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Rochas Metamórficas

As rochas metamórficas são assim chamadas devido ao fenômeno intitulado


metamorfismo, o qual representa o conjunto de processos que transformam uma
determinada rocha (protolitos), através de diversas reações, em uma outra rocha com
características distintas da rocha original. As reações relacionadas ao metamorfismo
comumente estão associadas aos processos tectônicos, os quais provocam
modificações físicas e químicas no ambiente no qual os protolitos se encontram. Mesmo
após essa metamorfose, as rochas metamórficas podem conservar algumas
características dos protolitos, sendo isto essencial para estudos geológicos relacionados
aos processos de formação das rochas.
Como os processos metamórficos ocorrem no interior da crosta terrestre, seu
estudo era quase inacessível ate a primeira metade do século XX, limitando-se apenas
aos estudos relacionados as rochas que afloravam de forma mais evidente. O estudo
desses processos tomou corpo a partir de estudos laboratoriais com componentes da
crosta terrestre sob altas temperaturas e pressões.
Alguns fatores são determinantes para ocorrência dos metamorfismos nos
processos geológicos, dentre eles: a natureza/origem do protolito, temperatura, pressão,
presença de fluidos e o fator horário. A variação de temperatura, causada pela
transferência de calor advinda de intrusões ígneas e condução, colabora para as reações
entre os cristais rochosos, nos quais se fundem formando migmatitos (rochas mistas),
fazendo com que estes apresentem porções metamórficas e ígneas. Complementar à
temperatura nos processos metamórficos, a pressão também se faz influente, sendo
aplicada em duas formas: litostática (confinante) e dirigida. A pressão litostática se
assemelha a pressão hidrostática, atuando de forma uniforme sobre as rochas, de forma
proporcional a densidade das rochas rochas sobrejacentes e da profundidade do ponto
cuja análise será realizada, já a pressão dirigida é produzida pela movimentação das
placas e atua de forma vetorial, exercendo grande influência na geração de texturas e
estruturas orientadas na migração dos fluidos.
Os fluidos também exercem influencia na formação das rochas metamórficas,
sendo estes agentes que proporcionam a migração de elementos, acelerando o processo
metamórfico. Além disso, os fluidos exercem grande influencia na pressão atuante no
sistema. O tempo também é um fator determinante nos processos geológicos.
Normalmente, a resposta que o sistema oferece às alterações no sistema são
relativamente lentas, podem mesmo levar milhões de anos, sendo assim, ao analisar
processos metamórficos em laboratório, se faz necessária a variação de pressão e
temperatura, ou alterar a porcentagem de fluidos dentro do sistema para que possa
acelerar a ocorrência do processo geológico.
Os processo físico-químicos são parte intrínseca do metamorfismo. Quanto às
alterações químicas sofridas durantes as reações, os processos metamórficos podem
ser classificados em metamorfismo isoquímico ou metassomatismo. No primeiro caso, o
sistema se comporta como um sistema fechado, sem alterações quantitativas nos
constituintes químicos e, em contraste, no segundo caso ocorre o contrário, ou seja, o
sistema sofre alterações químicas significativas e intensas. Assim que a rocha atinge o
seu equilíbrio quanto aos seus componentes, diz-se que a rocha atingiu a sua
Paragênese Mineral, representando a tendência das reações metamórficas. Estas
reações ocorrem para reduzir a energia livre dentro do sistema, podendo ocorrer entre
rochas e elementos em diferentes fases (solidas e fluidas). A presença dessas fases
influencia na cinética das reações. Em outras palavras, as reações tendem a ocorrem
com mais facilidade em sistemas porosos, em altas temperaturas e pressões, onde as
partículas estão mais agitadas e livres para migrar e transformar-se. Em contraste, as
rochas com partículas mais grossas e em sistemas menos agitados, tendem a
permanecer com a composição mesma composição por um longo período de tempo.
Há vários tipos de metamorfismo, sua classificação leva como parâmetros: os
fatores físicos envolvidos, o mecanismo responsável pela conjunção desses parâmetros,
localização na crosta terrestre e os tipos de rochas resultantes. O primeiro tipo é
chamado Metamorfismo Regional (dinamotermal), onde as rochas encontram-se em
camadas profundas da crosta, onde as rochas são falhadas e dobradas devido ao
intenso fluxo de calor e pressão que esta localização proporciona. Outro tipo de
metamorfismo é o metamorfismo de contato (termal), onde as rochas sofrem alterações
devido ao contato com o magma e seu resfriamento, sem de formação acentuada. Já no
metamorfismo cataclástico (dinâmico), as transformações ocorrem principalmente
devido a energia mecânica das zonas de cisalhamentos associada às altas
temperaturas, fazendo com que os minerais tenham comportamento plástico, ou
associada a percolação de líquidos, causando a cristalização e recristalização de
minerais hidratados. Há mais quatro tipos de metamorfismo: Hidrotermal (ocorre com a
ação da água em altas temperaturas), soterramento (ocorre em bacia sedimentares, com
pouca deformação e em altas temperaturas), de fundo de oceano (ocorre devido as
condições provenientes da profundidade oceânica e íons dissolvidos) e, por ultimo, o
metamorfismo de impacto (fruto de energia mecânica).
Há vários parâmetros a serem analisados no estudo de terrenos metamórficos,
como a intensidade do metamorfismo (grau metamórfico), minerais-indice, isogradas e
zonas e fácies metamórficas.
As rochas metamórficas possuem mineralogia característica, relacionada com o
seu respectivo protolito e das condições metamórficas das quais foram geradas, e suas
texturas se desenvolvem por blastese, formando diversas estruturas, podendo estas
serem classificadas como granoblastica (estrutura isótropas), lepidoblastica (predomínio
de minerais micaceos), nematoblasticas (minerais prismáticos), porfiroblasticos
(tamanho padrão). As estruturas metamórficas são classificadas em dois grupos:
Estrutura xistosa; e Estrutura Gnaissica.