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AVALIAÇÃO DE PORTUGUÊS PROFESSOR OZIEL S.

DE ALBUQUERQUE
( ) REVISIONAL (X) PROVA TOTAL DE QUESTÕES: 25 DURAÇÃO: 100 MIN

NOME: ______________________________________________________________________ DATA: ___/___/ 2017


TURMA: (X) 1º ANO ( ) 2º ANO ( ) 3º ANO TURNO: INTEGRAL
3º BIMESTRE NOTA:

Leia o texto a seguir: beleza e o padrão de beleza estabelecido nos últimos


anos são decorrentes, respectivamente:
A beleza através dos tempos a) da mudança de ideologia acerca da beleza em
dados momentos da história e da sociedade
O que torna uma pessoa feia ou bela é, na consumista.
verdade, um mistério. Mas cada lugar e cada época b) da preocupação com a saúde no século XX e com a
estabelecem critérios para definir a aparência aparência próxima a dos aborígenes.
desejável às pessoas, ainda que muitas delas superem c) da submissão das mulheres à sociedade de
esses critérios por causa de sua personalidade, de sua consumo atual e da constante mudança de critérios
segurança, de sua capacidade de adaptação ou de seu sobre o belo.
poder. […] d) da opinião alheia que se modifica ao longo dos anos
A beleza também não foi sempre fundamental e do capitalismo que determina os padrões de beleza.
para a aceitação das pessoas pela sociedade: Foi com e) da descrença das mulheres em relação ao poder
o Renascimento que houve o resgate do ideal greco- exercido pela sociedade de consumo atual e da
romano de beleza, e o corpo voltou a ter um papel mudança de critérios sobre o belo década após
importante nos valores da sociedade ocidental. Foi década.
nessa época que as mulheres gordinhas (na verdade,
as mulheres nobres que conseguiam se alimentar QUESTÃO 2
direito) se tornaram referenciais de beleza. “Mas não Considere o texto e a releitura do quadro de Renoir,
era como agora. Essas referências serviam muito feita pelo artista gráfico Alexandre Wink.
pouco para as pessoas comuns”. […]
Mas o que dizer do século XX? Foram tantas as Corpos em série
mudanças que a gente chega a se perder: as beldades Wink é um dos melhores artistas digitais do
da década de 20 se parecem mais com as de hoje, por Brasil e ajuda a criar, deixando modelos perfeitas
exemplo, do que com a rechonchuda Marilyn Monroe ainda mais perfeitas nas campanhas publicitárias, o
da década de 50. “Mas o padrão que se estabeleceu padrão de beleza inatingível que leva milhares à mesa
nos últimos dez ou quinze anos, principalmente, é o de cirurgia mais próxima. O artista topou nosso
que se pode chamar de ‘padrão aborígene’: o bonito é desafio de corrigir os, digamos, “defeitos” das
introduzir coisas no corpo, como o silicone e os gordinhas do quadro As Banhistas, de Auguste Renoir,
anabolizantes, ou mesmo tatuagens e piercings.” O transformando-as de acordo com o padrão de beleza
único problema é que, assim como acontece com os de hoje. “Em se tratando de uma obra de arte é
aborígenes, corremos o risco de ficar cada vez mais irretocável, mas é diferente, é uma releitura do
parecidos uns com os outros. “Isso faz sentido, pois é trabalho”.
totalmente coerente com a sociedade de consumo Disponível em:
capitalista em que vivemos.” <http://revistatrip.uol.com.br/145/especial/corpo4.htm>. Acesso
em: 05 abr. 2016.
Disponível em: <http://saude.terra.com.br/interna/0,,OI277352-
EI1521,00-A+beleza+atraves+dos+tempos.html>. Acesso em: 05
abr. 2016.
QUESTÃO 1
As formas arredondadas não são mais consideradas,
hoje, padrão de beleza. De acordo com o texto “A
beleza através dos tempos”, a inversão do conceito de

1
As Banhistas 2006 – por Alexandre Wink

As Banhistas 1887 – de Auguste Renoir

Disponível em: <www.releituras.com.br>. 30 jan. 2012.


A tirinha é um tipo de texto que geralmente destina-
se à geração de humor. Assinale a alternativa que
explica a presença desse efeito, no texto acima.
a) A primeira ratinha não entende o sentido do
convite feito pelo ratinho.
b) A segunda ratinha atribui um sentido malicioso ao
convite feito pelo ratinho.
c) O ratinho não completou adequadamente o sentido
do convite feito por ele, gerando ambiguidades.
Disponível em: d) As ratinhas atribuem o mesmo sentido ao convite
<www.brasilartesenciclopedias.com.br/mobile/internacional/nu08 feito pelo ratinho.
.html>. Acesso em: 05 abr. 2016. e) A terceira ratinha entende que o ratinho estava
A releitura do quadro de Renoir feita pelo artista convidando-a para ouvirem música juntos.
digital Alexandre Wink pressupõe:
a) uma leitura atual da figura feminina frente ao culto QUESTÃO 4
do corpo nu. Leia o texto a seguir.
b) evidente resgate da concepção de arte e Renoir na
visão de Wink.
c) uma inversão dos valores do belo propiciada pelo
retoque dado à imagem.
d) uma nova concepção artística baseada em padrões
de beleza atualizados.
e) uma produção artística capaz de captar uma cultura
diferente isenta de preconceitos.

QUESTÃO 3
Leia a tirinha a seguir.
QUESTÃO 5

Disponível em:
<http://desniveissociais.blogspot.com.br/2010_04_01_archive.ht
ml>. Acesso em: 25 abr. 2013.
Assinale a alternativa que relaciona corretamente o
que é exposto na charge com os textos a seguir.
a) Mais ricos têm renda 39 vezes maior que os mais
pobres, diz Censo 2010: Segundo IBGE, receita média
mensal per capita do brasileiro é de R$ 668,
entretanto, dados indicam que metade da população
Disponível em: recebe até R$ 375, inferior ao salário mínimo do
<http://9anob.files.wordpress.com/2009/08/campanha-
publicitarica- contra-a-violencia-domestica.jpg>. Acesso em: 7
período.
maio 2012. b) De acordo com o IBGE, no Brasil, em dez anos, a
Os diferentes gêneros textuais, ao circularem renda dos mais ricos cai 6% e a dos mais pobres cresce
socialmente, caracterizam-se como práticas de 0,9%, mostrando a verdadeira distância entre os mais
linguagem, assumindo assim características, formas e ricos e os mais pobres no país.
funções que lhe são próprias. Refletindo sobre o c) Há 40 anos, a renda dos 5% mais ricos da população
gênero publicitário e o texto do cartaz apresentado, [mundial] era trinta vezes maior que a dos 5% mais
pode-se concluir que o texto publicitário, nesse caso: pobres, quinze anos atrás já era sessenta vezes maior;
a) tem como função primordial vender um produto: o em 2002 atingiu um fator de 114.
atendimento do Instituto Patrícia Galvão, garantindo d) No mundo há 1,017 bilhão de famintos, dos quais
assim o lucro da instituição. 642 milhões são da Ásia e do Pacífico, 265 milhões da
b) tem como objetivo principal não apenas a venda ou África, 42 milhões da América Latina e Caribe, e 15
divulgação de determinado produto, mas, de um milhões dos países desenvolvidos, segundo a FAO, a
modo mais amplo, quer também influenciar o Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a
comportamento da população sobre um assunto. Alimentação.
c) tem como objetivo principal trazer lucro à empresa e) A fome existe desde os primórdios da humanidade,
representada, apelando inclusive à população infantil mas, desde meados do século XX, as pessoas
para isso. passaram a se referir às dificuldades decorrentes
d) direciona seu discurso e seus objetivos às mulheres, desse flagelo como um problema de segurança
pois estas são mais suscetíveis a serem influenciadas. alimentar, [...] quando a Europa e o Japão, [...]
e) manipula a sociedade para que esta acredite em destroçados pelo conflito, passaram a ter dificuldade
determinados valores, distorcendo a realidade ao para alimentar as próprias populações.
trazer o assunto da violência doméstica.
QUESTÃO 6

Texto 1

No meio do caminho
No meio do caminho tinha
uma pedra
Tinha uma pedra no meio
do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha
uma pedra
ANDRADE, C. D. Antologia poética. Rio de Janeiro/ Ao ler uma manchete como essa (publicada no
São Paulo: Record, 2000. (fragmento). jornal O Estado de São Paulo, de 20/04/2013, grifo
nosso), é bastante provável que os leitores tenham
Texto 2 duas reações imediatas: sintam pena das vítimas e
raiva de quem deveria ter prestado o socorro, mas não
o fez por esquecimento.
A cena que nos vem à mente é que policiais e
bombeiros viram as pessoas acidentadas, e, por algum
motivo ]desconhecido e que só a leitura da notícia será
capaz de explicar, não se lembraram de socorrê-las,
certo? [...] Então, voltemos à notícia para entender o
que houve:
“O acidente ocorreu na noite de quinta-feira,
em um ponto íngreme de mão dupla da rodovia. O
motorista da carreta, Samuel Silva Viana, de 42 anos,
que é de Taboão da Serra, afirmou à Polícia Rodoviária
que perdeu o freio e acabou caindo no barranco, de
cerca de 10 metros de altura, sem perceber que havia
arrastado outro veículo, que vinha no sentido
contrário.
A Polícia Rodoviária e os bombeiros foram até
o local atender a um chamado de tombamento de
carreta e resgataram o motorista do caminhão, com
vida. ‘No resgate acharam um capacete. Acreditaram
que podia haver uma moto com vítima, fizeram
buscas, mas a iluminação era precária. O mato era
muito alto e não viram o carro debaixo do caminhão.
Ligaram no hospital e o motorista disse que o
capacete era dele’, explicou o comandante dos
Bombeiros.”
[...]
Lenira Buscato. “Incompetência ou má-fé?”. Disponível em:
<http://portugues.colband.net.br/2013/05/06/incompetencia-ou-
ma-fe>. Acesso em: 11 maio 2013. (Adapt.).
A comparação entre os recursos expressivos que Sobre a notícia e o comentário, pode-se:
constituem os dois textos revela que a) afirmar que houve, sim, esquecimento, pois os
a) o texto 1 perde suas características de gênero policiais sabiam que havia uma moto ali.
poético ao ser vulgarizado por histórias em quadrinho. b) concluir que os bombeiros não são preparados
b) o texto 2 pertence ao gênero literário, porque as adequadamente para socorrer acidentados.
escolhas linguísticas o tornam uma réplica do texto 1. c) perceber que o capacete não era do motorista do
c) a escolha do tema, desenvolvido por frases caminhão, porque ele mentiu.
semelhantes, caracteriza-os como pertencentes ao d) inferir que não houve esquecimento, portanto o
mesmo gênero. título da notícia é muito inadequado.
d) os textos são de gêneros diferentes porque, apesar e) verificar que “má-fé” refere-se aos socorristas que
da intertextualidade, foram elaborados com não prestaram atendimento ao caminhoneiro.
finalidades distintas.
e) as linguagens que constroem significados nos dois QUESTÃO 8
textos permitem classificá-los como pertencentes ao Na década de 1980, a irreverência do grupo Ultraje a
mesmo gênero. rigor fez muito sucesso, com músicas como “Inútil”,
apresentada a seguir.
QUESTÃO 7
Incompetência ou má-fé?

“Família sofre acidente e é esquecida nas ferragens


por bombeiros e policiais”
Inútil João Montanaro. Disponível em:
<http://mais.uol.com.br/view/9d1qqdho43o5/juventude-digital-
04021A3660E4C97327?types=A&>. Acesso em: 11 maio 2013.
A gente não sabemos escolher presidente
A gente não sabemos tomar conta da gente
Texto II
A gente não sabemos nem escovar os dente
Tem gringo pensando que nóis é indigente.

Inútil
A gente somos inútil. Disponível em: <https://twitter.com/about/resources/logos>.
Acesso em: 11 maio 2013.
A gente faz carro e não sabe guiar O Twitter é uma rede social, criada em 2006,
A gente faz trilho e não tem trem pra botar em que os usuários compartilham informações de até
A gente faz filho e não consegue criar 140 caracteres com seus seguidores.
A gente pede grana e não consegue pagar. Como pode ser observado no texto II, o logotipo dessa
A gente faz música e não consegue gravar rede é um pássaro. Sabendo dessas informações,
A gente escreve livro e não consegue publicar pode-se afirmar que a charge de João Montanaro
A gente escreve peça e não consegue encenar (texto I):
A gente joga bola e não consegue ganhar... a) discute a influência do mundo digital sobre a nova
geração, pois a referência que a criança tem da
Disponível em: <inutil.ultrajearigor.letrasdemusicas.com.br>. imagem de um pássaro não é mais a de um animal, e
Acesso em: 11 maio 2013. sim de um ícone da era digital.
A estrutura gramatical da oração que compõe o refrão b) critica fortemente a influência dessa mídia digital,
A gente somos inútil, apresenta uma intenção bem uma vez que a criança perde completamente a
definida pelo autor. O padrão de linguagem referência do mundo real, ao confundir um pássaro
empregado: com o logotipo de uma rede social.
a) representa um exemplo de linguagem ajustado às c) apoia o contato prematuro das crianças com as
situações formais da normatividade. mídias digitais, pois, assim, podem fazer parte dessa
b) é uma variedade linguística não prestigiada nova era de comunicação em que vivemos.
socialmente e adequada à crítica que se pretende d) tem como objetivo criticar o uso do Twitter de
realizar. forma prematura pelas crianças, afirmando que
c) é considerado um erro dos falantes do português, brincadeiras de rua seriam mais saudáveis.
embora seja visto como um fenômeno social. e) demonstra claramente a posição do autor como
d) concebe uma realidade linguística ridicularizada favorável ao uso das mídias digitais por crianças de
pelas classes menos privilegiadas socialmente. todas as idades.
e) apresenta uma variante linguística usada por uma
classe descompromissada com o português-padrão. QUESTÃO 10
Tráfego intenso aumenta internação por doença
QUESTÃO 9 respiratória
Leia os textos a seguir.
Texto I O aumento da densidade de tráfego de
veículos provoca um incremento na taxa de
internação de crianças devido a problemas
respiratórios na cidade de São Paulo, de acordo com
pesquisa da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.
O trabalho do geógrafo Samuel Luna de Almeida
mostra que o aumento da frota descompensa os
avanços tecnológicos que reduziram as emissões de
poluentes nas indústrias e nos veículos, e faz com que
o tráfego intenso aumente os riscos para a saúde.
qualquer outro herói do século 20, culminando hoje
na sua santificação entre camponeses bolivianos?
Essa aura romântica começou a se formar
quando, abandonando uma prestigiosa posição no
regime cubano, se internou no Congo para lutar
contra uma corrupta e sanguinária ditadura
neocolonialista. E tornou-se legendária em
decorrência de sua trágica aventura na Bolívia.
Che Guevara morreu antes das suas ideias e,
graças a isso, não só escapou do eclipse histórico,
Aumento vertiginoso da frota mantém a poluição em níveis de como se transformou num dos símbolos e ícones da
risco para a saúde. nossa época. Seus métodos eram autoritários, sua
O geógrafo verificou a relação entre as base teórica, extremamente superficial, e seu projeto
internações por doenças respiratórias em hospitais econômico-social fracassou miseravelmente.
públicos e privados no município de São Paulo e o Imortalizou-o uma das qualidades mais raras e
volume do tráfego no entorno das residências dos admiradas entre os homens - uma nobre e indômita
pacientes internados. “A análise se concentrou nos coragem, exatamente o fascinante traço essencial do
grupos mais vulneráveis a problemas respiratórios, herói. O Che foi um herói do nosso tempo - um tempo
que são as crianças com até 5 anos de idade e os feito de mesquinho egoísmo e opaca mediocridade. É
idosos com mais de 65 anos”, conta. Entre 2004 e natural que seja especialmente venerado por jovens
2006, a Secretaria de Estado da Saúde aponta que de classe média, da qual também ele provinha:
81.033 crianças foram internadas por doenças encarna o herói que a, maioria desses jovens gostaria
respiratórias, sendo que em 20.449 casos o de encarnar, mas não consegue.
diagnóstico apontou relação do problema com a FREITAS, Décio. O profeta da guerrilha. Zero Hora, 13 de julho,
poluição atmosférica, conforme a literatura 1997, p.19. (Adapt.)
especializada, sendo considerados pelo estudo. Entre Considere as seguintes formas verbais do texto:
os idosos, no mesmo período, houve 43.937 1. ofusca
internações por causas respiratórias e 8.527 2. começou
apresentaram diagnósticos relacionados com a 3. se internou
poluição. [...] 4. tornou-se
Júlio Bernardes. Disponível em: <www.usp.br/agen/?p=137837>. 5. escapou
Acesso em: 13 maio 2013. 6. fracassou
Pode-se concluir dessa leitura que: Quais dentre elas têm como sujeito - expresso ou
a) em valores relativos, os idosos são os que mais subentendido - "Che Guevara"?
sofrem devido à poluição atmosférica em comparação a) Apenas 1 e 3
com as crianças. b) Apenas 2 e 4
b) devido ao avanço tecnológico, carros não c) Apenas 3 e 5
contribuem para grande parte da poluição em grandes d) Apenas 4 e 6
centros urbanos. e) Apenas 5 e 6
c) apesar do avanço tecnológico, carros são
responsáveis por grande parte da poluição QUESTÃO 12
atmosférica em centros urbanos. (Adaptada)
d) os avanços tecnológicos compensaram o
crescimento vertiginoso das frotas, reduzindo as Monsenhor Caldas interrompeu a narração do
emissões de poluentes. desconhecido:
e) o que aumentou foi a densidade das frotas, e não — Dá licença? é só um instante.
necessariamente as frotas em si; por isso o aumento Levantou-se, foi ao interior da casa, chamou o
das internações. preto velho que o servia, e disse-lhe em voz baixa:
— João, vai ali à estação de urbanos, fala da
QUESTÃO 11 minha parte ao comandante, e pede-lhe que venha cá
(UFRGS-98) com um ou dois homens, para livrar-me de um sujeito
doido.
Os processos da história mítica são Anda, vai depressa.
francamente irracionais. Como se explica que, apesar E, voltando à sala:
do seu lúgubre estalinismo, Che Guevara tenha — Pronto, disse ele; podemos continuar.
adquirido uma aura romântica que ofusca a de
— Como ia dizendo a Vossa Reverendíssima, QUESTÃO 14
morri no dia vinte de março de 1860, às cinco horas e (UFMG)
quarenta e três minutos da manhã. Tinha então A propósito do trecho que segue, aponte a resposta
sessenta e oito anos de idade. Minha alma voou pelo correta na questão:
espaço, até perder a terra de vista, deixando muito “O idealismo supõe a imaginação entusiasta que se
abaixo a lua, as estrelas e o Sol; penetrou finalmente adianta à realidade no encalço da perfeição.” (in
num espaço em que não havia mais nada, e era “Perspectivas”)
clareado tão-somente por uma luz difusa. Continuei a O sujeito de supõe é:
subir, e comecei a ver um pontinho mais luminoso ao a) a imaginação entusiasta.
longe, muito longe. O ponto cresceu, fez-se sol. Fui b) o idealismo.
por ali dentro, sem arder, porque as almas são c) imaginação.
incombustíveis. A sua pegou fogo alguma vez? d) entusiasta.
— Não, senhor. e) perfeição.
— São incombustíveis. Fui subindo, subindo;
na distância de quarenta mil léguas, ouvi uma QUESTÃO 15
deliciosa música, e logo que cheguei a cinco mil Sobre a classificação do sujeito, estão corretas as
léguas, desceu um enxame de almas, que me levaram proposições:
num palanquim feito de éter e plumas. I. O sujeito será determinado simples quando apresentar
Machado de Assis, A segunda vida. Obras Completas, vol. II, p. um único núcleo, ou seja, quando o sujeito for formado por
440-441. uma única palavra principal.
A frase desceu um enxame de almas, no último II. O sujeito será determinado composto quando apresentar
parágrafo, tem o sujeito posposto. Assinale a dois ou mais núcleos.
alternativa em que o sujeito também aparece III. Nas orações em que o sujeito é determinado elíptico,
não é possível identificá-lo, pois esse não existe.
posposto (verbo + sujeito = sujeito posposto).
IV. É possível identificar o sujeito indeterminado por meio
a) De um atentado, um soldado consegue salvar seu da análise do contexto da oração ou ainda através da
companheiro. desinência verbal.
b) Segunda-feira faltou, de novo, um pouco de tinta V. Há três estruturas sintáticas capazes de indeterminar o
de impressão. sujeito: oração com verbo na 3ª pessoa do plural; oração
c) No salão de Paris, há um Audi com motor de 4,2 com verbo na 3ª pessoa do singular acrescido do pronome
litros. se e oração com o verbo no infinitivo impessoal.
d) Ler biografia de homens célebres é bastante útil. a) III e IV.
e) O mercado financeiro recebeu bem a inclusão das b) III e V.
ações do Bradesco. c) I, II e IV.
d) I, II e V.
e) I e V.
QUESTÃO 13
Leia o excerto a seguir, extraído da obra de Machado
QUESTÃO 16
de Assis.
(UFMG-1998)
[...] E vejam agora com que destreza, com que arte
faço eu a maior transição deste livro. Vejam: o meu
Já não basta ficarem mexendo toda hora no
delírio começou em presença de Virgília; Virgília foi o
valor e no nome do dinheiro? Nos juros, no crédito,
meu grão pecado de juventude; não há juventude sem
nas alíquotas de importação, no câmbio, na Ufir e nas
meninice; meninice supõe nascimento; e eis aqui como
regras do imposto de renda?
chegamos nós, sem esforço, ao dia 20 de outubro de
Já não basta mudarem as formas da Lua, as
1805, em que nasci. Viram? [...] verdade, era tempo.
marés, a direção dos ventos e o mapa da Europa? E as
Que isto de método, [...] Vamos ao dia 20 de outubro.
regras das campanhas eleitorais, o ministério, o
[...]
ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. Obra
comprimento das saias, a largura das gravatas? Não
completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1994. basta os deputados mudarem de partido, homens
O narrador, no excerto, emprega vários tipos de sujeito. virarem mulher, mulheres virarem homem e os
Assinale a alternativa em que se empregou o mesmo tipo economistas virarem lobisomen, quando saem do
de sujeito presente em “em que nasci”. Banco Central e ingressam na banca privada?
a) [...] com que arte faço eu a maior transição deste livro. Já não basta os prefeitos, como imperadores
b) Vamos ao dia 20 de outubro [...]. romanos, tentarem mudar o nome de avenidas
c) [...] meninice supõe nascimento [...]. cruciais como a Vieira Souto, no Rio de Janeiro, ou se
d) [...] o meu delírio começou em presença de Virgília [...].
lançarem à aventura maluca de destruir largos
e) Virgília foi o meu grão pecado da juventude [...].
pedaços da cidade para rasgar avenidas, como em São
Paulo? Já não basta mudarem toda hora as teorias um pouco, o que adianta? Aliás, para que unificar? O
sobre o que engorda e o que emagrece? Não basta último argumento dos propugnadores da reforma é
mudarem a capital federal, o número de estados, o que, afinal, ela é pequena - mexe com a grafia de 600,
número de municípios e até o nome do país, que já foi entre as cerca de 110.000 palavras da Língua
Estados Unidos do Brasil e depois virou República Portuguesa, ou apenas 0,54% do total. Se é tão
Federativa do Brasil? pequena, volta a pergunta: para que fazê-la?
Não, não basta. Lá vêm eles de novo, Fala-se que a reforma simplifica o idioma e,
querendo mudar as regras de escrever o idioma. assim, torna mais fácil seu ensino. Engano. A
"Minha pátria é a língua portuguesa", representação escrita da língua é um bem que
escreveu Fernando Pessoa pela pena de um de seus percorre as gerações, passando de uma à outra, e será
heterônimos, Bernardo Soares, autor do Livro do tão mais bem transmitida quanto mais estável for, ou,
Desassossego. Desassossegados estamos. Querem pelo menos, quanto menos interferências arbitrárias
mexer na pátria. Quando mexem no modo de sofrer. Não se mexa assim na língua. O preço disso é
escrever o idioma, põem a mão num espaço íntimo e banalizá-la como já fizeram com a moeda, no Brasil.
sagrado como a terra de onde se vem, o clima a que Roberto Pompeu de Toledo - Veja, 24.05.95. Texto
se acostumou, o pão que se come. adaptado pela equipe de Língua Portuguesa da COPEVE/UFMG.
Aprovou-se recentemente no Senado mais Todas as alternativas contêm trechos que, no texto,
uma reforma ortográfica da Língua Portuguesa. É a apresentam imprecisão do agente da ação verbal,
terceira nos últimos 52 anos, depois das de 1943 e exceto:
1971 - muita reforma, para pouco tempo. Uma pessoa a) Já não basta mudarem toda hora as teorias sobre o
hoje com 60 anos aprendeu a escrever "idéa", depois, que engorda e o que emagrece?
em 1943, mudou para "idéia", ficou feliz em 1971 b) Já não basta ficarem mexendo toda hora no valor e
porque "idéia" passou incólume, mas agora vai no nome do dinheiro?
escrever "ideia", sem acento. c) Lá vêm eles de novo, querendo mudar as regras de
Reformas ortográficas são quase sempre um escrever o idioma.
exercício vão, por dois motivos. Primeiro, porque d) Já não basta os prefeitos, como imperadores,
tentam banhar de lógica o que, por natureza, possui tentarem mudar o nome de avenidas cruciais (...)?
extensas zonas infensas à lógica, como é o caso de um
idioma. Escreve-se "Egito", e não "Egipto", mas QUESTÃO 17
"egípcio", e não "egício", e daí? Escreve-se "muito", (FGV-2004) Assinale a alternativa em que a oração
mas em geral se fala "muinto". Segundo, porque, sublinhada funciona como sujeito do verbo da oração
quando as reformas se regem pela obsessão de fazer principal.
coincidir a fala com a escrita, como é o caso das a) Não queria que José fizesse nenhum mal ao garoto.
reformas da Língua Portuguesa, estão correndo atrás b) Não interessa se o trem solta fumaça ou não.
do inalcançável. A pronúncia muda no tempo e no c) As principais ações dependiam de que os
espaço. A flor que já foi "azálea" está virando "azaléa" componentes do grupo tomassem a iniciativa.
e não se pode dizer que esteja errado o que todo o d) Era uma vez um sapo que não comia moscas.
povo vem consagrando. "Poder" se pronuncia "poder" e) Nossas esperanças eram que a viatura pudesse
no Sul do Brasil e "puder" no Brasil do Nordeste. voltar a tempo de sair atrás do bandido.
Querer que a grafia coincida sempre com a pronúncia
é como correr atrás do arco-íris, e a comparação não é QUESTÃO 18
fortuita, pois uma língua é uma coisa bela, mutável e (FGV-2003) Assinale a alternativa em que o pronome
misteriosa como um arco-íris. você exerça a função de sujeito do verbo sublinhado.
Acresce que a atual reforma, além de vã, é a) Cabe a você alcançar aquela peça do maleiro.
frívola. Sua justificativa é unificar as grafias do b) Não enchas o balão de ar, pois ele pode ser levado
Português do Brasil e de Portugal. Ora, no meio do pelo vento.
caminho percebeu-se que seria uma violência fazer c) Ao chegar, vi você perambulando pelo shopping
um português escrever "fato" quando fala "facto", center da Mooca.
brasileiro escrever "facto" ou "receção" (que ele só d) Ei, você, posso entrar por esta rua?
conhece, e bem, com dois ss, no sentido inferno astral e) Na Estação Trianon-Masp desceu a Angelina; na
da economia). Deixou-se, então, que cada um Consolação, desceu você.
continuasse a escrever como está acostumado, no que
se fez bem, mas, se a reforma era para unificar e não QUESTÃO 19
unifica, para que então fazê-la? Unifica um pouco, (FGV-2002) Assinale a alternativa que completa
responderão os defensores da reforma. Mas, se é só corretamente as lacunas da frase:
“Eu _____ encontrei ontem, mas não _____ reconheci QUESTÃO 22
porque ________ anos que não _____ via.” (Faap-1996)
a) lhe, lhe, há, lhe.
b) o, o, haviam, o. O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha
c) lhe, o, havia, lhe. aldeia
d) o, lhe, haviam, o. Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela
e) o, o, havia, o. minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
QUESTÃO 20
(Mack-2002) O Tejo tem grandes navios
Embalo da canção E navega nele ainda,
Para aqueles que veem em tudo o que lá não está,
1 Que a voz adormeça A memória das naus.
2 que canta a canção!
3 Nem o céu floresça O Tejo desce de Espanha
4 nem floresça o chão. E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
5 (Só - minha cabeça, Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
6Só - meu coração. E donde ele vem.
7 Solidão.) E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Que não alvoreça
8
9 nova ocasião! Pelo Tejo vai-se para o mundo.
10 Que o tempo se esqueça Para além do Tejo há a América
11 de recordação! E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
12 (Nem minha cabeça Do rio da minha aldeia.
13 nem meu coração.
14 Solidão!) O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Cecília Meireles Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
Assinale a afirmação correta sobre o texto. (Fernando Pessoa)
a) Na primeira estrofe, o eu cita experiências do "O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha
passado. aldeia". Rigorosamente o sujeito do verbo correr é:
b) alvorecer e florescer expressam o desejo de um a) Tejo
mundo melhor. b) rio
c) Em nem floresça o chão tem-se oração sem sujeito. c) que (no lugar de rio)
d) A quarta estrofe retoma a segunda para aprofundar d) aldeia
a ideia de solidão. e) indeterminado
e) A forma verbal adormeça expressa o apelo a um tu,
a quem o eu se dirige. QUESTÃO 23
(PUC-SP-2003)
QUESTÃO 21 Os cinco sentidos
(Fuvest-2000)
O caso triste, e digno da memória Os sentidos são dispositivos para a interação
Que do sepulcro os homens desenterra, com o mundo externo que têm por função receber
Aconteceu da mísera e mesquinha informação necessária à sobrevivência. É necessário
Que depois de ser morta foi rainha. ver o que há em volta para poder evitar perigos. O
Para o correto entendimento destes versos de tato ajuda a obter conhecimentos sobre como são os
Camões, é necessário saber que o sujeito do verbo objetos. O olfato e o paladar ajudam a catalogar
desenterra é elementos que podem servir ou não como alimento. O
a) os homens (por licença poética). movimento dos objetos gera ondas na atmosfera que
b) ele (oculto). são sentidas como sons.
c) o primeiro que. As informações, baseadas em diferentes
d) o caso triste. fenômenos físicos e químicos, apresentam-se na
e) sepulcro. natureza de formas muito diversas. Os sentidos são
sensores cujo desígnio é perceber, de modo preciso,
cada tipo distinto de informação. A luz é parte da tal modo sedenta que um quase nada já me tomava
radiação magnética de que estamos rodeados. Essa uma menina feliz.
radiação é percebida através dos olhos. O tato e o 3 E as máscaras? Eu tinha medo, mas era um
ouvido baseiam-se em fenômenos que dependem de medo vital e necessário porque vinha de encontro à
deformações mecânicas. O ouvido registra ondas minha mais profunda suspeita de que o rosto humano
sonoras que se formam por variações na densidade do também fosse uma espécie de máscara. À porta do
ar, variações que podem ser captadas pelas meu pé de escada, se um mascarado falava comigo,
deformações que produzem em certas membranas. eu de súbito entrava no contato indispensável com o
Ouvido e tato são sentidos mecânicos. Outro tipo de meu mundo interior, que não era feito só de duendes
informação nos chega por meio de moléculas e príncipes encantados, mas de pessoas com o seu
químicas distintas que se desprendem das mistério. Até meu susto com os mascarados, pois, era
substâncias. Elas são captadas por meio dos sentidos essencial para mim.
químicos, o paladar e o olfato. Esses se constituem 4 Não me fantasiavam: no meio das
nos tradicionais cinco sentidos que foram preocupações com minha mãe doente, ninguém em
estabelecidos já por Aristóteles. casa tinha cabeça para carnaval de criança. Mas eu
SANTAELLA, Lucia. Matrizes da Linguagem e Pensamento. São pedia a uma de minhas irmãs para enrolar aqueles
Paulo: Iluminuras, 2001. meus cabelos lisos que me causavam tanto desgosto e
A palavra relacional que aparece quatro vezes no 1o tinha então a vaidade de possuir cabelos frisados pelo
parágrafo exercendo, pela ordem, as seguintes menos durante três dias por ano. Nesses três dias,
funções: ainda, minha irmã acedia ao meu sonho intenso de ser
a) sujeito, objeto direto, sujeito, sujeito. uma moça eu mal podia esperar pela saída de uma
b) sujeito, sujeito, sujeito, sujeito. infância vulnerável - e pintava minha boca de batom
c) sujeito, sujeito, sujeito, objeto direto. bem forte, passando também ruge nas minhas faces.
d) objeto direto, objeto direto, sujeito, sujeito. Então eu me sentia bonita e feminina, eu escapava da
e) objeto direto, sujeito, objeto direto, sujeito. meninice.
5 Mas houve um carnaval diferente dos outros.
QUESTÃO 24 Tão milagroso que eu não conseguia acreditar que
(UFBA-1996 - Adaptada) tanto me fosse dado, eu, que já aprendera a pedir
RESTOS DO CARNAVAL pouco. É que a mãe de uma amiga minha resolvera
fantasiar a filha e o nome da fantasia era no figurino
1 NÃO, não deste último carnaval. Mas não sei Rosa. Para isso comprara folhas e folhas de papel
por que este me transportou para a minha infância e crepom cor-de-rosa, com as quais, suponho, pretendia
para as quartas-feiras de cinzas nas ruas mortas onde imitar as pétalas de uma flor. Boquiaberta, eu assistia
esvoaçavam despojos de serpentina e confete. Uma pouco a pouco à fantasia tomando forma e se criando.
ou outra beata com um véu cobrindo a cabeça ia, à Embora de pétalas o papel crepom nem de longe
igreja, atravessando a rua tão extremamente vazia lembrasse, eu pensava seriamente que era uma das
que se segue ao carnaval. Até que viesse o outro ano. fantasias mais belas que jamais vira.
E quando a festa ia se aproximando, como explicar a Foi quando aconteceu, por simples acaso, o
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agitação íntima que me tomava? Como se enfim o inesperado: sobrou papel crepom, e muito. E a mãe
mundo se abrisse de botão que era em grande rosa de minha amiga - talvez atendendo a meu apelo
escarlate. Como se as ruas e praças do Recife enfim mudo, ao meu mudo desespero de inveja, ou talvez
explicassem para que tinham sido feitas. Como se por pura bondade, já que sobrara papel - resolveu
vozes humanas enfim cantassem a capacidade de fazer para mim também uma fantasia de rosa com o
prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, que restara de material. Naquele carnaval, pois, pela
meu. primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia
2 No entanto, na realidade, eu dele pouco ser outra que não eu mesma.
participava. Nunca tinha ido a um baile infantil, nunca Até os preparativos já me deixavam tonta de
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me haviam fantasiado. Em compensação deixavam- felicidade. Nunca me sentira tão ocupada:
me ficar até umas 11 horas da noite à porta do pé da minuciosamente, minha amiga e eu calculávamos
escada do sobrado onde morávamos, olhando ávida tudo, embaixo da fantasia usaríamos combinação,
os outros se divertirem. Duas coisas preciosas eu pois se chovesse e a fantasia se derretesse pelo
ganhava então e economizava-as com ¤avareza para menos estaríamos de algum modo vestidas - à idéia de
durarem os três dias: um lança-perfume e um saco de uma chuva que de repente nos deixasse, nos nossos
confete. Ah, está se tornando difícil escrever. Porque pudores femininos de oito anos, de combinação na
sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, rua, morríamos previamente de vergonha - mas ah!
mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de
Deus nos ajudaria! não choveria! Quanto ao fato de a) "... ruas mortas onde esvoaçavam despojos de
minha fantasia só existir por causa das sobras de SERPENTINA E CONFETE." (parágrafo 1)
outra, engoli com alguma dor meu orgulho que b) "Até que viesse o outro ANO." (parágrafo 1)
sempre fora feroz, e aceitei humilde o que o destino c) "Mas houve um CARNAVAL diferente dos outros."
me dava de esmola. (parágrafo 5)
8 Mas por que exatamente aquele carnaval, o d) "... a mãe de uma AMIGA minha resolvera fantasiar
único de fantasia, teve que ser tão melancólico? De a filha..." (parágrafo 5)
manhã cedo no domingo eu já estava de cabelos e) "Quando horas depois a atmosfera em CASA
enrolados para que até de tarde o frisado pegasse acalmou-se..." (parágrafo 10)
bem. Mas os minutos não passavam, e tanta
ansiedade. Enfim, enfim! chegaram três horas da QUESTÃO 25
tarde: com cuidado para não rasgar o papel, eu me (Faap-1997)
vesti de rosa. Durante este período de depressão
9 Muitas coisas que me aconteceram tão piores contemplativa uma coisa apenas magoava-me: não
que estas, eu já perdoei. No entanto essa não posso tinha o ar angélico do Ribas, não cantava tão bem
sequer entender agora: o jogo de dados de um como ele. Que faria se morresse, entre os anjos, sem
destino é irracional? É impiedoso. Quando eu estava saber cantar?
vestida de papel crepom todo armado, ainda com os Ribas, quinze anos, era feio, magro, linfático.
cabelos enrolados e ainda sem batom e ruge - minha Boca sem lábios, de velha carpideira, desenhada em
mãe de súbito piorou muito de saúde, um alvoroço angústia - a súplica feita boca, a prece perene rasgada
repentino se criou em casa e mandaram-me comprar em beiços sobre dentes; o queixo fugia-lhe pelo rosto,
depressa um remédio na farmácia. Fui correndo infinitamente, como uma gota de cera pelo fuste de
vestida de rosa - mas o rosto ainda nu não tinha a um círio...
máscara de moça que cobriria minha tão exposta vida Mas, quando, na capela, mãos postas ao
infantil - , fui correndo, correndo, perplexa, atônita, peito, de joelhos, voltava os olhos para o medalhão
entre serpentinas, confetes e gritos de carnaval. A azul do teto, que sentimento! que doloroso encanto!
alegria dos outros me espantava. que piedade! um olhar penetrante, adorador, de
10 Quando horas depois a atmosfera em casa enlevo, que subia, que furava o céu como a extrema
acalmou-se, minha irmã me penteou e pintou-me. agulha de um templo gótico!
Mas alguma coisa tinha morrido em mim. E, como nas E depois cantava as orações com a doçura
histórias que eu havia lido sobre fadas que feminina de uma virgem aos pés de Maria, alto,
encantavam e desencantavam pessoas, eu fora trêmulo, aéreo, como aquele prodígio celeste de
desencantada; não era mais uma rosa, era de novo garganteio da freira Virgínia em um romance do
uma ¡simples menina. Desci até a rua e ali de pé eu conselheiro Bastos.
não era uma flor, era um palhaço pensativo de lábios Oh! não ser eu angélico como o Ribas!
encarnados. Na minha fome de sentir êxtase, às vezes Lembro-me bem de o ver ao banho: tinha as
começava a ficar alegre mas com remorso lembrava- omoplatas magras para fora, como duas asas!
me do estado grave de minha mãe e de novo eu O ATENEU. Raul Pompéia
morria. "Eu não tinha o ar angélico de Ribas". A Língua
11 Só horas depois é que veio a salvação. E se conhece o objeto direto pleonástico:
depressa agarrei-me a ela é porque tanto precisava a) Eu o ar angélico de Ribas não tinha
me salvar. Um menino de uns 12 anos, o que para b) Eu, só eu, não tinha o ar angélico de Ribas
mim significava um rapaz, esse menino muito bonito c) O ar angélico de Ribas não o tinha eu
parou diante de mim e, numa mistura de carinho, d) Eu não tinha, não tinha o ar angélico de Ribas
grossura, brincadeira e sensualidade, cobriu meus e) O ar angélico de Ribas não era tido por mim
cabelos, já lisos, de confete: por um instante ficamos
nos defrontando, sorrindo, sem falar. E eu então,
§mulherzinha de 8 anos, considerei pelo resto da
noite que enfim alguém me havia reconhecido: eu era,
sim, uma rosa.
LISPECTOR, Clarice. FELICIDADE CLANDESTINA: CONTOS. 7 ed. Rio
de Janeiro: Francisco Alves, 1991. p. 31-5.
Na(s) questão(ões) a seguir escreva nos parênteses a
soma dos itens corretos.
O NÚCLEO do sujeito está corretamente destacado
em: