Você está na página 1de 5

11/17/2018 Leilões de Pollock e Hockney expõem extremos do mercado de arte - 16/11/2018 - Ilustrada - Folha

Leilões de Pollock e Hockney expõem extremos do


mercado de arte
Enquanto MAM do Rio não vende tela de americano, britânico atinge maior valor
para artista vivo

16.nov.2018 às 21h12

Danielle Brant
João Perassolo

NOVA YORK e SÃO PAULO O mercado de arte viveu dois extremos em poucas horas
na última quinta. Na casa de leilões Phillips, em Nova York, um quadro de
Jackson Pollock (https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/11/pollock-nao-atinge-valor-minimo-em-leilao-e-
mam-rio-deixa-de-vender-tela.shtml)que era visto como a grande tábua de salvação do

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro encalhou, depois de não atingir o


valor mínimo desejado.

A um quilômetro dali, pouco tempo depois, na rival Christie's, uma tela do


britânico David (https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/11/quadro-de-david-hockney-e-vendido-a-us-90-
milhoes-recorde-para-um-artista-vivo.shtml)Hockney (https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/11/quadro-de-

david-hockney-e-vendido-a-us-90-milhoes-recorde-para-um-artista-vivo.shtml), "Retrato de um Artista

(Piscina com Duas Figuras)", de 1972, era vendida por US$ 90,3 milhões,
cerca de R$ 342 milhões, valor recorde para um artista vivo.

Jones Bergamin, diretor da principal casa brasileira de leilões de arte, a Bolsa


de Arte, chamou o primeiro dos episódios de "decepção danada". "Decepção
para a casa de leilões, para o mercado de artes e para o MAM, que precisa
desse dinheiro para sobreviver nos próximos dez anos."

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/11/leiloes-de-pollock-e-hockney-expoem-extremos-do-mercado-de-arte.shtml 1/5
11/17/2018 Leilões de Pollock e Hockney expõem extremos do mercado de arte - 16/11/2018 - Ilustrada - Folha

Obra de Jackson Pollock que encalhou em leilão em Nova York - Divulgação

O MAM esperava vender o quadro "Número 16", de 1950, por pelo menos US$
18 milhões, ou R$ 67 milhões. Não era uma aposta ousada, considerando
que, dois dias antes, outro trabalho de Pollock, "Composition with Red
Strokes" (1950), foi arrematado por US$ 55,4 milhões, cerca de R$ 207,2
milhões.

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/11/leiloes-de-pollock-e-hockney-expoem-extremos-do-mercado-de-arte.shtml 2/5
11/17/2018 Leilões de Pollock e Hockney expõem extremos do mercado de arte - 16/11/2018 - Ilustrada - Folha

Helen Harrison, diretora do museu Pollock-Krasner House, que escreveu um


ensaio sobre a importância da tela do MAM para o leilão da Phillips, diz que
não assistiu aos lances e que "não tem ideia" do que fez a pintura ficar
encalhada.

Já para os endinheirados e curiosos que foram à Phillips no final da tarde de


quinta, enfrentando a primeira nevasca deste outono a cair sobre Nova York,
a venda de "Número 16" era dada como certa.

Em primeiro lugar por causa de um dos itens que mais pesam na decisão de
comprar um quadro --a procedência.

O dono atual é um museu, o MAM, que, mesmo precisando do dinheiro, tem


uma forte reputação por trás. A tela também mudou de mãos poucas vezes --
foi uma doação do magnata e ex-vice-presidente americano Nelson
Rockefeller, que comprou o Pollock por meros US$ 306.

O histórico recente do artista também contava a favor. Além do quadro


vendido pela Christie's, outra tela do expressionista foi arrematada na
Sotheby's por US$ 34 milhões. Além disso, a importância do trabalho era
evidenciada nas 16 páginas dedicadas à tela no catálogo da noite de vendas --
"Número 16" também estampava a capa.

Com todo esse contexto, a empolgação era evidente no salão da Phillips. O


quadro era o lote 23. As primeiras quatro vendas foram promissoras, já que
superaram a faixa mais alta de preço estimada pela casa de leilões.

O destaque inicial foi "Femme dans la Nuit" (1945), do espanhol Joan Miró,
vendido por US$ 22,5 milhões, já com taxas. O valor máximo esperado era de
US$ 18 milhões.

O sexto quadro, um Alberto Burri, foi o primeiro a não ser vendido por um
descompasso entre o preço desejado e o oferecido. A cifra mínima era de US$
10 milhões, mas não superou os US$ 8 milhões.

Ainda assim, a animação dava a tônica da noite, com os presentes


acompanhando algumas obras mais disputadas, como é o caso de um quadro

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/11/leiloes-de-pollock-e-hockney-expoem-extremos-do-mercado-de-arte.shtml 3/5
11/17/2018 Leilões de Pollock e Hockney expõem extremos do mercado de arte - 16/11/2018 - Ilustrada - Folha

de Amy Sillman vendido por US$ 855 mil --o dobro dos US$ 400 mil que
estimaram como valor máximo.

O charmoso leiloeiro Henry Highley fazia sua parte para conquistar os


endinheirados. A cada lance que superava o anterior, agradecia. Também
convocava representantes no telefone e na plateia para tentar instigar os
presentes a abrir mais a carteira.

Funcionou algumas vezes. Mas, ao chegar no lote 23, não teve jeito. Os US$
15,7 milhões foram o limite encontrado pelo "Número 16". Na ausência de
valores mais expressivos, o veredito que surpreendeu a todos --"passed".

Tradução: não houve o casamento mais elementar da economia, entre oferta


e demanda. "Por que não vendeu? Porque estava avaliado acima do mercado.
Mas US$ 18 milhões não era, nem US$ 17 milhões, porque nem isso atingiu",
resume Bergamin, o dono da Bolsa de Arte.

Para ele, isso significa que o quadro deve valer de US$ 14 milhões a US$ 15
milhões.

O galerista Thiago Gomide faz uma avaliação um pouco inferior, que diz ser
respaldada por outros marchands internacionais. Gomide afirma que a tela é
estimada em não mais do que US$ 14 milhões.

"Acho que a Phillips foi seduzida pela oportunidade de ter um Pollock, um


quadro dessa importância no leilão deles. É uma tela pequena, vale menos.
Mas é um trabalho importante." A obra do MAM é um quadrado de 56 cm,
enquanto a vendida na Christie's na terça tem 93 cm por 65 cm.

Michael Sherman, um porta-voz da casa de leilões, disse que a Phillips


"acredita nesta obra prima" e que "tem a intenção de encontrar um
comprador privado" para ela.

Paulo Vieira, conselheiro do MAM, afirma que vai "esperar a Phillips se


pronunciar" sobre possíveis interessados. Ele esclarece que, no caso de uma
venda direta, fora de leilão, o MAM ganharia os U$ 15,7 milhões mais uma
parte da comissão da Philips, que é de 15%. A transação direta será
intermediada pela casa de leilões.

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/11/leiloes-de-pollock-e-hockney-expoem-extremos-do-mercado-de-arte.shtml 4/5
11/17/2018 Leilões de Pollock e Hockney expõem extremos do mercado de arte - 16/11/2018 - Ilustrada - Folha

Com esses desdobramentos, "Número 16" fica em Nova York nos próximos
dias. Já a venda da tela de Hockney por US$ 90,3 milhões superou o recorde
da escultura "Balloon Dog", um enorme cachorrinho metálico feito pelo
americano Jeff Koons e vendido há cinco anos por US$ 58,4 milhões, ou R$
218,4 milhões.

ENDEREÇO DA PÁGINA
https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/11/leiloes-de-pollock-e-
hockney-expoem-extremos-do-mercado-de-arte.shtml

https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2018/11/leiloes-de-pollock-e-hockney-expoem-extremos-do-mercado-de-arte.shtml 5/5