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Capítulo 6 INTERTEXTUALIDADE E ENSINO


Mônica Magalhães Cavalcante
Mariza Angélica Paiva Brito
Aurea Zavam

Este capítulo aborda um dos fenômenos mais interessantes da linguagem e um dos que mais
interferem na compreensão de textos, mas também um dos que menos têm recebido um
tratamento criterioso dentro da Linguística: as relações intertextuais.

Nossa visão de intertextualidade advém da Linguística Textual, uma abordagem teórica da


Linguística que toma por objeto de análise os diferentes modos pelos quais um texto se
organiza como unidade de sentido e de comunicação. Por isso, o ponto de partida dos
comentários aqui deixados será o texto: como ele se define e como se “repete” em outros
textos vinculados a um dado gênero. Entendemos a intertextualidade como um fenômeno que
se manifesta de forma implícita ou explícita entre textos ou entre estilos (de gêneros
discursivos ou de autores), ou ainda entre textos com a mesma temática.

Organizamos este trabalho em três seções: a primeira dedicada à caracterização formal dos
processos intertextuais reconhecidos pelos estudos da área; a segunda reservada à
demonstração de algumas funções que tais processos podem exercer e a terceira e última
voltada para sugestões de atividades passíveis de serem aplicadas ao ensino de língua
portuguesa, no Fundamental II. Ter ciência dos diferentes modos de flagrar o diálogo entre
textos pode repercutir positivamente sobre a compreensão e a produção dos textos, pela
ampliação do alcance interpretativo e pela diversificação dos efeitos de sentido que esses
recursos possibilitam.

6.1 Os processos intertextuais

A intertextualidade sempre foi uma questão relevante para os estudos linguísticos e, de forma
especial, para a literatura, lugar teórico de onde provêm os estudos de Bakhtin ([1929]2005)
sobre o dialogismo e sobre uma noção ampla de intertextualidade. Destacando o caráter
constitutivamente dialógico da linguagem e demonstrando a natureza polifônica dos romances
de Dostoiévski, Bakhtin postulava que todo texto derivava de outros anteriormente
produzidos. O termo intertextualidade seria, mais tarde, cunhado por Kristeva (1974), em seus
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estudos de crítica literária. A autora defendia, baseada nos pressupostos bakhtinianos, a ideia
de que todo texto era um “mosaico de citações” de outros textos, numa incessante
rearticulação textual.

Mas a noção de intertextualidade de que tratamos aqui é mais estreitamente definida, porque
requer a evidência de marcas intertextuais em duas situações possíveis, que não se excluem:

a) quando há um diálogo entre textos específicos, ou porque existem partes de um


texto presentes em outro, ou porque um texto sofreu modificações e se transformou em outro;

b) quando há imitação entre gêneros do discurso, ou entre estilos de autores.

Demonstraremos, com base em Nobre (2014), que se fundamenta principalmente em Genette


(1982), cada uma dessas situações a seguir.

6.1.1 As intertextualidades entre textos específicos


Em termos estritos, as relações intertextuais se estabelecem pelo diálogo entre textos que se
espera serem identificáveis pelos interlocutores. Podemos reconhecer um texto-fonte (ou mais
de um) presente em outro texto em dois casos distintos, mas não excludentes:
- o caso em que partes de um texto-fonte estão presentes em outro texto – são as
chamadas “copresenças”;
- o caso em que um texto-fonte deriva um outro texto, por transformações de forma e
conteúdo, como ocorre com as paródias e as adaptações – são as chamadas “derivações”.

6.1.2 As copresenças: citação, paráfrase, referência e alusão


Encontramos, no exemplo 1, uma situação prototípica da situação (a) diálogo entre textos
específicos, em que há expressões e frases inteiras reproduzidas da fala do ex-presidente Lula:

(1)
Colunistas
Mônica Bergamo
Lula diz que está numa gincana com golpes abaixo da linha da cintura
11/02/2016 - 02h00
Lula está se sentindo no meio de "uma gincana". Para o ex-presidente, a Polícia Federal e o Ministério
Público Federal estão divididos, engalfinhados em tradicionais disputas internas. E ele virou o prêmio
que todos querem exibir como trunfo.
CINTURA
A análise foi feita a um dos vários interlocutores que o ex-presidente recebeu antes do Carnaval no
Instituto Lula. A outro amigo de confiança, o ex-presidente disse se sentir golpeado "abaixo da linha
da cintura". E deu a entender que estava inconformado: "Eu nunca fiz disputa fora da política. E agora,
comigo, estão passando desses limites. Estão jogando abaixo da linha da cintura. Há um projeto para
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me destruir, e ao nosso legado". (...)

Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2016

Perceba-se que as citações aparecem todas com aspas nas notas da coluna acima, como nos
trechos: “uma gincana”, “abaixo da linha da cintura” e “Eu nunca fiz disputa fora da política.
E agora, comigo, estão passando desses limites. Estão jogando abaixo da linha da cintura. Há
um projeto para me destruir, e ao nosso legado”. A citação é, de fato, o fenômeno intertextual
mais explicitamente indicado por marcas, sobretudo as tipográficas.

É possível, porém, encontrarmos citações sem marcas, quando elas reproduzem, por exemplo,
provérbios, frases feitas, ou trechos que se supõem facilmente reconhecíveis, como neste
excerto da fábula de Millôr Fernandes:
(2)
O fim da miséria umana-hurbana
O cabelo esvoaçando à brisa fresca do Corcovado, o Cristo de pedra chorava. Um milagre?
Uma andorinha, só, parou.
- Eu estava por aí - disse ela pro Cristo -, mas, como uma andorinha só não faz verão, vou indo pro
Norte. Alguma coisa que eu possa fazer pra interromper teu pranto? (...)
Disponível em http://www2.uol.com.br/millor/fabulas/ - acesso em 12/02/2016.

Note-se que o narrador não se preocupa em destacar o provérbio “Uma andorinha só não faz
verão”, pois, provavelmente, acredita ser desnecessário, já que é bastante conhecido. E o fato
de não estar marcado não faz com que deixe de ser uma citação.

Como vemos, esse tipo de intertextualidade – a copresença - é identificável pela inserção de


partes de um ou mais textos em outro. Contudo, nem sempre essas inserções são reproduções
literais de trechos de outros textos, pois, às vezes, tais segmentos textuais são como que
adaptados, ditos com outras palavras, isto é, são parafraseados.

Na verdade, as paráfrases são tão recorrentes quanto as citações, todavia não costumam ser
assinaladas por aspas ou por travessões, ou por outra marca tipográfica. Isso não quer dizer
que as paráfrases não apresentem marcação alguma: outras marcações denunciam a existência
de trechos parafraseados, como os verbos dicendi, ou qualquer outro verbo que se preste a
introduzir no texto conteúdos alheios. Vejamos o exemplo a seguir:
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(3)
Dilma sanciona lei contra o bullying, e escolas devem impedir a intimidação
O texto foi divulgado no Diário Oficial desta segunda-feira (9). Associação de pais e alunos do DF
critica pontos da medida
postado em 09/11/2015 13:56
O Diário Oficial da União desta segunda-feira (9) trouxe a lei nº 13.185/2015, sancionada pela
presidente Dilma Rousseff, que obriga escolas e clubes a adotarem medidas de prevenção e combate
ao bullying. O texto havia sido aprovado, em outubro, pela Câmara dos Deputados. A lei passa a
vigorar em 90 dias, ou seja, em 9 de fevereiro.
O Programa de Combate à Intimidação Sistemática define bullying como a prática de atos de violência
física ou psíquica exercidos intencional e repetidamente por um indivíduo ou grupo contra uma ou
mais pessoas com o objetivo de intimidar ou agredir, causando dor e angústia à vítima. (...)
Disponível em http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante - acesso em 12/02/2016.

O trecho em grifo não vem assinalado por aspas porque não reproduz, na íntegra, ipsis litteris,
as palavras que constam na Lei Nº 13.185, a qual instituiu o programa de combate ao bullying
no Brasil, em 2015. As paráfrases consistem, assim, em inserções de partes adaptadas de
outro texto e são, por isso mesmo, menos marcadas, mais disfarçadas, que as citações.

Para certos gêneros, as paráfrases são tão absolutamente necessárias que se tornam
constitutivas deles, como nos resumos e resenhas escolares, e como em todos os gêneros
acadêmicos. Consideramos as paráfrases constitutivas desses gêneros porque não se elaboram
resumos e resenhas sem que se parafraseiem trechos dos textos resumidos e resenhados.
Também alguns gêneros midiáticos, como as sinopses de filmes e de livros, só ganham
existência se parafrasearem os textos de que estão tratando, conforme se comprova pelo
exemplo abaixo:

(4)
Super Velozes, Mega Furiosos – Dublado
Sinopse: O filme é uma sátira aos filmes e aos personagens da série de ação Velozes e Furiosos, o
policial chamado Paul White, trabalhando sob disfarce, chega junto à gangue ilegal de corredores de
rua liderada por Vin Serento, numa das provas noturnas do grupo. Vin e Paul provam no asfalto que
são velozes, são furiosos e juntos decidem elaborar um plano para dar um golpe duplo num dos mais
perigosos chefões do crime de Los Angeles, Juan Carlos de la Sol.

Disponível em http://www.filmesonlinegratis.net/ - acesso em 16/02/2016.

O trecho dessa sinopse parafraseia brevemente o curta-metragem em apreço, resumindo-lhe o


enredo e inserindo nessa síntese alguns comentários avaliativos. A quantidade de inserções de
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paráfrases no texto varia, como se vê, não só de acordo com estilos individuais, mas também
com a natureza do gênero.

Se as paráfrases de outro texto não aparecerem com nenhum tipo de marcação, elas poderão
até ser consideradas legalmente como plágio, dependendo do volume de texto alheio do qual
o locutor se apropriou indevidamente. Porque o plágio consiste nisto: um locutor se utiliza de
pedaços de uma obra assumindo-os como seus, por isso é um processo intertextual de
apropriação indébita, não autorizada, do texto do outro. Alguns plagiadores chegam até a
reproduzir o texto inteiro de outro autor, sem dar-lhe os devidos créditos.

A prática de copiar textos alheios tem sido tão recorrente - e condenável - nas escolas e
instituições de ensino superior que algumas universidades já criaram sites com ferramentas
para detectar o plágio em produções de alunos, ou mesmo de professores em trabalhos
acadêmicos, como este que se encontra no endereço seguinte:
http://www.ufrgs.br/uab/ferramentas-para-detectar-plagio-em-trabalhos-academicos.

Além das citações e das paráfrases, existem mais dois tipos de inserção intertextual, ou
copresença: as referências e alusões. A diferença entre as duas reside apenas no grau de
explicitude das marcas da presença de um texto em outro.

As referências a personagens e a quaisquer entidades de um texto original são bastante diretas,


por isso explícitas. Já as alusões, não, são referências apenas indiretas. Opera-se uma alusão
quando se faz uma espécie de referência por pistas; não se diz claramente a que se está
referindo, mas se fazem insinuações contextuais.

Os dois processos caminham juntos, em geral, pois, quando se faz referência direta a traços
típicos de um texto, também se está aludindo ao texto como um todo, obviamente. O fato é
que as referências são mais explícitas, ao passo que as alusões, de tão implícitas ou indiretas,
nem sempre são alcançadas por alguns interlocutores.

Vejamos o exemplo abaixo, um excerto da obra memorialística Baú de Ossos, do médico e


escritor mineiro Pedro Nava:
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(5)
O meu amigo Rodrigo Melo Franco de Andrade é autor do conto “Quando minha avó morreu”. Sei
por ele que é uma história autobiográfica. Aí Rodrigo confessa ter passado, aos 11 anos, por fase da
vida em que se sentia profundamente corrupto. Violava as promessas feitas de noite a Nossa Senhora;
mentia desabridamente; faltava às aulas para tomar banho no rio e pescar na Barroca com
companheiros vadios; furtava pratinhas de dois mil-réis... Ai! de mim que mais cedo que o amigo
também abracei a senda do crime e enveredei pela do furto... Amante das artes plásticas desde cedo,
educado no culto do belo, eu não pude me conter. Eram duas coleções de postais pertencentes a minha
prima Maria Luísa Palleta. Numa, toda a vida de Paulo e Virgínia – do idílio infantil ao navio
desmantelado na procela. Pobre Virgínia, dos cabelos esvoaçantes! Noutra, a de Joana d’Arc, desde os
tempos de pastora e das vozes ao da morte. Pobre Joana dos cabelos em chama! Não resisti. Furtei,
escondi e depois de longos êxtases, com medo, joguei tudo fora. Terceiro roubo, terceira coleção de
postais – a que um carcamano, chamado Adriano Merlo, escrevia a uma de minhas tias. Os cartões
eram fabulosos. Novas contemplações solitárias e piquei tudo de latrina abaixo. Mas o mais grave foi
o roubo de uma nota de cinco mil-réis, do patrimônio da própria Inhá Luísa. De posse dessa fortuna
nababesca, comprei um livro e uma lâmpada elétrica de tamanho desmedido. Fui para o parque
Halfeld com o butim de minha pirataria. Joguei o troco num bueiro. Como ainda não soubesse ler,
rasguei o livro e atirei seus restos em um tanque. A lâmpada, enorme, esfregada, não fez aparecer
nenhum gênio. Fui me desfazer de mais esse cadáver na escada da Igreja de São Sebastião. Lá a
estourei, tendo a impressão de ouvir os trovões e o morro do Imperador desabando nas minhas costas.
Depois dessa série de atos gratuitos e delitos inúteis, voltei para casa. Raskólnikov. O mais estranho é
que houve crime, e não castigo. Crime perfeito. Ninguém desconfiou. Minha avó não deu por falta de
sua cédula. Eu fiquei por conta das Fúrias de um remorso, que me perseguiu toda a infância, veio
comigo pela vida afora, com a terrível impressão de que eu poderia reincidir porque vocês sabem,
cesteiro que faz um cesto... Só me tranquilizei anos depois, já médico, quando li num livro de
Psicologia que só se deve considerar roubo o que a criança faz com proveito e dolo. O furto inútil é
fisiológico e psicologicamente normal. Graças a Deus! Fiquei absolvido do meu ato gratuito...
(NAVA, Pedro. Baú de ossos. Memórias 1. p. 308 a 310, 1973)

Observe-se que o segmento “A lâmpada, enorme, esfregada, não fez aparecer nenhum gênio”
alude à Lâmpada Maravilhosa do conto de Aladim, presente na coletânea árabe As mil e uma
noites. O locutor não se refere diretamente à lâmpada do conto, que continha um gênio. Mas,
indiretamente, uma referência convoca a outra, numa alusão a Aladim e ao enredo que
transcorre nas inúmeras adaptações desse conto.

As referências pontuam trilhas para as alusões, em diferentes graus de explicitude. Assim


também a menção ao personagem Raskólnikov, protagonista da obra Crime e Castigo, de
Dostoiévski, engatilha a alusão ao livro, como se comprova no seguinte trecho grifado:
“Depois dessa série de atos gratuitos e delitos inúteis, voltei para casa. Raskólnikov. O mais
estranho é que houve crime, e não castigo. Crime perfeito. Ninguém desconfiou.”
Como se constata, do mesmo modo que as citações, também as referências se
recontextualizam, para atender a propósitos diversos, por vezes satíricos, por vezes cômicos,
por vezes nem uma coisa nem outra. É por isso que, segundo Faria (2014), as copresenças
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podem gerar um outro texto, transformado, com finalidades lúdicas, como nas paródias, e/ou
satíricas. Mas também podem derivar adaptações de toda espécie, com funções mais “sérias”.

Por recomendação da editora, a fim de evitar processo judicial como já ocorrera em relação a
uma outra produção, não é possível indicar imagens, nomes ou links referentes ao caso. Em
verde apresento proposta de alteração na redação

Pensemos em um post com meme, veiculado via Whatsapp, no final de 2015, que, baseado
em um caso de traição, trazia a imagem do amante acompanhada dos seguintes enunciados:

(6)

99% anjo, perfeito

Mas aquele 1% é manicure

O post usa de uma citação da canção de Marcos e Belutti, Aquele 1%, interpretada por Wesley
Safadão, e muito festejada pelas mídias digitais na época. O enunciado integra o refrão da
música:

(7)
Tô namorando todo mundo – by Wesley Safadão
99% anjo, perfeito
Mas aquele 1% é vagabundo
Mas aquele 1% é vagabundo
Safado e elas gostam.

Ao ser viralizada, a citação se recontextualizou em diferentes posts. Neste exemplo, além da


citação integrada em outro contexto para fins cômicos e satíricos (ou seja: parodiada), há
também os processos intertextuais de referência e de alusão a um segundo texto: o do vídeo
sobre o caso de traição que citamos antes.

Nesse caso de traição ocorrido em Minas Gerais, no final de 2015, que, transformado em
vídeo, teve enorme repercussão nas redes sociais, a mulher traiu o marido com o melhor
amigo do casal. Já desconfiado da infidelidade, o marido seguiu a mulher e confirmou a
suspeita. No momento do flagrante, o marido repetia, indignado, a frase irônica: "Foi fazer a
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unha, né, xxxxx?", um comentário que alude à desculpa que a esposa arranjara ao dizer que ia
sair.

A intertextualidade por referência se efetiva, então, pela imagem montada do amante para
aludir, satiricamente, à mentira da mulher de que iria para a manicure, quando, na verdade, ia
encontrar-se com o amante. O post reúne, por relações intertextuais, traição e safadeza (em
oposição à fidelidade) figurativizadas na música interpretada por Wesley Safadão e nos
comentários do vídeo desse caso de traição. Na imagem do post, o amante fazendo unhas é
avaliado assim pela citação parodiada da canção: “99% anjo perfeito, mas aquele 1% é
manicure”. Os sentidos deste post se constroem pelas explicitudes das citações e referências,
que amparam as implicitudes das alusões, e todas essas copresenças colaboram para a
derivação da paródia.

6.1.3 As derivações por transformação: paródias e transposições

Segundo Faria (2014), as copresenças podem constituir estratégias para a construção da


segunda situação de intertextualidade, o caso em que um texto deriva outro, porque nele se
operaram transformações. Trata-se dos casos de transformações por paródias e por
transposições sérias (que são as retextualizações, as adaptações).

As paródias e adaptações acontecem, de fato, principalmente a partir de citações


ressignificadas, de paráfrases e de referências e alusões também recontextualizadas. Isso não
significa dizer que, toda vez que houver esses fenômenos de copresença, será gerada uma
paródia ou uma transposição não lúdica ou satírica de outro texto. Significa, isso sim, que,
havendo paródia ou transposição, elas vão conter pelo menos uma dessas copresenças:
citações, paráfrases, referências e alusões.

Nas paródias, um texto incorpora o outro para provocar o riso, ou para ser simplesmente
lúdico, ou para criticar algo, ou mesmo para levar ao ridículo, como vemos no exemplo da
canção Aquele 1%, composta por Gabi Luthai e Sofia Oliveira:

(8)

Aquele 1% (Resposta, com participação dos autores, à canção de Marcos e Belutti, interpretada por
Wesley Safadão)
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Você abre a porta e puxa a cadeira para eu sentar


À luz de velas só para tentar me ganhar
Recebo flores, chocolates e cartão
Eu sei o que tem por trás desse grande coração...

Liga no outro dia no estilo Dom Ruan


Estranhei me chamar no domingo de manhã
Coitado desse aí tá com saudade do meu beijo
Me trata como as outras.... isso eu não aceito....

Tá namorando todo mundo....


Você tá mais para 1% anjo, perfeito
E todo o restante é vagabundo
E todo o restante é vagabundo
Não é disso que elas gostam....

Vale informar que a melodia da canção é a mesma (ver o vídeo em


https://www.youtube.com); as transformações foram operadas sobre a letra, de maneira a que
ela configurasse um revide à letra do texto-fonte, a qual descreve de modo caricaturesco o
homem que varia muito facilmente de parceira amorosa.

Nas adaptações não lúdicas/satíricas, um texto também se apropria do texto-fonte, mas faz
isso para retextualizar seu conteúdo, acomodando-o em um gênero diferente. Um exemplo
evidente dessa transposição é o filme O Regresso, uma adaptação cinematográfica do livro
homônimo, que rendeu a Leonardo DiCaprio o Oscar de melhor ator, em 2016.

As artes em geral estão recheadas de ocorrências de transposições, nas adaptações


cinematográficas, nas adaptações de peças teatrais, nas reproduções de pintura e de escultura,
nas interpretações diferentes de canções, e em muitas outras. Elas mantêm em comum a
finalidade não lúdica, que define as paródias, quer sejam satíricas, quer não.

No meio escolar e no acadêmico, as transposições costumam aparecer sob diferentes tipos de


retextualização – uma das mais solicitadas é o resumo, mas há também a resenha, os recontos,
a contação de histórias, a refacção das redações e as traduções.

6.2 As intertextualidades entre gêneros – um caso de imitação


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Existem, por fim, certas situações de intertextualidade que se dão por imitação de gêneros
discursivos ou de estilos de autores. Só nos ocuparemos do primeiro caso. Diferentemente
das intertextualidades que se fazem estritamente entre textos específicos, as
intertextualidades entre gêneros reproduzem o padrão de um conjunto de textos
pertencentes a um dado gênero.

Na internet, já foram criados sites especializados em imitar, com finalidades lúdicas e


satíricas, o estilo de certos gêneros do discurso. Exemplo disso é a página do Sensacionalista,
na qual os textos ali publicados não são transformações de textos específicos, mas imitações
humorísticas e satíricas do padrão genérico das notícias e reportagens de jornais. Vejamos um
desses exemplos abaixo:

(9)

Vereadores de cidade com toda a Câmara presa por corrupção se filiam ao PSDB e são
soltos

A pequena cidade de Centralina (MG) teve todos os seus nove vereadores presos preventivamente por
suspeita de corrupção. Mas o problema não durou por muito tempo, todos os vereadores presos se
filiaram ao PSDB e já foram soltos.
“O Claudinho Borracheiro que deu a ideia da gente se filiar ao PSDB. Não levou nem 24 horas para
sermos soltos e as acusações serem consideradas insuficientes para uma investigação”, disse Jorge da
Sapataria, vereador da cidade.
Apesar de serem de partidos diferentes e opositores, os nove vereadores saíram da prisão e foram
comemorar a liberdade em um churrasco com donos de uma construtora e de uma empresa de ônibus
da cidade.
Bruno Machado
Disponível em http://sensacionalista.uol.com.br/ - acesso em 15/02/2016.

O Sensacionalista costuma fazer, assim, uma espécie de pastiche dos fatos reais, em tom
aparentemente “sério”.

6.3 As relações funcionais da intertextualidade


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Voltamos, agora, o nosso olhar para algumas funções que as relações intertextuais cumprem
no texto, especificamente as que se relacionam às intertextualidades por copresença,
colaborando para a (re)construção de seus sentidos.

Como bem demonstraram Koch, Bentes e Cavalcante (2007), a intertextualidade pode


constituir textos de diferentes domínios discursivos e se manifestar em textos verbais ou
multissemióticos.

Quando falamos em função argumentativa, estamos nos referindo ao papel argumentativo que
a estratégia empregada pelo produtor do texto exerce ao construir determinado sentido
visando a seu propósito discursivo. Dessa forma, quando traz para o seu texto um fragmento
de outro texto, o locutor tem um propósito argumentativo e discursivo de construção de
sentido e pretende que esse propósito seja reconhecido pelo seu interlocutor.

Esse propósito cumpre, então, uma função que é, ao mesmo tempo, textual, pois se trata de
um evento de interação entre locutor e interlocutor, e discursiva, por estar inserido em um
contexto atrelado às condições/circunstâncias de produção. Descrevemos, a seguir, algumas
das funções argumentativas das intertextualidades por copresença, tomando por base a análise
proposta por Forte (2013).

6.3.1 A função intertextual de argumento de autoridade

Uma das funções mais recorrentes das copresenças é servir de argumento de autoridade, um
recurso bastante utlizado em artigos científicos, por exemplo, mas também em inúmeras
situações cotidianas. Muitas vezes, um locutor se vale da fala de um outro autor, ou de uma
referência a ele, para reforçar a argumentação que vem desenvolvendo no texto. Desta forma,
a citação pode atestar um dizer, validando-o muitas vezes, como é o caso do exemplo a seguir:

(10)

“Ler é melhor que estudar”. Esta frase de Ziraldo, já famosa, virou botton e foi carregada do lado
esquerdo do peito por parte de nossa juventude. Ela nos remete à ineficiência da escola e a sua
distância em relação às práticas sociais significativas.

Fonte: ROJO, Roxane. Letramento e capacidades de leitura para a cidadania. São Paulo: SEE: CENP, 2004.
Texto apresentado em Congresso realizado em maio de 2004.
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Nesse exemplo (10), retirado de um artigo acadêmico, a locutora recorre a uma conhecida
frase do cartunista Ziraldo para desenvolver a defesa de seu ponto de vista. A frase de Ziraldo
figura como uma voz que confere sustentação às ideias que serão apresentadas ao longo do
texto, e a presença dessa outra voz no texto serve, portanto, como argumento de autoridade.

No exemplo 11, também temos uma citação que desempenha a função de argumento de
autoridade (assim como cumpre o papel de apresentar outra voz no texto).

(11)

Zika pode ser sexualmente transmissível

Depois de anunciar que a Zika provavelmente vai se espalhar por todos os países da América, exceto
Canadá e Chile, a OMS apontou que a doença pode ser sexualmente transmissível, apesar do número
limitado de casos relatados. “O vírus da Zika foi isolado no sêmen humano, e um caso de uma possível
transmissão sexual foi descrito. Mas são necessárias mais evidências para confirmar se o contato
sexual é um meio de transmissão”, disse a organização. [...]
Disponível em: <http://super.abril.com.br/ciencia/zika-pode-ser-sexualmente-transmissivel>. Acesso em: 30 jan.
2016.

O argumento de autoridade, aliás, é muito utilizado em notícias, pois funciona como uma
forma de o produtor do texto tanto legitimar o que está sendo afirmado quanto de se eximir da
responsabilidade sobre o que está sendo dito. Dessa forma, nas notícias e reportagens, o
recurso à autoridade imprime ao texto uma suposta “neutralidade” na elaboração e na
veiculação das informações.

6.3.2 A função de ornamentação

Conforme já assinalara Piègay-Gros (2010), a função de ornamentar enriquece determinado


texto, desenvolvendo-o em seus aspectos estético-estilísticos. Vejamos o exemplo abaixo:

(12)
Minas Enigma
Minas além do som, Minas Gerais.
Carlos Drummond de Andrade
[...] Falar de Minas, trem danado, sô. Vasto mundo! Ah, se eu me chamasse Raimundo. Dentro de mim
uma corrente de nomes e evocações antigas, fluindo como o Rio das Velhas no seu leito de pedras,
entre cidades imemoriais. Prefiro estancá-las no tempo, a exaurir-me em impressões arrancadas aos
pedaços, e que aos poucos descobririam o que resta de precioso em mim — o mistério da minha terra,
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desafiando-me como a esfinge com o seu enigma: decifra-me, ou devoro-te. Prefiro ser devorado.

Fonte: SABINO, Fernando. Minas enigma. A inglesa deslumbrada. Rio de Janeiro: Record, 1967, p. 71.

O exemplo (12) traz um trecho de uma crônica de Fernando Sabino. Nela, o autor se apropria,
inicialmente, na epígrafe, do último verso do poema “Prece de mineiro no Rio” do também
mineiro, Carlos Drummond de Andrade, para, assim como o poeta, falar da satisfação que
sente por ser mineiro, revelando, assim, o amor por sua terra natal.

No final do parágrafo transcrito, vemos o autor recorrer a mais uma citação: aquela que
reproduz o conhecido enigma da Esfinge (“Decifra-me, ou devoro-te”), dessa vez, para
mostrar como vê sua terra, Minas Gerais. Essa função é reforçada por uma outra
intertextualidade por copresença: a alusão, feita por meio da expressão que dá título ao texto.

Ainda que ambas as citações não tenham recebido marcação tipográfica, não deixam de ser
citações, pois, como dissemos, o fato de não se mostrar marcada não invalida o propósito
argumentativo e discursivo da citação, já que o locutor, no caso Fernando Sabino, considera
que seus interlocutores tenham condições de perceber a intertextualidade e assim recuperar os
dois textos-fonte: o poema de Drummond e o enigma da Esfinge. Tanto uma quanto outra
funcionam como ornamento, ou seja, como uma função estética para esse texto: a primeira, na
abertura; a segunda, no fechamento.

Este exemplo se revela ainda bastante interessante, pois traz outro caso que inicialmente
poderíamos tomar como citação (“Vasto mundo! Ah, se eu me chamasse Raimundo.”). Trata-
se da apropriação dos dois primeiros versos da sexta estrofe do “Poema de sete faces”,
também de Drummond: “Mundo mundo vasto mundo/ se eu me chamasse Raimundo/ seria
uma rima, não seria uma solução./ Mundo mundo vasto mundo,/ mais vasto é meu coração.”

Como podemos perceber, a citação não chega a ser literal porque há a inserção da interjeição
Ah!. Ao operar essa transformação, ainda que sutil, cria-se um desvio do texto-fonte, à moda
de uma paródia. E é justamente esse desvio (por menor que seja) que demarca a distinção
entre citação e alusão. Temos, portanto, em “Vasto mundo! Ah, se eu me chamasse
Raimundo” um caso de alusão que leva à paródia. E isso confirma nossa afirmação anterior de
que as derivações (dentre elas, as paródias) se valem de copresenças como as alusões.

6.3.4 A função lúdica da intertextualidade


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A função lúdica das intertextualidades tem sido muito utilizada para produzir efeitos
humorísticos no texto. Como sabemos, não é somente a intertextualidade em si mesma que
provoca o riso, mas, sim, todos os demais elementos do contexto sociodiscursivo em que ela
se insere. Observemos uma ocorrência de citação recontextualizada em um post com o fim de
surtir um efeito cômico:

(13)

Disponível em: <http://www.multiar.blog.br/memes-engracados-sobre-o-calor/>.Acesso em 29 jan. 2016

No exemplo (13), vemos, no primeiro quadro, Cássia Eller entoar o primeiro verso da canção
“O segundo sol”, sucesso da cantora. O balão, recurso para indicar a fala de personagem,
confere à frase proferida – “Quando o segundo sol chegar” – o caráter de citação, sendo, nesse
caso, dispensado o uso das aspas. No quadro seguinte, vemos uma referência a um post com
meme que ficou muito conhecido nas redes sociais.

Para saber mais, consulte: https://www.tutoriart.com.br/os-memes-mais-


conhecidos-como-surgiram-e-variacoes/2/

A criação do personagem se baseou na foto de um jogador de basquete chinês Yao Ming cuja
expressão sugeriria deboche ou escárnio de algo que teria sido dito. Diante da frase “Quando
o segundo sol chegar”, o personagem do post com meme se revela, então, perturbado, com o
rosto suado. Essa montagem de relações intertextuais faz convocar o sentido literal do trecho
“quando o segundo Sol chegar”, gerando, com isso, o efeito de humor, pois, se as
temperaturas já andam altíssimas na Terra, um segundo Sol nos faria transpirar
excessivamente.

Vemos que a citação (verso da canção da Cássia Eller) desencadeia o humor, desempenhando,
assim, uma função lúdica, que visa à troça, à graça. Certamente, não é só a citação que
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responde pelo humor, pelo riso, mas todos os demais elementos constitutivos do projeto
discursivo do locutor, isto é, todos os elementos que compõem o contexto sociodiscursivo.

6.4 Intertextualidade e ensino

Neste capítulo, apresentamos uma proposta de consideração dos processos intertextuais que
pode ser produtiva nas aulas de compreensão textual, uma vez que permite ao professor saber
lidar com diferentes tipos de diálogo entre textos e gêneros. Além disso, mostramos a
relevância de discutir com os alunos as funções argumentativas a que se prestam os apelos
intertextuais em diversas práticas discursivas. Sugerimos, a seguir, duas atividades, indicadas
para alunos do 9º ano, que ilustram o conteúdo explicitado.

Atividade 1
Objetivo: Fazer com que o aluno perceba a importância em reconhecer o diálogo de um texto
com outro para a produção dos sentidos.
a) Leia a tira a seguir e explique o que significa, no texto, a ação do Passarinho de saltar a
pedra. É possível perceber que essa tira cita um outro texto, travando um diálogo?

(Retirado de: Vida de Passarinho. 2ªed., Porto Alegre: L&PM, 1995. P.47)

Comentário:
O propósito desta pergunta é avaliar o alcance da compreensão dos alunos com relação aos
diálogos intertextuais. É provável que muitos deles nunca tenham tido acesso ao poema de
Drummond, o que não os impedirá de construir algum tipo de coerência para o texto, mas o
desconhecimento da intertextualidade comprometerá o estabelecimento de relações entre a
pedra, o talento e o poema de que fala a tira, e isso é crucial para a interpretação dos sentidos
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e para o alcance do humor pretendido.


b) Agora, leia o poema No meio do caminho, de Carlos Drummond de Andrade, e responda:
que pistas a tira dá para que ocorra a relação intertextual? Que segmentos do poema estão
inseridos na tira e como eles aparecem mencionados? Esses segmentos do texto-fonte não são
citados literalmente. Que indicações da tira aludem ao poema?
NO MEIO DO CAMINHO
Carlos Drummond de Andrade

No meio do caminho tinha uma pedra


tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Comentário da atividade
Vemos, no primeiro quadrinho, o Passarinho se deparar com “uma pedra no meio do
caminho”. Com isso, o locutor faz uma referência à pedra do poema de Carlos Drummond de
Andrade e, consequentemente, alude a esse texto, intitulado No meio do caminho. Logo em
seguida, outras alusões são feitas: o Passarinho diz que não é poeta, porque, se o fosse, faria
um poema, assim como fez o poeta Drummond. A saída que ele encontra é de saltar a pedra,
uma vez que é apenas um Passarinho prático. É fundamental que o professor discuta com os
alunos sobre a função das alusões como recurso de humor, mas também de crítica a pessoas
que, diante dos obstáculos, representados pela pedra, não reagem de maneira racional e
objetiva. O professor deve chamar a atenção para o fato de que, neste ponto da tira, o
Passarinho deixa de ser passarinho e se transforma em um Passarinho prático.

É primordial que o professor discuta com seu aluno a importância dos processos intertextuais,
não só para a construção dos sentidos do texto, mas, principalmente para construção
argumentativa que se faz a partir de uma referência ou alusão a um outro texto.

Atividade 2
a) Observe a tira abaixo. O que a torna lúdica e interessante? A que reflexões a tira leva?
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b) Que outros textos são mencionados nas falas do gato e do rato? Pesquise, na internet, o que
é a Lei da selva e a Lei da gravidade. O que as leis têm em comum?

(retirado de: http://www2.uol.com.br/niquel/bau.shtml) -16/03/2016

Comentário da atividade

Em um primeiro momento, é interessante fazer uma checagem com os alunos sobre o que eles
conhecem sobre a lei da selva para depois relacionar com a lei da gravidade. A “lei da selva” é
um conhecimento de mundo e remete à tese de que o mais forte impõe sua vontade sobre o
mais fraco. Este tipo de intertextualidade remete a um dito popular, que virou crença. Por
outro lado, a fala do rato é uma citação da Lei da Gravidade, de Isaac Newton, a qual postula
que a força da gravidade é diretamente proporcional às massas dos corpos em interação
e inversamente proporcional ao quadrado da distância entre eles.

No segundo quadrinho, o gato, mais forte que o rato, seu predador natural, quebra as telhas e
cai. O rato, sendo o mais fraco, acha-se no direito de revidar e, assim, no último quadrinho,
com a queda do gato, faz o comentário de que a “lei da gravidade” é implacável, ou seja, é
mais forte que a lei da selva. Assim, com a inserção dessas duas “leis” citadas na tira, o
locutor construiu o humor do texto e ainda provocou a reflexão de que a esperteza pode
vencer a força.

Referências
BAKHTIN, M. [1929] Problemas da poética de Dostoiévski. Tradução de Paulo Bezerra. 3
ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2005.
CAVALCANTE, M.M. Os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2012. (Coleção
Linguagem e Ensino).
FARIA, M.G dos S. Alusão e citação como estratégias na construção de paródias e
paráfrases em textos verbo-visuais. 2014. 133f. Doutorado (Dinter- Doutorado em
Linguística) – Programa de pós-graduação em Linguística, Universidade Federal do Ceará,
Fortaleza, 2014.
FORTE, J. S. M. Funções textual-discursivas de processos intertextuais. 2013. 127 f.
18

Dissertação (Mestrado em Linguística) – Programa de pós-graduação em Linguística,


Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2013.
GENETTE, G. Palimpsestes – la littératur au second degree. Paris: Seuil, [1982]. Tradução
para o português. Edições Viva Voz: Belo Horizonte, 2010
KRISTEVA, J. Introdução à semanálise. Sãã o Pãulo: Perspectivã, 1974.
KOCH, I. G. V.; BENTES, A. C.; CAVALCANTE, M. M. Intertextualidade – diálogos
possíveis. São Paulo: Cortez, 2007.
NOBRE, Kennedy Cabral. Critérios classificatórios de processos intertextuais. 2014. 129f.
Tese. (Doutorado em Linguística) – Programa de Pós-Graduação em Linguística da
Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2014.
PIÈGAY-GROS, N. Introduction à l’intertextualité. Paris: Dunod, 1996. /tradução de Mônica
Magalhães Cavalcante; Mônica Maria Feitosa Braga Gentil; Vinência Maria Freitas
Jaguaribe/Intersecções – Revista de Estudos sobre Práticas Discursivas –Jundiaí, ano 3, n. 1,
2010.