Você está na página 1de 3

ENTENDA COMO COMEÇOU O EMBARGO ECONÔMICO DOS EUA A

CUBA
PAÍSES ROMPERAM EM 1962, EM MEIO À GUERRA FRIA

Na tarde desta quarta-feira (17/12), o presidente dos Estados Unidos, Barack


Obama, anunciou na Casa Branca a retomada das relações diplomáticas com
Cuba. O líder norte-americano classificou a política, que já durava mais de meio
século, como “obsoleta”. Raúl Castro, presidente de Cuba, confirmou o
reestabelecimento do diálogo e a “adoção de medidas mútuas para melhorar o
clima bilateral”. O anúncio inicia um novo capítulo na tensa relação entre os
dois países, que romperam relações econômicas em 1962.

El bloqueo
Durante décadas executado por decretos presidenciais, o embargo econômico
dos Estados Unidos contra Cuba consistiu em uma interdição comercial que,
nos anos 1990, tornou-se lei. Depois da Revolução Cubana, movimento que
culminou com a destituição do ditador Fulgencio Batista, em 1959, as políticas
econômicas de Cuba — em meio à Guerra Fria — deixaram os americanos
alarmados. A reforma agrária e a nacionalização de indústrias apontavam para
uma adesão cubana ao comunismo e preocupavam os Estados Unidos, que
decretaram a imposição gradual de restrições comerciais sobre a ilha.

Na época, os americanos importavam um terço de seu consumo de açúcar dos


cubanos. As dificuldades econômicas de Cuba, fruto das medidas de restrição,
levaram o regime de Fidel Castro a estreitar vínculos com a União Soviética. Por
interesses políticos, os soviéticos ofereciam altos preços para as exportações
cubanas, especialmente do açúcar, e vendiam petróleo mais barato — o que
beneficiava o governo castrista.

A aproximação entre cubanos e soviéticos fica ainda mais intensa a partir de


1961, depois de 1.500 exilados cubanos treinados pela CIA tentarem invadir,
sem sucesso, a ilha pela Baía dos Porcos. A operação fazia parte de uma
iniciativa mais ampla para desestabilizar o governo de Fidel. Convencido de que
os Estados Unidos planejavam invadir seu país, o líder começou uma
militarização agressiva de Cuba — decisão que desencadeou a "crise dos
mísseis" na ilha. Em 1961, o líder americano Dwight D. Eisenhower cortou
relações diplomáticas com Cuba.

Em resposta ao alinhamento com os soviéticos, o presidente seguinte, John F.


Kennedy (que assumiu naquele mesmo ano), amplia ainda mais as medidas:
emite em 1962 uma ordem executiva que aumenta as restrições comerciais e
define o embargo econômico.

Depois de décadas de bloqueio, o novo milênio trouxe ares conciliadores,


simbolizados pelo aperto de mãos entre Fidel Castro e o presidente Bill Clinton
durante a Cúpula do Milênio das Nações Unidas. Mas a abertura em breve
encontrou obstáculos com a condenação, no final de 2009, do funcionário
americano Alan Gross em Cuba e com os desacordos sobre o destino de cubanos
acusados de espionagem nos EUA.

Marcado por diálogos sobre migração e sobre a possibilidade de retomar o


correio postal direto, 2013 foi um ano de tênue aproximação. Um aperto de
mãos entre Obama e Raúl no funeral de Nelson Mandela, em dezembro, foi
interpretado como algo que poderia ser mais do que um simples gesto de
cordialidade.

Comunidade internacional
Em outubro deste ano, a Assembleia Geral da ONU condenou novamente o
bloqueio. Na reunião, 188 dos 193 países presentes votaram pela resolução
“Necessidade de terminar o embargo econômico, financeiro e comercial imposto
pelos Estados Unidos da América contra Cuba”. Os únicos países a votarem
contra foram os EUA e Israel — Palau, Ilhas Mashall e Micronésia se abstiveram.

Próximos passos
Agora, depois de anunciar a aproximação, Obama pede ao Congresso que inicie
um debate “honesto” e “sério” sobre a suspensão do embargo econômico. Entre
as novas medidas anunciadas nesta quarta-feira pelo presidente está a
reabertura da embaixada em Havana. Ele defendeu que os “próximos passos”
dessa história devem ser construídos entre os cidadãos americanos e cubanos.
“Vamos tentar deixar para trás esse passado. Nosso futuro é de paz e segurança.
Vamos trabalhar não para manter o poder, mas para avançar nos sonhos dos
cidadãos.”

Você também pode gostar