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PROCESSO 7.

757-7/2013
RECURSOS ORDINÁRIOS (PROTOCOLOS 20.711-0/2014 e 20.734-
ASSUNTO
9/2014) REF. ACÓRDÃO 141/2014 PC
ÓRGÃO FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE CUIABÁ - FUNEC
RECORRENTES KELLY SABRINA VIEIRA LIMA e SIOLÂNIA PIRIS FERREIRA MORAES
ADVOGADO NÃO CONSTA
RELATOR
CONSELHEIRO SUBSTITUTO LUIZ CARLOS PEREIRA
ORIGINÁRIO
RELATORA
CONSELHEIRA INTERINA JAQUELINE JACOBSEN MARQUES
RECURSAL

RAZÕES DO VOTO

PRELIMINARES

Preliminarmente, ressalta-se que o teor das razões dos Recursos Ordinários


interpostos pelas Recorrentes, são idênticos, portanto, analisarei simultaneamente,
proferindo uma única decisão.

Ainda em sede de preliminar, por se tratarem de recursos interpostos por


partes diferentes, mesmo que idênticos em seu teor, percebo que faltou o exame de
admissibilidade do recurso ofertado pela Srª Siolânia Pires Ferreira Moraes, razão pela
qual passo analisar nesta fase sem qualquer prejuízo ao Relatório Técnico da SECEX,
bem como à manifestação do Ministério Público de Contas.

Passo ao prefacial exame da admissibilidade recursal, na forma do que


dispõe o artigo 270, § 1º, c/c 271, § 2º e artigos 273, todos do RITCMT.

Quanto à legitimidade e interesse recursal, o vertente Recurso foi


interposto por parte sucumbente no processo principal originário, portanto, preenchido o
requisito do art. 270, § 2º do RITCE-MT.

Ademais, a petição do presente Recurso foi interposta dentro do prazo,


por escrito, com aposição da assinatura da legítima Recorrente e com descrição da
qualificação indispensável às suas identificações e com apresentação dos pedidos com

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clareza (artigo 273 do RITCMT).

Por derradeiro, anoto que o vertente Recurso é tempestivo, visto que a


decisão recorrida foi publicada no DOC. 506, de 12/11/2014 e o Recurso Ordinário foi
protocolado em 27/11/2014, portanto, dentro do prazo legal de 15 dias.

Assim, nos termos do artigo 277 do RITCMT, conheço do Recurso Ordinário


da Srª Siolânia Piris Ferreira Moraes, recebendo-o em seu duplo efeito, devolutivo e
suspensivo.

Todavia, deixo de encaminhar novamente os autos para análise e


manifestação técnica da SECEX e parecer do Ministério Público de Contas, tendo em
vista que já foram apreciados.

Diante do exposto, verifico que os autos encontram-se aptos para


julgamento.

Dessa forma, concluo que os vertentes Recursos Ordinários preenchem


todos os requisitos de admissibilidade previstos no art. 273, do Regimento Interno do
Tribunal de Contas (Resolução 14/2007 ), uma vez que as suas interposições ocorreram
por pessoas legítimas e de forma tempestiva como dispõe o art. 64, § 4º da Lei
Complementar Estadual 269/2007.

Esgotadas as preliminares, passamos à análise do mérito.

MÉRITO

Versam os presentes Recursos Ordinários impetrados pelas Srª Kelly


Sabrina Vieira Lima - Diretora Executiva da Fundação Educacional de Cuiabá e Srª
Siolânia Piris Ferreira de Moraes – Diretora Administrativa e Financeira da Fundação
Educacional de Cuiabá, visando à reforma do Acórdão 141/2014 PC, que julgou regulares
as Contas Anuais de Gestão da FUNEC, referentes ao exercício de 2013, com
recomendações e determinações legais, aplicação de multas e restituição de valores aos
cofres públicos.

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O Acórdão 141/2014 PC assim estabeleceu:
ACÓRDÃO Nº 141/2014 – PC

Ementa: FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DE CUIABÁ. CONTAS ANUAIS DE


GESTÃO DO EXERCÍCIO DE 2013. REGULARES, COM
RECOMENDAÇÃO E DETERMINAÇÕES LEGAIS. APLICAÇÃO DE
MULTAS. RESTITUIÇÕES DE VALORES AOS COFRES PÚBLICOS.

Vistos, relatados e discutidos os autos do Processo nº 7.757-7/2013.

ACORDAM os Senhores Conselheiros do Tribunal de Contas, nos termos


dos artigos 1º, II, 21, § 1º, e 22, §§ 1º e 2º, da Lei Complementar nº
269/2007 (Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso),
c/c o artigo 193, § 2º, da Resolução nº 14/2007 (Regimento Interno do
Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso), por unanimidade,
acompanhando a proposta de voto do Relator e de acordo, em parte, com
o Parecer nº 4.135/2014 do Ministério Público de Contas, em julgar
REGULARES, com recomendação e determinações legais, as contas
anuais de gestão da Fundação Educacional de Cuiabá, relativas ao
exercício de 2013, gestão das Sras. Kelly Sabrina Vieira Lima - Diretora
Executiva e Siolânia Piris Ferreira Moraes - Diretora Administrativa e
Financeira, sendo o Sr. Leoni Peixoto Barreto – Diretor de Contabilidade;
recomendando à atual Diretoria Executiva que promova o aproveitamento
dos materiais didáticos excedentes do exercício de 2013; e, ainda,
determinando: 1) ao atual Prefeito Municipal que indique e nomeie dois
membros para compor o Conselho Curador e representante da
Procuradoria Geral do Município para compor o Conselho Fiscal, nos
termos dos artigos 12, 13 e 18, da Lei nº 97/2013; 2) ao atual Diretor de
Contabilidade, que proceda o levantamento e corrija os dados contábeis
relativos aos restos a pagar dos exercícios de 2008 e anteriores, assim
como o registro das consignações, constantes no Anexo XVII das contas,
nos termos dos artigos 89, 92 e 93 da Lei nº 4320/1964, no prazo de 60
dias, após os quais os resultados e correções devem ser encaminhados a
este Tribunal; 3) à atual Diretoria Executiva, que promova de expressa
designação para acompanhamento e fiscalização dos contratos celebrados
com a FUNEC, nos termos do artigo 67 da Lei nº 8666/1993; 4) aos atuais
Diretor Executivo e Diretor Administrativo Financeiro que façam o
planejamento da compra de uniformes e materiais didáticos para os
exercícios seguintes, nos termos do § 1º do artigo 1º da Lei de
Responsabilidade Fiscal, bem como acompanhe e fiscalize a distribuição
desses produtos, nos termos do artigo 1º da Lei nº 101/2000, artigos 47 e
48, “a”, da Lei nº 4.320/1964; e, 5) aos atuais gestores, que não atrasem
os recolhimentos previdenciários, pois o atraso gera pagamento de juros e
multas, que configuram despesas ilegítimas lesivas ao patrimônio público,
conforme determina o artigo 15 da Lei Complementar nº 101/2000 – LRF e
artigo 4º da Lei nº 4.320/1964, para que falhas dessa natureza não
aconteçam nos próximos exercícios; determinando, por fim, às Sras. Kelly
Sabrina Vieira Lima e Siolânia Piris Ferreira Moraes, que restituam
solidariamente aos cofres públicos municipais, com recursos próprios, no

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prazo de 60 dias, o montante total de R$ 3.742,96 (três mil setecentos e
quarenta e dois reais e noventa e seis centavos), conforme detalhamento a
seguir exposto: a) R$ R$ 1.003,97 (mil e três reais e noventa e sete
centavos) em razão do pagamento de juros e multas decorrentes do atraso
no recolhimento previdenciário da competência de novembro de 2013, em
consonância com a previsão do caput do artigo 294 da Resolução nº
14/2007 (irregularidade CA 02 - subitem 9.4.1); e, b) R$ 2.738,99 (dois mil
setecentos e trinta e oito reais e noventa e nove centavos) em razão do
pagamento de juros e multas decorrentes do atraso no recolhimento
previdenciário referente ao 13º de 2013, em consonância com a previsão
do caput do artigo 294 da Resolução nº 14/2007 (irregularidade DA 05 -
subitem 9.7.1); e, por fim, nos termos do artigo 75, II, da Lei
Complementar nº 269/2007, c/c os artigos 289, I, da Resolução nº 14/2007,
e 6º, II, “b”, da Resolução Normativa nº 17/2010, aplicar ao Sr. Leoni
Peixoto Barreto a multa de 11 UPFs/MT, em virtude da irregularidade CB
02 – subitem 9.2.2, em razão de impropriedades existentes nos registros
contábeis; aplicar à Sra. Kelly Sabrina Vieira Lima a multa de 47
UPFs/MT, sendo: a) 25 UPFs/MT, majorada em razão do descumprimento
de decisão exarada no Acórdão nº 193/2013, em virtude da irregularidade
HB 04 – subitem 9.5.1, diante de sua omissão em designar fiscal para o
Contrato nº 6.964/2013; b) 11 UPFs/MT em decorrência da irregularidade
não classificada – subitem 9.6.1, pela aquisição de uniformes acima do
quantitativo necessário; c) 11 UPFs/MT em decorrência da irregularidade
EB 05 – subitem 9.8.1, pela ausência de controle de distribuição de
uniformes do cursinho Cuiabá Vest; aplicar à Sra. Siolânia Piris Ferreira
Moraes a multa de 22 UPFs/MT, sendo: a) 11 UPFs/MT em decorrência da
irregularidade não classificada – subitem 9.6.1, pela aquisição de
uniformes acima do quantitativo necessário; e, b) 11 UPFs/MT em
decorrência da irregularidade EB 05 – subitem 9.8.1, pela ausência de
controle de distribuição de uniformes do cursinho Cuiabá Vest; cujas
multas deverão ser recolhidas ao Fundo de Reaparelhamento e
Modernização do Tribunal de Contas, como preceitua a Lei nº 8.411/2005,
com recursos próprios, no prazo de 60 dias. Os interessados poderão
requerer o parcelamento das multas impostas desde que preencham
os requisitos elencados no artigo 290 da Resolução nº 14/2007. Os prazos
determinados nesta decisão deverão ser contados da sua publicação no
Diário Oficial de Contas do Tribunal de Contas de Mato Grosso, como
estabelecido no artigo 61, II, da Lei Complementar nº 269/2007.
Encaminhem-se os autos à Secretaria de Controle Externo que atua junto
ao Relator das contas anuais do exercício de 2014, desta fundação, para
que sirva de ponto de controle de auditoria. Os boletos bancários para
recolhimento das multas estão disponíveis no endereço eletrônico deste
Tribunal de Contas - http://www.tce.mt.gov.br/fundecontas.

Quanto às razões recurais, compulsando os autos, verifico que assiste razão


a Secretaria de Controle Externo e ao Ministério Público de Contas, uma vez que as
Recorrentes não apresentaram quaisquer elementos que pudessem desconstituir o

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Acórdão objurgado. Vejamos:

Quanto ao item 1 – Da inexistência de acompanhamento e fiscalização


da execução contratual por um representante da administração especialmente
designado que resultou na IRREGULARIDADE HB 04 – CONTRATO_GRAVE.
Inconsistência de acompanhamento e fiscalização da execução contratual por um
representante da Administração especialmente designado. Responsável Kelly Sabrina
Vieria Lima.

Alegaram as Recorrentes que a referida irregularidade se perdurou na


gestão de 2013, em virtude de falhas nos serviços prestados pelas gestões anteriores e
somente tomaram ciência da ilegalidade após visita técnica da Controladoria Interna.
Alegaram, ainda, que as demais regularidades do contrato em comento foram
observadas, bem como todas as providências para não caracterizar a reincidência.

A SECEX opinou, em seu Relatório Técnico, de que ninguém pode alegar o


desconhecimento da lei para não cumpri-la, além de que as Recorrentes não trouxeram
fato novo aos autos.

O Ministério Público de Contas emitiu parecer no sentido de que as


Recorrentes deixaram de cumprir preceito legal no tocante à nomeação de um
representante para acompanhamento e fiscalização do contrato.

Os argumentos trazidos pelas Recorrentes apenas confirmam a constatação


da irregularidade, posto que, em nenhum momento, ficou comprovado o contrário.

Quanto à obrigatoriedade de um representante da Administração para o


acompanhamento e fiscalização do contrato, o art. 67 da Lei 8.666/93 é cristalino quando
expressa que:

A execução do contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada por um


representante da Administração especialmente designado, permitida a
contratação de terceiros para assisti-lo e subsidiá-lo de informações
pertinentes a essa atribuição.

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Portanto, não restam dúvidas de que o Contrato 6.964/2013 deveria ter sido
executado com o devido acompanhamento e fiscalização de um Representante da
Administração especialmente designado.

O nexo causal entre a omissão das Recorrentes e a ocorrência da


irregularidade se funda na responsabilidade subjetiva por culpa, seja por negligência, ou
imprudência, uma vez que deixaram de designar um fiscal para o referido contrato,
conforme especifica a Lei 8.666/93.

Dessa forma, verifico que as razões recursais são impertinentes por não
demonstrar fundamento legal para que afaste a irregularidade em comento, motivo pelo
qual mantenho-a.

Quanto ao item 2 – Da compra de uniformes acima do quantitativo


necessário. Distribuição de materiais didáticos e uniformes sem o devido controle
verifica-se:

• Aquisição de uniformes acima do quantitativo. IRREGULARIDADE


NÃO CLASSIFICADA. Responsáveis: Kelly Sabrina Vieira Lima e
Siolânia Pires Ferreira Moraes;

• Ausência de controle de distribuições dos uniformes aos alunos do


cursinho Cuiabá Vest, exercício 2013: IRREGULARIDADE EB 05.
CONTROLE INTERNO _ GRAVE. Ineficiência dos procedimentos de
controle dos sistemas administrativos (art. 37, da Constituição Federal; art.
161, V, da Resolução Normativa TCE/MT 14/2007. Responsáveis: Kelly
Sabrina Vieira Lima e Siolânia Pires Ferreira Moraes;

As Recorrentes alegaram que a aquisição dos uniformes além do


quantitativo necessário se deu em virtude de que a compra dos uniformes foi realizada
não somente para os alunos regularmente matriculados mas, também para os alunos que
fariam o “intensivão” e o “simuladão”, razão pela qual foi feita uma estimativa.

Mediante tal justificativa, as Recorrentes requereram que a irregularidade

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supracitada fosse desconsiderada, bem como a anulação da multa aplicada.

A SECEX manifestou-se pela improcedência da justificativa das Recorrentes,


haja vista que o argumento de estimativa de quantidade de uniforme a serem adquiridos
não subsiste, uma vez que a rotina e os procedimentos de matrículas ou de inscrições
dispensa a necessidade de estimativa e demonstra, de forma clara e precisa, a
quantidade necessária para tal. Elidindo sobras (desperdícios) ou falta de material.

O Parecer do Ministério Público de Contas foi no sentido de que as


Recorrentes deixaram de fiscalizar e acompanhar a quantificação de aquisição de bens a
serem adquiridos em ação que tem estimativa e rotinas preexistentes e, portanto, os
argumentos suscitados pelas mesmas não possuem o condão de reformar ou excluir as
sanções a elas imputadas por este Tribunal de Contas.

Observa-se que a sanção pecuniária aplicada às Recorrentes decorre-se da


configuração de uma irregularidade devidamente regulamentada por este Tribunal de
Contas. Portanto, o simples fato de ter ocorrido a irregularidade, já é possível a aplicação
da multa.

Como ficou configurado nas justificativas das Recorrentes, essas


confirmaram a existência da irregularidade, além de não apresentaram fatos
modificativos.

Assim, entendo que não há retificações a serem realizadas, razão pela qual
coaduno com a manifestação contida no Relatório Técnico Recursal da SECEX, bem
como com o Parecer do Ministério Público de Contas, mantendo a irregularidade e a
multa aplicada.

Em relação ao item 3 – Do pagamento efetuado a menor dos valores a


recolher ao INSS referentes ao mês de novembro/2013 e 13º constatou-se as
seguintes IRREGULARIDADES:

• Pagamentos de juros e multas decorrentes do atraso no recolhimento


previdenciário referente a competência novembro/2013. IRREGULARIDADE

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CA 02. CONTABILIDADE _ GRAVE. Não-apropriação da contribuição
previdenciária do empregador (art. 40 e 195, I, da Constituição Federal).
Responsáveis: Kelly Sabrina Vieira Lima e Siolânia Pires Ferreira
Moraes;

• Pagamentos de juros e multas decorrentes do atraso no recolhimento


previdenciário referente a competência 13º/2013. IRREGULARIDADE DA
05. GESTÃO FISCAL/FINANCEIRA _GRAVÍSSIMA. Não recolhimento das
cotas de contribuição previdenciária do empregador à instituição de
previdência (arts. 40 e 1958, I da Constituição Federal). Responsáveis:
Kelly Sabrina Vieira Lima e Siolânia Pires Ferreira Moraes.

Em se tratando dos pagamentos efetuados a menor dos valores a recolher


ao Instituto Nacional de Seguridade Social refentes ao mês de novembro/2013, as
Recorrentes alegaram que tal irregularidade se deu em razão da mudança no sistema da
folha de pagamento e do encerramento dos contratos dos professores em outubro/2013.
Porém, ao que se refere ao 13º, as Recorrentes providenciaram o pagamento da guia do
INSS com a devida diferença.

Ressaltaram ainda que a irregularidade no recolhimento do referido INSS se


deu por culpa da Secretaria de Gestão, uma vez que esta foi a responsável pela mudança
no sistema da folha de pagamento.

A Equipe de Auditoria opinou por manter as irregularidades sob os


argumentos de que:
Os argumentos das recorrentes não são lógicos. Se com a mudança
promovida para melhorar (operacionalizar) o sistema o mesmo começa a
promover erros que antes não haviam, não houve melhora. Tampouco a
sonhada operacionalização.
As recorrentes não apresentam fatos lógicos ou robustos. Simplesmente
deslocam a culpa para um sistema que tinha acabado de ser, segundo
elas, OPERACIONALIZADO. Alegando que houve falhas ocorridas por erro
de sistema e humano.
Fatos novos não são trazidos aos autos. Tais ocasiões de irregularidades
já foram apresentadas, discutidas e oportunizadas defesas em
oportunidades anteriores a esta e, desde lá, as diretoras não apresentaram
justificativas robustas a apaziguar os achados da equipe técnica.
Apresentar nesta oportunidade o simples deslocar do erro ou da culpa para

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um sistema (que diga-se de passagem, é criado e alimentado por seres
humanos) ou para um “humano” que – de acordo com as alegações – não
se trata de nenhuma das pessoas das recorrente e, tampouco é
identificado de quem seja, é uma prática inábil e infértil uma vez que não
afasta a responsabilização das recorrentes.
Neste ponto, nenhuma das recorrentes apresenta materialidade que
empreste robustez a sua alegação. Ficando tal teoria restrita tão somente
ao mundo das alegações não se munindo de fatos concretos para realizar
o que se teoriza.
Por todo o exposto neste quesito, a irregularidade se mantém.

O Ministério Público de Contas emitiu Parecer no sentido de que, mais uma


vez, as Recorrentes não apresentaram fatos capazes de tornarem plausíveis seus
argumentos, uma vez que, com a mudança do sistema operacional da folha de
pagamento, as responsáveis deveriam tomar o devido cuidado verificando se o
processamento do sistema estava correto. Opinou ainda no sentido de que:

...o gestor público deve agir com zelo com a coisa pública torna-se conduta
pungente e impregnada com um importante componente de previsibilidade
e evitabilidade objetivas, ou seja, pagamento regular e em dia das
obrigações financeiras em que o órgão é acometido, uma vez que também
cabe a ele a liderança e responsabilidade sobre os todos os atos de gestão
da Unidade, conforme as normas que regem a Administração Pública.

Percebe-se mais uma vez que os argumentos das Recorrentes apenas


confirmam as ocorrências das irregularidades, portanto as multas aplicadas devem ser
mantidas.

Assim, não merece reparo o Acórdão 141/2014 PC, pois todas as multas
aplicadas às Recorrentes advieram de irregularidades devidamente regulamentadas por
este Tribunal de Contas, além de possuírem natureza pedagógica.

VOTO

Pelo exposto, acolho o Parecer 1.547/2015 da autoria do Procurador de


Contas Getúlio Velasco Moreira Filho, e VOTO pelo CONHECIMENTO dos Recursos
Ordinários uma vez que se encontram presentes os pressupostos de admissibilidade
previstos no art. 273 da Resolução 14/2007 (RITCE/MT) e, no mérito, pelo seu

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DESPROVIMENTO, em razão de que não trouxeram fatos novos e elementos
caracterizadores capazes de reformar a decisão exarada pela Primeira Câmara deste
Tribunal de Contas, mantendo-se inalterados os termos do Acórdão 141/2014 - PC.

É como voto.

Cuiabá, 28 de abril de 2015.

(Assinatura digital)
Jaqueline Jacobsen Marques
Conselheira Interina
Relatora
(Portaria 001/2015, DOC 538, de 05/01/2015)

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