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FRANTZ FANON

FRANTZ FANON

Os Condenados
Condenados
da Terra
da Terra
SBD-FFLCH-USP
SBD-FFLCH-USP

1111111111!11111111111111111111111111111
273603
273603

refácio dde
PPrefado e
JJEAN~PAUL SARTRE
ean -P a u l S artre

Treduciio dde
Tradução e
Jose
J o sé LLAuRE.Nio DEe M
a u r ê n io d MELO
elo

ci vilizacao
civilização

brasileira
b rasileira
2 '? íl D Q -v .
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r;
V - ~A3AV

3
et 3
e.

Titulo [ranees:
Titulo do original frances:
LES
LES DAMN:ES
DAMNÉS D DE
E LLAA TERRE
TER R E
Copyright © 1961
Copyright © 1961 by
by Maspero
Maspero editeur
éditeur S.A.R.L.
S.A.R.L.

Desenho
Desenho de capa:

:c MARIUS
M a r iu s LAURlTZEN
L a u r jt z e n BERN
B ern
DEDALUS - Acervo - FFLCH

o
..J
LL
LL Diagramaciio supervlsdo gráfica
Diagramação e supervisão grdflca::
r-,
Ronsaro PoNTuAL
R o berto P
e -
0 ontual
0

0
Cl)
- ""'""'
0
<( 0
0
0
en 0) Direitos para
Direitos para aa Iingua portuguesa adquiridos
língua portuguesa adquiridos pela
pela
:::> C)
EDIT6RA
EDITÔRA CIVILIZAC.AO
CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA S.. A
A..
"'
..J BRASILEIRA S
<(
c Rua 77 de
Rua Setembro, 97
de Setembro, 97
w
c RIO DE
Rio d e JJANEIRO
a n e ir o

que se
que se reserva
reserva aa propriedade
propriedade desta traducao.
desta tradução.

1968
1968

Impresso no
Impresso no Brasil
Brasil
Printed
Printed in Brazil
Indice
índice

PREFACIO
p r e f á c io de [can-Paul
Jean-Paul Sartre 1
1.
1. DA VIOLENCIA
DA VIOLÊNCIA 23
Da violencia
violência no contexto internacional 75
22.. GRANDEZA E
GRANDEZA E FRA
FRAQUEZAS DA ESPON
Q U EZA S DA ESPONTANEIDADE
TAN EIDADE 87
87
33.. DESVENTURAS
D DA CONSCIÊNCIA
ESV EN TU R A S DA CONSCIENCIA NACIONAL
NACIONAL 121
121
4.
4. SOBRE
SÔ BR E A CULTURA
A C NACIONAL
U LTU R A
NACIONAL 169
169
reciprocos da cultura
Fundamentos recíprocos nacional e das lutas
cultura nacional
de Iibertacao
libertação 197197
5.
5 . GUERRA
GUERRA COLONIAL
COLONIAL E PERTURBA<,;:OES
E PER MENTAIS
TU R BA Ç Õ ES M E N T A IS 209
Serie A 216
Série
Serie B
Série 230
B 230
Série C:
Serie C : Modificacoes
Modificações afetivo-intelectuais perturbacoes
afetivo-intelectuais e perturbações
mentais ap6s a tortura
mentais após tortura 239
Serie D
Série D:: Perturbacoes
Perturbações psicossomaticas
psicossomáticas 249 249
impulsividade criminal do norte-africano àa guerra
Da impulsividade guerra de
Iibertacao nacional
libertação nacional 253
253
CONCLUSAO
CONCLUSÃO 269
;·,'.,,;·i'
'
PREFACIO
PREFÁCIO

Jean-Paul Sartre
Jean-Paul Sartre
N N x A.o FA Z muito
o FAZ muito tempo
tempo aa terra
terra tinha
tinha dois bilhoes de
dois bilhões de
habitantes,
habitantes, isto isto é,
e, quinhentos
quinhentos milhoes
milhões de homens ee um
de homens um bilhao
bilhão
ee quinhentos milhoes de
quinhentos milhões de: indígenas.
indigenas. Os O s primeiros
primeiros dispunham
dispunham
do
do V Verbo,
erbo, osos outros pediam-no emprestado.
outros pediam-no emprestado. Entre
Entre aqueles
aquêles
aa êstes,
estes, régulos
regulos vendidos,
vendidos, Ieudatarios
feudatários ee uma
uma falsa
falsa burguesia
burguesia
pre-Eabricada serviam
pré-fabricada serviam de de mtermediarios
intermediários.. ÀsAs colonias
colônias a a ver-
ver­
<lade:
dade se se mostrava
mostrava nua; nua; asas "metropoles" queriam-na vestida;
“metrópoles” queriam-na vestida;
era preciso
era precise que
que oo indigena
indígena as as amasse.
amasse. ComoComo àsas maes,
mães, porpor
assim dizer.
assim dizer. A A elite europeia tentou
elite européia tentou engendrar
engendrar um um indige-
indiqe-
nato de
nato elite; selecionava
de elite; selecionava adolescentes, gravava~lhes na
adolescentes, gravava-lhes na testa,
testa,
com ferro
com em brasa,
ferro em brasa, osos princípios
principios dada cultura ocidental, me-
cultura ocidental, me­
tia-lhes
tia-lhes na na bôca
boca mordaças
mordacas sonoras,
senoras, express6es bombasticas
expressões bombásticas
ee pastosas
pastosas queque grudavam
grudavam nos nos dentes;
dentes; depois de breve
depois de breve estada
estada
na metrópole,
na metropole, recambiava-os,
recambiava-os, adulterados.
adulterados. Essas
Essas contrafa-
contrafa­
c:;6es vivas riao
ções vivas tinham mais
não tinham mais nada
nada a a dizer
dizer aa seus irmfios: fa­
seus irmãos; Ia-
ziam eco;
ziam eco; de Paris, de
de Paris, de Landres,
Londres, de de Amsterdã
Amsterda lançávamos
lancavamos

3
palavras: “Partenon!
palavras: "Partenonl Fraternidade!”,
Fraternidade!", e, e, num
num pontoponto qualquer
qualquer
da África,
da Africa, da da Ásia,
Asia, lábios
Iabios se se abriam:
abriam: "" .. .. . . tenon!
tenon! .. .. . . nida-
nida-
de!" Era
de!” Era a idadeidade de ouro. ouro.
lsto acabou.
Isto acabou. As As bôcas
bocas passaram
passaram aa abrir-seabrir-se sozinhas;
sozinhas: as as
vozes amarelas
vozes amarelas ee negras negras falavam
falavam aindaainda do do nosso
nosso humanismo,
humanismo,
mas para
mas para censurar
censurar aa nossa nossa desumanidade.
desumanidade. EscutávamosEscutavamos sem sem
desagrado essas
desagrado essas corteses
corteses manifestações
manifestacoes de de amargura.
amargura. De
De
inicio houve
início houve um um espanto
espanto orgulhoso:
orgulhoso: Quê! Que! Êles Bies falam
falam por por êles
eles
mesmos! Vejam
mesmos! Vejam só s6 oo que Fizernos dêles!
que fizemos delesl Não Nao duvidávamos
duvidavamos que que
aceitassem oo nosso
aceitassem nosso idealideal porquanto
porquanto nos nos acusavam
acusavam de de não
nao ser­
ser-
mos fiéis
mos fieis aa êle;
ele: por
por esta
esta vezvez aa Europa
Europa acreditou
acreditou em em suasua mis­
mis-
sac: havia
são; havia helenizado
helenizado os os asiáticos
asiaticos ee criado
criado esta esta espécie
especie nova:nova:
os negros
os negros greco-latinos.
greco~latJnos. Ajuntavamos, só
Ajuntávamos, s6 para
para nós,nos, astutos:
astutos:
deixemos que
deixemos que: se se esgoelem,
esqoelem, isso isso os alivia: cão
OS alivia; cao que que ladra
ladra
nao morde.
não morde ,
Surgiu uma
Surgiu uma outra
outra geração
gera<;ao que que alterou
alterou oo problema.
problema . Seus Seus
escritores, seus
escritores, seus poetas,
poetas, com com incrível
incrivel paciência
paciencia trataramtrataram de de
nos explicar
nos explicar que que nossos
nossos valores
valores não nao se se ajustavam
ajustavam bem bem àa ver­ver-
dade de
dade de sua
sua vida,
vida, que que nãonao lhes
lhes era era possível
possivel rejeitá-los
rejeita-los ou ou
assimila-los inteiramente.
assimilá-los inteiramente. Em Em suma,
suma, issoisso queria
queria dizer;
dizer: de de nós
n6s
Iizestes monstros,
fizestes monstros, vosso vosso humanismo
humanismo nos nos supõe
supoe universais
universais ee
vossas práticas
vossas praticas racistas
racistas nos nos particularizam.
particularizam . E E nósn6s os os escutá­
escuta-
vamos despreocupados;
vamos despreocupados: os administradores coloniais
OS administradores coloniais não nfio são
Sao
pagos para
pagos para lerler Hegel,
Hegel, aliásalias lêem-no
leem-no pouco,
pouco, mas mas não nao precisam
precisam
desse filósofo
dêsse Iilosofo parapara saber
saber queque asas consciências
consciencias infelizesinfelizes se se ema­
ema-
ranham nas
ranham nas próprias
pr6prias contradições.
contradicoes , Nenhuma Nenhuma eficácia. eficacia . Por Por
consaquinte, perpetuemos-lhes
conseguinte, perpetuemos-lhes aa infelicidade,infelicidade, que que deladela nãonao
resultara coisa
resultará coisa alguma.
alguma. Se Se houvesse,
houvesse, diziam-nos
diziam-nos os os peritos,
peritos,
uma sombra
uma sombra de de reivindicação
reivindicacao em em seusseus gemidos,
gemidos, outra outra não nao se­se-
ria que
ria que aa de de integração.
inteqracao , Não Nao se se trata
trata de outorqa-la, ée claro:
de outorgá-la, claro:
isso arruinaria
isso arruinaria oo sistema,sistema, que que repousa,
repousa, como como se se sabe,
sabe, na na su-
su-
perexploracao , Mas
perexploração. Mas bastaria
bastaria acenar-lhes
acenar-lhes com com essaessa patranha:
patranha:
viriam correndo.
viriam correndo. Quanto Quante àa possibilidade
possibilidade de de revolta,
revolta, estáva­
estava-
mos tranqüilos.
mos trariqiiilos . Que Que indígena
indigena consciente
consciente iria iria massacrar
massacrar os os
filhos da
filhos da Europa
Europa com com oo fim fim único
unico de de sese tornar
tornar europeu
europeu como como
eles? Numa
êles? Numa palavra,
palavra, estimulávamos
estimulavamos essas essas melancolias
melancolias ee não nae
achamos mau,
achamos mau, uma uma vez, vez, conceder
conceder oo prêmio premio Goncourt
Goncourt aa um um
negro. Isto
negro. lsto ocorreu
ocorreu antes antes de de 39.
39.
1961. Escutai:
1961. Escutai: “Não "Nao percamos
percamos tempo tempo com com litanias
litanias esté­
este-
reis ou
reis ou mimetismos
mimetismos nauseabundos.
nauseabundos . Deixemos Deixemos essa essa Europa
Europa que que
nao cessa
não cessa de de falar
Ialar do do homem
homem enquanto
enquanto oo massacra
massacra por por tôda
tcda

44
parte onde
a parte onde o encontra,
encontra, em todas esquinas de
tôdas as esquinas de: suas
suas pro-
pró­
prias ruas, em todas
prias ruas, tôdas as esquinas
esquinas do m undo. Ha
do mundo. seculos .... .
Há séculos.
que em nome
que nome de de uma suposta ‘aventura
uma suposta 'aventura espiritual'
espiritual' vem
vem asfi-
asfi­
xiando
xiando a quasequase totalidade
totalidade da da humanidade.
humanidade. "” EsteEste tom
tom ée nôvo.
novo.
Quern
Quem ousa ousa adota-Io?
adotá-lo? Um Um africano,
africano, homem
homem do Terceiro Mun-
do Terceiro Mun­
do, antigo
antigo colonizado.
colonizado. Acrescenta
Acrescenta êle: ele: "A Europa adquiriu
“A Europa adquiriu
uma velocidade tão
uma velocidade tao louca,
louca, tãotao desordenada
desordenada., .. .. que
que a arrasta
arrasta
para
para o abismo,
abismo, do do qual
qual é e melhor que nos afastemos.”
afastemos." Em ou­ ou-
tras palavras: ela esta está atolada.
atolada. Uma verdade que nao não e é boa
de dizer mas da qual -— não nao ée mesmo,
mcsmo, meus caros co-con- co-con-
tinentais? —
tinentais? - estamos todos intimamente convencidos. convencidos .
Cumpre fazer uma ressalva, porem
Cumpre porém.. Quando um Irances, francês,
por exemplo,
exernplo, diz a outros franceses: “Estamos "Estamos atolados!"
atolados!” -■ —■
o que, pelo que sei, sei, se verifica quase todos os dias desde 1930 1930
-—■ trata-se
■ trata-se de um discurso passional, ardente de cólera colera e
amor, em que o orador se compromete compromete com com todos os seus
compatriotas.. E depois gera1mente
compatriotas geralmente acrescenta: "A “A menos
que..... . ”" Sabe-se o que isto significa: ée impossivel
que enqanar-se
impossível enganar-se
este respeito:
a êste nespeito: se suas recomendações
recomendacoes não nao forem seguidas
àa risca, en tao e somente então
então entao o paíspals se desinteqrara
desintegrará., Enfim,
ée uma ameaça ameaca seguida de um conselho, conselho, e essas conversas
conversas
chocam tanto menos quanto jorram da intersubjetividade:
chocam intersubjetividade na~ na­
clonal,
cional. Quando Fanon, ao contrario, contrário, diz que a Europa cava
a própria
propria ruína,
ruina, longe de soltar um grito de alarma, apresenta
diaqnostico , Êste
um diagnóstico. Este médico
medico nao não pretende
pretende nem condena-la
condená-la
sem apelacao
apelação ■ -—■ háha tais milagres -— nem Ihe Iornecer os
lhe fornecer
rneios
meios de cura; constata que ela agoniza. De fora, basean­ basean-
do-se nos sintomas que pode pôde recolher
recolher., Quan
Quanto to a tratá-la,
trata-Ia,
nao
não.. Ele Êle temtern outras preocupações
preocupacoes na cabeca:cabeça; pouco se lhe
da que ela arrebente ou sobreviva
dá sobreviva., Por êste este motivo,
motivo, seu livro
eé escandaloso. E se murmurais, murmurais, entre divertidos e embaraça­ embaraca-
dos: “Que"Que: ée que ele êle nos propoe?",
propõe?”, deixais de perceber a ver­ ver-
dadeira natureza do escandalo, escândalo, uma vez que Fanon nao não vos
"propoe" absolutamente nada; sua obra -— tão
“propõe” tao abrasadora
para outros -— para vos vós permanece gelada; amiude amiúde fala de
vos, mas nunca a vós.
vós, vos , Acabaram-se os Goncourt negros e
os Nobel amarelos; nao voltara mais o tempo dos laureados
não voltará
colonizados. Um ex-indígena ex-indiqena "de “de lingua francesa" sujeita
língua francesa”
esta língua
lingua a exiqencias
exigências novas, serve-se dela para diriqir-se dirigir-se
apenas aos colonizados: "Indiqenas de todos os paises
colonizados: “Indígenas sub-
países sub­
desenvolvidos, uni-vos!”uni-vosl" Que rebaixamento: para os pais,

5
eramos ós
éramos cs únícos
unicos interlocutores;
interlocutores; os filhos filhos nemnem nos conside­
conside-
ram mais como interlocutores
ram interlocutores admissíveis:
admissiveis: somos somos os objetosobjetos
discurso. Evidentemente
do discurso. Evidentemente Fanon menciona
Fanon menciona de passagem passagem
nossos crimes
nossos crimes famosos,
Iamosos, Sétif,Setif, Hanoi,
Hanoi, Madagascar,
Madagascar, mas mas não nao
perde o seu tempo
perde tempo a condená-los;
condena-los: utiliza-os.
utiliza-os , Se desmonta
desmonta as
taticas do colonialismo,
táticas colonialismo, o complexocomplexo jôgo j6go dasdas relações
relacoes que
unem e opõem
unem opoem os colonos
colonos aos aos “metropolitanos”,
"metropolitanos", faz isso
faz para
isso para
seus irm
seus irmiios:
ãos; seu objetivo ée ensiná-los
seu objetivo ensina-los aa desmantelar-nos.
desmantelar-nos,
Numa palavra,
Numa palavra, oo Terceiro
Terceiro Mundo
Mundo ssee descobre
descobre ee se expri­expri-
me por
me par meio
meio desta
desta voz.
voz. Sabemos
Sabernos que que êle nao ée homogêneo
ele não homoqeneo ee
que nêle
que nele sese encontram
encontram ainda ainda povos
povos subjugados,
su.bjugados, outrosoutros que que
adquiriram uma
adquiriram uma falsa
falsa independência,
independencia, outros outros que que se se batem
batem
para conquistar
para conquistar aa soberania,
soberania, outros
outros enfim
enfim que que obtiveram
obtiveram aa
liberdade plena
liberdade plena masmas vivem
vivem sob sob aa constante
constante ameaçaameaca de de umauma
aqressao imperialista.
agressão imperialista. Essas Essas diferenças
diferencas nasceram
nasceram da da história
hist6ria
colonial, isto
colonial, isto é,e, da
da opressão.
opressao , Aqui Aqui aa Metrópole
Metr6pole contentou-se
contentou-se
em pagar
em pagar alguns
alguns feudatários;
Ieudatarios: ali, ali, dividindo
dividindo para para reinar,
reinar, fa­ fa-
bricou em
bricou em bloco
bloco umauma burguesia
burguesia de de colonizados;
colonizados; mais mais alémalem
matou dois
matou dois coelhos
coelhos de de uma
uma só so cajadada: colonia ée ao
cajadada: aa colônia ao mes­
mes-
mo tempo
mo tempo de de exploração
exploracao ee povoamento.
povoamento. Assim Assim aa Europa
Europa mul­ mul-
tiplicou as
tiplicou as divisões,
divisoes, as as oposições,
oposicoes, forjou
Iorjou classes
classes ee por por vêzes
vezes
racismos, tentou
racismos, tentou porpor todos
todos os os meios
meios provocar
provocar ee incrementar
incrementar
aa estratificação
estratificacao das das sociedades
sociedades colonizadas.
colonizadas. Fanon Fanon não nao dis­
dis-
simula nada:
simula nada: parapara lutar
lutar contra
contra nós,
nos, aa antiga
antiga colónia
colcnia deve deve
lutar contra
lutar contra elaela mesma.
mesma . Ou Ou melhor,
melhor, as as duas
duas formas
formas de de luta
luta
sao uma
são uma só.so , NoNo fogo
fogo do do combate,
combate, tôdastcdas as as barreiras
barreiras inte­ inte-
riores devem
riores devem derreter-se.
derreter-se . A A impotente
impotente burguesia
burguesia de de negocis-
neqocis-
tas ee com
tas compredoces,
pradores, oo proletariado
proletariado urbano,
urbano, sempre
sempre privilegiado,
privilegiado,
oo lum
lumpenproleteriet
penproletariat das das favelas,
favelas, todos
todos têmtern dede sese alinhar
alinhar nas nas
posicces das
posições das massas
massas rurais,
rurais, verdadeiro
verdadeiro reservatório
reservatorio do do exér­
exer-
cito nacional
cito nacional ee revolucionário;
revolucionario: nas nas regiões
reqioes cujo cujo desenvolvi­
desenvolvi-
mento foi
mento foi deliberadamente
deliberadamente sustado sustado pelopelo colonialismo,
colonialismo, oo cam­ cam-
pesinato, quando
pesinato, quando se se revolta,
revolta, aparece
aparece logo
logo como
como aa classe
classe ra-ra­
dical: conhece
dícal: conhece aa opressão
opressao nua, nua, suporta-a
suporta-a muito muito mais
mais que que os os
trabalhadores das
trabalhadores das cidades
cidades e, e, para
para que
que nãonao morra
morra de de fome,
Iome,
precisa nada
precisa nada menos
menos que que dede um
um estouro
estouro de de tôdas
todas asas estruturas.
estruturas.
Triunfando, aa Revolução
Triunfando, Revolucao nacional
nacional será
sera socialista;
socialista; detido
detido seu seu
impeto, aa .burguesia
ímpeto, .burguesia colonizada
colonizada toma toma oo poder,
poder, ee oo nôvon6vo Es­ Es-
tado, aa despeito
tado, despeito de de uma
uma soberania
soberania formal,
formal, continua
continua nas nas mãos
maos
dos imperialistas.
dos imperialistas. O 0 exemplo'
exemplo de Katanga ée bastante
de Katanga bastante ilustra­
ilustra-
tivo. Assim,
tivo. Assim, aa unidade
unidade do do Terceiro
Terceiro Mundo
Mundo não nao está
esta concluí-
conclui-

6
da: eé um empreendimento
da: empreendimento > 'em
em curso que qüe passa pela união,
uniao, em
cada país,
pais, antes e tambem
também depois da independencia,
independência, de todos
os colonizados sob o comando da classe camponesa. camponesa , Eis o
que Fanon explicaexplica a seus irmãosirmaos da África,
Africa, da Ásia,
Asia, da
América Latina: realizaremos todos em conjunto e por tôda
America toda
parte o socialismo
a parte socialismo revolucionario seremos derrotados um
revolucionário ou seremos
a um por nossos antigos tiranos. Não Nao dissimula nada, nem
as fraquezas,
Iraquezas, nem as discórdias,
discordias, nem as mistificações.
mistificacoes , Aqui
o movimento
movimento começacomeca mal;
mal; ali, apos exitos fulminantes,
após êxitos Iulminantes. perde
velocidade; noutra parte parte está
esta parado: para que se reinicie, reinicie, ée
necessario
necessário que os camponeses
camponeses lancemlancem sua burguesia ao mar, mar.
0 leitor eé severamente acautelado contra as alienacoes
O alienações mais
perigosas: o lider,líder, o culto
culto da personalidade, a cultura oci­ oci-
dental e, também,
tambem, o retorno
ret6rno do longinquo
longínquo passado da cultura
africana; a verdadeira cultura eé a Revolução; Revolucao: isso quer dizer
que ela se forja a quente. Fanon £ala fala em voz alta; nos,nós, os eu­
eu-
ropeus, podemos
podemos ouvi-lo: a prova e é que temos nas mãos macs êste
este
livro. Nao
Não teme ele êle que as potencias coloniais tirem proveito
potências coloniais
de sua sinceridade?
sinceridade?
Nao. Não
Não. Nao teme nada.nada. Nossos processos estão estao peremp-
perernp-
tos; podem talvez retardar
retardar a emancipacao
emancipação mas nao não a impedi-
impedi­
rão. E não
rf1.o. nao imaginemos
imaginemos que poderemos reajustar rea ju star os nossos
metodos:
métodos: o neocolonialismo, prequicoso das Metrópoles,
neocolonialismo, sonho preguiçoso Metropoles,
eé vao:
vão; as "Terceiras
“Terceiras Forcas"
Fôrças” nao não existem
existem OUou sao
são falsas bur-
bur­
guesiqs
guesias que o colonialismo
colonialismo ja colocou no poder.
já colocou poder. Nosso ma-
quiavdismo tem
quiavelismo tern pou.cos
poucos poderes sôbre sobre êste
este mundo extrema­
extrema-
mente vigilante que desmascarou uma após ap6s outra as nossas
mentiras. O 0 colono
colono só s6 tern
tem um recurso: a Iorca, fôrça, quando esta
ainda lhe sobra; o indigena
indígena só s6 tem
tern uma alternativa: a servi- servi­
dão ou a soberania. Que importa a Fanon que leiamos
dao Ieiamos ou
nae a sua obra? 'E
não !É a seus irmãos
irmaos que êle ele denuncia nossas ve­ ve-
lhas artimanhas, para as quais não nao dispomos
dispomos de sobressalen­
sobressalen-
tes. E eles que Fanon diz
É a êles diz:: a Europa pôs pos as patas em nos­ nos-
sos continentes, urge golpeá-las
golpea~las ate até que ela as retire; o mo­ mo-
favorece; nada acontece em Bizerta, em Eliza-
mento nos favorece;
bethville, no deserto argelino, que não
bethville, nao chegue ao conheci-
conheci­
mento de t6datôda a Terra; os blocos blocos tomam partidos contrários,
contraries,
encararn-se
encaram-se com com respeito; aproveiternos
aproveitemos essa paralisia, entre­ entre-
mos na história
hist6ria e que nossa irrupçãoirrupcao a torne universal pela
primeira vez; na falta de outras armas, arrnas, a perseveranca
perseverança da
faca será
sera suficiente.
suficiente ,

7
Europeus,
Europeus, a,bri a.bri este
êsfce livro,
livro, entrai
entrai 'nele
nêle., Depois
Depois de de alguns
alguns
passos na
passos na noite,
noire, vereis estrangeiros reunidos
vereis estrangeiros reunidos ao pé pe do do1 fogo,
fogo,
aproximai-vos, escutai: êles
aproximai-vos, escutai: eles discutem
discutem a sorte sorte que reservam
que reservam
as vossas feitorias,
às vossas feitorias, aos
aos mercenarios
mercenários que defendern . Êles
que as defendem. Eles
vos verao
vos talvez, mas
verão talvez, mas continuarao
continuarão a falar falar entre
entre si, sem sem mesmo
mesmo
baixar
baixar a voz. voz. Essa indiferenca fustiga
Essa indiferença fustiga o coração:
coracao: os pais, pais,
criaturas
criaturas da sombra, oosses
da sombra, criaturas, eram
vossas criaturas, eram almas
almas mortas,
mortas, v6s vós
lhes dispensaveis aa luz,
lhes dispensáveis luz, êles
eles sós6 sese dirigiam
dirigiam a vos, ee vós
a vós, vos naonão
perdieis tempo em
perdíeis tempo responder aa êsses
em responder esses zumbis.
zumbis , Os Os filhos
Iilhos naonão
fazem
fazem caso
caso de v6s; um
de vós; um fogofogo os ilumina ee aquece,
os ilumina aquece, ee vós vos vos
vos
sentireis furtivos, noturnos,
sentireis furtivos, noturnos, transidos;
transidos; aa cada cada um um a a sua vez;
sua vez;
nessas trevas de
nessas trevas de onde
onde vaivai surgir
surgir uma outra aurora,
uma outra aurora, os os zumbis
zumbis
v6s.
sois vós.
N esse case,
Nesse direis, joguemos
caso, direis, joguemos este livro pela
êste livro pela janela. Por
que temos de o ler se não njio foi escrito para nos? nós? Por dois mo- mo­
tivos
tivos.. O0 primeiro
primeiro ée que qu,e Fanon
Fanon vos vos explica
explica aa seusseus irmãos
irmaos ee
desmonta para para êles
eles o mecanismo
mecanismo de nossas alienacoes: alienações; apro­ apro-
veitai para vos
veitai para vos descobrir
descobrir aa vós v6s mesrnos
mesmos em vossa verdade
em vossa verdade de de
objetos. Nossas
objetos. Nossas vitimas
vítimas nos nos conhecem
conhecem por por suas feridas ee seus
suas feridas seus
grilhoes; eé isto
grilhões; que torna
isto que torna seu seu testemunho irrefutavel , Basta
testemunho irrefutável. Basta
que nos
que mostrem o
nos mostrem que fizemos
o que Iizemos delasdelas para
para queque conhecamos
conheçamos
o que
que fizemos
fizemos de nós. Issa ée útil?
nos. Isso util? Sim, visto que a Europa
esta
está nana iminencia
iminência de de rebentar.
rebentar. Mas, direis vos
Mas, direis vós ainda,
ainda, vi- vi­
vemos na
vemos Metr6pole ee reprovamos
na Metrópole reprovamos os excessos, ',E
os excessos. verdade:
É verdade:
nao sois colonos, mas nao
não não sois melhores do que êles. eles , Sao
São
VOSSOS pioneiros,
vossos pioneiros, VOS vós OSos enviastes para 0o ultramar, Ultramar, eles êles vos
VOS
enriqueceram; v6s
enriqueceram; vós os tinheis
tínheis prevenido: se fizessem correr
muito sangue,
muito sangue, vos os reprovarieis
vós os reprovaríeis com desdem: da
com desdém; da mesma
mesma for- for­
ma, umum Estado -— qualquerqualquer que seja seja • -— mantem
mantém no no estran­
estran-
geiro uma
geiro turba de
uma turba de agitadores,
agitadores, de de provocadores
provocadores ee espioes,
espiões, aos aos
quais reprova quando
quais reprova quando são sao apanhados.
apanhados. Vós, Vos, taotão Iiberais,
liberais, tao tão
humanos, que
humanos, que levais
levais o01 amor
amor da da cultura
cultura ateaté ao preciocismo, fin-
ao preciocismo, fin­
gis esquecer
gis esquecer que que tendes
tendes colonias
colônias ee que que nelas
nelas se se praticam
praticam mas­ mas-
sacres em vosso vosso nome. Fanon revela revela a seus seus camaradas -—■
a alguns dentre êles, eles, sobretudo, que continuam continuam um pouco oci­ oci-
dentalizados
dentalizados demaisdemais -— aa solidariedade
solidariedade dos dos "metropolitanos”
"metropolitanos"
ee de seus agentes
agentes coloniais.
coloniais. Tende Tende aa coragem
coragem de de o ler, ler, por
esta primeira
esta primeira razaorazão dede queque ele êle Iara com que
fará com que vos sintais en-
VOS sintais en­
vergonhados,
vergonhados, ee aa vergonha,
vergonha, como disse Marx,
como disse M arx, ée um senti-
um senti­
mento revolucionario,
mento revolucionário. Vêde: Vede: eu eu também
tambem nao posso despren-
não posso despren-
der-me da
der-me da ilusao
ilusão subjetiva
subjetiva.. Eu tambem vos
Eu também vos digo:
digo: "Tudo
“Tudo esta está

D
perdido, a menos
perdido, menos que
que..... . "” Europeu,
Europeu, furto
furto o livro
livro de um ini­
de um ini-
migo e faço
migo faco dêle
dele um
um meio
meio de de curar
curar a Europa.
Europa. Aproveitai.
Aproveitai.

Eis o segundo
Eis segundo motivo:
rnotivo : se rejeitarmos lenqa-Ienqa fas­
rejeitarmos a lenga-lenga fas-
cista de
cista de Sorel, veremos que
Sorel, veremos Fanon eé o primeiro desde Engels
que Fanon
a repor em cena a parteira parteira da hist6ria.
história. E naonão se creia que
um sangue demasiado ardente ou desventuras da infancia infância lhe
tenham dado para a violência violencia nao
não sei que gosto
gôsto singular: êle ele
se faz o intérprete
interprete da situação,
situacao, nada mais. M Mas
as isso basta
para que êle
para ele constitua, etapa por por etapa, aa dialetica que a hi-
dialética que hi­
pocrisia libera]
liberal oculta de nós nos e que nos produziu tanto
quanto a êle. ele ,
No século
seculo passado a burguesia considerava os operatics operários
invejosos, corrompidos
invejosos, corrompidos por apetites grosseiros, mas teve o
cuidado de incluir esses selvagens em nossa espécie:
êsses selvagens especie: se não
nao
fossem
fôssem homens e Iivres, livres, como poderiam vender livremente
sua força
for<;a de
de trabalho?
trabalho? Na Franca,
França, na na Inglaterra,
Inqlaterra, o humanis­
humanis-
mo pretende
pretende ser universal.
Com o trabalho Iorcado, da-se o contrário:
forçado, dá-se contrario: nada de con­con-
trato: além disso, eé preciso intimidar; patenteia-se
trato; alem patenteia-se portanto a
opressao
opressão., Nossos
Nossos soldados
soldados no no ultramar rechacam
rechaçam o o univer­
univer-
salismo metropolitano,
metropolitano, aplicam
aplicam aoao gênero
genero humano
humano o o numerus
numetus
cleusus: uma
clausus; uma vez que que: ninguém
ninquem pode sern sem crime espoliar seu
semelhante, escraviza-Io
escravizá-lo ou matá-lo,
mata-Io, eles dao por assente que
êles dão
.~<l
.o colonizado nfio não ée o semelhante do homem. Nossa tropa de
dioqtie
choque recebeu a missão missao de transformar essa certeza abstrataabstrata
em realidade: a ordem eé rebaixar os habitantes do território
·em territ6rio
anexado ao nivel nível do macaco superior para justificar que o o.'
colono os trate como bêstas bestas de carga. A A . violência
vi()lencia colonial
nao tern sornente
não tem somente o 0 objetivo de garantir-6'
garantir o resp'eito desses ho­
respeito dêsses ho-
mens subjugados; procura desumaniza-Ios.,
desumanizá-los. Nada dcve d?ve ser
poupado para liquidar as suas tradicoes, tradições, para substituir a lin-lín­
gua deles
dêles pela nossa, para destruir a sua cultura sem lhes
dar a nossa; ée preciso embruteoe-Ios
embrutecê-los pela fadiga. Desnutri­
Desnutri-
enferrnos, se ainda resistem, o mêdo
dos, enfermos, medo concluira
concluirá o traba­
traba-
lho: assestam-se os fuzis sôbre sobre o camponês;
campones; vem civis que se
vêm civis
instalam na na terra ee o obrigam
obrigam aa cultiva-la
cultivá-la para eles.
êles. Se re­re-
os soldados atiram, eé um homem
siste, os homem morto; se cede, de­ de-
grada~se,
grada-se, nao não ée mais um homem; a vergonha e 0o temor vao vão
Iender-Ihe o caráter,
fender-lhe carater, desinteqrar-lhc
desintegrar-lhe a personalidade
personalidade., A

9
I
I

coisa e é conduzida a toque de caixa, por peritos: nao


"services psicológicos”
hoje que datam os “serviços psicoloqicos".. Nern
não e é de
lavagem
Nem a lavagem
cerebral. E no entanto, malgrado tantos esforcos,
cere:bral. esforços, o objetivo
objetivo
não ée atingido em parte nenhuma: no Congo,
nao Congo, onde se corta-corta­
maos dos negros, 'nem
vam as mãos ’nem em Angola onde, bem hem recente­
recente-
mente, furavam-se os labios
mente, lábios dos descontentes para os fechar
com cadeados. E nao
com não afirrno
a firm O ' que seja impossível
impassive! converter
um homem
homem num animal;
animal; digo que não nao se chega a tanto sem sem
o enfraquecer consideravelmente;
consideravelmente: as bordoadas não nao bastam,
necessário recorrer aà desnutrfcao
eé necessario desnutrição.. É ::E o tedio, com a servi­
tédio, com servi-
dao
dão., Quando domesticamos
domesticamos um um membro de nossa espécie, especie,
diminuimos o seu rendimento
diminuímos rendim ento e, por pouco demos, um
pouo> que lhe: demos,
homem reduzido àa condição
homem condicao de animal doméstico dcmestico acaba por
produz. Por ·esse
custar mais do que produz. motivo os colonos
êsse motivo colonos veern-
vêem-
se obrigados a pararparar a domesticacao
domesticação no meio meio do caminho: o
resultado, nem hornem
homem nem animal, e é o indigena.
indígena. De:rrotado,
Derrotado,
subalimentado,
subalimentado, doente, amedrontado, mas só s6 até
ate certo ponto,
tern êle,
tem ele, seja amarelo,
amarelo, negro ou branco, sempre os mesmos mesmos
traces
traços de caráter:
carater: ée um preguicoso,
preguiçoso, sonso e ladrão,ladrao, que vivevive
de nada e so só reconhece a Iorca. fôrça.
Pobre colono: eis eis sua contradição
contradicao pasta
posta a n nu.
u . Deveria,
dizem, como faz o gênio,
dizem, como genio, matar as vitimas
vítimas de suas pilhagens.
Mas isso nãonao ée possivel
possível.. Nao Não ée precise tambem que as ex­
preciso também ex-
plore? Nao podendo levar o massacre
plore? Não massacre: ateaté ao genocidio
genocídio e a
servidao
servidão ate embrutecimento, perde a cabeca,
até ao embrutecimento, cabeça, a operacao
operação
de desarranjo
desarranjo e uma lógica
l6gica implacável
implacavel há ha de conduzi-la ate até
aà descolonizacao.
descolonização.
Não de imediato. A princípio
Nao principio o europeu reina; ja per-
já per­
deu mas nãoMO Se da conta disso:
se dá disso; ainda nae não sabe que OS os indi-,
indí-,
genas saosão falsos indigenas;
indígenas; atormenta-os, conforme alega,
para destruir ou reprimir o mal que há ha neles
nêles.. Ao cabo de
tres geras;oes, seus instintos perniciosos não
três gerações, nao renascerão
renascerao mais.
mais.
Que instinto? Os que compelem compelem os escravos a massacrar o
senhor? Como nao não reconhece nisto a sua pr6pria própria crueza vol-vol­
tada contra êle? ele? A selvageria dos camponeses camponeses oprimidos,
oprimidos,
como
como nao
não reencontra nela sua selvageria de colono, colono, que elesêles
absorveram por todos os poros e de que nao não estao curados?
estão curados?
razao eé simples. Êsse
A razão Esse personagem
personaqem arrogante, enlouqueci-
enlouqueci­
do por todo o 0 seu poder e pelo mêdo medo de 0o perder, já ja nao
não se
lembra realmente que foi um homem: homem: julga-se
julqa-se uma chibata
ou um fuzil;
fuzil; chegou a acreditar que a domesticacao
domesticação das "ra- “ra­

10
cas inferiores" se obtém
ças inferiores” obtem atraves
através docta condicionamento
condicionamento dos dos seus
seus
reflexes.
reflexos. Negligencia
Negligencia a mem6ria humana, as recordações
memória humana, recordacoes in­ in-
deleveis:
deléveis; e depois,
depois, sobretudo,
sobretudo, ha
há isto
isto que
que talvez
talvez ele jamais
êle jamais
tenha
tenha sabido: n6s nao
sabido: nós não nos tornamos o que
nos tornamos somos senao
que somos senão pela
pela
ncqacao intirna e
negação íntima e radical do que
radical do que fizeram
fizeram de nos. Três
de nós. Tres gera~
gera­
i;oes? Desde
ções? Desde a segunda, mal abriram
segunda, mal abriram os olhos,
olhos, os filhos
filhos viram
viram
os pais
pais ser espancados.
ser espancados. Em termos
Em têrmos de de psiquiatria, ei-los
psiquiatria, ei-los
"traumatizados",
"traumatizados”. Para a vida
Para interna. M
vida interna. Mas essas agressões
as essas aqressoes
inoessantemente renovadas,
incessantemente renovadas, longe
longe de induzir a
de os induzir submissao,
à submissão,
atiram-rios numa contradição
atiram-nos contradicao insuportável
insuportavel pela qual cedo ou
tarde o europeu pagará.
tarde paqara , Depois disso,
disso, o aprendizado a que
por sua vez serfio
serão submetidos, aprendizado de humilhacao,humilhação,
dor e fame,
fome, suscitara
suscitará em seus corpos uma ira vulcânica vulcanica cujo
poder ée igual ao da pressao
pressão que se exerce sôbresobre eles.
êles. Sera,
Será,
dizeis vos,
vós, que s6só conhecem
conhecem a fôrça?
Iorca? Por certo; de de: início
inicio sera
será
apenas a do colono e, pouco depois, depois, a deles, e, a mesma
dêles, isto é,
que recai sôbre
sabre nós
nos da mesma maneira que o nosso reflexo
vem do fundo de: de um espelho ao nosso encontro. Nao Não nos
iludamos; por essa coleracólera louca, por essa bile
,bile e esse Iel, por
êsse fel,
seu desejo permanente de nos matar, pela contração contracao cons­
cons-
tante de musculos
músculos poderosos que têm tern medo
mêdo de se esticar, êles eles
sao
são homens: pelo colono, que os quer servos, e contra êle.
p elo colono, ele,
Cego ainda, abstrato, o odio ódio ée seu unico tesouro. O
único tesouro. 0 Patrao
Patrão
provoca-o porque procura bestializá-lo,
bestializa-lo, falha em destrui-lo
destruí-lo
porque seus interêsses
interesses o detem
detêm a meio
meio caminho
caminho., Assim,
Assim, os
indigenas ainda são
falsos indígenas sao humanos, pela ffôrça orca e a impo-
impo­
tencia do opressor que se transformam neles
tência nêles numa obstinada
recusa aà condicao
condição animal. Quan Quantoto ao mais, já ja se sabe: sãosao
preguiçosos, eé claro, e isso eé sabotagem. Dissimulados, la-
prequicosos, la­
droes, duvida: seus pequenos furtos assinalam o comêço
drões, sem dúvida; comeco
de uma resistencia
resistência ainda desorganizada.
desorganizada. Isso não nao basta; para
que se afirmem tern têm de investir desarmados contra os fuzis.
Estes
Êstes sao
são os seus her6is,
heróis, e outros se fazem
Iazem homens assassi­
assassi-
nando europeus. Sao São mortos. Bandidos e martires,
mártires, seu su­ su-
plício exalta as massas aterrorizadas.
plicio aterrorizadas ,
Aterrorizadas, sim. Neste nôvo n6vo momento a aqressao
agressão co­co-
lonial se interioriza
inte:rioriza em Terror
Terror entre os colonizados. Não Nao me
refiro somente ao temor que experimentam diante de nossos
inesgotáveis meios
inesqotaveis meios de repressao coma tambem
repressão como também ao que lhes
inspira seu proprio
próprio furor. EstaoEstão entalados entre as armas
que apontamos contra êles eles e as tremendas pulsoes,
pulsões, os desejos

11
de carnificina que
de carnificina que sobem
sobem do Iundo
fundo do coracao e que
do coração que ·e1es
êles sem-
sem­
pre
pre reconhecern, porque: não
reconhecem, porque nao eé de inicio
início a violencia deles, mas
violência dêles,
a nossa, voltada para tras, que se avoiuma
para trás, dilacera; e
avoluma e os dilacera;
o primeiro movimento dêsses <lesses oprimidos eé ocultar profunda-
profunda­
mente essa colera
cólera inconf essavel que a sua moral e:e a nossa
inconfessável
reprovam ee que,
reprovam todavia, eé o
que, todavia, 0 ultimo
último reduto
reduto dede sua humani-
sua humani­
dade. Leiamos
Leiamos Fanon:
Fanon: descobriremos
descobriremos que, no no tempo de de sua
sua
impotencia, sanguinaria eé o inconscie:nte
impotência, a loucura sanguinária inconsciente coletivo
coletivo
dos colonizados
dos colonizados..
Essa furia
fúria contida, que não nao se extravasa, anda aà roda
e destroca
destroça os pr6prios
próprios oprimidos. Para Para se livrarem dela, en-
trernatam-se: as tribos batem-se umas contra as outras por
trematam-se:
nao
não poderem atacaratacar de frente 0o verdadeiro inimigo — - e po- po­
demos contar com com a politica para alimentar essas ri-
política colonial para ri­
validades:
validades; o irmao,
irmão, empunhando a faca contra o irmão, irmao, acre­
acre-
dita destruir, de uma vez por tôdas, todas, a imagem detestada de
seu aviltamento com comum.um. M Masas essas vítimas
vitimas expiat6rias
expiatórias nãonao
lhes aplacam a sede sêde de sangue.
sangue. Abstendo-se de marchar
contra as metralhadoras, êles eles se tornarao
tornarão nossos cúmplices:
cumplices:
vao por sua própria
vão pr6pria autoridade acelerar os progressos dessa
desumanizacao que lhes repugna.
desumanização repugna. Sob o olhar divertido do
colono, premunir-se-ao
colono, premunir-se-ão contra eles êles mesmos
mesmos com com barreiras so­ so-
brenaturais, ora reavivando velhos
brenaturais, velhos mites
mitos terriveis,
terríveis, ora atan­
atan-
do-se fortemente
do-se fortemente com com ritos
ritos meticulosos;
meticulosos; assim, o o obsesso li- li­
vra-se de sua exigência
exiqencia profunda
profunda abandonando-se
abandonando-se a manias
que o solicitam
solicitam a todo instante. Dancam, e isto os ocupa,
instante. Dançam,
aliviando-lhes os músculos
musculos dolorosamente contraidos.contraídos. De
resto, a dança
danca exprime por mimica, mímica, secretamente, muitas ve- vê-
zes sem que o saibam,
saiham, o NaoNão que nao não podem dizer, os homi- homi­
cidios que nao
cídios não se atrevem a cometer. Em certas regiões regi6es va~va­
lem-se dêste
deste ultimo
último recurse: possessao, 0
recurso: a possessão. O que:
que era outrora
o fato religioso
religioso em sua simplicidade, uma certa comunicacao comunicação
fiel com
do fiel com o sagrado, se transforma
transforma numa
numa armaarma contra
contra o
desespero humilhacao: os zers,
desespêro e a humilhação; zars, as Ioas,
loas, os Santos descern
descem
neles, governam~lhes
nêles, governam-lhes a violência
violencia e a dissipam em transes ate até
ao esgotamento. Ao mesmo mesmo tempo esses êsses altos persona gens os
personagens
protegem; isso quer dizer que os colonizados
colonizados se defendem da
alienacao
alienação colonial voltando-se para a alienação alienacao religiosa.
religiosa. No
fim de contas, o único
fim trnico resultado eé a acumulacao
acumulação de duas alie­ alie-
nacoes, cada qual reforçada
nações, reforcada pela outra. Assim, em certas .certas
psicoses,
psicoses, cansados de serem serern insultados todos os dias, os alu- alu­

12
cinados imaginam
cinados imaginam de de repente
repente ouvir
ouvir uma
uma vozvoz dede anjo
anjo queque os
cumprimenta: por
cumprimenta; par outro
outro lado,
lado, nãonao cessam
cessam as graçolas,
gra<;olas, queque
dai em diante
daí diante alternam
alternam com com a saudação.
saudacao. É E uma defesa e ée
uma defesa
fim de sua aventura: a pessoa está
o fim esta dissociada,
dissociada, O o' doente:
doente se
encaminha para
encaminha para aa demência.
demencia , Acrescentemos,
Acrescentemos, para para alguns
al guns in­
in-
riqorosamente selecionados,
felizes rigorosamente selecionados, essa outra possessão possessao de
que já, ja falei anteriormente: a cultura ocidental. ocidental . No lugar
deles, direis vós,
dêles, vos, eu preferia meus zars zers àa Acrópole.
Acr6pole. Bom, Born,
compreendestes , Não
compreendestes. Nao completamente, porém, porem, porque não nao es­
es-
tais no
tais no lugar
lugar dêles.
deles , Ainda
Ainda não.
nao . De De outro
outro modo,
mode, saberíeis
saberieis queque
nao podem escolher e acumulam. Dois
não Dais mundos,
mundos, isso faz duas
possess6es: dançam
possessões: dancam aa noite noite inteira
inteira ee de de: manhã
manha apinham-se
apinham-se
na igreja para ouvir ouvir missa; a fenda aumenta sem parar. Nosso Nasso
inimigo trai seus irmãos irmaos e se faz nosso nosso cúmplice;
cumplice: seus irmãos
irrnaos
Iaz em outro
fazem outro tanto.
tanto. O indigenato ée uma
0 indigenato uma neurose
neurose introduzida
Introduzida
ee mantida
mantida pelo pelo colono
colono entre
entre osos colonizadores
colonizadores com com oo consenti-
consenti­
mento
m ento ddeles
êles..
. Reclamar
Reclamar ee renegar,
renegar, aa um um só s6 tempo,
tempo, aa condição
condicao humana:
humana:
contradicao ée explosiva.
a contradição explosiva. Efetivamente explode, bem o sa­ sa-
bemos , E
bemos. E vivemos
vivemos no tempo tempo da deflagração:
deflaqracao: querquer o aumento
aumento
riatalidade amplie a miséria,
da 'natalidade miseria, quer os recém-chegados
recem-cheqados de- de­
vam recear
vam recear viver
viver um um pouco
pouco maismais que que morrer,
morrer, aa torrente
torrente da da
violencia derruba tôdas
violência todas as barreiras.
barreiras, Na Argélia Argelia e:e em An­ An-
europeus são
gola os europeus sao massacrados onde aparecem. aparecem . É E o mo­ mo-
menta do
mento do bumerangue,
bumerangue, oo terceiro
terceiro tempo
tempo da da violência:
violencia: ela ela se
se
volta contra nós, nos, atinge-nos
atinqe-nos e, como como das outras vêzes, vezes, nãonao
compreendemos que ée a nossa. Os
compreendemos Os “liberais”
"Iiberais" ficam
ficam aparva­
aparva-
lhados; reconhecem
lhados; reconhecem que que não
nao fomos
Iomos bastante
bastante polidos
polidos comcom os os
indigenas, qué
indígenas, que teria sido mais mais justo e mais prudente conce­ conce-
certos direitos na medida
der-lhes certos medida do do possível;
possivel: êles.
eles preten­
preten-
diam apenas ser ser admitidos
admitidos em em massa
massa e sem sem padrinhos nesse nesse
clube: fechadíssimo
clube fechadissimo que que ée aa nossa
nossa espécie;
especie: ee eis
eis que
que êsseesse de­
de-
sencadearnento bárbaro
sencadeamento barbaro ee louco
Iouco não nao os os poupa
poupa assim
assim comocoma
nao poupa os maus colonos.
não colonos. A Esquerda Metropolitana
inquieta-se: conhece
inquieta-se: conhece aa verdadeira
verdadeira sorte dos dos indígenas,
indige:nas, aa
opressao impiedosa
opressão impiedosa de de que
que sãosao objeto,
objeto, nãonao lhes
lhes condena
condena aa
revolta, sabendo
revolta, sabendo que que tudo
tudo fizemos
fizemos parapara provocá-la.
provoca-la , Mas,Mas, ain­
ain-
da assim,
da assim, pensa
pensa ela,ela, há
ha limites:
limites: êsses
esses guerrilheiros
guerrilheiros deveriam
deveriam
ernpenhar-se em
empenhar-se em mostrar
mostrar certo
certo cavalheirismo;
cavalheirismo; seriaseria oo melhor
melhor
meio de
meio de provar
provar que são sao homens.
homens, Às As vêzes
vezes elaela os
os censura:
censura:
"Voces estão
"Vocês estao se se excedendo,
excedendo, não nao os os apoiaremos
apoiaremos mais.”
mais." ÊlesEles

13
13
nao dao bola;
não dão bola; ela bem
bem que pode pegar
que pode pegar esse
êsse apoio
apoio e pendurar
pendurar
no pescoço
no pescoco. . Desde
Desde que
que sua
sua guerra
guerra comecou, eles perceberam
começou, êles perceberam
esta verdade rigorosa:
esta verdade rigorosa: nós
nos todos
todos valemos
valemos pelo
pelo que somos, to­
que somos, to•
dos nos
dos aproveitamos deles,
nos aproveitamos dêles, e eles nao têm
êles não tern que
que provar
provar nada,
nada,
nao dispensarao
não dispensarão tratamento
tratamento de de favor
favor a ninquem
ninguém., Um. Um clever
dever
irnico, um
único, um único
unico objetivo:
objetivo: combater
combater o colonialismo
colonialismo por por todos
os meios. E os mais avisados dentre dentre nos
nós estariam, a rigor,
prontos a admiti-lo mas nao não podem deixar de ver nessa pro­ pro·
va de forca
fôrça o recurse
recurso inteiramente desumano de que se ser- ser­
viram os sub-homens para se fazer outorgar uma carta de
humanidade: vamos varnos concede-la
concedê-la o mais depressa possível possivel e
que eles
êles tratem entao,
então, por métodos
metodos pacíficos,
pacificos, de a merecer.
merecer.
Nossa bela alma eé racista.
Ela sós6 terá
tera a lucrar com com a leitura de Fanon.Fanon. Essa vio­ vio-
lencia irreprimivel,
lência irreprimível, eleêle 0o demonstra cabalmente, nao não ée uma
tempestade absurda nem a ressurreicao ressurreição de instintos selva- selva­
ge:ns e nem mesmo
gens ressentimento; eé o próprio
mesmo um efeito do ressentimento: pr6prio
hornem
homem que se recompõe.
recornpoe. Sabíamos,
Sabiamos, creiocreio eu, ee· esquecemos
esquecemos
esta verdade: nenhuma suavidade apagará apaqara as marcas da vio­ vio-
Iencia: só
lência; violencia eé que pode destruí-las
s6 a violência destrui-Ias.. E o colonizado
colonizado
se cura da neurose colonial
colonial passando
passando o colono
colono pelas armas.
Quando sua raiva explode, ele êle reencontra sua transparencia
transparência
perdida e se conhece
co'nhece na medida mesma em que se Iaz: faz; de
longe consideramos a guerra como o triunfo da barbárie;
Ionge barbaric: mas
ela procede por si mesma àa emancipação
emancipacao progressiva
progre:ssiva do com·com­
batente, Iiquidando
liquidando nele
nêle e fora dele,
dêle, gradualmente, as trevas
coloniais. Uma vez iniciada, ée impiedosa. É E necessário
necessario per­per·
aterrorizado ou tornar-se
manecer aterrorizado tornar-se terrível,
terrivel, quer dizer: aban-aban­
donar-se às as dissociacoes
dissociações de uma vida falsificada ou con quis-
conquis­
tar a unidade natal.
natal. Quando os camponeses tocam 'nos fuzis,
nos fuzis,
os velhos mitos em empalidecem,
palidecem , e caem par por terra, uma a uma, uma,
interdições. A arma do combatente eé a sua humanidade.
as interdicoes.
Perque, no primeiro tempo da revolta, eé preciso
Porque, precise matar; aba- aba­
ter um europeu ée matar dois dais coelhos de uma só s6 cajadada, eé
suprimir ao mesmo tempo um opressor e,e um oprimido: res- res­
tam um homem
homem morto e um homem homem livre;
Iivre: o sobrevivente, pela
prirneira vez, sente um solo nacional
primeira nacional sob a planta
plan ta dos pes pés.,
Nesse instante a Nacao Nação naonão- se afasta dêle;dele:; êle
ele a encontra
aonde for,
fôr, onde estiver -— riunca
'nunca mais longe, ela se confunde
com sua liberdade. Mas, após
com apos a primeira surprêsa,
surpresa, o exer-exér­
cito colonial então eé necessario
colonial reage; entao necessário unir-se ou deixar-se

14
massacrar. As discórdias
massacrar. As disc6rdias tribais
tribais atenuam-se, tendem a desa­
atenuam-se, tendem desa-
parecer, em
parecer, primeiro lugar
em primeiro lugar porque
porque poem
põem em perigo a Revo-
em perigo Revo­
lucao e, mais
lução mais profundamente, nao tinham outra funcao
porque não
profundamente, porque função
violencia para falsos inimigos.
que desviar a violência inimigos. Quando con- con­
tinuam — - como no Congo — - ée porque são sao alimentadas pelos
agentes do colonialismo. A Nacao Nação pce-se
põe-se em marcha; para
cada irmao
irmão ela esta
está em tôda
toda a parte onde outros irmaosirmãos com-
com­
batem. Seu amor fraternal eé o inverso inverso do odio
ódio que eles
êles nos
votam: irrnaos
irmãos pelo fato de que que cada um deles
dêles matou
matou pia ou po
poi...
deria de um instante para outro ter matado. matado , Fanon mostra mpstr^
a seus leitores os limites
Iimites da "espontaneidade", neeessidade
“espontaneidade”, a neçessidaplç
e os perigos
periqos da “organização”.
"orqanizacao". Mas, s~ja seja qual fôr
for a imensi^
irnensi-
dade da · tarefa, a cada desdobramento da empreitada a cons- cons­
ciência revolucionaria
ciencia revolucionária se aprofunda. Desvanecem-se os der-
aprofunda. Desvanecem-se
radeiros complexos:
ràdeiros complexes: não nao nos venham falar no “complexo
"complexo de
dependencia" do soldado do Exercito
dependência” Exército de Libertacao
Libertação Nacional,
Livre dos seus antolhos, o camponês campones toma conhecimento das
necessidades; matavam-no mas ele
suas necessidades; êle tentava iqnora-Iasr
ignorá-las;
descohre-as agora como exigências
descobre-as exiqencias mfmitas.
infinitas. Nessa violencia
violência
popular -— que dura cinco anos, oito anos como como no caso dos
arqelinos
argelinos -— nao não se podem distinquir necessidades milita­
distinguir as necessidades milita-
res, sociais e politicas.
políticas. A guerra, suscitando o problema problema do
comando e das responsabilidades,
comando estabelece novas estruturas
responsabilidades, estabelece
que serão
serao as primeiras instituições
instituicoes da paz
paz.. Eis entao
então o homem
instaurado ate até em tradicoes
tradições novas, filhas futuras de um hor­ hor-
rive!
rível presente, ei-lo legitimado por um direito que vai nascer,
que nasce
nasce cada dia no fogo fogo da batalha.
batalha. Com o ultimo
último colono
morto, reembarcado
morto, reembarcado ou assimilado,
assimilado, a especie minoritaria de-
espécie minoritária de­
cedendo o lugar aà fraternidade
saparece, cedendo Iratemidade socialista. E isso
ainda nao não eé suficiente:
suficiente: esse
êsse combatente queima as etapas;
cuidais que êle ele não
nao arriscará
arriscara a pele para se reencontrar ao
nivel do velho homem
nível hornem “metropolitano”.
"metropolitano". VêdeVede sua paciência:
paciencia:
eé possível
possivel que eleêle sonh
sonhee algumas
algumas vêzes
vezes com um novo nôvo Dien-
Bien-Phu: mas ficai certos de que nao
Bien-Phu; não conta realmente com
isto: eé um mendigo
isto; mendigo lutando, em sua miséria, miseria, contra ricos po­ po-
derosamente armados.
armados . Esperando as vit6riasvitórias decisivas e mui­mui-
tas vezes
vêzes sem nada esperar, atorrnentaatormenta seus adversaries
adversários ate até
ao enfado. Isso ée inseparável
inseparavel de perdas tremendas; 0o exer- exér­
cito colonial torna-se
toma-se feroz: patrulhas, operacoes
operações de limpeza,
expedicoes punitivas:
reagrupamentos, expedições criancas são
punitivas; mulheres e crianças sao
massacradas. Sabe disto êsse esse homem novo: êle
homem nôyo; ele começa
comeea sua

15
vida de
vida de homem
homem pelopelo fim; considera-se
considera-se um morto virtual.
um morto virtual. Sera
Será
morto, e não
morto, nao somente aceita o risco
somente aceita risco mas tern a certeza
mas tem certeza de
que será
que sera eliminado.
eliminado. 13:sse morto virtual
Êsse morto perdeu a mulher
virtual perdeu mulher e os
filhos e viu
filhos tantas agonias
viu tantas aqonias queque antes
antes quer
quer veneer que sobre-
vencer que sobre­
viver: outros
viver; outros aproveitarao vitoria, nao
aproveitarão a vitória, não ele, que esta
êle, que está cansa-
cansa­
do
do demais.
demais. Contudo,
Contudo, essa
essa fadiga
fadiga do coracao
coração esta no prin­
está no prin-
cipio de uma
cípio de coragem inacreditavel
uma coragem inacreditável.. Encontramos
Encontramos nossa hu-
nossa hu­
manidade
manidade do do lado
lado de cáca da
da morte
morte e do desespero,
desespero, êleele a en­
en-
contra do lado
contra lado dede lá
la dos
dos suplicios
suplícios ee da
da morte. Pornos os
morte. Fomos
semeadores
semeadores de ventos; êle
de ventos; ele ée a tempestade.
tempestade. Filho'
Filho da
da violência,
violencia,
extrai dela
extrai dela a cada instante a sua
cada instante sua humanidade: Iomos homens
humanidade; fomos homens
aà custa dêle;
dele: êle homem aà nossa custa.
ele se faz homem custa. Um outro ho­ ho-
mem,
mem, de de melhor qualidade.

A qui Fanon faz


Aqui faz alto. Mostrou o
alto . Mostrou o caminho;
caminho; porta-voz
porta-voz dos dos
combatentes, reclamou
combatentes, reclamou a união,
uniao, a unidade do continente afri­ afri-
cano contra todastôdas as disc6rdias
discórdias e todos os particularismos.
particularismos.
Atingiu seu objetivo.
objetivo. Se Se quisesse descrever
descrever integralmente
integralmente o o
fato hist6rico
fato histórico da descolonização,
descolonizacao, teria de de: falar em nos,
nós, o que
certamente não
certamente nao eê seu proposito
propósito., M Masas o livro,
livro, depois que o o
fechamos, continua a acossar-nos, apesar de seu autor, por-
fechamos, por­
que sentimos
que sentimos o o vigor
vigor dos
dos povos
povos em em revolucao
revolução ee respondemos
com a forca
com fórça.. Ha
Há portanto
portanto um novo nôvo memento
momento da violencia,
violência,
e eé para nos,
nós, desta vez, temos de nos voltar porque ela
vez, que temos
nos esta transformando na medida em que
está transformando que o £also
falso indigena
indígena
se transforma
se transforma aatravés
tr aves dela. Cada qual
dela. Cada qual poderá
podera conduzir
conduzir suas
suas
reflexoes como
reflexões como quiser
quiser., Contanto,
Contanto, porem,
porém, queque tenha
tenha isto
isto em
em
rnente: na Europa
mente: Europa de hoje, completarnente aturdida
hoje, completamente aturdida comcom os
golpes que
golpes que lhe
lhe são
sao desferidos na Franca, Belqica, na In-
França, na Bélgica, In­
glaterra, aa menor
glaterra, menor distração'
distracao do pensamento
pensamento eé uma cumplici­
cumplici-
dade criminosa
dade criminosa comcom o colonialismo.
colonialismo. Este livro não
Êste livro nao precisava
precisava
de prefácio,
prefacio, tanto
tan to menos porque
porque nãonao sese dirige aa nós
n6s.. Con tu-
Contu­
do, eu
eu lhe
lhe fiz um
um para Ievarlevar aa dialética
dialetica até fim . .E
ate ao fim. K neces-
neces­
Sario que nós,
sário que nos, europeus,
europeus, nos descolonizemos,
descolonizemos, isto e, é, extirpe-
extirpe­
mos, por meio
mos, .meio de uma operação
operacao sangrenta,
sangrenta, o o colono
colono que ha há
em
em cada
cada umum de de nós.
nos , Examinemo~nos,
Examinemo-nos, se tiverrnos coragem,
se tivermos coragem,
ee vejamos
vejamos o que se se passa conosco.
conosco.
Encaremos primeiramente
Encaremos primeiramente este inesperado: o
êste inesperado: o strip-íease
strip­tease
de
de nosso
nosso humanismo.
humanismo. Ei-lo Ei-lo inteiramente
inteiramente nu nu ee nao
não e é nada
nada
belo: nao
belo: não era senão
senao umauma ideologia
ideologia mentirosa,
mentirosa, a requintada
requintada

16
justificacao da pilhagem;
justificação pilhage:m; sua ternura
ternura e seu
seu preciosismo
preciosismo cau­
cau-
cionavam nossas aqressoes
cionavam agressões., Tern
Têm boa aparencia
aparência os não-vio-
nao-vio-
lentos: nem vitimas
vítimas nem verdugosl
verdugos! Vamosl
Vamos! Se nao sois viti-
não sois víti­
mas, quando
quando o o governo
govêrno queque referendastes num plebiscito
plebiscite
e quando
quando o o- exercito
exército em em que serviram
serviram vossos
vossos jovens
jovens irmãos
irrnfios
levaram a cabo,
Ievaram sem hesitacao
cabo, sem hesitação nem remorso,
remorse, um “genocídio”,
"qenocidio",
.1 sois indubitàvelmente
sois indubitavelmente verdugos.
verdugos. E E se escolheis ser vítimas,
escolheis ser vitimas,
arriscar
arriscar umum ou dois dias
ou dois de cadeia,
dias de escolheis simplesmente
cadeia, escolheis simplesmente li­ Ii-
j vrar-vos de uma embrulhada. Mas nao VOS livrareis; é
não vos e mis­
mis-
ter permanecer nela até ate ao fim. De resto eé necessario
necessário com-
com­
preender isto: se aa violencia
violência tivesse começado
comecado esta
esta noite, sese
11 nunca aa exploração
exploracao nemnern a opressão
opressao tivessem
tivessem existido na na face
da terra, talvez aa nao-violencia
da alardeada pudesse
não-violência alardeada pudesse apaziguar
aa contenda. Mas Mas se o próprio
pr6prio regime ee até
ate os vossos nae-
vossos não-
violentos pensamentos
violentos pensamentos estãoestao condicionados
condicionados por
por uma
uma opressão
opressao
milenar, vossa passividade s6 só serve para vos
vos colocar
colocar do lado
lado
dos opressores
opressores..
muito hem
Sabeis muito bem que:
que somos
somos exploradores. Sabeis que
nos apoderamos
apoderamos do ouro ee dos dos metais
metais e,
e, posteriormente,
posteriormente, do do
petroleo "continentes novos"
petróleo dos “continentes novos” e que os trouxemos para
as velhas metr6poles.
metrópoles. ComCom excelentes
excelentes resultados: palácios,
palacios,
catedrais, capitais
capitais industriais; e quando'
quando a crise
crise ameaçava,
ameacava, es- es­
tavam ali os mercados coloniais
coloniais para a amortecer ou desviar.
A Europa, empanturrada de riquezas, concedeu de d e jute
jure a hu-
hu­
manidade a todos os seus habitantes: n6s, um homem
habitantes; entre nós, homem
significa um
significa cumplice, visto
um cúmplice, visto que
que todos nos lucramos
todos nós lucramos com com aa
exploracao colonial.
exploração 'Este continente gordo e lívido
colonial, fiste livido acabou
por dar no que Fanon chama com com justeza o "narcisismo".
“narcisismo” .
Cocteau irritava-se com
Cocteau com Paris, “esta
"esta cidade que fala o tem­ tern-
po todo
todo de si si mesma”
mesma".. E E aa Europa,
Europa, que
que faz
faz ela?
ela? E esseêsse
monstro supereuropeu,
supereuropeu, a América
America do Norte? Que Que tagarelice:
liberdade, igualdade, fraternidade, amor, amor, honra,
honra, pátria,
patria, queque
sei eu?
sei eu? Isso
Isso não
nfio nos
nos impedia
impedia de de fazermos
fazermos discursos
discursos racistas,
racistas,
negro sujo, judeu
judeu sujo etc.
etc. Bons
Bons espiritos,
espíritos, liberais ee ternos -—
neocolonialistas
neocoloinialistas em suma — - mostravam-se chocados com com
essa inconseqiiencia:
essa inconseqüência; erro ou ou ma-Fe: nada mais conseqüente,
má-fé: nada conseqiiente,
em nosso
em nosso meio,
meio, que um humanismo
humanismo racista, uma uma vezvez que
que o
europeu só
europeu s6 pode
pode fazer-se
fazer-sc homem
homem fabricando1
fabricando escravos
escravos ee
monstros. Enquanto houve um indígena, indigena, essa impostura
impostura não nao
foi desmascarada:
desmascarada; encontravarnos
encontrávamos no gênero genero humano uma

17
abstrata postulação
abstrata postulacao de universalidade
de universalidade que
que servia para en-
servia para en­
cobrir praticas mais
cobrir práticas mais realistas: ha via, do
realistas: havia, do outro
outro Iado dos ma­
lado dos ma-
res, uma
uma raca de sub-homens
raça de sub-homens que, grac;as a nós,
que, graças nos, em mil anosanos
talvez,
talvez, teria acesso à
teria acesso a nossa condicao
condição., Em resumo, confun­ confun-
diamos genero com
díamos o gênero com a elite. H Hoje
oje o indiqena
indígena revela sua
verdade; de repente, nosso clube tao tão fechado revela sua fra­ Ira-
queza:: não
queza nao passava,
passava de uma minoria.
minoria. Há Ha coisa pior: uma vez
que os outros se fazem Iazem homens contra nós, nos, fica evidente que
somos inimigos do genero
somos os inimigos humano: a elite exibe sua ver­
gênero humano; ver-
natureza: uma quadrilha de bandidos
dadeira natureza: bandidos.. Quereis um
exemplo? Lembrai-vos destas palavras 9randiloqiientes:
exemplo? grandiloqüentes: como como
ée gmerosa
generosa a Franca!
França! Generosos, nós? nos? E E Sétif?
Setif? E êsses
esses oito
anos de guerra Ieroz feroz que custaram a vjda a mais de um mi­ mi"
Ihao de argelinos? Mas compreendamos que nao
lhão não nos censu-
censu­
ram por têrmos
termos traído
traido não
nao sei que missão,
missao, pela boa razãorazao de
que nao tínhamos nenhuma. i:E
não tinhamos iÉ a própria
propria . generosidade
generosidade: que
esta
está em causa; essa bela palavra sonora so só tern
tem um sentido:
outorgado. Para os novos homens emancipados que
estatuto outorgado.
nos enfrentam, ninquem
ninguém tem tern o poder nem o privileqio
privilégio de:
de dar
nada a ninquem
ninguém., Cada qual tern direitos. Sô,bre
tem todos os direitos. Sohre
todos. E nossa espécie,especie, quando um dia se fizer a si mesma, mesma,
nao se definirá
não definira como
como a soma dos habitantes do1 do globo mas
como
como a unidade infinita de suas reciprocidades.
reciprocidade:s. Paro aqui.
Concluireis o trabalho,
trabalho sem dificuldade.
dificuldade , Basta que olheis de
frente, pela primeira e últimaultima vez, as nossas aristocráticas
aristocraticas vir­
vir-
tudes; elas rebentam, e como sobreviveriam àa aristocracia de
como sobreviveriam
sub-homens que as engendrou? Há Ha alguns anos, um comen­ comen-
tarista burques
burguês — - e colonialista — - so só achou isto para defen-
defen­
der o Ocidenre:
Ocidente: "Nos “Nós nao não somos
somos anjos, mas pelo menos
temos remorsos.”
remorsos." Que confissao! Outrora nosso continente
confissão! Outrora
tinha outros sustentaculos:
sustentáculos: o Partenon, Chartres, os Direitos
do Homem,
Homem, a suástica.
suastica , Sabemos agora o que valem e não nao
pretendemos mais salvar-nos do naufraqio senfio pelo senti-
naufrágio senão senti­
mento muito cristão
cristao de nossa culpabilidade. E É o Hm, como
fim, como
vedes:
vêdes: a Europa faz aqua água por todos os Iados.lados. Que aconteceu
'*-entao?
■^então? Simplesmente isto: éramos eramos os sujeitos da históriahistoria e
atualmente somos os objetos. Inverteu-se a correlação correlacao de for-for­
cas,
ças, a descolonizacao
descolonização esta está em curso;
curse: tudo^
tudo o que nossos mer­ mer-
cenarios
cenários podem tentar ten tar eé retardar-Ihe
retardar-lhe a conclusão
conclusao,.
E
É preciso ainda que as velhas “Metrópoles” "Metropoles" metam o
bedelho, empenhando tôdas todas as suas fôrças
Iorcas numa batalha, de

18·
antemao, perdida , Essa
antemão, perdida. velha brutalidade
Essa velha brutalidade colonial,
colonial, queque fez
fêz
a gl6ria duvidosa dos
glória duvidosa dos Bugeaud,
Buqeaud, vamos vamos reencontra-la,
reencontrá-la, no fim
da
da aventura, decuplicada, insuficiente.
aventura, decuplicada, insuficiente. Envia-se contingente
Envia-se o contingente
para
para a Argelia,
Argélia, e êle ele lalá se mantém
mantem há ha sete
sete anos
anos sem resul-
resul­
t~ado.
a d o . A violencia
violência mudou
mudou de de sentido: vitoriosos, n6s
sentido; vitoriosos, nós a exer-
exer­
ciamos
cíamos semsem queque ela parecesse alterar-nos:
parecesse alterar-nos: decompunha os
decompunha
outros e a nos,
outros nós, os homens,
homens, mas mas nosso
nosso humanismo
humanismo continuava
continuava
intacto; unidos
intacto; unidos pelo
pelo lucro,
lucro, os metropolitanos
metropolitanos batizavam
batizavam com
os names
nomes de fraternidade e amor
de fraternidade amor a comunidade
comunidade de seus crimes.
de seus crimes.
Agora, a violência,
Agora, violencia, por toda a parte
por tôda parte .bloqueada,
bloqueada, volta-se:
volta-se con­
con-
tra
tra n6s
nós atraves
através de de nossos soldados, interioriza-se
nossos soldados,, interioriza-se e nos pos-
nos pos­
sui , Começa
sui. Comeca a involucao: colonizado se recompõe
involução: o colonizado recompoe e nós, nos,
Ianaticos e liberais,
fanáticos liberais, colonos
colonos e “metropolitanos”,
"metropolitanos", nós n6s nosnos de­
de-
compomos. Já
compomos. Ja o furor e o medo mêdo estao
estão nus; mostram-se a
descoberto nas "pexotadas"
dfascoberto “pexotadas” de Argel. Onde estão estao agora os
selvaqens?
selvagens? Onde esta está a barbárie?
barbarie? Não Nao falta nada, nem nern mes-
mes­
mooo tanta
mo tantã., As buzinas ritmam “Argélia "Argelia Francesa"
Francesa” enquanto
queimam vivos os muçulmanos.
os europeus queimam muculmanos. Não Nao Fazfaz muito
tempo, lembra Fanon, psiquiatras em Congresso afliqiam-se afligiam-se
com
com a criminalidade indígena.
indigena. ÊssesEsses homens se entrematam,
sé entrematam,
diziam êles,
e!es, isso nao
não1ée normal; o 0 cortex
córtex d do argelino deve ser
o> argelino'
subdesenvolvido. Na Africa
subdesenvolvido. África central outros estabeleceram que
"o
“o africano utiliza muito muito' pouco seus lobes lobos frontals". Esses
frontais”. Êsses
sabios achariam interessante
sábios interessante prosseguir hoje sua investiqacao investigação
na Europa e particularmente entre os franceses. Porque nós nos
também, de alguns anos para ca,
tambem, cá, devemos estar sofrendo de
prequica frontal: os Patriotas
preguiça Patriotas assassinam um poua> pouco os seus
compatriotas; em caso de ausencia, Iazem ir pelos ares o por~
ausência, fazem por­
teiro e a casa. É E apenas um início:imicio : a guerra civil
civil esta
está prevista
para o outono ou a pr6xima primavera . Nossos lobules,
próxima primavera. lóbulos, po-po­
rém, parecem
rem, parecem, em perfeito estado. Não Nao serásera que, por nao não
indiqena. a violencia
poder esmagar o indígena, violência se concentra, se acumula
dentro de n6s nós e procura uma saída? satda? A uniaounião do povo arge­ arqe-
lino produz a desuniao
desunião do. do povo francês:
Frances: em todo o território
territ6rio
da ex-metropole tribes dancam
ex-metrópole as tribos dançam e preparam~se
preparam-se para o com­ corn-
bate. O
bate. 0 terror deixou a África Africa para instalar-se aqui, porque
ha os furiosos que com
há com toda
tôda a simplicidade querem obrigar- obriqar-
nos a pagar
pagar comcom nosso sangue a vergonha de terrnos têrmos side ba-
sido ba­
indigena e há
tidos pelo indígena ha tambem
também os outros, tcdos todos os outros,
igualmente culpados — - após
apes Bizerta, ap6s após os linchamentos de
setembro, quern
quem foiIoi àa rua para
para dizer: chega? — - mas bem hem mais

19
sossegados:
sossegados: os liberais,
liberais, os duros dos duros
duros dos duros da
da Esquerda
Esquerda mole.
Neles
Nêles tambem
também a febre sobe. E o mau
febre sobe. humor. Masque
mau humor. Mas que caqaco!
cagaço!
Mascaram a raiva
Mascaram raiva sob mites, sob
sob mitos, sob rites complicados: para
ritos complicados; para re-
re­
tardar o ajuste
tardar ajuste de
de contas
contas final
final e a hora
hora da verdade, puseram
da verdade, puseram
aã nossa frente um Grande Feiticeiro cuja funcao função ée manter-
nos a todo custo na escuridão.
escuridao. Inütilmente;
[nutilmente: proclamada por
violencia volteia: um dia ex­
uns, recalcada pelos outros, a violência ex-
plode em Metz, no outro em Bordéus; Bordeus: passou por aqui, pas­ pas~
sará por ali; eé o jôgo
sara j6go do anel.
and. Por nossa vez, passo a passo,
percorremos o cammhocamiinho que leva ao indigenato. Mas M as para
que nos tornássemos
tornassemos inteiramente indígenas
indigenas seria necessário
necessario
que nosso solo fôssef6sse ocupado pelos antigos colonizados e que
morressemos de fome. Isto não
morrêssemos nao acontecera: não, ée o colo­
acontecerá; nao, colo-
decaido que nos possui, ée êle
nialismo decaído ele que nos cavalgará
cavalqara
dentro em breve, decrepito
decrépito e soberbo; aí ai estão
estao nosso zer, zar,
nossa loa. E v6svós vos persuadireis, lendo o último ultimo capítulo
capitulo de
Fanon, que eé preferível
preferivel ser um indígena
indigena no pior momento da
miseria
miséria que um ex-colono. Nao Não eé bom que um funcionario
funcionário
da polícia
policia seja obrigado a torturar
torturar dez horas por dia: dia; nessa
marcha, seus nerves Hearn abalados a menos que se proiba
nervos ficam proíba
aos alg6zes,
algozes, em seu proprio
próprio interesse,
interêsse, de Iazer
fazer horas suple-
suple­
mentares , Quando
mentares. Quando se quer proteqer,
proteger, comcom o rigor das leis, leis,
o' moral da Nação
O Nacao e do Exército, nao ée bom que esta des-
Exercito, não des­
moralize sistematicamente aquela. Nem que um país pals de tra­
tra-
di<;ao
dição republicana confie centenas de milhares de seus jovens
a oficiais
oficiais golpistas. NaoNão ée born,
bomt meus compatriotas, v6s vós que
conheceis todos os crimes cometidos em nosso norne,
conheceis nome, nao não eé
realmente bom que não nao digamos nada a ninquem,
ninguém, nem sequer
a nossa alma, por temor de termos que nos julgar. julgar. A prin­prin-
cipio ignoráveis,
cípio ignoraveis, concedo,
concede, depois tivestes duvidas, presente-
dúvidas, presente­
mente sabeis, mas continuais calados. Oito anos de silencio, silêncio,
isso degrada.
degrada. E em vao: vão: hoje o sol ofuscante da tortura
esta
está no zénite,
zenite, alumia o país
pais inteiro; sob essa luz não nao háha mais
um riso que soe justo, um rosto que nao não traia nossos des­ des-
gostos e cumplicidades. Basta hoje que dois franceses se
encontrem para que haja um cadaver cadáver entre elesêles.. E quando
eu digo: um.
um .... . A Franca,
França, outrora, era o nome de um pals; país;
tomemos
tomemos cuidado para para que nao
não seja em 19611961 o nome de uma
neurose.
Nos nos curaremos? Sim.
Nós Sim. A violencia,
violência, como
como a lanca
lança de
Aquiles, pode cicatrizar as feridas
Ieridas que ela mesma fêz. fez. Hoje
20
estamos agrilhoados,
estamos agrilhoados, humilhados,
humilhados, doentes de medo,
doentes de arruina-
mêdo, arruina­
dos. Felizmente:
Felizmente isso ainda nao não eé suficiente para a aristocra-
aristocra­
cia colonialista; ela não
nao pode concluir sua missao retardadora
missão retardadora
na Argélia
Argelia enquanto nao não tiver primeiro acabado de colonizar
os Iranceses.
franceses. Recuamos cada dia diante da luta, mas Iicai ficai
certos de que naonão a evitaremos: os matadores precisampredsam dela
e vao
vão precipitar-se sobre
sô,bre nos
nós e mcer-nos
moer-nos de pau. Assim
Assim ter-
ter­
mrnara o tempo dos feiticeiros e dos fetiche:s:
minará batere-
fetiches: ou nos batere­
mos ou apodreceremos nas prisões.
prisoes, ÉE o momenta
momento final da dia-dia­
letica: condenais esta guerra mas ainda não<
lética: nao ousais decla-
decla­
rar-vos solidarios
solidários com os combatentes argelinos; nao não tenhais
medo, confiai nos colonos e mercenários;
mêdo, mercenarios: êles
eles vos obriqarao
obrigarão
entao, levados aà parede, desenfreareis enfim
a lutar. Talvez então,
essa violencia
violência nova que velhos crimescrimes requentados suscitam
em v6s. isto, coma
vós. Mas istot dizern, ée outra história.
como dizem, hist6ria. A do homem.
Aproxima-se o tempo, estou certo disso, em que n6s nós nos jun­
jun-
tarernos àqueles
taremos aqueles que a Iazem.
fazem.

Setembro de 1961
Setembro 1961
J}EAN~PAUL
e a n - P a u l SARTRE
S artre

21
I

Da
Da Violencia
Violência
LrnERTM;Ao NACIONAL,
L ib e r t a ç ã o n renascimento nacional, restitui-
a c io n a l , renascimento' restitui­
c;ao da nacao
ção nação ao povo, Commonwealth, quaisquer que sejam
as rubricas utilizadas ou as novas formulas fórmulas introduzidas,
introduzidas, a
descolonização eé sempre um fen6meno
descolonizacao fenômeno violento. Em qualquer
nivel
nível que a estudemos — - encontros interindividuais,
interindividuais, deno-
deno­
minacoes
minações novas dos clubes clube:s esportivos, composição
composicao humana das
cocktails­parties, da polícia,
cockíails-pacties, policia, dos conselhos administrativos dos
bancos nacionais ou OU privados - descolonização eé simples­
— a descolonizacao simples-
mente a substituicao
substituição de uma “espécie” "especie" de homens por outra o~tra
"especie" de:
“espécie” de homens. Sem transição, transicao, háha substituição
suhstituicao total.
total,
completa, absoluta. Sem dúvida duvida poder-se-ia igualmente mostrar
o aparecimento de uma nova nação, nacao, a instalacao novo
instalação de um nôvo
relacoes diplomaticas,
Estado, suas relações orientacao politica,
diplomáticas, sua orientação política,
econ6mica. Mas nos
econômica. nós preferimos falar precisamente desse dêsse tipo
de tábula.
tabula rasa que caracteriza de saida saída toda
tôda descolonizacao.
descolonização.
Sua importancia
importância invulgar decorre do fato de que ela constitui,

25
desde oo primeiro
desde primeiro dia,
dia, aa reivindicação
reivindicacao mínima
minima dodo colonizado.
Para dizer
Para dizer a verdade,
verdade, aa prova
prova do do êxito
exito reside num
num panorama
panorama
social transformado
social transformado de alto a.Ito a baixo. A A extraordinária
extraordinaria impor­
imper-
tancia de
tância de tal transformacao ée ser ela
tal transformação ela querida,
querida, reclamada,
reclamada, exi­
exi-
gida. A
gida. A necessidade
necessidade da da transformação
transformacao existe
existe em
em estado bruto,
bruto,
impetuoso ee coativo,
impetuoso coativo, nana consciência
consciencia ee na vida
vida dos
dos homens ee
mulheres colonizados. M
mulheres Mas
as aa eventualidade dessa mudanca ée
dessa mudança
vivida sob
igualmente vivida sob aa forma
forma de um futuro
futuro terrificante
terrificante na
na
consciencia de
consciência de uma
uma outra
outra “espécie”
"cspecie" dede homens
hornens e mulheres:
mulheres:
os colonos.
os colonos.

AA descolonização,
descolontzacao, que se propõe propoe mudar
rnudar a ordem do
mundo, é,
mundo', e, estã
esta visto, um programa
proqrama de de: desordem
desordem absoluta.
absoluta, Mas
não pode ser oo resultado de uma operação
nao pode operacao mágica,
maqica, de um
abalo natural ou de um acôrdo ac6rdo amigável.
amiqavel. A descolonização,
descolonizacao,
sabemo-lo, ée um processo histórico,
hist6rico, isto
isto é,
e, não
nao pode ser com­corn-
preendida, n
preendida, nao inteligibilidade, não
encontra a sua inteligibilidade,
ão encontra nao se torna
transparente para si
transparente si mesma senão
senao na exata medida em que se
discernivel o movimento
faz discernível movimento historicizante que lhe dá da forma
forum
e conteúdo. descolonizacao ée o encontro de duas fôrças
conteudo. A descolonização Iorcas con­
con-
extraem sua originalidade
antaqonicas que extraem
genitamente antagônicas orisinalidade pre­
pre-
especie de substantificação
cisamente dessa espécie substantificacao que segrega e ali­ ali-
menta a situação
menta situacao colonial. Sua primeira confrontação
confrontacao se de­ de~
senrolou sob o signo da violência,
senrolou violencia, e sua coabitação
coabitacao — - ou
exploracao do colonizado pelo
melhor, a exploração pelo colono — - foi
Ioi levada
a cabo comcom grande reforço
ref6rc;o de;
de baionetas e canhões.
canhoes. O 0 colono
colonizado são
e o colonizado sao velhos conhecidos. E, de fato, o colono
tern razão
tem razao quando diz que “os” "os" conhece. ÉB O o' colono que fêzfez
continua a fazer
e continua [ezer o colonizado. O 0 colono tira a sua verdade,
e, os seus bens,
isto é, hens, do sistema
sistema colonial.
colonial.

descolonizacao jamais
A descolonização jamais passa despercebida porque
ser, modifica fundamentalmente o ser,
atinge o ser, ser, transforma
transforrria
espectadores sobrecarregados de inessencialidade em atôres af6.res
colhidos de
privilegiados, colhidos de: modo quase grandioso
grandiose pela roda-
hist6ria. Introduz
viva da história. lntroduz no ser um ritmo próprio,
proprio, transmi­
transmi-
novas, uma nova linguagem, uma nova hu­
tido por homens novos, hu-
descolonizacao é,
manidade. A descolonização e, em verdade, criação'
criacao de homens
novos. Mas esta criação'
novos. criac;.ao não'
nfio recebe sua legitimidade
legitimidade de ne­ ne-

26
26
nhum poder
nhum poder sobrenatural:
sobrenatural; aa “coisa”
"coisa" colonizada
colonizada sese faz no pro-
faz no pro­
cesso
cesso mesmr
mesmr ­- '· qual
qual se se liberta.
liberta.
Ha pc
Há 1t ~ scolonizacao aa exigência
• ^colonização exiqencia dede um
um reexa-
reexa-
me integral etc*du cclonial. Sua definição
colonial. definicao pode, se que­
que-
remos descrevê-la
remos descreve-Ia com
com exatidão,
exatidao, estar
estar contida
contida na na frase bem
frase bem
conhecida:
conhecida: “Os "Os últimos
ultimos serão
serao os
OS primeiros” A descoloniza-
primeiros'". . A descoloniza­
ção eé a verificacao
<,;E'io verificação desta frase. É E por isto que, no planopiano da
descrição, toda
descricao, descolonização eé um triunfo.
tôda descolonizacao

Exposta em sua nudez, a descolonizacao


descolonização deixa entrever,
entrever,
atraves
através de
de todos os seus
todos os seus poros,
poros, granadas
granadas incendiarias
incendiárias ee facas
facas
ensangiientadas. Porque se os ultimos
ensangüentadas. últimos devem .ser ser os primeiros
isto s6
isto pode ocorrer
só pode ocorrer em
em consequencia
conseqüência de de um um combate
combate decisi­
decisi-
vo e mortal,
mortal;; entre dois protagonistas. Esta vontade de fazer
chegar os ultimos aà cabeca
OS últimos cabeça da Hla,
fila,, de OS
os fazer subir com ca- ca­
dencia ((demasiado
dência. demasiado rapida, dizem alquns
rápida, dizem algu’n s)) os
os famosos
famosos esca­
esca-
lees que
lões definem uma.
que definem uma sociedade
sociedade organizada,
organizada, só s6 pode
pode triunfar
triunfar
se se lancam
lançam na balanca
balança todos os meios,
meios, inclusive a violência,
violencia,
evidentemente.
evidentemente.

Nao se desorganiza uma sociedade, por mais primitiva


Não
que seja, com ta! programa se não-
com tal nao se esta
está decidido desde o
inicio, isto
início, e, desde
isto é, desde aa formulação1
Iorrnulacao mesma
mesma deste
dêste programa,
programa, a a
destruir todos os
destruir todos os obstaculos
obstáculos encontrados
encontrados no caminho. 0
no caminho. co-
O co­
lonizado
lonizado que resolve cumprir
que resolve cumprir este programa, tornar-se
êste programa, tornar-se o o
motor que:
motor que o o impulsiona,
impulsiona, esta preparado sempre
está preparado sempre para
para aa vio-
vio­
lencia, Desde seu
lência. Desde seu nascimento percebe claramente
nascimento percebe claramente que que êste
este
mundo estreito, semeado
mundo estreito, semeado de de interdicoes, nao pode
interdições, não pcde ser
ser refor­
refer-
mulado senao pela
mulado1senão pela violencia
violência absoluta.
absoluta.
O colonial ée um mundo'
0 mundo colonial mundo dividido em comparti-
comparti­

I
dúvida ée superfluo,
mentos. Sem duvida supérfluo, no piano
plano da descrição,
descricao, lem­
lem-
brar aa existencia
brar existência de de cidades indigenas ee cidades
cidades indígenas cidades europeias,
européias, de de
escolas para indigenas
escolas para indígenas ee escolas
escolas para
para europeus, como eé su-
europeus, come su­
perfluo lembrar o
pérfluo lembrar o apartheid
apartheid na na Africa do Sul.
África do Sul. Entretanto,
Entretanto, se se
penetrarmos na.
penetrarmos na intimidade desta divisao,
intimidade desta obteremos pelo
divisão, obteremos pelo me-
me­
!i nos
nos oo beneficio
benefício de·de p6r
pôr emem evidência
evidencia algumas
algumas linhas
linhas dede fôrça
forca
comporta. Este
que ela comporta, Êste enfoque do mundo colonial, de seu
configuracao geográfica,
arranjo, de sua configuração geografica, vai permitir-nos

27
delimitar arestas a partir
delimitar as arestas partir das
das quais
quais se hahá de reorganizar
reorganizar
a sociedade descolonizada.
sociedade descolonizada.
0 mundo colonizado
O mundo colonizado é e um mundo cindido em dois. A
linha divisoria,
linha, Ironteira, ée indicada pelos quartéis
divisória, a fronteira, quartets e dele-
dele­
gacias de policia.
polícia. Nas colonias
colônias o interlocutor legal e institu­
institu-
cional do colonizado,
colonizado, o porta-voz do colono colono e do regime
regime de
opressão ée o gendarme ou o soldado. Nas sociedades
opressao sociedades de tipo
capitalista, o ensino religioso
religioso ou leigo,
leigo, a formação
forrnacao de reflexes
reflexos
morais transmissíveis
transmissiveis de pai a filho,
filho, a honestidade exemplar
de operários
operarios condecorados ao cabo de cinqüentacinqiienta anos de bansbons
e leais services.
serviços, o amor estimulado
estimulado da harmonia e da pruden-prudên­
cia, formas esteticas
cia, do respeito
estéticas do respeito pela
pela ordem
ordem estabelecida,
estabelecida, criarn
criam
em t6rno
tôrno do explorado uma atmosfera de submissao submissão e inibição
inibicao
que torna consideravelmente
consideràvelmente mais mais leve
Ieve a tarefa das Iorcasfôrças
da ordem. Nos países
da, paises capitalistas, entre o explorado e o poder
interpoc-se uma multidão
interpõe-se multidao de professores de moral, moral, de
de con-
con­
selheiros, de “desorientadores”.
selheiros, "desorientadores". Nas regiões
reqioes coloniais,
coloniais, ao con­
con-
trario,
trário, o gendarme e o soldado, por par sua presenca
presença imediata,
por suas intervencoes
par intervenções diretas e freqiientes, mantem contacto
freqüentes, mantêm
com colonizado e o aconselham, a coronhadas ou com
com o colonizado com ex-ex­
plosoes de napalm,
plosões napalm, a naonão se rnexer.
mexer. Ve-se intermedia-
V ê-se que o intermediá­
rio do poder utiliza uma linguagem
rio' linguagem de pura violencia.
violência. O 0 in-
in­
termediário nao
termediario não torna mais leve a opressao,
opressão, nãonao dissimula
dissirnula a
dominacao. Exibe-as, manifesta-as com
dominação. com a boa consciencia
consciência das
Iorcas da ordem.
fôrças ordem. O0 intermediario violência àa casa e ao
intermediário leva a violencia
cerebra do colonizado.
cérebro colonizado,

·~ A zona habitada pelos colonizados não nao ée complementar


complementar
da zona habitada pelos colonos.
colonos. Estas duas zonas se opõem, opoem,
mas não
;nao em funcao
função de uma unidade superior. Regidas por par
uma lógica
16gica puramente aristotelica, obedecem ao principio
aristotélica, obedecem principio da
exclusao recíproca:
exclusão reciproca: nao
não ha
há conciliacao possivel, um dos termos
conciliação possível, têrmos
eé demais. colono eé uma cidade solida,
demais. A cidade do colono sólida, toda
tôda de
, pedra e ferro. E É uma cidade iluminada,
iluminada, asfaltada, onde os
caixotes do lixo
lixo regurgitam de sabras
sobras desconhecidas, jamais
vistas, nem mesmo
mesmo sondadas. Os pés pes do colono nunca estao estão
àa mostra, salvo talvez no mar, ninquem está
mar,, mas nunca ninguém esta bas­
bas-
pr6ximo deles,
tante próximo dêles. Pes
Pés protegidos por calcados
calçados fortes, en­en-
quanto que as ruas de sua cidade são
quanta sao limpas,
limpas, lisas,
lisas, sem bu­bu-
racos, sem
sem seixos. colono eé uma cidade saciada,
seixos. A cidade do colono

28

indolente, cujo
cujo ventre está esta permanentemente replete repleto de boas
coisas. A cidade do colono eé uma cidade de brancos, de es- es­
trangeiros.
A cidade do colonizado, ou pelo menos a cidade indíge­ indiqe-
na, a cidade negra, a medine, reserva, ée um lugar mal afa-
m édina,** a reserva,, afa­
mado, povoado de homens homens mal afamados. Aí Ai se nasce nao não
importa onde, não nao importa como. Morre-se nao não importa onde,
nao
não importa de que. quê. IE
IÉ um mundo sem intervalos,
intervalos, onde os ho­ ho-
mens estao
estão uns sôbre sabre os outros, as casas umas sabre sôbre as outras.
A cidade do colonizado
colonizado ée uma cidade faminta, faminta de pão, pao,
de carne, de sapatos, de carvao, carvãoy de luz. A cidade do coloni- coloni­
zado eé uma cidade acocorada,
acocorada, uma cidade ajoelhada, uma ci­ ci-
dade acuada. É ,E uma cidade de negros, uma cidade de arabes, árabes.
O olhar que o colonizado
0 colonizado,Ianca
lança para
para a cidade do colono eé um
olhar de luxuria,
luxúria, um olhar de inveja. Sonhos de posse. Todas
as modalidades de posse: sentar-se àa mesa do colono, dei- dei­
tar-se no leito do colono, com a mulher deste, possivel. Q
dêste, se possível. O.
colonizado ée um invejoso. O 0 colono sabesa,be disto; surpreenden-
surpreenden­
do-lhe o o.lhar,
olhar, constata amargamente mas sempre alerta:
"::Eles
“files querem tomar o nosso lu lugar."
g ar.” É:E: verdade, nãonao há
ha um
colonizado que nao não sonhe pelo menos uma vez por dia em
se instalar no lugar do colono.
Este. 1111.l'ndo
Êste diyidiclo . em
mundo . dividido compartimentos, êste
em compartimentos, este mundo
cindiClo
cindido · e1Il dois, eé habitado por
em do.is'. J2()r espécies
e~pesies diferentes,
diferentes. A or,igi;-
origi-
!l~liaaC!e
nãlIHaHe do''confexfo
do contexto colonialreside
colonial reside em que as realidades eco­ eco-
nomicas, as desigualdades, a .enorme
nômicas, enorme diferenca
diferença dos modos... de
vida nao
não logram nunca mas.cararmascarar as realidadcs
realidades econornicas,
econômicas, as
desigualdades, a enorme diferença
de:sigualdades, diferenc;a. dos modos de vida não nao
logram nunca mascarar as realidades humanas. Quando se
observa em sua imediatidade o contexto colonial, verifica-se verifica-se
que o que retalha o mundo ée antes de mais nada nada o fato de
pertencer ou não nao a tal espécie,
especie, a tal raça.
raca, Nas colonias
colônias a infra-
econômica eé igualmente uma superestrutura. A causa
estrutura economica
eé conseqüência: indivíduo ée rico porque eé branco, ée branco
consequencia: 0o individuo
porque ée rico. !É ::E por isso que as analises
análises marxistas devem ser
sempre ligeitame:nte disten didas cada vez que abordamos o \
ligeiramente distendidas
problema colonial,
problema Nao há
colonial. Não ha nem mesmo conceito de sociedade sociedade
pre-capitalista,
pré-capitalista, bem estudado por M Marx,
arx, que nao exiqisse ser ·
não exigisse
repensado aqui. O 0 servo eé de: essencia diferente da do cava-
de essência

"* Cidade
Cidade arabe ao lado da qual
árabe ao qual se
se erguem
erguem edificações
edificacoes para
para europeus.
europeus.

29
leiro, mas
Ieiro, mas uma
uma referenda divino eé necessaria
direito divino
referência ao direito para
necessária para
legitimar essa diferença
legitimar essa diferenca estatutaria.
estatutária. Nas
Nas colonias
colônias o estrariqei-
estrangei­
ro vindo'
vindo dede qualquer
qualquer parte
parte se impôs
impos com o auxílio
auxilio dos
dos seus
seus
canh6es
canhões e das suas maquinas.
das suas despeito do
máquinas. A despeito do sucesso da do­
sucesso da do-
mesticacao, malgrado
mesticação, malgrado a usurpação,
usurpacao, o colono
colono continua
continua sendo
sendo
um estrangeiro. Não
um estrangeiro. Nao são>
sao as Iabricas
fábricas 'nem as propriedades
propriedades nemnem
a conta
conta no banco que
no banco que caracterizam primeiro lugar
caracterizam em primeiro lugar a
"classe diriqcnte".
“classe dirigente”. A espécie
especie dirigente
dirigente ée antes
antes de tudo
tudo a que
que
vem de
vem fora, a que
de fora, que: não
nao se parece
parece com os autoctones,
autóctones, "os
“os
outros",
outros” .

,, A violencia
*A violência queque presidiu
presidiu ao arranjo
arranjo do mundo colonial,
do mundo colonial,
que ritmou incansàvelmente
que ritmou incansavelmente a destruição
destruicao dasdas formas sociais
formas sociais
indiqenas, que
indígenas, que arrasou
arrasou completarnente
completamente os sistemas
sistemas de refe-refe­
rencias
rências da da economia,
economia, os modosmodos da da aparência
aparencia e do vestuário,
vestuario,
sera reivindicada e assumida
será reivindicada assumida pelo pelo colonizado
colonizado no momento
momento em
que,
que, decidindo hist6ria em atos, a massa
decidindo ser a história colonizada se
massa colonizada
engolfar nas
engolfar nas cidades
cidades interditas.s Fazer explodir
interditas.» Fazer explodir o mundo
mundo co­ co-
lonial é
lonial e doravante
doravante uma uma imagem
imagem de: de acfio muito clara,
ação muito clara, muito
muito
compreensivel e que
compreensível que pode
pode ser retomada
retomada por por cada
cada umum dos in-
dos in­
dividuos que
divíduos que constituem
constituem o povo colonizado. Desmanchar
povo colonizado. Desmanchar o
mundo
mundo colonial
colonial nao
não significa
significa queque depois
depois da abolicao das
da abolição das Iron-
fron­
teiras se vao
teiras abrir vias
vão abrir vias de de passagem entre as duas
passagem entre duas zonas.
zonas.
Destruir o
Destruir 01 mundo colonial é,
mundo colonial e, nem
nem mais nem rnenos,
mais nem abolir uma
menos, abolir uma
zona, enterra-la profundamente
zona, enterrá-la profundamente no solo ou expulsa-la
expulsá-la do ter­ ter-
rit6rio.
ritório.

A discussao
discussão dodo mundo
mundo colonial
colonial pelo
pelo colonizado
colonizado nao não eé um
um
confronto racional de
confronto racional pontos de
de pontos de vista. Não ée um
vista. Nao um discurso
discurso
sôbre o universal,
universal, masmas a afirmacao desenfreada de
afirmação desenfreada de uma
uma sin-
sin­
gularidade admitida como absoluta.
gularidade admitida absoluta. Q Q mundo colonial ée um
mundo colonial um
mundo
mundo, 111(i:P}qµ~lsta.
maniqueísta. Nao Não basta
basta ao colono
colono limitar flsicamente,
limitar fisicamente,
com oO' auxílio
auxilio de sua
sua polícia
policia e de
de sua gendarmaria, o
sua gendarmaria, espaco
O' espaço
do colonizado.
do colonizado. Como
Como que que para
para ilustrar carater totalitario
ilustrar o caráter totalitário
da exploracao
da colonial, o colono
exploração colonial, colono faz do do colonizado
colonizado umauma espé­
espe-
de quintessencia
cie de quintessência do do mal.1
mal.> A sociedade colonizada não
sociedade colonizada nao eé

1
1 Mostramos em Peau Noire, Masques Blancs (edição
Mostramos ( edicao de Seuil)
Seuil) o
mecanismo
mecanismo desse mundo maniqueísta.
dêsse mundo maniqueista.

30
apenas descrita como uma sociedade sem valores. Nao Não basta
ao colono afirmar que os valores valores desertaram,
desertaram, ou melhor ja- ja ­
mais habitaram, o mundo colonizado. O 0 indígena
indigena ée declarado
impermeável aà etica,
impermeavel ausencia de valôres,
ética, ausência valores, como
coma tambem
também ne­ ne-
gac;;aodos valores
gação valôres.. É::E,, ousemos confessa-lo,
confessá-lo, o imimiqo
inimigo dos va­ va-
lores. Neste sentido,
lôres. sentido, ée o mal absolute.
absoluto. Elemento corrosivo,
corrosive,
que destrói
destr6i tudo o que dele dêle se aproxima,
aproxima, elemento
elemento deforma-
dor, que desfigura tudo 0o que Se se refere aá estetica
estética ouOU àa moral,
depositário de Iorcas
depositario fôrças maleficas,
maléficas, instrumento inconsciente
inconsciente e ir­ ir-
recuperável de forcas
recuperavel fôrças cegas. E M. Meyer podia afirmar so­ so-
lenernente perante
lenemente perante a Assembleia
Assembléia Nacional Francesa que nao não
era necessario
necessárk> prostituir a RepublicaRepública fazendo penetrar penetrar nela
o povo argelino. Os valôres, valores, com ef eito, se tornam irreversi­
efeito, Irreversi-
velmente envenenados e pervertidos desde que entram em con­ con-
tacto com a populacao
população colonizada.
colonizada. Os costumes do colonizado,
colonizado,
suas tradições,
tradicoes, seus mites,
mitos, sobretudo seus mitos, mites, sao
são a própria
pr6pria
marca desta
des ta' indigência,
indiqencia, desta depravação constitucional.
desta depravacao constitucional. Por
isso eé precise
preciso colocar no mesmo plano piano o DDT D D T que destrói
destr6i os
parasitas, portadores de de, doenca,
doença, e a religião
reliqiao cristã
crista que com-
que com­
bate no nascedouro as heresias, heresias, os instintos,
instintos, o mal. O 0 retro-
retro­
cesso da febre
Febre amarela e os progressos da evangelização
evanqelizacao fazem
parte do mesmo balance.
balanço. Mas os comunicados triunfantes triunfantes das
missões informam,
missoes informam, na realidade,
realidade, sobre importancia dos
sôbre a importância dos. fer­
Fer-
mentos de alienacao
alienação introduzidos no seio do povo coloniza­ coloniza-
do. Falo da reliqiao
religião crista
cristã e riinquem
ninguém tem tern o direito de se es- es­
pantar.rA
pantar.) A lgreja
Igreja nas colonias
colônias ée uma Igreja
lgreja de Brancos,
Brancos, uma
igreja de:
de estrangeiros. Não Nao chama o homem colonizado colonizado para
a via de Deus m masas para a via do Branco, a via do patrão, patrao, a
via do-
do opressor. E como sabemos, neste negócio neg6cio sao são muitos
os chamados e poucos os escolhidos./ escolhidos.|

i
I Por Por
vezes esteêste
vêzes maniqueismo
maniqueísmovai vai
ate até
ao fim de sua
ao fim 16gica
de sua lógica
desumaniza o colonizado. A rigor, animaliza-o.
e desumaniza animaliza-o, E, de fato,
a linguagem
.linguagem do colono, quando fala do colonizado, ée uma lin­ lin-
guagem zooloqica. alusao aos movimentos reptis
zoológica. Faz alusão ama-
réptis do ama­
relo, as
às ernanacoes
emanações da cidade indígena,
mdiqena, as às hordas, ao fedor, àa
pululacao, ao bulício,
pululação, .bulicio, àa gesticulac;;ao.
gesticulação. O 0 colono, quando quer
descrever bem
descrever hem e encontrar a palavra
palavra exata, recorre constan­
constan-
'
T bestiario, 0
temente ao bestiário. O europeu raramente acerta nos têrmos termos
"fiqurados".
“figurados”. Mas o colonizado, que apreende apreende o projeto
projeto do

:n
31,
colono, o processo
colono, processo preciso
preciso que
que se instaura, sabe
se instaura, sabe imediatamen-
imediatamen­
que o outro
te o que outro pensa.
pensa. Essa demografia galopante,
Essa demografia galopante, essas
essas
massas histéricas,
massas esses rostos
histericas, êsses rostos dede onde
onde fugiu
fugiu qualquer
qualquer traço
trace
de humanidade,
de humanidade, êssesesses corpos
corpos obesos
obesos que
que não
nao se
se assemelham
assemelham
mais aa nada,
mais nada, esta
esta coorte
coorte sem
sem cabeça
cabeca nem
nem cauda,
cauda, essas
essas crianças
criancas
que dão
que dao aa impressão
impressao de de não
nao pertencerem
pertencerem aa ninguém,
ninquem, essa
essa pre­
pre-
gui<;a estendida
guiça estendida ao ao sol,
sol, êsse
esse: ritmo
ritmo vegetal,
vegetal, tudo
tudo isso1
isso faz
faz parte
parte
do vocabulário
do vocabulario colonial.
colonial. OO General
General de de Gaulle
Gaulle fala
fala das
das “mul­
"mul-
tidoes amarelas”
tidões amarelas" ee oo Sr.Sr. Mauriac
Mauriac das das massas
massas negras,
negras, more-
more-
,.pna.s
as ee amarelas
amarelas que que dentro
dentro emem pouco
pouco vão
vao soltar
soltar as
as amarras.
amarras.
I O
| 0 colonizado
colonizado sabe
sabe de de tudo
tudo isso
isso e dáda uma
uma gargalhada
gargalhada cadacada
I vez que
í vez que aparece
aparece como
como animal
animal nasnas palavras
palavras do
do outro.
outro. Pois
Pois
sabe que
1’ sabe que não
nao é e um
um animal.
animal. E E justamente,
justamente, nono instante
instante mesmo
mesmo
' em
em queque descobre
descobre sua sua humanidade,
humanidade, começa
comeca aa polir
polir as
as armas
armas
para fazê-la
para faze-la triunfar.
triunfar.
X.

Quando oo colonizado
Quando colonizado passapassa aa pensar
pensar emem suas
suas amarras,
amarras, aa
inquietar oo colono,
inquietar colono, enviam-lhe.boas
enviam-lheboas almasalmas que,
que, nos
nos “Congres­
"Conqres-
sos de
sos de: cultura”,
cultura", lhe!he expõem
expoem aa especificidade,
especificidade, as as riquezas
riquezas dos dos
valores ocidentais.
valores ocidentais. Mas Mas tôdas
todas asas vêzes
vezes que
que se
se trata
trata de valo-
de valo­
res ocidentais
res ocidentais produz-se,
produz-se, no no colonizado,
colonizado, uma
uma espécie
especie de de re-
re-
tesamento, de
tesamento, de: tetania
tetania muscular.
muscular. No No período1
periodo da da desco­
desco-
lonizacao apela-se
lonização' apela-se para
para aa razão
razao dos
dos colonizados.
colonizados. Propõem-lhes
Propoem-lhes
valores seguros,
valores seguros, explicam-lhes
explicam-lhes abundantemente
abundantemente que que aa desco­
desco-
lonizacao não
lonização nao deve
deve significar
significar regressão,
reqressao, queque ée preciso
preciso
apoiar-se em
apoiar-se em valores
valores experimentados,
experimentados, sólidos,
solidos, citados.
citados. Ora,
Ora,
aconteca que
acontece que quando
quando ouveouve um um discurso
discurso sôbre
sobre aa cultura
cultura oci­
oci-
dental, oo colonizado
dental, colonizado sacasaca dada faca
faca de
de mato
mato ouou pelo
pelo menos
menos sese
certifica de
certifica de que
que aa temtern ao
ao alcance
alcance dada mão.
mao . A A violência
violencia comcom
que se
que se afirmou
afirmou aa supremacia
supremacia dos dos valores
val6res brancos,
brancos, aa agressi­
aqressi-
vidade que
vidade que impregnou
impregnou oo confronto
confronto vitorioso
vitorioso dêsses
<lesses valores
valores
com os
com os modos
modes de de vida
vida ouou dede pensamento
pensamento dos dos colonizados
.colonizados
fazem com
fazem com que, por por uma
uma justa
justa reviravolta
reviravolta das
das coisas,
coisas, oo colo­
colo-
nizado .ria
nizado ria com
com escárnio
escarnio anteante aa evocação
evocacao dede tais
tais valores.
valores. No No
contexto colonial,
contexto colonial, oo . colono
colono só da por
so dá por findo
findo seu
seu trabalho
trabalho de de
desancamento do
desancamento do colonizado
colonizado quando
quando êste
este último
ultimo reconhece
reconhece
em voz
em voz alta
alta ee inteligível
inteliqivel aa supremacia
supremacia dosdos valôres
valores brancos.
brancos.
No período
No periodo de de descolonização
descolonizacao aa massamassa colonizada
colonizada zomba zomba
<lesses mesmos
dêsses mesmos valôres,
valores, insulta-os,
insulta-os, vomita-os.
vomita-os.

32
De ordinario este
De ordinário êste ffenômeno
enorneno é e dissimulado
dissimu,lado porque, du- du­
rante o período
periodo de descolonizacao, intele:ctuais coloni-
descolonização, certos intelectuais coloni­
zados estabeleceram um u1ll diálogo
dialoqo com
com a burquesia
burguesia do pais país co-
co­ .
"lonialista.
lonialista. No curso dêsse desse período,
periodo, a populacao autóctone eé
população autoctonc
percebida comocomo massa indistinta. As poucas individualidades
indigenas
indígenas que os burgue:ses
burgueses colonialistas tiveram ocasiao ocasião de
conhecer aqui e ali nao não pesam suficientemente sôbre sabre esta per~
per­
cepcao
cepção imediata para dar origem oriqem a nuancas.
nuanças. Durante
Durante o pe~ pe­
riodo de libertacao,
ríodo contrario, a burguesia colonialista
libertação, pelo contrário,
busca febrilmente contactos com "elites".. ,E
com as “elites” iÉ com estas
elites que se trava o conhecido dialoqo diálogo sobre
sôbre os vàlôres.
valores. Ao
dar-sa conta da
dar-se da Impossibilidade
impossibilidade de de manter seu dominio
domínio nosnos
paises coloniais,
países coloniais, a burguesia colonialista resolve iniciar um
combate de retaguarda
retaguarda no terreno da cultura, dos valores, das
técnicas etc. Ora, ée preciso nunca perder de vista que a
tecnicas
imensa maioria dos povos colonizados ée impermeável impermeavel a essesêsses
problemas. Para a população
populacao colonizada o valor mais essen- essen­
cial, concrete, ée em primeiro lugar a terra: a
cial, por ser o mais concreto,
terra que deve assegurar o pao pão e, evidentemente, a dignida­
diqnida-
de. Mas esta dignidade nada tem tern que ver comcom a dignidade
da "pessoa
da “pessoa humana".
humana”. Dessa pessoa humana ideal jamais jamais ouviu
falar. 0O que o colonizado viu em seu solo eé que podiam im­ im-
punemente prende-Io,
prendê-lo, espanca-Io, mata-lo àa fome;
espancá-lo, matá-lo fome; e nenhum
professor de moral, nenhum cura, jamais veio receber as pan­ pan~
Iuqar nem partilhar
cadas em seu ,lugar partilhar com ele o seu pão.
com êle pfio. Para o
colonizado, ser moralista é,
colonizado, e, de modo bem concrete.
concreto, impor si- si­
lencio' aà soberba do colono,
lêncio colono, despedaça-lhe
despedaca-Ihe a violência
violencia osten­
osten-
tosa, numa palavra: expulsa-lo
expulsá-lo francamente do panorama. 0 O
decantado principio
princípio que quer que todos os homens sejam
iguais achara
achará sua ilustracao
ilustração inas colonias assim que o colo-
mas colônias colo­
nizado se apresentar
apresentar como como o igual do colono.
colono. Mais um pas­ pas~
ele querera
so e êle quererá bater-se para ser mais que o colono. colono. De fato
já decidiu substituir o colono,
ja colono, tomar-lhe
tomar-Ihe o lugar. Como se
ve, ée todo um universo material e moral que se desmorona.
vê,
Por seu turno,
turno, o intelectual que seguiu o colonialista no pla- pla­
no do universal abstrato vai lutar para que o colono colono e colo­
colo-
nizado possam viver em paz num mundo novo nôvo., Mas o que
nao percebe,
não exatamemte porque o colonialismo
percebe, exatamente colonialismo se infiltrou
nêle com todos os seus modos de pensar, eé que o colono,
nele com colono, uma
vez desaparecido o contextoconte:xto colonial,
colonial, não
nao tern
tem mais interes-
interês-
se em Hear,
ficar, em coexistir Nao ée por acaso que, antes mes-
coexistir., Não mes­

33
mo de
mo de qualquer
qualquer neqociacao
negociação entreentre o Governo
Governo argelino
argelino e o
Governo francês,
Govêrno Frances. a minoria europeia dita
minoria européia dita "liberal"
“liberal” ja anun-
já anun­
ciou
ciou sua posicao: reclama,
sua posição: reclama, nem mais 111em
nem mais menos, a dupla
inem menos, dupla
cidadania. iE
cidadania. que no piano
:É que plano abstrato pretende-se condenar
condenar o
colono
colono aa dar
dar um
um salto bastante concreto
salto bastante concreto nono desconhecido
desconhecido.,
Diqamo-lo:
Digamo-lo: o colono sabe
o colono sabe perfeitamente
perfeitame:nte que
que nenhuma
nenhuma fra­
Ira-
seologia se
seologia substitui ao
se substitui ao real.
real.

~i;it~()
Então 0 colonizado desco,bre
o colonizado descobre que que . sua
sua vida,
vida, sua sua respira­
respira-
<;;ao, as
ção, as pulsacoes
pulsações de: de seu
seu coracao
coração são sao as as mesmas
mesmas do colono.
do colono.
Descobre
Descobre que que uma uma pele dde. cofono não
e colono nao valevale II1ais,
mais do do que u!ll,a
uma
pele .clde
pele .~. indígena.
i~cl.i,. s.ena. Essa descoberta
descoberta introduz u~ urji cibalo
abalo .esseti"r
esseri?
~Jal"n() 1llull~'.))Del~d~~()fr.5".
vçíãl no muriao^Dela decorre ... tôda
t()da . a.
a f18Va
nova e fevoluc~onaria(se>
revoIÜdònánas,se-i
,s1tram;a·;do,.~()lomzado. Se, com efeito,
^ttcançar^OTtólonizado. efeito, minha
mmha vida vida terntem o
me'Siit6"
mesiiropêso peso que que aa dodo colono,
colono, seu seu olhar
olhar não nao me me fulmina,
fulmina, nfio não
me imobiliza
me imobiliza mais, sua voz
mais, sua voz jajá naonão me me petrifica.
petrifica. Nao Não me me per-
per­
turbo mais em sua sua presenca.
presença. Na verdade:
verdade eu o contrario.C()ntrario. Não N~o
so!11e11te
somente sua sua presença
presence. deixa
deixa de de me intimidar~coriio
me intimidar como fanibeni
lainbém · jajá
eS!OU pronto para lhe preparar
estou preparar tais elll.bQs.cadC\S
emboscadas que que dentro
de .pq11cQ. .!~II1R<?..ll~.2:Jht
d,e,pouco tempo não lhe restará restara outra saída saida senão
senao aaJuga fuga..
.. Q...£,.<;W,lWQ..,~~.
Q .coutjBJBte-£aJ5S3.. jjf! á ...,Q dissemos, caracteriza-se
a/ dissemos, e<Facteriza,..-se pela pela
.dicotomia . que
tdicotomia que inflige
infliqe ao mundo)
mundál A A descoloniza<;;ao
descolonização unifica unifica
es~e mll'l1clO,
êste exaJ~a11do:-.lh.e po,r
mundo, exajtando-lhe por 11ma decisao. radical
uma decisão radica1 a hetero-
hetero­
g~neiclade,
geneidade, conglobando-o
conglobando-o ·aà l:)~se:base da na~.ao, as
da nação, às vezes
vêzes da da raca.
raça.
Todos conhecemos
Todos conhecemos o o dito
dito feroz
feroz dosdos patriotas
patriotas senegaleses
senegaleses evo­ evo-
cando
cando as as manobras
manobras de de seu Presidente Senghor:
seu Presidente "Reclama-
Senghor: “Reclama­
mos a afncanizacao
africanização dos dos quadros,
quadros, e eis que Senghor africani-
que Senghor
za
za osos europeus".
europeus”. lsto quer dizer
Isto quer dizer queque o colonizado tern
o colonizado tem possi-
possi­
bilidade
bilidade de de perceber
perceber numa imediatidade absoluta
numa imediatidade absoluta se aa desco- desco­
lonizacao
lonização ocorreu ocorreu ou OU nao:
não: o O mínimo
minimo exigidoexigido eé que que OS ultimos
os últimos
se: tornem
se tornem os os primeiros.
primeiros.
Mas o intelec.ttrnlcolonizC\do
intelectual colonizado oferece yaria11tes a essa exi­
oferece variantes exi-
gencia '·e:··cre~·Tato,·
gência e, de fato, J}a~ec~ parece que que . 11ao
não ... lhe Jcilfrun
faltam motiva<;;oes:
motivações:
qU:~dros:~ad\IiiiilsTr~fivo·s;
qügdrps administrativos, ciuadros quadros f~cnicos,
técnicos, especialistas
especialistas... Q,ra.Ora,
~ colo11izaclg_b1.terprgtq_~~s,s,as
o colonizado interpreta jessas meteri<;;§es preterições co1110como . outras
outras_ .: tantas
lll£1}!QbJ:i.i.§"ge
manobras de SM.Q.,lli.gggiJ. e não é raro Q!!':';i,r..-~.e,
sabotagem,..g~.!l%.Q,g;,i:§HQ ouvir-se, .· a911i
aqui ee. ali, um11m
cgloniz9cl().clerl<!r<lr:
colonizado declarar: . ''N°ijip
“Não ya,lia,-a.
valia a pena, . então,’ eijt%o,·se£ ser .. i~depen,..
indepen­
dente
dente ..... . ”" · ·
· . NasNas regiões
reqioes colonizadas
colonizadas onde onde se travou uma
se travou verdadeira
uma verdadeira
luta de
luta de Iibertacao,
libertação, onde onde correu
correu o sangue do
o sangue povo ee onde
do povo onde aa du- du-

34
racao
ração da
da fase
fase armada
armada favoreceu
favoreceu o refluxo
refluxo dos
dos intelectuais
intelectuais as
às
bases populares,
bases populaces, assiste-se
assiste-se aa uma
uma indiscutível
mdiscutivel erradicação
erradicacao dada
superestrutura bebida
superestrutura bebida por por êsses esses intelectuais
intelectuais nos nos meios
meios bur­ bur-
gueses colonialistas.
gueses colonialistas. Em Eill seu seu monólogo
monoloqo narcisista,
narcisista, aa burgue­ burque-
siacolonialista,
sia colonialista, por por intermédio
in'termid!O de d~ seus uriiversitarios, havia
seus universitários, havia
dede.' fato
Iato inculcado
incukado profundamente
proftnidatnerite no no espírito
espirito do do colonizado
colonizado
que as
que as essências
essencias permanecem
perma11ece1ll.Seternas t~rn?.s a(;l despeito
despeito de de todos
todos os os
erros atribuíveis
erros atribuiveis aos aos homens.
homens, As^ As essências
essencias ocidentais,
ocidentais, bem bem
entendido. O
entendido. 0 colonizado
colonizado aceitava ;Jiindamenfo
aceitava o fundamento dessas dessas idéias,
id~ias,
ee'eera
ra possível
passive! descobrir,
descobrir, numa numa dobra dobra de de seuseu cérebro,
cerebra, uma uma sen­sen-
tinela vigilante
tinela vigilante encarregada
encarregada de de defender
defender oo alicerce gre·co-la-
alicerce greco-la­
Ora, acontece
tine. Ora,
tino. acontece que, durante aa luta
que, durante luta de liberta<;ao,. no
de libertação, no mo-
mo­
menta em
mento em que que oo colonizado
colonizado retoma retoma o o contacto
contactoc9i!i com §ellseu - povo,
povo,
essa sentinela
essa sentinela . factícia
Iacticia é~ . pulverizada.
pulverizada, Todos To dos os os valores
YCl-J6res medi­
medi-
terraneos, -tr{unfo
terrâneos, triunfo da da pessoa
pessoa humana, humana, da clar~z~ e~ d~
da clareza Belo,
do Belo,
convertern-se em
convertem-se em quinquilharias
quinquilharias sem vida vida ee sem setn. cfir. Todos
côr, Todos
esses discuísos
êsses discufsos aparecem
aparecem como como agregados
agregados de de palavras
palavras mortas.mortas.
Esses valores
Êsses valores que que pareciam
pareciam enobrecerenobrecer aa alma alma revelam-se
revelam-se inú­ inu-
porque não
teis porque referem ao combate
nao se referem combatc concreto concrete no no qualqual oo
povo está
povo esta engajado.
engajado. . .1, •.
E antes
E antes de de tudo
tudo o:,,individualismo.
o:JndividuaHsmq. O 0 intelectual
intelectual coloniza­
coloniza-
d? aprendera
do c:prendera com com seus
seus mestres
mestres que que oo ^ ~-fridividt.lo
indivíduo deve de-Ve afir-
afir-
niar-se. A burguesia
mar-se._A burguesia colonialista introduzira aa golpes
colonialista introduzira golpes de de pilão
pilao
· nõt\2..~~gi!9.~9- colonizado aa . idéia
espírito do colonizado ideia de de umauma sociedade . de de indi­
indi-
\itcl!l()S .eem
víduos 1ll que _cada
cada um .. se encerra em em sua . subjetividade,
subj etividade, em em
que riqueza ée aa do
que aa riqueza do pensamento.
pensamento. Ora, QrC!,_() colonizadoque
o colonizado tiver' j
que tiver
aa_ssorte
orte de de se se entranhar
entranhar no no povopovo durante
durante aa luta luta de de )ipertac;;ao
libertação | I
qg§_c;obdra ail falsidade
descobrirá fgJsiciade dessa
dessa te()ri_ci_,
teoria.. As As formas
formas de de organiza-j
organiza-J
<;ao da
ção da lutaluta logo
logo ,lhe
Jh~ proporão
propor.ii;; - um um vocabulário
vocabulario insólito. insolito. O o
irrnao, aa irmã,
irmão, irrna, oo camarada
camarada são sao palavras
palavras proscritas
proscritas pela pela bur­
bur-
guesia colonialista
guesia colonialista porque,
porque, para para ela,
ela, meumeu irmão irmao ée meu meu bôlso,
bolso,
meu camarada ée minha
meu camarada minha comilança.
comilanca. O,, 0 .. intelectual
intd~ctµ9L colonizado
co}opizado
assiste, numa
assiste, numa espécie
especie de de auto-de-fé,
auto-de-Fe, aa destruiçãodestrui<;a() _dde e todos
todos os os
s,eus ídolos:
seus idolos: o0 egoísmo,
egoismo, aa recriminação
recrimina<;aoorgulhosa,)1
orgulhosa, à imbecili­ imbecili-
dade infantil
dade infantil de de quem
quern quer
quer ter ter sempre
sempre aa última ultima palavra.
palavra. Êsse ~ss_e
int~.lef.t]li;l} colonizado,,atomiz.3.do
intelectual colonizado, .. atomizflJfo.pela cJJlturil colonialista,
,p.~}.,a cultura co}Q11iilh.§t?_· .ddes­
es-
c,pbrira igualmente
cobrirá igualmente aa consistência
consistencia das das assembléias
iiSSt:-'Illhlei(;l§ dec:k_c:iJc:{ei,as,
aldeias,
aa. densidade
derisidade das das comissões
comissoes do do povo,,
povo, aa extraordinária
extraordipa_~~a fecµn- fecun­
didade das
didade das reuniões
reuni5es .dde e quarteirão
quarteirao e~ de de célula.
celi;l~,.OO interêsse
interesse de de
cada um
cada um não nao cessa
cessa mais
mais de de serser doravante
doravante oo~iiite~&e"C:letoCfi)s
interêsse de tõ3õs
porque, concretamente,
porque, concretamente, serão loaos-desc.o"I3erfo·s~peTcis-Iegio~·
sfrao· íc 3 ò s descobertos pêlosTêgfo-

35
35
narios
nários e portanto
portanto massacrados,
massacrados, ou serão todos
ou serao todos salvos.
salvos. Neste
contexto, oo "jeitinho”,
contexto, "j eitinho", forma
forma ateia
atéia de salvacao, esta
de salvação, está proibido.
proibido.
De certo tempo
De certo tempo para para cáca Iala-se
fala-se muito
muito em em autocritica,
autocrítica, mas mas
sera que
será que se se sabe
sabe que ela e,
que ela é, antes
antes de de tudo,
tudo, uma uma instituição
instituicao
africana?
africana? Seja Seja nas djemees da
nas djetnaas Africa do
da África do Norte:
Norte ou ou nas reu-
nas reu­
ni6es
niões da da África
Africa Ocidental,
Ocidental, mandamanda aa tradição
tradicao que que os os conflitos
conflitos
surgidos
surgidos numa numa aldeia sejam debatidos
aldeia sejam debatidos em publico. Autocritica
em público. Autocrítica
em comum, ée certo,
em comum, certo, mas com uma
mas com uma nota nota de de humor porque todo
humor porque todo
mundo esta
o mundo
0 está aà vontade,
vontade, porque
porque em em ultima analise todos
última análise todos que-
que­
remos as mesmas coisas. 0
as mesmas calculo, os
O cálculo, os silêncios
silencios insólitos,
insolitos, as as
segundas intencoes, oo espirito
segundas intenções, subterraneo, oo segrêdo,
espírito subterrâneo, seqredo, tudo tudo
isso
isso o intelectual vai
o intelectual abandonando àa medida
vai abandonando medida que que imerge
imerge no no
povo.
povo. E E ée verdade
verdade que que se pode dizer
se pode dizer então
entao que que aa cornunidade
comunidade
triunfa
triunfa ja neste nivel,
já neste que ela
nível, que ela segrega
segrega sua sua pr6pria
própria luz, luz, sua
sua
pr6pria razao,
própria razão.
Mas pode
Mas pode acontecer
acontecer que que aa descolonização
descolonizacao se se ef~~u.e
efetue nas.nas
reqioes
regiões que 1iao-§<,;~3iiJi.s"l~i]J~iheT1[~'~a~aia(ja~''i)~1a
que ^Tô~fõrãim*^"suficientemente aBaladas pela .lu{a'<le
luta de
li'oerfa~aa·T-gue~ e:nsontr~lli ai
libertação e ’ que se.. encontrem mesmos ..intelectuais
aí.. os mesmos in tele.~tua~s ladi­
l~di~
n(>s, . astutos,
nos, astutos,•. ardilosos.
arcHlosos. 'NHesNêles . . continuarfio intactas as nort\ias
continuarão intactas'as nòrmas
de conaiifa ee 'as'TCi'rmas
de conduta as' formas de de pensamento
pensamento acumuladasacumuladas no curso curso
de7ua.·-c-·11···i\ten£!a"··c:O'ill-·a:··5u·r''\1es1a••···c.aloil!aIISta::'Meiii
de.~ sua convivênaía çom“ a " bíirguesia colonialista. Meninos
mi';;iJ;;~··~ii~ffi~£~19~20:IQvli!~m~ ~?j~J)~I~········auEoJ:Tda~·e
mimados ontem pelo ^lonjalismo, 1:: hoje pela autorida*8e~na- ha;;
~~1~~1i~~er~c:x!eI~i:l~J:rg{l~!~~~eR;;
naísTlmplacáyeis, ··~~~~£~~~?·~I~c~f~i~~~a~~;
dõnal, êles organizam a pilhagem dos poucos 'recursos nácio-
erguem-se por meio das mamatas ”ou dòs
rOUT:ios legais
rõuBos l~(=Jais--~
— 'ope~~~5es. (T~''importa~iio
operações de importação e''expoifii~ao, e exportação, ''so~ so­
ciedades ·~nim~~§P..~s:.1:ll<s!0~e.s_gC!
ciedades ànô'nim ^^s£ea^ações na..bôlsa, lJ:2'!~CiL p:tvac;oes
cavações -— aci~a acima
dessa miseriahoj e nacional.
dessa~mTs5riaTíõje nacional. Reclamam
Reclamam com com insistencia
insistência aa na- na- ,
cionaIIza~ao . das
ciònahzaçao das atiyi~~~:~~ C:()m~~£I~i§;:.:·1§t'(i:~~:
atividades comerclãis, isto é, ~··r~sery~
á reserva . dos tj'os I
merC'ifdos {.
mercados e das boasb9ci~. OQ()rtuni.c:lcides
oportunidades exc:lusivame11te
exclusivamente para P<lra. os j
n~c!oll<lI,~:
nacionais. D().litrina11li~nt~, proclamam a .n~cessidad~
Doutrinalmente, proclamam necessidade imperios~
imperiosa )
de
dê* nacionalizar o () roubo,
rgypg clC:L 119.Q~Q, Nessa aridez do periodo
da, nação. período 4
nacional, ná
nacional, na fase
fase dita
dita dede austeridade,
austeridade, o o sucesso
sucesso de de suas
suas ra- ra­
pinagens
pinagens provoca
provoca rapidamente
rapidamente a a colera
cólera ee aa violência
violencia do do povo.
povo.
:Este povo miserável
Êste povo miseravel ee independente,
independente, no atual contexto
no atual africa-
contexto' africa­
no e Internacional,
no internacional, chega chega àa consciencia
consciência social social numa cadencia
numa. cadência
acelerada. Isso Isso não
nao tardara
tardará a ser ser compreendido
compreendido pelas pelas peque~
peque­
nas
nas individualidades.
individualidades.

Para assimilar
assimilar. a.
a c:gl.t.g.r,~
cultura ..c:l?.?l?r~s,~()E
do opressor .ee ~y-~ntur<l.r:-.se 11.eICi,
aventurar-se nela,
o colonizado
colonizado tey~ d~Jqrn~1=.\:'..i
teve.de fornecer ,gar~nfias.
garantias. · Enfre
Entre outras coisas,

36
teve de: fazer
teve de Iazer suas as formas cl~d:~,ensam,~'llto co-
de pensamento da burguesia co­
lonial. Isso se ,¥•gifica nel('~nC:apacidade
verifica na, incapacidade 2lo
do inteledual
intelectual coloni-
coloni­
ia~opa~a~cflal?~~\)florqu~"'tlaosa'l5'itfa:iitr:'se'Tnes'sellc1al·'
zado para 'dialogar?' Porque“ nacfsãBe fazer-sé"Tnessencial em
em
face oBjetoouaa
fàce do objeto ou da ideia,
idéia. Em compensacao,
compensação, quando milita no
seio do povo, vai de surpresa em surprêsa. E
·em surpresa. É literalmente de­ de-
sarmado pela ,boa-fé
boa-Ie e pela honestidade do povo. 0 O risco per-per­
manente que o espreita eé entao então o de fazer populismo, Con­ Con-
verte-se numa especieespécie de amenista que aprova cada frase do
povo, logo transformada
transformada por êle ele em sentença.
sentenca. Mas o Iela, felá, o
desempregado, o faminto, não nao se gaba de ter a verdade. Não Nao
diz que ée a verdade, porque o eé em seu pr6prio próprio ser, ser.
Objetivamente, o ,,,,~,11!~1,~S,~1:1§1.}
intelectual . se comporta neste . período
~e .S().l11Jl()ttci,}1e;s_tg .neriodo
como um oportunista vulgar. vulgar. Suas manobras, na realidade,
nad ces'saraiii~'Para·o·p·ovo'ii,ao
nãB^cessãram. ·se trafa nunca deo
Para o povo não se trata nunca de o rechaçar rechacar
ouel1cufiafar.
oü''encürrãlãr. 0 O que o 0 povo exige é e que se ponha tudo em
comum, A Insercao
inserção do intelectual na maré mare popular sera re-
será re­
tardada pela existência
tardada existencia nêle
nele de um curioso curioso culto do detalhe.
Nao eé que o povo seja refratario
Não refratário àa analise.
análise, Gosta de receber
explicacoes, gosta de compreender
explicações, compreender as articulações
articulacoes de um ar­ ar-
gumento, gosta de ver ver1 para
para onde vai. M ,!Yl~1:'
as o ())ntdectual
intelectual co­co;-
lopizad<:>, no início
lonizado, i.nicio.d<:
de . sua coabitacao
coabitação com o povo, privilegia privilegia
o '(l:!alh:
detalhe e chega
c~eg~ .aa es9u:c,er
esquecer .~·. d:rr()ta do
a. derrota d.? colonialismo,
colopialismo,. o ()hje-obje­
t(?'''ines§o
to' mesmo dá da )uta.
luta. "1\rrasfado
Arrastado’pelo pelo movimento
movlmento multiforme
inultiforme da
a
luta, tende a fixar-se em tarefas Iocais, locais, Ievadas
levadas por diante
com ardor mas quase sempre com exagerada solenidade. solenidade. Nern Nem
sempre vê ve o todo. Introduz a noção nocao de disciplinas, de espe­ espe-
cialidades, de:de- dominios, terrivel máquina
domínios, nessa terrível maquina de misturar e
triturar que ée uma revolucao
triturar revolução popular. Empenhado em deter- deter­
minados pontos da frente de combate, ai;;,Q;Jlt~se-lhe;açontece-lhe perc1erperder de
vf~.t~L.~
vista a. . unidade g,q IB2\l~!n~l1~2.:.e:~
1:111Jcl.<:1.c!e. do movimento e, . .em ~!!1,.Sit. ~g,,9.~::i~i~~::ill.<.:ill
caso de revés local,...:dei-dei­
xar -se le\lar
xar-se levar pela..duvida e .. at€;
até mesm.o
mesmo. pelo.deses,P~!.'o·
pelo desespero. 0O povo,
contrario, adota de saida
ao contrário, posicoes globais. A terra e o pao:
saída posições pão:
que fazer para ter a terra
terra e o pão?pao? E este
êste aspecto obstinado,
aparentemente limitado, estreito, do povo ée em definitivo
definitive o
0
modelo
modêlo operativo mais fecundo e mais eficaz. ef icaz.

O[PE'~§!~~~·~~:Y~~~'St~
Oiproblema tambem reter a nossa aten­
da verdadQ deve também aten-
ção. N
<;;ao. No9 seio ao
3o povo a ye:rdac1e;
verdade se111pre
sempre peFte;11ce nacio-
pertence aos nacio­
nais. Nenhuma verdade absoluta, nenhum discurso sobre sôbre aa
transparencia
transparência da alma pode esboroar esta posicao,
posição. AÀ mentira

37
da situação
da situacao colonial
colonial o colonizado
colonizado responde
responde com uma uma mentira
mentira
igual. O
igual. comportamento ée franco
0 comportamento Franco com
com os os nacionais,,
nacionais, crispado
crispado
ilegivel com os colonos.
e ilegível A~tenti.co.. ée. tudo
colonos. Autêntico ~~do aquilo
a9~ilo queque preci­
preci-
pita o0 desmoronamento
pita desmoronamento dcTregíme" d~·-·r·e·gime còTóiíial,
colorii~l, que
qiJ.e favorece.
favorece : aa
eriiergendagada nação.
emergência :A1it~nfico ée oo que
11ccic;?_!2.:. Autêntico que protege
protege ps indigenas
os indígenas
ee-ai"rulna-·os
"amima, os .estr';1n$~iros·:·
estrangeirosT^Nò ·-No contexto colonial não ·1Há
contexfocolon!arn5o 1~ con­ con~
diifa de
duta \.ierdade. E
de verdade. E o bein ée simplesmente
6 foem simplesmente oo que que prejudica
prejudica oo
colono.

Vemos portanto
Vemos portanto queque oo maniqueísmo
maniqueismo primeiro
primeiro que que regia
regia
aa sociedade
sociedade colonial
colonial conserva-se
conserva-se intacto
intacto nono período
periodo de de coloni­
coloni-
zação. ::E que
zacfio. É que oo co.lono
colono jamais
jamais deixa
deixa de
de ser
ser oo inimigo,
inimigo, oo anta­
anta-
gonista, mais exatamente
gonista, exatamente ainda,
ainda, oo homem
homem aa abater,
abater. O 0 opres­
opres~
sor, em
sor, em sua
sua zona,
zona, faz
faz existir
existir oo movimento,
movimento, movimento'
movimento de de do­
do-
minacao, de
minação, de exploração,
exploracao, de de pilhagem.
pilhagem. Na Na outra
outra zona,
zona, aa coisa
coisa
colonizada, oprimida,
colonizada, oprimida, espoliada,
espoliada, alimenta
alimenta como
como pode
pode êsseesse mo­
mo-
vimento, que
vimento, que vai
vai sem
sem transição
transicao dosdos confins
confins dodo território'
territ6rio aos aos
palacios ee às
palácios as docas
docas dada “metrópole”.
"metropole", Nesta
Nesta zona
zona coagulada,
coagulada, aa
superficie está
superfície esta parada,
parada, aa palmeira
palmeira sese balança
balanca diante
diante das das nu­
nu-
vens, as
vens, as ondas
ondas do do mar
mar ricocheteiam
ricocheteiam nas pedras, as
nas pedras, as matérias-
materias-
primas vão
primas vao ee vêm,
vem, legitimando
legitimando aa presença
presenca do do colono,
colono, enquan­
enquan-
to que
to que acocorado,
acocorado, mais mais . morto
morto do do que
que vivo,
vivo, oo colonizado
colonizado se se
eterniza num
eterniza num sonho
sonho queque ée sempre
sempre oo mesmo.
mesmo, O 0 colono
colono faz faz aa
hist6ria. Sua
história. Sua vida
vida ée uma
uma epopéia,
epopeia, uma
uma odisséia. le ée oo come­
odisseia. Ê:Ele come-
co absoluto':
ço absolute: “Esta
"Esta terra,
terra, fomos
Iomos nós
n6s que
que aa fizemos”.
fizemos". É ::E aa causa
causa
continua: “Se
contínua: "Se partirmos, tudo estará
partirmos, tudo estara perdido,
perdido, esta terra terra re­
re-
gredira àa Idade
gredirá Idade Média”.
Media". Diante
Diante dêle,
dele, os seres embotados,
OS sêres ernbotados,
atormentados interiormente
atormentados interiormente pelas f ebres ee pelos
pelas febres pelos "costumes
"costumes
ancestrais", constituem
ancestrais”, constituem um um quadro
quadro quase
quase mineral
mineral no no dinamis­
dinamis-
mo inovador
mo inovador do do mercantilismo
mercantilismo colonial.
colonial.
O0 colono
colono faz faz aa história
hist6ria ee sabe
sa~e~_g_ue
que aa_faz.
faz. E E porque
porque se se re­
re~
f ere constantemèntê~á
fere constantemente a história fi!St6ria ~3ee ’ sua
sua metrópole,
mctr6pole, indica
indica dede
modo claro
claro que
que êle ele ée aqui
aqui o0 prolongamento
prolonqamento dessa dessa metrópole.
metr6pole.
~l::t f~cfa7enf1fE1·1r1s1,~na~-f;Eiii£·!iia~a~~~i:!f~1:~rrir1-~~~~im~~
modo
A história que escreve não é portanto a história da região por
0
êle saqueadarmas'’a*E^<Sriàrae sua nação no território explo-
r~]21.§violado
racfór JQ1~92.~e ..esfãisí.3skk
~if~Imii!dQ:x·I;;01Jmcra·ae:~t""que·
à imobilidade a que está ~st:i·~0~2fel'.ia~
condena­
do o colonizado
do coloni só,' pode
o ter firn ,se. ~_s;,,q_lonizado
o colonizado se se dispuser
dispuser aa
p r têrgjo
p§£ ter)rio àa história
hist6ria da da colonização,
colonizac;i:l, àa.JiG"t6ria-cra--ni1ffagein,
hislóriã" clã~ pilh~ágém,
par5?i9fSr á história da'SSpSS^aKllistoria
par a(,< ~.:.,~a-::IIrst6ria-,.-mrir'ii'9ao~ história dacra''ciesc:010rilza~~
descolonizáção.9.
, •. , -. . -.~-- c-•"'-·- - . . ,. . . -- ---·-· ,;,;:,", .;, ,,.,,.,,. .. , . .. ~,.;z:,,f.""~'.o"--. ~.. -;•,.··-·.' .,._.._,,,.,.... ~.,·.c,,•,,,,,,,,·,··•··•·--··-·,.,·····-'·"·''"---·~,., ... ,..,.,,,,,"""'' ,,, .. -

38
38
. ··~···'JJ·~!lc.lC> . C:()!lll?CIE~~.~~i~~Q:.::.ill~niq~·~1;_i'ii~:.lm~yiT:=·g;~~~;;:~
. i Mundo compartimentado, maniqueísta. imóvel, mundo ^
(c:st~tua~_;l1 estatua do general
e.státuas':> a estátua general queque efe:tuou conquista, a es­
efetuou a conquista, es-
· tátua
tahia'Clo enqenheiro que construiu
do engenheiro construiu a ponte.
ponte. Mundo seguro seguro de de
si, que
que esmaga
esmaga com suas suas pedras os lombos esfolados pelo chi-
lombos esfolados chi­
cote. Eis o mundo colonial. 0
mundo colonial. indígena eé um ser
O indigena en,curralado,
ser_encurralado,
apartheid ée apenas
o apartheid apenas uma uma modalidade da compartimentarão
UL(l,92,!!£!,gsl~~-StC1~.£sLfilii~i]i£5~o
do mundo colonial.
colonial. A l\..p.Iimeir.e,,,£QifilL.ill-!e
primeira coisa que o oindigena
indígena aprende
e_~JiS§lJ:~!lS ... ~~!:l)B-9~I,1.Jl~.2.l!!!XellS!§J:i,i'tt~-~~]!m1~s:·-pof''lsso'
é_a fiçar no seu lugar, não ultrapassar os limites. Por isso' eé
que os sonhos
que sonhos do indigena
indígena são sao sonhos musculares, sonhos
sonhos musculares, sonhos de
acao, sonhos
ação, sonhos agressivos.
agressivos. Eu sonho sonho que dou dou umum salto, que nado,
que corro, que que subo. Sonho que estouro na gargalhada, que que
transponho o rio com uma uma pernada, que sou perseguido por por
bandos de veiculos
veículos que não nao me pegampegam nunca.
nunca. I)urante
Durante a co­ co.~
lonlzacao, o colonizado
lonização, colonizado nao cessa de se libertar
não cessa libert~ei:i'tre··nove
entre nove
horas dá noite 'e
l:loras···aa"noffe seiithoras·
e seis horas da aa manha.
Esta . agresslvidade
Esta agressividade sedimel1.tad~····nos
sedimentada nos músculos,m usculos, vai vai o o co-
co­
lonizado manif
lonizado esta-la primeiramente
manifestá-la primeiramente contra os seus seus... ÉE o pe­
pe-
riodo em que
ríodo que os neqros ~gam entre 1:si?,i e os policiais,
negros brigam policiais, os juizes
juizes
de: instrução'
de instrucao exasperam.:-sea~sombrosa
exasperam - se'â'M ^S'"a ssombr osa criminalidade criminalidade
norte-africana. Veremos
norte-africana. Veremos mais adiante o que que se deve pensar
desse fen6meno,
dêsse fenômeno,2 2 Em face face do dispositivo colonial o colonizado
dispositivo colonial colonizado
se acha num num estado
estado de tensaotensão permanente. O 0 mundo do, do co-
co­
lono ée um mundo
lono hostil, que
mundo hostil, rejeita, mas
que rejeita, mas ao mesmomesmo tempo tempo ée
um mundo
mundo que causa causa inveja. Vmios que
inveja. Vimos que _o colo11izC1c.lC> ~C>IlJ-1.a
o colonizado sonha

~~~g~ea·~?.;€~iit>~iittr;·;f~L;~~~
um ~colono, mas"
sado, agressivo,
sado,
"* em... substituir
*
agr.essivo;-pofS'''que''recna(,;a
pois^qüFTécEa^TSS®
o colono,
* ~~~;x~!u%·~~~is11r~:~
sempre em se instalar no luaar ~3 õ còlònò'.'TJão" ~ém se tornar
9 mundo hostil, pe-
Êsse
'com tôdas
todas as suas aspere~
SUClS aspere-
zas a massa
massa colonizada,
colonizada, representa não nao o inferno
inferno do qual qua! todos
desejariam afastar-se
desejariam afastar-se o mais mais depressa possivelpossível mas mas um pa­ pa-
raiso alcance da mãot
raíso ao alcance mao, protegido por terríveis terriveis molossos.
molossos.

0 colonizado
O colonizado está esta sempre
sempre atento porque, decifrando
decifrando com
dificuldade os multiples signos
OS múltiplos signos do mundo mundo colonial, jamais
colonial, jamais
sabe se passou ou 011nao_
não do lirni.te
limite.... Diante
Di<:i!l~e do mundo
rnt1nd() arranjado
arra11iec.lo
pe:l(.)-S().lonialista,
pelo. í o colonizado a .todo
colonialista, ~o-colonizado todo. _m-omentc> sepresuni'~
momento se presumè
,c:ulpClc.i(.)J A. culp?o!Jrdade.·aQ~.¢2J§jJ.j~SlQJ1!~o
iCulpado^iA..culpabilidade.do^ colonizado não é¢. !;l!llc:l
uma . culpabili-
~11.lpa!)ili~
dac.lLassumida,
dade^ assumida, é, e, antes,
antes, uma
uma especie de esfiaoa
maldi~a.·0: de espada
espécie de maidiçao.
de D.§°mOCTes:"'"C'.Jfa:·no"iiiaJs"funoo··reces'scrde·seu··
de DamõHéC^O^T^Sníáais^unáS^ecesso de seu ser, o colo-
colo­

22 "Guerra colonial
“Guerra colonial ee perturbacoes
perturbações mentais",
mentais”, capitulo
capítulo 55..

39
u !llU!!

nizado nao reconhece nenhuma jurisdicao.


não reconhece jurisdição. ~,~,.,.9:9}Di.!laqo,
Está dominado,
ID§IS nap
mas do!lle:sticadp. Est~.
não domesticado. lístá inferiorizad()o,
inferiorizado, . mas
mas nao
nao convencido
convencido
d_:~·~~i
de i~{eii.~·~;~~4~
sua inferioridade. .. Espera
Esp era··pacientemente
pacientemente que o colo..o
coIoíxo re~
re­
faxe a viqilancia
laxe vigilância para lhe !he saltar em cima, cima. Em seus musculos,
músculos,
o colonizado
colonizado esta sempre a
está sempre à espera. NaoNão se pode dizer que es­
dizer que es~
teja inquieto,
inquieto, que
que esteja aterrorizado. Na realidade esta está sem-
sem­
pre pronto a abandonar seu papel de caca caça para tomar o de de:
caçador.
cacador. O Q.,s;~!?.~!.~~~2
colonizado ~é YII12.~~sea.t1.i~o
um perseguido .9};:\.~ que.. sonha permanen-
~..onh~- J).~~mane?~
tt~,~lJJ~
emente..~~-~$.""J.Qt!)cJ;',tJ.'.,.~per~egJti,d.or
ém"~Se tornar. ..peráeauidòr~ &JI
.. , §imbolos soc~is —
símbolos soçfeís -
gendarmes, cornetas soando nos quartéis, quarteis, desfiles militaresmilitares e
a bandeira arvorada
arvorada -—•gão ~.~o ~o !ll~§IJl-O,temp()inibitivos
ao mesmo tempo inibitivos e ex- ex­
Nao significam:
citantes. Não significam: "Não "Na; se mexa",
mexa”, mas: mas: "Prepare
“Prepare bem
o'":Seu-golpe".
o seu golpe”. E, de Iato, fato, se o colonizado
colonizado tivesse tendência tendencia
para adormecer,
adormecer, para esquecer,
esquecer, a arroqancia
arrogância do colono colono e seu
cuidado de pôr p6r aà prova a solidez solidez do sistema sistema colonial,
colonial, lem-
brar-lhe-iam com muita muita Irequencia
freqüência que que o grande
grande: confronto
nao poderia ser indefinidamente adiado. Êsse
não :Esse impulso
impulso para
Iuqar do colono
tomar o lugar colono constitui a tensão tensao muscular de todos
os instantes. Sabe-se, com efeito, efeito-, que em condicoes emocio-
condições emocio­
nais dadas, a presenca
presença do obstaculo
obstáculo acentua a tendencia tendência ao
movimento.
movimento.

. relacoes colon()~colonizado
As relações colono-colonizado ..sao rela<;;():§ dejm^s&aosAp
são relações cle. . ~
nt~~:E() oo colonío
' número col9rm opõe
c)poe .sua for~a. 0
sua fôrça. colono ée um
O coiono 'ldb~J5i'·
um j^lbicionistpl.
s.u~.
Sua preocupação c1:
preocupacao de se~t.lran<;;a
segurança Iev~:()o
leva-o a . !eII1brar
lembrar em a a. voz
emaTíS*voz
ao colono qffe:·
a'O· que .• o
Q p:atr§Q.c::tCJ:11Lso11
patrão aqui sou eti.".,
eu”. 0 O colo1lo
colono alimenta a
c61era
colera do colonizado
colonizado e sufoca-a. 0 O colonizado
colonizado estaestá preso
prêso nas
malhas apertadas
malhas apertadas do colonialismo.
colonialismo. Mas vimos que no inte­ inte-
rior o colono
rior colono logra apenas uma pseudopetrificacao. A tensao
uma pseudopetrificação. tensão
muscular do colonizado
muscular colonizado Iibera-se
libera-se periodicamente em explosoes explosões
sanquinarias: lutas tribais,
sanguinárias: tribais, lutas de sobas,sobas, lutas entre in- in­
dividuos.
divíduos .
nivel dos individuos
Ao nível indivíduos assiste-se a uma uma verdadeira
verdadeira ne­ ne-
ga<;;,ao
gação do bom born sense.
senso. Enquanto
Enquanto o colono
colono ou o policial podem
policial podem
a qualquer momento
momento espancar o colonizado, insulta-lo, Faze-lo
colonizado, insultá-lo, fazê-lo
ajoelhar-se, ve-se
vê-se o colonizado
colonizado sacar a faca ao menor gesto gesto

~~:!~. <l~. . ~~f~~~;;<lod.~ . ~~W:~~~~~:·~:n~~~J~if;Ea~


Jiostil ou agressivo de outfygffiilHgffdtfl últimojre;
curso do colonizado é defender sua personalidadS*”3íanIe de
sCLi~con'genen~,J\s
seu**congênere. As lutas tril:)c:lis c;ipenas perpetuam velhas ani-
tribais apenas
mosidades afundadas
afundadas · !1\!
na .me!llO.ti<l.. Lancando-se im
memóri^. Lançando-se petuosa-
impetuosa-

40
rnente em suas suas viriqancas, vinganças, o o colonizado busca persuadir-se de
J mente em
que o colonialisrno colonialismo não nao existe,
colonizado busca
existe, que tudo se passa corno
persuadir-se de
como antes,
que aa hist6ria
que história continua. continua. Aprendernos Aprendemos ai aí em plena evidência,
em plena cvidencia,
ao. nível
ao nivel ~as das coletividades, as costumeiras cos.tm11eirascondutas ~ondutas deabst~n~
de absten­
c;ao, como
ção, como se o 0 ll1ergufhon-este
mergulho neste sangue fraternal sai}gu.e periiiifisse .1:iil'9
fraternal permitisse não
ver o
ver o obstáculo
obstaculo ee adiar adiar para para rnais mais tarde tarde aa opção opcao inevitável,
inevitavcl,
aquela··riue.··ae-seml5oca-.iia]iila··armaCfil"''C'onffa•
aquela que^Besembqca na .. ·, ...• :lu
,,, .. ;.,..,,,,,~.,,,,,,.,.,J............,,"·,,..,._·""''.·l'~.!Oif""'."'·--·";~1%'''···' · .. ; .. ·.,·,ta‘^armada
...- - ·.--·.... - ......~.-- ·-··-· .. ·-· -- . contra
. ..
cs·•C'oloniaHsmo.
o colonialísmô.
. ' ... ' . _, ... ,.,_.__ .,. _,-,,,,..., . _, '·'
·.····;.!

~litode~truic;ao
Autodestruição _coletiv~ coletiva bastante bastante concreta concreta nas lutas tribais tribais -—■
t'~r-~
tal e -poitanfo uma das_ yias por onde se libera a'!. . tensao
portanto u~_c!i~--Y~~-S..E<?.E.S~Bs!~-~~--E2~~~ tensão mus- mus­
cular
cular do do coloniza” colonizado. 3o. Todos Tcdos ·esses êsses cornportamerito·s·-·saocomportamentos "sãS refle­ refle-
xos
xos de de morte morte em em face face do do perigo, perigo, condutas-suicidas condutas-suicidas que que permi­ permi-
tern
tem ao ao colono, colono, cuja cuja vida vida ee domínio dominio se se acham acham assirnassim maismais con- con­
solidados, verificar na mesrna
solidados, mesma ocasião ocasiao que êsses esses homens
homens não nao
sao~J,g,i;;io.uais.
são iftrionais. 0 O colonizado
colonizado consegue consegue igualmente, igualmente, pot...~O por; meio
da \t_elig!~g)não
da(çeligiãò^ nao ter em conta conta o colono. Através A tr aves do(fãtalismB,
do(ti'tali~ll19·
toda --a_a iniciativa
tôda iniciativa eé arrebatada arrebatada ao ao opressor. opressor, atribuindo-se atribuilla'o'..:se aa
Deus a causa causa dos dos males, da da miséria, miseria, do do destine.
destino. Dessa ma­ ma-
neira
neira o o individuo
indivíduo aceita aceita aa dissolucao dissolução decidida decidida por por Deus,
Deus, avil- avil­
t~~se dim1te
ta-se diante docolono do colono ee diante diante da da sorte sorte e, e, por
por uma especie espécie de
(.~equili~l'i~intériòjr,
çéeqüilíbrío i~terI£>r,chega a uma serenidade de pedra.
-·-·· Enfreriierites,
Entrèmentes, porém, porem, aa vida vida continua, continua, ee ée atraves através dos dos
rnitos terrificantes, tao
mitos prolificos nas _sociedades
tão prolíficos subdese'iwof-
sociedades suBHêsenvaT-
viC!as,
vldas. n.. ue o co1onTz1'iao-vaTexffaif-fii'J,D1~6es-p··a·.ra~_sua·a_··.gr.
!"'~---:.i~.que o colonizado . vai extrair uuKclTes . pãra súã ... agressi- issi~ .
yjgsisk;__ffen1osmaifa:ZeJos.''qffe-'f)ifefveill1'ooasas'vezes-·q·u~e
yjdade;jjenios malrazejos que intervem todas as vezes que a
gente se move de traves,
través, homens-leopardos, homens-serpentes,
homen s -1eop ar do s, homens-serpentes,
cachorros de seis patas, zumbis, toda umC! . ga11rn
tôda uma gama i11e~got[J.ve,l
inesgotável
d~ animalejos
de animalejos ou _de S,isantes dispõe
de gigantes disp6eeniem tôrno gQ do- (;'.qlonizC!do
colonizado t?m.ci
~.iE.1llundo de proibições,
um mundo proibic;oe~.,de . barreiras?
barreiras- d^clt~iriterdi~&~~ufto
interdições Jtnuito
mais aterrorizantes
aterrorizantes que o . mundo
111un~o _ colonialista.
colonialis~a;··•·fiista
Esta superes-
superes­
trutura
trutura maqica
mágica queque impregna
impregna aa sociedade
sociedade Indigena
indígena desempe-
desempe­
nha, no
nha, no dinamisrno
dinamismo da da economia libidinal, funcoes
economia libidinal, precisas.
funções precisas.
Corn
Com efeito, umaurna das caracteristicas sociedades subdesen­
características das sociedades subdesen-
volvidas eé que a libido
volvidas libido eé antes de
de tudo uma questão
questao de grupo,grupo,
de familia. :E
de família. conhecido êste-
É conhecido este traço,
trace, bem
hem descrito pelos etnólo­
descrito pelos etnolo-
gos, de sociedades
gos, de sociedades em em que
que oo homem
hornem queque sonha
sonha queque tern
tem rela-
rela­
coes sexuais com
ções sexuais com uma
uma mulher que não
mulher que nao ée aa sua
sua deve confessar
deve confessar
pnblicamente
publicamente este sonho ee pagar
êste sonho pagar um tribute em
um tributo em gêneros
generos ou ou
em dias de trabalho ao marido ou OU a familia lesada. O
à família Q que
prova, diga-se
diqa-se de passagem,
passC!g~m,que as chamadas sociedadessociedades pre- pré-
hist6ricas
históricas atrihuem,
atribuem, · grande
grande importancia
importância ao ao inconscientet.
inconscientè. =;
'""'-;-,

41
A. . C1!!llosfer~
~ atmosfera . de mito e magia,
de !llito causando-me mêdo,
niagia, causando7me medo, com-corn-
porta":se
porta-se .• como uifia eoiiio .
uma realidade iJ:lduJ?ititYJ;;l
indubitável,. At(:'.q:ori,Z(lJ:ldo-:me,
Aterrorizando-me,
elã* me integra riás tradições, na história de minha reqião ou
~~~·i~1~~;!!i~1E~~~~~~~~~~·!%r~eci1~~~e~tiI~g~f
de•.......•...
minha_tribo, mas ....•.........
,.#,""'~···~,,,.,,.",,,,,,. ao miesmo ··•······· tempo
•.... P me ..tranqüiliza,
q ~~
me dá..
um estatuto, um certificado de çstado civil. O plano do mis­
tério, nos países subdesenvolvidos, é um plano 1~~let~~
~~~~k~~!~a~~.c~g£i~!e~~o1~id~~;c1~.~!~i)~l~n~ coletivo ~~;
que
depende
depende exclusivamente
exclusivamente da magia. Quando me enredo nessa
inextricavel onde os atos se repetem
teia inextricável repetem com uma permanen-
permanên­
cristalina, eé a perenidade de um mundo meu, de um mundo
cia cristalina,
nosso que dessa dessa maneira maneira se afirrna. afirma. Os zumbis, acreditai-me,
acreditai-me,
sac
são mais terrificantes do que OS problema, então,
os colonos. E 0o problema, entao,
nao
não consiste mais em executar executar as ordens ordens do mundo blindado
blindado
do colonialismo mas em refletir tres vezes antes de urinar, de
três vêzes
cuspir ou de sair de noite, noite.
A,s;.J.Q+.<;_<!.L~~br:;i.:~~~!~!.§:.
As lôrcas sobrenaturais. .. Xll~tgi.<;:e.§i
mágicas, •.E_eve!~E1~s!._.~~£~a~
revelam-se espantosa­
mente. entranhadas.
mente entranhadas èm*” eni meu . eu, eu. As forcasfôrças do coíono'
COTono aapresen­ pres en-
t~~se
tam-se inffnifamenfe'amesqu:ln1iadas,
infinitómêníe aiâêsquSSliadas, marcadas marcadas de de estraneida-
estraneida-
de. Na realidade, nao não se vai lutar contra elas, visto que afinal
o ~9.1-1.E! importa .eé... a .PilY~!~s?:,.
que imp9rta pavorosa §!si:Y.~f§ifi<lsi£.5i?§,~g.§1DJ111J~§,,,J11i~
adversidade das estruturas mí­
'Tu·a·e:;·se-red'iiz,
ticas. Tudo se.jeduz^ está,
olano fantas1Ilag6r'ic0.'-'"·~-.
esta.~~.19!'9,.,.,.?2
claro, ao confronto
confronto permanente no
' . ''''''"'"'""'''._""""''''''-'''''~'-·''·'''''''·····
plano fantasmagórico. ****
~"'""'.~"""""'""'.--~.,,.,,,,-~;'l"ik~•'.<:.O:•Jt,...M

luta cl~
Todavia, na )11ta de . libertação,
li,be!.ta5~<?:· esse
êsse povo outrora
<?:t1tr<?:!il dis-
~E!i?!1Icl9
tribuído...~!!1 círculos Ji:ig9J8
em. circ:1112~ irreais,•.~ êsse
g~§~ ·pgvq
povo ·$tiJii (0; <l'jii:ti.
sujeito a um terrort~ii:ox· iP~
in-
aizívçl,.ma^jeliz cl~. . §.~
clj;::iyeJ,.IJ:\e§.. J~ILz . . de •. p$!i:der. numa .. tormenta . .onicica;
se..perder des lo-
onírica, deslo­
reorganiza-se e C()J1S~l:>~:
ca-se, . ~e()r@C1'11izC!~se concebe, 11() §ang11E; e~ 11.e§
no sangue nas J~g,,i;Li;uas, con-
lagrimas,..cop-
fr~.-i~fil§....£~1filis},!g,t,gs;
frôntÕs"bem reais e imediatos. Alimentar Alimentar os m mudiehidines,
udjahidm es,
postar sentinelas,
sentinelas, ajudar as famílias familias privadas do necessário,
necessario,
substituir o marido
substituir marido assassinado ou prêso preso -—•tais sao são as tare-
tare­
concretas que o povo eé convidado
fas concretas convidado a executar
executar na luta de
libertacao,
libertação.
No mundo
mundo colonial a afetividade do colonizado se mantém
mantem
àa flor da pele como uma chaga viva que evita o agente cáus­ caus-
tico. E o psiquismo
psiquismo retrai-se, oblitera-se, despeja-se em de-
retrai-se, oblitera-se, de­
monstracoes musculares
monstrações musculares que levam os eruditos a dizer que o
colonizado eé um histérico.
histerico, Essa afetividade em ereção,
erecao, esprei-
esprei­
tada por guardiaes
guardiães invisiveis
invisíveis mas que se comunicam sem
transicao
transição com o núcleo
nucleo da personalidade, vai comprazer-se
comprazer-se
com erotismo nas dissolucoes
dissoluções motoras
motoras da crise.

42
Em outro planopiano veremos a afetividade do colonizado es" es­
gotar-se em danças
gotar"se dancas mais ou menos extáticas.extaticas. Por isso ée que
um estudo do mundo colonial colonial deve obrigatoriamente
obriqatoriamente aplicar-se
àa compreensão
compreensao do fen6meno
fenômeno da danca possessão. A
dança e da possessao. A re-
re­
Iaxacao do colonizado
laxação colonizado consiste precisamente nessa orgia mus­ mus"
cular, no curso da qua! qual a agressividade mais aguda, aquda, a violen-
violên­
cia mais imediata são sao canalizadas, transformadas
transformadas,•. escamotea-
escamotea­
das.
das. 0 circulo da
O círculo danca ée um
da dança um círculo
circulo permissivo.
permissive. Protege
Protege ee
autoriza. Em horas fixas, em datas Hxas, fixas, homens
homens e mulheres
reunem-se num determinado local e, sob o olhar grave da
reúnem-se
entreqam-se a um pantomima
tribo, entregam-se pantomima de aparencia
aparência desordena-
desordena­
da mas
da mas nana realidade
realidade bastante sistematizada em
bastante sistematizada em que, pelos va-
que, pelos va­
riildos meios —
riados - negativas feitas com com a cabeça,
cabeca, curvatura da
coluna vertebral, recuo apressado de todo o corpo -— expoe-se expõe-se
desde logo o
desde o esforço
esforco grandioso
grandioso' dede uma coletividade para para se
exorcizar, libertar, para se exprimir. Tudo eé permiti-
exorcizar, para se Iibertar, permiti­
do. . .. no circulo.
círculo. 0 O morro onde se erquem erguem como que para
ficarem mais
ficarem proximos da
mais próximos lua, aa ribanceira
da lua, por onde
ribanceira por onde se
se deixam
deixam
escorreqar como
escorregar como que para manifestarem
manifestarem a equivalencia
equivalência da
danca e da ablucao,
dança ablução, do banho, da purificacao,
purificação, sao
são lugares sa-
sa­
grados. Tudo ée permitido porque, na realidade, só so se reunem
reúnem
para deixar que a libido acumulada e a agressividade repri­ repri-
mida extravasem
extravasem vulcanicamente,
vulcânicamente. Execucoes simbolicas, ca"
Execuções simbólicas, ca­
valgadas figurativas, chacinas imaginárias -— ée
multiplas e imaqinarias
chacinas múltiplas
necessario que tudo isso transborde.
necessário transborde, Os maus humores es­
rnaus humores es"
coam-se, estrepitosos
estrepitosos corno
como torrentes de lava.
Mais um passo e caímos
cairnos em plena possessão.
possessao. Na verda-
verda­
de sao
são sessoes
sessões de possessão-despossessão
possessao-despossessao que se organizam:
vampirismo, possessao
possessão pelo djim,
djim, pelos zumbis,
zumbis, por Legba, o
Deus ilustre do Vodu. Essas pulverizacoes
pulverizações da personalidade,
esses
êsses desdobramentos,
desdobramentos, essas dissolucoes
dissoluções exercem uma função
funcao
econ6mica primordial na estabilidade do mundo colonizado.
econômica
Na ida, os homens e as mulheres estavam impacientes, indo- indó­
ceis, "irritados", Na volta, ée a calma que retorna aà aldeia, a
ceis, “irritados”.
paz, a imobilidade.
imobilidade. ·
}\..$$i1?ti1.:,,.se".a
^ S $Í5tii^ ^ .JW ..no»x
...cui:.~Q....daJ.u.t.St_Q:e!
u isaJÍaJu í§u d s Jib Ji~£.£!<:tc;;.?:2."'<:1:
e£tasã£^..._u l!m
^ .sin~u"
singu­
Jar
lar des,,c,ip.~g,Q.pQ.r ... i::.ssa,s.,p.rA.tica::;. Pôsto
desapJ^.45.QE.^ess^,píáíiíja3. Posto contra a paredêT a
parede~ â fàca faca
na goela ou, para sermos mais precisos, precises, o eletrodo nas partes
colonizado ée intimado a não
genitais, 0o colonizado nao se iludir mais com com
hist6rias
histórias da carochinha.

43
l}.o .ca.ho
Ao cabo de c;i11ps ge ,anos de
de anos de irrealismo, depois de se ter
eS££1~tl<:Ln~L
espojado co:tn,panhia . . dos. . mais . . eespantosos.
na companhia,das.,mais,,. fantasmas, o
spantosos .fantasmas, P. c;p~
çp-
@11i~.acio, llletra!hc;id9~ap9rtatil
lonizado, de metralhadora portátil .~.lJl.1?11!1,h<? o , e n f rnf!w
em p u n .. hsl~f,,i;911tc;i i m
com asas (micas.
únicas f6r<;;c:is.ql[e
fõrças que lfl.e11egavc1m
lhe negavam o o. ser:.
ser: as d?.colonialis~
do colonialis­
mo.
mo. E E o o jovem colonizado que
jovem colonizado cresceu numa
qu>e cresceu numá .· atmosfera
atinosfeia de de
·1e~;o
Terro ee fogo
fogo hem que pode
bem que pcde zombar
zombar — - ee ele
êle nao
não se se priva
priva disso
disso
-— dos zumbis avoengos, dos cavalos de duas cabecas, cabeças, dos
mortos que
mortos que ressuscitam,
ressuscitam, do do djim
djim que que aproveita
aproveita um um bocejo
bocejo
para entrar no corpo. O,...s.0~?.ili'.S.~.~2.5:!~sS:9.RI'E:
O. colonizado descobre...() o .. I~':!J
real ~JE§!!).S~
e trans­
forma-o .11C>. ll1C>Yim.ento. de . .sua pora.xh,
no movimento ta x h , 110 e.x.ercicioda.
no exercicio da yiolep,~
violên­
cill,'~lli·~~~
cia, em seu..p}:<:)j~,!Q;"f!.~J!k!:~.!~S.~,o.
projeto dc libertação. '

Vimos
Vimos que
que durante todo o
durante todo o período
periodo colonial
colonial essa
essa violen-
violên­
cia, embora aà flor da pele, trabalhava
cia, trabalhava em vao.vão. Vfmo-la cana-
Vimo-la cana­
lizada
lizada pelas
pelas descargas
descargas emocionais
emocionais da da danca
dança ouou da
da possessao,
possessão.
Vimo-Ia escoar-se nas
Vimo-la escoar-se nas lutas fraticidas. Agora
lutas fraticidas. Agora apresenta-se
apresenta-se o o
momenta em que
violencia no momento
problema de surpreender essa violência
ela
ela se reorienta. Ainda
se reorienta. Ainda que outrora ela
que outrora 'ela se comprazesse nos
se comprazesse nos
mitos
mitos ee se esforcasse por
se esforçasse por descobrir ocasi6es de
descobrir ocasiões suicidio cole­
de suicídio cole-
tivo, as novas condições
condicoes vfio
vão agora permitir-lhe mudar de
orientacao,
orientação.

No plano
No piano dada tática
tatica politica
política ee da Hist6ria, aa libertação
da História, libertacao
das
das colonias propõe aà época
colônias prop6e epoca contemporânea
contemporanea um um problema
problema teó­teo-
rico de capital
capital importancia:
importância: quando se pode dizer que a si- si­
tuacao esta madura
tuação está madura para
para um
um movimento
movimento de de libertacao nacio-
libertação nacio­
nal? Qual deve ser a sua vanguarda? Uma vez que as desco-
Ionizacoes
lonizações revestiram
revestiram multiplas
múltiplas Iormas,
formas, aa razao
razão hesita
hesita ee. se
se re­
re-
freia de dizer o que eé uma verdadeira
verdadeira descolonização
descolonizacao e o que
ée uma falsa descolonização.
uma falsa descolonizacao. Veremos
Veremos que, para o
que, para o homem
homem en- en­
gajado, há
gajado, ha urgência
urqencia de decidir dos
de decidir dos meios
meios ee da
da tática,
tatica, isto e, da
isto' é, da
conduta ee da
conduta da orqanizacao.
organização. Fora
Fora disso, nae há
dissot não ha senao volunta-
senão volunta-
rismo cego com as eventualidades terrivelmente reacionariasreacionárias
que comporta.
que comporta.

sao .as
Quais são f.orc;asgu~,
as fõrças que, noperi?~? propõem àa
c?l?ni~l, prop6e1ll
no período colonial
violencia Clo
violência cilonizado novas vfas.:·
do~’’ccolO:iiiZa·ac;··i1ovas. vias, nOvOs . '
novos^jjQlos de os . .
inv;esJi~
de investi-
Di~ntQ.T'E.~Jiiim€ii!;?:Il:t~~i:slio"os~·l· OS p~~~-~..s e\~.~·=l~t~
mênlQ?~Em pnmeiro lugar são osj^aífidos p o líta is e as elites

44
j
tflt~T~ctu~i$
intelectuais ,Q Ciil.C:oiTier(:j~i:§J
Ú comerciai|l Ora, o que caracteriza certas for­ for-
nia~6es politicas
mações políticas é~· -·0-1ato
o fato de de queque proclamam
proclamarn princípios
principios mas mas
se abstem
abstêm de Iancar lançar palavras de ordem. ordem, TôdaT6.~(1,_ a atividade
at!y!ci\:l_g\;;
cl- id9.~Lp.o.Jt~.c.os
~§.sJ;S_JLa:r.1L
dêsses. partidos ·1' . . 1·
.pcJíticQS- na.cLo.na.ustas
nacionalistas.,..no r: d
. ········ ·····1· . 1 ,
.per10 o _. co _onrn. . ée
no .período,..„coifinjaL
u~-~--Cl_!_~\lic:l~~-~-~~.t~PQ eleitoralísta, ..€:é uma
uma atividade de tipo gleitoK?.li.sta, uma . seqU~ncia
seqüência . de dis- dis­
sertacoes
sertações ..filosófico-políticas
nr?.sc)fiso~polit.ica.s . s,opr~
sôbre , o tema .·dodo direito dos dqs po-po~
y~§~:~ d~ef£2i_4E'.
yos a dispor de ··sim~s:mQi.
si mesmos, do direito ~iriit9 . dos homens ~-- à dignida~
dignida­ do
de e aopao~
ao pão, a afirm,as;ao
alirmação inint~rrupta
ininterrupta do princípio
principio “um "um ho~ ho-
m~em~umavoz···:
mem-uma võz". bs Os partidos politicos nacionalistas riurica"
partidos políticos nunca in­ in-
sistem sabre
sôbre a necessidade da prova de fôrça, Iorca, porque seu ob­ ob-
jjetivo não ée exatamente a destruição
etivo nao destruicao radical da ordem ordem..... .
nova, essas formacoes políticas dirigem sem rodeios àa bur­
formações politicas bur-
guesia colonialista o pedido que lhes eé essencial: "Deem-nos “Dêem-nos
mais poder”
poder", . Quanto ao prohlema problema especifico violencia, as
específico da violência,
elites sao ambiguas. Sao
são ambíguas. violentas nas palavras e reformis­
São violentas reformis-
nas atitudes. Quando dizem uma .coisa,
tas inas coisa, os quadros polí­ poli-
ticos nacionalistas
nacionalistas burgueses denotam francamente que nao não
pensam nela de verdade. verdade.

Cumpre interpretar essa caracteristica


característica dos partidos polí­ poli-
ticos nacionalistas tendo em vista ao mesmo tempo a quali- quali­
dade de seus quadros e de sua clientela. A clientela dos par~ par­
tidos nacionalistas eé uma clientela urbana. Os operarios, operários, os
professores primários,
primaries, os pequenos artesaos artesãos e comerciantes
que comec;aram
começaram — - na fase da liquidacao,
liquidação, esta está visto -— a apro­ apro~
veitar-se da situacao
situação colonial têm tern interêsses
interesses particulares. O 0
que essa clientela reclama eé a melhoria de sua sorte, o au­ au-
mento salaries. JJamais
mento de seus salários. amais se rompeu o dialoqo diálogo entre
esses politicos e o colonialismo.
êsses partidos políticos colonialismo. Discutem Discutem acordos,
representacao eleitoral, liberdade de imprensa,
representação eleitoral, imprensa, liberdade de
associacao. Discutem
associação. Discutem reformas. Também Tambem nao não causa espanto
ver um grande numero indiqenas militar nas sucursais das
número de indígenas
Iormacoes
formações politicas metropole. Esses
políticas da metrópole. Êsses indigenas
indígenas se batem
por uma palavra de ordem abstrata: abstrata: "o poder ao proletaria-
“o poder: proletaria­
do",
do”, esquecidos de que, em sua região, reqiao, eé antes de mais nada
com base em palavras de ordem nacionalistas que eé necessá­ necessa-
rio conduzir a luta,luta, O intelectual colonizado investiu sua
0 ... iJ1t~Ies:t11c:il .. <:;()l?11iz~d.?... il1.\l:stit1.... st!~
aqressividade :m.
agressividade em sua vontade mal dissimulada ~qt_§~-~~~}~.E-
sua. vontade.~~!.Clfa$Jmill~cli'i de se assimi­
larac51nut1ao
lar a'ô rnuiídõ ··c:-0tonrifr-J})s
colonialr Pôs . sua B9' J:.e.s§is:!s!e<:l_(! . ea.._~gyi~0;
agressividade
r•. ­ ·">~'''·;,;·c,:.c:·,•·•.;'~·"·"•'.:.,c"" · · ,_ ... _. · · ·'-
serviço __9_e
·· · '
de
· "T ·• · ·
su ~ .
·· · · · ·· · ··· ···· · · · · · · · · · '· ··- · .··. ·· · · - ·· ·' ·'-·-··· ...... ··· - ---

45
s~t;,e.resses.
seus ••pr.6pi:io~., • .r;lg
intetêsfies...pJ.áprios. §gµi;; .. interesses
de .... seus„ iJlt~f~§§e~ .. de
c!e ... indivíduos.
indiyid.112~.;
Assim nasce
Assim nasce fàcilmente
Iacilmente umauma espécieespecic de de classe
classe dede escravos
escravos in­ in-
dividualmente libertos,
dividualmente Iibertos, de escravos forros.
de escravos forros. O 0 que
que oo intelectual
intelectual
reclama ée aa possibilidade
reclama possibilidade de de multiplicar
multiplicar os os libertos,
Iibertos, aa possi­possi-
bilidade de
bilidade de organizar
organizar uma uma autêntica
autentica classe classe dede libertos.
libertos. As As
massas, ao
massas, ao contrário,
contrario, não
nao pretendem
pretendem ver ver aumentar
aumentar as as oportu­
oportu-
nidades de
nidades de sucesso
sucesso dos
dos indivíduos.
iridividuos. O 0 queque exigem
exigem não nao ée oo es­es-
tatuto de
tatuto de colono,
colono, mas
mas oo lugar
lugar do do colono.
colono. Os Os colonizados,
colonizados, em em
sua imensa
sua imensa maioria,
maioria, querem
querem aa fazenda fazenda do do colono.
colono. NãoNao se se trata
trata
para eles
para êles dede entrar
entrar emem competição
competicao com com oo colono.
colono. Querem Querem oo
dele.
lugar dêle.

O campesinato ée pôsto
0 campesinato p6sto sistemàticamente
sistematicamente de de lado
lado pela pela pro~
pro­
paganda da
paganda da maior
maior parte parte dos dos partidos
partidos nacionalistas.
nacionalistas. Mas Mas ée
claro que,
claro que, nos nos países
paises coloniais,
coloniais, só campesinato ée revolucio­
s6 oo campesinato revolucio-
nano. Nada tem
nário. tern a perder e tem tern tudo a ganhar. O Q.. ~.~~J2.~~~~s,
camponês,
d:scla.ssi.fi.c?cl<?i .2:
oO desclassificado, faminto ,ee.. oQ,,pexplqr§dft
o fpEJ}P,t.Q,., ~plQreSlf;~. que tn\ti§ . . . "depressa
qpg mais ~~EJ:CSS?
d_~~·¢9l>i:'.~. qiJe~.s<?<:i
descobre .. ¥.iclencia.: compensa.
que,,s4,,3-<ãQJênçia compensa. l:ii!I\lr."glg;"_n~,g,.h~ . .rnm~
P£.~;§~~J}~QJJ.~
promisso, nao há ... R2§§J£ . ili.~je ~~-
possibilidade de . 2J£:.~.!2J.2:L colonizacfio ou
arranjo.* A colonização
aa descolomzaçao
descolonizacao ■ - trata-se
— trata-se simplesmente
simplesmente ide de uma
uma relação relacao de de
\ fôrças.
f6rc;as. O 0 explorado
explorado percebe percebe que que sua sua libertação
libertacao pressupõeprcssupoe
\ todos
todos os os meios
meios e desdedesde logo logo aa fôrça.
f&rc,;a. Quando,
Quando, em em 1956, 1956, depois
depois
da capitulação
da capitulacao do do Sr.Sr. GuyGuy Mollet
Mollet diante diante dos dos colonos
colonos da da Ar­
Ar~
gelia, aa Frente
gélia, Frente de de Libertação
Libertac,;ao Nacional,
Nacional, num num panfleto
panfleto célebre, celebre,
, constatou
constatou que que oo colonialismo
colonialismo só s6 larga
larqa aa prêsa presa ao ao sentirsentir aa faca
faca
na goela,
na goela, nenhumnenhum argelino argelino achouachou realmente
realmente êsses esses têrmos terrnos de-de-
masiado violentos.
masiado violentos. O 0 panfleto
panfleto não nao faziafazia senãosenao exprimir
exprimir o0 que que
todos os
f todos argelinos sentiam
OS argelinos sentiam intimamente:
intimamente: of O([oloiiI~l~o
coloru h^dio não nao
: ée uma uma máquina
maquina de de pensar,
pensar, não nao ée um um corpo
corpo._aotaClo'
Uòtado ' cde t~ razão.
razao.
\ É $ a violência
vi?I1e3ci~_eem m . estado
~st~c!q.!?EB.bruto!.8. e-~---só pode
~?J?.<?cl . ~.i.rs!i12?F'
inclinar-se.:'.~.~ . diante
cli~~~e de
d,e
1 uma 1,E3}3:~.Y..t\:tgp,s:Ja
violência,maior. m.a1oi:,

No momento
No mom en to da da explicação
explicacao decisiva, decisiva, aa bur\Juesia
burguesia colonia­c()lonia-
lista, que
lista, que até
ate então entao se se mantinha mantinha quieta, quieta, entra
entra em açâo. ín- Iii.~ e~· a~ao.·
!~~~ii~~--*~sr1E~%~~9-:;0!~11~1[·. ~~,ef~~~&1i~tl~~ei~ 0·£0~,::
frõcíüz esta noção nova que e. rigorosamente falando, uma
criação da situaçao colonial: a nao-violênciay Em 1~~~ sua forma
bruta, e~~~~.~~~?~yi?'!~~:~t~'~!a~IJic~ .12.?:E~ . ~s .~lf!~.§ . .illt~h;£!Uais
bruta, essa não-violência significa para as elites intelectuais
ee,.econ§miGa§,J.;olcin.izada$.
econômicas, colonizadas qque g~ ... aa . burguesia
QJJgg,µ,~!3ia colonialista
s:;olop,i.c;!li§t?c.t~m.
tem ....os
Os
mesmos interesses
mesmos interesses
"'="'""'.
que
,,,.lf,;:<·.·
elas tern·~;c.·-. • -.e
elas têm e. que
que se torna
"""<"•:~--,.,, · "-" ,.,. __ ,--- ;··_. ;.•f·.c··.1. ;_., :;>;· . 7 -"·
tomsi . portanto
p.Q.i;t.;into .. indis-
in~H~7
,_.,.,.i_;,;_c;->o'"""""-~·•:· •• '·"~"-W!"''\"'°·'·'·~ ,,, , ~·•""'''· .k ·- · ·' ·-· · ·. '-· -· · ·.· .,

46
46
%

pensável, urgente, chegar: 3t,ltJE:


pensavel.µi;g~nte",.,s;l}~gc;ir a um .. .§1~6f~.2~.Pc:irC1,,,Ja~~al~~~.'ao
acôrdo para a -jsalyação . . S()- co­
não-violência eé uma t:p.tcitiyci
mum. A nao-violencia tentativa ae,,~g~(:IC.i?P.afJ.O
de,equacionar» o pro~ pro­
b1ema colonial,
blema ~oloniat . . em .rnrn.l:>
tôrno ?ede u~Ci•. rii~sci de.reun{ii({'~ritesde
uma mesa de reunião, antes de
qualq~er irrey:rsiye1;·q-e:~gµ~l'9~er··.efµ§a()
qualquer gesto irreveísívèl, de qualquer efusão de Cl~.§inHiii,
sangue, ..'de
de
qualquer àtò ato deplorável.
dq)loray:l: MasM as se 'as.massas,
as massas, sem esperar que
se disponham as \:adefras
se” cadeiras em torno
tôrno da mesa de reunião, reuniao, naonão
escutam senao a propria voz e comecam
escutam senão começam os incendios
incêndios e os
atentados,
atení&dos, logo as as, "elites"
entes” e os dirigentes dos partidos bur- bur­
gueses nacionalistas se precipitam
precipitam para os colonialistas
colonialistas e lhes
dizem: “É":E gravíssimo!
gravissimo! Nao
Não se sabe como tudo isso vai acabar,
eé preciso
precise encontrar uma solucao,solução, eé preciso chegar a um com­ corn-
promisso".
promisso”.
1(Esta noção de compromisso ée muito importante no fenô­
,Esta nocao Ieno-
meno da descolonizacfio,
descolonização, porque esta está longe de ser simples. O 0
compromisso, com ef eito, refere-se
efeito, ref ere-se ao mesmo
mesmo tempo ao sis- sis­
tema colonial e àa jovem burguesia nacional. Os defensores defensores do
sistema colonial descobrem que as massas ameacam ameaçam tudo des­ des-
truir. A sabotagem
sabotagem das pontes, a destruição
destruicao das fazendas, as
repressões, a guerra castigam duramente a economia. Com­
repressoes, Com-
promisso igualmente para a burguesia nacional que, que, nao dis-
não dis­
tinguindo muito bem hem as conseqüências
conseqiiencias possíveis
possiveis dêsse
desse tuf ao,
tufão,
teme na realidade ser varrida por essa borrasca Iormidavel formidável e
nao
não cessa de dizer aos colonos: “Ainda .. Ainda somos capazes de de:
deter a carnificina, as massas ainda tern têm confianca
confiança em nós,nos, e
voces
vocês se apressem se nao não querem comprometer tudo", Não
comprometer tudo”. Nao
tarda que o dirigente do partido nacionalista tome
tarda tome: suas pre­
pre-
caucoes violencia. Afirma alto e bom
cauções contra essa violência. born som que nada
tern
tem que ver com essesêsses Mau-Mau,
Mau-Mau, com êsses esses terroristas, com
esses
êsses degoladores. No melhor refuqia-se numa no
melhor dos casos refugia-se ,n o
man’s land, entre os terroristas e os colonos, e apresenta-se
man's
de bom
born grado como "interlocutor”,
"interlocutor", 0o que significa
significa que, naonão
podendo os colonos discutir com os OS Mau-Mau,
Mau-Mau, êle ele se digna
negociações. 1E
entabular negocia<;o~s. IÉ assim que a retaguarda
retaguarda da luta na- na­
clonal, esse partido 'do
cional, êsse do povo que nunca deixou de estar do
outro lado da luta, vê-se
ve-se colocada, por meio de de: uma ginasti~
ginásti­
ca qualquer, na vanguarda
vanguarda das negociações
neqociacoes e do compromisso.
Isto precisamente porque tern tem sempre o cuidado de não nao rom­
rom-
per o contacto com o colonialismo.

47
Antes das
Antes das negociações,
neqociacoes, maioria dos
a maioria dos partidos
partidos naciona­ naciona-
listas contenta-se
listas contenta-se na na melhor
melhor das das hipóteses
hip6teses em em explicar,
explicar, em
em
justificar essa
justificar essa “selvageria”.
"selvaqeria". Nao reivindica
Não reivindica a luta luta popular
popular e
nao ée raro
não rare que que chegue,
chegue, nos nos círculos
circulos fechados, fechados, aa condenar condenar tais tais
atos espetaculares
atos espetaculares que que aa imprensa
imprensa ee aa opinião opiniao da da metrópole
metr6pole
consideram
consider am odiosos.
tivamente constitui
tivamente
odiosos. A Ad..preocupação
constitui a desculpa
g~--~!:1~.~!~.
PEe:.2S.11.-.P..<:t.<;.%s>_..de
f§S!Jll<;.dg.g.itim.a
encarar-...r:as~--.coisas
...d.e.s.ta ...pa!itica .Hõlmo-
leaMmaJEesía..P.oIltIcà
~-°.·. ·~
C:.?1.·.sa aobje-
do. ppo-
je-
•bilismo. ' “M as . esta . atitude . clássica
bilisfil().]\Ia~ c:li[ssic:C'l . gQ)!ltekc:tu('lJ
.intelectual colonizadocolonizado
ee·..£.2.LiliE£[~~~-
_Hòs dirigentes ~~...dos
9.?~j:partidos
~.Cl.E~~49.s}1acionalistas
nacionalistas não nao é, e, na realidade
realidade
o.bjetiva. De
objetiva. De fato,
fato. não.nao estão
estao certos de que gue esta esta violência
violencia impa-
cienfêTlilãíf massas seja o meio lnais.
cienfeaa'sii:lassas'"¥eJa··0--n:l'eio mais eficazefi"caz de de defender
defender os OS seus
seus
pr6pftos-ii1feresses. 'Sucede.
própnõs~íriíerêsses. Sucede tamh~m também .· que que estão es tao convencidos
convencidos da da
iriefiCaCia dos métodos
ineficácia metodos violentos.
violentos. Para^êles, Para e_le_~ •. não 11ao resta a menor me.nor
duvida,
dúvida, tôda toda tentativa
tentativa de de despedaçar
despedacar ;- opressao colonial
a opressão colonialpela pela
fOrc;a ée uma
fôrça u111.a conduta
c_ondutCl.. de desespero,
desespero, .uuma ma _cconduta-suicídio.
onduta-suicidio. !É :E
qu~'.ifo"cerd)r()
que, ‘no cérebro dêles, os ·a~fes: OS tanques
tanques dos dos colonos
colonos ee os OS aviõesavi6es de de
caca ocupam
caça ocupam um um lugar
lugar enorme.enorme. Quando Quando se se lhes
lhes diz:diz : ée preciso preciso
agir, êles
agir, eles vêemveem bombas despencar despencar sôbre sobre sua cabeça, cabeca, blinda­ blinda-
avancar ao longo dos caminhos,
dos avançar caminhos, a metralha, metralha, a polícia. policia .... .
continuam sentados.
e continuam sentados. Dão-se Dao-se por por perdidos. Sua Su(l incapacida­
il1ci3.pac:iq.(l:
d,£,"P<'lf<'
de paral . .t:r~11nf(lr.
triunfar peja p,e;l§c . violência
vipl~nc:i<'l não 11ao. pr:e;cisq.
precisa ser* ~p:''~'q emonstrada;
demonstrada;
des aa aadmitem
êles dmitem em em sua sua vida vida .cotidiana
.cotidiana ee em em suas suas manobras.
manobras.
AcomocTam-se nap~;r9~;;·· p-u·~r'irgue-En-geis. a~;~~iu
Acomoctam-se na posição pueril que Engels assumiu em e~ . sua
~u~
celebre polêmica
célebre polemica com aquela montanha de infantilidade infantilidade que
era oo Sr.
era Sr. Dühring:
Diihring: “D "Dea m mesme
esm a form formaa que que R Robinson
obinson ppode a.r­
ô d e ar­
ranjar uma ume espada^
espede; podem podemos perfeitamente
os perfeitam ente supor supor qu quee SSexte­ exta-
f eire ap
feira epnrecesse
arecesse um um belobelo dia dia em empunhendo
punhando um urm revólver
revolver carre­ cetre­
ggado,
a d o, e en tão todo oo nnexo
entiio exo ddee ‘violência'
'oiolencie' se se inverte:
inoerte: SSexte­ ex ta-
feira com comanda anda ee Robinson êe obrig obrigado ad o a. am mourejsr
ou rejar..... . P Portanto;
ortan to;
revolver triunfa
oo revólver triunf a. sôbsobre re aa espada,
espeds, ee aate té m mesmo
esm o oo m ma.iis pueril
ais pueril
amamadorador ddee axiomexiomes concebere sem
as conceberá sem dúvidadtioid« que que aa violência,
ciolencie não niio
ée umum simsimples ato ddee vontade,
ples ato oontede, m mas exiqe, para
as exige, para stia sue execução,
execuciio,
condicoes prévias
condições preoies bem bem reais,_ reeis, notadam
notedemente ente ddos instrumentos,
o s instrumentos,
ddos qua is oo mais
os quais meis ppetieito
erfeito leva leoe: ddee vencida vencida oo m menos
enos perfeito, per] eito,
que, além
que, elem: disso,,
dlsso, êsses
esses instrumentos
instrumentos devem deoem ser ser produzidos,
prodazidos, oo
ququee quer
quer dizer dizer tamtetnbem
bém que que oo produtor
produtor ddos instiumentos dde
o s instrumentos e
oiolencie. m
violência meis perieitos, grosseiram
ais perfeitos, grosseiramente ente falanf elsndo d o dde e armermes, leva
as, leva
dde oencide oo produtor
e vencida produtor ddos os mmenos
enos pperjeitoserfeitos ee que, numa nume pala­ pele­
ore, aa vitória,
vra, oitorie dde violencie repousa
a violência repouse na tie produ
produf!ao ção dde e arm ermsis, as, ee
este ppor
esta or sua sue vez
oez na ne pproduciio
rodu ção em em geral,
geral, portanport an to to..... . no no ‘poder
'pod er
economico',
econôm ico’, no E Estado
stad o econôm economico, ico, nos m meios
eios m materiais
ateriais que que

48
48
estão aà disposiciio
esteo disposição da violência”
oiolencie" .3
.3 De fato, os
OS diriqentes refer-
dirigentes refor­
nfio dizem outra coisa: “Com
mistas não "Com que querem voces vocês lutar
contra os colonos?
colonos? Com suas facas? Com suas espingardas
caca?"
de caça?”
E verdade que os
É OS instrumentos são sao importantes no domí­
domi-
nio da violencia,
violência, uma vez que tudo repousa em definitivodefinitive na
dêss-es instrumentos. Mas
reparticao desses
repartição M as ocorre que, neste domí­
domi-
nio, a libertação
libertacao dos territórios
territ6rios coloniais suscita um novonôvo en-
en­
Ioque.
foque, Viu-se por exemplo que durante a campanha da Es- E s­
panha, essa autentica
autêntica guerra colonial, Napoleão,
Napoleao, malgrado
contasse com efetivos que atingiram,
contasse atingiram, durante
durante as ofensivas da
primavera de 1810, a cifra de 400.000
400. 000 homens, Ioi foi Iorcado
forçado a
recuar. E no entanto o Exercito Irances fazia tremer toda
Exército francês tôda a
Europa em razao seus instrumentos de guerra, do valcr
razão1de seus valer de
seus soldados,
soldados, do gênio-
genio militar de seus capitaes.
capitães. Diante dos
gigantescos recursos das tropas napoleônicas,
napoleonicas, os espanhois,
-espanhóis,
animados por uma fe fé nacional inabalavel,
inabalável, descobriram essa
famosa guerrilha que, vinte e cinco anos antes, os milicianos
norte-americanos haviam pôsto p6sto em prática
pratica contra as tropas in~in-
glesas.
glêsas. Mas a guerrilha do colonizado não- nao seria coisa alguma
coma instrumento de violência
como violencia oposto a outros instrumentos
de violencia
d-e violência se não-
nao f6sse
fôsse um elemento novo nôvo- no processo
processo
competicao entre trustes e monopólios.
global da competição monopolies.

Nos primórdios
prim6rdios da colonização,
colonizacao, uma colônia colonia podia ocupar
territ6rios imensos:
territórios imenso-s: o Congo, a Nigeria, Nigéria, a Costa do Marfim
etc.:
etc.".... Mas hoje em dia a luta nacional do colonizado se in­ in-
sere numa situaçãosituacao inteiramente nova. 0 O capitalismo,
capitalismo, em seu
periodo de desenvolvimento,
período desenvolvimento, via nas colônias colonias uma fonte de
materias-primas que, manufaturadas,
matérias-primas manufaturadas, podiam espalhar-se no
mercado europeu. Depois de uma fase de acumulacfio acumulação do ca­ ca-
impoe-se hoje modificar
pital, impõe-se modificar a concepcao
concepção da rentabilidade
neg6cio. As
de um negócio. ~s solonicis. s9ny~rter;;irn;-~('.
colônias converteram-se .1?:11Il1.
num Il1ercci?<).
mercado. A
.população
,popula<;;a.o rnl2nt~r·~·3imi.·:£II~ii:tS:1~.::.Q:.!J~. .
..colonial
.. e úma ,.plientela que l22i§?ijse-
~c;lµ:ipi:~. Por conse­
compra.
guinte,
rr.\linte, se
se . a;;i g:uaEni~,'i()
guarnição .~~11.1.
tem cl~
de . .s~r ;!;rl1.Cl11.1~!1te r~£9xc;.~({~<·
ser... eternamente reforçada, se se
comercio decai,··
o comércio
0 isto'€.,.·s·e
decai, isto os'pio'ot.ltos
é, s-e os manufaturados . e'h1~
produtos manufoturados e in­
dustrializados não nao podem . mqis mais; ser . exportaclq~,
exportados, yerific<::.se
verifica-se

33 Frie<lrich
Friedrich Engels,
Engels, Anti­Duhring, 2.a parte,
Anti-Dühring, 2.a parte, capitulo
capítulo III,
III, "Theorie
“Théorie de
de
la violence”,
la Editions Sociales,
violence", Editions pag. 199.
Sociales, pág. 199.

49
qu~ aa soluc;.§C>
que solução wilitar deve set
militar deve afastada. Um
ser afastada. \lIE.,,sJg.mi11]0
domínio cego
ceqo de
tip() escravista nao eé econ6micamente
tipo escravistan~o economicamente rent i:ei;it{ivd
vtl para
para a metró­
metro-
pole: ·A
pole. A frac;ao
fração monopolista da da burguesia
burguesia metropolitana
metropolitana não nao
sUSl:entaum
sustenta um govêrno
governo cuja politica ée imicamente
cuja política unicamente aa da da espada.
espada.
0 que os
O que os industriais
industriais ee os
os banqueiros
banqueiros da da metr6pole esperam
metrópole espetam
de seu
seu govêrno
qoverno naonão ée que dizime
dizime as
as povoacoes
povoações mas mas que
que sal­
sal-
vaguarde, com
vaguarde, com aa ajuda
ajuda dede convencoes econ6micas, seus
convenções econômicas, seus "in-
“in­
teresses
teresses leqitimos".
legítimos”.

Existe, portanto,
., t- Existe, portanto, urna cumplicidade objetiva
uma cumplicidade objetiva do capitalis-
capitalis-
mo
mo comcom ás as. f6r<;as
forças violeiitas
violentas que explodem no
que explodem no território
territorio colo-
colo-
^ ni~}:
nial. · Ale1TI
Além . disso,
disso, o o. colonizac1.o
colonizado 11aonão . e§t~
está .. sozinho
§gzinhq . diante
diante do do
ofii:~~()·r~
opressor. fI~~.p~~·cerfo,a'
Há, por certo, a ajuda politlca política •. e diplomática
diplomatica dos
P,~ises progressistas. Ma.s
países e~. povos progressisy1s. M as .. h€J. S()QE~1H~£.,~SR19.:J?£!i<;aq,
há sobretudo a competição,

a ~ue:rra
guerra sem. quartel qttet:ay~tn
que travam os ()S grup()S fipa11c.e..JJ:()S. Uma
grupos financeiros.
Confereneia
Conferência de de Berlim
Berlim pode
pôde emem ·o:ut'ros tehipos"rep'~l:tir
outros tempos repartir aa Áfri­
Afri~
ca retalhada entre
ca retalhada entre tres ou quatro
três ou quatro pavilhoes.
pavilhões. Atualmente
Atualmente o o
que ée importante nao não ée queque tal
tal ou
OU qua} reqiao africana seja
qual região
terra de
texra de soberania
soberania francesa
francesa ou beJga; O
OU belga; importa ée que
que importa
o que que as
as
zonas economicas
econômicas sejam protegidas. O 0 bombardeio
bomhardeio contínuo continuo
da artilharia ee aa política
da artilharia politica dada terra
terra arrasada
arrasada deram lugar àa su-
deram lugar su­
jeicao econ6mica. Hoje
jeição econômica. Hoje nao se move
não se move mais
mais guerra
guerra contra
contra tal tal ou
ou
qual
qual sultao
sultão rebelde.
rebelde. De De modo
modo mais ekgante, menos
mais elegante, menos sanquina-
sanguiná­
rio, decide-se aa liquidacao pacifica do
liquidação pacífica do regime
regime castrista.
castrista. Ten­Ten-
ta-se estrangular aa Guiné,
ta-se estrangular Guine, suprime-se
suprime-se Mossadegh,
Mossadegh. 0 O diriqen-
dirigen­
te nacional que
te nacional que teme
teme aa violência
violencia esta portanto errado
está portanto errado se se ima-
ima­
gina que
gina que o o colonialismo
colonialismo vai vai "massacrar-nos
“massacrar-nos aa todos”. todos", Os Os mi-
mi­
litares, sem dúvida,
litares, sem duvida, continuam
continuam aa brincar
brincar com com as as bonecas
bonecas que que
datam
datam da da conquista,
conquista, masmas osos meios
meios financeiros
financeiros logo logo os os fazem
fazem
voltar-se para
voltar-se para aa realidade.
realidade,
Por isso eé que
Por isso que eé exigido
exigido dosdos partidos politicos naciona­
partidos políticos naciona-
listas razoaveis, que
listas razoáveis, que exponham
exponham da da maneira
maneira mais mais clara
clara possí­
possi-
vel
vel as suas reivindicações
as suas reivindicacoes ee procurem
procurem juntamente
juntamente com com o par-
o par­
ceiro colonialists, tranqiiila
ceiro colonialista, tranqüila ee desapaixonadamente,
desapaixonadamente, uma uma so-so­
Iucao
lução queque respeite
respeite os os interesses
interêsses das
das duas duas partes.
partes. V Ve-se
ê-se queque
esse reformismo nacionalista, que se apresenta muitas vêzes
êsse vezes
como
como uma caricatura dos
uma caricatura sindicalismo, quando
dos sindicalismo, quando resolve
resolve agir agir o
o
Faz atraves
faz através de de meios
meios altamente
altamente pacificos:
pacíficos: paralisacoes
paralisações das das
poucas Industrias implantadas
poucas indústrias implantadas nas nas cidades, manifestacoes de
cidades, manifestações de
massas
massas para para aclamar
aclamar o lider, boicote
o líder, boicote dos dos 6nibus
ônibus ou ou das mer-
das mer-

50
cadorias importadas.
cadorias importadas. Todas
Tôdas essas acoesações servem
servem ao mesmo
ao mesmo
tempo
tempo para exercer pressão
para exercer pressao sobre
sôbre o colonialismo
colonialismo e para
para em-
em-
bair o povo.
bair povo. Essa pratica da
Essa prática da hibernoterapia, essa sonoterapia
hibernoterapia, essa sonoterapia
do
do povo
povo pode algumas vêzes
pode algumas vezes ser hem sucedida.
ser bem Entao, da
sucedida. Então, dis-
da dis­
cussao em
cussão em torno
tôrno dada mesa
mesa dede reunião,
reuniao, surge
surge a promoção
promocao poli-
polí­
tica que
tica que permite
perrnite ao Sr.
Sr. MM'ba, Presidente da
’ba, Presidente da Republica do
República do
Gabao, dizer
Gabão, dizer muito solenemente
muito solenemente em sua
em chegada a Paris
sua chegada em
Paris em
visita oficial:
visita oficial: “O Gabão eé independente,
"O Gabao independente, mas mas entre
entre o Gabao
o Gabão
ee aa Franca nada mudou,
França nada mudou, tudo
tudo continua
continua como
como antes". De fato,
antes”. De Iato,
aa única mudanca eé que
unica mudança o Sr.
que o Sr. M ’ba eé Presidente
M'ba Presidente da Republics
da República
gabonense ee eé recebido
gabonense recebido pelo Presidente da
pelo Presidente da Republics
República Iran-
fran­
cesa.

1A
A burguesia colonialista eé ajudada
burgu~:;;ia colonialista ajudada em em seu trabalho de
seu trabalho de
tr.e11sJ!PI~~<;;?q._,da.:;;
t^g^líz^çãQ ma:;;sg_:;; _ J?~l~']j}~y1J~v~l'.l~!i91~;§.
^jJas _ massas pela inevitável "religião. Todos' os'Tocro:s· o's
santos que
santos que estenderam
estenderam aa outra outra face, que perdoaram
face,, que perdoaram as as of en-
ofen­
sas, que
sas, receberam sem
que receberam sobressalto os
sem sobressalto os escarros
escarros ee os os insultos,
insultos,
sao explicados
são explicados ee dados dados como como exemplo.
exemplo. As As elites
elites dosdos paises
países
colonizados,
colonizados, êsses esses escravos
escravos forros,Iorros, quando
quando se se encontram
encontram aà
frente
frente do do movimento,
movimento, acabam inelutavelmentc por
acabam inelutàvelmente produzir um
por produzir um
sucedaneo de
sucedâneo combate. Utilizam
de combate. Utilizam aa escreoidiio
escravidão ddee seus seas irmãos
irmiios
para envergonhar os OS escravistas e
escraviSfas e forn•ec~r :i.im:
fornecer um £qli,t~1.l_gp
conteúdo ideo­ ic:l~~-
J6gic6 de
lógico c:le humanitaris!llo
humanitarismo . grotesco grofosco _aos grup()S _ ffinanceiros
aos grupos inancei~os . con- con­
£~1;' .~~g~e:~ • _c:los,_
correntes dos; .• seus
s~l!.!?. 9pn~:;;s9res,.
opressores. Trunca,, ..na.. -Y~!'.c:li!Sl.~.,,.slU:iH~W
tl.wi1:a.".J1a verdade, dirigem
ap,~J().
apêlo realmente aos a()S 'escravos,
·esc~civos_, nunca
nunca os os_ .111.o~ilizarn
mobilizam c911~reta-
concreta-
1P:~g!~:
mente. NuitoMuito pefo confrfirlo; no
pelo contrário, 110 momento
momenta da verdade, isto isto e,é,
para eles,
êles, da da mentira, brandem a ameaca ameaça de uma m mobilizeciio
obilização
ddes
as m messes,
assas, como como aa arma arma decisiva
decisiva que que provocaria
provocaria como como por por
en canto o
encanto o “fim
"fim do do regime
regime colonial”.
colonial". Encontram-se
Encontram-se _ evidente-eyidente-
mente no seio desses partidos políticos, entre os quadros, re­
:@ii~io~~r~b:!9(Ji~?~[r/~-~~1-?~o~t~~~i~o-T~atr~~§1J~~~~~~t~~
volucionários que viram as costas à farsa da independência
q^cionaL.. Mas,
!\a.<::iQoal Mci,/:~ r?.p,Jc:J__g_rn~ntg_§!Js§.
ràpidamente. suas int~!'Y~l-1.<;;0~§,. suas ... !ni£!£!iyas,,
intervenções,, _§J,gi§ iniciativas,
seus
seus moviinentos
movimentos de cólera <::9.kra . descontentam
gg:;;1;QUtE:?}JtaPl}L.rn~qµJ11a
a máquina do clP P"!r-
par­
tid_q_. Progressivamente,
tido. Progressivamente, -Csses êsses elementos
elementos sao isolados ee depois
são isolados depois
'sumariamente
sumàriamente afastados. afastados. Ao Ao mesmomesmo tempo,tempo, como como se se houves-
houves­
se concornitancia
concomitância dialetica, dialética, a políciapolicia colonialista
colonialista cai-Ihes
cai-lhes em 'em
cima. Sem sequranca segurança nas cidades, cidades, evitados
evitados pelos pelos militantes,
militantes,
rejeitados
rejeitados pelas pelas autoridades
autoridades do do partido,
partido, êssesesses indesejaveis
indesejáveis de de
olhar
olhar incendiario
incendiário vfio vão encalhar
encalhar nos campos. ::E
nos campos. entao que
iÉ então que per­per-
cebem, com uma especie de vertigem,
uma espécie vertigem, que que as massas
massas campo- campo­

51
nesas lhes
nesas lhes compreendem
compreendem facilmente as
fàcilmente as intencoes
intenções e, sem
sem transi-
transi­
c;;ao, lhes fazem
ção, lhes Iazem a pergunta
perqunta a que ainda nao
que ainda prepararam a res­
não prepararam res-
posta: "Pra
posta: quando é
"Pra quando e isso?”
isso?"

Esse encontro dos revolucionarios


Êsse revolucionários vindos das cidades e
dos camponeses
camponeses retera
reterá a nossa atcncao atenção mais adiante. Por en- en­
convern voltar aos partidos
quanto convém .\?'.'l:~~i~os políticos
politicos para mostrar o
carater ainda assim
caráter assim progressista de sua sua atividade. Em seus
discursos politicos "nomeiam"
discursos os dirigentes políticos “nomeiam” (l ll,:"1<;;~9.'-A:s:--·rei;::-
a nação.'~7^s“m
v'iiiidi.C:a~5eS"·ao·cl5loft1"2::t'd6··~ceheii:i·assiill.
viindicações do colonî^toTŒ^lréffi"à"ssim uma···forma. uma forma. Nao Não há ha
conteudo, nao
conteúdo, não ha·
há programa politicopolítico e social. Ha Há uma uma fforma orma
~-g:;~as:·ajJe"sa~-;re.·tudo~-nacional,
vaga mas, apesar de tudo, nacional, um um quadro,
quadro, o que ri6s
0 que nos
chC1111a11l()S
chamamos a exigência
exigenciaminillla'.
mínima. Os Os politicos que tomam
políticos que tomam a pa­ pa-
lavra~ 'que'
lavra, escreveffi' nos,_jornais
que escrevem nos jornais nacionalistas,
nacionalistas, fazem fazem o 0 povo
povo
subversao mas, na realidade, intrcduzem
sonhar. Evitam a subversão introduzem
terriveis ffermentos
terríveis ermentos de subversão
subversao na consciência
consciencia do~~ouvintes
dos ouvintes
ou ~;;5··1~it~·;~;:·1vfuitas'
OU dos leitores. Muitas vezes servem~se servem-se da da lingua··
líriguà naCioiial
nàcfónál
ou' tribâl.
ou tilbaT.""lSto''bmbem
"Isto também alimenta 0o sonho, sonho,, permite aà imagina­irnaqina-
c;;ao cabriolar fora da ordem
ção ordem colonial.
colonial. Às As vezes
vêzes ainda esses êsses
politicos
políticos dizem: "Nos “Nós osOS negros, nós nos OS os arabes",
árabes”, e esta de- de­
nominacao saturada
nominação saturada de ambivalencia
ambivalência durante o periodo período colo- colo­
riial
nial receEE£'uilla'e,i£~si~.st~ ..§.<;l,SSC!I~~C!¥~g. Os políticos
fêcêBelSía^êspecie de_sacralização. politicos naciona-
naciona­
listas brincam com fogo. Perque, Porque, como confidenciava recen- recen­
temente um dirigente africano a um grupo de jovens inte- inte­
lectuais: "Reflitam
"Reflitam antes de falar as às massas,
massas, elas se inflamam
inflamam
depressa”. Existe portanto urna
depressa". astúcia da hist6ria,
uma astucia história, que que se di­ di-
verte tremendamente nas nas colônias.
colonias .

Quando o dirigente
diriqente politico
político convida o povo para um co- co­
micio,
mício, pode-se dizer que há ha sangue no ar. Entretanto,
Entretanto, o diri­ diri-
mudta .Ireqiiencia
gente com muiita freqüência preocupa-se sobretudo em "exibir" “exibir”
suas Iorcas .... . para nao
suas fôrças. não ter1 que
que as utilizar.
utilizar. Mas ~~119i!ci,c;;,~g
^jigitação
assim cops~~vada
assim conservada — - ir, vir, ouvir
OUVir os
OS discursos,
discursos, Ver
ver o0 povo
povo reu- reu­
OS policiais
nido, os policiais 'em volta, as demonstrações
em volta, demonstracoes militares,
militares, as
prisoes, as deportações
prisões, deportacces de lideres - tpdq
líderes —• g;~sg tumulto da
todo êsse dá ao
povo a.
p()vo. impressão 1.~
a i111pr~§.s~o de . q!o!£~£;DRHPu.afinaLJ;?~u;.a
que çhegou afinal p?tra êle momento
!%)g 9o .rI1()11l
..~~.to
er~
de faz~r
fazer algulllCl C()iSC!: Nesses instantes de instahilidade
alguma coisa. instabilidade OS os
politicos multiplicam
partidos políticos ~uhiplicam os apelosapelos de calma
calma dirigidos aà

52
esquerda, enquanto
esquerda, enquanto que, que, à a sua sua direita, direita, perscrutam o horizon­ horizon-
te, tratando
te, tratando de de decifrar decifrar as as intenções intencoes liberais liberais do colonialismo.
do colonialismo.
QJ?QYQ_J.ttiliza.
O povo utiliza igualmente iguaJ111:E:.n!E:.P~gLse. para se .1manter 1:1".l!lter em e.~forl!!~~
forma,. . para .e~ra
~rF~:~~~'fa;J~lif£iJ:~!d6g~iifd1J~7~g;~·~i~ni~1~:sei~~ ~6a~1~-~
conservar sua capacidade revolucionária, certos episodíos da
vida 3a coletividade. O bandido, por exemplo, que domina
Campo ourante vários
campd”Hurante varies dias dias com com os OS gendarmes gendarmes no no seu
1
SCU encalço,
encalco,
cl~ o

o indivíduo
o individuo que que sucumbe sucumbe numa numa peleja peleja depois depois de de ter
ter abatido
abatido
quatro ou
quatro OU cinco policiais, policiais, o0 que se Se suicida suicida para não nao denunciar
cumplices, constituem para o povo guias, esquemas
seus cúmplices, esquemas de
acoes, “heróis".
ações, "herois". E E ée inútil* inutil, evidentemente, evidentemente, dizer dizer que tal herói her6i
ée um ladrão,
ladrao, um crápula crapula ou OU um depravado. depravado. Se o0 ato pelo qual
êste homem ée perseguido
este homem persequido pelas pelas autoridades autoridades colonialistas colonialistas ée
um ato
um ato dirigido
diriqido 'exclusivamente exclusivamente contra contra uma uma pessoa pessoa ou ou um um bem bem
colontal, então
colorfial, entao aa demarcação demarcacao ée nítida, nitida, flagrante. Ilaqrante . O 0 processo
processo
identificacao ée automático.
de identificação automatico.
IE preciso
ÍÉ preciso assinalar também tambem o papel que desempenha,
Ienomeno de maturação,
neste fenômeno maturacao, a história ~f§t6ri<t da cl,a resistência
i:esist~nSict nacio­naci()~
~~-:.~::s~i.~!~.. ::.~,
nal à conquista. As grandes ~E~E. 9 .e.§.J.tgJ?r4§~:4Q, :12£-Y~.sifa~i~~qs;·.~~.ei
figuras^do povo colonizado sao
s,go;ipre..... as,..que
sempre*, as .... q.ue... . dirigiram _!f.I.9'1.!:9:ill .....a~••resistência £~.§!§t~Il£.!£L).lii!.Ct9.ru!L.a n acional, 3 E•• !U:Y:?.:m9~ vasão. •
Behanzin, Soundiata,
Béhanzin, Soundiata, Samory, Samory, Abdel Abdel Kader Kader revivem revivem com com par­par-
intensidade no período
ticular intensidade periodo que precede a ação. acfio.. ÉE a prova
de que o povo povo se apresta apresta para se pôr por em marcha, para inter­ inter-
romper oo tempo
romper tempo morto morto introduzido mtroduzido pelo pelo colonialismo, colonialismo, para para
fazer aa História.
fazer Historia.
O0 aparecimento
aparecimento da da nova nova nação nacao ee aa demolição demolicao das das estru­
estru-
turas coloniais
turas colonials" sa0··0o resultadÕ""“oü
são fesi.Hfatf<5""""oti-Cle' “de u tiína ma·1uta 'lutá vkile'irta·
violenta ·ddo o.
; ••. ,.,.,..,._,.,,,,,· .... , .. ,\·'<'•'"·""'';

independente ou
povo independente
povo
.•-.

ou . da da as;, ação, ~o, constritora constritorapara o


·.c-··--:>··::•-,,_:.•,,.,-,-_,.·,: .... >·'.·-'·'·-·;.>.c,,,,., ,_,, ... ,_•. •.:••.- ... ,._, . , .. ,.,_._.,.,,, ..... t, ...... , ... ,_.,--· . . ,,, . . ,, .... _.._,._._, .. _ ... ,,,_

'l'e'g'iDJ:~'so~
para o regime co­
[onial, . . da violência
lonial, violen.<;ic.i periférica perif~r,ic(:l.. adotada ~c:l~tada .ppor Qt: outros pgyo.~ co­
QtlJt:Q§ povos S:'.9:::
lonizados,
lonizados.

0 ~vo colon~7~90 não nae está s~~.3).!!!.0.._~..£5.2~


esta só,
·s."_As
O povo colonizado A despeito dos esforços

-.1.·~~~~~. <;~~-1., g1~. ..~~~~~?..!.~rr a~~~-.


cDron@Wii'ii ,s1rns li:.cu:J..teicaS.~~
do coI^^ãklIs55^auasI2Ê5Ê5iSiiIIBjemajiecem„_permeáveis . · às
^noyiflades, aos ecos. Êle descobre que aç^oTincia é a tm o sf­
/~_ . ""~.c:l~.
(:!;3descala
érica,/
-' ?.._._. e_
esca a. aqui aqm.J~.
e .,.ali,
9
e . "-..a.q.UU~fil!.-~.
9~.!.,,,~
10 encia e a!_1.11os__ -
errq,..tca..õT^^ÍHlF^ToniaJ.
aqul ie ali derrota Q_£~ , ..[$s>~212@,.
I
~i~~-~~~t~~~~~§:1~~~t~::~:~~7~~;!.~:~t~k:~?1~ii~~£x·
Essa violência triunfante desempenha, um papel não somente
informador como também operativo _para_ o colonizado._ A
grande vitória
grande vit6ria do do povo
povo vietnamita
vietnamita em em Dien-Bien-Fhu
Dien~Bien~Phu não nao ée
mais, rigorosamente
mais, rigorosamente falando, Ialando, uma uma vitória
vit6ria vietnamita.
vietnamita. A A partir
partir
de julho
de julho de de 1954,
1954, o problema
problema propostoproposto aos aos povos
povos coloniais
co1oniais
passou aa ser
passou ser oo seguinte:
sequinte: “Que "Que ée preciso
preciso fazer fazer para
para realizar
realizar

53
53
ILll I 7 2111 L -)P'!

um Dien-Bien-Phu? Como se ha há de proceder?”


proceder?" Da possibi­
possibi-
lidade dêsse
desse Oien-Bien-Phu
Dien-Bien-Phu nenhum colonizado podia duvi- duvi­
dar mais. 0 O que constituia
constituía o problema era a arreqimentacao
arregimentação
das forcas,
forças, sua organização,
orqanizacao, sua data de entradaentrada em acao.
ação.
Essa violencia
violência ambiente nao não modifica apenas OS os colonizados
mas os colonialistas
colonialistas que tomam consciencia
consciência de multiples
múltiplos Dien-
Bien-Phu. Eis porque um verdadeiro panico apo-
pânico ordenado se apo­
dera dos governos colonialistas. Seu propósito
proposito ée tomar a ini­
ini-
para a direita o movimento de libertacao,
ciativa, dirigir par'a libertação, de-
de­
sarmar o pmro:
povo: depressa, descolonizemos. Descolonizemos o
Congo antes que ele êle se transforme numa outra Argelia.
Argélia. Vo-
V o­
temos a lei-rnoldura
lei-moldura para a Africa,
África, criemos a Comunidade,
Comunidade,
renovemos essa Comunidade mas, eu vos suplico,
renovemos suplico. descoloni­
descoloni-
zemos, descolonizemos
zemos, descolonizemos.. .. .. A descolonizacao
descolonização atinge um ritmo
imp6e a Independencia
tal que se impõe independência a Houphouet-Boiqny.
Houphouêt-Boigny. A es-
À es­
tratégia de Dien-Bien-Phu, definida pelo colonizado, o colo-
trateqia colo­
nialista responde comcom a estrateqia emolduramento .... . no
estratégia do emolduramento.
respeito pela soberania dos Estados.

M as voltemos aà violencia
Mas atmosferica, àa violência
violência atmosférica, violencia àa flor
da pele. Vimos no desenvolvimento de sua maturação maturacao que
muitas correias a arrastam, a levam para a saída. saida. Apesar
Apesar das
metamorfoses que o regime colonial lhe imp6e
metamorfoses impõe nas lutas tribais
ou regionalistas, a violencia
violência envereda pelo bom born caminho, o
colonianismo identifica seu inimigo, p6e norne em todas
põe um nome tôdas
as suas desqracas lanca nesta nova via toda
desgraças e lança tôda a Iorca exacer-
fôrça exacer­
bada de seu ódio odio e de sua cólera.
colera. M Masas como passamos .fifl da
atmosf era de ,Yjolencia
atmosfera violência para aa. violencia
violência em acao? ação? Que ée que
faz'exprc;dir
raz explodir a Pille!a?
panela? Em prlindro'
w primeiro TUgartenli.i:s
lugar tenha-see: em conta
1

o fato de que esse êsse desenvolvimento não nao deixa incólume


incolume a
·:~si~,.
0
beatitude do colono. 0....,591,ppo
Q, colono g.ue
que,•... “conhece’’ 9;s.ir,idis;~n3:s
os indígenas
percebe . .e.oi:.
PEc·e:b.e por 1~~!,~i.£~.~~}.S~~~
Os bons muiqenas
vários indícios que ~~~~S.:?1~~­~~~~~
ouvem-se cocEichos
indígenas escasseiam, ouvem-se
~Y-CJ'4~.~~·
alguma coisa está ..mudando.
cocrucnos aà aproxi­
aprox1-
macao
mação do opressor. As Às vezes
vêzes os olhares se tornam duros, as
atitudes e as conversas se fazem decididamente agressivas.
Os partidos nacionalistas agitam-se, multiplicam os comícios
a itam-se, llltYJil?.!LSeill:.-2~.~,s;?~~~i?,s
e, ao .mesmo
mesmo tempo,
tempo,'osos etetivos
e etivos (fclj)c>licia ciu111~nta111,c1}egam
da policia aumentam,“cEêgam
r~s"C:fe~"ffop~~"."'"CJS
reforçcTs c0Ton~·~;··~5·
de tropairO s colonos, os agricu1for-es s'obiettido, iso­
agricultores sobretudo, lso-
l~<lo's''efil'suas
lados em suas f~zendas,
fazendas, sao OS primeiros a se alarrnar.
são os Recla-
alarmar. Recla­
enerqicas,
mam medidas enérgicas.

54
autoridades tomam
As autoridades tomam efetivamente medidas espetacula­
efetivamente medidas espetacula-
res, prendem
res, prendem um um ouou dois
dois líderes,
lideres, organizam
organizam desfiles
desfiles milita­
milita-
res, manobras,
res, manobras, exibições
exibicoes aéreas.
aereas. As demonstrações,
demonstracoes, exer-
os exer­
cicios bélicos,
cícios belicos, êsse
esse cheiro
cheiro de
de pólvora
polvora que
que agora
agora impregna
impregna a
atmosfera, não
atmosfera, nao fazem
fazem o povo
povo recuar,
recuar. Essas
Essas baionetas
baionetas e êsses
esses
canhoneios
canhoneios reforcam-Ihe
reforçam-lhe agressividade.
a agressividade. Instala-se
Instala-se uma
uma

~~~*l~:~~r~'~ttllf~~i·,~~;~~·~i!u~~~~~h~~:~~il~~~!
atmosfera de drama em_ que cada qual quer provar que está
pronto para tucfo. !Ê nessas circunstâncias que o golpe parte
s6,porqu~··o:s·-;·~rvos estao debilitados,
debilitados, oo mêdo
medo predomina
predomina ee
só, porque os nervos estão
o gatilho ée sensível.
sensivel. Um incidente banal e começa
comeca a metralha­
metralha-
da: ée oo caso
da: caso de
de Sétif
Seti] na
na Argélia,
Argelia, das
<las Carrières
Carrieres Centrales
Centrales no no
Marrocos, de Moramanga em Madagascar.

,7.As_r^i?£fes§Ães^,Ioniflí.e,,.jde,.quebrantar
~s~,J:eptes:i.6gs,,.Jon.g.e,,,.,.d.e.. , uebr an taLQ:.J!n.J2 . ~t2. _.JLoen
o ímpeto, . acentuam
t!:!,~1!,l
9.~ Q}.£,9!~SS.Q!UhLS.212~£i~.~<;.~_!?;,'
gsuároqressos da consciência nacionajbTSlas.;1-,~~~1,1,§l_, N as colônias,
colonias, as aSlieca~
hèca^
tombes, a partir de certo estádio estadio de desenvolvimento
desenvolvimento embrio­ embrio-
nario da consciência,
nário consciencia, reforçam
r~_sam >essa •essa consciência,
consc~~La, porque PS'!.SIH.~-~!!-21:::
indi-
cam que entre opressores e oprimidos opnmioos' tudo se resolve pela Eela
foril:--cum
fôrça. pre-1ri'sar
Cumpre a.qui(iti"e·'os~J)a'ft.tao8'políticos
'irisar...^qtH~"q^’õs'parS3os J)O:fftI(Os'"'inão ia-;;~
1~~ ..lan­
~~am aa palavra
çaram palavra de de ordem
ordem da da insurreição
msurreicao armada, armada, não nao prepa­
prepa~
insurreicao, Tôdas
raram essa insurreição. Todas essas repressões, repressoes, todos êsses esses
suscitados pelo mêdo
atos suscitados medo não nao são sao desejados pelos dirigen­ diriqen-
tes, Os acontecimentos
tes. acontecimentos encurtaram-lhes
encurtaram-Ihes as rédeas. redeas. ÉE então entao
que oo colonialismo
que colonialismo podepode resolver
resolver prender prender os os líderes
ltderes naciona­
naciona-
listas. Mas
listas. Mas hoje
hoje os os governos
governos dos dos paísespaises colonialistas
colonialistas sabem sabem
perfeitamente que ée muito perigoso privar as massas de seu
lider. Pois
líder. Pois em
em talta! situação
situacao oo povo, povo, não nao estando
estando mais mais freado,
Ireado,
sublevacao, nos motins e nas “chacinas
precipita-se na sublevação, "chacinas bes­ bes-
tiais". As
tiais”. As massas
massas dão dao livre curso a seus “instintos "instintos sanguiná­
sanquina-
rios" e impõem
rios” impoem ao colonialismo a libertação Iibertacao dos dos líderes,
Iideres, aos aos
cahera a difícil
quais caberá dificil tarefa
tarefa de restabelecer
restabelecer a calma. O 0 povo
colonizado, que
colonizado, que espontâneamente
espontaneamente investira investira sua sua violência
violencia na na
empreitada colossal
empreitada colossal da destruição
destruicao do do sistema colonial,
colonial, vai vai en-
en-
contrar-se em
contrar-se em pouco
pouco tempo
tempo com com aa palavra palavra de de ordem inerte,inerte, in­in-
"Libertem X
fecunda: “Libertem X ouou Y Y"” .4 .4 Então
Entao oo colonialismo
colonialismo solta solta

Pode acontecer
44 Pode acontecer que
que oo líder
lider prêso
preso seja
seja aa expressão
expressao autêntica
autentica das
<las
massas colonizadas.
massas colonizadas. Neste
Neste caso,
caso, oo colonialismo
colonialismoaproveita-se
aproveita-se de
de sua
sua de­
de-
tencao para
tenção para tentar
tentar lançar
lancar novos
novos líderes.
lideres.

55

/
esses homens
êsses homens ee discute
discute com
com êles.
eles, Começa
Comeca a horahora dos
dos bailes
bailes
populares.
populares.
Numa outra
Numa outra hipótese,
hipotese, oo aparelho
aparelho dos
dos partidos
partidos políticos
politicos
pode continuar
pode continuar intacto.
intacto. Mas
Mas em em conseqüência
consequencia da repressão
repressao
colonialista
colonialista da reação
ee da reacao espontânea
espontanea do do povo,
povo, osos partidos
partidos
veem-se ultrapassados
vêem-se ultrapassados por seus seus militantes.
militantes. A A violência
violencia dasdas
massas opõe-se
massas opoe-se vigorosamente
vigorosamente às as fôrças
Iorcas militares
militates do ocupan­
ocupan-
te, aa situação
situacao sese deteriora
deteriora e apodrece.
apodrece. OsOs dirigentes
dirigentes em liber­
liber-
dade ficam
dade ficam atarantados.
atarantados. Tornados
Tornados subitamente
subitamente inúteis
inuteis com
burocracia ee seu programa
sua burocracia programa razoável,
razoavel, vemo-los,
vemo-los, longe dos
acontecimentos, tentar a suprema
acontecimentos, suprema impostura de "falar "Ialar em
nome da naçãonacao amordaçada”.
amordacada". Por via de regra, reqra, o colonialismo
arroja-se com avidezavidez sôbre
sobre essa
essa pechincha,
pechincha, transforma êsses esses
imiteis em
inúteis em interlocutores
interlocutores e, e, em
em quatro
quatro segundos,
segundos, concede-lhes
concede-lhes
aa independência,
independencia, com com aa condição
condicao de de que
que restaurem
restaurem aa ordem.
ordem.
Evidencia-se: portanto que todo o mundo
Evidencia-se mundo está
esta consciente
consciente
violencia e que a questão
desta violência questao nem sempre
sempre consiste
consiste em res­res-
ponder a ela com uma violência violencia maior, mas antes em ver
como esvaziar
como esvaziar aa crise.
crise.

~;·'S~:ii'~ii<l:;J;~_E;,§1.<C";;~
(Q u e é eStao*'na realidade. „esta violêncig) Como vimos,
é a intuícao_"que têm as passas d e que sua libertação deve
e. f a i!!. L.u~ao g~e _sr~~s ,.a~·,Sr~.~u?~~~:!.!a<;~£>. 'b{q~ye
e -~!!:1.<:tE:S,.~i. ."'ee....só
efetuar-se. e . r.:*'~~~~·
pode. . éfetuar-se.
§Q«tl.Q~.~ pela -fôraa.
--~ Ci.: PplT
.2L9..l!~._i :.u.s:rxa.-
aue aberra*-
çãp 9& . espírito
v§!9 . .do espiJ;it.Q.. êsses ~§S,?§ .h 2m~.ns. sem
homens s,em ... técnica,
~~mis.:-:i1J.?.!I}. int~s.._e~.A~p~g1'."'
famintos depau­

f:~:d<l6'p !d°ea~~i~~~n'6~1&>e~:iji~~··~;<l~~~~i~~tc:~~~:eX:'ct~
perados, não afeitos aos métodos de organização, chegam, em
face do poderio 11 econômico e militar do ocupante, a crer que
so"''~tv!torla''''oder<1!
só a'vitória poderá libertá-los? 1i.beif' :10sr.cComo • odei:ri . esperar
i:rl.< podem es erar' triunfar?
triunfar7
·······p~;q~;P~.'.~~r~··~·
Porque a ’violência) e aí ·~i·'~··~·~.P~~~i·ci~··~·
é que reside o · escândalo,~:ci~·<l~i~:··p~depode
constituir, quan'tó"a’~método,
constituir, qJanf(}""<Cmet()do~a palavra n<llciv~.a de d~ ordem
ordem de um u~ ]ar:.
par­
tido •’político.,"Os
politic;p'.: Os quadros quadros· 'podem convocar o povo à~ luta ar­
podem convocar ar:
mada, ÉE preciso
mada. preciso refletir problematica da violência,
refletir nesta problemática violencia. que o
militarismo alemão
militarismo alemao decida decida solucionar
solucionar seus problemas problemas de fron­ Iron-
teiras pela fôrça for<;a não nao nos surpreende de modo nenhum, mas
que oo povo
que povo angolano, angolano, por por exemplo,
exemplo, decida decida pegar
peqar em em armas,
arrnas,
que oo povo
que povo argelino argelino rejeite
rejeite todo
todo método
metodo que que não nao seja violen­
violen-
to, ée o sinal
sinal de que alguma coisa aconteceu aconteceu ou está esta acontecen­
acontecen-
do. Qss homens.colonizados,
homens c · dos, êsses esses escravos
es<;Eavosdos dos _tem£os_mo-
..!~.~_EOS mo-
dg,noh_
dern esta impacien~..§.,.
o s7 estã^im ^dentes$^^im Sq,J5_gnL.~s6. essa 1oucura pode
~~quê ~s5~êssã~7oucura pode
subtrai- los;.~_J?Q,Ee'SS§::~S219.u~
subtraí-los à opressão colonial. Um !.'l~~~?.
u.E!•. nôvo tipo 3b~ ..‘relações
!:~1.~~?~~~:~~e
se
e~ta~el.~~~!L.E:£"Jl}.);tnd_9.
estabeleceu no^ mundo. Os povos povos subdesenvolvidos
suECiesenvofviCI9~[~~~~., fazem es-

56
talar seus
talar seus grilh6es, grilhões, e~oo extraordinárioextraordinario é e que
qu~ têm
tern .exito.
êxito. Pode-se
a1ffmarque-na1iora
aHrmár que na horalJo^pafcríiKf 'do":Sptrfiifftendifiito''fuorrer'
n,cUSülo,^55:£rSf’‘3é"Cfe'' fome,
f ome, mas mas
para as massas colonizadas colonizadas a explicaçãoexplicacao ée menos lunar. lunar. !1 A ...
v.. .-;::E!. §1._g. ·.~-..~-.-. g,1;1. -~ . . l)~~.~-UJ~'P<t}s.sg}gl},i§l;h§!f!. . ~Jg;ij e C?pa,:;:: A<:'. ... ?:. ~C?. .ta.E
verdade & que nenhum país colonialista é hoje capaz de adotar
a unic? única ...forjpja, fmm.l't .. 3*. d:e.. Juuta
ta . qw~ . possibilidade ... de sei:
.teria . . .possibilidade...cJe.
que..teria b~:in
ser,. Êeçti
Stf.S:~.~i~a: a implantação
sucedida: implantacao prolongada de f,Or<;as de ~S~l'~&~5?,
~-~ fôrças ocupação
i,ll\PQl'tfii).te~.
importantes.’......· · · · . · · · · .......... · · . . ."".............
···. . . . ... ....... “ ... ..............

No piano
plano interno, os paises colonialistas veem-se
OS países vêem-se diante
de contradições,
contradicoes, de reivindicacoes
reivindicações operarias
operárias que exigem o em­
em-
preqo f6r<;as policiais. Alem
prego de suas fôrças Além disso, na presente con­
con-
juntura intemacional,
juntura internacional,, esses paises tern
êsses países têm necessidade de suas
tropas
tropâs para proteger seu regime. Enfim conhece-se o mito dos
movimentos de libertacao
libertação dirigidos de Moscou.
Moscou. Na argumen­
argumen~
tacao
tação aterrorizada do regime, isto siqmifica:
significa: "se
“se a coisa vai
nessa
nessa marcha, os comunistas
marcha, os sao capazes
comunistas são capazes de aproveitar esses
de aproveitar êsses
tumultos para se infiltrar nessas regiões”.
tumultos reqioes",

Na impaciência
impaciencia do colonizado, o fato de brandir na ponta
do braço brace a ameaca ameaça da violencia violência demonstra que êle ele está esta cons­ cons-
ciente do caráter carater excepcional da situacao situação contemporânea contemporanea e que
pretende tirar proveito dela. Mas, tambem também no plano piano da ex­ ex-
periencia
periência imediata, o colonizado, qüe que tern tem ocasiao ocasião de ver o
m _undo
mundo moderno
..·---·-····---~·--!?.
moderno penetrar enetraratrnos"reca"iitos''"ffi"iil"s'"Joii"'iii"~uos~a:·a
, ., até., nos rêcânfos ,,.,,,,,,,,, ····"··· m^Tong^iquÕii
'"'""·•'g,,, .•.Q.,...,,,,,,,,Ha
s£Íyâi^a.s!SH!!E~
s~:y51, á 3 PLr.S..u, .•1;1;~~S.2£§S.i~p<;:jf!.
S Í <í.2 íl?c.^nc'a . muito illJ-!i!p <1aguda . 9.;t,t.d<1.si9
ilo . !JJ.JS.Jl~9
que nãp . PS!§~\!i. possui.
As massas, por uma espécie especie de raciocinio raciocínio..... . infantil, infantil, s2ns~n~ conyen-
cep"se>d~ gffi!"l"?c1'a~~~ss·~s
cem-se~~a£~qu£~TÖä3s~essas coisas cofsas; II-ies:fo~~l['r§yl)~Clas.
lhes foram roubadas. Por
isso "(gue
iss-~ é qüe"-~erii em certos · países naiSes · subdesenvolvidos
subdesenvo1Vl.ct6~:"e.§ as•.w.~.i~~:;i~2c~M~
qiassas . avajj-
aii:i"'illuito
<;çam cre-ressa-~;,coill''r"ee'iideiii-'CTaiS~oo
muito.. ,,,,_:;E_""''''""·"""""'"""'·"·'"'·IL
depressa e compreendem, dois •..ou
,.•,•• ,.,,,,.,,.(,..,,,.,_.,,,,,,
tres
,., _três
anos deJ;l,ois
,,,,,,.,,..,,depqis
_ •..-,,anos ..
c§~:msi:~:E~~£s!.t11...sL~;.
da Independência, }~}!~JQreJ±tJlYdide§ que foram iludidas,•.. .que SlY~--~'.ntic:i~x£!Ji~.9.tif;»a''
“não^valia a pena”
lutar se isso não
1utar nao ia realmente realmentc mudpr. mud$lr. Em 1789, 1789, depois da Re­ Re-
v;ru~ao''B'i:i'r'guesa;'"os 'mais
volução burguesa, os mais "Euillildes humildes camponeses camponeses da da F ranca
França
Iucraram
lucrariam substancialmentesubstancialmente com essa subversão. subversao. Mas ée banal

traz·'"mud:an
~~fr~~-~s~l3ai;~ii~£1via;;;;~~ §inJ~~~~~~~~~~~
constatar e dizer que na maioria dos casos, para 9 5 ',;~cla po­
pulação dos 3países subdesenvolvidos, a 9 independência não
~~~~~~ara~s~
' cl Qt ,., . a·y~ 'Io . ercebe aa exis­
trazv-
múdança J.;"a'lffiea'ia1a;'"TT''r:h''<';:."
. ,..,.,,imediata\,..., ~Il\.a
0 .;,abgeÍÂSÍQ£^íga^apercebe •• ~,,,,,,,,,,,,,"'""'··,"'·'· exis-
tencia
tência de um tipo de 4,escontentamento descontentamento encobef encoberto, o, como essas
brasas
brasas
.. ,, ,,,,,,,_q.,,
iriflamar~se.
mtlamar-se.
iie'-~
que, após
.. , L.,,P
os,,,.,,.,,.,
aa extinção
exfin''.~()'"3'tum'Jnce"n2£1o;··amea
.. '. <;, .,., de
·
.....um
· . ··
,,. , .. ,incêndio, s. . . "''····.··
., < ' ,,., .... ,.,, ameaçam
·
.. , , ....
am se111
,
sempre .P,,,re'

57
I)i~~~e então
Diz-se enta() . que
que . os colonizados
colonizados querem
querem progredir
progredir com
cl~~.asfada rapide;:.
demasiada Q.ra, ée bom
rapidez. Qxc:i, h9.ll1. não
nao esquecer
esquecer que pouco c:i11t,es
pouco antes
~testava~se a sua
atestava-se sua lentidao,
lentidão, a. sua indolencia:.
a sua seu-fai:alismo;
indolência, 0o seu fatalismo.
Nota~se
Nota-se ja já que a violencia
violência nos caminhos hem bem demafcados
deiãárcados no
momentO
momento da luta de libertaçãoIibertacao nao maqicamente
não se extingue màgicamente
depois da cerimonia'
cerimônia do hasteamento · das bandeiras nacionais. nacionais.
~!.:;i"
Ela s~ extingue. tanto ll1.eno.s.
se extingue menos quanto a. a construcao
construção nacional
nacional
continua a inscrever-se no quadro da competição competicao decisiva do
c~pitalismo
capitalismo e do do. socialis:rpo.
socialismo.
competicao da
Esta competição dá uma dimensao
dimensão quase universal as às
reivindicacoes
reivindicações mais localizadas.
localizadas. Cada comicio.
comício, cada ato de
repressao
repressão repercute na arena internacional. A chacina de
Sharpeville abalou a opiniao publica durante
opinião pública durante meses. Nos jor- jor­
nais, no radio
nais, rádio e na televisao,
televisão, nas conversas
conversas íntimas
intimas Sharpe­
Sharpe-
ville tornou-se um símbolo.simbolo. Foi através
atraves de Sharpeville que
homens e mulheres tomaram conhecimento conhecimento do problema do do
apartheid
apartheid na AfricaÁfrica do Sul. E nao se pode
E não pcde afirmar que só s6 a
explica o subito
demagogia explica súbito interesse dos Grandes pelas ques~ ques­
toes miudas
tões miúdas das regiões
reqioes subdesenvolvidas.
subdesenvolvidas. Cada sublevação,
sublevacao,
cada sedicao
sedição no Terceiro Mundo Mundd insere-se no quadro da
guerra Iria.
fria. Dois homens sao são agredidos em Salisbury, e eis
que um bloco inteiro se poe põe em movimento, fala dêsses <lesses dois
homens e,
homens e, por ocasiao
ocasião dessa aqressao,
agressão, levanta o problema
problema
particular da Rodesia
Rodésia — - liqando-o
ligando-o ao conjunto da África Africa e àa
totalidade dos homens
homens colonizados,
colonizados. Mas o outro bloco bloco tam-
tam­
hem
bém mede, na amplidaoamplidão da campanha conduzida, as Iraque- fraque­
zas locais de seu sistema. Os povos colonizados dao conta
colonizados se dão
de que nenhum cla clã se desinteressa dos incidentes locais.
Deixam
Deixam de se limitar a seus horizontes regionais, preses como
regionais, presos como
estao nesta atmosf
estão atmosferaera de aqitacao
agitação universal.
universal.

tres em tres
Quando de três três meses se noticia que a 66.".* ou 77."
.9
Irota
frota se desloca para tal ta! ou qual costa, quando Kruschev
Kruschev
ameaca salvar Castro recorrendo ao uso de foguetes, quando
ameaça
Kennedy, a prop6sito
propósito do Laos, resolve considerar as soluções
solucoes
extremas,
extremas, o colonizado
colonizado ou o que acabou de conquistar a sua
independencia tem
independência tern a impressão
impressao de que, quer queira quer nao, não,
eé levado numa especie
espécie de marcha desenfreada. De fato, Iato, ja

esta
está marchando. 'Tomemos,
Tomemos, por exemplo, o caso dos governos
de países
paises recentemente
recentemente; libertados. O Oss....b2ll1~~!1:.~
homens que estao
estão no

58
poder passam
poder passam dois <fqis tercos terços de de seu t?mpq tempo a vigiar os qs arredores,
a prevenir o perigo que os amE!a<;a ameaça,1 e o .outro outro têrço terco a ti:al:ialhartrabalhar
pe:le> P.~is.
pelo país. Ao Âo mesmo mesmo tempo buscam apoios. Obedecendo aã

J
mesma dialetica, dialética, as oposições oposicoes ha.cionais nacionais apartam-se apartam-se com com des­
des-
prezo das vias parlamentares. Procuram aliados que aceitem aceitem

~¥!~~j!;~
susíentá-los em seu empreendimento brutal de sedição. A
atmosfera0d,ee001~ifCi~~~;;:~~;~~~~
lonial,
lonial, c.~011tinua (continua adomina~
de violência, depois de ter impregnado
a dominar ~ a vida 11acigltal.
i~;::~n~do a fase co­
nacional. Porque, j.a
s:d:~=~· c~
já o dis-
dis­
semos,
semos, o Tetceiro o Terceiro Mundo não nao esta está excluido, excluído. Ao contrário, contrario,
esta no'
está no centro da tormenta. Por isso eé que, em seus discursos, discursos,
os homens de Estado dos países paises subdesenvolvidos subdesenvolvidos mantem mantêm
indefinidamente o tom de agressividade aqressividade e exasperacao exasperação que
normalmnte deveria ter desaparecido, desaparecido. Compreende-se do
meSmo modo a impolidez
mesmo impolidez tantas vêzes. vezes notada notada, dos novos diri- diri­
gentes. Mas o que menos menos- se nota e é a extrell1a extrema cortesia .desse.s dêsses
mesmos
mesmos^ dirigentes
dirigentes em
em seus seus _.,;,•·contactos
contactos .~om
com os os irmaos irmãos · ou ou ~ama~
cama­
cl; tu?()
'°''""'".,.,..,..,,,,.....,.\O.',<.""""""'"".'•''·'"J ·c,.. ~'--'·-'"····'••·· .;.,.,_,., .. ,·.·· ._..; .. ·,. ••.- ,._.,._.· . - - ·.. ·-.'- ._,.,,,.,,.,,.,_,_,, •• _.,_.,_,,_ ..,,,_,.,_;,"; . , ..

l\ .· i1J1polidez
1 •••• , _,,,_,_,.--,,,-,, __,,,.,, -·-•-··"''"·'*'···"-'"·, .•

r:aC!as:
radas. ... A impolidez ée antes de tudo ~m~ uma co11a~ta. conduta ~om com os
outros, com com "os OS antig'osantigos colortialistas colonialistas que que vêm vein ven ver ee inquirir. foqufrir. O o
ex-colonizado tern, tem, na maioria das vezes, vêzes, a impressao impressão de que
a conclusão
conclusao dêsses desses inquéritos inqueritos já ja esta está redigida. A viaqem viagem do
jornalista ée uma justificacao. justificação. As fotografias que ilustram o
artigo fornecem fornecem a prova de que o autor sabe o que esta di-
está di­
zendo, de que estêve esteve la. lá. O 0 inquérito
inquerito tern tem a finalidade Iinalidade de ve- ve­
rificar a evidência: evidencia: tudo anda anda mal por lá, la. desde a nossa reti­ reti-
rada. Os jornalistas queixam-se amiúde amiude de ,s:e:rem serem mal recebi- recebi­
dos, de nao não trabalhar trabalhar em boas condições, condicoes, de encontrar um
muro de indiferenca indiferença ou hostilidade. Tudo Tudo isso eé normal. Os
dirigentes nacionalistas sabem que a opinião opiniao internacional Internacional eé
Iorjada
forjada unicamente unicamente pela pela imprensa imprensa ocidental. ocidental. Ora, Ora, quando quando um um
jornalista ocidental nos interroga, raramente o faz para nos
prestar
prestar um obséquio. obsequio. N Naa guerra da Argélia, Argelia, por exemplo, exemplo, os
repórteres franceses mais liberais
reporteres liberais não nfio cessaram de empregar
epitetos
epítetos ambiguos ambíguos para caracterizar a nossa luta. Quando
lhes reprochamos a atitude, respondem com com tcda tôda a franqueza Iranqueza
que sao são objetivos. objetivos. Para o colonizado, colonizado, a objetividade e é sempre
dirigida contra êle. ele, Compreende-se Compreende-se igualmente iguaimente êsse esse: nôvo
novo tom
que subverteu a diplomacia internacional na Assembléia Assembleia Geral
das Nações Nacoes Unidas, em setembro de 1960. 1960. Os repnesentan- representan­
tes dos paises países coloniais coloniais Ioram foram agressivos, violentos, arrebata- arrebata­
dos, mas os OS povos colonials coloniais não nao acharam que êles eles exaqera-
exagera­
vam. O 0 radicalismo dos porta-vozes africanos provocou provocou a su-

59
puracao abscesso e permitiu
puração do abscesso perrnitiu enxergar
enxerqar melhor
melhor o carater
caráter
inadmissível dos
inadmissivel dos vetos, dialoqo dos
vetos, do diálogo dos Grandes
Grandes e sobretudo
sobretudo
o papel intimo reservado
papel íntimo reservado ao Terceiro
Terceiro Mundo.
Mundo,
diplomacia tal
A diplomacia tal como foi inaugurada pelos povos ha há
pouco independentes, não nao consiste mais em em nuancas,
nuanças, em su­ su~
maqneticos. A verdade ée que êsses
bentendidos, em passes magnéticos. esses
estao incumbidos
porta-vozes estão incumbidos por seus povos de defender si- si­
multaneamente a unidade da nação, nacao, o progresso das massas
para o bem-estar ee 0o direito
0 bem-estar direito dos
dos povos
povos àa liberdade e ao pao. pão.
É portanto
,E portanto uma diplomacia movimento, em fúria,
diplomacia em movimento, Furia, que
contrasta estranhamente com im6vel, petrificado, da
com o mundo imóvel,
colonização. E quando o Sr. Kruschev tira o sapato na ONU
colonizacao. ON U
e com
com ele
êle bate na mesa,
mesa, nenhum colonizado,
colonizado, nenhum repre­ repre~
sentante dos países
paises subdesenvolvidos,
subdesenvolvidos, ri. Perque
Porque o que o Sr.
Kruschev
Kruschev mostra aos países paises colonizados
colonizados que o observam eé que
O' observam
ele, o
êle, 0 mujique,
mujique, que aliasaliás possui foguetes,
foguetes, trata
trata esses misera-
êsses miserá­
veis capitalistas como
como eles
êles o merecem.
merecem. Do mesmo modo, corn-
mesmo modo, com­
parecendo em uniforme militar aà reuniao reunião dada O ONU,
N U , Castro
nao
não escandaliza os paises
países subdesenvolvidos.
subdesenvolvidos. O 0 que
que Castro re-
re­
vela eé a consciência
consciencia que tern existencia do regime:
tem da existência regime:continua­
continua-
do da violencia,
violência. O 0 espantoso ée que não nao tenha entrado na
ONU
O N U comcom suasua metralhadora portatil: mas talvez a isso
portátil; mas isso se
opusessem os outros. As sublevacoes,
opusessem sublevações, os atos desesperados,
os grupos armados de cutelos cutelos ou de machados encontram sua
nacionalidade na luta que que movem
movem um um contra o o outro capita-
capita­
lismo
lismo e socialismo.
socialismo.

Em 1945 os 4455.000
. 000 mortos de Sétif
Setif podiam passar des-
des­
percebidos:
percebidos; em 1947 os 90.000 mortos de Madagascar
Madagascar podiam
ser objeto
objeto de algumas linhas no noticiários
noticiarios dos jornais; em
1952 as 200. 000 vitimas
200.000 repressao em Quênia
vítimas da repressão Quenia podiam en-en­
contrar uma relativa indiferenca.
indiferença. 'E
K que as contradições
contradicoes inter-
inter­
nacionais não
nacionais suficientemente acentuadas. JJáa a guerra
nao estavam suficientemente
da Coreia
Coréia e a guerra da Indochina inauguraram,
inauguraram uma nova
Iase.
fase. Mas foram sobretudo Budapeste e Suez que constituiram
constituíram
os momentos
momentos decisivos desse confronto.
decisivos dêsse
Fortalecidos pelo
Fortalecidos pelo apoio incondicional
incondicional dos
dos países
paises socialis­
socialis-
tas, os colonizados lançam-se
lancam-se com com as armas de que disp6em
dispõem
contra a cidadela inexpugnável
incxpuqnavel do colonialismo.
colonialismo. Se esta ci-ci­
dadela ée invulneravel
invulnerável às as facas e aos punhos nus, não nae o 0 ée
60
mais
mais quando
quando se toma
toma em
em consideracao
consideração o contexto
contexto da
da guerra
guerra
fria.
fria.
Nesta conjuntura
Nesta nova os
conjuntura nova americanos levam
os americanos levam muito
muito a
serio seu papel
sério seu de patrono
papel de patrono do capitalismo internacional.
do capitalismo internacional. Numa
Numa
primeira etapa aconselham
primeira etapa aconselham os paises
países europeus
europeus a descolonizar
descolonizar
amiqavelmente.
amigàvelmente. NumaNuma segunda
segunda etapa
etapa nao hesitam em procla­
não hesitam procla-
mar primeiro
mar primeiro o respeito depois o apoio
respeito e depois apoio ao principio:
princípio: a Africa
África
para OS
para africanos, Os Estados Unidos nao
os africanos. não receiam declarar
receiam declarar
oficialmente hoje em
oficialmente hoje em dia que
que sao os defensores do
são os do direito dos
povos a dispor de si mesmos. ultima viagem do Sr. Mennen,
mesmos. A última Mennen*
Williams eé a ilustração
ilustracao da consciencia
consciência que têmtern os americanos
americanos
de que o Terceiro Mundo nao não deve ser sacrificado.
sacrificado. Compre-
Compre­
entao por que a violencia
ende-se então violência do colonizado
colonizado s6 só ée deses­
deses-
perada quando comparamos in abstracto
quando' a comparamos ebstrecto com
com a maquina
máquina mi-mi­
litar dos opressores.
opressores. Em compensacao,
compensação, quando a situamossituamos na
dinamica internacional,
dinâmica internacional, percebemos que constitui uma terrível terrivel
ameaca ao opressor. A persistencia
ameaça persistência das sublevações
sublevacoes e da agi­ agi~
tacao Mau-Mau
tação Mau-Mau desequilibra a vida econômica economica da colônia
colonia
nao p6e
mas não põe em perigo a metropole,
metrópole, 0 O que e é mais importante
aos olhos do imperialismo
impe:rialismo eé a possibilidade de que a propa­ propa-
ganda socialista se infiltre nas massas e as contamine. Isso já ja
representa um grave perigo no período periodo frio do conflito;
conflito: mas
que seria, em caso de guerra quente, dessa colônia colonia arruina-
arruina­
da por guerrilhas mortíferas?
mortiferas?

0 capitalismo capacita-se entao


O estrateqia
então de que sua estratégia
so tem
militar só tern a perder no desenvolvimento
desenvolvimento das guerras na- na­
cionais. Alem
cionais, disso, no quadro
Além disso, quadro da da coexistência
coexistencia pacifica,
pacífica, t6das
tôdas
as colônias
as colonias são
sac intimadas
intimadas aa desaparecer
desaparecer e,e, em
em último
ultimo recurse,
recurso,
o neutralismo aa ser ser respeitado
respeitado pelo capitalismo. 0 O que ée pre­
pre-
ciso
ciso evitar antes de tudo e é a insequranca
insegurança estrateqica,
estratégica, a aber-
aber­
tura das massas para uma doutrina inimiga, o ódio odio radical
de dezenas de milhoes
milhões de homens. Os povos colonizados
colonizados estao
estão
perfeitamente conscientes
conscientes <lesses imperativos que dominam a
dêsses imperativos
vida politica Internacional. ::E
política internacional. É par
por isso que mesmo aqueles
aquêles que
bradam contra a violência
violencia decidem e agem sempre em Iuncao função
desta violência
violencia planetária.
planetaria. Hoje
Hoje aa coexistencia
coexistência pacifica
pacífica entre
;,
I

os dois blocos mantém


mantem e provoca a violencia
violência nos países
paises co­
co-
loniais. Amanha veremos
loniais. Amanhã talvez deslocar-se
veremos talvez deslocar-se esse dominio da
êsse domínio da

61

j
violencia
violência apos lihertacao Inteqral
após a libertação dos territ6rios
integral dos coloniais.
territórios coloniais.
Veremos talvez
Veremos talvez apresentar-se
apresentar-se a questão
questao das minorias. Já
das minorias. J a al­
al-
gumas dentre elas não nae hesitam em pregar métodosmetodos violentos
para resolver seus problemas e nao não eé por acaso que, segundo
consta, extremistas negros nos Estados Estados Unidos formam milí­ mili-
cias e conseqtientemente
conseqüentemente se armam. Tampouco ée por acaso
que, no chamado mundo livre, há
mundo- livre,, ha comitês
comites de defesa das mi­ mi-
norias judaicas na U URSS
R SS e que o General de Gaulle, num
dos seus discursos, derramou algumas lágrimas laqrimas pela sorte dos
milhoes
milhões de muçulmanos
muculmanos oprimidos pela ditadura comunista.
0 capitalismo e o imperialismo estao
O estão convencidos de que a
luta contra o racismo e os movimentos de libertação
Juta libertacao nacional
sao
são pura e simplesmente aqitacoes
agitações teleguiadas, fomentadas do
"exterior". Também
“exterior”. "I'ambem resolvem utilizar esta tatica
tática eficaz: Radio-
Rádio-
Europa Livre, comite sustentaculo das minorias domina-
comitê de sustentáculo domina­
das ...
. . . Fazem o 0 anticolonialismo .como OS coroneis
como os coronéis franceses
na Argélia
Argelia faziam a guerra subversiva com. com os SS.A.S.
.A .S. ou os
services psicol6gicos. “Utilizam
serviços psicológicos. "Lltilizam o povo contra o povo”. povo". Sa­
Sa-
bemos o que isso quer dizer.

Essa atm()sf
~S§<l atmosfera era ·dde ·e··· violência,
\'i()lencia, de d.e ameaça,
ameaca, esses. fo9uet~.~
êsses foguetes
exibidos não 11~() apavoram Cri~l 1.· .
·~P~y9r~'m. nem A~s9rie11t<ltl:l desorientam os ~olonizados.
colonizados.
"£ii!i§s.. g~e
Vimos que .~tôda ??<i . . aa. . ~~<l
sua ...~i~t.
história recente
6r.ia.. r~~. e1lfr. os
()S. capacita
~apacifa aa . "~Om~
“com­
pr:e~~er''
preender” 'e~sa situa~~~:
essa situação. .E :n.tr~aa violência
Entre viol~11dacolonial e a violên­ violen-
cla
cia padfica
pacífica em que mergulha o ,m undo contetl:lp()r~ne()
mundo contemporâneo h'a há
.ul.lla. espécie de
uma e§pecie de correspondencia
correspondência cúmplice, c~tJ:lplic~! uma homogeneida­
honiogenelda~
de. Os colonizadosestao
Òs colonizados estão adaptados
adaptados a essa atmosfera. Por uma
vez pelo menos são sae> de> do §el.l
seu Jempe>,
tempo. Há Ha quem
quern se espante de ver
que o colonizado, em vez de oferecer um vestido aà espôsa, esposa,
compra rádio radio de pilha. Isso lsso nao não devia causar espanto. Os co­ co-
lonizados estão estfio persuadidos de que seu destino se decide
neste momento: \[ivem Vivem puma numa atmosfera de fim. fimdodo mundo ... ~e
ac:. r~c:li!(ltl:l gu~
acreditam que nada lhes geve deve ~sc:ap(lr.
escapar. É '.E por isso que coin~com­
p;~endem
preendem m:·uito hem Phoum.;;
muito bem Phouma e Phoumi, Phouro'i, Lumumba e Tschom-
be, Ahidjo e Moumié, Moumie, Kenyatta e os que periodicamente se
lancam
lançam para a frente a fim de os suhstituir. substituir. Compreendem
muito hem bem todos estes êstes homens porque desmascaram as Iorcas fôrças
que estãoestao por tras trás deles. dêles. O 0 colonizado,
colonizadot o homem subdesen- subdesen­

62
volvido são
volvido sao hoje
hoje animais
animais politicos no sentido
políticos no sentido mais
mais planetário
planetario
do terrno.
do têrmo.

A independência
independe11cia certarn. ente .. trouxe
certamente trouxe aos
aos . homens coloni-
homens coloni­
zados
zados a reparac;ao moral ee consagrou a sua dignidade. Mas
reparação moral
eles não tiveram tempo de
êles ainda nao de elaborar uma sociedade, de
construir e afirmar valores. A lareira incandescente onde o
cidadao e 0o homem se desenvolvem e enriquecem em domi-
cidadão domí­
nios cada vez mais amplos ainda nao não existe,
existe. Colccados
Colocados numa
~e i_n~~t~rJ:]J.inac;ao,
~§£~<;~,~ de
esjpêcie indeterminação, . êsses
e?se:s homens §e
se . persuadem com
hastante facilidade de que tudo vai ser decidido noutra parte,
bastante
para todo o mundo, ao mesmo tempo. Quanto Quanta aos dirigentes,
diriqentes,
em,, face desta conjuntura, hesitam e escolhem o neutralismo.
em. neutralismo.

Muito haveria a dizer sobre


sôbre o neutralismo. Alguns o as­ as~
similam a um tipo de mercantilismo
mercantilismo infecto que consistiria em
tomar a direita ou a esquerda. Ora, o neutralismo, essa cria- cria­
c;ao da guerra friat
ção Iria, se permite
perrnite aos paises
países subdesenvolvidos
subdesenvolvidos
receber auxilio economico das duas partes, nao
auxílio econômico não perrnite,
permite, de
fato, a nenhuma dessas partes ajudar, como seria necessario,
necessário,
as nacoes
nações subdesenvolvidas. Essas somas literalmente
literalmenta astro-
astro­
nomicas investidas nas pesquisa militares e esses
nômicas êsses engenheiros
engenheiros
transformados em técnicos
transformados tecnicos da guerra nuclear poderiam, em
quinze anos, aumentar em 60% 60% o nível
nivel de vida dos países
paises
subdesenvolvidos. Ve-se
subdesenvolvidos. V ê-se assim que o verdadeiro interêsse
interesse dos
paises subdesenvolvidos não
países subdesenvolvidos nao reside nem no prolongamento
nem na acentuacao
acentuação dessa guerra fria.
Iria. Mas acontece que nin­ nin-
guem lhes pede opinião.
guém opiniao, Portanto, quando surge a oportu- oportu­
eles se desobriqam
nidade, êles desobrigam., Mas podem fazê-lofaze-lo realmente?
Eis, por exemplo, que a França
Franca experimenta na AfricaÁfrica suas
bombas at6micas.
bombas atômicas. Excetuando as mocoes,
moções, os comícios
comicios e as
estrepitosas rupturas diplomaticas,
diplomáticas, nao
não se pode .. dizer que os OS
povos africanos tenham influído,
influido, neste setor precise, sobre a
preciso, sôbre
atitude da França.
Franca.

0 neutralismo
O neutralismo produz no cidadao
cidadão' do Terceiro Mundo
espirito que
um estado de espírito que. se.
se traduz.
traduz na vida corrente por . uma
11J:l1a
intrepidez e um orgulho hieratico
hierático que se assemdhani
assemelham estl:a~
éstra-

63
:tili.?.m,gn,!,,?,,,.ao.~desa£io.
nhamg2 ,|g„3 a*!Íesafio. Essa Essa manifesta
manifesta recusa
recusa ao compromisso,
compromisso,
essa vontade
essa vontade inflexivel
inflexível de
de nao associar lembram
não se associar lembram o com-com­
portamento
portamento dos dos adolescentes altivos e despojados,
adolescentes altivos sempre
despojados, sempre
prontos
prontos a se sacrificar par uma
sacrificar por uma palavra.
palavra. 1Tudo descon-
Tudo isso descon­
certa observadores ocidentais.
certa os observadores ocidentais. PoisPois há,
ha, rigorosamente
rigorosamente Ia- fa­
lando, um
lando, um escândalo
escandalo entre
entre o que esses homens
que êsses homens pretendem
pretendem
ser
ser e o que que têm atrás de
tern atras si. \!.ri-
de si, Um ,eai~}e1ll
país sem tra~sportes,
transportes, s~m
sem
tropas, sem dinheirq,
t,ropas, dinheiro, ..não justifica a )5£ivcifa:
nae justif!c~·~" bravata :Ciue ~Ies,9§t¢n~
que eles osten­
tam •.,.~2,1ll
t~1ll, com .. grande .9:P.~ . .
$E'.1 . publicidade. Trata-se, sem
E!ll?l.i5i,dsi.4E':· Trata-se, dúvida, de im-
sem duvida, im­
postura. C5 Ò Terceiro Mundo da dá muitas vezes vêzes a impressao
impressão de
que:
que se regozija no drama e precisa de sua dose semanal de
crises...Êsses
crises. Esses Itderes
líderes, de paises
países vazios, que falam muito, muito, irritam.
Temos de lhes impor imper silêncio.
silencio. Entretanto,
Entretanto, são sao cortejados. Re~ Re­
cebem Flores, convites.
cebem flôres, convites. Numa palavra, sao são disputados com com
interesse.
interesse. Isso Issa ée o neutralismo.
neutralismo. Com um. um índice indice de 98% 98% de
analfabetos, existe, existe, contudo, a respeito deles, dêles, uma literatura
colossal. Viajam muito.
colossal. muito. Os dirigentes dos países paises subdesen­
subdesen-
volvidos, os estudantes
volvidos, estudantes, dos países paises subdesenvolvidos,
subdesenvolvidos, sac são
clientes dourados para as companhias
clientes companhias aereas. responsa-
aéreas. Os respoiísá-
veis africanos e asiáticos asiaticos tern possibilidade, no mesmo
têm a possibilidade, mesmo 'mes, mês,
de seguir um curso sobre sôbre a planificacao
planificação socialista em Moscou Moscou
e sob
sôbrere os benef icios da economia
benefícios economia liberal em Londres Landres ou na
Universidade de Colúmbia. Columbia. Os sindicalistas
sindicalistas africanos, por
sua parte, progridem num ritmo acelerado. Mal M al chegam a
pastas nos organismos
ocupar postos organismos de direcao, direção, decidem decidem consti­
consti-
centrals autonomas.
tuir-se em centrais autônomas. Nao Não têm tern cinqiienta
cinqüenta anos de
pratica sindicalista passados no quadro de um país
prática pais industria-
industria­
lizado, mas ja
lizado, já sabem que o sindicalismosindicalismo apolitico
apolítico e dispa-
é um dispa­
rate. Nao
Não enfrentaram a maquina máauina burguesa, não nao desenvol­
desenvol-
consciencia na luta de classes,
veram sua consciência classes* mas talvez isso isso nãonao
necessario. Talvez. \(~f~cffi9§.q.i.u:
seja necessário. Veremos . q.uç. . . essa
~.§§.C,.l. Ye>nt215ft;
vontade.• totalizan-
tS~.!e.lizc.in~
te, ,[ue
q.ue seseca~i~at.11.r.a
caricatura 1lll1itc.is ye~t;s em
muitas, vezes t;IJ]: globalismo,
glo!Jalism9,.~é uma das das
za;acterTSticas mais ·r4r4cim~#t!'lis.
características 'ill<li§. :4P:s
fundamentais, .dos F>21t~~§ §V~d.t;§<:11vaivid.qs.
países subdesenvolvidos.

Mas voltemos
voltemos ao duelo do colonizado
colonizado e do colono.
colono. Ve~
V e­
mos
mos que se trata
trata da luta armada franca. Os exemplos histo-
exemplos histó­
ricos sao
ricos são a Indochina, a Indonésia
Indonesia e, evidentemente
evidentemente a Africa
África
do Norte. Mas o que nãonao devemos
devemos perder de vista ée que ela
teria podido estourar em qualquer outro lugar,
luqar, na Guine
Guiné ou
Somalia, e ainda hoje pode estourar em tôdas
na Somália, todas as partes
64
onde o colonialismo
colonialismo pretenda perdurar, como como em Angola por
exemplo. A ]'\ e_x:is,.t~ECi(l
existência, J;l(l)l!!.~,_~)££1~~(1
da lute.jarmada indic~ indica queque o povo e~ta está
decidido
decidido- a-··56 a só . depositar
clepositar confiançaconfi~rn;a nos· ill'eiOs violentos',
nos meios violentos. ;§.le:
Êie,
de-gii'em
de~qúem ..sempre seilipre se disse disse: ques6 que só compreendia a linguagem da da
f,6rSi.,.f~§Plv.e.\,l,.g.xprimirc-se
fcôrça. resolvg,u,,£Xprimir-se..,pela, .. pela . força.
fo.r<;a. <:;gm
Com efgit(),
efeito,. o() colon.a
colono
jqrp,(lis deixou .de.Jh.e
jamais .. dei~gg . . mostrar Oo. caminho
de lhe.mostrar: caminho,. . que,
que .. deyia, s.e.r. o.
devi(l..sçr s~u
o sçu
s~
se quisesse conquistar .a a. . emancipação.
emancipa<;a().O 0 argumento escolhi- escolhi­
do pelo colonizado Ioi-lhe foi-lhe indicado pelo colono e, por uma
ir6nica
irônica reviravolta das coisas* coisas, o colonizado ée quern quem agora
afirma que o colonialista só so entende a Iorca fôrça., () O regill:le
regime colo-colo­
nial legiti!ll~~se
legitima-se pela _pel~ Iorca
fôrça, e em nenht11ll i11S,t~nte pr<;>cura
nenhum instante procura usar us,ar
de'asfUcfa
de‘-'ãsfüaã'"com com essa
éssá
""·'" ....,. . ····· . . ··.. .... . ..natureza
natureza .
das
.
CQlsaS.
coisas. Cada estatua,
estátua, a de
Faidherbe ou de Liautey, de Bugeaud ou do sarqento
baidherbe sargento Blan-
d~n,
dân, todos {~sses êsses conquistadores empoleirados no solo colo­ colo-
nial siqnificam
significam apenas uma. uma coisa: “Estamos "Estamos aqui aà fôrça f6r<;a de
baionetas
b a io n e ta... s ...”" NaoNão ée difícil dificil completar aa. frase. Durante Durante a
fase insurrecional cada colono raciocina a partir de
Ease de: uma arit­ arit-
metica
mética precisaprecisa.. Essa 16gica lógica não nao espanta os OS outros colonos
colonos
mas ée importante dizer que tambem também não' nao espanta os OS coloni-
coloni­
zados,
zados. E desde logo a afirmação afirmacao do princípio principio "ou “ou ·eles
êles ou
nos",
nós”, não njio constitui um paradoxo, uma vez que o colonialis- colonialis­
mo,
mo', como vimos, vimos, ée justamente a organização orqamizacao de um mundo
maniqueista,
maniqueísta, de um mundo compartimentado compartimentado,. E quando pre- pre­
conizando meios precisos, precises, o colono colono pede a cada representan-
representan­
te da minoria opressora que elimine 30 ou 100 ou 200 indi- indí­
genas, percebe que ninquem ninguém fica Iica indignado e que no máximo maxima
todo o problema se reduz reduz a saber se se pode fazer isso de
uma vez ou por etapas etapas.. 55
::Esse
iÊsse raciocinio
raciocínio que preve aritmeticamente o desapareci­
prevê aritmèticamente desapareci-
mento da população populacao colonizada não nfio transtorna
transtorna o colonizado
de indignação
indiqnacfio moral. ::Ele Ê le sempre soube que seus encontros
com o colono iriam desenrolar-se num campo Iechado.
com fechado. Tam-
5 E É evidente
evidente que
que essa limpeza
limpeza pelo
pelo vacuo
vácuo destr6i
destrói a coisa que
que se que-
que­
ria salvar.
salvar. ÉE o que
que assinala quando diz: "Em
Sartre quando
assinala Sartre “Em resumo, pelo sim­
ples fato
ples fato de
de as repetir (( trata-se
trata-se das idéias fica patenteado
racistas) fica
ideias racistas)
que a unido
união simultanea
simultânea de todos contra OS os indigenas
indígenas é irrealizdoel, e
irrealizável, que
niio e
não é seniio recorrencia girat6ria
senão recorrência giratória e que alias
aliás essa uriuio
união s6
só poderia rea­
rea-
lizar­se
lizar-se coma agrupamento ativo
como agrupamento para massacrar
ativo para massacrar osas colonizados,
colonizados, tenta­
tenta­
i;iio perpetua e absurda do colono,
ção perpétua colono, a qual acabaria,
acabaria, se fosse praiicdoel,
fôsse praticável,
par suprimir de vez a colonização’’.
por colonizaciio", Critique de la raison
raison dialectique,
pag. 346.
pág.

65
hem
bém o colonizado nao
0 colonizado não perde
perde tempo
tempo com
com lamentacoes,
lamentações, quasequase
nunca procura
nunca procura que se lhe
que se lhe Iaca
faça justica
justiça no quadro colonial.
no quadro colonial. De:
De
f11tq,se arguJl1ent<l<;aocf0:'
fato, sc ..a argumentação do' colono .encgntra.
encontra oo.c()ICJ>Bit:aclq
colonizado .ill!i~
ina­
~ci,l~yele porque este
balável é porque ultimo praticamente
êste último' praticamente colocou 0o proble­
proble-
ma de sua libertação
libertacfio em
ell1 t~i;m0:.~
termos iclfoticos:
idênticos: "Orqanizemo-nos
"Organizemo-nos
ein
em grupos
grupos de de duzentos
duzentos ou ou de de quinhentos
quinhentos ee cada grupo se
cada grupo se en­
en-
carregue
carregue de de um colono". IE
um colono”. iÉ .nessa disposicao de
nessa disposição de: espirito re~i~
espírito recí­
proca que cada
proca que cada um dos protagonistas
um dos protagonistas começa
comeca a a luta.
luta.

C()lcmizado,.essa.
Para o colonizadot violeJ1Ci(lrepresenta a praxis
essa violência
absoh.ita':"·pc;r
absoluiaTToF isso isso Õo militante
riiilitante. eê áqüêle
aquele . que trabalha.
trab.alha. Âs As per­
per-
guntas ffeitas
guntas eitas ao ao militante pela organização
militante pela organizac;ao levanilevam aa marca
mar ca
dessa visao
visão dasdas coisas: "Onde trabalhou? Com quern?
,coisas: “Onde quem? Que Que
tern
tem Ieito?"
feito?” 0 O grupo exige que
grupo exige cada indivíduo
que cada individuo realize
realize um ato
um ato
irreversivel.
irreversível. Na Na Argelia,
Argélia, porpor exemplo,
exemplo, onde aa quase quase totalida­
totalida-
de dos homens
de dos homens que que convocaram
convocaram o povo aà luta
o povo luta estava conde-
estava conde­
nada àa morte
nada morte ou ou era
era procurada
procurada pela policia francesa,
pela polícia francesa, aa con-
con­
Iianca
fiança eraera proporcional
proporcional ao ao carater
caráter desesperado
desesperado de de cada
cada caso.
caso.
Um n6vo
Um militante estava
nôvo militante estava seguro
seguro quando
quando nao podia mais
não podia mais rein-
rein-
gressar
gressar no no sistema colonial. Êsse
sistema colonial. ::Esse mecanismo
mecanismo pareceparece ter exis-
ter exis­
tido
tido emem Quenia
Quênia entre entre osos Mau-Mau,
Mau-Mau, que exigiam que
que exigiam que cada
cada
membro
membro do do grupo abatesse aa vítima.
grupo abatesse vitima. CadaCada um um eraera portanto
portanto
responsavel pela morte dessa vitima.
pessoalmente responsável 1~al?<llhar
vítima. Trabalhar
significa trabalhar
significa trabalhar parapara aa morte
morte do do colono,
colono. A A violencia assu-
violência assu-
mi.<ia •J)erm1£,~~a'o)ne~·iiio••·.tetilf)[Cfi!~
m uJaperm ite ’á o ‘mésmo tempo" qiié '.()s····e¥tr.ciy'ia'ao$"''~.]Sros~rl~
os extraviados’ e proscri­
tos
tos dodo grupo
grupo voltem,
voltem, reencontrern
reencontrem seu lugcir ee se
seu lugar se reiJ1t~gpen:i.
reintegrje;niJv
1j.i,g!encia
A violência ·e, ét dessa 111aneira,.
maneira, compre;~.t!Lcla
compreendida como •. <il íj iµ~dl~c;a~·'·i
mediação 1
((~:.~i~.)q ho171em colopiz<ldo
regia. O homem ~'12~~:.~~-~~fl:a,e pela violência.
colonizado tíberta-se^na vio_lencia.Esta
~~ta
P!C\XlS ilumma o agent~
praxis ilumina agente porgue
porque lhe I.he md1ca meios e o fo:g.
indica os meios, fim.
AA poesia
poesia de Cesaire adquire
de Césaire adquire na perspectiva precisa
na perspectiva precisa da vie-
da vio­
lencia uma siqnificacao
lência uma profetica. Vale
significação profética. Vale aa pena
pena recordar
recordar umauma
das paqinas
das decisivas de
páginas decisivas de sua traqedia em
sua tragédia em que que o o Rebelde
Rebelde
((vejam
vejam s6!)só!) se explica:

0
O REBELDE
R ebeld e (asperov
( áspero )

M eu name:
Meu ofensivo; m
nome\ ofensivo; meu prenome:
eu p ren o m e: humilhado;
humilhado; meu
m eu estado:
estado:
revoltado; minha idade:
revoltado; minha idade: aa idade
idade da pedra.
da pedra.

66
66
A M.AE
A M ae

Minha
M inha raqa: aa raça
raça: raca hum
humana.
ana. Minha
M inha religiiio: aa fraterni­
religião: [raterni­
dade ..... .
dade

0 RREBELDE
O ebelde

Minha
M raca: aa raça
inha raça: raca abatida.
abatida. MMinha religido
inha re lig iã o......
mas não
mas niio sois
sois vós
v6s que
que aa preparareis
preparareis com
com vosso
vosso desarmamento...
desarmamento ...
sou eu
sou eu com
com minha
minha revolta
revolta ee meus
meus pobres
pobres punhos
punhos cerrados
cerrados ee
minha cabeca hirsuta
minha cabeça hirsuta

(Muito
{M calmo)
uito calmo)

EEu
u m me recordo de
e recordo de umum diadia de de novem
novembro; ele não
bro; êle niio tinha
tinha seis1
seis
meses e o patrdo entrou na choca fuliginosa como
meses e o patrão entrou na choça fuliginosa com o uma lua de abril, uma lua de abril,
apalpou­lhe oti
apalpou-lhe minuscules mmembros
08' minúsculos musculosos, era
em bros musculosos, era umum bom bom
patriio, ee passou
patrão, passou com
com uma
uma carícia
caricia os os dedos
dedos grossos
grosses pelo
pelo rostinho
rostinho
cheio de
cheio de covas.
covas , Os
Os olhos
olhos azuis
azuis riam
riam ee aa bôca boca arreliava-o
· arreliava­o comcom
dengues: vai ser uma boa bisca, disse ele jitando­me,
d en gu es: vai ser uma boa bisca, disse êle fitando-me, e disse outras e disse outras
coisas amáveis,
coisas amdveis, oo patrão:
patrdo : que
que era era preciso
preciso saber
saber com como proceder
o proceder
desde cedo, que vinte anos niio era demais
desde cedo, que vinte anos não era demais para fazer um bom para fazer um bom
cristiio e um bom escravo, bom sudito hem
cristão e um bom escravo, bom súdito bem devotado, um bom ca­ devotado, um born ca­
pataz, 8lho vivo e braco jirme . E aquele
pataz, ôlho vivo e braço firm e . E aquêle hom em via no berço homem via no berco
de mmeu
de [ilho um
eu filho um berço de feitor.
berco de [eitor .
Rastejamos peixeira em ppunho
Rastejamos peixeira em u n h o . ...
..

AA MMAE
ae

AAi mim, tutu mmorrerds


i dede mim, orrerás. .

O0 RREBELDE
ebelde

MMatei
a tei. ..... eueu o omatei
matei com
com minhas
minhas próprias
pr6prias mmdos
ãos. .....
Sim: mo rte fecunda e abundante
Sim : morte fecunda e a b u n d a n te ... ...
eradede noite.
era noite. Rastejamos
Rastejamos porpar entre
entre asascanas-de-açúcar.
canas­de­aqucar.
As peixeiras riam para as estrelas,
A s peixeiras riam para as estréias, mas nós mas nos zombávamos
zombavamas dasdas
estrelas .
estrelas.
AAs canasmarcavam-nos
s canas marcavam­nos o orosto rostocom
comregatos
regatosdedelâminas
ldminasverdes
verdes

6767
A MAE
A Mãe

EEuu tinha
tinha sonhado
sonhado com
com um
um filho
filho para fechar os
para fechar os olhos
olhos de
de sua
sua
mde
m ã e.

0 RREBELDE
O ebeld e

Escolhi abrir
Escolhi abrir para
para um
um outro
outro sol
sol os
os olhos
olhos de
de m
meu filhoo .,
eu filh

A M
A MAE
ãe

..... . <5
0 meu
meu filh
filho.o . .. . . morte
morte m
maá ee perniciosa
perniciosa

0 RREBELDE
O ebelde

Mile,
M morte ardente
ãe, morte ardente ee suntuosa
suntuosa

A M
MA.E
ãe

por ter
por ter odiado
odiado demais
demais

0 RREBELDE
O ebeld e

por ter
por ter amado
amado demais.
demais.

A M
MAE
ãe

Poupa­me, eu
Poupa-me, eu sufoco
sujoco com
com os
os teus
teus grilhões.
grilhoes. Sangro
Sangro com
com as
as tuas
tuas
[eridas.
feridas.

0 RREBELDE
O ebelde

0 mundo
O mundo não
niio m
mee ppoupa
o u p a... Nao
.. . N ha no
ão há no mundo
mundo umum pobre-diabo
pobre­diabo
linchado, um
linchado, um pobre
pobre hom
homem torturado, em
em torturado, em que
que eu
eu não
ndo seja
seja assassina­
assassina­
do ee humilhado.
do humilhado .

A M
MAE
ãe

Livra­o, D
Livra-o, Deus do céu
eus do ceu ..

68
0
O REBELDE
R ebelde

M eu
eu coracdo
coração tu tu não
ndo me m e livrards
livrarás de minhas
minhas lembrancas
lem branças..... .
Foi
F o i numa
num a noite
noite de novembro
n o v em bro ..... .
E de súbito
subito clamores
clamores iluminaram
iluminaram o silêncio,silencio,
Haviamos saltado,
Havíamos n6s, os
saltado, nós, os escravos;
escravos; n6s,nós, o o lixo;
lixo; n6s, os animais
nós, os animais
resignados.
resignados.
Corriamos tomados de [uria;
Corríamos tomados fúria; os tiros explodiam
explodiam ..... . Batiamos.
Batíamos.
0 suor
O suor e oo sangue
sangue nosnos refrescavam
refrescavam. . Batiamos
Batíamos entre entre osos gritos,
gritos, ee osos
gritos tornaram mais
gritos se tornaram estridentes e um grande
mais estridentes grande alarido levantou­
levantou-
se do [adolado do do leste;
leste; eram
eram as cubatas
cubatas que que ardiam
ardiam ee a a labareda
labareda pro­pro­
jetava­se suave
jetava-se suave em nossa nossa fa face.
ce.
Entdo deu­se
Então assalto aà casa do patrão.
deu-se o assalto patriio .
‘' Disparavam
Disparavam das janelas.janelas.
Arrombamos
A portas.
rrom bam os as portas.
0 quarto
O quarto do patrdopatrão era era espacoso.
espaçoso. O 0 quarto
quarto do do patriio
patrão res­res­
plendia, ee o patrdo
plendia, estava la,
patrão estava lá, muito
muito calm calmo.o. .. .. e os nossos
nossos sese dde­

tiveram. . . . era
tiveram era oo patrão.
patrdo . .. .. EEuu entrei.
entrei. É Ess tu, m mee disse
disse ele,
êle, muito
muito
calmo.
ca lm o . .. .. EEra
ra eu, era eu mesmo, mesmo, respondi,
respondi, o bom born escravo,
escravo, o es­
cravo fiel,
cravo [iel, oo escravo escravo,
escravo, ee de de repente seus olhos
repente seus olhos sese conver­
conver­
teram
teram em em duas baratas amedrontadas
duas baratas amedrontadas nos nos dias de de chuva.
chuva. . .. bati,
o sangue esguichou:
0 sangue e
esguichou: é o0 único uni co batismo
batismo de de que
que m mee lembro
lembro hhoje.
o je .66

Compreende-se que que essa


essa atmosfera a cotidianidadecotidianidade se
torna simplesmente
simplesmente impossível. impossivel. Nao Não se pode mais ser ser felá,
f ela,
caften ou alcoólatra
cáften alcoolatra como antes. antes. A violên
viol~n_ci!l,
d a~<;>.,_!~9}me
jdo rectime e a~
contraviolência 'do colonizado ...•.~Sl~b~am~se
con!E~.Yt9J~~11..<;:i1\,,,,_g,Q~~-~Q~~i.?-~£i<l equilibram-se ee, cor_:esp~n~ correspon-
dêm-se
~E!.:§~.J1YW."l . . . J!:':;J\:tt',aQt~fanat.:la~. .hom.o.g..ciii.iaia,~ .... LE;f.il2J'j:J\;.a.
' r^ p rn .i!sse
ra. 'Kss<>
reino da violência
reino violencia será sera tanto mais mais terrivel quanta mais im­
terrível quanto im-
portante fôr
portante far o povoamento
povoamento metropolitano.
metropolitano. 0 desdobra1Ilento
O desdobramento
cl_~, yi9]~p,si"!
da violência . . I19
no ... seio§~i<> do go , povo^cplonizado §gi.,A jifoj)Q'f~i'9n'~f
pov.o .. ~oloniz.;;iii,1 sefã pfgporcional j1a
vi.ole11cici exerc:ida
violência exercida pel9 pelo regillle
regime colonicil.C:?l1testci~o.
colonial contestado. Na pri- pri­
me:ira. Fase
meira desse periodo
fase dêsse período insurrecionai
insurrecional os OS governo's
governos metropo­ metropo-
litanos saosão escravos
escravos dos colonos. colonos. Estes
Êstes ameacam
ameaçam simultânea-simultanea-
mente os colonizados
mente colonizados e a seus seus pr6prios governos. Utilizarão
próprios governos. Lltilizarao
contra uns uns e outros os mesmos mesmos metodos.
métodos. O 0 assassinato
assassinate do
presidente da da camara câmara municipal municipal de :Evian,Évian, em seu mecanismo mecanismo

6 Aime
Aimé Cesaire,
Césaire, "Les
“Les Armes
Armes Miraculeuses"
Miraculeuses” (Et
(E t les chiens se taisent)
taisent)
pags , 133-137,
págs. Gallimard.
133-137, Gallimard.

69
suas motivacoes,
e suas identifica-se
motivações, identifica-se com o assassinate
com assassinato de de Ali
Ali
Boumendjel.
Boumendjel. Para Para os colonos
colonos a alternativa
alternativa nao não reside entre
reside entre
uma Argelia argelina
uma Argélia argelina e umauma Argélia
Argelia francesa
francesa mas entre uma
mas entre uma
Argelia
Argélia independente
independente e uma uma Argelia
Argélia colonial.
colonial. O 0 mais eé litera­
litera-
tura ou
OU tentativa
tentativa de traicao. 16gica do colono eé implacável,
traição. A lógica implacavel, e
s6
só se fica desconcertado pe:la contral6gica decifrada na condu-
pela contralógica condu­
ta do colonizado na medida em que nao não se estaestá em dia com com
os mecanismos do pensamento do colono. Desde o momenta momento
em que o colonizado escolhe a contraviolência,
contraviolencia, as represa-
represá­
lias policiais provocam automàticamente
automaticamente as represálias
represalias das
Iorcas
fôrças nacionais. Nao Não há,ha, porem,
porém, equivalencia
equivalência de de resultados,
resultados,
uma vezvez que
que os
os ataques aéreos
aereos ouou os
os canhoneios
canhoneios da frotafrota ul-
ul­
trapassam em horror e importancia
importância as respostas do coloniza- coloniza­
do. ::Esse vaivem do terror desmistifica em definitivo
Êsse vaivém definitive os co- co­
lonizados mais alienados. Com efeito, eles êles verificam de ime­ ime-
diato que
que todos
todos os discursos
discursos sô,bre
sohre a igualdade
igualdade da pessoa hu- hu­
mana empilhados uns sobre sôbre os outros não nao escondem essa ba­ ba-
nalidade que quer que os sete franceses f eridos no
Iranceses mortos ou feridos
desfiladeiro de Sakamody
Sakamody suscitem a indiqnacao indignação das cons- cons­
ciências civilizadas, ao passo que nao
ciencias não tern importancia 0o saque
têm importância
dos aduares Guergour, da dechre dech ra Djerah e o massacre das
populacoes
populações que tinham precisarnente
precisamente motivado a emboscada.
Terror, contraterror, violencia,
violência, contraviolencia
contraviolência., . . Eis o que
registram com amargura os observadores quando descrevem o
registram
circulo do odio,
círculo do tao manifesto
ódio, tão manifesto e tão tao tenaz
tenaz na Argélia.
Argelia.

C "~ ........v
"' ..... Ni:!sJutas.,armadas ha o que se po9~J:i;;i...chant.ar '~t~\onto\
/I de nao~ret()r_ng}. Quase
de nao-retôrncÿ Quase sempre
sempre eé aa 1repressão
repres~a? e1101'Wle,
enorníe, ~nglo~
englo­
'na~do-foclos
b an d o todos os setores da população colonizada, 9H~_e':
OS. setor(!S ~Cl populas;.aq~CC>li?!t.i~aqa, gue a" re<ffi~
reali­
za. Êsse
!Esse ponto foi atingido na Argélia,
Argelia, em 1955, com as 12.00012.000
~viffmas
vítimas de de Philippeville
Philippeville ee emem 1956
1956 com aa instalacao
instalação porpor La­
La-
caste das milícias
coste milicias urbanas
urbanas ee rurais. Entao torna-se
rurais.77 Então torna-se claro

7 É E preciso
precise voltar
voltar a êsse
esse período
periodo para
para aferir
aferir a importância
importancia dessa de­ de-
cisao do poder
cisão Frances na Argelia.
poder francês Argélia. Assim, no n.° n.? 4, de 228/3/1957,
8 /3 /1 9 5 7 , de
Resistance Algerienne, pode-se
Résistance Algérienne, pode-se ler:
"Respondendo ao
“Respondendo voto da
ao voto da Assembleia
Assembléia Geral
Geral das
das Naciies
Nações Unidas,
Unidas, o o
Cooerno
Governo Frances acaba de
Francês acaba de determinar
determinar na Argelia
Argélia a a criação
criaciio de mi­ mi­
licias urbanas.
lícias urbanas. Chega
Chega de de sangue derramado, disse
sangue derramado, disse aa ONU, Lacoste res­
o n d , Lacoste res­
ponde: Formemos
ponde: milicias. Cessem
Formemos milícias. Cessem fogo,
fogo, aconselhou
aconselhou a a oxtr,
o n u , Lacoste
Lacoste
vocifera: Armemos os
vocifera: Armemos os civis.
civis. As duas partes
As duas partes em
em luta estiio convidadas
luta estão convidadas

70
para todo o mundo
para todo mundo e ate para os colonos
até para colonos que
que “isso
"isso nae podia
não podia
mais recomecar" como antes.
mais recomeçar” antes. Tcdavia,
Todavia, o povo colonizado nao
povo colonizado não
mantem contabilidade.
mantém contabilidade. Registra
Registra os vazios
vazios enormes
enormes feitos
feitos em
suas fileiras
suas fileiras como umauma espécie
especie de
de ma!
mal necessario.
necessário. UmaUma vezvez
que tambem
que decidiu responder
também decidiu responder com a violencia,
violência, admite todas
admite tôdas
as conseqtiencias
conseqüências dessadessa decisão.
decisao. Apenas
Apenas exige
exige que nao lhe
que não
pec;:am
peçam para para manter
manter contabilidade
contabilidade para
para os outros.
outros. AÀ formula
fórmula
"Todos
“Todos OS indigenas são
os indígenas sfio iguais",
iquais", o0 colonizado responde:
responder

a entrar em contacto para encontrar uma solução soluciio democrática


democrdtica e pact­ pací­
fica, recomendava a ONU, o n u , Lacoste decreta que doravante todo europeu
andara armado
andará armada e deoerddeverá atirar em quem quer que lhe pareça pareca suspeito,
suspeito.
repressiio selvagem, iníqua,
A repressão iniqua, beirando o genocídio,
genocidio; deoerd
deverá antes de
mais nada ser coibida pelas autoridades, autoridades, imaginava-se
imaginava­se entiio,
então. Lacoste
retrnca: Sistematizemos a repressão,
retruca: repressiio, organizemos a caca caça aos argelinos.
argelinos.
E simbolicamente
E simbolicamente confere os podêres poderes civis aos militares,
militares, os poderes mi­
litares aos civis. 0 O circulo
círculo estdestá fechado. No meio o argelino,
argelino, desarmado,
desarmado,
encurralado, empurrado, agredido,
faminto, encurralado, agredido, linchado, em breve morto
porque suspeito, Hoie, na Argélia,
suspeito. Hofe, Argelia, tuio ha um [ranees
não há francês que niio não esteia
esteja
autorizado, convidado, a fazer [azer uso de sua arma.arma. Não Nao há lui um [rance«,
francês,
Argelia, um mês
na Argélia, mes depois
depots do apelo apêlo àd calma feito pela omr, o n u , que niio
não
tenha a permissão,
permissiio, a obrigação
obrigar;ao de descobrir,
descobrir, de provocar,
prooocar, de perseguir
suspeitos.
suspeitos.
Um mesmês depots
depois de votada a moção mociio final da Assembléia
Assembleia Geral Geral das
Nacties Unidas, tuio
Nações Unidas, não há1ui um [ranees
francês na Argelia
Argélia que esteja a
esteia alheio à mais
espantosa empresa
emprêsa de exterminio
extermínio dos tempos modemos.modernos. Soluciio
Solução demo­demo­
erotica? acordo, admite Lacoste, comecemos por suprimir os arge­
crática? De acôrdo,
linos. Para
linos. Para isso armemos os civis e demos o nosso consentimento. A
imprensa francesa,
francesa, em conjunto, recebeu com reserva reserva a criacdo
criação desses
dêsses
grupos armadas.
armados. Milicias
Milícias [ascistas,
fascistas, disseram os jornais.
jornais. Sim. Mas na
escala do individuo
escala indivíduo e do direito internacional,
internacional, que ée 0o fascismo senão seniio
o colonialismo
colonialismo no seio de paises colonialistas? Assassi­
países tradicionalmente colonialistas?
naios
natos sistematicamente legalizados, recomendados,
sistemàticamente legalizados, recomendados, acrescentaram.
acrescentaram. Mas a
carne argelina
argelina ruio
não leva ha há cento e trinta anos [eridasferidas cada vez mais
abertas, cada vez mais numerosas, cada vez mais radicais?
abertas, Atenr;iio,
radicais? Atenção,
aconselha oo Sr. Kenne­Vignes,
aconselha Kenne-Vignes, parlamentar do MRP, niio correremos
m r p , não correremos o
risco, criando
risco, essas milicias,
criando essas cacar­se em breve um abismo entre
milícias, de ver cavar-se
as duas comunidades da Argelia? Argélia? Sim. Mas o estatuto colonial colonial niio
não eé a
servidiio organizada de todo um povo? A Revolução
servidão organizada Beooluciio argelina
argelina ée justa­
[usta­
mente a contestação
mente contestaciio declarada dessa servidãoseroidiio e dêsse
desse abismo. A Revo­
lucao argelina dirige-se
lução argelina dirige­se àd nação
nadio ocupante e lhe diz: ‘Tirai 'Tirai vossas
vossas unhas
da carne argelina
argelina pisada e fferida!erida! Dai autonomia
autonomic ao povo argelino!'
argelino!’
Diz­se que a criação
Diz-se criaciio dessas milícias
milicias permitirá
permitird aliviar as tarefas tarefas do
Exercito,
Exército. Liberara
Liberará as unidades cuja missão missiio sera
será proteger as fronteiras
tunisina e marroquina.
marroquina. Um Exército Exercito que conta com seiscentos mil ho­
mens. A quase totalidade da Marinha e da Aviar;iio. Aviação. Uma policta polícia enor­
me, diligente, cujo assombroso
assombroso quadro de honra absorveu os ex­carrascos ex-carrascos
dos povos tunisino e marroquino. Unidades territoriais territoriais de cem mil ho- ho­

71
71
"Todos os
“Todos OS colonos
colonos sao
são iquais"."
iguais” .8 0
O colonizado, quando o
colonizado, quando tor-
0 tor­
turam, quando lhe
turam, quando ]he matam
matam aa mulher
mulher ou ou aa estupram,
estupram, não
nao vai
vai
queixar-se aa ninguém.
queixar-se ninquem. O 0 governo
governo queque oprime podera nomear
oprime poderá nomear
diariamente quantas comissões
diàriamente quantas comissoes de de inquerito
inquérito ee informacao
informação
quiser, Aos
quiser. Aos olhos
olhos do colonizado, essas
do colonizado, essas comissões
comissoes não
nao existem.
existem.

mens.
mens. Ê 1t precise aliviar oo Exército.
preciso aliviar Exercito. Criemos
Criemos milícias
milicias urbanas.
urbanas. O 0 frenesi
frenesi
histerico ee criminoso
histérico criminoso de de Lacoste
Lacoste impos
impôs aa ideia
idéia atéate mesmo
mesmo aos franceses
aos franceses
lucidos. A
lúcidos. A verdade
verdade ée que que a a criacdo dessas milícias
criação dessas milicias revela
revela em em suasua justi­
iusu­
ficativa
ficativa sua pr6pria contradicdo,
sua própria contradição. As As taref as do
tarefas Exercito francês
do Exército frances são siio in­
in­
finitas.
finitas. Desde
Desde logo, fixando­se­lhe como
logo, fixando-se-lhe coma objetivo
objetivo aa reposição
reposiciio da da mor­
mor­
daca
daça na boca do
na bôca do povo argelino, fecha-se
povo argelino, fecha­se parapara sempre
sempre aa porta porta que que dd dá
para oo futuro.
para Sobretudo, proibe-se
futuro. Sobretudo, proibe­se analisar,
analisar, compreender,
compreender, medir medir a pro­
a pro­
fundidade
fundidade ee a a densidade
densidade da Beooluciio argelina;
da Revolução argelina; chefes
chefes de de distritos,
distritos,
chefes
chefes de de quarteirões,
quarteiroes, chefes
chefes de de ruas,
ruas, chefes
chefes de edificios, chefes
de edifícios, chefes de de
andares.
andares... .. A dioisiio quadricular
À divisão quadricular na na superficie
superfície acrescenta­se
acrescenta-se agora agora aa
dioisiio quadricular
divisão quadricular na na altura.
altura.
Em
Em 48 48 horas
horas registraram­se
registraram-se duas duas milmil candidaturas.
candidaturas. Os Os europeus
europeus
da Argélia
da Argelia responderam
responderam imediatamente
imediatamente ao ao apelo
apêlo ao ao morticínio
morticinio dirigido
dirigido
par Lacoste.
por Lacoste. D Dee hoje
hoje em em diante
diante cadacada europeu
europeu decera
deverá recensear
recensear em em seuseu
setor os
setor os argelinos
argelinos sobreviventes.
sobreviventes. Informações,
Informai;oes, 'respoeta
‘resposta rdpida'
rápida’ ao ao ter­
ter­
rorismo, detecciio de
rorismo, detecção suspeitos, liquidacdo
de suspeitos, liquidação de de 'd'desertores',
e s e r t o r e s ref6ri;o
reforço dos dos
sercicos
serviços de de policia. Certamente eé preciso
polícia. Certamente precise aliviar
aliviar as tarefas do
as tarefas Exerci­
do Exérci­
to. À
to. A roçadura
rocadura na na superjicie aiunta­se agora
superfície ajunta-se agora a a rocadura
roçadura na na altura.
altura. Ao Ao
morticinio artesanal acrescenta-se
morticínio artesanál acrescenta­se hoje hoje o o morticínio
morticinio planificado.
planificado. Sus­ Sus­
pendam
pendam oo derramamento
derramamento de de sangue,
sangue, aconselhara
aconselhara aa oONU. nu. 0 melhor meio
O melhor meio
de chegar
de chegar aa isso,
isso, replica Lacoste, eé niio
replica Lacoste, não haver
haver maismais sangue
sangue aa derramar.
derramar.
O0 povo
povo argelino,
argelino, depois
depois de ser entregue
de ser entregue às as hordas
hordas de de Mussu,
Massu, eé confiado
confiado
aos bans ofícios
aos bons oficios dasdas milicias urbanas. Resolvendo
milícias urbanas. Resolvendo criar criar essas
essas milícias,
milicias,
Lacoste dd
Lacoste dá a entender nitidamente
a entender nitidamente que niio deixará
que não deixard que que se se toque
toque em em
sua guerra. Prova que
guerra. Prova que existe
existe um infinito na
um infinito na putreiacdo.
putrefação. D Dee certo ei­lo
certo ei-lo
agora prisioneiro,
agora prisioneiro, mas mas quanta alegria em
quanta alegria em perder
perder todo todo oo mundo
mundo consigo.
consigo.
Depois de
Depois de cada
cada uma uma dessas
dessas decisões,
decisoes, oo povopovo argelino
argelino aumentaaumenta aa
contractio
contração de seus músculos
de seus musculos ee aa intensidade
intensidade de de sua luta, Depois
sua luta. Depots de de
cada
cada um um desses assassinates, oo povo
dêsses assassinatos, povo argelino estrutura mais
argelino estrutura mais ainda
ainda sua sua
tomada de
tomada de consciencia
consciência ee solidifica
solidifica sua sua resistência.
resistencia. Sim.Sim. As tarefas do
As tarefas do
Exercito frances
Exército francês siiosão infinitas. Porque aa unidade
infinitas. Porque unidade do do povopovo argelino
argelino ê e
infinital t"
infinita!!”
8s .EÉ par
por isso que que no no inicio
início das hostilidades
hostilidades nao não ha há prisioneiros.
prisioneiros. S6 Só
atraves da politização
através politizacao dos quadros quadros é quee que os OS dirigentes
dirigentes logram fazer
que as massas admitam:
que admitam: 1) que que os indivíduos
individuos vindos da metr6pole metrópole
nem sempre são
nem sao voluntaries
voluntários e as às vezes
vêzes mesmo tern repugnancia por
têm repugnância
essa guerra;
guerra; 22)) que que o interesse atual atual da luta luta quer
quer queque o movimento
manifeste em sua a9ao ação o respeito a certas convenções convencoes internacionais;
internacionais;
que um exército
que exercito que e
que faz prisioneiros é um exercito exército e deixa de ser con- con­
siderado como um grupo de salteadores
siderado salteadores de estradas,
estradas; 3) 3 ) que,
que, em todo
o caso, a posse de prisioneiros constitui constitui um meio de pressão pressao nao não des­des-
prezivel para
prezível para proteger
proteger nossos militantes
militantes detidos
detidos pelo inimigo.

72
72
E, na verdade, verdade, vamos vamos com quase quase sete sete anos de crimes na na Ar~ Ar­
gelia e não
gélia nao ha.há, um só so Irances
francês que que tenha sido Ievado .levado a um tri­ tri-
·1.:i'··.iI bunal Irances francês pela pela mortemorte de um argelino. argelino, Na Indochina, Indochina, em
'I
Madagascar,
Madagascar, nas nas colonias,
colônias,, o indígenaindigena sempre sempre soube que que não naq
ha via nada a esperar
havia esperar do1 outro lado,O
outro lado. 0 trabalho
t£aba.lho ..do colono colono eé f
impossiveis até
tornar impossíveis ate os sonhos de liberdade
OS sonhos liberdade' do cólõnTzãdò. colofiizaClo. j
O facab ^ B o Ho'colonizado, consiste ein ·1;na.··fiiar"'t6aa.·5·a.·s:··c0ill::
0Traba1110~aa-c'&1o:nr2a:cr0c:o.11si8tteill imaginar tôdas as com- j
hTila~6es
binações eve.!itilars·~J)·;;;;t;~iq~·a~~"'~"~~r~;;,~:
eventuais para aniquilar o colono. ·N;;~:p1~trio···a0··ra:~ No plano' dò ' ira- [
.c:i0Cii110···o·"·ma~1quetsmo·
ciocinio o maniqueísmo do ·····colonoprocluz···· colono produz . um u1Il•. ···manique1s1llo
maniqueísmo j
"c|õ"~còlonizado. A,
·~[."c:91011J~.'.:'d(?'. teoria .do
A teoria do "indige11~1
‘‘indígena ma! mal absoluto"
abâóluto” corres- corre,s~ j
ponde a 'teoria teoria do "colono“colono mal ma! absolute".
absoluto”. J
0
O aparecimento
aparecimento do colono colono siqmificou. sincreticamente, \
significou, síncrèticamente,
~~£.t~.
morte da ?Ci .§()ci~<:lac:l~
sociedade . . autóctone, letargia .c:.11lt11rci.l
qµt§s!c)~~' )~tC1£9}'.:1 cultural,0, J?~trificai;ao
petrificação
dos indivciuos.
d.c:'s mdivduos. Para () ('.()l()nizado~ C1
o colonizado, yid(l s6
a vida só pode surgir do
pode surgir
C§lda'vei 'em
cadaver em decomposii;.ao
decomposição do coloiio, colono. Tai T al é, e, portanto, a sqr~ cor-
r~spgnd~ncia termo
resppnaencia têrmo a termo têrmo dos dois. dois rac:igcinios.
raciocínios. •J
Mas acontece que, que. paxci
para o povo colonizado, colqni;c;ado, es:sfl essa . ~.ipl~ll::
violêq-
ci'.:1, ,.J?()!que
cia, porque .5onstitµi.
constitui seu sei,L u11ic9
único tra!Jalh(),
trabalho, reveste reyeste . 'caracteres
r~~);.'it('.~~!e§ . ,<
^ pos1Iivci~,(forinadores)
positivos!, ^formadores) Essa praxis violenta éçtótalizantf, C(fotalizaift,; visto visto
"·1111e·~ada
'tjue cada . uiri•··se transforma ellJ:"~t<:Cvitilenta:da'-~ffl!tlefe
um se t.ransf()'fifia em elo' violento da“^fánde cadeia, cadefa:
do grande 6rganis1llo organismo 1111£.~i~p
surgido..como S.9ffi() . reação
f.¥g,<;~q,,;;ià.. y~ql,enc:.i?,,,
violênçi^pr^mor prinp.Q!.~
dial
di~L.?o. col~.~j,~li~~~:.;Os.~1!P()Ss: .~~c:oi;~~ce~ entre
do colonialista. Qs^grupos se reconhecem sí ee a<\,,fgd'
~n:r.e s,i} fu

J
tura naÇS5"já está indivisa!) A luta armada mobiliza
~p;a na~o }a,est~ 1i1ctiv1sc;'.1 JS,J):t~t<;!;,"(lE,!!1£,S!e . ., J:A<?J51h~(l (] P()'VO, o povo.
isto
ist~ é, ~, . lança-o numa unica direção,
1.<l}1~~;.2.)1:J1Wst.iinis<l num.. s.entido.
c:lLr.~<;~g( .:rJ.u.111 sentido unico'. único. - ,
.. A mobilização cic;s.111~s:s~~'
':: 11101Jili.~~i;~.CJ. das massas, quando' seq~~~~? f~~~a.E~1:
se .·. eefetua, por....ocasi~o.
ocasião
1
da guerra 4 -fe4iȧííaÇão.J^ ia d ii3
~~~L.c9Y.~f1:~",,,l:l~.l~l;i~ci.~?:P1~ . ~& m . ^ <iil:lct• consciência .a
rd ri sonsc1enc1 a no-no- t
ção
i;ao deíçausa.
cl~ (cius~ comum> deQjestino nacionS?.
cowuill> d~~~l:}() ~~~~:11 , .,ddeQiistória coletív^.·
~2!i.~-~~.!~f2Y,,,
Tambem
T am bem a segTiiicfa• fase,‘
ã “segunda fase, aa" "datt·a:- 'construção'
CO:rJ.stru<;ao dã“fi‘ a nai;ao, ve-se j
âça‘ô;*'ve-se
facilitad'.:1pel~
facilitada existe:rJ.c:ia de-ssa
pela existência qr~ama,ssa preparada
dessa argamassa preparada em meio J ·
ao sa:rJ.~ue.
ao. sangue e -~ a c6l~r
cólera. .a . Compreende-se
Compreende~se melhor en tao a origina-
então oriqina-
!lC!aoe
licfâde cl6 vocabul.irio empregado
3o vocabulário empregado nos, nos países
paises subdesenvolvi­
subdesenvolvi-
'dos.
dos. Durante Durante . o periodo
período colonial conviciav(l:-S(:' o povo
colonial convidava-se )?()V() .a.
a lutar
contra 'àa opressao.
opressão. Depois De,eois da libertação
lioertai;ao nadonal,
nacional, ée ele convi-
êle convi­
aaa-0-a·1ut:ar····coilt:ra···a··m.is~ria;··9····a1t~r£a1)etfs1llo;·§.·13µl)_d.~$.en;:-
dado ~á lutar contra a miséria, o anãlFábêtismo', o subdesen-
yolvimentp^.. A Jute,. 9 fiKPí,^av.tadQS, continua. O povo .verifi­
~~1~:e id!·i~:··~~~::;::~c)p(ipµci -. ·Q ..povo .. ver.Hi~
ca que fò vida é um combate sem i n .
· --·Kv10 enc!aC!o-c'Oloiiizaao:)a
A violência do colonizado, ja o o dissemos, umhca unifica o povo.
Por sua propria estrutura, com efeito, o colonialismo
sua própria colonialismo ée sepa­ sepa~
ratista ee regionalista.
regionalista. Não Nao contente
contente de constatar a existência existencia
de tribes,
tribos, o colonialismo
colonialismo reforca-as, diferencia-as. O
reforça-as, diferencia-as. 0 sistema
sistema
colonial nutre as chefias
colonial chefias e reativa as velhas confrarias confrarias mara- mara-

73
buticas.
búticas. A violência
violencia em sua prática eê totalizante,
sua pratica totalizante, nacional.
nacional.
Por
Por isso,
isso, comporta
comporta em sua intimidade
em sua intimidade aa liquidacao
liquidação dodo reqio-
regio­
nalismo ee do tribalismo. Também
nalismo Tambem os os partidos
partidos nacionalistas
nacionalistas
mostram-se particularmente impiedosos
mostram-se particularmente impiedosos com com osos caídes
caides ee osos
chefes costumeiros. A
chefes A liquidacao
liquidação dos dos caides
caídes e dos
dos chefes
chefes eé uma
condicao prévia
condição previa da
da unificacao
unificação do do povo.
povo.
Ao nível
nivel dos indivíduos,
individuos, a violencia
violência desintoxica. Desem­Desem-
baraca
baraça o o colono
colono dede seuseu complexo
complexo de Inferioridade, de
de inferioridade, de suas
suas
atitudes contemplativas
atitudes contemplativas ou ou desesperadas.
desesperadas. Torna-o intrepido, intrépido,
reabilita-o
reabilita-o aa seus
seus próprios
pr6prios olhos.
olhos. Mesmo
Mesmo que que aa luta
luta armada
armada
seja
seja simbolica,
simbólica, ee mesmo
mesmo que que seja
seja desmobilizado
desmobilizado por por uma
uma des-
des­
colonizacao rapida,
colonização rápida, o povopovo tem
tern tempo
tempo de de sese convencer de de que
que
libertação Ioi
aa libertacao foi o
o assunto
assunto de de todos
todos ee de cada um,
de cada um, o o lider
líder nao
não
tem merito
tern especial. )\,
mérito especial. yi9J~JJ..CiC1 ergue
A_ violência ergp~ o o povo
povo aà altura
altura do
lider
líder... Dai essa especie
Daí essa espécie de reticencia agressiva
de reticência agressiva comcom relação
relacao aà
-iii7lqllina protocolar que
"máquina protocolar que osos jovens
jovens governantes
governantes se se apressam
apressam
aa montar.
montar. Q~and(}
Quando participaram, na violência, violencia, da Iibertacao
libertação
nacional •...Cl~~lli~ss<ls
nacional, as massas não 11ao permitem que ninguém ninguem se apresente
coiiio-·Unoerfador"
como “libertador”... Mostram-se
Mostram-se ciumentas
ciumentas do do resultado
resultado de de sua
sua
a<;;ao ee abstêm-se
ação abstem-se de de confiar
confiar aa um um deus
deus vivo seu Future,
vivo seu seu
futuro, seu
destine,
destino, aa sorte da pátria.
sorte da patria. Totalmente
Totalmente irresponsaveis
irresponsáveis ontem,
ontem,
pretendem hoje tudo compreender
pretendem compreender e tudo decidir. Iluminada
violencia, a consciência
pela violência, consciencia do povo rebela-se contra tôda toda
pacificacao. Os demagogos, OS
pacificação. os oportunistas, os OS maqicos
mágicos en- en­
frentam daí
frentam dai em
em diante
diante umauma tarefa
tarefa dificil.
difícil. A praxis que
A praxis que as
as
lancou
lançou num num corpo~a~corpo desesperado confere
corpo-a-corpo desesperado confere as massas um
às massas um
g6sto voraz
gôsto voraz dodo concreto.
concreto. A empresa da
A emprêsa da mistificação
mistificacao torna-se,
torna-se,
aa longo prazo, praticamente
longo prazo, pràticamente impossivel
impossível..

74
Da Violência
Da Viol~ncia
no Contexto
no Contexto Internacional
Internacional

- A s s i n a l a m o s m u i t a s vêzes, nas páginas precedentes,


que nas ^qÍDes- S.uhdj£sanHeMdas>^Txesacaisãy-el..p.QJítico está
sempre q^vocando o povo ao comba%. Combate contra o co-
lOTialism^!cÓ'mbáte còiilra^a nrrséria e**õ sub dc sen volyim ento.
combate contra as tradições esterilizantes. O vocabulário que
utiliza em seus apélos_é um vocabulário He chefe dè Estado-
Maior: “Mobilização das massas”, frente da agricultura”,
" frente do analfabetismo”, “derrotas sofridas”, vitórias ah-
cançadas”. A jovem nação independente evolui durante os
primeiros anos numa'ãtmoísféra de canipó *de Batalha. E que
o" dirigente,„-palítico^ds...um.país..subdesenvolvido avalia com
assombro o caminho imenso que seu país deve percorrer. Ke-
cfWaraqsoVÕ élE F ^ H ^ T Im jãm o s os lombos e trabalhemos”.
O país, tenazmente dominada. pQ£ uma espécie de loucura
criadora, lança-sfcjnum. esfôrco gigantesco e desproporcionado.
ÇT*programa consistg, não, somente em sair do atraso mas em

75
75
alcancar
alcançar ~tr~~
as outras•. !!:§:.s;§g§.,
nações..com S<?..!!! ... 913. 1lle,ios disponíveis.
os .meios. ~i~p()niyeis. Preva­
Preva-
Tece a creiiçã~3e
lece crenca Cfe queque os os povos
povos europeus atingiram um
europeus atingiram um alto
alto
grau
grau dede desenvolvimento
desenvolvimento em em conseqiiencia
conseqüência de seus esforcos.
de seus esforços.
Provernos
Provemos entao
então ao mundo
mundo e a nos nós mesmos
mesmos que que somos
somos capa-
capa­
zes
zes de
de iguais
iguais realizacoes,
realizações, ::EsseÊsse modo modo de de colocar problems
colocar o problema
da evolucao dos
da evolução paises subdesenvolvidos
dos países subdesenvolvidos não nao nos
nos parece justo
parece justo
nem razoavel.z/
nem razoável.Jj

Os Estados europeus
Os Estados europeus construiram
construíram sua sua unidade nacional
unidade nacional
num memento
num momento em em que
que as as burguesias
burguesias nacionais
nacionais haviam
haviam con-
con­
centrado
centrado em suas maos
em suas mãos a maiermaior parte
parte das riquezas. Comer­
das riquezas. Corner-
ciantes
ciantes e artesãos,
artesaos, clérigos
cleriqos e banqueiros
banqueiros monopolizavam
monopolizavam no no
quadro nacional as Hnancas,
quadro nacional finanças, o comercio
comércio e as ciencias.
ciências. A bur-
A bur­
guesia representava a classe
guesia representava classe mais
mais dinamica, mais próspera.
dinâmica, mais prospera.
Sua ascensão
Sua ascensao ao ao poder
poder propiciou-lhe
propiciou-lhe empreender
empreender operacoes
operações
decisivas: industrializacao,
decisivas: industrialização^ incremento das
incremento das comunicacoes
comunicações e,
pouco depois,
pouco depois, busca
busca de mercados "ultramarines".
de mercados “ultramarinos”.
Na Europa, excetuando-se
Na Europa, excetuando-se uma uma ou ou outra
outra nuança
nuanca (a In- In­
glaterra, por exemplo,
glaterra, por exemplo, havia tornado uma
havia tomado uma certa
certa dianteira), os
dianteira), os
diferentes Estados,
diferentes Estados, no no momenta
momento em em que
que se
se realizava sua uni-
realizava sua uni­
dade nacional,
dade nacional, conheciam uma
conheciam uma situação
situacao econômica
econ6mica mais mais ouou
menos uniforme , Na
menos uniforme. verdade, nenhuma
Na verdade, nenhuma nacao, pelos carac­
nação, pelos carac-
teres
teres de seu desenvolvimento
de seu desenvolvimento e de evolução, ultrejeoe
sua evolucao,
de sua ultrajava as
as
outras.
outras.

Hoje,, a .. i.D_<;:t~Qenden_c;.i<;!.~~E~E:.lm:m.si£.i!.Q:..11£!,C:llm·e.L£C1_~
Jjqje, .. .ajndependênçia nacional, a formação nacional nas
regi6es subdesenvolvida,~ a.ss.11.mem.
regiões subdesenvolvidas assumem aspectos asp~Ct()s.totalmente novos. novos.
Nessasi.
Nassas s. iegToes~~excefiladas··
""· ' ' '
regíoMA“excètuâdas
•« ''''''"' ,,,, ,,.,,,.,,,, "'' ' ',,
alguinas
algumas
'''" ' •.
reaHza~oes.e
realizações
·•' ' '
..spetacula-
espetacula­
'
res,'os diversos
res,*'os d'iVersos paisesapresentam
países apresentam aa mesma mesma ausência
ausencia de de infra-
infra-
eSti'ufiTra:.'Af
esírufufa. Ãs massas rriassa,s lt!tani: lutam • contra
.~()ntra a mesmamesilla miséria,
miseri~, deba­deba-
tem-se com. ·c;;·
t~lii~~e·.-~i:>ri1 m~~~~os·
os mesmos g esios. ee . ddesenham
gestos eseii1iiim. com.„seus
c;Qm. 13.evs .. estôma-
est0ina;
colh.i.do.s,"'°''"ql.le.,,.~~.,p,§;q,\;;,,chfe!.m.il!'..,.£!e,,~,9'~!t~~·
gos-.encolhido&.Q.que^scpôde,chamar de geografia d a jo W .
flylundo do subdesenvolvido,
subdesenvolvido, mundo mundo de de miseria
misena ee uesumane.
desumano.
un.a;· também ~ei
Mundo -t~llii:J~ill· illifcticos';··5effi"eng·eril1efros·;·sem''adlliII{i~~
sem médicos, sem""engenheiros.' sem adminis?
tradores. Diante
tradores. Diante dêste deste mundo, mundo, as as nacoes
nações europeias
europeias espojam-se
espojam-se
na opulencia mais
na opulência mais ostensiva.
ostensiva. Essa Essa opulencia européia ée lite­
opulência europeia lite-
ralmente escandalosa porque
ralmente escandalosa porque foi foi cdificada
edificada sôbre sabre oo dorsodorso de de
escravos, nutriu-se do
escravos, nutriu-se do sangue sangue de de escravos,
escravos, procedeprecede em linha
em linha
reta do
reta do solo
solo ee do do subsolo
subsolo deste dêste mundomundo subdesenvolvido.
subdesenvolvido. O 0

76
bem-estar e o progresso
bem-estar progresso dada Europa
Europa foram
foram construidos com o
construídos com
suor
suor e o cadáver
cadaver dos
dos negros, arabes, Indios
negros, árabes, índios e amarelos.
amarelos. Con-
Con­
=em que
tém nao nos
que não esque<;;amos disto.
nos esqueçamos Quando um
disto. Quando pals colonia-
um país colonia­
Iista,
lista, coagido pelas reivindicacoes
coagido pelas reivindicações de de independência
independencia de uma
de uma
colonia, proclama
colônia, diante dos
proclama diante dos diriqentes nacionalistas:
dirigentes nacionalistas: "Se
“Se
querem a independência,
querem independencia, voltem a
ei-Ia, voltem
ei-la, à Idade
Idade Media",
Média”, o o
povo
povo recem-emancipado
recém-emancipado tende tende aa aquiescer
aquiescer ee aceitar o repto.
aceitar o repto.
E ve-se, efetivamente,
E vê-se, efetivamente, o o colonialismo
colonialismo retirar
retirar seus capitais ee
seus capitais
tecnicos
técnicos e estabelecer
estabelecer em t6rno tôrno d~.em~.ta~~g~
doJj»^mJ^tadxx.Jiia_jdispp-
sitivo de pressao
pressão econ.Qµi.ica
econômi(^al,M.•..:LA.~~~.,,g~)J.Qa
^ . i aitQíeose da indeoendênciã .

i·~~~~f;Ejec:i:g£er~~c;~~~¥n~c4~··~~~~~1·~g~~~~~~ !~n;~it~~~~~=
transforma-se em faaldição da inHependêncíâ. Por meios co-
lossais de coercão, a potência colonial condena0 ao retroces­
so
so aa jovem
jovem 11a.c,;ao.
nação. Na verdade, aa potencia
Na verdade, colonial diz:
potência colonial diz: “Já
"[a
qllF-quereffi' a
qué “querem a Independencia,
independência, tomem-na
tomem-na ee danem-se”.
danem-se". Nao

~~{~r:es;~a-!f?~~~Ei:;~;~se !l~~di~i~:~~~~~-~~~!~~cu;:~~-d~~s~~
resta então aos dirigentes nacionalistas ,autm,,r,ecurJs.o.,senão
voltar-se para seu povo e pedir-lhe um esforço grandioso.
Qes.§~S
Dêsses ho!lle.i::s.
homens fC\iJ:ii!lt()§ e:XiS~~~~ 1:1.1:11
famintos exige-se r~g:i!ll~ de aBsterid?ci~,
um regime austeridade,
desses musculos
dêsses atrofiados recla!llc:t~§e
músculos atrofiados reclama-se um um tra,J::ialho
trabalho d.espi:.o~
despr.o-

11 No atual
atual contexto intemacional
internacional o capitalismo
capitalismo nao não exerce oo bloqueio
bloqueio
economico
econômico exclusivamente
exclusivamente contra colonias africanas
contra as colônias africanas ou asiáticas.
asiaticas, Os
Estados
Estados Unidos, operacao anticastrista,
Unidos, com a operação anticastrista, inauguram
inauguram no hemisfério
hemisfcrio
americano
americano um um nôvonovo capítulo
capitulo da história
hist6ria da libertacao laboriosa do ho-
libertação laboriosa ho­
mem
mem.. A America Latina, formada
América Latina, formada de paísespaises independentes
independentes que tern
que têm
assento na ONU o n u e cunham
cunham moeda, deveriadeveria constituir
constituir uma ligao para
uma lição para a
Africa. Essas antigas
África. colonias, desde
antigas colônias, desde a libertaoao
libertação vêm vem suportando
suportando no
terror
terror ee na
na miseria
miséria aa lei
lei de
de bronze
bronze do capitalismo ocidental.
do capitalismo ocidental.
A libertacao
libertação da Africa desenvolvimento da consciencia
África e o desenvolvimento consciência dos
homens permitiram
permitiram que que os povos latino-americanos
Iatino-americanos acabassem
acabassem com a
velha danca das ditaduras
velha dança ditaduras em que que os regimes se sucediam sucediam mas não nfio
mudavam.
mudavam. Castro toma o poder poder em CubaCuba e o dá da ao povo. Esta heresia
ée recebida
recebida pelos ianques
ianques como uma calamidade nacional,
uma calamidade nacional, e os EstadosEstados
Unidos organizam
Unidos organizam brigadas anti-revolucionarias, forjam
brigadas anti-revolucionárias, forjam um um govemo
govêmo pro- pro­
vis6rio,
visório, incendeiam
incendeiam as colheitas
colheitas de cana, resolvem
resolvem enfim enfim estrangular
estrangular
impiedosamente o
impiedosamente o povo
povo cubano.
cubano. Mas isso sera
Mas isso será dificil
difícil., 0 povo cubano
O povo cubano
sofrera mas vencerá.
sofrerá vencera. O 0 Presidente
Presidente brasileiro Jânio [anio Quadros,
Quadros, numa numa de­ de-
claracao de importancia
claração hist6rica, acaba
importância histórica, acaba de afirmar
afirmar queque seu paispaís defen-
defen­
dera por
derá por todos os meios a Revolucao Cubana. Os Estados
Revolução Cubana. Estados Unidos tam­ tam-
bem recuarao talvez
bém recuarão talvez diante
diante dada vontade
vontade dosdos povos.
povos. Nesse
Nesse diadia nos
nos em-
em­
bandeiraremos, porque
bandeiraremos, porque será
sera umum dia decisivo para para os homens
homens e as mu- mu­
lheres do mundo
lheres mundo inteiro.
inteiro. 0O d6lar
dólar que, no fim de contas, só s6 ée garantido
garantido
pelos escravos espalhados
espalhados na superfieie
superfície do globo, nos poços pogos de petróleo
petr6leo
Oriente Medio,
do Oriente Médio, nas minas do Peru Peru ou do Congo, nas plantacoes plantações da
United
United Fruit Firestone, cessara
Fruit ou de Firestone, entao de dominar
cessará então dominar com todo o
seu poder
poder esses
êsses escravos que que o criaram
criaram ee queque continuam
continuam com a cabeca cabeça
vazia e o ventre
ventre vazio a alimentá-lo
alimenta-Io com sua substanoia.
substância.

77
porcionac;lo,.
poraonaclg.. ~B§.titui~s.e
Institui-se... U1Il reghn~ autárquico
um regime autarqujc() . e cada
cada Estado,
Estado,
~ pobres meios
com” os pobres meios de de que dispoe, trata
que dispõe, de responder
trata de responder àa
gr1urd~~lofile
graffde nacional, ·a:à ]jr~nde··
fome ",iiac16nat;· grande ·iniseda
miséria nacional. Assiste-se
nacional. _Ãssiste-se
àa··.111obilizac;ao
mobilização de de um
um povo que desde
povo que desde entao se esfalfa
então se esfalfa-e'-esg9~
e esgo­
ta· perante uma
ta uma Europa saciada e desdenhosa.
desdenhosa.

Outros países
paises do Terceiro Mundo recusam
recusam esta prova
prova e
aceitam
aceitam passar
passar pelas condições
condicoes da antiga potência
potencia tutelar.
Utilizando sua
sua posicao estrateqica, posicao
posição estratégica, posição que privilegia
que os privilegia

,tem-se^-OÇantiflp.
;e~~~~
na luta doSrblo co s ,~êss es-paíse SLxelebram acordos, copxp*©me-
~~-~Bg~~s-,~=~ed:r:i~=~~;::~;fu~~c:~~o~~~~~=;t
país domina íj.çv tran.sfonna_-sc. em foaís ccp-
~11lJ.~.'!~~~1?-_!~.~.~~':!l . . ."~~- .. J1..
(nómicamente dependente. A ex-potencia e:x-potência coloni~
colonial que mante­
gue mante-
v~ intactos, e as vezes
ve mtactos, vezes reforc;ou,
reiorçou, circuitos
circuitos cqmerciais
comerciais de. tipo
de tipo

~~:;~.~~a.1a
colonialista admite alimentar atrayés de pequenas injeções o

aquisição
££-:~l~~!]~a~~~iiai~£!:s····~~:~:.g~e~1:n~W-:·~
orçamento.jçJgT,jtiação
a~~~~a() __da i11d.~p~nd~11cia
in&ependeníe,., Vê-se, portanto,"“que”
independência PQl' por . P?.rte
parle do,9
dos pais~s
ii~·~
0 a
C:()l()l}iafo co;
países coloniais co­
loca.o
loca õ mundo diante de um Utn problema
problemg capital:
capital: a libertg<;;Ei,9
libertação na­ J.?,a~
eioriaLdps
cional dos.. pai!l~~.colonizados
países colonizados .patenteia ~.. toI!l'.L~~~
.patenreia ...g_toma mais i11~~£~r~
insupor-
tavel seu
tável se11 estado real. O _confronto ffundamental
0 -~gnfro11t9 t1l1~a.111.ental . que
qüe parecia
ser §
se~· o do '"c()'lorilallsmq
colonialismo e do anticol()nicilistr!o:
anticolonialismo, . ate. até nieslllo.
mesmo dó d.°
ca12.it.alism9
capitalismo .$ e... ,q()_
do ..9.9Sii211i.;s}J1Q,
socialismo, ,pgxdi perde,.. Jog.o
logo . .sua importância. ...Q
sua.imi?.91't.~11C:.!<;t.:, O
que conta
que hoje em
conta hoje em di,q.,,.Q.,pr().Q.1~£1.ii\
dia, o problema.. Sl1.l~ que .tr.~SCi.~ horizon~'~ eé a
traça o horizonte
necessidade _de de _um~ <fect'is!!il5tiiea(j'''CTas''rfq~ez~1'·
uma tredistribtíiçãò dâs riquezas. A,. À hiiniarii-
humani-
'cfis[~··.§91;5~:1igni:gg_9_~.c1~siric)r2riar;
daçfejjsg.b pena de se desmoronar, compete compete responder a essa
iX:dagac;ao.
indagação, '

1 111od() aeral
J De modo geral chegou~se
chegou-se a pensar que que chegara
chegara para o
mJID.do::_e
mnnHfT^... p.ar.t.klll~~t£:..pru:a..Jk,;:T~r_c;~~o J¥I11nc::i9, ac.i hora
parfiriila^eMg'pa'ra ^ Terreiro .._Miindo. ho:a. de
escolher entre o ^sistfima..capitalist^ e oisistema socialista. Os
=~I;l~-~~iibd~{e;~~~~it;~;:i~era
países subdesenvolykKs^.qüe"se valeram0~~~~~~~ 0~~\~~t~fe~~
'Ha competição feroz
existente en tie. OS'
existeiite entre ·aoi~.
os dois sistemassistemas para garantir o triunfo de
0 triunfo
sua luta de libertacao
sua nacional, des
libertação1 nacional, d 2gpsa§«ea»**e^sar usar insta»
insta-
l~E;:s~ nesta co1Ilpeti<;;~9·
lar-se competição. Não ~a?. de':'e
deve (^ T crceiro MujíMq o contg11;
çonten-
t<:~~s~ com definir-se .~.m
tar-se C:£.~~-q~fii;i,i.r:'.§.e em .tda.c;ao.
relação ·a a va valores"
·. .n~ o a,;nt~i::~c::ig~
que
A
antecede­
reE~: ~.Q,s:g_11!E~f.i<),
ram. Ao contrário, _,<ley~gi
devem__Q:§ R5:1ise;; . . subdesenvolvidos
os•• países ~;µbq~sepy9lyidos ...~.sf9i;~
esfor-
car-se
çar-se por dar a_ à luz valores Slll~
l11z . ':'.a.lores que. . lhes sejam sejam. proprios, 1Ileto~
próprios, méto-
dos . e um "esfilo quElhes
Tsiilò quê se} am .. especificos\'O.
lhes sejam específicos^O problema problema . con­
c~n~
creto diante do qual qual nos achamos achamos não nfio eé o 6 dá
da escolha custe o
escolha custe 0
que
que custar entre o socialismo
socialismo e o capitalismo,
capitalismo, nos moldes moldes em

78
que foram
que forarn definidos
definldos por
por homens
homens de de continentes
continentes ee épocas epocas di- di­
Ierentes, Sabemos,
ferentes. Sabemos, ée certo,
certo, que
que oo regime
regime capitalista,
capitalista, quanto quanto
ao modo
ao rnodo dede vida,
vida, não
nao pode
pode permitir-nos
permitir-nos cumprir cumprir nossanossa tare­tare-
fa nacional
fa nacional ee universal.
universal. AA exploração
exploracao capitalista,
capitalista, os os trustes
trustes ee
os monopólios
os monopolies são sao os
os inimigos
inirnigos dosdos países
paises subdesenvolvidos.
subdesenvolvidos,
compensacao,
Em compensação, a es~olha. ~e... .Ym . i;~,gim.·e. ~~9.Ci<i!J.i,§1,a,
escolha de um regime socialista, de de: um
um
vo1f~4Q~.rpara
regime inteiramente voltado .~r;a . o,' conjunto de>
o4.i;C>lli1:t11to pov:~. basea­
do pav$, basea-
do no princípio homem ée o0 bem
principio de que o0 homem belll mais
Illaispr1 eCi()S()1 per-
precioso, per,.,
rn;Itit~nos-a fr
mitir-nòs-á ma_is depte;ssa,
ir mais depressa, .. mais harmoniosame:n!e:,. tornan­
msis. harmoniosamente, toman«
do de
do de fato
fato impossível
impossivel essa
essa caricatura
caricatura de de sociedade
sociedade em em que que
alguns detêm
alguns detem todos
todos os podêres economicos ee políticos
poderes econômicos politicos çonj com
prejuizo da totalidade nacional,
prejuízo nacional.

Mas', para que


Mas ql!e êsse
esse regime
regime 'ppossa ossa funcionar
fu:qi;:jg11ar de d.e:' modo
mQQO vá­ va-
lido, pari
lido, qiie --possarnos
p~ra· que possamos aa'Ttodo o
odo o 'ffiornento
momento respeitarrespeitar os prin-
os prin­
dpios em
cípios em que que nos
nos inspiramos,
inspiramos, temos temos _ necessidade
riecessidade de de .outra
outra
ci?,_i§CJ: além
coisa al_~n;-~?._il:lYe.s!i111ent9
do investimento . .h11.giane>:
humano. Certos Cert()S países ?_1:1~cle:R11-
p(lise_s subdesen­
".:olvicfos_ evidenciam
volvidos eviaencimn nessaness? ,.cdirçção Ym.ssf9J:<;Q
:lir,i~,s;~Q. um esifôrço .. ç.olps§at
c:oloss;;il H o­ o-
mens ee mulheres,
mens mulheres, moços
mocos ee velhos,
velhos, empenham-se
empenham-se com entusias­ entusias-
mo num
mo num verdadeiro
verdadeiro trabalho
trabalho forçado forcado .ee proclamam-se
proclamam-se escra­ escrci,-
vos da nação. nacao. O O,,ggm
dom__de ge; si e~~JlP,,!.~~9'
o desprêzo.JJ.Q£.~9.:£it.PEe~S.
por toda preocupação Yl2.'l,$iig
qti'e::.nao
que não .. seja
seja.coletiva"dao.
coletiva dão,.orig.origem e~_aa __-uma
uma~uto.taL:!1acJ01lal
moial.nacional .... que que:
reconforta oo homem,
reconforta homem, lhe lhe restituí
restitui aa confiança
confiains;a no no destino
destino do do
mu'ndte ·desarma
mun_do_e c:r;sar~a- os
~s ', observadores
c';bs~i\'.adore~ mais ~~;~--~~F~~~tes: Acredifa-
reticentes. Acredita­
mos, por~~:-qi:;~·· tar~~£6~~-; ·;;:~~--pod~r·fl-pr ossegufr
m"Os~- porém, que tal esforço não poderá prosseguir por 0 por muito
muito
tern po nesse
tempo nesse ritmo
ritmo infernal.
infernal. iÊsses ::Esses jovens
jovens países paises resolveram
resolveram
aceitar oo desafio
aceitar desafio após
ap6s aa retirada
retirada incondicional
incondicional do do ex-país
ex-pais co­ co-
lonial. O
lonial. 0 país
pais sese reencontra
reencontra entre entre as as mãos
macs da da nova
nova equipeequipe
mas na
mas na realidade
realidade ée preciso
preciso retomar
retomar tudo, tudo, repensar
repensar tudo. tudo. O 0
sistema colonial,
sistema colonial, com ef eito, interessava-se
corn efeito, interessava-sc por por certas
certas riquezas,
riquezas,
por certos
por certos recursos,
recurses, precisamente
precisamente aquêles aqueles que que lhelhe alimenta­
alimenta-
vam as
vam as indústrias.
industrias. Nenhum
Nenhum balanço balance sério serio fôra fora feito
feito até ate ao ao
presente, do
presente, do solo
solo ou
ou do do subsolo.
subsolo. Além Alem disso,..ja
disso,,,Jtjovem jovem nação nacao
independente vê-se obrigada a continuar os râçuH^~econÒ-
-~1~~e:~tt~1bte1e~fci6~,~~f~B¥~i1~~·:~~~iir~1;-p~J~~crl~5i~~fe~~
micos estabelecidos pelo regime colonial. Pode, com certeza,
exp?~tar para
exportar para outros
outros países,
paises, parapap:i outrasoutras zonas
zonas monetárias,
mo.n~t!lria,.s, .lmas !la~
aa "base
base de de suas
suas exportações
exportacoes não nao se se modifica
modifica fundamentalmen­
fundatnentahne,ri-
t~_: .O
te. Q Eeg:ime_ colonial cristalizou
regime colonial criptaliz9u circuitos,
dJ:Cllitos, 'c<;°_aa nação
na<;ao ée"obilga~
obriga­
da, sob
da, sob penapena de de sofrer
sofrer uma uma catástrofe,,
catastrofe, aa mantê-los.
mante-los, Talvez Talvez
conviesse recomeçar
conviesse recomecar tudo,tudo, alterar
alterar aa natureza
natureza das das exportações
exportacoes

79
79
ee nao
■ apenas o seu
não apenas seu destino, destine, reinterrogar reinterrogar o solo, o subsolo,
subsolo, os
rios e -— por
rios par que que nao? não? — - o o sol. Ora, para
sol. Ora, tanto precisa-se
para tanto precisa-se de de
alguma coisa
alguma coisa mais mais que que investimento investimento humano. humano. Precisa-se
Precisa-se de de
capitals,
capitais, de de técnicos, tecnicos, de de engenheiros,engenheiros, de mecânicos etc.
de mecanicos etc. .. .. Di-
Di­
gamo-lo: acreditamos
gamo-lo: acreditamos que que o esforco colossal
o esforço colossal aa queque os diriqen-
os dirigen­
tes convidam OS
tes .convidam os pOVOS povos subdesenvolvidos subdesenvolvidos não nao prcduzira
produzirá OS os re-
re­
sultados esperados. S~ Se não nao. se . modificarem lllodifica.r~lll. C\S condis;oes . de
as ..condições de
trabalho,
trabalho, serão serao necessários neces~~rios seculos séculos para
para hu~nanizar
humanizar este este mu~-
mun­
d~-fornado·'anlmaCpefas
do tornado
,._-~;;;
animal .•pelas
... ""'-·C,,...,..•"•"~«•·~.,,.....,,_..,....,.,,:~-,,,.~,·,{.,~,-,,;
£6rc;;:as
fôrças i11l!JeriaHsta&.
••;._,~o.."-<'""'''"""""'"-*'·'~'"' ..
imperialistas.22 · · · ·
""''°'k"'1"~''-''''"''~''I"·;,-- ,,,..,.,,,,~,.,,,,.,\.,-;,_>)C•1•.,,",e~:-~
· · •

~ A v~rdad;.
verdade e S\l~}i.~g,
é . . . gue cigY~!Jl9§".as;~1tsir
n ã o , devemos aceitar•.~~§.§2§ \;;QQgf.s;£Li;;g,
essas.••condicões.
T.£m~.~JrQ-:~£.i±~:~i;:·:s~t~£9.xts:ciipegtg.
T7emos“3e*rêcusar categoricamente C!.~i.ilf.cic;;:.&p
a situação. • ci.qug.119~
a que, nos querem
querem

,~~~J;~~-~e~:la~C1~tf11e~sf:~~~~~
condenar os países ocidentais. O içolonialismy e o^ímperiaTiS^
^mo não esfcao quites conosco por ~o~~~::~~~t:d~'ial~~~~
lèfiem netirado de nossõs1~~
territ6rios
territórios suas bandeiras ee suas
suas bandeiras suas Iorcas
fôrças policiais,
policiais. Durante
Durante se- sé­
culos
culos os capitalistas comportaram-se
os capitalistas comportaram-se no no mundo subdesenvol-
mundo subdesenvol­
como verdadeiros criminosos
vido como criminosos de guerra. ~.~~£!5!:~5-2~~1
guerra: As deportações,
os
os massacres,
massacres, o o trabalh()forc;;:ado,
trabalho forçado, a a escr(lvid?o forma os
escravidão forma os pri11~
prin­
cip~i()s
cipais meios ·:e:1llpr~]a'd()~·~j)e1o'~C,a)JitC1l!~·ip~'j)ara.
empregados pelo' capitalismo para C!ume~t?r 'sUas
aumentar’suas

;~~:~~r~~~~K~~.~~~~:i ~~~=~i~~~5Ei1~~r6riito~r·~·· ~~~lid!~~


reservas de "ouro e diamante, suas riquezas, e para firmar seu
podSigpH Srpouco'tem po o nazismo transformou a totalidade
d8:'':E:U"ropa em verdadeira colonia. Os governos das diferen-
dá Europa em verdadeira colônia. Os governos das diferen­
tes nacoes
tes nações europeias exigiram reparacoes
européias exigiram reparações e reclamaram
reclamaram a res­
res-
tituicao
tituição em em dinheiro
dinheiro ee em
em generos
gêneros das riquezas que
das riquezas que lhes
Ihes ti­
ti-
nham sido
sido roubadas: obrasobras culturais, quadros,
quadros, esculturas, vi­
vi-
trais for
trais am devolvidos
foram devolvidos aa seus
seus proprietários.
proprietaries. Na boca dos
Na bôea eu-
dos eu­
ropeus,
ropeus, logo
logo em seguida aa 1945,
em seguida uma única
1945, uma (mica frase:
frase: "A Alema-
“A Alema­
nha pagará”.
nha paqara". Por Par seu turno, o
seu turno, o Sr. Adenauer, no
Sr. Adenauer, no momento
momento emem
que sese iniciava
iniciava o processo'
processo Eichmann,
Eichmann, pediu mais uma vez,
em name
nome do povo povo alemao,
alemão, perdao
perdão ao a,o povo judeu.
judeu. 0O Sr. Ade-
Ade­
nauer renovou o
nauer renovou o compromisso
compromisso de de seu
seu pals de pagar
país de ao E
pagar ao Es-

tado de
tado de Israel
Israel as
as somas enormes que
somas enormes que devem
devem servir de com-
servir de com­
pensacao
pensação aos aos crimes nazistas..33
crimes nazistas
Certos países
2 Certos
2 paises favorecidos
favorecidos por
por umum povoamento europeu importante
povoamento europeu importante
chegam a
chegam à independência
independencla com muros
muros e avenidas
avenidas e 'tendem
tendem a esquecer
esquecer
o interior
o interior miseravel
miserável e faminto. Ironia da
faminto. Ironia sorte: por
da sorte: por uma especie de
uma espécie
silencio cumplice,
silêncio cúmplice, comportam-se
comportam-se como se sua sua cidade
cidade fOsse
fôsse contempo-
contempo­
ranea
rânea da independencia.
da independência.
3
3 E Ê verdade
verdade que Alemanha nao
que a Alemanha não reparou
reparou integralmente
integralmente os crimes
crimes de
guerra.
guerra. As indenizacoes
indenizações impostas nacao vencida
impostas à nação vencida nao a
foram reclama-
não foram reclama­
das
das nana totalidade
totalidade porque
porque as nacoes
nações prejudicadas
prejudicadas incluiram
incluíram a Alemanha
Alemanha

80
80
&
Igualmente dizemos
Igualmente dizemos que que~s Estados imperialistas
os Estados imperialistas come­ C()ll1:~-
tsE!~~-~P..
teriam umJl~':lY~. grave êrro ~FF9.,.e~ uma ig)11.s.tis;,a inqualificável
!J.11.1?.: injustiça .ingualificavd se si .seiw . .con­
~9ii-
tentassem em
tentassem em retirarretirar jde de nosso'
.nosso solo solo as as coortes
coortes militares,
militares, ps os
"sefYl&Q§::~~s{tiii'
êrvlçps administrativos ~i~J~~tivos -~e de ?~ 'intendência
i~.ten~focia cuja cu j ~ função
funs;~~',~era ;~ des- d~s-
Gpbrir r!g11e.zas, extraí-las
q;iJ)i;Ji; riquezas, eifo:iJ,. J~s ee.e](pec:l1,..fos
expedi-las para .para as as metrópoles.
.metr6p9les. A 'A,.
reparas;a? moral
reparação . mo:.~I da-independê-ncia-nacional
.da,~d~pe1H.l·e~ci:a·"3:'1:.\tcioJ:]:~tLnao.' não-nos..nos_,cega,
,cega, ...nãoJ;JaO
(~~~~~.
■nossa 1~~;~~}~~;.,.~~ ~!i~~~~;t~~;~~'~lf~~~i~~:·p.~q-~
nos-..alimé3at a r A : xiqueza dos países imperialistas é tambiái
riquezjfTlNío plano do8 universal, esta afirmação, é de
pre~su!ffi'f';~·nao
presumir, hão pretende pretende absolutamente
absolutamente significar significar que que nos nos sen­ sen-
timos tocados
timos tocados pelas pelas criaçõescriacoes da da técnica
tecnica ou ou das
das artes
artes ociden­
ociden-
tais. Bastante
tais, Bastante concretamente concretamente aa Europa Europa inchou inchou de de maneira
maneira des­ des-
medida com
medida com oo ouro ouro ee as as matérias-primas
materias-primas dos dos países
paises coloniais:
coloniais:
America Latina,
América Latina, China, China, África. Africa. De De todostodos êssesesses continentes,
continentes,
perante os
perante os quais guais aa Europa Europa hoje hoje ergueergue sua sua tôrre
t6rre opulenta,
opulenta,
partern, há
partem, ha séculos, seculos, em em direção
dir·e·s;ao aa esta esta. mesma
mesma Europa Europa os os dia­ dia-

p~.~~,
~~:;.~§~<>~6fi~~~I~.
produtos exóticos! '"""'A
·:!pd:. ~~1ft~.· ~~r~~~£~·· [~2r~a~~~:<l6·1'e~'~1
mantes e o petróleft^a^sêda je o alaodao, as madeiras e os
·'Europa
''eu. . .. é literalmente ä criação do Ter-}I
as·que
° .. );-
<ce ro Mundo^As riquezas'qíue' aa sufocam fi(i'ueZas''''que suf6C.:ari:i· são
sari as que" foram fd?a'm
:ttit,,,.,·1i,1"' . ·

~eir2 }'vii:ndo;) As
roubadas aos
roubadas aos povos povos subdesenvolvidos.
subdesenvolvidos. Os Os portos
portos da da Holan­
Holan-
da, Liverpool,
da, Liverpool. as as docas
docas de de Bordéus
Bordeus ee de de Liverpool
Liverpool especiali­especiali-
zadas no'
zadas no tráfico
trafico dos dos negrosnegros devem devem seu seu renome
renome aos aos milhões
milhoes de de
escravos deportados.
escravos deportados. EE quando quando ouvimos ouvimos um um chefe
chefe de de Estado
Estado
europeu declarar
europeu declarar compungido compungido que que lhe lhe cumpre
cumpre vir vir em em auxílio
auxilio
dos infelizes
dos infelizes povos, povos subdesenvolvidos,
subdesenvolvidos, não nao estremecemos
estremecemos de de

l
i
reconhecimento, Pelo
reconhecimento. Pelo contrário,
contrario, dizemos dizemos para para nósnos mesmos:
mesmos: “é "e
uma justa
uma justa reparação reparacao que que nos nos vai vai serser feita”.
feita". TT..,g___mpouco
ampouco acei­ acei-
te.re._111os que
taremos que aa ajuda aos aos_p_aise~~s.11!?_s!. ~§~n,y2!yi_s{g_s..3.e.Ja
países, subdesenvolvidos seja um um "pro­ pro-
grama ae·
grama de ··'"Irmas ·:rrmas de (I~ caridade”.
£i.lhc:lacle",• Essa Essa ajuda ajJ.lc:lac:l~.
deve }ri'.:§~i~:iol:·:s9n::
ser a con-

r em seu
em seu sistema
sistema defensivo,
defensivo, anticomunista.
anticomunista. ÉE essaessa preocupação
preocupacao permanen­
permanen-
te que
te que anima
anima osos países
paises colonialistas
colonialistas quando
quando tentam
tentam obter
obter de
de suas
suas an­
an-
colonias, já
tigas colônias, ja que nãonao podem inseri-las
Inseri-las no sistema
sistema ocidental,
ocidental, bases
bases
enclaves. Êles
militares e enclaves. Eles decidiram
decidiram por unanimidade
unanimidade esquecer
esquecer as pró­pro-
prias reivindicações
prias reivindicacoes em em nome
name da da estratégia
estrategia dada oOTAN, em nome
t a n , em name do do mun­
mun-
do livre. E E vimos a Alemanha
Alemanha receber vagas sucessivas de dólares d6lares e
maquinas , Uma
máquinas. Uma Alemanha
Alemanha reerguida,
reerguida, forte
forte ee poderosa
poderosa era era uma
uma neces­
neces-
sidade para
sidade para oo campo
campo ocidental.
ocidental. O 0 interesse
interesse bem
bem compreendido
compreendido da da cha­
cha-
mada Europa
mada Europa livre
livre queria
queria uma
uma Alemanha
Alemanha próspera,
prospera, reconstruída
reconstruida ee capaz
capaz
servir de primeiro obstáculo
de servir obstaculo às as eventuais
eventuais hordas
hordas vermelhas.
vermelhas. A Ale­ Ale-
manha aproveitou
manha aproveitou maravilhosamente
maravilhosamente aa crise crise européia.
europeia . Por
Por isso,
isso, os
os Es­
Es-
tados Unidos
Unidos e os Estados
Estados europeus experimentam
experimentam legítima
legitima amargura
amargura
diante dessa
diante dessa Alemanha,
Alemanha, ontemontem ajoelhada,
ajoelhada, que que lhes
lhes move
move hoje
hoje nono mer­
mer-
cado econômico
cado economico uma uma concorrência
concorrencia implacável.
implacavel.

81
~,;'/''~:···: .. ,­··•. ·: . ..,,,,, ..... ,.,,,.,·.··:o:c::.­·:·:.·,,~:i,

s~E2.£_4~_ttma
sagração de uma duplasltipla^\tC:~.C1cl.a.
ttomada de
de conscienci?,
.............. . . - ' '
consciênci^, tomada de
lhes; ee deiiido
. - _ - . j,
consciencia
consciência pelos colonizaaos de.
pelos colonizados de que isso lhes,
que isso devido ee
p"elcis
pelas pote11cicis
potências capitalistas de que efetivamente efetiVB;JI1ente eleselas deoem
devem
pag­az:.;
pagar.'4• Se,
Se, por faJfa de.
por falta de inteligencia
inteligência — - naonão Ialemos
falemos de de inqra-
ingra-
tidaO
tidao -— os paises capitalistas
os países capitalistas se recusassem aa pagar,
se recusassem pagar, então
entao
aa dialetica
aiaietica implacavel
implacável de de seu
seu pr6prio
próprio sistema sistema encarreqar-se-ia
encarregar-se-ia
de
de osos asfixiar.
asfixiar. As As [ovens
jovens nacoes,
nações, e hem verdade,
é ,bem verdade, atraematraem
poucos capitais privados.
poucos capitais privados. Múltiplas
Multiplas razoes legitimam ee expli­
razões legitimam expli-
cam
cam estaesta reserva
reserva dosdos monopólios.
monopolies. Logo Logo que· que os os capitalistas
capitalistas
sabem,
sabem, e e sao
são evidentemente
evidentemente os primeiros aa saber,
os primeiros que seu
saber, que seu go- go~
verno
vêrno se se prepara
prepara parapara descolonizar,
descolonizar, dão-se dao-se pressa
pressa em retirar
em retirar
da
da colonia
colônia aa totalidade
totalidade de de seus
seus capitals. capitais. A A fuga espetacular
fuga espetacular
dos capitais
dos capitals ée umum dos
dos ffenômenos
en6menos mais mais constantes
constantes da da des
desco­ co-
[onizacao,
lonização.
As companhias particulares,
As companhias particulares, para investir nos
para investir nos paises
países in­ in-
dependentes,
dependentes, exigemexigem condicoes
condições que que se revelam, àa luz
se revelam, luz dada ex- ex­
periencia, inaceitáveis
periência, inaceitaveis ou ou irrealizáveis.
irrealizaveis. Fiéis Fieis ao principio da
ao princípio da
rentabilidade imediata, que
rentabilidade imediata, que e é 0o dêles, deles, tão tao logo
logo vãovao para
para o "ul-
0 “ul­
tramar",
tramar”, os os capitalistas
capitalistas mostram-sc
mostram-se reticentes reticentes acercaacêrca de de todo
todo
investimento
investimento aa longo prazo. Sao refratarios ee muitas vêzes
São refratários vezes
francamente
francamente hostis hostis aos
aos pretenses
pretensos programas programas de de planificacao
planificação
das
das jovens
jovens equipes
equipes que estao no
que estão no poder.poder. Em rigor, aquies.ce-
Em rigor, aquiesce-
ceriam de
ceriam de born grado aa emprestar
bom grado emprestar o o dinheiro
dinheiro aos aos novos Esta-
novos Esta­
dos,
dos, mas
mas comcom aa condicao
condição de de que que esse êsse dinheiro servisse para
dinheiro servisse para
comprar
comprar produtos manufaturados, maquinas
produtos manufaturados, máquinas e, conseqiiente-
e, conseqüente­
mente,
mente, para fazer girar
para fazer girar as Iabricas da
as fábricas da metr6pole.
metrópole.
De fato, aa desconfianca
De fato, desconfiança dos dos grupos financeiros ociden­
grupos financeiros ociden-
tais
tais explica-se
explica-se pelopelo cuidado
cuidado que que: tern têm em em 1nao
inão assumir nenhum
assumir nenhum
risco. Ademais, exigem
risco. Ademais, exigem umauma estabilidade
estabilidade política politica ee um clima
um clima
social
social sereno,
sereno, impossiveis
impossíveis de de obter
obter se se se tern em
se tem em conta
conta aa situa-
situa­
ção lamentavel
<;;ao lamentável da população
populacao global logo logo depois
depois da da indepen-
4 "Distinguir
“Distinguir radicalmente
radicalmente aa edificacao
edificação do
do socialismo na na Europa
Europa dasdas
'ligac;6es Terceiro .Mundo'
‘ligações com o Terceiro Mundo’ ((como
como se com este
êste s6
só tivessemos re-
tivéssemos re­
lacoes de exterioridade)
lações e,
exterioridade) é, conscientemente
conscientemente ouOU não,
nao, dar
dar 0o paSSO
passo para
para
a arrumacao
arrumação da herança
heranca colonial à margem a
margem da libertação
libertacao dos países
paises
subdesenvolvidos, e
subdesenvolvidos, é quererquerer construir
construir um
um socialismo
socialismo dede luxo
luxo s6bre
sôbre osos
rapina imperial
frutos da rapina imperial -— como se, no interior uma quadrilha,
interior de uma quadrilha, se
f6sse repartir
fôsse repartir mais ou menos equitativamente
equitativamente o saque,
saque, sós6 som o incon­
incon-
veniente de ter que
veniente que distribuir
distribuir um
um pouco dêle
dele aos pobres
pobres sob a forma
de boas obras, esquecendo
esquecendo que eles é que
que êles que foram e
foram roubados". Marcel
roubados”. Mareei
Peju:
Péju: "Mourir
“Mourir pour Gaulle?", artigo
pour de Gaulle?”, publicado em Temps
artigo publicado Temps Modernes,
Modernes,
n.?
n.° 175-176, outubro-novembro
outubro-novembro de 1960.

82
dencia. Entao,
dência. Então, emem busca
busca dessa
dessa garantia
garantia que
que a antiga
antiga colonia
colônia
nao pode
não assegurar, impõem
pode assegurar, imp6em a manutenção
manutencao de de certas
certas guarni~
guarni­
c;6es ou
ções ou a entrada do jovem
entrada do jovem Estado
Estado nos
nos pactos econ6micos ou
pactos econômicos ou
militares. As
militares. companhias privadas
As companhias fazem pressão
privadas fazem pressao s6bre
sôbre seu
pr6prio governo
próprio governo para que, pelo
para que, menos, se instalem
pelo menos, bases mi-
instalem bases mi­
litares nesses
litares nesses paises com a missao
países com missão de proteger os interesses
de proteger interesses
das ditas
das companhias. Em
ditas companhias. Em ultima instancia, solicitam
última instância, solicitam a seuseu
governo que
governo que lhes garanta os investimentos
lhes garanta investimentos que elas decidem
que elas decidem
em tal
Iazer 'em
fazer tal ou qual região
reqiao subdesenvolvida.
subdesenvolvida.
Ocorre que poucos países
paises atendem às as condições
condicoes exiqi-
exigi­
das pelos trustes e monopolies.
monopólios. Deste
Dêste modo, os capitais,
capitals, des-
des­
providos de mercados
mercados sequros,
seguros, ficam bloqueados na Europa
Europa e
imobilizam-se. Imobilizam-se tanto mais quanto os .capitalis-
rmohilizam-se, .capitalis­
tas se negam a investir em seu próprio
proprio território.
territorio. A rentabi-
rentabi­
lidade em tal caso é,
lictade e, com ef eito, irrisória
efeito, irris6ria e o controle fiscal
desespera os mais audaciosos.
audaciosos.
A situacao
situação é, e, a longo prazo, catastrófica.
catastr6fica. Os capitais já
ja
nao circuJam
não circulam OU veem sua
ou vêem sua circulação
circulacao consideravelmente dirni-
consideràvelmente dimi­
nuida, Os bancos
nuída. bancos suicos
suíços recusam os capitals,
capitais, a Europa su­
su-
foca. Malgrado as somas enormes enorrnes absorvidas nas despesas
militates, o ,S<:!Pi!CJ.li.smo
militares, Internacional esta
capitalismo internacional está em apuros.
apurn:s.

Mas
M as um outro perigo o ameaça. ameaca, De fato, na medida em
cnie o Terceiro Mundo íÓi^BãnHonado <:e condenado
que 5?..'J:'<:~feir~C£.Nmtu'.§'Jor~a])ancT§~CJ.4o c.ondena·4c>··~·r~~re~~
à regres­
~~cJ, em todo o caso
são, cas9 àc1 >eS,tggpac;ao,
estagnação,, pelo ggqismo egoísmo ~e peJa
pela imo­itl19~
ralidade das nacoes
nações ocidentais,
ocidentais, os povos . subdese11volvid()s
subdesenvolvidos .de~ de­
liberarão
liJ?.~:c:r"~9 evoluir ~m .
E'.Yoltiit. em autarquia
<ltitc:irqtii.il: coletiva.
\:'.91~tix9, As ~)~iden~
indústrias, .. ociden-
AS,Jpdfts,t~J'!~
~ai~· ·ye-r~se~ao
taiiT ver-se-ão rapidamente privadas de S,egs seus mercados ultra~ ultra­
madnos. As máquinas
marinos. maquinas amontoar-se-ao
amontoar-se-ão nos entrepostos e, no
mercad6 europeu, desenrolar-se-a
mercado desenrolar-se-á uma luta inexoravel inexorável entre
os grupos financeiros e os trustes. F~charnento Fechamento de Iabricas,
de fábricas,
a9gndono do trabalho e desemprêgo
abandono d~s~rnJJ~.e~q · levarão
levarao o proletariado
e'riropeu a iniciar uma luta aberta contra o
europeu 0 regime capitalista.
'Qs, monopolies perceberao entao
'Os monopolios perceberão então! que seu ipti:#sse hew so.m~
interesse bem com­
preen di~() . .
preendido consiste ~tll.Clj!JqgJ:; e (ljgqqr . maCi<;;§ltl1el).t~ . ~ ..sem
em ajudar..e.. ajudar maciçamente e s~m
<lemasiadas· cond'ic;oes
demasiadas condições os o.s países
paises subdesenvolvidos. \Tellios
subdesenvolvidos.. Vemos
que as jovens nacoes nações do Terceiro Mundo estão estaa' erradas em
.fazer
fazer um sorriso amavel amável para os países paises capitalistas. Somos

83
poderosos de
poderosos pleno direito
de pleno direito e em razao da
em razão da justeza
justeza de nossas
de nossas
posicoes.
posições. Devemos,Devemos, pelo contrario, dizer
pelo contrário, dizer e explicar aos países
explicar aos paises
capit.cilis.!.Cl.§-~crl!e, .. 2~£fi'>21Im:~:fiU:Lct?:m'mt~l'.!:.t~'.::~rf§<;:~
capitalistas'"que o"^roHema~fundamental da época sO'rffelli[?~ contempo­
rânea não
ranea nao ,,t.,,~
é a . JL!:le,r.r,~
guerra entree,~Er.5~.. 9o Ee,giroe,
regime . . socialista ~Je~,. IJ,r,~e
§0('.i§!lista ... e . êles. Urge
Par
põrTim**ãr guerra fria
£1m .a essa ~uerra frja queque nao conduz <:l.
nao conduz a parte
parte alguma, ci!gl:11n.~,
SU.Star• os
sustar OS preparativos
preparatiV~S .cfe nudearizac;;ao .·do
de nuclearização do mtlll~()',
mundo, iny'esfir investir
geserosamente e ..fill:ii}]ief
g~OS'a~ll!L.~ auxiliar .. t~S~:is.~.~e,~te,
tecnicamente as ".!:§. regiões §Y:§9l';§¢J1~
re,g!~e,~ . subdesen-
volvidas. A
volvidas. A sorte do .m undo •.d~Ilende. d..a
mund.Q.-denende da . sólujjão.
so.lw,;,ao••que ~.e.. d:g,L.a.
qJ.te.. ág.der_a.
esserobrema:----··--
êsse J?proEIema.
;...o •••••••······'

E não
E nao tentem
tentem os OS regimes
regimes capitalistas
capitalistas interessar
interessar OSos regimes
regimes
socialistas na
socialistas na “sorte
"sorte da da Europa"
Europa" diante
diante das
das multidoes
multidões de de: côr
c6r
e famintas.
famintas. 0 O feito
feito do Comandante Gagarin, a despeito do do
General de Gaulle,
General Gaulle, naonão ée uma vit6ria que
uma vitória que faz “honra a
faz "honra Eu-
à Eu­
ropa". De algum
algum tempo
tempo para ,cáca os chefes
chef es de Estado
Estado dos
dos reqi-
regi­
mes capitalistas e os homens homens de cultura vern vêm manifestando
relação a
com relacao Llniao Sovietica
à União Soviética uma
uma atitude ambivalente.
ambivalente. De-De­
pois de
pois de terem
terem coligado
coligado todas
tõdas as suas
suas forcas para aniquilar
fôrças para aniquilar o o
regime socialista,
regime socialista, compreendem
compreendem agora que que eé necessario
necessário contar
contar
com ele. Entao Iazem-se
êle. Então fazem-se amaveis, multiplicam as manobras
amáveis, multiplicam
de sedução
de seducao e lembram
lembram constantemente
constantemente ao povo
povo sovietico
soviético que
ele "pertence àa Europa”.
êle "pertence Europa".
Tratando o Terceiro Mundo
Tratando Mundo comocomo se se êste
este Iosse
fôsse uma uma mare
maré
que ameaçasse
que ameacasse submergir submergir toda
tôda aa Europa, nao não sese Icqrara
logrará di- di­
vidir as fôrças progressistas qye pretendem conduzir a hu­
=~~id:~:o;~::
manidade para ~r~~l:~:~~~:~ a felicidade. ~T.~:::~~d~~~~~~:~r.
Cr Terceiro Mundo não deseja ;es:~:
organizar uma. uma i,mensa
imensa .sruzcicl<t
cruzada dasl~J~1Ilg contra .!oq<i,,
fome (:()p.trci tôda a.;i.J~y.ro~
Euro-
pa:-t}que'€1e""espera"'(J~iq'u'eles'
paTTXque êle espera daqueles que que' o
ci''ma~tiver~m
mantiveram 'durante
durante se- sé­
cufos ·c;···~J'u(l~Ui· ·~··;:~~16iH1:a~ . • h§~etii:.
na escravidão é que o ajudem a reabilitar ?
culos nEtescr~yi"CI~o"'~···;rn~ o . . homem, a
fazer ..~iunfar,,
;~~~:
todas. ^
~).19.wici.,.E2Ej<?q.;i.,· ..~. . E~s.te,L. .d~::l!!i<l. . .Yi~.
triunfar o homem por tôda a parte, de uma vez por j)'~r,
,,,. ,;;-;?¥'"-'""'':-:'-'>··'"'

Mas
M as ée claro que não
claro que nao levamos
levamos a ingenuidade ingenuidade até ate ao pontoponto
de acreditarmos que que isso
isso será
sera feito f eito com a cooperacao cooperação e a boa- boa-
dos JlQ;lke~:t1}?,§.,
vontade dos ~1!.!:.!?Jl~Y ..S..,.J;t~~
jjosernos, ....europeus. Esse. e trabalho
tr,!1J?.illh~. <SP1()~ ..~al que
colossal gg~
consiste em(re'íntroduzir
c~nsi~!:.,.:~~~~~~r o homem
o h2~~~90~(~2J2~~~.ri:~, no myàdoAP homem™tota3,
ha
na de ser feito com o aU:X'll10
ser fe1to auxilio dec1s1vo decisivo das massas m(lS,§9:1LJ!l!LQJ2~!1'1§
européias
,,_" , '"""" ., l , .. ., .. ,.,., "" . """""t'""'"'"'·'"'"'""'""'"
•··••• ,. , ,. b ;· " • ,
que - eé necessano
que — necessário que e as o
que elas o reconnecam
reconheçam — - muitas vezes vêzes

84
se congregam
se conqreqam aa respeito respeito dos dos problemas
problemas coloniais
coloniais nas nas posições
posicocs
nossos senhores
de nossos senhores comuns. comuns. Para isso isso ée i~.£.~!~.£§.Q,.
imp< no o ~.antes ia!t~s.,. .d dee
mais.nnada,
mais a~a •.. que
qtt.e . as ma~§€t§c....européias
'1~ .. massas re.~01.v:i:uu. . :del'lP~t;Jf,l.r;,,
~Y.l:Qllgias resolvam despertar, , •.sa­ sa"'
~garr ·a- c€rebro · e cessar
cudir o cérebro A~
cess~~ de .ttomar oD:l.ar parte no jogo H'>'go irresponsá­
irrespo:q~il."'
'"yeT
vel ·cda
ri:i'"bela adormecida no
bela adormecida iio l)i;isque.
bosque. ·

85
85
2

Grandeza ee Fraquezas
Grandeza Fraquezas
da Espontaneidade
da Espontaneidade
As s rREFLEXOES
A sobre a violência
e f l e x õ e s sô,bre violencia levaram-nos
levaram-nos a perce-
perce­
ber a existencia
existência freqiiente
freqüente de uma uma defasagem,
defasagem, de uma diferen­
diferen-
ca
ça de ritmo
ritmo entre os quadros do partido nacionalista e as
massas. Em
massas. E m toda organiza<;ao política
tôda organização politica ou sindical
sindical existe
existe clas-
clàs-
sicam~!l!e
sicam enteumu~J,osso. ent~~~ ..as
fôsso entre liiclh0r1a
a~.. massas que "exígem^a melhoria !P~]~~e~J:~im-a
k~iirh*t;~~ci~~7~";~~,~w~r~··s1~~~!!:
imêHiãtã e to ta f d esu a.*SÍ*r situ
’TnimimM.iiiiiw
ji... mn
ação^ eo s quaHros^qüe''
1<irirjiirT'!''1'—....T

*^
TSMmcto
s/» , ,
as dificuldades svsceth eis de ser criadas pelo patronato,11~~li-
„ -i

e restringem suas reivindicações. P or isso eé que se ve­


_,W--.·•.l.<i'2,·.:;,,•,,,_,,,:.,-.:t1'<'1,\V>lll'<<"''-~""1~-..,.,.,..,.fr'l"'>'""""+i."'·f;;,-.°'*~""'-'-''-"-~T't'<hbd'l"'ii''!l-ll•>'1i-.W'*'1~<i"'.;·;'<•""•$f;~"'"!';':l-O;~~~~;;c,c"-'-"':•·;••.•.l?o"/,',)•.c~'''l·•'~--°"")·.yi:·-•·•·;,;_-.,,.,[ .. •->-';<-'-''."

xmlCJ}1LL£!;§,!£ill~IIL~.~.\U.~D.5!ica.S&ii,~_r.Qr
mitam ve-
rifica muitas
rifica vezes um descontentamento
muitas vêzes descontentamento pertinaz das massas massas
com a atuação
atuacao dos quadros. Após Ap6s cada
cada jornada de reivindica­
reivindica-
<;ao, enquanto os quadros comemoram
ção, comemoram a vitória,
vitoria, as massas
massas
tern incontestavelmente a impressao
têm incontestàvelmente impressão de queque foram
foram traidas,
traídas. IÉ 1E
a multiplicacao
multiplicação das m manifestacoes reivindicativas, a multipli-
anifestações reivindicativas, multipli­
cacao dos conflitos
cação sindicais, que provoca
conflitos sindicais, provoca a politização
politizacao dessas
dessas
massas. Sindicalista politizado ée aquêle
m assas. Sindicalista aquele que sabe que
que sabe que um
conflito local nao
conflito não eé uma explicação
explicacao definitiva
definitiva entre ele êle e 0o

89
patronato. Os intelectuais intelectuais colonizados que estudaram, em suas
respectivas metrópoles, metropoles, o funcionamento funcionamento dos partidos politi- políti­
cos fundam orqanizacoes organizações semelhantes a fim de mobilizar as
massas e fazer pressão pressao sôbre sobre a administracao
administração colonial. 0 O nas- nas­
cimento de partidos nacionalistas nos paises países colonizados eé
contemporâneo da constituição
contemporaneo constituicao de uma elite elite: intelectual e mer- mer­
cantil. As elites atribuem importância importancia decisiva àa organização
orqanizacao
como tal, e não nao raro o fetichismo da organização orqanizacao se super­ super~
-1 ------- fn iii), ,. .E~!:.' .:'h
põe ao estudo racional da sociedade coloniaLJ:L~S?sJ\5?.'~_<:
^pee
colonial. Ai , i noção de rpar-
tici2.. é~ uma
tido :u.r11a. .. noção
n9-c;;~0Jmp<:>i:tacic:i,.s!c:i,
importada d a,. . metrópole.
1llgtr6p()le.::Este
ÍÊste instrumento
das lutas modernas modemas . ée aplicado aplicado sem alterac;;ao
alteração alguma numa
i.eC\lidi1dg__pJ:Q!g!J9r1ll.e,
lealidade proteiíorme, deseg11ilL~~c.tda~
desequilibrada, ?.nd~ co~x:istem:.. a um
onde coexistem, 1:1~ ..
s§... tempo,
só t~mpo, a escravatura, a servidão, servidao, 0o escainbo,.
escambo, (:> ò artesanato
as 0 . era-6es""aa
ee........
as operações b61Sa.
P._., ....~.................3a•. bôlsa.
. •. .·. . .. .

..A
~...X~_<;t_q1=1.g;;_<Jc.
fraque;:a clos do* pe1r:ticlos.
partidos,politicos
políticos não reside. somente no
nao .-reside
eg1_EI~o_mgs:;ftnico
"'emprêgo mecãnico-de de .uma
uma organizC\c;;ao
organização que condt!z. conduz a . luta do
proletariado no nq seio seio de umauma. sociedade capitalista altamente
, industrializada.
industrializada.^ No plano piano limitado
limitado do tipo de orqanizacao,organização, de-
veriãin vir à luz inovações e adaptações. 0 _jjrande êrro, ~o
JFt~~;~~~~5~:~~~I~:·q§~=~·*{!~~~:~Qgl~rs~~t~-{~~fk~
vício congêmtcTda maioria dos partidos políticos nas regiões
-..\,I
su'bdese~yolVfdas
subdesenvolvidas foi ter seguido sequido. o esquema esquema clássico,
classico, dirigm-
diriqin-
do:.:se
do-se prioritadamente
prioritàriamente aos elementos mais conscientes: o pro­ pro~
leta.riado das
letariado das cidacies,
cidades, .. ()§os ... <ll'.tgs~.os
artesãos..e. . e. <:>s JJJn~i9narios, isto e,
os ju&ponário§t.Js<£> é,
u~a~J~tX~~ par~glc.t.cic.t p9pulac;;a0 .
uma_ íntima j>arcela da população que :na0 represents
não representa muito
) mais de um por cento. '
Ora, embora compreendesse compreendesse a propaganda propaganda do partido e
lesse a literatura
literatura por ·este êste divulgada, o proletariado estava
muito menos preparado preparado para responder às as palavras
palavras de ordem
implacavel pela libertacao
de luta implacável libertação nacional. Ja ]á se disse inú­
inu-
meras vezesvêzes que nos territórios territories coloniais o> proletariado ée a
camada do povo colonizado mais mimada pelo regime colonial. colonial.
0 proletariado embrionario
O embrionário das cidades eé relativamente privi­ privi-
legiado. Nos países paises capitalistas o proletariado nada tem tern a
perder; eé êle ele que, eventualmente,
eventualmente, teria tudo' tudo a ganhar. Nos
países colonizados o proletariado tem
paises tern tudo a perder. Repre- Repre­
senta de fato a fração Iracao do povo colonizado necessaria necessária e in- in­
substituível para o ,bom
substituivel horn andamento da maquina máquina colonial: con- con­
dutores de bondes, motoristas de táxis, taxis, mineiros, estivadores,
estivadores,
interprctes,
intérpretes, enfermeiras etc. e tc. . . São Sao êsses
esses elementos que for-

90

_______________ ....
mam clientela mais
mam a clientela mais fiel
fie! dos
dos partidos
partidos nacionalistas
nacionalistas e que
que pelo
pelo
lugar
lugar privilegiado que ocupam
privilegiado que ocupam no sistema
sistema colonial
colonial constituem
constituem
a frac;:ao
fração "burquesa"
“burguesa” do do povo colonizado.
povo colonizado.
Por isso compreende-se
Por compreende-se que que a dientela dos partidos
clientela dos partidos polí­
poli-
ticos seja antes de tudo urbana: artífices,
nacionalistas seja
ticos nacionalistas artifices, operá­
opera-
rios, intelectuais
intelectuais ee comerciantes
comerciantes que
que residem essencialmente
essencialmente
nas cidades. Sua maneira de pensar
pensar ja já leva em numerosos
pcntos
pontos aa marca
marca dodo meio
meio tecnico
técnico ·e
e relativamente c6modo no
relativamente cômodo no
qual evoluem.
qual evoluem. Aqui o “modernismo”
"modernismo" ée rei. Sao esses mesmos
São êsses mesmos
rneios que vão
meios vao pugnar contra as tradicoes
tradições obscurantistas, que
vao reformar os costumes,
vão reformar costumes, entrando assim em em luta
luta aberta
aberta
contra o velho alicerce dede granito
granito que
que forma oo fundo
£undo nacio-
nacio­
nal. i
t i ■ . 1 < i
<?=■■■' ^ r: ; ' V - \,
\
("){~'~·,"):\·~.
- A - - ' ' * ' '•; 1 • ‘ 1 ' ' 1 ‘

yj/os
O s par!idos nC!cionali~tC!s,
partidos nacionalistas, . e111.
em sua . irnel'l~.a
imensa maioria, sen-
maioria, sen­
tern graiide
tem grande oesco~f!an~a'
desconfiança acerca
acêrca das das' massas
m~s'scis.~ur~is
rurais... E:ssas
Essas
massas lhes . dao na verdade
dão ria v~rgC!dea irnpressao
impressão de de se ·-atol#e.til
s.e atolarem, !ia na
i.ii'Ir-cia_e_iia-rn:feciil:laiaa<le.
inércia e na infecundidade. Com c0iri -hasi:arit:e~i:al)'iaez
bastante rapidez os os ·nieffibi:'Os
membros
d~~J?.~~!i~.~~.-~~~i?~~E~!~.~ ( oi:Jeai-rr0:;,···;r.bai1os···e·
dos partidos nacionalistas _ (operários urbanos e iil'feieet:liaEJ
intelectuais)*
Cli~gam.
chegam a manifestar s6bre sôbre os camposcampos o 111esmo.mesmo julgamento
pejorativo.
pejorativo dos colonos^
colo.tlo~MasMas quando se procura compreender compreender
as
as raz6es dessa desconfianca
razões dessa desconfiança dos dos partidos
partidos politicos contra as
políticos contra as
massas rurais, convem reter o
convém reter o fato de que o o colonialismo
colonialismo
amiiide reforcou ou
amiúde reforçou ou assentou
assentou seu seu dominio
domínio organizando a pe- pe-
trificacao
trificação dos dos campos.
campos. Isoladas
lsoladas pelos marabus, feiticeiros feiticeiros ee
chefes consuetudinarios,
consuetudinários, as massas rurais vivem ainda ainda em em
estado feudal,
feudal, ee essa estrutura medieval
medieval todo-poderosa eé ali­ ali-
mentada pelos pelos agentes administrativos ou ou militares colonia-
colonia­
listas.
í A jovem burguesia colonial, mercantil sobretudo, vai en-
colonial, mercantil
\ trar em competição
competicao com esses êsses senhores feudais em múltiplos multiples
) setores: marabus
setores: marabus ee feiticeiros
f eiticeiros que barram o caminho aos doen- doen-
/ tes que poderiam consultar o
tes o médico,
medico, djemaas
djem aas que julgam,
\ tornando inúteis
tornando inuteis osos advogados, caídes caides que que se valem de de sen
seu
prestigio politico
prestígio político e administrativo para comerciar ou estabe­ estabe-
lecer uma linha linha de transporte,
transporte, chefes chefes consuetudinários
consuetudinarios que que
se opõem,
opoern, em em norn
nomee dada religião tradicao, àa introdução
reliqiao ee da tradição, introducao
y de negócios
de neg6cios ee produtos novos. novos.
A jovern
jovem classe de comerciantes e homens homens de de negócios
neg6cios
colonizados precisa, para se desenvolver, do desaparecimen- desaparecimen-

91
dessas proibicoes
to dessas dessas barreiras.
proibições e dessas barreiras. A clientela
clientela indigena,
indígena,
que
que representa
representa a caca reservada dos
caça reservada dos feudos
feudos e que que se ve vê mais
mais
ou menos impedida
ou menos impedida de de adquirir
adquirir produtos novos, constitui
produtos novos, constitui por­por-
tanto um
tanto mercado disputado.
um mercado disputado.
Os quadros feudais
Os quadros feudais interpoem-se entre os jovens
interpõem-se entre nacio-
jovens nacio­
nalistas ocidentalizados e as massas.
nalistas ocidentalizados massas. Cada
Cada vez vez que
que as elites
elites
fazem um
fazem um gesto
gesto na na direção
direcao das
das massas
massas rurais,
rurais, os chefes
chefes de
tribes, os chefes
tribos, chefes de confrarias, as autoridades
de confrarias, autoridades tradicionais
tradicionais
multiplicam
multiplicam as cautelas,
cautelas, as as ameaças,
ameacas, as as excomunhoes.
excomunhões. Essas Essas
autoridades tradicionais que
autoridades tradicionais que foram confirmadas pelo
foram confirmadas pelo poder
poder
ocupante
ocupante vêemveem comcom desagrado
desagrado as tentativas de
as tentativas de infiltracao
infiltração das das
elites
elites nos
nos campos. Sabem que
campos. Sabem as ideias
que as suscetiveis de
idéias suscetíveis ser in-
de ser in­
troduzidas por
troduzidas por êsses
esses elementos
elementos vindos
vindos dasdas cidades
cidades negam
negam o
mesmo da
principio mesmo
princípio da perenidade
perenidade dosdos feudos.
feudos. Por conseguinte,
Por conseguinte,
seu inimigo não
seu inimigo nao eé o poder ocupante
o poder ocupante com com o o qual,
qual, no fim de
no fim de
contas, vivem em boa
contas, vivem harrnonia, mas
boa harmonia,, mas esses modernistas que
êsses modernistas que
pretendem
pretendem desarticular
desarticular aa sociedade
sociedade aut6ctone
autóctone ee por isso mesmo
por isso mesmo
tirar-lhes o
tirar-lhes o pão
pao da da boca
bôca.,
Os elementos ocidentalizados
Os elementos ocidentalizados nutrem
nutrem com com relacao
relação as às
massas camponesas sentimentos
massas camponesas sentimentos queque fazem lembrar os
fazem lembrar os que
que se se
notam no seio do proletariado dos paises industrializados. A
países industrializados.
hist6ria das revolucoes
história hurguesas e a hist6ria
revoluções .burguesas história das revolucoes
das revoluções
proletarias mostraram que
proletárias mostraram que as
as massas
massas rurais
rurais constituem
constituem muitas
muitas
vezes
vêzes um freio aà revolução.
um freio revolucao. NosNos paises industrializados, as
países industrializados, as
massas rurais
massas rurais sao
são emem geral
geral osos elementos
elementos menos menos conscientes,
conscientes,
menos organizados
menos organizados ee portanto
portanto osos mais anarquistas. Apresen-
mais anarquistas. Apresen­
tam um
tam um conjunto
conjunto de de característicos
caracteristicos — - individualismo,
individualismo, indis­ indis-
ciplina, amor
ciplina, amor ao ao lucro,
lucro, disposição
disposicao para as grandes coleras cóleras ee
os profundos
os profundos desânimos
desanimos -—■ que definem um um comportamento
comportamento
objetivamente reacionário.
objetivamente reacionario,

Vimos que
Vimos que osos partidos
partidos nacionalistas calcam
calcam seus
seus méto­
meto-
dos e doutrinas sabre
sôbre os partidos ocidentais.
ocidentais. Alem
Além disso, na
maioria dos
maioria dos casos,
casos, nao
não orientam
orientam suasua propaganda
propaganda na direcao
na direção
daquelas massas. Na
daquelas Na realidade, aa análise
analise racional
racional da
da socieda-
socieda­
de colonizada,
de colonizada, se
se tivesse sido Ieita,
tivesse sido ter-lhes-ia demonstrado
feita, ter-lhes-ia demonstrado
que os camponeses
que os camporieses colonizados vivem num
colonizados vivem meio tradicional
num meio tradicional
cujas
cujas estruturas
estruturas permanecem intactas, ao
permanecem intactas, passo que
ao passo que nos
nos paises
países
industrializados esse
industrializados êsse meio
meio tradicional foi rachado
tradicional foi pelo pro~
rachado pelo pro­

92
gresso da
gresso industrializacao. :E:
da industrialização. É no seio do proletariado embrio­
embrio-
natio que se encontram nas colônias
nário colonias comportamentos
comportamentos indivi-
indivi­
dualistas. Abandonando
Abandonando os campos onde a demografia apre­ apre~
problemas insolúveis*
senta problemas insohrveis, asos camponeses sem terra, que
constituem o lum
coristituem lumpen­proleteriet,
pen-proíetariaí, precipitam-se para os centros
urbanos, amontoam-se nas favelas e tratam de se infiltrar nos
portos e nas cidades nascidas do dominio
domínio colonial. . As massas
camponesas
camponesas continuam a viver num quadro imóvel im6vel e as b6cas
bôcas
exoessivamente
excessivamente numerosas não nao tern
têm outro recurso senão
senao emi­
erni-
grar para as cidades. O 0 camponês
campones que não nao abandona seu
luqar defende com ohstinacao
lugar obstinação suas tradicoes e, na sociedade
tradições e, sociedade
colonizada, representa o elemento disciplinado
disciplinado cuja estrutura
comunitária. :E:
social permanece comunitaria. É verdade que essa vida imóvel,
im6vel,
cr'ispada
crispada em arcaboucos
arcabouços rigidos,
rígidos, pode dar origem episodica-
episodica­
mente a movimentos,
movimentos baseados em fanatismo religioso e a
guerras tribais. Mas em sua espontaneidade as massas rurais
continuam disciplinadas,
disciplinadas, altruistas,
altruístas. 0 individuo se apaga
O indivíduo
diante da comunidade.
1'Q~ . 5'..~!!W9.!1&§.~.~
^Os camponeses. . !~.m.s.~fvte~sl~§£<:mf.iap~e
têm certa, desconfiança . . do <:lC>J~.~~=~
homem . .~.C! si~.
da .. ci­
dade~
dade.^ Vestido como o europeu, falando a lingua Imqua dele, dele. traba-
Tualldo com êle,
lhando ele, por vezes
vêzes morando em seu quarteirão, quarteirao, o ci­ ci-
tadino ée considerado
considerado pelos camponeses
camponeses como um transfuqa trânsfuga
que abandonou
a.bandonou tudo o que c^stituLo.»pai(ximônio
~§J:.ituLo...p.atr.in!&_nio nacional. Os
nacional.
individuos das cidades sao
indivíduos são c.:.tLsiic!or~,_.Y.~1].Jii.d.08"
C)t£^!Í_do!_cs,_\'ei!dido3” que parecem
dar-se hem
,bem com o ocupante e se esforcam esforçam no quadro do siste- siste­
· ma colonial para lograr exito êxito., ParPor isso eé que, com freqüência,
Irequencia.
ouvimos os camponeses dizerem que as pessoas das cidades
nao
não tern
têm moral. Não Nao nos achamos
achamos aqui diante da classica clássica opo­opo-
sição
sicao entre o campo campo e a cidade. !É E .a l2E~'.~~\i'.~.(},,~1:~;'!;"2
1
ogosição entre o .s2l2~i~ coloni­
zado excluido
excluído, da~ das ya1].tgge[ls.
vantagens go do cqloniahs!Il?
colonialismo e1e: (lqi.tele
aquele que se
~~<?.§.'?!i.JJ.~~~:·_.!~Eii .
ácõmodâ para tirar 12.WJ~it£t .. fiEi~l9..r~s~Q._£pJggfo~:
proveito.da..exploração colonial. .
Os colonialistas, alias, aliás, utilizam essa oposicao
oposição em sua luta
contra os partidos nacionalistas. Mobilizam os habitantes das
montanhas e dos desertos contra os moradores das cidades. cidades.
Sublevam o interior contra o litoral, reanimam as tribos e não nao
deve causar espanto ver Kalondji fazer-se coroar rei de Kasai,
coma
como naonão deve ter causado espanto ha há alguns anos ver a
Assembleia
Assembléia dos chef es de Gana criar obstaculos
chefes obstáculos para
N'Krumah
N ’Krumah..

93
Os partidos politicos
Os partidos políticos nao chegam a implantar
não chegam implantar sua
sua orqa-
orga­
nizacao
nização nosnos campos.
campos. Em Em vez vez de de se voltarem
voltarem para
para as estrutu­
estrutu-
ras
ras existentes
existentes e Ihes darem um
lhes darem um conteudo
conteúdo nacionalista ou pro-
nacionalista ou pro­
gressista, pretendem, no
gressista, pretendem, arcabouco do
no arcabouço do sistema colonial, subver-
sistema colonial, subver­
ter a realidade
ter tradicional. Imaqinam-se
realidade tradicional. Imaginam-se capazes capazes de de impul-
impul­
sionar a nação
sionar nacao enquanto
enquanto as malhas malhas do do sistema
sistema colonial ainda
colonial ainda
fortes. r~t~s>.Y.?:c:>
são fortes.
sao Não vão .. aoa()_~1::1.C:Q:ll.t:J:o
encontro das massa§'. massas. Não:NE\g p6~t11 segs
põem.seus
conhecimentos te6ricos a service
conhecimentos teóricos serviço do povo mas tentam en- en~
quadrar as JEa§s.B.s.
quádrar de acgrgq
massas cie acordo, com um e.sqµe111a
esquema apriqr,i. Desse
a priorri. Dêssé
modo, ·vao
n:{c;·ao; vão · da
da ·~apital
capital para as vilas dirigentes
dirigentes desconhecidos
desconhecidos
ou jovens demais que, empossados pela autoridade autoridade central,
central,
querem dirigir o aduar ou o povoado como se fôsse f.6'sse uma cé­
ce-
lula de emprêsa.
empresa, Os chefes
chef es tradicionais são
sac ignorados, as às
vezes desconsiderados. A história
vêzes hist6ria da futura nação
nacao espezinha
com singular desenvoltura as pequenas histórias hist6rias locais, isto
e, a unica
é, atualidade nacional, quando seria necessario
única atualidade necessário inse-
inse­
rir harmoniosamente a história
hist6ria da vila, a hist6ria confli-
história dos confli­
tos tradicionais dos clãs clas e das tribos na acao
ação decisiva para
a qual se convoca o povo. Os velhos, cercados de respeito nas
sociedades tradicionais e geralmente revestidos de indiscuti-
sociedades indiscutí­
vel autoridade
autoridade moral, sao são publicamente ridicularizados. Os
serviços do ocupante nao
services não deixam de utilizar essas animosi-
<lades
dades e mantem-se
mantêm-se a par das menores decis6es
decisões adotadas
adotadas por
essa caricatura de autoridade. A repressãorepressao policial, certeira
inforrnacoes exatas, nao
porque baseada em informações não se fazFaz esperar.
caidos do céu
Os dirigentes caídos ceu e os membros importantes da
nova assernbleia
assembléia sao detidos,
são detidos.
Os reveses sofridos confirmam a "analise
“análise teorica"
teórica” dos
experiencia desastrosa da tentativa
partidos nacionalistas. A experiência
de arreqtmentacao
arregimentação das massas rurais reforca
reforça a desconfianca
desconfiança
e cristaliza a agressividade deles
dêles contra essa parte
parte do povo.
Ap6s o triunfo da luta de libertação
Após Iibertacao nacional,
nacional, renovam-se os
mesmos erros, alimentando as tendências
tendencias descentralizadoras
descentralizadoras e
autonomistas. O0 tribalismo
tribalismo da fase .colonial
colonial da
dá lugar ao regio­
reqio-
nalismo
nalismo' da fase nacional,
nacional, com sua expressão
expressao institucional: o
federalismo.
federalismo.
^ M
/) as .C1:C.()11;t.~c~.
Ma.s acontece q11e que . Bs
as ...massas
m_a§S<ls . rurais, .1ll.<l.1W<l.~.o
malgrado a pouca pouca
inf_l~~nci~-q~~.-0·~·.·p~rtTd§s.na.·c!?n.allst<ls
influência que os partidos nacionalistas .e)C . ercell:l: _s6bre
exercem sôbre elas,
intervêm dè maneira d"ecisiy;i,~
i;J't'elf~i!!-~sll~tri.?!11e..ira decisiva, sejas.ii a no prc)~e.ssQ 'qe'
ll19 processo de lllaturac;;ao,
maturação,
consciencia nacional,,
da consciência nacional, seja se.ja PiH'Sl
para . revezar-se na ac;;ao dos par«
na: ação p.ar-

94
tides 11acionalistas, seja
tidos nacionalistas, mais raramente
seja mais raram~n.te Eara substituir pura
para se substituir pura
e
Simsimplesm
lesfilei:ite
~~'"~'E,,,,,,,,",''''''''''''""''''·'''"'"
esfermaacre·cr~sses P.
"aiti<fos~"'"'k··'"",
ente ࣠esterilidade’ dêsses partidòsr“ ''”*"" , -.
,,,,.,.,,.,.,.,,,.,.,,.,,,.,,,. '· ,.,,'
A propaganda
propaganda dos partidos nacionaiistas encon-
nacionalistas sempre encon­
tra eco no seio das massas camponesas. A reccrdacao
recordação do pe­pe~
riodo
ríodo pre-colonial
pré-colonial continua viva nos povoados. As mulheres
murmuram ainda ao ouvido dos filhos os cantos que aeon- acon-
resistência àa conquista. Aos 12,
panharam os guerreiros na resistencia 12, 13
13
anos, os rapazes das vilas conhecem
conhecem o nome dos anciãos
anciaos que
assistiram àa iiltima insurreicao, e os sonhos nos aduares e nos
última insurreição,
povoados nãonao são
sao sonhos de riqueza ou sucesso nos exames,
dos. meninos das cidades, mas sonhos de identificação
como os dos identificacao
com tal ou qual combatente cuja morte heroica,
heróica, ao ser narrada,
provoca ainda hoje lágrimas
laqrimas abundantes.
í

memento em que os partidos nacionalistas tentam


No momento
organizar a ernbrionaria
embrionária classe obreira das cidades, assiste-se
nos campos a explosões
explosoes na aparência
aparencia totalmente inexplicaveis.
inexplicáveis.
E excmplo, da famosa insurreicao
É o caso, por exemplo, 1947 em
insurreição de 1947
Madagascar.
Madagáscar. Os serviços
services colonialistas sao Iorrnais: trata-se
são formais: trata-se
de uma revolta camponesa. Na verdade sabemos hoje que as
coisas, como sempre, foramIoram hem
bem mais complicadas. No curso
da Segunda Guerra Mundial as grandes companhias colo­ colo-
niais estenderam sua dominacao
dominação ·ee apoderaram-se da totali- totali­
<lade das terras ainda livres. Na mesma época
dade epoca falou-se
Ialou-se tarn-
tam­
hem implantacao eventual, na ilha, de refugiados judeus,
bém da implantação
cabilas, antilhanos. Correu igualmente o boato da invasaoinvasão pró­pro-
xima da ilha pelos brancos da Africa com a cumplici-
África do Sul com cumplici­
<lade colonos. Assim, depois da guerra os candidates
dade dos colonos. candidatos na- na­
cionalistas foram triunfalmente eleitos.
eleitos. Logo em seguida or- or­
ganizou~se a repressão
ganizou-se repressao contra as celulas
células do partido M.D.R.M.
M .D .R.M .
( Movimento Democratico
(Movimento Democrático da Renovação
Renovacao Malgaxe).
M algaxe). O 0 co-co­
lonialismo, para atingir seus fins, utilizou os meios
lonialismo, meios mais clás­clas-
sicos: prisoes propaganda racista intertribal e cria­
prisões em massa, propaganda cria-
<;ao de um partido com os elementos desorganizados do lum-
ção lam­
pen­proleteriet. !Êsse
pen-proleíariat. :"Esse partido, chamado dos Deserdados de
Madagascar (P
Madagáscar .A .D .E .S .M .), oferece aà autoridade colonial,
(P.A.D.E.S.M.). colonial,
através de suas provocações
atraves provocacoes resolutas, a garantia legal da
manutenção da ordem. Ora, essa operacao
manutencao operação banal de liquida-
liquida­
<;ao de um partido, preparada
ção preparada antecipadamente,
antecipadamente, assume aqui
proporcoes gigantescas. As massas rurais, na def
proporções ensiva ha
defensiva há

95
r
tres ou quatro anos,
três anos, sentem-se de repente em perigo mortal mortal
e deliheram f erozmente as
deliberam opor-se ferozmente às £6n;;:as colonialistas. Ar-
fôrças colonialistas. Ar­
mado de zagaias e mais amiúde
amhide de pedras e cacetes, povo
cacetes, o povo
lanca-se na insurreicao
lança-se insurreição g<e:neralizada
generalizada em prol da Ifbertacao na-
libertação na­
cional.
cional. Sabe-se o que acontece depois.
depois.

insurreicoes armadas não


Essas insurreições nao representam senaosenão um
dos meios usados pelas
dos pelas massas rurais para intervir na luta
massas rurais
nacional. As
nacional. Às vezes camponeses aproveitam
vêzes os camponeses aproveitam a pausa da da agi­
aqi-
tacao urbana, quando o partido nacionalista nas cidades
tação cidades eé
objeto da repressao
objeto repressão policial.
policial. As noticias chegam ampliadas
notícias chegam
aos campos,
campos, desmedidamente ampliadas: líderes lideres presos,
presos, me­
me-
tralhadoras em ação,
tralhadoras acao, o sangue negro inunda a cidade, os me- me­
ninos
ninos dos colonos
colonos banham-se no sangue árabe. arabe, Entao odio
Então o ódio
acumulado, o ódio
acumulado, odio exarcebado explode.
explode. 0 p6sto mais
O pôsto mais proxi-
próxi­
mo eé atacado, os OS gendarmes Sao estracalhados, O
são estraçalhados, o mestre-es-
cola eé massacrado, o médico
medico s6 só se salva esta ausente
salva porque está
etc. . . Despacham-se colunas
colunas de pacificacao
pacificação para o interior,
interior,
a aviacao
aviação bombardeia. Desfralda-sa
Desfralda-se o estandarte
estandarte da revolta,
revolta,
ressurgem as velhas tradicoes
ressurgem querreiras, as mulheres
tradições guerreiras, mulheres aplau-
aplau­
dem, os homens
homens organizam-se
orqanizam-se e tomamtomam posicao
posição nas monta­
monta-
nhas, comeca guerrilha. Espontaneamente
começa a guerrilha. camponeses
Espontaneamente os camponeses
criam a inscquranca
insegurança generalizada, o colonialismo
colonialismo amedron-
amedron­
ta-se, instala-se na guerra ou negocia.
ta-se, instala-se

Çomo reagem "Q~L,];19J:tidQ:LJ1Sl£!2D..Sllis.tas


C9J!t2.J'.~<l,£~fl:l os ..pgrtidps nacionalistas . . .':la... essa e_SS<;l irrupção
irru pc;:~o
decisiva das....Il1.~§..Sl!.L£.SlillRQl1\;~;t~gi:,.U.i-!J1Jti'Ln<t<:i()l1al?
d~cisiva:..~<ls massas^ çampoqesas na luta nacional? Vimos Yill1.Q_s·. que(
qg5;,
a maio_riC1
a, ?<)~.
maioria. a·· dos p(lr!!~.~~-.R:ClS~S?~<lh§!<;t§.,
partidos nacionalistas não
necessidade da
inscreveram ~.1!1
:r,1A().di11.scNre_y'-':Ect!11. em .. sua
opõem àa
~ua
pr'opag'ai1 a aa nece.ssida_de
propaganda da ac;:ao ação arma armada. a. Não
. . ao. se op_oem
persistencia. da
persistência” (lajit§1Ji:i:dc;:ao.·
insurreição mas mas,. . contentam-se
contentam-se. .em em.. confou:
confiar . napa
esponfaneidade dos
espontaneidade d_os sarnpone§eS.
camponeses. Em suma, suma, COrnPC>rtam;se!
comportam-se, corn com
reTaÇacfa esse elemento ll'.oyo,
re~o"'a~esse'e1'emento novo, .('.()111()
como S('. se se §.e tratasse
tr(lta§Se de de. um manamanEL
caia()"'Cfo"c~ii"
caído e e'spera~
do céu e esperam qu~ que iSS()
isso . continue.
continue -. Exploram
E~p_lor.am o () maná
man . a
m~.~.'.:.
nias não _,er~o-~~~C1:11
procuram... ~r.~C1.1li~:;t.r
organizar ... ·f'a-1 .• i~s11rr.~ic;:.a():
insurreição. N..§J~oc-~Il.Yi!:i.1E:.
Não enviam c:t()~ aos
ca~J2.Q§.J1!JJJ.i1xos-capaz.es
cam£o‘s‘;q'üadros capazes... de.. :politizarpolitizar . .aass . m.as.sas., esclarecer...as
massas, .•es.datecex-.as
con_sci~.!lcias~ ...f'.:IE'.v<lr.
consciências, elevar (). niy~l A9
o nível do . . co.rnbate:
combate.... EsperEsperam am que, arras- arras­
tada'por
tada movimento, a . ~~g~
por seu . niovfmenfo,' ação dessas massas massas não d·es'sas
nao arrefeça.
arrefeca.
Nao ha contaminação
Não.há conta111inac;:aodo. movimento. rural
do movimento rural pelo pelo . movimento
11lovirnent~
urb~;-;.-ci<l~·-u.m·
urbano. Cada um 'evo'ftii~CI'econformiaaclie''com'
OJ
evolui de"”cõhformidãdé' com ·stra:···
~·;..CO·"''·'-u''""';""'
suá el.ialetica
.·.,., ....,.,.,,_ .. _>'.;,·,>"<•.~-•,;.. "
dialética ,,,..,,. .• ._.,

pr6pria.
própria.
_...--

96
Os partidos
Os partidos nacionalistas
nacionalistas nao tentam introduzir
não tentam introduzir pala-
pala­
vras de
vras ordem nas
de ordem nas massas rurais, que
massas rurais, que estao
estão nesse momento
nesse momento
inteiramente disponíveis.
in~eirament,e disponiveis._ Nao Não lhes propõem um objetivo; li­
lh~~...E£2£2.~}!.~*1;!~-·s>~L:.~~,Y,?}. I~~
m1ta.lll~Se . ~l esper~r que ~SS~ 1ll(}Vllll~llto Se
mitam-se a esperar que êsse movimento se perp~tU~
p ê^ eíu e^mgefr111~
S^ fin i-
de;i.fu~i:lk
damente.. ~.qg,~-
e que os <?§.:!?22n§~ifl~ig§ji~9t~h<'l:m
bombardeios não tenham J!ll!· fim. V ê-se por-
Ve-se por­
tanto que,
que, mesmo mesmo nessa ocasião,ocasiao, os partidos nacionalistas
nacionalistas nao não
exploram
exploram a possibilidade que que se lhes lhes oferece
oferece de integrar as
massas rurais, de as politizar,
massas politizar, de lhes elevar elevar o nível
nivel da luta. luta.
Sustentam a posicao posição criminosa
criminosa de desconfiancadesconfiança acerca acêrca dos dos
campos.
campos.
Os quadros politicos encafuam-se nas
quadros políticos nas cidades,
cidades, dao dão a en­ en-
tender ao colonialismo
colonialismo que não nao têm tern ligação
liga<;;ao com os insurretos
OU partem
ou partem para o 0 estrangeiro.
estrangeiro. Raramente vao juntar-se ao
vão juntar-se
povo
povo nasnas montanhas. Em Quenia, Quênia, por por exemplo, durante a re-
volta Mau-Mau,.
vôlta Mau-Mau, nenhum nacionalista conhecido declarou
nenhum nacionalista declarou per- per­
tencer a êste -este movimento
movimento ou tratou de defender esses êsses homens.
homens.
Não ha
Nao explicacao fecunda
há explicação fecunda nem confronto confronto das das diferentes
camadas da
camadas da nação.
nacao, Por isso, no momento momento da da independencia
independência
sobrevinda após ap6s a repressao exercida contra as massas
repressão- exercida massas rurais
e apes
após o acordoacôrdo entre o colonialismo
colonialismo e os partidos nacionalis- nacionalis­
tas, reencontramos,
reencontramos, acentuada, essa incompreensão. incornpreensao. Os Qs. c~m~
cam­
P~<?~:~~~ .J?o_s!r<:1E:se7.~(). r~t;i,s~11t~§. SOJ:Il. respeit() . as ~~fc}iiiia's "de
poneses mostrar-se-ão reticentes com respeito às reformas de
estru.tura propostas.
estrutura propostas pelo pelo. governo
govêrno e tam tambémhem quanto as. as in ova-
inova­
<;;9~~
ções .§()~i~is,.ll:/:~§J:J:/:Q
sociais, mesmo . objetivamente
ol:>,j:?tiy('l::niente. . pgqgressistas,
progressistas, ... precisamen-
precisamen­
te_porque
te porque _()s os respQns~Yei11- atuais _ p,efo.
responsáveis ;;ituais. pelo :regime
regime .11&.o e:x:plic;;;i.ram
não explicaram
àa totalidade
totalida?.~. ?C> poy(), durante
do povo, du~a11Ee () o 1ieri()d()
período se>lonial'.
colonial, OSos . obj etivos
objetivos
do. parfido,
do partido, (;la ··. o.riei:lta<;;~Q n(lcigij'~l: os
orientação nacional, 98'° problemas
problemas internacio­
Internaclo-
nais etc
i;_ais_ etc,..
s.,

®
'>) A desconfianca
À desco-nfiança que
que os camponeses
camponeses e os_ os feudatários
f eudatarios con-
con­
cebiam contra ospaffllios~·n.acf0naITSfa's''·<luran.te
cebiam, contra osjjáriid ós nãcíònãlistas durante ()'"periocto-'2o~
o período co­
r~iii~r-·su<:eae---11m:a··11c;-sEna:a:de'T§i.iaT·a:ur:a:il1e·a·J)·er:12;ao:·nad'o~
lonial sucede uma hostilidade igual durante ô período nacio­
n;c·T5s sei:vi~os"secretos e:010111a:nsra-:s:··qu·e
nal. Os serviços secretos colonialistas, que :n:ao: não depuseram.····a:s
depuseram as
armas depois
depois dada independência,
independencia. alimentam
alimentam o 0 descontentamen-
descontentamen­
to e chegam
chegam ainda a cnar criar aos jovens
jovens governos
governos graves difi-
graves difi­
culdades. palavra, o govêrno
culdades. Numa palavra, governo nãonao faz senão
senao pagar sua
preguiça do
pregui<;;a do- periodo liberta<;;ao e seu constante desprêzo
período de libertação desprezo
pelos camponeses.
pelos camponeses. A nacao podera ter uma
nação poderá uma cabeca
cabeça racional,
racional,
progressista mesmo, mas
progressista mas o corpo
corpo imenso
imenso continuara
continuará debil,débil, re-
re­
calcitrante,
calcitrante, pouco inclinado a
pouco inclinado à cooperacao
cooperação.,

97

. t
A tentacao
tentação sera
será entao quebrar esse
então quebrar corpo, centralizand.o
êsse corpo, centralizando
a administracao enquadrando firmemente
administração e enquadrando pov~·-E.~Jiina
firmemente o povo. E uma ^
dEls'fa'zo~s pefa~, quais .se
dasTràtSég^gfelás se ouve muitas
muitas^..Y~J::~§;,,c!iz,;~J;",,gu~_nos
vêzfia, dizer.-^ue,. nos
países sübdeSÉiivolv'dos faz~se
pllises"sU6'desenvohdaos faz-se mister(serta''dose
mistervçerta dose de ditadu~).
ditadura^
a. .
§..Jitnru:nres:aesco"filiam:::cl:Rf~~~mas§~$:::tw:afs:
Os~~dMõBnrgsldesconfía)m das massas rurais. '~traS."'essa··a-esc~
ABSST^ssiTctes-
confianc;;apode tomar formas graves. É
confiança E o caso, por exemplo,
exemplo,
de certos governos que, muito tempo depois da independên­ independen-
cia nacional, consideram o interior como como uma 11e:gi.ao nao pa~
região não pa­
cificada aonde o chefe do Estado Estado e os ministros s6 só se aven-
aven­
turam por ocasiao
ocasião das manobras do exércitoexercito nacional. Êsse
Esse
interior ée praticamente assimilado ao desconhecido.
desconhecido, Parado­
Parado-
xalmente, o governo nacional em seu seu comportamento em em re-
re­
lacao às
lação as massas rurais lembra, sob certos aspectos, o poder
colonial: "Ninquem
“Ninguém sabe muito bem como essas massas vao
rnassas vão
reagir”, e os jovens dirigentes não
reaqir", afirmar:: ":E
nao hesitam em afirmar “É
preciso apelar para o arr6cho arrocho se se quiser tirar ·este pais da
êste país
Idade Media".
M édia”. Mas vimos que a desenvoltura com que os
partidos politicos
políticos trataram as massas rurais durante durante a fase
colonial s6 só poderia causar danos àa unidade nacional, ao forte
impulso dado àa nação.nacao.

vezes o colonialismo
Algumas vêzes colonialismo procura alterar e descon-
descon­
juntar o ímpeto
impeto nacionalista. Em vez de levantarem os xeques
e os chefes
chefes contra os
os “revolucionários”
"revolucionarios'' das
das cidades,
cidades, as
as repar­
repar-
tic;;6e:s encarregadas dos assuntos indígenas
tições indigenas organizam as
tribes
tribos e confrarias em partidos. Em face do partido partido urbano
que comecava
começava a "corporalizar
“corporalizar a vontade nacional”
nacional" e a cons-
cons­
tituir um perigo para o regime colonial, nascem grupinhos e
tendencias
tendências e surgem partidos de base etnica étnica ou regionalista.
B a tribo em sua integralidade que se converte em partido
É
politico aconselhado de perto pelos colonialistas. Pode come­
político come-
car a mesa redonda. 0
çar O partido unitario sera afogado na arit­
unitário será arit-
metica das tendencias.
mética tendências. Os partidos tribais opõem-se
opoem-se àa cen­
cen-
tralizacao,
tralização, a à unidade e denunciam a ditadura do partido
unitario,
unitário.
Mais tarde
tarde essa tática
tatica sera
será utilizada pela oposicac nacio-
oposição nacio­
nal. Entre os dois ou tres
três partidos nacionalistas que condu-
condu­
ziram a luta de Iibertacao,
libertação, o ocupante fezfêz sua escolha. As
modalidades dessa escolha sao
são classicas:
clássicas: quando um partido

98
obtem aa unanimidade
obtém unanimidade nacional
nacional ee se
se impõe
impoe ao ao ocupante
ocupante como
unico interlocutor,
único interlocutor, oo ocupante
ocupante multiplica
multiplica as manobras
manobras e retar­
retar-
maximo aa hora
da ao máximo hora das negociações.
neqociacoes. Essa
Essa demora
demora será
sera usada
usada
para esmigalhar
para esmigalhar as as exigências
exiqencias dêsse
desse partido
partido ouou alcançar
alcancar dada
direcao oo afastamento
direção afastamento dede certos elementos
elementos "extremistas”.
"extremistas".

Se, pelo
Se, pelo contrário,
contrario, nenhum
nenhum partido
partido sese impõe
impoe de de fato,
fato, oo
ocupante ,contenta-se
ocupante .contenta-se emem privilegiar
privilegiar aquêle
aquele queque lhe
lhe parece
parece oo
mais “razoável”.
mais "razoavel". Os Os partidos
partidos nacionalistas
nacionalistas queque não
nao partici­
partici-
param das
param das negociações
neqociacoes passam
passam então
entao aa denunciar
denunciar oo acordo
ac6rdo
celebrado entre oo outro
celebrado outro partido
partido ee oo ocupante.
ocupante. O 0 partido
partido queque
recebe oo poder
recebe poder dodo ocupante,
ocupante, consciente
consciente dodo perigo
perigo queque cons­
cons-
titaem as
tituem as posições
posicoes estritamente demagógicas
demag6gicas ee confusas
confusas do do
partido rival,
partido rival, tenta
tenta desmantelá-k»
desmantela-Io ee condena-o
condena-o àa ilegalidade
Ileqaltdade.
0 partido
O partido perseguido
perseguido não
nao tem
tern outro
outro recurso
recurse senão
senao refugiar-se
refuqiar-se
na periferia
na perif eria das
das cidades
cidades ee nos
nos campos.
campos. Procura
Procura sublevar
sublevar as as
rnassas rurais contra
massas contra osos “vendidos
"vendidos da costa
costa marítima
maritima ee os os cor­
cor-
capital". Todos
ruptos da capital”. Tcdos os os pretextos sãosao então
entao aproveita­
aproveita-
dos: argumentos
dos: argumentos religiosos,
religiosos, dispositivos
dispositivos inovadores
inovadores adotados
adotados
pela nova
pela nova autoridade
autoridade nacional
nacional ee que
que rompem
rompem com com aa tradição.
tradicao,
tendencia obscurantista das massas
Explora-se a tendência massas rurais.
rurais. AA
revolucionaria repousa de fato sôbre
suposta doutrina revolucionária sabre o ca­ ca-
raper retrógrado,
ráter retr6grado, passional
passional ee espontaneista
espontaneista dos dos campos.
campos, Mur­Mur-
mura-se aqui
mura-se aqui ee ali
ali que
que aa montanha
montanha se se agita,
agita, que
que osos campos
campos
estao descontentes.
estão descontentes. Afirma-se
Afirma~se que em em tal lugar a gendarma-
gendarma~
fez fogo
ria fêz fogo sôbre
sabre os
os camponeses,
camponeses, que se (enviaram
re:nviaramreforços,
reforcos,
que oo regime
que regime está
esta prestes
prestes aa desabar.
desabar. Os
Os partidos
partidos de de oposição,
oposicao,
sem programa
sem programa definido,
definido, não
nao tendo
tendo outro
outro objetivo
objetivo senão
senao o0 dede
se substituírem
se substituirem àa equipe dirigente,
dirigente, confiam
confiam seu seu destino às as
maos espontâneas
mãos espontaneas e obscuras
obscuras das massas camponesas.
camponesas .
Inversamente, pode acontecer
inversamente, acontecer que a oposição
oposicao não
nao se apóie
ap6ie
mais nas
mais nas massas
massas rurais,
rurais, mas
mas nos elementos
elementos progressistas,
progressistas, nos
nos
sindicatos da
sindicatos da jovem
jovem nação.
nacao. Neste
Neste caso
caso oo governo
qoverno faz
faz umum
apelo às
apêlo as massas
massas para que resistam
resistam às
as reivindicações
reivindicacces dos tra­
tra-
balhadores, denunciadas entãoentao como
como manobras de aventurei­
aventurei-
constatacoes que tivemos
ros antitradicionalistas. As constatações tivemos ocasião
ocasiao
de fazer
de fazer ao
ao inível
riivel dos
dos partidos
partidos políticos
politicos reaparecem,
reaparecem, mutatis
mutetis
muiendis, ao
muíandis, ao nível
nivel dos
dos sindicatos.
sindicatos. De
De início,
inicio, as
as formações
formacoes sin­
sin-
dicais nos territórios
dicais territ6rios coloniais
coloniais são
sao normalmente ramificações
ramificacoes

99
r
locais
locais dos
dos sindicatos
sindicatos metropolitanos
metropolitanos ee as
as palavras
palavras de
de ordem
ordem
respondem
respondem em ecoeco às
as da
da metrópole.
metr6pole.

Dellneando-se aa fase
Delineando-se fase decisiva
decisiva dada luta
luta dede libertacao,
libertação, al­ al-
guns sindicalistas indigenas
guns sindicalistas indígenas decidem-se
decidem-se pelapela criação
criacao de de sindi-
sindi­
catos nacionais.
catos nacionais. A antiga organização,
A antiga orqanizacao, importada
importada da da metró­
metro-
pole, sera macicamente
pole, será abandonada pelos
maciçamente abandonada aut6ctones. Essa
pelos autóctones. Essa
criacao sindical
criação sindical é,e, para
para asas populacoes
populações urbanas,
urbanas, um um novo
nôvo ele-ele­
mento
mento de de pressao
pressão sabre
sôbre o o colonialismo. Dissemos que
colonialismo. Dissemos que o prole-
o prole­
tariado
tariado nas colonias ée embrionario
nas colônias embrionário ee representa
representa aa Iracdo mais
fração mais
Iavorecida
favorecida do povo. Os
do povo. Os sindicatos
sindicatos nacionais nascidos na
nacionais nascidos na luta
luta
orqanizam-se nas
organizam-se nas cidades,
cidades, ee seu programa ée antes
seu programa antes de tudo
de tudo
um
um programa politico, um
programa político, um programa
proqrama nacionalista.
nacionalista. M Mas esse
as êsse
sindicato nacional
sindicato nacional nascido
nascido no no decorrer
decorrer da fase fase crucial
crucial do do
independencia ée de fato
combate pela independência fato a arregimentação
arreqimentacao legal legal
dos
dos elementos
lelementos nacionalistas conscientes ee dinamicos,
nacionalistas conscientes dinâmicos.
As massas rurais,
As massas desdenhadas pelos
rurais, desdenhadas pelos partidos politicos,
partidos políticos,
continuam marginalizadas.
continuam marginalizadas. Havera, certamente, um
Haverá, certamente, um sindicato
sindicato
dos trabalhadores
dos trabalhadores agricolas,
agrícolas, mas essa criaçãocriacao contenta-se
contenta-se em

--
responder àa necessidade
responder necessidade formalformal de de "apresentar
“apresentar uma uma frente
frente
unida ao ao colonialismo”.
colonialismo". Os responsaveis sindicais que
responsáveis sindicais que Iizeram
fizeram
seu aprendizado no
seu aprendizado no quadro
quadro dasdas orqanizacoes sindicais metro-
organizações sindicais metro­
politanas s6
politanas sabem organizar
só sabem organizar as as massas
massas urbanas. Perderam
urbanas. Perderam
todo contacto com
todo contacto com o o campesinato
campesinato ee preocupam-se
preocupam-se em em primei-
primei­
ro lugar
ro lugar comcom aa arregimentação
arreqimentacao dos dos operarios
operários metalurqicos,
metalúrgicos,
dos
dos estivadores,
estivadores, dos dos empregados
empregados das das ernpresas
empresas de de gasgás ee ele­
ele-
tricidade
tricidade etc.etc.
Durante a fase colonial
Durante colonial as formações
Iormacoes sindicais naciona­ naciona-
listas constituem uma
listas constituem Iorca espetacular.
uma fôrça espetacular. Nas Nas cidades,
cidades, os os sin-
sin­
dicatos podem
dicatos podem imobilizar
imobilizar ou, ou, pelo
pelo menos,
menos, travar
travar aa qualquer
qualquer
momenta
momento aa economia
economia colonialista.
colonialista. Como
Como aa populacao
população europeia
européia
esta, com
está, com freqiiencia,
freqüência, localizada nas cidades,
localizada nas cidades, asas repercussões
repercussoes
psicol6gicas
psicológicas das das manif estacoes sôbre
manifestações sabre essa
essa populacao
população são sao con-
con­
sideraveis:
sideráveis: falta
falta de
de eletricidade,
eletricidade, dede gás,
gas, nao ha coleta
não há coleta de de lixo,
lixo,
as mercadorias
as mercadorias apodrecem
apodrecem nos portos.
nos portos.
Essas
Essas ilhotas
ilhotas metropolitanas
metropolitanas que que constituem
constituem as cidades
as cidades
no quadro colonial
no quadro colonial ressentem-se
ressentem-se profundamente
profundamente da da ação
a<;;ao sin­
sin-
dical. A fortaleza
dical. fortaleza do do colonialismo,
colonialismo, representada
representada pela pela capi-
capi­
tal, suporta com
tal, suporta com dificuldade
dificuldade essa linguagem rude.
essa linguagem rude. Mas
M as o o “in-
"in-

JOO
100
! t1f:::.:;f', VVÍA.’
\
(as masses
terior” (as
terior" rurais) continua
m assas rurais) continua alheio
alheio aa essa
essa confron-
confron­
tacao.
tação.

Y£ill.Q§: ..assim
Vemos que ... h~
assim . m1£ há . J-!illil·
uma 4~sPJ:C>R9J:<;~9.1
desproporção,..... gg do . . J?s>.11to
ponto. . g,e de

~~i~~
vista nacional, entre a importância dos sindicatos e o resto
cjajlâ£Í9,* 9Após
tern a impressao
têm
A~6s~~t1~a~J)~~!i~~i~;!~ss15ie~;?j·;Cl~7~cifc~i1!;1t~
a independência, os operários sindicalizados
impressão de agirem agirem em vão. vao. 0 O objetivo limitado limitado que que
haviam fixado
haviam fixado' revela-se,
revela-se, no instanteinstante mesmomesmo em em queque ée atin­ atin-
gido, bastante
bastante precário
precario em relacao relação com ,com aa imensidade
imensidade da da tare-
tare­
fa de: construcao nacional.
de construção nacional. Em face da burguesia nacional, nacional,
cujas relações
cujas relacoes com o poder sao, são,, amiude,
amiúde, muito intimas, os di­
muito íntimas, di-
rigentes sindicais
sindicais descobrem
descobrem que que já ja nao
não podempodem acantoar-se
agita<;ao obreirista.
na agitação obreirista. C£.nggpJt'l.meP.t~
Congenitamente . . isPl~tg95 isolados c , 48.s.}!!Cl.s.sas
das massas
rurais, incapazes A~
rurais,. inc:CIP9:2;~S de. clff1:tl1sliLPe.18:Y£CI§
difundir palavras 5l!!. de ordem para ..Clle.111
C>J:cl~l11.;P~ffa além ..dosc12s
subúrbios, o§.. . sindica,toa.
~B-e(t£!9ig,§_,,Q§ qq()tamposi<;§;!;s.
sinslic:a,t9s· adotam posições C:Clcli;l
cada vez 1118:is . p()1i,_
vez: . . mais polí­
ticas. I)<:. foto,
ti~8:s;. De fato, . gs
os .si11di.ca.tos.
sindicatos ~a(). candidatos . . a?.
são ~~11~id~t()~ ao J)()cle.r.
poder. TentamTentaui
···pQr..iQdOa~.as
por todos..os..•.meios
uu~.ips·~~E-~irr
encurralar aj,~,L§!:Ji~.t9:1!f.§,!5ii.1liC>t~.s.ts?'..s.9!1tJ:i1
a burguesia: protesto contra . a~
manutenção de b.CJ.sR,s
m~B:!£.l]S~fL.Q& ~straugeiras ...em
bases estrangeiras ern .. t!:!.rrit6i:ip nacional, de-
território nacional; de­

~£r~-·~~~;~~i:-~~ '9~~~;~~I~;~r~iii1:ga~··~~e?f:{~·!~$~tr~t;~
nuncia dos acordos comerciais, tomadas de posição contra a
política externa do5 governo nacional. Ós operários agora “in- 11~
Clwin&!gntJ~s:;~atuam.J1g:vazip.
3 èóéndentf;g” flfíiajrç fir* vazin. Os sillcTICatos'"J)erceBefil'"fogo
sindicatos pêrcéBém logo
depois da independencia
depois independência que que as reivindicacoes
reivindicações socials, sociais, se
Iossem
fôssem expressas,
expressas, escandalizariam o resto do país. pais. Os opera- operá­
rios sao
rios são na verdade os beneficiaries
beneficiários do do regime.
regime. Representam
aa Iracao
fração mais mais abastada
abastada do povo. povo. Uma Uma aqitacao
agitação que que se se pro~pro­
pusesse obterobter melhoria
melhoria de condiçõescondicoes de vida para os opera- operá­
rios e os estivadores
estivadores seria nao não somente impopular, como
somente impopular, como tam- tam­
hem correria o risco
bém risco de provocar a hostilidade das massas massas de- de­
serdadas dos campos. sindicatos, a quem
campos. Os sindicatos, quern todo sindicalis­
sindicalis-
esta interditado, ficam marcando passo.
mo está

Sl§l~~~~~T~!~~~~~1~£~t~~~:.i in~~:~:.~~EJ.~~~~!~~·~ci~~:P~;
E sse mal-estar traduz a necessidade objetiva de um pro­
grama social que interesse enfim o conjunto da nação. Os
sincticatos 'descobrem
sindicatos descobrem subitamente que o
subitamente que o 'inferior
interior piedsa
precisa ser
ser
igualmente esclarecido
igualmente esclarecido ee organizado.
organizado, Mas, porque em nenhumnenhum
momenta se preocuparam
momento preocuparam em em estabelecer
estabelecer correias
correias dede transmis­
transmis-
sao entre êles
são eles e as massas
massas camponesas,
camponesas, e como precisamente
precisamente
essas massas constituem
essas constituem as unicas £.6r<;as espontaneamente
únicas fôrças espontâneamente
revolucionarias do país,
revolucionárias pais, os sindicatos
sindicatos vao
vão tirar a prova
prova de sua
sua
ineficacia e descobrir
ineficácia descobrir o carater anacr6.nico de seu programa.
caráter anacrônico

101
-- _£&jQ;@i

r
i

Os dirigentes sindicais,
sindicais, mergulhados na aqitacdo politi-
agitação políti-
co-obreirista,
co-obreirista, chegam maquinalmente àa preparação
chegam maquinalmente preparacao de de um
um
golpe de
golpe de Estado.
Estado. Mas,
Mas, aí ai ainda,_
ainda, oo interior
interior esta
está excluido.
excluído. É.E
uma explicação
uma explicacao restrita,
restrita, entre
entre aa burguesia
burguesia nacional
nacional ee oo obrei-
obrei-
rismo
rismo sindical.
sindical. AA burguesia
burguesia nacional, retomando as
nacional, retomando as velhas
velhas
tradicoes do
tradições do colonialismo, exibe suas
colonialismo, exibe suas fôrças
Iorcas militares
militares ee po-
po­
liciais,
liciais, enquanto
enquanto queque osos sindicatos organizam comicios
sindicatos organizam comícios, ee mo-
mo­
hilizam dezenas de
bilizam dezenas milhares de
de milhares de aderentes.
aderentes. OsOs camponeses,
camponeses,
diante
diante dessa
dessa burguesia nacional ee <lesses
burguesia nacional dêsses operarios
operários que, no fim
que, no fim
de contas, matam
de contas, matam aa fome,
Iome, olham
olham ee encolhem
encolhem os os ombros.
ombros. OsOs
camponeses
camponeses encolhem
encolhem os ombros porque
os ombros porque se dao conta
se dão conta de
de que:
que
uns ee outros
uns os consideram
outros os consideram um peso morto.
um pêso morto. OsOs sindicatos, os
sindicatos, os
partidos
partidos ou ou oo governo,
governo, porpor uma
uma especie
espécie de
de maquiavelismo
maquiavelismo
imortal, usam
imortal, usam asas massas
massas camponesas
camponesas comocomo Iorca
fôrça de
de manobra
manobra
inerte, cega.
inerte, cega. Como
Como Iorca
fôrça bruta.
bruta.

Em compensacao, em
Em compensação, em certas
certas circunstancias,
circunstâncias, as as massas
massas
calllponesas
camponesas vão vao intervir
in.tervir de modo
modo decisivo
decisivo tanto na luta luta dede
l'ilgi~.~~ao nacional
libertação riaci()l191 quanto nas perspectivas que a na<;ao nação fu~fu­
fora
tura escolhe
escolhe para . s}. si. Para os . países,
paises. subdesenvolvidos,
subde:senv()lyid911.,~e.sse
êsse
£~lli?.m£!?:~L~2§E~}:_ill1J?o~~~I~~s~iJ1fa1;p·0r
fgnômmo_!assume imgortànaa”câpitãl; por Issa··-~isso é · que 'iios
nos pro~
pro­
pornos
pomos estuda-lo pormenorfaada:iliente.
estudá-lo pormenorizadamente.
\(i:tgg§ que
Vimos qll~- 11()~
nos paEtiqo~ 11asionalistas . a vontade
partidos nacionalistas vontade de der- der­
rJ.!Rar o
rubar o g:J.}o:P.i<:"!l!smq em
colonialismo vive em harmoniah<:lrtnonia cpm
com uma outra von- von­
tClq~:
tade: Ci.de:
a de .entender-se amiqavelmente com
entender-se amigàvelmente com. êle.
ele, NQ..~.\;i\~Ui~s§,es
N o seio dêsses
Pl!rtidos
pisrtidos ..mocl11zern~.11.e
produzem-se as. às Yezes
vêzes dois processos.
p:rocessos. Em primeiro
primeiro
lugar, tendo
lugar, tendo procedido
procedido aa uma uma analise
análise fundamentada
fundamentada da da rea­
rea-
lidade colonial
lidade colonial ee da da situação
situacao internacional,
internacional, elementos intelec-
elementos intelec­
tuais começam
tuais comecam aa criticar
criticar oo vacuo
vácuo ideoloqico
ideológico do do partido nacio-
partido nacio­
nal ee suasua indiqencia
indigência tatica
tática ee ideológica.
ideol6gica. Poem-se
Põem-se aa apresentar
apresentar
incansavelmente
incansàvelmente aos dirigentes perquntas
aos dirigentes perguntas cruciais: "Que eé o
cruciais: "Que o
nacionalismo? Que
nacionalismo? Que colocam
colocam voces
vocês atras dessa palavra?
atrás dessa palavra? Que Que
contém esse
contem vocabulo? Independencia
êsse vocábulo? Independência para para que?
quê? E E antes
antes de de
mais
mais nada como acham
nada como acham que que vao
vão consequi-la?"
consegui-la?” ao ao mesmo
mesmo tem­tern-
po que
po que exigem
exigem que que osos problemas
problemas metodol6gicos
metodológicos sejam sejam abor-
abor­
dados
dados com vigor. Sugerem
com vigor. Sugerem que que aos meios eleitoralistas
aos meios eleitoralistas ajun-
ajun­
tern "qualquer outro
tem "qualquer outro meio”.
meio". ÀsAs primeiras
primeiras escaramucas,
escaramuças, os di­ di-
rigentes
rigentes. desembaracam-se
desembaraçam-se depressa dessa efervescência
depressa dessa efervescencia que que
de
de boa-vontade
boa-vontade qualificam
qualificam de de juvenil.
juvenil. Mas,
Mas, uma uma vez que tais
vez que tais
reivindicacoes
reivindicações não nao são
sao nem
nem aa expressão
expressao de uma ef
de uma ervescen-
efervescên-

102
102
cia nem
nem a marca da juventude,
marca da juventude, os elementos
elementos revolucionarios
revolucionários