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UFRPE: UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO

ALUNO: HUMBERTO BATISTA XAVIER


ATIVIDADE: RESUMO DO LIVRO - A elite do atraso, da escravidão à lava-jato. (cap. A
corrupção real e a corrupção dos tolos)

“ninguém nasce imbecil, mas podemos ser feitos de imbecis”

Neste livro o autor analisa como se deu a construção da elite econômica brasileira
e do pacto antipopular que se inicia no Brasil logo depois da libertação dos escravos. O
livro tem a pretensão de realizar um diagnóstico aproximado dos dias atuais a partir da
crítica da interpretação que é feita pelo Brasil sobre si mesmo, contrapondo o que dizem
sobre a corrupção que ele chama de “corrupção dos tolos” e, jogando luz na que ele diz
ser a “corrupção real”.

O autor questiona as ideias dominantes consolidadas no Brasil, ao tempo que


propõe outro modo de interpretação distinta do que foi difundido por todo esse tempo e
faz um levantamento das dificuldades, das distorções e dos impasses atuais existentes
na sociedade, investigando quais são, e como atuam, as forças sociais que constroem a
verdadeira corrupção na nossa sociedade e que a mantem presa em si mesma.

Para defender sua tese, Jesse Souza parte para o enfrentamento de uma narrativa
que segundo ele foi propositalmente criada ao longo do tempo para servir de cortina de
fumaça frente as reais vestes da escravização moderna desenhada por uma elite
escravocrata dita de classe média que não é determinada pela renda, mas por privilégios
de conhecimento, influencia e de capital econômico.

Para o autor é uma bobagem dizer que a corrupção do estado teve início com
Portugal e que foi herdada por nós. Através de uma recuperação histórica Jesse Souza
desmonta crenças culturais sobre nosso povo a respeito da corrupção e sua origem,
afronta conceitos criados por essa elite para estigmatizar o Estado como vilão.

O autor descreve como funciona o sistema político na nossa sociedade, como é


legitimada a injustiça entre nós, e porque tudo isso acontece sem que percebamos onde
realmente reside todo o mal que hostiliza, oprime e mantem inerte cada indivíduo que a
ela pertence.

Na visão do autor, os conceitos de “patrimonialismo” e “populismo” são as duas


ideias mais importantes para um tipo de liberalismo que se constrói no Brasil promovendo
uma dominação conservadora entre nós e que foram construídos e reforçados ao longo
do tempo por uma elite de direita, tendo adesão também pela de esquerda. Esses
conceitos são utilizados para afirmar a existência de uma camada social cristalizada no
Estado que se apropria de bens e funções públicas para fins privados. Essa noção de
patrimonialismo abre caminho para uma visão seletiva de corrupção, fazendo com que
o Estado seja em essência corrupto, ao passo que se cria uma imagem de que o mercado
é imaculado. Isso quer dizer, exalta o mercado e aposta na falência do estado.

Percebe-se nas palavras do autor que a função da ideia de patrimonialismo seria,


justamente, desviar a atenção desse problema e que as elites que privatizam o público
não estão apenas nem principalmente no Estado, mas que o real assalto ao Estado é
feito por agentes que estão fora dele, principalmente no mercado.
Infere-se que o Estado é constantemente saqueado para o mercado quando por
exemplo se concede isenção de 1 trilhão em impostos para empresas que fazem “lobby”
e que ainda são de capital estrangeiro, sob a alegação de que o Estado precisa ser
atraente para investimentos. Para o autor, o indivíduo nada pode fazer porque ele está
domesticado pelos grandes grupos midiáticos a aceitar o mercado como esse decisor da
vida política do Estado.

Para Jessé Souza, o abandono secular de classes estigmatizadas, humilhadas,


perseguidas, desprovida das condições e das oportunidades é a grande questão social,
econômica e política do Brasil que precisa ser extirpada porque a sociedade brasileira
não só construiu uma camada de “despossuídos”, cujas dificuldades de inserção social
são reproduzidas até os dias de hoje, como também naturalizou a sua exclusão.

Percebe-se que toda discussão do autor, diz muito do Brasil atual, para além da
questão específica da corrupção ela revela que existe uma crença de que existe gente
criada para servir outra gente, e se um governo existir para redimi-los deve ser derrubado
sob qualquer pretexto de ocasião.

Esse livro surge como um refletor que joga luz nas verdadeiras razões de termos
uma sociedade inerte e empurrada cada vez mais contra a parede. Ele nos provoca a
refletir sobre a necessidade de que precisamos desenvolver uma política sólida que
combata cada vez mais a desigualdade e que promova a inclusão social de setores
estigmatizados e marginalizados.