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REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA

GOVERNO REGIONAL
Cursos de Educação e
SECRETARIA REGIONAL DA EDUCAÇÃO
Formação
Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos do Estreito de Câmara de Lobos Decreto Legislativo
N.º do Código do Estabelecimento de Ensino 3102-202 Nº de Telefone: 291945614/15 Fax: 291947271
Página Web: http://www.ebecl.com
Regional nº 17/2005/M,
de 11 de Agosto
FICHA DE TRABALHO

Curso / Saída Profissional: Curso de Educação e Formação – Operador de Informática, Tipo 2


Nível de Qualificação do QNQ: 2 Data de Início: 18/09/2017 Ano/Turma: 2ºA/INF
Disciplina: Língua Portuguesa

Nome:_______________________________________ Nº Aluno: _________ Data: __ / __ / __

Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente

Cena Introdutória
1. Identifica o espaço no qual se desenrola a ação.
A ação desenrola-se no cais de um rio.
2. Antes da chegada do Fidalgo, o Diabo e o Companheiro destacam-se em cena.
Explicita a relação existente entre estas duas personagens.
O Diabo é o mestre da barca e o Companheiro é o seu ajudante.
3. Que atitudes do Diabo revelam a sua experiência como Barqueiro?
4. Indica dois adjetivos que caracterizem o ambiente que se vive na barca do
Diabo.
O ambiente é festivo e animado.
5. Explica por que motivo o Diabo se encontra cheio de pressa.
Esta pressa advém da vontade e da satisfação de preparar
rapidamente a barca, uma vez que são esperados muitos
passageiros, dentro de pouco tempo. Por este motivo, vai debitando
ordens sucessivas ao companheiro.
6. Transcreve as formas verbais que traduzem as ordens dadas.
“Vai, atesa, despeja, abaxa, faze, alija, põe” são formas verbais que
traduzem as ordens dadas.
7. Identifica o modo verbal utilizado.
O modo verbal utilizado é o Imperativo.
8. O Diabo utiliza uma linguagem que revela algum conhecimento náutico.
Indica as palavras deste campo lexical.
Caro, ré, atesa, palanco, leito, poja, lesta, alija, driça, verga alta,
âncora a pique.
9. Apresenta uma justificação para o facto do Diabo afirmar que se trata de um
dia de “festa”.
Trata-se de um dia de ”festa” porque o Diabo prevê que terá muitos
passageiros na sua barca para irem para o Inferno: “e despeja aquele
banco/ para a gente que vinrá”.
10. Embora o Anjo se encontre em cena, este não se manifesta. Apresenta
uma explicação lógica para o silêncio do Anjo.

Folha 1 de 4
O Anjo sabe que serão poucos aqueles que embarcarão consigo para
o Paraíso, daí que adote uma postura mais recatada.

Cena do Fidalgo
1. Indica os símbolos cénicos referentes a esta personagem.
A cauda comprida, a cadeira de espaldas e o pajem.
2. Dos elementos que identificaste, indica aquele que simboliza:
a) o estatuto social da personagem; cauda
b) a exteriorização da prática religiosa; cadeira de espaldas
c) a exploração do povo; pajem
3. Quais as acusações que o Diabo lhe faz?
O Diabo acusa o Fidalgo de ter levado uma vida imoral e de prazer,
abusando do poder, simbolizado pela cadeira.
4. Caracteriza D. Anrique, tenho em conta a crítica generalizada à sua classe social.
O Fidalgo era arrogante, presunçoso (pera senhor de tal marca/ non há aqui
mais cortesia?), vaidoso (pera vossa fantesia), autoritário (venha prancha e
atavio), tirano (cuidando na tirania / do pobre povo queixoso) e prepotente
(desprezastes os pequenos).
5. O Fidalgo usa diferentes argumentos para justificar a sua pretensão de entrada na
Barca da Glória.
Explicita os argumentos de autodefesa apresentados pela personagem julgada.
Para se defender, o Fidalgo baseia-se, em primeiro lugar, no seu estatuto
social, como se depreende da seguinte passagem: “sou fidalgo de solar/ é
bem que me recolhais”. Argumenta ainda que tem quem reze pela sua
alma: “Que leixo na outra vida /quem reze sempre por mi”.
6. Em relação a um dos argumentos que o Fidalgo apresenta ao Diabo, está implícita
uma crítica a uma certa prática da religião. Indica-a.
Gil Vicente pretende criticar as rezas mecânicas, falsas e sem devoção.
7. Identifica as duas mulheres que o Fidalgo deseja rever.
A mulher e a amante (“dama querida”)
8. Por que razão o Diabo dispensa a cadeira que o Fidalgo traz consigo?
A cadeira de espaldas simboliza o estatuto social de conforto, ociosidade e
poder.
9. Prova que nesta cena estão documentados os cómicos de linguagem, de caráter e de
situação.
Linguagem: O Diabo chama-lhe “`Ó precioso dom Anrique”; este diz
“gericocins” (asnos) dirigindo-se à barca do Anjo.
Situação: o Fidalgo passa de uma atitude de prepotência à humilhação
causada pelo Diabo.
Carácter: o Fidalgo revelou-se ingénuo em relação à amante.
10.Atenta no excerto seguinte:
FIDALGO Esta barca onde vai ora,
que assi’stá apercebida?
DIABO Vai para a ilha perdida,
e há-de partir logo ess’ora.
11.Substitui a palavra “ora” por outro advérbio de tempo. Agora
12.Qual a figura de estilo utilizada em “ilha perdida”. Eufemismo
13.Diz em que medida a canção do Diabo prenuncia o derradeiro destino do Fidalgo.
Na sua canção, o Diabo refere indiretamente que o Fidalgo não tem outra
alternativa senão entrar na sua barca “Vós me veniredes a la mano”.
Folha 2 de 4
14.Comprova que o Fidalgo foi engando pela “dama querida”, mas também pela
“mulher”.
Ao contrário do que pensava, a “dama querida” fingia amá-lo e era-lhe
infiel, bem como a própria esposa ficou feliz com a sua morte (“foi dar
graças infinitas/a quem a desassombrou”)
15.Por que motivo, o pajem não entra na barca do Diabo?
O pajem é símbolo de exploração de que o povo era vítima, pelo que não
entra na barca do Diabo.

Cena do Onzeneiro
1. O Diabo começa por tratar o Onzeneiro por vós, passando em seguida a trata-
lo por tu. Justifica esta mudança de tratamento.
O Diabo não dá nome ao Onzeneiro, dizendo-o, porém, seu parente e trata-
o por vós (vv. 182-1 84). No entanto, a partir do momento em que o
Onzeneiro o trata por tu (v. 197), o Diabo adopta igualmente essa forma de
tratamento (v. 201) que mantém até ao final.
2. Indica os símbolos cénicos com que o Onzeneiro se faz acompanhar.
O Onzeneiro faz-se acompanhar de um bolsão.
3. Aponta as acusações que são feitas ao Onzeneiro e justifica com passagens
do texto.
O Onzeneiro era um usurário que enriquecera à custa dos altos juros
de dinheiro que emprestara aos necessitados, a quem o Diabo chama
seu parente (v. 183). Falecera no exercício da “çafra do apanhar” (v.
186) do dinheiro próprio e alheio. O Anjo acusa-o dessa obsessão
maldita de que tinha o coração cheio. Assim, quando o Onzeneiro lhe
diz que o bolsão vai vazio, o Anjo riposta — “Não pino teu coração”
(v. 220)— e profere a seguinte frase sentenciosa — “Ó onzena, como
es fea / e filha de maldição!” (vv. 223-224).

4. Diz de que forma o Onzeneiro tenta escapar às consequências das acusações.


Por um lado, defende-se perante o Anjo dizendo que o bolsão que
traz consigo vai vazio: “Juro a Deos que vai vazio” (v. 219). Por outro,
convencido de que o dinheiro compra a salvação, manifesta o desejo
de regressar ao mundo para o ir buscar: “Quero lá tornar ao mundo /
e trarei o meu dinheiro. / Aqueloutro marinheiro, / porque me vê vir
sem nada, / dá-me tanta borregada / como arrais lá do Barreiro” (vv.
227-232).

5. Indica a intencionalidade crítica desta cena.


Através da personagem do Onzeneiro, Gil Vicente pretende criticar a
classe burguesa que iniciara um processo de economia em que o
dinheiro iria ocupar um lugar determinante. Muitos deixaram-se
cegar pela ilusão da riqueza fácil à custa dos altos juros do dinheiro
que emprestavam aos necessitados.

6. Compara a linguagem do Diabo e do Anjo, apontando as diferenças.


A linguagem do Diabo é essencialmente irónica, trocista,
contundente e mordaz: “Oh! que gentil recear,/ e que cousas pera

Folha 3 de 4
mi!” (vv. 194-1 95). A linguagem do Anjo, pelo contrário, é incisiva,
fria, justa e sentenciosa: “Ó onzena, como es fea/e filha de
maldição!” (vv. 223- 224).

7. À semelhança do Fidalgo, também o Onzeneiro pretende voltar à Terra. Para


quê?
O Onzeneiro pretende ir buscar o seu dinheiro, o que evidencia a sua
avareza.

Cena do Parvo
1. Ao contrário do que acontece com as personagens anteriores, o Diabo não
reconhece de imediato Joane, o Parvo. Indica uma explicação lógica para o
facto do Diabo não o reconhecer.
Ao contrário das outras personagens, o Parvo não traz qualquer
adereço que permita a sua identificação.
2. Explica por que razão este texto provoca o riso no leitor/espetador.

3. Esclarece a reação do Parvo ao aperceber-se de que o Diabo pretendia levá-lo


para o Inferno.
O Parvo não só insulta o Diabo, como também lhe roga pragas.
4. Interpreta o silêncio do Diabo perante os insultos do Parvo.
O Diabo não reage às injúrias do Parvo nem o acusa, visto que nada na
vida passada da personagem justifica a sua condenação.
5. Descreve o percurso do julgamento de Joane, o Parvo.

6. Como explicas o facto da personagem não trazer nenhum adereço?

7. Atenta nos seguintes versos: Quem és tu? / Samica alguém (v. 310). Relaciona
esta autoapresentação com o destino da personagem.
A réplica do Parvo à pergunta do Anjo traduz a sua simplicidade e
inconsciência, O Parvo representa a candura dos pobres de espírito que
não erram por malícia e que, por isso, merecem a salvação.

8. O Anjo consente a entrada de Joane na sua barca. Comenta as razões dessa


aceitação, com base no texto.

Folha 4 de 4
As razões que estão na base de tal assentimento estão relacionadas
com a inocência e a simplicidade desta personagem. Por um lado, o
Parvo nunca pecou por maldade (“per malícia nom erraste” — v. 301),
por outro, a sua condição de simples de espírito garantia-lhe um lugar
no Paraíso (“Tua simpreza t’abaste /pera gozar dos prazeres” — vv. 302-
303).

9. Tipifica e explica o cómico predominante na cena do Parvo.


O Parvo tem uma função cómica, ocasionada pelos disparates que
profere e pela linguagem insultuosa que utiliza. Deste modo, consegue
divertir e criticar simultaneamente (ridendo castigat mores). O tipo de
cómico dominante nesta cena é, pois, o cómico de linguagem.

Cena do Sapateiro
1. Comenta a ironia com que o Diabo recebe o Sapateiro.
Ao utilizar os adjetivos santo e honrado para caracterizar o Sapateiro, o
Diabo pretende criticá-lo e não elogiá-lo. O Diabo atribui a estas palavras
um significado oposto àquele que na realidade têm, indiciando e
simultaneamente denunciando os pecados do Sapateiro: não é santo — é
pecador; não é honrado — é ladrão.
2. Indica os crimes praticados pelo réu e justifica com passagens do texto.
O Sapateiro é acusado pelo Diabo e pelo Anjo de ter enganado e roubado o
povo no exercício da sua profissão, ou seja, não viveu com retidão. Assim
o Diabo dirige-lhe as seguintes acusações: “calaste dous mil enganos. / Tu
roubaste bem trinta anos / o povo com teu mester.” (w. 325-328); “Ouvir
missa, então roubar —/ é caminho per’aqui” (vv. 334-336); e os dinheiros
mal levados, / que foi da satisfação” (vv. 338 -339). O Anjo reforça essas
mesmas acusações: “Essa barca que lá está / leva quem rouba de praça”
(vv. 350-351); “Se tu viveras direito, / elas foram cá escusadas” (vv. 358
-359).

3. Relaciona os pecados imputados ao Sapateiro com os símbolos cénicos que


traz consigo.
Tanto o avental como as formas funcionam corno provas de acusação. O
avental está relacionado com a sua profissão, através da qual ele roubava
o povo; as formas tinham sido compradas com o dinheiro que o Sapateiro
roubara aos seus clientes e eram como que a materialização dos seus
pecados.

Folha 5 de 4
4. Expõe os argumentos a que recorre o Sapateiro para mostrar que não devia
entrar na Barca do Inferno.
Os seus argumentos são de ordem religiosa. O réu alega que morreu
confessado e comungado (v. 321), assistiu a missas (v. 332) e deu esmolas
(v. 336).

5. Por que motivo o Anjo recusa a sua entrada no Paraíso?


O Anjo diz que o sapateiro tem muitos pecados, roubou o povo
descaradamente, foi desonesto.

6. Explica em que medida o Sapateiro pode ser considerado uma personagem-


tipo.
Trata-se de uma personagem-tipo, pois o Sapateiro representa o grupo
dos artesãos que roubam o povo no preço das mercadorias.

7. Explica a intencionalidade crítica desta cena.


Nesta cena, há uma crítica de teor socioprofissional e económico, na
medida em que o Sapateiro explora os fregueses com o seu comércio; no
entanto, prevalece uma crítica religiosa. De facto, trata-se de uma cena de
carácter moralista que pretende demonstrar que é mais importante actuar
com espírito evangélico do que assistir ou cumprir os atos externos do
culto. Assim, de nada valeu ao Sapateiro ter morrido confessado e
comungado (v. 321), ter assistido a missas (v. 332) e ter dado esmolas (v.
336). Põe-se, deste modo, em causa a hipocrisia das crenças e práticas
religiosas. Esta é a posição reformista de Gil Vicente.

8. Analisa o tipo de cómico dominante nesta cena.


É essencialmente através da linguagem que se consegue provocar o riso,
uma vez que o Sapateiro utiliza frequentemente o calão e obscenidades,
como se pode verificar nas seguintes passagens: “puta da barcagem” (v.
319), “puta da badana” (v. 341) e “quatro forminhas cagadas” (v. 355).

9. Constrói o campo lexical de “CALÇADO”.


Cena do Frade
1. Indica o modo como esta personagem se apresenta em cena.
Apresenta-se em cena a cantar e a dançar, bem como traz um broquel,
uma espada e um casco, a encobrir o seu hábito de frade.
2. Por quem se faz acompanhar o Frade?
O Frade vem acompanhado de uma moça chamada Florença. ( Florença é o nome de uma cidade italiana da Toscana
que se tornou, no século XV, o centro do Renascimento. Mas a prosperidade acarreta normalmente a corrupção. A moça
surge, portanto, como símbolo da corrupção de valores morais.)

3. Para condenar o Frade, são apresentados vários argumentos. Enumera-os.


O Diabo sentencia que ele irá para o Inferno, por um lado, por ser libertino e mundano (dançarino e esgrimista):
“gentil padre mundanal” (v. 391); por outro lado, por viver amancebado, desprezando assim os votos de castidade

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que formulara: “Devoto padre marido” (v. 415). O Anjo não se digna sequer a dirigir-lhe a palavra, sendo
substituído pelo Parvo que reforça esta última acusação do Diabo: “Furtaste o trinchão, frade?” (v. 466).

4. Refere os argumentos que o Frade alega em sua autodefesa.


A defesa do Frade consiste essencialmente em acreditar que o hábito que enverga o livrará das chamas infernais:
“E este hábito nom me val?” (v. 390). O Frade deixa ainda transparecer a sua confiança na sua conduta e na reza
dos salmos. Tal acontece, porque pensa que se encontra imunizado contra os castigos de Deus, apesar da sua
relação amorosa com Florença: “Como? Por ser namorado / e folgar com ua mulher / se há um frade de perder,
com tanto salmo rezado?” (vv.409-411).

5. O Frade faz parte do clero regular que, ao optar pela vida religiosa, assume,
por amor a Deus, três votos: castidade, pobreza e obediência. Comenta esta
afirmação, tendo em conta a cena do Frade.
O Frade representa a devassidão do clero regular da época, que, em lugar de praticar a castidade, a pobreza e a
obediência, leva uma vida mundana, luxuriosa, dissoluta e libertina. Ele próprio se considera cortesão (v. 372),
admite folgar com ua mulher (v. 410) e revela--se um espadachim pretensioso (vv. 420-422).

6. Ao contrário do que aconteceu com as outras personagens, o Anjo não se


pronuncia em relação ao Frade. Encontra uma explicação lógica para a
postura do Anjo face ao Frade.
Sendo o Frade um representante da Igreja e da Fé, o Anjo não se
pronuncia devido ao seu comportamento devasso.

7. Explica a intencionalidade crítica desta cena.


Nesta cena, pretende-se criticar a depravação de costumes do clero. Através da personagem do Frade e por
influência da Reforma de Lutero, Gil Vicente critica a Igreja, os seus erros e desvios da missão que lhe compete,
a inversão de valores, o materialismo e o esquecimento dos princípios básicos da moral. Denuncia ainda o
carácter artificial das orações:“Como? Por ser namorado / e folgar com a mulher / se há um padre de perder / com
tanto salmo rezado?” (vv. 409-412)).
Além disso, a presença de elementos cénicos, como a espada e o capacete, bem como a lição de esgrima,
traduzem urna crítica à cópia dos costumes da nobreza por parte do clero.

8. Explicita os processos de cómico presentes nesta cena.


A alegria com que o Frade entra em cena provoca o riso do público. Estamos perante um exemplo de cómico de
carácter, igualmente ilustrado pelo comportamento incoerente do Frade. De facto, este apresenta-se a julgamento
com a moça, o escudo, a espada, o capacete e o capuz, símbolos da sua preocupação com bens materiais em
detrimento dos valores espirituais.
O cómico de situação é conseguido principalmente quando Gil Vicente põe um clérigo a dar uma lição de esgrima
e, contra o que seria de esperar, o Frade revela-se um hábil esgrimista.
O cómico de linguagem domina as falas do Diabo que acusa ironicamente o Frade: “Gentil padre mundanal” (v.
391), “Devoto padre marido” (v. 415) e “Ó padre Frei Capacete” (v. 418).

9. Relaciona o provérbio “O hábito não faz o monge” com a cena do Frade,


explicitando o seu significado.
Apesar de usar um hábito, o Frade não respeitava os preceitos religiosos
pois, tal como diz o provérbio, as aparências nem sempre correspondem à
natureza íntima das pessoas.

Cena da Alcoviteira

Folha 7 de 4
1. Ao contrário das outras personagens, assim que chega ao cais, Brísida Vaz
tem perfeita noção do destino da barca do Inferno. Comprova a veracidade
desta afirmação.
Brísida Vaz não interpela o Diabo sobre o destino da viagem, mas recusa
de imediato entrar na sua barca.

2. O Diabo e Anjo reagem diferentemente à chegada da


Alcoviteira. Explica esta afirmação.
O Diabo recebe a Alcoviteira com satisfação, uma vez que já a aguardava. Assim, não parece muito
surpreendido com a sua chegada. Em contrapartida, o Anjo mostra-se indignado e surpreendido com o
descaramento de Brísida Vaz, manifestando um certo desprezo: “Eu não sei quem te cá traz…”

3. Explica o motivo pelo qual a Alcoviteira é condenada.


A Alcoviteira é condenada, porque seduz jovens para a prostituição ou devassidão. É, portanto acusada
de lenocínio, que devia ser, no século XVI, um ofício muito vulgar. De notar que, nesta cena, a
personagem não é directamente acusada pelo Diabo ou pelo Anjo; ela própria se auto-incrimina. Assim,
o Diabo mal chega a falar e o Anjo não acusa a Alcoviteira repudia-a, irritado com a interlocutora.

4. Brísida transporta consigo uma série de elementos distintivos. Por que motivo
a Alcoviteira afirma tratar-se do que lhe “convém levar”.
Brísida pretende continuar a exercer a sua profissão depois da morte.

5. Brísida Vaz pensa que tem direito a ser salva. Indica os seus argumentos para
exprimir a sua pretensa inocência.
A Alcoviteira não tem consciência da gravidade dos seus pecados nem da imoralidade da sua profissão.
Considera-se um mártir, porque era perseguida pela justiça “eu sô ua martela tal” e compara a sua
missão à dos apóstolos “e eu som apostolada”, porque converteu mais moças do que Santa Úrsula,
nenhuma delas se perdeu e todas se salvaram.

6. Relaciona a linguagem da Alcoviteira com o carácter da personagem.


Quando se dirige ao Diabo, a Alcoviteira utiliza uma linguagem sobranceira (soberba), que acentua o
seu carácter altivo e arrogante.
Quando se dirige ao Anjo, usa um vocabulário exageradamente carinhoso, tentando ludibriá-lo. Para tal,
utiliza termos carinhosos, diminutivos e possessivos que acentuam o seu carácter untuoso (meigo),
melífluo (doce) e lisonjeiro.

7. Comenta a aceitação social desta personagem, com base no texto.


A Alcoviteira era perseguida pela justiça, pois a sua profissão era proibida
por lei.

8. Comenta a forma como o Diabo recebe a Alcoviteira na sua barca, no final da


cena.
O Diabo utiliza uma linguagem irónica, com a intenção de a ridicularizar. O
Diabo diz o contrário daquilo que pensa: ela não vivera uma vida santa,
mas uma vida de pecado. Assim, não terá a recompensa mas sim o
castigo.

Folha 8 de 4
Cena do Judeu
1. Traça o percurso cénico da personagem.
Barca do Inferno.

2. Explica o motivo pelo qual o Judeu insiste em levar o bode consigo.


Insiste em levar o bode , pois fazia parte dos rituais da religião judaica.
3. Expõe e exemplifica as acusações apontadas ao Judeu.
O Judeu é principalmente acusado pelo Parvo. Este denuncia os seus actos sacrílegos, culpando o Judeu de
profanar sepulturas cristãs “E ele mijou nos finados” e de comer carne em dia de jejum “E comia a carne da
panela/ no dia de Nosso Senhor”.
O Diabo generaliza a acusação, considerando-o “mui ruim pessoa”, a tal ponto que nem na sua barca o deixa
entrar: “ires à toa”.

4. Explica o motivo pelo qual o Judeu não se dirige à barca do Anjo.


O Judeu não se dirige à barca do Anjo devido ao seu fanatismo. Gil Vicente procura demonstrar, nesta
cena, que o apego do Judeu à sua religião era tão forte que, nem mesmo depois de morto e com a
verdade à vista, abandonava as suas ideias.

5. Caracteriza o Judeu, considerando o modo como se apresenta e o seu


comportamento nas relações com o Diabo.
O judeu é corrupto (tenta subornar o diabo); é ousado e insolente
(desautoriza o diabo ao dirigir-se ao Fidalgo); grosseiro (nos insultos ao
Diabo) e apegado à sua religião.

6. Que tipo de cómico podemos encontrar nesta cena? Exemplifica.


Cómico de linguagem (calão)
7. Esclarece o papel do Parvo nesta cena, justificando a tua resposta.
O parvo assume o papel de acusador, denunciando que o judeu profanou
as sepulturas na igreja e desrespeitou o jejum e a abstinência da religião
cristã.
8. Tendo em conta a sociedade em que vive, interpreta o facto do Judeu ir a
reboque.
Sendo o judeu marginalizado na sociedade em que vivia, também o é no
julgamento final.

Cena do Corregedor e do Procurador


1. Ainda que cheguem em momentos diferentes, o Corregedor e o Procurador
encontram-se no cais e dirigem-se juntos à barca da Glória. Indica as razoes
que terão levado Gil Vicente a promover o encontro destas duas personagens.
Ambos estão ligados à justiça e o seu julgamento será semelhante.

2. Indica as acusações de que são alvo as duas personagens.

Folha 9 de 4
Ambas estão ligadas à pratica fraudulenta da justiça: aceitar subornos,
não ser imparcial nas sentenças, enriquecer à custa do trabalho dos
lavradores ingénuos, falta d respeito a Deus.
3. Expõe os argumentos de defesa apresentados pelas duas personagens.
O Corregedor alega que os representantes do Rei eram invioláveis e diz
que sempre procedeu com justiça e imparcialidade. Quanto aos subornos,
atira as culpas para a mulher pois ela é que recebia as prendas. O
Procurador alega que não se confessou pois foi apanhado de surpresa.
4. Caracteriza a linguagem usada por ambos.
Ambos falam com o Diabo em latim jurídico. A linguagem destas
personagens identifica-se com a sua profissão, reflete o seu estatuto
social e pretende marcar a sua superioridade.
5. Indica os tipos de cómico presentes no texto e exemplifica.
Cómico de situação – o Corregedor, juiz do tribunal terreno, torna-se
reu no tribunal divino.
Cómico de caráter – as personagens atuam como se estivessem ainda
ano mundo
Cómico de linguagem – falas do Diabo e do Parvo que usam o Latim
macarrónico para os ridicularizar.
6. Explica a intencionalidade desta cena.
Pretende-se criticar a justiça dos homens que e corrupta parcial e
injusta.
7. No final a cena, verificamos que o Corregedor e a Alcoviteira já se conheciam.
Justifica a afirmação.
O Corregedor conhecia a Alcoviteira, pois várias vezes a julgou pela
prática da sua profissão ilegal.

Cena do Enforcado
1. Indica os adereços que traz consigo.
2. Apresenta os argumentos de defesa do Enforcado.
3. Determina a reação do Enforcado face ao convite do Diabo
para entrar na sua barca.
4. Explica a intencionalidade crítica desta cena.

Cena dos Quatro Cavaleiros


1. “Neste rio está a ventura / de prazeres ou Dolores!” Explica o sentido destes
dois versos e analisa a sua expressividade a nível estilístico.
A canção que os Cavaleiros entoam encerra toda a moralidade desta peça de teatro de Gil Vicente: todos os
seres humanos serão julgados após a morte pelos seus atos praticados em vida. O seu julgamento resultará na
condenação ao Inferno ou na salvação e ida para o Paraíso (“Vigiai-vos, pecadores,/que, despois da
sepultura,/neste rio está a ventura/de prazeres e de Dolores!”.

2. Indica os adereços que trazem consigo e qual o valor simbólico.


Os Cavaleiros transportam a Cruz de Cristo, a espada e o escudo como símbolos da sua morte a lutar contra os
infiéis em nome de Cristo, da expansão da religião cristã

Folha 10 de 4
3. Expõe as razões por que os Cavaleiros merecem entrar na barca do Paraíso,
justificando com passagens do texto.
Os Cavaleiros lutaram e morreram pela fé católica, pelo que são
mártires da “madre Igreja”, merecendo a salvação.
4. Indica a diferença entre o percurso cénico dos Cavaleiros e o das outras
personagens.
Cais – Barca do Anjo
5. Explica o motivo que levou Gil Vicente a colocar estas personagens no final da
peça.
Gil Vicente termina este Auto com uma cena triunfante que contrasta com as anteriores. Deste modo, Gil
Vicente exprime a sua fé na salvação e incita os espetadores a confiarem em Deus.

Folha 11 de 4