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As sete palavras de Jesus na cruz

Crucificação

Gaudenzio Ferrari
(1513)
As sete palavras de Jesus na cruz são uma coleção de sete breves frases segundo a
tradição pronunciadas por Jesus durante sua crucificação. Estas frases - ou palavras, em
seu sentido lato - são objeto de uma devoção especial e de meditação principalmente
durante a Semana Santa, entre os Cristãos, e foram recolhidas dos Evangelhos. Sua
ordem e expressão variam ligeiramente entre os diversos Evangelhos, e seu conjunto
completo não é encontrado em nenhum deles.

Primeira palavra

"Pai, perdoai-os porque eles não sabem o que fazem." (Lucas, 23:34). Esta primeira
frase foi dita em forma de prece para que Deus perdoasse a ignorância daqueles que o
crucificavam: os soldados romanos e a multidão que o acusava. Esta prece reflete e
confirma uma exortação anterior de Jesus, quando instava a seus seguidores que
amassem e perdoassem seus inimigos (Mateus 5:44). Alguns manuscritos antigos
omitem a menção àquela frase [1]

Segunda palavra

"Em verdade eu te digo que hoje estarás comigo no Paraíso." (Lucas 23:43). No
momento em que Jesus é crucificado, dois ladrões também o são, e suas cruzes se
erguem ladeando a de Jesus. O ladrão à sua direita reconhece sua inocência, e pede que
seja lembrado quando Jesus entrar em seu Reino, e Jesus lhe responde daquela forma. A
versão original nos manuscritos hebraicos não traz pontuação, e tampouco a versão em
grego encontrada na Septuaginta, permitindo alguma confusão de sentidos pelo possível
deslocamento da prosódia, gerando a alternativa "Em verdade, eu te digo (que) hoje,
estarás comigo no Paraíso". Esta dubiedade tem sido causa de debates entre Católicos e
Protestantes sobre a existência ou não de um estágio intermediário entre a vida física e o
Paraíso, chamado de Purgatório. Aparentemente, a aceitação da versão sem pausa após
hoje, como consta no subtítulo, exime o chamado Bom Ladrão de uma passagem pelo
Purgatório, e tem sido invocada para os Protestantes negarem sua existência [2] [3]

Terceira palavra

"Mulher, eis aí teu filho; olha aí a tua mãe." (João 19:26-27). Jesus, do alto da cruz,
contempla os poucos amigos que o seguiram até o Calvário, e com aquelas palavras
confia seu discípulo (cujo nome não é citado, mas crê-se que seja João) aos cuidados de
sua mãe Maria, e ela a ele. A Igreja Católica costuma tomar esta incumbência
simbolicamente, como Maria sendo entregue a toda a igreja nascente, como imagem de
sua maternidade universal, e como uma prova de que ela não tinha outros filhos, que
poderiam cuidar dela. Se eles existissem, tal afiliação seria considerada insultuosa aos
negligenciados irmãos de Jesus, no contexto da cultura judaica do século I.

Quarta palavra

"Eli, Eli, lama sabachthani? (Deus, meu Deus, por que me abandonaste?)" (Mateus
27:46 e Marcos 15:34).

Esta frase é uma que se destaca no conjunto, por ter sido a única registrada tanto por
Marcos como por Mateus, e por ter sido transmitida a nós em uma outra linguagem, o
aramaico. Expressa o sentimento de total abandono experimentado por Jesus em seu
sacrifício e a necessidade de enfrentar a agonia sem qualquer valimento, nem mesmo o
divino, a fim de cumprir seu desígnio e realizar sua obra de salvação.

Quinta palavra

"Tenho sede". (João 19:28) Aqui fica patente a natureza humana de Jesus, e pode ser
considerada uma alusão ao cálice que o Pai lhe dá para beber (João 18:11) e que Jesus, a
princípio relutante, depois aceita voluntariamente.

Sexta palavra

"Está consumado" (João 19:30) Jesus declara que tudo o que devia ser feito foi
cumprido, e é interpretada como um sinal de que a obra de salvação se tornará eficaz
por intermédio de seu sacrifício em prol de todos os homens.

Sétima palavra

"Pai, em tuas mãos entrego meu espírito". (Lucas 23 46)

Terminada sua agonia, Jesus se abandona aos cuidados de seu Pai e, assim fazendo,
expira.

As sete palavras na cultura


Este ciclo de frases foi tomado como ponto de partida para diversas criações musicais
de importantes compositores eruditos, das quais as mais notáveis são:

 As sete palavras de Jesus Cristo na Cruz, oratório de Heinrich Schütz


 As sete últimas palavras de nosso Salvador, um oratório e uma versão para
vozes e quarteto de cordas, de Joseph Haydn
 As sete últimas palavras de nosso Salvador, um oratório de Saverio Mercadante
 Sa sete últimas palavras de Cristo, de César Franck

Os compositores Théodore Dubois, Sofia Gubaidulina, James MacMillan e Ruth


Zechlin também deixaram obras sobre este tema.

Bibliografia
 The Reader's Encyclopedia. New York: Thomas Y. Crowell Co., 1948, 1955,
1965. Library of Congress Catalog Card No. 65-12510, pp. 917- 918.