Você está na página 1de 2

Apresentador: O apresentador deverá falar sobre a importância de se trabalhar o tema

na escola, sobre a lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que define as orientações sobre o estudo
da História afro-brasileira e da história da África e dos africanos e a da importância do dia
Nacional da Consciência Negra.

Cena 01:
Professor: Bom dia turma! Hoje, dia 20 de novembro, comemora-se o Dia Nacional da
Consciência Negra, pois nesse mesmo dia morreu...

Aluno 1: “Oô fessô”, com licença! Me desculpe! Mas sai ano, entra ano e ouço falar de dia da
Consciência Negra, mas nunca consegui entender por que esse dia é tão importante, nem feriado
é.

Aluno 2: Então deixa o professor explicar, uai!

Aluno 3: Sai pra lá, puxa saco!

Todos: Murmurinho de briga.

Professor: Calma, calma turma!

Aluno 1: (Levanta a mão) Desculpa professor, eu não queria arrumar confusão, eu sou novo
nessa escola, mas por onde passei, nesse dia eu só via uns cartazes com imagens de escravos,
algumas frases e nada mais.

Professor: Infelizmente mesmo sendo tão importante, poucos dão valor a este dia, na maioria
das vezes porque não conhecem o seu significado histórico.

Aluno 4: Mas se o dia é para ser comemorado hoje, pra que falar em história, essas coisas que
aconteceram a centenas de anos e não nos serve para nada?

Professor: Engano seu meu jovem, se nós podemos comemorar esse dia é por causa da luta
histórica dos negros, desde aqueles que chegaram nos navios “tumbeiros”, os que sofreram nos
quase quatro séculos de escravidão no Brasil, até os que buscam um espaço nessa sociedade
de hoje.

Aluno 5: (Levanta a mão) Navios tumbeiros? Mas não são Navios Negreiros, professor?

Aluno 4: E a escravidão? Foi tão dura assim?

Professor: Acredito que a escravidão foi muito mais dura e perversa que os livros nos contam,
imagine só: você está trabalhando tranqüilo em sua aldeia, junta a sua família, e de repente
chega um grupo de pessoas e capturam vocês, os espancam, amarram a todos, os fazem andar
quilômetros até chegarem a um porto e os colocam em um navio cheia de gente estranha...

Aluno 5: Os Navios negreiros?

Professor: Sim! Isso mesmo! Navios negreiros! Mas também são chamados de tumbeiros, pois
boa parte das pessoas que foram amontoadas em seu porão, frio e fedorento, eram alimentadas
com uma comida horrível e escassa, muitas dessas pessoas não sobreviviam a esta viagem,
morriam de doenças ou até suicidavam-se e não chegaram ao seu desconhecido destino, na
verdade era só o começo do inferno.

Aluno 2: Então professor? Quer dizer que todos os negros no Brasil são descendentes de
escravos?

Professor: Não! “Não são descendentes de escravos! São descendentes de seres humanos que
foram escravizados.” É bom lembrar que os indígenas também sofreram muito com a escravidão.
Aluno 3: Então parece que eles sofreram bastante mesmo!

Professor: A condição do escravo sempre foi de humilhação, dor, sofrimento e violência. Acredito
que vocês possam imaginar isso!

Fechamento da Cena 01: Se possível utilizar um vídeo mostrando o navio negreiro (Cena do
filme Amistad) e imagens de escravos no Brasil, utilizar a música “Retirantes” da novela Escrava
Isaura e ao mesmo tempo entrariam alguns alunos representando escravos sendo açoitados e
humilhados.

Cena 02:
Aluno 01: Acho que consegui imaginar o martírio dessas pessoas!

Professor: Sem falar que aqueles que chegavam ao Brasil, por exemplo, eram leiloados para
trabalharem até 16 horas por dia, nas lavouras de cana, café ou nas minas de ouro e diamante
e outras diversas atividades, nos períodos colonial e imperial de nossa história, praticamente
todo trabalho braçal era feito por escravos.

Aluno 03: Mas a princesa Isabel assinou a tal lei, acabou a escravidão e acabou o sofrimento.
Não é?

Professor: Infelizmente não! Nesses quase quatrocentos anos de escravidão no Brasil, os negros
se rebelaram, fugiram, lutaram contra o cativeiro, mas, depois da Lei Áurea, que pôs fim à
escravidão começou outra luta, agora para o negro ser reconhecido como cidadão.

Aluno 02: Como assim professor?

Professor: A escravidão acabou, mas a mentalidade escravocrata e racista permaneceu em


nossa sociedade, especialmente entre as elites, que viam o negro como bandido, vagabundo e
agora sem saber o seu lugar.

Fechamento da cena 02: utilizar um vídeo mostrando imagens mis recentes, ligadas ao
preconceito, racismo e miséria. Utilizar como fundo a música “Esse negro não se enxerga –
botocotó” da novela Sinhá Moça. Utilizar um grupo de alunos vestidos com roupas
contemporâneas, mostrando classes sócias diferentes, mas enxotando um negro e talvez
fazendo algumas ações da canção.

Cena 03:
Aluno 01: É por isso que comemorasse o Dia da Consciência Negra em nosso país?

Professor: Isso mesmo. Nesse dia rememoramos a luta dos negros escravizados e seus
descendentes, luta por direitos, dignidade e valorização de sua cultura. Honramos a luta de
Zumbi dos Palmares, Ganga-Zumba, Anastácia, Luiz Gama, Abdias do Nascimento, entre outros
que deram suas vidas por uma causa, a de ver o negro livre e respeitado.

Professor: Pena que foi através da escravidão que os negros africanos chegaram ao Brasil, por
que junto com os europeus e os índios, ajudaram a fazer do Brasil um país miscigenado,
multicultural e lindo.

Fechamento do teatro: Utilizar um vídeo com a música “o Brasil é isso aí” de Arlindo Cruz e
Marcelo D2, a ideia é que todos que participaram do teatro venham a frente e dancem ou pelos
menos se mecham.

Apresentador: Talvez seria interessante o apresentador citar durante a música algumas


contribuições dos povos africanos para a cultura brasileira, como por exemplo a capoeira, o
samba, o maracatu, o candomblé alguns pratos típicos, algumas palavras do nosso vocabulário,
etc.