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Filosofia da Linguagem
Filosofia da
Linguagem
Vamos refletir O O que é linguagem? O Língua X Linguagem. O Apresentam o mesmo
Vamos refletir
O
O que é linguagem?
O
Língua X Linguagem.
O
Apresentam o mesmo significado?
O
Diferente?
O
Complementar?
O “E você precisa aprender a não fazer comentários pessoais”, falou Alice com gravidade: “É
O
“E você precisa aprender a não fazer comentários pessoais”, falou Alice com
gravidade: “É muito grosseiro.”
O
O Chapeleiro arregalou os olhos ao ouvir isso, mas tudo o que disse foi: “Por
que um corvo se parece com uma escrivaninha?”
O
“Muito bem, vamos nos divertir agora!” pensou Alice. “Estou feliz que eles
tenham começado a propor adivinhações! — Acho que posso decifrar esta!”
acrescentou em voz alta. “Quer dizer que você pensa que pode encontrar uma
resposta para isso?” indagou a Lebre de Março.
O
“Exatamente”, respondeu Alice.
O
“Então você deve dizer o que pensa”, continuou a Lebre de Março.
O
“Eu digo o que penso”, Alice apressou-se em dizer, “ou, pelo menos
pelo
menos eu penso o que digo
é a mesma coisa, não é?”
O
“Não é a mesma coisa de jeito nenhum!” interveio o Chapeleiro. “Ora, assim
você afirmaria que ‘vejo o que como’ é a mesma coisa que ‘como o que vejo’!”
O
“Assim você afirmaria”, acrescentou a Lebre de Março, “que ‘gosto daquilo que
tenho’ é a mesma coisa que ‘tenho aquilo de que gosto’!”
O
“Assim você afirmaria”, ajuntou o Dormidongo, que parecia falar enquanto
dormia, “que ‘respiro quando durmo’ é a mesma coisa que ‘durmo quando
respiro’!”
O
“No seu caso é a mesma coisa!” disse o Chapeleiro. Nesse ponto a conversa
parou, e o grupo ficou calado durante um minuto, enquanto Alice pôs-se a
recordar tudo o que podia sobre corvos e escrivaninhas, o que não era lá muita
coisa. (CARROLL, L. Alice no país das maravilhas)
A linguagem O A questão da linguagem e do discurso sempre fez parte das discussões
A linguagem
O
A questão da linguagem e do discurso sempre fez parte das
discussões históricas e filosóficas ao longo do tempo.
O
A linguagem pode ser considerada como um mecanismo que
utilizamos para transmitir a outras pessoas conhecimentos,
valores e ideias.
O
Tomás de Aquino afirmou ser este o modo para “manifestar aos
outros o que está oculto na mente”.
O
Gadamer estabeleceu a linguagem como “o meio em que se
realiza o acordo dos interlocutores e o entendimento sobre a
coisa”. Ele apresentou a linguagem na relação do interlocutor e o
assunto tratado. E é desta relação que surge o discurso.
O que se entende por língua e linguagem? Ataliba T. de Castilho (USP, CNPq) O
O que se entende por língua e
linguagem? Ataliba T. de Castilho (USP, CNPq)
O
Não vou te dizer algumas coisas óbvias do tipo, “é a língua que
caracteriza o ser humano, distinguindo-o do resto da criação”,
“não fosse a língua, e todos nós seríamos iguais a macacos”, “a
língua é um meio de comunicação, pô!, “quê seria de nós se não
tivéssemos uma língua para falar, já pensou?”
O
Embora essas respostas tenham seu valor, elas não vão ao ponto
central. E o ponto central é que sem uma língua, não poderíamos
formular nosso pensamento. Você já se deu conta de que pensa
em português? Sonha em português? Organiza-se logo de manhã
com respeito ao que terá de fazer durante o dia, falando consigo
mesmo em português? E mesmo quando quer aprender uma
língua estrangeira, sai por aí tentando pensar só nessa língua,
como um bom modo de dominá-la.
O que se entende por língua e linguagem? O Já “linguagem” é um termo genérico,
O que se entende por língua
e linguagem?
O Já “linguagem” é um termo genérico, pois
pode referir-se a outras manifestações,
além da sequenciação de sons, como em
“linguagem das cores”, “linguagem dos
perfumes”, “linguagem das abelhas”, e
outras muitas linguagens mais.
O Não existe criatura sobre a face da terra que
não reflita todo dia sobre a própria língua,
embora nem sempre se dê conta disso.
O que se entende por língua e linguagem? O Enfim, depois de pensar calado, “falando
O que se entende por língua
e linguagem?
O Enfim, depois de pensar calado, “falando com os
nossos botões”, somente depois disso é que sentimos a
necessidade de nos comunicar com outros. Aqui está a
outra natureza das línguas, que não existiria sem a
primeira: a língua serve para comunicar.
O Mesmo assim, pense nisto: quando nos comunicamos,
produz-se outro dos “mistérios linguísticos”, pois
lançamos ao ar um conjunto de sons que são
portadores de sentidos. Nosso interlocutor, se sabe
nossa língua, apreende esses sons e interpreta grande
parte dos sentidos que quisemos transmitir. Aí dizemos
que ele “captou a mensagem”.
O que se entende por língua e linguagem? Língua Fala Linguagem (social) (individual)
O que se entende por
língua e linguagem?
Língua
Fala
Linguagem
(social)
(individual)
Tipos de linguagem
Tipos de linguagem
Shhh!
Shhh!
Filosofia O φιλοσοφία O Philosophy O Philosophie
Filosofia
O φιλοσοφία
O Philosophy
O Philosophie
Por que a linguagem interessa a Filosofia? O Distinguem-se, tradicionalmente, duas correntes de pensamento na
Por que a linguagem
interessa a Filosofia?
O
Distinguem-se,
tradicionalmente,
duas
correntes
de
pensamento na filosofia da linguagem:
O
Os filósofos das linguagens formais que tentam, mediante a
formalização, reconstruir as linguagens científicas (a lógica da
física quântica é um dos exemplos mais fascinantes) ou
tentam formalizar a própria linguagem comum.
O
Encontramos
aqui,
por
exemplo,
as
figuras
de
Russell,
o
Wittgenstein do Tractatus, Carnap, Reichenbach, Montague;
O
Os filósofos da linguagem ordinária que procuram, através da
análise dos usos correntes, mostrar a riqueza e a variedade
da linguagem, mas também mostrar como alguns problemas
típicos da filosofia podem ter origem em mal-entendidos
linguísticos.
O
Aqui encontramos, por exemplo, o segundo Wittgenstein, Austin,
Ryle, Strawson.
Por que a linguagem interessa a Filosofia? O A contraposição era muito viva na primeira
Por que a linguagem
interessa a Filosofia?
O A contraposição era muito viva na primeira metade do século XX, e
aos poucos se foi atenuando. Autores mais recentes como
Brandon, Davidson, Dummett, Fodor, Grice, Kripke, Putnam e
Quine não são enquadráveis nesses termos. Mas alguma coisa da
antiga contraposição continua viva na batalha que, na década de
1950, Strawson chamava de “batalha homérica”, um confronto
entre duas facções opostas:
O
1. a facção que privilegia o estudo do sentido “objetivo” dos
enunciados, determinado pela sua estrutura lógica: esta atitude
constitui o “paradigma dominante” da filosofia da linguagem que
define o sentido de um enunciado como condições de verdade
O
2. a facção que privilegia o estudo das intenções do falante como o
inevitável ponto de partida para definir o sentido das expressões
linguísticas, preferindo a pragmática à semântica
Vídeos interessantes O As Origens da Linguagem - Documentário dublado O http://www.youtube.com/watch?v=cYJoXsfgenQ
Vídeos interessantes
O
As Origens da Linguagem -
Documentário dublado
O
http://www.youtube.com/watch?v=cYJoXsfgenQ
O
A História da Palavra - O Nascimento da
Escrita
O http://www.youtube.com/watch?v=TVxmJoi-DDg