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Como Ter Paz em um Mundo

Cheio de Injustiças?

Por

Silvio Dutra

Nov/2018
A474
Alves, Silvio Dutra
Como Ter Paz em um Mundo Cheio de
Injustiças?
Silvio Dutra Alves – Rio de Janeiro, 2018.
41p.; 14,8 x21cm

1. Teologia. 2. Vida Cristã. 3. Alves, Silvio Dutra.


I. Título.

CDD 252

2
A pergunta de nosso título é dirigida aos
cristãos que têm fome e sede de justiça. São eles
que são tentados a ficarem tristes,
amargurados, desesperançados e com seus
corações turbados diante das injustiças e
pecados que eles observam em si mesmos ou
em outros, nos dias atuais em que a iniquidade
tem se multiplicado de uma forma muito veloz e
abundante.

Quantos se sentem em paz e sossegados em suas


almas, mantendo um permanente louvor,
regozijo e gratidão ao Senhor,
independentemente de toda a violência e
corrupção que tem acontecido em nosso país e
no mundo?

A inversão de valores morais parece ser um


mandamento a ser seguido pela sociedade, pelo
menos no que se recebe diariamente através
dos meios de mídia, e dos processos culturais
em voga nas artes, nas músicas, nos filmes, nas
danças, nas novelas, na imprensa etc.

A falta de respeito pelo próximo é cada vez


maior, e as formas de egoísmo, crueldade,
imoralidade, adultérios, abortos, sexo fora do
casamento, fornicação, entre tantas outras
3
formas grosseiras de pecado tornam-se
comezinhas e banalizadas.

Pais temem mais e mais pelo que possa ser


ensinado de pervertido a seus filhos nas escolas.

O orgulho e arrogância passou a ser a regra, e


não a mansidão e a humildade.

A Bíblia não esconde o caráter geral ao qual está


sujeita a maior parte da humanidade, e isto em
todas as suas gerações, conforme podemos
verificar por exemplo em duas passagens
bíblicas que destacamos a seguir, de autoria do
apóstolo Paulo:

2Timóteo– 3

1 Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão


tempos difíceis,

2 pois os homens serão egoístas, avarentos,


jactanciosos, arrogantes, blasfemadores,
desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes,

3 desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem


domínio de si, cruéis, inimigos do bem,

4 traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos


dos prazeres que amigos de Deus,
4
5 tendo forma de piedade, negando-lhe,
entretanto, o poder. Foge também destes.

6 Pois entre estes se encontram os que


penetram sorrateiramente nas casas e
conseguem cativar mulherinhas
sobrecarregadas de pecados, conduzidas de
várias paixões,

7 que aprendem sempre e jamais podem chegar


ao conhecimento da verdade.

8 E, do modo por que Janes e Jambres resistiram


a Moisés, também estes resistem à verdade. São
homens de todo corrompidos na mente,
réprobos quanto à fé;

9 eles, todavia, não irão avante; porque a sua


insensatez será a todos evidente, como também
aconteceu com a daqueles.

Romanos– 2

20 Porque os atributos invisíveis de Deus, assim


o seu eterno poder, como também a sua própria
divindade, claramente se reconhecem, desde o
princípio do mundo, sendo percebidos por meio
das coisas que foram criadas. Tais homens são,
por isso, indesculpáveis;
5
21 porquanto, tendo conhecimento de Deus, não
o glorificaram como Deus, nem lhe deram
graças; antes, se tornaram nulos em seus
próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o
coração insensato.

22 Inculcando-se por sábios, tornaram-se


loucos

23 e mudaram a glória do Deus incorruptível em


semelhança da imagem de homem corruptível,
bem como de aves, quadrúpedes e répteis.

24 Por isso, Deus entregou tais homens à


imundícia, pelas concupiscências de seu
próprio coração, para desonrarem o seu corpo
entre si;

25 pois eles mudaram a verdade de Deus em


mentira, adorando e servindo a criatura em
lugar do Criador, o qual é bendito eternamente.
Amém!

26 Por causa disso, os entregou Deus a paixões


infames; porque até as mulheres mudaram o
modo natural de suas relações íntimas por
outro, contrário à natureza;

27 semelhantemente, os homens também,


deixando o contato natural da mulher, se
inflamaram mutuamente em sua sensualidade,
6
cometendo torpeza, homens com homens, e
recebendo, em si mesmos, a merecida punição
do seu erro.

28 E, por haverem desprezado o conhecimento


de Deus, o próprio Deus os entregou a uma
disposição mental reprovável, para praticarem
coisas inconvenientes,

29 cheios de toda injustiça, malícia, avareza e


maldade; possuídos de inveja, homicídio,
contenda, dolo e malignidade; sendo
difamadores,

30 caluniadores, aborrecidos de Deus,


insolentes, soberbos, presunçosos, inventores
de males, desobedientes aos pais,

31 insensatos, pérfidos, sem afeição natural e


sem misericórdia.

32 Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de


que são passíveis de morte os que tais coisas
praticam, não somente as fazem, mas também
aprovam os que assim procedem.

Já nos dias do profeta Jeremias encontramos o


seguinte quadro na nação de Israel que deu
ocasião ao seguinte lamento do profeta:

Jeremias– 9
7
1 Prouvera a Deus a minha cabeça se tornasse
em águas, e os meus olhos, em fonte de
lágrimas! Então, choraria de dia e de noite os
mortos da filha do meu povo.

2 Prouvera a Deus eu tivesse no deserto uma


estalagem de caminhantes! Então, deixaria o
meu povo e me apartaria dele, porque todos eles
são adúlteros, são um bando de traidores;

3 curvam a língua, como se fosse o seu arco, para


a mentira; fortalecem-se na terra, mas não para
a verdade, porque avançam de malícia em
malícia e não me conhecem, diz o SENHOR.

4 Guardai-vos cada um do seu amigo e de irmão


nenhum vos fieis; porque todo irmão não faz
mais do que enganar, e todo amigo anda
caluniando.

5 Cada um zomba do seu próximo, e não falam a


verdade; ensinam a sua língua a proferir
mentiras; cansam-se de praticar a iniquidade.

6 Vivem no meio da falsidade; pela falsidade


recusam conhecer-me, diz o SENHOR.

7 Portanto, assim diz o SENHOR dos Exércitos:


Eis que eu os acrisolarei e os provarei; porque de
que outra maneira procederia eu com a filha do
meu povo?
8
8 Flecha mortífera é a língua deles; falam
engano; com a boca fala cada um de paz com o
seu companheiro, mas no seu interior lhe arma
ciladas.

9 Acaso, por estas coisas não os castigaria? – diz


o SENHOR; ou não me vingaria eu de nação tal
como esta?

E assim, multiplicam-se os testemunhos na


Palavra de Deus quanto à condição ruim da
humanidade em razão do pecado.

E então vem a pergunta que não quer parar de


soar: Como Viver Feliz e em Paz em um Mundo
Cheio de Injustiças?

A própria Bíblia que apresenta a causa do mal –


o pecado e suas formas de manifestação, é a
mesma que também apresenta a única resposta
adequada e verdadeira para que possamos ter
alegria e paz, ainda que tenhamos que viver em
um mundo tão tenebroso como o nosso.

Na verdade, é este o grande desafio que Deus


apresenta para a fé, a saber, o de achar paz e
alegria nEle em todas as circunstâncias, por
mais adversas que elas sejam.

Mas ninguém se iluda que isto funcionará com


a simples observação de uma fórmula que
9
devemos colocar em prática para que possamos
alcançar a vitória.

Muito mais é necessário do que simplesmente


conhecer o que deve ser feito por nós quanto ao
modo de nos relacionarmos com as coisas
exteriores, porque, antes de tudo, um trabalho
interno deve ser feito em cada um de nós, pela
Palavra de Deus, por meio da operação do
Espírito Santo.

Jesus é o Príncipe da Paz, mas há um modo


designado por ele para que possamos nos
apropriar e participar da Sua paz sobrenatural.

Ele nos ensina que o modo de ter a Sua paz para


vencer as aflições que temos neste mundo é
aprendendo a ter a Sua própria mansidão e
humildade. Sem renúncia ao ego e uma
disposição determinada em carregar a cruz, não
podemos ser seus discípulos, e portanto, não
poderemos viver como ele, com paz e alegria em
nosso coração, a par de todas as injúrias e
sofrimentos que o mundo possa nos causar.

A renúncia ao ego é essencial não meramente


para que possamos abrir uma porta de entrada
para a instrução e direção do Espírito Santo, mas
também para que possamos agir e reagir diante
das vicissitudes, não com nossa inclinação
10
natural pecaminosa terrena, mas de acordo
com a nova natureza divina que recebemos na
conversão. E nisto não se trata apenas de agir ou
reagir de acordo com o que aprendemos sobre a
forma que a Bíblia nos ensina a fazer, mas que
tenhamos de fato aprendido por meio de
disciplinas continuadas de fé, a permitir que o
poder de Deus se aproprie de nossas mentes e
corações, dando-nos uma natureza espiritual da
qual flua o que é divino, e não aquilo que é
carnal.

Daí a importância de nos exercitarmos em


piedade pela meditação continuada da Palavra
de Deus, da oração e da comunhão com os
santos para o culto de adoração ao Senhor.

Se não formos espirituais, não poderemos


experimentar a paz de Deus que excede todo o
entendimento, e é certo que viveremos
ansiosos, angustiados, irritados, amargurados,
toda vez que formos confrontados pelo mal.

É Deus, pelo seu poder, que tudo cria no mundo


espiritual. A paz não é propriamente nossa, mas
dele, O mesmo se aplica à alegria e a todo
espírito manso e humilde que possa ser achado
em nós.
11
É por olhar para Cristo que somos supridos de
tudo o que necessitamos, porque é a Sua vida se
manifestando em nós que é a fonte da nossa
vitória, pois é a Sua própria pessoa que é a nossa
redenção, sabedoria, justificação, santificação.

Em nenhum outro, ou em qualquer poder


poderemos achar os suprimentos que
necessitamos para sermos conformados à
vontade de Deus, e assim ter paz em nosso
interior, e plena submissão à Sua vontade, ainda
que isto seja colocado à prova diante da morte.

Ele dar-nos-á toda a fé que necessitarmos na


medida que será eficaz para enfrentar nossos
problemas. Vem dele a força do nosso coração.
Vem dele a nossa confiança e sabedoria para
agir ou ficar sossegados esperando nele pelo
livramento.

É assim que sempre funciona, pois o poder do


Senhor manifesta-se justamente quando somos
fracos, e não fortes. Enquanto tivermos energia
carnal em nós que seja suficiente para
confiarmos em nós mesmos ou em outros,
estaremos nos debatendo para solucionar
nossas tribulações, mas se formos achados
insuficientes e enfraquecidos para solucioná-
las e se voltamos os olhos da fé para Deus, é certo
que o nosso coração será fortalecido com graça
12
e paz, ainda que as tribulações não recuem
imediatamente.

De nenhuma outra forma é possível crer que


Deus tem o controle de todas as coisas neste
mundo, e que é capaz de nos manter em
segurança e felizes, independentemente de
tudo o que possa estar ocorrendo de mal lá fora,
da parte de homens perversos e poderosos
usados pelos principados do mal.

Nossos pés serão colocados sobre a Rocha que é


Jesus e nada poderá nos mover da nossa posição,
quando vivemos com tal confiança no Senhor, e
experimentando de modo real as suas
intervenções poderosas em nosso favor.

Se Ele é por nós, quem será contra nós? Se o


temos por defesa, quem nos vencerá?

Não temos a missão de tentar transformar este


mundo em um lugar de paz e justiça perfeitas,
pois desde que o primeiro casal pecou, a
maldição estará sobre a Terra, até que seja
removida de forma final somente depois da
volta de Jesus.

Até lá, somos chamados a agir como luz do


mundo e sal da Terra, para que através do nosso
testemunho de viver na justiça do evangelho,
13
possamos resgatar outros pecadores, para que
sejam transportados das trevas para luz, e da
potestade de Satanás para a de Deus, de modo
que sejam também santificados e herdeiros por
meio da fé em Jesus.

Esta é a nossa missão e parte da nossa alegria


neste mundo. Ainda que seja verdadeiro que
sofremos e ficamos abatidos com toda a
iniquidade que vemos sendo praticada por
nossos semelhantes, isto não será capaz, no
entanto, de roubar a nossa paz e alegria, quando
temos tal comunhão com Deus, pela fé nele, e
pelo conhecimento da Sua vontade em relação a
nós e aos ímpios neste mundo.

Aqueles que não se converterem serão


sujeitados por fim a um anátema terrível, que
destruirá para sempre toda a possiblidade de
esperança de salvação deles, e serão alijados de
todo o bem que se possa imaginar, e serão
sujeitados a um sofrimento e horror eternos,
em chamas que jamais se apagam.

Por isso somos chamados a interceder a favor


deles enquanto vivem neste mundo, e quando
há portanto, ainda esperança de serem livrados
da referida maldição por se converterem a
Jesus.
14
A esta única forma de se obter e viver na paz e
alegria do Senhor se referiram os apóstolos, e
destacamos dois textos de Pedro e Paulo, nos
quais podemos ver todas estas verdades a que já
nos referimos:

1Pedro– 2

11 Amados, exorto-vos, como peregrinos e


forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões
carnais, que fazem guerra contra a alma,

12 mantendo exemplar o vosso procedimento no


meio dos gentios, para que, naquilo que falam
contra vós outros como de malfeitores,
observando-vos em vossas boas obras,
glorifiquem a Deus no dia da visitação.

13 Sujeitai-vos a toda instituição humana por


causa do Senhor, quer seja ao rei, como
soberano,

14 quer às autoridades, como enviadas por ele,


tanto para castigo dos malfeitores como para
louvor dos que praticam o bem.

15 Porque assim é a vontade de Deus, que, pela


prática do bem, façais emudecer a ignorância
dos insensatos;
15
16 como livres que sois, não usando, todavia, a
liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo
como servos de Deus.

17 Tratai todos com honra, amai os irmãos,


temei a Deus, honrai o rei.

18 Servos, sede submissos, com todo o temor ao


vosso Senhor, não somente se for bom e
cordato, mas também ao perverso;

19 porque isto é grato, que alguém suporte


tristezas, sofrendo injustamente, por motivo de
sua consciência para com Deus.

20 Pois que glória há, se, pecando e sendo


esbofeteados por isso, o suportais com
paciência? Se, entretanto, quando praticais o
bem, sois igualmente afligidos e o suportais
com paciência, isto é grato a Deus.

21 Porquanto para isto mesmo fostes chamados,


pois que também Cristo sofreu em vosso lugar,
deixando-vos exemplo para seguirdes os seus
passos,

22 o qual não cometeu pecado, nem dolo algum


se achou em sua boca;
16
23 pois ele, quando ultrajado, não revidava com
ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças,
mas entregava-se àquele que julga retamente,

24 carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o


madeiro, os nossos pecados, para que nós,
mortos para os pecados, vivamos para a justiça;
por suas chagas, fostes sarados.

25 Porque estáveis desgarrados como ovelhas;


agora, porém, vos convertestes ao Pastor e Bispo
da vossa alma.

1Pedro– 4

12 Amados, não estranheis o fogo ardente que


surge no meio de vós, destinado a provar-vos,
como se alguma coisa extraordinária vos
estivesse acontecendo;

13 pelo contrário, alegrai-vos na medida em que


sois coparticipantes dos sofrimentos de Cristo,
para que também, na revelação de sua glória,
vos alegreis exultando.

14 Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-


aventurados sois, porque sobre vós repousa o
Espírito da glória e de Deus.
17
15 Não sofra, porém, nenhum de vós como
assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como
quem se intromete em negócios de outrem;

16 mas, se sofrer como cristão, não se


envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com
esse nome.

17 Porque a ocasião de começar o juízo pela casa


de Deus é chegada; ora, se primeiro vem por
nós, qual será o fim daqueles que não obedecem
ao evangelho de Deus?

18 E, se é com dificuldade que o justo é salvo,


onde vai comparecer o ímpio, sim, o pecador?

19 Por isso, também os que sofrem segundo a


vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel
Criador, na prática do bem.

Filipenses– 4

4 Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo:


alegrai-vos.

5 Seja a vossa moderação conhecida de todos os


homens. Perto está o Senhor.
18
6 Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo,
porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as
vossas petições, pela oração e pela súplica, com
ações de graças.

7 E a paz de Deus, que excede todo o


entendimento, guardará o vosso coração e a
vossa mente em Cristo Jesus.

8 Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro,


tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo
o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é
de boa fama, se alguma virtude há e se algum
louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso
pensamento.

9 O que também aprendestes, e recebestes, e


ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus
da paz será convosco.

10 Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor


porque, agora, uma vez mais, renovastes a meu
favor o vosso cuidado; o qual também já tínheis
antes, mas vos faltava oportunidade.

11 Digo isto, não por causa da pobreza, porque


aprendi a viver contente em toda e qualquer
situação.

12 Tanto sei estar humilhado como também ser


honrado; de tudo e em todas as circunstâncias,
19
já tenho experiência, tanto de fartura como de
fome; assim de abundância como de escassez;

13 tudo posso naquele que me fortalece.

14 Todavia, fizestes bem, associando-vos na


minha tribulação.

É verdade que Deus tem se levantado muitas


vezes na história da humanidade para prover
libertação de opressões e injustiças, e punir
grandes transgressores que fazem mal ao seu
próximo.

Isto é feito especialmente em relação a


governantes e juízes opressores. As páginas da
história estão cheias destes testemunhos em
que Deus operou livramentos, especialmente
no Velho Testamento, e certamente ainda
continua operando.

Mas uma outra verdade que é permanente e


eterna se levanta em meio a tais livramentos, a
saber, a de que isto não significa
necessariamente que Deus esteja satisfeito com
todos os que são assim libertados, pois isto é
feito por pura graça e misericórdia no sentido
temporal, e não por causa de qualquer mérito
quanto à satisfação da justiça eterna por parte
20
dos que foram livrados do mal opressor da
corrupção governamental.

Há somente um meio pelo qual se pode agradar


a Deus de forma a se atender às demandas de
Sua justiça e santidade, que é pela obtenção do
perdão e justificação relativos aos nossos
pecados por meio da cobertura da justiça de
Jesus Cristo, a qual é obtida somente por meio
do arrependimento e da fé nEle.

Se assim não fosse, poder-se-ia pensar que o


próprio Deus estivesse omisso e fosse injusto
em permitir que pessoas que amam a justiça
sejam oprimidas e governadas neste mundo por
aqueles que amam e praticam o mal. Tal não é o
caso porque através destas opressões a fé dos
justos é fortalecida e aperfeiçoada, e eles
aprendem de modo definitivo que este mundo é
de fato um mundo de trevas e que a natureza
terrena é inimizade contra Deus, e assim,
aprendem a vigiar por si mesmos, para que eles
também não sejam vencidos pelo mal, vindo a
serem praticantes da injustiça, agindo contra os
mandamentos de Deus.

Muitas são as acusações que são feitas contra


Deus por todos os males que acontecem no
mundo.
21
Deus não precisa de defensores para justificar
os seus atos, pois por sua sabedoria tem fixado e
controlado tudo o que é necessário para manter
em curso uma humanidade que está
escravizada ao pecado.

Se nós, como criaturas não conseguimos


entender os planos e ações do Criador, o
problema está inteiramente conosco, em nosso
endurecimento, e nunca no Senhor, que a
propósito torna conhecido de muitos que o
temem e o amam a razão de haver sofrimento no
mundo, ao mesmo tempo em que ele promove o
bem para todos aqueles que amam a justiça,
ainda que passem por muitas tribulações e
aflições, que aos olhos dos incautos pode até
mesmo parecer que eles se encontram
desamparados por Deus, quando na verdade ele
nunca os perde de vista, especialmente quando
são sujeitados à prova da sua fé.

O mundo como mundo segue sendo injusto e


tenebroso, mas Jesus é a luz do mundo, e faz dos
seus seguidores também luz para que brilhem
nas trevas onde abunda o pecado.

Há na verdade muito exercício de misericórdia,


de paciência, de amor, de longanimidade da
parte de Deus para com os pecadores, ao longo
das eras, quando que, a nosso juízo, de há muito
22
todos já deveriam ter sido submetidos a um juízo
condenatório de sofrimento eterno no inferno,
em razão de todos serem pecadores, e de haver
tanto endurecimento e rejeição do amor e
bondade que são oferecidos a todos por meio da
graça de Jesus Cristo.

O grande fato é que não se pode julgar a bondade


e o cuidado de Deus pela expectativa de que haja
uma melhoria e arrependimento geral de todas
as pessoas de uma determinada nação, ou
mesmo de todas as partes do mundo.

Isto jamais ocorrerá até que Jesus estabeleça o


Seu reino na terra em sua forma final, depois da
sua segunda vinda.

Até lá, o joio e o trigo sempre estarão lado a lado


neste mundo, e como o joio sempre será mais
abundante que o trigo, não se deve esperar que
haja sociedades justas em que todos se amem e
se respeitem mutuamente, seguindo os
mandamentos de Deus.

É uma triste realidade de fato a que vivemos


neste mundo, mas devemos buscar força e
graça no Senhor, para não perdermos jamais a
misericórdia, a paciência, a longanimidade e o
amor que existem no próprio Deus em relação a
todos os pecadores nesta presente dispensação
23
da graça, em que a salvação pela fé em Jesus está
sendo oferecida a todos, sem exceção.

Virá o dia em que o juízo final será estabelecido,


e cada um receberá o que lhe é devido da parte
de Deus, segundo o seu caminhar na justiça
(galardão e glória) ou na injustiça (condenação e
horror eternos).

Até lá, importa caminharmos por fé e não por


vista.

Uma caminhada por vista é aquela que é feita


segundo os sentidos naturais e segundo a razão
carnal, que não são os meios adequados para
discernirmos o mundo espiritual que opera em
nós e à nossa volta, e do qual decorrem os nossos
grandes embates da vida.

A caminhada por fé é aquela que é feita segundo


a mente de Cristo, segundo o discernimento
espiritual, pelo Espírito Santo, das coisas que são
celestiais e divinas, e pelas quais importa
caminharmos neste mundo. São as coisas
pertencentes à nova criatura que devem
prevalecer nesta caminhada, pois não há outro
modo de se obter um viver espiritual vitorioso.

Muitas coisas se levantam continuamente para


abater o nosso ânimo. É possível que a princípio
24
nos deixemos abater, porque nossa primeira
reação é a de tentar achar soluções segundo o
homem natural, mas se a fonte, a causa, é
espiritual, não será por este meio que seremos
bem-sucedidos. Então, a graça e a misericórdia
de Deus nos assistem e somos movidos a
exercer fé em Cristo para que sejamos achados
fortalecidos em espírito e em paz. Na medida em
que cedemos à vontade do Senhor, e
renunciamos à nossa própria vontade natural, o
poder do Espírito Santo nos envolve e nos
capacita a tudo vencer com paz e alegria em
nossos corações.

Agora, que eu seja anátema por pregar um outro


evangelho, caso atribua tudo isto à minha
própria suficiência, capacidade ou mérito
diante de Deus por me manter santificado no
Espírito, pois assim como foi na criação do
mundo natural, em que Deus fez tudo sozinho
na trindade, sem o auxílio de mãos humanas ou
angelicais, de igual modo, em tudo o que se
refere à nova criação espiritual com a geração
de convertidos para Cristo, Ele também deve ter
toda a glória da sua realização, como de fato esta
lhe pertence, pois a justificação é do Pai, a
redenção é pelo Filho, e a regeneração e a
santificação procedem do Espírito Santo.
25
É Deus quem gera alegria e paz. O dom da fé vem
dele, e isto não é de nós mesmos.

Esta é a paz do evangelho verdadeiro, que faz


tudo repousar em Deus e nunca em nós
mesmos. Um peso é arrancado de nossos
ombros, e suspiramos aliviados em plena
alegria e liberdade, por sabermos que temos um
Deus que tudo faz por nós, e que é poderoso para
nos guardar em toda e qualquer circunstância.

Que somos aceitos por causa de Jesus e em razão


de tudo o que ele fez por nós, e não por qualquer
coisa em nós mesmos. Na verdade, sem Jesus,
nada podemos fazer em relação a esta vida
celestial, espiritual e divina. Ele é tudo em todos.
É por meio dele, e somente por ele, que temos
acesso a todas as coisas boas que nos têm sido
prometidas por Deus.

Se estivéssemos falando de alegria natural,


poder-se-ia até mesmo pensar que esta seja
gerada pelas iniciativas dos homens em
atividades que a gerem neles. Mas, quando a
Bíblia fala de nos alegrarmos no Senhor, a
alegria referida é de outra ordem. Ela é
espiritual e santa, gerada pela convicção de
termos a aprovação e a aceitação de Deus.
26
Tanto que nosso Senhor Jesus Cristo coloca um
ai, uma aflição, naqueles que se alegram neste
mundo com as coisas carnais, e deixam de lado
totalmente o dever de se alegrar sempre no
Senhor, em espírito.

“24 Mas ai de vós, os ricos! Porque tendes a


vossa consolação.

25 Ai de vós, os que estais agora fartos! Porque


vireis a ter fome. Ai de vós, os que agora rides!
Porque haveis de lamentar e chorar.” (Lucas
6.24,25)

A razão disso se encontra no fato de que Deus


jamais aprovará uma alegria que não seja gerada
por motivos santos e por ele mesmo em nós.

Quantos confundem isto na própria Igreja por


não serem devidamente doutrinados na
verdade, e pensam que pelo fato de estarem
alegres na carne, que com isto estão agradando
a Deus.

A alegria espiritual pode estar presente mesmo


quando sofremos, e por isso Paulo diz:
“entristecidos, mas sempre alegres”. Já a alegria
carnal, não pode estar presente quando há
sofrimento.
27
Isto responde à nossa pergunta inicial de como
é possível viver feliz e em paz em um mundo
cheio de injustiças que nos trazem sofrimentos?

Pois esta felicidade não depende das coisas que


nos entristecem, pois no Espírito, podemos até
mesmo nos gloriar e regozijar nas tribulações,
sabendo que por elas estamos sendo
aperfeiçoados em paciência, experiência e
esperança.

A paciência na tribulação nos empurra para


mais perto de Deus, e esta é a causa da nossa
felicidade, a saber, uma maior comunhão com o
Senhor.

Deus concede mais graça para que possamos ser


achados felizes e em paz mesmo em meio aos
maiores sofrimentos. É o seu poder operante e
eficaz em nós que permite tal vitória sobre as
tribulações.

Nisto, o Senhor é muito glorificado, pois,


ninguém mais pode operar de tal forma,
fazendo com que possamos nos gloriar nas
próprias tribulações.

Por este meio, o evangelho sempre avançou no


mundo, e jamais deixou de ser pregado com
poder e alegria, a par de todos os sofrimentos e
28
martírios pelos quais muitos cristãos passaram
ao darem testemunho da fé em Jesus.

O crente necessita desta capacitação


sobrenatural porque Satanás e os demônios
sempre se levantarão tentando impedir que se
dê testemunho de Cristo, e assim muitas almas
sejam salvas. No entanto, as páginas da história
do cristianismo estão cheias de registros que
confirmam que de fato as portas do inferno
jamais poderão prevalecer contra a Igreja, assim
como o Senhor Jesus profetizou e prometeu
pouco antes de formá-la e enviá-la ao mundo
para pregar o evangelho.

Se os governantes deste mundo agem com


injustiça ou com justiça, isto é com eles, porque
da parte de Deus, nada será motivo para que o
crente seja infeliz e sem paz em seu espírito.
Parece até mesmo que quando são maiores as
injustiças que sofremos, que maior é a nossa
alegria e paz no Senhor, porque recebemos
suprimentos especiais de graça, para que
possamos suportar todas as oposições e
perseguições que sofremos da parte dos
inimigos do evangelho.

Finalmente, cabe respondermos à seguinte


pergunta: Por que Deus exige de nós que
tenhamos alegria e paz?
29
A resposta é muito simples e objetiva. Porque
Deus nos criou para a amizade amorosa em
unidade espiritual com ele e com nossos irmãos
na fé. Ora, se o próprio Jesus é a paz e a alegria, e
todas as demais virtudes que nos são
comunicadas por ele, como a humildade, a
mansidão, a longanimidade, a misericórdia, a
fidelidade, a bondade, etc, como podemos ter
comunhão com Ele, caso venha a nos faltar
qualquer uma dessas virtudes?

Como haverá comunhão entre nós e Deus,


quando sai a humildade e entra o orgulho?

Como haverá comunhão quando sai a paz e


entra a exasperação, a ira, o ódio, o desejo de
destruir nossos inimigos?

Não é sem razão que ao ter orado pela unidade


em amor entre os crentes e a trindade divina,
que Jesus tenha pedido ao Pai que os santificasse
na verdade, que é a Sua Palavra (João 17).

A razão é óbvia, como já dissemos antes, pois se


não há um viver em santidade, pelo qual as
virtudes do Senhor são implantadas e
aumentadas em nós, como seria possível a
unidade amorosa que é almejada por Deus para
os Seus filhos?
30
Assim, somos exortados a seguir com toda a
diligência a paz e a santificação (Hebreus 12.14),
e a razão é apontada pelo apóstolo logo a seguir,
ao dizer que sem isto não é possível ver a Deus,
ou seja ter e manter comunhão com Ele.

Um crente que tiver sido justificado e


regenerado é filho de Deus para sempre, mas ele
pode ter um viver miserável neste mundo, caso
lhe falte a comunhão permanente e amorosa
com o Senhor. E o motivo da perda desta
comunhão já foi apontado pelo próprio Deus,
em sua Palavra: o pecado. E já sabemos que não
há necessidade de que sejam pecados
grosseiros, pois a perda ainda que momentânea
de algumas das virtudes que citamos antes, é o
suficiente para quebrar a comunhão, até que ela
seja restaurada por meio da confissão, do
arrependimento, e ao retorno à prática das
virtudes que nos são ordenadas.

É melhor suportar o prejuízo material,


financeiro, emocional, sentimental, ou seja lá
qual for, do que perdermos a paz de espírito, e
com isto a nossa comunhão com Deus.

É preciso fixar com determinação que não


permitiremos que nada e ninguém nos tire do
sério de forma permanente, de forma que não
venhamos a perder o que é mais precioso do que
31
tudo para nós, a saber, a comunhão amorosa
com Deus.

Por isso, quando Jesus se apresentou aos


apóstolos, depois da sua ressurreição, ele lhes
impetrou a sua paz sobrenatural, porque eles
estavam turbados em seus corações, e neste
estado não é possível ter a comunhão alegre e
pacífica que o Senhor espera ter conosco.

Ele primeiro lhes pacificou dizendo: “paz seja


convosco”, pois a sua presença é suficiente para
nos comunicar esta maravilhosa paz, e
automaticamente eles entraram em comunhão
com Ele, e Ele com eles, em grande alegria.

Mais do que a ressurreição, a Sua presença com


eles, gerando aquele amor e paz em seus
corações, foi o motivo da grande alegria que
experimentaram.

Assim, também nós, devemos nos esforçar para


permanecermos na presença do Senhor,
porque esta é a Sua principal vontade em
relação aos crentes. E isto faremos preservando
a paz nas provações, e com ela todas as demais
virtudes que nos são necessárias, como a
humildade, a longanimidade, a misericórdia, a
fé, a bondade, a fidelidade, a benignidade, a
alegria, a moderação etc.
32
Quando negamos o ego, e as solicitações da
vontade para que busquemos o que seja do
nosso próprio conforto e interesse, e não nos
deixando abater pelas circunstâncias adversas
que procuram roubar a nossa paz, damos prova
de que maior é o nosso amor a Deus do que a
tudo o mais, e nisto Ele é glorificado, e se agrada
de nós, porque renunciamos ao nosso conforto
e interesse em prol de nos mantermos em paz,
alegres e gratos a Ele, rendendo-nos à Sua
vontade, pela paciência nas aflições que permite
que venham sobre nós para nos provar em
nosso amor e fé.

As provocações dos ímpios e dos nossos


inimigos serão respondidas com amor a eles,
conforme nos ordena o Senhor.

Os que nos maldizem serão abençoados.

Oraremos pelo bem daqueles que nos


perseguem.

Não permitiremos que qualquer tribulação que


seja nos arranque da presença de Deus, por nos
fazer perder a paz e a paciência, que temos com
Ele em espírito.

Há nisto muito do espírito de desejo consciente


de ser fazer a vontade de Deus, de lhe obedecer
33
em tudo, do que meramente sentir o prazer de
desfrutar o sentimento da Sua doce presença,
que é também muito precioso para nós.

Não se trata portanto, de se buscar a presença de


Deus, meramente para nos sentirmos bem, pois
o que está em foco é a necessidade de um viver
santificado, em paz, em alegria, em toda e
qualquer circunstância, e isto, o Senhor nos
concederá pelo Seu próprio poder de fazer
novas todas as coisas.

Devemos ser movidos pelo mesmo espírito que


havia em Habacuque, que em suas
perplexidades, recorrida ao Senhor para achar
paz e alegria, e assim, manter comunhão com
Ele.

“8 Acaso, é contra os rios, SENHOR, que estás


irado? É contra os ribeiros a tua ira ou contra o
mar, o teu furor, já que andas montado nos teus
cavalos, nos teus carros de vitória?

9 Tiras a descoberto o teu arco, e farta está a tua


aljava de flechas. Tu fendes a terra com rios.

10 Os montes te veem e se contorcem; passam


torrentes de água; as profundezas do mar fazem
ouvir a sua voz e levantam bem alto as suas
mãos.
34
11 O sol e a lua param nas suas moradas, ao
resplandecer a luz das tuas flechas sibilantes, ao
fulgor do relâmpago da tua lança.

12 Na tua indignação, marchas pela terra, na tua


ira, calcas aos pés as nações.

13 Tu sais para salvamento do teu povo, para


salvar o teu ungido; feres o telhado da casa do
perverso e lhe descobres de todo o fundamento.

14 Traspassas a cabeça dos guerreiros do


inimigo com as suas próprias lanças, os quais,
como tempestade, avançam para me destruir;
regozijam-se, como se estivessem para devorar
o pobre às ocultas.

15 Marchas com os teus cavalos pelo mar, pela


massa de grandes águas.

16 Ouvi-o, e o meu íntimo se comoveu, à sua voz,


tremeram os meus lábios; entrou a podridão nos
meus ossos, e os joelhos me vacilaram, pois, em
silêncio, devo esperar o dia da angústia, que virá
contra o povo que nos acomete.

17 Ainda que a figueira não floresça, nem haja


fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os
campos não produzam mantimento; as ovelhas
sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não
haja gado,
35
18 todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no
Deus da minha salvação.

19 O SENHOR Deus é a minha fortaleza, e faz os


meus pés como os da corça, e me faz andar
altaneiramente. Ao mestre de canto. Para
instrumentos de cordas.” (Habacuque 3.8-19).

A paz que necessitamos perseguir


diligentemente e guardar com todos, é
destacada especialmente por Tiago (1.2-12) em
sua epístola, em que, pelo Espírito Santo, orienta
os crentes a terem por motivo de toda a alegria
passarem por várias tentações, e buscarem ser
achados aprovados por Deus nas provas de fé a
que forem submetidos, e que para isto
necessitam de paciência, de uma paciência cujo
trabalho seja completo para a realização do
propósito divino em suas vidas.

Tão importante é que se aprenda a ter paciência


cristã para ser usada em toda a nossa jornada
terrena, que Tiago chega a chamá-la de
sabedoria, porque grande parte da sabedoria
divina no nosso viver consiste exatamente nesta
demonstração de paciência, que é operada pelo
poder do Espírito Santo, no crente que espera
inteiramente no Senhor, e busca nele, através
da oração, todo o suprimento de
36
sabedoria/paciência que necessite em cada
tribulação que deve enfrentar.

O apóstolo aponta apenas a oração como sendo


o meio necessário para a obtenção da graça da
paciência. É recorrendo pois, a Deus, em clamor
de oração, na hora da provação, que achamos
paz e descanso para as nossas almas.

Mesmo os crentes amadurecidos e


experimentados na fé, dependem do mesmo
remédio, porque, dependendo da intensidade e
grau da tribulação, é comum que sempre haja
alguma perplexidade ou temor a princípio, em
suas mentes e corações, e isto aumentará se não
recorrerem ao Senhor em busca de graça e
auxílio.

Guardando-se a mente e o coração em paz,


guarda-se consequentemente a comunhão em
espirito com Deus. Como já dissemos antes, este
é o grande alvo de não permitirmos que sejamos
obrigados a recuar na fé, por qualquer tipo de
tribulação que venhamos a experimentar neste
mundo.

“1 Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo,


às doze tribos que se encontram na Dispersão,
saudações.
37
2 Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria
o passardes por várias provações,

3 sabendo que a provação da vossa fé, uma vez


confirmada, produz perseverança.

4 Ora, a perseverança deve ter ação completa,


para que sejais perfeitos e íntegros, em nada
deficientes.

5 Se, porém, algum de vós necessita de


sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá
liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á
concedida.

6 Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando;


pois o que duvida é semelhante à onda do mar,
impelida e agitada pelo vento.

7 Não suponha esse homem que alcançará do


Senhor alguma coisa;

8 homem de ânimo dobre, inconstante em todos


os seus caminhos.

9 O irmão, porém, de condição humilde glorie-


se na sua dignidade,

10 e o rico, na sua insignificância, porque ele


passará como a flor da erva.
38
11 Porque o sol se levanta com seu ardente calor,
e a erva seca, e a sua flor cai, e desaparece a
formosura do seu aspecto; assim também se
murchará o rico em seus caminhos.

12 Bem-aventurado o homem que suporta, com


perseverança, a provação; porque, depois de ter
sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o
Senhor prometeu aos que o amam.” (Tiago 1.1-
12).

Fecharemos com uma citação de Spurgeon


extraída do sermão de nº 3483 sobre sermos
guiados pelo Espírito Santo, e que por este fato
somos reconhecidos como filhos de Deus:

“Ele é o Espírito de santidade, e Ele nos guia no


caminho certo - para o caminho eterno - e não
nos insultemos assim o Seu santo e abençoado
nome, atrevendo-nos a colocar qualquer de
nossas andanças a Ele! Ele nos leva à santidade
da vida. Nunca ninguém errará, sendo guiado
pelo Espírito, e nenhum homem jamais atingirá
a verdadeira santidade, mas como resultado da
obra do Espírito Santo sobre seu entendimento
e todo o seu caráter! Mas eu digo novamente,
que o Espírito Santo nos conduz à paz de espírito,
e tão seguramente que ele faz uma paz que é
totalmente independente das circunstâncias
externas. Ele pode dar paz a Seus filhos quando a
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tempestade soprar. Eles terão paz quando todos
os outros estiverem em guerra. Seus corações
não serão incomodados porque acreditam em
Deus e descansam em Sua graça divina. Paz com
Deus! O Espírito nos conduz à paz com nossos
semelhantes - paz com nossa própria
consciência. Seus caminhos são caminhos de
paz. Onde quer que Ele nos conduza, a paz no
final será o resultado certo! Quando me deparo
com uma pessoa muito briguenta e ela diz que é
levada pelo Espírito a lutar e a tolerar um mau
humor, e a criticar severamente e
amargamente condenar, ela pode ser guiada
por um espírito, mas certamente não pelo
Espírito do sempre abençoado Deus!

O espírito que está em nós é ciumento, mas o


Espírito de Deus é primeiro, puro e próximo,
pacífico. E se não formos pacíficos, não somos
guiados pelo grande Espírito de Deus que dá a
paz!”

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“Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz
em mim. No mundo, passais por aflições; mas
tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (João
16.33).

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