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Literatura

Homero G. de Farias Jr.


Livro do Professor

Volume 4
Livro de
atividades
©Dreamstime.com/Alexandre
©Dr
© eams Fagundes De Fagundes

Dados Internacionais para Catalogação na Publicação (CIP)


(Maria Teresa A. Gonzati / CRB 9-1584 / Curitiba, PR, Brasil)

F224 Farias Jr., Homero G. de.


Literatura : livro de atividades / Homero G. de Farias Jr. –
Curitiba : Positivo, 2017.
v. 4 : il.
ISBN 978-85-467-1961-7 (Livro do Professor)
ISBN 978-85-467-1962-4 (Livro do Aluno)
1. Ensino médio. 2. Literatura – Estudo e ensino. I. Título.
CDD 373.33
©Editora Positivo Ltda., 2017
Proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio, sem autorização da Editora.
Barroco
07
Contexto histórico do Barroco na Europa
Estética predominante Crise religiosa – a Monarquias absolutistas – aumento Teocentrismo X
nas artes e na Reforma Protestante de poder da nobreza e dos antropocentrismo
literatura do século divide a Igreja comerciantes.
XVII e início do século entre católicos e Otimismo econômico
Continuidade do desenvolvimento X pessimismo
XVIII. protestantes. econômico iniciado com as Grandes religioso
Floresceu nos países Início do movimento Navegações.
católicos da Europa. da Contrarreforma.

Estética do Barroco nas artes plásticas


ARTES PLÁSTICAS

Características: contrastes; exagero e exuberância no uso de linhas,


cores, formas, sonoridades e gestos; diferenças individuais entre
artistas e diferenças nacionais.

ARQUITETURA ESCULTURA PINTURA

• Uso de linhas curvas, espirais e retorcidas. • Dramaticidade no gesto e no rosto dos • Predomínio da emoção sobre a razão.
• Dimensões grandiosas. personagens representados. • Choque entre opostos: claro/escuro,
• Riqueza e luxuosidade nas formas. • Ideia de movimento dos corpos. luz/sombra.
• Excesso de ornamentação. • Ênfase na profundidade e não apenas no • Temas religiosos, mitológicos e profanos.
que está no primeiro plano. • Assimetria na composição.
• Sensação de que o todo da obra é mais • Locus horrendus (cenas trágicas e
importante do que cada parte singular. angustiantes).
Museu Cívico, Cremona, Itália
©Wikimedia Commons/Int3gr4te
©Wikimedia Commons/Ana Claudia Shcad

BERNINI, Gian Lorenzo. O rapto de Proserpina. CARAVAGGIO. São Francisco em meditação.


Detalhe dos pilares ornamentados da 1621-1622. 1 escultura em mármore, 295 cm. 1606. 1 óleo sobre tela, color., 130 cm × 90 cm.
Igreja de São Francisco, em Salvador Galeria Borguese, Roma. Museu Cívico, Cremona, Itália.

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Estética do Barroco na literatura
Projeto literário do Barroco
• Necessidade de despertar os sentidos do leitor.
• Temas religiosos eram abordados de modo complexo, apresentando uma mistura entre sagrado e profano, por exemplo.
• Gosto pelo contraste: os artistas procuravam aproximar os opostos como carne/espírito, pecado/perdão, céu/terra, etc.
• Além da poesia religiosa, da lírico-amorosa e da satírica, vale destacar a produção de uma poesia de cunho filosófico, que explora a fugaci-
dade do tempo e a transitoriedade da vida, e uma poesia de cunho erótico.
• A linguagem é colocada a favor de uma crítica social, muitos dos textos são de cunho satírico, de apelo popular, ironizando situações e
figuras conhecidas socialmente.

TENDÊNCIAS DO BARROCO

Cultismo/gongorismo – predomínio na poesia Conceptismo/quevedismo – predomínio na prosa

Linguagem elaborada com utilização de: Construção intelectual do conteúdo por meio de:
• trocadilhos • comparações e analogias
• sinonímia • exemplificações
• antonímia • metáforas
• homonímia • imagens construídas pela linguagem
• perífrase • hipérboles
• inversões sintáticas

Barroco em Portugal
• Tem início aproximadamente em 1580, após a morte de Luís de Camões.
• Fatores políticos determinaram certa resistência à adesão de artistas portugueses ao Barroco.
• As relações entre Portugal e Espanha eram marcadas por desavenças e por uma resistência sistemática dos portugueses a tudo o que vinha
da Corte de Madri.
• Os artistas espanhóis haviam aderido à estética barroca, por isso muitos portugueses passaram a recusá-la, preservando os princípios da
literatura clássico-renascentista como um “escudo” para protegê-los de tais influências.
• De um lado artistas e intelectuais portugueses faziam resistência à entrada da estética barroca em Portugal, de outro, a Contrarreforma, com
ligação estreita com a arte barroca, de certa forma, impunha o estilo em terras lusitanas.

Pe. Antônio Vieira (1608-1697)

CARACTERÍSTICAS OBRAS
Profecias – falam sobre o futuro de Portugal.
Escreveu parte de sua obra em Portugal, parte no Brasil. Cartas – com ideias sobre a Inquisição, questões políticas,
relações entre Portugal e Holanda e os novos cristãos
Teve relevante papel político na Corte portuguesa.
(muçulmanos e judeus convertidos).
Seus escritos apresentam três dimensões: religiosa, literária e
Sermões – observa-se o domínio dos aspectos da escrita
política.
barroca conceptista, isto é, desenvolvem-se as ideias por meio de
uma escrita persuasiva e altamente elaborada.

Literatura 3
Barroco no Brasil
Estética que se No Brasil, o Barroco Desenvolveu-se na Região
desenvolveu ao longo variava de uma região Nordeste, tendo como autor Principais autores
dos séculos XVII e para outra, embora principal Gregório de Matos,
apresentasse elementos Gregório de Matos
XVIII. e na região de Minas Gerais,
em comum, como a com manifestações na Pe. Antônio Vieira
A economia começava
presença de uma temática música, arquitetura, escultura Bento Teixeira
a se basear nas
religiosa e um estilo e pintura produzidas por
grandes propriedades Manuel Botelho de Oliveira
baseado no contraste entre artistas importantes como
e na extração de
elementos opostos. Aleijadinho e Mestre Ataíde.
metais preciosos.

Gregório de Matos
desconcerto do mundo
frustração humana
filosófica
conflitos existenciais
lírica
dualismo carne X espírito
amorosa
mulher idealizada e carnal

crítica de costumes
Gregório de Matos satírica realidade dura das relações sociais
disputa pelo poder

religiosa temas relacionados à fé: pecado, culpa e salvação

Atividades
1. (ESAL – MG) Assinale a alternativa que contém características incompatíveis com o estilo de época conhecido por
Barroco.
a) Contradições, sobrenatural humanizado, céu e terra ligados.
b) Gosto pela polêmica, pelo panfleto, colisão de cores e excesso de relevos.
X c) Sentido de universalidade, racionalismo e objetividade.
d) As coisas, pessoas e ações não são descritas, mas apenas evocadas e refletidas através da visão das personagens.
e) Largo sentimento de grandiosidade e esplendor, de pompa e grandeza heroica, expressos na tendência ao exagero
e nos hiperbólico.

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2. (E. A. LAVRAS – MG) A opção que não apresenta características do Barroco é:
a) sentimento trágico da existência, desengano, desespero;
b) gosto pela grandiosidade, pela pompa, pela exuberância e pelo luxo;
c) gosto de cenas e descrições horripilantes, monstruosas, cruéis; arte da morte e dos túmulos;
d) tentativa de conciliar polos opostos: o ideal cristão medieval e os valores pagãos do Renascimento;
X e) a natureza é a fonte perene de alegria, de beleza e de perfeição; retorno aos modelos greco-latinos.
3. (UNOPAR – PR) Considere as seguintes afirmações:
X I. A temática e a linguagem barroca expressam os conflitos experimentados pelo homem do século XVII.

X II. A linguagem barroca caract eriza-se pelo emprego de figuras, como a comparação e a alegoria, entre outras.

X III. A
antítese e o paradoxo são as figuras que a linguagem barroca emprega para expressar a divisão entre mundo
material e mundo espiritual.
IV. A estética barroca privilegia a visão racional do mundo e das relações humanas, buscando na linguagem a fuga às
constrições do dia a dia.
Dentre elas, apenas
a) I e III estão corretas.
b) II e IV estão corretas.
c) III está correta.
d) I, II e IV estão corretas.
X e) I, II e III estão corretas.
4. (UEL – PR) O Barroco manifesta-se entre os séculos XVI e XVII, momento em que os ideais da Reforma entram em
confronto com a Contrarreforma católica, ocasionando no plano das artes uma difícil conciliação entre o teocentrismo
e o antropocentrismo. A alternativa que contém os versos que melhor expressam este conflito é:
a) Um paiá de Monal, bonzo bramá, d) Luzes qual sol entre astros brilhadores,
Primaz da Cafraria do Pegu, Se bem rei mais propício, e mais amado;
Que sem ser do Pequim, por ser do Açu, Que ele estrelas desterra em régio estado,
Quer ser filho do sol, nascendo cá. Em régio estado não desterras flores.
(Gregório de Matos) (Botelho de Oliveira)

b) Temerária, soberba, confiada, X e) Pequei Senhor; mas não porque hei pecado,
Por altiva, por densa, por lustrosa, Da vossa alta clemência me despido;
A exaltação, a névoa, a mariposa, Porque quanto mais tenho delinquido,
Sobe ao sol, cobre o dia, a luz lhe enfada. Vos tenho a perdoar mais empenhado.
(Botelho de Oliveira) (Gregório de Matos)

c) Fábio, que pouco entendes de finezas!


Quem faz só o que pode a pouco obriga:
Quem contra os impossíveis se afadiga,
A esse cede amor em mil ternezas.
(Gregório de Matos)

Literatura 5
5. (UNIFAP) No que se refere ao Barroco no Brasil, assinale a alternativa correta.
a) Volta-se para o passado, aderindo à simplicidade clássica.
b) Há a exaltação do nacionalismo com destaque para a idealização do índio.
c) Há a valorização da natureza como refúgio seguro e sereno.
X d) Predomina a linguagem rebuscada e o uso constante de antíteses e paradoxos.
e) Predomina uma linguagem mais simples e objetiva.
6. (FUVEST – SP)
Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem a semear, há outros que semeiam sem sair. Os
que saem a semear são os que vão pregar à Índia, à China, ao Japão; os que semeiam sem sair são os
que se contentam com pregar na pátria. Todos terão sua razão, mas tudo tem sua conta. Aos que têm
a seara em casa, pagar-lhes-ão a semeadura; aos que vão buscar a seara tão longe, hão-lhes de medir a
semeadura, e hão-lhes de contar os passos. Ah! dia do juízo! Ah! pregadores! Os de cá, achar-vos-ei com
mais paço; os de lá, com mais passos...
Essa passagem é representativa de uma das tendências estéticas típicas da prosa seiscentista, a saber:
a) Sebastianismo, isto é, a celebração do mito da volta de D. Sebastião, rei de Portugal, morto na batalha de Alcácer-
-Quibir.
b) a busca do exotismo e da aventura ultramarina, presentes nas crônicas e narrativas de viagem.
c) a exaltação do heroico e do épico, por meio das metáforas grandiloquentes da epopeia.
d) o lirismo trovadoresco, caracterizado por figuras de estilo passionais e místicas.
X e) Conceptismo, caracterizado pela utilização constante dos recursos da dialética.
7. (FUVEST – SP) A respeito do Padre Antônio Vieira, pode-se afirmar:
a) Embora vivesse no Brasil, por sua formação lusitana não se ocupou de problemas locais.
X b) Procurava adequar os textos bíblicos às realidades de que tratava.
c) Dada sua espiritualidade, demonstrava desinteresse por assuntos mundanos.
d) Em função de seu zelo para com Deus, utilizava-o para justificar todos os acontecimentos políticos e sociais.
e) Mostrou-se tímido diante dos interesses dos poderosos.
8. (UFV – MG) A preocupação dos autores da Literatura Brasileira, inseridos no estilo literário denominado Barroco, era:
a) recriar a estética do Classicismo europeu.
X b) valorizar o conteúdo em detrimento da forma.
c) eliminar os elementos religiosos dos poemas.
d) expressar os antagonismos da existência humana.
9. (MACKENZIE – SP) Assinale a alternativa INCORRETA.
a) Em seus sermões, de estilo conceptista, o Padre Antônio Vieira segue os moldes da parenética medieval.
b) Caracteriza o Barroco a tentativa de unir os valores medievais aos renascentistas.
c) O poema épico Prosopopeia foi escrito em versos decassílabos e oitava-rima e é considerado o marco inicial do
Barroco no Brasil.
d) Apesar de conhecido como poeta satírico, Gregório de Matos também escreveu poesia lírica e religiosa.
X e) O cultismo caracteriza-se como uma sequência de raciocínios lógicos, usando uma retórica aprimorada, que des-
preza a linguagem rebuscada.

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Texto para as questões de 10 a 14.
Os ouvintes ou são maus ou são bons; se são bons, faz neles fruto a palavra de Deus; se são maus,
ainda que não faça neles fruto, faz efeito. [...] a palavra de Deus é tão fecunda, que nos bons faz muito
fruto e é tão eficaz, que nos maus, ainda que não faça fruto, faz efeito; lançada nos espinhos não
frutificou, mas nasceu até nos espinhos; lançada nas pedras não frutificou, mas nasceu até nas pedras.
Os piores ouvintes que há na Igreja de Deus são as pedras e os espinhos. E por quê? Os espinhos por
agudos, as pedras por duras. Ouvintes de entendimentos agudos e ouvintes de vontades endurecidas
são os piores que há. Os ouvintes de entendimentos agudos são maus ouvintes, porque vêm só a
ouvir sutilezas, a esperar galantarias, a avaliar pensamentos, e às vezes também a picar quem os não
pica. [...] Mas os de vontades endurecidas ainda são piores, porque um entendimento agudo pode-se
ferir pelos mesmos fios, e vencer-se uma agudeza com outra maior; mas contra vontades endurecidas
nenhuma coisa aproveita a agudeza, antes dana mais, porque quanto as setas são mais agudas, tanto
mais facilmente se despontam na pedra. [...] E com os ouvintes de entendimentos agudos e os ouvintes
de vontades endurecidas serem os mais rebeldes, é tanta a força da divina palavra, que, apesar da
agudeza, nasce nos espinhos, e apesar da dureza, nasce nas pedras.
VIEIRA, Antônio. Sermão da sexagésima. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000034.pdf>. Acesso em: 23
fev. 2016.

10. Qual é o assunto do sermão lido?


A pregação da palavra de Deus e a sua receptividade por parte dos fiéis.

11. Há no texto uma referência à recepção da pregação bíblica, à catequese realizada pelos portugueses. Selecione pelo
menos um trecho do texto que exemplifique esse aspecto.
Pessoal. Sugestão: “a palavra de Deus é tão fecunda, que nos bons faz muito fruto e é tão eficaz, que nos maus, ainda que não faça

fruto, faz efeito; lançada nos espinhos não frutificou, mas nasceu até nos espinhos; lançada nas pedras não frutificou, mas nasceu até

nas pedras”, pois exemplifica com a analogia do fruto como seria o resultado da catequese.

12. A respeito do público que ouvia os sermões, comente o fragmento: “com os ouvintes de entendimentos agudos e os
ouvintes de vontades endurecidas serem os mais rebeldes, é tanta a força da divina palavra, que, apesar da agudeza,
nasce nos espinhos, e apesar da dureza, nasce nas pedras”.
A metáfora é ampla, mas pode ser situada na ideia de que há homens que ouvem a palavra divina, mas fazem uso da esperteza para

desprezá-la, e existem também os que são brutos e que, por isso, não a compreendem. Há, portanto, os “homens-espinho” que são

agudos e os “homens-pedra”, que são duros. Apesar disso, a palavra divina, pela sua força, provoca algum efeito nessas pessoas.

13. (FATEC – SP) Contra vontades endurecidas nenhuma coisa aproveita a agudeza, antes dana mais.
Assinale a alternativa em que o sentido dessa frase está adequadamente expresso.
a) A agudeza não se vale das vontades endurecidas − contra elas, dana-se.
b) As vontades endurecidas não aproveitam nada; antes delas, tudo é pior.
c) Nada se aproveita da agudeza contra vontades endurecidas: piora mais ainda.
d) Só uma coisa se aproveita contra vontades endurecidas: a agudeza, que antes dana mais.
X e) A agudeza de nada vale contra vontades endurecidas − só piora.

Literatura 7
14. Ao proferir seus sermões, Antônio Vieira discursava muitas vezes para pessoas que não tinham o domínio da língua
portuguesa, muito menos do latim (língua usada pela Igreja). Desse modo, era preciso se utilizar de recursos como
comparações, paralelos, incursões em outros discursos, alegorias, etc. a fim de possibilitar a compreensão. De que
forma se estabelece a alegoria nesse texto de Vieira?
Por meio da metáfora dos homens comparados a espinhos e pedras.

15. (UFRN) A obra de Gregório de Matos – autor que se destaca na literatura barroca brasileira – compreende:
a) poesia épico-amorosa e obras dramáticas.
b) poesia satírica e contos burlescos.
X c) poesia lírica, de caráter religioso e amoroso, e poesia satírica.
d) poesia confessional e autos religiosos.
e) poesia lírica e teatro de costumes.
16. (PUC)

“Anjo no nome, Angélica na cara!


Isso é ser flor, e Anjo juntamente:
Ser Angélica flor e Anjo florente,
Em quem, senão em vós, se uniformara?”
Na estrofe, o jogo de palavras:
a) é recurso de que se serve o poeta para satirizar os desmandos dos governantes de seu tempo;
b) retrata o conflito vivido pelo homem barroco, dividido entre o senso do pecado e o desejo de perdão;
c) expressa a consciência de que o poeta tem do efêmero da existência e o horror pela morte;
d) revela a busca da unidade, por um espírito dividido entre o idealismo e o apelo dos sentidos;
X e) permite a manifestação do erotismo do homem, provocado pela crença na efemeridade dos predicados físicos da
natureza humana.
Texto para as questões de 17 a 21.
Aos capitulares do seu tempo
A nossa Sé da Bahia,
com ser um mapa de festas,
é um presépio de bestas,
se não for estrebaria:
várias bestas cada dia
vemos, que o sino congrega,
Caveira mula galega,
o Deão burrinha parda,
Pereira besta de albarda,
tudo para a Sé se agrega.
MATOS, Gregório de. Antologia. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2001. p. 82.

17. Qual é a temática desse poema?


Crítica aos religiosos da Sé da Bahia.

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18. O título “Aos capitulares de seu tempo” faz referência aos religiosos que eram contemporâneos de Gregório de Matos.
Dessa forma, é possível dizer que o poema é
a) uma valorização dos clérigos.
b) uma advertência ao valor dos religiosos.
X c) uma crítica ao comportamento dos religiosos.

d) uma forma de elogio irônico aos padres.


19. Indique as comparações feitas pelo eu lírico para expressar sua crítica.
O autor compara os religiosos a animais. Assim, cada um deles é tachado por um adjetivo: o caveira é uma mula; o Deão, uma

burrinha e o Pereira, uma besta. O poeta, portanto, os animaliza.

20. Qual das alternativas a seguir traz versos que deixam claro que a crítica do poema se dirige a pessoas ligadas à Igreja?
a) ( ) “A nossa Sé da Bahia,/ com ser um mapa de festas,”
b) ( X ) “várias bestas cada dia/ vemos, que o sino congrega”
c) ( ) “Caveira mula galega,”
d) ( ) “Pereira besta de albarda,”
21. O poema apresenta uma das características marcantes da poesia gregoriana. A respeito dele, avalie as seguintes
proposições.
I. Apesar de Gregório de Matos produzir uma poesia crítica, esses versos fazem uma espécie de louvor à Igreja, com
o intuito de o poeta receber sua benevolência.
II. O eu lírico é respeitoso e comedido nas sátiras, não caracterizando ofensas, o que pode ser visto no verso “Pereira
besta de albarda”.
III. A sátira se dá de forma sutil, pois há ambiguidade nos termos, como nos versos “A nossa Sé da Bahia, com ser um
mapa de festas, é um presépio de bestas”.
Está(ão) correta(s):
a) Somente as proposições I e III.
b) Somente a proposição II.
c) Somente a proposição III.
d) As proposições I, II e III.
X e) Nenhuma.
22. (UFRGS – RS) Quanto ao período barroco e seus representantes na literatura colonial brasileira, é correto afirmar que
X a) os sermões de Antônio Vieira apresentam uma retórica complexa pela exuberância de imagens e pelos postulados
morais e religiosos.
b) a obra de Gregório de Matos se distingue pela sua unidade temática, expressa por um tom satírico.
c) a poesia irreverente de Gregório de Matos satiriza diferentes tipos sociais, exceção feita aos representantes da
Igreja.
d) o predomínio dos valores transcendentais, motivados pela Reforma, marca o estilo barroco da obra de Vieira.
e) Gregório de Matos se ateve ao uso da língua culta da Metrópole, ao contrário de Vieira, que utilizou termos indíge-
nas, africanos e populares.

Literatura 9
23. (UFV – MG)
Epílogos
Que falta nesta cidade? ..... Verdade Sazonada caramunha!
Que mais por sua desonra? ..... Honra enfim que na Santa Sé
Falta mais que se lhe ponha ..... Vergonha. o que se pratica, é
Simonia, Inveja, Unha.
O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta, E nos frades há manqueiras? ..... Freiras
numa cidade, onde falta Em que ocupam os serões? ..... Sermões
Verdade, Honra, Vergonha. Não se ocupam em disputas? ..... Putas.

Quem a pôs neste socrócio? ..... Negócio Com palavras dissolutas


Quem causa tal perdição? ..... Ambição me concluís na verdade,
E o maior desta loucura? ..... Usura. que as lidas todas de um Frade
são Freiras, Sermões, e Putas.
Notável desventura
de um povo néscio, e sandeu, O açúcar já se acabou? ..... Baixou
que não sabe, que o perdeu E o dinheiro se extinguiu? ..... Subiu
Negócio, Ambição, Usura. Logo já convalesceu? ..... Morreu.
[...]
E que justiça a resguarda? ..... Bastarda À Bahia aconteceu
É grátis distribuída? ..... Vendida o que a um doente acontece,
Que tem, que a todos assusta? ..... Injusta. cai na cama, o mal lhe cresce,
Baixou, Subiu, e Morreu.
Valha-nos Deus, o que custa,
o que El-Rei nos dá de graça, A Câmara não acode? ..... Não pode
que anda a justiça na praça Pois não tem todo o poder? ..... Não quer
Bastarda, Vendida, Injusta. É que o governo a convence? ..... Não vence.

Que vai pela clerezia? ..... Simonia Que haverá que tal pense,
E pelos membros da Igreja? ..... Inveja que uma Câmara tão nobre
Cuidei, que mais se lhe punha? ..... Unha. por ver-se mísera, e pobre
Não pode, não quer, não vence.
MATOS, Gregório de. Antologia. Porto Alegre: L&PM, 2005. p. 60-62.

Esse poema testemunha a criatividade do poeta ao escrever composições satíricas e critica comportamentos sociais
do Brasil da época colonial. Com base nisso, faça o que se pede:
a) Cite três instituições sociais que são criticadas no texto.
A Justiça, nos versos “Valha-nos Deus, o que custa,/ o que El-Rei nos dá de graça/ que anda a justiça na praça/ Bastarda, Vendida

Injusta”. A Igreja, nos versos “Que vai para a clerezia? ..... Simonia/ E pelos membros da Igreja? ..... Inveja”. Os políticos, nos versos

“A Câmara não acode? ..... Não pode/ Pois não tem todo o poder? ..... Não quer/ É que o governo a convence? ..... Não vence”.

b) Destaque três versos nos quais Gregório de Matos expõe a decadência econômica da sociedade baiana do
século XVII.
“O açúcar já se acabou? ..... Baixou/ E o dinheiro já se extinguiu? Subiu/ Logo já convalesceu? ..... Morreu.”

10 Volume 4
08
Arcadismo

Produção artística do século XVIII


Contexto histórico

NA EUROPA NO BRASIL
• Século das Luzes – Iluminismo: propunha o uso da razão • Minas Gerais torna-se o eixo econômico devido ao início da exploração de
(identificada com a metáfora da luz) na definição de uma ouro na região.
nova forma de pensar o homem e a sociedade. • Rio de Janeiro torna-se um dos polos de exportação das riquezas da
• Enfraquecimento dos conflitos religiosos. mineração para a Metrópole, ganhando relevância política, econômica,
• Absolutismo monárquico perde prestígio. social e cultural.
• A burguesia começa a se fortalecer devido ao comércio. • Vários brasileiros foram estudar na Europa, trazendo, em seu retorno
para o Brasil, novos ideais e tendências do pensamento liberal que se
• Desenvolvimento industrial e econômico.
contrapunham à ideologia que embasava a dominação colonial imposta
• Formação da Arcádia Romana e Arcádia Lusitana. pelos portugueses.

Arcadismo

Neoclassicismo Iluminismo

Harmonia e equilíbrio Racionalismo/objetivismo

Locus amoenus Inutilia truncat


Fugere urbem Aurea mediocritas Carpe diem
Mimesis Valorização do campo Exclusão de
Fuga do centro e da paisagem Valorização da Valorização
Imitação da coisas inúteis;
urbano para o marítima; ênfase na vida simples, sem do momento
natureza. simplificação de
campo. beleza da natureza. bens materiais. presente.
formas.

Literatura 11
CARACTERÍSTICAS DO ARCADISMO
• Superação da estética barroca – reação contra os exageros do Barroco.
• Racionalismo – razão como base da sabedoria humana.
• Espírito investigativo – aumento dos leitores de textos filosóficos na busca pelo entendimento de questões humanas, políticas e sociais.
• Tentativa de imitação dos modelos clássicos greco-latinos e renascentistas.
• Pastorialismo – poetas assumiram o papel de pastores em seus poemas, usando inclusive pseudônimos pastoris.
• Bucolismo – ideal de vida simples do campo.

Arcadismo em Portugal
Manuel Maria Barbosa l’Hedois du Bocage (1765-1805) é considerado o maior poeta português do Arcadismo.

SOBRE O AUTOR
Poemas líricos: explorou as principais características da poesia árcade ligada aos sentimentos: o uso de pseudônimos pastoris, a
utilização dos lugares-comuns explorados pelo estilo árcade, o domínio das formas poéticas clássicas e a preferência por um uso
de linguagem simples, concisa e equilibrada.
Poesia satírica: em uma primeira fase, escreveu sonetos satíricos curtos com conteúdo obsceno; em uma segunda fase escreveu
odes, cantigas, epístolas e elegias.
Visão subjetiva da realidade: em sua fase mais madura, produziu poesias introspectivas, soturnas e fatalistas, que exploram os
sentimentos vivenciados pelo eu lírico.

Arcadismo no Brasil
AUTORES PRINCIPAIS OBRAS
Claudio Manoel da Costa Obras
Adotou o pseudônimo árcade Glauceste Satúrnio. Vila Rica
Tomás Antônio Gonzaga Marília de Dirceu
Adotou o pseudônimo árcade Dirceu. Cartas chilenas
Basílio da Gama
O Uraguai
Seu pseudônimo árcade era Termindo Sipílio.
Santa Rita Durão
Caramuru
Considerado um dos precursores do indianismo no Brasil.
Alvarenga Peixoto A Dona Bárbara Heliodora
Também participou da Inconfidência Mineira e, por esse motivo, foi degredado para África. Canto Genetlíaco
Silva Alvarenga
Glaura
Adotou o pseudônimo árcade Alcindo Palmireno.

12 Volume 4
Atividades
1. (UFPB) Na poesia arcádica ou neoclássica, NÃO se encontra
a) a influência das ideias iluministas.
b) a valorização do campo em detrimento da cidade.
X c) a ênfase na interpretação subjetiva da realidade.
d) o retorno aos ideais greco-latinos.
e) a adoção de pseudônimos pelos poetas, que se figuravam pastores.
2. (FUVEST – SP)
E em artes aos de Minerva se não rendem
Teus alvos, curtos dedos melindrosos.

Indique a característica árcade nos versos acima, de autoria de Bocage.


a) Uso de pseudônimos.
b) Rompimento com os clássicos.
X c) Recurso à mitologia greco-romana.
d) Predominância do subjetivismo.
e) Tema pastoril.
Texto para as questões 3 e 4.

A Uma Senhora Natural do Rio de


Janeiro, Onde se Achava Então o Autor

Já, Marfisa cruel, me não maltrata


Saber que andas comigo de cautelas,
Qu’inda te espero ver, por causa delas,
Arrependida de ter sito ingrata.

Com o tempo, que tudo desbarata,


Teus olhos deixarão de ser estrelas;
Verás murchar no rosto as faces belas.
E as tranças d’oiro converter-se em prata.

Pois se sabes que a tua formosura


Por força há de sofrer da idade os danos,
Por que me negas hoje esta ventura?

Guarda para seu tempo os desenganos,


Gozemo-nos agora, enquanto dura,
Já que dura tão pouco, a flor dos anos.
GAMA, Basílio. A uma senhora natural do Rio de Janeiro, onde se achava então
o autor. In: RAMOS, Péricles Eugênio da Silva. Poesia do ouro: os mais belos
versos da escola mineira. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1964. p. 267.

Literatura 13
3. Considerando o período de produção do texto e os valores que os autores buscavam na época, explique qual ideia está
sendo defendida no soneto de Basílio da Gama.
O carpe diem – aproveitar o dia, a juventude, o momento presente. Esse é um dos temas mais recorrentes do período e retoma um dos

preceitos do autor latino Horácio. Mostra-se a consciência da passagem do tempo, da transitoriedade da vida e, por isso, é preciso

aproveitar de modo intenso o hoje.

4. O verso que comprova e exemplifica a ideia exposta na questão anterior é:


a) “Saber que andas comigo de cautelas”
b) “Arrependida de ter sito ingrata”
X c) “Gozemo-nos agora, enquanto dura”

d) “Por que me negas hoje esta ventura?”


5. As alternativas abaixo apresentam algumas características presentes em escolas literárias de diversos períodos his-
tóricos, mas apenas uma se enquadra na estética árcade. Assinale-a.
a) O homem dividido entre o divino e o profano.
b) Arte refletindo a descoberta de culturas até então desconhecidas pelos europeus.
c) Sentimentalismo acentuado.
X d) Aproveitar o momento presente.

Textos para as questões de 6 a 8.


Texto 1 Texto 2
Se sou pobre pastor, se não governo Este é o rio, a montanha é esta,
Reinos, nações, províncias, mundo, e gentes; Estes os troncos, estes os rochedos;
Se em frio, calma, e chuvas inclementes São estes inda os mesmos arvoredos;
Passo o verão, outono, estio, inverno; Esta é a mesma rústica floresta.

Nem por isso trocara o abrigo terno Tudo cheio de horror se manifesta,
Desta choça, em que vivo, co’as enchentes Rio, montanha, troncos, e penedos;
Dessa grande fortuna: assaz presentes Que de amor nos suavíssimos enredos
Tenho as paixões desse tormento eterno. Foi cena alegre, e urna é já funesta.

Adorar as traições, amar o engano, Oh quão lembrado estou de haver subido


Ouvir dos lastimosos o gemido, Aquele monte, e às vezes, que baixando
Passar aflito o dia, o mês, e o ano; Deixei do pranto o vale umedecido!

Seja embora prazer; que a meu ouvido Tudo me está a memória retratando;
Soa melhor a voz do desengano, Que da mesma saudade o infame ruído
Que da torpe lisonja o infame ruído. Vem as mortas espécies despertando.
COSTA, Cláudio Manuel da. Obras. In: PROENÇA FILHO, COSTA, Cláudio Manuel da. Este é o rio, a montanha é esta. In:
Domício (Org.). A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Aguilar, MOISÉS, Massaud. A literatura brasileira através dos textos. 20. ed.
1996. p. 53. São Paulo: Editora Cultrix, 2000. p. 89.

Nos poemas lidos, a caracterização dos cenários é importante para que se interprete o tema presente em cada um
deles. A esse respeito, responda às questões.

14 Volume 4
6. Descreva o cenário presente nos sonetos e o que eles representam.
Os cenários presentes nos dois sonetos de Cláudio Manuel da Costa são bucólicos, ou seja, representam a vida no campo, exaltada

mesmo diante da simplicidade e à mercê das forças da natureza, do clima. No primeiro soneto, o eu lírico afirma não trocar a choça

pela cidade, lugar do “infame ruído”. No segundo, encontra-se o apego do eu lírico à geografia que pode representar os valores da

terra.

7. Explique o tema que os cenários representam, relacionando-o à poesia árcade e seus princípios.
O tema principal apresentado é o locus amoenus. A natureza, portanto, é descrita como um lugar tranquilo e agradável, de onde o eu

lírico guarda recordação forte no segundo soneto, e de onde, no primeiro, não deseja jamais evadir-se. Essa característica é marcante

no período, tanto nos autores brasileiros quanto nos portugueses. Ambas as escolas se fundamentaram nas diretrizes de Horácio, que

estão presentes no verso fugere urbem ut vivere in aurea mediocritas, ou seja, fugir da cidade e viver sem bens materiais, fugindo

do “infame ruído” e buscando o equilíbrio, o bom senso e o comedimento, usufruindo dos prazeres da natureza, pois o tempo é

“fugidio”.

8. Preencha as lacunas no trecho a seguir, considerando os sonetos como exemplos da poética árcade e de seus
princípios.
Os dois sonetos de Cláudio Manuel da Costa exaltam a vida no campo e pastoril
como ideais a serem seguidos, e são aspectos que servem de modelo dentro da representação idealizada da
natureza . Esses princípios apontam para o que se chama de bucolismo ,
que é a caracterização idealizada do espaço, da vida e dos costumes do campo , entendidos
como acolhedores, alegres e belos.

9. Leia o trecho a seguir.


Sendo o corpo o único instrumento que o homem selvagem conhece, é por ele empregado de di-
versos modos, de que são incapazes, dada a falta de exercício, nossos corpos, e foi nossa indústria que
nos privou da força e da agilidade que a necessidade obrigou o selvagem a adquirir. [...] Dai ao homem
civilizado o tempo de reunir todas essas máquinas à sua volta; não se poderá duvidar que, com isso,
sobrepasse, com facilidade, o homem selvagem. Se quiserdes, porém, ver um combate mais desigual
ainda, deixai-os nus e desarmados uns defronte dos outros, e logo reconhecereis qual a vantagem de
sempre ter todas as forças à sua disposição.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. 5 ed. São Paulo: Nova Cultural, 1991. p.
239. (Os Pensadores; 6)

Analise os seguinte itens.


I. O Arcadismo representou um retorno aos modelos greco-latinos que buscavam, por meio dos sentimentos, home-
nagear a vida simples e a comunhão com a natureza como forma de retomar o modo de vida do homem selvagem.
X II. Além da razão como princípio norteador, outra característica árcade é a figura do bom selvagem como representante
da perfeição perdida em oposição à artificialidade da urbe.
X III. São características desse período histórico a difusão e a valorização dos ideais liberais da classe burguesa, pensa-
mento que apregoava a liberdade de propriedade e igualdade de poderes.

Literatura 15
Em relação a essas afirmativas,
a) apenas o item II é verdadeiro.
b) apenas o item III é verdadeiro.
c) são verdadeiros os itens I e III.
X d) são verdadeiros os itens II e III.
10. Em relação às características do Arcadismo, julgue as afirmativas a seguir, assinalando (V) para as verdadeiras e (F)
para as falsas.
a) ( F ) Árcade era a escola literária de linha europeia que tinha como uma de suas características a utilização de
linguagem rebuscada.
b) ( V ) Os autores que se enquadram no Arcadismo procuravam produzir obras dentro de padrões clássicos.
c) ( F ) Árcade foi a lírica nacional produzida com retórica aprimorada.
d) ( F ) A literatura árcade pregava a “arte pela arte”.
e) ( V ) Apelo à natureza como valor supremo era um princípio árcade.
f) ( V ) A presença da vida rústica na lírica árcade demonstra a valorização do homem em comunhão com a natureza.
g) ( F ) A poética árcade tinha tendência mística e religiosa, vinculada à expressão de ter ou não fé.
h) ( V ) Era comum no Brasil a circulação de manuscritos anônimos de conteúdo satírico e político.
i) ( F ) Na ambientação dos poemas, preferia-se a noite ao dia, pois sob a luz revela-se o indivíduo e, na escuridão,
revelam-se a imaginação e os sonhos.
11. (UFPA) Poeta do Arcadismo brasileiro, Tomás Antônio Gonzaga oscila entre dois estilos: por um lado, recupera o
equilíbrio clássico e a inspiração pastoral da remota Arcádia; por outro, anuncia a emoção que caracteriza o espírito
romântico. Das estrofes abaixo transcritas, do poema Marília de Dirceu, a que contém, essencialmente, elementos do
Neoclassicismo e do Arcadismo é a seguinte:
a) “Repara, Marília, c) “Tu não verás, Marília, cem cativos
O quanto é mais forte Tirarem o cascalho, e a rica terra,
Ainda que a morte Ou dos cercos dos rios caudalosos,
Num peito esforçado, Ou da minada serra.”
De amor a paixão.
Marília, já treme, d) “Eu tenho um coração maior que o mundo!
Já treme de susto Tu, formosa Marília, bem o sabes:
O meu coração.” Um coração..., e basta,
Onde tu mesma cabes.”
b) “Porém eu, Marília, nego, X e) “Eu vi o meu semblante numa fonte,
Que assim seja Amor; pois ele Dos anos inda não está cortado:
Nem é moço, nem é cego, Os Pastores, que habitam este monte,
Nem setas, nem asas tem. Respeitam o poder do meu cajado:
Ora, pois, eu vou formar-lhe Com tal destreza toco a sanfoninha,
Um retrato mais perfeito Que inveja até me tem o próprio Alceste:
Que ele já feriu meu peito; Ao som dela concerto a voz celeste;
Por isso o conheço bem.” Nem canto letra, que não seja minha.”
GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dirceu. São Paulo: Melhoramentos, 1964.

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