Você está na página 1de 5

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 3ª VARA

CRIMINAL DA COMARCA DE GOIÂNIA- GOIÁS.

Protocolo nº: 253350-91.2016.809.0175 (201602533509)


Classe: Ação Penal
Apelante: Ministério Público do Estado de Goiás
Apelado: Leandro Gomes de Almeida
Vítima: Goiaslimp Serviços Gerais Ltda.

LEANDRO GOMES DE ALMEIDA, já qualificado nos autos da ação


penal em epígrafe que lhe move o Ministério Público do Estado de Goiás, por
meio de seu Advogado que a esta subscreve, vem, respeitosamente à
presença de Vossa Excelência, em atenção à interposição de recurso de
apelação e apresentação das respectivas razões por parte do Ministério
Público, constante nos autos às fls. 64 e 81/88, com espeque no
artigo 600, caput, do Código de Processo Penal (CPP), requerer a juntada
das

CONTRARRAZÕES DE APELAÇÃO

Assim, requesta-se pelo seu recebimento, autuação e devido


processamento, para que, ao final, esta Câmara Criminal, usando de seu poder
jurisdicional, conheça e dê total desprovimento ao apelo ministerial,
mantendo, in totum, a sentença proferida pelo juízo a quo de fls. 58/62
que absolveu o apelado do crime a ele imputado, consoante as razões
fáticas e jurídicas esposadas a seguir.

Nestes termos,
Pede deferimento.

Goiânia - GO, 20 de agosto de 2018.

ADVOGADA
OAB/GO
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 3ª VARA
CRIMINAL DA COMARCA DE GOIÂNIA- GOIÁS.

CONTRARRAZÕES DE APELAÇÃO

Processo nº: 253350-91.2016.809.0175 (201602533509)


Classe: Ação Penal
Apelante: Ministério Público do Estado de Goiás
Apelado: Leandro Gomes de Almeida

Egrégio Tribunal de Justiça,


Colenda Câmara Criminal,
Douta Procuradoria de Justiça,
Senhores Desembargadores.

Em que pese o árduo e reconhecido trabalho do órgão ministerial,


merece o apelo por este interposto, ser julgado totalmente improcedente,
mantendo-se irretocável a sentença absolutória encartada nos autos digitais às
fls. 58/62, conclusão esta a que chegará à colenda câmara criminal após
análise da argumentação defensiva a seguir:

I – DOS FATOS
Conforme consta nos autos, o apelado LEANDRO GOMES DE
ALMEIDA teria, de maneira continuada, desde maio de 2015, obtido vantagem
ilícita para si de aproximadamente R$ 28.000,00 (vinte oito mil reais), em prejuízo
da empresa vítima Goiaslimp Serviços Gerais Ltda, em que trabalhava,
induzindo esta em erro. Deste modo estaria o apelado incurso nas sanções do
artigo 171, caput, c/c o artigo 71, ambos do Código Penal.

O membro do Ministério Público interpôs razões de apelação


pugnando pela condenação de LEANDRO GOMES DE ALMEIDA pela prática
do crime de estelionato continuado, como descrito acima, tendo o juiz
sentenciante o absolvido.
Diante dos fatos, o apelado deseja que seja mantida a sentença.

II – DO DIREITO
Inicialmente, constata-se que há a materialidade do delito em
comento, haja vista que, as documentações acostadas nos autos e pelos
depoimentos prestados restam-se provada. Em contrapartida, tais documentos
não são capazes de demonstrar a autoria do ato ilícito.

Desse modo, não resta outro caminho a não ser o reconhecimento da


extinção da punibilidade do crime de estelionato continuado.

Muito embora o suposto fato criminoso tiver sido praticado, em


nenhuma circunstância ficaram delineadas as reais atribuições do apelado
dentro da empresa lesada.

Sobre o princípio do in dubio pro reo e as provas, Jorge de Figueiredo


Dias, em acertado posicionamento assim aduz:

A presunção de inocência tem também um significado muito importante


no que se refere às provas, e que apela para o princípio in dubio pro
reo. Com efeito, segundo o princípio da investigação a cargo do
tribunal, todos os fatos relevantes para a decisão (quer respeitem ao
ato criminoso, quer à pena), que levantem uma ‘dúvida razoável’ ao
tribunal, não podem ser tidos como provados. Uma vez que este
princípio da investigação oficiosa encarrega o tribunal de reunir, ele
mesmo, todas as provas indispensáveis à decisão, daqui se segue que
a falta destas não pode prejudicar o argüido: um ‘non liquet’ em
matéria de prova deve sempre ser previsto em favor do argüido.
(aspas no original; negrito e sublinhado nosso).

Não existe ligação entre o conjunto probatório produzido nos autos, a


conduta e o resultado gerado no tipo previsto. Diante da falta do pressuposto do
nexo de causalidade, não há indícios suficientes para atrair a incidência que
exige para demonstração da autoria.

Conforme se verifica na sentença, o sapiente juízo sentenciante optou


pela absolvição do apelado por falta de prova capaz de demonstrar que foi o
acusado o autor de tais crimes, posto que no Recursos Humanos da empresa
trabalhavam 6 (seis) funcionários na época.
Neste sentido, entende-se a jurisprudência que ‘’O Direito Penal não
opera com conjecturas ou probabilidades. Sem certeza total e plena da autoria
e da culpabilidade, não pode o Juiz criminal proferir condenação" (Ap. 162.055.
TACrimSP, Rel. GOULART SOBRINHO).

"Sentença absolutória. Para a condenação do réu a prova há de ser


plena e convincente, ao passo que para a absolvição basta a dúvida,
consagrando-se o princípio do 'in dubio pro reo', contido no art. 386, VI, do C.P.P"
(JUTACRIM, 72:26, Rel. ÁLVARO CURY).

Na medida em que há ausência de prova, assoma impreterível a


absolvição do réu, visto que a incriminação de clave ministerial remanesceu
defendida em cima de documentos não constantes nos autos, sendo inoperante
para sedimentar uma condenação, como bem detectado e pinçado, pela
sentença, aqui louvada.

É como assevera a decisão do Egrégio Tribunal de Justiça do Rio


Grande do Sul:

APELAÇÃO CRIME. ESTELIONATO. ARTIGO 171, CAPUT, DO


CÓDIGO PENAL. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA NO TOCANTE À
AUTORIA. CONDENAÇÃO REFORMADA. Ausente prova segura e
conclusiva acerca da autoria do delito de estelionato imputado
ao réu, impositiva a sua absolvição, na esteira do princípio do in
dúbio pro reo. Hipótese em que a vítima não demonstrou segurança
por ocasião do reconhecimento pessoal realizado em juízo, limitando-
se a referir que o réu seria o mais parecido com o estelionatário, mas
não o reconhecendo com a certeza necessária para fins de
condenação. RECURSO DEFENSIVO PROVIDO. (Apelação Crime
Nº 70076941780, Quinta Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS,
Relator: Cristina Pereira Gonzales, Julgado em 06/06/2018).

(TJ-RS - ACR: 70076941780 RS, Relator: Cristina Pereira Gonzales,


Data de Julgamento: 06/06/2018, Quinta Câmara Criminal, Data de
Publicação: Diário da Justiça do dia 15/06/2018)

No entendimento de Julio Fabbrini Mirabete:

Para que o juiz declare a existência da responsabilidade criminal e


imponha sanção penal a uma determinada pessoa, é necessário que
adquira a certeza de que foi cometido um ilícito penal e que seja
ela a autora. Para isso deve convencer-se de que são verdadeiros
determinados fatos, chegando à verdade quando a ideia que forma em
sua mente se ajusta perfeitamente com a realidades dos fatos. Da
apuração dessa verdade trata a instrução, fase do processo em que as
partes procuram demonstrar o que objetivam, sobretudo para
demonstrar ao juiz a veracidade ou falsidade da imputação feita ao réu
e das circunstâncias que possam influir no julgamento da
responsabilidade e na individualização das penas. Essa demonstração
que deve gerar no juiz a convicção de que necessita para o seu
pronunciamento é o que constitui a prova. Nesse sentido, ela se
constitui em atividade probatória, isto é, no conjunto de atos praticados
pelas partes, por terceiros (testemunhas, peritos etc.) e até pelo juiz
para averiguar a verdade e formar a convicção deste
último. Atendendo-se ao resultado obtido, ou ao menos tentado,
provar é produzir um estado de certeza, na consciência e mente
do juiz, para sua convicção, a respeito da existência ou
inexistência de um fato, ou da verdade ou falsidade de uma
afirmação sobre uma situação de fato, que se considera de
interesse para uma decisão judicial ou a solução de um processo.
(negrito e grifo nosso)

Destarte, a sentença injustamente repreendida, deverá ser


preservada em sua integralidade.

III – DOS PEDIDOS


Ante o exposto, requer, respeitosamente à esta Colenda Câmara
Criminal, que seja juntada a presente petição de contrarrazões de apelação,
para que seja conhecido e, ao final, improvido o apelo ministerial, mantendo
inalterada a sentença absolutória prolatada pelo juízo a quo, em favor do
apelado LEANDRO GOMES DE ALMEIDA, sob pena de violação ao
artigo 386, inciso VII, do CPP.
Pugna e vindica o recorrido, seja negado trânsito ao recurso
interposto.
Nestes termos,
Espera deferimento.

Goiânia, 24 de julho de 2018.

ADVOGADA
OAB/GO