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RELAÇÃO ENTRE A POTÊNCIA ANAERÓBIA E INDICADORES


ANTROPOMÉTRICOS DA COMPOSIÇÃO CORPORAL EM JOGADORES DE
FUTEBOL

Article · June 2011

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5 authors, including:

Silvan Silva De Araujo


Faculdade Maurício de Nassau, Aracaju
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RELAÇÃO ENTRE A POTÊNCIA ANAERÓBIA
E INDICADORES ANTROPOMÉTRICOS
DA COMPOSIÇÃO CORPORAL
EM JOGADORES DE FUTEBOL

Sirley Almeida Adelino Baião | Rodrigo Miguel dos Santos | Silvan Silva de Araújo

Educação Física

ISSN 1980-1769

RESUMO

A avaliação sistemática e quantitativa do condicionamento físico de jogadores de


futebol é de suma importância para o acompanhamento periódico e o planejamento dos
programas de treinamento. É importante salientar que os testes devem se aproximar ao
máximo da prática esportiva, portanto, deve-se respeitar o princípio da especificidade. O
presente estudo teve como objetivo avaliar as relações entre a potência anaeróbia em jo-
gadores de futebol e os indicadores antropométricos da composição corporal: seis joga-
dores de futebol, 23,0 anos (+5,06), adultos do sexo masculino, estatura 1,72 m (+0,01), IMC
23,5 kg/m2 (+3,1), RCQ 0,79 (+0,01). Utilizou-se o RAST, o qual consiste na execução de 6
corridas de 35 m na máxima velocidade, com intervalos de 10 segundos entre cada uma.
O desempenho dos atletas em cada corrida foi cronometrado manualmente. Verificou-se
forte correlação de Pearson e significante (p<0,05) entre o IMC e a potência média (r=0,82)
e o índice de fadiga (r=0,88), embora não se tenha encontrado com relação à RCQ. Foi
possível concluir que os indicadores de distribuição da gordura corporal se relacionam de
forma direta com a capacidade anaeróbia representada pela potência média e o índice de
fadiga. Porém, novos estudos com amostra diversificada e maior devem ser realizados para
fortalecer esta constatação.

PALAVRAS-CHAVE

Potência anaeróbia, composição corporal, futebol.

Cadernos de Graduação - Ciências Biológicas e da Saúde | Aracaju | v. 13 | n.13 | p. 19-29 | jan./jun. 2011
20 | ABSTRACT

A systematic and quantitative evaluation of the fitness of soccer players is of high


importance for regular monitoring and planning of training programs. Importantly, the tests
should reproduce sports conditions, so the principle of specificity can be respected. This
study aimed to evaluate the relationship between the anaerobic power in soccer players
and anthropometric indicators of body composition: six soccer players, 23.0 years old
(+5.06), male adults, height 1.72 m (+0.01), BMI 23.5 kg/m2 (+3.1), and WHR 0, 79 (+0.01). The
RAST was used, which consists of six 35 m races at maximum speed, with intervals of 10
seconds between each one. The performance of athletes in each race was manually timed.
There was strong and significant Pearson correlation (p<0.05) between BMI and the mean
power (r = 0.82) and fatigue index (r = 0.88), although a correlation with the WHR has not
been established. It was possible to conclude that the indicators of fat body distribution are
directly related to the anaerobic capacity represented by the mean power and fatigue index.
However, further studies with different and bigger samples should be done to strengthen
this finding.

KEYWORDS

Anaerobic power, body composition, soccer.

INTRODUÇÃO

O futebol, assim como qualquer outro esporte em nível de alto rendimento, deve
contemplar uma planificação de treinamento adequada aos objetivos e à linha de tempo
disponível para o alcance destes. Tubino (1984) já alertava para a importância de se dividir
o treinamento desportivo em etapas, as quais envolvessem preparação técnica, preparação
tática e preparação psicológica para se atingir objetivos específicos.

A avaliação sistemática e quantitativa do condicionamento físico de jogadores de


futebol é de suma importância para o acompanhamento periódico e para o planejamento
dos programas de treinamento, pois produzem elementos necessários que visam a
aperfeiçoar seu desempenho de acordo com as exigências da modalidade esportiva
fundamentados em bases científicas. Weineck (2000) reforça ao dizer que os testes
motores representam uma forma de avaliação e controle do desempenho e de prescrição
do treinamento. É importante salientar que os testes, tentando aproximar-se da prática
esportiva, devem respeitar o princípio da especificidade descrito por Dantas (1995), pois,
por maior que seja a aptidão física do atleta, esta deve estar relacionada ao desporto em
questão. Obviamente, diferentes modalidades têm exigências distintas por parte do atleta,
o que leva à necessidade de testes alternativos, que examinam aspectos específicos da
habilidade, resistência e preparo físico do atleta.

Esportes coletivos, como o futebol de campo, exigem do atleta movimentação cons-


tante, principalmente na forma de corridas curtas, geralmente abaixo de 50 m, de altas,
médias e baixas intensidades, desta forma a recuperação rápida entre duas ou mais ações
intensas torna-se uma exigência, como conseqüência da evolução do jogo (BANGSBO,
1994). Como é colocado por Dal Pupo, Almeida, Detanico et al. (2010), as ações deter-
minantes durante uma partida de futebol são os deslocamentos curtos em intensidades
máximas ou quase máximas, denominados de sprints, intercalados com breves períodos
de recuperação ao longo da partida. Para Stolen, Chamari, Castagna et al. (2006), o futebol

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caracteriza-se como uma atividade intermitente e que depende da combinação de várias | 21
vias metabólicas. A partir desta perspectiva, a potência anaeróbia seria uma das aptidões
imprescindíveis para o atleta de futebol contemporâneo, a qual fornece subsídios para a
aquisição da velocidade em todas as suas formas de expressão (GONÇALVES; ARRUDA;
VALOTO et al., 2007).

Segundo Weineck (2000), a velocidade envolve uma gama de capacidades físicas


neuromusculares, as quais quando recrutadas devidamente, favorecem o desempenho
desta qualidade física eficientemente. O autor também ressalta que tais capacidades físicas
se manifestam especificamente para uma grande variedade de esportes.

A força e a velocidade estão interligadas nas intensas e curtas ações motoras físicas,
técnicas e táticas do futebol, com predominância na participação do sistema anaeróbio
(CAMPEIZ; OLIVEIRA, 2006). Segundo Gorostiaga, Izquierdo, Rusta et al. (2004), a habilidade
de realizar força máxima nos membros inferiores com alta velocidade de contração ao
executar as diversas ações inerentes ao jogo, como chutar, saltar, trotar e correr curtas
distâncias é o que diferencia os jogadores de diferentes níveis e posições.

O posicionamento dos jogadores em campo reflete, além da habilidade individu-


al do jogador, a qualidade do recrutamento das fibras musculares (DAL PUPO; ALMEIDA;
DETANICO et al., 2010), pois estas podem ser divididas em classes com base nas características
histoquímicas ou bioquímicas das fibras individuais, as quais são classificadas em duas
categorias gerais: fibras rápidas ou fibras lentas (POWERS; HOWLEY, 2009). A capacidade de
desenvolver contrações musculares explosivas em curto espaço de tempo depende em parte
do conteúdo de fibras musculares rápidas, que, por sua vez, depende dos aspectos neuro-
hormonais (HANSEN; BANGSBO; TWISK et al., 1999), assim como da atividade enzimática
para a ressíntese de ATP a partir da fosfocreatina (PC) no metabolismo anaeróbio alático, e
do metabolismo anaeróbio lático (glicolítico), a partir da glicose (C6H12O6) com geração de
lactato (MAUGHAN; GLEESON; GREENHAFF, 2000).

Para McArdle, Katch e Katch (2001), os testes de potência anaeróbia são testes práticos
que avaliam a capacidade do atleta para a transferência de energia de curto prazo em
atividades de alta intensidade. São assim chamados, pois envolvem a realização da força
em máxima velocidade, são de grande importância no âmbito esportivo. Segundo Matsudo
(1988), a idéia de medir indiretamente a potência anaeróbia através de teste de corrida
são procedimentos que demonstram alta reprodutibilidade e objetividade interna. O autor
afirma, por exemplo, que o teste de 40 segundos apresentou validade testada frente a um
teste anaeróbio alático de 0,70 a 0,84; frente à concentração de lactato sérico que foi de 0,91
entre escolares de 7 a 18 anos. Embora, para garantir transferência efetiva seja importante
que os mesmos respeitem a especificidade das ações motoras da modalidade esportiva,
como mencionado anteriormente.

O desempenho dos músculos de membros inferiores de futebolistas pode ser


avaliado tanto por testes de pista, como de laboratório. Em laboratório, o teste de Wingate,
que foi desenvolvido durante a década de 70 no Instituto Wingate, em Israel. Desde sua
criação, o teste anaeróbio de Wingate tem sido utilizado em diversos trabalhos com os
mais diferentes tipos de sujeitos na fisiologia do exercício (FRANCHINI, 2002). Isto se dá em
função da simplicidade metodológica e por permitir controle das condições ambientais,
e maior acompanhamento do avaliado, o que garante excelente reprodutibilidade. A
elaboração desse teste surgiu da necessidade de obter-se mais informações sobre o
desempenho anaeróbio, uma vez que em algumas atividades diárias e, principalmente,

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22 | nas modalidades esportivas há a necessidade da realização de movimentos com grande
potência, instantaneamente ou em poucos segundos (BAR-OR, 1987).

O teste de Wingate consiste de um esforço supramáximo de 30 segundos, realizado


num cicloergômetro com carga proporcional à massa corporal do avaliado, que fornece
alguns importantes índices de desempenho motor, tais como a potência máxima, potência
média, índice de fadiga, além de possibilitar a identificação do momento em que a potência
máxima é atingida, durante o teste (OKANO; DODERO; COELHO et al., 2001). Porém, como
este teste é aplicado em um cicloergômetro, o mesmo não apresenta especificidade para
corredores, assim como para jogadores de futebol. Embora, para Silva, Pedrinelli, Teixeira et
al. (2002), os resultados obtidos no teste de Wingate possam ser utilizados sensivelmente
como marcadores não invasivos para avaliar, sobretudo, o efeito do treinamento anaeróbio,
independente da modalidade esportiva. 

Buscando uma maior especificidade e uma melhor transferência de resultados, ou-


tros testes têm sido aplicados no meio futebolístico, como o teste de salto vertical (SV),
que avalia a potência anaeróbia alática, o Shuttle Run (SR) e o Shuttle Run com bola (SRB)
(MATSUDO, 1988). Neste contexto surge o RAST (Running-based Anaerobic Spring Test),
desenvolvido pela Universidade de Wolverhampton, na Inglaterra (ZACHAROGIANNIS; PA-
RADISIS; TZIORTZIS, 2004; MACKENZIE, 1997). O RAST e o teste de Wingate são semelhan-
tes no sentido de fornecer a potência anaeróbia máxima e o índice de fadiga. Porém, como
foi abordado, o teste de Wingate, por ser realizado em um cicloergômetro, tende a apre-
sentar menor sensibilidade para jogadores de futebol. Segundo Santos, Coledam e Santos
(2009), o RAST apresenta grande especificidade para o futebol, uma vez que são realizados
seis corridas de velocidade máxima, intercaladas por 10 s de recuperação passiva, situações
estas presentes no transcorrer de uma partida de futebol. Portanto, o RAST apresenta-se
mais especificamente ao atleta cujo esporte demanda a corrida, para esta modalidade em
estudo. Os parâmetros determinados através do RAST têm apresentado correlações signifi-
cativas com os rendimentos máximos na corrida de 100, 200 e 400 m (ROSEGUINI; SILVA;
GOBATTO, 2008), o que corrobora sua especificidade.

Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo verificar a potência anaeróbia
em jogadores de futebol amador, através do RAST, além de avaliar a associação entre a
potência anaeróbia e os indicadores antropométricos da composição corporal, IMC e RCQ.
 
MÉTODOS

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos
da Universidade Tiradentes (Sergipe-Brasil) sob o parecer nº 120710-R. As condições
experimentais estavam de acordo com a Declaração de Helsinki e Conselho Nacional de
Saúde no Brasil atendendo à resolução 196/1996.

A amostra foi composta por seis jogadores (23,0 anos +5,06) de futebol, adultos do
sexo masculino, pertencentes à equipe universitária da Universidade Tiradentes, Sergipe. Os
testes foram realizados em pista de atletismo do campus da universidade a uma temperatura
de 28° C. As mensurações de massa corporal e estatura de cada jogador foram realizadas
conforme descrito em Petroski, Velho e De Bem (1999) e registradas com auxílio de uma
balança digital e um estadiômetro. Em seguida aferiu-se a frequência cardíaca de repouso
com cardiofrequencímetro da marca Polar®, Modelo RS-300X.

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Com a massa corporal e a estatura (Tabela 1), foi possível calcular o índice de massa | 23
corporal através da relação: MC(kg)/E(m)2 (PETROSKI, 1999). Cada sujeito foi conduzido
à pista de corrida, que foi demarcada a intervalos de 35 m, para a realização do teste.
Para a realização do RAST foram seguidos os procedimentos propostos por Roseguini,
Silva e Gobatto (2008): aquecimento preliminar, com duração de 10 minutos, recuperação
de 5 minutos, e em seguida a execução de 6 corridas de 35 m na máxima velocidade,
com intervalos de 10 segundos entre cada. O desempenho dos atletas em cada corrida
foi cronometrada manualmente por avaliadores experientes com precisão de centésimos
de segundos, fornecendo seis valores, os quais foram usados para a determinação dos
parâmetros dos testes através do Microsoft Excel®.

Tabela 1: Perfil antropométrico e fisiológico dos jogadores de futebol avaliados

FC
Jogador Idade (anos) Altura (m) MC (kg) IMC RCQ
(bpm)
A 19 1,73 68 98 22,7 0,81
B 21 1,74 69 86 22,7 0,80
C 23 1,73 86 80 28,7 0,76
D 21 1,76 66 83 21,3 0,76
E 21 1,68 57 79 20,1 0,79
F 33 1,69 72 68 25,2 0,81
Md 23 1,72 70 82 23,5 0,79
DP(+) + 5,1 + 0,0 + 9,5 9,0 + 3,1 + 0,0

Md: Média; DP: Desvio padrão

Os cálculos fornecem medidas de potência, baseadas em estimativas de força (massa


x aceleração) e velocidade (distância/tempo), onde a potência (p) em Watts pode ser
calculada a partir da fórmula:

p = MC (Kg) × distância² (m) / tempo³ (s).

Onde a MC foi mensurada em quilogramas (kg), a distância em metros (m), e o tempo


em segundos (s). As variáveis dependentes utilizadas no estudo são potência máxima
(Pmáx), que representa a potência de pico, potência mínima (Pmín), potência média (Pméd)
e o índice de fadiga (IF). A Pméd representa a média dos desempenhos alcançados ao
longo do teste. O índice de fadiga (em watts por segundo, W/s) é calculado pela diferença
entre a potência máxima e a mínima (Pmáx - Pmín) dividida pelo tempo total de corrida.
Sua fórmula é:

Índice de fadiga = (Potência máxima - Potência mínima) x 100 / potência máxima.

O valor da potência máxima fornece informações sobre a força do atleta e sua


velocidade máxima de arrancada. A amplitude de valores encontrada em pesquisa é de
676 a 1054 W (MACKENZIE, 1997). O valor mínimo é necessário para o cálculo do índice de
fadiga, e fica geralmente entre 319 e 674 W. A potência média é uma medida da habilidade do
atleta de manter a potência ao longo do tempo, e quanto maior o valor, maior a habilidade
do atleta de manter um desempenho anaeróbico.

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24 | O índice de fadiga indica a taxa de redução da potência durante o teste para o atleta,
e quanto menor o valor, maior sua habilidade de manter um desempenho anaeróbico.
Um valor acima de 10s é considerado alto, segundo Bangsbo (1994), o qual pode indicar a
necessidade de melhorar a tolerância ao lactato do atleta.

Os tempos de corrida e os resultados do teste do RAST foram comparados entre os


jogadores avaliados, visando identificar possíveis padrões e necessidades.

RESULTADOS

A partir do teste do RAST foi possível obter os valores referentes à potência anaeróbia,
que está exposto na tabela a seguir. Sendo possível constatar uma grande variação na Pmáx
e Pméd absoluta entre a amostra pesquisada.
 
Tabela 2: Resultados do teste RAST aplicado nos seis sujeitos analisados no presente estudo.

Pmáx Pméd Índice de Fadiga


R (W/kg) Ab (W) R (W/kg) Ab (W) IF (%) IF (s)
A 10,4 703,7 7,8 531,6 40,8 8,8
B 7,4 513,6 5,8 398,3 48,8 6,9
C 9,8 842,8 5,0 431,5 71,0 15,4
D 9,4 620,4 7,9 519,6 35,9 6,9
E 9,7 555,3 8,1 461,6 33,9 5,9
F 8,5 616,3 6,9 498,2 40,6 7,4
M 9,2 642,1 6,9 473,5 45,1 8,5
DP(+) 1,1 117,7 1,3 52,3 13,7 3,5

R: relativa; Ab: absoluta; IF: índice de fadiga

A tabela 3 apresenta os níveis de correlações entre as principais variáveis estudadas e suas


respectivas significâncias. Observa-se que no grupo pesquisado, os níveis de gordura corporal
na região central representados pelo RCQ não apresentaram associação, negativa ou positiva,
com as variáveis de potência anaeróbia relativa. Porém, quando a composição corporal foi
avaliada pelo IMC, esta apresentou associação positiva e significante, com a Pméd e o IF.

Tabela 3: Correlação de Pearson entre os indicadores antropométricos e a potência anaeróbia (Pan).

Variáveis IMC RCQ


PMáx r = 0,02 r = -0,26
PMéd r = 0,82* r = 0,23
IF r = 0,88** r= -0,40

*(p=0,048); **(p=0,020)

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DISCUSSÃO | 25

O presente estudo teve como objetivo verificar a potência anaeróbia em jogadores de


futebol amador, através do RAST, além de avaliar a associação entre a potência anaeróbia
e os indicadores antropométricos da composição corporal, IMC e RCQ. Entretanto, um
aspecto potencialmente negativo para a coleta de dados deste estudo foi a utilização dos
recursos para aplicação do teste, pois o sistema de cronometragem manual é passível de
erros intra e inter avaliador, enquanto o sistema de fotocélulas permite uma avaliação mais
precisa (SPIGOLON; BORIN; LEITE et al., 2007).

Apesar da possibilidade de subestimação da velocidade e potência dos jogadores, o


índice de fadiga, por ser um valor relativo, não deve ser afetado, a não ser que exista um viés
desproporcional de acordo com a velocidade de corrida, por exemplo.

Com relação ao desempenho dos atletas analisados no estudo de Bangsbo (1998),


a Pmáx e a Pméd encontram-se em níveis considerados fracos quando comparados aos
valores de referência de seu estudo. Embora com relação ao IF, os atletas tenham se mostrado
em nível bom. Porém, este comportamento é mais determinante de uma diferença entre
a potência máxima e mínima não tão elevada, do que mesmo uma alta capacidade de
tolerância à fadiga representada pelo IF.

Em seu estudo com jogadores sub-13, sub-15 e sub-17, Asano, Barholomeu Neto,
Ribeiro et al. (2009) utilizaram o teste de Wingate e verificaram valores mais acentuados
nas duas últimas categorias, tanto na Pmáx, quanto na Pméd, ambas relativas, embora os
valores absolutos do presente estudo tenha apresentado maiores valores. Este fato indica
um nível de treinamento abaixo do esperado para esta categoria de jogadores com idade
média de 23 anos, ou ainda uma maior necessidade de enfatizar esta qualidade física.

Pereira (2006), em sua dissertação, ao avaliar a potência anaeróbia de jogadores


juniores através do teste de Wingate apontou resultados bastante superiores ao do presente
estudo na Pmáx absoluta e relativa (894,7W +125; 12,2W/kg +1), Pméd (668,2W +77,1; 9,1W/
kg +0,7). Porém com relação ao IF (52,5% +8,8) a autora verificou valores maiores ao do
presente estudo, o que demonstra uma ampla variação entre a Pmáx e a Pmín, embora o IF
(4,8s +1), que representa o momento da potência máxima, o presente estudo mostrou-se
com maior queda de desempenho nas corridas de 35 m.

Santos, Coledam e Santos (2009) realizaram em seu estudo uma comparação entre os
valores encontrados através do RAST em jogadores de futebol da 4ª divisão do futebol paulista
antes e após a pré temporada, com duração de 8 semanas, encontrando valores para a Pmáx
(W/kg) de 8,47 e 8,94; de 5,90 e 7,03 para Pmín; de 6,74 e 7,95 para Pméd; e 29,75 e 21,25 para
IF (s), respectivamente; sendo próximos aos valores encontrados no presente estudo.

Segundo Denadai, Guglieno e Denadai (1997), a capacidade anaeróbia é dependente


da idade cronológica em jogadores jovens de futebol, principalmente após os primeiros
estágios maturacionais quando se iniciam as modificações morfológicas e hormonais, as
quais são caracterizadas pelo incremento de massa muscular e de enzimas do metabolismo
anaeróbio glicolítico. Porém, tais qualidades físicas e metabólicas devem ser potencializadas
com um plano de treinamento bem organizado com o objetivo de otimizar aspectos como,
sobrecarga, dieta e recuperação (WEINECK, 2000).

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26 | Os valores de FC, IMC e de RCQ (tabela 1) encontraram-se dentro das faixas sugeridas
para valores adequados (CORBIN; LINDSEY, 2005; GUEDES; GUEDES, 1998) e mais qualificados
do que a média da população em geral, com pequenas discrepâncias individuais.

De acordo com Dietz e Bellizze (1999), o IMC é bastante utilizado em estudos


populacionais, sobre excesso de peso e obesidade. Porém, os autores ressaltam as limitações
deste índice quando da predição do sobrepeso e da obesidade. Portanto, os resultados devem
ser interpretados com precaução, pois uma pessoa com amplo desenvolvimento muscular
e ósseo pode ser classificada com sobrepeso ou obesa. Assim como, uma pessoa com baixo
peso corporal em relação à sua estatura pode ser classificada como normal ou subnutrida,
podendo apresentar excessiva quantidade de gordura em relação à sua massa corporal.

A tabela 3 evidencia correlação positiva e significante entre o IMC com a Pméd e o IMC
com o IF, o que pode parecer paradoxal considerando o princípio de que o incremento do índice
de massa corpórea está associado ao aumento da gordura corporal em indivíduos normais.

Com relação à RCQ, não foram encontrados estudos relevantes para efeito
comparativo com o presente. Porém, em estudo de Daros, Osiecki, Dourado et al. (2008),
os autores encontraram IMC nas categorias Júnior e Profissional, 22,1 (+1,6) e 23,1 (+1,6),
respectivamente, os quais se aproximam dos 23,5 (+3,9) do presente estudo.

Sampaio e Figueiredo (2005), ao correlacionarem IMC e circunferência de cintura


(CC) verificaram forte e significante correlação tanto em adultos, quanto em idosos.
Embora tenham destacado menor correlação entre IMC e a RCQ, a mesma fora significante.
Esta condição corrobora a literatura quando se trata de estudos epidemiológicos (ANJOS,
1992), mas é controversa em uma população de atletas. Estes achados são coerentes com
os de Albuquerque, Santos, Conceição et al. (2008), pois evidenciaram relação direta e
significante em estudo de correlação do IMC com desempenho de velocidade de corrida
de atletas. Isto conduz à hipótese de que o IMC caracteriza-se como um indicador de que
os atletas de maior massa corporal não devem este aumento à massa adiposa, mas antes a
um aumento da massa muscular, sendo este um indicador que se relaciona positivamente
com as corridas de velocidade e consequentemente à capacidade anaeróbia.

Outra consideração cabível é a necessidade de dar continuidade ao monitoramento


dos jogadores analisados aqui, considerando que o teste RAST foi desenhado essencialmente
para o acompanhamento do desempenho de jogadores durante o treinamento (MACKENZIE,
1997). Além da necessidade de um bom condicionamento físico e desempenho anaeróbico
(MCARDLE; KATCH; KATCH, 2001; GONÇALVES; ARRUDA; VALOTO et al., 2007) para jogar
futebol, Falk e Pereira (2009) mostraram recentemente que o fator fadiga, como medido
pelo teste RAST, pode afetar negativamente a habilidade do jogador em campo. Ou seja,
jogar futebol não é somente correr, mas exige também habilidades técnicas, que podem se
beneficiar também pelo condicionamento físico do jogador.
 
CONCLUSÃO

O presente estudo confirma a viabilidade e utilidade do RAST, para a avaliação do


desempenho de atletas, pois é passível de utilização em grande escala no esporte, tanto
em nível amador, quanto no alto rendimento. Mostrou-se útil, pois as qualidades físicas
por ele identificadas são de suma importância para diagnosticar a potência e a capacidade
anaeróbia, e classificar os atletas dentro do grupo e inter grupos, apesar das limitações

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comprovadas pela utilização de cronometragem manual. Embora, este aspecto possa ser | 27
minimizado pelo treinamento dos avaliadores.

O desempenho motor do grupo de jogadores de futebol ficou abaixo do referenciado


pela literatura, e confirmou a necessidade de um acompanhamento contínuo para garantir
uma evolução adequada do atleta frente às exigências do esporte praticado. Com relação
à composição corporal, o grupo de jogadores investigados apresentou resultados médios
próximos aos demais atletas da modalidade, portanto superiores qualitativamente em
relação à população em geral.

Embora se comportem de forma a estimar o aumento da massa adiposa na


população de adultos, os indicadores antropométricos de distribuição da gordura corporal
se relacionaram de forma direta com as variáveis de capacidade anaeróbia, especialmente
a Pméd e o IF dos atletas pesquisados. Com relação à RCQ não se verificaram associações
significativas. Porém, novos estudos com amostra maior e diversificada devem ser realizados
para fortalecer esta constatação.
 
SOBRE O TRABALHO

Esse artigo foi produzido a partir da disciplina Fisiologia do Esforço do perí­odo 2010/2.
Contato eletrônico com os autores do trabalho: rms.edf@hotmail.com. Silvan Silva de Araujo,
orientador do trabalho publicado, é professor da disciplina Fisiologia do Esforço, Mestre em
Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Sergipe prof.silvan@ig.com.br
 
REFERÊNCIAS

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