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ADAPTAÇÃO DA CRIANÇA NA CRECHE: A SEPARAÇÃO ENTRE MÃE – BEBÊ, E

SEU DESENVOLVIMENTO SOCIAL ATRAVÉS DO INGRESSO ESCOLAR.

Lilian Aparecida da Cruz 1

RESUMO
A inclusão das crianças menores de quatro anos na escola é, muitas vezes, um processo complexo, pois estão
envolvidas questões afetivas e emocionais dos pais em relação a sensação de abandono dos filhos, adaptação da
criança ao novo ambiente e receios referentes os maus tratos, muitas vezes vistos os noticiários. Este trabalho
tem a finalidade de auxiliar as pessoas a compreender esta fase da vida das crianças e, inclusive, dos pais,
abordando o surgimento e a importância da instituição creche no desenvolvimento da criança. Expor as
dificuldades que os pais têm em separar-se de seus filhos nesta fase da vida, assim como apresentar os benefícios
que a creche pode trazer para a vida delas, trabalhando o seu lado cognitivo, convívio social e aprendizagem em
geral. Para este estudo utilizou-se a revisão bibliográfica de artigos referentes a pedagogia aplicada as crianças,
para entendermos melhor como estabelecer o convívio delas dentro do âmbito escolar, objetivando reunir
informações a fim de servir de referencial para famílias e instituições de ensino aplicarem neste importante
período familiar.

Palavras-Chave: Adaptação, creche, criança, pais, desenvolvimento.

1 – INTRODUÇÃO

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

No Brasil, atualmente, não há legislação específica que obrigue os pais a


matricularem seus filhos na creche. Tal obrigatoriedade somente se dá aos quatro anos, como
versa a lei nº 12.796 de 4 de abril de 2013. Aliado a isso alguns fatores emocionais como o
receio da criança ficar doente, falta de adaptação ao ambiente e até o medo dela vier a sofrer
maus tratos dos educadores, contribuem para o desinteresse dos pais em matricular seus filhos
em idade inferior a quatro anos nas instituições de educação.
Com isso os pais criam uma barreira psicológica em torno deste processo, que
poderia trazer muitos benefícios as crianças, dentre eles o desenvolvimento social, evoluído
através do contato com outras pessoas, sejam os educadores e também as outras crianças,
desenvolvimento psicomotor, como o andar, falar, manusear objetos, entre outros,
desenvolvimento lúdico, através de brincadeiras, dinâmicas, e diversas atividades orientadas
pelos agentes educacionais.

1
Graduanda em Pedagogia – Faculdade Estácio de Sá de Ourinhos - FAESO
Este documento tem por finalidade trabalhar de forma ampla e objetiva o
procedimento mais adequado para o ingresso da criança no âmbito escolar. Para proporcionar
aos pais tranquilidade e segurança em deixar seu filho na creche, reduzindo e talvez até
eliminando tais más impressões que muitas vezes são vistas de forma errônea, tornando assim
o ingresso delas em uma idade mais tardia.
Será trabalhada essa adaptação como uma experiência para criança fora de sua
casa, aprendendo a conviver em outros ambientes e pessoas, enfatizando que isso não
substituí este dever materno.
Apresentar-se-á neste artigo como foi o surgimento da creche e como ela vem
mudando ao longo do tempo, como era executado antigamente o processo educacional da
criança desta faixa etária e como hoje ela vem sendo direcionada. Rapoport & Piccinini,
(2000) sugere o trabalho desta adaptação focado na forma afetiva, como um mecanismo que
possibilitará facilitar este processo.
Não podemos esquecer da mãe, que também ajudará a estudar esse processo de
adaptação, o comportamento da criança longe dela, seus pontos negativos e positivos, para
podermos lidar com essa ausência. Todo esse tratamento com a criança tem que partir dos
dois lados, tanto da mãe quanto da equipe gestora, para que assim ela não se sinta
desprotegida e abandonada, principalmente pela própria mãe.
Considerando que a entrada da criança nos primeiros meses se dá de forma
estressante, neste contexto estudaremos a melhor forma para se adaptar e permitir que essa
fase seja mais agradável, queremos também que os pais fiquem mais confortáveis e menos
preocupados, pois sabem-se que ali seus filhos estarão seguros e bem tratados.

História do surgimento da creche

No Brasil, por volta da década de 30, com a crescente evolução da


industrialização, aumentava-se cada vez mais a necessidade de mão de obra operaria. Neste
cenário inclusive, as mães passaram a serem contratadas. Surge um problema que era onde
seriam deixados os filhos durante o expediente de trabalho. Então algumas empresas passaram
a oferecer um serviço de acolhimento a essas crianças, uma proteção, sem cunho pedagógico.
As crianças eram deixadas ali para que suas mães pudessem trabalhar com tranquilidade.
Nessa época a creche era vista com um conceito de assistencialismo, onde não
se tinha uma definição clara, uma identidade concreta para ela.
“Encravada entre a família e a escola, a creche oscila entre as funções
e significados dessas duas outras instituições tão bem demarcadas no
interior da sociedade. Na verdade, é com a família que a creche mais
tem disputado e buscado conquistar espaço, na medida em que essa
é a instituição tradicionalmente encarregada de cuidar e de educar a
criança pequena. Por isso mesmo a creche tem geralmente sido
identificada como uma instância destinada a suprir a lacuna que
resulta da incapacidade da família em cumprir sua função. Ressalta-
se, assim, na história dessa entidade uma forte conotação
assistencialista que insiste em manter-se presente até os dias de hoje.
(MERISSE, 1997, p. 25).”

Ainda segundo Merisse, a creche era vista de cuidados, amparos e


principalmente em educar-se a criança, um ambiente em que os pais pudessem deixar essa
tarefa para a escola, tirando de si toda essa responsabilidade, pois, sabe-se que não é fácil
cuidar de uma criança, a partir do momento que a criança começa falar, pedir e fazer birras, os
pais dão-se o direito em deixar a escola corrigir.

Idade mínima da entrada da criança na creche

Atualmente não há uma idade mínima em que obriga os pais a colocar a criança na
creche, isso vai depender dos pais estarem dispostos ou não e sentirem a
necessidade em colocá-lo na instituição precocemente, por motivos diversos, como
por exemplo, devido a sua jornada de trabalho.
Paralelamente a isso a lei 12.796 de 4 de abril de 2013, tem sua obrigatoriedade em
colocar a partir dos quatro anos.

Adaptação do bebê dentro do âmbito escolar

Ao inserir um filho na creche, diversas situações passam pela cabeça


dos pais, como por exemplo a incerteza de que o bebê será bem tratado, se ele permanecerá
saudável, se as professoras e auxiliares saberão lidar com as situações adversas que todos pais
passam diariamente, como quedas, acidentes diversos e enfermidades. Com isso, o primeiro
momento dessa fase passa a ser deveras crítico no âmbito psicológico.
“Nem sempre o ingresso na creche acontece tranquilamente. O mais comum é que seja
necessário dar um tempo de experiencia à criança (e a mãe) para que ela passe a frequentar,
sem embaraços, choros e choramingas, um novo ambiente. A esse período chama-se
adaptação, em que todo cuidado da equipe da direção e dos educadores diretamente
responsáveis pela criança se fara necessário. Ficar bem na creche, sem sofrimento e sem
chorar, envolve muitos fatores e o sentimento de, pelo menos, duas pessoas mais diretamente
envolvidas: mãe e filho. (Rizo, 1973).”

Para que a criança se adapte na creche é importante a mãe conhecer a escola e


toda equipe gestora, para que ela se sinta confiante em saber que seu filho está bem cuidado.
Essa adaptação requer também que seja de forma natural, nada agressivo, para que isso não se
torne uma frustação ou algo negativo ao longo da vida. Tudo depende também dos
profissionais se aperfeiçoarem, para melhorar a entrada da criança na creche.

2 – MÉTODOS

Através de literatura especifica e também legislações sobre o tema, explorou-se o


surgimento da creche: Quando ela foi criada e sua finalidade original. Expôs-se as regras
atuais de ingresso escolar assim como as funções e obrigações dessa instituição para qual a
criança que ela recebe.
Posteriormente, procurou-se identificar os principais receios que os pais têm em
colocar seu filho na creche. Para tal, foi elaborado um questionário sobre o tema com algumas
perguntas objetivas e outras com opção de inclusão de comentários, afim de tornar as
respostas mais fieis possíveis.
Outro questionário foi gerado, e aplicado junto aos profissionais da área da educação,
afim de analisar a visão deles para qual o processo de adaptação da criança e verificar se
ocorrem problemas adaptativos e caso positivo, quais instrumentos atualmente as instituições
utilizam para tratar o tema.
Em ambos os questionários tentou-se obter também informações sobre o
desenvolvimento da criança após a entrada na creche, visando analisar o impacto deste
ambiente de convívio educacional e social, seja positivo ou negativo.
Baseando-se nos fatos apresentados nas pesquisas, serão verificados os principais e
mais recorrentes problemas encontrados no processo de adaptação da criança na creche, sejam
estes problemas relacionados a criança ou aos pais. Serão avaliados quais os procedimentos
estão sendo tomados nestes casos. Analisar-se-á se estes procedimentos estão sendo eficazes
ou se há necessidade de inclusão de novos métodos para a melhoria deste processo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FAEL. Lei obriga pais a matricular crianças a partir dos 4 anos na pré-escola. Disponível
em: <https://fael.edu.br/noticias/lei-obriga-pais-a-matricular-criancas-a-partir-dos-4-anos-na-
pre-escola/>. Acesso em: 08-mai-2018.

RAPOPORT, Andrea, PICCININI, C. A. O Ingresso e Adaptação de Bebês e Crianças


Pequenas à Creche: Alguns Aspectos Críticos. Psicologia: Reflexão e Crítica, 2001, 14(1),
pp. 81-95.

SPADA, A, C, M. Processo de criação das primeiras creches brasileiras e seu impacto sobre a
educação infantil de zero a três anos. Revista Cientifica Eletrônica de Pedagogia, Ed 5.
2015.