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Preparação para exames - fichas

Proposta 1

Grupo I

Lê o excerto e responde de forma estruturada ao que te é pedido.

Tudo é absurdo. Este empenha a vida em ganhar dinheiro que guarda, e nem tem filhos a
quem o deixe nem esperança que um céu lhe reserve uma transcendência desse dinheiro. Aquele
empenha o esforço em ganhar fama, para depois de morto, e não crê naquela sobrevivência que
lhe dê o conhecimento da fama. Esse outro gasta-se na procura de coisas de que realmente não
gosta. Mais adiante, há um que(...)

Um lê para saber, inutilmente. Outro goza para viver, inutilmente.

Vou num carro eléctrico, e estou reparando lentamente, conforme é meu costume, em todos
os pormenores das pessoas que vão adiante de mim. Para mim os pormenores são coisas, vozes,
letras. Neste vestido da rapariga que vai em minha frente decomponho o vestido em o estofo de
que se compõe, o trabalho com que o fizeram - pois que o vejo vestido e não estofo - e o bordado
leve que orla a parte que contorna o pescoço separa-se-me em retrós de seda, com que se o
bordou, e o trabalho que houve de o bordar. E imediatamente, como num livro primário de
economia política, desdobram-se diante de mim as fábricas e os trabalhos - a fábrica onde se fez
o tecido: a fábrica onde se fez o retrós, de um tom mais escuro, com que se orla de coisinhas
retorcidas o seu lugar junto do pescoço; e vejo as secções das fábricas, as máquinas, os operários,
as costureiras, meus olhos virados para dentro penetram nos escritórios, vejo os gerentes procurar
estar sossegados, sigo, nos livros, a contabilidade de tudo; mas não é só isto: vejo, para além, as
vidas domésticas dos que vivem a sua vida social nessas fábricas e nesses escritórios... Todo o
mundo se me desenrola aos olhos só porque tenho diante de mim, abaixo de um pescoço moreno,
que de outro lado tem não sei que cara, um orlar irregular regular verde-escuro sobre um verde-
claro de vestido.

Toda a vida social jaz a meus olhos.

Para além disto pressinto os amores, as secrecias, a alma, de todos quantos trabalharam para
que esta mulher que está diante de mim no eléctrico use, em torno do seu pescoço mortal, a
banalidade sinuosa de um retrós de seda verde-escura fazenda verde menos escura.

Entonteço. Os bancos do eléctrico, de um entretecido de palha forte e pequena, levam-me a


regiões distantes, multiplicam-se-me em indústrias, operários, casas de operários, vidas,
realidades, tudo.

Saio do carro exausto e sonâmbulo. Vivi a vida inteira.

Fernando Pessoa, Livro do Desassossego

1. No primeiro e no segundo parágrafos há uma descrição dos diferentes comportamentos,


explicita-os.
2. Explica a relação existente entre o enunciador observador e a «rapariga» que vê num
«carro elétrico».
3. Tendo em atenção a globalidade do texto, apresenta uma justificação para a afirmação
«vivi a vida inteira».
4. Refere a importância do verbo «reparando» para o sentido global do excerto.
5. Qual o recurso expressivo presente em: «desdobram-se diante de mim as fábricas e os
retalhos»?. Evidencie o seu valor expressivo.

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Coletânea de exames do Gave e de diferentes editoras
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CENA I
Madalena só, sentada junto à banca, os pés sobre uma grande almofada, um livro aberto no regaço, e
as mãos cruzadas sobre ele, como quem descaiu da leitura na meditação.

Madalena (repetindo maquinalmente e devagar o que acaba de ler)

«Naquele ingano d’alma ledo e cego


que a fortuna não deixa durar muito»

Com paz e alegria d’alma… um ingano, um ingano de poucos instantes que seja… deve de
ser a felicidade suprema neste mundo. E que importa que o não deixe durar muito a fortuna?
Viveu-se, pode-se morrer. Mas eu!… (Pausa). Oh! que o não saiba ele ao menos, que não suspeite
o estado em que eu vivo… este medo, estes contínuos terrores, que ainda me não deixaram gozar
um só momento de toda a imensa felicidade que me dava o seu amor. Oh! que amor, que
felicidade… que desgraça a minha! (Torna a descair em profunda meditação; silêncio breve).

Almeida Garret, Frei Luís de Sousa

6. Justifica o momento de «meditação» em que se encontra D. Madalena, caracterizando o


seu estado de espírito.
7. Explica a que se refere D. Madalena com a expressão «o estado em que eu vivo… este
medo, estes contínuos terrores» com base no teu conhecimento da obra de onde foi
retirado o texto.

Grupo II

Na resposta aos itens de escolha múltipla, seleciona a opção correta.

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Miguel Torga, Diário, vols. XIII a XVI.

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1. No poema presente na entrada do dia 27 de Julho de 1982, o sujeito poético, através dos
versos «Ainda a mesma nação,/Mas com outros sinais.»
A. Caracteriza um espaço.
B. Identifica um espaço com outro.
C. Contrasta dois espaços.
D. Elogia um espaço.

2. Tem em atenção a frase «Retomei a enxada». Da sua relação com a frase «aqui agarrado
ao teclado» conclui-se que o enunciador utiliza uma
A. Hipérbole.
B. Personificação.
C. Metáfora.
D. Enumeração.

3. Para o diarista, a necessidade que sente em escrever tem origem na consciência da


A. Eternidade.
B. Efemeridade.
C. Fama.
D. Responsabilidade.

4. As palavras destacadas em «E o povo, na sua certeira sabedoria, entendeu-o bem e disse-


o lapidarmente» concretizam marcas de coesão
A. Temporal.
B. Lexical.
C. Referencial.
D. Frásica.

5. Na entrada do seu diário do dia 11 de agosto, o diarista comprova um


A. Passado e um presente, respetivamente, para valorizar o primeiro.
B. Presente e um passado, respetivamente, para valorizar o segundo.
C. Presente e um passado, respetivamente, para desvalorizar o segundo.
D. Passado e um presente, respetivamente, para desvalorizar o primeiro.

6. O diarista caracteriza-se, metaforicamente como leproso, «gafado», portador, pois, de


uma doença contagiosa cujo sintoma principal é a
A. Debilidade física.
B. Solidão mental.
C. Incapacidade de compreensão.
D. Vontade de saber.

7. As duas atitudes referidas no final da entrado do diário relativamente à visita a Évora, -


a meia voz e de chapéu na mão.» revelam no visitante um sentimento de
A. Admiração.
B. Alegria.
C. Respeito.
D. Confiança.
8. Indica o valor modal presente no verbo poder no enunciado «O sol salgado que me faltou
em criança e a preguiça distendida que nunca pude ter de boa consciência pela vida fora.»

9. Identifica a função sintática da oração subordinada presente em «Sabemos que nada é


eterno».

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10. Classifica a oração subordinada «que tudo acaba».

Grupo III

A relação que os portugueses têm tido com o mar tem sido muito variada ao longo dos tempos,
como o é ainda hoje.

Redige um texto de natureza expositiva, no qual apresentes modos de que se revestiu ou reveste
essa relação.

O teu texto deve ter entre 200 e 300 palavras e deve estar estruturado em três partes lógicas.

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Proposta 2

Grupo I

Lê o excerto e responde de forma estruturada ao que te é pedido.

A última nau

Levando a bordo El-Rei D. Sebastião,


E erguendo, como um nome, alto o pendão
Do Império,
Foi-se a última nau, ao sol aziago
Erma, e entre choros de ânsia e de pressago
Mistério.

Não voltou mais. A que ilha indescoberta


Aportou? Voltará da sorte incerta
Que teve?
Deus guarda o corpo e a forma do futuro,
Mas Sua luz projecta-o, sonho escuro
E breve.

Ah, quanto mais ao povo a alma falta,


Mais a minha alma atlântica se exalta
E entorna,
E em mim, num mar que não tem tempo ou ’spaço,
Vejo entre a cerração teu vulto baço
Que torna.

Não sei a hora, mas sei que há a hora,


Demore-a Deus, chame-lhe a alma embora
Mistério.
Surges ao sol em mim, e a névoa finda:
A mesma, e trazes o pendão ainda
Do Império.

Fernando Pessoa, Mensagem.


Glossário (presente na folha de prova)
aziago (verso 4) – que prenuncia desgraça.
cerração (verso 17) – nevoeiro denso; escuridão.
erma (verso 5) – solitária.
pendão (verso 2) – bandeira longa e triangular.
pressago (verso 5) – que pressagia, prevê ou pressente.

Questionário
Apresente, de forma clara e bem estruturada, as suas respostas aos itens que se seguem.

1. Integra este poema na estrutura da Mensagem, justificando a tua escolha.


2. Explicita três dos aspetos que, nos versos de 1 a 12, se referem ao mito sebastianista,
fundamentando a tua resposta com elementos do texto.

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3. Caracteriza a «nau» referida na primeira estrofe, com os elementos textuais pertinentes


presentes nas duas primeiras estrofes.

4. Caracteriza, com base na terceira estrofe do poema, o modo como o sujeito poético e o
povo português reagem ao desaparecimento da «última nau».

5. Relaciona o conteúdo da última estrofe com a pergunta «Voltará da sorte incerta / Que
teve?», formulada nos versos 8 e 9.

6. Tem em atenção verso 19: «Não sei a hora, mas sei que há a hora,». Interpreta-o tendo em
atenção o sentido global do poema.

7. Identifica, justificando, a quem se dirige o sujeito poético nos três últimos versos do
poema.

8. Identifica, no poema, uma característica do discurso épico e uma característica do


discurso lírico de Mensagem, citando um exemplo significativo para cada um dos casos.

[…] Chegados a 27 daquele mês, começou a necessidade de lançarem às ondas os


primeiros companheiros que morreram de fome. Certos homens, nesse transe, lembraram-
se de pedir a Jorge de Albuquerque a permissão de comerem aqueles cadáveres. Ao ouvir
este horrível requerimento, arrasaram-se-lhe os olhos de água. Não, não podia ser; não o
5 consentiria, enquanto vivesse; se morresse, porém, dava-lhes licença de o comerem a ele.
O desespero, então, levou alguns a uma outra ideia; arrombar a nau para acabarem de
vez. Soube-o o Albuquerque, e impediu que o fizessem. O mais triste, porém, é que estavam
os míseros divididos em bandos, e sonhavam com brigas — sendo todos uns espectros tão
vizinhos da morte, e quase não se podendo conservar de pé. Jorge de Albuquerque, com
10 mágoa infinita, os chamou à razão e os acalmou.
[…] A 2 de outubro, entre a neblina, pareceu-lhes divisar arrumação de terra. Cerca do
meio-dia, dissipou-se a névoa. Maravilha! Deus louvado! Era a serra de Sintra! Lá estava, ao
cimo das rochas, a própria casa da Senhora da Pena!
Mas não tinham maneira de se aproximar da praia. Iam numa carcaça sem governo algum.
15 Chegando-se o navio para junto da terra, muitos trataram de preparar umas pranchas,
para se lançarem ao mar; outros fantasiavam construir jangadas. Loucura, porque a costa ali
é pedregosa e brava; e Jorge de Albuquerque dissuadiu-os de tal.
Avistaram-se numerosas velas, que se afastaram. Ao outro dia, 3 de outubro, amanheceram
chegados ao cabo da Roca; e indo já a nau para dar à costa, passou perto uma caravela, que se
20 dirigia para a Pederneira. Suplicaram-lhe socorro; pagar-lho-iam bem. Que Jesus lhes valesse,
responderam eles; nada, não queriam perder tempo na sua viagem… E seguiram avante, sem
nenhum dó.
Pouco depois, felizmente, avistaram uma barca pequenina, que navegava para a Atouguia.
Começaram a bradar-lhes, de joelhos, que lhes valessem; e estando a barca a um tiro de
25 berço, logo lhes acudiu com muita pressa.
Vinha a bordo dessa barca um Rodrigo Alvares de Atouguia, mestre e senhorio dela, e uns
parentes e amigos seus. Todos começaram a esforçar os da nau. Não temessem nada; não os
desamparariam, ainda que com risco de se perderem eles próprios. E não desejavam por isso
prémio algum.

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30 Vendo o estado em que estavam os da nau, ficaram atónitos. Logo lhes deram pão, água
e frutas, que para si traziam.
O senhorio da barca, tanto que acabou de lhes dar de comer, passou-lhes um cabo de
reboque com que afastaram a nau da rocha e a foram trazendo ao longo da costa até a baía
de Cascais, aonde chegaram pelo sol-posto. Acorreram botes, em que se meteram; uns
35 desembarcaram ali em Cascais; outros só em Belém tomaram terra. […]

«As terríveis aventuras de João de Albuquerque» in História Trágico Marítima

1. Explica a expressão: «Todos começaram a esforçar os da nau».


2. Descreve a atmosfera vivida no navio e relaciona-a com o papel de Jorge de Albuquerque no
sentido de acalmar a tripulação.
3. Ao avistarem terra depois de terem passado muitas tormentas, os marinheiros acalentam
novas expectativas que se vão gorando. Atenta no terceiro, quarto e quinto parágrafos do
texto e explicita os sentimentos/emoções que a tripulação vai experimentando, transcrevendo
elementos textuais que os comprovem.

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Grupo II

Na resposta aos itens de escolha múltipla, seleciona a opção correta.

GRUPO II
Lê, atentamente, o texto seguinte.
A cidade de Santiago de Compostela é um
dos muitos locais de peregrinação apropriados
pela religião cristã. Escavações arqueológicas
revelaram a existência de uma vila romana sob
5
a cidade, e de um cemitério pré-cristão e um
mausoléu pagão sob a catedral de Santiago. A
prática de apropriação de locais sagrados e a
importação de lendas cristianizantes eram
10
muito comuns. O catolicismo aprendeu cedo
que é mais difícil acabar com um foco de
peregrinação, ou com um local de devoção do
que criar uma lenda que o integre no
catolicismo.
15 Mais tarde, com os focos de peregrinação ligados a relíquias que começam a surgir
na Idade Média, as práticas que lhes estão associadas assemelham-se bastante às
práticas dos cultos pagãos e surge então a necessidade de uma nova apropriação
destes locais de peregrinação através da imposição de práticas sacramentais na
peregrinação. […]
20 Não há dúvida nenhuma que o Caminho se desenvolveu e se transformou na
“autoestrada da Europa” por causa do catolicismo e das instituições ligadas à Igreja
Católica, mas o passado mais distante, comprovado pelas escavações arqueológicas,
está bem vivo para os peregrinos New Age ou místicos. É para o antigo templo pagão
que eles caminham, seguindo a rota dos antigos druidas que iam ver o Sol apagar-se no
25
mar em Finisterra (Charpentier, 1973).
O argumento de que a Igreja se apropriou de locais de culto anteriores ao
cristianismo é usado como estandarte pelo movimento New Age, que assim justifica a
sua presença no seio de uma peregrinação tradicionalmente católica; a herança de uma
peregrinação druídica, ou mesmo celta, transformam o caminho num percurso
iniciático, místico e esotérico. Ao aproveitar alguns argumentos sobre a sacralidade e
simbolismo do caminho, veiculados pela própria Igreja, e rejeitar outros, manipula um
mecanismo socialmente reconhecido em favor dos seus interesses. […]

Ana Catarina Mendes. Peregrinos a Santiago de Compostela: uma Etnografia do Caminho


Português. 2009.
in http://repositorio.ul.pt/
[consultado em 5 de dezembro de 2014]

1. Para responderes a cada um dos itens, seleciona a única opção que permite obter uma afirmação
correta.
Escreve, na folha de respostas, o número de cada item e a letra que identifica a opção escolhida.

1.1. A finalidade do texto é a demonstração de que a cidade de Santiago de Compostela é um local


de peregrinação
(A) tradicionalmente católico, apesar das suas origens pagãs.
(B) conhecido do mundo europeu católico e, por isso, denominado a “autoestrada da Europa”.

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(C) druídico ou mesmo celta, mas com raízes católicas.


(D) indevidamente apropriado pela Igreja Católica como o afirma o movimento New Age.

1.2. A demonstração e a fundamentação das ideias sobre a cidade de Santiago de Compostela como
local de peregrinação permitem inserir o texto acabado de ler no género
(A) da apreciação crítica.
(B) da exposição sobre um tema.
(C) da notícia.
(D) do documentário.

1.3. Relativamente ao argumento apresentado pelo movimento New Age acerca da cidade de
Santiago de Compostela como local de peregrinação, a autora
(A) não emite qualquer opinião.
(B) exprime a sua concordância.
(C) considera-o pertinente, atendendo às origens do local.
(D) considera-o manipulador.

1.4. A conjunção “ou” empregada na frase “ou com um local de devoção” (l. 10) tem um valor de
(A) adição.
(B) explicação.
(C) alternância.
(D) oposição.

1.5. Os fenómenos fonológicos que estiveram na base da evolução de sacratu>sagrado são


(A) palatalização.
(B) sonorização e síncope.
(C) síncope.
(D) sonorização.

1.6. A frase “que começam a surgir na Idade Média” (ll. 12-13) é uma oração
(A) subordinada adjetiva relativa explicativa.
(B) subordinada substantiva completiva.
(C) subordinada adjetiva relativa restrita.
(D) subordinada adverbial consecutiva.

1.7. O constituinte “comprovado pelas escavações arqueológicas” da frase “mas o passado mais
distante, comprovado pelas escavações arqueológicas, está bem vivo para os peregrinos New Age
ou místicos.” (ll. 17-19) desempenha a função sintática de
(A) modificador do nome apositivo.
(B) modificador do grupo verbal.
(C) complemento oblíquo.
(D) modificador do nome restritivo.

2. Responde aos itens apresentados.


2.1. Retira do texto cinco palavras ou expressões do campo lexical de “peregrinação”.

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2.2. Identifica a função sintática do segmento sublinhado em "A prática de apropriação de locais
sagrados e a importação de lendas cristianizantes eram muito comuns". (ll. 6-8).
2.3. As palavras “sagrados” (l. 7) e “sacramentais” (l. 15) provêm do étimo latino sacra-. De acordo
com os teus conhecimentos, dá dois exemplos de outras palavras provenientes do mesmo étimo e
formadas por via erudita.

Grupo III

O apoio da família é fundamental para o desenvolvimento harmonioso do ser humano,


nomeadamente na adolescência.

Redige um texto de opinião, no qual comproves que assim é, apresentando, pelo menos, dois
argumentos e dois respetivos exemplos.

O teu texto deve ter entre 200 a 300 palavras e deve estar estruturado em partes lógicas.

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Proposta 3

Grupo I

Lê o excerto e responde de forma estruturada ao que te é pedido.

Pareceu-me um fulano complicado, miudinho de carácter, basto obsessivo, explorador de


pequenas vantagens até à náusea. No caso, ele era senhor duma embarcação e eu não
conseguia transporte para a Ilha de Grimush. Não o larguei toda a manhã. Desconversava,
dava evasivas, trejeitos, silêncios, voltava-me as costas para se ocupar em tarefas pífias, de
linha e rede. Fazia-se caro e importantíssimo. Apetecia-me bater-lhe. Ser ele proprietário
duma draga disforme, ferrugenta, empastada de limos e sujidade não lhe dava o direito de
me tratar de alto. Se eu o esmurrasse talvez ele descesse a ser mais equitativo no trato, mas
isso não me garantia o transporte.
Na véspera eu desesperava, desenganado de arranjar barco que me levasse. O velho ferry
boat estava encostado há que meses, os pescadores que procurei, no cais, nas tabernas, riam-
se de mim. «Para Grimush? Ora bem…!» Tinham medo de se fazer ao mar. Finalmente, um
veio atrás de mim, não sei se condoído do meu desalento se disposto a desfrutá-lo melhor.
Ao dobrar duma esquina que fedia a molusco apodrecido, segredou-me: «Procure o Guedes,
o patrão da draga! A draga passa…»
Nunca na vida tinha eu posto os pés numa draga. Vistas de longe pareciam-me sempre um
amontoado de sucata, ineptas para o movimento, aparentadas aos velhos guindastes
abandonados nos molhes, que apodrecem sobre calhas oxidadas. Mas parecia não ter
alternativa. As esfinges revoltaram-se no Museu de Grimush, competia-me apaziguá-las e
não era coisa que se resolvesse pelo telefone. Aí estava eu, humilhado, a suplicar ao da draga
e ele a trocar-me as voltas. «Ná, não me calha! »
Foi já muito pela noite, ao balcão dum bar equívoco, enfeitado com redes de linho, teias de
aranha e bolas de vidro coloridas, que o tal Guedes, exploradas todas as possibilidades de
me enfadar e desiludir, concedeu:
«Acha que aguenta a viagem?»
«Mestre, estou por tudo, desde que me leve a Grimush.»
Madrugada, antes do sol, lá estava eu, na gordurosa plataforma, guardada por um tipo
esquivo de brinco de latão em forma de oito numa orelha. Da cabina, o patrão não se dignou
cumprimentar-me. Retirada a prancha, a draga foi deslizando, vagarosa, com um ruído
atroador. Acomodei-me num recosto de chapas menos encardidas e adormeci, indiferente
aos salpicos de mar.
O mestre acordou-me, já longe de terra:
«Não convém dormir agora. Olhe!»
Apontava-me uma direcção. O tisnado tripulante tropeçou entre nós, a soluçar, num lanço
desandado, e escondeu-se sob um cabrestante. O Guedes sorriu e encolheu os ombros. Lá
longe, um rochedo escuro, tortuoso e esguio, lançava-se do mar, até grande altura. Gaivotas
planavam em círculo branco, circunscrevendo o afiado píncaro.
Mário de Carvalho, «Carolina» in Contos vagabundos

1. Esclarece a relação entre o narrador e o «fulano», referido na primeira linha do texto, com
base no primeiro parágrafo.
2. Apresenta o espaço físico e o espaço social referidos no texto.
3. Explique o motivo de o «mestre» ter acordado o narrador dizendo-lhe que não lhe era
conveniente não dormir.

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Subitamente - que visão de artista! -


Se eu transformasse os simples vegetais,
À luz do Sol, o intenso colorista,
Num ser humano que se mova e exista
Cheio de belas proporções carnais?!

Bóiam aromas, fumos de cozinha;


Com o cabaz às costas, e vergando,
Sobem padeiros, claros de farinha;
E às portas, uma ou outra campainha
Toca, frenética, de vez em quando.

E eu recompunha, por anatomia,


Um novo corpo orgânico, aos bocados.
Achava os tons e as formas. Descobria
Uma cabeça numa melancia,
E nuns repolhos seios injetados.

Cesário Verde, «Num bairro moderno», in Cânticos do realismo – O livro de Cesário Verde.

1. Comprova a presença de sensações variadas para exprimir a realidade observada.


2. Relaciona, justificando, o verso 1 com os versos 13 e 14: «Descobria/Uma cabeça numa
melancia».

Grupo II

Na resposta aos itens de escolha múltipla, seleciona a opção correta.

MARROCOS. MIRAGENS
É meio-dia e estão 40 graus na penumbra da estação de camionagem de Marrakesh.
Como eu, à espera da carreira para o Anti-Atlas, está um grupo eclético de marroquinos:
camponeses berberes1 de saco de pele de cabra ao ombro, crianças que se colam às mãos
maternas tatuadas de hena2, figuras soturnas de fundamentalistas barbudos bichanando
5 sentenças ao tchador3 das mulheres, jovens liceais de regresso às aldeias natais mesclando
vocábulos berberes, árabes e franceses, e sombras discretas de contrabandistas
escondendo em sacos de plástico relógios chineses comprados em Ceuta. Para além da
fidelidade ao rei e a Alá, há algo que parece unir este grupo: todos suam sob as jelabas 4,
as camisolas de lã quente ou os impermeáveis de plástico colorido.
10 Durante a travessia, deixo a caneta deambular sobre o caderno de papel, aproveitando
os balanços da viagem para desenhar a paisagem que foge – um velho truque para fazer
passar o tempo. E acabo por dormitar, embalado pelo som roufenho de uma nuba5, que
se liberta do altifalante pregado ao espelho retrovisor sobre a cabeça do condutor.
Nas imediações de Taddert, sou acordado pelo frio dos picos do Alto Atlas. Enquanto
15 procuro em vão uma camisola na minha mochila, sinto cair sobre mim o silêncio trocista
dos viajantes indígenas, confortavelmente aconchegados nas suas roupas suadas. Era
óbvio e tinha-me esquecido: para atravessar o Atlas há que esquecer o clima da planície.
Alguns dias depois, inspecionados os ksours6 reais do Oued Imini, e visitada a kasha7 de
Ouarzazate, retomo a viagem em direção ao vale do Draa e à fronteira de Tindouf, na
20 Argélia. Ao entrar para a camioneta, ouço um “olá”, que denuncia um indiscutível sotaque
lisboeta. Sinto um suor frio e o estômago revolver-se: há um conterrâneo no interior.
Vislumbro uma cara conhecida, alapada no banco traseiro, com a barba por fazer e a roupa

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mascarada pelo pó dos trilhos remotos do Rif e dos contrafortes do Atlas.


Após dois ameaços de avaria, a camioneta parte aos solavancos. O ruído do motor não
25 se consegue sobrepor à conversa do conterrâneo, que me dessintoniza do mundo que me
rodeia. Soletro monossílabos de contraponto ao relato entediante da sua viagem ao oued
[ribeiro] de Ksar-e-Kibir, na esperança de lhe fazer entender que quando viajo quero
perder a pátria e a língua.
Ele não sabe, e eu não lhe digo, que não me interessa andar a rebuscar a Lusitânia nos
30
caixotes do lixo das histórias dos outros povos (exceção feita, admito sem rebuço, aos
pastéis de nata londrinos). Não viajo para reencontrar raízes lusas e não me vejo
contemplando fascinado as Portas de Santiago em Malaca, as ruínas barrocas e bolinhos
de coco da Velha Goa, as derribadas estátuas coloniais de Bolama, ou os bares de praia de
Fortaleza.
Enquanto monologa, o meu conterrâneo olha de sobrolho franzido o meu silêncio
35
tumular. Por fim, cansa-se do meu laconismo, e eu apaziguo-me com o espírito da viagem.
Discuto teologia comparada com Mohamed, um jovem tuaregue de Zagora que não
resistiu à curiosidade e me pede para ver o meu caderno de desenhos sincopados pelo
balanço das estradas marroquinas. Por fim, para além das montanhas que se fazem cada
40
vez mais baixas, entrevejo o deserto de dunas.

Manuel João Ramos, revista "Fugas", Público. 2002.

Glossário:

1. Berberes: relativo aos berberes, povo nómada do Norte de África. 2. Hena: tintura preparada com o pó
seco das folhas desse arbusto, e que se utiliza, entre outras coisas, para fazer desenhos na pele. 3. Tchador:
peça de vestuário que consiste numa capa, geralmente escura, que cobre a cabeça e o corpo, deixando
apenas a cara descoberta, usada por algumas mulheres muçulmanas. 4. Jelabas: peça de vestuário larga e
comprida, com capuz e mangas largas, usada por alguns muçulmanos. 5. Nuba: Relativo ou pertencente ao
povo Nuba. 6. Ksours: celeiros fortificados, usados por uma ou várias tribos, quase sempre berberes. 7.
Kasha: cidadela cercada por muros ou muralhas existente em diversas cidades árabes do Norte da África.

1. Para responderes a cada um dos itens, seleciona a única opção que permite obter uma afirmação correta.

Escreve, na folha de respostas, o número de cada item e a letra que identifica a opção escolhida.

1.1. A finalidade deste texto é


(A) narrar as experiências do viajante em terras marroquinas, as suas descobertas e impressões.
(B) contar um encontro do viajante com um conterrâneo em Marrocos.
(C) dar informações objetivas acerca de Marrocos.
(D) persuadir o leitor a visitar Marrocos.

1.2. O texto apresenta uma estrutura em que é possível identificar os momentos seguintes:
(A) pequeno resumo inicial do tema, desenvolvimento do assunto, retoma da ideia inicial.
(B) definição do tema, apresentação de informações referentes ao tema, síntese das informações.
(C) descrição do objeto da crítica, comentários pessoais, conclusão.
(D) definição de um itinerário, referência cronológica aos espaços percorridos, presença de impressões e
de divagações.

14
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1.3. Ao longo do texto, há uma


(A) alternância de registo de 2.ª e 3.ª pessoas.
(B) prevalência do discurso de 1.ª pessoa.
(C) prevalência do discurso de 3.ª pessoa.
(D) alternância de registo de 1.ª e 2.ª pessoas.

1.4. A presença simultânea de uma dimensão narrativa e de uma dimensão descritiva, associadas a um discurso
subjetivo permitem afirmar que este texto é
(A) uma exposição sobre um tema.
(B) um artigo de divulgação científica.
(C) um relato de viagem.
(D) uma apreciação crítica.

1.5. Para o autor, viajar é


(A) uma forma de encontrar as suas raízes.
(B) uma maneira de esquecer a sua língua e o seu país.
(C) uma possibilidade de reencontrar conterrâneos.
(D) um pretexto para divulgar a sua língua e a sua cultura.

1.6. O segmento “o silêncio trocista” (l. 14) tem a função sintática de

(A) sujeito.
(B) complemento do nome.
(C) complemento indireto.
(D) complemento direto.

1.7. Com a expressão “silêncio tumular” (l. 32) o autor recorre a uma
(A) antítese.
(B) enumeração.
(C) metáfora.
(D) comparação.

2. Responde aos itens apresentados.


2.1. Divide e classifica as orações em “É meio-dia e estão 40 graus na penumbra da estação de camionagem de
Marrakesh.” (l.1).
2.2. Identifica a função sintática desempenhada pelo pronome sublinhado na frase “Soletro monossílabos de
contraponto ao relato entediante da sua viagem ao oued [ribeiro] de Ksar-e-Kibir, na esperança de lhe fazer
entender que quando viajo quero perder a pátria e a língua.” (ll. 24-26).
2.3. Classifica o tipo de sujeito presente na frase “Por fim, para além das montanhas que se fazem cada vez
mais baixas, entrevejo o deserto de dunas.” (ll. 35-36).

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Grupo III

Casamento: nome masculino. (De casar+-mento)


1. ato ou efeito de casar
2. DIREITO contrato civil celebrado entre duas pessoas segundo o qual se
estabelecem deveres conjugais; matrimónio
3. cerimónia que celebra o estabelecimento desse contrato; boda
4. situação que resulta do ato de casar
5. estado de casado
6. figurado enlace, união
7. figurado combinação
In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014.
[Consult. 2014-01-13].

Segundo o Código Civil Português, o casamento, como a mais importante fonte


das relações familiares, é definido no art. 1577.º:
“Casamento é o contrato celebrado entre duas pessoas que pretendem constituir
família mediante uma plena comunhão de vida, nos termos das disposições deste
Código”.

As duas definições de casamento apresentadas falam da união entre duas pessoas. No entanto, o casamento
nem sempre corresponde a essa verdadeira união.
Redige uma exposição sobre o papel do casamento na sociedade atual, num texto de cento e oitenta a
duzentas e cinquenta palavras.

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Proposta 4

Grupo I

Lê o excerto e responde de forma estruturada ao que te é pedido.

Não é verdade

Cai, como antigamente, das estrelas


um frio que se espalha na cidade.
Não é noite nem dia, é o tempo ardente
da memória das coisas sem idade

O que sonhei cabe nas tuas mãos


gastas a tecer melancolia:
um país crescendo em liberdade,
entre medas de trigo e alegria.

Porém a morte passeia nos quartos,


ronda as esquinas, entra nos navios,
o seu olhar é verde, o seu vestido branco,
cheiram a cinza os seus dedos frios.

Entre um céu sem cor e montes de carvão


o ardor das estações cai apodrecido;
os mastros e as casas escorrem sombra,
só o sangue brilha endurecido.

Não é verdade tanta loja de perfumes,


não é verdade tanta rosa decepada,
tanta ponte de fumo, tanta roupa escura,
tanto relógio, tanta pomba assassinada.

Não quero para mim tanto veneno,


tanta madrugada varrida pelo gelo
nem olhos pintados onde morre o dia,
nem beijos de lágrimas no meu cabelo.

Amanhece.
Um galo risca o silêncio
desenhando o teu rosto nos telhados.
Eu falo do jardim onde começa
Um dia claro de amantes enlaçados.

Eugénio de Andrade, As palavras interditas

1. Esclarece a relação do sujeito poético com a pessoa a que se refere o poema.


2. Apresenta a realidade descrita pelo sujeito poético.
3. Comprova a presença da personificação no poema, justificando e referindo o seu valor
literário.

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a este moto alheio:

Verdes são os campos


de côr do limão:
assi são os olhos
do meu coração.

VOLTAS
5 Campo, que te estendes
com verdura bela;
ovelhas, que nela
vosso pasto tendes;
d' ervas vos mantendes
10 que traz o Verão,
e eu das lembranças
do meu coração.

Gados, que paceis1,


co contentamento
15 vosso mantimento
não no entendeis:
isso que comeis
não são ervas, não:
são graças dos olhos
20 do meu coração.

Luís de Camões, Rimas.

Glossário:

1. paceis: apascentar; pastar.

Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem.
1. Identifica os elementos da natureza interpelados pelo sujeito poético, fundamentado a tua resposta
com as marcas linguísticas.
2. Relaciona a interpelação aos interlocutores com o assunto da cantiga.
3. Avalia o efeito de sentido da substituição da comparação que surge no mote do poema pela metáfora
final.

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Grupo II

Na resposta aos itens de escolha múltipla, seleciona a opção correta.

Ao outro dia atravesso de novo os Flamengos pela estrada municipal, entre casebres e
rocas de hércules de floração amarela. A estrada sobe e do alto vejo melhor o côncavo
recolhido e verde, Farrobo, Santo Amaro, o largo vale da Praia e Chão Frio, dividido entre
talhões de milho e centeio – nota de abundância e de paz dum verde sempre fresco e
5 viçoso, sob um céu muito azul, o céu esmaltado dos Açores. […]
Subo até à ermida de S. João. O mato é severo, encostas revestidas de mofedos 1, de
junco de vassoura, de rapa2, que dá uma flor roxa, de trevo bravo, de rosmaninho cheio
de bagas vermelhas… Tenho diante de mim, dum lado a cratera, com duas léguas de
circunferência e trezentos metros de fundo; ao outro, o amplo panorama – mar e terra,
10 montes e vales – o mar e o Pico, um Pico estranho, suspenso no céu e pousado num
oceano de nuvens brancas. Só o cume, mas o cume é uma montanha enorme e esguia,
porque, à medida que fomos subindo, o Pico foi crescendo também. Volto-me e a meus
pés abre-se o enorme buraco verde-negro revestido de cedros e de urze até ao lado de
água choca e lama esverdeada, donde irrompe um cabeço com outra cratera minúscula
15 dum tom acastanhado. O espetáculo é sombrio e belo. Só a caldeira mais pequena,
perfeita como miniatura, é uma nota de ternura neste isolamento: parece filha da outra.
Está ali a criá-la, sabe Deus para que destinos, naquele buraco ao mesmo tempo poético
e feroz. Se arranco os olhos da cratera, encontro a amplidão infinita, o altar majestoso do
Pico, as nuvens que ele apanha no céu e a que dá formas imprevistas, e o mar liso até ao
20 horizonte, fechado pela barra roxa de S. Jorge e pela mancha desvanecida da Graciosa.
Violeta das águas imóveis, verde-pálido da terra, céu de esmalte por cima… Despeço-me
do abismo solitário

Raul Brandão. As Ilhas desconhecidas: notas e paisagens.

Glossário:

1. mofedos: excesso de vegetação; 2. rapa: espécie de carqueja.

1. Para responderes a cada um dos itens, seleciona a única opção que permite obter uma afirmação correta.

Escreve, na folha de respostas, o número de cada item e a letra que identifica a opção escolhida.

1.1. Este texto é um relato de viagem, porque o autor


(A) demonstra a especificidade da paisagem da ilha do Pico.
(B) narra a sua viagem e descreve as paisagens com que se vai deparando.
(C) expõe informação seletiva e rigorosa sobre a paisagem vulcânica do Pico.
(D) descreve sucintamente os Açores, acompanhando a sua descrição com comentários críticos.

1.2. No contexto em que ocorre a afirmação “o altar majestoso do Pico, as nuvens que ele apanha no céu e a
que dá formas imprevistas,” (ll. 17-18), o autor destaca
(A) o caráter sagrado desta paisagem única e divina.
(B) a personificação do Pico e a sua influência na paisagem dos Açores.

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(C) o fascínio pela paisagem aérea vista do Pico.


(D) o culto pela ilha do Pico e o caráter irrepetível da paisagem a ele associada.

1.3. O adjetivo “viçoso” (l. 4) significa


(A) inesperado.
(B) com diferentes tonalidades.
(C) cheio de vigor.
(D) suave.

1.4. Com a afirmação “mar e terra, montes e vales” (l. 9) o autor recorre a duas
(A) antíteses.
(B) enumerações.
(C) apóstrofes.
(D) hipérboles.

1.5. O sujeito da frase “e a meus pés abre-se o enorme buraco verde-negro revestido de cedros e de urze até
ao lado de água choca e lama esverdeada” (ll. 12-13) é
(A) nulo subentendido.
(B) nulo indeterminado.
(C) “o enorme buraco verde-negro revestido de cedros e de urze”.
(D) “a meus pés”.

1.6. O segmento “poético e feroz” da frase “naquele buraco ao mesmo tempo poético e feroz” (l. 16)
desempenha a função sintática de
(A) complemento do adjetivo.
(B) predicativo do complemento direto.
(C) complemento do nome.
(D) modificador do nome restritivo.

1.7. A conjunção subordinativa presente na frase “Se arranco os olhos da cratera, encontro a amplidão infinita”
(ll. 16-17), pode ser substituída por
(A) embora.
(B) caso.
(C) visto que.
(D) dado que.

2. Responde aos itens apresentados.


2.1. Indica a função sintática do segmento “de bagas vermelhas” (ll. 7-8).

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2.2. Atenta na frase “Volto-me e a meus pés abre-se o enorme buraco verde-negro” (l. 12) e constrói um campo
semântico composto por quatro ocorrências da palavra “pé”.
2.3. Transcreve a oração subordinada adverbial condicional da seguinte frase “Se arranco os olhos da cratera,
encontro a amplidão infinita, o altar majestoso do Pico, as nuvens que ele apanha no céu e a que dá formas
imprevistas, e o mar liso até ao horizonte, fechado pela barra roxa de S. Jorge e pela mancha desvanecida da
Graciosa.” (ll. 16-19).

GRUPO III
“A natureza pode suprir todas as necessidades do homem, menos a sua ganância.”
Mahatma Gandhi

Considerando as palavras de Mahatma Gandhi, acima transcritas, redige uma exposição, devidamente
estruturada, sobre o papel do homem na defesa da terra, num texto de cento e oitenta a duzentas e cinquenta
palavras.

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Proposta 5

Grupo I

Lê o excerto e responde de forma estruturada ao que te é pedido.

s. A máquina estremeceu, oscilou como se procurasse um equilíbrio subitamente perdido,


ouviu-se um rangido geral, eram as lamelas de ferro, os vimes entrançados, e de repente, como
se a aspirasse um vórtice luminoso, girou duas vezes sobre si própria enquanto subia, mal
ultrapassara ainda a altura das paredes, até que, firme, novamente equilibrada, erguendo a sua
cabeça de gaivota, lançou-se em flecha, céu acima. Sacudidos pelos bruscos volteios, Baltasar e
Blimunda tinham caído no chão de tábuas da máquina, mas o padre Bartolomeu Lourenço
agarrara-se a um dos prumos que sustentavam as velas, e assim pôde ver afastar-se a terra a
uma velocidade incrível, já mal se distinguia a quinta, logo perdida entre colinas, e aquilo além,
que é, Lisboa, claro está, e o rio, oh, o mar, aquele mar por onde eu, Bartolomeu Lourenço de
Gusmão, vim por duas vezes do Brasil, o mar por onde viajei à Holanda, a que mais continentes
da terra e do ar me levarás tu, máquina, o vento ruge-me aos ouvidos, nunca ave alguma subiu
tão alto, se me visse el-rei, se me visse aquele Tomás Pinto Brandão que se riu de mim em verso,
se o Santo Ofício me visse, saberiam todos que sou filho predileto de Deus, eu sim, que estou
subindo ao céu por obra do meu génio, por obra também dos olhos de Blimunda, se haverá no
céu olhos como eles, por obra da mão direita de Baltasar, aqui te levo, Deus, um que também
não tem a mão esquerda, Blimunda, Baltasar, venham ver, levantem-se daí, não tenham medo.
Não tinham medo, estavam apenas assustados com a sua própria coragem. O padre ria, dava
gritos, deixara já a segurança do prumo e percorria o convés da máquina de um lado a outro
para poder olhar a terra em todos os seus pontos cardeais, tão grande agora que estavam longe
dela, enfim levantaram-se Baltasar e Blimunda, agarrando-se nervosamente aos prumos, depois
à amurada, deslumbrados de luz e de vento, logo sem nenhum susto, Ah, e Baltasar gritou,
Conseguimos, abraçou-se a Blimunda e desatou a chorar, parecia uma criança perdida, um
soldado que andou na guerra, que nos Pegões matou um homem com o seu espigão, e agora
soluça de felicidade abraçado a Blimunda, que lhe beija a cara suja, então, então. O padre veio
para eles e abraçou-se também, subitamente perturbado por uma analogia, assim dissera o
italiano, Deus ele próprio, Baltasar seu filho, Blimunda o Espírito Santo, e estavam os três no
céu, Só há um Deus, gritou, mas o vento levou-lhe as palavras da boca. Então Blimunda disse, Se
não abrirmos a vela, continuaremos a subir, aonde iremos parar, talvez ao sol. José Saramago,
Memorial do Convento.
José Saramago, Memorial do Convento

1. Distinga no texto, dados e personagens históricos e ficcionados.


2. Identifica os fatores a que se atribui, no texto, a subida da passarola.
3. Interpreta a comparação subentendida entre a subida de Bartolomeu de Gusmão e a
subida de Cristo ao céu.
4. Explica a perturbação do padre bem patente nas suas últimas palavras.

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Avultava, num largo arborizado,


A Débil Uma estátua de rei num pedestal.
Eu, que sou feio, sólido, leal,
A ti, que és bela, frágil, assustada, Sorriam, nos seus trens, os titulares;
Quero estimar-te sempre, recatada E ao claro sol, guardava-te, no entanto,
Numa existência honesta, de cristal. A tua boa mãe, que te ama tanto,
Que não te morrerá sem te casares!
Sentado à mesa dum café devasso,
Ao avistar-te, há pouco, fraca e loura, Soberbo dia! Impunha-me respeito
Nesta Babel tão velha e corruptora, A limpidez do teu semblante grego;
Tive tenções de oferecer-te o braço. E uma família, um ninho de sossego,
Desejava beijar sobre o teu peito.
E, quando socorreste um miserável,
Eu, que bebia cálices de absinto, Com elegância e sem ostentação,
Mandei ir a garrafa, porque sinto Atravessavas branca, esbelta e fina,
Que me tornas prestante, bom, saudável. Uma chusma de padres de batina,
E de altos funcionários da nação.
"Ela aí vem!" disse eu para os demais;
E pus-me a olhar, vexado e suspirando, "Mas se a atropela o povo turbulento!
O teu corpo que pulsa, alegre e brando, Se fosse, por acaso, ali pisada!"
Na frescura dos linhos matinais. De repente, paraste embaraçada
Ao pé dum numeroso ajuntamento.
Via-te pela porta envidraçada;
E invejava, — talvez que não o suspeites! - E eu, que urdia estes fáceis esbocetos,
Esse vestido simples, sem enfeites, Julguei ver, com a vista de poeta,
Nessa cintura tenra, imaculada. Uma pombinha tímida e quieta
Num bando ameaçador de corvos pretos.
Ia passando, a quatro, o patriarca.
Triste eu saí. Doía-me a cabeça. E foi, então, que eu, homem varonil,
Uma turba ruidosa, negra, espessa, Quis dedicar-te a minha pobre vida,
Voltava das exéquias dum monarca. A ti, que és tênue, dócil, recolhida,
Eu, que sou hábil, prático, viril.
Adorável! Tu, muito natural,
Seguias a pensar no teu bordado; Cesário Verde, in 'O Livro de Cesário Verde'

1. Identifique a hipálage presente na segunda estrofe e explique o seu valor expressivo.


2. Esclarece a influência que a rapariga exerce no poeta.
3. O poeta, com a sua visão de artista, transfigura a realidade. Localiza no poema e interpreta essa
transfiguração do real.
4. Partindo do teu estudo da poesia de Cesário Verde, comenta, exemplificando, os diferentes tipos de
figuras femininas presentes nos seus poemas.

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Grupo II

Na resposta aos itens de escolha múltipla, seleciona a opção correta.

Este livro reúne alguns dos textos que mensalmente e ao longo dos últimos anos fui publicando […]. A
estranheza do título justifica uma explicação, para que ele não passe como um mero exercício de estilo.

Quando era pequeno – muito pequeno, talvez oito ou nove anos – lembro-me de estar deitado na
banheira, em casa dos meus pais, a ler um livro de quadradinhos. Era uma aventura do David Crockett, o
desbravador do Kentucky e do Tenessee, que haveria de morrer na mítica batalha do Forte Álamo. Nessa história,
o David Crockett era emboscado por um grupo de índios, levava com um machado na cabeça, ficava inconsciente
e era levado prisioneiro para o acampamento índio. Aí, dentro de uma tenda, havia uma índia muito bonita –
uma «squaw», na literatura do Far-West – que cuidava dele, dia e noite, molhando-lhe a testa com água, tratando
das suas feridas e vigiando o seu coma. E, a certa altura, ela murmurava para o seu prostrado e inconsciente
guerreiro: «não te deixarei morrer, David Crockett!»

Não sei porquê, esta frase e esta cena viajaram comigo para sempre, quase obsessivamente. Durante
muito tempo, preservei-as à luz do seu significado mais óbvio: eu era o David Crockett, que queria correr mundo
e riscos, viver aventuras e desvendar Tenessees. Iria, fatalmente, sofrer, levar pancada e ficar, por vezes,
inconsciente. Mas ao meu lado haveria sempre uma índia, que vigiaria o meu sono e cuidaria das minhas feridas,
que me passaria a mão pela testa quando eu estivesse adormecido e me diria: «não te deixarei morrer, David
Crockett!» E, só por isso, eu sobreviveria a todos os combates. Banal, elementar.

Porém, mais tarde, comecei a compreender mais coisas sobre as emboscadas, os combates e o
comportamento das índias perante os guerreiros inconscientes. Foi aí que percebi que toda a minha interpretação
daquela cena estava errada: o David Crockett representava sim a minha infância, a minha crença de criança numa
vida de aventuras, de descobertas, de riscos e de encontros. Mas mais, muito mais do que isso: uma espécie de
pureza inicial, um excesso de sentimentos e de sensibilidade, a ingenuidade e a fé, a hipótese fantástica da
felicidade para sempre. [...]
Miguel Sousa Tavares, Não Te Deixarei Morrer, David Crockett,

Para responder aos itens de 1 a 6, escreva, na folha de respostas, o número do item seguido da letra
identificativa da alternativa correta.

1. Com a afirmação «esta frase e esta cena viajaram comigo para sempre» (linha 13), o autor quer dizer que:

A. se sentia marcado para toda a vida por aquela frase e por aquela cena.

B. transportava consigo, sempre que viajava, um livro sobre David Crockett.

C. se lembrava daquela frase e daquela cena sempre que viajava.

D. tinha aquela frase gravada na pasta que usava em viagem.

2. Na frase iniciada por «Foi aí que» (linha 21), o autor assinala o momento em que

A. leu a história aventurosa e acidentada do desbravador David Crockett.

B. tomou consciência de que David Crockett era o símbolo da sua infância.

C. sentiu a necessidade de preservar na memória o herói David Crockett.

D. julgou que era David Crockett, o mítico combatente de Forte Álamo.

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3. A perífrase verbal em «e ao longo dos últimos anos fui publicando» (linhas 1 e 2) traduz uma ação:

A. momentânea, no passado.

B. repetida, do passado ao presente.

C. apenas começada, no passado.

D. posta em prática, no momento.

4. A locução «para que» (linha 2) permite estabelecer na frase uma relação de

A. causalidade.

B. completamento.

C. finalidade.

D. retoma.

5. O uso de travessão duplo (linha 4) justifica-se pela necessidade de

A. destacar uma explicitação.

B. registar falas em discurso direto.

C. marcar alteração de interlocutor.

D. sinalizar uma conclusão.

6. O uso repetido do nome «David Crockett» (linhas 6, 7, 12, 15, 19, 22)

A. constitui um mecanismo de coesão lexical.

B. assegura a progressão temática.

C. constitui um processo retórico.

D. assegura a coesão interfrásica do texto.

7- Para responder, escreve o número do item, a letra identificativa de cada afirmação e, a seguir, uma das
letras, «V» para as afirmações verdadeiras ou «F» para as afirmações falsas.

A. O segmento textual «Este livro reúne alguns dos textos que mensalmente e ao longo dos últimos anos fui
publicando» (linhas 1 e 2) constitui um ato ilocutório diretivo.

B. O constituinte «inconsciente» em «Nessa história, o David Crockett (...) ficava inconsciente»

(linhas 7 e 8) desempenha, na frase, a função de predicativo do sujeito.

C. Os vocábulos «batalha» (linha 7) e «combates» (linhas 19 e 21) mantêm entre si uma relação de antonímia.

D. O antecedente do pronome relativo «que» (linha 10) é «uma índia muito bonita» (linha 9).

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E. Em «molhando-lhe a testa com água, tratando das suas feridas e vigiando o seu coma» (linhas 10 e 11), as
formas verbais «molhando», «tratando» e «vigiando» traduzem o modo continuado como a índia cuidava de
David Crockett.

F. Na frase «ela murmurava para o seu prostrado e inconsciente guerreiro» (linhas 11 e 12), os adjetivos têm
um valor restritivo.

G. Em «não te deixarei morrer, David Crockett!» (linha 12), «te» e «David Crockett» são referências deíticas
pessoais.

H. Na frase «preservei-as à luz do seu significado mais óbvio» (linha 14), o referente de «as» é

«esta frase e esta cena» (linha 13).

I. A frase «que vigiaria o meu sono» (linha 17) é subordinada relativa restritiva.

J. O conetor «Porém» (linha 20) introduz uma relação de oposição entre o que anteriormente foi dito e a ideia
exposta posteriormente.

Grupo III

“Acho que damos pouca atenção àquilo que efetivamente decide tudo na nossa vida, ao órgão que
levamos dentro da cabeça: o cérebro. Tudo quanto estamos por aqui a dizer é um produto dos poderes ou das
capacidades do cérebro: a linguagem, o vocabulário mais ou menos extenso, mais ou menos rico, mais ou menos
expressivo, as crenças, os amores, os ódios, Deus e o diabo, tudo está dentro da nossa cabeça. Fora da nossa
cabeça não há nada. Ou melhor, há o que os nossos órgãos podem ter criado como imagem.”
José Saramago, in Tabu, 19 de abril de 2008

Num texto bem estruturado, com um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas palavras,
apresenta a tua opinião sobre a importância e a supremacia do cérebro nas vivências do ser humano.
Fundamenta o teu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustra cada um deles com, pelo
menos, um exemplo significativo.

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Proposta 6

Grupo I

Lê o excerto e responde de forma estruturada ao que te é pedido.

105
O recado que trazem é de amigos,
Mas debaxo o veneno vem coberto,
Que os pensamentos eram de inimigos,
Segundo foi o engano descoberto.
Ó grandes e gravíssimos perigos,
Ó caminho de vida nunca certo,
Que, aonde a gente põe sua esperança,
Tenha a vida tão pouca segurança!
106
No mar tanta tormenta e tanto dano,
Tantas vezes a morte apercebida!
Na terra tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade avorrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida,
Que não se arme, e se indigne o Céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?
Luís de Camões, Os Lusíadas

1. Situa esta reflexão em função da estrutura global d’ Os Lusíadas, atendendo ao plano estrutural
representado.
2. Interpreta os dois versos finais da estância 105.
3. Atenta nos quatro versos finais da estância 106 e explica de que modo podem encerrar uma valorização
do Homem.

27
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B (40 pontos)

Lê o seguinte poema e consulta as notas apresentadas.

Nox
Noite, vão para ti meus pensamentos,
Quando olho e vejo, à luz cruel do dia,
Tanto estéril lutar, tanta agonia,
E inúteis tantos ásperos tormentos...

Tu, ao menos, abafas os lamentos,


Que se exalam da trágica enxovia...
O eterno Mal, que ruge e desvaria,
Em ti descansa e esquece alguns momentos...

Oh! Antes tu também adormecesses


Por uma vez, e eterna, inalterável,
Caindo sobre o Mundo, te esquecesses,

E ele, o Mundo, sem mais lutar nem ver,


Dormisse no teu seio inviolável,
Noite sem termo, noite do Não-ser!

Antero de Quental, in "Sonetos"

1. Divide o texto em duas partes lógicas, justificando.

2. Esclarece. Justificando, o sentido da expressão «trágica enxovia»

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Grupo II

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, seleciona a opção correta.

Escreve, na folha de respostas, o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.

Ecos de Camões em Cesário Verde


No cerne do poema épico de Camões está o mar, espaço percorrido pelas naus de Vasco da Gama, mas
também cenário mítico em que decorrem os vários planos da narração que complexificam a temática do
texto, fazendo da viagem à Índia a jornada simbólica em que Camões retrata a saga dos Lusíadas. (…)
O mar das navegações é para o autor d’Os Lusíadas o símbolo ambíguo de Portugal (…). O tempo
5 passado vê-se elevado à categoria simbólica do Bem absoluto, com a glória, a harmonia e o ideal coletivo
por corolários; e o mar é o espaço da viagem aventurosa em busca de novos mundos, é a possibilidade de
partir, levando a outros lugares a energia positiva dos navegadores e do povo que eles representam.
Uma tal perspetiva que coloca a par a visão épica e positivada do passado com um presente decetivo e
de impasse, tem múltiplos ecos na história literária nacional. Detenhamo-nos por agora em dois exemplos
10 disso, colhidos em textos de fins de oitocentos, período em que retorna essa memória do passado
histórico, como via da busca de um esteio que sustente o presente de inquietação e de mudança: tomemos
“O Sentimento dum Ocidental” de Cesário Verde (…).
O poema de Cesário foi publicado no número Portugal a Camões do Jornal de Viagens de 10 de junho
de 1880, uma das edições comemorativas de um centenário que erigira Os Lusíadas e o épico em porta-
15 bandeiras do nacionalismo; tal perspetiva não atraía o poeta de “O Sentimento dum Ocidental”, que se
situa à margem do tom laudatório e exaltado de outros seus contemporâneos. Com efeito, Cesário
trabalhará a sua homenagem no arame frágil do paradoxo, tratando os temas da épica (o mar, a viagem,
o herói) por um prisma decetivo.
O mar está presente como elemento espacial, situando desde o título o sujeito do poema como um
20 ocidental, oriundo das mesmas mas tão mudadas praias que viram partir os descobridores; na primeira
secção, o sujeito desloca-se ao longo dos cais que figuram a possibilidade de partir, sim, mas para outros
– não para o “eu” errante, só, presa de um spleen [tédio] que lhe faz sentir como fechado um espaço
fisicamente aberto. Esse tema estende-se ao modo como é vista a gare de onde partem os outros,
“Felizes!”, para o mundo mítico da Europa cosmopolita (“Madrid, Paris, Berlim, S. Petesburgo, o mundo!,
25 I, 3”); notemos também como aos cais do presente, herdeiros daqueles de que partiram as naus das
Descobertas, se atracam agora botes (I, 5), caricaturas dessa grandiosidade perdida, ou como a partir deles
se avista ao largo “o couraçado inglês” (I, 7) que representa o poderio estrangeiro e assinala a decadência
e a impotência da pátria.
Paula Morão, “Ecos de Camões em Cesário Verde e em Nobre”, in Românica, Revista de Literatura, n.º 1/2,
30 Lisboa: Ed. Cosmos, 1992, p. 27.
1. O mar é, n’Os Lusíadas,

A. simultaneamente, um espaço real e perigoso.

B. um espaço com duplo significado: real e simbólico.

C. o espaço que permite a concretização de um sonho pessoal.

D. um espaço desejado, mas nunca navegado.

29
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2. Cesário Verde homenageia Camões

A. num tom elogioso e elevado.

B. comungando a perspetiva nacionalista das comemorações d’ Os Lusíadas.

C. ao publicar a sua obra literária.

D. de modo marginal ao dos seus contemporâneos.

3. O “Sentimento dum Ocidental” adota uma perspetiva

A. subversiva do imaginário épico.

B. épica, de ações grandiosas e heróis sublimes.

C. eufórica para exaltar os antigos heróis nacionais.

D. pessimista causada pela sua fragilidade.

4. “Cesário Verde” (l.14), o “poeta de ‘O Sentimento dum Ocidental’” (ll.17-18) e “Cesário” (l.19) contribuem

A. para a coesão interfásica.

B. para a coesão frásica.

C. para a coesão referencial.

D. para a coesão lexical.

5. No segmento “para o mundo mítico da Europa cosmopolita (“Madrid, Paris, Berlim, S. Petesburgo,”) (ll. 26-
27), os vocábulos sublinhados mantêm entre si uma relação semântica de

A. meronímia-holonímia.

B. hiponímia-hiperonímia.

C. hiperonímia-hiponímia.

D. holonímia-meronímia.

6. Identifica a função sintática da expressão “de Cesário” (l. 15).

7. Indica o processo de formação da palavra “porta-bandeiras” (l. 17).

8. Indica o antecedente do pronome pessoal presente em “que lhe faz sentir como fechado um espaço
fisicamente aberto.” (ll. 25-26).

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Grupo III
Na nossa Era surge o conceito de navegação associado à Internet. Esta, tal como a navegação marítima dos
marinheiros portugueses na época das descobertas, traz benefícios e encerra perigos.

Num texto bem estruturado, com um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas palavras, apresenta
uma reflexão sobre as vantagens e os riscos da navegação na Internet.

Fundamenta o teu ponto de vista, recorrendo a dois argumentos, ilustrando cada um deles com, pelo
menos, um exemplo significativo.

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Proposta 7

Grupo I

Lê o excerto e responde de forma estruturada ao que te é pedido.

CORVO
Mas, senhores, nada prova que o general seja o chefe da conjura.
Tudo o que se diz pode não passar de um boato…

D. MIGUEL
5 Cale-se! Onde está a sua dedicação a el-rei, capitão?

PRINCIPAL SOUSA
Agora me lembro de que há anos, em Campo d’Ourique, Gomes Freire
prejudicou muito a meu irmão Rodrigo!

D. MIGUEL
10 Se eu fosse falar do ódio que lhe tenho…

BERESFORD
O marquês de Campo Maior tem razões para odiar a Gomes Freire…

D. MIGUEL
E, agora, meus senhores, ao trabalho! Para que o país não se levante em defesa
15 dos conjurados há que prepará-lo previamente. Há gente, senhores, que sente
grande ardor patriótico sempre que os seus interesses estão em perigo. Há que
D. Miguel anda, no provocar esse ardor. Há que pôr os frades, por esse país fora, a bramar dos
palco, dum lado para o púlpitos contra os inimigos de Deus. Há que procurar em cada regimento um
outro, com passos oficial que se preste a dizer aos soldados que a pátria se encontra ameaçada pelo
decididos. inimigo de dentro. Há que fazer tocar os tambores pelas ruas para se criar um
20 ambiente de receio.
Os estados emotivos, Srs. Governadores, dependem da música que se tem no
ouvido. Para que se mantenham, é necessário que as bandas não parem de tocar.
Quero os sinos das aldeias a tocar a rebate, os tambores, em fanfarra, nas
paradas dos quartéis, os frades aos gritos nos púlpitos, uma bandeira na mão em
25 cada aldeão.
(Começa a entrar povo pela direita e pela esquerda do palco. Os tambores tocam sem
cessar.)
Quero o país inteiro a cantar em coro. Lembrai-vos, senhores, de que uma pausa
pode causar uma ruína de todos os nossos projetos!
30 (Entra pela direita do palco um púlpito a que o principal Sousa sobe. Começa a ouvir-
se um sino a tocar a rebate.)

PRINCIPAL SOUSA
(Do púlpito)
Meus filhos, meus filhos, a Pátria está em perigo! Os inimigos de Deus
35 preparam, na sombra, a ruína, dos vossos lares, a violação das vossas filhas, a
morte d’el-rei!

D. MIGUEL
Portugueses: a hora não é para contemplações Sacrifiquemos tudo, mesmo as
nossas consciências, no altar da Pátria.

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40
Os tambores entram em PRINCIPAL SOUSA
fanfarra e o palco enche- Morte aos inimigos de Cristo!
se de soldados.
D. MIGUEL
Morte ao traidor Gomes Freire d’ Andrade!

(Apagam-se todas as luzes. As personagens ficam na penumbra, agitando os braços e


45 erguendo bandeiras no ar. Durante um espaço de tempo muito curto, ouvem-se os sinos e
os tambores.)
Luís de Sttau Monteiro, Felizmente Há Luar!,
Porto, Areal Editores, 2003

1. Insere o excerto nas estruturas externa e interna da obra, referindo a sua importância no contexto da ação
da obra.

2. Explicita o sentido da frase “Os estados emotivos, Srs. Governadores, dependem da música que se tem
no ouvido.” (ll. 22-23).

3. Explica a crítica implícita nas falas de D. Miguel.

4. Identifica, justificando, os elementos que contribuem, neste excerto, para o aumento da tensão dramática.

Ai senhor fremosa! por Deus


e por quam boa vos El fez,
doede-vos alg˜ua vez
de mim e destes olhos meus
5 que vos virom por mal de si,
quando vos virom, e por mi.

E porque vos fez Deus melhor


de quantas fez e mais valer,
querede-vos de mim doer
10 e destes meus olhos, senhor,
que vos virom por mal de si,
quando vos virom, e por mi.

E porque o al nom é rem1,


senom o bem que vos Deus deu,
15 querede-vos doer do meu
mal e dos meus olhos, meu bem,
que vos virom por mal de si,
quando vos virom, e por mi.

D. Dinis (CBN 518b, CV 121). Cantigas Medievais Galego portuguesas

Glossário:

33
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1. E porque o al nom é rem: e porque tudo o resto é sem valor.

Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem.
4. Refere o pedido endereçado pelo sujeito poético à “senhor fremosa”.
5. Identifica e delimita no tempo o período da língua em que a composição foi escrita, fundamentando a tua resposta
com duas características desse período.

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Grupo II

Lê atentamente o texto que se segue:

Se nos fixarmos em 1808 verificamos, num relance rápido, que os efeitos da ocupação francesa foram
diretamente sentidos por todas as classes sociais. Antes de findar o ano de 1807 já Lisboa se despovoava. “A
população de Lisboa calculava-se em 280 a 300 mil almas; mas julgo que se pode afirmar, sem exageração,
que ela tem diminuído de 15 de Novembro para cá, [29 de Dezembro] em mais de 70 mil pessoas,
principiando pela saída dos Ingleses a que se seguiu o decreto para se lhes fecharem os Portos e, em
consequência, o bloqueio que paralisou o comércio, a saída da esquadra que levou imensa gente e deixou
outra sem meios de subsistência… Esta despovoação há-de continuar ainda até que os habitantes se reduzam
ao número proporcionado às circunstâncias e qualquer que seja o nosso último destino é provável que Lisboa
nunca chegue a ser tão populosa como dantes era, sendo certo que ela tinha demasiada gente, e a sua grande
5
povoação era efeito de vícios da administração e não de causas materiais… Há mais de 8 dias que ouvi que
só pela Intendência Geral da Polícia se tinham dado 11 000 passaportes. Muitas famílias aqui estabelecidas
têm-se retirado para o campo, outras para as províncias.”[1]

O aumento da procura de bens essenciais aliado aos efeitos devastadores da guerra e ao cancelamento
das importações reflete-se, de imediato, na subida incontrolável dos preços. Em Março de 1808, o redator
do Dietário de S. Bento assinalava “a falta de alguns géneros de primeira necessidade” e para o mês seguinte
registava os seguintes preços – “o trigo está a 1200 e 1400 o alqueire; o azeite a 3000 e 5200 por almude; o
feijão a 1000 e 1100 e o mais à porção: manteiga a 550 e a 600” e acrescentava “o peixe fresco nem por
exorbitante dinheiro”[2].
10
Acentua-se o caráter rural da sociedade portuguesa; a indigência aumenta; entre as classes possidentes
que ficam generaliza-se a tendência para o entesouramento e a vertigem da venda de bens, a qualquer preço;
a atividade fabril abranda e nalguns casos suspende-se mesmo.

Para a paralisia económica do reino contribuíram ainda as pilhagens e requisições da tropa invasora, o
sequestro dos bens ingleses e de todas as mercadorias de origem britânica em poder dos negociantes, para
além da imposição de avultadas contribuições extraordinárias e de guerra, parcialmente executadas.

Associada a esta política de saque, Junot desarma o país tentando, em vão, silenciar quaisquer
15 manifestações de hostilidade e revolta.

Ana Cristina Araújo, “Revoltas e ideologias em conflito durante as invasões francesas”,

In Revoltas e Revoluções, Coimbra, Instituto de História e Teoria das Ideias,

Faculdade de Letras, 1985 (adaptado)


1. De acordo com o sentido do texto, assinala a opção correta que completa cada afirmação que se segue:

1.1. Segundo o excerto, um dos primeiros efeitos da ocupação francesa foi


a) o empobrecimento de muitas pessoas em Lisboa.
b) o falecimento de muitas pessoas em Lisboa.
c) a chegada de muitas pessoas a Lisboa.
d) a fuga de muitas pessoas de Lisboa.

1.2. A citação introduzida na linha 3 serve para


a) introduzir dados concretos acerca do exército francês.
b) apresentar dados de uma fonte especializada no estudo da época.
c) introduzir no texto uma fala em discurso direto.
d) negar o que foi dito anteriormente através de provas concretas.

35
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1.3. Com a expressão “Esta despovoação há-de continuar ainda até que os habitantes se reduzam ao número
proporcionado às circunstâncias” (ll. 7-8), o autor sugere que a população continuará a abandonar Lisboa até
a) cessarem as inúmeras mortes na cidade.
b) o número de pessoas que ficar consiga viver em condições.
c) melhorarem as condições de vida na cidade.
d) o número de pessoas que ficar seja insignificante.

1.4. O autor do excerto citado nas linhas 3 a 13 é


a) Ana Cristina Araújo.
b) Christovam Ayres de Magalhães Sepúlveda.
c) Ricardo Raimundo Nogueira.
d) Dietário de S. Bento.

1.5. Nesta altura, os preços subiram incontrolavelmente (l. 15) por causa
a) do aumento da quantidade de bens à venda, da destruição provocada pela guerra e da cessação da aquisição
de bens do exterior.
b) do aumento da procura de alimentos, da destruição provocada pela guerra e do cancelamento das vendas
para o exterior.
c) do aumento da procura de alimentos, da destruição provocada pela guerra e da cessação da aquisição de bens
do exterior.
d) do aumento da quantidade de bens à venda, da intensificação da violência da guerra e da cessação da
aquisição de bens do exterior.

1.6. O excerto “entre as classes possidentes que ficam generaliza-se a tendência para o entesouramento e a
vertigem da venda de bens, a qualquer preço” (ll. 20-22) revela uma tendência que as pessoas tinham para
a) arrecadar o máximo de dinheiro possível.
b) se despojarem dos bens de modo a poderem sair do país.
c) venderem os bens que tinham em boas oportunidades de lucro.
d) enriquecerem, aproveitando a situação de desgraça dos outros.

2. Faz corresponder a cada um dos elementos da coluna A um elemento da coluna B.

A B
1. Na frase “Antes de findar o ano de 1807 já Lisboa se a) o enunciador recorre a um hipérbato para
despovoava.” (ll. 2-3) destacar uma parte do enunciado.

2. Com o recurso a “há-de continuar” (l. 7) b) o enunciador introduz uma enumeração.

3. Com a expressão “tão populosa como dantes era” (l. c) o enunciador introduz uma metáfora.
9)
d) o enunciador perspetiva um futuro.
4. Com o recurso ao travessão (l. 17)
e) verifica-se uma relação lógica de causa.
5. No segmento “para a paralisia económica do reino
contribuíram ainda as pilhagens e requisições da f) estão presentes duas referências deíticas
tropa invasora” (ll. 23-24) temporais.

g) o enunciador introduz um discurso direto.

h) o enunciador explicita uma comparação.

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III

SOUSA FALCÃO
“Durante meses, duas vezes dei comigo à berma de lhe chamar louco, para desculpar a minha própria
cobardia.
Há homens que obrigam todos os outros a reverem-se por dentro…”
Luís de Sttau Monteiro, Felizmente Há Luar!

Num texto bem estruturado, com o mínimo de cento e oitenta e o máximo de duzentas e quarenta
palavras, apresenta uma reflexão sobre o que é afirmado na fala de Sousa Falcão, tendo em conta a influência que
alguns homens (e mulheres), através do seu caráter e da sua conduta, têm sobre os outros.
Para fundamentares o teu ponto de vista, recorre, no mínimo, a dois argumentos, ilustrando cada um
deles com, pelo menos, um exemplo significativo.

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Proposta 8

Grupo I

Lê o excerto e responde de forma estruturada ao que te é pedido.

Antes de nós nos mesmos arvoredos


Passou o vento, quando havia vento,
E as folhas não falavam
De outro modo do que hoje.

Passamos e agitamo-nos debalde.


Não fazemos mais ruído no que existe
Do que as folhas das árvores
Ou os passos do vento.

Tentemos pois com abandono assíduo


Entregar nosso esforço à Natureza
E não querer mais vida
Que a das árvores verdes.

Inutilmente parecemos grandes.


Salvo nós nada pelo mundo fora
Nos saúda a grandeza
Nem sem querer nos serve.

Se aqui, à beira-mar, o meu indício


Na areia o mar com ondas três o apaga.
Que fará na alta praia
Em que o mar é o Tempo?
Ricardo Reis, Odes

1. Explique a relação que se estabelece entre “nós” e os elementos da Natureza referidos na primeira e
segunda estrofes do poema.
2. Explique o sentido da terceira estrofe, tendo em conta uma das ideias filosóficas em que assenta a poesia
de Ricardo Reis.
3. Apresente uma justificação para o uso de um sujeito no plural nas quatro primeiras estrofes do poema e
para o aparecimento da primeira pessoa do singular na última quadra.
4. Refira o valor expressivo da interrogação retórica presente na última estrofe.

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Lê, atentamente, o seguinte excerto da Crónica D. João I, cap. 148.

Na cidade nom avia triigo pera vender, e se o havia, era mui pouco e tam caro, que as pobres
gentes nom podiam chegar a ele; ca valia o alqueire quatro livras 1; e o alqueire do milho quareenta
soldos2; e a canada do vinho tres e quatro livras; e padeciam mui apertadamente, ca dia havia i que,
ainda que dessem por uũ pam uũa dobra, que o nom achariam a vender; e começarom de comer
5 pam de bagaço d’azeitona, e dos queijos das malvas e raízes d’ervas, e doutras desacostumadas
cousas, pouco amigas da natureza; e taes i havia, que se mantiinham alféloa3. No logar u
costumavom vender o triigo, andavom homeẽs e moços esgaravatando; e, se achavom alguũs
graãos de triigo, metiam-nos na boca sem teendo outro mantiimento; outros se fartavom d’ervas e
beviam tamta agua, que achavom mortos homeẽs e cachopos jazer inchados nas praças e em outros
10 logares.
Das carnes, isso mesmo, havia em ela grande mingua; e se alguũs criavom porcos, mamtiinham-
se em eles; e pequena posta de porco valia cinquo e seis livras, que era ũa dobra castelãa; e a galinha,
quareenta soldos; e a duzia dos ovos, doze soldos; e se almogávares4 tragiam alguũs bois, valia
cada uũ sateenta livras, que eram catorze dobras cruzadas, valendo entom a dobra cinco e seis
15 livras; e a cabeça e as tripas, ũa dobra; assi que os pobres, per míngua de dinheiro, nom comiam
carne e padeciam mal; e começarom de comer as carnes das bestas, e nom soomente os pobres e
minguados, mas grandes pessoas da cidade, lazerando, nom sabiam que fazer; e os geestos 5
mudados com fame, bem mostravom seus encubertos padecimentos. Andavom os moços de três e
quatro anos pedindo pam pela cidade por amor de Deos, como lhes ensinavam suas madres, e
20 muitos nom tiinham outra cousa que lhe dar senom lagrimas que com eles choravom que era triste
cousa de veer; e, se lhes davom tamanho pam come ũa noz, haviam-no por grande bem. Desfalecia
o leite aaquelas que tiinham crianças a seus peitos per mingua de mantiimento; e veendo lazerar 6
seus filhos, a que acorrer nom podiam, choravom ameúde sobr’eles a morte ante que os a morte
privasse da vida. Muitos esguardavom as prezes alheas com chorosos olhos, por comprir o que a
25 piedade manda, e nom teendo de que lhes acorrer, caíam em dobrada tristeza.
Toda a cidade era dada a nojo7, chea de mezquinhas querelas8, sem neuũ prazer que i houvesse:
uũs com gram mingua do que padeciam; outros havendo doo dos atribulados; e isto nom sem
razom, ca, se é triste e mezquinho o coraçom cuidoso nas cousas contrairas que lhe aviinr 9 podem,
veede que fariam aqueles que as continuadamente tam presentes tiinham?
30

Fernão Lopes. «Crónica de D. João I»

Glossário:

1. livras: libras (moedas de prata e de cobre); 2. soldos: moedas de ouro, prata e cobre; 3. alféloa: massa branca de melaço, em
ponto; 4. almogávares: soldados que assaltavam o acampamento inimigo para roubarem; 5. geestos: rostos; 6. lazerar: definhar;
7. nojo: sofrimento, tristeza; 8. mezquinhas querelas: tristes queixas; 9. aviinr: acontecer.

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Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem.

1. Com base no segundo parágrafo do texto, explicita como o sofrimento vivenciado na cidade abrange toda a
população.
2. Explica a intenção do cronista manifestada no último parágrafo, relacionando-a com o uso da interrogação retórica.
3. Identifica duas características do estilo e linguagem de Fernão Lopes, fundamentando a tua resposta com elementos
textuais pertinentes.

Grupo II

Se te dizem que faças o que quiseres, a primeira coisa que parece aconselhável é que penses com tempo e a fundo
o que é aquilo que queres. Apetecem-te com certeza muitas coisas, amiúde contraditórias, como acontece com
toda a gente: queres ter uma moto, mas não queres partir a cabeça no asfalto, queres ter amigos, mas sem perderes
a tua independência, queres ter dinheiro, mas não queres sujeitar-te ao próximo para o conseguires, queres saber
coisas e por isso compreendes que é preciso estudar, mas também queres divertir-te, queres que eu não te chateie
e te deixe viver à tua maneira, mas também que esteja presente para te ajudar quando necessitas disso, etc. Numa
palavra, se tivesses que resumir tudo isto e pôr sinceramente em palavras o teu desejo global e mais profundo,
dir-me-ias: «Olha, pai, o que eu quero é ter uma vida boa.» Bravo! O prémio para este senhor! Era isso mesmo o
meu conselho: quando te disse «faz o que quiseres», o que, no fundo, pretendia recomendar-te é que tivesses o
atrevimento de teres uma vida boa. (…) Queres ter uma vida boa: magnífico. Mas também queres que essa vida
boa não seja a vida boa de uma couve-flor ou de um escaravelho, com todo o respeito que tenho por ambas as
espécies, mas uma vida humana boa. É o que te interessa, creio eu. E tenho a certeza de que não renunciarias a
isso por nada deste mundo. Ser-se humano, já o vimos antes, consiste principalmente em ter relações com outros
seres humanos. Se pudesses ter muito, muito dinheiro, uma casa mais sumptuosa do que um palácio das mil e
uma noites, as melhores roupas, os alimentos mais requintados (…), as aparelhagens mais perfeitas, etc., mas
tudo isso à custa de não voltares a ver nem a ser visto – nunca – por um outro ser humano, ficarias satisfeito?
Quanto tempo poderias viver assim sem te tornares louco? Não será a maior das loucuras querermos as coisas à
custa da relação com as pessoas? Mas se justamente a graça de todas as coisas de que falámos assenta no facto de
te permitirem – ou parecerem permitir – relacionares-te mais favoravelmente com os outros! (…) Muito poucas
coisas conservam a sua graça na solidão; e se a solidão for completa e definitiva, todas as coisas se volvem
irremediavelmente amargas. A vida humana boa é vida boa entre seres humanos ou, caso contrário, pode ser que
seja ainda vida, mas não será nem boa nem humana.

Fernando Savater, Ética para um Jovem

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Selecione, em cada um dos itens de 1 a 7, a única alternativa que permite obter uma afirmação adequada ao
sentido do texto. Escreva, na folha de respostas, o número de cada item, seguido da letra que identifica a
alternativa correta.

1. A característica essencial da vida humana é, segundo o autor, a

(A) ambição.

(B) neutralidade.

(C) imparcialidade.

(D) comunicação.

2. O conceito de educação implícito nas palavras do autor poderá traduzir-se pelo princípio da (A) máxima
liberdade para a mínima responsabilidade.

(B) mínima liberdade para a maior responsabilidade.

(C) máxima liberdade para a máxima responsabilidade.

(D) mínima liberdade para a menor responsabilidade.

3. O significado de «amiúde» (linha 3) é

(A) casualmente.

(B) frequentemente.

(C) invariavelmente.

(D) esporadicamente.

4. Em «e te deixe viver» (linha 7), a anteposição do pronome «te» ao verbo decorre do facto de esta oração

(A) se integrar numa frase em discurso indireto.

(B) depender do advérbio «também» (linha 7).

(C) se inserir numa oração subordinada.

(D) pertencer a uma frase de forma negativa.

41
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5. Em «dir-me-ias» (linha 10), o pronome «me» ocorre em posição medial por se tratar de uma forma verbal no

(A) condicional.

(B) futuro do indicativo.

(C) imperativo.

(D) imperfeito do indicativo.

6. O uso de dois pontos (linha 11) justifica-se por

(A) anunciar uma enumeração.

(B) introduzir uma explicação.

(C) preceder uma citação.

(D) anteceder um discurso direto.

7. A expressão «pode ser que seja ainda vida» (linha 27) veicula um valor de

(A) obrigação.

(B) permissão.

(C) certeza.

(D) possibilidade.

9. Faça corresponder a cada segmento textual da coluna A um único segmento textual da coluna B, de
modo a obter uma afirmação adequada ao sentido do texto. Escreva, na folha de respostas, o número
do item e os números que identificam os cinco segmentos textuais da coluna A, cada um destes seguido
da alínea da coluna B que lhe corresponde.

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GRUPO III
Elabore uma reflexão sobre a sociedade dos nossos dias, partindo da perspetiva exposta no excerto a
seguir transcrito.

Fundamente o seu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustre cada um deles com,
pelo menos, um exemplo significativo. Escreva um texto, devidamente estruturado, de duzentas a
trezentas palavras.

«A aparência vai tomando conta até da vida privada das pessoas. Não importa ter uma existência nula,
desde que se tenha uma aparência de apropriação dos bens de consumo mais altamente valorizados.»

Agustina Bessa-Luís, Dicionário Imperfeito, Lisboa, Guimarães Editores, 2008

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Proposta 9

Grupo I

Lê o excerto e responde de forma estruturada ao que te é pedido.

A espantosa realidade das coisas

A espantosa realidade das coisas


É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.

Basta existir para se ser completo.

Tenho escrito bastantes poemas.


Hei-de escrever muitos mais, naturalmente.
Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada coisa que há é uma maneira de dizer isto.

Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.


Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada,
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

Outras vezes oiço passar o vento,


E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;


Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem esforço,
Nem ideia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos,
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

Uma vez chamaram-me poeta materialista,


E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer coisa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.

“Poemas Inconjuntos”. In Poemas de Alberto Caeiro.

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Preparação para exames - fichas

1. Explique, de acordo com as quatro primeiras estrofes do poema, em que consiste a «espantosa realidade das
coisas» (v. 1).

2. Refira dois sentimentos que a descoberta da «espantosa realidade das coisas» (v. 1) provoca no sujeito
poético, justificando a resposta com citações pertinentes.

3. Explicite o modo como o sujeito poético define a sua poesia ao longo do poema.

4. Indique um dos valores expressivos das anáforas presentes na quarta estrofe do poema, fundamentando a
sua resposta

Leia, atentamente, o seguinte texto.

Amava Simão uma sua vizinha, menina de quinze anos, rica herdeira, regularmente bonita e bem-nascida. Da
janela do seu quarto é que ele a vira a primeira vez, para amá-la sempre. Não ficara ela incólume da ferida que
fizera no coração do vizinho: amou-o também, e com mais seriedade que a usual nos seus anos.

Os poetas cansam-nos a paciência a falarem do amor da mulher aos quinze anos, como paixão perigosa, única e
inflexível. Alguns prosadores de romances dizem o mesmo. Enganam-se ambos. O amor aos quinze anos é uma
brincadeira; é a última manifestação do amor às bonecas; é tentativa da avezinha que ensaia o voo fora do ninho,
sempre com os olhos fitos na ave-mãe, que está da fronde próxima chamando: tanto sabe a primeira o que é amar
muito, como a segunda o que é voar para longe.

Teresa de Albuquerque devia ser, porventura, uma excepção no seu amor.

O magistrado e sua família eram odiosos ao pai de Teresa, por motivos de litígios, em que Domingos Botelho lhes
deu sentenças contra. Afora isso, ainda no ano anterior dois criados de Tadeu de Albuquerque tinham sido feridos
na celebrada pancadaria da fonte. É, pois, evidente que o amor de Teresa, declinando de si o dever de obtemperar
e sacrificar-se ao justo azedume de seu pai, era verdadeiro e forte.

E este amor era singularmente discreto e cauteloso. Viram-se e falaram-se três meses, sem darem rebate à
vizinhança, e nem sequer suspeitas às duas famílias. O destino que ambos se prometiam era o mais honesto: ele
ia formar-se para poder sustentá-la, se não tivessem outros recursos; ela esperava que seu velho pai falecesse
para, senhora sua, lhe dar, com o coração, o seu grande património.

Espanta discrição tamanha na índole de Simão Botelho, e na presumível ignorância de Teresa em coisas materiais
da vida, como são um património! Na véspera da sua ida para Coimbra, estava Simão Botelho despedindo-se da
suspirosa menina, quando subitamente ela foi arrancada da janela. O alucinado moço ouviu gemidos daquela
voz que, um momento antes, soluçava comovida por lágrimas de saudade. Ferveu- -Ihe o sangue na cabeça;

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contorceu-se no seu quarto como o tigre contra as grades inflexíveis da jaula. Teve tentações de se matar, na
impotência de socorrê-la. As restantes horas daquela noite passou-as em raivas e projectos de vingança. Com o
amanhecer esfriou- -lhe o sangue e renasceu a esperança com os cálculos.

Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição

Notas: celebrada pancadaria (l. 14): briga em que Simão se envolveu, descrita no início da obra. Domingos Botelho
(l. 13): pai de Simão, também referido no excerto como «magistrado» (l. 12). fronde (l. 9): folhagem, copa de árvore.
obtemperar (l. 15): obedecer. património (ll. 21 e 23): conjunto dos bens de família, transmitidos por herança.
Tadeu de Albuquerque (l. 14): pai de Teresa, inimigo de Domingos Botelho por este ter proferido sentenças que
lhe foram desfavoráveis.

10. Indique, com base no texto, cinco dos traços caracterizadores de Teresa.
11. Explicite dois dos valores expressivos das imagens presentes na seguinte afirmação: «é tentativa da
avezinha que ensaia o voo fora do ninho, sempre com os olhos fitos na ave-mãe, que está da fronde
próxima chamando».
12. Descreve a relação existente entre Simão e Teresa, com base nos cinco primeiro parágrafos do
excerto».
13. Atente nas alterações do modo de representação do tempo que ocorrem no último parágrafo,
relativamente aos parágrafos anteriores. Identifique uma dessas alterações, analisando os efeitos de
sentido produzidos.
Grupo II

O termo «imagem» é tão utilizado, com tantos significados sem ligação aparente, que parece muito difícil
apresentar uma definição simples e que abarque todas as maneiras de a empregar. De facto, numa primeira
abordagem, o que haverá de comum entre um desenho de uma criança, um filme, uma pintura rupestre ou
impressionista, um graffiti, um cartaz, uma imagem mental, uma imagem de marca, uma imagem verbal e por aí
fora? O mais notável é que, apesar da diversidade dos significados desta palavra, compreendemo-la.
Compreendemos que ela designa algo que, embora não remetendo sempre para o visível, toma de empréstimo
alguns traços ao visual e, em todo o caso, depende da produção de um sujeito: imaginária ou concreta, a imagem
passa por alguém que a produz ou a reconhece.

O uso contemporâneo da palavra «imagem» remete, a maior parte das vezes, para a imagem mediática. A imagem
invasora, a imagem omnipresente, aquela que criticamos e que faz ao mesmo tempo parte da vida quotidiana de
cada um é a imagem mediática. Anunciada, comentada, adulada ou vilipendiada pelos próprios media, a imagem
torna-se então sinónimo de televisão e de publicidade.

Empregamos também o termo «imagem» para falar de certas atividades psíquicas tais como as representações
mentais, o sonho, etc. A imagem mental corresponde à impressão que temos quando, por exemplo, lemos ou

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Preparação para exames - fichas

ouvimos a descrição de um lugar, à impressão de o ver quase como se lá estivéssemos. Uma representação mental
é elaborada de um modo quase alucinatório e parece pedir emprestadas as suas características à visão. Vê-se.

A proliferação de usos da palavra «imagem» não dá, todavia, conta daquilo que se designa, muitas vezes a medo,
como «a proliferação das imagens». Na vida quotidiana, a televisão propõe cada vez mais emissões e oferece a
oportunidade de utilizar numerosos jogos vídeo, que incluem imagens, mesmo que rudimentares. Também o
computador permite utilizar imagens graças a programas de criação de imagens ou de simulações visuais. Mas
haver uma multiplicação de ecrãs é uma coisa; que eles sejam sinónimos de imagem e apenas imagem é outra
coisa. O som e a escrita, por exemplo, têm também o seu lugar (e não dos menos importantes) nos ecrãs.

Martine Joly, Introdução à Análise da Imagem

1. Para responder a cada um dos itens de 1.1. a 1.7., selecione a única opção que permite obter uma afirmação
correta. Escreva, na folha de respostas, o número de cada item e a letra que identifica a opção escolhida.

1.1. De acordo com o primeiro parágrafo do texto, a compreensão da palavra «imagem» é possível porque, entre
outras razões, todos os seus significados

(A) se dissociam completamente do mundo visível.

(B) são equivalentes uns aos outros.

(C) pressupõem a existência de um sujeito.

(D) se associam ao mundo mediático.

1.2. Em relação à expressão «atividades psíquicas» (linha 15), a referência ao «sonho» (linha 16) constitui

(A) um exemplo.

(B) uma consequência.

(C) uma comparação.

(D) uma definição.

1.3. Para pôr em causa a associação entre «proliferação das imagens» (linha 21) e «multiplicação de ecrãs» (linha
25), a autora refere que

(A) os ecrãs utilizam vários tipos de imagens.

(B) o uso da palavra «imagem» é excessivo.

(C) os ecrãs utilizam vários tipos de linguagens.

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(D) o uso das imagens anula o som e a escrita.

1.4. No último período do primeiro parágrafo, o uso dos dois pontos introduz

(A) uma citação.

(B) uma enumeração.

(C) uma frase no discurso direto.

(D) uma explicação.

1.5. Com o uso da locução «mesmo que» (linha 23), introduz-se um valor de

(A) adição.

(B) concessão.

(C) causa.

(D) alternativa.

1.6. A utilização da expressão «De facto» (linha 3) contribui para a coesão

(A) lexical.

(B) frásica.

(C) interfrásica.

(D) temporal.

1.7. O ato ilocutório presente em «O uso contemporâneo da palavra “imagem” remete, a maior parte das vezes,
para a imagem mediática.» (linhas 10 e 11) é

(A) declarativo.

(B) compromissivo.

(C) diretivo.

(D) assertivo.

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2. Responda de forma correta aos itens apresentados.

2.1. Identifique a função sintática desempenhada pelo pronome relativo presente em «a imagem passa por alguém
que a produz ou a reconhece.»

2.2. Identifique o tipo de deixis assegurado pelo advérbio «lá».

2.3. Classifique a oração «que incluem imagens».

GRUPO III

Num texto bem estruturado, com um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas palavras, apresente uma
reflexão sobre a importância da imagem no mundo contemporâneo. Fundamente o seu ponto de vista recorrendo,
no mínimo, a dois argumentos e ilustre cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo.

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Proposta 10

Grupo I

Lê o excerto e responde de forma estruturada ao que te é pedido.

Na casa defronte de mim e dos meus sonhos,

Na casa defronte de mim e dos meus sonhos,


Que felicidade há sempre!

Moram ali pessoas que desconheço, que já vi mas não vi.


São felizes, porque não são eu.

As crianças, que brincam às sacadas altas,


Vivem entre vasos de flores,
Sem dúvida, eternamente.

As vozes, que sobem do interior do doméstico,


Cantam sempre, sem dúvida.
Sim, devem cantar.

Quando há festa cá fora, há festa lá dentro.


Assim tem que ser onde tudo se ajusta —
O homem à Natureza, porque a cidade é Natureza.

Que grande felicidade não ser eu!

Mas os outros não sentirão assim também?


Quais outros? Não há outros.
O que os outros sentem é uma casa com a janela fechada,
Ou, quando se abre,
É para as crianças brincarem na varanda de grades,
Entre os vasos de flores que nunca vi quais eram.

Os outros nunca sentem.


Quem sente somos nós,
Sim, todos nós,
Até eu, que neste momento já não estou sentindo nada.

Nada? Não sei...


Um nada que dói...

Poesias de Álvaro de Campos.

Sacadas – varandas pequenas

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Lê o texto que se segue e responde às questões apresentadas.

(…) Quando Afonso da Maia, Vilaça e o abade recolheram do seu passeio pela freguesia, escurecera, havia
luzes pelas salas, e tinham chegado já as Silveiras, senhoras ricas da Quinta da Lagoaça.

D. Ana Silveira, a solteira e mais velha, passava pela talentosa da família, e era em pontos de doutrina e
etiqueta uma grande autoridade em Resende. A viúva, D. Eugénia, limitava-se a ser uma excelente e pachorrenta
senhora, de agradável nutrição, trigueirota e pestanuda; tinha dois filhos, a Teresinha, a noiva de Carlos, uma
rapariguinha magra e viva com cabelos negros como tinta, e o morgadinho, o Eusebiozinho, uma maravilha muito
falada naqueles sítios.

Quase desde o berço este notável menino revelara um edificante amor por alfarrábios e por todas as coisas
do saber. Ainda gatinhava e já a sua alegria era estar a um canto, sobre uma esteira, embrulhado num cobertor,
folheando in-fólios com o craniozinho calvo de sábio curvado sobre as letras garrafais da boa doutrina; e depois
de crescidinho tinha tal propósito que permanecia horas imóvel numa cadeira, de perninhas bambas, esfuracando
o nariz: nunca apetecera um tambor ou uma arma: mas cosiam-lhe cadernos de papel, onde o precoce letrado,
entre o pasmo da mamã e da titi, passava dias a traçar algarismos, com a linguazinha de fora.

(…) O administrador, sentado agora à borda de uma cadeira, esboçou uma risadinha muda; depois ficou
calado, olhando Afonso, com as mãos nos joelhos, como esquecido e vago.

Ia abrir os lábios, hesitou ainda, tossiu de leve; e continuou a seguir pensativamente as faíscas que erravam sobre
as achas.

Afonso da Maia, no entanto, com as pernas estiradas para o lume, recomeçara a falar do Silveirinha. Tinha
três ou quatro meses mais que Carlos, mas estava enfezado, estiolado, por uma educação à portuguesa: daquela
idade ainda dormia no choco com as criadas, nunca o lavavam para o não constiparem, andava couraçado de
rolos de flanelas! Passava os dias nas saias da titi a decorar versos, páginas inteiras do Catecismo de Perseverança.
Ele por curiosidade um dia abrira este livreco e vira lá, «que o sol é que anda em volta da terra (como antes de

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Galileu), e que Nosso Senhor todas as manhãs dá as ordens ao sol, para onde há de ir e onde há de parar etc., etc.»
E assim lhe estavam arranjando uma almazinha de bacharel...

Vilaça teve outra risadinha silenciosa. Depois, como subitamente decidido, ergueu-se, fez estalar os
dedos, disse estas palavras:

– V. Ex.ª sabe que apareceu a Monforte?

Afonso, sem mover a cabeça, reclinado para as costas da poltrona, perguntou tranquilamente, envolvido
no fumo do cachimbo:

– Em Lisboa?

– Não senhor, em Paris. Viu-a lá o Alencar, esse rapaz que escreve, e que era muito de Arroios... Esteve
até em casa dela.

E ficaram calados.

Os Maias, Eça de Queiroz (cap. III)

1. Situa o excerto que acabaste de ler, considerando as duas grandes linhas narrativas que estruturam o romance
e a sua organização temporal.

2. Caracteriza esta educação à portuguesa aplicada a Eusebiozinho.

3. Verifica como o narrador faz uma caricatura de Eusebiozinho e refere, exemplificando, o/s processo/s de estilo
a que recorre.

4. E ficaram calados. (l. 38)

4.1 Explicita este silêncio das duas personagens. Repara no comportamento do Vilaça neste excerto e
lembra a ação da obra na sua globalidade.

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Grupo II

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Proposta 11

Grupo I

Lê o excerto e responde de forma estruturada ao que te é pedido.

O amor, quando se revela,

O amor, quando se revela,


Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente


Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,


Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;


Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe


O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
Fernando Pessoa in Poesia

1. Explique uma das relações de sentido que é possível estabelecer entre o verso «Mas não lhe sabe falar» e
os versos da mesma estrofe.
2. Explica o sentido dos versos «Fala: parece que mente/Cala: parece esquecer…”
3. Explicite um dos valores expressivos da exclamação da terceira quadra.
4. Identifique, nas duas primeiras estrofes, duas expressões que mostrem as consequências/ dificuldades
da expressão dos sentimentos.

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Lê, atentamente, o seguinte texto.

Pero Homem que vai aonde eu vou quem me fez seu namorado.
não se deve de correr. 40 Parece moça de bem,
Ria embora quem quiser, E eu de bem, er também.
que eu em meu siso estou. Ora vós er ide vendo
5 Não sei onde mora aqui… se lhe vem milhor ninguém,
olhai que m'esquece a mi! a segundo o que eu entendo.
Eu creo que nesta rua…
E esta parreira é sua. 45 Cuido que lhe trago aqui
Já conheço que é aqui. peras da minha pereira…
Hão de estar na derradeira.
10 Chega Pero Marques aonde elas Tende ora, Inês, per i.
estão, e diz: Inês E isso hei de ter na mão?
50 Pero Deitae as peas no chão.
Pero Digo que esteis muito embora. Inês As perlas pera enfiar…
Folguei ora de vir cá… Três chocalhos e um novelo…
Eu vos escrevi de lá E as peias no capelo…
15 uma cartinha, senhora… E as peras? Onde estão?
E assi que de maneira…
Mãe Tomai aquela cadeira. 55 Pero Nunca tal me aconteceu!
Pero E que val aqui uma destas? Algum rapaz m'as comeu…
Inês (Ó Jesus! Que João das bestas! que as meti no capelo,
20 Olhai aquela canseira!) e ficou aqui o novelo,
e o pentem não se perdeu.
Assentou-se com as costas pera elas, e 60 Pois trazia-as de boa mente…
diz: Inês Fresco vinha aí o presente
com folhinhas borrifadas!
Pero Eu cuido que não estou bem… Pero Não, que elas vinham chentadas
Mãe Como vos chamais, amigo? cá em fundo no mais quente.
25 Pero Eu Pero Marques me digo,
como meu pai que Deos tem. 65 Vossa mãe foi-se? Ora bem…
Faleceu, perdoe-lhe Deos, Sós nos deixou ela assi?…
que fora bem escusado, Cant'eu quero-me ir daqui,
e ficamos dous eréos. não diga algum demo alguém…
30 Porém meu é o mor gado.
Mãe De morgado é vosso estado? Inês Vós que me havíeis de fazer?
Isso viria dos céus. 7 Nem ninguém que há de dizer?
Pero Mais gado tenho eu já quanto, 0 (O galante despejado!).
e o mor de todo o gado, Pero Se eu fora já casado,
35 digo maior algum tanto. D'outra arte havia de ser
E desejo ser casado, Como homem de bom recado.
prouguesse ao Espírito Santo,
com Inês, que eu me espanto

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75 Inês (Quão desviado este está! escarnefucham de vós!


Todos andam por caçar Creo que lá fica a pea…
suas damas sem casar 100 Pardeus! Bô ia eu à aldeia!
e este… tomade-o lá!).
Pero Vossa mãe é lá no muro? (Voltando atrás)
80 Inês Minha mãe eu vos seguro
que ela venha cá dormir. Senhora, cá fica o fato?
Pero Pois, senhora, eu quero-me ir Inês Olhai se o levou o gato…
antes que venha o escuro. Pero Inda não tendes candea?
Inês E não cureis mais de vir. 105 Ponho per cajo que alguém
85 Pero Virá cá Lianor Vaz, vem como eu vim agora,
veremos que lhe dizeis… e vos acha só a tal hora:
Inês Homem, não aporfieis, parece-vos que será bem?
que não quero, nem me apraz. Ficai-vos ora com Deos:
Ide casar a Cascais. 110 çarrai a porta sobre vós
90 Pero Não vos anojarei mais, com vossa candeazinha.
ainda que saiba estalar; E sicais sereis vós minha,
e prometo não casar entonces veremos nós…
até que vós não queirais.
Gil Vicente. Farsa de Inês Pereira.
(Pero vai-se, dizendo:)

95 Estas vos são elas a vós:


anda homem a gastar calçado,
e quando cuida que é aviado,

Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem.
1. Caracteriza a personagem de Pero Marques, fundamentando a tua resposta com expressões textuais.
2. Refere um exemplo de cómico de situação, avaliando o seu contributo para a caracterização da personagem de Pero
Marques.
3. Identifica o recurso expressivo presente no verso “(O galante despejado!)” (v. 67), explicitando um efeito de sentido.

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Grupo II

Lê, atentamente, o texto seguinte.

CIENTISTAS MERGULHAM À PROCURA DOS SEGREDOS DAS GRUTAS DE SAGRES


Biólogos da Universidade do Algarve estão a explorar a biodiversidade e a geologia das cavernas
marinhas. […] Têm em vista a conservação destes habitats.

Biodiversidade

Marisa Soares

Na Catedral não se reza. Mergulha-se de lanterna em punho à procura de corais, esponjas, crustáceos
e peixes, e tiram-se medidas às rochas, numa espécie de raio-x subaquático. Nesta gruta da costa de
Sagres ainda se escondem muitos segredos e há um grupo de investigadores da Universidade do
Algarve (UAlg) que quer desvendá-los.
5 João Rodrigues é um dos responsáveis por esta “caça ao tesouro”. O biólogo marinho da UAlg,
especialista em grutas, é o autor do Projeto sobre a Vida nas Grutas Marinhas, que envolve mais três
investigadores. O objetivo é mapear a biodiversidade e a geologia de grutas marinhas, com vista à
conservação destes habitats de difícil acesso, sobre os quais se sabe ainda muito pouco.
Em Sagres vão ser estudadas três grutas: depois da Catedral, os cientistas vão mergulhar na caverna
10 conhecida como Segredo do Segredo e no Queijo Suíço. Mas o projeto que dura três anos, prevê também o
estudo das grutas marinhas das costas irlandesa e italiana, para comparar resultados.
Se a maré estiver baixa, a entrada para a Catedral vê-se do barco. Esta é uma gruta escavada no fundo
da falésia, com túneis e galerias completamente submersas (com profundidade máxima de 16 metros e
outras em que o teto – de onde escorrem estalactites que parecem chocolate derretido – está a cerca de
15 15 metros da superfície da água.
[…]
Com esta exploração, os cientistas da UAlg querem responder a várias perguntas sobre a formação
daquele espaço (que terá ocorrido há cerca de 18 mil anos) e as espécies que nele habitam – algumas
eventualmente desconhecidas para a comunidade científica e outras que usam a gruta como berçário.
20 “Se encontrarmos espécies em vias de extinção, ou cuja população esteja a decrescer devido a pesca
ilegal que continua a fazer-se nesta área protegida, proporemos medidas especiais de conservação”,
exemplifica João Rodrigues.
Os cientistas vão também procurar água doce, uma vez que foram já identificadas zonas de haloclina –
nome dado à mistura entre água doce e salgada. A equipa de João Rodrigues ainda não sabe qual a origem
25 desta água doce, mas acredita que poderá localizar o aquífero durante a investigação. […]

Público, 11 de julho de 2014.

1. Para responder a cada um dos itens, seleciona a única opção que permite obter uma afirmação correta.

Escreve, na folha de respostas, o número de cada item e a letra que identifica a opção escolhida.

1.1. A finalidade do texto é


(A) apreciar as grutas da costa de Sagres.
(B) explicar a biodiversidade das grutas subaquáticas.

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(C) divulgar uma investigação científica.


(D) relatar os procedimentos de exploração subaquática das grutas.

1.2. No contexto em que ocorre a expressão «caça ao tesouro» (l. 5) significa que João Rodrigues é responsável pela
(A) definição de itinerários que conduzem à Catedral.
(B) dinamização de visitas turísticas a Sagres.
(C) pesquisa da fascinante biodiversidade da Catedral.
(D) descoberta de riquezas escondidas na gruta Catedral.

1.3. Relativamente ao conteúdo do texto, o último parágrafo apresenta uma


(A) síntese.
(B) exemplificação.
(C) explicação.
(D) informação nova.

1.4. Com a afirmação “de onde escorrem estalactites que parecem chocolate derretido” (l. 14) a autora recorre a
(A) metáfora.
(B) comparação.
(C) personificação.
(D) ironia.

1.5. Os processos de formação das palavras “biodiversidade” (l. 7) e “berçário” (l. 20) são, respetivamente,
(A) composição e extensão semântica.
(B) derivação e composição.
(C) derivação e amálgama.
(D) composição e derivação.

1.6. O segmento “daquele espaço” da frase “os cientistas da UAlg querem responder a várias perguntas sobre a
formação daquele espaço” (ll. 16-17) desempenha a função sintática de
(A) complemento oblíquo.
(B) predicativo do complemento direto.
(C) complemento do nome.
(D) modificador.

1.7. Os sujeitos das duas orações que constituem a frase “proporemos medidas especiais de conservação, exemplifica
João Rodrigues” (ll. 21-22) são respetivamente,
(A) nulo subentendido e “medidas especiais de conservação”.
(B) nulo subentendido nas duas orações.
(C) nulo subentendido e “João Rodrigues”.
(D) “medidas especiais de conservação” e “João Rodrigues”.

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2. Responde aos itens apresentados.


2.1. Com base no primeiro parágrafo (ll. 1-4), constrói o campo lexical relativo a biodiversidade.
2.2. Divide e classifica as orações da seguinte frase “Os cientistas vão também procurar água doce, uma vez que foram
já identificadas zonas de haloclina – nome dado à mistura entre água doce e salgada.” (ll. 23-24).
2.3. Tendo em conta o primeiro e o último parágrafos do texto, dá o exemplo de duas palavras cujo étimo latino é aqua
(água), explicitando o seu significado.

GRUPO III
O papel desempenhado pela mulher na sociedade, ao longo dos tempos, tem sofrido alterações.
Num texto bem estruturado, com um mínimo de cento e oitenta e um máximo de duzentas e cinquenta palavras, redige
uma exposição sobre o papel desempenhado pela mulher na atualidade.

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Proposta 12

Grupo I

Lê o excerto e responde de forma estruturada ao que te é pedido.

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88 90
Assi a fermosa e a forte companhia Que as imortalidades que fingia
O dia quase todo estão passando A antiguidade, que os Ilustres ama,
Nũa alma, doce, incógnita alegria, Lá no estelante Olimpo3, a quem subia
Os trabalhos tão longos compensando; 20 Sobre as asas ínclitas da Fama,
5 Porque dos feitos grandes, da ousadia Por obras valerosas que fazia,
Forte e famosa, o mundo está guardando Pelo trabalho imenso que se chama
O prémio lá no fim, bem merecido, Caminho da virtude, alto e fragoso,
Com fama grande o nome alto e subido. Mas, no fim, doce, alegre e deleitoso,

89 91
Que as Ninfas do Oceano, tão fermosas, 25 Não eram senão prémios que reparte,
10 Tétis e a Ilha angélica pintada, Por feitos imortais e soberanos,
Outra cousa não é que as deleitosas O mundo cos varões que esforço e arte
Honras que a vida fazem sublimada1. Divinos os fizeram, sendo humanos.
Aquelas preminências2 gloriosas, Que Júpiter, Mercúrio, Febo e Marte,
Os triunfos, a fronte coroada 3 Eneas e Quirino e os dous Tebanos4,
15 De palma e louro, a glória e maravilha, 0 Ceres, Palas e Juno com Diana,
Estes são os deleites desta Ilha. Todos foram de fraca carne humana.

Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto IX.

Glossário:

1. sublimada: ilustre, célebre; 2. preminências (por preeminências): distinções, superioridades, honrarias,


louros, prémios; 3. no estelante Olimpo: na brilhante morada dos deuses; 4. os dous Tebanos – Hércules e
Baco.

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Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem.
1. Tendo em conta as palavras do poeta, explicita o significado da Ilha, fundamentando a tua resposta com expressões
textuais.
2. Mostra como nestas estâncias está presente a mitificação do herói.
3. Identifica o recurso expressivo presente em “… que esforço e arte / Divinos os fizeram, sendo humanos.” (est. 91,
vv. 3-4), explicitando um efeito de sentido.

Lê a estância 144, do Canto X, de Os Lusíadas.

144
Assi foram cortando o mar sereno,
Com vento sempre manso e nunca irado,
Até que houveram vista do terreno
Em que naceram, sempre desejado.
5 Entraram pela foz do Tejo ameno,
E a sua pátria e Rei temido e amado
O prémio e glória dão por que mandou,
E com títulos novos se ilustrou.

4. Refere os sentimentos vividos pelos navegadores portugueses no momento para que a estância remete.
5. Mostra como esta estância traduz o caráter épico de Os Lusíadas.

GRUPO II
Lê, atentamente, o texto seguinte.

Galileu Galilei

O pai da ciência moderna é uma das figuras mais influentes


da história. Os astrónomos de hoje devem muito a Galileu.

Se tivesse vivido no final do século XVI/ início do XVII,


Galileu teria desafiado, se não mudado, a forma como
5 encarava o mundo. Os seus estudos das leis que ditam o
movimento, a força dos materiais e a própria natureza do
método científico de então abriram caminho para progressos
científicos nos séculos seguintes. Contudo, ficou mais
conhecido por defender o sistema heliocêntrico; tão seguro
10 que estava na sua opinião, mesmo ante uma oposição
punitiva, que a comunidade científica foi obrigada a
reexaminar as suas crenças.
O mundo em que Galileu nasceu em 1564 foi tanto uma
bênção para a sua carreira como um obstáculo. Por um lado, génios renascentistas contemporâneos
15 como Nicolau Copérnico e Leonardo da Vinci já haviam provado a transição entre as definições
extensíveis das ciências. Itália era um centro próspero para artistas, exploradores, matemáticos,

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escritores, inventores, etc.; as ideias disseminavam-se com uma liberdade sem precedentes e novos
conceitos borbulhavam de crenças arcaicas, abalando teorias de então que não eram desafiadas há
centenas de anos.
20 Por outro lado, Galileu era um antagonista tenaz que vivia em Pisa, Itália, numa era em que o poder
político de Roma ainda era muito forte e a censura religiosa era corrente. A sua contenda com o Vaticano
ditou as últimas décadas da sua vida, pondo talvez um fim prematuro às descobertas estelares de
Galileu. […]
Galileu tem sido tão frequentemente associado ao telescópio que lhe é vulgarmente atribuída a sua
25 invenção, o que não é verdade. O telescópio foi inventado nos Países Baixos, em 1608, revelando-se crítico
tanto para a carreira de Galileu como para a ciência. Galileu descobriu como aumentar drasticamente a
ampliação do telescópio através do polimento de lentes e, em agosto de 1609, apresentou o seu design
melhorado ao Senado Veneziano. Este ficou tão impressionado com a sua reinvenção que lhe duplicou
imediatamente o salário e tornou vitalícia a sua ocupação da cátedra1 de matemática. Esta invenção foi
30 também o que permitiu a Galileu atingir a sua magnum opus2.
Com um telescópio que ampliava o céu até 20 vezes, Galileu pôde discernir com um detalhe sem
precedentes objetos celestes como a Lua, cuja superfície descobriu estar cheia de crateras, em vez de ser
perfeitamente lisa. Conseguiu ainda distinguir quatro satélites a orbitar Júpiter. Isto desafiou
abertamente o pensamento aristotélico contemporâneo, segundo o qual a Terra era um corpo celeste
35 imperfeito e corrupto rodeado pelos céus imutáveis. Na verdade, a Lua e os planetas giravam à volta
do Sol, que era o centro do Universo conhecido, e havia mais que um centro de movimento neste
Universo. Este apoio revolucionário ao heliocentrismo de Copérnico deixou Galileu malvisto ante o
Vaticano. Depois de enfrentar a Inquisição em Roma, foi sentenciado a prisão domiciliária perpétua –
uma pena relativamente branda numa era em que a heresia era geralmente punida com tortura, prisão
40 ou morte.
Galileu continuou o seu trabalho em segredo e até conseguiu que um livro vitalmente importante
resumindo a sua investigação – Duas Novas Ciências – passasse para fora de Itália e fosse publicado nos
Países Baixos, antes de morrer em 1642.

45

Quero Saber; 29 de fevereiro de 2013.


Glossário:

1. cátedra: cadeira de professor, cargo, professor encarregado da orientação pedagógica e científica de


uma disciplina (cadeira); 2. magnum opus: grande obra; refere-se à melhor, mais popular ou renomada
obra de um artista.

1. Para responderes a cada um dos itens, seleciona a única opção que permite obter uma afirmação correta.

Escreve, na folha de respostas, o número de cada item e a letra que identifica a opção escolhida.

1.1. A finalidade do texto é


(A) mostrar a contribuição de Galileu Galilei para a ciência moderna, nomeadamente na astronomia.
(B) divulgar o nome de um dos maiores influentes investigadores da ciência moderna.
(C) apresentar as repercussões das investigações de Galileu na sociedade do seu tempo.
(D) clarificar a teoria heliocêntrica defendida por Galileu.

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1.2. A afirmação ”O mundo em que Galileu nasceu em 1564 foi tanto uma bênção para a sua carreira como um
obstáculo” (l. 12-13) significa que
(A) o confronto com os obstáculos permitiu a Galileu o sucesso de muitas das suas investigações.
(B) as condições do mundo em que Galileu viveu foram simultaneamente benéficas e desfavoráveis ao
desenvolvimento da sua carreira como investigador.
(C) os apoios concedidos nem sempre beneficiaram a sua investigação; bem pelo contrário, foram redutores da
sua liberdade de ação.
(D) o autor refere, ironicamente, que as condições do mundo em que Galileu viveu facilitaram mais a investigação
do que a limitaram.
1.3. Com a afirmação “novos conceitos borbulhavam de crenças arcaicas” (ll. 16-17) o autor recorre a
(A) anástrofe.
(B) comparação.
(C) personificação.
(D) metáfora.

1.4. O segmento “do telescópio” (l. 25) da frase “descobriu como aumentar drasticamente a ampliação do telescópio”
(ll. 24-25) desempenha a função sintática de
(A) complemento oblíquo.
(B) modificador do nome restritivo.
(C) complemento do nome.
(D) modificador.

1.5. Considerando o seu processo de formação, a palavra “design” (l. 26) é


(A) uma truncação.
(B) um empréstimo.
(C) uma amálgama.
(D) um acrónimo.

1.6. As palavras “cátedra” (l. 27) e cadeira cujo étimo latino é cathedra – chegaram à língua portuguesa, respetivamente,
por via
(A) popular e erudita.
(B) erudita e popular.
(C) erudita e empréstimo.
(D) empréstimo e erudita.

1.7. A frase “que era o centro do Universo conhecido” (l. 34) é uma oração
(A) subordinada adverbial causal.
(B) subordinada adjetiva relativa restritiva.
(C) subordinada substantiva completiva.

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(D) subordinada adjetiva relativa explicativa.

2. Responde aos itens apresentados.


2.1. Constrói um campo semântico constituído por um conjunto de quatro significados que a palavra “lua” adquire em
diferentes contextos.
2.2. Divide e classifica as orações da seguinte frase “Galileu tem sido tão frequentemente associado ao telescópio que
lhe é vulgarmente atribuída a sua invenção” (ll. 22-23).
2.3. Secretu é o étimo latino de “segredo” (l. 39).
Identifica o fenómeno fonológico que esteve na base da evolução da palavra “segredo” (secretu>segredo).

GRUPO III

Faz a síntese do texto apresentado no Grupo II, constituído por quinhentas e trinta e uma palavras, num texto de
cento e vinte a cento e quarenta palavras.

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Proposta 13

Grupo I

Lê o excerto e responde de forma estruturada ao que te é pedido.

Ricardo Reis dissera ao gerente, Mande-me o pequeno-almoço ao quarto, às nove e meia, não que
pensasse dormir até tão tarde, era para não ter de saltar da cama estremunhado, a procurar enfiar os
braços nas mangas do roupão, a tentear os chinelos, com a impressão pânica de não ser capaz de mexer-
se tão depressa quanto era merecedora a paciência de quem lá fora sustentasse nos braços ajouja-
dos a grande bandeja com o café e o leite, as torradas, o açucareiro, talvez uma compota de cereja ou
laranja, ou uma fatia de marmelada escura, granulosa, ou pão de ló, ou vianinhas de côdea fina, ou
5 arrufadas, ou fatias paridas, essas sumptuosas prodigalidades de hotel, se o Bragança as usa, a ver
vamos, que este é o primeiro pequeno-almoço de Ricardo Reis desde que chegou. Em ponto, garantira
Salvador, e não garantira em vão, que pontualmente está Lídia batendo à porta, dirá o bom observador
que é isso impossível para quem ambos os braços tem ocupados, muito mal estaríamos nós de servos
se os não escolhêssemos entre os que têm três braços ou mais, é o caso desta vossa criada, que sem
entornar uma gota de leite consegue bater suavemente com os nós dos dedos na porta, continuando a
mão desses dedos a segurar a bandeja, será preciso ver para acreditar, e ouvi-la, O pequeno-almoço do
senhor doutor, foi ensinada a dizer assim, e, embora mulher nascida do povo, tão inteligente é que não
10 esqueceu até hoje. Se esta Lídia não fosse criada, e competente, poderia ser, pela amostra, não menos
excelente funâmbula, malabarista ou prestidigitadora, génio adequado tem ela para a profissão, o que
é incongruente, sendo criada, é chamar-se Lídia, e não Maria. Está já composto Ricardo Reis de vestuá-
rio e modos, barba feita, roupão cingido, abriu mesmo meia janela para arejar o quarto, aborrece os
odores noturnos, aquelas expansões do corpo a que nem poetas escapam. Entrou enfim a criada, Bom
dia, senhor doutor, e foi pousar a bandeja, menos prodigamente oferecendo do que se imaginara, mas
mesmo assim merece o Bragança nota de distinção, não admira que tenha tão constantes hóspedes,
alguns não querem outro hotel quando vêm a Lisboa. Ricardo Reis retribui a salvação, agora diz, Não,
15 muito obrigado, não quero mais nada, é a resposta à pergunta que uma boa criada sempre fará, Deseja
mais alguma coisa, e, se lhe dizem que não, deve retirar-se discretamente, se possível recuando, voltar
as costas seria faltar ao respeito a quem nos paga e faz viver, mas Lídia, instruída para duplicar as aten-
ções, diz, Não sei se o senhor doutor já reparou que há cheia no Cais do Sodré, os homens são assim,
têm um dilúvio ao pé da porta e não dão por ele, dormiram a noite toda de um sono, se acordaram e
ouviram cair a chuva foi como quem apenas sonha que está chovendo e no próprio sonho duvida do
que sonha, quando o certo certo foi ter chovido tanto que está o Cais do Sodré alagado, dá a água pelo
joelho daquele que por necessidade atravessa de um lado para outro, descalço e arregaçado até às viri-
20 lhas, levando às costas na passagem do vau uma senhora idosa, bem mais leve que a saca de feijão
entre a carroça e o armazém.

SARAMAGO, José (2016). O Ano da Morte de Ricardo Reis. Porto: Porto Editora, pp. 61-63.

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Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem.

1. Localiza o excerto na estrutura interna do romance a que pertence.


2. Refere um efeito expressivo da enumeração presente nas linhas 5 a 7.
3. Analisa a postura do narrador ao longo do texto.

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Grupo II

Lê o texto.

Eira Pedrinha, Cernache, 16 de agosto de 1981 – Depois de dar largas ao instinto, a caçar patos
nos pauis, vim, lambuzado de terra, satisfazer a fome do espírito na contemplação de um retábulo
ingé-nuo onde um S. Jorge tutela da sua montada uma donzela andarilha que conduz à trela o
dragão vem-cido. Aquela estranha e sempre surpreendente Idade Média conhecia o valor dos
símbolos e sabia re- presentá-los à medida de todas as compreensões. Que imagem mais flagrante e
convincente da força
dominadora do bem do que o mal a caminhar docilmente pela mão de uma frágil mulher? Sim, hoje
5 somos capazes de ir à Lua. Mas não temos artes de vencer assim, e ainda menos de figurar assim
venci-dos, os monstros do medo que nos atormentam.
Praia do Pedrógão, 17 de agosto de 1981 – O mar. O mar preguiçoso de férias, igual ao de outras
praias e de outros verões. O mar tónico dos banhos lúdicos, nivelador de todos os desníveis sociais.
O
mar omnipresente e concreto que me faz a esquecer o marulho que durante o ano sinto a bater
obses-sivamente nas veias e na memória de animal fisiológica e nacionalmente anfíbio, privado de
10 metade do
seu meio natural.

Praia do Pedrógão, 18 de agosto de 1981 – Fez-me a exibição de um relógio de pulso que só não
falava. E dececionei-o:
– Não o queria nem de graça.
– Porquê?!
– Porque não tem ponteiros. Em vez de atenuar, agrava os inconvenientes dos outros. É mais
abstra-tizante ainda. O tempo que eu entendo é cíclico, move-se, dura. E tenho necessidade de me
15 sentir inte-grado nesse movimento através de um indicador qualquer: uma sombra que se desloca
num quadrante
solar, um fio de areia que se escoa numa ampulheta, ou mesmo uma agulha que gira
incansavelmente
sobre o seu eixo num mostrador. É desesperante, mas há ainda uma identificação com o natural.
Tam-bém os astros circulam no céu incessantemente em órbitras fechadas. Mantém-se de certa
maneira a
imagem do andamento cósmico. Mas, no caso de um mecanismo que apenas indica as horas por nú-
20 meros luminosos, perde-se toda a referência. Flutua-se no vazio, deixa-se de pertencer ao mundo
real.
Entra-se na eternidade em vida.
TORGA, Miguel (1999). Diário VIII a XVI. Lisboa: Dom Quixote, pp. 1446-1447.

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, seleciona a opção correta.

1. Os temas aflorados na primeira entrada do diário são


(A) o telurismo, a religiosidade e o medo.
(B) a representação do feminino, a Idade Média e o progresso humano.
(C) a Lua, o sonho e a insatisfação humana.
(D) a natureza, o instinto e efemeridade da vida humana.

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2. A referência a S. Jorge tem a função de


(A) introduzir o tema que será abordado de seguida.
(B) justificar uma afirmação anteriormente apresentada.
(C) refutar a afirmação que será apresentada de seguida.
(D) concluir uma reflexão.

3. A expressão “lambuzado de terra” (l. 2) contém uma


(A) personificação. (C) metáfora.
(B) hipérbole. (D) antítese.

4. O enunciado “Sim, hoje somos capazes de ir à Lua.” (ll. 6-7) tem um valor modal
(A) epistémico. (C) deôntico (de permissão).
(B) deôntico (de obrigação). (D) apreciativo.

5. Na segunda entrada do diário, Miguel Torga reflete sobre a importância do mar,


(A) focando o seu valor enquanto motivo literário.
(B) num tom objetivo e recorrendo a linguagem denotativa.
(C) criticando os desníveis sociais que lhe podem ser associados.
(D) sob uma perspetiva social e pessoal.

6. A terceira entrada do diário é constituída por uma sequência dialogal que inclui
(A) uma sequência narrativa.
(B) uma sequência explicativa.
(C) uma sequência descritiva.
(D) outra sequência dialogal.

7. Na linha 20, os dois pontos têm a função de introduzir


(A) uma enumeração exemplificativa.
(B) um comentário crítico.
(C) o discurso reproduzido por outro enunciador.
(D) o desfecho de um raciocínio, com base na ironia.

8. Identifica o valor da oração “que se escoa numa ampulheta” (l. 21).

9. Identifica a função sintática desempenhada pelo constituinte “de me sentir integrado nesse
movimento […] num mostrador” (ll. 19-22).

10. Explicita o valor aspetual veiculado no enunciado “Entra-se na eternidade em vida.” (l. 26)

Grupo III

Com base na tua experiência de leitura e colocando-te no papel de crítico literário, redige uma
apreciação crítica do romance saramaguiano O Ano da Morte de Ricardo Reis.

A tua apreciação deverá conter entre duzentas e trezentas palavras.

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