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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ

Centro de educação - CED


Curso de Pedagogia – COPED
Professor: Iara Lacerda
CORPOREIDADE E PSICOMOT. NA EDUCACAO.

JOAO MATEUS SANTOS CHAVES

RESUMO DO TEXTO:
OLIVEIRA, Gislene C. Psicomotricidade. 2° ed. Petrópolis, Vozes, 1997.
Estruturação Temporal.

CORPOREIDADE E PSICOMOT. NA EDUCACAO

FORTALEZA 2018
4. ESTRUTURAÇÃO TEMPORAL
Não podemos conceber a ideia de espaço sem abordarmos a noção de tempo, eles
são indissociáveis. A este respeito declara que o tempo é a coordenação dos
movimentos, quer se trate dos deslocamentos físicos ou movimentos no espaço,
quer se trate destes movimentos internos que são as ações simplesmente
esboçadas, antecipadas ou reconstituídas pela memória, mas cujo desfecho e
objetivo final é também espacial. As noções de corpo, espaço e tempo têm que estar
intimamente ligadas se quisermos entender o movimento humano. O corpo
coordena-se, movimenta-se continuamente dentro de um espaço determinado, em
função do tempo, em relação a um sistema de referência, segundo Defontaine
(1980, vol. 1).
Kephart (1986) discute dois tipos de tempo, o estático e dinâmico. Quando um autor
de romance histórico fixa como presente uma sequência de eventos em um
determinado tempo na história, está trabalhando o tempo estático, ou seja, todos os
acontecimentos terão relação de precedência e subsequência com este presente
estático e é este o final do tempo histórico relatado por ele. Nós vivemos no tempo
dinâmico, também chamado tempo experiencial, onde o fluxo do tempo perpassa
pelas noções de passado, presente e futuro. Este fluxo do tempo significa que os
acontecimentos do passado são conhecidos, os do futuro, desconhecidos ou então
podem ser previstos, e os do presente podem ser experimentados diretamente.
Piaget afirma que em nossa noção de tempo nos defrontamos com três situações, o
tempo está ligado à memória ou a um processo causal complexo, ou a um
movimento bem delimitado, explica que, pela memória, existe uma reconstituição do
passado, uma narrativa, e esta faz apelo à causalidade quando relaciona um
acontecimento ligado a outro anterior a ele.
Da mesma forma que a palavra escrita exige que se tenha uma orientação no papel,
através das linhas e do espaço próprio para ela, a palavra falada exige que se
emitam palavras de uma forma ordenada e sucessiva, uma atrás da outra,
obedecendo um certo ritmo e dentro de um tempo determinado. Defontaine (1980)
fala que a leitura exige, também, a passagem a um simbolismo, isto é, à visão das
formas associadas a um som e, enfim, a sincronização da leitura com os
movimentos dos olhos e uma linguagem interior em coordenação com a respiração
para a leitura em voz alta. Para uma criança aprender a ler é necessário que possua
domínio do ritmo, uma sucessão de sons no tempo, uma memorização auditiva, uma
diferenciação de sons, um reconhecimento das frequências e das durações dos
sons das palavras.
Kephart analisando a fala e a linguagem, afirma que, se pensarmos os instantes da
fala, ela não é mais do que um som isolado, são esses sons isolados que vão ter
algum significado através de uma dimensão temporal. Um indivíduo deve ter
capacidade para lidar com conceitos de ontem, hoje e amanhã. É a orientação
temporal que lhe garantirá uma experiência de localização dos acontecimentos
passados, e uma capacidade de projetar-se para o futuro, fazendo planos e
decidindo sobre sua vida. Segundo Kephart, a dimensão temporal não só deve
auxiliar na localização de um acontecimento no tempo, como também proporcionar a
preservação das relações entre os fatos no tempo (1986, p. 144).
Similar a orientação espacial, a estruturação temporal é um conceito que não nasce
no indivíduo, tem que ser construída e isso exige um certo esforço, um trabalho
mental da criança que ela conseguira realizar quando tiver um desenvolvimento
cognitivo mais desenvolvido. De início a criança vivência seu corpo, tentando
conseguir harmonia em seus movimentos. Mas este corpo não existe isolado no
espaço e tempo e a criança vai, pouco a pouco, captando essas noções. Esta etapa
é caracterizada pela aquisição dos elementos básicos. Seus gestos e seus
movimentos vão se ajustando ao tempo e aos espaços exteriores. Depois desta
fase, vai assimilando também os conceitos que lhe permitirão se se movimentar
livremente neste espaço-tempo. Assimilará noções de velocidade e de duração
próprias a seu dia-a-dia. Numa etapa posterior, ele passa a tomar consciência das
relações no tempo, irão trabalhar as noções e relações de ordem, sucessão,
duração e alternância entre objetos e ações. Com o desenvolvimento da
estruturação temporal, a criança começa a distinguir as sucessões de
acontecimentos, a duração dos intervalos, a renovação cíclica de certos períodos, e
os ritmos exteriores e do corpo. A partir dessa fase, ela começa a organizar e
coordenar as relações temporais. Pela representação mental dos movimentos do
tempo e suas relações, ela atinge uma maior orientação temporal e adquire a
capacidade de trabalhar ao nível simbólico, que é a capacidade de usar símbolos e
representações mentais com significados, que permitem a lembrança de coisas que
não estão presentes fisicamente. Ela terá, então maiores condições de realizar as
associações e transposições necessárias aos ensinamentos escolares,
principalmente em relação à leitura, à escrita e à matemática. Os principais
conceitos que as crianças devem adquirir são, simultaneidade que são os
movimentos que são realizados juntos/simultâneos; a ordem e sequencia, que trata
da disposição dos acontecimentos em uma escala temporal, de modo que as
relações de tempo e a ordem dos acontecimentos evidenciem-se; a duração dos
intervalos, que fala sobre o tempo curto e tempo longo , que envolvem as noções de
hora, minuto e segundo, isto é, o tempo decorrido; a renovação cíclica de certos
períodos, que é a percepção de que o tempo é determinado por dias (manhã, tarde
e noite), semanas, estações; e o ritmo, um dos conceitos mais importantes da
orientação temporal, o ritmo não envolve somente as noções de tempo, mas está
ligado ao espaço também.
Uma má estruturação temporal pode resultar em certas dificuldades, que foi objeto
de análise de alguns intelectuais, como De Meur, Santos, Morais, Kerphat, entre
outros. Uma criança com problemas de orientação temporal pode não perceber os
intervalos de tempo, não perceber os espaços existentes entre as palavras; a
criança pode apresentar confusão na ordenação e sucessão dos elementos de uma
sílaba, não percebe o que é primeiro, o que e último, não se situa antes e depois;
pode haver problema de falta de padrão rítmico constante; dificuldade na
organização do tempo; Uma organização espaço temporal inadequada pode
provocar também um fracasso em matemática, pois os alunos precisam ter noção de
fileira e coluna para organizar os elementos de uma soma.
Percebe-se nesse sentido, que a estruturação espaciotemporal é uma habilidade
importante para uma adaptação favorável da criança, pois lhe permite não sóó
movimentar-se e reconhecer-se no espaço, mas também desencadear e dar
sequência aos seus gestos, localizar as partes do seu corpo e situá-las no espaço,
coordenar sua temporalidade e organizar sua vida cotidiana, sendo importantíssima
no processo de adaptação do indivíduo ao meio, uma vez que tudo ocupa um
determinado lugar no espaço em um dado momento.