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EaD Espaço Educacional

VIII - A Educação Escolar Quilombola no Brasil


Educação e Direitos IX -A Educação das Relações Étnico-Raciais no Brasil
Humanos
X - A Educação Básica nas Escolas do Campo

Sumário XI - Política Nacional de Formação de Profissionais do


Magistério da Educação Básica
Direitos Humanos

Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos 2 Direitos Humanos


Direitos humanos são direitos essenciais assegurados
Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos
a todos os seres humanos, independentemente de

Objetivos da Educação em Direitos Humanos


raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou
qualquer outra condição. Incluem o direito à vida e à
Desafios da EDH liberdade, à liberdade de opinião e de expressão, o
direito ao trabalho e à educação, entre e muitos
Direitos das Mulheres outros.

São Paulo. Decreto nº 55.588, de 17 de março de 2010


O Direito Internacional dos Direitos Humanos
estabelece as obrigações dos governos de agirem de
São Paulo. Decreto nº 55.588, de 17 de março de 2010 determinadas maneiras ou de se absterem de certos
atos, a fim de promover e proteger os direitos humanos
e as liberdades de grupos ou indivíduos.
1 Conhecimentos Pedagógicos
Desde o estabelecimento das Nações Unidas, em

comum a todos os Cargos 1945, um de seus objetivos fundamentais tem sido


promover e encorajar o respeito aos direitos humanos,
I - Direitos Humanos conforme estipulado na Carta das Nações Unidas:

II - Normas Internacionais de Direitos Humanos “Considerando que os povos das


Nações Unidas reafirmaram, na
III - Declaração Universal dos Direitos Humanos Carta da ONU, sua fé nos direitos
humanos fundamentais, na
dignidade e no valor do ser humano
IV - Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos e na igualdade de direitos entre
Humanos homens e mulheres, e que decidiram
promover o progresso social e
V - Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos melhores condições de vida em uma
liberdade mais ampla, … a
Assembleia Geral proclama a
VI - Objetivos da Educação em Direitos Humanos
presente Declaração Universal dos
Diretos Humanos como o ideal
VII - Direitos das Mulheres comum a ser atingido por todos os
povos e todas as nações…”

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Preâmbulo da Declaração Universal • Os direitos humanos são


dos Direitos Humanos, 1948 inalienáveis, e ninguém pode ser
privado de seus direitos humanos;
eles podem ser limitados em
situações específicas. Por exemplo,
o direito à liberdade pode ser
restringido se uma pessoa é
considerada culpada de um crime
diante de um tribunal e com o
devido processo legal(preâmbulo);

• Os direitos humanos são


indivisíveis, inter-relacionados e
interdependentes, já que é
2.1 Contexto E Definição dos Direitos insuficiente respeitar alguns direitos
humanos e outros não. Na prática, a
Humanos
violação de um direito vai afetar o
O conceito de Direitos Humanos reconhece que cada respeito por muitos outros;
ser humano pode desfrutar de seus direitos humanos
• Todos os direitos humanos devem,
sem distinção de raça, cor, sexo, língua, religião,
portanto, ser vistos como de igual
opinião política ou de outro tipo, origem social ou
importância, sendo igualmente
nacional ou condição de nascimento ou riqueza.
essencial respeitar a dignidade e o
valor de cada pessoa.
Os direitos humanos são garantidos legalmente
pela Resolução nº 217 da 3ª Assembleia Geral da ONU, 2.2 Normas Internacionais de Direitos
de 10 de dezembro de 1948, protegendo indivíduos e
grupos contra ações que interferem nas liberdades Humanos
fundamentais e na dignidade humana.
A expressão formal dos direitos humanos inerentes
se dá através das normas internacionais de direitos
Essa legislação obriga os Estados a agir de uma humanos. Uma série de tratados internacionais dos
determinada maneira e proíbe os Estados de se direitos humanos e outros instrumentos surgiram a partir
envolverem em atividades específicas. de 1945, conferindo uma forma legal aos direitos
humanos inerentes.

Algumas das características mais importantes dos A criação das Nações Unidas viabilizou um fórum
direitos humanos são: ideal para o desenvolvimento e a adoção dos

• Os direitos humanos são fundados instrumentos internacionais de direitos humanos.

sobre o respeito pela dignidade e o Outros instrumentos foram adotados a nível regional,

valor de cada pessoa (art. 22); refletindo as preocupações sobre os direitos humanos
particulares a cada região.
• Os direitos humanos são universais,
o que quer dizer que são aplicados A maioria dos países também adotou constituições

de forma igual e sem discriminação e outras leis que protegem formalmente os direitos

a todas as pessoas (preâmbulo); humanos básicos. Muitas vezes, a linguagem utilizada


pelos Estados vem dos instrumentos internacionais de
direitos humanos.

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As normas internacionais de direitos humanos ser humano e na igualdade de direitos entre homens
consistem, principalmente, de tratados e costumes, e mulheres, e que decidiram promover o
bem como declarações, diretrizes e princípios, entre progresso social e melhores condições de vida em
outros. uma liberdade mais ampla,
Considerando que os Estados-Membros se
comprometeram a promover, em cooperação com
as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos
humanos e liberdades fundamentais e a observância
desses direitos e liberdades,
Considerando que uma compreensão comum desses
direitos e liberdades é da mais alta importância para
o pleno cumprimento desse compromisso,
2.3 Declaração Universal dos Direitos
A ASSEMBLÉIA GERAL proclama a presente
Humanos DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIRETOS HUMANOS
como o ideal comum a ser atingido por todos os povos
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
e todas as nações, com o objetivo de que cada
indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre
Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da em mente esta Declaração, se esforce, através do
Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de ensino e da educação, por promover o respeito a
dezembro de 1948 esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas
PREÂMBULO progressivas de caráter nacional e internacional, por
assegurar o seu reconhecimento e a sua observância
universal e efetiva, tanto entre os povos dos próprios
Considerando que o reconhecimento da dignidade
Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios
inerente a todos os membros da família humana e de
sob sua jurisdição.
seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da
liberdade, da justiça e da paz no mundo,
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos Artigo 1.
direitos humanos resultaram em atos bárbaros que
Todas os seres humanos nascem livres e iguais em
ultrajaram a consciência da Humanidade e que o
dignidade e direitos. São dotados de razão e
advento de um mundo em que todos gozem de
consciência e devem agir em relação uns aos outros
liberdade de palavra, de crença e da liberdade de
com espírito de fraternidade.
viverem a salvo do temor e da necessidade foi
proclamado como a mais alta aspiração do homem
comum, Artigo 2.
Considerando ser essencial que os direitos humanos
1. Todo ser humano tem capacidade para gozar os
sejam protegidos pelo império da lei, para que o ser
direitos e as liberdades estabelecidos nesta
humano não seja compelido, como último recurso, à
Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja
rebelião contra tirania e a opressão,
de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou
Considerando ser essencial promover o
de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza,
desenvolvimento de relações amistosas entre as
nascimento, ou qualquer outra condição.
nações,
Considerando que os povos das Nações Unidas 2. Não será também feita nenhuma distinção fundada
reafirmaram, na Carta da ONU, sua fé nos direitos na condição política, jurídica ou internacional do país

humanos fundamentais, na dignidade e no valor do ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate
de um território independente, sob tutela, sem

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governo próprio, quer sujeito a qualquer outra tribunal independente e imparcial, para decidir sobre
limitação de soberania. seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer
acusação criminal contra ele.
Artigo 3.

Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à


Artigo 11.
segurança pessoal.
1. Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem
o direito de ser presumido inocente até que a sua
Artigo 4.
culpabilidade tenha sido provada de acordo com a
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido
escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em asseguradas todas as garantias necessárias à sua
todas as suas formas. defesa.

2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou


Artigo 5. omissão que, no momento, não constituíam delito
perante o direito nacional ou internacional. Também
Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento
não será imposta pena mais forte do que aquela que,
ou castigo cruel, desumano ou degradante.
no momento da prática, era aplicável
ao ato delituoso.
Artigo 6.

Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os Artigo 12.


lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.
Ninguém será sujeito à interferências em sua vida
Artigo 7. privada, em sua família, em seu lar ou em sua
correspondência, nem a ataques à sua honra e
Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem
reputação. Todo ser humano tem direito à proteção
qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm
da lei contra tais interferências ou ataques.
direito a igual proteção contra qualquer
discriminação que viole a presente Declaração e
contra qualquer incitamento a tal discriminação. Artigo 13.

1. Todo ser humano tem direito à liberdade de


Artigo 8. locomoção e residência dentro das fronteiras de cada
Estado.
Todo ser humano tem direito a receber dos tribunais
nacionais competentes remédio efetivo para os atos 2. Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer
que violem os direitos fundamentais que lhe sejam país, inclusive o próprio, e a este regressar.
reconhecidos pela constituição ou pela lei.
Artigo 14.

1. Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito


Artigo 9.
de procurar e de gozar asilo em outros países.
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou
2. Este direito não pode ser invocado em caso de
exilado.
perseguição legitimamente motivada por crimes de
direito comum ou por atos contrários aos objetivos e
Artigo 10. princípios das Nações Unidas.

Todo ser humano tem direito, em plena igualdade, a


uma audiência justa e pública por parte de um Artigo 15.

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1. Todo ser humano tem direito a uma nacionalidade. 2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma
associação.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua
nacionalidade, nem do direito de mudar de
nacionalidade. Artigo 21.

1. Todo ser humano tem o direito de tomar parte no


Artigo 16. governo de seu país diretamente ou por intermédio de
representantes livremente escolhidos.
1. Os homens e mulheres de maior idade, sem
qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, 2. Todo ser humano tem igual direito de acesso ao
têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma serviço público do seu país.
família. Gozam de iguais direitos em relação ao
3. A vontade do povo será a base da autoridade do
casamento, sua duração e sua dissolução.
governo; esta vontade será expressa em eleições
2. O casamento não será válido senão com o livre e periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto
pleno consentimento dos nubentes. secreto ou processo equivalente que assegure a
liberdade de voto.
3. A família é o núcleo natural e fundamental da
sociedade e tem direito à proteção da sociedade e
do Estado. Artigo 22.

Todo ser humano, como membro da sociedade, tem


Artigo 17. direito à segurança social e à realização, pelo esforço
nacional, pela cooperação internacional e de acordo
1. Todo ser humano tem direito à propriedade, só ou
com a organização e recursos de cada Estado, dos
em sociedade com outros.
direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua
propriedade. personalidade.

Artigo 18.
Artigo 23.
Todo ser humano tem direito à liberdade de
pensamento, consciência e religião; este direito inclui 1. Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre
a liberdade de mudar de religião ou crença e a escolha de emprego, a condições justas e favoráveis
liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo de trabalho e à proteção contra o desemprego.
ensino, pela prática, pelo culto e pela observância,
2. Todo ser humano, sem qualquer distinção, tem
isolada ou coletivamente, em público ou em
direito a igual remuneração por igual trabalho.
particular.
3. Todo ser humano que trabalhe tem direito a uma
Artigo 19.
remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure,
Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e assim como à sua família, uma existência compatível
expressão; este direito inclui a liberdade de, sem com a dignidade humana, e a que se acrescentarão,
interferência, ter opiniões e de procurar, receber e se necessário, outros meios de proteção social.
transmitir informações e ideias por quaisquer meios e
4. Todo ser humano tem direito a organizar sindicatos
independentemente de fronteiras.
e neles ingressar para proteção de seus interesses.
Artigo 20.
Artigo 24.
1. Todo ser humano tem direito à liberdade de reunião
e associação pacífica.

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Todo ser humano tem direito a repouso e lazer, 2. Todo ser humano tem direito à proteção dos
inclusive à limitação razoável das horas de trabalho e interesses morais e materiais decorrentes de qualquer
férias periódicas remuneradas. produção científica, literária ou artística da qual seja
autor.

Artigo 25.
Artigo 28.
1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida
capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem Todo ser humano tem direito a uma ordem social e
estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, internacional em que os direitos e liberdades
cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, estabelecidos na presente Declaração possam ser
e direito à segurança em caso de plenamente realizados.
desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou
outros casos de perda dos meios de subsistência fora
Artigo 29.
de seu controle.
1. Todo ser humano tem deveres para com a
2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados
comunidade, em que o livre e pleno desenvolvimento
e assistência especiais. Todas as crianças nascidas
de sua personalidade é possível.
dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma
proteção social. 2. No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser
humano estará sujeito apenas às limitações
determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de
Artigo 26.
assegurar o devido reconhecimento e respeito dos
1. Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas
será gratuita, pelo menos nos graus elementares e exigências da moral, da ordem pública e do bem-
fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. estar de uma sociedade democrática.
A instrução técnico-profissional será acessível a todos,
3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese
bem como a instrução superior, está baseada no
alguma, ser exercidos contrariamente aos propósitos e
mérito.
princípios das Nações Unidas.
2. A instrução será orientada no sentido do pleno
Artigo 30.
desenvolvimento da personalidade humana e do
fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e Nenhuma disposição da presente Declaração pode
pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá ser interpretada como o reconhecimento a qualquer
a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer
as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará qualquer atividade ou praticar qualquer ato
as atividades das Nações Unidas em prol da destinado à destruição de quaisquer dos direitos e
manutenção da paz. liberdades aqui estabelecidos.

3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do


gênero de instrução que será ministrada a seus filhos. 3 Diretrizes Nacionais para a

Educação em Direitos Humanos


Artigo 27.
Em maio de 2012, o Conselho Nacional de
1. Todo ser humano tem o direito de participar
Educação, CNE, aprovou a resolução nº 01. E para nos
livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as
relacionarmos com a temática, selecionamos para
artes e de participar do processo científico e de seus
você o parecer do CNE e corpo da lei.
benefícios.

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Para conhecer todo o texto, clique aqui.


Art. 2º A Educação em Direitos Humanos,
um dos eixos fundamentais do direito à
educação, refere-se ao uso de concepções
3.1 Resolução nº 01 de maio de 2012 e práticas educativas fundadas nos Direitos
Humanos e em seus processos de
RESOLUÇÃO Nº 1, DE 30 DE MAIO DE 2012
promoção, proteção, defesa e aplicação
na vida cotidiana e cidadã de sujeitos de
Estabelece Diretrizes Nacionais para a direitos e de responsabilidades individuais e
Educação em Direitos Humanos. coletivas.

O Presidente do Conselho Nacional de § 1º Os Direitos Humanos,


Educação, no uso de suas atribuições legais internacionalmente reconhecidos como um
e tendo em vista o disposto nas Leis nos conjunto de direitos civis, políticos, sociais,
9.131, de 24 de novembro de 1995, e 9.394, econômicos, culturais e ambientais, sejam
de 20 de dezembro de 1996, com eles individuais, coletivos, transindividuais ou
fundamento no Parecer CNE/CP nº 8/2012, difusos, referem-se à necessidade de
homologado por Despacho do Senhor igualdade e de defesa da dignidade
Ministro de Estado da Educação, publicado humana.
no DOU de 30 de maio de 2012,
§ 2º Aos sistemas de ensino e suas instituições
CONSIDERANDO o que dispõe a
cabe a efetivação da Educação em Direitos
Declaração Universal dos Direitos Humanos
Humanos, implicando a adoção sistemática
de 1948; a Declaração das Nações Unidas
dessas diretrizes por todos(as) os(as)
sobre a Educação e Formação em Direitos
envolvidos(as) nos processos educacionais.
Humanos (Resolução A/66/137/2011); a
Constituição Federal de 1988; a Lei de Art. 3º A Educação em Direitos Humanos,
Diretrizes e Bases da Educação Nacional com a finalidade de promover a educação
(Lei nº 9.394/1996); o Programa Mundial de para a mudança e a transformação social,
Educação em Direitos Humanos (PMEDH fundamenta-se nos seguintes princípios:
2005/2014), o Programa Nacional de Direitos
I - dignidade humana;
Humanos (PNDH-3/Decreto nº 7.037/2009); o
Plano Nacional de Educação em Direitos II - igualdade de direitos;
Humanos (PNEDH/2006); e as diretrizes
III - reconhecimento e valorização das
nacionais emanadas pelo Conselho
diferenças e das diversidades;
Nacional de Educação, bem como outros
documentos nacionais e internacionais que IV - laicidade do Estado;
visem assegurar o direito à educação a
V - democracia na educação;
todos(as), RESOLVE:
VI - transversalidade, vivência e
globalidade; e
Art. 1º A presente Resolução estabelece as
Diretrizes Nacionais para a Educação em VII - sustentabilidade socioambiental.
Direitos Humanos (EDH) a serem observadas
pelos sistemas de ensino e suas instituições.
Art. 4º A Educação em Direitos Humanos
como processo sistemático e

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multidimensional, orientador da formação adequadas às necessidades, às


integral dos sujeitos de direitos, articula-se às características biopsicossociais e
seguintes dimensões: culturais dos diferentes sujeitos e
seus contextos.
I - apreensão de conhecimentos
historicamente construídos sobre § 2º Os Conselhos de Educação
direitos humanos e a sua relação com definirão estratégias de
os contextos internacional, nacional e acompanhamento das ações de
local; Educação em Direitos Humanos.

II - afirmação de valores, atitudes e


práticas sociais que expressem a cultura Art. 6º A Educação em Direitos Humanos, de
dos direitos humanos em todos os modo transversal, deverá ser considerada
espaços da sociedade; na construção dos Projetos Político-
Pedagógicos (PPP); dos Regimentos
III - formação de uma consciência
Escolares; dos Planos de Desenvolvimento
cidadã capaz de se fazer presente em
Institucionais (PDI); dos Programas
níveis cognitivo, social, cultural e
Pedagógicos de Curso (PPC) das Instituições
político;
de Educação Superior; dos materiais
IV - desenvolvimento de processos didáticos e pedagógicos; do modelo de
metodológicos participativos e de ensino, pesquisa e extensão; de gestão,
construção coletiva, utilizando bem como dos diferentes processos de
linguagens e materiais didáticos avaliação.
contextualizados; e

V - fortalecimento de práticas Art. 7º A inserção dos conhecimentos


individuais e sociais que gerem ações e concernentes à Educação em Direitos
instrumentos em favor da promoção, Humanos na organização dos currículos da
da proteção e da defesa dos direitos Educação Básica e da Educação Superior
humanos, bem como da reparação poderá ocorrer das seguintes formas:
das diferentes formas de violação de
I - pela transversalidade, por meio de
direitos.
temas relacionados aos Direitos Humanos
Art. 5º A Educação em Direitos Humanos e tratados interdisciplinarmente;
tem como objetivo central a formação para
II - como um conteúdo específico de
a vida e para a convivência, no exercício
uma das disciplinas já existentes no
cotidiano dos Direitos Humanos como forma
currículo escolar;
de vida e de organização social, política,
econômica e cultural nos níveis regionais, III - de maneira mista, ou seja,
nacionais e planetário. combinando transversalidade e
disciplinaridade.

§ 1º Este objetivo deverá orientar Parágrafo único. Outras formas


os sistemas de ensino e suas de inserção da Educação em
instituições no que se refere ao Direitos Humanos poderão ainda
planejamento e ao ser admitidas na organização
desenvolvimento de ações de curricular das instituições
Educação em Direitos Humanos educativas desde que

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observadas as especificidades
dos níveis e modalidades da 4 Plano Nacional de Educação
Educação Nacional.
em Direitos Humanos
Art. 8º A Educação em Direitos Humanos Reconhecer e realizar uma educação pautada

deverá orientar a formação inicial e nos direitos humanos exige posicionamentos claros

continuada de todos(as) os(as) profissionais quanto à promoção da cultura de direitos. Parece

da educação, sendo componente óbvio que a educação deve-se pautar em direitos da

curricular obrigatório nos cursos destinados pessoa humana e que a educação, por ser

a esses profissionais. educação, jamais violará os direitos das pessoas, não


é? Mas não é bem isso que acontece. Frente aos
desafios cotidianos enfrentados por professores e
Art. 9º A Educação em Direitos Humanos
gestores escolares, no calor da dinâmica prática do
deverá estar presente na formação inicial e
cotidiano escolar, muitas vezes, tomamos atitudes que
continuada de todos(as) os(as) profissionais
vão na contramão da educação para os direitos da
das diferentes áreas do conhecimento.
pessoa humana, como é o caso da exposição do
aluno ao ridículo, o constrangimento em público, a

Art. 10. Os sistemas de ensino e as expulsão, etc.

instituições de pesquisa deverão fomentar e


divulgar estudos e experiências bem A concepção de Educação em Direitos Humanos

sucedidas realizados na área dos Direitos é refletida na própria noção de educação expressa

Humanos e da Educação em Direitos na Constituição Federal de 1988 e na Lei de Diretrizes

Humanos. e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996).

Foi a partir de 2003 que a Educação em Direitos

Art. 11. Os sistemas de ensino deverão criar Humanos ganhou umPlano Nacional, o Plano Nacional

políticas de produção de materiais de Educação em Direitos Humanos -PNEDH-, revisto

didáticos e paradidáticos, tendo como em 2006, aprofundando questões do Programa

princípios orientadores os Direitos Humanos Nacional de Direitos Humanos e incorporando

e, por extensão, a Educação em Direitos aspectos dos principais documentos internacionais de

Humanos. Direitos Humanos dos quais o Brasil é signatário.

Art. 12. As Instituições de Educação Superior Clique aqui para conhecer o PNEDH, clique
estimularão ações de extensão voltadas aqui
para a promoção de Direitos Humanos, em
diálogo com os segmentos sociais em 4.1 PNEDH
situação de exclusão social e violação de
O PNEDH define a Educação em Direitos Humanos
direitos, assim como com os movimentos
como um processo sistemático e multidimensional que
sociais e a gestão pública.
orienta a formação do sujeito de direitos, articulando
as seguintes dimensões:
Art. 13. Esta Resolução entrará em vigor na
data de sua publicação.
a) apreensão de conhecimentos
historicamente construídos sobre
direitos humanos e a sua relação
ANTONIO CARLOS CARUSO RONCA

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com os contextos internacional, pessoas e grupos viverem de acordo com os seus


nacional e local; pressupostos de dignidade.

b) afirmação de valores, atitudes e • Igualdade de direitos: O respeito à dignidade


práticas sociais que expressem a humana, devendo existir em qualquer tempo e lugar,
cultura dos direitos humanos em diz respeito à necessária condição de igualdade na
todos os espaços da sociedade; orientação das relações entre os seres humanos. O
princípio da igualdade de direitos está ligado,
c) formação de uma consciência
portanto, à ampliação de direitos civis, políticos,
cidadã capaz de se fazer presente
econômicos, sociais, culturais e ambientais a todos os
em níveis cognitivo, social, cultural e
cidadãos e cidadãs, com vistas a sua universalidade,
político;
sem distinção de cor, credo, nacionalidade,
d) desenvolvimento de processos orientação sexual, biopsicossocial e local de moradia.
metodológicos participativos e de
• Reconhecimento e valorização das diferenças e das
construção coletiva, utilizando
diversidades:Esse princípio se Refere ao
linguagens e materiais didáticos
enfrentamento dos preconceitos e das
contextualizados;
discriminações, garantindo que diferenças não sejam
e) fortalecimento de práticas transformadas em desigualdades. O princípio jurídico-
individuais e sociais que gerem liberal de igualdade de direitos do indivíduo deve ser
ações e instrumentos em favor da complementado, então, com os princípios dos direitos
promoção, da proteção e da humanos da garantia da alteridade entre as pessoas,
defesa dos direitos humanos, bem grupos e coletivos. Dessa forma, igualdade e
como da reparação das violações. diferença são valores indissociáveis que podem
impulsionar a equidade social.
O parecer do CNE/CEB nº 7/2010, recomenda que
o tema dos Direitos Humanos deverá ser abordado ao • Laicidade do Estado: Esse princípio se constitui em
longo do desenvolvimento de componentes pré-condição para a liberdade de crença garantida
curriculares com os quais guardam intensa ou relativa pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, de
relação temática, em função de prescrição definida 1948, e pela Constituição Federal Brasileira de 1988.
pelos órgãos do sistema educativo ou pela Respeitando todas as crenças religiosas, assim como
comunidade educacional, respeitadas as as não crenças, o Estado deve manter-se imparcial
características próprias da etapa da Educação Básica diante dos conflitos e disputas do campo religioso,
que a justifica (BRASIL, 2010,p. 24) desde que não atentem contra os direitos
fundamentais da pessoa humana, fazendo valer a
soberania popular em matéria de política e de cultura.
A Educação em Direitos Humanos, com finalidade
O Estado, portanto, deve assegurar o respeito à
de promover a educação para a mudança e a
diversidade cultural religiosa do País, sem praticar
transformação social, fundamenta-se nos seguintes
qualquer forma de proselitismo.
princípios (art. 3º da Resolução 01/2012):

• Dignidade humana: Relacionada a uma concepção


de existência humana fundada em direitos. A ideia de
dignidade humana assume diferentes conotações em
contextos históricos, sociais, políticos e culturais
diversos. É, portanto, um princípio em que se devem
levar em consideração os diálogos interculturais na
efetiva promoção de direitos que garantam às • Democracia na educação: Democracia na

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educação: Direitos Humanos e democracia


alicerçam-se sobre a mesma base - liberdade, 4.2 PNEDH
igualdade e solidariedade - expressando-se no
Objetivos Gerais do Plano Nacional de Educação em
reconhecimento e na promoção dos direitos civis,
Direitos Humanos
políticos, sociais, econômicos, culturais e ambientais.
Não há democracia sem respeito aos Direitos São objetivos gerais do PNEDH:

Humanos, da mesma forma que a democracia é a


garantia de tais direitos. Ambos são processos que se
a) destacar o papel estratégico da
desenvolvem continuamente por meio da
educação em direitos humanos para o
participação. No ambiente educacional, a
fortalecimento do Estado Democrático de
democracia implica na participação de todos/as
Direito;
os/as envolvidos/as no processo educativo.
b) enfatizar o papel dos direitos humanos na
• Transversalidade, vivência e globalidade: Os Direitos
construção de uma sociedade justa,
Humanos se caracterizam pelo seu caráter transversal
equitativa e democrática;
e, por isso, devem ser trabalhados a partir do diálogo
interdisciplinar. Como se trata da construção de c) encorajar o desenvolvimento de ações

valores éticos, a Educação em Direitos Humanos é de educação em direitos humanos pelo

também fundamentalmente vivencial, sendo-lhe poder público e a sociedade civil por meio

necessária a adoção de estratégias metodológicas de ações conjuntas;

que privilegiem a construção prática destes valores. d) contribuir para a efetivação dos
Tendo uma perspectiva de globalidade, deve compromissos internacionais e nacionais
envolver toda a comunidade escolar: alunos/as,
com a educação em direitos humanos;
professores/as, funcionários/as, direção, pais/mães e
comunidade local. Além disso, no mundo de e) estimular a cooperação nacional e

circulações e comunicações globais, a EDH deve internacional na implementação de ações

estimular e fortalecer os diálogos entre as perspectivas de educação em direitos humanos;

locais, regionais, nacionais e mundiais das f) propor a transversalidade da educação


experiências dos/as estudantes. em direitos humanos nas políticas públicas,

• Sustentabilidade socioambiental: A EDH deve estimulando o desenvolvimento institucional

estimular o respeito ao espaço público como bem e interinstitucional das ações previstas no

coletivo e de utilização democrática de todos/as. PNEDH nos mais diversos setores (educação,

Nesse sentido, colabora para o entendimento de que saúde, comunicação, cultura, segurança e

a convivência na esfera pública se constitui numa justiça, esporte e lazer, dentre outros);

forma de educação para a cidadania, estendendo a g) avançar nas ações e propostas do


dimensão política da educação ao cuidado com o Programa Nacional de Direitos Humanos
meio ambiente local, regional e global. A EDH, então, (PNDH) no que se refere às questões da
deve estar comprometida com o incentivo e educação em direitos humanos;
promoção de um desenvolvimento sustentável que
h) orientar políticas educacionais
preserve a diversidade da vida e das culturas,
condição para a sobrevivência da humanidade de direcionadas para a constituição de uma

hoje e das futuras gerações. cultura de direitos humanos;

Para acessar a resolução 01/2012 clique i) estabelecer objetivos, diretrizes e linhas de

aqui ações para a elaboração de programas e

11
EaD Espaço Educacional

projetos na área da educação em direitos f) sugerir a inclusão da temática dos direitos


humanos; humanos nos concursos para todos os
cargos públicos em âmbito federal, distrital,
j) estimular a reflexão, o estudo e a pesquisa
estadual e municipal;
voltados para a educação em direitos
humanos; g) incluir a temática da educação em
direitos humanos nas conferências
k) incentivar a criação e o fortalecimento
nacionais, estaduais e municipais de direitos
de instituições e organizações nacionais,
humanos e das demais políticas públicas;
estaduais e municipais na perspectiva da
educação em direitos humanos; h) fortalecer o Comitê Nacional de
Educação em Direitos Humanos;
l) balizar a elaboração, implementação,
monitoramento, avaliação e atualização i) propor e/ou apoiar a criação e a
dos Planos de Educação em Direitos estruturação dos Comitês Estaduais.
Humanos dos estados e municípios;

m) incentivar formas de acesso às ações de 4.4 Objetivos da Educação em Direitos


educação em direitos humanos a pessoas
com deficiência Humanos

Art. 5º “A Educação em Direitos Humanos tem


4.3 PNEDH como objetivo central a formação para a vida e para
a convivência, no exercício cotidiano dos Direitos
As Linhas gerais de ação do PNEDH são:
Humanos como forma de vida e de organização
social, política, econômica e cultural nos níveis
a) Consolidar o aperfeiçoamento da regionais, nacionais e planetário.”
legislação aplicável à educação em
Um dos principais objetivos da defesa dos Direitos
direitos humanos;
Humanos é a construção de sociedades que
b) propor diretrizes normativas para a valorizem e desenvolvam condições para a garantia
educação em direitos humanos; da dignidade humana. Nesse marco, o objetivo da
Educação em Direitos Humanos é que a pessoa e/ou
c) apresentar aos órgãos de fomento à
grupo social se reconheça como sujeito de direitos,
pesquisa e pós-graduação proposta de
assim como seja capaz de exercê-los e promovê-los
reconhecimento dos direitos humanos
ao mesmo tempo em que reconheça e respeite os
como área de conhecimento
direitos do outro.
interdisciplinar, tendo, entre outras, a
educação em direitos humanos como
subárea; A EDH busca também desenvolver a sensibilidade
ética nas relações interpessoais, em que cada
d) propor a criação de unidades
indivíduo seja capaz de perceber o outro em sua
específicas e programas interinstitucionais
condição humana. Mesmo sabendo que a escola não
para coordenar e desenvolver ações de
é o único lugar onde esses conhecimentos são
educação em direitos humanos nos diversos
construídos, reconhece-se que é nela onde eles são
órgãos da administração pública;
apresentados de modo mais sistemático.
e) institucionalizar a categoria educação
Ao desempenhar essa importante função social,
em direitos humanos no Prêmio Direitos
a escola pode ser compreendida, de acordo com o
Humanos do governo federal;
PNEDH como:

12
EaD Espaço Educacional

Sob a perspectiva da EDH as metodologias de


Um espaço social privilegiado onde se ensino na educação básica devem privilegiar a
definem a ação institucional participação ativa dos /as estudantes como
pedagógica e a prática e vivência dos construtores/as dos seus conhecimentos, de forma
direitos humanos. problematizadora, interativa, participativa e
[...] local de estruturação de concepções dialógica. São exemplos das possibilidades que a
de mundo e de consciência social, de vivência destas metodologias pode possibilitar:
circulação e de consolidação de valores,
de promoção da diversidade cultural, da
• construir normas de disciplinas e de
formação para a cidadania, de
organização da escola, com a
constituição de sujeitos sociais e de
participação direta dos/as estudantes;
desenvolvimento de práticas
pedagógicas (BRASIL, 2006, p. 23) • discutir questões relacionadas à vida da
comunidade, tais como problemas de
O Programa Nacional de Direitos Humanos - PNDH-
saúde, saneamento básico, educação,
3 (BRASIL, 2010), no sentido de contribuir com os
moradia, poluição dos rios e defesa do meio
sistemas de ensino e suas instituições de educação na
ambiente, transporte, entre outros;
elaboração das suas respectivas propostas
pedagógicas: • trazer para a sala de aula exemplos de
discriminações e preconceitos comuns na
sociedade, a partir de situação-problema e
• a Educação em Direitos Humanos além de
discutir formas de resolvê-las;
ser um dos eixos fundamentais da
educação básica, deve orientar a • tratar as datas comemorativas que
formação inicial e continuada dos/as permeiam o calendário escolar de forma
profissionais da educação, a elaboração articulada com os conteúdos dos Direitos
do projeto político pedagógico, os materiais Humanos de forma transversal,
didático-pedagógicos, o modelo de gestão interdisciplinar e disciplinar;
e a avaliação das aprendizagens.
• trabalhar os conteúdos curriculares
• A prática escolar deve ser orientada para integrando-os aos conteúdos da área de
a Educação em Direitos Humanos, DH, através das diferentes linguagens;
assegurando o seu caráter transversal e a musical, corporal, teatral, literária,
relação dialógica entre os diversos plástica, poética, entre outras, com
atores sociais. metodologias ativa, participativa e
problematizadora.
• Os/as estudantes devem ser
estimulados/as para que sejam
protagonistas da construção de sua 4.5 Desafios da EDH
educação, com o incentivo, por exemplo,
Ter leis que garantam direitos não significa que
do fortalecimento de sua organização
estes sejam (re)conhecidos e vivenciados no
estudantil em grêmios escolares e em outros
ambiente educacional, bem como nas demais
espaços de participação coletiva.
instituições sociais. Diante disso, torna-se premente a

• Participação da comunidade educativa efetivação de uma cultura dos Direitos Humanos,

na construção e efetivação das ações da reafirmando a importância do papel da Educação

Educação em Direitos Humanos. em Direitos Humanos. No entanto, para se alcançar tal


objetivo é necessário enfrentar alguns desafios.

13
EaD Espaço Educacional

O primeiro deles é a formação, pautada nas violência que ocasionam a negação dos Direitos
questões pertinentes aos Direitos Humanos, de Humanos. Nesse sentido, o reconhecimento político
todos/as os/as profissionais da educação nas das diversidades, fruto da luta de vários movimentos
diferentes áreas do conhecimento, uma vez que esses sociais, ainda se apresenta como necessidade
conteúdos não fizeram e, em geral, não fazem parte urgente no ambiente educacional, dadas as
dos cursos de graduação e pós-graduação, nem recorrentes situações de preconceitos e
mesmo da Educação Básica (SILVA, FERREIRA, 2010, p. discriminações que nele ocorrem.
89). Sendo assim, compreende-se que a formação
O quinto desafio se refere à compreensão ampla
destes/as profissionais deverá contemplar o
da participação democrática requerida pela
conhecimento e o reconhecimento dos temas e
Educação em Direitos Humanos. Nesse sentido, é
questões dos Direitos Humanos com o intuito de
preciso lembrar da necessidade de representação de
desenvolver a capacidade de análise critica a
todos os segmentos que integram a comunidade
respeito do papel desses direitos na sociedade, na
escolar e acadêmica em seus diferentes tempos e
comunidade, na instituição, fazendo com que tais
espaços. É dessa forma que se construirá o sentido de
profissionais se identifiquem e identifiquem sua
participação política entre os diferentes atores que
instituição como protetores e promotores destes
compõem o ambiente escolar. No que diz respeito à
direitos.
participação na construção do conhecimento, é
O segundo desafio diz respeito à valorização imprescindível considerar o protagonismo discente e
desses/as profissionais que deverão ser docente, favorecendo as suas participações ativas.
compreendidos/as e tratados/as como sujeitos de
O sexto desafio refere-se à necessidade de
direitos, o que implica, por parte dos entes federados
criação de políticas de produção de materiais
responsáveis pelas políticas educacionais, garantir
didáticos e paradidáticos, tendo como princípios
condições dignas de trabalho que atendam as
orientadores o respeito à dignidade humana e a
necessidades básicas e do exercício profissional. Tal
diversidade cultural e socioambiental, na perspectiva
situação requer o efetivo cumprimento das políticas
de educar para a consolidação de uma cultura de
de profissionalização, assegurando garantias
Direitos Humanos nos sistemas de ensino.
instituídas nos diversos planos de carreira de todos/as
os/as trabalhadores/as da educação. O sétimo desafio está ligado ao reconhecimento
da importância da Educação em Direitos Humanos e
O terceiro diz respeito à socialização dos estudos
sua relação com a mídia e as tecnologias da
e experiências bem sucedidas desenvolvidos na área
informação e comunicação.
dos Direitos Humanos, realizados em instituições de
ensino e centros independentes, como institutos e O caráter crítico da informação e da
organizações não governamentais. Torna-se comunicação deverá se pautar nos direitos humanos,
necessário, então, o fomento às pesquisas em favorecendo a democratização do acesso e a
Educação em Direitos Humanos e nas temáticas que reflexão dos conteúdos veiculados. A garantia do
a integram no âmbito das instituições de educação direito humano deve considerar também a livre
superior que, por sua vez, poderão promover expressão de pensamento, como forma de combate
encontros, seminários, colóquios e publicações de a toda forma de censura ou exclusão.
caráter interdisciplinar a fim de divulgar os novos
conhecimentos produzidos na área. 5 Direitos das Mulheres
O quarto desafio a ser enfrentado pelas instituições
Desde a idade média, temos notícias de que a
de educação e de ensino está ligado à perspectiva
nossa sociedade de organiza de maneira patriarcal. O
do respeito às diversidades como aspecto
homem se colocou como membro mais importante da
fundamental na reflexão sobre as diversas formas de
sociedade e à mulher coube apenas o segundo

14
EaD Espaço Educacional

plano. No Brasil, por muito tempo, a mulher não teve


voz ou vez. Apesar de nos dias atuais, a mulher já ter 5.1 Os Direitos da Mulher
conquistado muitos direitos e seu lugar de destaque
Segundo a Organização das Nações Unidas - ONU
na sociedade, há ainda uma grande caminhada na
os 12 direitos das mulheres são:
busca de equiparação de direitos. A mulher ainda
ocupa cargos de menor importância no país, ainda
recebe menos que os homens, ocupando os mesmos 1. Direito à vida

cargos, ainda é vítima de violências físicas e sexuais.


2. Direito à liberdade e a segurança

Houve um tempo em que a mulher não podia pessoal


votar, expressar sua opinião ou trabalhar. Em alguns
3. Direito à igualdade e a estar livre de
países do globo, a mulher ainda não é vista como um
todas as formas de discriminação.
sujeito de direitos.
4. Direito à liberdade de pensamento

5. Direito à informação e a educação

6. Direito à privacidade

7. Direito à saúde e a proteção desta

8.Direito a construir relacionamento


conjugal e a planejar sua família

9.Direito à decidir ter ou não ter filhos e


Como você pode observar no gráfico abaixo, o quando tê-los
salário da mulher, se comparado ao do homem é mais
10. Direito aos benefícios do progresso
baixo:
científico

11. Direito à liberdade de reunião e


participação política

12.Direito a não ser submetida a


torturas e maus tratos.

5.2 Os Direitos da Mulher

Em 1979, a Assembleia Geral adotou a Convenção


sobre a Eliminação de Todas as Formas de
Discriminação contra a Mulher, frequentemente
descrita como uma Carta Internacional dos Direitos da
Mulher. Em seus 30 artigos, a Convenção define
No Brasil, a violência contra a mulher é um reflexo
claramente a discriminação contra mulheres e
do quão desvalorizada, frente a uma sociedade
estabelece uma agenda para ação nacional para
machista e patriarcal.
pôr fim a tal discriminação. A Convenção considera a
A Organização das Nações Unidas – ONU, tem cultura e a tradição como forças influentes para
travado uma luta constante para dar fim à violência e moldar os papéis de gênero e as relações familiares, e
a desigualdade entre gêneros no Planeta. Para isso, é o primeiro tratado de direitos humanos a afirmar os
ela estabeleceu os “Os Direitos da Mulher”. direitos reprodutivos das mulheres.

15
EaD Espaço Educacional

Cinco anos depois da conferência da Cidade do que nomeasse mais mulheres para os cargos de
México, a Segunda Conferência Mundial sobre a representantes especiais e enviados, e para expandir
Mulher foi realizada em Copenhague (Dinamarca), o papel e a contribuição das mulheres nas operações
em 1980. O Programa de Ação resultante pediu mais de paz da ONU.
medidas nacionais para assegurar o domínio e o
O Conselho apelou a todos os atores envolvidos
controle de propriedade das mulheres, bem como
na negociação e implementação dos acordos de paz
melhorias nos direitos das mulheres em relação à
para adotarem uma perspectiva de gênero. Também
herança, à guarda dos filhos, e à perda da
instou todas as partes em conflitos armados para
nacionalidade.
tomarem medidas especiais para protegerem
Em 1985, a “Conferência Mundial para a Revisão mulheres e meninas contra a violência baseada no
e Avaliação das Realizações da Década das Nações gênero e todas as outras formas de violência que
Unidas para a Mulher: Igualdade, Desenvolvimento e ocorrem em situações de conflito armado. Estas
Paz” foi realizada em Nairóbi (Quênia). Ela foi recomendações foram mais desenvolvidas na
convocada num momento em que o movimento pela Resolução 1820 (2008) e nas resoluções 1888 e 1889
igualdade de gênero finalmente ganhou verdadeiro (2009). Em outubro de 2010 o Conselho de Segurança
reconhecimento global, e 15 mil representantes de comemorou o 10° aniversário da adoção da
organizações não-governamentais participaram em resolução 1325.
um Fórum paralelo de ONGs. O evento foi descrito por
Em fevereiro de 2010, o Secretário-Geral da ONU,
muitos como o “nascimento do feminismo global”.
Ban Ki-moon anunciou a nomeação da sueca Margot
Percebendo que os objetivos da Conferência da
Wallström como sua Representante Especial para
Cidade do México não foram devidamente
Violência Sexual em Conflito. Wallström pediu a
cumpridos, os 157 governos participantes adotaram a
responsabilização pelas violações em massa
Estratégias Prospectivas de Nairóbi para o Ano 2000.
cometidas na República Democrática do Congo,
Elas quebraram barreiras ao declararem todos os
dizendo que o Conselho de Segurança deve “mudar
assuntos como sendo assuntos das mulheres.
a maré contra a impunidade.”
Um resultado inicial da Conferência de Nairóbi foi
Fonte: https://nacoesunidas.org/acao/mulheres/
a transformação do Fundo Voluntário para a Década
da Mulher no Fundo de Desenvolvimento das Nações
Unidas para a Mulher (UNIFEM, agora parte da ONU 5.3 Violência doméstica e familiar contra a
Mulher).
mulher
A Quarta Conferência Mundial sobre as Mulheres,
realizada em Pequim (China), em 1995, deu um passo A violência doméstica e familiar contra a mulher

além da Conferência de Nairóbi. A Plataforma de consiste em toda maneira de violência praticada

Ação de Pequim definiu os direitos das mulheres como dentro do âmbito familiar. Acontece dentro de casa

direitos humanos e se comprometeu com ações ou unidade doméstica e geralmente é praticada por

específicas para garantir o respeito desses direitos. um membro da família que viva com a vítima. As
agressões domésticas incluem: abuso físico, sexual e
Em outubro de 2000, o Conselho de Segurança
psicológico, a negligência, o abandono etc.
adotou por unanimidade uma resolução inovadora
sobre mulheres, paz e segurança. A Resolução 1325 A lei 11.340, promulgada em 7 de agosto de 2006,

pedia aos Estados-Membros que aumentassem a também conhecida como lei Maria de Penha, foi

representação das mulheres em todos os níveis de criada com intuito de coibir a violência doméstica e

tomada de decisão para a prevenção, gestão e familiar contra a mulher. Traz em seu texto uma ampla

resolução de conflito. Ela pedia ao Secretário-Geral definição do que configura a violência contra mulher

16
EaD Espaço Educacional

e suas formas de manifestação. Como podemos ver · Determina que a mulher somente poderá
nos art. 5º e 6º: retirar a denúncia perante o juiz (art. 16).

Para os efeitos desta Lei, configura · Ficam proibidas as penas pecuniárias


violência doméstica e familiar contra a (pagamento de multas ou cestas
mulher qualquer ação ou omissão básicas)(art.17).
baseada no gênero que lhe cause morte,
· É vedada a entrega da intimação pela
lesão, sofrimento físico, sexual ou
mulher ao agressor(parágrafo único do art.
psicológico e dano moral ou patrimonial:
21).
I - no âmbito da unidade doméstica,
· A mulher vítima de violência doméstica
compreendida como o espaço de
será notificada dos atos processuais, em
convívio permanente de pessoas, com
especial quando do ingresso e saída da
ou sem vínculo familiar, inclusive as
prisão do agressor (art. 21).
esporadicamente agregadas;
· A mulher deverá estar acompanhada de
II - no âmbito da família, compreendida
advogado (a) ou defensor (a) em todos os
como a comunidade formada por
atos processuais (art. 27).
indivíduos que são ou se consideram
aparentados, unidos por laços naturais, · Retira dos juizados especiais criminais (lei
por afinidade ou por vontade expressa; 9.099/95) a competência para julgar os
crimes de violência doméstica contra a
III - em qualquer relação íntima de afeto,
mulher.
na qual o agressor conviva ou tenha
convivido com a ofendida, · Altera o código de processo penal para
independentemente de coabitação. possibilitar ao juiz a decretação da prisão
preventiva quando houver riscos à
Parágrafo único. As relações pessoais
integridade física ou psicológica da mulher
enunciadas neste artigo independem de
(art. 20).
orientação sexual.
· Altera a lei de execuções penais para
Art. 6º A violência doméstica e familiar
permitir o juiz que determine o
contra a mulher constitui uma das formas
comparecimento obrigatório do agressor a
de violação dos direitos humanos.
programas de recuperação e reeducação
Podemos destacar as seguintes inovações trazidas (art. 45).
pela lei 11.340/06:
· Determina a criação de juizados especiais
de violência doméstica e familiar contra a
· “Tipifica e define a violência doméstica e mulher com competência cívil e criminal
familiar contra a mulher (art. 5º). para abranger as questões de família
decorrentes da violência contra a mulher
· Estabelece as formas de violência
(art.12).
doméstica contra a mulher como física,
psicológica, sexual, patrimonial e moral(art. · Caso a violência doméstica seja cometida
5º). contra mulher com deficiência, a pena será
aumentada em 1/3.” (art. 44).
· Determina que a violência doméstica
contra a mulher independe de sua A autoridade policial, na Lei Maria da Penha:
orientação sexual( art. 2º).

17
EaD Espaço Educacional

O que podemos perceber, dentre todas as


· “Prevê um capítulo específico para o contribuições trazidas pela Lei Maria da Penha, são as
atendimento pela autoridade policial para medidas protetivas de urgência. A rapidez com que
os casos de violência doméstica contra a são concedidas essas medidas é fundamental para
mulher (cap.III). que haja a interrupção imediata das agressões.
Segundo o art. 19 dessa lei:
· Permite a autoridade policial prender o
agressor em flagrante sempre que houver
qualquer das formas de violência Art. 19. As medidas protetivas de urgência
doméstica contra a mulher (art. 20). poderão ser concedidas pelo juiz, a
requerimento do Ministério Público ou a
· Registra o boletim de ocorrência e instaura
pedido da ofendida.
o inquérito policial (composto pelos
§ 1º As medidas protetivas de urgência
depoimentos da vítima, do agressor, das
poderão ser concedidas de imediato,
testemunhas e de provas documentais e
independentemente de audiência das
periciais) (art. 12).
partes e de manifestação do Ministério
· Remete o inquérito policial ao Ministério Público.
Público(art. 12). § 2º As medidas protetivas de urgência
serão aplicadas isolada ou
· Pode requerer ao juiz, em 48h, que sejam
cumulativamente, e poderão ser
concedidas diversas medidas protetivas de
substituídas a qualquer tempo por outras
urgência para a mulher em situação de
de maior eficácia, sempre que os direitos
violência (art. 12).
reconhecidos nesta Lei forem ameaçados
· Solicita ao juiz a decretação da prisão ou violados.
preventiva com base na nova lei que altera § 3º Poderá o juiz, a requerimento do
o código de processo penal.” (art. 20). Ministério Público ou a pedido da
Sobre o processo judicial dos casos em ofendida, conceder novas medidas
questão: protetivas de urgência ou rever aquelas já
concedidas, se entender necessário à
· “O juiz poderá conceder, no prazo de 48h,
proteção da ofendida, de seus familiares e
medidas protetivas de urgência (suspensão
de seu patrimônio, ouvido o Ministério
do porte de armas do agressor,
Público.” (BRASIL, 2006).
afastamento do agressor do lar,
distanciamento da vítima, dentre outras),
dependendo da situação(art. 20). 5.4 Violência doméstica e familiar contra a

· O juiz do juizado de violência doméstica e


mulher
familiar contra a mulher terá competência
para apreciar o crime e os casos que O quadro de medidas protetivas de urgência
envolverem questões de família (pensão, apresentado, na Lei Maria da Penha, claro e
separação, guarda de filhos etc.) (art. 23). exemplificativo. O art. 22 da lei trata das medidas que
obrigam o agressor e destaca: a suspensão da posse
· O Ministério Público apresentará denúncia
ou a restrição do porte de armas; o banimento do lar,
ao juiz e poderá propor penas de 3 meses a
da residência ou do lugar de convivência com a
3 anos de detenção, cabendo ao juiz a
vítima; o afastamento do agressor e/ou o
decisão e a sentença final.” (art. 44).
impedimento de qualquer tipo de contato com a
agredida, os familiares dela e as testemunhas; a

18
EaD Espaço Educacional

proibição de frequentar certos ambientes, com o saúde). Outra vantagem da lei é a criação de casas-
intuito de resguardar a integridade física e psicológica abrigos e de centros que prestem assistência integral
da vítima; a limitação ou a interrupção de visitas aos e multidisciplinar para mulheres vítimas e seus
dependentes crianças ou adolescentes; a prestação dependentes menores, além de centros de educação
de alimentos provisionais ou provisórios. É importante e reabilitação para os praticantes da violência. As
ressaltar a importância da determinação pelo juiz do casas-abrigos servem como um refúgio à mulher vítima
tratamento antidrogas como uma medida protetiva de agressão doméstica e familiar. Tendo em vista à
ou como um requisito para a liberdade provisória. própria proteção da mulher, o endereço das casas-
abrigos é confidencial e, por isso, há uma série de
O art. 23 da lei aborda as medidas protetivas
dificuldades para as mulheres que se encontram
quanto à ofendida e traz como exemplos: direcionar
nesses refúgios, por exemplo, de se comunicarem com
a agredida e seus dependentes a programa oficial ou
seus outros parentes.
comunitário de amparo e de atendimento; estipular o
redirecionamento da vítima e de seus dependentes à Além disso, a Lei Maria da Penha determina que
respectiva residência, após o distanciamento do o governo deve realizar políticas públicas voltadas
agressor; definir o afastamento da vítima do lar, sem para prevenir e coibir a violência doméstica e familiar
custo quanto aos direitos referentes a bens, guarda contra a mulher e, assim, proteger os direitos humanos
dos filhos e alimentos; estipular a separação de das mulheres, na esfera das relações domésticas e
corpos. familiares, com o intuito de protegê-las de qualquer
forma de negligência, preconceito, abuso, opressão,
Já o art. 24 da lei trata das medidas protetivas
violência e crueldade.
para o resguardo patrimonial dos bens da sociedade
conjugal ou dos que são de propriedade particular da Para ler a lei na integra clique aqui
ofendida e exemplifica: retornar os bens subtraídos da
vítima, de forma indevida, pelo agressor; o
6 São Paulo. Decreto nº 55.588, de
impedimento temporário de atos e contratos de
compra, venda e locação de bem em comum; a 17 de março de 2010
interrupção das procurações conferidas pela
agredida ao agressor; prestação de caução O decreto estadual nº 55.588/10 estipula o

provisória, por meio de depósito judicial, por conta de reconhecimento da identidade de gênero e o

perdas e danos em virtude da prática da violência tratamento nominal de travestis e transexuais no

doméstica e familiar contra a mulher. âmbito do Estado de São Paulo.

É importante salientar que a ofendida deverá Define, ainda, a necessidade do educador

fiscalizar o cumprimento das medidas protetivas. Caso “compreender que vivemos em uma sociedade

o agressor não obedeça às medidas, ela deve heterogênea e plural, onde se deve respeitar e

peticionar informando o descumprimento utilizando valorizar as diferenças” destacando a promoção de

como meios probatórios, por exemplo, um novo uma educação de qualidade e que considera as

boletim de ocorrência, exame de corpo delito, outros implicações éticas e políticas dos profissionais.

exames periciais ou ainda depoimentos de pessoas O nome social deverá ser usual na forma de
que comprovem o descumprimento. Dependendo do tratamento das (os) alunas (os) e acompanhar os
caso concreto, o juiz pode determinar, além de novas registros e documentos escolares de circulação
medidas protetivas, a prisão preventiva do agressor. interna. No ato de expedição do histórico escolar, do

Outra contribuição da Lei nº 11.340 é o auxílio da certificado e do diploma constará apenas o nome

equipe de atendimento multidisciplinar (composta por civil. Além disso, a Deliberação dá outras providências

profissionais dos âmbitos psicossocial, jurídico e de que responsabilizam as instituições de ensino em


viabilizar as condições necessárias de respeito às

19
EaD Espaço Educacional

diferenças mantendo programas educativos de Considerando que o princípio da dignidade da


enfrentamento ao preconceito e discriminação em pessoa humana, fundamento do Estado Democrático
razão da orientação sexual e de gênero. de Direito, assegura o pleno respeito às pessoas,
independentemente de sua identidade de gênero;
Quando falamos na questão da identidade de
gênero, em função de um preconceito já Considerando que é objetivo da República Federativa
estabelecido, muitos já se fecham para o diálogo e se do Brasil a constituição de uma sociedade justa e que
negam a ter empatia ou pensar sob a ótica das promova o bem de todos, sem preconceitos de
pessoas que são transgênero, transexuais, etc. Nesse origem, raça, sexo, cor, idade ou quaisquer outras
sentido, selecionamos para você dois podcast que formas de discriminação;
tratam do tema de uma maneira bastante respeitosa.
Considerando que a igualdade, a liberdade e a
Acreditamos que o professor precisa olhar para TODOS
autonomia individual são princípios constitucionais
o seus alunos com respeito e empatia.
que orientam a atuação do Estado e impõem a
O primeiro podcast é produzido pelo Paizinho realização de políticas públicas destinadas à
vírgula. Trata-se de uma entrevista a um pai promoção da cidadania e respeito às diferenças
transgênero que passou por todo o processo de humanas, incluídas as diferenças sexuais;
transformação depois de ser mãe de uma linda
Considerando que os direitos da diversidade sexual
menina. Sua narrativa é emociante e nos faz refletir
constituem direitos humanos de lésbicas, gays,
sobre a importância de a escola acolher a aluna que
bissexuais, travestis e transexuais, e que a sua proteção
estava vivenciando esse processo ao lado do pai.
requer ações efetivas do Estado no sentido de
Disponível assegurar o pleno exercício da cidadania e a integral
em: https://paizinhovirgula.com/paternidade-trans- inclusão social da população LGBT;
feat-cezar-santanna-podcast-trico-de-pais-054/
Considerando que toda pessoa tem direito ao
O segundo é uma produção do Mamilos tratamento correspondente ao seu gênero; e
Podcast. É a narrativa de adultos transgêreno,
Considerando que transexuais e travestis possuem
contando suas histórias e quão importante é que seus
identidade de gênero distinta do sexo biológico,
direitos também sejam garantidos na sociedade
Decreta:
brasileira e foi dividido em duas partes:

Disponível em:https://soundcloud.com/mamilospod
Artigo 1º - Fica assegurado às pessoas transexuais e
travestis, nos termos deste decreto, o direito à escolha
6.1 São Paulo. Decreto nº 55.588, de 17 de de tratamento nominal nos atos e procedimentos
promovidos no âmbito da Administração direta e
março de 2010 indireta do Estado de São Paulo.

DECRETO Nº 55.588, DE 17 DE MARÇO DE


2010 Artigo 2º - A pessoa interessada indicará, no momento
do preenchimento do cadastro ou ao se apresentar

Dispõe sobre o tratamento nominal das para o atendimento, o prenome que corresponda à

pessoas transexuais e travestis nos órgãos forma pela qual se reconheça, é identificada,

públicos do Estado de São Paulo e dá reconhecida e denominada por sua comunidade e

providências correlatas em sua inserção social.

JOSÉ SERRA, Governador do Estado de São Paulo, no


§ 1º - Os servidores públicos deverão tratar a
uso de suas atribuições legais,

20
EaD Espaço Educacional

pessoa pelo prenome indicado, que


constará dos atos escritos.

§ 2º - O prenome anotado no registro civil


deve ser utilizado para os atos que
ensejarão a emissão de documentos
oficiais, acompanhado do prenome
escolhido.

§ 3º - Os documentos obrigatórios de
identificação e de registro civil serão
emitidos nos termos da legislação própria.

Artigo 3º - Os órgãos da Administração direta e as


entidades da Administração indireta capacitarão seus
servidores para o cumprimento deste decreto.

Artigo 4º - O descumprimento do disposto nos artigos


1º e 2º deste decreto ensejará processo administrativo
para apurar violação à Lei nº 10.948, de 5 de
novembro de 2001, sem prejuízo de infração funcional
a ser apurada nos termos da Lei nº 10.261, de 28 de
outubro de 1968 - Estatuto dos Funcionários Públicos
Civis do Estado.

Artigo 5º - Caberá à Secretaria da Justiça e da Defesa


da Cidadania, por meio da Coordenação de Políticas
para a Diversidade Sexual do Estado de São Paulo,
promover ampla divulgação deste decreto para
esclarecimento sobre os direitos e deveres nele
assegurados.

Artigo 6º - Este decreto entra em vigor na data de sua


publicação.

Palácio dos Bandeirantes, 17 de março de 2010.


JOSÉ SERRA
Luiz Antonio Guimarães Marrey
Secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania

Aloysio Nunes Ferreira Filho


Secretário-Chefe da Casa Civil

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