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ESCOLA BÁSICA E SECUNDÁRIA RODRIGUES DE FREITAS 10.

ºc

Ficha informativa nº ____

Assunto: energia de remoção eletrónica

Disciplina : Física e Química – A Ano letivo: 2018/19

1. METAS DE APRENDIZAGEM:
 Concluir, a partir de valores de energia de remoção eletrónica, obtidas por
espetroscopia fotoeletrónica, que átomos de elementos diferentes têm valores
diferentes da energia dos eletrões.
 Interpretar valores de energias de remoção eletrónica, obtidos por espetroscopia
fotoeletrónica, concluindo que os eletrões se podem distribuir por níveis de energia e
subníveis de energia

2. ESPETROSCOPIA FOTOELETRÓNICA E ESPETROS FOTOELETRÓNICOS

A espetroscopia fotoeletrónica é uma técnica utilizada para determinar a energia de cada


eletrão num átomo – ou seja a energia de remoção dos eletrões do átomo.
A aplicação da espetroscopia fotoeletrónica a átomos isolados de um mesmo elemento
permite obter informação relevante acerca da energia dos diferentes eletrões nesses átomos.
A análise e interpretação dos dados recolhidos permite ainda reconhecer que os eletrões nos
átomos se distribuem por níveis e subníveis de energia. O modo de funcionamento desta
técnica consiste em fazer incidir, sobre os átomos do elemento, radiação de energia suficiente
para remover um qualquer dos seus eletrões, figura 1.

Figura 1 – Esquema da técnica usada na espetrocopia fotoeletrónica

A energia do fotão incidente (E=hƲ) deve ser superior à energia mínima para retirar um
qualquer eletrão – energia de remoção, sendo o excesso de energia do fotão transferido para
o eletrão removido sob a forma de energia cinética. O resultado obtido por espetroscopia
fotoeletrónica é, em geral, apresentado sob a forma de um espetro fotoeletrónico, ver figura
2, que é uma representação gráfica do número de eletrões ejetados por unidade de tempo,
habitualmente designado por intensidade, em função da energia necessária à sua remoção.
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Figura 2 – Exemplo de um espetro fotoeletrónico

3. ENERGIA DE REMOÇÃO

Para um átomo X, a remoção de um dos seus eletrões é descrita por:

X(g)-->X+ (g)+ e-

 A energia de cada fotão incidente deve exceder a energia mínima necessária para
a remoção desse eletrão;
 O excesso de energia do fotão é transferido para o eletrão ejetado sob a forma
de energia cinética.
 Se os eletrões tiverem energias diferentes, haverá tantos valores de energia de
remoção quantos os estados de energia para os eletrões

Tendo em conta que:

Energia de remoção = E∞ - En

E sabendo que E∞ =0 e En é a energia correspondente ao nível em que se encontra o eletrão,


então:

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Energia do eletrão= - Energia de remoção

O esquema da figura 3 relaciona o tipo de eletrões existentes num átomo e a energia de


remoção.

eletrões
no átomo

de valência do cerne

mais afastados sofrem menor mais fáceis de mais próximos sofrem maior mais dificeis de
do núcleo atração remover do núcleo atração remover

menor energia maior energia


dde tremoção dde remoção

Figura 3 – Tipos de eletrões e relação com a energia de remoção

4. INTERPRETAÇÃO DO ESPETRO FOTOELETRÓNICO DE UM ELEMENTO

Nível 1
Nível 2

O espetro fotoeletrónico evidencia dois picos (dois


valores diferentes de energia de remoção), logo os
eletrões do lítio, no estado fundamental distribuem-
se por dois níveis de energia.

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Como a altura do pico corresponde ao número relativo de eletrões em cada nível de


energia é também possível concluir que o primeiro nível de energia comporta mais
eletrões que o nível de energia seguinte.

5. CONSOLIDAÇÃO DAS APRENDIZAGENS

1. Observe com atenção o espetro fotoeletrónico representado na figura 4.

Figura 4 – Espetro fotoeletrónico

1.1. Indique, justificando, quantos electrões apresenta o átomo do elemento a que se refere o
espetro fotoeletrónico. Identifique o elemento.
1.2. Quais são os eletrões que deverão ser removidos quando se faz incidir sobre os átomos
uma radiação com comprimento de onda de 57,6 nm?
1.3. Identifique o comprimento de onda da radiação que se deveria usar para ejetar
completamente os eletrões de menor energia de remoção com uma velocidade de 1,57x106
m/s.

2. Na figura 5 estão representados os espetros fotoeletrónicos do sódio e do potássio.

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Figura 5 - Espetros fotoeletrónicos do sódio e do potássio.

2.1. Sugira uma explicação para o facto do sódio e do potássio apresentarem energias de
remoção dos eletrões do subnível 3s significativamente diferentes.
2.2. Explique a diferença observada entre as intensidades dos subníveis 3s dos elementos
sódio e potássio.

3. Preveja, justificando, as semelhanças e as diferenças que deverão ser observadas nos


espetros fotoeletrónicos de Mg2+ e Ne.

4. Átomos de carbono, com seis eletrões, foram bombardeados com radiações de energia
igual a 3,53 x 1017 J em ensaios de espetroscopia fotoeletrónica. A figura 6 mostra o espetro
fotoeletrónico obtido para o átomo de carbono.

Figura 6 – Espetro fotoeletrónico para o carbono

4.1. Indique por quantos níveis e subníveis se encontram distribuídos os eletrões do átomo de
carbono.
4.2. Que pico, A, B ou C, do espetro fotoeletrónico é representativo da energia de remoção do
eletrão mais interno?
4.3. O que se pode concluir da análise da altura dos picos no espetro fotoeletrónico do
carbono.

Proposta de resolução

1.1. 7 eletrões. Trata-se do elemento nitrogénio.

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1.2.

1.3.

2.1. Deve-se à diferença entre as cargas nucleares dos dois elementos. O potássio é o que tem
maior carga nuclear, então é o elemento que apresenta maiores energias de remoção para os
eletrões do subnível 3s.

2.2. O subnível 3s do potássio tem 2 eletrões, enquanto o mesmo subnível do sódio tem um só
eletrão, o que faz com que a intensidade referente ao subnível 3s do potássio seja superior
(dobro) à do sódio para o mesmo subnível.

3. Mg2+ e o átomo de Ne são espécies isoelectrónicas (têm o mesmo número de electrões),


pelo que têm a mesma distribuição eletrónica: 1s2 2s2 2p6. Porém, o catião Mg2+ tem 12
protões enquanto o Ne tem apenas 10, o que vai introduzir diferentes níveis de interação
entre cada um dos núcleos e os respetivos eletrões. Os espetros fotoeletrónicos têm de
comum: (i) o mesmo número de níveis e subníveis eletrónicos e (ii) igual intensidade relativa
para o mesmo nível e subnível eletrónico. As diferenças entre os espetros fotoeletrónicos vão
ser observadas nas energias de remoção dos eletrões distribuídos pelos diferentes níveis e
subníveis, sendo sempre maiores para o catião Mg2+ em consequência da sua maior carga
nuclear.

4.1. O átomo de carbono apresenta três valores de energias de remoção eletrónica (três
picos), com dois valores mais próximos, o que significa que os eletrões do átomo de carbono
estão distribuídos por dois níveis de energia estando o segundo nível de energia desdobrado
em dois subníveis.

4.2. A, pois quanto maior é a energia de remoção, menor é a energia do eletrão no átomo, o
que indica que ele pertence a um nível de energia inferior, isto é, mais próximo do núcleo

4.3. As alturas dos picos no espetro fotoeletrónico do carbono são iguais, o que indica que os
níveis e subníveis de energia ocupados no átomo de carbono são preenchidos por igual
número de eletrões.

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