposta assenta,
fundamentalmente, nas comissões de trabalhadores
e nas comissões de moradores. Consideram-se
também organismos de base os conselhos de aldeia,
as cooperativas, as ligas de pequenos e médios
agricultores, as coletividades e outras associações de
base popular. […]
Decisão da Assembleia do MFA, 8 de julho de 1975.

DOC. 4 – A CONSTITUIÇÃO PORTUGUESA (1976)


Princípios fundamentais […] ARTIGO 2.º (Estado democrático e transição para o socialismo) A República
Portuguesa é um Estado democrático, baseado na soberania popular, no respeito e na garantia dos direitos e
liberdades fundamentais e no pluralismo de expressão e organização política democrática, que tem por objetivo
assegurar a transição para o socialismo mediante a criação de condições para o exercício democrático do poder pelas
classes trabalhadoras. ARTIGO 3.º (Soberania e legalidade) […] 2. O Movimento das Forças Armadas, como garante
das conquistas democráticas e do processo revolucionário, participa, em aliança com o povo, no exercício da
soberania, nos termos da Constituição. 3. Os partidos políticos concorrem para a organização e para a expressão da
vontade popular, no respeito pelos princípios da independência nacional e da democracia política. […] ARTIGO 6.º
(Estado unitário) 1. O Estado é unitário e respeita na sua organização os princípios da autonomia das autarquias

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locais e da descentralização democrática da administração pública. 2. Os arquipélagos das Açores e da Madeira


constituem regiões autónomas dotadas de estatutos político-administrativos próprios. […] ARTIGO 9.º (Tarefas
fundamentais do Estado) São tarefas fundamentais do Estado: […] c) Socializar os meios de produção e a riqueza,
através de formas adequadas às características do presente período histórico, criar as condições que permitam
promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo, especialmente das classes trabalhadoras, e abolir a exploração
e a opressão do homem pelo homem. […]
2 de abril de 1976 [excertos].

1. A expressão “objetivos constantes do seu Programa” presente no documento 1, refere-se…


(A) ao programa do Movimento dos Capitães, apresentado aquando da revolta das Caldas, e depois
adotado como documento orientador da revolução, conhecido como o “programa dos 3 D s”.
(B) ao programa do MFA, apresentado aquando do 25 de Abril, popularmente conhecido como o “programa
das Forças Armadas”.
(C) ao programa da operação “Fim-Regime”, apresentado aquando do 25 de Abril, popularmente
conhecido como “programa revolucionário dos cravos”.
(D) ao programa do MFA, apresentado aquando do 25 de Abril, popularmente conhecido como “programa
dos 3 D s”.

2. A ideia de “defesa e dinamização da Revolução em curso” remete para o período mais


revolucionário ocorrido entre março e 25 de novembro de 1975, designado…
(A) PAP (Plano de Ação Política).
(B) PREC (Processo Revolucionário em Curso).
(C) COPCON (Comando Operacional do Continente).
(D) PVQ (Período do Verão Quente).

3. A necessidade de assegurar “às massas trabalhadoras […] condições de participação ativa”,


significa a instituição de uma democracia baseada…
(A) no exercício da soberania popular.
(B) no exercício do poder da soberania nacional.
(C) no exercício do poder militar.
(D) no exercício do poder popular.

4. Costa Gomes foi nomeado presidente da República, sucedendo a…


(A) António de Spínola, que se demitiu depois da proibição da manifestação “maioria silenciosa”.
(B) Ramalho Eanes, que se demitiu depois do golpe do 25 de Novembro.
(C) Adelino da Palma Carlos, que se demitiu depois do 11 de Março.
(D) Vasco Gonçalves, que se demitiu no V Governo Provisório.

5. Transcreva duas afirmações do documento 4 que revelam o caráter revolucionário do texto


constitucional.

6. Desenvolva, a partir dos documentos 1 a 4, o seguinte tema:


A evolução política portuguesa entre 1974 e 1982: das tensões político-ideológicas à estabilização
da democracia.
A sua resposta deve abordar, pela ordem que entender, três aspetos para cada um dos tópicos
de desenvolvimento:
- do acentuar das tensões políticas entre 11 de março e o “Verão Quente” de 1975;
- a ação dos governos gonçalvistas no domínio económico;
- a consagração do regime democrático na Constituição de 1976.

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GRUPO IV – O RECONHECIMENTO DOS MOVIMENTOS AFRICANOS


INDEPENDENTISTAS E A DESCOLONIZAÇÃO
DOC. 1 – O ISOLAMENTO INTERNACIONAL DE PORTUGAL (1972)
Para nós, hoje, o problema não é expulsar Portugal das Nações Unidas; é reconhecer que o governo português já
não tem o direito — se é que alguma vez o teve — de representar o nosso povo no seio das Nações Unidas, da
mesma forma que não tem o direito de o representar no seio da OUA (Organização de Unidade Africana). É reconhecer que o
único, verdadeiro e legítimo representante do povo da Guiné e das ilhas de Cabo Verde é o nosso partido, o PAIGC.
É, finalmente, o problema da admissão da nossa nação africana no seio das Nações Unidas. Esse é o problema que
coloca a situação concreta existente no nosso país. É o programa que a OUA e os Estados africanos, assim como
todas as forças anticolonialistas do mundo, já realizaram, reconhecendo o nosso partido como o único, verdadeiro e
legítimo representante do nosso povo
Amílcar Cabral (dirigente do PAIGC) Discurso pronunciado na 1632° sessão do Conselho de Segurança das
Nações Unidas realizada em Adis-Abeba em 1 de Fevereiro de 1972.

DOC. 2 – A CONSAGRAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA DAS COLÓNIAS AFRICANAS (1974)


ARTIGO 1.º
O princípio de que a solução das guerras no ultramar é política e não militar, […] implica de acordo com a Carta das
Nações Unidas o reconhecimento por Portugal do direito dos povos à autodeterminação.
ARTIGO 2.º
O reconhecimento do direito à autodeterminação, com todas as suas consequências, inclui a aceitação da
independência dos territórios ultramarinos. […]
Lei 7/74 de 27 de julho de 1974.

1. Nomeie a obra publicada em fevereiro de 1974, que defendia que “a solução das guerras no
ultramar é política e não militar”.
2. Identifique, a partir dos documentos 1 e 2, três características do processo de descolonização.
3. Associe cada um dos elementos relacionados com o movimento independentista, presentes na
coluna A, à designação correspondente, que consta na coluna B.

COLUNA A COLUNA B

(A) Defesa da integridade territorial portuguesa, do Minho a Timor, assente na unidade (1) Amílcar
entre a metrópole e as províncias ultramarinas. Cabral

(B) Movimento defensor da libertação de Moçambique reconhecido como interlocutor nas (2) MPLA
negociações de independência promovidas depois do 25 de Abril.
(3) FRELIMO
(C) União dos Povos de Angola cujos ataques de 15 de março de 1961, ocorridos no
norte de Angola, deram início à guerra do ultramar. (4)
Integracionismo
(D) Líder nacionalista africano, fundador do PAIGC, defensor da independência da Guiné
e de Cabo Verde. (5) Agostinho
Neto
(E) Recebeu, na Santa Sé, os líderes dos movimentos independentistas das colónias
portuguesas, condenando o colonialismo. (6) Paulo VI

(7) UPA

FIM

I.1 I.2 I.3 I.4 II.1 II.2 III.1 III.2 III.3 III.4 III.5 III.6 IV.1 IV.2 IV.3 TOTAL
5 20 10 25 5 20 5 5 5 5 10 50 5 20 10 200