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Nº 1.0000.18.

010506-6/001
AGRAVO DE INSTRUMENTO-CV 10ª CÂMARA CÍVEL
Nº 1.0000.18.010506-6/001 BELO HORIZONTE
AGRAVANTE JANIA MARIA SILVA BRAGA
AGRAVADO DIBENS LEASING S/A -
ARRENDAMENTO MERCANTIL

DECISÃO

Trata-se de Agravo de Instrumento, interposto por Jania


Maria Silva Braga, em face de decisão proferida pelo Juiz de
Direito da 25ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte (ordem nº
22), que, em autos de Ação Revisional de Contrato ajuizada contra
Dibens Leasing S/A – Arrendamento Mercantil, indeferiu o pedido
de gratuidade formulado pela autora, ora agravante, com o
entendimento de que não restou comprovada sua alegada situação
de hipossuficiência econômico-financeira.
Em suas razões, afirma à agravante, em síntese, que não tem
condições de efetuar o pagamento das custas e despesas
processuais sem prejuízo de seu sustento.
Sustenta que basta a simples declaração de carência de
pobreza para a concessão dos benefícios da gratuidade judicial.
Alega que, uma vez firmada a declaração de pobreza, o
pedido de gratuidade judicial deve ser deferido, impondo-se a parte
adversa o ônus de provar a inexistência ou desaparecimento dos
requisitos legais.
Assegura não ser necessária a condição de miserabilidade
para deferimento da referida benesse.
Diz que colacionou aos autos seu comprovante de renda, a
fim de demonstrar sua situação de insuficiência econômico-
financeira.
Colaciona jurisprudência em amparo à sua tese.

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À luz desses fundamentos, requer a atribuição de efeito
suspensivo ao recurso e, no mérito, o seu provimento, para
conceder-lhe a gratuidade de justiça.
É a síntese necessária.
Passo ao exame do requerimento da tutela de urgência
postulada, até o pronunciamento final do órgão colegiado.
Como sabido, é possível ao relator suspender o cumprimento
da decisão agravada até o pronunciamento definitivo do órgão
colegiado ou deferir, em antecipação de tutela, total ou
parcialmente, a pretensão recursal, quando houver risco de lesão
grave ou de difícil reparação, consoante autoriza o artigo 1.019,
inciso I, do Código de Processo Civil de 2015,
Na hipótese em apreço, a agravante pleiteia a reforma da
decisão que lhe indeferiu o benefício da gratuidade judicial,
alegando não ter condições financeiras de arcar com o pagamento
das custas processuais, sem prejuízo do seu sustento e de sua
família.
E caso não haja o recolhimento das custas, desde logo, o
processo poderá ser arquivado, com o cancelamento da
distribuição, o que revela a presença dos requisitos legais
ensejadores do efeito suspensivo postulado.
Por outro lado, considerando-se a carência de elementos
comprobatórios da hipossuficiência suscitada, entendo, por medida
de economia processual, ser necessária a intimação da agravante
para comprovar, nesta instância revisora, a sua atual condição
econômica.
Em face do exposto, DEFIRO a medida de urgência pleiteada
e determino a suspensão da ação de origem, até o julgamento final
do presente recurso.

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Determino, também, a intimação da agravante, na pessoa de
seu procurador, para, no prazo de 10 (dez) dias, juntar ao presente
processo documentos hábeis a comprovar a sua alegada situação
de hipossuficiência econômico-financeira, tais como: contracheques
atualizados, cópia integral de sua CTPS, extratos bancários, dentre
outros que entender pertinentes.
Intime-se o agravado, na forma e para os fins previstos no art.
1.019, II do CPC de 2015, facultando-lhe juntar a documentação que
entender necessária ao julgamento do recurso.
Dê-se ciência desta decisão ao juízo de origem.
Belo Horizonte, 16 de fevereiro de 2018.

DES. VICENTE DE OLIVEIRA SILVA


Relator

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