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Rodada #12

Legislação Especial
Professor Leandro Igrejas

Assuntos da Rodada

LEGISLAÇÃO ESPECIAL: 1. Lei nº 10.826/2003 e alterações (Estatuto do


Desarmamento). 2. Lei nº 7.716/1989 e alterações (crimes resultantes de
preconceitos de raça ou de cor). 3. Lei nº 5.553/1968 (apresentação e uso de
documentos de identificação pessoal). 4. Lei nº 4.898/1965 (direito de
representação e processo de responsabilidade administrativa, civil e penal, nos
casos de abuso de autoridade). 5. Lei nº 9.455/1997 (definição dos crimes de
tortura). 6. Lei nº 8.069/1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), Título II,
Capítulos I e II, Título III, Capítulo II, Seção III, Título V e Título VII. 7. Lei nº
10.741/2003 e alterações (Estatuto do Idoso). 8. Lei nº 9.034/1995 e
alterações (crime organizado). 9. Lei nº 9.099/1995 e alterações (juizados
especiais cíveis e criminais), Capítulo III. 10. Lei nº 10.259/2001 e alterações
(juizados especiais cíveis e criminais no âmbito da Justiça Federal). 11. Lei nº
11.340/2006 (Maria da Penha – violência doméstica e familiar contra a
mulher). 12. Lei nº 11.343/2006 (sistema nacional de políticas públicas sobre
drogas). 13. Decreto-Lei nº 3.688/1941 (Lei das contravenções penais). 14. Lei
nº 9.605/1998 e alterações (Lei dos crimes contra o meio ambiente), Capítulos
III e V. 15. Decretos nº 5.948/2006, nº 6.347/2008 e nº 7901/2013 (Tráfico de
pessoas).
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Recados importantes!

1. Você poderá fazer mais questões destes assuntos no teste semanal,


liberado ao final da rodada.
2. Tente cumprir as metas na ordem que determinamos. É fundamental para
o perfeito aproveitamento do treinamento.
3. Qualquer problema com a meta, envie uma mensagem para o WhatsApp
oficial da Turma Elite (35) 9106 5456.
4. Acompanhe o nosso fórum de dúvidas. É uma ótima forma de aprender
com as dúvidas dos outros alunos.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

a. Teoria

Lei n.º 11.340/06 – Cria mecanismos para coibir a


violência doméstica e familiar contra a mulher.

O art.226 da Constituição da República de 1988 (CRFB/88), ao


estabelecer a proteção do Estado à família, determinou a criação de
mecanismos de prevenção à violência no âmbito familiar.

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial


proteção do Estado. (...)

§ 8º O Estado assegurará a assistência à família na pessoa


de cada um dos que a integram, criando mecanismos para
coibir a violência no âmbito de suas relações.

A publicação da Lei n.º 11.340/06, mais conhecida como ―Lei Maria da


Penha‖ (LMP), foi parte do esforço para dar cumprimento a esta diretriz
constitucional.

É importante que você saiba, desde logo, que a LMP não criou tipos
penais (crimes) novos! Ela apenas fixou os parâmetros para caracterização
da violência doméstica e familiar contra a mulher, estabelecendo que alguns
crimes já existentes (tanto no Código Penal, como na legislação especial)
seriam tratados de forma diferenciada quando cometidos nesse contexto.

O principal avanço da LMP foi ter estabelecido medidas de assistência e


proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar. Muitas
dessas medidas se destinam à aplicação em caso de urgência. Voltaremos a
esse ponto, com mais detalhes, adiante.

3
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Passemos ao estudo1 dos dispositivos mais importantes para fins de


concurso:

Art. 1o Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica
e familiar contra a mulher, nos termos do §8º do art. 226 da Constituição
Federal (...)

A primeira noção informação importante é que somente a MULHER é que


pode ser sujeito passivo da violência doméstica e familiar.

Tamanha é a relevância e a gravidade desse tema, que o legislador


expressamente assim definiu:

Art. 6º A violência doméstica e familiar contra a mulher constitui uma das


formas de violação dos direitos humanos

Neste ponto, você precisa tomar cuidado: o examinador mais criativo


pode elaborar uma questão correlacionando este artigo da LMP com a
competência da Justiça Federal prevista no art.109 da CRFB/88. Veja:

Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: (...)

V-A as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º


deste artigo;

Lembre-se que a competência para processo e julgamento dos crimes


previstos na LMP pertence, de regra, à Justiça Estadual.

Todavia, pode haver o deslocamento dessa competência para Justiça


Federal na hipótese de o crime configurar grave violação de direitos humanos.
Veja:

1
Os artigos serão apresentados seguindo uma ordem lógica, que melhor permitirá o
entendimento e fixação da matéria. Assim sendo, nem sempre a exposição
corresponderá à sequencia numérica da Lei.

4
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: (...)

§ 5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o


Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar o
cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais
de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar,
perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do
inquérito ou processo, incidente de deslocamento de
competência para a Justiça Federal. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

Prosseguindo.

O que se entende por violência doméstica e familiar?

AArt. 5o fornece
Lei nos Para osa efeitos desta
resposta, Lei,art.5º:
em seu configura violência doméstica e
familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no GÊNERO
que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano
moral ou patrimonial:

I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de


convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar,
inclusive as esporadicamente agregadas;

II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada


por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços
naturais, por afinidade ou por vontade expressa;

III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor


conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de
coabitação.

Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo


independem de orientação sexual.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

A proteção da LMP se volta para a mulher enquanto gênero. Ou seja, em


condição de hipossuficiência (por exemplo, física, econômica, emocional, etc.)
ou de vulnerabilidade em relação a seu (sua) agressor (a).

De acordo com o caput do art.5º, ―violência doméstica e familiar‖ se


materializa por ação ou omissão dirigida à mulher, causadora de danos
físicos, psicológicos, morais ou a seus bens materiais.

Repare que não há necessidade de reiteração de condutas (habitualidade)


para configuração do crime. Logo, ―apenas‖ uma agressão já pode configurar a
situação prevista na LMP.

Como você já pode imaginar, várias questões de concurso podem ser


criadas a partir dessas noções.

Detalhes importantes:

O primeiro aspecto a destacar é que não é qualquer violência cometida


contra mulher que será objeto da LMP, mas somente aquela que ocorra na
esfera da relação doméstica ou familiar ou de relação íntima de afeto,
conforme as definições do art.5º.

Além disso, deve estar presente a situação de vulnerabilidade da


vítima, caracterizando a violência contra o gênero feminino.

ATENÇÃO: Na prática, de fato, pode ser difícil identificar se a violência contra


a mulher, praticada no âmbito doméstico/familiar/relações íntimas de afeto,
foi baseada no gênero.

Para nossa prova, contudo, essa situação deverá vir expressa no enunciado.
Esteja atento(a) para a presença da expressão “baseada no gênero‖, ou
então, alguma ―pista‖ que indique que a vítima mulher tenha sido inferiorizada
ou discriminada.

6
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Prosseguindo no estudo do art.5º:

 Unidade doméstica (convívio permanente de pessoas, com ou


sem vínculo familiar). É preciso que agressor(a) e vítima estejam
inseridos em uma mesma unidade doméstica. Exemplo: patrão (ou
patroa) que agride a empregada doméstica2; filho (a) que agride a
mãe idosa e doente.

Cuidado: Não é necessário que a violência ocorra no espaço físico


da residência. Exemplo: marido agride a esposa durante uma
viagem de férias.

 Familiar (indivíduos que são ou se consideram aparentados).


Exemplos: neto, em visita à casa da avó, a agride em razão de
alguma desavença; sobrinho, durante um passeio com a família,
agride sua tia; irmão agride irmã com quem não coabita.

 Qualquer relação íntima de afeto, independente de coabitação


entre agressor(a) e a vítima. Por exemplo: ex-namorado,
inconformado com o fim do relacionamento, pratica violência contra
a ex-namorada.

Note que mesmo após o término do relacionamento intimo de afeto,


a violência se enquadra na LMP, desde que praticada em
decorrência dessa relação.

2
Entendimento diverso seria se a agressão se desse contra diarista que presta serviços
a cada 15 dias. Nessa situação, por óbvio, não haveria que se falar em convívio
permanente.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Em relação à possibilidade específica de aplicação da LMP às


relações entre namorados, existe posicionamento do STJ, no
seguinte sentido:

COMPETÊNCIA. AGRESSÃO. NAMORO.

“Discute-se, [...] se o disposto na Lei n. 11.340/2006 (Lei Maria


da Penha) é aplicável às relações entre namorados. Para a Min.
Relatora, como o art. 5º da citada lei dispõe que a “violência
doméstica” abrange qualquer relação íntima de afeto e
dispensa a coabitação, cada demanda deve ter uma análise
cuidadosa, caso a caso. Deve-se comprovar se a convivência é
duradoura ou se o vínculo entre as partes é eventual, efêmero,
uma vez que não incide a lei em comento nas relações de
namoro eventuais. (...)

CC 91.979-MG, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado


em 16/2/2009.

ATENÇÃO! Não é apenas a esposa, companheira, namorada, noiva, etc.


que pode ser sujeito passivo da violência doméstica e familiar. Ao
contrário, basta que seja pessoa do sexo feminino, e que esteja inserida
no contexto da relação doméstica, familiar ou de intimo afeto.

ATENÇÃO! Não é qualquer violência cometida contra mulher que será


objeto da Lei Maria da Penha, mas apenas aquelas que se enquadrem nos
parâmetros do art.5º da Lei Maria da Penha. Além disso, a ação deve ter
sido baseada no gênero.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Outro ponto importante, que já adiantamos, é o alcance da proteção, que


abrange não apenas a violência física contra a mulher, mas também a violência
psicológica, patrimonial e moral (que serão detalhadas no art.7º, adiante).

Logo, para os fins da LMP, o conceito de violência engloba também a


agressão física, mas não se limita a ela. Tem, portanto, um alcance maior.

Conforme entendimento jurisprudencial majoritário3, não se admite a aplicação


do princípio da bagatela (ou da insignificância) aos delitos cometidos no âmbito
da violência doméstica e familiar.

Por fim, a partir do contido no parágrafo único do art.5º, devemos


entender que as disposições da Lei são aplicáveis também às uniões homo
afetivas.

Por exemplo, imaginemos que duas mulheres vivam em relação íntima de


afeto (art.5º, III da LMP). Em caso de violência entre elas, poderão incidir as
disposições da LMP.

ATENÇÃO

O sujeito ativo da violência doméstica e familiar contra a mulher pode ser


homem ou mulher.

Já o sujeito passivo sempre será a mulher, independente de sua


orientação sexual.

3
Nesse sentido: RHC 133043/MT, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe: 10.5.2016. HC 130.124/MS,
Min. Teori ZAVASCKI, Julg: 14/10/2015.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

VEJA COMO FOI COBRADO

CESPE/2013 – PRF - Policial Rodoviário Federal

Com fundamento na lei que cria mecanismos para coibir a violência


doméstica e familiar contra a mulher — Lei Maria da Penha — (...) julgue os
próximos itens.

Considerando que, inconformado com o término do namoro de mais de vinte


anos, José tenha agredido sua ex-namorada Maria, com quem não
coabitava, ele estará sujeito a aplicação da lei de combate a violência
domestica e familiar contra a mulher, conhecida como Lei Maria da Penha.

Gabarito: ―Certo‖

Comentário: O art.5º,III da LMP estabelece que configura violência


doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação baseada no gênero
que lhe cause lesão ou sofrimento físico em qualquer relação íntima de
afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida
(como é o caso dos ex-namorados), independentemente de coabitação.

Conforme entendimento do STJ, as disposições da LMP não se aplicam aos


relacionamentos eventuais. Contudo, note que o examinador teve o cuidado
de registrar que o namoro tinha ―mais de 20 anos‖, o que afasta eventual
dúvida de que se trataria de uma relação meramente efêmera.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Prosseguindo no texto da Lei:

Art. 7o São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher,


entre outras:

I - a violência FÍSICA, entendida como qualquer conduta que ofenda sua


integridade ou saúde corporal;

II - a violência PSICOLÓGICA, entendida como qualquer conduta que lhe


cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e
perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas
ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça,
constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância
constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização,
exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe
cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação;

III - a violência SEXUAL, entendida como qualquer conduta que a


constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não
desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza
a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a
impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à
gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou
manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e
reprodutivos;

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

IV - a violência PATRIMONIAL, entendida como qualquer conduta que


configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos,
instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou
recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;

V - a violência MORAL, entendida como qualquer conduta que configure


calúnia, difamação ou injúria.

Conforme já dito, o conceito de violência doméstica e familiar não


abrange apenas a violência física contra a mulher, mas também a violência
psicológica, sexual, patrimonial e moral.

Perceba que a Lei não estabelece um rol fechado de condutas que


caracterizam a violência doméstica e familiar. Ao contrário, o legislador
procurou dar amplitude ao conceito, deixando claro, logo no caput, que o artigo
não esgota todas as possibilidades (―entre outras‖).

Esse art.7º é um ―prato cheio‖ para a banca examinadora. Perceba as


inúmeras possibilidades de questões que podem ser extraídas dessas
definições!

É importante que você, durante as revisões da matéria, invista algum


tempo na leitura atenta deste art.7º, buscando visualizar (e memorizar, se
possível) hipóteses de condutas que poderiam causar dúvida na hora da prova.

Vejamos alguns exemplos:

 Marido que, sistematicamente, diminui a autoestima da esposa


ridicularizando-a diante de sua comunidade (art.7º, II).

12
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

 Filho pratica atos que visam controlar as ações de sua mãe


mediante vigilância constante e limitação do seu direito de ir e vir,
causando-lhe sérios prejuízos de ordem emocional (art.7º, II).

 Empregador doméstico que atribui falsamente à empregada


doméstica a responsabilidade pelo cometimento de fato definido
como crime (art.7º, V, calúnia).

ATENÇÃO! O conceito de violência doméstica e familiar não se restringe à


violência física contra a mulher, englobando também a violência
psicológica, sexual, patrimonial e moral, entre outras.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

VEJA COMO FOI COBRADO


CESPE/2016 – DPU – Assistente Social

A violência doméstica e familiar contra a mulher é caracterizada pela ação ou


omissão que ocasione morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico,
além de dano moral ou patrimonial, ocorrido em espaço de convívio
permanente ou esporádico de pessoas, com ou sem vínculo familiar.

Gabarito: Certo.

Comentário: A banca examinadora combinou o caput do art.5º da LMP com


seu inciso I (âmbito doméstico). Muitos candidatos erraram essa questão por
considerá-la incompleta, já que não havia referência aos incisos II (âmbito
familiar) e III (relação íntima de afeto). Perceba, no entanto, que em nenhum
momento o enunciado informa que a violência seria caracterizada
―exclusivamente”, “somente” ou “apenas‖ no espaço de convívio permanente
de pessoas.

O uso da expressão ―espaço de convívio permanente ou esporádico de


pessoas‖ também deu margem a questionamentos. A meu ver, sem razão.
Ora, se o texto da lei inclui no âmbito doméstico aquelas pessoas
esporadicamente (ocasionalmente) agregadas, então o convívio com essas
pessoas será, naturalmente, esporádico (ocasional).

Vejamos, mais uma vez, o dispositivo da Lei:

Art. 5o Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar


contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause
morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou
patrimonial:

I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de


convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as
esporadicamente agregadas; (grifei)

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Do atendimento pela autoridade policial

DO ATENDIMENTO PELA AUTORIDADE POLICIAL

Art. 11. No atendimento à mulher em situação de violência


doméstica e familiar, a autoridade policial deverá, entre outras
providências:

I - garantir proteção policial, quando necessário, comunicando de


imediato ao Ministério Público e ao Poder Judiciário;

II - encaminhar a ofendida ao hospital ou posto de saúde e ao


Instituto Médico Legal;

III - fornecer transporte para a ofendida e seus dependentes para


abrigo ou local seguro, quando houver risco de vida;

IV - se necessário, acompanhar a ofendida para assegurar a


retirada de seus pertences do local da ocorrência ou do domicílio
familiar;

V - informar à ofendida os direitos a ela conferidos nesta Lei e os


serviços disponíveis.

Você, futuro(a) policial, sabe que as delegacias de polícia são os órgãos


do Estado que, na prática, travam o primeiro contato com os casos de violência
doméstica e familiar. Atento a esse fato, o legislador inseriu no art.11 da LMP o
rol de providências que devem ser tomadas a fim de proporcionar o primeiro
amparo à vítima.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

VEJA COMO FOI COBRADO


VUNESP/2014 - Polícia Civil/SP - Investigador de Polícia

Conforme a Lei Maria da Penha (Lei n.º 11.340/06), no atendimento à


mulher em situação de violência doméstica e familiar, a autoridade policial
deverá, entre outras providências:

a) expedir ordem policial contra o ofensor para a imediata desocupação do


imóvel, a fim de que a ofendida a entregue ao ofensor.

b) fornecer transporte para a ofendida e seus dependentes para abrigo ou


local seguro, quando houver risco de vida.

c) verificar se algum dos funcionários da Delegacia de Polícia poderia


abrigar, temporariamente, a ofendida e seus dependentes.

d) abrigar a ofendida e seus dependentes no Distrito Policial se houver


risco de vida para alguém da família.

e) solicitar, em 24 horas, a presença do ofensor no Distrito Policial, para


uma tentativa de conciliação entre este e a ofendida.

Gabarito: ‖B‖

Comentário: Essa serve só para ilustrar. Aplicação direta do rol do art.11


da LMP.

Prosseguindo!

Art. 12. Em todos os casos de violência doméstica e familiar contra a


mulher, feito o registro da ocorrência, deverá a autoridade policial
adotar, de imediato, os seguintes procedimentos, sem prejuízo daqueles
previstos no Código de Processo Penal:

I - ouvir a ofendida, lavrar o boletim de ocorrência e tomar a


representação a termo, se apresentada;

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

II - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do


fato e de suas circunstâncias;

III - remeter, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, expediente


apartado ao juiz com o pedido da ofendida, para a concessão de
medidas protetivas de urgência;

IV - determinar que se proceda ao exame de corpo de delito da


ofendida e requisitar outros exames periciais necessários;

V - ouvir o agressor e as testemunhas;

VI - ordenar a identificação do agressor e fazer juntar aos autos sua


folha de antecedentes criminais, indicando a existência de mandado de
prisão ou registro de outras ocorrências policiais contra ele;

VII - remeter, no prazo legal, os autos do inquérito policial ao juiz e


ao Ministério Público.

§ 1o O pedido da ofendida será tomado a termo pela autoridade


policial e deverá conter:

I - qualificação da ofendida e do agressor;

II - nome e idade dos dependentes;

III - descrição sucinta do fato e das medidas protetivas solicitadas


pela ofendida.

§ 2o A autoridade policial deverá anexar ao documento referido no


§1º o boletim de ocorrência e cópia de todos os documentos disponíveis
em posse da ofendida.

§ 3o Serão admitidos como meios de prova os laudos ou


prontuários médicos fornecidos por hospitais e postos de saúde.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

A representação referida no inciso I do art.12, como você já sabe, é a


manifestação de vontade da vítima em ver o crime investigado e o agressor
processado. Perceba que apresentar ou não a representação é uma faculdade
da vítima. Por essa razão é que o inciso I do art.12 diz que a Autoridade Policial
tomará a representação, ―se apresentada‖.

A LMP estabelece medidas protetivas de urgência (art.18 a 24) que


poderão ser determinadas pelo juiz (e não pela Autoridade Policial), a
requerimento do Ministério Público ou a pedido da própria ofendida.

À Autoridade Policial caberá remeter ao juiz, no prazo de 48 (quarenta e


oito) horas, o pedido da ofendida em relação a tais medidas. A necessidade de
encaminhamento em expediente apartado (leia-se: documento distinto dos
autos do inquérito policial) tem por objetivo dar simplicidade e celeridade a
essa tramitação. Tudo em benefício da vítima.

Por fim, em que pese a obrigatoriedade do exame de corpo de delito


(art.12, IV c/c art.158 do CPP), o legislador admitiu que a materialidade do
delito fosse comprovada a partir laudos ou prontuários médicos fornecidos por
hospitais e postos de saúde (Art.12 § 3º).

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Das medidas protetivas de urgência

DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA


Seção I
Disposições Gerais

Art. 18. Recebido o expediente com o pedido da ofendida, caberá ao JUIZ,


no prazo de 48 (quarenta e oito) horas:

I - conhecer do expediente e do pedido e decidir sobre as medidas


protetivas de urgência;

II - determinar o encaminhamento da ofendida ao órgão de assistência


judiciária, quando for o caso;

III - comunicar ao Ministério Público para que adote as providências cabíveis.

Art. 19. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz,
a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida.

§ 1o As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas de imediato,


independentemente de audiência das partes e de manifestação do
Ministério Público, devendo este ser prontamente comunicado.

§ 2o As medidas protetivas de urgência serão aplicadas isolada ou


cumulativamente, e poderão ser substituídas a qualquer tempo por outras de
maior eficácia, sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou
violados.

§ 3o Poderá o juiz, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da


ofendida, conceder novas medidas protetivas de urgência ou rever aquelas já
concedidas, se entender necessário à proteção da ofendida, de seus familiares e
de seu patrimônio, ouvido o Ministério Público.

Art. 20. Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal,


caberá a prisão preventiva do agressor, decretada pelo juiz, de ofício, a
requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade
policial.

Parágrafo único. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no curso do


processo, verificar a falta de motivo para que subsista, bem como de novo
decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem.

19
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

(continuação)

Art. 21. A ofendida deverá ser notificada dos atos processuais


relativos ao agressor, especialmente dos pertinentes ao ingresso e à saída da
prisão, sem prejuízo da intimação do advogado constituído ou do defensor
público.

Parágrafo único. A ofendida não poderá entregar intimação ou


notificação ao agressor.

Conforme já dissemos, somente o juiz poderá determinar medidas


protetivas de urgência (art.19).

Entenda: mesmo que a vítima procure a delegacia de polícia e faça o


registro da ocorrência, a autoridade policial não poderá – de ofício - requerer ao
juiz as medidas protetivas de urgência. A legitimidade para essa iniciativa
pertence à vítima e ao Ministério Público (art.19).

Para realizar tal requerimento, a vítima não precisará estar acompanhada


de advogado, em razão da ressalva contida no art.27:

Em todos os atos processuais, cíveis e criminais, a mulher em situação de


violência doméstica e familiar deverá estar acompanhada de advogado.
Excetua-se dessa regra o pedido de medidas protetivas de urgência previsto
no art. 19 desta Lei. (art.27)

Pois bem. Supondo que a vítima decida requerer tais medidas, então a
Autoridade Policial remeterá o pedido ao juiz, no prazo de 48 horas, conforme
previsto no inciso III do art.12 da LMP.

20
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

O juiz, a seu turno, também não poderá determinar tais medidas de


ofício. Somente poderá fazê-lo mediante requerimento do Ministério Público ou
pedido da própria ofendida.

Dependendo da urgência do caso, o juiz poderá determinar as medidas


protetivas de imediato, sem ouvir a parte contrária ou o Ministério Público (§1º
do art.19). No entanto, o MP deverá ser prontamente comunicado dessa
decisão.

A autoridade policial terá prazo de 48 horas para remeter ao juiz o pedido


da ofendida para concessão de medidas protetivas de urgência (art.12, III).
Recebido o pedido, o juiz terá outras 48 horas para decidir (art.18, I).

ATENÇÃO! Somente o juiz pode conceder medidas protetivas de urgência.


Não pode, contudo, fazê-lo de ofício, mas sempre a pedido da vítima ou a
requerimento do Ministério Público.

21
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

CESPE/2012 – PC/AL – Agente de Polícia

Considerando essa situação hipotética e com base na Lei Maria da


Penha, julgue os itens seguintes.

Lavrada a ocorrência, caberá à polícia, no prazo de 48 horas, remeter em


expediente apartado o pedido de medidas protetivas de urgência formulado pela
ofendida ao juiz, que poderá deferi-las independentemente de oitiva do Ministério
Público.

Gabarito: ―Certo‖

Comentário: De acordo com o art.12, inciso III da LMP, em todos os casos de


violência doméstica e familiar contra a mulher, feito o registro da ocorrência,
deverá a autoridade policial remeter, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas,
expediente apartado ao juiz com o pedido da ofendida, para a concessão de
medidas protetivas de urgência. Essas medidas poderão ser concedidas de
imediato, independentemente de audiência das partes e de manifestação do
Ministério Público, devendo, contudo, este ser prontamente comunicado da
decisão (art.19 § 1º)

22
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Por fim, o art.21 estabelece que a vítima deve ser notificada da prisão e
da soltura do agressor. Esse procedimento visa permitir que a mulher tome as
devidas cautelas, se entender que o agressor ainda represente perigo para sua
segurança pessoal.

O parágrafo único do art.21 põe fim a uma ―aberração‖ processual.

Muitas vezes, era a própria vítima a responsável por entregar a intimação


a seu agressor. Situação, convenhamos, muito desconfortável, já que submetia
a mulher ao risco de retaliação.

O legislador, então, disse o que parece ser óbvio, mas que já caiu em
prova: a ofendida não poderá entregar intimação ou notificação ao agressor.

As medidas protetivas de urgência previstas na LMP dividem-se entre


aquelas que obrigam o agressor (art.22) e as que visam à proteção da vítima
(art. 23 e 24).

23
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Das Medidas Protetivas de Urgência que Obrigam o Agressor

Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher,


nos termos desta Lei, O JUIZ poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em
conjunto ou separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência,
entre outras:

I - suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao


órgão competente, nos termos da Lei no 10.826, de 22 de dezembro de 2003;

II - afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida;

III - proibição de determinadas condutas, entre as quais:

a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas,


fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor;

b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por


qualquer meio de comunicação;

c) freqüentação de determinados lugares a fim de preservar a


integridade física e psicológica da ofendida;

IV - restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a equipe


de atendimento multidisciplinar ou serviço similar;

V - prestação de alimentos provisionais ou provisórios.

§ 1o As medidas referidas neste artigo não impedem a aplicação de outras


previstas na legislação em vigor, sempre que a segurança da ofendida ou as
circunstâncias o exigirem, devendo a providência ser comunicada ao Ministério
Público.

§ 2o Na hipótese de aplicação do inciso I, encontrando-se o agressor nas


condições mencionadas no caput e incisos do art. 6o da Lei no 10.826, de 22 de
dezembro de 2003, o juiz comunicará ao respectivo órgão, corporação ou
instituição as medidas protetivas de urgência concedidas e determinará a
restrição do porte de armas, ficando o superior imediato do agressor
responsável pelo cumprimento da determinação judicial, sob pena de incorrer
nos crimes de prevaricação ou de desobediência, conforme o caso.

§ 3o Para garantir a efetividade das medidas protetivas de urgência, poderá o juiz


requisitar, a qualquer momento, auxílio da força policial.

24
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

VEJA COMO FOI COBRADO

CESPE/2011 – SEDUC/AM - Assistente Social

Considerando a situação da violência contra a mulher no Brasil, julgue os


itens que se seguem.

Dependendo da situação, o juiz pode conceder medidas protetivas de


urgência à mulher vítima de violência, entre elas, o afastamento do
agressor do lar.

Gabarito: ―Certo‖

Comentário: Aplicação direta do art.22, II da LMP.

Das Medidas Protetivas de Urgência à Ofendida

Art. 23. Poderá o juiz, quando necessário, sem prejuízo de outras


medidas:

I - encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou


comunitário de proteção ou de atendimento;

II - determinar a recondução da ofendida e a de seus dependentes ao


respectivo domicílio, após afastamento do agressor;

III - determinar o afastamento da ofendida do lar, sem prejuízo dos


direitos relativos a bens, guarda dos filhos e alimentos;

IV - determinar a separação de corpos.

Art. 24. Para a proteção patrimonial dos bens da sociedade conjugal ou


daqueles de propriedade particular da mulher, o juiz poderá determinar,
liminarmente, as seguintes medidas, entre outras:

I - restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor à


ofendida;

II - proibição temporária para a celebração de atos e contratos de


compra, venda e locação de propriedade em comum, salvo expressa
autorização judicial;

25
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Das Medidas Protetivas de Urgência à Ofendida (continuação)

III - suspensão das procurações conferidas pela ofendida ao agressor;

IV - prestação de caução provisória, mediante depósito judicial, por perdas e


danos materiais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra
a ofendida.

Parágrafo único. Deverá o juiz oficiar ao cartório competente para os fins


previstos nos incisos II e III deste artigo.

VEJA COMO FOI COBRADO

CESPE/2012 – STJ - Analista Judiciário (área judiciária)

Com a finalidade de proteger patrimônio comum ou particular de mulher


vitimada por violência, o juiz deverá impor, em caráter liminar, a separação
de corpos.

Gabarito: ‖Errado‖

Comentário: O erro da questão reside no ―deverá‖ (caput do art.24).

26
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Dos procedimentos

TÍTULO IV
DOS PROCEDIMENTOS
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 14. Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a


Mulher, órgãos da Justiça Ordinária com competência cível e criminal,
poderão ser criados pela União, no Distrito Federal e nos Territórios, e pelos
Estados, para o processo, o julgamento e a execução das causas decorrentes
da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher.

Parágrafo único. Os atos processuais poderão realizar-se em horário


noturno, conforme dispuserem as normas de organização judiciária.

Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar não se confundem com os


Juizados Especiais Criminais (JECrim) previstos na Lei n.º 9.099/95. A criação
de varas especializadas foi apenas parte do esforço do legislador em dar
celeridade ao julgamento dessa matéria.

Aliás, a própria Lei Maria da Penha vedou a aplicação da Lei n.º


9.099/95 aos crimes (e às contravenções penais4) cometidos no seu
âmbito. Veja:

Art. 41. Aos crimes praticados com violência


doméstica e familiar contra a mulher,
independentemente da pena prevista, não se
aplica a Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995.

4
HC 106.212/MS: ―VIOLÊNCIA DOMÉSTICA – ARTIGO 41 DA LEI Nº 11.340/06 –
ALCANCE. O preceito do artigo 41 da Lei nº 11.340/06 alcança toda e qualquer prática
delituosa contra a mulher, até mesmo quando consubstancia contravenção penal,
como é a relativa a vias de fato.‖ (grifei).

27
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Pontos importantes:

 A LMP previu a criação de Juizados de Violência Doméstica e


Familiar, com competência para julgamento de crimes e
contravenções penais5. Esses Juizados têm competência cível e
criminal.

 Enquanto não estruturados estes Juizados, as varas criminais


acumularão as competências cível e criminal para conhecer e julgar
as causas decorrentes da prática de violência doméstica e familiar
contra a mulher (art.33).

 A LMP, então, retirou dos JECrim a competência para julgar os


delitos praticados no âmbito da violência doméstica contra a
mulher.

 A LMP previu também a possibilidade dos atos processuais serem


realizados em horário noturno.

 Nos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a


mulher são inaplicáveis os institutos despenalizadores previstos
na Lei n.º 9.099/95 (art.41 da LMP).

Art. 16. Nas ações penais públicas condicionadas à representação da


ofendida de que trata esta Lei, só será admitida a renúncia à
representação perante o juiz, em audiência especialmente designada
com tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério
Público.

5
HC 158.615/RS, Rel. Min. Jorge Mussi, 5ª Turma, DJe de 08/04/2011.

28
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Nos crimes de ação penal pública condicionada à representação, a vítima


pode se retratar (arrepender) da representação. Contudo, só poderá fazê-lo até
o oferecimento da denúncia pelo MP.

Art. 25 do CPP: A representação será irretratável,


depois de oferecida a denúncia.

Na prática, antes da Lei Maria da Penha, era comum que a mulher vítima
de violência doméstica e familiar, após ter comunicado o fato e representado à
Autoridade Policial, fosse obrigada pelo agressor a ―desistir‖ da representação.
Na maior parte das vezes, tal atitude era motivada pelo receio de sofrer novas
agressões.

Diante dessa situação, o legislador entendeu que seria melhor para a


vítima que a renúncia6, (e por analogia, a retratação da representação), só
fossem admitidas perante o juiz, a quem caberia esclarecê-la sobre as
consequências jurídicas desse ato.

Pontos importantes para a prova:

 A renúncia à representação (assim como a retratação), no âmbito


da LMP, devem ser feitas perante o juiz (cuidado nesse ponto: não
é perante a Autoridade Policial, Ministério Público, Defensoria
Pública, etc);

6
Situação em que a vítima, apesar de registrar o fato junto à Autoridade Policial, não
formaliza a representação em face ao autor do fato criminoso. Lembre-se do art.12 da
LMP:

Art. 12. Em todos os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, feito o
registro da ocorrência, deverá a autoridade policial adotar, de imediato, os seguintes
procedimentos, sem prejuízo daqueles previstos no Código de Processo Penal:

I - ouvir a ofendida, lavrar o boletim de ocorrência e tomar a representação


a termo, se apresentada;

29
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

 O juiz designará audiência especial para que a vítima seja ouvida,


esclarecida, e decida se realmente deseja renunciar à
representação. O Ministério Público deverá ser ouvido.

 Por fim, lembre-se que no âmbito da LMP também existem crimes


de ação penal:

Pública incondicionada – Exemplo: homicídio (art.121 do CP);


Privada - Exemplo: calúnia (art.138 do CP).

ATENÇÃO
De acordo com o CPP, (que é a regra geral), nos crimes de ação penal
pública condicionada à representação, o ofendido poderá retratar-se da
representação até o oferecimento da denúncia7.

Já no art.16 da LMP, a audiência especialmente designada para renúncia


à representação (ou para retratação) ocorre antes do recebimento da
denúncia.

7
Art. 25 do CPP: A representação será irretratável, depois de oferecida a denúncia.

30
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

VEJA COMO FOI COBRADO


CESPE/2013 – TJ-DFT – Analista Judiciário - Oficial de Justiça Avaliador

Consoante o que dispõe a Lei Maria da Penha, a ação penal para apurar qualquer
crime perpetrado nas circunstâncias descritas nessa lei será pública incondicionada,
devendo o feito tramitar obrigatoriamente em segredo de justiça.

Gabarito: ―Errado‖.

Comentário: Conforme visto, a LMP não determina que os crimes praticados no


âmbito da violência doméstica e familiar sejam – todos - de ação penal pública
incondicionada. Além disso, não há obrigatoriedade de os feitos tramitarem sob
segredo de justiça.

Lesões corporais leves e culposas no âmbito da violência


doméstica e familiar

Assunto bastante cobrado em prova é o tratamento dispensado pela LMP


aos crimes de lesão corporal leve e culposa cometidos no âmbito da violência
doméstica e familiar.

A regra geral é que esses crimes, que estão previstos no art.129 do CP,
sejam de ação penal pública condicionada à representação, conforme previsto
no art.88 da Lei n.º 9.099/95. Veja:

Art. 88. Além das hipóteses do Código Penal e da legislação


especial, dependerá de representação a ação penal relativa
aos crimes de lesões corporais leves e lesões culposas.

No âmbito da LMP, contudo, o STF assim decidiu na ADI n.º 4.424/DF:

31
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

“O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator,


julgou procedente a ação direta para, dando interpretação
conforme [ a Constituição] aos artigos 12, inciso I, e 16,
ambos da Lei nº 11.340/2006, assentar a natureza
incondicionada da ação penal em caso de crime de lesão,
pouco importando a extensão desta, praticado contra a
mulher no ambiente doméstico”

Nesse mesmo sentido:

JURISPRUDÊNCIA
Súmula 542/STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de
violência doméstica contra a mulher é pública incondicionada.

Já vimos que o art.41 da LMP estabeleceu que, no âmbito da violência


doméstica e familiar contra a mulher, não se aplica a Lei n.º 9.099/95. A partir
daí, chegamos às seguintes conclusões importantes para nossa prova:

 Os delitos praticados no âmbito da violência doméstica e familiar


contra a mulher não são considerados de menor potencial ofensivo,
independentemente da pena prevista;

 Não se aplica o rito da Lei n.º 9.099/95 aos delitos praticados no


âmbito da violência doméstica e familiar contra a mulher.

 Os crimes de lesões corporais leves e lesões culposas, quando


cometidos no âmbito da violência doméstica e familiar contra a
mulher, serão de ação penal pública INCONDICIONADA. Logo,
independerão de representação da ofendida (a estes crimes não se
aplica, portanto, o disposto no art.16); e

32
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

 Não confunda: os crimes de lesões corporais leves e lesões


culposas praticados FORA do âmbito da violência doméstica e
familiar contra a mulher continuam seguindo a regra do art.88 da
Lei n.º 9.099/95. Ou seja, continuam a ser de ação penal pública
condicionada à representação.

RESUMO
Ação penal nos crimes de lesões corporais leves e lesões culposas

Regra geral Regra especial*


*Quando cometidos no âmbito da violência
doméstica e familiar contra a mulher

Ação penal pública Ação penal pública


condicionada à representação INCONDICIONADA
(Art.88 da Lei n.º 9.099/95) (Art.41 da Lei Maria da Penha)

33
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

VEJA COMO FOI COBRADO


UEGO/2013 – PC/GO - Escrivão de Polícia Civil

Sobre o crime de ameaça praticado no contexto de violência doméstica (Lei n.º


11.340/2006), segundo entendimento do STF, verifica-se que a ação penal é:

a) privada personalíssima
b) condicionada a representação da ofendida
c) pública incondicionada
d) privada
Gabarito: ―B‖

Comentário: O crime de ameaça segue a regra geral do Código Penal, sendo de ação
penal pública condicionada à representação (parágrafo único do art.147 do CP).

A exceção, a qual você deve ficar atento(a), fica por conta das lesões corporais leves
e culposas que, em regra, são de ação penal pública condicionada à representação.
No entanto, quando praticados no âmbito da violência doméstica e familiar, serão de
ação penal pública incondicionada (Súmula 542/STJ).

Art. 17. É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar


contra a mulher, de penas de cesta básica ou outras de prestação
pecuniária, bem como a substituição de pena que implique o pagamento
isolado de multa.

O Código Penal permite que, sob determinadas condições, a condenação


em penas privativas de liberdade (PPL) seja substituída 8 por penas restritivas

8
Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à
personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e conseqüências do crime, bem como
ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para
reprovação e prevenção do crime: (...) IV - a substituição da pena privativa da liberdade
aplicada, por outra espécie de pena, se cabível.

34
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

de direitos (PRD)9. Entre essas, temos a prestação pecuniária, que, pode,


eventualmente, ser cumprida na forma de doação de cestas básicas a entidades
de assistência social.

Essa prática reiterada, fruto da aplicação da Lei n.º 9.099/95 aos casos de
violência contra a mulher, cometidos antes da LMP, acabou por banalizar o
instituto, gerando um sentimento de impunidade no seio da sociedade.

Além disso, nas hipóteses de condenação em PPL de até um ano, o CP


permite a sua substituição10 por pena de multa, o que também contribuiu para
reforçar junto à população a ―sensação‖ de que o criminoso não sofria as
consequências efetivas da condenação. Mas... isso é outra conversa!

O que importa é que, em razão do acima exposto, o legislador optou por


não permitir que a prática de violência contra a mulher, no âmbito da LMP,
atingisse apenas o ―bolso‖ do agressor.

Para tanto, afastou a possibilidade de aplicação de:

 Pena restritiva de direito na modalidade de prestação pecuniária ou de


cestas básicas; e

 Pagamento isolado de multa.

9
Art. 43. As penas restritivas de direitos são:

I - prestação pecuniária;
II - perda de bens e valores;
III - vetado.
IV - prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas;
V - interdição temporária de direitos;
VI - limitação de fim de semana.

Art.44 § 2o do CP: Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita
10

por multa ou por uma pena restritiva de direitos; se superior a um ano, a pena privativa de
liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas
restritivas de direitos

35
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

VEJA COMO FOI COBRADO

CESPE/2014 – SUFRAMA - Assistente Social

Nos casos de comprovada prática de violência psicológica contra a mulher, a Lei


Maria da Penha permite a aplicação de penas por meio de pagamento de cesta
básica ou de pagamento de multa, desde que o agressor se comprometa a
submeter-se a tratamento em serviço que ofereça atendimento psicológico às
vítimas de violência.

Gabarito: ―Errado‖

Comentário: Nos termos do art.17 da LMP, é vedada a aplicação, nos casos


de violência doméstica e familiar contra a mulher, de penas de cesta básica ou
outras de prestação pecuniária, bem como a substituição de pena que implique
o pagamento isolado de multa.

b. Mapas Mentais

 O sujeito ativo da violência doméstica e familiar contra a mulher pode ser


homem ou mulher. Já o sujeito passivo sempre será a mulher,
independente de sua orientação sexual.

 A violência doméstica e familiar contra a mulher constitui uma das formas


de violação dos direitos humanos.

 A competência para processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei


pertence, de regra, à Justiça Estadual.

36
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

 Não é qualquer violência cometida contra mulher que será objeto da LMP,
mas somente aquela que ocorra na esfera da relação doméstica,
familiar ou de relação íntima de afeto, conforme as definições do art.5º.
Além disso, a ação ou omissão deve ser baseada no gênero feminino.

 O conceito de violência doméstica engloba a agressão física, mas não se


limita a ela.

 A LMP previu medidas protetivas de urgência que poderão ser


determinadas pelo juiz (e não pela Autoridade Policial), a requerimento
do Ministério Público ou a pedido da própria ofendida.

 Somente o juiz pode conceder medidas protetivas de urgência. Não pode,


contudo, fazê-lo de ofício, mas sempre a pedido da vítima ou a
requerimento do Ministério Público. Para esse ato, não há necessidade que a
vítima seja assistida por advogado (art.27).

 A autoridade policial terá prazo de 48 horas para remeter ao juiz o pedido


da ofendida para concessão de medidas protetivas de urgência (art.12, III).
Recebido o pedido, o juiz terá mais 48 horas para decidir (art.18, I).

 A ofendida não poderá entregar intimação ou notificação ao agressor.

 Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher,


independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei nº 9.099/95.

 Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de


que trata esta Lei, só será admitida a renúncia à representação perante o
juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes
do recebimento da denúncia, e ouvido o Ministério Público.

37
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

 Os crimes de lesões corporais leves e lesões culposas, quando cometidos


no âmbito da violência doméstica e familiar contra a mulher, serão de ação
penal pública INCONDICIONADA. Logo, independerão de representação da
ofendida;

 É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar contra a


mulher, de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária,
bem como a substituição de pena que implique o pagamento isolado de
multa.

c. Revisão 1 (questões)

1. CESPE/2017 – TJ/PR - Juiz de Direito (adaptada)

Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher


são inaplicáveis as normas tutelares despenalizadoras da Lei dos Juizados
Especiais Cíveis e Criminais.

2. CESPE/2017 – PC/GO - Delegado de Polícia (adaptada)

Afasta-se a incidência da Lei Maria da Penha na violência havida em


relações homoafetivas se o sujeito ativo é uma mulher.

3. CESPE/2017 – PC/GO - Delegado de Polícia (adaptada)

No âmbito de aplicação da referida lei, as medidas protetivas de urgência


poderão ser concedidas independentemente de audiência das partes e de
manifestação do Ministério Público, o qual deverá ser prontamente comunicado.

38
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

4. CESPE/2017 – PC/GO - Delegado de Polícia (adaptada)

Júlio, durante discussão familiar com sua mulher no local onde ambos
residem, sem justo motivo, agrediu-a, causando-lhe lesão corporal leve. Nessa
situação hipotética, conforme a Lei n.º 11.340/2006 e o entendimento do STJ, a
ofendida poderá renunciar à representação, desde que o faça perante o juiz.

5. UFPA/2017 – UFPA - Assistente Social (adaptada)

É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar contra a


mulher, de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem como
a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa, salvo, no
último caso, se houver consentimento da ofendida

6. UFPA/2017 – UFPA - Assistente Social (adaptada)

A autoridade policial, no atendimento de mulher em situação de violência


doméstica e familiar, deverá fornecer transporte para a ofendida e seus
dependentes para abrigo ou local seguro, quando houver risco de vida, bem
como informar à ofendida os serviços disponíveis.

7. Fundação La Salle/2017 – SUSEPE/RS - Agente Penitenciário


(adaptada)

A ofendida deverá ser citada e intimada dos atos processuais relativos ao


agressor, especialmente dos pertinentes ao ingresso e à saída da prisão, sem
prejuízo da intimação do advogado constituído ou do defensor público.

39
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

8. CESPE/2016 – TRT/8ª Região - Analista judiciário (adaptada)

A coabitação entre os sujeitos ativo e passivo é condição necessária para


a aplicação da Lei Maria da Penha no âmbito das relações íntimas de afeto.

9. CESPE/2016 – TJ/AM - Juiz Substituto (adaptada)

Com relação às disposições da Lei n.º 11.340/2006 — Lei Maria da Penha —,


assinale a opção correta.

a) Para os efeitos da referida lei, a configuração da violência doméstica e


familiar contra a mulher depende da demonstração de coabitação da ofendida e
do agressor.

b) Os juizados especiais de violência doméstica e familiar contra a mulher


têm competência exclusivamente criminal.

c) É tido como o âmbito da unidade doméstica o espaço de convívio


permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, salvo as esporadicamente
agregadas.

d) A ofendida poderá entregar intimação ou notificação ao agressor se


não houver outro meio de realizar a comunicação.

e) Considera-se violência sexual a conduta de forçar a mulher ao


matrimônio mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação, assim
como a conduta de limitar ou anular o exercício de seus direitos sexuais e
reprodutivos.

40
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

10. CESPE/2016 – PC/GO - Agente de Polícia (adaptada)

Na hipótese de o patrão praticar violência contra sua empregada


doméstica, a relação empregatícia impedirá a aplicação da lei em questão.

d. Revisão 2 (Questões)

11. CESPE/2016 – PC/GO - Agente de Polícia (adaptada)

A referida lei trata de violência doméstica e familiar em que,


necessariamente, a vítima é mulher, e o sujeito ativo, homem.

12. VUNESP/2016 – TJ/RJ - Juiz de Direito (adaptada)

A, casada com B, durante uma discussão de casal, levou um soco, sendo


ameaçada de morte. Diante dos gritos e ameaças, os vizinhos acionaram a
Polícia que, ao chegar ao local, conduziu todos à Delegacia. A, inicialmente,
prestou depoimento na Delegacia e manifestou o desejo de que o marido fosse
processado criminalmente pelos crimes de lesão corporal leve e ameaça.
Entretanto, encerradas as investigações policiais e remetidos os autos ao
Fórum, em sede de audiência preliminar, A informou o Juízo que havia se
reconciliado com B, não desejando que o marido fosse processado por ambos
os crimes.

Diante da nova manifestação de vontade de A, é correto afirmar que o


procedimento terá seguimento, tanto para o crime de ameaça quanto para o
crime de lesão corporal, pois em se tratando de crimes ocorridos no âmbito
doméstico, a ação penal é pública incondicionada, pouco importando a
retratação de A.

41
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

13. FGV/2016 - MPE-RJ - Analista do Ministério Público

Penha foi vítima de um crime de lesão corporal leve praticada por seu
companheiro Leopoldo, que não aceitou ver a companheira conversando com
um ex-namorado na rua. Penha comparece ao Ministério Público para narrar os
fatos, sendo oferecida denúncia em face de Leopoldo. Antes do recebimento da
denúncia, Penha novamente comparece ao Ministério Público e afirma que não
mais tem interesse em ver seu companheiro processado criminalmente. Diante
da situação narrada e das previsões da Lei nº 11.340/06, é correto afirmar que:

a) a retratação de Penha ao direito de representação deverá ser ratificada


na presença do magistrado, em audiência especialmente designada para tanto,
para gerar a extinção da punibilidade;

b) a vontade de Penha é irrelevante, pois, uma vez oferecida


representação, não cabe sua retratação, independente do crime praticado
quando no contexto da Lei nº 11.340/06;

c) poderá ser aplicado a Leopoldo o benefício da transação penal, em


razão da pena prevista ao delito;

d) não cabe retratação ao direito de representação no contexto da Lei nº


11.340/06 após o oferecimento da denúncia;

e) a vontade de Penha é irrelevante, tendo em vista que a infração penal


praticada é de natureza pública incondicionada.

14. FUNCAB/2016 – PC/PA - Delegado (adaptada)

42
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Sobre a Lei de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, é correto


afirmar que a fim de conferir celeridade à investigação, o Delegado de Polícia
pode solicitar que a agredida entregue intimação ao agressor.

15. FUNCAB/2016 – PC/PA - Delegado (adaptada)

Ao atender um caso de violência doméstica ou familiar contra a mulher, o


Delegado de Polícia poderá, de imediato, determinar o afastamento do agressor
do local de convivência com a agredida.

16. MS CONCURSOS/2016 – CASSEMS/MS - Farmacêutico (adaptada)

Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de


que trata a Lei Maria da Penha, só será admitida a renúncia à representação
perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes
do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público.

17. IDECAN/2016 – Prefeitura de Natal/RN - Advogado


(adaptada)

No ãmbito da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, serão admitidos


como meios de prova os laudos ou prontuários médicos fornecidos por hospitais
e postos de saúde.

18. EXATUS/2016 – CERON/RO - SUPORTE ADMINISTRATIVO


(adaptada)

43
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

No atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar, a


autoridade policial deverá, entre outras providências, fornecer transporte para a
ofendida e seus dependentes para abrigo ou local seguro, quando houver risco
de vida.

19. FMP Concursos/2015 – MPE/AM - Promotor de Justiça (adaptada)

De acordo com os termos da Lei nº 11.340/2006, nas ações penais


públicas condicionadas à representação por ela tratadas, só será admitida a
retratação da representação até o oferecimento da denúncia pelo Ministério
Público.

20. FUNCAB/2015 - PC-AC - Perito Criminal (adaptada)

Com base na Lei n° 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), julgue as


alternativas abaixo.

I. Na hipótese da prática de violência doméstica contra a mulher, somente


a autoridade judiciária poderá autorizar o encaminhamento da ofendida ao
Instituto Médico Legal, para realização do regular exame de corpo de delito.

II. Após registrar a ocorrência de violência doméstica e familiar em uma


Unidade de Polícia Judiciária e, em conseqüência, ter sido instaurado inquérito
policial, a vítima, desejando impedir o prosseguimento da investigação criminal,
deve manifestar expressamente o seu desejo de renúncia diretamente à
autoridade policial.

44
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

III. Para concessão de medida protetiva de urgência prevista na Lei Maria


da Penha, o juiz deverá colher prévia manifestação do Ministério Público, sob
pena de nulidade absoluta do ato.

IV. Em todos os atos processuais, cíveis e criminais, a mulher em situação


de violência doméstica e familiar deverá estar acompanhada de advogado,
contudo, poderá, excepcionalmente, sem assistência de advogado, pedir ao juiz
a concessão de medida protetiva de urgência.

e. Revisão 3 (Questões)

21. CESPE/2015 – TJ/PB - Juiz Substituto (adaptada)

Acerca dos crimes em espécie previstos no CP e na legislação penal


especial, julgue o item a seguir:
O crime de lesão corporal praticado por um indivíduo contra seu irmão, no
âmbito doméstico, configura apenas o crime de lesão corporal simples, dada a
inaplicabilidade da Lei Maria da Penha em casos em que a vítima seja do sexo
masculino.

22. VUNESP/2015 – PC/CE - Inspetor de Polícia (adaptada)

A Lei n o 11.340/2006, conhecida como ―Lei Maria da Penha‖, estabelece


que na ocorrência de uma briga (com agressão física) entre vizinhos, desde que
envolvendo um homem e uma mulher e com residências próximas, aplicam-se
as disposições da Lei Maria da Penha.

23. FCC/2015 – TJ/SC - Juiz de Direito (adaptada)

45
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de


que trata a Lei no 11.340/2006, só será admitida a renúncia à representação
perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes
do recebimento da denúncia.

24. FCC/2015 – TJ/SC - Juiz de Direito (adaptada)

É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar contra a


mulher, de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem como
a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa.

25. FUNCAB/2014 - Prefeitura de Rio Branco - Agente


administrativo

A Lei Federal n° 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, cria


mecanismos para coibir e prevenir a violência contra a mulher, dispõe sobre a
criação de juizados especiais para atendimento à mulher violentada e
estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de
violência. Os mecanismos a que se refere essa lei visam protegera mulher que
sofra violência:

a) no âmbito religioso.
b) no âmbito profissional.
c) em qualquer âmbito.
d) no âmbito doméstico e familiar.
e) no âmbito escolar ou universitário.

26. CESPE/2013 - DPE/RR - Defensor Público

46
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Com base no disposto na Lei Maria da Penha — Lei n.º 11.340/2006 —,


assinale a opção correta.

a) A lei em pauta estabelece a habitualidade das condutas como requisito


configurador das infrações nela contempladas, ou seja, como elemento
constitutivo do tipo.

b) Caso uma empregada doméstica, maior e capaz, ao receber a notícia


que será despedida, sob a suspeita da prática de furtos, agrida seu patrão —
este com sessenta e sete anos de idade — e fuja, tal conduta da empregada em
face do patrão caracterizará violência doméstica expressamente tipificada na lei
em questão.

c) A violência familiar, assim considerada para efeitos da lei em pauta,


engloba a praticada entre pessoas unidas por vínculo jurídico de natureza
familiar ou por vontade expressa.

d) O conflito entre vizinhas de que resulte violência física e agressões


verbais constitui evento que integra a esfera da violência doméstica e familiar
de que trata a lei em apreço.

e) Para a caracterização de violência doméstica e familiar é imprescindível


a existência de vínculo familiar entre o agente e o paciente.

27. CESPE/2013 – TJ/RR - Titular de Serviços de Notas e de


Registros

À luz do disposto na Lei n.º 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), assinale a


opção correta.

a) A referida lei não prevê, como forma de violência doméstica e familiar


contra a mulher, a violência patrimonial.

47
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

b) Na ação relativa à prática de crimes mediante violência doméstica e


familiar contra a mulher, independentemente da pena prevista, é vedado o
oferecimento de transação penal, sendo permitida, entretanto, a suspensão
condicional do processo.

c) Para que seja configurada violência doméstica e familiar contra a


mulher, é indispensável que o agressor e a vítima coabitem o mesmo lar.

d) De acordo com o entendimento consolidado do STF e do STJ, o crime


de lesão corporal leve ou culposa praticado contra a mulher no âmbito das
relações domésticas deve ser processado mediante ação penal pública
condicionada à representação da vítima.

e) Conforme entendimento do STJ, embora a Lei Maria da Penha vise à


proteção da mulher, o aumento da pena nela prevista para a prática do crime
de lesão corporal praticada mediante violência doméstica, tipificado no Código
Penal, aplica-se também no caso de a vítima ser do sexo masculino.

28. CESPE/2013 – PC/BA - Delegado de Polícia

Após a Segunda Guerra Mundial, com o reconhecimento e a ampliação


dos direitos humanos, ocorreram mudanças na sociedade em relação a vários
temas, que repercutiram na pós-modernidade, entre os quais se destaca o
combate a qualquer forma de discriminação. Considerando esse assunto, julgue
o item abaixo.

De acordo com a Lei Maria da Penha, nas ações penais públicas


condicionadas à representação da vítima de violência doméstica, admite-se a
possibilidade de renúncia da ação pela parte ofendida, em qualquer fase
processual, sendo exigida, no entanto, a manifestação do Ministério Público
(MP).

48
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

29. CESPE/2012 – MPE/PI - Promotor de Justiça (adaptada)

Nos casos de lesões corporais culposas praticadas contra a mulher em


âmbito doméstico, a ação penal cabível é pública condicionada à representação,
conforme o disposto na Lei n.º 9.099/1995.

30. CESPE/2012 – PC/AL - Escrivão de Polícia

A Lei Maria da Penha incide apenas nos casos em que a violência


doméstica e familiar contra a mulher, que consiste em ação ou omissão,
baseada no gênero, que resulte em morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou
psicológico e dano moral ou patrimonial, é praticada no âmbito da unidade
doméstica.

f. Normas comentadas

LEI N.º 11.340/06

Art. 1o Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência


doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8o do art. 226 da
Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de
Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e
Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais
ratificados pela República Federativa do Brasil; dispõe sobre a criação dos
Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece
medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência
doméstica e familiar.

TÍTULO II

49
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER

CAPÍTULO I

DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 5o Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar


contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause
morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou
patrimonial: (Vide Lei complementar nº 150, de 2015)

I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de


convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as
esporadicamente agregadas;

II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por


indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais,
por afinidade ou por vontade expressa;

III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou


tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação.

Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo


independem de orientação sexual.

Art. 6o A violência doméstica e familiar contra a mulher constitui uma


das formas de violação dos direitos humanos

CAPÍTULO II

DAS FORMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR

50
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

CONTRA A MULHER

Art. 7o São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher,


entre outras:

I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua


integridade ou saúde corporal;

II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe


cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e
perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas
ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça,
constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante,
perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e
limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à
saúde psicológica e à autodeterminação;

III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a


constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não
desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza
a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a
impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à
gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou
manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e
reprodutivos;

IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que


configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos,
instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou
recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;

51
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure


calúnia, difamação ou injúria.

CAPÍTULO III

DO ATENDIMENTO PELA AUTORIDADE POLICIAL

Art. 10. Na hipótese da iminência ou da prática de violência doméstica e


familiar contra a mulher, a autoridade policial que tomar conhecimento da
ocorrência adotará, de imediato, as providências legais cabíveis.

Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput deste artigo ao


descumprimento de medida protetiva de urgência deferida.

Art. 11. No atendimento à mulher em situação de violência doméstica e


familiar, a autoridade policial deverá, entre outras providências:

I - garantir proteção policial, quando necessário, comunicando de


imediato ao Ministério Público e ao Poder Judiciário;

II - encaminhar a ofendida ao hospital ou posto de saúde e ao Instituto


Médico Legal;

III - fornecer transporte para a ofendida e seus dependentes para abrigo


ou local seguro, quando houver risco de vida;

IV - se necessário, acompanhar a ofendida para assegurar a retirada de


seus pertences do local da ocorrência ou do domicílio familiar;

V - informar à ofendida os direitos a ela conferidos nesta Lei e os serviços


disponíveis.

52
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Art. 12. Em todos os casos de violência doméstica e familiar contra a


mulher, feito o registro da ocorrência, deverá a autoridade policial adotar, de
imediato, os seguintes procedimentos, sem prejuízo daqueles previstos no
Código de Processo Penal:

I - ouvir a ofendida, lavrar o boletim de ocorrência e tomar a


representação a termo, se apresentada;

II - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e


de suas circunstâncias;

III - remeter, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, expediente


apartado ao juiz com o pedido da ofendida, para a concessão de medidas
protetivas de urgência;

IV - determinar que se proceda ao exame de corpo de delito da ofendida


e requisitar outros exames periciais necessários;

V - ouvir o agressor e as testemunhas;

VI - ordenar a identificação do agressor e fazer juntar aos autos sua folha


de antecedentes criminais, indicando a existência de mandado de prisão ou
registro de outras ocorrências policiais contra ele;

VII - remeter, no prazo legal, os autos do inquérito policial ao juiz e ao


Ministério Público.

§ 1o O pedido da ofendida será tomado a termo pela autoridade policial e


deverá conter:

I - qualificação da ofendida e do agressor;

53
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

II - nome e idade dos dependentes;

III - descrição sucinta do fato e das medidas protetivas solicitadas pela


ofendida.

§ 2o A autoridade policial deverá anexar ao documento referido no § 1o o


boletim de ocorrência e cópia de todos os documentos disponíveis em posse da
ofendida.

§ 3o Serão admitidos como meios de prova os laudos ou prontuários


médicos fornecidos por hospitais e postos de saúde.

TÍTULO IV

DOS PROCEDIMENTOS

CAPÍTULO I

DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 13. Ao processo, ao julgamento e à execução das causas cíveis e


criminais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a
mulher aplicar-se-ão as normas dos Códigos de Processo Penal e Processo Civil
e da legislação específica relativa à criança, ao adolescente e ao idoso que não
conflitarem com o estabelecido nesta Lei.

Art. 14. Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher,


órgãos da Justiça Ordinária com competência cível e criminal, poderão ser
criados pela União, no Distrito Federal e nos Territórios, e pelos Estados, para o
processo, o julgamento e a execução das causas decorrentes da prática de
violência doméstica e familiar contra a mulher.

54
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Parágrafo único. Os atos processuais poderão realizar-se em horário


noturno, conforme dispuserem as normas de organização judiciária.

Art. 15. É competente, por opção da ofendida, para os processos cíveis


regidos por esta Lei, o Juizado:

I - do seu domicílio ou de sua residência;

II - do lugar do fato em que se baseou a demanda;

III - do domicílio do agressor.

Art. 16. Nas ações penais públicas condicionadas à representação da


ofendida de que trata esta Lei, só será admitida a renúncia à representação
perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes
do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público.

Art. 17. É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar


contra a mulher, de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária,
bem como a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa.

CAPÍTULO II

DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA

Seção I

Disposições Gerais

Art. 18. Recebido o expediente com o pedido da ofendida, caberá ao juiz,


no prazo de 48 (quarenta e oito) horas:

55
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

I - conhecer do expediente e do pedido e decidir sobre as medidas


protetivas de urgência;

II - determinar o encaminhamento da ofendida ao órgão de assistência


judiciária, quando for o caso;

III - comunicar ao Ministério Público para que adote as providências


cabíveis.

Art. 19. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo


juiz, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida.

§ 1o As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas de


imediato, independentemente de audiência das partes e de manifestação do
Ministério Público, devendo este ser prontamente comunicado.

§ 2o As medidas protetivas de urgência serão aplicadas isolada ou


cumulativamente, e poderão ser substituídas a qualquer tempo por outras de
maior eficácia, sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados
ou violados.

§ 3o Poderá o juiz, a requerimento do Ministério Público ou a pedido da


ofendida, conceder novas medidas protetivas de urgência ou rever aquelas já
concedidas, se entender necessário à proteção da ofendida, de seus familiares e
de seu patrimônio, ouvido o Ministério Público.

Art. 20. Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal,


caberá a prisão preventiva do agressor, decretada pelo juiz, de ofício, a
requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade
policial.

56
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Parágrafo único. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no curso


do processo, verificar a falta de motivo para que subsista, bem como de novo
decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem.

Art. 21. A ofendida deverá ser notificada dos atos processuais relativos
ao agressor, especialmente dos pertinentes ao ingresso e à saída da prisão,
sem prejuízo da intimação do advogado constituído ou do defensor público.

Parágrafo único. A ofendida não poderá entregar intimação ou notificação


ao agressor.

Seção II

Das Medidas Protetivas de Urgência que Obrigam o Agressor

Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a


mulher, nos termos desta Lei, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor,
em conjunto ou separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência,
entre outras:

I - suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação


ao órgão competente, nos termos da Lei no 10.826, de 22 de dezembro de
2003;

II - afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida;

III - proibição de determinadas condutas, entre as quais:

a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas,


fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor;

57
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer


meio de comunicação;

c) freqüentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade


física e psicológica da ofendida;

IV - restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a


equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar;

V - prestação de alimentos provisionais ou provisórios.

§ 1o As medidas referidas neste artigo não impedem a aplicação de


outras previstas na legislação em vigor, sempre que a segurança da ofendida
ou as circunstâncias o exigirem, devendo a providência ser comunicada ao
Ministério Público.

§ 2o Na hipótese de aplicação do inciso I, encontrando-se o agressor nas


condições mencionadas no caput e incisos do art. 6o da Lei no 10.826, de 22 de
dezembro de 2003, o juiz comunicará ao respectivo órgão, corporação ou
instituição as medidas protetivas de urgência concedidas e determinará a
restrição do porte de armas, ficando o superior imediato do agressor
responsável pelo cumprimento da determinação judicial, sob pena de incorrer
nos crimes de prevaricação ou de desobediência, conforme o caso.

§ 3o Para garantir a efetividade das medidas protetivas de urgência,


poderá o juiz requisitar, a qualquer momento, auxílio da força policial.

§ 4o Aplica-se às hipóteses previstas neste artigo, no que couber, o


disposto no caput e nos §§ 5o e 6º do art. 461 da Lei no 5.869, de 11 de
janeiro de 1973 (Código de Processo Civil).

58
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Seção III

Das Medidas Protetivas de Urgência à Ofendida

Art. 23. Poderá o juiz, quando necessário, sem prejuízo de outras


medidas:

I - encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou


comunitário de proteção ou de atendimento;

II - determinar a recondução da ofendida e a de seus dependentes ao


respectivo domicílio, após afastamento do agressor;

III - determinar o afastamento da ofendida do lar, sem prejuízo dos


direitos relativos a bens, guarda dos filhos e alimentos;

IV - determinar a separação de corpos.

Art. 24. Para a proteção patrimonial dos bens da sociedade conjugal ou


daqueles de propriedade particular da mulher, o juiz poderá determinar,
liminarmente, as seguintes medidas, entre outras:

I - restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor à ofendida;

II - proibição temporária para a celebração de atos e contratos de


compra, venda e locação de propriedade em comum, salvo expressa
autorização judicial;

III - suspensão das procurações conferidas pela ofendida ao agressor;

59
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

IV - prestação de caução provisória, mediante depósito judicial, por


perdas e danos materiais decorrentes da prática de violência doméstica e
familiar contra a ofendida.

Parágrafo único. Deverá o juiz oficiar ao cartório competente para os fins


previstos nos incisos II e III deste artigo.

g. Gabarito

1 2 3 4 5
Certo Errado Certo Errado Errado
6 7 8 9 10
Certo Certo Errado Letra E Errado
11 12 13 14 15
Errado Errado Errado Errado Errado
16 17 18 19 20
I a III.
Certo Certo Certo Errado Errados;
IV.Certo
21 22 23 24 25
Errado Errado Certo Certo Letra D
26 27 28 29 30
Letra C Letra E Errado Errado Errado

60
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

h. Breves comentários às questões:

1. CESPE/2017 – TJ/PR - Juiz de Direito (adaptada)

Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher


são inaplicáveis as normas tutelares despenalizadoras da Lei dos Juizados
Especiais Cíveis e Criminais.

Comentário: Art.41 da LMP.

Gabarito: ―Certo‖

2. CESPE/2017 – PC/GO - Delegado de Polícia (adaptada)

Afasta-se a incidência da Lei Maria da Penha na violência havida em


relações homoafetivas se o sujeito ativo é uma mulher.

Comentário: O sujeito ativo dos crimes praticados no âmbito da LMP


(violência doméstica e familiar contra a mulher), pode ser homem ou mulher.
Já o sujeito passivo, no âmbito da LMP, sempre será a mulher, independente de
sua orientação sexual.

Gabarito: ―Errado‖

3. CESPE/2017 – PC/GO - Delegado de Polícia (adaptada)

No âmbito de aplicação da referida lei, as medidas protetivas de urgência


poderão ser concedidas independentemente de audiência das partes e de
manifestação do Ministério Público, o qual deverá ser prontamente comunicado.

61
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Comentário: Art.19 § 1º da LMP.

Gabarito: ―Certo‖

4. CESPE/2017 – PC/GO - Delegado de Polícia (adaptada)

Júlio, durante discussão familiar com sua mulher no local onde ambos
residem, sem justo motivo, agrediu-a, causando-lhe lesão corporal leve. Nessa
situação hipotética, conforme a Lei n.º 11.340/2006 e o entendimento do STJ, a
ofendida poderá renunciar à representação, desde que o faça perante o juiz.

Comentário: As lesões corporais leves e culposas, em regra, são de


ação penal pública condicionada à representação. No entanto, quando
praticados no âmbito da violência doméstica e familiar, serão de ação penal
pública incondicionada (Súmula 542/STJ).

Gabarito: ―Errado‖

5. UFPA/2017 – UFPA - Assistente Social (adaptada)

É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar contra a


mulher, de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem como
a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa, salvo, no
último caso, se houver consentimento da ofendida

Comentário: Art. 17 da LMP. É irrelevante, no caso, eventual


consentimento da ofendida.

Gabarito: ―Errado‖

6. UFPA/2017 – UFPA - Assistente Social (adaptada)

62
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

A autoridade policial, no atendimento de mulher em situação de violência


doméstica e familiar, deverá fornecer transporte para a ofendida e seus
dependentes para abrigo ou local seguro, quando houver risco de vida, bem
como informar à ofendida os serviços disponíveis.

Comentário: Art. 11, III da LMP.

Gabarito: ―Certo‖

7. Fundação La Salle/2017 – SUSEPE/RS - Agente Penitenciário


(adaptada)

A ofendida deverá ser citada e intimada dos atos processuais relativos ao


agressor, especialmente dos pertinentes ao ingresso e à saída da prisão, sem
prejuízo da intimação do advogado constituído ou do defensor público.

Comentário: Art. 21 da LMP.

Gabarito: ―Certo‖

8. CESPE/2016 – TRT/8ª Região - Analista judiciário (adaptada)

A coabitação entre os sujeitos ativo e passivo é condição necessária para


a aplicação da Lei Maria da Penha no âmbito das relações íntimas de afeto.

Comentário: O inciso III do art.5º da LMP traz hipótese onde não é


necessária a coabitação para configuração da violência doméstica e familiar.
Gabarito: ―Errado‖

9. CESPE/2016 – TJ/AM - Juiz Substituto (adaptada)

63
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Com relação às disposições da Lei n.º 11.340/2006 — Lei Maria da Penha —,


assinale a opção correta.

a) Para os efeitos da referida lei, a configuração da violência doméstica e


familiar contra a mulher depende da demonstração de coabitação da ofendida e
do agressor.

b) Os juizados especiais de violência doméstica e familiar contra a mulher


têm competência exclusivamente criminal.

c) É tido como o âmbito da unidade doméstica o espaço de convívio


permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, salvo as esporadicamente
agregadas.

d) A ofendida poderá entregar intimação ou notificação ao agressor se


não houver outro meio de realizar a comunicação.

e) Considera-se violência sexual a conduta de forçar a mulher ao


matrimônio mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação, assim
como a conduta de limitar ou anular o exercício de seus direitos sexuais e
reprodutivos.

Comentários:

a) O inciso III do art.5º da Lei Maria da Penha alcança qualquer relação


íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida,
independentemente de coabitação.

b) A Lei previu a criação de Juizados de Violência Doméstica e Familiar,


com competência para julgamento das causas decorrentes da prática de
violência doméstica e familiar contra a mulher. Esses Juizados têm competência
cível e criminal (art.14 da LMP).

64
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

c) O inciso I do art.5º da Lei inclui, no âmbito da unidade doméstica, as


pessoas esporadicamente agregadas.

d) Parágrafo único do art.21 da LMP: ―A ofendida não poderá entregar


intimação ou notificação ao agressor.‖.

e) Art.7º, inciso III da LMP.

Gabarito: ―E‖

10. CESPE/2016 – PC/GO - Agente de Polícia (adaptada)

Na hipótese de o patrão praticar violência contra sua empregada


doméstica, a relação empregatícia impedirá a aplicação da lei em questão.

Comentário: Art.5º, I da LMP. A relação empregatícia não afasta a


caracterização do crime, eis que cometido no âmbito doméstico (lembre-se:
com ou sem vinculo familiar)

Gabarito: ―Errado‖

11. CESPE/2016 – PC/GO - Agente de Polícia (adaptada)

A referida lei trata de violência doméstica e familiar em que,


necessariamente, a vítima é mulher, e o sujeito ativo, homem.

Comentário: O sujeito ativo dos crimes praticados no âmbito da LMP


(violência doméstica e familiar contra a mulher), pode ser homem ou mulher.
Já o sujeito passivo, no âmbito da LMP, sempre será a mulher, independente de
sua orientação sexual.

65
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Gabarito: ―Errado‖

12. VUNESP/2016 – TJ/RJ - Juiz de Direito (adaptada)

A, casada com B, durante uma discussão de casal, levou um soco, sendo


ameaçada de morte. Diante dos gritos e ameaças, os vizinhos acionaram a
Polícia que, ao chegar ao local, conduziu todos à Delegacia. A, inicialmente,
prestou depoimento na Delegacia e manifestou o desejo de que o marido fosse
processado criminalmente pelos crimes de lesão corporal leve e ameaça.
Entretanto, encerradas as investigações policiais e remetidos os autos ao
Fórum, em sede de audiência preliminar, A informou o Juízo que havia se
reconciliado com B, não desejando que o marido fosse processado por ambos
os crimes.

Diante da nova manifestação de vontade de A, é correto afirmar que o


procedimento terá seguimento, tanto para o crime de ameaça quanto para o
crime de lesão corporal, pois em se tratando de crimes ocorridos no âmbito
doméstico, a ação penal é pública incondicionada, pouco importando a
retratação de A.

Comentário: Deverá ter seguimento apenas o crime de lesão corporal


leve, em que, conforme vimos, a ação penal é pública incondicionada, quando
praticado no âmbito da violência doméstica contra a mulher. Todavia, em
relação ao crime de ameaça, de fato, a retratação obsta o prosseguimento, já
que a ação penal continua condicionada à representação, ainda que praticada
em âmbito doméstico.

Gabarito: ―Errado‖

13. FGV/2016 - MPE-RJ - Analista do Ministério Público

66
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Penha foi vítima de um crime de lesão corporal leve praticada por seu
companheiro Leopoldo, que não aceitou ver a companheira conversando com
um ex-namorado na rua. Penha comparece ao Ministério Público para narrar os
fatos, sendo oferecida denúncia em face de Leopoldo. Antes do recebimento da
denúncia, Penha novamente comparece ao Ministério Público e afirma que não
mais tem interesse em ver seu companheiro processado criminalmente. Diante
da situação narrada e das previsões da Lei nº 11.340/06, é correto afirmar que:

a) a retratação de Penha ao direito de representação deverá ser ratificada


na presença do magistrado, em audiência especialmente designada para tanto,
para gerar a extinção da punibilidade;

b) a vontade de Penha é irrelevante, pois, uma vez oferecida


representação, não cabe sua retratação, independente do crime praticado
quando no contexto da Lei nº 11.340/06;

c) poderá ser aplicado a Leopoldo o benefício da transação penal, em


razão da pena prevista ao delito;

d) não cabe retratação ao direito de representação no contexto da Lei nº


11.340/06 após o oferecimento da denúncia;

e) a vontade de Penha é irrelevante, tendo em vista que a infração penal


praticada é de natureza pública incondicionada.

Comentário: Súmula 542/STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão


corporal resultante de violência doméstica contra a mulher é pública
incondicionada.

Gabarito: ―E‖

67
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

14. FUNCAB/2016 – PC/PA - Delegado (adaptada)

Sobre a Lei de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, é correto


afirmar que a fim de conferir celeridade à investigação, o Delegado de Polícia
pode solicitar que a agredida entregue intimação ao agressor.

Comentário: Art. 21, par. único da LMP.


Gabarito: ―Errado‖.

15. FUNCAB/2016 – PC/PA - Delegado (adaptada)

Ao atender um caso de violência doméstica ou familiar contra a mulher, o


Delegado de Polícia poderá, de imediato, determinar o afastamento do agressor
do local de convivência com a agredida.

Comentário: Art. 22, II da LMP. A medida narrada compete ao Juiz, e


não ao Delegado de Polícia.
Gabarito: ―Errado‖.

16. MS CONCURSOS/2016 – CASSEMS/MS - Farmacêutico (adaptada)

Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de


que trata a Lei Maria da Penha, só será admitida a renúncia à representação
perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes
do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público.

Comentário: Art.16 da LMP.


Gabarito: ―Certo‖.

68
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

17. IDECAN/2016 – Prefeitura de Natal/RN - Advogado


(adaptada)

No ãmbito da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, serão admitidos


como meios de prova os laudos ou prontuários médicos fornecidos por hospitais
e postos de saúde.

Comentário: Em que pese a obrigatoriedade do exame de corpo de


delito (art.12, IV c/c art.158 do CPP), o legislador da LMP admitiu que a
materialidade do delito fosse comprovada a partir laudos ou prontuários
médicos fornecidos por hospitais e postos de saúde (Art.12 § 3º).

Gabarito: ―Certo‖

18. EXATUS/2016 – CERON/RO - SUPORTE ADMINISTRATIVO


(adaptada)

No atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar, a


autoridade policial deverá, entre outras providências, fornecer transporte para a
ofendida e seus dependentes para abrigo ou local seguro, quando houver risco
de vida.

Comentário: Art. 11, III da LMP.

Gabarito: ―Certo‖

19. FMP Concursos/2015 – MPE/AM - Promotor de Justiça (adaptada)

69
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

De acordo com os termos da Lei nº 11.340/2006, nas ações penais


públicas condicionadas à representação por ela tratadas, só será admitida a
retratação da representação até o oferecimento da denúncia pelo Ministério
Público.

Comentário: Art. 16 da LMP. Nas ações penais públicas condicionadas à


representação da ofendida de que trata esta Lei, só será admitida a renúncia à
representação perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal
finalidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público..

Gabarito: ―Errado‖

20. FUNCAB/2015 - PC-AC - Perito Criminal (adaptada)

Com base na Lei n° 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), julgue as


alternativas abaixo.

I. Na hipótese da prática de violência doméstica contra a mulher, somente


a autoridade judiciária poderá autorizar o encaminhamento da ofendida ao
Instituto Médico Legal, para realização do regular exame de corpo de delito.

II. Após registrar a ocorrência de violência doméstica e familiar em uma


Unidade de Polícia Judiciária e, em conseqüência, ter sido instaurado inquérito
policial, a vítima, desejando impedir o prosseguimento da investigação criminal,
deve manifestar expressamente o seu desejo de renúncia diretamente à
autoridade policial.

III. Para concessão de medida protetiva de urgência prevista na Lei Maria


da Penha, o juiz deverá colher prévia manifestação do Ministério Público, sob
pena de nulidade absoluta do ato.

70
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

IV. Em todos os atos processuais, cíveis e criminais, a mulher em situação


de violência doméstica e familiar deverá estar acompanhada de advogado,
contudo, poderá, excepcionalmente, sem assistência de advogado, pedir ao juiz
a concessão de medida protetiva de urgência.

Comentário:
I. Nos termos do art.11 da LMP, por ocasião do atendimento à mulher
em situação de violência doméstica e familiar, a autoridade policial
deverá encaminhar a ofendida ao hospital ou posto de saúde e ao
Instituto Médico Legal. Não há, portanto, que se falar em ―somente
a autoridade judiciária‖.

II. Nas ações penais públicas condicionadas à representação da


ofendida, só será admitida a renúncia à representação perante o
juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade,
antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público
(art.16).

III. Dependendo da urgência do caso, o juiz poderá determinar as


medidas protetivas de imediato, sem ouvir a parte contrária ou o
Ministério Público (§1º do art.19). No entanto, o MP deverá ser
prontamente comunicado dessa decisão.

IV. Art.19 e 27 da LMP:

Art. 27. Em todos os atos processuais, cíveis e criminais, a


mulher em situação de violência doméstica e familiar deverá
estar acompanhada de advogado, ressalvado o previsto no
art. 19 desta Lei.

71
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Art. 19. As medidas protetivas de urgência poderão ser


concedidas pelo juiz, a requerimento do Ministério Público ou
a pedido da ofendida.

Gabarito: I, II e III, errados. IV, certo.

21. CESPE/2015 – TJ/PB - Juiz Substituto (adaptada)

Acerca dos crimes em espécie previstos no CP e na legislação penal


especial, julgue o item a seguir:
O crime de lesão corporal praticado por um indivíduo contra seu irmão, no
âmbito doméstico, configura apenas o crime de lesão corporal simples, dada a
inaplicabilidade da Lei Maria da Penha em casos em que a vítima seja do sexo
masculino.

Comentário:

Vimos que o sujeito ativo dos crimes praticados no âmbito da LMP


(violência doméstica e familiar contra a mulher), pode ser homem ou mulher.
Já o sujeito passivo, no âmbito da LMP, sempre será a mulher, independente de
sua orientação sexual. De fato, então, não cabe a aplicação da LMP.

O erro reside na modalidade da lesão corporal. O §9º do art.129 do


Código Penal tipifica o crime de lesão corporal leve qualificada pela violência
doméstica e familiar. Nesses casos, a vítima tanto pode ser homem ou mulher.
Não se trata, portanto, de lesão corporal simples, mas sim qualificada.

Lesão corporal
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de
outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.

72
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

§ 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente,


irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou
tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das
relações domésticas, de coabitação ou de
hospitalidade: (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006)

Gabarito: ―Errado‖

22. VUNESP/2015 – PC/CE - Inspetor de Polícia (adaptada)

A Lei n o 11.340/2006, conhecida como ―Lei Maria da Penha‖, estabelece


que na ocorrência de uma briga (com agressão física) entre vizinhos, desde que
envolvendo um homem e uma mulher e com residências próximas, aplicam-se
as disposições da Lei Maria da Penha.

Comentário: Não é qualquer violência cometida contra mulher que será


objeto da LMP, mas somente aquela que ocorra na esfera da relação doméstica
ou familiar ou de relação íntima de afeto, conforme as definições do art.5º.
Lembre-se que, além disso, deve estar presente a situação de vulnerabilidade
da vítima, caracterizando a violência contra o gênero feminino.

Gabarito: ―Errado‖

23. FCC/2015 – TJ/SC - Juiz de Direito (adaptada)

Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de


que trata a Lei no 11.340/2006, só será admitida a renúncia à representação

73
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes


do recebimento da denúncia.

Comentário: Art. 16 da LMP.

Gabarito: ―Certo‖

24. FCC/2015 – TJ/SC - Juiz de Direito (adaptada)

É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar contra a


mulher, de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem como
a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa.

Comentário: Art. 17 da LMP.

Gabarito: ―Certo‖

25. FUNCAB/2014 - Prefeitura de Rio Branco - Agente


administrativo

A Lei Federal n° 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, cria


mecanismos para coibir e prevenir a violência contra a mulher, dispõe sobre a
criação de juizados especiais para atendimento à mulher violentada e
estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de
violência. Os mecanismos a que se refere essa lei visam protegera mulher que
sofra violência:

a) no âmbito religioso.
b) no âmbito profissional.
c) em qualquer âmbito.
d) no âmbito doméstico e familiar.
e) no âmbito escolar ou universitário.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Comentário: Essa foi bem simples! Não é qualquer violência cometida


contra mulher que será objeto da LMP, mas somente aquela que ocorra na
esfera da relação doméstica ou familiar ou de relação íntima de afeto, conforme
as definições do art.5º. Lembre-se que, além disso, deve estar presente a
situação de vulnerabilidade da vítima, caracterizando a violência contra o
gênero feminino.

Gabarito: ―D‖

26. CESPE/2013 - DPE/RR - Defensor Público

Com base no disposto na Lei Maria da Penha — Lei n.º 11.340/2006 —,


assinale a opção correta.

a) A lei em pauta estabelece a habitualidade das condutas como requisito


configurador das infrações nela contempladas, ou seja, como elemento
constitutivo do tipo.

b) Caso uma empregada doméstica, maior e capaz, ao receber a notícia


que será despedida, sob a suspeita da prática de furtos, agrida seu patrão —
este com sessenta e sete anos de idade — e fuja, tal conduta da empregada em
face do patrão caracterizará violência doméstica expressamente tipificada na lei
em questão.

c) A violência familiar, assim considerada para efeitos da lei em pauta,


engloba a praticada entre pessoas unidas por vínculo jurídico de natureza
familiar ou por vontade expressa.

d) O conflito entre vizinhas de que resulte violência física e agressões


verbais constitui evento que integra a esfera da violência doméstica e familiar
de que trata a lei em apreço.

75
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

e) Para a caracterização de violência doméstica e familiar é imprescindível


a existência de vínculo familiar entre o agente e o paciente.

Comentário:

A) a LMP não descreve condutas típicas. Ou seja, não existem ―infrações


nela contempladas‖. Além disso, a habitualidade não é requisito configurador da
situação de violência doméstica ou familiar.

B) o sujeito passivo da violência doméstica e familiar referida na LMP é


sempre a mulher, independentemente de sua orientação sexual (não confunda
com a violência doméstica do § 9o do art.129 do CP)

C) Art.5º, II da LMP.

D) as relações de vizinhança não estão contempladas no âmbito da LMP


(ver art.5º, I, II e III da LMP).

E) a existência de vínculo familiar não é imprescindível para


caracterização de violência doméstica e familiar (art.5º, I da LMP).

Gabarito: ―C‖

27. CESPE/2013 – TJ/RR - Titular de Serviços de Notas e de


Registros

À luz do disposto na Lei n.º 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), assinale a


opção correta.

a) A referida lei não prevê, como forma de violência doméstica e familiar


contra a mulher, a violência patrimonial.

b) Na ação relativa à prática de crimes mediante violência doméstica e


familiar contra a mulher, independentemente da pena prevista, é vedado o

76
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

oferecimento de transação penal, sendo permitida, entretanto, a suspensão


condicional do processo.

c) Para que seja configurada violência doméstica e familiar contra a


mulher, é indispensável que o agressor e a vítima coabitem o mesmo lar.

d) De acordo com o entendimento consolidado do STF e do STJ, o crime


de lesão corporal leve ou culposa praticado contra a mulher no âmbito das
relações domésticas deve ser processado mediante ação penal pública
condicionada à representação da vítima.

e) Conforme entendimento do STJ, embora a Lei Maria da Penha vise à


proteção da mulher, o aumento da pena nela prevista para a prática do crime
de lesão corporal praticada mediante violência doméstica, tipificado no Código
Penal, aplica-se também no caso de a vítima ser do sexo masculino.

Comentários:

a) Art. 5º, caput, da LMP: Para os efeitos desta Lei, configura violência
doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão
baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual
ou psicológico e dano moral ou patrimonial.

b) Não se aplica o rito da Lei n.º 9.099/95 aos crimes praticados no


âmbito da violência doméstica e familiar contra a mulher. Em
consequência, também não são aplicáveis os institutos
despenalizadores previstos na Lei n.º 9.099/95 (art.41 da LMP).

c) O inciso III do art.5º da LMP alcança qualquer relação íntima de afeto,


na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida,
independentemente de coabitação

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

d) Os crimes de lesões corporais leves e lesões culposas, quando


cometidos no âmbito da violência doméstica e familiar contra a mulher,
serão de ação penal pública INCONDICIONADA. Logo, a ação penal
independerá de representação da ofendida.

e) Correta a assertiva. A LMP alterou o art.129 do Código Penal para


incluir uma modalidade qualificada de lesão corporal (―violência
doméstica‖), que se aplica à vítima homem ou mulher. Veja:

Lesão corporal
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
§ 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente,
irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha
convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações
domésticas, de coabitação ou de hospitalidade: (Redação dada
pela Lei nº 11.340, de 2006)

Gabarito: ―E‖

28. CESPE/2013 – PC/BA - Delegado de Polícia

Após a Segunda Guerra Mundial, com o reconhecimento e a ampliação


dos direitos humanos, ocorreram mudanças na sociedade em relação a vários
temas, que repercutiram na pós-modernidade, entre os quais se destaca o
combate a qualquer forma de discriminação. Considerando esse assunto, julgue
o item abaixo.

De acordo com a Lei Maria da Penha, nas ações penais públicas


condicionadas à representação da vítima de violência doméstica, admite-se a
possibilidade de renúncia da ação pela parte ofendida, em qualquer fase

78
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

processual, sendo exigida, no entanto, a manifestação do Ministério Público


(MP).

Comentários: Art. 16 da LMP: ―Nas ações penais públicas condicionadas


à representação da ofendida de que trata esta Lei, só será admitida a renúncia
à representação perante o juiz, em audiência especialmente designada com
tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público‖.

Logo, admite-se a possibilidade de renúncia à representação, antes do


recebimento da denúncia (e não em qualquer fase processual), perante o juiz.

Gabarito: ―Errado‖

29. CESPE/2012 – MPE/PI - Promotor de Justiça (adaptada)

Nos casos de lesões corporais culposas praticadas contra a mulher em


âmbito doméstico, a ação penal cabível é pública condicionada à representação,
conforme o disposto na Lei n.º 9.099/1995.

Comentário: Os crimes de lesões corporais leves e lesões culposas,


quando cometidos no âmbito da violência doméstica e familiar contra a mulher,
serão de ação penal pública INCONDICIONADA. Logo, a ação penal independerá
de representação da ofendida.

Gabarito: ―Errado‖

30. CESPE/2012 – PC/AL - Escrivão de Polícia

A Lei Maria da Penha incide apenas nos casos em que a violência


doméstica e familiar contra a mulher, que consiste em ação ou omissão,
baseada no gênero, que resulte em morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

psicológico e dano moral ou patrimonial, é praticada no âmbito da unidade


doméstica.

Comentário: Típica ―pegadinha‖ de concurso. Você notou o ―apenas‖ no


início do enunciado? O art.5º da LMP define seu âmbito de aplicação, que
engloba a unidade domestica, da família e qualquer relação íntima de afeto.
Portanto, não há que se falar em ―apenas‖ no âmbito da unidade doméstica.
Muito cuidado com as palavras ―apenas‖, ―somente‖, ―sempre‖, ―nunca‖, etc.

Gabarito: ―Errado‖

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