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O curso de Empreendedorismo
e Inovação no contexto da
sociedade do conhecimento:
estrutura e desafios

Sandra R.H. Mariano


Verônica Feder Mayer
8 :: Criatividade e Atitude Empreendedora :: Sandra R.H. Mariano / Verônica Feder Mayer

Meta Apresentar os principais vetores de mudança na sociedade


contemporânea, o curso seqüencial de empreendedorismo
e inovação, sua estrutura e seus objetivos pedagógicos.

Objetivos Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

1. Identificar os principais vetores de mudança na sociedade


contemporânea.

2. Relacionar os principais fatores de mudança na sociedade


brasileira à estrutura demográfica.

3. Identificar as oportunidades que a globalização pode trazer


para a formulação de um negócio.

4. Conhecer a estrutura do curso e as disciplinas que


o compõem e os seus objetivos.

5. Utilizar as ferramentas de pesquisa na internet para buscar


novos conhecimentos.

Guia da Aula
2. O curso de
3. A internet como ferramenta
1. O mundo em mudança Empreendedorismo e
de aprendizagem
Inovação a distância
1.1. Globalização 2.1. As disciplinas do curso 3.1. Conhecendo sites importantes
1.2. Tecnologia 2.2. A didática do ensino a para o empreendedorismo e a
1.3. Ética no ambiente digital distância inovação
1.4. Diversidade e inovação
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da sociedade do conhecimento: estrutura e desafios

N esta primeira década do século XXI, estamos assistindo a um grande


debate sobre o aquecimento global e a sua ameaça à vida no planeta.
As pesquisas têm mostrado que o futuro da Terra depende da mudança de atitude de
todos os indivíduos, independentemente de sua nacionalidade, no sentido de preservar
a natureza, sua diversidade e riqueza. Poderíamos nos perguntar por que o que se faz,
em lugares tão distantes, como a China ou a Inglaterra, nos afeta aqui. Logo a nós, que
estamos na América do Sul e temos a leste o enorme Oceano Atlântico nos isolando e, a
oeste, florestas e cerrados. Pois é, o ar que circula não respeita fronteiras, ele viaja do lado
de quem poluiu para o outro de quem preserva e vice-versa. Há uma conexão crescente
entre os povos que, queiramos ou não, influencia nossa vida. Esta interdependência
crescente não ocorre apenas em relação ao meio ambiente. Na era da informação, as
pessoas se comunicam muito mais, pois além do rádio e da televisão, temos a internet
que se expande a uma velocidade que nunca se viu.

Há outros pontos de convergência. Por exemplo, quando observamos como se


divertem e como consomem os jovens de renda média em países democráticos,
como o Brasil, o México, o Japão ou a Austrália, não é difícil identificar que em todos
estes diferentes lugares, em um sábado à noite, o nosso jovem estará ouvindo música,
tomando um drink, namorando e, possivelmente, usando calça jeans, tênis e camiseta.
As sociedades contemporâneas convergiram em muitos aspectos, mas procuram manter
e preservar as suas diferenças culturais, em um delicado equilíbrio entre o ser global e o
ser local.

As grandes e pequenas empresas também são afetadas por esta conexão entre pessoas
e países. Isto tem tornado o mundo cada vez mais “plano”, ou seja, uma espécie de terreno
aplainado onde a concorrência e as possibilidades de inclusão tornaram-se globais.
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Pois é, “um número maior de pessoas tem a possibilidade de colaborar e competir, em


tempo real, com um número maior de outras pessoas de um número maior de cantos do
globo, num número maior de diferentes áreas e num pé de igualdade maior do que em
qualquer momento anterior da história do mundo – graças aos computadores, ao correio
eletrônico, às redes, à tecnologia de teleconferência e a novos softwares, mais dinâmicos”,
afirma Freedman. Para este autor, a terra plana não traz somente oportunidades, as
ameaças existem e não podem ser desprezadas. Para ele, “não estamos aplainando o
terreno somente no sentido de agregar e expandir as oportunidades de um novo grupo
de inovadores; estamos possibilitando também a agregação e a capacitação de um outro
grupo novo, esse de indivíduos frustrados, oprimidos e cheios de ódio”, como os grupos
terroristas, ou mesmo o crime organizado e outras redes que afetam negativamente a
sociedade.

Precisamos nos manter alertas quanto às ameaças do mundo “plano”, mas também
abertos para explorar as oportunidades que surgem em maior volume e velocidade.
Os empreendedores que construíram a Pipeway, uma pequena empresa carioca que
desenvolveu um equipamento para inspecionar dutos de petróleo, estavam atentos
e souberam explorar uma oportunidade. Esta empresa, que iniciou sua operação
pequenininha, não só tornou-se uma fornecedora da

Veja na internet Petrobras, como passou a vender os seus serviços de inspeção


de dutos para empresas da América do Sul e Estados Unidos.
Pesquise no site de busca
www.google.com o E tudo isto a partir do seu escritório central no Rio de Janeiro.
website da Pipeway, O que esta convergência global tem a ver com o ensino de
conheça a empresa e veja empreendedorismo e inovação? Esta é a pergunta central a
o que ela anda fazendo
que procuraremos responder nesta aula.
nos últimos meses.
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1. O mundo em mudança
Talvez você se pegue pensado, vez por outra, como o tempo passa rápido
e como as coisas mudam velozmente. Bastar assistir a uma novela de época,
em que os personagens viviam nos anos de 1940, quando provavelmente
estavam nascendo nossos pais ou avós. Parece tão distante... Naquela época,
o Brasil tinha, aproximadamente, 40 milhões de habitantes, que viviam,
em sua maioria, nas áreas rurais. Menos de 20% viviam nas cidades, e a
expectativa de vida ao nascer era de aproximadamente 40 anos.

Multimídia

A cesse o site da disciplina na internet e acompanhe com mais detalhes como a


estrutura demográfica brasileira mudou e quais são as projeções para a população
brasileira em 2050. É muito interessante perceber estas mudanças e as oportunidades e
ameaças que elas poderão trazer.

Em menos de 70 anos, ou seja, em 2006, o IBGE mostrou que a expectativa


de vida de um brasileiro ao nascer se aproximava de 73 anos. Caso estivesse
vivo aos 73 anos, ele provavelmente viveria além de 80 anos. Em 2006, dos
cerca de 185 milhões de habitantes do Brasil, aproximadamente 83% viviam
nas cidades.

Estas mudanças no que se referem à quantidade de pessoas que vivem no


planeta e à migração crescente para as cidades não retratam um fenômeno
apenas brasileiro. As mudanças que a sociedade mundial viveu nos últimos
250 anos foram bastante significativas. A Tabela 1.1 mostra como a expectativa
de vida das pessoas evoluiu em todo o mundo.

Tabela 1.1: Expectativa de vida ao nascer


Em anos
Entre os anos
selecionados Entre os anos
País Na idade média de 1950 e No ano de 2002
indicados no de 1975 e 1980
1955
quadro
França Não disponível 30 anos em 1800 66 anos 74 anos 79 anos
Reino Entre 20 e 30 36 anos entre 1799
69 anos 73 anos 78 anos
Unido anos e 1803
25 anos entre 1901
Índia Não disponível 39 anos 53 anos 64 anos
e 1911
China Não disponível 42,74 anos em 1940 41 anos 65 anos 71 anos
Brasil Não disponível Não disponível 46 anos 60 anos 69 anos em 2000
África Não disponível Não disponível 38 anos 48 anos 50 anos
Entre 20 e 30
Mundo Não disponível 46 anos 60 anos 67 anos
anos
Fonte: Adaptado de Lee and Feng (1999); Peterson (1995); Wrigley and Schofield (1981, 529);
World Resources Institute (1998); UNDP (2002). IBGE, 2005.
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No site da disciplina na internet, veja dados mais completos sobre as mudanças


demográficas e reflita sobre o que estas mudanças podem trazer de oportunidades
e desafios para você.

1.1. Globalização
A palavra “globalização” é das mais polêmicas, pois pode ser utilizada para
explicar diversos fenômenos políticos, sociais e econômicos. Abordaremos o
tema, aqui, a partir do ângulo que julgamos mais apropriado para o ensino
de empreendedorismo e inovação, a saber: entender como as mudanças
trazidas pelos diversos ciclos de globalização criaram oportunidades para
empreender e inovar.

Uma abordagem interessante para compreender as diversas etapas da


globalização é oferecida por Thomas Friedman. Em seu livro O mundo é
plano, Friedman mostra que a globalização vem de longe e se desenvolveu
em três estágios distintos. Houve a globalização versões 1.0, 2.0 e 3.0.

• A globalização versão 1.0 iniciou em 1492, quando Cristóvão Colombo,


navegando em sua caravela, mostrou que o mundo era muito mais
amplo do que a Europa. As nações da Europa ocidental, especialmente,
perceberam que poderiam fazer negócios no mundo todo e expandir suas
fronteiras. Este ciclo de globalização levou aos novos descobrimentos.

• A globalização versão 2.0. teve a Revolução Industrial (1776) como marco


central. Este evento forçou as empresas a se expandirem em busca de
novos mercados, para vender seus produtos e buscar mão-de-obra barata
para fabricá-los. Neste momento, as empresas buscavam ampliar os seus
negócios para outros países e, para isto, tornaram-se multinacionais.
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• A globalização versão 3.0 “é sobre indivíduos se globalizando”, afirma


Friedman. As raízes desse fenômeno estão fincadas em uma variedade de
tecnologias que, por volta do ano 2000, tornaram disponíveis para o grande
público a possibilidade de inserir-se em uma economia global. Com isto,
abriram-se oportunidades para empresas pequenas terem acesso à tecnologia
e proverem serviços para empresas localizadas a quilômetros de distância.

Esta globalização 3.0 permitiu que um grande número de pequenas


empresas na Índia oferecesse seus serviços nos Estados Unidos. Por exemplo,
se uma empresa precisasse desenvolver programas de computador mais
baratos e eficientes, era possível contratar uma pequena empresa e seus
programadores para dar conta do recado. O mesmo vem ocorrendo no Brasil
com as empresas de call-center. Muitas delas preferiram abrir seus escritórios
em cidades menores, com custo de mão-de-obra mais barato e atender às
ligações de clientes de várias empresas do Brasil como se estivessem próximas
dos grandes centros. Isto só foi possível porque os custos das telecomunicações
caíram consideravelmente. Permitiu, ainda, que empresas brasileiras, como a
Pipeway, se expandissem e encontrassem clientes em outros países.
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No Brasil, vemos acontecer algo parecido no Porto Digital, em Recife. Lá,


uma grande quantidade de pequenas empresas formadas por ex-alunos dos
cursos de Informática e Computação especializaram-se em desenvolvimento
de jogos e outros softwares para celulares. Resultado: essas empresas vendem
seus produtos para muitas empresas internacionais de grande porte na área
de telefonia móvel, como a Motorola e a Samsung. Com isto, jogos para
celulares feitos no Brasil estão sendo usados por pessoas no mundo inteiro.

ATIVIDADE

1. Num texto escrito em 1926, para a Revista de Comércio e Contabilidade, o


poeta português Fernando Pessoa dizia:
(...) o comércio é uma distribuição, centrífuga (que atrai de
fora para dentro) e centrípeta (que leva de dentro para
fora), da produção material ou industrial; e a cultura é uma
distribuição centrífuga (que atrai de fora para dentro) e
centrípeta (que leva de dentro para fora) da produção
mental ou arte. Os fenômenos são, pois, rigorosamente
paralelos. E assim como nos países de grande produção
artística, a curiosidade pela arte alheia se desenvolve, pois
que a criação artística própria não pode exercer-se sem
interesse pela arte, portanto também pela arte dos outros,
assim também num país de grande produção industrial a
necessidade de produtos alheios – ou que o próprio país não
pode, ou não pode convenientemente, produzir – nasce do
estímulo às necessidades internas que esta grande produção
criou, depois de ter tido nelas origem.
Mas entre os dois fenômenos – comércio e cultura – há, também,
uma relação de causa e efeito. A cultura, ao aperfeiçoar-se,
tende para a universalidade, isto é, para não excluir da sua
curiosidade elemento algum estranho.
Quanto mais fácil for o contato com elementos estranhos, tanto
mais essa curiosidade se animará, e a cultura permanecerá viva.
Ora, como o fenômeno material precede sempre o fenômeno
mental, o meio mais seguro de formarem contatos mentais é
terem-se formado contatos materiais; e, como a cultura exige
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necessariamente um contato demorado e pacífico, o contato


material, que a estimule, terá que ser demorado e pacífico
– e é isto mesmo que, em contraposição à guerra, distingue a
atividade social chamada comércio.
Fonte: FRANCO, 2007. As explicações em itálico, centrífuga (que atrai de fora
para dentro) e centrípeta (que leva de dentro para fora) foram incluídas
pelas autoras.

Para você, o que Fernando Pessoa diria da globalização hoje? Assinale


quantas alternativas achar corretas:
a. Que é um fenômeno restrito aos países desenvolvidos.
b. Que, como ele previa, a intensificação do fluxo de comércio pacífico
abriu as portas para um intercâmbio cultural ainda maior, que passou a
alimentar maiores fluxos de comércio, e assim sucessivamente.
c. Que é um fenômeno excludente e deve ser evitado.

Resposta Comentada
Como mostramos anteriormente, a globalização abre oportunidades e traz
ameaças. O poeta Fernando Pessoa, no início do século passado, tinha uma visão
positiva e via as oportunidades que a intensificação do comércio traria para a
sociedade. Ele raciocinava que as trocas comerciais abriam as portas para que
as trocas culturais ocorressem e que neste processo os países se aproximariam
criando, possivelmente, algumas convergências e consensos globais. Alguns
destes consensos foram alcançados, como, por exemplo, os direitos de toda
pessoa humana.

Multimídia

V eja no site da Organização das Nações Unidas a Declaração Universal dos Direitos
Humanos, que estabelece o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas
as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada ente da sociedade, tendo
sempre em mente esta Declaração, se esforce, por meio do ensino e da educação,
para promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas
progressivas de caráter nacional e internacional, para assegurar o seu reconhecimento
e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-
membros quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição. Seu primeiro artigo
diz: “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas
de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de
fraternidade.” Veja no site: http://www.unhchr.ch/udhr/lang/por.htm
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Possivelmente, a alternativa “b” é a que melhor expressa o pensamento do


poeta. Mas, se você vê a globalização como um fenômeno restrito aos países
desenvolvidos, talvez ainda não tenha se dado conta do papel que hoje é exercido
pelos países emergentes que compõem os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China).
Estes países vêm aumentando de maneira significativa a sua participação no
comércio mundial, não como provedores apenas de matéria-prima, mas também
de produtos industrializados e de alta tecnologia. No Brasil, exportamos desde
minério de ferro até aviões, a Índia tem uma poderosa indústria de medicamentos
e software, e a China é a grande fábrica do mundo. A situação de grande pobreza
em que vive o continente africano talvez seja o lado menos vistoso da globalização.
Os esforços que vêm sendo feitos pelos próprios africanos e as nações que os apóiam
não foram suficientes para incluí-los no processo de desenvolvimento global. Este é
um desafio permanente das nações responsáveis que desejam a inclusão de todos
no processo de desenvolvimento.

1.2. Tecnologia
Estes novos negócios, tais como empresas especializadas em produzir
jogos para celular, são exemplos típicos de empresas que têm as tecnologias da
informação como seu elemento central. E esta é uma tecnologia que permitiu
ao mundo tornar-se plano. Não podemos esquecer que outras tecnologias
mudaram a face do planeta Terra, como, por exemplo, as tecnologias mostradas
nas figuras a seguir.
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1500-1840

A velocidade média das carruagens


e dos barcos a vela girava em torno
de 10 mph (milhas por hora)

1850-1930

A velocidade média da locomotiva


a vapor era de 65 mph e a dos
navios era de 36 mph

1950s
Avião turbo-hélice: 300-400 mph

1960s Avião a jato 500 - 700 mph

Fonte: http://www.fte.org/

Projeto Genoma
6000 PCs
O homem vai à Lua
Energia nuclear
Computadores de alta velocidade
Descoberta do DNA
5000 Guerra contra a malária
Penicilina
Invenção do avião
População (em milhões)

Invenção do automóvel
4000 Invenção do telefone e da eletrificação
Teoria dos germes
Início da ferrovias
Invenção do motor por James Watt
Início da Revolução Industrial
3000 Início da 2ª Revolução Agrícola
Descoberta do Novo Mundo
Início da 1ª Revolução Agrícola

Peste Negra
Início do período cerâmica

2000
Início da matemática
Invenção do plantio

Início da metalurgia

Apogeu da Grécia
Apogeu de Roma
1ª plantio irrigado

Início da escrita
1as Cidades

1000

-9000 -6000 -5000 -4000 -3000 -2000 -1000 0 1000 2000

Tempo (anos)

Fonte: http://www.fte.org/
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Um fator importante que levou grandes transformações à sociedade


foi a mudança na forma como os humanos explicavam os fenômenos da
Natureza. As tempestades, as secas, as doenças, praticamente tudo era
explicado como vontade de Deus ou de uma força maior que ditava o destino
de cada pessoa, até que o homem passou a buscar respostas não mais no
divino e sim na sua capacidade de encontrar as razões ou as explicações
lógicas para tais fenômenos. A célebre frase do filosofo René Descartes
representa esta mudança de visão: “Penso, logo existo”. O método científico
passou a ser utilizado amplamente e consistia em dividir o todo em partes
menos complexas. As partes eram investigadas de forma pormenorizada,
permitindo a compreensão do todo; o lema era “dividir para conquistar”.

O pensamento científico foi aplicado à produção de bens e serviços,


que foi a base da sociedade industrial. A disciplina Gestão da Inovação e do
Conhecimento apresentará a evolução da sociedade: agrária, industrial, pós-
industrial (informação e do conhecimento).
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Veja, na figura anterior, que, ao mesmo tempo em que a sociedade


criava inovações que mudavam a sua maneira de viver, como a penicilina
para combater as bactérias que matavam os homens, o rádio, a televisão, o
telefone, o automóvel, o avião e outros inventos, a sociedade humana crescia
de forma exponencial. Havia, no mundo, em 1941, 2,32 bilhões de pessoas;
em 1980, este número já alcançava 4,5 bilhões e, no início do século XXI,
éramos 6,5 bilhões de humanos no planeta.

Destas inovações que mostramos, uma das mais recentes e transfor-


madoras foi a internet. Para este curso acontecer, foi necessário que
as conexões à internet tivessem se tornado cada vez mais velozes, os
computadores ficassem mais baratos e os softwares mais simples de usar, de
forma que qualquer pessoa, sem grande treinamento prévio, pudesse utilizá-
la. Você pode estar no pólo de sua cidade e ter acesso a uma verdadeira
biblioteca de imagens, sons e textos, por meio da internet.

ATIVIDADE

2. Analise o gráfico a seguir e compare o tempo que a internet levou


para atingir um número de 50 milhões de usuários com o tempo
gasto por outras tecnologias para o mesmo fim.

Tempo para alcançar 50 milhões de usuários (em anos)

Telefone 74

Rádio 38

PC 16

Televisão 13

Celular 5

www 4

Fonte: UIT (União Internacional das Telecomunicações).


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A informação também se tornou disponível para um grande contingente


de pessoas. O Google mostrou-se capaz de colocar pessoas sentadas na sala
de casa em contato com boa parte da informação mundial. Além disto, o
número de usuários da internet cresceu de forma exponencial, e a rede em si
tornou-se uma infra-estrutura, ou seja, podemos contar que encontraremos
um local para navegar na internet virtualmente em qualquer lugar do Brasil
e, possivelmente, do mundo. A exceção fica por conta de ditaduras, como
Cuba, Coréia do Norte ou Mianmar, onde o governo impõe limitações ao uso
da internet pelas pessoas.

Em matéria da revista Superinteressante, o jornalista Simon Kuper


resume:

O resultado disso tudo é que, quando se afirma que o mundo é


plano, não estamos falando na possibilidade de ficar de papo
com qualquer pessoa no planeta através do computador de
casa. É muito mais do que isso. Mundo plano quer dizer que,
após a queda do Muro de Berlim, a abertura dos mercados
da Índia e da China e a redução dos impostos alfandegários,
podemos muito mais do que conversar com todos: agora
podemos nos conectar com qualquer habitante do planeta.
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1.3. Ética no ambiente digital


O surgimento de novas tecnologias nos coloca diante de novas questões
éticas, ou seja, novos códigos construídos pela sociedade sobre o que é certo
e bom. Situações que não existiam passaram a ser corriqueiras e exigem
que as pessoas se comportem de forma a não invadir o espaço do outro,
preservando o seu próprio espaço.

Podemos definir ética como o código de princípios morais que estabelece


padrões de bem ou mal, de certo ou errado para a conduta de alguém. Estes
princípios orientam e ajudam as pessoas a fazerem escolhas morais entre
diferentes formas de agir. Na prática, comportamento ético é aquele aceito
como bom e correto em oposição ao que é mau ou errado no contexto do
código moral predominante.

As tecnologias de informação e comunicação (TIC) trouxeram novos


objetos, como telefone celular, computadores e internet, que passaram a ser
incorporados ao dia-a-dia das pessoas. Por exemplo, se você já tem celular há
muito tempo, deve ter notado como o relacionamento das pessoas com este
objeto mudou. No início, quando poucas pessoas tinham celular, o uso era tão
raro que alguém atender uma ligação na frente de todos em uma reunião era
até curioso. À medida que o celular foi sendo utilizado por mais pessoas – em
janeiro de 2008 já eram mais de 120 milhões de brasileiros usando o aparelho –,
as pessoas mudaram a sua maneira de utilizá-lo.

Surgiu um novo código de conduta para uso de celular, para cortar os abusos
cometidos pelas pessoas no uso do aparelho em diferentes situações sociais.

Quanto ao uso do celular, não se deve:

• Deixá-lo ligado no cinema, teatro, em espetáculos de maneira geral.

• Atendê-lo quando se está em reunião de trabalho.

• Atendê-lo quando se está conversando em particular com uma pessoa;


afinal, a pessoa que está “ao vivo” com você tem preferência para falar, e
não aquela que está ao celular. Por isto, existem os serviços de mensagem
e também a caixa postal.

• Ao interromper uma conversa para atender uma ligação, peça licença


ao seu interlocutor e explique que se trata de uma ligação importante e
urgente.
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A ampla utilização de e-mail – mensagem eletrônica enviada pela internet


– é outra das facilidades propiciadas pelas TICs. Ele praticamente substituiu a
carta. Neste curso, que se desenrolará na maior parte do tempo a distância, a
correspondência entre você e seu tutor acontecerá muitas vezes por e-mail.

Outros instrumentos importantes que estarão à sua disposição são o chat


e o fórum. O chat é o meio de comunicação de mensagens escritas trocadas
simultânea e sincronamente. Ou seja, de um lado você está digitando uma
mensagem e do outro pode ter uma ou mais pessoas digitando mensagens
simultaneamente com você. É importante que você saiba que tudo o que
você escreve em um chat é registrado.

O fórum de discussão é outra ferramenta que você utilizará bastante.


Por seu intermédio, o tutor ou o professor da disciplina lançarão um tema
a ser debatido pela turma. Cada aluno deverá estudar o tema e postar a sua
opinião no fórum. Lá, o que é postado também é registrado. Por envolver
pessoas em um convívio social, um código de ética para o uso destes
instrumentos também é necessário. Numa discussão no fórum ou mesmo
em um chat deve-se procurar:

• ser direto, defendendo o seu ponto de vista com argumentos bem construídos;

• não confundir a pessoa com o objeto, ou seja, deve-se criticar e debater


idéias e não a pessoa que defende um ponto de vista diferente do seu;

• não utilizar palavras de baixo calão (palavrões);

• não utilizar expressões que possam ser ofensivas a pessoas ou instituições;

• lembrar-se sempre de que a palavra escrita não possui as atenuantes


da palavra falada; ou seja, escolher bem os termos utilizados é muito
importante, assim como usar de boa educação, bom senso e gentileza.

Na disciplina Técnicas de Comunicação e Negociação, o tema ética e


comportamento social será aprofundado, bem como o detalhamento sobre
o que é certo ou errado no ambiente digital.
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1.4. Diversidade e inovação


Ao longo de poucas décadas, passamos de uma economia
industrial centrada na produção de automóveis e de eletro-
domésticos a uma economia pós-industrial centrada na
produção de serviços, informação, símbolos, valores e estética.
Passamos de uma cultura moderna de livros e de jornais a uma
pós-moderna feita de televisão e internet. Saímos do poder
exercido por capitães de indústria para o de cientistas, artistas
e da mídia de massas.
Essa transformação foi rápida e global, pois foi provocada pela
ação poderosa do progresso científico e tecnológico, pelas
guerras mundiais e a revolução proletária, pela escolarização
e pela comunicação de massa.
(Domenico de Masi. Por que o mundo está tão desorientado.
Época, nº 485, 3 de setembro de 2007).

O progresso científico que o sociólogo Domenico de Masi destaca como


o grande fator de transformação da sociedade não teria causado tamanho
impacto e mudado de forma tão significativa e rápida a sociedade se não
tivesse encontrado um solo fértil para se desenvolver. Este solo fértil tem na
liberdade e na diversidade de avaliação e opinião as suas bases, pois alguém
que propõe algo novo encontrará muitos que serão descrentes das suas idéias,
mas, se for perseverante, insistirá até encontrar alguém que acredite e aposte
nelas. Logo, um sistema político que não preserva a liberdade e não respeita
a propriedade privada possivelmente estará fadado a ter um baixo índice de
inovação e criação de novas empresas.

Os inovadores arriscam-se para criar algo novo e que tenha valor para a
sociedade, por isto a sociedade retribui e recompensa esta inovação com a
concessão de uma patente, por exemplo. Uma patente é o direito adquirido
pelo inventor para explorar comercialmente o seu invento durante um
determinado tempo, sem concorrentes. Entretanto, caso o inventor não
produza o seu invento e o ofereça para a sociedade, ele deixará de ter o
direito sobre patente, e qualquer pessoa poderá produzir o bem inventado.
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Multimídia

S egundo o Instituto Ethos, o empreendedor do século XXI deve reconhecer a sua


responsabilidade pelos resultados e impactos das ações de sua empresa no meio
natural e social afetado, envidando todos os esforços no sentido de conhecer e cumprir
a legislação e de, voluntariamente, exceder sua obrigação naquilo que seja relevante
para o bem-estar da coletividade. Para conhecer o Instituto Ethos de Empresas e
Responsabilidade Social e o que se espera do empreendedor social e ambientalmente
responsável, visite o site http://www.ethos.org.br.

Para que as pessoas pensem em algo diferente e arrisquem-se a produzir


uma novidade, a sociedade precisa estimular a diversidade e a liberdade
para permitir que pessoas criativas possam ter, além de liberdade para
pensar por si só a possibilidade de encontrar alguém – outras pessoas ou
empresas – que pense como elas para apostar nas sua idéias.

ATIVIDADE

3. Quem acreditou em Alexander Graham Bell, o inventor do telefone?


Havia centenas de capitalistas astutos em cidades americanas,
em 1876, olhando com os olhos afiados em todos os sentidos
para (novas) possibilidades de negócio (que a invenção do
telefone trazia); mas nenhum deles se aproximou de Graham
Bell com uma oferta para comprar a sua patente. (...) Nenhum
legislador ou conselheiro da cidade interessou-se em levar
à população um serviço de telefonia barato e eficiente. (...)
Depois de 75 dias, Bell havia recebido os direitos sobre sua
patente do telefone e os jornais nada haviam escrito sobre
este fato. Nenhum dos vários repórteres do jornal Philadelphia
Centennial tinha considerado o telefone como uma matéria
de interesse público. Mas, quando uma coluna de notícia foi
publicada a partir de uma ligação telefônica feita pelo jornal
The Boston Globe, o mundo do jornal era um excitamento só.
Mil penas escreveram o nome de Bell.
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(Ainda assim, o telefone) era (visto) como um brinquedo,


um “joguinho”, uma maravilha científica, mas não como
uma necessidade a ser comprada e usada para finalidades
comuns por pessoas comuns. (...). (Os capitalistas) admiraram
e maravilhavam-se (com o objeto); mas ninguém investiu um
dólar sequer.
Em um momento de descrença (Bell e sócios) tinham oferecido
vender a patente do telefone ao Sr. Orton, Presidente da
Western Union, (empresa que oferecia serviços de telégrafo)
por 100. 000 dólares. Orton recusou. “Que uso”, perguntava
ele candidamente, “poderia esta companhia fazer de um
brinquedo elétrico?
Durante 17 meses ninguém disputou com Bell a patente do
telefone. (...) Lá estava “a mais valiosa patente já emitida”, no
entanto a invenção era tão simples que poderia ser facilmente
reproduzida por um garoto esperto ou por um mecânico
qualquer. (...) A descrição original do telefone de Bell repousava
aberta e desprotegida no escritório de patente, e (...) em torno
dela se deu a mais cara e persistente guerra de patente dos
Estados Unidos: durou onze anos e compreendendo seiscentos
processos.
O primeiro ataque à recém-constituída empresa de telefone
Bell veio da Companhia de Telégrafo Western Union. A empresa
contratou três inventores, Edison, Gray e Dolbear, para produzir
(um sistema similar ao de Bell). (A empresa) esperava uma vitória
fácil; de fato, a disparidade entre os dois oponentes era evidente.
“A Western Union absorverá a nova empresa de telefonia,”
dizia a opinião pública, “da mesma forma que absorveu outras
melhorias tecnológicas do setor de telégrafo.”
(CASSON, 1910, tradução das autoras)
26 :: Criatividade e Atitude Empreendedora :: Sandra R.H. Mariano / Verônica Feder Mayer

Escreva, em dois parágrafos, o final desta história. Ou seja, o que


aconteceu para que o telefone se transformasse em um objeto tão
fundamental para os nossos dias, tendo seu inventor enfrentado esta
descrença? E que aconteceu com a Bell Company e a Western Union?
Aula 1 – O curso de Empreendedorismo e Inovação no contexto
:: 27
da sociedade do conhecimento: estrutura e desafios

Resposta Comentada
Imagino que, no seu relato, você deva ter pensado que alguém acreditou em
Graham Bell e investiu na sua idéia e, claro, como sócio de uma empresa que
oferecia um projeto inovador, tornou-se também sócio do sucesso que o telefone
se tornou.
Você se lembra do Presidente Orton, da empresa que oferecia serviços de
telégrafo? Pois é, ele mudou de idéia e não achava que o telefone fosse
exatamente um “brinquedinho”. Naquela época, a empresa dele investiu mais
de 300.000 dólares e montou um serviço de telefonia similar ao de Graahm Bell.
Com isto, ficou mais fácil para Bell e seus sócios buscarem um investidor que
acreditasse na sua idéia, pois, se uma empresa que fornecia serviços de telégrafo
parecia se interessar em investir no serviço de telefonia, deveria haver um
mercado a explorar. Bell e seus sócios conseguiram investidores que financiaram
o investimento e ajudaram a criar a Bell Company. Houve muitas disputas sobre
as patentes do telefone, mas o inventor triunfou. Em um acordo judicial, um
comitê formado por três representantes de cada lado, a Bell e a Western Union,
decidiu, após meses de disputa, um tratado de paz que foi redigido e assinado.
Pelos termos deste tratado, a Western Union concordou em (1) admitir que Bell
era o inventor original do telefone; (2) admitir que suas patentes eram válidas;
(3) retirar-se do negócio do telefone. A Bell Company, por sua vez, concordou
em (1) comprar a operação de telefonia da Western Union; (2) pagar à Western
Union royalties de vinte por cento sobre todas as receitas obtidas com o serviços
de telefone e (3) manter-se fora do negócio de telégrafo.
Na disciplina Gestão do Conhecimento e da Inovação, você compreenderá o
mecanismo de destruição criativa, em que uma inovação destrói por completo
um setor inteiro. Afinal, você conhece alguma empresa de telégrafo atuante
nos dias de hoje? Pois é, o negócio do telégrafo foi destruído pela criação do
telefone.
28 :: Criatividade e Atitude Empreendedora :: Sandra R.H. Mariano / Verônica Feder Mayer

2. O curso de Empreendedorismo
e Inovação a distância
O Curso Seqüencial de Complementação de Estudos em Empreende-
dorismo e Inovação da Universidade Federal Fluminense (UFF), oferecido
pela Universidade Aberta do Brasil (UAB), tem como objetivo despertar e
desenvolver as habilidades e atitudes empreendedoras e inovadoras dos
estudantes, capacitando-os a promover transformações organizacionais e
sociais por meio da criação de empreendimentos inovadores, embasados na
ética e na responsabilidade social.

O curso é composto de sete disciplinas, na ordem em que o estudante


escolher. Há apenas a obrigatoriedade de iniciar o curso pela presente
disciplina e finalizá-lo com a disciplina Projeto de Empreendimento.
Compõem o curso as seguintes disciplinas:

Semestre 1 Semestre 2
Férias do meio

Criatividade e Técnicas de Estratégia e Finanças


do ano

Atitude Comunicação e Marketing para


Ano 1

para Novos
Empreendedora Negociação Empreendedores
Empreendimentos

Férias de fim de ano

Criação e Gestão da
Férias do meio

Desenvolvimento Inovação e do Projeto de


Ano 2

do ano

de Produtos e Conhecimento Empreendimento


Serviços

2.1. As disciplinas do curso


As disciplinas do curso foram pensadas para que você tenha todas as
condições de construir o seu projeto de empreendimento. Para construir este
projeto, você utilizará todo o conteúdo ministrado durante o curso, e dará
forma a um plano de negócio que poderá ser implementado por você.

Algumas pessoas mudaram a sua vida ao implementar o plano de negócio


que elaboraram durante o curso. Veja o que aconteceu com Rodrigo Veloso,
28 anos: O plano de negócio que ele desenvolveu, ao final do seu curso de
empreendedorismo, visava explorar a oportunidade de exportação de água-
de-coco embalada em caixinha para os Estados Unidos. Ele percebeu que as
propriedades hidratantes da nossa água-de-coco e o fato de ela ser natural
Aula 1 – O curso de Empreendedorismo e Inovação no contexto
:: 29
da sociedade do conhecimento: estrutura e desafios

casavam-se com as expectativas dos consumidores do estado da Califórnia.


A Época (nº 485, 3/9/2007) conta como ele e um colega de curso criaram a
empresa ONE.

ATIVIDADE

4. Leia, a seguir, a matéria da revista Época e conheça melhor esta


história de sucesso.
Sabor tropical, Época (nº 485, 3/9/2007)

Como o mineiro Rodrigo Veloso está ganhando dinheiro


com a venda de água-de-coco nos EUA
MARIA LAURA NEVES

O empreendedor mineiro Rodrigo Veloso, de 28 anos, conseguiu


entrar na onda americana pelo consumo saudável: está
fazendo sucesso com a venda de água-de-coco no exterior,
basicamente nos Estados Unidos. Sua empresa, a One Natural
Experience (ONE), fundada em meados de 2006, já faturou US$
1,2 milhão, fruto da venda de 165.000 litros de água-de-coco
industrializada, desde aquele ano. Pode parecer pouco perto
das cifras movimentadas pelas grandes empresas de bebidas.
30 :: Criatividade e Atitude Empreendedora :: Sandra R.H. Mariano / Verônica Feder Mayer

Mas Veloso está desbravando uma área praticamente virgem


lá fora, e as perspectivas são promissoras. “Até algumas cele-
bridades, como Leonardo DiCaprio, já fizeram encomendas do
produto”, diz.
(...)
Produzida pela brasileira Amacoco, maior fabricante de água-
de-coco do Brasil, a ONE já vai embalada para o exterior.
Além dos Estados Unidos, onde é vendido em grandes redes
de supermercados, como a Kroger, a terceira do país, e a
Whole Foods, líder de vendas em produtos naturais, o produto
também está à venda na Suécia – onde Veloso fez o curso de
Economia. Não há planos de lançá-lo no Brasil. Para convencer
os gigantes a vender seus produtos, Veloso diz que ligava todos
os dias para os gerentes das redes. “Só me atenderam porque
eu insisti muito”, afirma.
A empresa vendeu 165.000 litros de água-de-coco no exterior
em apenas 14 meses.
(...)
Agora, a idéia é ampliar as vendas, inicialmente concentradas na
região da Califórnia, para todo o país. Para fazer a divulgação, ele
diz que coordena pessoalmente as degustações nos pontos-de-
venda. Procura explicar as propriedades hidratantes da bebida
para os clientes. Segundo ele, a estratégia é concorrer com os
isotônicos, como o Gatorade, cujas vendas atingem bilhões de
dólares por ano.
Disponível em: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/
0,EDG78829-8056-485,00.html. Acesso em 2 out 2007.

O curso possui sete disciplinas. Não há pré-requisitos, você poderá


cursar as disciplinas na ordem que desejar. Há apenas duas regras que
todos os alunos precisarão cumprir: a) esta disciplina Criatividade e Atitude
Empreendedora deverá obrigatoriamente ser a primeira disciplina a ser
cursada, pois ela faz uma introdução ao tema e prepara os alunos para
as próximas etapas; b) o aluno só poderá cursar a disciplina Projeto de
Aula 1 – O curso de Empreendedorismo e Inovação no contexto
:: 31
da sociedade do conhecimento: estrutura e desafios

Empreendimento após ter cursado todas as seis disciplinas anteriores.

A seguir, detalharemos um pouco mais o conteúdo de cada uma das


disciplinas:

Criatividade e Atitude Empreendedora

OBJETIVOS DA DISCIPLINA

• Despertar o participante para seu talento criativo e espírito empreendedor,


potencializando e integrando as capacidades cognitivas, emocionais, sociais
e comportamentais que expandam e amadureçam sua postura ativa e
cooperativa diante da vida e da carreira profissional, equilibrando a busca de
resultados práticos com a responsabilidade social e ambiental.

• Incentivar os indivíduos e grupos a questionar seus paradigmas, suas crenças


e suas atitudes frente à vida, assumindo a posição de autores de seu destino,
gestores de sua aprendizagem continuada e de sua empregabilidade no
mutável cenário do atual mundo do trabalho.

Técnicas de Comunicação e Negociação

OBJETIVO DA DISCIPLINA

• A partir de uma visão da interação humana como um elemento essencial


aos processos de aprendizagem, inovação e empreendedorismo, são
trabalhados conceitos e técnicas de comunicação e negociação em situações
de cooperação ou conflito; convencimento ou construção de consenso e de
compromisso, geração ou validação de idéias, bem como, atuando como
instrumentos de pesquisa e aprendizagem.

Estratégia e Marketing para Empreendedores

OBJETIVOS DA DISCIPLINA

• Conceituar e exercitar a reflexão estratégica como um processo dinâmico


de interação entre eventos planejados e eventos emergentes.

• Apresentar métodos e ferramentas para o desenvolvimento e gestão


da estratégia levando em conta a análise das capacidades internas da
organização empreendedora e os sinais do ambiente de negócios onde ela
se insere.

• Exercitar no participante a capacidade de análise e planejamento de marketing


e familiarizá-lo com as técnicas de marketing (estratégia de produto, preço,
propaganda e outros processos de comunicação e distribuição).
32 :: Criatividade e Atitude Empreendedora :: Sandra R.H. Mariano / Verônica Feder Mayer

• Desenvolver sua capacidade de resolver problemas e tomar decisões estra-


tégicas e mercadológicas.

Finanças para Novos Empreendimentos

OBJETIVOS DA DISCIPLINA

• Conceituar e exercitar os fundamentos e instrumentos de análise e gestão


econômico-financeira de novos empreendimentos emergentes, bem
como do valor do dinheiro no tempo.

• Discutir os prós e contras dos diferentes mecanismos de financiamento e


alavancagem de empreendimentos inovadores.

Criação e Desenvolvimento de Produtos e Serviços

OBJETIVO DA DISCIPLINA

• Discutir ferramentas e métodos de concepção e desenvolvimento de


produtos que equilibrem qualidade interna (foco em processo) e externa
(foco em produto e experiência de uso).

Gestão da Inovação e do Conhecimento

OBJETIVOS DA DISCIPLINA

• Conceituar e discutir a inovação como um processo de aprendizagem sistê-


mica e de construção do conhecimento que cria e destrói competências,
altera modos de vida e de trabalho, inventa novos modelos de criação de
valor e, por conseqüência, altera as vantagens comparativas de países ou
regiões (nível macro), setores (nível meso) ou empresas (nível micro).

• Discutir as interações entre sistemas locais de inovação, sistemas de gestão


do conhecimento e sistemas de gestão da inovação.

• Projetar ações que contribuam para o sistema UFF de inovação.

Projeto de Empreendimento

OBJETIVOS DA DISCIPLINA

• Exercitar os métodos e ferramentas de planejamento de um empreen-


dimento inovador.

• Conceber e planejar um empreendimento empresarial, social ou regional,


que seja inovador, auto-sustentável, capaz de gerar benefícios econômicos,
sociais e humanos e possa contribuir para o desenvolvimento local.
Aula 1 – O curso de Empreendedorismo e Inovação no contexto
:: 33
da sociedade do conhecimento: estrutura e desafios

• Elaborar um estudo de viabilidade do projeto na forma de um plano de


negócio empresarial, um plano de empreendimento social ou um plano de
empreendimento regional.

• Avaliação de retorno sobre os investimentos.

2.2. A didática do ensino a distância


O desafio deste curso é ensinar os conteúdos apresentados no formato
não-presencial. Para isto, os docentes foram capacitados e aprenderam como
desenvolver disciplinas a serem ministradas a distância com qualidade.

Ao longo do seu curso, você utilizará, além deste material impresso, inte-
rações, por meio da internet, mediadas pelo tutor, e encontros presenciais na
presença do tutor e, eventualmente, do professor da disciplina.

3. A internet como ferramenta


de aprendizagem
A internet será uma importante ferramenta de apoio para o estudante.
Ao longo do curso, os professores irão sugerir a você que visite sites
interessantes, assista vídeos, participe de fórum. Para isto, é muito importante
que você esteja familiarizado com as ferramentas da internet.

3.1. Conhecendo sites importantes para o


empreendedorismo e a inovação
Alguns sites são muito importantes para o ensino de empreendedorismo.
Listaremos a seguir alguns exemplos:

• http://www.endeavor.org.br/ – O Instituto Empreender Endeavor é uma


organização sem fins lucrativos que tem como missão promover o desen-
volvimento sustentável do Brasil, por meio do apoio a empreendedores
inovadores e do incentivo à cultura empreendedora, gerando postos de
trabalho e renda.

• http://www.sebrae.com.br – O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às


Micro e Pequenas Empresas) trabalha desde 1972 pelo desenvolvimento
sustentável das empresas de pequeno porte. Para isso, a entidade promove
cursos de capacitação, facilita o acesso a serviços financeiros, estimula a
cooperação entre as empresas, organiza feiras e rodadas de negócios e
incentiva o desenvolvimento de atividades que contribuem para a geração
34 :: Criatividade e Atitude Empreendedora :: Sandra R.H. Mariano / Verônica Feder Mayer

de emprego e renda. São centenas de projetos gerenciados pelas Unidades


de Negócios e de Gestão do Sebrae.

• http://www.finep.gov.br/ – A FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos)


visa promover e financiar a inovação e a pesquisa científica e tecnológica
em empresas, universidades, institutos tecnológicos, centros de pesquisa e
outras instituições públicas ou privadas, mobilizando recursos financeiros e
integrando instrumentos para o desenvolvimento econômico e social do país.

ATIVIDADE

5. Pesquise quais eram os hábitos de consumo das donas de casa nos


anos 1950. Exercício: Imagine que você pretende organizar uma festa
de 18 anos, completados em 1960, e deseja organizar uma grande
comemoração. Responda às seguintes questões:
1. A bebida principal da sua festa seria:
2. A música que os convidados ouviriam seria:
3. A sua roupa seria:
Aula 1 – O curso de Empreendedorismo e Inovação no contexto
:: 35
da sociedade do conhecimento: estrutura e desafios

Retomando...

E u sou inglês (Simon Kuper), ou pelo menos é isso que diz meu passa-
porte. Outro dia, sentei na minha casa em Paris para escrever uma
reportagem encomendada por um jornal argentino que eu havia apurado
em Miami. Dei os últimos retoques no texto dentro de um trem que
atravessava a Bélgica. Ao chegar à estação central de Amsterdã, meu
destino final, conectei o notebook à rede de internet sem fio e, sentado
num cantinho, ao lado da minha esposa americana, enviei o artigo por
e-mail para Buenos Aires. Me senti o perfeito trabalhador globalizado.
Como diria o colunista do The New York Times Thomas Friedman em seu
livro O mundo é plano, eu era uma mini-multinacional trabalhando no
meu escritório virtual global. (...) O livro explica por que pessoas como eu
são o seu futuro. Já está claro que, na sua e na minha carreira, a maior
parte do dinheiro virá dos trabalhos globais. Agora só nos resta desvendar
um detalhe – nada irrelevante, aliás: quem terá a chance de se tornar
global e quem será atropelado pelo processo, sendo deixado para trás na
corrida da globalização.

Talvez você esteja se fazendo esta pergunta agora: O que você está fazendo para
tornar-se parte de um movimento global? Posso dizer que o primeiro passo você já deu,
ao matricular-se neste curso que, entre outras coisas, mostrará a você mesmo como são
amplas as suas capacidades e como, com esforço e trabalho duro, você tem todas as
chances de desenvolver as suas habilidades e competências neste novo mundo plano.

Visite o site da Pipeway (www.pipeway.com.br) e veja o que o Guto e seus sócios


andam fazendo.

Certifique-se de que você é capaz de:


• Compreendeu as oportunidades que a globalização pode trazer na formulação de um
negócio.

• Compreendeu os principais fatores de mudança na sociedade brasileira no que se


refere à estrutura demográfica.

• Saberá se comportar de forma ética no ambiente ao utilizar as tecnologias de


informação de comunicação.

• Saberá quais são as disciplinas do seu curso, seus objetivos e pré-requisitos.

• Compreendeu a importância da diversidade para a apresentação de idéias novas.


36 :: Criatividade e Atitude Empreendedora :: Sandra R.H. Mariano / Verônica Feder Mayer

Caso você avalie que as suas respostas a estas perguntas não são satisfatórias, leia
novamente esta aula ou consulte o seu tutor.

Referências
REIS, José Mauricio Apolonio Soares dos; NEVES, Angelo Maciel Baeta. Apicultura
no noroeste fluminense: cooperar para crescer. Histórias de sucesso. SEBRAE. 2004.
Disponível em: <www.casosdesucesso.com.br>.

KUPER, Simon. Você 3.0 - Bem-vindo à nova era da globalização: primeiro empresas.
Agora é a sua vez. Revista Superinteressante. Edição 242. Agosto, 2007. Disponível
em: <http://super.abril.com.br/super2/revista/materia_revista_245897.shtml>.
Acesso em: 25 fev. 2008.

REIS, José Mauricio Apolonio Soares dos; NEVES, Angelo Maciel Baeta. Apicultura no
Noroeste Fluminense. cooperar para crescer. In: DUARTE, Renata Barbosa de Araújo.
(Org.) Histórias de sucesso: agronegócios: apicultura. Brasília: SEBRAE, 2006.

FRANCO, Gustavo H. B. A economia em pessoa: verbetes contemporâneos e ensaios


empresariais do poeta. 2ed. rev. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007.

CASSON, Herbert N. The History of the Telephone. Electronic Text Center, University
of Virginia Library. 1910. Disponível em: <http://etext.lib.virginia.edu/toc/modeng/
public/CasTele.html> ou <http://www.worldwideschool.org/library/books/tech/en
gineering/TheHistoryoftheTelephone/chap2.html>. Acesso: 25 fev. 2008.