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Introdução

Comecei a trabalhar neste livro durante um que aprendemos sobre a reação da univer-
seminário qualitativo no verão de 1994 em sidade a um evento que esteve próximo de
Vail, Colorado, patrocinado pela Universi- ser trágico. Então, sem que tivesse sido pla-
dade de Denver, sob a hábil coordenação nejado, Harry Wolcott, da Universidade de
de Edith King do College of Education. No Oregon, outro especialista do nosso seminá-
evento, mediei uma discussão a respeito rio, ergueu a mão e pediu para vir ao pódio.
da análise qualitativa de dados. Iniciei com Explicou como ele abordaria o estudo como
uma nota pessoal, apresentando um dos antropólogo cultural. Para minha surpresa,
meus estudos qualitativos – um estudo de ele “transformou” meu estudo de caso em
caso de uma resposta do campus a um inci- etnografia, enquadrando o estudo de uma
dente com arma envolvendo um estudante forma inteiramente nova. Depois que Harry
(Asmussen e Creswell, 1995) (veja o Apên- concluiu, LesGoodchild, então da Universi-
dice F deste livro). Sabia que esse caso po- dade de Denver, discutiu como examinaria o
deria provocar alguma discussão e desen- caso do atirador a partir de uma perspecti­va
cadear questões complexas para análise. O histórica. Tínhamos agora, portanto, duas­
caso envolvia a reação de uma universida- versões diferentes do incidente, o que re-
de no meio-oeste americano a um atirador presentaram “reviravoltas” surpreendentes
que entrou em uma sala de aula do curso do meu estudo de caso a partir do uso de
de ciências atuariais com um rifle semiau- abordagens qualitativas diferentes. Foi es-
tomático e tentou atirar nos alunos. O rifle se evento que alimentou uma ideia que já
emperrou e não disparou, e o atirador fu- vinha cultivando havia tempo – de que o
giu, mas foi capturado a alguns quilôme- projeto de um estudo qualitativo estava re-
tros dali. Em pé diante do grupo, relatei os lacionado à abordagem específica usada na
acontecimentos do caso, os temas e as lições pesquisa qualitativa. Comecei a escrever a

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primeira edição deste livro guiado por uma pansão da pesquisa qualitativa e convide os
única e instigante pergunta: como o tipo leitores a examinarem as múltiplas formas
ou a abordagem de investigação qualitati- de engajamento no processo de pesquisa.
va molda o projeto ou os procedimentos de O livro oferece aos pesquisadores qualitati-
um estudo? vos opções para a condução da investigação
qualitativa e os auxilia na decisão sobre qual
a melhor abordagem a ser usada no estudo
OBJETIVO E FUNDAMENTOS dos seus problemas de pesquisa. Com tantos
PARA O LIVRO livros sobre pesquisa qualitativa em geral e
sobre várias abordagens de investigação, os
Chego agora à terceira edição deste livro e estudantes de pesquisa qualitativa frequente-
ainda estou formulando uma resposta pa- mente ficam perdidos na tentativa de enten-
ra essa pergunta. A minha intenção inicial derem que opções (isto é, abordagens) exis-
é examinar cinco abordagens diferentes da tem e como é que se faz uma escolha bem
investigação qualitativa – a narrativa, a fe- fundamentada de uma opção de pesquisa.
nomenologia, a teoria fundamentada,* a et- Ao ler este livro, espero que você ob-
nografia e os estudos de caso – e colocá-las tenha uma melhor compreensão dos pas-
lado a lado para que possamos visualizar as sos do processo de pesquisa, aprenda cin-
suas diferenças. Essas diferenças podem ser co abordagens qualitativas de investigação
exibidas mais vividamente por meio da ex- e compreenda as diferenças e semelhanças
ploração do seu uso durante o processo de entre essas cinco abordagens de investiga-
pesquisa, incluindo a introdução a um es- ção (veja o glossário no Apêndice A para as
tudo com base em seu objetivo e por meio definições dos termos em negrito e itálico).
de perguntas de pesquisa; coleta de dados;
análise dos dados; redação do relatório; e
padrões de validação e avaliação. Por exem- O QUE HÁ DE NOVO NESTA EDIÇÃO
plo, estudando artigos qualitativos em pu-
blicações, podemos ver que as perguntas de Desde que escrevi a primeira e a segunda edi-
pesquisa estruturadas a partir da teoria fun- ção deste livro, parte de seu conteúdo perma-
damentada parecem ser diferentes das per- neceu igual, e parte se modificou. Nesta edi-
guntas estruturadas a partir de um estudo ção, apresento diversas ideias novas:
fenomenológico.
Essa combinação das diferentes abor-
dagens e como a sua especificidade se de-
ü Baseando-me no feedback dos revisores,
reformulei o Capítulo 2, que aborda
senrola no processo de pesquisa é o que dis- pressupostos filosóficos e estruturas
tingue este livro de outros sobre pesquisa interpretativas usadas pelos pesquisa-
qualitativa que você possa ter lido. A maio- dores qualitativos. Precisava posicionar
ria dos pesquisadores qualitativos tem seu melhor a filosofia e as estruturas dentro
foco em apenas uma abordagem – digamos do processo global de pesquisa. Também
etnografia ou teoria fundamentada – e ten- procurei esclarecer a relação entre filoso-
ta convencer seus leitores do valor daque- fia e estruturas interpretativas e discutir
la abordagem. No entanto, os estudantes e as estruturas interpretativas da maneira
pesquisadores qualitativos iniciantes preci- como estão sendo usadas atualmente em
sam de opções que se adaptem aos seus pro- pesquisa qualitativa (Denzin e Lincoln,
blemas de pesquisa e que sejam adequadas 2011).
aos seus interesses na condução da pesqui-
sa. Esperamos que este livro possibilite a ex-
ü No Capítulo 3, acrescentei uma nova
seção sobre aspectos que delineiam os
dilemas éticos qualitativos que possam
* N. de R.T.: Neste livro o termo em inglês surgir nas diferentes fases do processo de
grounded theory foi traduzido como teoria pesquisa. Dessa forma, estou ampliando
fundamentada. a abrangência ética neste livro.

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ü Na discussão das cinco abordagens ex- do referências recentes. Atualizei também


postas neste livro, conforme menciono a discussão a respeito dos softwares de
no Capítulo 4, acrescentei passagens no computador para a análise qualitativa.
que diz respeito às suas “características ü A respeito da escrita da pesquisa qualita-
definidoras”. Os leitores terão acesso à tiva, conforme apresentado no Capítulo 9,
minha avaliação das características prin- adicionei mais informações sobre reflexi-
cipais da abordagem resumidas em um só vidade, sua importância e como ela pode
lugar. Também no Capítulo 4, deixei de ser incorporada a um estudo qualitativo.
me basear somente em um livro para cada ü Ao final de cada capítulo, você encontra-
abordagem, como fiz na última edição, rá exemplos de exercícios para praticar
e passei a usar dois livros para construir as habilidades específicas apresentadas.
um quadro detalhado da abordagem. Fiz Muitos desses exercícios foram reescritos
isso devido à popularidade do uso de nesta nova edição, de forma a refletir o
múltiplas abordagens para a compreen­ meu reconhecimento crescente das habi-
são de uma só abordagem, e ao valor lidades específicas que um pesquisador
de construir o entendimento a partir de qualitativo precisa ter.
múltiplos autores. ü No capítulo final, não somente “trans-
ü Também atualizei os artigos ilustrativos formei” o estudo de caso inicial sobre o
que exponho no Capítulo 5 e removi atirador em um projeto narrativo, uma
outros que estavam desatualizados. fenomenologia, um estudo de teoria
Acrescentei dois novos textos: um sobre fundamentada e uma etnografia, como
pesquisa narrativa (Chan, 2010) e outro também deixei mais explícitas as mudan-
sobre teoria fundamentada (Harley et ças realizadas nessas reformulações.
al., 2009). Decidi manter o estudo de ü Como ocorre a cada nova edição, atualizei
caso do atirador (Asmussen e Creswell, as referências para incluir livros recentes
1995), porque o aspecto da segurança sobre métodos de pesquisa qualitativa,
nos campi universitários permanece uma como também artigos de periódicos que
preocupação essencial na literatura, da- ilustram esses métodos.
dos os recentes casos de violência.
ü Na discussão sobre as perguntas de Muitas partes permaneceram iguais às
pesquisa, simplifiquei a questão das da última edição, entre as quais:
subperguntas e foquei em como estas
subdividem a pergunta central em diver- ü As características essenciais da pesquisa
sas partes. Também acrescentei outros qualitativa permaneceram as mesmas.
exemplos de subperguntas extraídas de ü A ênfase na justiça social como uma das

abordagens qualitativas diferentes. características primárias da pesquisa qua-
ü Com relação à coleta de dados, não posso litativa tem continuidade nesta edição.
desconsiderar os desenvolvimentos tecno- Embora uma orientação de justiça social
lógicos dessa área. Todo tratamento de possa não ser para todos, ela recebeu no-
métodos qualitativos precisa incorporar vamente primazia na edição mais recente
novas formas de reunir dados eletroni- do SAGE Handbook of Qualitative Research
camente. Adicionei métodos on-line de (Denzin e Lincoln, 2011).
coleta de dados qualitativos à discussão ü Existe um respeito saudável pelas va-

no Capítulo 7. Também acrescentei in- riações dentro de cada uma das cinco
formações sobre técnicas observacionais abordagens. Compreendo muito bem que
para ampliar as discussões das edições não existe uma única forma de abordar
anteriores deste livro. uma etnografia, um estudo de teoria fun-
ü Na questão da análise de dados, no Ca-
damentada, etc. Escolhi seletivamente o
pítulo 8, incluí novas técnicas que estão que acredito serem as abordagens mais
sendo discutidas para a análise de dados populares e destaco livros que as enfati-
em cada uma das cinco abordagens, citan- zam.

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ü Em uma nota similar, continuei a usar as quero encorajar práticas atuais em pes-
cinco abordagens que resistiram ao teste quisa qualitativa. Outros autores já se
do tempo desde a primeira edição. Isso referiram às abordagens como “estratégias
não quer dizer que não tenha considerado de investigação” (Denzin & Lincoln, 2005),
outras abordagens. A pesquisa ação parti- “variedades” (Tesch, 1990) ou “métodos”
cipativa, por exemplo, certamente pode- (Morse e Richards, 2002). Por projeto de
ria ser uma sexta abordagem, mas incluo pesquisa, refiro-me a todo o processo de
alguma discussão sobre ela nas passagens pesquisa, que vai da conceitualização de
a respeito de estrutura interpretativa no um problema até a redação das perguntas
Capítulo 2 (Kemmis e Wilkinson, 1998). de pesquisa e a coleta de dados, análise, in-
Além disso, a análise do discurso e a aná- terpretação e redação do relatório (­Bogdan
lise conversacional poderiam certamente e Taylor, 1975). Yin (2009) comentou: “O
ter sido incluídas como uma abordagem projeto é a sequência lógica que conecta
adicional (Cheek, 2004), mas acrescentei os dados empíricos às perguntas de pes-
algumas considerações sobre abordagens quisa iniciais do estudo e, por fim, às suas
conversacionais junto com as abordagens conclusões” (p. 29). Dessa forma, incluo
narrativas. Métodos mistos, também, es- nas características específicas do projeto as
tão por vezes tão intimamente associados perspectivas amplas filosóficas e teóricas e
à pesquisa qualitativa que são considera- a qualidade e validação de um estudo.
dos um dos gêneros (veja Saldaña, 2011).
Contudo, encaro os métodos mistos com
uma metodologia distinta da investiga- ASSUMINDO O
ção qualitativa. Além do mais, eles têm a MEU POSICIONAMENTO
própria literatura distinta (veja Creswell
e Plano Clark, 2011), e, por isso, gostaria Você precisa ter algumas informações so-
de limitar o âmbito deste livro às abor- bre o meu histórico para que possa com-
dagens qualitativas. Assim sendo, optei preender a abordagem usada neste livro.
por manter as cinco abordagens com Fui treinado como pesquisador qualitativo
as quais comecei e ampliar estas cinco há aproximadamente 40 anos. Na metade
abordagens. da década de 1980, fui convidado a ensinar
ü Continuo a fornecer recursos ao longo no primeiro curso de pesquisa qualitativa da
de todo o livro para o pesquisador qua- minha universidade e me propus a assumir
litativo. Incluo um glossário de termos essa tarefa. Isso ocorreu alguns anos depois
detalhado (e acrescentei termos à última da produção da primeira edição deste livro.
edição), um índice remissivo analítico Embora, de lá para cá, tenha expandido o
que organiza o material deste livro de meu repertório a respeito de métodos mis-
acordo com as cinco abordagens e artigos tos, sempre retorno ao meu forte interesse
completos de periódicos que servem como em pesquisa qualitativa. Ao longo dos anos,
modelo para o projeto e a escrita de um me desenvolvi como metodologista de pes-
estudo inserido em cada uma das cinco quisa aplicada com uma especialização em
abordagens. Tanto para pesquisadores projeto de pesquisa, pesquisa qualitativa e
inexperientes quanto para os experientes, pesquisa com métodos mistos.
ofereço recomendações nos finais dos Esse histórico explica por que escrevo
capítulos para uma leitura adicional que com a intenção de transmitir uma compreen­
poderá ampliar o material deste livro. são do processo de pesquisa qualitativa
ü O termo que utilizei na primeira edição, (queira você chamá-lo de método científico
tradições, foi substituído por abordagens ou de outra coisa), um foco nas fortes ca-
na segunda edição e continuo a usá-lo racterísticas dos métodos como a extensiva
nesta terceira edição. Minha abordagem coleta de dados qualitativos, análise rigoro-
sinaliza que não somente desejo respeitar sa dos dados por meio de múltiplos passos
abordagens passadas, mas que também e o uso de programas de computador. Além

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disso, desenvolvi uma fascinação pela estru- damente a arte da pesquisa. Essa figura po-
tura da escrita, seja esta de um estudo qua- de muito bem desfocar a imagem para um
litativo, de um poema ou de uma não ficção autor qualitativo mais experiente e, sobre-
criativa. Um interesse constante para mim tudo, para aquele que busca discussões mais
tem sido a composição da pesquisa qualita- avançadas e a problematização do processo
tiva. Esse interesse pela composição culmi- de pesquisa.
na em ideias de como melhor estruturar a
investigação qualitativa e visualizar como a
estrutura se altera e muda diferentes abor- SELEÇÃO DAS CINCO ABORDAGENS
dagens da pesquisa.
Esse interesse em características estru- Aqueles que pretendem realizar estudos qua-
turadas colocou-me com frequência no cam- litativos têm um número incrível de opções
po dos escritores pós-positivistas em inves- de abordagens. Pode-se ter uma noção des-
tigação qualitativa (veja Denzin e Lincoln, sa diversidade examinando várias classifica-
2005), mas, como a maioria dos pesquisa- ções ou tipologias. Tesch (1990) apresentou
dores, desafio a categorização fácil. Em um uma classificação consistindo de 28 aborda-
artigo no Qualitative Inquiry sobre um abri- gens organizadas em quatro ramificações de
go para moradores de rua (Miller, Creswell um fluxograma, classificando essas aborda-
e Olander, 1998), minha etnografia assu- gens com base no interesse central do inves-
miu uma postura realista, confessional e de tigador. Wolcott (1992) classificou as abor-
defesa. Além disso, não estou defendendo dagens no diagrama de uma “árvore” com
a aceitação da pesquisa qualitativa em um ramificações das três estratégias designa-
mundo “quantitativo” (Ely, Anzul, Fried- das para a coleta de dados. Miller e Crabtree
man, Garner e Steinmetz, 1991). A inves- (1992) organizaram 18 tipos de acordo com
tigação qualitativa representa um modo le- o “domínio” da vida humana de preocupação
gítimo de exploração das ciências sociais e inicial para o pesquisador, tal como um fo-
humanas, sem apologia ou comparações em co no indivíduo, no mundo social ou na cul-
relação à pesquisa quantitativa. tura. No campo da educação, Jacob (1987)
Também tenho a tendência de citar categorizou toda a pesquisa qualitativa em
diversas ideias para artigos documentais; “tradições” como a psicologia ecológica, inte-
a incorporar os últimos registros da vas- racionismo simbólico e etnografia holística.
ta literatura em constante crescimento so- A categorização de Jacob me forneceu uma
bre investigação qualitativa; e a avançar estrutura-chave quando comecei a esboçar a
uma forma aplicada e prática de condução primeira edição deste livro. Lancy (1993) or-
de pesquisa. Por exemplo, não foi suficien- ganizou a investigação qualitativa em pers-
te para mim transmitir pressupostos filosó- pectivas disciplinares como antropologia,
ficos de investigação qualitativa no Capítulo sociologia, biologia, psicologia cognitiva e
2. Também tive de construir uma discussão história. Denzin e Lincoln (2011) organiza-
em torno de como essas ideias são aplicadas ram e reorganizaram seus tipos de estraté-
no projeto e escritas em um estudo qualita- gias qualitativas ao longo dos anos.
tivo. Concordo com Agger (1991), que diz A Tabela 1.1 apresenta essas e outras
que os leitores e escritores podem entender várias classificações das abordagens qualita-
a metodologia de uma forma menos técnica, tivas que surgiram com o passar dos anos. Es-
possibilitando assim um maior acesso aos ta lista não tem a intenção de esgotar as pos-
eruditos e democratizando a ciência. Além sibilidades; pretende ilustrar a diversidade
disso, sempre que escrevo tenho diante de de abordagens recomendadas por diferen-
mim a figura de um estudante no início do tes autores e como as disciplinas podem en-
mestrado ou doutorado que está aprenden- fatizar algumas abordagens em detrimento
do a pesquisa qualitativa pela primeira vez. de outras.
Como tenho essa imagem na minha cabeça, Examinando mais de perto essas clas-
alguns podem dizer que simplifico exagera- sificações, podemos discernir que algumas

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TABELA 1.1
Abordagens qualitativas mencionadas pelos autores e suas disciplinas/áreas

Autores Abordagens qualitativas Disciplinas/áreas

Jacob (1987) Psicologia ecológica Educação


Etnografia holística
Antropologia cognitiva
Etnografia da comunicação
Interacionismo simbólico
Munhall e Oiler (1986) Fenomenologia Enfermagem
Teoria fundamentada
Etnografia
Pesquisa histórica
Lancy (1993) Perspectivas antropológicas Educação
Perspectivas sociológicas
Perspectivas biológicas
Estudos de caso
Relatos pessoais
Estudos cognitivos
Investigações históricas
Strauss e Corbin (1990) Teoria fundamentada Sociologia, enfermagem
Etnografia
Fenomenologia
Histórias de vida
Análise conversacional
Morse (1994) Fenomenologia Enfermagem
Etnografia
Etnociência
Teoria fundamentada
Moustakas (1994) Etnografia Psicologia
Teoria fundamentada
Hermenêutica
Fenomenológica empírica
Pesquisa
Pesquisa heurística
Fenomenologia transcendental
Denzin e Lincoln (1994) Estudos de caso Ciências Sociais
Etnografia
Fenomenologia
Etnometodologia
Práticas interpretativas
Teoria fundamentada
Biográfica
Histórica
Pesquisa clínica

(continua)

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TABELA 1.1
Abordagens qualitativas mencionadas pelos autores e suas disciplinas/áreas (continuação)

Autores Abordagens qualitativas Disciplinas/áreas

Miles e Huberman Abordagens para análise de dados Ciências Sociais


(1994) qualitativos:
Interpretativismo
Antropologia social
Pesquisa social colaborativa
Slife e Williams Categorias de métodos qualitativos: Psicologia
(1995) Etnografia
Fenomenologia
Estudos de artefatos
Denzin e Lincoln Desempenho, crítica e etnografia pública Ciências Sociais
(2005) Práticas interpretativas
Estudos de caso
Teoria fundamentada
História de vida
Autoridade narrativa
Pesquisa ação participativa
Pesquisa clínica
Marshall & Rossman Abordagens etnográficas Educação
(2010) Abordagens fenomenológicas
Abordagens sociolinguísticas
(isto é, gêneros críticos, como a
teoria racial crítica, teoria queer, etc.)
Saldaña (2011) Etnografia Artes (Teatro)
Teoria fundamentada
Fenomenologia
Estudo de caso
Análise de conteúdo
Métodos mistos de pesquisa
Investigação narrativa
Pesquisa baseada nas artes
Autoetnografia
Pesquisa de avaliação
Pesquisa ação
Jornalismo investigativo
Investigação crítica
(continua)

abordagens aparecem consistentemente grafia. Com tantas possibilidades, como me


ao longo dos anos, como etnografia, teoria decidi sobre as cinco abordagens apresenta-
­fundamentada, fenomenologia e estudos de das neste livro?
caso. Além disso, têm sido discutidas diver- Minha escolha das cinco abordagens
sas abordagens relacionadas à narrativa, co- resultou da reflexão sobre os meus interes-
mo a história de vida, autoetnografia e bio- ses pessoais, selecionando diferentes abor-

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TABELA 1.1
Abordagens qualitativas mencionadas pelos autores e suas disciplinas/áreas (continuação)

Autores Abordagens qualitativas Disciplinas/áreas

Denzin e Lincoln (2011) Estratégias de pesquisa:


Projeto
Estudo de caso
Etnografia, participante
Observação, desempenho
Etnografia
Fenomenologia
Etnometodologia
Teoria fundamentada
História de vida, testemunho
Método histórico
Pesquisa ação e aplicada
Pesquisa clínica

dagens populares na literatura das ciências disciplinas que abarcaram a pesquisa qualita-
sociais e ciências da saúde e elegendo orien- tiva. Por exemplo, a narrativa se origina das
tações da disciplina representativa. Tive ex- humanidades e ciências sociais; a fenomeno-
periência pessoal com cada uma das cinco, logia, da psicologia e filosofia; a teoria funda-
orientei estudantes e participei de equipes mentada da sociologia; a etnografia, da an-
de pesquisa usando essas abordagens qua- tropologia e sociologia; e os estudos de caso,
litativas. Além dessa experiência pessoal, das ciências humanas e sociais e áreas aplica-
venho lendo a literatura qualitativa desde das como a pesquisa de avaliação.
a minha indicação inicial para ensino na As ideias principais que utilizo para
área em 1985. As cinco abordagens discuti- discutir cada abordagem provêm de livros
das neste livro refletem os tipos de pesqui- seletos. Mais especificamente, irei me ba-
sa qualitativa que vejo mais frequentemen- sear mais enfaticamente em dois livros em
te na literatura social, comportamental e de cada abordagem. Esses são livros que alta-
ciên­cias da saúde. Não é incomum, também, mente recomendo para que você dê início
que os autores afirmem que certas aborda- ao aprendizado de uma abordagem especí-
gens são mais importantes nos seus cam- fica à investigação qualitativa. Eles também
pos (p. ex., Morse e Field, 1995). Além do lembram clássicos frequentemente citados
mais, prefiro abordagens com procedimen- pelos autores, assim como novos trabalhos.
tos sistemáticos para investigação. Os livros Além disso, refletem disciplinas e perspecti-
que escolhi para ilustrarem cada aborda- vas diversas.
gem tendem a ter procedimentos de rigo-
rosa coleta de dados e métodos de análise
que são atraentes para os pesquisadores ini- Pesquisa narrativa
ciantes. Os livros principais escolhidos para
cada abordagem também representam dife- Clandinin, D. J., & Connelly, F. M. (2000). Narrative
rentes perspectivas da disciplina nas ciências inquiry: Experience and story in qualitative research.
sociais, comportamentais e da saúde. Essa é San Francisco: Jossey-Bass.
uma característica atraente para ampliar o Riessman, C. K. (2008). Narrative methods for the
público para o livro e reconhecer as diversas human sciences. Thousand Oaks, CA: Sage.

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Fenomenologia tativa acadêmica na forma de artigos cien-


tíficos, dissertações ou teses. Ajustei o nível
Moustakas, C. (1994). Phenomenological research da discussão para ser adequado a estudan-
methods. Thousand Oaks, CA: Sage. tes de cursos avançados e de pós-graduação.
van Manen, M. (1990). Researching lived experien- Para os estudantes que estão escrevendo suas
ce: Human science for an action sensitive pedagogy. dissertações de mestrado ou teses de douto-
Albany: State University of New York Press. rado, comparo e contrasto as cinco aborda-
gens, na expectativa de que essa análise aju-
de na decisão lógica para a escolha de um
Teoria fundamentada tipo a ser usado. Para os pesquisadores qua-
litativos iniciantes, apresento o Capítulo 2,
Charmaz, K. (2006). Constructing grounded the- sobre as estruturas filosóficas e interpretati-
ory: A practical guide through qualitative analysis. vas que moldam a pesquisa qualitativa, e o
London: Sage. Capítulo 3, sobre os elementos básicos para
Corbin, J., & Strauss, A. (2008). Basics of qualita- o projeto de um estudo qualitativo. Acredito
tive research (3rd ed.) Thousand Oaks, CA: Sage. que o conhecimento das bases da pesquisa
qualitativa é essencial antes de se aventurar
nos aspectos específicos de uma das aborda-
Etnografia gens qualitativas. Inicio cada capítulo com
uma visão geral do tópico que será aborda-
Fetterman, D. M. (2010). Ethnography: Step-by- do e, a seguir, falo de como esse tópico po-
-step. (3rd ed.). Los Angeles: Sage. de ser trabalhado dentro de cada uma das
Wolcott, H. F. (2008). Ethnography: A way of seeing cinco abordagens. Durante a discussão dos
(2nd ed.). Lanham, MD: AltaMira. elementos básicos, sugiro diversos livros di-
rigidos ao pesquisador qualitativo iniciante,
que podem compor uma visão mais abran-
gente da pesquisa qualitativa. Esses funda-
Estudo de caso mentos são necessários antes de nos apro-
Stake, R. (1995). The art of case study research. fundarmos nas cinco abordagens. Um foco
Thousand Oaks, CA: Sage. na comparação das cinco abordagens ao
longo deste livro oferece uma introdução
Yin, R. K. (2009). Case study research: Design and
methods (4th ed.). Thousand Oaks, CA: Sage. para os pesquisadores experientes às abor-
dagens que se baseiam no seu treinamento
e experiências de pesquisa.
PÚBLICO
Embora existam muitos públicos, conhe- ORGANIZAÇÃO
cidos e desconhecidos, para qualquer tex-
to (Fetterman, 2010), dirijo este livro aos Depois dessa introdução, no Capítulo 2
acadêmicos e especialistas ligados às ciên- apresento uma introdução aos pressupos-
cias sociais, humanas e da saúde. Os exem- tos filosóficos e estruturas interpretativas
plos ao longo do livro ilustram a diversidade que informam a pesquisa qualitativa. En-
de disciplinas e os campos de estudo, entre fatizo como eles podem ser escritos em um
os quais sociologia, psicologia, educação, estudo qualitativo. No Capítulo 3, examino
enfermagem, medicina de família, profis- os elementos básicos para o projeto de um
sionais da saúde, estudos urbanos, marke- estudo qualitativo. Esses elementos iniciam
ting, comunicação e jornalismo, psicologia com uma definição de pesquisa qualitativa,
da educação, ciência e terapia de família e as razões para utilizar essa abordagem e as
outras áreas das ciências sociais e humanas. fases no processo de pesquisa. No Capítulo
Meu objetivo é oferecer um texto útil 4, forneço uma introdução a cada uma das
para aqueles que produzem pesquisa quali- cinco abordagens de investigação: pesquisa

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narrativa, fenomenologia, teoria fundamen- crita das introduções aos estudos (Capítulo
tada, etnografia e pesquisa de estudo de ca- 6), coleta de dados (Capítulo 7), análise e re-
so. O capítulo inclui uma visão geral dos ele- presentação dos dados (Capítulo 8), escrita
mentos de cada uma das cinco abordagens. de estudos qualitativos (Capítulo 9) e valida-
O Capítulo 5 dá continuidade a essa discus- ção e avaliação de um estudo qualitativo (Ca-
são, apresentando cinco artigos publicados pítulo 10). Ao longo destes capítulos sobre o
em periódicos (um sobre cada abordagem, projeto, começo pelos fundamentos da pes-
com os artigos completos nos Apêndices B quisa qualitativa e depois amplio a discussão
a F), o que proporciona boas ilustrações de para avançar e comparar os cinco tipos.
cada abordagem. Lendo a minha exposição Como uma experiência final para apu-
no Capítulo 4 e depois examinando um arti- rar as distinções feitas entre as cinco abor-
go acadêmico que ilustra a abordagem, vo- dagens, apresento o Capítulo 11, no qual
cê poderá desenvolver um conhecimento retomo o estudo de caso do atirador (As-
funcional de uma determinada abordagem. mussen e Creswell, 1995 – veja o Apêndice
Nesse capítulo, recomendo que você escolha F), que aparece inicialmente no Capítulo 5,
um dos livros para a abordagem e só então e “transformo” a história de um estudo de
comece a se aprofundar nele para que seu caso em uma biografia narrativa, uma feno-
estudo em pesquisa possa então expandir menologia, um estudo de teoria fundamen-
este conhecimento. tada e uma etnografia. Esse capítulo final fe-
Esses cinco capítulos preliminares for- cha o círculo para o leitor no exame do caso
mam uma introdução às cinco abordagens do atirador sob vários aspectos. Trata-se de
e uma visão geral do processo de projeto de uma extensão da minha experiência no se-
pesquisa. Eles preparam o cenário para os ca- minário de Vail em 1994, quando examinei
pítulos restantes, os quais por sua vez ado- o mesmo problema a partir de perspectivas
tam cada passo no processo de pesquisa: es- qualitativas diversas.

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