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RESUMO FOCADOS

Disciplina: Pediatria
Assunto: Queixas comuns em Pediatria
Kennerson Alves

A consulta pediátrica é diferente da consulta do adulto, que é direcionada. Na maioria das vezes,
o paciente pediátrico não fala nada, a queixa é referenciada e não é exatamente o problema que
a criança tem.

 Abordagem dos problemas mais comuns nos recém-nascidos


Geralmente, a consulta do neonato é mais demorada e mais trabalhosa. As queixas referidas são,
principalmente, sobre a alimentação do bebê.
 Aleitamento materno
- Importância: a alimentação ao seio constitui uma das questões mais importantes para a saúde
humana, principalmente nos 2 primeiros anos de vida, pois atende às necessidades nutricionais,
metabólicas, imunológicas, além de oferecer estímulo psicoafetivo ao lactente.
- Pouco leite / leite fraco: é uma queixa frequente das mães.
- Fissuras: geralmente decorre de uma pega inadequada – quando o bebê mama somente no
mamilo. Isso ocorre devido ao efeito hormonal que deixa o mamilo edemaciado e doloroso. Pode
ocorrer colonização de bactérias ou de fungos, dificultando a cicatrização, deixando mais
doloroso e podendo levar a sangramento. Deve-se orientar os sinais da boa pega.
- Ingurgitamento mamário: ocorre principalmente nas primeiras 72h. A mama fica muito cheia,
podendo pedrar, porque a quantidade de leite que a criança está mamando não é suficiente em
relação à quantidade de leite que a mãe está produzindo. Esse descompasso tanto pode
significar pouco leite sugado pela criança quanto muito leite produzido pela mãe. Deve-se retirar o
excesso para evitar que a mãe se machuque com esse ingurgitamento.
- Leite anterior / posterior.

- Sinais da boa pega:


- A boca do bebê está bem aberta.
- O queixo do bebê encosta no peito da mãe.
- O lábio inferior do bebê está virado para fora.
- A aréola é mais visível acima da boca da criança do que abaixo.
 Problemas nutricionais em lactentes < 2 meses
- É resultante da alimentação inadequada.
- Normalmente o bebê perde uma média de 10% do seu peso nos 10 primeiros dias de vida – isso
é resultante da perda de água ao nascer e também porque ele vai ter que se adequar as
necessidades dele ao que a mãe está oferecendo.
- Se essa perda de peso vai além desses 10% nós temos que investigar porque pode ser um
problema na amamentação, se a criança está regurgitando o leite, se a criança está dormindo
demais e está deixando de amamentar, entre outras causas.
- Avaliação da criança: se ela está dormindo bem, se ela está reclamando o tempo inteiro, se está
ganhando peso adequadamente.

 Desenvolvimento e crescimento
- Presente no cartão da criança do Ministério da Saúde.
 Higiene do bebê / vestimentas / limpeza das roupas
- Orientar a mãe.
 Cuidados com o coto umbilical
- Utilizar o álcool a 70% todas as vezes que for limpar o coto umbilical.
- Geralmente cai em torno de 7 a 10 dias de vida.
 Obstrução nasal
- Isso ocorre porque a via aérea do bebê é muito estreita, então qualquer secreção pode obstruir.
- Orientar a mãe sobre a limpeza das narinas com SF 0,9%.
 Cólicas do lactente: ansiedade materna
 Vacinas
 O sono do bebê
- Inicialmente o bebê dorme 22h por dia.
 Quando levar para passear / banho de sol
- É importante o banho de sol para o crescimento porque a vitamina D está na forma inativa na
nossa pele.
 Visitas
- Orientar a não pegar o bebê ou higienizar as mãos antes.

 Avaliação e acompanhamento do desenvolvimento


- 4 períodos de desenvolvimento no 1º ano de vida:

- No 2º ano de vida:

- A partir do 2º ano já dá pra perceber crianças com sinais de autismo, então os pais
devem ficar alertas sobre esses marcos de desenvolvimento para ter um diagnóstico precoce e
não atrasar um possível tratamento.
- No 3º e 4º anos de vida:

- A partir do 5º ano até o início da adolescência entre 11 e 12 anos:

 Adolescentes
- Hiperfagia: comem em exagero.
- Hipoacusia: só escutam o que quer e só escutam músicas usando todo o volume do aparelho de
som.
- Mania de agrupamento: nunca estão sozinhos – sempre andam em grupos.
- Sensação de imortalidade: adoram esportes radicais e quase sempre utilizam os veículos em
alta velocidade.
- Boa saúde física: quase nunca adoecem.
- Mania de perseguição: constantemente se referindo aos irmãos e outros familiares.
- Gostam de ser diferentes.

 Por que meu bebê chora?


- É uma forma de comunicação do lactente por uma necessidade não atendida.
- Cólicas do lactente: 3-60% das crianças possuem esse tipo de cólica.
- Imaturidade da inervação do trato digestivo: é a teoria mais aceita para explicar a cólica.
- Gases: a distensão pelos gases dói.
- Alimentação maternal: geralmente quando a mãe tem uma alimentação gordurosa –
produz um leite mais gorduroso.
- Ansiedade da mãe.
- Ficar atento às características do choro para tentar relacionar ele à cólica.
- Conduta: não medicamentosa (massagem, exercício de bicicleta, shantala, colocar a
criança de barriga para baixo e em cima da barriga da mãe, ofurô) / medicamentosa (Luftal,
Dimeticona ou Colikids).
- Outras causas: infecções, dores, traumas, abuso, alterações ambientais, reações vacinais.

 Que vacinas preciso dar?


- Importância da vacinação.
- Reações pós-vacinais: todas as vacinas podem dar reações sistêmicas ou locais. Deve-se
orientar a mãe sobre essas reações.
- Calendário vacinal do MS.

 Meu filho não dorme


- Evolução do sono: RN > adolescente – o número de horas de sono vai diminuindo.
- Apneia do lactente: principalmente nos 3 primeiros meses de vida.
- Deve-se orientar a mãe para nunca deixar o bebê dormir de barriga para baixo enquanto
ele ainda não aprendeu a virar – a resposta do bebê ao CO2 exalado é diferente da resposta do
adulto, porque ele deprime o centro respiratório.
- Pode levar à Síndrome da morte súbita do lactente.
- Dificuldade de adormecer e despertares noturnos.
- Parassonias: sonambulismo, despertar confuso, terror noturno, sonilóquio e bruxismo – tem a
ver com o desenvolvimento cerebral.
- Deve-se orientar a mãe sobre a higiene do sono: fazer uma rotina para a criança.
- Medicações: não funcionam nas crianças, podendo, às vezes, ter um efeito reverso.
- Pode-se fazer uso de medicações naturais como camomila, folha de laranjeira, maracujá.
 Meu filho não come
- Sinais: queixa que costuma aparecer em pré-escolares e início da idade escolar – geralmente a
criança está com o estado nutricional adequado para a idade.
- Sintomas:
- Criança com resistência a ingerir determinados alimentos.
- Angústia materna externada por forçar a alimentação da criança e/ou substituir os
alimentos por guloseimas.

 Adenomegalias
- É o crescimento anormal do tecido linfoide (1,5 cm – 4/8 anos) ou resposta imunológica a
doenças benignas e autolimitadas – geralmente ocorre na região cervical e são gânglios
pequenos, móveis, indolores e sem sinais flogísticos
- É preciso perceber as características dos gânglios e das cadeias afetadas.
- Vale a pena investigar os sinais e sintomas associados: febre, hepatoesplenomegalia, perda de
peso, dores.
- Checar a situação vacinal.
- Procedência e viagens recentes: áreas endêmicas.
- Contato com animais: toxoplasmose, citomegalovirose.
- Investigação: através de exames.
 Meu filho está com febre
- Tem que investigar se é febre mesmo ou se é hipertermia – depende da causa.
- Causas que podem levar à febre: infecções (principalmente virais de vias aéreas), desregulação
do eixo hipotálamo-hipofisário (mais raro).
- Orientações terapêuticas: observar o padrão da febre nas primeiras 24h antes de utilizar
qualquer medicação.
- O medo da mãe é fazer episódios de convulsões decorrentes da febre – dependendo da história
familiar, pode-se prescrever anticonvulsivante.

 Meu filho não cresce


- É preciso analisar a curva de crescimento e desenvolvimento – o preocupante são as quedas
(geralmente decorrente de infecção) e subidas repentinas.
- É importante investigar o padrão de crescimento da família, o ambiente em que a criança está
inserida, a alimentação e a prática de atividades físicas (estimula o hormônio do crescimento).
- Avaliação clínica.
- Exames laboratoriais e radiológicos.
- Baixa estatura:
- Anamnese:
- Peso e comprimento ao nascer
- Estatura dos pais
- Época de maturação sexual de pais e irmãos
- Exame físico:
- Peso, estatura, perímetro cefálico
- Alteração da relação segmento superior / segmento inferior: em doenças ósseas,
raquitismo, síndromes genéticas e dismórficas, hipotireoidismo
- Fácies: alterado em doenças genéticas
- Clinodactilia do quinto dedo: observada em nanismos dismórficos
- Genitália: alterada em doenças genéticas ou hormonais
- Exames complementares:
- Para toda criança com baixa estatura realizar:
- Hemograma, sedimento urinário, parasitológico de fezes, proteínas totais e frações
- Idade óssea
- Para as crianças com estatura muito abaixo do percentil 3, realizar:
- Ureia e creatinina, sódio e potássio, gasometria: para afastar doenças renais
tubulares ou intersticiais, que cursem com insuficiência renal crônica
- Glicemia de jejum: crianças com hipopituitarismo podem apresentar hipoglicemia
- Raio x de crânio: para avaliar o tamanho da sela túrcica
- Cariótipo: para afastar síndrome de Turner, em meninas
- Dosagem de T3, T4 e TSH

 Diarreia aguda, vômitos e constipação intestinal (a professora pulou esse tópico)


- Quadros agudos x crônicos.

 Dores recorrentes (6 – 19 anos)


- Toda criança que chega com a queixa de dor ela precisa ser investigada.
- Nem sempre um quadro de dor é decorrente de uma doença.
- Ocorrência de pelo menos 3 episódios de dor durante um período de pelo menos 3 meses com
intensidade suficiente para interferir nas atividades habituais da criança.
- Ósseas: 15,4% / Cefaleia: 20,6% / Dores abdominais: 14,4%.
- Modelo biomédico.
- Modelo de atendimento clínico centrado no paciente e sua família:
- Anamnese.
- Exame físico cuidadoso.
- Exames complementares – nem sempre são necessários.

- Sinais de alerta na cefaleia recorrente:


- Presença de alteração neurológica.
- Presença de alterações oculares como edema de papila, anisocoria, nistagmo,
aparecimento de estrabismo, dificuldades visuais como diplopia e diminuição da acuidade visual.
- Vômitos recorrentes com aumento na frequência ou de início recente.
- Mudança no padrão da cefaleia com aumento na intensidade e na frequência.
- Cefaleia recorrente matinal ou que desperta a criança.
- Crianças com desaceleração da velocidade de crescimento.
- Sintomas sugestivos de Diabetes insipidus.
- Crianças com idade ≤ 3 anos.
- Pacientes com neurofibromatose.
- Migrânea: (a professora pulou esse tópico)
- É a enxaqueca – é comum na criança, principalmente quando a história familial é positiva.

- Sinais de alerta na dor abdominal recorrente:


- Dor de localização abdominal periférica (distante do umbigo), constante no local.
- Dor que desperta a criança/adolescente do sono repetidas vezes.
- Outras evidências de doença orgânica à anamnese e/ou ao exame físico como perda de
peso, parada ou desaceleração de crescimento, febre recorrente de origem indeterminada,
vômitos significantes ou biliosos, visceromegalias, massas abdominais, anormalidades perianais,
diarreia crônica, artrite, sangramento gastrintestinal, entre outros.
- História familiar de doença orgânica relevante – por exemplo, anemia falciforme, úlcera
péptica, doença inflamatória intestinal, doença celíaca.
- Alteração nos exames laboratoriais: Velocidade de hemossedimentação (VHS) ou
proteína C reativa (PCR) elevada, alterações ao hemograma como anemia, leucocitose,
morfologia celular alterada, alterações à análise de urina.
- Exames laboratoriais.
- Sinais de alerta na dor em membros recorrentes:
- Presença de dor localizada em pontos fixos, mas que não façam parte dos critérios de
fibromialgia – geralmente a dor é no meio da perna.
- Pode significar um tumor, ser um sinal de leucemia, uma miopatia, uma dor articular.
- A dor pode acontecer num membro só, mas normalmente ela é bilateral, intermitente,
aparece no final da tarde, passa com massagem ou aquecimento local.
- Está relacionada com a velocidade de crescimento da criança ou com o uso excessivo do
membro que está em crescimento celular.
- Investigar: dor contínua, articular, localizada num membro só, com limitação de
movimentos, sinais flogísticos e com alterações laboratoriais ou de exames de imagem.
- Dor com características “diferentes”: parestesias, formigamento, adormecimento etc.
- Dor à palpação muscular.
- Dor à movimentação passiva.
- Diminuição da força muscular.
- Dificuldade ou alteração à marcha.
- Manifestações sistêmicas associadas ao quadro de dor.
- Evolução com dor persistente e/ou que não responde a analgésicos.

- Dores do crescimento:

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