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FACULDADE TEOLÓGICA DO PARANÁ – FATEP

A TRANSGRESSÃO COMETIDA PELO ADULTÉRIO


ENTRE DAVI E BATE-SEBA

CRUZEIRO DO OESTE
2010
ANTONIO MÁRIO PIFFER
A TRANSGRESSÃO COMETIDA PELO ADULTÉRIO
ENTRE DAVI E BATE-SEBA

Monografia apresentado como requisito


parcial para obtenção de Integralização
de Créditos no Curso de Teologia da
Faculdade Teológica do Paraná.
Orientadora: Profª Rosângela
Fernandes Cleveston.

CRUZEIRO DO OESTE
2010
DEDICO

A minha família pelo apoio e compreensão.

AGRADECIMENTO

Primeiramente a Deus por estar presente em todos os momentos difíceis, a


minha esposa pela paciência, aos amigos pelo apoio, aos professores pela
dedicação, a professora de metodologia pela ajuda nas orientações e ao bispo
Agenor Bortolon Júnior pela credibilidade a mim depositada.

A TRANSGRESSÃO COMETIDA PELO ADULTÉRIO


ENTRE DAVI E BATE-SEBA
RESUMO

Palavras - Chave: Davi, Bate-Seba, Transgressão, Pecado.

SUMÁRIO
RESUMO......................................................................................................................5
INTRODUÇÃO..............................................................................................................6
CAPÍTULO I..................................................................................................................7
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS.....................................................................................8
1.1 A AUTORIA E O GÊNERO DO SALMO 51.............................................................8
1.1.1 Transliterado (Salmos 51): Centro Horizonte......................................................10
1.2 CONTEMPORANEIDADE DO SALMO 51.............................................................11
1.3 FORMA DE LITERATURA.....................................................................................12
1.4 SITUAÇÃO HISTÓRICA DO SALMO 51................................................................13
CAPÍTULO II...............................................................................................................16
2. ANÁLISE EXEGÉTICA E SINTÉTICA DO SALMO 51 ............................................16
2.1 MENSAGEM EXTRAÍDA DO SALMO...................................................................19
2.2 CONSEQUÊNCIAS DA TRANSGRESSÃO ..........................................................20
2.3 EXEGESE SINTÉTICA..........................................................................................22
CAPÍTULO III..............................................................................................................33
3. ADMINISTRAÇÃO DOS PROPÓSITOS DE DEUS.................................................33
3.1 A PERMISSÃO DE ACONTECIMENTO DO MAL..................................................33
3.2 O JULGAMENTO DA MALDADE...........................................................................34
3.3 O JUÍZO QUE LIBERTA PARA AQUELES QUE SÃO ELEITOS...........................34
3.4 A ORDEM ABENÇOADA PARA OS ELEITOS......................................................35
3.5 TEOLOGIA DO SALMO 51...................................................................................36
3.5.1 Teologia própria..................................................................................................36
3.5.2 Pneumatologia....................................................................................................38
3.5.3 Antropologia........................................................................................................39
3.5.4 Harmatiologia......................................................................................................40
3.6 MEDITAÇÃO DE DAVI COM APLICAÇÃO ATUAL...............................................42
CONCLUSÃO.............................................................................................................43
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................45

INTRODUÇÃO
No presente estudo relacionado ao Salmo 51 o propósito vem numa
busca empreendida com a identificação das origens do salmo, inclusive, de seu
autor, a data em que foi escrito, condição em que se encontrava o seu autor e
o estilo literário que utilizou-se para expressar em palavras o que estava
sentindo e passando. Dentro das possibilidades encontradas procurou-se
identificar através da exegese e da teologia desse salmo, aquilo que o Senhor
revelou mediante inspiração divina ao homem através desta passagem.
De grande incontestabilidade a necessidade de compreensão sobre o
salmo, pois trata-se de uma passagem bíblica muito utilizada para a linguagem
dos dias de hoje, principalmente por pessoas que estão sofrendo muito devido
seus pecados.
O tema proposto por este salmo trata exatamente desse assunto,
quando um grande homem de Deus cai em profunda depressão por causa dos
seus pecados cometidos primariamente contra a confiança no relacionamento
para com seu Deus.
A proposta científica traz-se por meio de uma análise do salmo 51
utilizando-se diversas fontes e referências bibliográficas referentes ao salmo,
como dicionários teológicos e materiais não-publicados oficialmente,
expressando estes conceitos de forma clara e objetiva, atingindo assim o
propósito deste estudo e pesquisa.

CAPÍTULO I
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O estudo teológico sobre o Salmo 51 vem acompanhado de pesquisa


exegética que traz conhecimento sobre aquilo que diz respeito da origem e do
surgimento do salmo 51, objeto do trabalho, que vem sendo usado com
frequência que traduz em palavras o sentimento de sincero e bem profundo
arrependimento de um homem que pecou, e reconheceu o erro que cometeu.
A necessidade desse arrependimento vem acompanhada do saber e
da origem desse salmo, com a finalidade de apresentar e reconhecer quão
imprescindível é estar com a familiaridade em dia com Nosso Senhor.
Nessa orientação trazida pela presença e temor ao Eterno, o
personagem e provável autor dessa obra, proporciona o conhecimento de seu
estilo de literatura, juntamente com o contexto da história daquela época. E
para que assim fosse, é trazida a possibilidade de identificação e afirmação
sobre a causa existencial desse salmo cujas linhas transcritas denotam com
exatidão sua disposição.

1.1 A AUTORIA E O GÊNERO DO SALMO 51

Pela análise realizada de forma exaustiva no conteúdo do salmo


sobrepondo o ponto da questão considerando o exame ao mesmo, resta que
se atribuir sua autoria ao personagem de um dos relatos bíblicos mais
impressionantes das Sagradas Escrituras ao grande rei Davi, inserido no
contexto em que o salmo 51 provavelmente fora escrito relatando-se e com
preponderâncias que se assemelham por demais ao contexto transcrito.
Tal circunstância pela qual o rei Davi possivelmente se encontrava cujo
tempo em que assim que a figura do profeta Natã compareceu e veio a dialogar
com a majestade da época e por meio de uma parábola ao final apontou-lhe o
pecado havido como resultado entre a sua aproximação junto da mulher
conhecida pelo nome de Bate-Seba (2 Sm 11 e 12).
A descrição dos autos vem enriquecida de tais e certos comentários
em que nas notas do rodapé da Bíblia por versões cuja linguagem de hoje em
dia se afirma em uma de suas notas sobre a existência do estudado e
pesquisado livro que encontra-se contido a redação escrita no salmo 51.
Nele, Davi expressa em palavras, como figura de autor do salmo, em
que visada a base do título numa versão na língua hebraica do salmo em
questão, que devidamente transliterado em tradução para nosso entendimento
e compreensão resulta-se na transliteração, Salmo de Davi.
Numa breve análise contextual ao que vem trazido a respeito dos
versículos de número 18 (dezoito) e de número 19 (dezenove) diversos autores
e comentaristas como, por exemplo, Davidson (1997) afirmam que os dois
versículos são considerados como acréscimo, ou seja, “adicionados alguns
séculos depois da época de Davi”, em que esta época foi ao tempo que
“quando os muros da cidade de Jerusalém foram derrubados, quando os
sacrifícios cessaram” (Ne 1.3; Sl 102.16,17; 142.2).
Pela autoria apresentada, resta trazida a atribuição à pessoa do
também personagem conhecido como ‘o rei Davi’, haja vista os seus pecados
que foram cometidos, com qualificadora de adultério junto da mulher
denominada na Bíblia Sagrada como Bate-Seba, ou ainda, em outras versões
conhecida como Betsabéia, e ainda pela co-autoria e qualidade de mandante
pelo assassinato de Urias, o esposo.
Todo o conteúdo do Salmo 51 traz consistência ao gênero conhecido
como os de lamentação, por deveras utilizado de maneira comum pelo povo
denominado judeu, bem como por cristãos de liturgia de natureza penitencial
por arrependimento, concernente a uma individual e particular súplica.
De forma racional pela consistência apresentada na mensagem
explícita através do salmo 51, após uma alcançada compreensão advinda pelo
entendimento alcançado, discerne-se que esse salmo, na verdade, foi um
trabalho escrito por autor desconhecido. Mas, no entanto veio a ser utilizado
em meio coletivo, tendo em vista que refletia a situação real de toda a
comunidade.
Uma provável atribuição de sua autoria para Davi possivelmente
consiste num recurso utilizado para o texto tivesse a patente de autoridade do
personagem do fato histórico de Davi.
Sobre esse respeito, vem atestado por Cordero e Rodriguez (1967):

Desde os tempos de Teodoro de Mopsuéstia não faltam autores que


interpretam este salmo em sentido coletivo e não o desabafo pessoal
de um indivíduo; nesse caso no salmo encontraríamos os
sentimentos da nação israelita no exílio, reconhecendo seus pecados
que lhe causaram sua ruína. Não obstante a composição tem
demasiados sinais personalistas para coletivizá-la e por isso parece
mais de acordo ao contexto supor que é obra de um justo
arrependido, consciente de seus pecados pessoais, que impedia a
amizade com seu Deus (CORDERO; RODRIGUEZ, 1967, p. 401
apud AUZANI; BACKES, 2009).

De forma mais específica sobre a autoria davídica, vem dito por Weiser
(1994):

De acordo com a epígrafe, o salmo teria sido composto por Davi,


quando o profeta Natã o advertiu, depois do adultério com Betsabéia
e do assassínio de Urias. Mas o texto não contém nenhuma indicação
que aponte conclusivamente tal situação. Ao contrário, diversas
passagens excluem diretamente essa data e estão em contraposição
com 2Sm 12. Consequentemente não se pode atribuir nenhum valor
histórico a esta ligação posterior do salmo com Davi. Como o
acréscimo (Vv. 20ss) se refere à futura reconstrução de Jerusalém (e
de seu Templo) a reconstrução do Templo logo após o exílio seria o
limite inferior da forma atual deste salmo originalmente pré-exílico
(Weiser, 1994, p. 297, apud AUZANI; BACKES, 2009).

Assim, em resumo o Salmo 51 consiste num salmo que se pode


alcançar a classificação como dito na referência acima, ou seja, de lamentação.
Sendo que via oração contrita, ele apela para a misericórdia de Deus partindo
experiência existencial própria. Jamais abandonaria tal experiência, e adiante
profere cânticos e ainda se alegra pela concessão do perdão concedido de
maneira expressa, portanto, consistindo na honrosa obra divina na sua vida
(AUZANI; BACKES, 2009).

1.1.1 TRANSLITERADO (SALMOS 51): CENTRO HORIZONTE

Lamenatsêach mizmor ledavid. Bevo elav Natan hanavi, caasher ba el Bat


Shava. Choneni Elohim kechasdêcha, kerov rachamêcha meche feshaai.
Hérev cabesseni meavoni, umechatati taharêni. Ki feshaai ani eda, vechatati
negdi tamid. Lechá levadechá chatáti, vehara beenêcha assíti, lemáan
tits’dac bedavrêcha, tizke veshoftêcha. Hen beavon cholalti, uvchet
iechematni imi. Hen emét chafáts’ta vatuchot, uvsatum chochma todiêni.
Techateêni veezov veet’har, techabessêni umishéleg albin. Tashmiêni sasson
vessimchá, taguêlna atsamot dikíta. Haster panêcha mechataai, vechol
avonotai meche. Lev tahor bera li Elohim, verúach nachon chadesh bekirbi. Al
tashlichêni milefanêcha, verúach codshechá al ticach mimêni. Hashíva li
sesson yish’êcha, verúach nediva tismechêni. Alamedá fosh’im derachêcha,
vechataim elêcha iashúvu. Hatsilêni midamim, Elohim Elohê teshuati, teranen
leshoni tsidcatêcha. Adonai sefatai tiftach, ufi iaguid tehilatêcha. Ki lo tachpots
zévach veetêna, olá lo tirtse. Zivchê Elohim rúach nishbára, lev nishbar
venidkê Elohim lo tivze. Hetiva virtsonechá et Tsión, tivnê chomót
Ierushalayim. Az tachpóts zivchê tsédec olá vechalil, az iaalu al mizbachachá
farim (CENTRO HORIZONTE, 2010. ART. INTERNET).

1.2 CONTEMPORANEIDADE DO SALMO 51

Levando em consideração que começando do ponto inicial que se


afirma ser o Davi o verdadeiro autor do Salmo 51, considera-se que seu
contexto, cuja época que consta de sua escritura, pode-se localizar uma
enorme possibilidade acerca do tempo que foi estabelecido e
aproximadamente sobre a data cujo referido texto fora escrito.
Segundo o posicionamento de Cardin (2008) ele proporciona por seu
trabalho a interpretação de que traz a possibilidade que estabelece a uma data
provável de aproximação entre meados de 992 a.C., em que aconteceu a
transgressão de Davi com Bate-Seba (2 Sm 11). Considera-se tal data em que
possivelmente se afirma que o Davi havia escrito o salmo em questão, sendo
por volta dos anos 991 e 992 a.C., tempo esse que foi exercido seu mandato
de rei sobre a nação de Israel.
Nesse tempo o povo de Israel era envolvido por vários conflitos,
adversidades e lutas, época essa que o fato vinha se consumando e que
quanto mais conquistava, mais ainda o rei Davi se acomodava.
A situação era tão evidente que o personagem histórico do rei se
tornava cada vez mais alheio ao foco daquele homem que tinha a boa fama e
excelente conduta de conhecido como conquistador e justo, frente a outros
reinos.
Na transparência de uma lírica fadiga e de comodismo, dentro de um
contexto absurdo, não mais era reconhecida tal identificação, comparando-a
com a anterior e verdadeira daquele sistema predisposto pelo rei Davi.

1.3 FORMA DE LITERATURA

O contido na redação do texto respectivo ao Salmo 51 trata de um


relato bíblico penitencial, que vindo a confessar na forma de penitência
encontra sua substância consistente no ‘ato de arrepender e no sentimento de
peso pelo erro praticado; como uma aflição, como um sofrimento por ter
falhado em algo que não se podia de maneira alguma vir a acontecer.
Sua relatividade é trazida para a questão da virtuosidade cristã que
alcança o arrependimento através e por meio dos pecados próprios e inerentes
a pessoa que o sente, na mesma medida que fora constituído pela ofensa e
pela desobediência contra a boa e forte ordem dos desígnios divinos.
(Pensamento próprio)
Genericamente o salmo em questão objeto de estudo, tem seu início
com a atitude do pecado, do erro sendo confessado, e junto dessa confissão
resta incluso o ato de súplica pelo perdão do Nosso Senhor Deus, que permite
a substituição da lamentação por sobre a tribulação vivida pelo pecador, o rei
Davi.
Claramente e de nítida percepção a estrutura literal do livro que traz o
Salmo 51, mostra o acréscimo de arrependimento tratado pela natureza do
homem em detrimento do sublime toque do Espírito Santo de Deus, que acerta
e impacta, não um simples servo de Deus, mas o homem com coração de
acordo com o propósito no nosso Senhor Deus, dentro de uma continuação
identificada também nos demais salmos que referenciam penitências.
Na visão de Ellisen (1991 apud Cardin, 2008) são identificadas certas
características elementares em relação aos salmos de penitências, com
exemplos abaixo relacionados:

*0 Dirigi-se a Deus e clamando por auxílio;


*1 Confissão sincera e com confiança;
*2 Petição verdadeira de auxílio divino;
*3 Súplica de cuidado especial divino;
*4 Cumprimento de promessa de aliança;
*5 Voto de louvor;
*6 Ação de graças;
*7 Segurança na resposta divina.

Identifica-se inclusive que existe a presença dum paralelismo com


sinônimo disposto de forma clara nos versículos 2, 3 e 5, situação essa em que
o rei Davi descreve como estilo bem parecido, como visto na parte ‘b’ do
versículo com a finalidade de complementação à idéia inicial no versículo
referido.

1.4 SITUAÇÃO HISTÓRICA DO SALMO 51

Dentro de um contexto da história bíblica o Salmo 51 tem sua forma


bastante assemelhada aquele contexto de história comparado ao do livro se
segundo Samuel, capítulos 11 e 12, conforme seus relatos.
Baseado na história dos relatos sagrados, a pessoa do rei Davi, em
pleno exercício de reinado, com curtíssimo período de tempo efetivou o pecado
de adultério junto de Bate-Seba, nesse interstício veio ainda ser o agente
intelectual e próprio mandante do assassinato que fora de forma premeditada e
sanguinária do marido da pecadora, conhecido pelo nome de ‘Urias’,
resultando no resultado prático de dois crimes consecutivos e porque não
sucessivos.
De atitude robustamente covarde, teve a atitude para construir uma das
mais extremadas e abomináveis condutas frente aos determinados e
raríssimos servos, cuja qualidade de Urias adequava-se perfeitamente como de
excelente por ser fiel e leal, destacado dentre muitos de todo tempo, por sua
atitude frente ao comando a que obedecia com seriedade e respeito, acrescido
ao ocorrido que o mesmo tinha posição de ‘amigo’ de Davi.
Baseado na questão pesquisada até o presente momento, destaca-se
com a citação abaixo, descrito segundo a posição do autor, em que traz
relatado o acontecido como termo inicial para o desencadeamento de uma
sucessão de más atitudes tomadas pelo rei Davi. Segundo Rivers, (2002):

A angústia invadiu-o quando se viu com nitidez, esquivara-se a seu


dever como comandante do exército. E se tornara entediado
irrequieto coma vida de lazer no palácio. Ao ver uma jovem de beleza
excepcional quando se banhava, mandou seus soldados buscarem-
na. (...) pensei que podia fazer o que bem quisesse. Por isso, roubei-
a de outro homem, gerei uma criança e depois tentei usar meu amigo
para esconder a prova do pecado (RIVERS, 2002, p. 138).

O período histórico em que tais fatos ocorrem conta de um tempo em


que reis, na figura de comandantes estariam junto de suas nações em meio
aos frontes das batalhas, em plena na guerra, no entanto, não foi o que
acontecia com a pessoa de Davi, depois de muitas conquistas e assolado,
provavelmente, pelo espírito de miséria em sua vida que desvirtuou tanto sua
personalidade quanto o seu caráter, como pode-se contrastar pelo exposto
abaixo. Para Swindoll (1998):

Não se tratava de um erro momentâneo. Ele não tropeçou no pecado.


Ele cometeu adultério com Bate-Seba voluntária e conscientemente,
matou o marido dela (pelo menos de forma indireta) e viveu
deliberadamente uma mentira durante os meses que se seguiram
(SWINDOLL, 1998, p. 244).

Do ponto de vista dessa imensurável negligência frente as suas


intransferíveis obrigações havidas deliberadamente tanto de parecer extrínseco
quanto intrínseco, junto a todo o processo dos pecados por Davi cometido
conforme é disposto ao conhecimento àquele que busca saber com noutras
passagens bíblicas, às quais se depara exemplificando-se ao livro de primeiro
Reis, capítulo 15 e versículo 5, exposto abaixo pelo autor. Cardoso (2003) diz:

Como “um abismo chama outro abismo”, ele, para esconder ou


“resolver” o primeiro pecado, comete outro pecado tão grave quanto o
primeiro: homicídio. Na verdade, ele não matou Urias, o marido de
Bate-Seba, com as próprias mãos, mas premeditou a sua morte,
enviando-o para a guerra em uma posição que com certeza ele
morreria (CARDOSO, 2003, p. 64).

Logo que consumados os pecados por Davi, o personagem do profeta


Natã surge e vindo até o rei Davi prontamente lhe repreende, e utilizando-se de
parábola pondo-o na posição de réu, colocando assim, a consciência do rei a
passar a ter peso, levando-o a reflexão acerca dos fatos ocorridos.
Com esse comportamento faz assim que pelo rei fosse assumida a
culpa existente, resultando no reconhecimento público daqueles pecados que
cometera, ressaltando-se tal reconhecimento frente ao Senhor Nosso Deus,
como abaixo disposto. Christenson, (2003):

Quando o Senhor enviou Natã Davi para repreendê-lo por seu


pecado com Bate-Seba e por providenciar para que o marido dela
fosse morto, Natã contou uma história a Davi, era a respeito de um
homem rico que matou a única cordeirinha de um vizinho pobre para
alimentar seus convidados, em vez de pegar uma ovelha de seu
enorme rebanho. Davi se encheu de furor e exclamou: “Tão certo
como vive o Senhor, o homem que fez isso deve ser morto. (...)
Então, quando Natã disse: “Tu és o homem!” e Davi ficou arrasado e
arrependeu-se de seus terríveis pecados (CHRISTENSON, 2003,
P.164).

Pela atitude de reconhecer seus pecados Davi tem início ao que lhe
atinge pela consequência tanto espiritual quanto judicial da época, refletindo ao
ser humano aquilo em que através da santíssima presença do poder do Senhor
nosso Deus executa com justiça e certeza face tudo que forma a circunstância
na vida de homens que mergulham de cabeça na podridão que o mundo
proporciona, por meio dos prazeres mundanos e desejos nefastos, em
conformidade àquilo que é contido pelo exposto no livro de segundo Samuel,
em seus capítulos 12 (doze) e 13 (treze).
No entanto, mesmo lançada a misericórdia de Deus para com Davi, ele
não podia se eximir de sua responsabilidade de função monárquica, logo a
disposição do autor a seguir condiz com o passo seguinte a que Davi daria
frente aos olhos de Deus: “Durante essa época, o pecado de Davi não passou
despercebido para Deus. O último verso do capítulo onze diz: ‘Porém isto que
Davi fizera, foi mal aos olhos do Senhor’” (SWINDOLL, 1998, p. 244).
A história não hesita em afirmar que com os dias seguintes de Davi
foram construídos com rochas sólidas e bem pesadas criadas por sua própria
consciência, como vemos: “Sua alegria se fora. (‘Restitui-me a alegria da tua
salvação’ Sl 51.12.) Sentia-se hesitante, inferior e inseguro. (‘Cria em mim, ó
Deus, um coração puro, e renova dentro de mim um espírito inabalável’ Sl
51.10.)” (SWINDOLL, 1998, p. 244).
Seguindo o entendimento de vários autores condizente com a proposta
que vem trazida pelas Escrituras Sagradas, que prima pelo amor, resta citado e
conveniente salientar a descrição quanto ao arrependimento de Davi e o
perdão de Deus frente sua horrível transgressão. Christenson, (2003):

Quando Davi reconheceu que era um pecador e arrependeu-se, Natã


disse: “Também o Senhor te perdoou o teu pecado; não morrerás (2
Sm 12: 13,14). (...) Por fim, Davi percebeu que se arrepender diante
de Deus não representava o fim de suas responsabilidades. (...) Viu
também que, sendo ele próprio o homem ao qual Natã havia se
referido na história, deveria, de algum modo, reparar seu erro
(CHRISTENSON, 2003, P.164).

Com toda certeza e propriedade de causa, frente a pesquisa realizada,


nada passa desapercebido aos olhos do Senhor Nosso Deus, bem como, aos
próprios olhos que cometem o pecado, cujas consequências são irrefutáveis e
irrenunciáveis, como é completamente compreensível a todo aquele que um
dia teve seu telhado de puro vidro e estava em meio a uma chuva de granizo
de grossa proporção.

CAPÍTULO II

2. ANÁLISE EXEGÉTICA E SINTÉTICA DO SALMO 51

A predisposição do contexto conhecido e bem expresso, proporciona


uma redação que indubitavelmente é inspirada de forma divina, cujo texto traz
a explicação contida no Salmo 51, que se torna necessário seja realizada uma
análise com aplicação da exegese ao seu conteúdo.
A finalidade é que se possa analisar e atingir a extração de quais são as
participações próprias e contribuições que o Salmo 51 dispõe para se formular
a interpretação pela qual a mensagem de núcleo, ou seja, central seja
alcançada.
Assim, totalmente inegável o cunho de extrema espiritualidade e
divindade é tocante por essa experiência davídica, co-relacionada ao tempo do
mundo atual.
Sinteticamente, conveniente se torna um raso esboço que traduza o
intrínseco da mensagem do Salmo 51:

I – A presença do Senhor que se manifesta como benigno e


misericordioso, apagando e purificando o volume grande de pecados,
expressado nos versículos, primeiro e segundo;
I.1 – O Senhor aplica sua benignidade e misericórdia, no ato de apagar
todos pecados, disposto no versículo 1º;
I.2 – A purificação dos pecados pode ser alcançada, bem como, em as
iniquidades praticas, em que clamado, vem o Senhor, e nos lança a graça,
baseado no versículo 2;

II – O salmista reconhecia sua natureza de pecado, mas mesmo assim,


tinha a conscientização de seu pecado, vindo a reconhecê-lo, almejando pela
santidade e pelo amor do Senhor, desejando ainda sobre a sabedoria e que
essa estivesse de maneira intrínseca dentro da alma, para que não houvesse
pecados contra Ele, conforme a expressão dos versículos 3 (três) e 6 (seis);
II.1 – Como a carne que grita dentro de cada um, também, o pecado
sempre era presente frente ao salmista, segundo haja vista o versículo 3 (três),
pela demonstração a todos face sua verdadeira condição de ser humano e
passividade de quaisquer falhas;
II.2 - A santidade e justiça do Senhor é manifesta na conscientização e
confissão do pecado por parte do salmista, versículo 4;
II.3 - A natureza pecaminosa do ser humano está presente antes do
seu próprio nascimento, proposto no versículo 5;
II.4 - A vontade do Senhor é de que a sabedoria esteja intrínseca na
alma humana, versículo 6;

III - Busca em alcançar a santidade e a purificação dos pecados em


momento de juízo divino com requisição de um espírito inabalável, somado a
constante presença de Deus e de sua almejada salvação, num seguimento aos
versículos do 7 (dezessete) até o versículo 12 (doze).
III.1 - O perdão eficaz de Deus, claramente perceptível, acima das
percepções humanas, com relacionamento sensivelmente e de forma concreta
com o espiritual em cada ser, relacionado com aquilo que é divino, visando
tornar-se homens alvos mais que a neve como no versículo 7 (sete);
III.2 – A intenção de alcançar o regozijo que nos alegra e nos satisfaz,
inegavelmente presente em momento de intenso juízo de Deus, no versículo 8
(oito));
III.3 - O salmista pedia para o Senhor Nosso Deus que não olhasse
para os pecados, expresso no versículo 9 (nove);
III.4 – Buscando a santidade e pedindo por um espírito inabalável, com
base no versículo 10 (dez);
III.5 – O salmista suplica mesmo consciente da reprovação de Deus
clama ao Senhor para que não o desampare, disposto no versículo 11 (onze);
III.6 – O salmista transparece sua alegria por crer que sua salvação
advém porque o Senhor haveria de lhe conceder, conforme versículo 12
(doze);

IV - Os pecados em livramento juntamente com o salmista restaurado


visando a salvação no Senhor que frente a situação exige sacrifício de um
coração quebrantado e espírito compungido que proclama glórias do Senhor
Nosso Deus, segundo os versículos 13 (treze) ao 17 (dezessete);
IV.1 - A salmista restaurado desenvolve no coração próprio, a vontade
de ministrar ensinamentos a todos que encontram-se desviados do caminho do
Senhor, no versículo 13 (treze);
IV.2 – Livrado dos pecados e almejando pela salvação que apenas o
Senhor e único Deus que tem o poder de conceder tamanha graça, dá a mais
verdadeira alegria ao coração daquele que recebe, visto no versículo 14
(quatorze);
IV.3 – Proclamação da glória de Deus, pela própria boca daquele que
fora um pecador, jaz um perdoado, percebido no versículo 15 (quinze);
IV.4 – O manifesto voto de reprovar do Senhor, quanto ao ato de
oferecer sacrifício em holocausto para o Senhor, contido no versículo 16
(dezesseis);
IV.5 – A apresentação do coração e do espírito compelidos pela mais
tenra manifestação de amor com a atitude de satisfação do Senhor, veiculado
no versículo 17 (dezessete);

V – A demonstração de amor e de como o Senhor Deus é bom,


aceitando ofertas e sacrifícios segundo a aplicação de sua justiça frente o Seu
altar consistente na manifesta concessão das bênçãos para Jerusalém e para
Sião, nos versículos 18 (dezoito) e 19 (dezenove);
V.1 - A manifesta expressão de como Nosso Senhor é bom, em incluir
todos em sua concessão de bênçãos tanto para Sião, quanto para Jerusalém
no versículo 18 (dezoito);
V.2 – Frente ao altar de Deus, Ele rende agradecimento aos sacrifícios
de justiça oferecidos em forma de holocaustos e ofertas queimadas, versículo
19 (dezenove);

2.1 MENSAGEM EXTRAÍDA DO SALMO

Baseado num estudo sintético foi almejado compilar o Salmo 51, cuja
intenção possibilitou proposição da mensagem a seguir, com raciocínio próprio
aplicado, no que tange a misericórdia e perdão por parte do Nosso Senhor
Todo Poderoso e bom. Segundo notas de rodapé da Bíblia Almeida (1995):

O Senhor comprova com sua benignidade e compaixão misericordiosa


o ato sublime de livrar seus filhos dos pecados, como o salmista pretendia sua
restauração, mesmo consciente de seus erros e reconhecendo sua natureza de
pecado, porém, para tanto foi exigido um elevado nível de consciência para
que vencesse a si mesmo e conseguisse executar sua própria confissão sobre
o pecado praticado. Tal atitude foi manifestada através da oferta por sacrifício
de seu coração e espírito quebrantados por completo, nem em maior parte,
nem pela metade, mas sim, por completo, cuja ação não era vencida pelo
cansaço, sempre em brados espirituais proclamando glórias ao Deus
eternamente vivo jamais se negaria um dia de abençoar aos Seus autênticos
eleitos (Pensamento Próprio).
Considerando a misericórdia unida com a benignidade divina, resultam
no livramento do pecado da vida daquele que um dia vivia numa vida de
pecado, somando-se ainda a um adicional como um segundo resultado
aplicado na forma existencial, correspondente a restauração, que sempre
exigirá o ato de confessar e de se arrepender.
Esse processo tem seu início primeiro pelo mundo espiritual que se
reflete pelo quebrantamento do coração que vai ficando e claramente sentido
por uma fortíssima angústia naquele que glorifica a DEUS pelo seu
comportamento de arrependimento.
Assim, esperando mais que nunca em si mesmo que dúvida alguma
paire sobre sua espera, mesmo que demorada, para o Eterno não deixe de
lançar-lhe a benção sobre aqueles que são escolhidos por Ele, ainda que em
vivendo nos perigosos e sinuosos caminhos da transgressão.
De bom alvitre cita-se o conhecido jargão, que com certeza de
inspiração divina também, foi citado e por muitos hoje conhece-se que, apesar
da prática de toda e quaisquer iniquidade, ‘mesmo na infidelidade, Deus é fiel
conosco’.

2.2 CONSEQUÊNCIAS DA TRANSGRESSÃO

Davi ao tempo em que fora escolhido como rei, era tão humilde quanto
a Saul, e em pouco tempo ficou reconhecido como governante capacitado e
muito popular. Esse reconhecimento do povo lhe empolgou para que também
fosse vitorioso em muitas batalhas, alcançando a prosperidade para si e para
seu povo. Porém, de forma descuidada e por infelicidade sua, permitiu que o
pecado entrasse em seu reinado, por próprio. Como supra mencionado, ao ver
Bate-Seba, durante o banho, quando então cobiçou-a e procurou saber sobre
ela e obteve informações de que se tratava da esposa de Urias, um de seus
melhores soldados. Com a qual cometera adultério, após ter sido convidada
para entrar na presença do rei.
Não se pode destoar que, mais cedo ou mais tarde Deus cobra os
pecados cometidos, sendo que para Ele nada fica escondido, e sendo assim,
quando Bate-Seba descobriu sua gravidez avisou a Davi que ele seria pai. A
atitude de Davi, como muitos nos dias atuais, foi de não admitir o pecado
cometido, quando então pela posição de rei, mandou chamar o seu esposo,
que se encontrava em campo de batalha e lhe ordenou que voltasse para sua
família, em sua casa.
Com essa atitude, Davi pretendia que a criança vindoura, parecesse
legítima do casal. No entanto, em respeito aos amigos do exército Urias se
recusara a se deitar com sua esposa, quando então sabendo disso Davi
mandou um recado a ser entregue nas mãos de Urias, por Joabe o
comandante, para que desse a ordem ao servo leal, que compusesse o fronte
de batalha, e que quando nessa posição de obediência por Urias, o mesmo
acabou por ser morto pelos inimigos. Davi então se casou com Bate-Seba.
Quando pecados acontecem, não por serem causados, mas por se
tratarem de ‘acidente de percurso’, a conduta correta a ser tomada
corresponde ao arrependimento, no entanto, Davi mesmo na posição de rei
não foi cristão o suficiente para tomar tal iniciativa e decisão. Seu
comportamento foi totalmente reprovável ao tentar acobertar seu erro,
resultando no cometimento de mais um pecado. Dessa forma, Deus tratou de
alterar o curso natural da história, e aplicou meios robustos e consistentes que
levassem Davi a se arrepender.
Davi foi advertido sobre o adultério e o assassinato, e que também seria punido
de forma severa com: a) morte da criança; b) espada faria parte dos seus; c)
suas concubinas seriam tomadas sob as vistas de muitos do seu reino.
A igualdade entre Davi e Saul foi que ambos pecaram, com o envio de
profetas para lhe condenar seus pecados, quais foram Natã e Samuel,
respectivamente, anunciando seus julgamentos. Porém, a diferença entre os
dois pecados foi que Saul quis se desculpar e se afastar da culpa, mas Davi
confessou: “Pequei contra o Senhor… contra ti, contra ti somente, e fiz o que é
mal perante os teus olhos (…)” (2º Samuel 12.13 e Salmos 51.4).
Após essa atitude ele clamou ao Senhor pelo perdão e para que fosse
concedida a restauração do seu relacionamento com Deus, sendo que Ele o
perdoou (2º Samuel 12.13).
O sincero e puro arrependimento traz a diferença nos resultados
conferidos por Deus. Sendo que a vida de Saul do pecado em diante foi
atribulada por sua culpa, provocando nele a paranóia, depressões, dentre
outras coisa ruins. O seu reinado que prometia prosperidade, perseverante,
acabou por ter um fim trágico, acabando em suicídio. O de Davi, por mesmo
tendo enfrentado a difícil e terrível disciplina do Senhor, como a morte de seu
filho, a briga na família, a ciência dos estupros sofridos por suas mulheres,
mesmo assim, foi perdoado de sua culpabilidade. E mesmo tendo retornado ao
relacionamento de amizade com o Senhor, continuou a ser considerado um
homem segundo o Seu coração (Gary Fisher, ).

2.3 EXEGESE SINTÉTICA

Acerca dos versículos 1 (primeiro) e 2 (segundo) denota-se o a


redação sobre o pecado, ao qual o rei Davi se humilhou frente a Deus e
verdadeiramente reconheceu seus erros e pediu para que o Senhor os
‘deletasse’ dos arquivos celestiais toda sua imunda transgressão, com base na
sua maravilhosa e enorme misericórdia divina, bondade e benignidade celeste.
Dentre os versículos 3 (três) até o de número 6 (seis), demonstra o
reconhecimento por Davi que diante do conhecimento sobre sua natureza
transbordante de pecados, reconhece que de fato pecou e veio a infringir e
corromper no cerne principal da existência de um ser humano que consiste no
caráter divino e santo que pertence, pertenceu e sempre pertencerá ao Senhor
Nosso Deus.
Com o transcorrer de tudo isso, dos versículos do 7 (sete) ao 12 (doze)
corresponde ao ato de purificar-se, pelo qual a pessoa de Davi então clamava
a Deus para que o mesmo fosse purificado dos suas transgressões, querendo
mais além regozijar na presença do Senhor, de forma limpa e pura, se
apresentando com seu espírito e seu coração como um filho inabalável que
fora alcançado e merecido pelo suporte espiritual atingido voluntariamente.
Em continuação aquele raciocínio anterior, segue-se pelos versículos
13 (treze) indo até o de número 17 (dezessete), visando conquistar sua
restauração com o Pai, em que o rei Davi se propôs ser usado segundo a
vontade do nosso Senhor, fazendo uso das proclamações para toda vez que as
glórias atingissem aqueles que desconhecessem sua benignidade e
misericórdia, se propondo sempre a estar pronto a se oferecer por meio de
sacrifícios de quebrantamento ao Nosso Senhor Deus.
Logo, dentre os versículos 18 (dezoito) e 19 (dezenove), narra acerca
da benção aplicada e derramada pelo Pai e Eterno Deus que em sua extrema
fidelidade e soberania, promove alianças a ser feitas junto ao seu povo, no
sentido de manutenção, reconhecida e elevadamente considerada Deus é
imutável quando se trata de concessão de bênçãos ao seu povo.
Numa outra versão a título estrutural sobre o Salmo 51 para esse
estudo aplicando-se a exegese, segue-se a aplicação do modelo de Weiser,
fracionando-se o referido Salmo 51 em número de 6 (seis) blocos de temas, ou
seja, vejamos a seguir a desenvoltura estrutural:

1- Pedido de perdão invocando a Deus (versículos: 3 ao 5)


Do verso 3 (três) ao 4 (quatro), arrebentado pelo espírito de miséria
que lhe assolou com o pecado, o autor demonstra um enorme depósito de
confiança acerca da misericórdia de Deus.
Afirma Auzani; Backes que:

(...) a profundidade da angústia, do sofrer do salmista em decorrência


de seu pecado faz-se notar por intermédio das repetições e das
súplicas. Também ele (o salmista) nem é capaz de recorrer às suas
boas ações do passado para assim tentar abrandar sua culpa atual, o
que constituía recurso corriqueiro nessas situações (AUZANI;
BACKES, 2009, p. 6).

De fato, o peso da transgressão praticada fora de grande proporção,


sendo que nem mesmo tudo o que tinha feito antes historicamente inspirador
para tantos, fora capaz de sequer ser suscitado para que seu mal-estar
espiritual refletido em sua carne fosse abrandado.
Atencionado ao trilhar do pensamento de Weiser, pode-se afirmar que
com certeza uma angústia muito grande de dimensão espiritual, originou-se da
transgressão cometida, resultando numa profunda depressão do orador.
Sendo assim, também o arrependimento próprio foi revestido de
amarga seriedade. Toda postura daquele homem foi levada embora, por conta
daqueles seus pecados praticados diante dos olhos do Nosso Senhor Deus
que tudo sabe ao que pensamos e ao que sentimos.
Dentro desse contexto apresentado na história bíblica, nada é
apresentado de forma superficial. Salienta Schökel e Carmiti sobre a petição de
perdão ou para sem mais especifico ao contido no versículo 3 (três), como se
nota: “‘Apaga’: como se apaga ou cancela algo escrito, especialmente uma
dívida, um nome (...). ‘Imensa’: (...) ‘Quem suplica grande misericórdia
confessa grande miséria’, Agostinho” (SCHÖKEL, CARMITI, 1996, p. 702 apud
AUZANI; BACKES, 2009).
Em suma, o recebimento do perdão leva a refletir que aqui pode ter
havido uma possível retomada da relação de Davi com Deus.
No versículo 5 (cinco), denota-se um forte elemento que se destaca
nesse versículo com fator fundamental para a apresentação da verdadeira
penitência, isto é, o “sincero reconhecimento das transgressões”. Sua
consciência do pecado foi muitíssimo forte, tanto quanto o resultado público
atingido.
Francamente arrependido, o autor do texto, também consigo mesmo
presta reconhecimento sua própria falha e demonstra uma enorme coragem,
de iniciar seu passo de arrependimento, fazendo dessa maneira com que o
redacionista do salmo alcance a força de se afastar de longa distância do
pecado e lançar a si próprio o julgamento adequado, certo e justo.
Tal aplicação tem proporções inimagináveis quando aquela força foi
manifestada através da fé do salmista, e naquela hora de mais intensa angústia
a ele fora dada correspondente a sua pretensão reta e certa.
Por meio da oração foi colocado diante dele a realidade à qual não se
poderia escapar, ou seja, naquele tempo a respeito do Nosso Pai, o Eterno e
misericordioso Deus, o salmista sentiu que Deus o condenara, porém, ao
mesmo tempo foi trazido para a realidade transcendental, isto é, o rei Davi
buscava a própria reconciliação (Cf. Weiser, 1994, p. 298 apud AUZANI;
BACKES, 2009).

2- Confissão (versículos 6 ao 8)
No versículo 6 (seis) pode-se constatar a inscrição do autêntico
reconhecimento sobre a prática do pecado despertado ao autor do salmo sobre
a possibilidade de admirar a grandeza do Eterno e da sua tremenda
misericórdia.
Fica nítido o reconhecimento do salmista que qualquer pecado finda
por ser contrário ao que Nosso Deus quer para os seus, pois, condena a
relação homem com Deus. Noutras palavras, segundo o autor supra
mencionado, condiz o pensamento dele com o desenvolvido na pesquisa até o
presente ponto de evolução como segue a frente:

É precisamente em relação a Deus que o reconhecimento do pecado


adquire toda a sua agudeza. Perde seu caráter de falta particular e
aparece como a tendência perversa fundamental da vontade humana
oposta a Deus (WEISER, 1994, p. 299 apud AUZANI; BACKES,
2009).

O salmista preocupa-se não apenas consigo mesmo, mas nessa


preocupação inclui em última instância, o cerne detectado em sua atitude após
muito sofrimento com seu próprio eu, isto é, concluiu o maior peso de toda e
quaisquer das transgressões praticadas, ofendeu a Deus.
Consiste afirmar nesse ponto, baseado nos pensamentos dos autores
infra-referidos que frente a época que evolutivamente seguia avante, que o
autor do salmo errou de natureza gravíssima, e como fundamento do seu
próprio juramento de fidelidade ao soberano se apresenta diante dele como
culpado (SCHÖKEL; CARMITI, 1996, p. 702 apud AUZANI; BACKES, 2009).
No contexto acima descrito, o reconhecimento do pecado consiste
numa diretriz de premissa basilar para que haja de fato um retorno ao
relacionamento para com Deus. Novamente deve ser tomado, mesmo que com
esforço sobrenatural, fundamentado e seguindo de muita oração.
Esse renovo ao rumo de excelência é conquistado não com poucos
elementos, devendo ser considerado a reflexão sobre a reconciliação que é
quista. O autor do salmo, segundo o pensamento do autor abaixo referido,
seria descrito como a seguir citado:

(...) na seriedade da consciência do pecado experimenta a seriedade


do julgamento divino com todo o seu rigor, e no fato de que através
do reconhecimento do pecado se lhe reabrem os olhos para a
realidade de Deus, sente a mão da graça divina que não quer deixá-
lo sozinho no seu pecado (WEISER, 1994, p. 300 apud AUZANI;
BACKES, 2009).

Inegável que o cometimento do pecado gera um buraco enorme que


distancia o estar de um lado, o salto e o alcance da outra margem, ou seja,
corresponde a queda num abismo, por ele gerado. Mas circunstâncias como
tais, por Nosso Senhor são vistas como oportunidades ou mesmo permissões
que traz consigo uma oportunidade para a real e autêntica vontade de
aproximação a Deus.
No conteúdo do versículo 7 (sete), mostra que o salmista vinha
identificando a transgressão em sua raiz mais profunda, percebendo com isso
o essencial da presença viva de Deus na vida de seus filhos, pois, não se
resistindo ao pecado o homem vem a ser levado a ter um saber definido
daquilo que é para ele sobre a sua essência divina espelhada na figura do
Deus vivo em si pela semelhança em sua criação.
Assim, passa a ter em sua frente e em toda sua vida a visão do
pecado, então se pode afirmar e dizer segundo o autor já referido acima, como
segue:

A tragédia do homem é ter nascido no mundo do pecado. O ambiente


em que se desenvolve a criança já está impregnado de pecado e
tentação. E quando aprende a distinguir entre o bem e o mal, já
descobre em si a tendência natural de sua vontade contrária à
vontade de Deus (WEISER, 1994, p. 300 apud AUZANI; BACKES,
2009).

Baseado em Weiser, o mesmo lança o descarte da idéia que o


matrimônio revestido seria duma índole repleta de pecado, ou seja, da mesma
maneira lembrada pelo autor, o salmista medita de sobremaneira profunda
acerca do seu ato isolado de pecado, passando a visionar a transgressão
cometida como um resultado de totalidade e toma uma conclusão bem citada,
conforme segue o raciocínio abaixo expresso:

(...) todos os pecados individuais apontam para a tendência


demoníaca da humanidade obstinada na busca da sua própria
ambição, enraizada na sua natureza, e ameaçando constantemente
levá-la à tentação (WEISER, 1994, p. 300 apud AUZANI; BACKES,
2009).

No versículo 8 (oito), vem impressa a idéia de que é trazido à luz do


conhecimento nesse versículo que de fato a verdade nunca permite ser
escondida com relação entre o ser homem o sobrenatural denominado ‘DEUS’.
Sendo que como um homem busca com constância o aprimoramento de seu
saber sobre o Senhor Nosso Deus, da mesma maneira Deus já o entende e
compreende no mais íntimo de sua existência, também sobre todas suas
limitações.
Nesse contexto, Schökel e Carmiti atestam que:

O próprio Deus trabalha na intimidade do homem, para que adquira


sensatez e a transforme em modo de ser. E parte da sensatez é
descobrir e reconhecer os pecados e a condição pecadora
(SCHÖKEL; CARMITI, 1996, p. 703 apud AUZANI; BACKES, 2009).

3- O perdão pedido e clamado (versículos 9 ao 11)


No verso 9 (nove), traz o relato o salmista em que por ele tomada a
límpida consciência sobre o pecado por ele cometido e seu sentimento a
respeito da aplicação da misericórdia de Deus na vida daquele que está
disposto a ser um ex-pecador.
Totalmente transparente e notável a mudança àquele que tem a
permissão de Deus a ser tomado de novo ânimo, vivenciado a necessidade da
insistência no clamor para que perdão lhe seja aplicado. Em determinadas
expressões do versículo em questão são remontados os elementos que
integram a linguagem aplicada nos cultos, frisando o reforço da idéia em que
haja a penitência como se tratasse de um procedimento espiritual.
Bem frisado o exemplo nítido sobre o ponto em questão que consiste
na parte do versículo cujo salmista diz: ‘Limpa-me do pecado com hissopo...’.
No versículo 10 (dez) denota-se o ato de júbilo e de alegria
direcionados aos céus pelo salmista que traz a crença de trata-se do alcance
do perdão de Deus, com também sobre a promessa acerca da salvação. A
passagem dá a noção de ossos em flagelo que transmitem a idéia de homem
na sua totalidade, arrebentado pela transgressão, inclusive, pelo ato de
reconhecer tal situação.
Frisam Schökel e Carmiti que:

Quando Deus pronunciar a sentença de graça outorgando o perdão,


o penitente escutará uma notícia alegre e até o fundo de seus ossos
sentirá o gozo. ‘Ao vê-lo alegrar-se-á o vosso coração e vossos ossos
florescerão como um prado’ Is 66, 14 (SCHÖKEL; CARMITI, 1996,
p.703 apud AUZANI; BACKES, 2009).

Ainda, no versículo 11 (onze) o salmista de novo requer que o Nosso


Pai esqueça suas falhas, talvez num sentido de reforço dos pedidos anteriores.

4- Rogando por renovação (versículos do 12 ao15)


No versículo 12, os pedido de seguimento penitencial, atingem um
caminho pelo salmista que não alcança seu mais alto grau, sugestionando que
seria a saída determinava-se pelo simples perdão concedido contra suas
transgressões. Ele mesmo sustenta a forte proposta dele promover uma
considerável mudança tanto de atitude quanto de novo estilo para sua vida.
O verbo aplicado nesse versículo acentua a atribuição de uma ação
baseada somente em Deus. Consistente em apenas três frases que descrevem
ao espírito, tais como o entendimento de Weiser, ou seja, tal atitude por parte
do salmista revela “a seriedade, a sinceridade e a sua disposição de
penitência”.
O autor ainda ressalta que o pedido contido nesse versículo expressa
quão frágil e fraca consiste a condição do homem que apenas por si próprio é
incapaz de se vencedor quanto a realidade da transgressão, lembrando que
somente com por conta do auxílio de Deus é que se vê um horizonte de vitórias
passivo de ser tomado por meio de muita fé, perseverança e esforço sem
medida.
Ressaltam Schökel e Carmiti com este pensamento: “O homem não
pode com suas forças erguer-se do reino do pecado ao reino da graça, isso é
ação e dom de Deus” (SCHÖKEL; CARMITI, 1996, p. 703 apud AUZANI;
BACKES, 2009). Sendo que o real sentido de “espírito” nesse versículo lembra
o desejo de se tornar um servo bem disposto. Em termos mais básicos, seria a
vontade de se tomar da boa e saudável disposição.
No versículo 13 (treze) traz em seu bojo a vontade de alcançar uma
vida renovada, o salmista expressa no versículo seu intento fortíssimo de viver
um relacionamento duradouro e saudável com Senhor Nosso Deus, sabendo
que sem esses detalhes a renovação em sua vida seria impossível.
Acerca do sentido da expressão ‘espírito’ no versículo firma Schökel,
como segue:

É um espírito santo; o pedido é que Deus ‘não tire’ o que tinha dado.
Lido em chave davídica, seria o espírito de profecia, conforme 2Sm
23, 2. Lido em chave comunitária, é retirar a condição de povo santo
e consagrado: Ex 19, 6; Is 62, 12, anular a escolha, rejeitar, como
mostra o paralelo de 2Rs 13, 23 (SCHÖKEL, 2002, p. 1238 apud
AUZANI; BACKES, 2009).

No versículo 14 (quatorze) o salmista permite a transparência em que, com a


alegria advinda do perdão concedido é recebido como sinônimo de fortaleza
para nova vida, como antes dito, sem o devido amparo divino não se alcançaria
jamais o sucesso. Os autores abaixo referidos citam:

O orante pede para receber um dinamismo novo, que impulsione


suas ações a partir de dentro, sem necessidade ou não em virtude de
imposições externas. Com generosidade, para cumprir não o mínimo,
mas ultrapassando o devido (SCHÖKEL; CARMITI, 1996, p. 704
apud AUZANI; BACKES, 2009).

Quanto à expressão ‘espírito’ contida no versículo, lembra o significado


que segundo Schökel traz a base de se trata de “um ‘espírito principesco’, que
permeia a espontaneidade, como também a generosidade, a nobreza relativa
ao ânimo, ou seja, não como uma lei de fora, mas sim como um dinamismo
interno” (SCHÖKEL, 2002, p. 1238 apud AUZANI; BACKES, 2009).
No versículo de número 15 (quinze) mostra a certeza de acolhimento
da aplicação da misericórdia divina, carregada de perdão para anular os efeitos
do pecado cometido, o salmista, crente dessa benesse de Deus, passa a
motivar-se visando trilhar uma nova vida, preocupando a estar disposto como
servo, ou seja, como instrumento que Deus use conforme a vontade dele,
favorecendo outros pecadores quanto ao esplendor do milagre da salvação
para cada um deles. Nesse sentido confirma Weiser:

A autenticidade da experiência do fiel com Deus pode ser deduzida


do fato de ele sentir-se compelido, por uma necessidade interior, a ir
aos pecadores para dar testemunho do caminho que Deus lhe
ensinou (WEISER, 1994, p. 302 apud AUZANI; BACKES, 2009).

Com certeza, inúmeras são as lições que são deveras proveitosas com
a experiência do salmista, somando-se ainda junto da graça que Deus oferece,
eis que faz do autor do salmo um agente da salvação por Deus, destinada a
todas as pessoas. Os pecadores e perversos aos quais se refere o salmista, da
a entender que com todos aqueles que não crêem no Eterno, certamente de
um lado daquilo que fortemente é concreto no mundo espiritual formam
ameaça para a manifestação da fé, inclusive podem atingir diretamente a
índole e o sentimento de integridade daquele que vive como verdadeiros
crentes.

5- Voto (versículos do 16 ao 19)


No versículo 16 (dezesseis) o salmista elabora seu pedido no sentido
em que o mesmo corresponda com se fosse uma forma de risco de vida
segundo o pecado por ele transgredido. Ocasião em discorrida em que se ele
morrer, de maneira nenhuma poderá sua fé também poderia viver, sequer
apresentar eventual testemunho da mesma.
Mostra que tem em sua consciência a total perspectiva de renovo para
sua vida, e assim o autor do salmo pretende alcançar sua conservação. A frase
denota o sentido que ele clama pelo livramento pelo seu sangue, restando
expresso assim a sua vontade de ser liberto de um possível homicídio.
Num sentido amplo quer dizer sobre o enorme e inenarrável querer de
ter o livramento de quaisquer espécies de violência. No retrospecto davídico
encontra-se a referência com o fato do assassinato de Urias (CF. SCHÖKEL,
2002, p. 1239 apud AUZANI; BACKES, 2009).
No versículo 17 (dezessete) o autor do salmo narra sobre a
dependência que tem o salmista em relação ao Divino e Eterno, deixa
transparecer a clara impressão que no papel de objeto de revestimento da
perspectiva de vida renovada, recorre em tudo sobre o auxílio e orientação de
Deus, com a intenção de que quando consultar e pedir o auxílio do Nosso
Senhor possa considerar os propósitos da mudança pretendida para que não
incorra outra vez em transgressão.
No versículo 18 (dezoito) mostra outra obviedade, relatando que o
autor do salmo é como filho de um determinado tempo. E que naquele tempo,
fosse natural buscar o agradecimento do Senhor por meio de ofertas e
sacrifícios. Simplesmente pode-se afirmar que o salmista mostra a clara
intenção de atingir além do comum e esperado, ou seja, não apenas com
singelos sacrifícios materiais, agora ele buscaria agradecer Nosso Deus
visando sua total satisfação em resposta pela graça recebida.
O ato de oferecer holocausto simplesmente não é mais o mesmo.
Contudo, tanto uma ação quanto a outra parece causar a impressão de
insuficiência de convencimento ao Senhor Deus, constatando-se que o autor
do salmo está realmente cheio de arrependimento. Como o instrumento de
maior prova de uma conversão corresponde a mudança profunda de
comportamento na própria vida e não em meros sinais que aparecem de
passagem na vida particular de cada pessoa.
No versículo 19 (dezenove) o salmista descreve a confirmação daquilo
que vinha dizendo no versículo de antes. Quando o real e autêntico sacrifício
consiste no dever de ofertar, o melhor possível a Deus, ou seja, aquilo que
ultrapassa alguma coisa puramente material. Como no pensamento da maioria
se faz válida a afirmação de alegra a Deus aqueles que realmente são
humildes.
Dessa forma, o espírito e o coração descrito nesse versículo são
diversos dos sentidos expressos no versículo 12 (doze), ou seja, os termos
aparentemente designam sua própria essencialidade, como um ser na
totalidade de sua existência.

6- A anexação (versículos 20 e21)


Dentro do contexto dos versículos 20 (vinte) e 21 (vinte e um) com
base na idéia de Weiser, apresenta um risco correspondente sobre um olhar
religioso expresso no decorrer do salmo, por não ser compreendido na forma
devida, e tal impedimento veio a ocorrer após a anexação desses dois
versículos.
Como dito pelo autor supra referido:

A aceitação dessa concepção teria significado nada menos que a


destruição de toda a forma de vida religiosa. Isso explica por que
mais tarde se acrescentou uma restrição com relação ao culto
sacrifical (WEISER, 1994, p. 304 apud AUZANI; BACKES, 2009).

Mais a frente o salmista complementa explicando que fora mais óbvio


para ter ocorrido a anexação dos versículos 20 (vinte) e 21 (vinte e um) cujo
desafio foi colocá-lo num tempo que havia precedido a reconstrução do Templo
Sagrado. E assim, o autor desse Salmo de maneira provável, contemporâneo
aos personagens de ‘Ageu’ e ‘Zacarias’, mantém a honra dos antigos
guardiões pela tradição encontrada no Antigo Testamento, isto é, condizente
ao fato de que mesmo considerando as expressões reservadas em apêndice,
sua preservação consta com jóia de altíssimo valor, que integra uma
gigantesca religiosidade e bem profundamente de natural espiritualidade,
sendo com um legado para os futuros estudiosos que viriam em busca do mais
conhecer.
Servindo mais que nunca com testemunho de fé na misericórdia de
Deus e de luta contra o pecado, cuja escritura do Salmo 51 nos remete ao
pensamento de que não foi conseguido superá-la, nem mesmo por algo que o
Novo Testamento traz escrito acerca de penitência (WEISER, 1994, p. 304
apud AUZANI; BACKES, 2009).
CAPÍTULO III

3. ADMINISTRAÇÃO DOS PROPÓSITOS DE DEUS

No contexto do Salmo 51 vem apresentado suavemente 4 (quatro)


linhas de raciocínio correspondente a ação de Deus para esse salmo, onde o
Eterno se utiliza de propósitos propriamente criados por Ele em nossa vida com
a finalidade de restauração da sua soberania, ministrada mesmo em momentos
frágeis e delicados, como por exemplo ao tempo do cometimento das
transgressões do rei Davi.
Aliás, com base nessa linha de raciocínio, tais linhas de pensamento
são reforçadas por meio de uma análise considerando o contexto histórico
disposto no livro de segundo Samuel, versículos 11 (onze) ao 13 (treze).

3.1 A PERMISSÃO DE ACONTECIMENTO DO MAL

A transgressão cometida pelo rei Davi se refere ao pecado relatado no


livro de segundo Samuel, no capítulo 11 (onze), ocasião da qual, por ele é
cometido um nível a mais que a premeditação de um crime, ou seja, um
preparado e ordenado adultério com Bate-Seba, que desencadeou sua
capacidade em provocar, na seqüência, outro crime simplesmente e
terrivelmente inominado, porém bem próximo do homicídio, quando lança a
determinação para que seu fiel servo, Urias conhecido como o heteu, se
posicionasse no fronte de batalha da guerra que vinha acontecendo naqueles
dias.
Sobremaneira o todo poderoso poderia intervir naqueles fatos que
estavam para acontecer e vinham acontecendo, poderia inclusive, evitar aquela
grande desgraça, mas, como no sentido de loucura aos homens, outra vez
lançado fora da nossa ínfima compreensão, resquícios minúsculos da
extremada sapiência do próprio Deus, sua opção foi pela inércia, coordenando,
no entanto, as subsequentes ações que estariam por vir.

3.2 O JULGAMENTO DA MALDADE

Um verdadeiro juízo fora executado na vida do rei Davi, pelo simples fato
do esplendoroso caráter de Deus ter sido exercitado para tanto, fazendo as
vezes de conseqüências em detrimento das transgressões praticadas pelo
salmista, constatado frente ao que Davi descreve no oitavo versículo: “Faz-me
ouvir júbilo e alegria, para que exultem os ossos que esmagaste.”
As transgressões de Davi faziam com que ele fosse se consumindo
com o decorrer dos anos, ao ponto extremo que já sentia a falta de sua
vigorosidade.
Baseado no conteúdo textual do livro de segundo Samuel, mais
precisamente em seus capítulos 12 (doze), 13 (treze) e 16 (dezesseis) traz o
relato de certos resultados pelas transgressões realizadas por Davi,
exemplificando a seguir:
• A conduta e o comportamento do rei Davi frente a morte do seu
filho com Bate-Seba, fruto da pecaminosidade;
• A prática de incesto entre Amnom e Tamar, ambos filhos de Davi,
ocorrido em forma de estupro;
• O homicídio premeditado de um irmão com o outro, praticado por
Absalão contra seu irmão Amnom, também ambos filhos de Davi;
• As diversas e variadas relações de envolvimento sexual entre
Absalão e as concubinas de seu pai o rei Davi;

3.3 O JUÍZO QUE LIBERTA PARA AQUELES QUE SÃO ELEITOS

A forma costumeira em que o povo contido nos relatos do Velho


Testamento usava para praticar a expiação de pecados e transgressões por
meio de ofertas, holocaustos e sacrifícios que deviam se queimados para
nosso Senhor Deus.
Todavia, em seguimento ao contexto em curso, o personagem de Davi
traz a apresentação de um novo comportamento, focando alcançar o ato de
agradecimento e oferecimento a Deus, consistentes em:

• Oferecer o espírito totalmente quebrantado;


• Oferecer um coração contrito e arrependido ao Senhor;

Com base nas leis judaicas de instituição pelo próprio Senhor, a todo
aquele que visse a cometer ato aversivo consistente no adultério com mulher
de outro, com certeza seriam mortos, tanto ele quanto ela, como o contido no
livro de Levítico, mais precisamente no capítulo 20 (vinte) e versículo 10 (dez),
sendo que Davi conseguiu o livramento através do perdão concedido pelo
Senhor, que veio a salvar fisicamente a Davi e Bate-Seba da horrível
condenação que era para ter ocorrido.
O Senhor Nosso Deus aplicou sua grande benevolência intencionado a
promover a libertação do rei Davi de sua sentença condenatória, devido suas
transgressões. Em detrimento desse fato foi que o Senhor Deus na Sua
imensurável misericórdia, lança a unção sobre Salomão, também filho de Davi,
e consagra-o com o novo rei e legítimo sucessor de Davi seu pai no sistema
monárquico da época.
Tal atitude divina resultou no resgate da dignidade dentro da linhagem
de sangue do rei Davi, consumando na intenção de ser construído o templo por
determinação própria do Nosso Senhor, pela direção e coordenação de um rei
com mãos limpas.

3.4 A ORDEM ABENÇOADA PARA OS ELEITOS


A forma usada pelas intenções de Deus, frutificam no sentido em que
bênçãos são alcançadas, como no exemplo do rei Davi, que fora objeto de
restauração no contexto de sua vida e na evolução do seu reinado, incluído-se
a isso tudo o rico privilégio de integrar a maior linhagem real de todo a
existência, ou seja, a linhagem que resulta na existência de Jesus Cristo, muito
conhecido pela expressão como filho de Davi.

3.5 TEOLOGIA DO SALMO 51

O relato trazido no Salmo 51 contribui significativamente para com as


formações apologéticas sobre doutrinas centrais correspondentes a fé cristã,
exemplificando: a antropologia, a pneumatologia, a própria teologia própria e a
hamartiologia.
Eventualmente a pessoa de Davi não apresentasse a real intenção de
contribuir de forma direta, nem mesmo apologéticamente falando, pois como
nas mais variadas doutrinas existentes, essas tais constituíam sim uma
finalidade precípua ao estudioso Paulo, o apóstolo.
Todavia, o salmo em questão e em corrente de pesquisa, traz a
berrante possibilidade como objeto de análise teológica totalmente consonante
com as doutrinas supra mencionadas.

3.5.1 TEOLOGIA PRÓPRIA

Como elo o Salmo 51 demonstra nítida possibilidade de ligação e


identificação com certos requisitos através dos quais o Senhor usa para
promover manifestação junto ao autor do salmo.
Nessa contextualização, frente ao conteúdo íntegro, clara é a
afirmação de Senhor Deus demonstra sua benignidade, melhor exemplificada
pela circunstância em que o Mestre ainda que face à atitudes de pensamentos
distantes da dignidade e adentrados em transgressões praticadas pelo rei Davi,
mesmo assim, Ele conserva Suas características de majestade, tendo em vista
que sua a aplicação de benignidade disposta no versículo 1 (um), ocasião em,
que resta inabalável sua fidelidade para com Seu filho, estando ele mesmo
imerso nas profundezas da infidelidade.
Baseado na versão bíblica King James, a expressão usada, tem sua
expressão de ‘desex’ contida no livro de Oséias, um dos profetas menores em
seu capítulo 2 (dois), no versículo 19 (dezenove), cuja tradução consiste em
‘amor leal de Deus’.
Dispõe ainda uma expressão que traz a confirmação de que o Senhor
Deus sempre é e será aplicador de misericórdia, quando pelo rei Davi
apresenta clamores dizendo ‘yemAxar’, que significa falar ‘misericórdias’,
encontrada no versículo 1 (um). Essa coluna basilar condiz com a aplicação do
perdão de Deus quando pelo oferecimento para pecador, que na conjuntura da
época era papel do rei Davi, que praticava atos de transgressão sobremaneira
contumaz.
Sem qualquer natureza de aporias ou questionamento, a maior
afirmação certa e objetiva corresponde a de que Deus sempre foi e sempre
será Santo e Puro. E que de forma nenhuma suporta o pecado cometido por
um filho seu, e disso com certeza mesmo antes de ser rei Davi detinha tal
entendimento sobre essa característica acerca do caráter de Deus.
Tal constatação é facilmente comprovada face a freqüência com que
expressões e palavras eram proferidas pelo mesmo, como aquelas contidas
nos versículos primeiro, segundo e sétimo (purifica-me, lava-me, apaga...)
encontradas no respectivo salmo.
Convém salientar quanto ao detalhe que por vezes pesa nas reflexões
feitas a todo aquele que espera somente favorecimentos do Senhor, qual seja,
o seu imutável caráter de Justiça, ora, pois a começar do momento que Deus
tem a identificação de qualquer transgressão, por menor que seja, na vida de
um filho Dele, o Mesmo aplica o peso do juízo. Sua alva e pura santidade de
natureza divinal não se alia com práticas de pecado, erros, falhas,
transgressões ou quaisquer condutas de reprovação que o desagradem.
O contínuo sofrer de Davi com o impacto desse juízo, disperso no
versículo 8 (oito), dito a seguir: “Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que
exultem os ossos que esmagaste.”, considerando ainda o sofrimento pelo qual
ele passa na continuidade da vida dele, conforme o livro de segundo Samuel
nos capítulos 12 (doze), 13 (treze) e 16 (dezesseis), como anteriormente
mencionado.
A tudo isso, deve ser acrescido que junto de toda consideração
anteriormente realizada o Senhor é Gracioso, e nesse aspecto tal característica
de Deus traz ligação expressa com a graça salvação, que pelo Mestre é
oferecido para o homem, mesmo pecador. Por Sua majestade e poder, toma o
transgressor pela mão e purifica e restaura sua vida, livrando-o da malignidade.
O Senhor tinha oferecido a essa salvação, mas por causa dos seus pecados e
consequências, ele não mais dispunha da verdadeira alegria como aquele que
ocupa a privilegiada cadeira de ‘salvo’, disposta no versículo 12 (doze), por
estar constrangido e não digno dessa concessão face a santidade e bondade
do Senhor.

3.5.2 PNEUMATOLOGIA

Através do Salmo 51 sua contribuição quanto a doutrina


correspondente ao Espírito Santo, se apresenta escassa. Com base no
versículo 11 (onze) certas características são apresentadas pela atuação do
Espírito Santo descritas no Antigo Testamento, exemplificando, atuação
limitada em:

*8 Sua extensão;
*9 Seu propósito;
*10 Seu prazo;
*11 Seu efeito.

Com certeza Davi tinha plena consciência sobre o poder do Espírito


Santo e sempre solicitava ao ‘Santo Espírito de Deus’ para que, jamais saísse
de sua vida com medo que não ocorresse com ele aquilo que ocorreu com o
antecessor dele na época monárquica anterior, em que o Espírito Santo havia
saído de sua vida, como está escrito em primeiro Samuel, no capítulo 16
(dezesseis) e versículo14 (quatorze).

3.5.3 ANTROPOLOGIA

Com expressão antropológica no Salmo 51, fortemente é mostrado o


elo entre a consciência humana e seu instinto natural de pecador, que contém
pensamentos depravados e total carência pela presença Senhor Nosso Deus
na vida do transgressor.
O autor do salmo, por várias vezes se dirige acerca de sua consciência
pela prática dos seus atos e de suas atitudes relacionando-os com seus atos
transgressores através dos quais o Senhor lhe proporcionou saber sobre o bem
e o mal acerca dos mesmos, com base no livro Gênesis, em seu capítulo 2
(dois) no versículo 16 (dezesseis).
No condizente a atitude contínua de estado pecaminoso do homem
que vive a praticá-lo, denota-se no versículo 5 (cinco) uma forte contribuição
para se formular uma teoria, que tenha como objeto as depravações praticadas
pelo homem, sobre as quais tais atitudes de descaminho levam-no ao final,
pelo reconhecimento de que é inegável a necessidade da graça e do ato
redenção por Nosso Senhor, tornando-se preciso estar sempre diante da
presença dEle.
Assim, conforme o estado em que homem esteja vivendo em pecado,
que venha comprometendo sua existência, também assim o santo caráter do
Mestre não se aproxima e jamais se conforma, tendo tal estado pecaminoso
como inaceitável inclusive, o ser humano objeto da atenção divina.
A pessoa de Davi tinha certamente, no mínimo consciência de suas
falhas, e frente a comprovação dessa eventual chance ser possível, leva-se
como relevante a preponderância de que ele rogava ao Senhor para que
jamais o retirasse diante de Sua divinal presença.

3.5.4 HARMATIOLOGIA

No contexto do Salmo em questão, constata-se a diferença no uso por


3 (três) expressões distintas, porém, às quais relacionam-se com a
transgressão, no entanto, visando exprimir um objetivo comum, qual seja, de
apresentação do estado de pecado do homem.
A expressão inicial consiste em hatah, que significa “pecar, errar,
tornar-se culpado” localizada nos versículos 2 (dois), 3 (três), 5 (cinco) e 9
(nove). A outra expressão é awon cujo significado é iniqüidade, contida nos
versículos 2 (dois), 5 (cinco) e 9 (nove). A expressão seguinte tem sua escrita
de pesha significando infração, transgressão, tal palavra está nos versículos
primeiro e terceiro do salmo.
Tais expressões agrupadas auxiliam na construção que forma a
estrutura da doutrina pecaminosa, encontrando seu auge no versículo 5
(cinco), restando declarado o ápice da figuração e ocupação presencial da
transgressão na vida do homem, ou seja, traz o relato do horrível do desvio de
conduta do homem devido aos pecados por ele cometidos, inclusive, sobre as
consequências advindas pela origem da transgressão realizada entre Adão e
Eva.
Num prisma individual e intrínseco de forma ímpar, para cada pessoa
que se considera verdadeiramente como um fiel servo de Deus, o Senhor lança
um olhar frente toda sua situação para que diante de toda luta encontre-se
homens segundo o coração de Deus, baseando-se no personagem do rei Davi,
pois, que sendo visto o que ele teve a capacidade de fazer, é inevitável a
admiração e espanto pelos fatos ocorridos.
Sendo que o sentimento de ser e estar como o maior de todos os
pecadores, certamente deve trazer um sentimento que pela sensação e
sentimentos vivenciados aproxima mais o pecador de Deus, mesmo que
iniciada tal aproximação via clamores e rogos de dor e angústia. Lembrando
que é em meio a adversidades e lutas que se ajoelha e se diminui,
reconhecendo-se fraquezas e falhas que de fato existem.
Todavia, frente as impossibilidades, diante das circunstâncias que
podem parecer como absurdos, eis que então o impossível, o milagre, a
maravilha acontece, em meio a olhares admirados e surpresos dos quais para
quaisquer dos acontecimentos que se queira buscar uma explicação de forma
bem coerente, que seja ao menos coerente para o ocorrido. Assim, por vezes,
aquilo que pelos incrédulos e ímpios é conhecido por ‘coincidência’, os cristãos
chamam de ‘milagre’.
Nesse contingente de incrédulos, relacionamentos são condenados ao
fracasso, mas no íntimo de cada pessoa, o Senhor perscruta e atinge-se a
vulnerabilidade, conhecendo no interior de cada filho seu, sua fraqueza pelo
pecado, somando-se as pressões mundanas, de todo tipo, tentações é o que o
mundo oferece, cujas propostas por vezes vence a santidade de um crente, e a
tendência é o crescimento das probabilidades de se ceder a estas tentações
também.
Como Davi demorou um tempo para reconhecer o seu pecado
publicamente e perante o Senhor, vindo de um homem segundo o coração de
Deus, demonstra o quão incrível que errar faz parte da natureza pecaminosa
do ser humano, que provém de herança ser um pecador original, sendo que a
carne vive a hesitar em assumir a sua própria podridão.
No entanto, o merecimento de ocupar o devido lugar no inferno
pertence a todo aquele que conhecedor do pecado praticado, mesmo assim,
continua a praticá-lo.
Logo, a procrastinação em assumir o erro vai acontecendo e se
tornando cada vez mais presente e freqüente, e as conseqüências deste
pecado aumenta frente ao juízo que acontecerá.
No mesmo raciocínio que Deus permite, Ele não se cansa de novos
começos e de estar ciente da necessidade que o homem tem de pedir perdão
sempre que algum pecado vier a acontecer, como um acidente de percurso. O
problema está no ponto que não se torne costume continuado e o cometimento
seguido venha a acontecer, por mais que consequências maiores e mais
graves, mesmo que primeiro plano pareçam imperceptíveis e inexplicáveis.
Marcante é o ponto na existência de Davi, que face a todo seu
reconhecimento por suas transgressões ele detinha o conhecimento de que
não podia ser expulso da presença de Deus, pois com certeza morreria. Dentro
de uma contextualização atual, em pleno ano de 2010 d.C. existe a
necessidade que haja pessoas realmente compromissadas e zelosas pelo
nome Deus Eterno Senhor. Que tais servos não se acomodem com supostas
posições de salvos, a fim de que outras pessoas possam estar se espelhando
nessa pessoa buscando a própria salvação. Que hajam exemplos de
motivação dos justos e retos para o trilhar pelos caminhos do Senhor.

3.6 MEDITAÇÃO DE DAVI COM APLICAÇÃO ATUAL

Numa correlação entre o salmo pesquisado e o salmo 32, denota-se


meditações sobre as quais Davi mostrava seu reconhecimento pelo pecado e a
necessidade pelo perdão visando a purificação para que fosse contínuo e
interrupto o seu relacionamento com Deus.

Em síntese no transcorrer dos versículos o rei Davi deleitava-se com perdão


concedido, sentido alívio por sua purificação. Porém o perdão não se consegue
de forma automática. Ele atinge o espírito cuja pessoa não busca o engano e a
falsidade, repousa sobre aquele que realmente se arrepende sinceramente.

O rei Davi se recordava da sua angústia enquanto seu pecado não era
confessado, sendo que sua consciência não descansava, trazendo a ele o
sentimento de vazio, de exaustão. Mesmo que a confissão de um pecado fosse
uma dura tarefa, somava-se ainda a vergonha da responsabilidade, e isso nele
perdurava com o transcurso do tempo e nisso a própria culpa castigava-o.

Mas, assim que o perdão era liberado pelo Senhor para ele, sensações de paz,
de leveza no espírito tomavam conta, e então quando Davi confessava, era
como se um grande peso ou um imenso esforço fosse aliviado.

Os efeitos que o ato de sinceramente se confessar a Deus e o respectivo


perdão ser liberado por Ele, traz sentimentos admiráveis na própria pessoa,
cuja alegria traz a motivação pelo arrependimento, e cuja ação de confessar
mesmo que venha a ser de extrema dificuldade, deve ser exercida.

A pessoa de Davi diferenciava-se daquele cristão que de pronto corresponde


com a preocupação do Senhor com ele, que dá rápida resposta em troca do
mais simples cuidado de em troca do mais simples cuidado de Deus. Davi
assemelhado a um burro parecia precisar de freios e arreio para que pelas
rédeas demonstrasse obediência. Tais comportamentos levavam-no a pensar
que a atitude dele se arrepender e confessar seus pecados de forma imediata
ou instantânea seria melhor para muita gente, cujo arrependimento formava um
atributo para tanto. Ao invés de suportar que Natã viesse a corrigir.
Comportamento como o de Davi assemelham com o de crianças que algumas,
basta um duro olhar na hora e a correção vem, para outras correções mais
rígidas são tão necessárias quanto precisas para as situações. E nesse
entendimento, melhor é quando diante de uma leve manifestação de
desaprovação de Deus, a sensibilidade de cada pessoa mostre apuração para
o certo e o errado, ao passo duro da correção severa.

O diferencial daqueles que ouvem e servem ao Senhor daqueles que não,


consiste nos pecados, ora, se todos pecam, a verdadeira causa está no motivo
dos pecados. Logo, reconhecidamente pela própria pessoa a culpa do pecado,
que ela não se afaste da responsabilidade a suportar, deve-se admitir com
humildade e humilhação ao Senhor, respondendo assim, uma ação errada e
inconsequente com um esforço de arrependimento sincero visando o perdão de
Deus pelos muitos clamores e rogos de restituição e purificação que com
verdade e obediência restauram o relacionamento com O Todo Poderoso.

Se muitos cometem pecados, o detalhe da diferença consiste em como cada


pecador corresponde as atitudes que ocasionaram seus próprios pecados.

CONCLUSÃO
O Salmo 51 consiste numa inspiração divina que foi transliterada pela
escrita pelo personagem do rei Davi, cujos momentos de angústia e
sofrimentos próprios foram relatados e transcritos como uma senão a maior
declaração penitencial da Sagrada Bíblia.
Dessa experiência vivenciada por um humano que tinha seu coração
conforme os sentimentos de Deus proporciona um relato bíblico que até dias
atuais não encontra limitação para a contextualização da época em que fora
acontecido. Serve como norte para aquele que um dia sentiu ou ainda sente
sua fé fraquejar, mostrando como solução a primeiro plano no ato e atitude de
reconhece a soberania de Deus.
Essa história tem sua devida aplicação pelo estudo de sua Sagrada
Escritura, cabível como auto-correção para homens e mulheres que vivem
sofrimentos semelhantes aqueles pelos quais Davi superou.
O consolo dessa pesquisa dá atinência ao detalhe primordial que
jamais o Pai, deixará os seus eleitos desamparados de misericórdia e
benignidade. No entanto, o resultado de se passar por situações e
circunstâncias de grandes depressões, angústias e sofrimentos, sobretudo
correspondem a ações ou mesmo omissões das quais pecados ou
transgressões cuja prática é realizada de forma consciente e com pleno
conhecimento do erro.
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