Você está na página 1de 18

A ORIGEM DOS

DEUSES DO
ESPAÇO

Antigos astronautas
e o mito de Cthullu
na ficção e no fato

Autor de The Cult of Alien Gods

JASON COLAVITO
Tradução: Nouah Caroline L. Batista
Igor M. Buogo
I
Alienígenas nos mitos

Uma das mais dramáticas ideias encontradas no mito de Cthlullu é a sugestão de que
seres extraterrestres chegaram à Terra em um passado distante, foram responsáveis por
antigos monumentos arquitetônicos de pedra, e inspiraram as primeiras mitologias e
religiões da humanidade. Em 1970, essa premissa básica foi ressuscitada como a teoria
dos antigos astronautas, uma hipótese que ganhou popularidade generalizada graças ao
livro do hoteleiro suíço Erich Von Däniken, Chariots of the Gods? (Eram os deuses
astronautas?) (1968) e sua adaptação televisiva, In search of ancient astronautas (1973),
estrelado por Rod Serling, famoso por The Twilight Zone. De acordo com a pesquisa
feita por Kenneth L. Feder, no auge da popularidade de Von Däniken em 1970 e 80, um
em cada quatro universitários aceitavam a teoria dos antigos astronautas, mas 20 anos
após, eram menos que dez por cento (1978). Embora a ciência do mainstream não
reconheça intervenção extraterrestre na história humana, a teoria continua a receber
exposição em documentários de televisão a cabo, em revistas, e em uma infinidade de
livros.

Nascido em Providence, Rhode Island, o autor H.P Lovecraft (1890-1937)


tem sido justamente saudado como um mestre da história de terror, e seu trabalho
reivindica um lugar ao lado de Edgar Allan Poe e Stephen King no panteão do gênero.
Nascido em uma família rica em 1890, a vida de Lovecraft teve uma série de
reviravoltas e declínios, como sua família ter perdido sua fortuna e seus pais
sucumbirem para a loucura. Ele foi um estudioso precoce e autodidata, que lia
vorazmente e devorava o tanto de literatura que ele podia. Lia romances de H.G Wells,
cujo Guerra dos Mundos contou a chegada das criaturas alienígenas para a Terra. Ele
também leu mestres do terror gótico do século XVIII, e acima de tudo Edgar Allan Poe.
Também leu trabalhos de pseudociência e misticismo para inspiração.

Quando ele adaptou a escrita de seu próprio trabalho, ele começou a


misturar o mundo moderno de ficção científica com seus contos favoritos de melancolia
gótica. Lovecraft tentou trazer o conto gótico para o século XX, modernizando as
armadilhas do terror antigo para um novo século de ciência. Lovecraft publicou seu
trabalho em revistas de pulp fiction, principalmente Weird Tales, embora muitos destes
trabalhos não tenham sido publicados até depois de sua morte em 1937. Ao longo de
1940 e 1950, a ficção cientifica e revistas de terror reimprimiram os contos de Lovecraft
inúmeras vezes, e ele se tornou um dos mais populares autor de pulp.

O trabalho de Lovecraft baniu o sobrenatural, o reformulando em termos


materialistas. Ele pegou a ideia do panteão dos deuses antigos e criou um grupo de
aliens que descem à Terra em um passado distante. Através de seu trabalho, Lovecraft
forneceu um número de diferentes explicações para a chegada dos antigos visitantes na
Terra primitiva. Em O chamado de Cthlulhu, os Antigos, incluindo Chutllu, o
tentaculoso e nascido das estrelas, teriam vindo ao jovem mundo fora do céu e ter
ascendido poderosas cidades cujos restos poderiam ser vistos nas pedras ciclópicas
pontilhando as ilhas do Pacífico. Estes Antigos trouxeram consigo imagens deles
mesmos (portanto inventaram a arte) e hieróglifos, uma vez legíveis, mas agora
desconhecidos (as origens da escrita). Eles falam com humanos em seus sonhos, e
estabeleceram um culto de adoração a eles (as origens da religião). Aparecem como, e
foram tratados como tal, monstruosos deuses vivos, tão grandiosos eram seus poderes
místicos.

Em histórias posteriores, Lovecraft adicionou novos detalhes e alterou sua


concepção anterior dos Antigos para fornecer um mais rico e desenvolvido retrato de
uma intervenção alienígena na vida na Terra. Em As Montanhas da Loucura, Lovecraft
apresenta uma visão mais completa das origens extraterrestres da vida humana. Aqui, os
Antigos eram agora uma espécie de criaturas alienígenas separadas e em guerra com o
Grande Cthulhu e sua geração, que somente chegaram eras depois. Os Antigos eram as
origens dos seres diabólicos das antigas mitologias, e eles levantaram grandes cidades
embaixo dos oceanos e em continentes primitivos. Estes seres chegaram na Terra após
colonizarem outros planetas, e eles criaram vida na terra como fonte de comida. Estas
células primitivas artificiais permitiram-se evoluir naturalmente entre as plantas e
animais do mundo moderno – incluindo a humanidade primitiva, que eles usaram como
comida ou entretenimento.
RESUMO

“O velho Castro lembrou trechos de lendas medonhas que empalideceu as


especulações de teosofistas e fez o homem e o mundo parecerem recente e
transitório de fato. Houve eras quando outras Coisas governavam na Terra, e
Eles tiveram grandes cidades. Os restos delas, ele disse que o homem imortal
da China o contou, ainda podem ser encontradas em forma de pedras
ciclópicas no Pacífico. Todos Eles morreram há muitas eras antes do homem
vir, mas lá há artes que podem revivê-Los quando as estrelas voltarem
novamente para suas posições certas no ciclo da eternidade. Eles tiveram, de
fato, vindos das estrelas, e trouxeram suas imagens com eles. Estes Anciãos,
Castro continuou, não eram compostos completamente de carne e sangue.
Eles tinham forma, mas aquela forma não era feita de matéria. Quando as
estrelas estavam corretas, podiam mergulhar em mundo após mundo através
do céu; mas quando as estrelas estavam erradas, Eles não podiam viver.”

- H.P Lovecraft, “O chamado de Cthulhu” (1926)

Em outro lugar, Lovecraft descreveu seus antigos visitantes como mantendo


presença na terra moderna, e como os Nephilims da bíblia, eles tiveram filhos com
mulheres da Terra em “The Dunwich Horror”, “The Shadow over Innsmouth” e
Medusa’s Coil”. Em “The Horror in the Musem”, é sugerido que as criaturas
monstruosas são cultuadas como deuses que não são de todo extraterrestre, e que cinco
talvez tenham vindo de dimensões alternativas. Em The Shadow out of time, a grande
raça dos extraterrestres é uma das incontáveis espécies abrangendo o universo e seus
poderes mentais permite com que eles projetem a si mesmo atrás e à frente do Tempo,
reunindo inteligência e conhecimento para sua livraria e, em locais, transmitindo sua
própria sabedoria. Mais ao ponto, em sua forma de escritor fantasma William Lumley
em “The Diary of Alonzo Typer”, o narrador do Book of Dzyan, um livro pré-humano,
que alienígenas de Venus vieram para a Terra em naves espaciais para “civilizar” o
planeta.

O conhecimento humano desses alienígenas é fragmentário e obscuro.


Evidências existem em forma de antigos artefatos anormais manufaturados antes do
Homem, no folclore e na mitologia, e textos escritos como Necronomicon, Nameless
Cults, e o Livro de Eibon, que sugerem, mas não divulgam totalmente a natureza e os
hábitos extraterrestres.

Muitos críticos de Lovecraft notaram que sua visão dos mitos mudou
através do tempo, com o divino e o semi-sobrenatural Ctulhu de O chamado de Cthulhu
gradualmente dando caminho para alienígenas totalmente materiais em Nas Montanhas
da Loucura. Muitos escritores de mitos, começando com August Derleth, ficaram
desanimados com as contradições da escrita de Lovecraft (e.x, Cthulhu é um dos
Antigos em Call of Cthulhu, mas meramente um primo deles em The Dunwich Horror;
os Antigos mudaram de identidades muitas vezes também), e eles estiveram tentados à
sistematizar os mitos. No entanto, os escritos de Lovecraft refletem a maneira real como
os mitos se desenvolvem, com mudanças e contradições e anomalias. Isto é composto
pelo fato de que Lovecraft não escrevia como um narrador onisciente, mas preferia
apresentar seus mitos através dos olhos de estudiosos e escritores que tinham somente
parte da história, e assim sendo não poderiam apresentar a verdade inteira. Mesmo em
Necronomicon, Abdul Alhazed (implicitamente) estava a par apenas de sugestões e
rumores e interpretações dos mitos através das mitologias do Oriente Próximo que ele
conhecia. Em outras palavras, os contos de mito de Lovecraft mostram para nós uma
fragmentada, inconstante e incerta visão dos seres alienígenas refletidas através de
preconceitos e dos limites mentais de todos que os encontraram.

RESUMO

“Estas massas viscosas eram sem dúvida o que Abdul Alhazred murmurou
sobre os Shoggoths em seu assustador Necronomicon, apesar de mesmo
aquele louco árabe não ter sugerido que algum existisse na terra exceto nos
sonhos daqueles que mastigaram certa erva alcalóide.”

- H.P Lovecraft, “As montanhas da loucura” (1931)


II
Antigos astronautas antes de Lovecraft

A ideia de que a vida possa existir em outros mundos não foi única de Lovecraft, é
claro, e o conceito tem uma longa história datando dos primeiros filósofos gregos que
especularam sobre a natureza das coisas nos outros mundos. Anaxagoras (c. 500 – 428
A.E.C) propôs que a vida começou de ‘‘sementes’’ que se espalharam pelo universo;
Anaxarchus (c. 340 AEC) pensou que devia haver uma infinidade de mundos, e Epicuro
(341 – 270 AEC) sentiu existência de vida em muitos planetas ao longo da vastidão do
espaço. Estes filósofos, contudo, não propuseram a visita desses alienígenas à terra.

O escritor precoce mais importante a propor visitações extraterrestres à terra


foi Madame Helena Blavatsky (1831-1891), a fundadora da Teosofia, um amálgama de
espiritualismo da era Vitoriana, religiões orientais e o bom e velho hokum (algo fora do
sentido). Em The Secret Doctrine, o texto mais importante da Teosofia, Blavatsky notou
as especulações dos gregos sobre a vida em outros mundos e defendeu que os antigos
tiveram conhecimento de primeira-mão do fato da existência de extraterrestres. Ela
especulou que seres em mundos inumeráveis e habitados podem ter ‘‘influência” ou
“controle” sobre a terra. Ela também assentiu que seres espirituais originários da lua
contribuíram para o desenvolvimento metafísico da vida na terra, mas para ela a
intervenção alienígena é algo secundário num épico desenvolvimento histórico e
espiritual de uma seleção de criaturas da terra que evoluíram de um lodo primário para a
supremacia ariana nos continentes perdidos de Hyperborea, Lemuria, e Atlantis.

RESUMO

“A primeira raça de homens era, então, simplesmente as imagens, as dobras astrais, de


seus Pais, o qual foram os pioneiros, ou as mais avançadas Entidades de precedentes da
esfera baixa, um pedaço do que hoje é nossa Lua. Mas mesmo este pequeno pedaço é
cheio de potencial, pois, tendo gerado a Terra, é o fantasma da Lua que, atraído por
afinidade magnética, buscou formar seus primeiros habitantes, os monstros pré-
humanos.” (Helena Blavastky, The Secret Doctrine (1888). (o trecho que era estranho)
Discípulo de Blavatsky, W. Scott-Elliot expandiu as sugestões cósmicas da
Teosofia criando uma raça de seres divinos habitando Venus. Em The Lost Lemuria
(1904), Scott-Elliot clamou que seres envolvidos em Venus, mas que tinham alcançado
um estado espiritual ou “divino” de desenvolvimento, vieram à terra e ensinaram aos
habitantes de Lemuria as artes da civilização, dando a eles trigo e fogo. Uma diferença
crítica entre os senhores de Venus, as criaturas da lua de Blavatsky e os seres dos Mitos
(e também os modernos antigos astronautas) é que os venusianos e habitantes da Lua da
Teosofia não são imaginados como verdadeiros extraterrestres (no sentido moderno) de
sistemas estelares distantes, mas a encarnação de seres espirituais que compartilham
conexões místicas com as criaturas terráqueas e sentem uma chamada espiritual para
ajudar seus irmãos na terra. Aqui, os venusianos são habitantes de Venus no mesmo
sentido que uma vez pensou-se serem os anjos de Deus habitantes de Venus, Marte, e
outras esferas cristalinas que circulam a terra.

RESUMO
“As posições ocupadas pelos seres divinos de Venus são naturalmente aquelas de
governantes, instrutores religiosos, e professores de artes, e é nesta última capacidade
que uma referência às artes ensinadas por eles veio à nossa ajuda em consideração à
história dessa primeira raça”. (W. Scott-Eliot, The Lost Lemuria (1904) (RUIM!)

Em 1919, um grande coletor de trivialidades anômalas, Charles Fort,


publicou o Book of the Damned, onde ele especula que estas velhas histórias de
demônios poderiam estar relacionadas com “desagradáveis visitantes de outros
mundos”, apesar de ele não firmar uma conexão entre demônios e alienígenas. Ele
também sugestionou que outros mundos podem ter se comunicado com o nosso no
passado distante, deixando para trás tecnologia avançada, ou tentado colonizar a terra.
Contudo, Fort não clamou que essas coisas realmente aconteceram, mas que elas podem
ter acontecido, e de qualquer forma não há meio para afirmar nem que as criaturas eram
alienígenas, trans-dimensionais, espirituais, ou mesmo imaginárias – talvez o resultado
de telepatia, comunicações com o reino dos espíritos, ou de uma miríade de outras
fontes.
RESUMO
Se outros mundos tiveram no passado relações com a terra, elas foram tentativas de
‘eles se estenderem, via colonização, sobre a terra; converter, ou assimilar, os ingênuos
habitantes deste planeta. (Charles Fort, The Book of the Damned, 1919)

H.P. Lovecraft leu tanto The Book of the Damned como Scott-Elliot, no
volume compilado The Story of Atlantis and Lost Lemuria (1925), e destas ideias
fragmentadas sobre visitantes alienígenas na pré-história imaginou (mais-ou-menos)
alienígenas de carne e sangue chegando à terra no passado distante e tudo o mais que
este fato implicou.
III
ANTIGOS ASTRONAUTAS APÓS LOVECRAFT

Os mitos de Lovecraft tornaram-se um dos meios de avaliar a literatura moderna de


horror e um poderoso tema no terror, fantasia e ficção científica, onde as ideias de
visitantes alienígenas em um passado profundo continua a desfrutar da popularidade no
contemporâneo como em Stargate, Arquivo-X, Doctor Who, Alien x Predador e
centenas de outros filmes, livros e programas de televisão.

Porém, os deuses alienígenas de Lovecraft também geraram decididamente


teoria não-ficcional dos antigos astronautas, que continua a converter novos adeptos
hoje. Os nomes dos deuses alienígenas de Lovecraft, como Cthulhu, YogSothoth e
Shub-Niggurath começaram a surgir em outras histórias durante o tempo de vida de
Lovecraft. Lovecraft, por conta própria, começou esta prática inserindo estes nomes ou
variantes deles dentro de histórias em que ele foi escritor fantasma ou revisou para
outros autores. Em sua revisão de “The Mound” de Zelia Bishop, por exemplo,
Lovecraft abordou seu deus alien Cthulhu na história sob o nome variado de Tulu,
dando aos leitores de revistas o que eles pensaram ser histórias independentes
apresentando referência dos mesmos deuses antigos. Pelos anos 60, várias dúzias de
autores usaram elementos que vieram a ser chamadas de “The Cthulhu Mitos”, em
historias que eles escreveram para ficção científica e revistas de terror.

A ficção Lovecraftiana tornou-se cada vez mais popular na Europa, onde os


franceses o abraçaram como um gênio tanto quanto eles abraçaram Edgar Allan Poe. Na
França, o russo expatriado Jacques Bergier e o escritor Louis Pauwels leram Lovecraft e
foram inspirados por sua visão cósmica. Bergier firma ter correspondido com Lovecraft
em 1935, apesar de não haver cartas sobreviventes.

Ele passou um tempo de 1950 promovendo Lovecraft na mídia francesa,


incluindo as revistas que ele e Pauwles editavam, Planète, e trabalhando para trazer o
trabalho de Lovecraft nas edições francesas.

Os editores da Planète mantinham Lovecraft como seu profeta, e as


reimpressões de suas histórias ajudaram a popularizar ele e os mitos de Cthulhu no
imaginário francês. Vasculhando o material de origem teosófica e forteana de Lovecraft,
Bergier e Pauwels escreveram Le Matis des Magiciens (1960) (publicado em inglês
como a manha dos mágicos) e apresentaram a primeira teoria dos antigos astronautas
totalmente desenvolvida. Nisso, eles apresentaram os temas encontrados em Lovecraft
como não-ficção, especulando sobre alguns critérios históricos alternativos de avaliação
como a “verdadeira” origem das pirâmides do Egito, antigos mapas que aparentam ter
sidos desenhados do espaço sideral, tecnologia avançada colocada de forma
incongruente no passado dos antigos, e outras partes relevantes na posterior teoria dos
antigos astronautas. Eles notaram que mitologias antigas são repletas de deuses que
visitaram a Terra em carruagens de fogo e retornaram para o céu. Estes, eles afirmam,
podem ser alienígenas visitantes em suas naves espaciais.

A esfinge e as pirâmides de Gizé,


frequentemente defendidas como evidências de visitas alienígenas (Livraria do
Congresso).

Pauwels e Bergier se basearam em escritos não relacionados de um número


de franceses e outros autores que se perguntavam sobre a amplitude maior ou menor de
que avistamentos de OVNI poderiam ter antecedentes na pré-história, mas eles
combinaram sua especulação especial dos anos 50 com uma visao cósmica
lovecraftianiana e uma sensibilidade New Age que traduziu o mito de Cthullu em um
astronauta antigo em um modo que extreterrestres reluzentes em trajes espaciais da era
atômica nunca puderam.

Manhã dos Mágicos tornou-se uma das mais importantes fontes para Erich
Von Däniken, o escritor suiço cujo Chariots of the Gods trouxe o que até agora tem sido
uma teoria conhecida somente para teosofistas, aficionados por Lovecraft e teóricos da
cultura do mainstream. Von Däniken não mencionou Pauwels e Bergier em seus
trabalhos, no entanto, só até uma ação judicial forçá-lo a divulgar as fontes que ele
parafraseou em Chariots. Depois disso a bibliografia de Chariots listou os escritores
franceses de livros na tradução alemã de 1962. Dezenas de milhares de cópias de
Chariots e suas seqüências são vendidas, e a teoria dos antigos astronautas se torna um
fenômeno cultural, aparecendo em filmes, no programa do Johnny Carson, na Playboy,
e em praticamente qualquer lugar as pessoas estavam falando sobre o passado.

Outros autores foram inspirados pelas histórias de Von Däniken, incluindo


Robert Temple (cujo Sirius Mistery argumenta que alienígenas anfíbios de Sirius
ensinaram a civilização sumeriana) e Zecharia Sitchin (cujo Twelfth Planet argumentava
que aliens vindo de um planeta errante chamado Niburu conquistaram a Terra primitiva
para roubar seu ouro e outros metais preciosos). Ao final de 1970, lá estava uma rede
inteira de autores e promotores conhecidos como a Sociedade dos Antigos Astronautas.
Até esta data, A History Channel transmite Ancient Astronauts: The Series, um
programa semanal que explora o trabalho de Daniken e da associação Archaeology,
Astronautics Society. O programa é visto por mais de 2 milhões de espectadores cada
semana.

Então o que faz com que tantos acreditem que alienígenas visitaram nossos
ancestrais?
IV
AS EVIDÊNCIAS DOS ALIENÍGENAS

A teoria dos antigos astronautas, desenvolvida pelas mãos de Pauwels e Bergier, von
Daniken, e outros, utiliza uma combinação sugestiva de evidências arqueológicas,
mitológicas e artísticas. Embora os crentes interpretem cada parte da história antiga
como defesa da teoria dos antigos astronautas, em resumo, as mais importantes
evidências são as seguintes:

Evidência arqueológica
Os crentes sustentam que cidades e monumentos antigos espalhados por
todo o mundo demonstram três importantes propriedades que se relacionam às suas
origens não-humanas. Em primeiro lugar, a maioria é composta de rochas que pesam o
suficiente a ponto de parecer impossível que humanos ordinários as tenham movido. Por
exemplo, os blocos que sustentam a Grande Pirâmide do Egito pesam tanto quanto
cinqüenta toneladas cada, e as pedras das fortalezas Incas de Sacsayhuaman pesam
aproximadamente duas toneladas cada. Além disso, os crentes sustentam que esses
sítios antigos estão dispostos e construídos com uma precisão que é incomparável às
mais modernas construções contemporâneas. A Grande Pirâmide, por exemplo, é dito
que foi erguida numa base com 0,049 polegadas; suas laterais são orientadas às direções
cardinais com três minutos de arco, algo incomparável nas mais novas construções
modernas. Diz-se que este tipo de engenharia só seria possível com ajuda alienígena,
sejam como os próprios construtores ou como professores que concederam o
conhecimento para tais técnicas de construção.
Em segundo lugar, os crentes argumentam que locais e artefatos antigos
contem dados científicos que deveriam ser desconhecidos para as pessoas da Idade da
Pedra. A Grande Pirâmide, para pegar um exemplo familiar, é dita ser um modelo em
escala acurada do hemisfério norte da Terra milhares de anos antes de Eratóstenes
estimar a circunferência do planeta. É também dito que ela está construída no exato
centro do continente terrestre. A monumental pirâmide de Teotihuacan na antiga cidade
do México é também dita ser uma modelo em escala do sistema solar.
Em terceiro lugar, artefatos anômalos representam tecnologia avançada das
possíveis origens não-humanas. A famosa ‘‘bateria de Bagdá’’ é um jarro pequeno que
pode ter tido eletrodos que poderiam ter produzido uma pequena descarga elétrica
quando expostos no vinagre. Pequenas estátuas de abelhas douradas no México podem
ter sido representações de astronaves antigas. Uma vela de ignição elétrica pode ter sido
encontrada dentro de uma rocha de bilhões de anos conhecido como o ‘‘artefato Coso’’.

Alvenaria inca, à qual os teóricos dos antigos


astronautas acreditam serem muito perfeitas para ser trabalho unicamente de seres humanos.

Evidência mitológica
Antigos mitos e lendas recordam a chegada dos alienígenas e seus atos
sobre a terra. Os crentes na teoria dos antigos astronautas são um unidos em suas
crenças de que mitos e livros sagrados são relatos factuais de eventos que aconteceram
no mundo real. O apócrifo Livro de Enoque é um dos favoritos, junto com a lenda do
profeta judeu ascendendo ao céu numa carruagem de fogo. A visão bíblica de Ezequiel,
que viu uma aparição de rodas interligadas em chamas, é relacionada com a
representação de um encontro com um disco voador. A destruição de Sodoma e
Gomorra por fogo e enxofre é sugestivamente o relato de alienígenas derrubando uma
bomba atômica. Em outro lugar, aparições mitológicas de deuses salvadores como
Oannes na Suméria, Osiris no Egito, Quetzcalcoatl no México, e Viracocha, no Peru,
são pensadas como sendo relatos factuais de alienígenas antropomórficos trazendo
civilização à tribos antigas e ignorantes. A mitologia Hindu é uma fonte de provas
especialmente rica por conta de suas descrições de máquinas voadoras, armas de raio, e
explosões que lembram detonações atômicas.

Jasão retorna com o Velocino de Ouro, de Ugo da Carpi, c.


1500. Von Daniken acredita que os deuses gregos são alienígenas, que o Velocino de
Ouro era na verdade um helicóptero alien, e que o barco de Jasão, Argo, era em
realidade uma espaçonave alienígena.

E é claro, como os Anciões em Nas montanhas da loucura, os deuses que


criaram os humanos e outras formas de vida nos mitos e religiões são aqui interpretados
como alienígenas que modificaram geneticamente a vida na terra para seus
incompreensíveis propósitos. Eles também administram a vida na terra, como os
Anciões que limpam raças desfavoráveis, enviando inundações ou aniquilando locais
problemáticos com armas nucleares.

Evidência artística
A arte antiga mostra imagens de alienígenas e suas tecnologias avançadas,
de acordo com os crentes. Arte aborígene em cavernas na Austrália retrata seres com
círculos ao redor de suas cabeças, obviamente os capacetes dos alienígenas espaciais.
Similarmente, antigas estátuas japonesas de monstros rotundos na verdade mostram
alienígenas em grossos trajes espaciais. Dizem que pintura medievais contem imagens
de círculos que voam ou carruagens aerodinâmicas que lembram discos voadores e
foguetes. A tampa da tumba do rei maia de Palenque (Pakal, o Grande) não mostra o rei
no submundo, mas sim o retrata no controle de um instrumento tecnológico,
possivelmente um foguete. A imagem de uma flor de lótus no templo egípcio de
Dendera é na verdade uma representação de uma lâmpada elétrica, completa com poder
e filamento. Acredita-se que mapas antigos mostram a) a Terra como se fosse
representada através do espaço, b) o mundo como ele era na Idade do Gelo antes da
civilização humana, c) a Antártida séculos antes de sua descoberta em 1818
V
A CIÊNCIA

Arqueólogos, paleontólogos, antropólogos e outros cientistas profissionais estão menos do que


impressionados pela teia de sugestões e interpretações que se mascaram como uma hipótese
científica. Desde a metade dos anos 70, céticos produziram artigos, livros e documentários
destinados a desmascarar a teoria dos antigos astronautas e explicar suas “evidências” como
uma série de más interpretações, deturpações e ignorância da pesquisa científica. Seria
impossível explorar completamente os argumentos científicos contra a teoria dos antigos
astronautas em algum menor do que um livro (por isso, veja meu livro de 2005, The Cult of the
Alien Gods), mas em linhas gerais a argumentação se segue dessa forma:

Arqueológica:

Nenhuma evidência de tecnologia extraterrestre jamais foi encontrada na terra, e


nenhum artefato pode conclusivamente ser ligado a nenhum outro planeta senão a terra.
Algumas afirmações são exageros, má interpretação, ou fraudes. Por exemplo, o alegado
“artefato Coso” não é um pedaço de tecnologia avançada de um bilhão de anos, mas uma vela
de ignição dos anos 1920 encrustada numa superfície sólida e suja confundida com uma rocha
antiga. Antigos monumentos mostram todos os sinais de terem sido construídos pelas pessoas
que viveram ao redor deles, como demonstrado pelos artefatos encontrados em, ao redor, e
sobre antigos locais. A construção de edifícios antigos – mesmo que altamente precisos e
pesados – pode ser realizada por um largo número de pessoas trabalhando juntas.

Stonehenge. Após séculos de


investigação, nenhum artefato foi encontrado nela, ao redor ou sobre Stonehenge. (Livraria do
Congresso).
Mitológica:

Mitos antigos não tem correlação direta com eventos do passado distante. Ao invés
disso, eles são uma complexa rede de simbolismos, crenças religiosas, eventos históricos, e
imaginação. Pode haver alguma verdade distorcida por trás dos mitos (como a descoberta de
Tróia), mas eles não podem ser interpretados como relatos literais de acontecimentos históricos.
Nem mesmo os mitos são consistentes ao longo do tempo. O mito de Jasão e o Velocino de
Ouro, por exemplo, mostra mudanças significativas de seus eventos mais importantes entre suas
formas primárias de registro e a versão mais conhecida, escrita por Apollonius de Rodes muitos
séculos depois. Nas primeiras formas do mito, é incerto se mesmo o Velocino de Ouro estava
presente – muito diferente destes como Robert Temple ou Erich von Daniken que assumem que
uma só versão do mito se manteve por todo o tempo, poderia ser considerada a definitiva, e
poderia ser literalmente interpretada como evidencia de intervenção alienígena. A mitologia
deve ser vista em seu contexto cultural, e qualquer interpretação deve considerar as mudanças,
distorções, e mutações que se acumularam ao longo do tempo como uma história oral que é
recontada, vem em contato com histórias de outras terras e culturas, e eventualmente ganha uma
forma escrita. Isto não é diferente das variantes contradições das lendas dos Mitos encontrados
nas próprias histórias de Lovecraft.

Artística:

Novamente, a arte dos ancestrais não deve ser vista como um registro literal de
eventos que aconteceram antes dos artistas. Muitos trabalhos de arte pré-histórica, como as
pinturas nas cavernas, retratam xamãs engajados em rituais designados à lhes atribuir poder do
mundo dos mortos e de seus animais espirituais. Estas não podem ser vistas literalmente mas
sim no contexto cultural e nos termos de visão de estranhas formas e silhuetas humanas quando
vistas no estado de transe do xamã. Outras peças de arte dos ancestrais, como a lâmpada elétrica
de Dendera ou a tampa do caixão de Palenque, devem ser vistas à luz de outras representações
artísticas do período, não por si mesmas, no intuito de compreender o simbolismo e as
convenções artísticas usadas no trabalho. Nem parece muito com antigas representações de
tecnologia quando comparadas à outras representações egípcias da flor de lótus, ou da arte
funeral maia. Nenhum pedaço existe em isolamento, e uma interpretação baseada apenas
naquilo que algo “se parece” ao invés de seu local no amplo quadro cultural irá levar a
correlações equivocadas.
VI
CONCLUSÕES

Richard L. Tierney notou as correlações potenciais entre a história de


Loveacraft “O Monte”, (com Zealia Bishop), e as reais lendas e tradições nativas e
mesoamericanas, e ele identifica Yig, pai das serpentes, com o deus asteca Quetzalcoatl,
a serpente emplumada. Em Teotihuacán, a cidade mexicana tão antiga e misteriosa que
até mesmo os próprios astecas conheciam somente como uma ruína pertencente aos
deuses que descendiam do céu, Tierny bem-humoradamente identifica as esculturas do
tentaculoso Tlaoc, o deus da chuva, e serpentina Quetzalcoatl, no templo de
Quetzalcoatl, como representações de Cthulhu e Yig. Desta maneira é que as evidências
dos teóricos dos antigos astronautas se transformaram novamente em prova do Mito.
Isso, é claro, foi feito em tom de brincadeira, mas o mesmo raciocínio transformou as
realizações dos povos antigos em intervenções alienígenas.
Em 1982, Charles Garofalo e Robert M. Price escreveram um artigo para a
Crypt of Cthullu notando as similaridades entre o Mito e a teoria dos antigos astronautas
de Erich Von Däniken. Eles concluíram que, apesar do alto grau de correlação da
evidência de Von Däniken e afirmações e conceitos ficcionais de Lovecraft, a influência
direta foi impossível porque von Däniken negou sequer ter lido ou ouvido sobre
Lovecraft. Como nós vimos, contudo, a influência não precisa ser direta. As conexões
entre aqueles que propõem os antigos astronautas como fato e aqueles que escreverem
como ficção científica são imensas, e a teia de influência corre em muitas direções.
Talvez algum dia a Grande Raça irá trocar de mente com alguns de nós e dizer ao
mundo como alienígenas governaram o passado uma vez, mas até isto acontecer,
Cthulhu terá de descansar em sua tumba e os antigos astronautas terão de estar em suas
carruagem ficcionais.
Apêndice: mais para explorar
Para onde ir

 Planalto de Gizé, Egito. Lar da grande pirâmide, a esfinge e outras maravilhas


da era dos faraós, Giza é também um viveiro de teorias alternativas dos antigos
astronautas à Atlantis à civilizações perdidas. Vá ver por si mesmo as
maravilhas que inspiraram lendas.

 Teotihuacan, Mexico.Uma antiga cidade abandonada no coração do México, as


pirâmides monumentais de Teotihuacan rivalizam com as de Gizé e tem
inspirado tantas teorias ultrajantes quanto. Os astecas acreditavam que deuses
desceram à Terra e os teóricos dos antigos astronautas pensam que estes deuses
eram alienígenas que estabeleceram um modelo de escala do sistema solar em
pedra. (Eles não fizeram de fato, apesar de ser divertido fingir que sim).

 Nan Madol, Micronesia. Uma cidade de pedra arruinada feita de grandes


blocos de basalto entrecruzada por canais, Nan Madol, na ilha de remota de
Pohnpei no oceano pacífico, é conhecido pelo nome adqueado lovecraftiano the
spaces between. A cidade tem inspirado muitas teorias alienígenas e de
civilizações perdidas, apesar da data tardia (não mais cedo que século XII).
Supõe-se que Nan Madol é a inspiração para a cidade submergida R’lyeh de
Lovecraft, também no oceano pacífico, lar do grande Cthullhu.