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FORMAÇÃO E TIPOS DE SOLOS

CONTEÚDOS

 Rochas
 Pedogênese e horizontes do solo
 Tipos de solo
 Degradação do solo
 Manejo e conservação

AMPLIANDO SEUS CONHECIMENTOS

Ao ficarem expostas às condições físicas, químicas e biológicas diferentes daquelas


que as originaram, as camadas mais superficiais da crosta terrestre sofrem diferentes
modificações nos minerais que compõem as rochas, em um processo conhecido por
intemperismo, que dá origem aos solos.
Solo é, portanto, a camada da rocha que sofreu algum tipo de transformação
(desagregação e decomposição) que alterou seu arranjo original. É um sistema vivo, isto é,
um recurso natural que dá suporte aos vegetais e onde se desenvolvem diferentes
ecossistemas.
Os solos estão na base da sustentação dos vegetais e de diversas espécies
animais, incluindo o homem. Neles, as plantas fixam suas raízes, obtêm nutrientes, água e
oxigênio. A atividade agrícola depende das boas condições do solo para se desenvolver.
Eles também armazenam água das nascentes dos rios e dão sustentação às
edificações e infraestruturas que construímos. São compostos por quatro elementos: água,
ar, partículas minerais e matéria orgânica.
A combinação desses elementos irá determinar as características dos solos, isto é,
fertilidade, porosidade, consistência etc.
Rochas
O material que dá origem aos solos são as rochas.
A composição dos elementos químicos e a forma como os minerais estão
estruturados dão origem a diferentes tipos de rochas e, consequentemente, diferentes tipos
de solos. O processo de transformação da rocha para o solo depende das condições do
ambiente, da ação dos organismos vivos, da declividade do terreno e da resistência física
e química dos minerais da rocha.
As rochas são, portanto, agregados de minerais e podem ser classificadas de
acordo com o processo de formação.

Saiba mais: Minerais são substâncias sólidas homogêneas, cristalinas e inorgânicas


encontradas na natureza e são formados pelo arranjo de átomos a partir de diferentes
processos químicos e físicos que atuam na crosta terrestre.
Quase toda matéria sólida existente na natureza é composta por minerais.
Os minerais se diferenciam pelas suas propriedades, como forma geométrica, brilho,
transparência, cor, dureza, densidade etc.

As rochas podem ser divididas em três grupos: magmáticas ou ígneas,


sedimentares ou metamórficas.
As rochas magmáticas, como o próprio nome supõe, têm como origem o processo
de cristalização do magma. As rochas sedimentares são produtos da consolidação dos
sedimentos. Já as rochas metamórficas se originam no processo de transformação de
qualquer tipo de rocha quando exposta a condições de temperatura e pressão diferentes
daquelas que as formaram.

1) Rochas Magmáticas ou Ígneas


As primeiras rochas que se consolidaram na crosta, ainda na era pré-cambriana,
foram as rochas magmáticas, quando o magma começou a resfriar e a se solidificar.
Quando o magma se solidifica lentamente no interior da crosta, têm-se as rochas
que são classificadas como ígneas intrusivas (plutônicas). Geralmente, esse processo
permite que os minerais se agrupem de forma que os cristais sejam vistos a olho nu.
O granito, composto por cristais de mica, quartzo e feldspato, é a rocha ígnea
intrusiva mais conhecida, amplamente usada pela construção civil.
Figura 1 – Formação granítica no topo da Serra Nevada, localizada no Parque Nacional Yosemite, na
Califórnia
Fonte: Wikimedia Commons

Nesse caso, apesar de estar exposto no ambiente, o granito foi formado no interior
da crosta terrestre e, pela ação combinada de agentes internos e externos, que desgastou
o material que o envolvia, ele aflorou à superfície.
Em contrapartida, quando ocorre um derramamento vulcânico e o magma resfria
rapidamente, se solidificando na superfície, têm-se as rochas ígneas extrusivas
(vulcânicas). Nesse caso, não é possível identificar a olho nu os minerais que compõem a
rocha.
O basalto é uma das rochas ígneas extrusivas mais conhecidas.

Figura 2 – Amostra de basalto


Fonte: Wikimedia Commons
Fernando de Noronha, localizada no oceano Atlântico, é uma ilha de origem
vulcânica e o Morro Dois Irmãos, destacado na imagem, é um afloramento rochoso
basáltico.

Figura 3 – Morro Dois Irmãos


Fonte: R. Garrido In: Wikimedia Commons

2) Rochas Sedimentares
As rochas sedimentares se formam a partir do processo de intemperismo de outras
rochas, pela ação dos agentes externos. Esse processo modifica as propriedades físicas e
as características químicas das rochas, provocando a desagregação dessas em materiais
inconsolidados.
Esses materiais são transportados, depositados e sedimentados em outras áreas.
Em milhares de anos, o sedimento sofre litificação, formando as rochas sedimentares, que
costumam ser mais frágeis do que as rochas magmáticas e metamórficas. Algumas delas
acumulam lama, fósseis, matéria orgânica em sua composição. O carvão mineral é um
exemplo de rocha sedimentar de origem orgânica.
Arenito, calcário e varvito são outros exemplos de rochas sedimentares.
Figura 4 – Parque do Varvito, em Itu (SP)
Fonte: G. S. Libardi In: Wikimedia Commons

O varvito é uma rocha sedimentar característica da região de Itu, no Estado de São


Paulo. As camadas ou estratos horizontais evidenciam que o processo de sedimentação
dos fragmentos aconteceu em momentos distintos.
Nessas camadas estratificadas, é possível evidenciar, por exemplo, a ocorrência de
variações climáticas ao longo da história do planeta.

3) Rochas Metamórficas
As rochas metamórficas são formadas no interior da crosta terrestre, em condições
de temperatura e pressão muito elevadas. Uma rocha magmática, sedimentar ou mesmo
metamórfica, quando expostas a essas condições, sofrem metamorfismo e alteram a
textura, a dureza, a cor e a estrutura química dos minerais que as compõem.
Nas áreas de contato entre as placas, o processo de metamorfismo é ativo,
favorecendo as condições para formação de rochas metamórficas. O granito, quando
transformado, sob ação do metamorfismo, origina o gnaisse, uma rocha metamórfica.
Da mesma forma, o arenito se transforma em quartzito e calcário se transforma em
mármore.
Curiosidade: A rocha que dá origem a uma rocha metamórfica recebe o nome de
“protólito”. Assim, o calcário é o protólito do mármore, bem como o granito é o protólito
do gnaisse.

Figura 5 – Arenito
Fonte: Wikimedia Commons

Figura 6 – Quartzito, rocha metamórfica que tem o arenito como protólito


Fonte: Wikimedia Commons
As rochas metamórficas, em conjunto com as magmáticas, são chamadas de
cristalinas.

Pedogênese e horizontes do solo


Os processos de intemperismo provocam a decomposição e a alteração da estrutura
das rochas e proporcionam a formação dos solos, quando expostos à ação de agentes
exógenos.
Essas transformações que dão início à formação dos solos, recebem o nome de
pedogênese.
O intemperismo e a pedogênese atuam sobre as rochas de maneira distinta – uma
vez que elas possuem características de dureza, textura e estrutura mineral diversificada –
e são dependentes das condições do clima e do relevo. Em conjunto, dão origem a um
perfil vertical de alteração, com camadas sucessivas, que vão da rocha ao solo.
Esse perfil recebe o nome de horizontes do solo.
Os horizontes do solo são formados ao longo da pedogênese e compõem as
camadas desse recurso, desde a rocha até a superfície, e vão se diferenciando (em textura,
quantidade de matéria orgânica e material rochoso) à medida em que a ação do
intemperismo é maior. Observe o esquema:

Figura 7 – Horizontes dos solos


Fonte: Wikimedia Commons
Quando desenvolvidos, os solos possuem quatro camadas: O, A, B e C. As três
camadas mais superficiais, por conterem maiores quantidades de matéria orgânica, são
mais escuras e mais férteis. Já a camada C, a alterita, apresenta tons mais claros (regiões
de clima temperado) ou avermelhados (regiões de clima tropical). Essa camada ainda
possui muitas características da rocha parental que está em processo de transformação.
Acompanhe, no perfil de alteração, as principais características de cada horizonte:

Horizonte O: Horizonte com maior


quantidade de matéria orgânica, o
húmus, e elementos como: potássio,
nitrogênio, ferro e magnésio. Por esse
motivo, é o horizonte mais fértil com
potencial para a atividade agrícola.
Abriga uma série de espécies animais
como formigas, minhocas e
microrganismos.
Horizonte A: Horizonte com acúmulo de
minerais e alta atividade biológica
(acúmulo de húmus).
Horizonte B: Horizonte com acúmulo de
argila, ferro e alumínio e pouca
concentração de húmus.
A ação da água nos horizontes O e A é
intensa e responsável pelo processo de
lixiviação, que reage com o ferro e o
alumínio presentes nessas camadas.
Por conta desse processo, eles são
levados para o horizonte B, na forma de
hidróxidos, formando a laterita –
camada do solo ferruginosa e
endurecida, com alta concentração
residual de ferro e alumínio, aproveitada
pela atividade extrativista mineral.
Horizonte C: Horizonte com material
Figura 8 – Perfil de um solo granítico
Fonte: Wikimedia Commons inconsolidado da rocha parental em
processo de intemperismo, a alterita.
O material de origem (a rocha), o tipo climático, a declividade do relevo, a quantidade
de organismos vivos e o tempo de exposição da rocha à ação dos processos intempéricos
são fatores que determinam a origem e a evolução dos solos.

Material de origem: cada tipo de rocha (magmática, sedimentar e metamórfica), pela


constituição mineralógica específica, origina um tipo de solo diferente. A resistência física
e química dos minerais que as compõem também influenciam na velocidade da
pedogênese.

Clima: a temperatura e a umidade da região determinam o tipo de intemperismo das


rochas. Em regiões quentes e úmidas, a decomposição da rocha é mais acelerada e mais
intensa, pois a presença de água e as altas temperaturas aceleram as reações químicas.

Relevo: a diferença na topografia do relevo (plano ou com declividade) influencia na


quantidade de água que pode infiltrar no solo. As regiões íngremes não favorecem a
infiltração e o escoamento superficial é maior, diminuindo a intensidade do intemperismo.
Em regiões planas, ao contrário, a infiltração e a drenagem na água é intensa,
aumentando a intensidade do intemperismo e favorecendo a formação de solos
profundos.

Organismos: a quantidade de organismos vivos, bactérias, fungos, animais e vegetais


agem na decomposição da matéria orgânica e na formação do húmus. As raízes das
plantas e alguns animais com hábito de vida subterrâneo movimentam o solo e
contribuem com a ação do intemperismo.

Tempo: o tempo de exposição da rocha à ação dos agentes externos e do intemperismo


determinam a pedogênese. Solos mais jovens tendem a ser mais rasos; enquanto os
solos mais antigos (maduros), que já sofreram intenso e contínuo processo de
intemperismo, tendem a ser mais profundos e com os horizontes melhores definidos.
Figura 9 – Processo de formação do solo
Fonte: Educar USP In: MEC.

Estudos indicam que é preciso alguns séculos para que 1 centímetro de solo seja
formado.

Tipos de solo
O solo é um dos principais recursos naturais, pois dele deriva os alimentos que
consumimos.
Ao contrário do que se possa imaginar, os solos brasileiros – localizados quase
todos em regiões tropicais – são bastante frágeis, pois estão em áreas onde o intemperismo
e o uso são intensos e as técnicas de manejo são precárias.

Dica: Para conhecer um pouco mais sobre os solos, assista no Portal EJ@, na seção
Biblioteca Digital do Ensino Médio, ao vídeo:
Aprenda mais sobre Solos

A EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) caracteriza os solos


de acordo com sua morfologia, propriedades químicas, físicas, biológicas e mineralógicas.
Curiosidade: A Embrapa, em 2013, classificou, descreveu e mapeou 13 tipos de solos no
Brasil: Argissolos, Cambissolos, Chernossolos, Espodossolos, Gleissolos, Latossolos,
Luvissolos, Neossolos, Nitossolos, Organossolos, Planossolos, Plintossolos e
Vertissolos.

Dentre eles, merecem destaque:


 Argissolos: possuem alto teor de argila e são bem estruturados. Geralmente,
possuem cores avermelhadas e amareladas e baixo teor de fertilidade.
Representam, aproximadamente, 24% da superfície do país.
 Cambissolos: são solos de profundidade variada e pouco intemperizados, com
grande concentração de matéria orgânica no horizonte O. Recobrem 2,5% do
território nacional, especialmente os estados da região Sul.
 Latossolos: é o principal tipo de solo das regiões tropicais e, por isso, são os solos
mais representativos do Brasil, recobrindo 39% do território nacional. São solos
profundos e apresentam coloração avermelhada, pela alta concentração de óxidos
de ferro e alumínio. Por esse motivo, também são considerados solos com alto teor
de acidez. São quimicamente pobres, mas quando corrigidos (processo de calagem)
apresentam grande potencial agrícola.
 Neossolos: são solos jovens, pouco evoluídos e com pouca diferenciação entre os
horizontes. Recobrem aproximadamente 15% do território brasileiro.
 Nitossolos: são solos formados a partir da decomposição de rochas ígneas extrusiva
(vulcânicas), como o basalto. Possuem grande fertilidade natural e, historicamente,
foram aproveitados para o plantio de café. São popularmente chamados de solos de
“terra roxa”. Apesar do nome “terra roxa”, esse solo possui coloração avermelhada.
Seu nome derivou da palavra italiana rosso, que significa vermelho. Recobrem,
aproximadamente, 1,5% do território brasileiro. São comuns no interior de São Paulo
e nos estados da região Sul.
Degradação do solo
Anualmente, o Brasil e diversos países do mundo perdem milhares de toneladas de
solos agricultáveis para a erosão e outros processos de degradação. A retirada da
cobertura vegetal, as queimadas, as práticas agropecuárias indevidas ou intensivas
(monoculturas), as construções em áreas sujeitas a desmoronamento e a contaminação
por agrotóxicos, pesticidas, resíduos e metais pesados são os principais responsáveis pela
degradação e pela perda da capacidade produtiva dos solos.
No Brasil, a aceleração dos processos erosivos, a desertificação e a arenização são
importantes consequências da degradação dos solos.
A erosão ocorre quando a superfície do solo fica exposta à ação intensa dos agentes
externos, especialmente o vento e a água da chuva.

Figura 10 – Voçoroca
Fonte: EMBRAPA

A formação de voçorocas representa o estágio mais avançado de erosão do solo.


As voçorocas são sulcos ou buracos provocados pela grande concentração de água em
solos expostos (sem cobertura vegetal) de determinada área.
Esse tipo de erosão causa danos irreversíveis a esse recurso, impossibilitando o
aproveitamento econômico da região.
Curiosidade: os processos de desertificação e arenização provocam danos diretos nos
solos dos ambientes da Caatinga (região Nordeste) e do Pampa (região Sul).
O desmatamento, ou a retirada da cobertura vegetal, além de causar a degradação
ambiental, provoca a exposição dos solos dos biomas brasileiros. A intensificação desses
dois processos desencadeia desertificação e a arenização. A ação antrópica e a prática
indevida e constante da agricultura, pecuária e extração mineral contribuem para o
agravamento de ambos.
A desertificação é característica do bioma Caatinga, formação típica do clima semiárido
e caracterizada pela baixa pluviosidade. Nesse ambiente, a evaporação é maior que a
precipitação, o que, naturalmente, já provoca a perda de água do solo para o ambiente,
resultando em seu empobrecimento. A retirada da cobertura vegetal intensifica o déficit
hídrico e, consequentemente, a desertificação.
Já a arenização é característica do bioma Pampa, formação típica do clima subtropical e
marcada pela alta pluviosidade. Nesse ambiente, a precipitação é maior que a
evaporação. A retirada da cobertura vegetal expõe os solos da região, que já são
naturalmente pobres em nutrientes – solo arenítico – e acentuam os processos erosivos.
As chuvas constantes da região favorecem a formação de depósitos de sedimentos
(bancos de areia) e, consequentemente, a arenização.
Apesar de algumas semelhanças, os dois processos são distintos, sobretudo, quanto aos
tipos climáticos aos quais estão associados. Todavia, em ambos os casos, os mais
prejudicados são os solos dos biomas, pois a degradação ambiental provoca a
modificação de suas estruturas, além da perda de água e nutrientes.
Nos dois casos, o uso moderado dos recursos hídricos e o manejo agrícola contribuem
para evitar ou atenuar esses processos de degradação dos solos.

Áreas com declividade acentuada são suscetíveis à movimentação de massas. Esse


processo é natural e faz parte da dinâmica da crosta terrestre e da interação entre os
agentes endógenos e exógenos.
Em regiões serranas, sujeitas a elevados índices pluviométricos, como nas encostas
da Serra do Mar, a movimentação de massa é frequente. No entanto, a ação antrópica
intensifica esse processo e é responsável pela ocorrência de inúmeros acidentes,
especialmente, no verão, quando a precipitação é mais intensa e prolongada.
A ocupação de encostas com construções indevidas e a retirada da cobertura
vegetal expõem os solos, que tendem a ser rasos nessas áreas. Em encostas com alta
declividade, a velocidade do escoamento da água é intensa (enxurradas), com pouca
infiltração nos solos rasos e/ou nas rochas impermeáveis.
As construções tendem a aumentar a carga nessas áreas onde o solo já não é tão
consolidado e resistente.

Figura 11 – Deslizamento de terra em Belo Horizonte (MG)


Fonte: Wikimedia Commons

Os escorregamentos ou deslizamentos de terra são comuns nas periferias das


grandes cidades que cresceram desordenadamente e possuem ocupações irregulares.

Manejo e conservação
Existe uma série de medidas para se evitar a degradação do solo. Em áreas
agrícolas, inúmeras técnicas foram criadas para se evitar a perda dos nutrientes e da
potencialidade agrícola.
O manejo do solo, ou manejo agrícola, consiste em um conjunto de técnicas de
preparo das culturas e irrigação que visam a conservação do solo e o controle da erosão,
por exemplo, a substituição da irrigação por aspersão pela irrigação por gotejamento.
Além da irrigação por gotejamento, outras práticas agrícolas podem ser empregadas
para se evitar a erosão e a perda do solo. Dentre elas, as mais conhecidas são: plantio
direto, terraceamento, plantio em curva de nível e associação de culturas.
O plantio direto busca diminuir os efeitos que os tratores e arados causam na
compactação e movimentação dos solos. Para isso, deposita-se as sementes sem que se
revolva a terra, diretamente na palha da cultura anterior, sem arar ou gradear o solo.
O terraceamento é uma técnica de conservação do solo e contenção de erosão
hídrica. Consiste em cortar as vertentes e criar terraços nivelados em forma de degraus, de
modo a diminuir o escoamento superficial nelas.
Essa técnica é muito comum no continente asiático e, além de evitar a erosão,
amplia a área agricultável.

Figura 12 – Técnica do terraceamento aplicado no Vietnã


Fonte: anekoho/Shutterstock.com

O plantio em curva de nível também é uma técnica aplicada nas vertentes para
reduzir a velocidade do escoamento da água. No entanto, nesta, a prática consiste em
preparar o solo e realizar o cultivo de acordo com a altimetria do terreno, seguindo as
curvas de nível.
Figura 13 – Plantio em curva de nível
Fonte: EMBRAPA

A associação de culturas (ou rotação de culturas) é uma técnica que busca amenizar
os efeitos negativos que as plantações de monoculturas causam no solo. A alternância de
culturas busca favorecer o equilíbrio orgânico e evitar a exaustão do solo.
A rotação de culturas, criando fileiras de espécies diferentes (sobretudo, com o
cultivo de espécies leguminosas), pretende quebrar o ciclo de reprodução de algumas
pestes e plantas daninhas, além de evitar o uso intenso e prolongado de um mesmo
herbicida ou pesticida.

Figura 14 – Rotação de culturas, na Polônia


Fonte: Wikimedia Commons
Dica: Para conhecer algumas alternativas sustentáveis para melhorar o manejo do solo
e da água, assista no Portal EJ@, na seção Biblioteca Digital do Ensino Médio, ao vídeo:
Água e Solo

O mapeamento de solos vulneráveis e o monitoramento do desmatamento são


essenciais para a recuperação do recurso.
As técnicas de manejo têm, portanto, a função de evitar a erosão e manter a
conservação e a produtividade do recurso, garantindo que as atividades, nele
desenvolvidas, sejam produtivas. O manejo agrícola visa, portanto, a manutenção desse
recurso essencial para a vida de qualquer ser vivo.

ATIVIDADES

1. As rochas podem ser entendidas como “arquivos” que contam a história da Terra e
revelam a natureza da dinâmica da litosfera.

a) Qual o papel dos agentes internos no processo de constituição das rochas ígneas?

b) Explique a importância das rochas no processo de pedogênese e constituição dos solos.


2. (UNICAMP – 2012) Ao considerar a influência da infiltração da água no solo e o
escoamento superficial em topos e encostas, é correto afirmar que

a) a maior infiltração e o menor escoamento superficial retardam o processo de


intemperismo físico e aceleram a erosão.
b) a menor infiltração e o menor escoamento superficial inibem a erosão e favorecem o
intemperismo químico.
c) a menor infiltração e o maior escoamento superficial aceleram o intemperismo físico e
químico e retardam o processo de erosão.
d) a infiltração e o escoamento superficial aceleram, respectivamente, os processos de
intemperismo químico e de erosão.

3. (ENEM – 2011) Um dos principais objetivos de se dar continuidade às pesquisas em


erosão dos solos é o de procurar resolver os problemas oriundos desse processo, que, em
última análise, geram uma série de impactos ambientais. Além disso, para a adoção de
técnicas de conservação dos solos, é preciso conhecer como a água executa seu trabalho
de remoção, transporte e deposição de sedimentos. A erosão causa, quase sempre, uma
série de problemas ambientais, em nível local ou até mesmo em grandes áreas.
GUERRA, A. J. T. Processos erosivos nas encostas. In: GUERRA, A. J. T.; CUNHA, S. B.
Geomorfologia: uma atualização de bases e conceitos.
Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007 (adaptado).

A preservação do solo, principalmente em áreas de encostas, pode ser uma solução para
evitar catástrofes em função da intensidade de fluxo hídrico. A prática humana que segue
no caminho contrário a essa solução é a

a) a aração.
b) o terraceamento.
c) o pousio.
d) a drenagem.
e) o desmatamento.
4. (UNICAMP – 2013) Solo é a camada superior da superfície terrestre, onde se fixam as
plantas, que dependem de seu suporte físico, água e nutrientes. Um perfil de solo é
representado na figura abaixo. Sobre o perfil apresentado é correto afirmar que:

a) O horizonte (ou camada) O corresponde ao acúmulo de material orgânico que é


gradualmente decomposto e incorporado aos horizontes inferiores, acumulando-se nos
horizontes B e C.
b) O horizonte A apresenta muitos minerais não alterados da rocha que deu origem ao solo,
sendo normalmente o horizonte menos fértil do perfil.
c) O horizonte B apresenta baixo desenvolvimento do solo, sendo um dos primeiros
horizontes a se formar e o horizonte com a menor fertilidade em relação aos outros
horizontes.
d) O horizonte C corresponde à transição entre solo e rocha, apresentando, normalmente,
em seu interior, fragmentos da rocha não alterada.
LEITURA COMPLEMENTAR

Intemperismo
O intemperismo é o processo de transformação e desgaste das rochas e dos solos,
através de processos químicos, físicos e biológicos. Sua dinâmica acontece através da
ação dos chamados agentes exógenos ou externos de transformação de relevo, como a
água, o vento, a temperatura e os seres vivos.
O processo de desagregação das rochas provocado pelo intemperismo provoca o
surgimento de pequenas partículas de rochas, chamadas de sedimentos. São exemplos de
sedimentos as areias da praia, a poeira, entre outros elementos. Eventualmente, sob as
condições físico-químicas necessárias, esses sedimentos vão dar origem às rochas
sedimentares. Esse mesmo processo é o que origina também os solos, que nada mais são
do que um amontoado de sedimentos oriundos da desagregação de rochas.
Existem três tipos de intemperismo: o físico, o químico e o biológico.
Intemperismo físico: consiste na ocorrência de processos que são responsáveis pelas
fragmentações ou fissuras nas rochas, separando minerais antes ordenados de forma
coesa e transformando uma superfície então homogênea em uma rocha descontínua. Os
principais agentes responsáveis pelo intemperismo físico são a água (e seus processos de
evaporação, congelamento etc.), as variações de umidade e temperatura, entre outros.
Intemperismo químico: é caracterizado pelas transformações químicas oriundas das
diferenças de pressão e temperatura das rochas. O ambiente em que as rochas se formam
costuma ser diferente da superfície terrestre. Dessa forma, quando essas formações
rochosas afloram, encontram condições e elementos como água e oxigênio que tornam os
seus minerais quimicamente instáveis. Assim, para se estabilizarem, eles passam por
transformações químicas, alterando assim a sua composição. Pode-se observar, nesses
casos, a modificação dos solos ou das rochas, quando esses mudam as suas aparências
ou sua composição, ficando mais úmidos ou mais secos, por exemplo.
Intemperismo biológico: é o processo de transformação das rochas a partir da ação de
seres vivos, como bactérias ou até mesmo animais. Incluem-se nesse processo as raízes
das árvores, as ações de bactérias, a decomposição de organismos ou excrementos, entre
outros.
PENA, Rodolfo F. Alves. Intemperismo. Mundo Educação.
Disponível em: <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/intemperismo.htm>.
Acesso em: 27 jan. 2016. 10h45min.
INDICAÇÕES

FUNDAÇÃO BRADESCO. Indicações de Vídeo: Água e Solo. Disponível em:


<http://www.eja.educacao.org.br/bibliotecadigital/indicacoes/videos/Lists/Video/DispForm.
aspx?ID=567&Source=http%3A%2F%2Fwww%2Eeja%2Eeducacao%2Eorg%2Ebr%2Fbi
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%252d4FB8%252d9750%252dBF5C9D203072%257d%26PageFirstRow%3D101>.
Acesso em: 27 jan. 2016. 11h45min.

FUNDAÇÃO BRADESCO. Indicações de Vídeo: Aprenda mais sobre Solos. Disponível em:
<http://www.eja.educacao.org.br/bibliotecadigital/indicacoes/videos/Lists/Video/DispForm.
aspx?ID=568&Source=http%3A%2F%2Fwww%2Eeja%2Eeducacao%2Eorg%2Ebr%2Fbi
bliotecadigital%2Findicacoes%2Fvideos%2FLists%2Fvideo%2FCienciasHumanas%2Eas
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%252d4FB8%252d9750%252dBF5C9D203072%257d%26PageFirstRow%3D101>.
Acesso em: 27 jan. 2016. 11h50min.

REFERÊNCIAS

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fields prepare the harvest at Northwest Vietnam.Vietnam landscapes. Disponível em:
<https://www.shutterstock.com/pic-478243228.html>. Acesso em: 14 dez. 11h30min.

COMVEST/UNICAMP. Vestibular 2012 – 1ª Fase. Prova de Conhecimentos Gerais.


Disponível em: <https://www.comvest.unicamp.br/vest2012/F1/f12012QZ.pdf>. Acesso em:
27 jan. 2016. 15h40min.

COMVEST/UNICAMP. Vestibular 2013 – 1ª Fase. Prova de Conhecimentos Gerais.


Disponível em: <https://www.comvest.unicamp.br/vest2013/F1/f12013RY.pdf>. Acesso em:
27 jan. 2016. 16h30min.
EDUCAR USP. In: MEC. Plano de Aula – Ciências: observando o solo. Disponível em:
<http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materiais/0000016767.PDF>. Acesso em: 27
jan. 2016. 10h.

EMBRAPA. Plantio em curva de nível. Disponível em: <https://www.embrapa.br/busca-


de-imagens/-/midia/189001/plantio-em-curva-de-nivel>. Acesso em: 27 jan. 2016.
15h15min.

EMBRAPA. Solos para Todos: perguntas e respostas. Disponível em:


<http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/122505/1/Doc-169-Perguntas-e-
Respostas.pdf>. Acesso em: 27 jan. 2016. 11h30min.

EMBRAPA. Voçoroca. Disponível em: <https://www.embrapa.br/busca-de-imagens/-


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GARRIDO, R. In: WIKIMEDIA COMMONS. Morro Dois Irmãos. Disponível em:


<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Fernando_noronha.jpg>. Acesso em: 26 jan.
2016. 14h30min.

INEP. Prova azul do ENEM de 2011. Disponível em:


<http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2011/01_AZUL_GAB.pdf>.
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<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Plodozmian.jpg>. Acesso em: 27 jan. 2016.
15h30min.
GABARITO

1.
a) As rochas são definidas como agregados de minerais que podem ser classificadas de
acordo com o processo de formação. Elas podem ser divididas em três grupos: magmáticas
ou ígneas, sedimentares ou metamórficas.
As primeiras rochas que se consolidaram na crosta, ainda na era pré-cambriana, foram as
rochas magmáticas, quando o magma começou a resfriar e a se solidificar. Como o próprio
nome supõe, essas rochas tiveram origem com o processo de cristalização do magma, pela
ação do movimento de convecção do manto. Quando o magma se solidifica lentamente no
interior da crosta, têm-se as rochas que são classificadas como ígneas intrusivas
(plutônicas), como o granito. Quando ocorre um derramamento vulcânico e o magma resfria
rapidamente e se solidifica na superfície, têm-se as rochas ígneas extrusivas (vulcânicas).

b)
Solo é a camada da rocha que sofreu algum tipo de transformação (desagregação e
decomposição) que alterou seu arranjo original. Portanto, o material de origem dos solos
são as rochas. Ao ficarem exposta às condições físicas, químicas e biológicas diferentes
daquelas que as originaram, as camadas mais superficiais da crosta terrestre sofrem
diferentes modificações nos minerais que compõem as rochas, em um processo conhecido
por intemperismo, que dá origem aos solos.
Os processos de intemperismo provocam a decomposição e a alteração da estrutura das
rochas e proporcionam a formação dos solos, quando expostos à ação de agentes
exógenos. A essas transformações que dão início à formação dos solos, dá-se o nome de
pedogênese.
O intemperismo e a pedogênese atuam sobre as rochas de maneira distinta – uma vez que
elas possuem características de dureza, textura e estrutural mineral diversificada. A
resistência física e química dos minerais que as compõem também influenciam na
velocidade da pedogênese.
2. Alternativa D.
Comentário: Quanto maior a infiltração da água no terreno, maior a reação dessa como a
rocha e, consequentemente, maior ação do intemperismo e da pedogênese. Em
contrapartida, a aceleração do escoamento superficial, especialmente em solos expostos,
favorece a erosão, removendo o solo das encostas.

3. Alternativa E.
Comentário: O desmatamento acelera o processo erosivo, uma vez que remove a cobertura
vegetal que funciona como uma proteção natural do solo. A exposição desse recurso
favorece o escoamento superficial acelerado e a ação dos processos erosivos.

4. Alternativa D.
Comentário: O intemperismo altera a composição da rocha. Os horizontes do solo são
formados ao longo da pedogênese e compõem as camadas desse recurso, desde a rocha
até a superfície, e vão se diferenciando (em textura, quantidade de matéria orgânica e
material rochoso) à medida em que a ação do intemperismo é maior. O horizonte O acumula
material orgânico, o húmus. O horizonte A também acumula material orgânico proveniente
do horizonte O, além de outros componentes alterados. O horizonte B concentra pouca
matéria orgânica e uma grande quantidade de hidróxidos de ferro e alumínio que foram
trazidos do horizonte A pela reação química da água. O horizonte C é o horizonte de
transição entre o solo e a rocha parental.